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Percepção da pessoa com surdez severa e/ou profunda acerca do processo de comunicação durante seu atendimento de saúde.

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Academic year: 2017

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PERCEPÇÃO DA PESSOA COM SURDEZ SEVERA E/ OU PROFUNDA ACERCA

DO PROCESSO DE COMUNI CAÇÃO DURANTE SEU ATENDI MENTO DE SAÚDE

Adr ian e Helen a Alv es Car doso1 Kar la Gom es Rodr igu es2 Mar ia Már cia Bachion3

Est e est u d o d escr it iv o d e ab or d agem q u alit at iv a t ev e o ob j et iv o d e car act er izar as p er cep ções d a

pessoa com surdez severa ou profunda sobre o processo de com unicação no cont ext o do seu at endim ent o por

profissionais de saúde. Part iciparam 11 pessoas com surdez severa e/ ou profunda, as quais foram ent revist adas

u san d o- se LI BRAS. As in t er ações f or am g r av ad as em f it as VHS e t r an scr it as, m an t en d o- se a con st r u ção

gr am at ical car act er íst ica da ex pr essão dest as pessoas. Mediant e análise t em át ica em er gir am t r ês cat egor ias:

Ent endim ent o, Necessidade de I nt er m ediação e Sent im ent os. O sur do não t em alcançado um a com unicação

efet iva durant e o at endim ent o de saúde, no qual experim ent a sent im ent os negat ivos, necessit ando da presença

de um pr ofissional int ér pr et e.

DESCRI TORES: com u n icação; lin gu agem de sin ais; en fer m agem

PERCEPTI ON OF PERSONS W I TH SEVERE OR PROFOUND DEAFNESS

ABOUT THE COMMUNI CATI ON PROCESS DURI NG HEALTH CARE

Th is st u dy descr ibes a qu alit at iv e appr oach w it h t h e obj ect iv e of ch ar act er izin g t h e per cept ion s of

p eop le w it h sev er e or p r of ou n d d eaf n ess ab ou t t h e com m u n icat ion p r ocess in t h e con t ex t of h ealt h car e

ser v ices. St u d y p ar t icip an t s w er e 1 1 p eop le w it h sev er e an d / or p r of ou n d d eaf n ess, w h o w er e in t er v iew ed

u sin g Br azilian sign lan gu age ( LI BRAS) . Th e in t er act ion s w er e v id eot ap ed an d t h en t r an scr ib ed . Car e w as

t ak en t o m ain t ain t h e gr am m at ical con st r u ct ion w h ich w as ch ar act er ist ic in t h e ex pr ession of each per son .

Thr ee cat egor ies em er ged fr om t hem at ic analy sis: Under st anding, Need for Mediat ion, Feelings. Deaf per sons

do not achieve effect ive com m unicat ion in healt h care, during w hich t hey experience negat ive feelings. Hence,

t he pr esence of a pr ofessional int er pr et er is needed.

DESCRI PTORS: com m unicat ion; sign language; nur sing

PERCEPCI ÓN DE LA PERSONA CON SORDERA SEVERA Y/ O PROFUNDA

ACERCA DEL PROCESO DE COMUNI CACI ÓN DURANTE SU ATENCI ÓN DE SALUD

La finalidad de est e est udio descr ipt iv o con apr ox im ación cualit at iv a fue car act er izar las per cepciones

de personas con sordera severa o profunda sobre el proceso de la com unicación en el cont ext o de su at ención

por profesionales de salud. Part iciparon once personas con sordera severa y/ o profunda, que fueron ent revist adas

m ediant e el lenguaj e brasileño de signos ( LI BRAS) . Las int eracciones fueron grabadas en cint as VHS y t ranscrit as,

m ant eniéndose la const rucción gram at ical caract eríst ica de su expresión. Mediant e análisis t em át ico em ergieron

t r es ca t eg o r ía s: En t en d i m i en t o , Necesi d a d d e I n t er m ed i a ci ó n y sen t i m i en t o s. El so r d o n o a l ca n za u n a

com unicación eficaz dur ant e la at ención de salud, en la cual ex per im ent a sent im ient os negat iv os, necesit ando

la pr esencia de un pr ofesional int ér pr et e.

DESCRI PTORES: com unicación; lenguaj e de signos; enfer m er ía

1 Enferm eira do Hospital Psiquiát rico Casa de Eurípedes; 2 Enferm eira; 3 Doutor em Enferm agem , Professor Titular da Faculdade de Enferm agem da

(2)

I NTRODUÇÃO

A

com unicação é um processo de int eração n o q u a l co m p a r t i l h a m o s m e n sa g e n s, i d é i a s, sen t im en t os e em oções. Ocor r e m ed ian t e u so d a palavr a escr it a e falada, além de m ecanism os não-v er bais com o uso de gest os, ex pr essões cor por ais, im agens, tato, e outros signos. Pode ser considerada, a i n d a , u m i n st r u m e n t o e sse n ci a l p a r a o desen v olv im en t o da h u m an idade e u m im por t an t e inst rum ent o de int ervenção na área de saúde( 1- 2).

