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Método gráfico e estimativa de índice alimentar aplicado no estudo de alimentação de peixes.

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Academic year: 2017

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Bobn Inst. oceanogr., S. Paulo, 29 (2), 205 - 207, 198C

MÉTODO GRÁFICO E ESTIMA TIV A DE lNmcE ALIMENTAR APLICADO NO ESTUDO

DE ALIMENTAÇÃO DE PEIXES

E.KAWAKAMI

Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB, S. Paulo. SP, Brasil

e

G.VAZZOLER

I nstituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

SYNOPSIS

Using a figure which is a combination of volume percentage (Vi) in the axis of x and frequency of occu"ence percentage (Fi) in the axis of y it is possible to obtain paralelograms representing the relative importance of the food items. The paralelogram areas are proportional to the volume (%) and frequency of occurrence (%) products; such values are used to calculate a "feeding index" (IA i).

This "feeding index" is proposed as a new method to evaluate the true importance of each food item in the feeding spectrum of each species, as well as to contribute to the understanding of the relationships between several species when applied to fish fauna from the same place and at the same time.

Nos estudos sobre alimentação de peixes procura-se oferecer uma representação gráfica, geralmente セッ「@ a forma de diagrama de barra para a freqüência de ocorrência, e setorial para o volume, ou peso, dos componentes de cada ítem, que representa a posição do mesmo dentro do espectro alimentar da e,spécie. É também mui-lo comum, na análise do regime 。ャゥュセョエ。イL@ com a ajuda desses gráfi-cos, usar-se expressões tais como "mais comum", "predominante", " mais importante", "domina", para consignar a posição dos ítens no espectro alimentar.

Basicamente dois são os aspectos mais importantes a consi-derar na avaliação do regime alimentar de peixes: 1) a freqüência com que um determinado Ítem ,é consumido, e 2) o seu volume. Esses aspectos, e outros, são tratados segundo métodos consagrados na literatura, revistos e discutidos por Hynes (1950), e podem ser postos como segue:

a) freqüência de ocorrência - corresponde à freqüência porcentual do número de estômagos onde ocorre determi-nado Ítem alimentar em relação ao número de estômagos com alimento;

b) volumétrico - pelo qual o volume é expresso na forma porcentual, considerando o volume de dado ítem alimentar em relação ao volume de todos os ítens alimentares presen-tes nos estômagos.

Obtendo-se resultados por um dos métodos sua análise mdeQendente J:)ode nos levar a estimativas errôneas, uma vez que nem sempre o Item mais freqüente é o mais volumoso, e vice-versa, o que pode falsear o significado do "mais freqüente", "mais comum"

e etc., conduzindo a uma super ou subestimativa do "valor" do ítem no espectro alimentar.

Lande (1973;1976) conjugou em gráfico os valores porcen-tuais da freqüência de ocorrência com os valores porcenporcen-tuais do nú-mero de indivíduos de cada ítem, facilitando a compreensão do que

é "mais importante". Cada ítem passa a ser representado por um quadnlátero, num sistema de coordenadas (freqüência de ocorrên-cia % ) na ordenada e porcentagem do número total de indivíduos por ítem, na abcissa), cujas dimensões oferecem a posição de cada ítem no espectro alimentar.

A nosso ver, a conjugação dos dois métodos referidos - fre-qüência de ocorrência e volumétrico - é o ideal, permitindo uma avaliação mais real, sendo então os resultaC10s expressos em temrtlS

de "os ítens principais na alimentação de (espécie) são ... " . Conside-rando-se que as áreas dos quadriláteros são proporcionais aos produ-tos dos valores porcentuais da freqüência de ocorrência e volume de cada ítem, poderemos utilizá-los para estimar a importância alimen-tar de cada ítem na alimentação de uma dada espécie. Desse modo, a partir da razão entre o produto da freqüência de ocorrência e volume, em ambos os casos em valores porcentuais, de cada ítem e da somatória dos produtos para todos os ítens constatados, será possível estimar um "índice alimentar" para cada ítem, estabelecen-do-se a seguinte relação :

Fix Vi

IAi =

-Publ. nl? 480 do Inst. oceanogr. da USP.

onde:

[Ai = índice alimentar

i

=

1,2, ... n

=

determinado ítem alimentar

Fi = freqüência de ocorrência (%) do determinado Ítem Vi = volume (%) do determinado ítem

Tal "índice alimentar" permite-nos distinguir mais adequada-mente a importância relativa de cada ítem, qualquer que seja sua condição quanto à freqüência de ocorrência e volume, valores es-ses que apenas lançados em gráfico combinado, poderiam aparecer sob a forma de quadriláteros diferentes que, visualmente, não possi-bilitariam avaliar de forma precisa a proporcionalidade de suas áreas. As Figu'ras 1 e 2 representam os resultados obtIdos por Kawa-kami (1975), para Etropus longimanus, utilizando cada método isoladamente. A Tabela I contém os dados relativos

à freqüência

dé ocoJIência e volume 'porcentual, bem como os produtos desses valores e os "indices alimentares" de cada ítem.

A análise das FIguras 1 e 2 , respectivamente, permite-nos concluir que, em termos de freqüência de ocorrência, o Ítem predo-minante no inverno são os eamal'Ídeos. e..,JIa,,mimaVlml os gamarí-deos e poliquetos; e, em termos volumetricos, o {tem predomI-nante é constituído pelos poliquetos, tanto no inverno como na primavera.

