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Artigo
Original
Tratamento
artroscópico
da
epicondilite
lateral
crônica
夽
Bernardo
Barcellos
Terra
∗,
Leandro
Marano
Rodrigues,
Anis
Nahssen
Filho,
Gustavo
Dalla
Bernardina
de
Almeida,
José
Maria
Cavatte
e
Anderson
De
Nadai
SantaCasadeMisericórdiadeVitória,Vitória,ES,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:
Recebidoem28dejunhode2014 Aceitoem15desetembrode2014 On-lineem2dejaneirode2015
Palavras-chave:
Cotovelodetenista/complicac¸ões Cotovelodetenista/cirurgia Cotovelodetenista/terapia Artroscopia
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Relatarosresultadosclínicosefuncionaisdaliberac¸ãoartroscópicadoextensor radialcurtodocarpo(ECRB)nospacientescomepicondilitelateralcrônica refratáriaao tratamentoconservador.
Métodos:Noperíodocompreendidoentrejaneirode2012enovembrode2013,15 pacien-tesforamsubmetidosaotratamentoartroscópico.Atécnicacirúrgicausadaéadescrita porRomeoeCohen,baseadaemestudosanatômicosemcadáver.Oscritériosdeinclusão forampacientescomepicondilitelateralnosquaisotratamentoconservador(analgésicos, antiinflamatórios,infiltrac¸ãodecorticoides,fisioterapia)falhoupormaisdeseismeses. OspacientesforamavaliadoscombasenoescorefuncionaldecotovelodaClinicaMayo, SistemadeEstágiodeNirschleescalavisualanalógicadedor.
Resultados: Foramincluídos15pacientes,novehomenseseismulheres.Amédiadoescore funcionaldecotovelodeMayopós-operatóriofoide95(de90a100).AEVSdadorteveuma melhoriamédiade9,2nopré-operatóriopara0,64nopós-operatório.PelaescaladeNirschl ospacientesapresentaramumamelhoriamédiade6,5nopré-operatóriopara aproxima-damenteum.Foiobservadadiferenc¸asignificanteentrepréepós-cirúrgiconostrêsescores funcionaisusados(p<0,01).Nãoforamobservadascorrelac¸õespelotestedeSpearmanentre idade,gênero,tempodesintomaspré-operatório,mecanismodelesãocomosresultados (p>0,05).
Conclusão:Otratamentoartroscópicoda epicondilitelateralmostra-secomo umaopc¸ão terapêuticaseguraeeficazquandoindicadoefeitodeformaadequadanoscasos refratá-riosdeepicondilitelateralcrônicaepermiteaindaumaexcelentevisualizac¸ãodoespac¸o articularparadiagnósticoetratamentodepatologiasassociadascomumprocedimento minimamenteinvasivo.
©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Todososdireitosreservados.
夽TrabalhofeitonoGrupodeOmbroeCotovelo,DepartamentodeOrtopediaeTraumatologia,SantaCasadeMisericórdiadeVitória,
Vitória,ES,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](B.B.Terra). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2014.08.006
Keywords:
Tenniselbow/complications Tenniselbow/surgery Tenniselbow/therapy Arthroscopy
Objective: Toreporttheclinicalandfunctionalresultsfromarthroscopicreleaseoftheshort radialextensorofthecarpus(SREC)inpatientswithchroniclateralepicondylitisthatwas refractorytoconservativetreatment.