Na assist ência de enferm agem , é necessário com unicar - se de m odo conscient e, em penhando- se para decodificar, decifrar e perceber o significado da m ensagem que o pacient e envia; só assim poderão ser ident ificadas suas necessidades. Além disso, a com unicação efet iva fará com que o profissional de enfer m agem possa aj udar o pacient e a conceit uar se u s p r o b l e m a s, a e n f r e n t á - l o s, a v i su a l i za r a experiência vivida e at é auxiliá- lo a encont rar novos padr ões de com por t am ent o( 2). Nessa per spect iva, a

com unicação pode t ornar- se um a form a de aj uda. Ex ist em sit u ações em qu e a com u n icação enferm eiro- pacient e pode ser prej udicada por fat ores iner ent es ao pacient e, t ais com o a im possibilidade de falar, com preender ou ouvir. Trat a- se de sit uações desafiadoras, que t êm sido obj et o de pesquisas, nas quais o problem a básico se configura na dificuldade d os p r of ission ais d e en f er m ag em em est ab elecer com u n icação ef et iv a com esses p acien t es. Nesse con t ex t o, os pr of ission ais u t ilizam - se de t odas as form as alt ernat ivas que conseguem ident ificar, além d a v e r b a l i za çã o , co m o o t o q u e p o r p a r t e d o s p r o f i ssi o n ai s, a l ei t u r a d as ex p r essõ es f aci ai s e corporais( 3- 4).

Pessoas por t ador as de deficiên cia au dit iv a p o d e m e n f r e n t a r p r o b l e m a s co n ce r n e n t e s à com unicação efet iv a no at endim ent o em saúde. Os d e f i ci e n t e s a u d i t i v o s ( D A) n o Br a si l so m a m , a p r o x i m a d a m e n t e , 5 , 7 m i l h õ e s. D e sse s, ap r ox im ad am en t e u m m ilh ão ap r esen t am su r d ez severa( 5). Em bora sej am feitas m uitas pesquisas sobre

a com unicação não- verbal( 1,4,6), é escassa a literatura

exist ent e a respeit o da com unicação de profissionais d e sa ú d e co m p o p u l a çõ e s su r d a s. A p o p u l a çã o deficient e audit iv a, com o out ra qualquer, necessit a d e at en d im en t o em saú d e, n ão n ecessar iam en t e ligado à su r dez pr opr iam en t e dit a. A en fer m agem en f r en t a d i f i cu l d a d e d e co m u n i ca çã o a o p r est a r a ssi st ê n ci a a p a ci e n t e s co m d é f i ci t a u d i t i v o( 7 ).

Ger alm en t e, os p r of ission ais u t ilizam , p ar a essa i n t e r a çã o , si n a i s e g e st o s q u e a cr e d i t a m se r ad eq u ad os p ar a t r an sm it ir ao su r d o o q u e est ão q u e r e n d o e x p r e ssa r o u so l i ci t a m a a j u d a d e acom panhant e para fazer a int erm ediação. Cont udo, é im por t ant e esclar ecer que as car act er izações dos com port am ent os não- verbais aplicados às populações de ouv int es não são com plet am ent e aplicáv eis aos grupos de surdos( 8).

A deficiência auditiva ( congênita ou adquirida) consist e na dim inuição da capacidade de percepção norm al dos sons. É considerado surdo o individuo cuj a audição não é funcional na vida com um . De acordo com os diferent es graus da perda de audição, pode-se classificá- la em sur dez: lev e ( per da audit iv a de at é 40 decibéis) ; m oderada ( perda audit iva ent re 40 a 70 decibéis) ; severa ( perda audit iva ent re 70 e 90 decibéis) e pr ofunda ( per da audit iv a super ior a 90 decibéis)( 9).

Ge r a l m e n t e sã o u t i l i za d a s f o r m a s r udim ent ar es de com unicação dos pr ofissionais de sa ú d e co m e ssa cl i e n t e l a , a m e n o s q u e u m acom p an h an t e est ej a p r esen t e e aj u d e a f azer a interm ediação. Muito raram ente am bos, o profissional e o p or t ad or d e su r d ez sev er a ou p r of u n d a, t êm dom ínio de LI BRAS ( Língua Brasileira de Sinais) .

As línguas de sinais distinguem - se das línguas orais porque utilizam um m eio ou canal visual- espacial e não oral auditivo. Os sinais são form ados por m eio da com binação de form as e de m ovim entos das m ãos e de pont os de referência no corpo ou no espaço( 10).