A Figura 3 representa os resultados obtidos pela aplicação do novo método proposto; observa-se que no inverno os íten& mais importantes na alimentação da t(spécie foram gamarídeos e po-liquetos (0,49 e 0,45, respectivamente, para valores de "índice mentar") e na primavera, os poliquetos (0,74 para o "Índice ali-mentar"). No inverno, apesar do alto volume porcentual, os poli-quetos possuem "índices alimentar" equivalente, ou mesmo um pouco mais baixo que os gamarÍdeos; na primavera, embora quase mantendo o mesmo valor de volume porcentual que no inverno, os poliquetos apresentam um "índice alimentar" bem mais elevado que os gamarídeos, devido à sua frequência ter sido, nessa época, bem mais elevada que no inverno.

Os demais itens representados por valores muito baIXOS, demonstram o seu valor secundário, ou mesmo acidental, na ali-mentação de E. longimanus,

Os '-indices alimentares" determnrarn, Cmr1Dliente, a impor-tãncia efetiva de cada item na alimentação da espécie. Permitem, ainda, uma avaliação quantitativa das variações espacial e temporal das disponibilidades quali e quantitativa dos diferentes itens alimen-tares para cada espécie estudada. A obtenção de informações 、Zセエ・@

tipo, relativas a várias espécies que ocupam uma mesma regIaO, poderá vir a constituir-se em importante subsídio セ。イ。@ a compr,een-são da interação dos processos alimentares entre diferentes especles de peixes.

Bibliografia

HYNES, H.B.N. 1950. The food of freshwater sticklebacks (Gaste-rosteus aculeatus and Pygosteus pungitius), with a review of methods used in studies of the food of fishes. J. Anim.

Eco I. , 19(1):36-58.

(2)

206

Bohn Inst. ooeanogr., S.

Paulo, 29

(2),

1980

LANDE, R. 1973. Food and feeding hablts of plaice Hpャ・オイッョ・」エ・セ@ __ plateaSll L.) in Borgenfjorden, North-Trondelag, Nprway. Norw. J. Zool., 21 : 91-100.

- - - ---- 197b. Food and feeding habits of the dab (Limanda limanda (L.) ) in Borgenfjorden, North-Trondelag, Norway. Norw. J. Zool., 24 : 225-230.

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Fig. 1.

Inverno

Poliquetos 62,5%

Gamarídeos 27,5%

Inverno

Primavera

MセM

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Freqüência de ocorrência dos ítens alimentares de E. longimanus, no inverno e na primavera

Fig. 2. Volume porcentual dos ítens alimentares de E. longimanus, no inverno e primavera

Primavera

Poliquetos 66,2%

(3)

KAWAKAMI

&

V AZZOLER: IÍldice Alimentar Aplicado no Estudo de Alimentaçã'o de PeIXes

207

Tabela I - Valores porcentuais da freqüência de ocorrência (Fi) e volume (Vi) de cada ítem alimentar (i), do produto desses valores e dos "indices alimentares" (lAiJ no inverno e primavera, para Etropus longimanus, na plataforma continental do Rio Grande do Sul, em 1972.

,

Inverno (N

=

42) Primavera (N

=

84)

Item alimentar Fi Vi Fix Vi IAi Fi Vi FjXVi

Gamarídeos 64,3 27,5 1768,25 0,49 83,3 21,6 1799,28

Poliquetos 26 ,2 62,5 1637,50 0,45 85,7 66,2 5673,34

Cumáceos 26,2 5,0 131,00 0,04 46,4 3,7 171,68

lsópodos 4,8 2,5 12,00 0,003 9,5 1,5 14,25

Branch iostoma 2,4 セM 0,00 - 3,6 3,7 13,32

Mysidáceos 9,5 2,5 23,75 0,007 1,2

!

-

-Ostrácodos 2,4 0,00 - 3,6 -

-Tanaidáceos 9,5 i 0,00 1,2 -

-Caprellídeos

i

Mセ@ 10,7 1,5 16,1'5

Ascidiáceos

!

- - 10,7 1,8 19,26

Nematoides 11 ,9 0,00 - 8,3 - 0,00

Mat. digerido 9.5 1 0,00 4,8 - 0,00

Nemertíneos - - 1,2 0,1 0,12

Lodo areia 14.3 0,00 -- - -

-Valor não possível de セ・イ@ determinado

ETROPUS LONGIMANUS

Inverno N=42

60 0,003

0,04

õ"'o

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0,0

alOe

U"",,,"

',," o""

E tMü;

Gamarídeos XセGM _::2

07

40

0,49

Poliquetos 0,45

セ@

20 40 60 80 100

Primavera N =84

80

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40 E Poliquetos

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0,74

0,23 20

4(f 60 80 100

Volume(%)

Fig. 3. Freqüência de ocorrência e volume porcentual dos diferentes ítens alimentares e seus respectivos índices alimentares

IAi

0,23 0,74 0,02 0,002 0,002

-0,002 0,002

-0,000

Imagem

Fig. 2. Volume porcentual dos ítens alimentares de E. longimanus,  no  inverno e primavera  Primavera  Poliquetos 66,2% Gamar{deos 21 ,6%
Tabela  I  - Valores  porcentuais  da  freqüência  de  ocorrência  (Fi)  e  volume  (Vi)  de  cada  ítem  alimentar  (i),  do  produto  desses  valores  e dos

Referências

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