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Obstáculos internos e externos para o incremento das exportações de camarão pelas empresas pernambucanas

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Academic year: 2017

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CARLOS ROBERTO DE GOES HINRICHSEN

OBSTÁCULOS INTERNOS E EXTERNOS PARA O INCREMENTO DAS EXPORTAÇÕES DE CAMARÃO PELAS EMPRESAS PERNAMBUCANAS

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CARLOS ROBERTO DE GOES HINRICHSEN

OBSTÁCULOS INTERNOS E EXTERNOS PARA O INCREMENTO DAS EXPORTAÇÕES DE CAMARÃO PELAS EMPRESAS PERNAMBUCANAS

Dissertação apresentada ao Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Faculdade Boa Viagem, para obtenção do título de Mestre em Administração.

Orientador: Prof. José Raimundo de Oliveira Vergolino

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OBSTÁCULOS INTERNOS E EXTERNOS PARA O INCREMENTO DAS EXPORTAÇÕES DE CAMARÃO PELAS EMPRESAS PERNAMBUCANAS

Por: Carlos Roberto de Goes Hinrichsen Esta dissertação foi apresentada para a obtenção do título de

Mestre em Administração

E aprovada em 21/12/2007, pelo Programa de Pesquisa e Pós Graduação em Administração em sua forma final.

____________________________ Profa. Sonia Calado Dias Coordenadora do Programa

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________________________ PROF. José Raimundo de Oliveira Vergolino - Orientador

_____________________________________________________________ PROF. André Magalhães – Membro Externo

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A Todos os Meus Mestres,

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AGRADECIMENTOS

Para se obter o grau de Mestre em Administração, não é possível se trabalhar só. Por essa razão, sinto a necessidade de expressar minha gratidão, a algumas pessoas que me apoiaram fortemente em todo o caminho percorrido, e a outras que, estando a meu lado, me ajudaram muito, mesmo sem se aperceber disto.

Aos meus pais, que sempre me deram o exemplo e o estímulo para o saber e, sobretudo para o ser.

Aos meus familiares, amigos, sócios e à minha filha Marcela, apesar da minha ausência freqüente, souberam compreender e administrar bem esta fase tão transitória quanto indispensável em minha vida.

À minha mulher, Andrea, pelo exemplo de amor, persistência e de muita tolerância com as minhas dificuldades.

Ao meu amigo e terapeuta Bernardo, pela compreensão perfeita e pelo estímulo estruturado para seguir em frente, mesmo quando isto parecia inviável.

Ao meu orientador, Prof. José Raimundo de Oliveira Vergolino, cujo exemplo e incentivo foram imprescindíveis à determinação de concluir este processo.

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receptividade demonstrada, cedendo parcela de seu tempo para me conceder uma entrevista, sem a qual esta dissertação não poderia lograr êxito.

Aos Professores do Mestrado, pela alta compreensão das dificuldades individuais de cada um dos colegas, sem perder de vista os requisitos básicos para o integral cumprimento do programa.

E, finalmente aos amigos e colegas que fiz durante o curso e que pretendo manter, principalmente ao Gilberto, ao Arnaldo e ao Alexandre, companheiros de árduas jornadas, bem como a Lucilene Carvalho, pela grande contribuição na preparação gráfica do trabalho.

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Não herdamos a Terra de nossos pais, mas a

“Tomamos por empréstimo de nossos filhos”.

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Diante de um mercado internacional cada vez mais significante para a economia brasileira, com parcelas crescentes do seu PIB geradas pelas exportações, o presente trabalho objetiva analisar a participação da carcinicultura de Pernambuco, neste processo de inserção de sua economia no mercado global, a despeito dos obstáculos interpostos ao crescimento das exportações pernambucanas de camarão cultivado. Para tal análise, o trabalho valeu-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, por meio de entrevistas individuais e presenciais, com administradores e proprietários de algumas das maiores empresas exportadoras de camarão do Estado, utilizando-se a abordagem do estudo de caso. O foco da análise foi concentrado em quatro destas empresas exportadoras, cujos dirigentes fizeram claras indicações, muitas delas coincidentes, sobre os grandes obstáculos externos ao crescimento das suas exportações de camarão cultivado, e bem assim, das demais empresas do setor de carcinicultura do Nordeste. Com isso, pode-se concluir que a indústria necessita de apoio externo institucional privado e governamental, para fazer face e superar tais obstáculos externos ao seu negócio, de exportação de camarão cultivado, mesmo os de natureza legal e macro-econômica, de grande complexidade e dependente de decisões e negociações políticas de grande alcance, ou os de natureza diplomática, dependentes diretamente do empenho competente e continuado dos nossos especialistas e negociadores, privados e diplomáticos, nas complexas rodadas de negociação comercial patrocinadas pela OMC.

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Facing an international market much significant every year for the Brazilian economy, with increasing parts of its Gross Internal Product generated by its exports, this work look forward to analyze the State of Pernambuco cultivated shrimp industry share in this global market insertion process, despite some barriers putted against the increase of cultivated shrimp exports from Pernambuco State. To allow for this analysis, the work has taken a qualitative research, through personal and individual interviews, with officers and shareholders of some of the most important shrimp exporting firms from the State, using the case study approach. The analysis target was concentrated in four of those exporting firms, whose business officers has made clear indications, much of them coincidental, about the most significant external barriers against the increase of their cultivated shrimp exports, that is someway valid for all cultivated shrimp exporters from Northeast Brazil. So, we can conclude that the shrimp exporters industry needs private and governmental institutions support, to face and overcome those external barriers against their business exports expansion, even they are of legal and macro-economic nature, much complex and requiring long range political negotiations and decisions, or those of diplomatic nature, requiring competent and continuous efforts from our specialists and negotiation officers, supplied from private enterprises and from diplomatic members, acting in the complex commercial negotiations at WTO ( World Trade Organization).

Key Words: Cultivated Shrimp Exporters Industry; Global Market; Barriers; Foreign Trade

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I Introdução: A Indústria Mundial de Carcinicultura - Novos Desafios...11

II Objetivos do Trabalho ...14

III O Papel das Exportações no Desenvolvimento Regional: Marco Teórico...16

III.1 O Despertar das Trocas Internacionais: O Primeiro Momento ...18

III.2 A Transição para o Liberalismo Econômico ...20

III.3 A Teoria do Comércio Internacional - As Bases da Especialização e a Doutrina Clássica dos Custos Comparativos ...25

III.4 Teoria do Comércio Internacional - As Bases da Doutrina Neoclássica e Modelo H-O..30

III.5 Política Comercial das Nações ...35

III.6 Instituições Reguladoras do Protecionismo ...38

IV O Nordeste e os Novos Cenários Mundiais do Comércio ...42

IV.1 Os Desafios e Oportunidades do Nordeste com a Globalização dos Mercados ...42

IV.2 O Protecionismo Seletivo das Nações Industrializadas ...52

IV.3 Os Acordos de Preferências Comerciais que Excluem os Produtos Brasileiros e Nordestinos ...59

IV.4 A Trajetória Dinâmica da Carcinicultura no Nordeste e em Pernambuco ...62

V Revisão da Literatura ...70

VI Metodologia do Estudo...77

VI.1 Uma pesquisa de caráter qualitativo, junto a 4 (quatro) das principais empresas exportadoras de camarão cultivado sediadas em Pernambuco ...77

VI.2 Conceitos e Estrutura da Pesquisa Qualitativa ...77

VI.3 Número de Empresas ...90

VII Resultados da Pesquisa Qualitativa com Empresas Exportadoras de Camarão em Pernambuco ...92

VII.1Histórico das Empresas Pesquisadas ...92

VII.1.1 Vannamei: De uma Peixaria a um Grande Negócio ... 96

VII.1.2 Saramunete:Vocação para a Qualidade ...98

VII.1.3 Pós-Larva: Oportunidade e Integração Vertical ...100

VII.1.4 Pecara: Escala e Tecnologia ...101

VII.2Modelo de Negócio ...104

VII.3Pontos Fortes e Pontos Fracos ...110

VII.4Obstáculos Internos ...115

VII.5Obstáculos Externos e em cada Mercado...119

VII.6Decisões que Tomaria a Favor das Exportações de Camarão Como Ministro do Governo...123

VII.7Síntese Conclusiva ...129

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I - Introdução: A Indústria Mundial de Carcinicultura

A Carcinicultura, um ramo específico da aqüicultura, é relacionada à reprodução e cultivo do camarão marinho, em laboratórios, fazendas e viveiros localizados em trechos apropriados do litoral dos países tropicais e subtropicais, geralmente em estuários e mangues. Essa atividade experimentou, nos últimos anos, uma espetacular evolução da produção e comercialização em todo o mundo, firmando-se como importante segmento de atividade econômica.