A Língua Brasileira de Sinais ( LI BRAS) é conceit uada com o a form a de com unicação e expressão em que os sist em as lingüíst icos de nat ur eza v isual- m ot or a, com est r u t u r a g r am at ical p r óp r ia, con st it u em u m sist em a lingüíst ico de t ransm issão de idéias e fat os, o r i u n d o s d e co m u n i d ad es d e p esso as su r d as d o Brasil( 11).

Me sm o u t i l i za n d o LI BRAS, p o d e h a v e r dificuldade para a com unicação com as pessoas com su r dez sev er a/ pr ofu n da, especialm en t e qu an do a equ ipe de en f er m agem pr ecisa desen v olv er ações d e e d u ca çã o à sa ú d e j u n t o à p o p u l a çã o su r d a , u t i l i za n d o a l ín g u a d e si n a i s, u m a v e z q u e a s const ruções de frases que, geralm ent e, os ouvint es fazem , nem sem pre correspondem ao universo léxico das pessoas com surdez inst alada na infância( 12).

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a percepção dos profissionais de saúde em sit uações de com u n icação com est a clien t ela( 7 , 1 3 ), em er ge a

quest ão levant ada pela present e pesquisa: qual é a percepção da pessoa com surdez severa ou profunda acerca do processo de com unicação que se estabelece no seu at endim ent o em saúde?

Acr ed it a- se q u e est e est u d o p ossa t r azer cont ribuições que perm it am subsidiar o planej am ent o de est r at égias t ant o locais ( nas inst it uições) com o ab r an g en t es ( p olít icas p ú b licas) q u e p ossib ilit em m elhoria à qualidade da assist ência prest ada a essa client ela, m ediant e com unicação m ais eficaz. Além d i sso , esp er a- se g er ar i n f o r m açõ es q u e p o ssam direcionar o ensino na área de saúde para a form ação dos pr ofissionais, bem com o dir ecionar est r at égias de pesquisas futuras j unto a esse grupo populacional.

OBJETI VO

O obj et iv o dest e est udo foi car act er izar as percepções da pessoa com surdez severa ou profunda sobre o processo de com unicação com os profissionais no cont ext o do seu at endim ent o em saúde.

METODOLOGI A

Ne st e e st u d o d e scr i t i v o , d e a b o r d a g e m qualitativa, participaram 11 pessoas surdas, com idade acim a de 18 anos, freqüentadoras de um a instituição religiosa da cidade de Goiânia ( GO) , alfabet izadas ou sem i alfabet izadas, e que se com unicavam por m eio de LI BRAS. O pr oj et o dest a pesquisa foi apr ov ado pelo coor den ador da in st it u ição on de o est u do foi r ealizado e pelo Com it ê de Ét ica em Pesqu isa da Universidade Federal de Goiás ( UFG) .

A abordagem dos suj eitos em todas as etapas f oi sem p r e in t er m ed iad a p or u m in t ér p r et e, com dom ínio de LI BRAS.

I nicialm ent e, foi apresent ada a propost a da pr esent e pesquisa, em um a das r euniões do gr upo de sur dos, conv idando a t odos para par t icipar. Nas r euniões seguint es, foi quest ionado o seu int er esse em dela par t icipar e for am m ar cadas dat a e h or a par a a ent r ev ist a, de acor do com a disponibilidade dos suj eitos. Nesse contexto, novam ente foi realizado esclar ecim ent o da pesquisa e ent r ega do Ter m o de Consent im ent o Liv r e e Esclar ecido par a os suj eit os que m anifest aram seu aceit e por escrit o.

Os d a d o s f o r a m co l e t a d o s p o r m e i o d e ent r ev ist a sem i- est r ut ur ada. O r ot eir o per cor r eu os seg u in t es t óp icos: I - Dad os socio d em og r áf icos ( idade, sexo, escolaridade, profissão/ ocupação, renda fam iliar ) ; I I - Relat o de at endim ent o de saúde no q u al o in d iv íd u o t en h a p er ceb id o f acilid ad e p ar a com pr een der e ser com pr een dido; I I I - Relat o de at en d im en t o d e saú d e n o q u al o in d iv íd u o t en h a p e r ce b i d o d i f i cu l d a d e p a r a co m p r e e n d e r e se r co m p r e e n d i d o e I V - D e scr i çã o d o p r o ce sso d e com unicação que ut ilizou com os pr ofissionais que prest aram at endim ent o de saúde.

