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O agro brasileiro e o mundo

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Academic year: 2017

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REVISTA TRANSPARÊNCIA – ABR/2014 – O APRO BRASILEIRO E O MUNDO

O AGRO BRASILEIRO E O MUNDO

* Roberto Rodrigues

O ano de 2013 terminou ratificando os grandes números da agropecuária e do agronegócio brasileiro no conjunto da economia nacional.

De fato, o PIB do país cresceu 2,3%, considerado por muitos como pífio, embora maior que o americano, o europeu e o japonês. No entanto, este pequeno crescimento só não foi menor porque a agropecuária cresceu 7%, bem mais que a indústria (1,3%) e os serviços (2%).

Outro número espetacular foi o das exportações: neste caso, o saldo comercial do agronegócio todo foi de 83 bilhões de dólares em 2013, enquanto a do país – incluindo o agronegócio – foi de apenas 2,3 bilhões. Isto significa que se não fosse o agro, o déficit comercial do Brasil seria superior a 80 bilhões de dólares. Somados aos déficits dos anos anteriores, estes números deixariam o país em extrema fragilidade, inclusive quanto às decantadas reservas cambiais.

Em 2013, o agronegócio exportou quase 100 bilhões de dólares, mais do triplo de há dez anos, mesmo considerando que metade deste período foi vivido sob o fantasma da crise financeira de 2008 que varreu o planeta todo: pois o agronegócio brasileiro continuou crescendo e conquistando mercados, mesmo quando o cenário mundial esfriava.

Tal fenômeno se deveu basicamente à determinação dos produtos rurais brasileiros que encararam as dificuldades incorporando a boa tecnologia tropical gerada em nossos órgãos públicos de pesquisa, universidades e empresas privadas. Os números são impressionantes: em 20 anos a área plantada com grãos no país cresceu 41% e a produção cresceu 223%! Um espetacular aumento de produtividade por hectare, o que permitiu preservar mais de 65 milhões de hectares de matas, florestas e cerrados. Não foi diferente com as carnes, as florestas plantadas, etc.

Com isso, o Brasil vem cumprindo um notável papel na histórica missão de ajudar o mundo todo a reduzir a fome, ampliando a segurança alimentar, além de produzir fibras e energia de forma competitiva exemplar.

E podemos seguir ampliando nossa produção ainda muito mais, porque temos terra disponível, a maravilhosa tecnologia tropical sustentável e produtores profissionais e modernos.

Mas infelizmente, falta uma estratégia do tamanho deste grande setor e de sua contribuição, uma vez que gera 30% dos empregos totais do país, representando 23% do seu PIB.

Falta uma estratégia, com políticas públicas que contemplem a dramática questão da logística e infraestrutura para escoamento das volumosas e crescentes safras.

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REVISTA TRANSPARÊNCIA – ABR/2014 – O APRO BRASILEIRO E O MUNDO

Falta modernizar o crédito rural, falta investir para valer em defesa sanitária, faltam mais recursos para desenvolvimento tecnológico, falta modernizar velhos instrumentos legais, enfim, falta uma estratégia.

Felizmente, alguns movimentos vêm sendo feitos pelo governo nesta direção, ainda poucos, mas promissores. As concessões para rodovias no final do ano passado, a lei dos portos, o vasto crédito para armazenagem, as promessas de concessão para ferrovias, são uma luz no fim do túnel. Túnel ainda longo, muito longo, luz pequena, mas é um avanço.

E a grande notícia é que os 3 candidatos à Presidência da República, pela primeira vez desde que me lembro (e estou nisso há mais de 50 anos), procuraram as lideranças rurais do país em busca de propostas para o agro a serem colocados em seus planos de governo.

Aleluia!

Temos que aproveitar isto. E estamos trabalhando: um grupo técnico ligado à Academia Nacional de Agricultura e ao PVAPRO, da FPV, com apoio da OCB, da ABAP, da SRB, do COSAP e a promessa de participação da CNA já está elaborando um borrador que será submetido, nos próximos meses, a todas as entidades representativas das diversas cadeias produtivas do agronegócio brasileiro. E, uma vez obtido um sonhado consenso, o Plano será entregue aos candidatos, com o pedido de que se posicionem quanto a cada um dos pontos definidos.

Após conhecer estas posições, os atores do agronegócio brasileiro poderão escolher o candidato que se comprometer com as principais prioridades estabelecidas.

Mãos à obra: o mundo precisa do agro brasileiro.

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