A produção mundial de camarão cultivado teve seu crescimento recente conc*entrado nos países tropicais e subtropicais em desenvolvimento da Ásia e da América Latina, enquanto o consumo mundial, que acompanhou bem de perto o crescimento da produção, se concentrou em poucos países industrializados da Europa e nos Estados Unidos.

No ano 2000, a produção mundial foi de 865 mil tons, cultivadas em 1.225 mil hectares de viveiros, gerando quase 6 milhões de empregos diretos e indiretos e uma receita bruta de US$ 7,5 bilhões.

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O Brasil participa com quase 5% desta produção, que promete atingir 120 mil tons nos próximos anos, ocupando uma área cultivada de 26 mil hectares. Esta relação projetada produção/área cultivada, representa uma fantástica produtividade de cerca de 5.000 kg/há/ano, quase 5 vezes maior do que a produtividade média mundial. O Brasil atingirá cerca de 122.000 empregos diretos e indiretos e uma receita bruta anual próxima a US$ 400 milhões, gerada nos mercados internacional e doméstico.

Esta produção tem amplas perspectivas de crescimento e está altamente concentrada nas fazendas e viveiros da Região Nordeste, com cerca de 94% do total.

Como o potencial brasileiro para a área de cultivo, atinge quase 300 mil hectares de viveiros, sem dúvida estamos apenas ensaiando o começo da nossa história, como um dos principais produtores mundiais, abrindo uma enorme oportunidade para esta indústria assumir grande destaque nas exportações brasileiras em geral e nordestinas em particular.

O foco deste trabalho se concentra nas questões relacionadas às exportações de camarão cultivado por empresas do Estado de Pernambuco, que atualmente ocupa a posição de terceiro maior exportador brasileiro, contando com 3.200 hectares de viveiros em atividade.

No capítulo I é apresentada uma visão panorâmica desta emergente indústria mundial de Carcinicultura, a partir de algumas dimensões físicas e econômicas, já atingidas por ela e suas amplas perspectivas de rápido crescimento.

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No Capítulo III são abordadas as principais teorias do comércio internacional ao longo de vários séculos de pensamento econômico, desde a idade média até os nossos dias. Tal abordagem visa a compreender a importância real e atribuída ao comércio exterior pelas teorias e doutrinas econômicas e pelas contribuições distintas que trouxe ao desenvolvimento econômico dos países e ao bem estar dos povos, em diferentes fases da história econômica mundial.

O Capítulo IV traz uma análise sucinta, do impacto do forte incremento nos fluxos internacionais de comércio, sobre a economia do Nordeste e como a sua inserção neste fluxo crescente pode significar uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico e social nos anos recentes.

No Capítulo V o trabalho aborda uma sucinta revisão da literatura sobre este tema das exportações e o desenvolvimento econômico, em outros trabalhos similares , apresentados por outros autores, demonstrando na realidade a pequena disponibilidade de estudos e pesquisas com foco na importância das exportações para o desenvolvimento regional.

A Metodologia do Estudo é o tema do Capítulo VI , em que é descrita a importância da pesquisa qualitativa para o avanço do conhecimento sobre os fenômenos sociais e é detalhada a sua estrutura.

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II - Objetivos do Trabalho

Este estudo proposto está orientado por um objetivo central: “ Estudar a evolução das exportações de camarão originadas pelas mais significativas empresas exportadoras do Estado de Pernambuco, em seus aspectos qualitativos, nos últimos 5 (cinco) anos, tendo em vista identificar as principais barreiras e restrições comerciais estabelecidas pelos mercados e países de destino destas exportações, levantando os pontos fortes e fracos destes exportadores, para fazer face e superar tais barreiras e restrições”.

Para desenvolver o estudo, segundo metodologia definida e comentada neste projeto, vamos estruturar uma pesquisa qualitativa junto a um grupo significativo de empresas exportadoras sediadas no Estado de Pernambuco, abordando alguns atributos e características exigidos pelos mercados consumidores de destino e o grau de conformidade das exportações originadas pelas empresas a esses requisitos, com a finalidade de avaliar as restrições e barreiras estabelecidas pelos importadores e levantar os pontos fortes e fracos dos exportadores, estimando o potencial de crescimento das exportações futuras dessas empresas.

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Sucintamente, citaremos alguns exemplos de atributos do camarão a ser exportado, cuja conformidade com os padrões exigidos é essencial para definir o comportamento futuro das exportações: a) Preço FOB a ser praticado na exportação; b) Índice de sanidade microbiológica; c) Características de APPCC (análise de perigos e pontos críticos de controle); d) Tipos de embalagens oferecidos; e) Controle de rastreabilidade do produto; f) Restrições e barreiras comerciais identificadas contra as empresas pesquisadas.

Assim, construiremos um conjunto de informações, abrangendo os pontos fortes e pontos fracos das empresas, no período analisado, que servirá para atender os seguintes objetivos secundários:

V.1- Identificar e Verificar o volume físico e o valor bruto das exportações de camarão originadas no Estado de Pernambuco, no período entre 2002 e 2006;

V.2- Identificar e Verificar os entraves externos nos mercados atendidos pelas empresas exportadoras selecionadas, medindo sua participação no total das exportações do Estado, e nas exportações de camarão originadas no Estado neste período;

V.3- Identificar e caracterizar os principais mercados de destino das exportações de camarão originadas no Estado de Pernambuco, no período considerado;

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III - O Papel das Exportações no Desenvolvimento Regional - Marco

Teórico

Este capítulo faz algumas reflexões sobre a evolução histórica do comércio internacional, e do seu impacto sobre o desenvolvimento econômico das nações, desde o mercantilismo, o liberalismo, a teoria clássica e o pensamento neoclássico, até as principais mudanças ocorridas nos cenários mundiais em anos recentes, particularmente a conclusão da Rodada Uruguai e a criação da Organização Mundial do Comércio, que trouxeram e continuarão trazendo profundas repercussões sobre a economia brasileira e, em especial, sobre a Nordestina.

Inicialmente, será apresentada uma breve visão panorâmica do papel e do significado do comércio internacional na história econômica dos países, desde a idade média até os anos recentes, e de como a globalização dos mercados tem levado a uma crescente interdependência das economias nacionais, criando uma nova ordem nas relações internacionais, com a criação de um mercado global, em substituição aos mercados nacionais relativamente isolados.

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Serão apreciados os aspectos mais importantes de um novo contexto mundial, caracterizado pelo fenômeno da globalização, que está definindo uma nova arquitetura mundial e exercendo uma influência decisiva sobre a economia do Nordeste Brasileiro, trazendo ao mesmo tempo grandes desafios e enormes oportunidades de desenvolvimento para a região, dependendo da capacidade de mobilização dos seus agentes produtivos e dos Governos Estadual e Federal.

