VI OLÊNCI A FÍ SI CA COMO PRÁTI CA EDUCATI VA
1Car olina Jacom ini do Car m o2 Maria de Jesus C. S. Harada3
Est udo descr it ivo e cor r elacional, r ealizado em um hospit al de ensino, em 2004, obj et ivando conhecer se, d en t r o d o con t ex t o d e v iolên cia d om ést ica, os p ais u t ilizam a v iolên cia f ísica com o p r át ica ed u cat iv a. Ut ilizou- se ent r ev ist a sem i- est r ut ur ada par a car act er izar a população, e sit uações do cot idiano fam iliar par a ident ificar a at it ude dos pais no pr ocesso de educação. Result ados: A sit uação de m aior v ulner abilidade par a o uso de v iolência física foi a de desobediência às or dens pr é- det er m inadas ( 40% ) , seguida pela sit uação na qual a cr iança fur t a algo, com 3 1 , 7 % dos casos. Foi significant e ( p= 0 , 0 2 0 ) o uso da v iolência física com o pr át ica disciplinador a, associado ao desem pr ego. Quar ent a por cent o da população afir m a im por sua v ont ade sob r e seu f ilh o, e 5 7 % t er ap an h ad o d e seu s p ais em sit u ações d e im p or lim it es. Ju lg a- se im p or t an t e o con h ecim en t o e a r ef lex ão d os f at or es q u e en v olv em a v iolên cia d om ést ica, p ar a alicer çar p r og r am as d e pr ev enção e que sej am capazes de ger ar um a consciência colet iv a.
DESCRI TORES: v iolência dom ést ica; m aus- t r at os infant is; enfer m agem pediát r ica
PHYSI CAL VI OLENCE AS EDUCATI ONAL PRACTI CE
This descr ipt iv e and cor r elat ional st udy , car r ied out at a t eaching hospit al in 2004, aim ed t o get t o k n o w i f , i n t h e co n t ex t o f d o m est i c v i o l en ce, p ar en t s u se p h y si cal v i o l en ce as an ed u cat i o n al p r act i ce. Sem ist ruct ured int erviews were used t o charact erize t he populat ion, and sit uat ions of daily fam ily life t o ident ify par ent s’ at t it ude in t he educat ion pr ocess. Result s: t he m ost v ulner able sit uat ion t o use phy sical punishm ent w as disobedien ce t o par en t s’ pr edet er m in ed or der s ( 4 0 % ) , f ollow ed by t h e sit u at ion w h en t h e ch ild st eals som et hing ( 31.7% ) . The use of physical violence as a disciplinary pract ice was significant ( p= 0.020) , associat ed w it h unem ploy m ent . For t y per cent of t he populat ion r epor t ed t hey im posed t heir w ill on t heir child, and 57% m en t ion ed t h ey h ad been ph y sically pu n ish ed by t h eir par en t s in lim it - im posin g sit u at ion s. Kn ow ledge an d r eflect ion on fact or s inv olv ing dom est ic v iolence ar e v er y im por t ant t o consolidat e pr ev ent ion pr ogr am s and w hich could gener at e a collect iv e consciousness.
DESCRI PTORS: dom est ic v iolence; child abuse; pediat r ic nur sing
VI OLENCI A FÍ SI CA COMO PRÁCTI CA EDUCATI VA
Est udio descript ivo y correlacional realizado en un hospit al de enseñanza, en 2004, con el obj et ivo de con ocer , si den t r o del con t ex t o de v iolen cia dom ést ica, los padr es u t ilizan la v iolen cia f ísica com o pr áct ica educat iva. Se ut ilizó una ent revist a sem i- est ruct urada para caract erizar la población y sit uaciones del cot idiano fam iliar par a ident ificar la act it ud de los padr es en el pr oceso de educación. Result ados: la sit uación donde hubo gr an v ulner abilidad par a el uso de la v iolencia física fue la de desobediencia a ór denes pr eest ablecidas ( 4 0 % ) , acom p añ ad a p or la sit u ación d on d e el n iñ o h u r t a cu alq u ier cosa, con el 3 1 . 7 % d e los casos. Fu e significant e ( p= 0.020) el uso de la violencia física com o práct ica disciplinadora, asociada al desem pleo. El 40% de la población afir m ó im poner su volunt ad sobr e el hij o, y el 57% de haber sido físicam ent e punido por sus padr es en sit u acion es par a im pon er lím it es. Es im por t an t e el con ocim ien t o y la r eflex ión sobr e los fact or es involucrados en la violencia dom ést ica, para consolidar program as de prevención que sean capaces de generar u n a con cien cia colect iv a.