Methods: OvertheperiodfromJanuary2012toNovember2013,15 patientsunderwent arthroscopictreatment.ThesurgicaltechniqueusedwastheonedescribedbyRomeoand Cohen,basedonanatomicalstudiesoncadavers.Theinclusioncriteriawerethatthe pati-entsneededtopresentlateralepicondylitisandthatconservativetreatment(analgesics, anti-inflammatoryagents,corticoidinfiltrationorphysiotherapy)hadfailedoveraperiodof morethansixmonths.Thepatientswereevaluatedbasedontheelbowfunctionalscore oftheMayoClinic,Nirschl’sstagingsystemandavisualanaloguescale(VAS)forpain. Results: Atotalof15patients(ninemenandsixwomen)wereincluded.ThemeanMayo elbowfunctionalscoreaftertheoperationwas95(rangingfrom90to100).ThepainVAS improvedfromameanof9.2beforetheoperationto0.64aftertheoperation.OnNirschl’s scale,thepatientspresentedanimprovementfromameanof6.5beforetheoperationto approximatelyone.Thereweresignificantdifferencesfrombeforetoafterthesurgeryforthe threefunctionalscoresused(p<0.01).NocorrelationswereobservedusingtheSpearman testbetweentheresultsandage,gender,lengthoftimewithsymptomsbeforetheoperation orinjurymechanism(p>0.05).
Conclusion: Arthroscopictreatmentforlateralepicondylitiswasshowntobeasafeand effectivetherapeutic optionwhenappropriatelyindicated andperformed, inrefractory casesofchroniclateralepicondylitis.Italsoallowedexcellentviewingofthejointspace fordiagnosingandtreatingassociatedpathologicalconditions,withaminimallyinvasive procedure.
©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.Allrightsreserved.
Introduc¸ão
Aepicondilitelateral,tambémconhecida comocotovelodo tenista,éumapatologiacomumaprevalênciaestimadaem 1%a3%,compicodeincidênciaprincipalmente naquinta décadadevida,maiscomumemhomensemumaproporc¸ão aproximadade3:1.Éumadasprincipaiscausasdedorno coto-veloeestárelacionadaaesportescomotêniseatividadesde trabalhomanual,ocasionamuitasvezesumgrandeimpacto financeironasociedade,sejanoafastamentodotrabalhador, sejanoseutratamento.
Suapatologiaécontroversa,porémhárelatosdedescric¸ões naliteraturaquedatamdesde1970eacredita-sequea maio-riadoscasossejacausadaporumalesãomusculotendíneana origemdosextensorespróximodoepicôndilolateral, princi-palmenteoextensorradialcurtodocarpo.1-3
A literatura é vasta nas formas de modalidades de tratamento,desdeorepousorelativoatéotratamento cirúr-gico, porém é controversa com relac¸ão à melhor forma detratamento.Otratamentoconservadorapresentaótimos resultados, no entanto na sua falha (em torno de 12%) e noscasoscrônicosrefratáriosotratamentocirúrgicoéuma opc¸ão.4-7
Recentemente,otratamentoartroscópicofoidescritopor tercomovantagensavisualizac¸ãodelesõesintra-articulares concomitantes,nãoviolac¸ãodaaponeurosedosextensores,
alémdeumperíododereabilitac¸ãoetaxadecomplicac¸ões menores.8,9 Oobjetivodestetrabalhoérelatarosresultados clínicos efuncionais da liberac¸ão artroscópica doextensor radialcurtodocarpo(ECRB)nospacientescomepicondilite lateralcrônicarefratáriaaotratamentoconservador.
Métodos
Entrejaneirode2012enovembrode2013,15pacientesforam submetidosaotratamentoartroscópicoparaepicondilite late-ral do cotovelo no Grupo de Ombro e Cotovelo do nosso DepartamentodeOrtopediaeTraumatologia.
Oscritériosdeinclusãoforampacientescomepicondilite lateralnosquaisotratamentoconservador(analgésicos, anti--inflamatórios,infiltrac¸ãodecorticoides,fisioterapia)falhou por mais de seis meses. O diagnóstico foi feito com base nahistóriaclínica,noexamefísicoenoexamederessonância magnética(figs.1e2).Oscritériosdeexclusãoforamcirurgia préviaoufraturasnocotoveloipsilateralepresenc¸ade patolo-giasconcomitantes,comoartrosedocompartimentolateral, síndromedointerósseoposterior,osteocondritedissecantedo capítulo,instabilidadeedoenc¸asreumatológicas.