Os dados do prim eiro tópico foram coletados m ediant e preenchim ent o por escrit o pelo int érpret e, e as descr ições dos at endim ent os de saúde for am regist radas em VHS. As ent revist as foram t ranscrit as r e sp e i t a n d o - se a co n st r u çã o si n t á t i ca d o s ent revist ados. As fit as serão m ant idas sob a guarda da pesquisadora responsável pelo proj et o durant e o per íodo de cinco anos, de acor do com a Resolução CNS 196/ 96( 14) e, post eriorm ent e, dest ruídas.

As f a l a s f o r a m su b m e t i d a s à a n á l i se d e cat egorias t em át icas( 15). Para preservar o anonim at o

dos part icipant es, foram ut ilizados códigos de let ra e núm ero, sendo que a let ra S corresponde ao suj eit o, e o n ú m e r o co r r e sp o n d e à d e si g n a çã o d e ca d a par t icipant e.

RESULTADOS E DI SCUSSÃO

Par t icip ar am d a p esq u isa set e h om en s e q u a t r o m u l h e r e s, co m i d a d e d e 2 0 a 6 0 a n o s, predom inando de 31 a 50 anos, com surdez severa ou profunda, que ocorreu ant es do prim eiro ano de v i d a ( oi t o p ar t i ci p an t es) . A m ai or i a ap r esen t av a rendim ent o m ensal m aior que 2 salários m ínim os e t inham , no m ínim o, ensino fundam ent al com plet o. Qu an t o à p r o f i ssão , t r ês er am co st u r ei r as, d o i s professores de LI BRAS, um Past or ( aposent ado) , um Missionário, um designer gráfico, um est udant e, um desossador e um não possuía profissão.

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t rat am ent o ginecológico, problem as renais e vôm it o foram relat ados um a vez cada um .

Após a t r an scr ição das en t r ev ist as, f or am ident ificadas 302 unidades de regist ros ( fragm ent os da fala com um sentido com pleto de curso de ação) . Mediante análise tem ática em ergiram três categorias: En t e n d i m e n t o , Ne ce ssi d a d e d e I n t e r m e d i a çã o , Sent im ent os, que passam os a apresent ar e discut ir.

Ent endim ent o

Para que ocorra a com unicação, é necessário com preender e ser com preendido, o que, no universo léxico do deficient e audit ivo ( DA) , significa ent ender. No m om ent o em que o sur do pr ocur a at endim ent o de saúde, ele depara com sit uações que int erferem n e g a t i v a m e n t e n a q u a l i d a d e d o p r o ce sso d e com u n icação.

Os surdos sent em dificuldades em ent ender a fala do pr ofissional por que est es ger alm ent e não se preocupam em evidenciar a boca, falam rápido ou usam t erm os t écnicos que os surdos não ent endem .

Sur do t em pr oblem as sér ios, m édico não ent ender

porque surdo conversa frent e a frent e ( S9) .

Eu falo: por favor, t ira m áscara, eu não ent endo ( S11) .

Médico falou e eu falei: calma, fala rápido, fala devagar (S2).

Difícil, m édico difícil, m édico fala difícil. . . ( Ter m os

t écnicos) ( S4) .

O en t r ev ist ad or dev e ev it ar escon d er seu r ost o e lábios com as m ãos, cabelos e obj et os, da m esm a f or m a com can et as, r eceit as e m áscar as ci r ú r g i cas, d ev e ai n d a o l h ar d i r et am en t e p ar a o paciente enquanto fala( 16). Alguns surdos fazem leitura lab ial, o q u e aj u d a g r an d em en t e n o p r ocesso d e com unicação profissional- pacient e, porém , quando o profissional não atenta para o fato de que esconder a boca im pede que isto ocorra, surge m ais um a barreira que dificult a essa com unicação.

Muitas vezes, o surdo não consegue ler o que o p r o f i ssi o n a l e scr e v e p o r q u e e x i st e m p a l a v r a s difíceis, term os técnicos, porque o surdo não conhece bem o port uguês ou porque a let ra do profissional é ilegív el.

Escreve let ra engarranchada, olho não ent endo ( S6) .

Palavra escreve nom e rem édio t om ar, difícil ( S5) .

Utilizar a escrita pode ser proveitoso durante a ent revist a m édica para a com unicação com esses pacientes. No entanto, é im portante lem brar que, para explicações com plexas, é com um a população surda

t er m enos inst r ução que a população em ger al( 17).

Sendo assim , eles necessit am de m aior at enção e cuidados quando ut ilizam t er m os t écnicos par a as ex p licações. É im p or t an t e lem b r ar q u e u m a let r a leg ív el ev it a con f u sões n o en t en d im en t o e ev it a t am bém er r os em m edicação:

Hora do rem édio fiz confusão ( S2) .

As d i f i cu l d a d e s p a r a e st a b e l e ce r o ent endim ent o se r efer em ao fat o de o pr ofissional t am bém não com preender o surdo.