DESCRI PTORES: v iolencia dom ést ica; m alt r at o a los niños; enfer m er ía pediát r ica
1 Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvim ent o Cient ífico e Tecnológico – CNPq – 2003- 2004; 2 Aluna do 4º ano de Graduação em
Enferm agem , bolsist a de I niciação Cient ífica do CNPq, e- m ail: carol_epm @yahoo.com .br; 3 Enferm eira, Doutor em Enferm agem , Professor Adj unto, e- m ail:
I NTRODUÇÃO
A
v iolên cia con t r a cr ian ça e ad olescen t esem pr e ex ist iu , n ão se t r at an do, por t an t o, de u m f e n ô m e n o r e ce n t e , p r e se n t e a p e n a s n o m u n d o co n t e m p o r â n e o . É f a t o q u e , e m d e t e r m i n a d a s com unidades, os m aus- t r at os infant is er am aceit os de form a declarada ou velada, chegando, em algum as si t u a çõ e s, a o f i l i cíd i o , e l e v a n d o a s t a x a s d e m ort alidade infant il( 1).
At u alm en t e, as v iolên cias e os acid en t es constituem - se na segunda causa de óbitos no quadro da m ort alidade geral brasileira( 2). A gravidade desse problem a atinge toda a infância e adolescência, e suas con seq ü ên cias d eix am m ar cas em seu s cor p os e m ent es por t oda a vida.
Ent re os at os de violência m ais freqüent es, os que ocorrem no am bient e dom ést ico são os que pr oduzem m aior gr av idade, podendo lev ar cr ianças ao óbit o, infelizm ent e não raro. Exist e um consenso de que essas são devast adoras, at ingindo não só a v ida da cr iança na degr adação em ocional e física, m as t am bém a fam ília e sociedade( 3- 4).
Em n o sso p a ís, a v i o l ê n ci a d o m é st i ca com eçou a ser discut ida com m aior ênfase a par t ir da década de 80, quando o “ pact o do silêncio” que gira em t orno desaa quest ão com eçou a dar indícios de fragilidade, da m esm a form a que o poder absoluto sobr e o dest ino da cr iança pelos pais, exer cido at é então, sofreu um abalo. Dos fatores que contribuíram par a o desencadeam ent o desse pr ocesso, o avanço da legislação br asileir a n o cam po dos dir eit os da criança e do adolescente e a divulgação pela im prensa e scr i t a , t e l e v i si v a e f a l a d a f o r a m a l g u n s d o s m e ca n i sm o s q u e p o ssi b i l i t a r a m t r a ze r e ssa pr oblem át ica par a o cer ne de discussão em nossa sociedade( 5).
Obser v a- se, ain da, qu e h ou v e u m gr an de increm ento de produção científica na área de violência co n t r a cr i a n ça s e a d o l e sce n t e s co m d i f e r e n t e s abor dagens, concent r ando- se gr ande par t e dessas publicações pr incipalm ent e na segunda m et ade da década de novent a, o que parece t raduzir a grande in f lu ên cia d o Est at u t o d a Cr ian ça e Ad olescen t e, prom ulgado em 1990( 6).
A com plexidade para o ent endim ent o sobre as diferentes causas da violência, sej am elas política, econ ôm ica, cu lt u r al, r elig iosa, ét n ica, d e g ên er o,
et ária, dent re out ras, t orna o seu enfrent am ent o um gr ande desafio, ex igindo com o par t e do pr ocesso, esf or ços de pesqu isa par a m elh or com pr een são e explicação do problem a em sit uações concret as.
A v i o l ê n ci a d o m é st i ca n e st e co n t e x t o é conceituada com o “ todo ato ou om issão praticado por p a i s, p a r e n t e s o u r e sp o n sá v e i s p e l a cr i a n ça / adolescent e que sendo capaz de causar dano físico, sex ual, psicológico à v it im a – im plica de um lado, um a coisificação da infância, ist o é, um a negação do dir eit o que cr ianças e adolescent es t êm de ser em tratados com o suj eitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvim ent o”( 7) .
Dent ro desse cont ext o am plo e com plexo da violência dom éstica, um dos aspectos que nos parece im portante ser estudado se refere ao uso da violência física.
Muitos estudos indicam que a violência física com eça no “ t apinha”, depois, a int ensidade vai se agravando, e a form a se diversificando. É im portante que pais e educadores acreditem que “ é possível im por lim ites sem recorrer à violência”, ou ainda, que “ bater não é um a for m a de com unicação”, com o r efer e o Lab or at ór io d e Est u d os d a Cr ian ça e Ad olescen t e ( LACRI ) , ressalt ando que a indiferença pat erna pode ser igualm ent e danosa à criança( 8).
Un i d o s d a Am é r i ca e Ho n g Ko n g , t a m b é m sã o percebidas at it udes sem elhant es( 9).
