Roteiro do artigo e da apresentação do professor Paulo Fleury – I nstituto I LOS
• O artigo intitulado “ Capacidade de planej am ento e execução de invest im ent os em infraest rut ura do Brasil – sonho ou realidade?” será estruturado sobre três pilares: análise da infraest rut ura logíst ica do Brasil, estudo sobre o Program a de Aceleração do Crescim ento ( PAC) e a capacidade de investim ento e planej am ento do País;
Análise da infraest rut ura do Brasil
• Os invest im ent os do PAC em infraestrutura envolvem basicam ente quatro áreas principais: saneam ento, logística, energia e habitação. O bom m om ent o da econom ia brasileira e a carência do País em infraest rut ura logíst ica vêm levando o governo brasileiro a priorizar o setor de transportes no PAC;
• O Brasil tem apenas 214 m il km de rodovias pavim entadas, 20 vezes m enos que os 4,21 m ilhões de km dos Estados Unidos. Mesm o a Í ndia, com pouco m ais de um terço do território brasileiro, possui um a m alha pavim entada 7 vezes m aior do que a do Brasil. Já a m alha ferroviária de 29.000 km é oito vezes m enor do que a dos Estados Unidos e, dentre os Brics, só é m aior do que a sul- africana, país cuj a área territorial é 7 vezes m enor do que a do Brasil. Além disso, dos 29.000 km , apenas 10.000 km estão efetivam ente sendo ut ilizados;
I nfraest rut ura em diversos países ( por m il km de via)
País
Área ( m ilhões
de k m2)
Rodoviária
pavim ent ada Ferroviária Dut oviária Hidroviária
Brasil 8 ,5 2 1 4 2 9 1 9 1 4
China 9,3 1.576 77 58 110
Í ndia 3,0 1.569 63 23 15
Rússia 17,0 755 87 247 102
África do Sul 1,2 73 20 3 -
EUA 9,1 4.210 227 793 41
• Em recente pesquisa do I nstituto I LOS, profissionais de logística das m aiores em presas do País apontaram a infraestrut ura logíst ica nacional com o regular ( nota m édia 5,0) . Para os entrevistados, a falta de conservação da infraestrutura de transportes existente é um problem a t ão grave quanto a falt a de disponibilidade das vias e m odais. O m aior alvo de crít icas desses profissionais é a m á conservação das estradas nacionais;
• Recente estudo realizado pela Confederação Nacional dos Transportes ( CNT) m ostra que o estado geral das rodovias brasileiras é deficiente. Quase 70% do trecho avaliado1 foram considerados em m al estado, com problem as
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principalm ente na geom etria da via e na sinalização, além da m á conservação da pavim entação;
• A deficiência da infraestrutura logística nacional acaba afetando os custos logíst icos no Brasil, considerados um dos m ais alt os do m undo. Os gast os com logística no País em 2010 representaram R$391 bilhões no ano ou 10,6% do Produto I nterno Bruto. Em term os relat ivos, esse valor está bem acim a dos 7,7% registrados nos Estados Unidos no m esm o período. Essa diferença de 2,9% entre Brasil e Estados Unidos representam um a perda de US$ 90 bilhões por ano para o País;
• Apesar do território ext enso, com 8,5 m ilhões de km2, o Brasil tem a m aior parte da sua produção ( 65,6% ) escoada por rodovias. Em bora tenham a vocação de transportar grandes volum es de cargas a grandes distâncias, as ferrovias transportam apenas 19,5% da produção do Brasil, com o m odal aquaviário responsável por 11,39% , o dutoviário por 3,8% e o aéreo por 0,05% ;
• O Brasil ocupa a 41ª posição no ranking de Eficiência Logíst ica do Banco Mundial ( 2010) , com posto por 155 países e liderado pela Alem anha. Entre os Brics ( grupo form ado por cinco das m aiores econom ias em desenvolvim ento) , o País vem logo após a China e a África do Sul, à frent e de Í ndia e Rússia. Na Am érica Latina, o Brasil está em prim eiro, após ultrapassar Argentina, Chile, México e Panam á nesta edição ( em 48º , 49º , 50º e 51º , respectivam ente) ;
• Na construção do Í ndice de Desem penho Logístico, o Banco Mundial considera, além da infraestrutura de transportes, outras cinco dim ensões: Consist ência/ Confiabilidade, Rast ream ent o de Carga, Com pet ência dos Serviços Logíst icos Públicos e Privados, Disponibilidade de Transport e I nt ernacional, e Procedim ent o alfandegários. Após cerca de 30 anos de subinvest im entos em infraest rut ura de transporte ( inferiores a 0,2% do Produto I nterno Bruto ( PI B) ) , o Brasil se encontra hoje com um grande déficit de infraestrutura tanto em term os quant it at ivos, quant o qualit at ivos, o que o deixa na 37ª colocação no it em I nfraestrutura;