Profissional não m e ent ende porque difícil, Libras difícil

( S4) . Ele olha pra m im vê sinais não ent ende” ( S9) .

Apesar de a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que regulam enta o uso da LI BRAS, estabelecer q u e a s i n st i t u i çõ e s p ú b l i ca s e e m p r e sa s concessionárias de serviços públicos de assist ência à saú d e d ev em g ar an t ir at en d im en t o e t r at am en t o adequado aos port adores de deficiência audit iva( 11),

os profissionais não conhecem a linguagem e não há int érpret es disponíveis nos serviços de saúde.

Oco r r e , t a m b é m , d e o p r o f i ssi o n a l n ã o entender o que o surdo escreve porque a const rução g r am at ical u t ilizad a p elos su r d os é d if er en t e, ou por que o deficient e audit iv o ( DA) não t em dom ínio da língua escrit a.

Escrevo, se m ulher olha acha difícil... não entendeu ( S3) .

Em bora a Língua Brasileira de Sinais e outros r e cu r so s d e e x p r e ssã o a e l a a sso ci a d o s se j a m r econ h ecid os com o m eio leg al d e com u n icação e expressão( 11), não é obrigat ório que os profissionais

saib am ou en t en d am LI BRAS. Por ou t r o lad o, as pessoas sur das que se com unicam usando a língua de sinais, t êm gram át ica e vocabulário diferent es da língua port uguesa; dessa m aneira, um a pessoa que nasceu surda no Brasil, pode ser fluent e em LI BRAS e não em port uguês.

A falta de com preensão m útua é descrita pelo DA com o “ com unicação t ravada”, ou “ a com unicação não com bina”.

Est ôm ago dói, vai m édico, fala, com unicação com bina

nada ( S5) .

Em alg u m as sit u ações o su r d o en t en d e o p r o f i ssi o n a l : q u a n d o o p r o f i ssi o n a l u sa LI BRAS, escreve fácil, fala devagar, e o surdo lê lábios.

Agora t enho am iga m édica sabe sinais, cuida de t udo

(S7).

Eu j á fui dent ist a surda, m ulher form ada odont óloga,

bom ( S9) .

Com u n icação m ais f ácil por qu e apr en de f on o f ala

(5)

Quando surdo lê lábio m ais fácil ( S5) .

A m aioria dos ent revist ados referiu que, se o p r o f i ssi o n a l d e sa ú d e d o m i n a sse a LI BRAS, o problem a da com unicação acabaria. Dado sem elhante foi encontrado em outra pesquisa( 17), em que t am bém

f oi iden t if icada, en t r e as pr opost as dos su r dos, a necessidade de profissionais que saibam usar LI BRAS. Out ra sit uação, na qual o surdo referiu que houve facilidade para ocorrer ent endim ent o durant e a com u n icação, f oi qu an do n ão er am n ecessár ias m uitas explicações, tanto da parte do surdo com o do profissional. I sso se dá especialm ente quando o surdo pr ocur a at endim ent o odont ológico.

Ele escreveu: água, cospe eu ent endi ( Referindo- se à

dent ist a ) ( S7) .

O pr ofissional ent ende o sur do quando ele v ê sin ais d a d oen ça, q u an d o o su r d o f az g est os car act er íst i co s ( “ u n i v er sai s” n u m d ad o co n t ex t o sociocult ural) e quando o surdo escreve.

Quando febre, t ossindo fácil, m édico vê e sabe ( S5) .

Fui dent e problem a, viu, t rat ou, escreveu, dent e j óia

(S3).

Eu apont ei barriga, cara de dor ( S2) .

Quando o surdo busca atendim ento de saúde e está com sinais clínicos de doença, é m ais fácil para o profissional det ect ar o que est á ocorrendo; porém , e m d o e n ça s se m ca u sa a p a r e n t e , e m q u e é necessário colet ar, de m odo am pliado, a hist ória do pacien t e, a sit u ação t or n a- se m ais com plicada. O su r d o p od e u t ilizar g est os e ex p r essões q u e n ão p e r t e n ce m à LI BRAS, m a s q u e sã o e n t e n d i d a s universalm ent e, com o expressões de dor, apont ar o local e definir o tipo de dor. Aquele que é alfabetizado em port uguês t am bém pode escrever, porém , com o j á foi dito, a construção gram atical é diferente. Dessa f or m a, o p r of ission al d ev e p acien t em en t e t en t ar ent ender o que o surdo quer expressar e, caso não en t en da, n ão dev e t er r eceio de adm it ir qu e n ão ent endeu e pergunt ar novam ent e.