Por fim, faremos considerações sobre a inserção do Brasil no cenário mundial e como ela poderá gerar impactos para a economia da Região Nordeste, notoriamente vulnerável em vários aspectos e dimensões, tais como: aspecto competitivo, social, organização empresarial, escala de produção e na própria articulação e integração com a economia nacional, que nos leva a discutir o seu potencial, de se inserir competitivamente nessa economia globalizada, capacitando-se a tirar proveito das oportunidades trazidas por este novo contexto mundial.

Porque devemos incrementar o comércio com outras nações?

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Outra razão importante é o papel do comércio externo, como alavanca do desenvolvimento econômico dos países em desenvolvimento. Tais países nutrem o desejo legítimo e a determinação, de elevar seu prestígio nacional e o bem estar de sua população, mediante a modernização e o aprimoramento de suas economias pouco dinâmicas.

III.1- O Despertar das Trocas Internacionais: O Primeiro Momento

O mundo começa a despertar para o comércio Internacional, especialmente a Europa Ocidental, com o advento das grandes navegações. Por essa época, a Europa emergiu da estagnação da idade média, se livrou das instituições feudais e adquiriu muitas características do moderno nacionalismo. A Europa do século XV tinha uma sociedade agrícola de cerca de 60 milhões de habitantes que, em sua maioria, ganhava sustento arando o solo como servos nos latifúndios da nobreza ou como camponeses lavradores independentes. Os restantes atuavam como artesãos ou empregados domésticos dos nobres, alto clero e abastados comerciantes, que detinham a maior parte da renda e do poder político.

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parcela de bens de luxo, para os relativamente mais ricos. Tais bens eram trazidos do oriente, e incluíam tecidos de algodão e seda, especiarias, drogas, corantes e perfumes.

Por volta do final do século XV, o ritmo e o volume do comércio e da vida econômica se aceleraram bruscamente, modificando hábitos e práticas comerciais, ocasionando uma verdadeira revolução.

Três causas principais podem ser citadas para explicar esta brusca mudança: a) O despertar intelectual muito rápido e acentuado, conhecido como Renascença, que fez progredir e aprofundar o conhecimento humano; b) As descobertas geográficas geradas pelas grandes navegações, que abriram um mundo inteiramente novo para exploração e colonização e c) Um brusco e rápido aumento da população.

Estes três fatores contribuíram simultaneamente para o surgimento de uma classe de empresários e empreendedores comerciais capitalistas, que gerou grande impacto no volume dos negócios, trazendo mais prosperidade econômica e aumento de consumo. Esta classe de empresários assumiu uma posição de grande destaque na sociedade e, sobretudo na política, como financiadores e conselheiros de reis e príncipes reinantes.

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da nova classe dos empresários capitalistas. O crescimento do comércio incrementou rapidamente a oferta de moeda, seu uso difundiu-se pelas economias nacionais e os métodos de gestão do patrimônio feudal começaram a mudar. O conflito com a Igreja se tornou inevitável, pois os monarcas dos estados nacionais começaram a tributar os latifúndios da Igreja até então isentos, para sustentar as crescentes necessidades das novas nações-estado.

Se o comércio internacional era visto como meio, para assegurar tais objetivos estratégicos do Estado, a sua operação era por demais decisiva para ser entregue aos agentes privados da atividade econômica. Assim, podemos definir a essência da filosofia mercantilista: Atribuir primordial importância ao objetivo do poder nacional e adotar o controle da vida econômica da nação, como meio preferido para assegurar o desejável incremento da riqueza.

Adicionalmente, reconhecer que uma nação somente poderá lucrar com o comércio exterior se tiver um saldo favorável, ou um excedente no valor das exportações sobre as importações, indispensável para acumular riqueza em ouro e prata no tesouro nacional.

III.2- A Transição para o Liberalismo Econômico

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em que surge uma nova forma de pensamento econômico, combinada com uma nova filosofia de governo, veremos que ainda encontraremos vários aspectos mercantilistas miscigenados nos países da Europa Ocidental.

A expansão quase vertiginosa do comércio internacional, os novos mercados do novo mundo, os preços crescentes e remuneradores das mercadorias exportadas pela Europa, a acumulação de capital crescendo geometricamente e a consolidação da classe dos comerciantes, industriais, armadores e banqueiros caracterizaram este período. O processo doméstico de produção individual, orientado pelo capitalista comerciante, proporcionava a chance de se tornar rico ao invés de apenas ter uma “renda adequada e suficiente”. O anseio de liberdade nos negócios e principalmente no comércio tornou-se legítimo e significou o início do declínio do controle estatal, principalmente na Inglaterra, com a revolução de 1688, que homologou o sistema de liberdade de iniciativa individual, inspirado nas idéias de John Locke, que se tornou o fundamento intelectual do governo britânico, da Declaração Americana de Independência e, sob a interpretação de Rousseau, da Revolução Francesa.

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Assim como a doutrina da balança comercial dominou a teoria do comércio internacional durante o período mercantilista, a análise do fluxo de moeda e preços imperou durante o século XIX e a primeira terça parte do século XX. Ambas eram extremadas. Somente depois da publicação, em 1937 da “Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda” por John Maynard Keynes, e sua subseqüente extensão ao campo do comércio internacional é que as opiniões rivais foram reconciliadas. Hoje sabemos que um incremento na balança comercial via aumento das exportações, pode estimular o nível de emprego, desde que haja recursos ociosos no começo do processo. Se a posição inicial for de pleno emprego, o efeito desta expansão será unicamente o de elevar os preços, sem qualquer efeito no nível de emprego.

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“O corpo central de suas idéias pode ser descrito: “Cada homem é mais bem adaptado para ser juiz de suas próprias ações” e “Os interesses individuais não estão em conflito, mas são sujeitos a uma harmonia natural”. “Assim, as ações egoístas dos indivíduos conduzem ao bem-estar de toda a regulamentação continua pelo governo é desnecessária, e os melhores resultados podem ser obtidos se o Estado adotar uma política de liberdade, de laissez-faire. Como cada indivíduo se empenha o mais que pode, para empregar seu capital no apoio a produção doméstica, tal que o seu produto alcance o maior valor possível, cada indivíduo contribui para tornar a renda real da sociedade tão grande quanto lhe é possível. Assim, ao promover seus interesses, estará na verdade promovendo o interesse público, mesmo que não tenha conhecimento disto. “Na realidade, estará sendo conduzido por uma “mão invisível” para promover uma finalidade que não fazia parte dos seus planos” (Adam Smith, The Wealth of Nations, pág. 400, Modern Library Edition).

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Do ponto de vista técnico, a revolução industrial pode ser definida como uma série de invenções inter-relacionadas, cada qual atendendo a uma necessidade industrial imediata e premente, perturbando o equilíbrio da indústria e criando necessidades urgentes de novas invenções em cascata.

Sem dúvida, o maior impacto tecnológico produzido, que removeu todas as limitações para difusão do uso generalizado das novas máquinas, combinado com as descobertas químicas de fabricação do coque, e que lançou as bases da grandeza industrial da Inglaterra, foi a máquina a vapor. O carvão, o ferro e a maquinaria substituíram a madeira, a água e a destreza e habilidade humana, e seu impacto foi verdadeiramente revolucionário, dando início a um século de contínuo e vertiginoso crescimento industrial e progresso econômico, que fez parecer estagnantes todos os períodos anteriores de expansão.