D e ssa f o r m a , p o d e - se p e r ce b e r q u e , atualm ente, no m undo, o tem a violência desperta um a gr ande pr eocupação em r azão de suas im plicações sociais. A pesquisa, por não est ar desv inculada da prática, tam bém deve enfocar estudos que possibilitem aprender quais as causas dessa violência e indiquem est rat égias para seu enfrent am ent o. Cont udo, o que se o b se r v a n a p r á t i ca é a d i st â n ci a e n t r e a a p l i ca b i l i d a d e d a s i n t e r v e n çõ e s p r o p o st a s e a dim inuição dos índices de m orbim ort alidade at uais.
Na t e n t a t i v a d e m e l h o r e n t e n d e r e ssa s atitudes, associadas à preocupação de contribuir para m inim izar esses acont ecim ent os, desencadeia- se a seguint e indagação: de que form a o profissional da saúde, em especial o enferm eiro, poderia cont ribuir p a r a o d e se n v o l v i m e n t o d e e st r a t é g i a s v i sa n d o r e d u zi r a v i o l ê n ci a f ísi ca co n t r a a cr i a n ça e o adolescent e?
Assent e- se que o Set or Saúde não pode se m ant er alheio a essa problem át ica, sendo j ust ificável a par t icipação dos pr ofissionais desse segm ent o da sociedade no desenv olv im ent o e par t icipação at iv a n o p r ocesso d e en f r en t am en t o col et i v o con t r a a v iolência. Além disso, com o m em br o da população Un i v e r si t á r i a , t e m o s o d e v e r d e a ssu m i r u m com prom isso social com essas crianças, um a vez que so m o s t a m b é m r e sp o n sá v e i s p e l a co n st r u çã o , r enov ação e disponibilização de conhecim ent o que possam subsidiar condut as de respeit o, dignidade e afet o( 10).
É n e ssa p r e m i ssa q u e e st e e st u d o e st á pautado. Esta investigação tem por obj etivo conhecer, num a det erm inada população de pais e responsáveis por crianças, assistidas em um hospital de ensino, se e st e s u t i l i za m a v i o l ê n ci a f ísi ca co m o p a r t e d a ed u cação d e seu s f i l h o s, co m o t am b ém em q u e si t u a çõ e s e l a s o co r r e m m a i s f r e q ü e n t e m e n t e . Post er ior m ent e, pr et ende- se dar r et or no, por m eio de pr ogr am as educat iv os.
Ut i l i za r - se - á , p a r a e st a i n v e st i g a çã o , o conceit o de violência física com o “ t odo at o violent o com o uso da força física, de form a int encional, não a ci d e n t a l , p r a t i ca d a p o r p a i s o u r e sp o n sá v e i s, f am iliar es ou p essoas p r óx im as d a cr ian ça ou d o adolescente, com o obj etivo de ferir, lesar ou destruir a vít im a, deixando ou não m arcas evident es em seu corpo”( 2)
.
METODOLOGI A
Est udo descr it iv o e cor r elacional, r ealizado em um hospit al de ensino, de nív el secundár io, de m é d i a co m p l e x i d a d e , si t u a d o à zo n a n o r t e d o m unicípio de São Paulo, que at ende um a população est im ada em 2 4 0 . 0 0 0 habit ant es, e se dest ina ao t reinam ent o dos alunos de graduação dos cursos de enfer m agem e m edicina.
Par a delim it ação do t am anho da população d e st e e st u d o , f o i co n su l t a d o u m p r o f i ssi o n a l especialist a em est at íst ica, a fim de se est im ar o núm er o adequado que possibilit asse a análise dos dados. Decidiu- se por um núm ero em t orno de 100 ent revist as com os pais ou responsáveis por crianças int ernadas nas unidades pediát ricas, pois, com esse núm ero, poder- se- ia realizar t rat am ent o dos dados, sem prej uízo da análise, considerando- se o núm ero d e v ar iáv eis d o est u d o. Não f oi p ossív el r ealizar cá l cu l o a m o st r a l , d e v i d o à a u sê n ci a d e d a d o s a n t er i o r es n a p o p u l a çã o en v o l v i d a , à l u z d essa inv est igação.
A coleta de dados foi realizada no período de agost o de 2003 a j aneiro de 2004, após aprovação pelo Com it ê de Ét ica em Pesqu isa da I n st it u ição, parecer nº 0345/ 03.