As h a b i l i d a d e s g e r a i s e e sp e cíf i ca s d e com unicação são necessárias aos profissionais, t ant o para o atendim ento de ouvintes com o de não ouvintes. Em m uit os aspect os, os fenôm enos que dificult am a com unicação ent r e o D.A. e pr ofissionais de saúde sã o o s m e sm o s p a r a a p o p u l a çã o d e o u v i n t e s, pr incipalm ent e quando os int er locut or es não falam frent e a frent e, com acesso do cam po visual face a face ( especialm ente a boca) , usando term inologia fora do alcance da com preensão de am bos.

Necessidade de int er m ediação

Os su r d os, n a g r an d e m aior ia d as v ezes, pr ecisam de pessoas que t r aduzam suas em issões para os profissionais e vice- versa, em ergindo, assim , a n e ce ssi d a d e d e i n t e r m e d i a çã o . A f i g u r a d o i n t er m ed iad or con f ig u r a- se n a f am íl ia, am i g os e int ér pr et e pr ofissional.

Fam ília aj uda, vai j unt o conversa m édico ( S6) .

“ Nossa fam ília com bina, porque sabe sinais ( S7) .

Al g u n s p e r so n a g e n s a p a r e ce r a m n e sse cont ext o, t ais com o m ãe, pai, ir m ão, filho, m ar ido, porém a figura da m ãe se destacou indiscutivelm ente, a p a r e ce n d o e m t r i n t a u n i d a d e s d e r e g i st r o d a s cinqüent a e cinco referent es à fam ília.

Só m am ãe sem pre j unt o, eu cost um e j á ( S9) .

Às vezes, o acom panhant e t am bém é surdo, só que apresent a m aior dom ínio para com unicar- se com os ouv int es. Um a das par t icipant es r elat a que se u m a r i d o su r d o a a co m p a n h a e se r v e co m o i n t er m ed i ad o r ( o m ar i d o p o ssu i en si n o su p er i or, dom ina a leit ura e escrit a e realiza leit ura labial) .

Eu j unt o m arido surdo, os dois j unt os ele m e explica eu

entendo” ( S7) .

Às v e ze s, o f a m i l i a r “ f a l a p e l o su r d o ” instintivam ente ou a pedido dele, com o m ostra a fala de um dos ent r evist ados: pai j u n t o per gu n t ou m édico,

com unicar com igo não, pergunt ar pai fala eu ( S8) .

Apesar de a fam ília r epr esent ar um aux ílio na m aioria das vezes, ela t am bém pode represent ar u m p r o b l e m a q u a n d o n ã o p e r m i t e q u e o su r d o p ar t i ci p e co m o ag en t e at i v o d e seu t r at am en t o , quando o acom panhante do surdo é quem explica ao p r o f i ssi o n a l o s p r o b l e m a s d e sa ú d e q u e a q u e l e apresent a, sendo, t am bém , a pessoa que recebe as o r i e n t a çõ e s; a ssi m , o s su r d o s p o d e m n ã o t e r o p o r t u n i d a d e s n e m m e sm o d e e x p o r a s su a s dúvidas( 17).

Out r a quest ão r efer ent e à fam ília é que o surdo t orna- se dependent e dela, um a vez que nem sem p r e a f am ília p od e acom p an h á- lo q u an d o ele necessit a de at endim ent o em saúde.

Mas sem m am ãe vida ruim , problem a doent e, ocupada,

viaj a, eu sozinho perdido ( S9) .

Fam ília é ruim , pai ocupado porque t rabalha o t em po

t odo ( S5) .

(6)

Surdo aj uda out ro surdo ( S3) .

Conheço am igo que lê receit a, vê hora ( S4) .

Em bor a n ão sej a acessív el par a a m aior ia dos DA, a figura do int érpret e revelou- se a preferida ent re t odos os int erm ediadores apresent ados.

I nt érpret e m elhor sinais que m am ãe, m as perfeit o não

( S10) .

Coisa im port ant e, dent ist a, enferm eiro, saúde, cada um

t rabalhar cidade precisa int érpret e em t odo lugar, fut uro m elhor

(S5).

Para o profissional, t am bém é im port ant e a presença do int érpret e, principalm ent e para a colet a do hist órico do pacient e( 16).

O in t ér pr et e pode aj u dar o su r do, m esm o sem acom panhá- lo no at endim ent o à saúde, com o nos relat aram dois ent revist ados:

Eu às vezes pedi int érpret e para escrever t udo, levava

para o dent ist a, ent regava a pessoa lia ent endia ( S9) .

Procuro int érpret e, se int érpret e não pode liga para o

profissional, eles conversam ele ent ende...( S3) .

O su r d o su g er e, em seu s r el at o s, q u e a exist ência de um int érpret e disponível nos hospit ais, auxiliaria m uit o o processo de com unicação.

Hospit al precisa t er int érpret e eu ir sozinho ( S9) .