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III.3- A Teoria do Comércio Internacional - As Bases da Especialização e a Doutrina Clássica dos Custos Comparativos

A Indústria Inglesa atingiu uma supremacia indisputável. Mesmo durante os anos de guerra com a França de Napoleão (1793 a 1815), continuou a se expandir e modernizar. Porém, o fim da guerra significou o colapso dos mercados, pois o consumo dos principais produtos de exportação da Inglaterra, simplesmente desapareceu. Aço para a fabricação de canhões, algodão para a confecção de uniformes e cobertores e vários outros produtos, simplesmente não tinham mais clientes nem consumidores.

A preocupação com os mercados provocou um reforço decisivo na motivação para o comércio internacional livre. A Hipótese da Vantagem Absoluta formulada por Adam Smith era apenas parcialmente verdadeira, ao admitir que cada firma exportadora, deveria deter uma vantagem absoluta ante seus concorrentes de outros países, quando o comércio não requeria de fato tal atributo de cada exportador. Foi David Ricardo quem elaborou uma formulação mais precisa da Teoria do Comércio Internacional, com seu livro “Princípios de Economia Política”, publicado em 1817, estabelecendo uma teoria geral sobre o assunto.

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No comércio interno esta regra foi largamente validada. No Comércio Internacional, entretanto, o princípio do custo-trabalho não governa o valor de troca ou, de acordo com Ricardo: “A mesma regra que regula o valor relativo das mercadorias em um país, não regula o valor relativo das trocas entre dois ou mais países...”. O que então determinará os valores de troca internacional? Ricardo supõe que, mesmo que um país tenha custos de produção menores que outro em função de sua mão-de-obra, ainda assim haverá uma forte tendência de especialização relativa, pois a troca por outras mercadorias será sempre vantajosa para o país especialista em algum produto, em função de sua escala e condições gerais mais favoráveis de produção. Assim, vale a relativa imobilidade dos fatores, e a localização da produção entre diferentes países, segue o princípio do custo comparativo, definindo para cada país a produção dos bens em que seus custos, medidos em trabalho, sejam relativamente mais baixos.

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Ao reformular a doutrina de Ricardo dos custos comparativos, Mill avançou na questão dos valores internacionais ou, de forma mais concreta, a razão pela qual uma mercadoria é trocada por outra. Ao invés de tomar como DADOS, os custos-trabalho diferentes em dois países para produzir a mesma mercadoria, admitiram um dado montante de trabalho em cada país, gerando diferentes proporções de produção (J.S.Mill, Principles of Political Economy, edição Ashley, Livro III, Cap. XVIII, seção 8, págs. 584/5, Longmans, Green &Co, Londres, 1921). Assim, sua formulação discorreu em termos de vantagem comparativa ou eficiência comparativa do trabalho, em contraste com o custo comparativo de trabalho, de Ricardo.

Desta forma, podemos resumir os conceitos de Mill:” os limites para a possibilidade

em termos de troca direta, a razão de troca internacional, são fixados pelas relações de troca

domésticas estabelecidas pela eficiência relativa do trabalho em cada país. Cada país

contribui com sua eficiência produtiva para estabelecer a amplitude que determina os

verdadeiros termos de troca com outro país”.

Mas havia uma pergunta crucial que Mill procurou responder: Que fatores determinam os verdadeiros termos em que se trocarão as mercadorias entre dois países? Sucintamente a resposta de Mill foi:” A verdadeira relação pela qual os bens serão trocados dependerá da

intensidade e da elasticidade da procura de cada país, pelos produtos do outro país, ou da

procura recíproca. Esta relação será estável quando o valor das exportações de cada país for

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Ao mesmo tempo em que a eficiência relativa da mão-de-obra em cada país estabelece os limites dos termos de troca por escambo, também limita os salários relativos. Se um país tem uma relação de eficiência do trabalho na produção de aço, por exemplo, de 2 para 1 em relação a outro país, nunca poderia ter os salários duas vezes maiores que este outro país, pois assim anularia completamente a vantagem comparativa que detém na produção de aço, e tornaria impossível sua exportação. Assim, o comércio equilibrado seria impossível. O mecanismo de fluxo de preços e moeda operaria no sentido de reduzir os salários e os preços onde eles fossem altos, elevando-os onde fossem baixos, até que os preços fossem tais, que as procuras recíprocas apenas se equilibrassem.

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A existência de custos de capital também foi abordada por Taussig, reconhecendo que o juro sobre o capital representa custo nominal da produção, mas sua incidência pode ser considerada razoavelmente uniforme e, portanto, não produzirá qualquer efeito nos preços relativos. Assim, Taussig foi capaz de manter a doutrina dos custos comparativos de mão de obra, como princípio dominante para explicar as diferenças internacionais de preços, e para confirmar a especialização como postulado competitivo das nações.

Em resumo, o princípio dos custos comparativos, há mais de um século tem sido muito útil como instrumento de análise e, com as restrições necessárias, pode ser aplicado a um grande número de problemas relacionados com o comércio internacional. Sofre, entretanto, de uma séria limitação: a de basear-se na teoria do valor-trabalho e, assim, de ser expresso unicamente em termos de um só fator - o trabalho.

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III.4- Teoria do Comércio Internacional - As Bases da Doutrina Neoclássica e o Modelo H-O

O ser humano possui necessidades ilimitadas, que vêm crescendo continuamente, à medida que sua evolução avança. Desde as economias primitivas de subsistência, que o homem era compelido às trocas, pela impossibilidade absoluta de adquirir sua auto-suficiência, produzindo tudo de que necessita.

Verifica-se também que, desde o Mercantilismo, as nações perceberam a importância de realizar as trocas, não apenas pela necessidade do ser humano, mas também para se apropriar das vantagens econômicas que tais trocas – o comércio em melhor designação – representavam para o país. A partir daí, a teoria do Comércio Internacional não parou mais de evoluir, para tentar explicar e prescrever políticas comerciais e de produção, contribuindo para a criação de um ambiente internacional favorável ao comércio, como alavanca do desenvolvimento global.

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Mas ele também não conseguiu esgotar o assunto, pois sua teoria deixava algumas limitações e, da maneira como foi apresentado seu modelo, as vantagens comparativas eram conseqüências do fato de que o único fator de produção relevante – o trabalho – tinha níveis distintos de produtividade em cada país e, conseqüentemente, os bens tinham custos de produção diferentes. Ricardo não apresentou qualquer justificativa para este fato.

Os economistas Eli Heckscher e Bertil Ohlin, autores conhecidos como os pais da corrente neoclássica da teoria do comércio internacional, já no século XX (1919 e 1933), construíram um modelo que explica o comércio internacional, a partir das diferenças nas dotações relativas dos fatores de produção. Essa teoria é assentada numa série de premissas

que condicionam os resultados encontrados para o modelo proposto. As mais importantes são: a) Consideram-se 2 (dois) países que produzem 2 (dois) bens a partir de 2 (dois) fatores de

produção. O teorema também é conhecido como o modelo 2x2x2; b) A tecnologia de

produção é idêntica, implicando assim, na identidade das funções de produção nos dois

países. A função de um dos bens é intensiva em trabalho e a função do outro bem é intensiva

em capital, para a mesma relação de preços destes fatores; c) Os consumidores têm as

mesmas preferências e hábitos de consumo nos dois países; d) Os bens são movimentados

internacionalmente sem custos de transporte, barreiras alfandegárias ou quaisquer

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A partir dessas premissas, pode-se apresentar a teoria das dotações dos fatores - ou teoria de Heckscher - Ohlin - a partir de três teoremas principais: “1) Teorema de Heckscher -

Ohlin: cada país se especializa e exporta o bem em cuja produção, utiliza intensivamente seu

fator abundante; 2) Teorema de Heckscher - Ohlin - Samuelson ou da equalização dos preços

dos fatores: o comércio internacional equaliza o preço dos fatores de produção e 3) Teorema

de Stolper - Samuelson: o comércio beneficia o fator de produção abundante em cada país,

em detrimento do fator de produção escasso”.