Para t ant o, foi ut ilizado um inst rum ent o, do t i p o f o r m u l á r i o , su b d i v i d i d o e m t r ê s e t a p a s. A prim eira, com ident ificação dos pais ou responsável, con t en d o d ad os sob r e sex o, id ad e, escolar id ad e, situação em pregatícia, estado civil, consum o de álcool ou drogas. A segunda, dados sobre a fam ília: núm ero d e f ilh os, r en d im en t o f am iliar, r eação em ocion al quanto à gestação, socialização da criança e a form a com o, o ent r ev ist ado foi educado por seus pais na resolução de problem as. A terceira etapa foi com posta pela construção de seis situações do cotidiano fam iliar, no intuito de avaliar, por m eio das respostas obtidas, quais ser iam as sit uações de m aior v ulner abilidade para os pais ut ilizarem a violência física. Dest aca- se q u e, n essa p ar t e d a in v est ig ação, u t ilizou - se u m g r av ad or a f im d e ob t er m aior f id ed ig n id ad e n as análises das sit uações propost as, ressalt ando- se que esse recurso foi ut ilizado após consent im ent o escrit o dos part icipant es.
fr eqü ên cia absolu t a, r elat iv a e n u m ér ica, segu n do m éd i a , m ed i a n a e d esv i o p a d r ã o , e co r r el a çõ es quando aplicados.
As entrevistas gravadas tiveram as respostas t abuladas em duas cat egorias: 1) o uso de violência física; 2) não uso de violência física, tendo com o base as r espost as dos en t r ev ist ados em seis sit u ações p r op ost as, in d ep en d en t e d e t er em v iv en ciad o n a p r a t i ca o u n ã o ca d a u m a d e ssa s si t u a çõ e s. As sit uações for am :
A. Você arrum ou toda a casa. Lavou e passou toda a roupa. Depois de um dia m uit o cansat ivo, t odos vão dorm ir. No m eio da noit e seu filho vai cham ar você porque fez xixi na cam a. O que você faria?
B. O diret or da escola onde seu filho est uda cham a você para um a reunião. Nessa reunião, ele diz que seu filho est á brigando na escola. O que você faria? C. Você e seu filho est avam andando na r ua e na calçada tem um cachorro dorm indo. Ao se aproxim ar, seu filho pega um pedaço de pau e bate no cachorro. O que você faria?
D. Do lado da sua casa t em um a vendinha de doces ( b a l a , p i r u l i t o , so r v e t e ) . Um d i a v o cê p á r a p r a conversar com a dona que é sua am iga, e seu filho apr ov eit a para r oubar um doce. Você per cebe que ele est á roubando o doce. O que você faria? E. lact ent e: seu filho com eçou a engat inhar. Você se dist r ai por um t em po e seu filho sai pela casa. De r epent e v ocê ouv e um bar ulho na cozinha e cor r e par a v er o que acont eceu. Quando chega, per cebe que seu filho puxou a t oalha da m esa e quebrou a vaso de que você m ais gost ava. O que você faria? F. Pré- escolar e escolar: Você ganha um vaso e seu filho pede para ver, m as você não deixa porque acha que ele vai quebrar. Mom ent os depois seu filho vai m exer no vaso escondido e quebra. O que você faria? O form ulário foi previam ente testado com dez ent revist ados, ant es da im plem ent ação da colet a de d a d o s, e i n co r p o r a r a m - se a s a l t e r a çõ e s q u e se fizer am necessár ias.
RESULTADOS
A população do est udo car act er izou- se, na sua m aioria por m ulheres, representando 86% do total inv est igado. A m ediana da idade dos par t icipant es foi de 26 anos de idade. Com relação à escolaridade,
47% possui ensino fundam ent al incom plet o, seguido de 24% com ensino fundam ental com pleto, 21% com e n si n o m é d i o co m p l e t o , 4 % co m e n si n o m é d i o incom pleto, 2% com ensino superior incom pleto e 2% n ã o sã o a l f a b e t i za d o s. Qu a n t o à si t u a çã o e m p r e g a t íci a , 6 9 % d o s e n t r e v i st a d o s e st a v a m desem pr egados no m om ent o da colet a de dados -co n si d e r o u - se e m p r e g a d o a q u e l e i n d i v íd u o q u e trabalhava com carteira assinada. A situação conj ugal q u e ap ar eceu co m m ai o r f r eq ü ên ci a f o i a u n i ão consensual, com 44% dos par t icipant es, com um a m édia de 2,5 filhos por fam ília. No que diz respeit o ao rendim ento fam iliar, a m ediana foi de dois salários m ínim os, com um a r enda per capit a de R$ 96, 00. Ressalt a- se que o valor do salár io m ínim o ut ilizado se r e f e r e a o d o m ê s a n t e r i o r à r e a l i za çã o d a ent revist a, correspondent e a R$ 240,00 ( Tabela 1) .
Um a p eq u en a p or cen t ag em d a p op u lação invest igada, no m om ent o da realização da pesquisa, referiu fazer uso de álcool ( 14% ) . Desses, segundo o p a d r ã o d e co n su m o d e á l co o l a ce i t á v e l p e l a Organização Mundial da Saúde - OMS, som ent e um a foi considerada dependente. Não houve relato de uso de drogas ilícit as.
Co m r e l a çã o à a t i t u d e d o s p a i s o u responsáveis, quant o a im por sua vont ade sobre seu filho, 40% dos pais afirm am ter essa atitude, e 60% , não. A m aioria ( 89% ) relatou deixar seu filho brincar com ou t r as cr ian ças, e, n a m esm a pr opor ção, os incent ivam a t er am igos.