D e m o d o sem el h a n t e, o u t r a p esq u i sa( 1 7 )

t am bém iden t ificou a n ecessidade da pr esen ça de int érpret e da LI BRAS durant e as consult as.

O su r d o q u e i x a - se d a d i f i cu l d a d e p a r a e n co n t r a r i n t é r p r e t e s. Co m o r e l a t a d o , a l g u n s dispõem de intérpretes na fam ília, outros pagam um a p e sso a co m e ssa q u a l i f i ca çã o , e m ca so d e necessidade, m as nem sem pre eles têm dinheiro para pagar, às v ezes a fam ília não pode acom panhar o surdo e, out ras vezes, o int érpret e não pode ir.

Eu desist i pedi int érpret e ir j unt o [ ...] Porque difícil,

int érpret e não t em ” ( S9) .

De acordo com o Decreto nº 5626, de 22 de dezem bro de 2005, que t rat a da Regulam ent ação da Lei de LI BRAS( 18), o at endim ent o às pessoas surdas

ou com deficiência audit iv a na r ede de ser v iços do SUS e d a s e m p r e sa s q u e d e t ê m co n ce ssã o o u perm issão de serviços públicos de assistência à saúde deve ser realizado por profissionais capacit ados para o uso de Libras ou para sua tradução e interpretação. Essa legislação represent a um a im port ant e conquist a p a r a a p o p u l a çã o su r d a , co n f o r m e d e n o t a m a s e x p e ct a t i v a s a p r e e n d i d a s n o s d e p o i m e n t o s d o s par t icipant es.

Sent im ent os

O não diálogo e a não escuta dos profissionais d e saú d e em r elação aos u su ár ios ( ou v in t es) d o serviço de saúde têm sido apontados com o m arcantes

e im pedit ivos de um at endim ent o de qualidade. No caso dos sur dos, r om per esse cont ex t o, com t odas as lim itações que apresentam pode ser extrem am ente desafiador, gerando sent im ent os div er sos. As falas dem onst r am que o pr ocesso de com unicação ger a m e d o n o su r d o q u a n d o e l e se a p r e se n t a desacom panhado para o at endim ent o em saúde.

Eu sozinho tinha m edo porque m édico entender nada (S9).

Um out ro m edo que os surdos referem é o de ser enganado. Quando procuram um at endim ent o de saúde, com o qualquer indivíduo, são necessários o preenchim ento de fichas, form ulários e a assinatura desses. Mu it os su r dos t êm pou ca in st r u ção e n ão conseguem ler e ent ender esses docum ent os. Nas inst it uições de ensino par a sur dos, é inst r uído não assin ar em n en h u m t ipo de docu m en t o o qu al n ão con sigam en t en der. Sen do assim , essas f ich as se t ornam m ais um a barreira para o seu at endim ent o.

Secret ária cham ou para preencher ficha, não, perigoso

porque eu escrevo pouco ( S7) .

Os su r d os, p or n ão en t en d er em o q u e o pr ofissional fala e escr ev e, por não ent ender em a r eceit a e p or j u lg ar em q u e o p r of ission al n ão os ent ende, t êm m edo de t om ar o rem édio errado e/ ou a doença persist ir.

Pode conversar m édico ele receit a pode errado rem édio,

doença persist ir eu m edo ( S9) .

Um outro sentim ento que os surdos referiram f oi o sof r im en t o ( “ su r d o sof r e” ) , p or se sen t ir em discrim inados em nossa sociedade onde a m aioria é ouvinte, e por não terem acesso ao intérprete quando n ecessit am de at en dim en t o. Dizem Ou v i n t e sem p r e

m elhor surdo m elhor nunca [ ...] Para o ouvint e fácil m uit o acim a,

precisa surdo igual, avisar pagar int érpret e parece discrim inação

[ ...] Surdo precisa sonhar, reclam ar, pedir m ais int erpret e. Precisa

sofrim ent o do surdo acaba ( S10) .

O su r d o t e m n e ce ssi d a d e d e q u e o s profissionais aceit em sua condição, pois não devem d i scr i m i n á - l o s e p e r m a n e ce r i n d i f e r e n t e s. Os d ef i ci en t es a u d i t i v o s q u er em ser t r a t a d o s co m o cidadãos e part e int egrant e da sociedade( 17).

Ta n t o a e q u i p e m é d i ca co m o a d e enferm agem e os próprios pacient es surdos relat am dificuldades com a com unicação para o cuidado em saúde( 7, 16- 17). Dessa m aneira, é necessário encont rar

m eios que torne essa com unicação m enos traum ática para am bas as part es.

(7)

ser em cham ados, e o pr ofissional, m esm o sabendo que o client e é surdo, não se at ent a a cham á- lo de for m a adequada.