Outras contribuições teóricas vieram, para aprimorar o modelo, incorporando variações importantes nas premissas adotadas. As mais significativas são conhecidas como: O Teorema de Rybczynski e o Teorema de Stolper-Samuelson. Estes teoremas contribuíram de maneira relevante para a verificação do teorema de Heckscher-Ohlin, conforme se utilize à definição física (ou de Leontief) ou a definição econômica (ou de Ohlin) de abundância relativa de fatores.

O primeiro teorema (Rybczynski) nos diz: “sob a hipótese dos preços dos bens se

manterem constantes, o aumento da oferta de um fator conduz ao aumento da produção do

bem que utiliza intensivamente tal fator, à custa da diminuição da produção do outro bem

que utiliza o mesmo fator de forma menos intensiva”. O segundo (Stolper-Samuelson) nos

diz: “Um aumento no preço relativo de um bem, leva ao aumento mais que proporcional (ou

efeito de magnificação) do preço do fator utilizado intensivamente na sua produção e à

diminuição da remuneração real do outro fator. Na presença da hipótese de ser fixa a oferta

dos fatores, podemos afirmar que o efeito sobre os preços dos fatores foi unicamente causado

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Os modelos de complementaridade dentro da teoria, baseados na escassez relativa dos fatores, não explicam, entretanto, o crescimento recente do comércio internacional, decorrente da expansão das exportações e importações simultâneas, de produtos pertencentes à mesma indústria. Tendo em vista as crescentes trocas entre os países industrializados, este tipo de comércio atraiu a atenção dos teóricos a partir de 1970. A nova teoria do comércio internacional surge, então, para explicar essa nova característica do comércio internacional baseada nas hipóteses Chamberlianas de diferenciação do produto, economias de escala e competição monopolista. A incorporação dos rendimentos crescentes de escala aos modelos de comércio internacional trouxe um arcabouço complementar à explicação do comércio internacional dos modelos H-O.

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Evidências empíricas mostram ainda que, mudanças tecnológicas e inovação do produto, seriam determinantes especialmente relevantes do comércio internacional. Vernon (1966), Krugman (1979 e 1986) e Grossman e Helpman (1994) trouxeram contribuições importantes para incorporar o progresso tecnológico à literatura do comércio internacional de forma exógena. Esses modelos tornaram-se particularmente relevantes no período recente, pois permitem examinar como a tecnologia afeta o comércio e como o comércio afeta a evolução tecnológica. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer na nova teoria do comércio internacional, antes de compreender toda a complexidade do processo de mudança tecnológica, em particular a complexidade do aprendizado tecnológico, com grande especificidade entre os países.

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Ressalte-se que a abundância na dotação de fatores pode criar condições para que a firma atinja a escala de eficiência mais rapidamente, ao mesmo tempo em que pode permitir que ela opere em uma escala inferior às firmas que atuam no mercado internacional, uma vez que estariam compensando os custos maiores, decorrentes da escala menor, com o preço mais baixo dos fatores em abundância relativa. De forma análoga, este raciocínio pode ser desenvolvido para o caso da tecnologia.

III.5- Política Comercial das Nações

Outra dimensão importante para o nosso estudo está centrada na Política Comercial praticada pelos países que operam no comércio internacional e que atribuem ao seu fluxo de mercadorias, uma importância variável, em função da relevância deste comércio para cada país. A despeito da defesa teórica do livre comércio, as barreiras sobre as importações não acabaram no final do período mercantilista.

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A proteção pode se dar por meio de diversos instrumentos de intervenção pública sobre o comércio exterior, em seu conjunto denominado política comercial. Exemplos de instrumentos de proteção podem ser fornecidos: a) Imposto de importações – denominado tarifa – é cobrado quando a mercadoria entra no país, podendo ser específico, “ad valorem” ou misto; b) Subsídio, geralmente sob a forma de pagamentos, diretos ou indiretos, feitos pelo governo, para encorajar exportações ou desencorajar importações, representando um imposto negativo ou uma redução de custo para o produtor; c) Quotas de Importação; d) Controles Cambiais; e) Proibição de importações; f) Monopólio estatal; g) Leis de compras de produtos nacionais; h) Depósito prévio à importação; i) Barreiras não-tarifárias e j) Acordos voluntários de restrição às exportações.

Todos os instrumentos de intervenção no comércio internacional provocam distorções nos mercados. Podem-se avaliar esses efeitos através de duas formas: 1) Taxa de Proteção Nominal, que expressa à diferença percentual entre o preço doméstico de um bem e o preço externo e 2) Taxa de Proteção Efetiva, que permite estimar os efeitos da proteção sobre o valor adicionado.

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mundial, mas não é suficiente, pois, como ocorre transferência de renda entre pessoas e nações, alguns ganham e outros perdem com a liberdade de comércio.

Na prática, independentemente da interpretação teórica de referência, pode-se afirmar que a opção de determinado país nunca tem por objetivo incrementar o bem-estar mundial, nem visa à melhoria de vida da própria população. Freqüentemente, a escolha de determinada política comercial é condicionada pelo poder político e, em grande parte, reflete as conveniências dos grupos de interesse predominantes por ocasião da tomada de decisão. Em outras palavras, o mundo real não é gerido pela racionalidade econômica, mas pelo poder dos grupos de interesse e seus representantes.

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III.6- Instituições Reguladoras do Protecionismo

O período entre guerras foi marcado por fortes medidas protecionistas e a deterioração nas relações econômicas internacionais. A crise de 1929 contribuiu fortemente para acelerar este processo. Os EUA, após a primeira guerra mundial, emergiram como potência e aumentaram bruscamente suas tarifas causando, com isso, medidas análogas tomadas pelos seus parceiros, gerando uma onda de desvalorizações cambiais competitivas. Foram eles os primeiros a desvalorizar sua moeda e tomar medidas restritivas ao comércio, minimizando assim o impacto das ações dos seus parceiros, gerando ganhos decorrentes das perdas dos seus parceiros. Como todos os países, praticamente passaram a proteger seus mercados, a crise agravou-se, causando perdas para o conjunto da economia mundial e contribuindo significativamente para a segunda guerra mundial.

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O objetivo central e original do GATT era reduzir as barreiras comerciais entre os países, aumentar sua interdependência e, com isso, reduzir os riscos de um novo conflito mundial. O princípio básico que orientou o funcionamento do GATT foi o da não discriminação, expresso pela cláusula de nação mais favorecida (NMF), segundo a qual nenhum país era obrigado a fazer concessões, mas se, ao negociar com qualquer outro, reduzisse suas barreiras à importação de determinado produto, esse benefício deveria ser estendido incondicionalmente, a todos os demais países. Para participar do Acordo Geral, os países assumiram também o compromisso de não aumentar as tarifas ou fazer novas restrições ao comércio. Assim o GATT contribuiu efetivamente para reduzir o protecionismo e facilitar o comércio mundial, embora tenha permanecido na condição de acordo provisório ao longo de toda a sua existência.