Figura1–Examederessonânciamagnéticacortecoronal quemostralesãodotendãoextensorradialcurto.
escalavisualanalógicadedor.Aescalavisualanalógicade dorconsisteemumaréguacom10cmdecomprimentoem queumaextremidaderepresentaausênciadedoreaoutra umadormuitointensa.OsistemadeNirschlconsisteemsete fasesemordemcrescentedeseveridadedador,quevãoda Fase1(dorlevecomexercícioqueseresolveem24horas)até aFase7(dorconstantenorepousoqueatrapalhaosono).Os
Figura2–Examederessonânciamagnéticacortecoronal quemostralesãocomrupturadotendãoextensorradial curto.
Figura3–Portaisartroscópicosdesenhadosnocotovelo direito.
escoresforamobtidosantesdacirurgiaenopós-operatório comduassemanas,seissemanaseseismeses.
Técnicaoperatória
AtécnicacirúrgicausadaéadescritaporCoheneRomeo,10 baseadaemestudosanatômicosemcadáver.
Posicionamento
Opacienteéposicionadoemdecúbitoventralcomumapoio paraomembrosuperiorquepermiteumarcodemovimento de120grausdeflexão aextensãocompleta.Umtorniquete manualestériléusadononíveldoterc¸omédiodobrac¸o.As referênciasanatômicas(epicôndilomedialelateral,cabec¸ado rádio,olécrano,nervoulnar)eosportaisartroscópicos (antero-medialeanterolateralproximaiseemalgunscasosoposterior padrãoeposterolateral)sãomarcadasnapelecomoilustrado nasfiguras3e4.
Éinjetadocercade20mldesoluc¸ãoestérilsalinaa0,9% atravésdoportalsoftspotdelineadopelacabec¸adorádio,pelo olécranoepeloepicôndilolateral.Comisso,umtrocarrombo éinseridopeloportalanteromedialcomacânulado artroscó-pio.Aseguirumaóticade30◦éinseridaeéfeitaainspec¸ão
Figura4–Óticaposicionadanoportalanteromedial proximaleshaverposicionadonoportalanterolateral proximal.
Figura5–Shaverdepartesmolesliberandooextensor radialcurto.
considerac¸ãoalocalizac¸ãodonervointerósseoposterioreo extensorradialcurtodocarpo,quetemsuaorigempróxima ao nívelda superfíciearticular do capítulo.A área desbri-dada do côndilo lateral tem a forma de um trapézio com dimensãoaproximadade13×7mm,umpoucomaisdistale anterioraolocaldoápicedoepicôndilolateral.Podem-seusar asdimensões(4,5mm)dapontadoshaverparaauxiliarnessas medidas.7
Acápsulaéparcialmenteressecadaeabertacomauxílio deumshaverdepartesmolesde4,5mmqueexpõeaorigem doextensorcurto,queéextrarticularequedeveser resse-cadaatéoaspectosuperiordocapítulo.Dessaformaexpõeas fibrasmuscularesdoextensorradiallongo(figs.5e6).Deve-se tercuidadocomasfibrasdoligamentocolaterallateral,que marcaamargemposteriordaáreaaserressecada,easfibras doextensorcomumdosdedos,queésuperficialaoextensor radialcurto.Apósaliberac¸ãodoextensorradialcurtofizemos microperfurac¸õescomoauxíliodeumfiodeSteinman(fig.7). Nopós-operatórioécolocadoumbracenocotoveloe man-tidoporcincodias.Exercíciosdearcodemovimentopassivo eativosãoiniciadosassimqueoquadroálgicodopaciente permita.Exercíciosdealongamentoisométricosãoiniciados assimquesetenhaumarcodemovimentocompletoe exercí-ciosderesistênciacomquatroaseissemanas.Opacientevolta àssuasatividadesfísicassemrestric¸õescom10semanas.
Figura6–Shaverdepartesmolesliberandooextensor radialcurto.Observarasfibrasmuscularesdo
extensorradiallongo.
Figura7–Realizac¸ãodemicroperfurac¸õesnoepicôndilo lateralcomoauxíliodeumice-peaking.