No que diz respeito a atitudes adotadas pelos pais dos ent revist ados para resoluções de problem as do cot idiano fam iliar, os par t icipant es r esponderam q u e 5 7 % d o s p a i s b a t i a m , 1 9 % so m e n t e con v er sav am , 1 5 % cast ig av am , 7 % u t ilizav am a r ep r een são v er b al , p or m ei o d e g r i t os, p al av r as inadequadas, e 2% , out ras form as ( Figura 1) .
a d s a c i t s í r e t c a r a C o ã ç a l u p o p s o r t e m â r a P
n % Média+/-d.pMedianaMínimoMáximo
e d a d
I 100 f 28 8,2 26,5 16 57
e d a d ir a l o c s E l a t n e m a d n u F . E o t e l p m o
c 24 24,0
l a t n e m a d n u F . E o t e l p m o c n
i 47 47,0
o i d é M . E o t e l p m o
c 21 21,0
o i d é M . E o t e l p m o c n
i 4 4,0
r o ir e p u S . E o t e l p m o c n
i 2 2,0
o d a z it e b a fl a o ã
N 2 2,0
o ã ç a u ti S a i c ít a g e r p m e o d a g e r p m
E 31 31,0
o d a g e r p m e s e
D 69 69,0
li v i C o d a t s E o d a s a
C 26 26,0
o d a i c r o v i
D 2 2,0
o t n u j a r o
M 44 44,0
o r i e tl o
S 27 27,0
o v ú i
V 1 1,0
s o h li f e d o r e m ú
N 243 100 2,5 1,5 1 7
a d o t n e m i d n e R a il í m a
f 2,4 1,6 2 0,5 7
r e p o t n e m i d n e R a il í m a f a t p a
c 100 100 0,59 0,5 0,40 0,05 2,33
Tabela 1 - Caract er ização da popu lação est u dada, segundo idade, escolaridade, sit uação em pregat ícia, est ado civ il, núm er o de filhos, r endim ent o fam iliar, relação per capit a do rendim ent o fam iliar. São Paulo, 2003
* os casos com rendim ent o < 1 salário foram considerados 0,5 salário, para efeit o de cálculos.
%QPXGTUCPFQ $CVGPFQ %CUVKICPFQ 4GRTGGPFGPFQ 1WVTQU
Fi g u r a 1 - At i t u d e s u t i l i za d a s p e l o s p a i s d o s e n t r e v i st a d o s p a r a r e so l u çõ e s d e p r o b l e m a s d o cot idiano fam iliar. São Paulo, 2003
Ainda com r elação às sit uações pr opost as, r eso l v eu - se an al i sar sep ar ad am en t e so m en t e o s casos em que se ut ilizou ou ut ilizar- se- ia a violência física. Na sit uação A, não foi ut ilizada violência física por nenhum dos participantes. Por sua vez, a situação F foi a de m aior vulnerabilidade para a ut ilização da violência física, seguida pela sit uação D, em que foi verificado o uso desta prática por 31,7% dos pais, no pr ocesso de educação de seus filhos. A sit uação C r epr esent ou 16,7% de uso da v iolência física pelos pais com seus filhos. Com r elação à sit uação E, a reação dos pais frent e a essa sit uação seria de usar
a violência física em 8,3% desses casos. Já a situação B utilizaria em 3,3% a violência física contra a criança. Foi en con t r ada difer en ça sign ifican t e ( p = 0, 020) ent r e a sit uação em pr egat ícia dos pais e o uso de violência física. Destaca- se que, no grupo que ut ilizou ou ut ilizar ia v iolência em pelo m enos um a d a s si t u a çõ e s a p r e se n t a d a s, 8 1 % e st a v a m desem pr egados.
A análise de associação ent r e a idade dos pais e o uso da violência física nos perm it iu verificar que não houve diferença estatisticam ente significante, nas situações C ( p = 0,713) , E ( p = 0,163) e F ( p = 0 , 2 5 7 ) . Por ém , na sit uação D ( p = 0 , 0 1 7 ) , houv e associação posit iv a, na qual a m édia de idade dos pais que utilizaram violência física foi significantem ente m enor do que a m édia de idade dos pais que não ut ilizar am .
Com relação à escolaridade dos pais e o uso d e v iolên cia f ísica, n ão f oi en con t r ad a d if er en ça est at ist icam ent e significant e nas sit uações C ( p = 0,956) , D ( p = 0,290) , E ( p = 0,734) e F ( p = 0,910) , com o t am bém em relação ao est ado civil dos pais e ut ilização da v iolência física nas sit uações C ( p = 0,506) , D ( p = 0,688) , E ( p = 0,814) e F ( p = 0,832) . Os r esu lt ad os r ev elar am , ain d a, q u e n ão houve associação posit iva ent re o núm ero de filhos do casal e o uso da violência física nas situações C ( p = 0,713) , D ( p = 0,571) , E ( p = 0,156) e F ( p = 0,402) . Não foi possível aplicar t est e est at íst ico para verificar associação ent re a sit uação B e os dem ais par âm et r os acim a descr it os, v ist o que apenas dois pais responderam de form a afirm at iva que ut ilizam a violência física.