am pliação e recuperação da infraestrutura portuária e dos acessos terrestres, além de intervenções de dragagem e derrocam ento;
Program a de Aceleração do Crescim ent o
• Lançado em 2007 para dar continuidade aos planos plurianuais previstos na Constituição de 1988, o PAC carece de um a m elhor estruturação, coordenação e de um a visão m oderna de logíst ica int egrada. O program a sofre com a deficiência no planej am ento das obras, o que resulta em excessivas revisões de cronogram as, nos acréscim os de novos investim entos e dificuldades na obtenção de licenças e liberação de recursos;
Acom panham ent o do PAC em Logíst ica, referent e ao 1 1 º Balanço – Jan/ 0 7 a Out / 1 0 *
Grupo
I nvest im ent o previst o de 2 0 0 7 a
2 0 1 0 ( Milhões de R$ )
I nvest im ent o realizado at é out ubro de 2 0 1 0
( Milhões de R$ )
% Realizado
Rodovias R$ 54.012,00 R$ 43.071,50 79,7%
Ferrovias R$ 10.354,00 R$ 3.710,70 35,8%
Porto R$ 2.443,00 R$ 784,10 32,1%
Hidrovias R$ 1.324,00 R$ 1.010,00 76,3%
Aeroportos R$ 824,00 R$ 281,30 34,1%
* Na tabela não estão cont em plados os valores referent es à Marinha Mercant e e os de origem não ident ificada
• Estudo do I nstituto I LOS com 100 executivos de logística dentre as 1.000 m aiores em presas do Brasil em faturam ento m ostra que os proj etos propostos na área de logística do PAC são apenas regulares, com nota m édia 6,2 ( em um intervalo de 0 a 10) , enquanto o andam ento da execução das obras está m uito aquém das expectativas, tendo recebido nota m édia 4,0 dos entrevistados. Segundo esses profissionais, as obras de dragagem portuária estão entre os principais proj etos do PAC, ao lado da duplicação da BR- 101;
• Dando continuidade ao PAC I , que na realidade não atingiu m uit as das suas m etas, o governo lançou o PAC I I . Este tem previsão prelim inar de investim ento em logística de R$104,5 bilhões entre 2011 e 2014, e m ais R$4,5 bilhões após 2014. Ao m odal rodoviário estão destinados R$50,4 bilhões, para a construção de 8 m il quilôm etros de estradas, m anutenção de 55 m il quilôm etros e realização de novos proj etos. A expansão da m alha tam bém está prevista no m odal ferroviário, bem com o o aum ento de capacidade do sistem a aeroportuário, a am pliação, m odernização e recuperação dos portos e a m elhoria da navegabilidade dos rios nacionais; Capacidade de invest im ent o e planej am ent o
apenas 10% do invest im ento que seria desej ável para o m odal rodoviário. No caso das ferrovias, o investim ento desej ável seria m ais do que o dobro do que o previsto no PAC I , enquanto nos port os, esse investim ento deveria ser quase 13 vezes m aior do que o determ inado no PAC I ;
• A crise econôm ica que com eçou em m eados da década de 70 levou ao declínio conj untural do planej am ento de longo prazo do País, que envolvia grupos de trabalho de diversos m inistérios e órgãos, sob a coordenação polít ica e t écnica de um órgão cent ral, o I nst it ut o de Pesquisa Econôm ica Aplicada ( I pea) . Esse declínio conj untural t ransform ou- se, nas décadas seguintes, em um declínio estrutural, com a perda de profissionais qualificados e a extinção de alguns órgãos e em presas públicas, com o o Geipot e a Portobras.
• O Plano Nacional de Logística e Transport es ( PNLT) foi concebido com o um a prim eira tentativa do governo de retom ar o planej am ento na área de transportes no Brasil. Ele foi concebido para perm itir a visualização dos investim entos necessários no setor de t ransportes seguindo as dem anda futuras e a evolução da econom ia do País;
Conclusão
• A quantidade de recursos necessários para recuperar a infraestrutura logíst ica do Brasil é bastante superior ao que o governo tem disponível para investir, o que aponta para a necessidade de parcerias com invest idores privados;
• É fundam ental reestrutura o sistem a de planej am ent o, para que os invest im ent os em infraest rutura sej am bem concebidos;