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A OMC é uma organização permanente e com personalidade jurídica própria. Entrou em funcionamento em 1º de janeiro de 1995 e suas principais funções são: 1) Gerenciar os acordos multilaterais de comércio relacionados a bens, serviços e direitos de propriedade intelectual; 2) Administrar o entendimento sobre soluções de controvérsias; 3) Servir de fórum para as negociações; 4) Supervisionar as políticas comerciais nacionais e 5) Cooperar com outras organizações internacionais. O sistema multilateral de comércio regido pela OMC, também tem a não-discriminação como princípio fundamental, que é expresso por duas regras: a) Cláusula de Nação mais Favorecida: pretende evitar discriminação entre os países fornecedores de um mesmo produto. É particularmente útil aos países que têm menor poder de barganha nas negociações internacionais, porque são beneficiados pelas reduções das barreiras negociadas entre os grandes fornecedores e importadores; b) Tratamento Nacional: por esta regra fica estabelecido que, após ingressar em determinado mercado, o produto importado não deve ser penalizado em relação ao similar nacional, com a incidência de impostos ou ônus maiores que os incidentes sobre o mesmo produto doméstico, garantindo assim igualdade de tratamento.

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As reconhecidas vantagens da liberdade de comércio, que são indiscutíveis, não devem, em contrapartida, significar razão suficiente para sua implementação indiscriminada, em todos os países. Na prática, existe uma enorme lista de razões que podem justificar, e até recomendar, o protecionismo.

Alguns motivos para o protecionismo: 1) O argumento da indústria nascente, foi proposto pelo alemão Friedrich List, em meados do século XIX, sendo adotado por diversos países, hoje desenvolvidos, defendia o protecionismo à indústria local, enquanto ela não atingisse escala de produção eficiente, merecendo a proteção da concorrência de firmas estrangeiras, estabelecidas há mais tempo; 2) O problema do desemprego: é um dos mais fortes motivos alegados em defesa do protecionismo, pois as importações geram emprego no exterior, enquanto as exportações o fazem internamente e a adoção de barreiras ao ingresso de mercadorias estrangeiras beneficia os trabalhadores domésticos; 3) Barreiras comerciais para estimular a substituição de importações: Esta política marcou a história econômica do Brasil, tendo sido proposto pelo economista Raul Prebisch, logo após a Segunda Guerra Mundial, como forma de promover a superação do subdesenvolvimento na América Latina; 4) Redução do diferencial de salários; 5) Impedimento ao comércio desleal; 6) Promoção da segurança nacional e 7) Favorecimento das barganhas internacionais. Os últimos 4 motivos, apesar de

desprovidos de racionalidade econômica, são freqüentemente utilizados por diversos países.

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IV - O Nordeste e Os Novos Cenários Mundiais do Comércio

IV.1- Os Desafios e Oportunidades do Nordeste com a Globalização dos Mercados

Nas últimas décadas do século XX e na primeira do século XXI, as transformações ocorridas e ainda em curso na natureza das relações internacionais em vários níveis, moveram o mundo em direção a uma economia mundial cada vez mais sem fronteiras, tornando as economias nacionais completamente interdependentes.

Os fluxos do comércio internacional de mercadorias registraram, desde o final da Segunda Guerra Mundial, um ritmo impressionante de crescimento. Segundo dados da OMC, a parcela da produção mundial destinada às exportações evoluiu de 7% em 1950 para incríveis 25% por volta do ano 2000.

Crescendo em média, a um ritmo de 6% ao ano, o comércio internacional parece ter tornado as exportações e importações muito mais importantes nos dias atuais do que em qualquer outra época da história da humanidade.

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Esta tendência à crescente integração dos mercados nacionais, resultando em um só mercado mundial, vem recebendo diferentes interpretações. Mesmo não sendo nosso propósito aqui, aprofundar a análise das causas deste fenômeno contemporâneo parece haver consenso entre muitos analistas, de que ela constitui uma extensão global dos avanços tecnológicos ocorridos nos processos de uso e de gestão do capital e do trabalho, e uma resposta, em nível mundial, às necessidades de contínuas reestruturações nos setores produtivos, para incorporar cada vez mais rápida e intensamente, as novas conquistas na área do conhecimento e da informação.

Essas mudanças podem estar associadas ao acirramento da competitividade internacional, decorrente da entrada de novos e agressivos atores no movimento de mercadorias entre as nações, e à intensa e desigual aceleração do progresso tecnológico entre as chamadas economias centrais. Esses países tiveram declínio na taxa de crescimento da produtividade a partir dos anos 1960, associado ao aumento real dos salários. Tal assimetria, segundo a maioria dos analistas, estaria no cerne da explicação para a emergência da nova ordem industrial que chega com força a partir dos anos 1980.

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Estes processos de globalização induziram e induzem ainda economias nacionais em todo o mundo, a abrir seus mercados ao comércio exterior, que é visto cada vez mais, como a melhor forma de alargar as estreitas fronteiras nacionais e como um poderoso mecanismo de elevação da produtividade dos recursos produtivos, de promoção do crescimento econômico e de avanço na esfera social.

Diversas pesquisas indicam que, muitos países menos desenvolvidos, que centraram o seu crescimento na expansão das exportações, seguindo suas vantagens comparativas, exportando bens intensivos no uso dos seus fatores abundantes, estão alcançando índices de distribuição de renda similares aos dos países desenvolvidos. Tais países tornaram-se, em anos recentes, exportadores privilegiados de produtos industrializados, incorporando em seus processos produtivos, parcelas crescentes de capital físico e humano, bem como novos e avançados conhecimentos tecnológicos. (Balassa, 1967,1971 e 1980; Krueger, 1974 e 1978; e Magee, 1994).

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No que se refere à América Latina e particularmente ao Brasil, há hoje um crescente consenso de que é vital buscar-se a inserção de suas economias nos fluxos internacionais de comércio, de investimentos, de tecnologia e de capitais. O Brasil ainda é hoje uma economia com pequena inserção internacional, medida pelo Grau de Abertura - relação das exportações com o PIB - em torno de 16%, com tendência de crescimento para 17% em 2006, em comparação com outras nações em desenvolvimento, como México (32%), Coréia (45%) e Austrália (23%). A participação brasileira no fluxo mundial de comércio na realidade declinou nas últimas 3 décadas, de 1,2% em 1970 para cerca de 1% em 2006. O desempenho do comércio exterior da região Nordeste tem sido ainda pior, pois viu sua participação no total das exportações brasileiras, declinarem neste período, de quase 17% para cerca de 8%.

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É, infelizmente, um longo rosário de grandes problemas e empecilhos que explicam o trágico desempenho exportador da economia nordestina.

Desta forma, não parece restar qualquer dúvida sobre a importância fundamental da concepção e implementação de novas e ousadas políticas de incremento das exportações da Região Nordeste. Tais políticas precisam estar no topo das prioridades de qualquer agenda de desenvolvimento do Nordeste para os próximos anos. Isto se impõe não só pelo fato óbvio de que o incremento das exportações gera crescimento econômico, mas também pelo motivo subjacente de que também induz os agentes econômicos, públicos e privados, a concentrar seu foco em produtividade dos seus negócios, o que se constitui, por si só, em outra fonte de crescimento.

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Vale ressaltar que, num mundo ainda constituído de parceiros desiguais e onde ainda prevalecem amplas formas de protecionismo - de barreiras explícitas a subsídios governamentais - o comércio internacional é cada vez mais visto como um jogo de estratégias, praticado conjuntamente por empresas e pelos governos nacionais, e cujos ganhos são crescentemente determinados, não somente pela competitividade dos produtos, mas também pela capacidade e habilidade dos governos e das representações empresariais nas mesas de negociações.

No contexto atual, em que se aceleraram enormemente os fluxos de mercadorias, de serviços, de capitais e de tecnologias, em que surgem grandes pressões pela abertura comercial das economias nacionais, em que se acirra a competitividade nos mercados mundiais e em que se acelera muito o progresso técnico e a introdução de inovações, é vital se reconhecer que o comércio internacional deixou de constituir uma mera possibilidade de exportação de excedentes, baseada em vantagens competitivas naturais.