DI SCUSSÃO
n ecessidade de u m m aior apr of u n dam en t o n essas quest ões que envolvem a t em át ica.
No caso part icular da violência física cont ra a criança e adolescent e, essa visão est á associada a um a aceitação cultural, presente em todas as classes sociais, em que o uso da violência física é percebida co m o u m m é t o d o e f i ca z p a r a r e g u l a r o com port am ent o dos filhos.
Os dados apon t am par a a im por t ân cia da a t u a çã o d o s p r o f i ssi o n a i s d e sa ú d e q u a n t o a o esclarecim ent o de pais e responsáveis sobre adoção de form as não violent as de educação de crianças e adolescent es com o ações de educação em saúde. É n ecessá r i o , p o r ex em p l o , q u e esses p a i s sej a m esclarecidos de que dizer “ não” para seus filhos, em determ inada situação, é im portante para im por lim ites e para que as crianças const at em que são am adas. Ent ret ant o, se as im posições forem desnecessárias, ap en as co m o d em o n st r ação d e p o d er, a cr i an ça poderá tornar- se revoltada em razão de que lhe sej a negado saber o m ot ivo da proibição.
Alguns pais r elat am que, ao pr oibir em que seus filhos brinquem com outras crianças, os estavam afast ando de m ás com panhias e da violência urbana. Esse m esm o m ot iv o foi r elat ado em est u do sobr e r epr esen t ações sociais da agr essão f ísica f am iliar cont r a cr ianças e adolescent es, em um a população com car act er íst icas sem elh an t es( 5 ). Assim , os pais entendem essa proibição com o um a form a de proteção a seus filhos, dados os alt os índices de crim inalidade vigent es na com unidade onde vivem .
No que se r efer e ao uso de violência física p el o s p ai s d o s en t r ev i st ad o s, co m o u m a p r át i ca disciplinador a, os dados confir m am os achados da lit erat ura, os quais indicam que vivências ant eriores são um im port ant e com ponent e na cont inuidade do ciclo d e v iolên cia( 4 ). I n t er r om p er esse ciclo é u m desafio at ual para sociedade.
Ne sse se n t i d o , é i m p r e sci n d ív e l q u e p r o f i ssi o n a i s d a sa ú d e d e se n v o l v a m t r a b a l h o s educat iv os e de car át er colet iv o, iniciando- se com m edidas de ident ificação da população de r isco, e, post eriorm ent e, com encam inham ent o para serviços especializados par a esse t ipo de at endim ent o e ou acom panham ent o fam iliar.
Nest e est u d o, f or am id en t if icad os, ain d a, fatores de risco para a prática da violência dom éstica, com o: baixo nível socioeconôm ico, pais j ovens, pais separ ados, baix o nív el de educação dos genit or es,
g e st a çõ e s n ã o p l a n e j a d a s e n ã o d e se j a d a s, desem prego, ent re out ros( 11). Ressalt a- se que, esses f at or es n ão são det er m in an t es, m as f av or ecem o desencadeam ent o do at o.
Cont udo, houv e associação posit iv a dessas car act er íst icas, com u so d a v iolên cia f ísica e d a variável sit uação em pregat ícia ( p= 0,020) . Acredit a-se que o dea-sem pr ego est ej a v inculado ao est r esa-se gerado nessas sit uações pela inst abilidade financeira, a cobrança fam iliar que, associada ao fato de ficarem m ais t em po em cont at o com a cr iança, v iv enciam , com m ais freqüência, sit uações de vulnerabilidade.
Com r elação à idade dos par t icipant es e o u so d a v i o l ê n ci a f ísi ca , n ã o h o u v e a sso ci a çã o significante, contudo, acredita- se que as m ães j ovens acabam ut ilizando essa pr át ica com fr eqüência, ao culparem a criança por tirar sua liberdade, pelas novas responsabilidades e ainda pela cobrança da fam ília( 11). Outro fator de risco que m erece ser discutido é a relação entre as gestações não desej adas ou não planej adas e o uso do cast igo físico. Nest e est udo, não houve associação posit iva ent re est as variáveis. Po r é m , a p e sa r d e n ã o si g n i f i ca n t e , e sse f a t o é im portante no sentido de que o profissional da saúde d ev e i n i ci ar a i n t er v en ção j á d u r an t e o p er ío d o gest acional. Nesse aspect o, dest aca- se a part icipação d o en f er m ei r o n o p r o cesso d e i m p l em en t ação e d esen v o l v i m en t o em p r o g r a m a s q u e f a v o r eça o v ín cu lo d a cr ian ça com a f am ília, em at iv id ad es durant e o pré- nat al, aloj am ent o conj unt o e durant e a prát ica de m ãe canguru e de pais part icipant es( 10). No q u e d i z r esp ei t o à s o u t r a s si t u a çõ es abordadas neste estudo, destaca- se que todos os pais ou r esp on sáv eis en t r ev ist ad os n eg ar am o u so d a violência física quando a criança ainda não t em t ot al cont role de esfínct er vesical ( sit uação A) , m ost rando que há, na população est udada, conhecim ent o sobre essa peculiaridade do desenvolvim ent o da criança.