Eu su r do dif ícil, eu segu n da pessoa, ser t er ceir o,

quart o... espero, espero, porque não ouvi ( S6) .

Os sur dos sofr em , t am bém , por não t er em int ér pr et e par a aux iliá- los na com unicação quando p r ocu r am at en d im en t o à saú d e, o q u e se r ep et e q u a n d o e st ã o t e n t a n d o o b t e r o m e d i ca m e n t o prescrit o, quando vão à farm ácia com prar rem édios. Dizem não t em int érpret e, m édico, coisas, surdo sofre ( S9) .

Trist e hospit al, farm ácia. Farm ácia t rist e, pede int érpret e m ulher

não pode, difícil ( S2) .

Todas essas dificuldades encont r adas pelos su r dos ger am n eles sen t im en t o de r aiv a. Um dos suj eit os refere eu r aiv a por que m édico difícil, por que fala

rápido, cham a nom e e dem ora porque eu surdo...( S2) .

Os surdos t am bém m anifest am sent im ent os de felicidade e alívio quando conseguem com preender e ser com preendidos. Pode ser percebida a m agnitude do j úbilo quando um dos entrevistados diz eu ent endo,

j óia, pulo de alegria, feliz ( S3) .

D u r a n t e o a t e n d i m e n t o , o s su r d o s perceberam que os profissionais t am bém apresent am se n t i m e n t o s d e r a i v a , f i ca m n e r v o so s p o r n ã o ent ender em a com unicação do sur do, que, por sua vez, solicitam paciência para que consigam se entender.

Calm a, precisa paciência, eu explico de novo. Médico

m uit o nervoso, cara diferent e ( S2) .

A chave para um a com unicação com sucesso com pessoas surdas é adapt ar- se a essa sit uação( 16).

As p esso as co m su r d ez t êm su g est õ es d e co m o m elhorar a sua com unicação com os profissionais de saú d e. Cab e a est es a sen sib ilid ad e d e est ar em abert os para t ent ar.

CONCLUSÕES E CONSI DERAÇÕES FI NAI S

O su r d o p o ssu i cu l t u r a e l i n g u a g e m diferent es, que devem ser conhecidas e respeit adas

de acordo com os princípios ét icos, m orais e legais, co m o q u a l q u e r o u t r o ci d a d ã o . Est a p e sq u i sa pr opor ciona um a per spect iv a sobr e a r ealidade do at endim ent o em saúde, t al com o ela é vivida pelos su r d o s. Os r e l a t o s d o s p a r t i ci p a n t e s d o e st u d o ev id en ciam d if icu ld ad es p ar a u m at en d im en t o d e saúde adequado, dev ido a fat or es com o: ausência de in t er m ediação adequ ada, f alt a de pr epar o dos p r o f i ssi o n a i s q u e a t e n d e m o su r d o , d e sd e su a recepção até o m om ento das orientações finais sobre o s cu i d a d o s e o t r a t a m e n t o . Re v e l a - se u m a desat enção dos profissionais para recursos sim ples, t ais com o ev id en ciar a b oca en q u an t o f alam . No con t ex t o do at en dim en t o em saú de, os su r dos se sentem discrim inados, têm m edo por não entenderem o q u e o s p r o f i ssi o n a i s d i zem , ev i d en ci a n d o q u e precisam de at enção especial.

Ent re os part icipant es, em erge que a busca de cont ornar a dificuldade de com unicação ainda se baseia na intuição e no bom senso dos interlocutores. Nessa relação desigual, os m aiores esforços pró- ativos t êm sido em pr eendidos especialm ent e pelos sur dos p a r a e n co n t r a r m e d i d a s q u e a u m e n t e m a com preensão m út ua. Eles reivindicam a presença de in t ér p r et e n as in st it u ições d e saú d e, com o m ais r ecent em ent e pr ev ê o Decr et o nº 5 6 2 6 , de 2 2 de dezem bro de 2005( 18). Para colocar em prát ica essa

legislação, é necessário o incent ivo de realização de cur sos que capacit em o pr ofissional de saúde par a at ender o DA, valorização dessa qualificação no at o de adm issão de profissionais em instituições de saúde; capacitação em LI BRAS nas instituições de saúde para profissionais j á cont rat ados, e discussão, no âm bit o dos cursos de graduação em saúde, do processo de com unicação com os surdos. Assim , seria est im ulada a form ação de profissionais que j á at uam em saúde p ar a a at iv id ad e d e in t ér p r et e, sen d o m ais f ácil garant ir a presença, de pelo m enos, cinco por cent o d os t r ab alh ad or es cap acit ad os em LI BRAS, com o prevê a legislação em vigor( 18).

REFERÊNCI AS BI BLI OGRÁFI CAS

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(8)

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Referências

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