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Aspectos histoquímicos do plexo mientérico na doença de chagas experimental.

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Academic year: 2017

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ASPECTOS HISTOQUÍMICOS DO PLEXO MIENTÉRICO NA DOENÇA

DE CHAGAS EXPERIMENTAL

PLÍNIO GARCEZ DE S E N A * ; MOYSÉS TELES F I L H O * *

A s alterações do sistema nervoso na moléstia de Chagas experimental têm sido objeto de varias publicações, sendo particularizada a descrição de quadros histológicos ( K õ b e r l e6

>7 - 8

>9

e B r a n d ã o1 0

) . B r a n d ã o avaliou quan-titativamente os neurônios simpáticos e parassimpáticos no mal de Chagas experimental em sua fase crônica, observando haver "diminuição estatisti-camente não significativa dos neurônios simpáticos dos ratos chagásicos, em confronto com uma redução numérica estatisticamente significante dos p a -rassimpáticos". K õ b e r l e pensa que tais alterações, verificadas na fase crô-nica da doença experimental, se instalam durante o período agudo, quando se decide o destino do paciente chagásico.

Sabendo-se que o parasitismo antecede às alterações neuronals, nos pro-pusemos analisar, em fase aguda, os plexos mientéricos do ponto de vista enzimático.

M A T E R I A L E MÉTODOS

De um lote de 20 ratos albinos, pesando entre 25 e 30 g, inoculamos 10 com a cepa Y do Trypanosoma cruzi, na dose de 0,10 ml por via intraperitoneal, sendo os animais examinados cada 48 horas. O exame parasitêmico foi feito a fresco, entre lâmina e lamínula, com sangue retirado da cauda do animal. A parasitemia foi verificada a partir do 3' dia de inoculação, sendo encontrados 35 a 40 tripa-nosomas, em média, por campo microscópico.

Os ratos infectados morreram na fase aguda da doença entre o 8" e 13' dias após a inoculação. Secções representativas do aparelho gastrintestinal (intestino delgado e cólon) foram fixadas em acetona a 4°C e formol tamponado à mesma temperatura: os espécimes fixados em formol foram impregnados pela prata, se-gundo variante do método de Gross-Bielschowsky, em cortes por congelação; segmentos intestinais fixados em acetona gelada foram utilizados para demonstra-ção da atividade esterásica.

Também foram feitas inclusões em parafina de material proveniente tanto dos arrimáis parasitados como dos animais controle, sendo as inclusões cortadas com espessura de 8 micra, em séries de 25 cortes sucessivos, totalizando uma espessura de 200 micra. Estes cortes foram corados pela hematoxilina-eosina e usados para estudo comparativo das possíveis alterações morfológicas entre os dois lotes.

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RESULTADOS

Na sua quase totalidade, quando examinados comparativamente espécimes d'j animais parasitados e controle, as células nervosas do plexo de Auerbach mostra-ram algumas alterações provavelmente devidas à fixação, exibindo certo grau de hipercromatismo em determinadas áreas e descoloramento em outras, o que ntio dificultou a comparação quantitativa, muito embora não fosse esse o nosso inte-resse no presente trabalho.

Nas secções impregnadas pela prata, tanto o lote dos animais parasitados quanto os animais do grupo controle mostraram neurônios bem conservados, com seus prolongamentos axiais e dendríticos bastante visíveis. As células gliais envol-vendo esses neurônios se apresentavam, quando comparadas às dos animais não parasitados, dentro dos limites normais.

Os espécimes fixados em acetona gelada foram utilizados para a evidenciação da atividade esterásica. As secções foram deixadas no meio da incubação durante 15', 30' e 60', passando-se a comparar as secções obtidas de animais infectados com as do lote testemunho; para estes últimos animais a atividade esterásica se mostrou fracamente positiva aos 15 minutos e fortemente positiva aos 60 minutos; em relação aos animais parasitados, a reação mostrou-se negativa aos 15 e 30 minutos, e fracamente positiva aos 60 minutos.

E m conclusão, na fase aguda da doença de Chagas as alterações mor-fológicas dos plexos mientéricos e a redução do número de neurônios foram pouco significativas; a atividade esterásica nos animais parasitados se mos-trou diminuída, sendo presente nos animais do grupo controle. Assim, pa-rece haver, no estado agudo da doença, diminuição da atividade esterásica antes mesmo da aparição de alterações morfológicas.

RESUMO

F o i comparada, na doença de C h a g a s e x p e r i m e n t a l e m r a t o s brancos,

a a t i v i d a d e esterásica e n t r e animais infectados e animais de u m g r u p o con-t r o l e . D o p o n con-t o d e v i s con-t a h i s con-t o l ó g i c o o c o r r e r a m poucas a l con-t e r a ç õ e s n o p l e x o de A u e r b a c h . E n t r e t a n t o , a e v i d e n t e d i m i n u i ç ã o da a t i v i d a d e esterásica p a r e c e d e m o n s t r a r q u e os animais infectados p e r d e m , m e s m o antes da o c o r -rência de lesões histológicas, a citada a t i v i d a d e e n z i m á t i c a .

SUMMARY

Histochemical aspects of the myenteric plexus in experimental Chagas disease I n e x p e r i m e n t a l Chagas disease of w h i t e r a t s the esterase a c t i v i t y w a s c o m p a r e d b e t w e e n t h e i n f e c t e d and t h e c o n t r o l animals. F e w histologic changes w e r e found at t h e A u e r b a c h plexus. T h e m a r k e d decrease of the

e s t e r a s e a c t i v i t y , h o w e v e r , seems to show t h a t in t h e i n f e c t e d animals this a c t i v i t y decreases e v e n b e f o r e h y s t o l o g i c lesions a r e evident.

REFERÊNCIAS

1. KÖBERLE, F. — Fisiopatologia da moléstia de Chagas. Anais da I V Reunião da Associação Latino-Americana de Ciências Fisiológicas, Ribeirão Preto,

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2. KÖBERLE, F. — Chagas's disease: its pathogenesis and significance as an epidemic. Z. Tropenmed. Parasit. 10:236, 1959.

3. KÖBERLE, F. — Patogenia da moléstia de Chagas. Estudo dos órgãos mus-culares ocos. Rev. Goiana Med. 3:155, 1957.

4. KÖBERLE, F. — Cardiopatia chagásica. O Hospital (Rio de Janeiro) 53:9, 1958.

5. KÖBERLE, F. — Patofisiologia da moléstia de Chagas. I I Congresso Latino-Americano de Anatomia Patológica, São Paulo, 1958.

6. KÖBERLE, F. — Aperistalsis chagásica do intestino grosso: estudo quantita-tivo dos neurônios do plexo de Auerbach. Congresso Internacional sobre a Doença de Chagas, Rio de Janeiro, 1959.

7. KÖBERLE, F. — Bronquiectasia chagásica: estudo quantitativo dos neurônios da árvore brônquica. Congresso Internacional sobre a Doença de Chagas, Rio de Janeiro, 1959.

8. KÖBERLE, F. — Cardiopathia parasympathicopriva. Münchn. Med. Wschr. 101:1308, 1959.

9. KÖBERLE, F. & A L C Â N T A R A , F. G. — Mecanismo da destruição neuronal do sistema nervoso periférico na moléstia de Chagas. O Hospital (Rio de Janei-ro) 57:1057, 1960.

10. BRANDÃO, H. J. S. — Moléstia de Chagas experimental: estudo quantitativo dos neurônios simpáticos e parassimpáticos. O Hospital (Rio de Janeiro) 61: 137, 1962.

Referências

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