com por t am ent o sej a o único m odo de conseguir a a t e n çã o d o s p a i s. Al g u n s a u t o r e s d i v i d e m a s est rat égias ut ilizadas pelos pais em duas cat egorias: e st r a t é g i a s i n d u t i v a s e e st r a t é g i a s d e f o r ça coercit iva( 12).
O uso do castigo físico seria considerado um a est rat égia coercit iva. E, segundo esses aut ores, essa prática soluciona o problem a a curto prazo, visto que a cr ian ça ir á con t r olar su as at it u des m edian t e as pu n ições de seu s pais. Essas sit u ações, t am bém , p o d em p r o d u zi r sen t i m en t o s co m o r ai v a, m ed o , ansiedade, que podem dim inuir a com preensão das sit uações. Out ros est udos cit ados por esses aut ores dem onst ram que essa prát ica pode gerar problem as com o com por t am en t os agr essiv os, h iper at iv idade, com port am ent o delinqüent e, ent re out ros.
Qu a n d o a cr i a n ça i n i ci a o p r o ce sso d e e n t e n d i m e n t o , o d i á l o g o d e v e se r u sa d o p a r a esclarecer sobre o que é perm it ido ou não, ou sej a, deve- se procurar com que a criança reflita sobre suas at it u d es. Desse m od o, ela con seg u ir á ad q u ir ir o e n t e n d i m e n t o d a d i n â m i ca so ci a l n a q u a l e st á inserida( 13).
A segunda sit uação de m aior vulnerabilidade para o uso da violência física foi relacionada ao furto ( sit uação D) , havendo um a associação posit iva com pais ou responsáveis com idade inferior a 24 anos. Eles referiram acredit ar que, dessa form a, est ariam ev i t an d o q u e seu s f i l h o s se t r an sf o r m assem em j ov ens infr at or es, afir m ando, ainda, que sent ir iam v e r g o n h a n a si t u a çã o e x p o st a , , co m o p o d e se r verificado na fala: “ Nossa, que vergonha, hein! O que
eu faria? Eu t eria que falar com o dono do doce, paga o doce e quando chegasse em casa bat ia nele” .
Sabe- se que, na infância, a criança ainda não ent ende o significado de at os com o o fur t o e pode pr at icá- lo por div er sos m ot iv os, den t r e eles, par a suprir sua necessidade de afeto, cham ar atenção para si , m o st r ar - se m ai s au d aci o sa q u e seu s co l eg as ( m ost rar que é capaz) , confusão ent re “ achados” e “ r o u b a d o s” , o u p a r a i m i t a r co m p o r t a m e n t o s o b se r v a d o s d e n t r o d e ca sa e / o u d e p e sso a s próxim as( 14). Assim , os profissionais que cuidam de cr ianças dev em ficar at ent os quant o à necessidade de ex plicar aos pais, essas at it udes, a fim de que eles ent endam a necessidade de dialogar com seus filhos, buscando com preender o que desencadeou t al com por t am ent o.
Com relação à sit uação C, na qual a criança
m alt r at a u m an im al, obser v ou - se qu e 1 6 , 7 % das crianças seriam punidas pelos seus genitores. Segundo algu n s est u dos, cr ian ças qu e pr at icam a v iolên cia co n t r a a n i m a i s d o m é st i co s, q u a n d o a d u l t a s, ap r esen t am m ai o r p r o p en são p ar a co m et er at o s v iolent os cont r a ser es hum anos( 15). Assim , é nossa p er cep çã o q u e o s p a i s est ã o co r r et o s q u a n t o à int enção de im pedir a criança, ou ainda, de m ost rar q u e ela est á er r ad a ao ag r ed ir o an im al, p or ém discor da- se com a f or m a com o esse assu n t o est á sendo t rabalhado ent re pais e filhos.