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Isto significa dizer que as vantagens competitivas são mais do que nunca, vantagens socialmente construídas, decorrentes da melhoria da educação de base da população, da aprendizagem técnica e da acumulação de conhecimento científico, da utilização de tecnologias adequadas, da agilidade da ação e reação de empresas e governos às mudanças nos mercados mundiais, do conhecimento e da imitação das práticas e experiências que deram certo em outras economias no mundo, de uma atitude pró-ativa da nação e suas regiões nas suas exportações e na inteligente defesa comercial.

Com o final da Rodada Uruguai e a criação da OMC, muitas barreiras ao comércio caíram e deverão continuar caindo nos próximos anos, abrindo inúmeras oportunidades de acesso aos mercados. Esta tendência, entretanto, vem acompanhada de um extraordinário incremento na competitividade entre os países e de uma dura disputa pelos mercados. Nesta linha, há certo consenso entre os analistas de que, no novo ambiente institucional do mundo globalizado, as vantagens da abertura e da crescente liberalização do comércio, não serão apropriadas uniformemente por todos os países, e os ganhos do comércio serão determinados, não somente pelo alcance de elevados padrões de competitividade dos produtos que concorrem no mercado, mas também pela capacidade e habilidade dos governos e das representações empresariais, nas mesas de negociações.

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As negociações para a remoção dessas novas barreiras e para a utilização de práticas mais transparentes de comércio tornaram-se, com o tempo, extremamente complexas.

Com efeito, as mudanças pós-GATT 94 praticamente obrigaram cada país ou grupo de países – através das áreas de livre comércio, uniões alfandegárias ou mercados comuns – a implementar avançados sistemas de promoção de exportações e de defesa comercial, de tal maneira a fazer com que o país ou associação de países mais preparados técnica, jurídicos e organizacionalmente para atuar nos fóruns internacionais, tenham maiores chances de lograr êxito e levar maiores vantagens nas negociações.

O analista internacional tem recomendado desde então, que as delegações nacionais dos países ou dos blocos comerciais, mantenham permanentemente suas equipes de negociadores fisicamente presentes nas diversas reuniões preparatórias das Conferências Ministeriais, bem como em contínuo monitoramento das ações e processos em andamento, nos comitês específicos que preparam as recomendações de política para as autoridades superiores da OMC.

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O Brasil, por ter permanecido até a década de 1980 como uma das economias mais fechadas do mundo e, embora sempre tivesse contado com um corpo competente de funcionários diplomáticos, não estava preparado para enfrentar, na década de 1990, os novos desafios na área da diplomacia comercial. Por esta razão, durante os primeiros anos após a constituição da OMC, a posição do País foi considerada tímida e frágil na defesa de seus direitos e interesses, mantendo uma atitude quase sempre defensiva e pouco ousada nas negociações dentro da organização.

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Assim, em geral, os resultados da Rodada Uruguai, a criação da OMC, a implementação de novos mecanismos de solução de controvérsias e a continuidade dos processos de liberação comercial, tenderão a propiciar amplos benefícios à comunidade internacional, ao Brasil e ao Nordeste, na medida em que está sendo fomentado um ambiente favorável à discussão dos temas de maior interesse para os países menos desenvolvidos. Todavia, é consenso entre os analistas internacionais, que a distribuição dos benefícios das negociações atuais e futuras, dependerá largamente da atuação concentrada dessas nações e, sobretudo, da sua capacidade e habilidade na condução e no acompanhamento constante dessas negociações. Acresce ainda, que caberá aos governos de cada país, bem como às suas lideranças técnicas, políticas, empresariais e diplomáticas, a grande responsabilidade de maximizar os benefícios que uma maior liberalização do comércio exterior poderá proporcionar.

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IV.2- O Protecionismo Seletivo nas Nações Industrializadas

Não se pode negar que, nas últimas cinco décadas após a Segunda Guerra Mundial, tenha ocorrido substancial queda nas barreiras comerciais e maior liberalização do comércio mundial. Com efeito, nas oito rodadas de negociações multilaterais promovidas pelo GATT, desde a primeira, em Genebra, no ano de 1947, até a última, a do Uruguai, concluída em 1994, o protecionismo, na forma de tarifas alfandegárias sobre importações, caiu de cerca de 50%, em média, para não mais do que 3%. De igual modo, foi eliminado ou grandemente reduzido, um variado número de barreiras não-tarifárias e diminuída a importância de vários outros instrumentos restritivos de política comercial, que distorciam a concorrência, como alguns subsídios e incentivos fiscais à produção doméstica e às exportações.

Todavia, permaneceu ainda extremamente intenso, um tipo de protecionismo seletivo, praticado pelos países desenvolvidos, tanto sobre produtos industrializados quanto sobre bens agrícolas e agro-industriais, que continuarão, durante muitos anos após a Rodada Uruguai, dificultando severamente o acesso dos produtos das nações em desenvolvimento aos mercados dos países industrializados.

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Os países industrializados da Europa, os Estados Unidos, O Canadá e o Japão criaram um sistema complexo de classificação de produtos importáveis cujas categorias definem o grau de “sensibilidade” em relação à capacidade competitiva dos produtos nacionais. Naturalmente, os produtos classificados como sensíveis, são obviamente, aqueles produzidos em setores de menor capacidade competitiva para se exporem, repentinamente, a um regime de livre comércio.

A agricultura e as atividades manufatureiras que ainda fazem uso intensivo do fator trabalho são os segmentos produtivos mais sujeitos às várias formas de protecionismo seletivo e de defesa comercial dos países industrializados. Além dos produtos agrícolas “in natura” e os processados, o setor químico e siderúrgico, o de têxteis e confecções, o de calçados e artigos de couro e de borracha, os brinquedos e produtos eletrônicos de consumo e o automotivo, destacam-se entre os produtos considerados especialmente sensíveis pelas nações industrializadas, e que são, como se sabe, aqueles mais representativos da pauta de exportações das nações menos desenvolvidas. (Galvão, Olímpio de Arroxelas, O Comércio e a Inserção Competitiva do Nordeste no Exterior e no Brasil, BNB/SUDENE, 2002).

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alguns picos tarifários, afetando especificamente os produtos de maior relevância para as exportações das nações em desenvolvimento.

Com relação aos produtos agrícolas, agro-pecuários e agro-industriais, durante a Rodada Uruguai e após quase intermináveis negociações, as nações industrializadas acordaram em tornar o comércio de bens agrícolas, submetidos às regras do GATT e as seguintes principais concessões foram obtidas: a) Uma progressiva redução das medidas de ajuda à agricultura da parte dos países industrializados (e de oito países de desenvolvimento intermediário com grandes interesses agrícolas, incluindo entre estes o Brasil); b) O compromisso de redução das despesas governamentais com subsídios, da ordem de 36%; c) Uma diminuição de 21% no volume médio de exportações subsidiadas; d) Uma redução das tarifas médias sobre importações de bens agrícolas de 1/3 e) Eliminação de todas as restrições quantitativas e de barreiras não-tarifárias sobre importações agrícolas e sua substituição por um regime de quotas tarifárias e impostos modulados.

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sensíveis, em maior proporção, e reduzindo em percentual simbólico ou quase nulo os impostos sobre importações de bens agrícolas sensíveis - que são precisamente os de maior interesse para os países não desenvolvidos exportadores de bens agrícolas. Por isso a agricultura continuou a ser, após a Rodada Uruguai, um setor altamente protegido e subsidiado nas nações industrializadas.