Quant o à sit uação E, acredit a- se que o fat o de os pais pr at icar em v iolên cia f ísica poder ia ser e v i t a d o se e st e s f o sse m o r i e n t a d o s a d e i x a r o am bien t e f ísico m ais segu r o par a qu e as cr ian ças desen v olv essem at iv idades pr ópr ias de su a idade, co m o e x p l o r a r o e sp a ço o n d e v i v e m , n ã o se esquecendo da im por t ância da super v isão dur ant e as at ividades diár ias da cr iança fr ent e à pr evenção de inj úrias não int encionais.
Um a pequena por cent agem de pais r efer iu usar violência física contra seu filho, quando este tem m a u co m p o r t a m e n t o n a e sco l a ( si t u a çã o B) . É im portante ressaltar que a form a de abordagem dessa sit uação gerou dúvidas para os pais quant o ao fat o de hav er ou não a par t icipação de seus filhos nos con flit os do am bien t e escolar, qu e j u st ificassem a convocação de com parecim ento à escola. As respostas obt idas devem ser ent endidas com ressalvas, pois a m aior ia dos en t r ev ist ados r efer iu ir à escola par a saber o que havia acont ecido e, após, t om ariam as p r o v i d ê n ci a s, co m o e x e m p l i f i ca d o n a f a l a : I a
in v est ig ar se é v er d ad e ou n ão. Sab er o q u e est á acon t ecen d o com m eu f ilh o e com q u em ele est á
brigando. Vô invest igar. Não vô t om á nenhum a at it ude sem in v est igá. .
f o co ce n t r a l o i n ce n t i v o d e a t i t u d e s d e responsabilidades nas relações afet ivas e fam iliares, bem com o reflexões sobre crenças, t abus e valores cult ur ais que env olv em as r elações de poder ent r e p ai s e f i l h o s. Essa p r át i ca q u e p o d e e d ev e ser desenvolvida no cot idiano da prát ica assist encial em cr ech es, h ospit ais, post os de saú de e escolas, n o m esm o gr au de im por t ân cia qu e ou t r as ações de enferm agem durant e o processo de cuidar.
CONCLUSÕES
- 40% dos pais afir m am im por sua v ont ade sobr e seu filho;
- a m aioria ( 89% ) dos pais/ responsáveis relat ou que deixaria seu filho brincar com out ras crianças e, na m esm a proporção, eles os incent ivam a t er am igos; - 57% dos entrevistados revelaram que foram vítim a de violência física prat icada por seus pais;
- não houv e associação posit iv a ent r e sex o, idade, e sco l a r i d a d e , n ú m e r o d e f i l h o s, e st a d o ci v i l e rendim ent o fam iliar e a prát ica de cast igo, violência física;
- foi significant e ( p= 0,020) o uso da violência física co m o p r á t i ca d i sci p l i n a d o r a , co m r e l a çã o a o d esem p r ego;
- a sit uação de m aior vulnerabilidade para o uso do cast igo ou violência física com o prát ica educat iva foi a si t u a çã o d e d e so b e d i ê n ci a à s o r d e n s pr edet er m in adas ( 4 0 % ) , segu ida pela sit u ação n a qual a cr iança fur t a algo, com 31,7% dos casos, a sit uação de m aus- t r at os cont r a anim ais dom ést icos
represent ou 16,7% , e a sit uação referent e à criança explorando o am bient e com quebra de um obj et o de estim ação contribuiu com 8,3% dos casos e a situação de m au com port am ent o no am bient e escolar aparece em 3,3% dos relat os.
CONSI DERAÇÕES FI NAI S
Na av aliação das pesquisador as const at ou-se que, na cat egor ia de não uso de violência física d u r an t e as t ab u lações d as r esp ost as, alg u n s d os en t r ev ist ad os r ef er ir am o u so d e ou t r os t ip os d e violência, com o, por exem plo, a violência psicológica, que não for a apr ofundada nest e est udo, v ist o que não se adequava ao obj et ivo inicialm ent e propost o. Sã o p o n t o s q u e se r ã o r e t o m a d o s e e st u d a d o s post er ior m ent e par a m elhor elucidação.
Apesar dos r esult ados obt idos pelo est udo, alguns aspect os serão ret om ados fut uram ent e, para u m a m elh or elu cidação, t ais com o: a pesqu isa se lim it ou a algum as sit uações do cot idiano e, por isso, não é possível afirm ar que os pais usariam as m esm as p r á t i ca s d i sci p l i n a d o r a s e m o u t r a s si t u a çõ e s; esclarecim ent os quant o à possibilidade que exist e de os pais não for necer em infor m ações m uit o precisas e confiáveis, por m eio de ent revist as, principalm ent e quando é abordada a relação entre pais e seus filhos; e ; se o s p a i s t ê m m e d o d e f o r n e ce r a l g u m a s infor m ações a pessoas que t r abalham dir et am ent e com crianças, principalm ent e quando a I nst it uição é con h ecida pela pr át ica de n ot ificação de casos de v iolência, com o é o caso da I nst it uição na qual foi realizada a pesquisa.
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