No que diz respeito ao Brasil, o país enfrenta dificuldades para exportação às nações industrializadas em praticamente todos os produtos do setor agro de sua economia. Praticamente a totalidade dos seus bens agrícolas e agro-industriais sofre algum tipo de restrição nos mercados dos países desenvolvidos, seja na imposição de quotas tarifárias, de tarifas elevadas ou de barreiras técnicas e rigorosas exigências sanitárias e fitossanitárias. Isto ocorre intensamente com o cacau, açúcar, soja, óleos vegetais, carnes, sucos de frutas, frutas in natura, e fumo e em menor intensidade com peixes e crustáceos, álcool, peles e couros, produtos hortícolas e flores naturais.

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tema neste ano de 2007 em curso. O desempenho dos negociadores dos países exportadores de bens agrícolas e agro-industriais, historicamente insatisfatórios, talvez mostre uma grande evolução nas próximas rodadas de negociações, pois existem sinalizações muito claras de que os setores agrícolas de todo o mundo já estão se preparando para passar por grandes ajustamentos.

Na Europa, a despeito das enormes resistências de seus agricultores, já está a muito em discussão uma progressiva, mas significativa reforma da Política Agrícola Comum, por algumas principais razões: 1) Porque os subsídios da Comunidade estão ameaçando a estabilidade financeira e orçamentária dos governos da União; 2) Porque a Política Agrícola Européia continua sendo uma fonte importante de desencontros e de discórdia entre as nações Européias, os Estados Unidos e um vasto conjunto de nações menos desenvolvidas e 3) Porque o alargamento da própria União Européia, com a incorporação de vários países também com uma forte base agrícola, obrigará os europeus a seguir dois únicos caminhos: ampliar ainda mais os subsídios, para abrigar os interesses dos novos ingressantes na União e agravar severamente os já preocupantes problemas financeiros e orçamentários de seus governos, ou partir para uma progressiva eliminação da política de subsídios - alternativa mais provável, conforme alguns analistas europeus (WEYERBROCK, 1998).

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setor que oferece as maiores oportunidades para acelerar o crescimento de suas economias, documento do MERCOSUL a OMC enfatiza que somente a adoção do livre comércio na área agrícola, permitirá efetivas condições para o crescimento econômico das nações Sul-Americanas.

Com efeito, embora a eliminação das barreiras comerciais à agricultura deverá trazer novos desafios à economia brasileira, há consenso generalizado, entre autoridades governamentais e especialistas em “agribusiness”, que a abertura dos mercados agrícolas trará grandes benefícios líquidos ao Brasil. Isto porque, não há dúvida de que a contribuição brasileira para a geração de receitas cambiais com exportações agrícolas está muito aquém do seu potencial - O Brasil tem 55 milhões de hectares cultivados para mais de 500 milhões de hectares cultiváveis - e de que o país é uma economia bastante auto-suficiente na produção de bens agro-pecuários e agro-industriais, tendo em vista ser o trigo a única commodity agrícola importante importada do exterior. (cf. OECD, 1997 e OECD, 1998).

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ênfase, nas políticas do futuro, deve ser: a) Em pesquisa básica; b) Desenvolvimento de mecanismos sofisticados de marketing e promoção comercial; c) Provimento de infra-estrutura adequada à expansão e comercialização da produção; d) Treinamento e educação de produtores e da mão-de-obra rural e) Fomento das operações de venda a futuro nas bolsas nacionais e internacionais de mercadorias.

No que diz respeito ao Nordeste, esta região ainda apresenta sérios problemas de competitividade em relação aos seus produtos tradicionais de exportação - embora haja expectativas positivas de longo prazo para o Cacau, o Açúcar e o Álcool. Por outro lado, a pequena diversificação produtiva na área agrícola, será obstáculo a ser superado para que a região se beneficie, como o país, das novas tendências mundiais.

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IV.3- Os Acordos de Preferências Comerciais que Excluem os Produtos Brasileiros e Nordestinos

A grande maioria dos acordos de preferências comerciais ainda vigentes após a criação da OMC, afetam significativamente as exportações brasileiras em geral, e as da Região Nordeste em particular. Embora a posição do secretariado da OMC seja a de que tais acordos de preferências comerciais contrariam os princípios e ideais da não-discriminação no comércio e do multilateralismo, continua em vigor um vasto número de esquemas de preferências comerciais envolvendo países industrializados e nações em desenvolvimento, que excluem produtos brasileiros. Com efeito, à exceção do acordo sob o abrigo do Sistema Geral de Preferências - SGP - a quase totalidade dos acordos de preferências comerciais, ainda em vigor após a criação da OMC, deixam o Brasil de fora das concessões preferenciais, colocando os produtos desse país em clara desvantagem competitiva nos mercados das nações industrializadas.

Setenta e um países do chamado grupo do ACP (África, Caribe e Pacífico); os países da Europa mediterrânea e do norte da África e, mais recentemente, os da Europa Central e Oriental - num total de quase cem nações - mantinham e continuam mantendo, após a Rodada Uruguai, relações comerciais com os países da União Européia, em condições mais favoráveis que as concedidas ao Brasil através do SGP.

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o fumo, além de alguns produtos da indústria têxtil e de confecções, que entram nos mercados europeus sem pagar tributos ou que estão sujeitos a regime de restrição quantitativa, mas com aplicação de quotas e tarifas mais amenas ou generosas do que as aplicadas aos produtos brasileiros. O mesmo tratamento é dispensado às nações de desenvolvimento intermediário da Europa Central e Oriental.

Além dos europeus, os Estados Unidos e o Canadá também continuam mantendo, após a Rodada Uruguai, relações especiais com países do Caribe e com algumas nações da comunidade andina da América do Sul. Para muitos destes países, parte do comércio é realizado em bases preferenciais e não recíprocas, sob a alegação de que tal prática contribui para criar alternativas de fonte de renda para as suas populações mais pobres, ajudando, assim, a diminuir a produção e o tráfico de drogas.

Durante quase sete anos de duração da Rodada Uruguai, mudanças nos regimes de preferências comerciais entraram na pauta das negociações multilaterais, especialmente motivadas pelas pressões de países, como o Brasil, que se sentiam muito prejudicados pela existência de tantos arranjos comerciais discriminatórios e prejudiciais aos seus interesses. A posição oficial defendida pela Secretaria do GATT durante a Rodada Uruguai era a de que os regimes de preferências deveriam ser progressivamente eliminados e substituídos por práticas multilaterais de comércio.

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subdesenvolvidos: um grupo majoritário, constituído por nações muito pobres, conhecidas como “least developed countries”, e que apresentam renda per capita anual inferior a US$ 1.000,00; e outro grupo de nações ainda subdesenvolvidas, mas de desenvolvimento intermediário, denominadas de “developing countries”. Tal idéia já vem sendo aplicada consistentemente nas revisões de acordos em vigor, como o próprio Sistema Geral de Preferências, concedendo prioridade e condições mais favorecidas aos países do primeiro grupo, consideradas os mais pobres da OMC.

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IV. 4 - A Trajetória Dinâmica da Carcinicultura no Nordeste e em Pernambuco

Nesta seção será apresentada a trajetória da Carcinicultura no Nordeste e em Pernambuco, no período entre 2002 e 2006, através de alguns diagramas abaixo exibidos, relacionando algumas variáveis e dimensões principais deste negócio, como a produção e as exportações em cada ano, utilizando como fontes principais para estes dados, as publicações da ABCC (Associação Brasileira dos Criadores de Camarão).

Inicialmente será apresentado abaixo, um diagrama de produção de camarão cultivado, no período de 2002 a 2006, relacionando a produção brasileira e a do Nordeste (Fig.IV.1).

Fig.IV.1

Produção Brasileira e do Nordeste de Camarão Cultivado (em mil tons)

64,8 65,0

75,9 90,2

60,1

56,8 60,3 59,4

70,7 85,9

50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0

2002 2003 2004 2005 2006

Fonte: ABCC/Aliceweb

Imagem

Fig. IV.4

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