Foi feitaumaanálisedescritiva dasvariáveis numéricas e categóricas (tabelas 1 e 2). Na análise dos dados foram usados testesnãoparamétricos,devido ànãonormalidade dosmesmos. Paraacomparac¸ãoentre osmomentos prée pós-cirúrgicopormeiodasescalasEVA,MayoeNirschsl,foi empregadootestenãoparamétricodeMann-Whitney.Para observarrelac¸ãoentreidadeetempodelesãocomresultados (Mayopós),foiusadootestedecorrelac¸ãodeSpearman.Para verificardiferenc¸aentreosgênerosemecanismosdetrauma com os resultados (Mayo pós),foi usado o testede Mann--Whitney.Paratodainferênciaestatísticaumpvalorde0,05foi considerado.OsoftwareusadofoioSPSSforWindowsversion 20.0.
Resultados
Foramincluídos15pacientes,novehomenseseismulheres. Aidademédianodiadacirurgiafoide38±8,7anos.Omembro dominantefoienvolvidoemquase75%doscasos.
Tabela1–Análisedescritiva
N Média DP Mediana Min Max
Idade
Geral 15 38,3 8,7 38,5 23 52
Masculino 9 38 9,8 37,5 27 52
Feminino 6 37,6 8,0 38,5 23 45
Tempolesão
Geral 15 6,93 0,9 7 6 9
Masculino 9 6,81 1,1 6,5 6 9
Feminino 6 7,0 0,8 7 6 8
EVApré
Geral 15 9,21 0,6 9 8 10
Masculino 9 9,13 0,6 9 8 10
Feminino 6 8,48 0,8 9,5 8 10
EVApós
Geral 15 0,64 0,7 0,5 0 2
Masculino 9 0,63 0,7 0,5 0 2
Feminino 6 0,67 0,8 0,5 0 2
Mayopré
Geral 15 60,00 4,8 60 50 65
Masculino 9 61,25 4,4 62,5 55 65
Feminino 6 58,33 5,1 60 50 65
Mayopós
Geral 15 95,71 3,8 95 90 100
Masculino 9 96,25 3,5 95 90 100
Feminino 6 95 4,4 95 90 100
Nirschlpré
Geral 15 6,5 0,5 6,5 6 7
Masculino 9 6,5 0,5 6,5 6 7
Feminino 6 6,5 0,5 6,5 6 7
Nirschlpós
Geral 15 1.07 0.2 1 1 2
Masculino 9 1.13 0.3 1 1 2
Feminino 6 1 0 1 1 1
FlexãoL*operado
Geral 15 149 11.2 152 120 160
Masculino 9 148 7.5 148 138 160
Feminino 6 151 15.5 157 120 160
FlexãoLnãooperado
Geral 15 138.9 8.2 139 130 160
Masculino 9 139 5.3 139 134 150
Feminino 6 138 11.6 135 130 160
ExtensãoLoperado
Geral 15 –2 1.5 –2 0 –4
Masculino 9 –1.75 1.2 –2 0 –4
Feminino 6 –2.3 1.9 –3 0 –4
ExtensãoLoperado
Geral 15 0 1.3 0 –2 2
Masculino 9 –0.25 1.28 0 –2 2
Feminino 6 0.33 1.5 0 –2 2
∗ L=lado.
sobrecargaderepetic¸ão,foramrelatadasem40%,tênisem30% eeventotraumáticoem30%.
Ospacientesforamsubmetidosacirurgiaemumtempo médio de setemeses do iníciodos sintomas.Três pacien-tesforamsubmetidosaaplicac¸ãodecorticoidelocalcomno máximoduasdoses.
O tempo médio de procedimento cirúrgico foi de 20minutos.
Gênero
Masculino 9 60
Feminino 6 40
Usodecorticoide
Sim 3 20
Não 12 80
Ladolesão
Dominante 11 73,3
Nãodominante 4 26,6
Mecanismotrauma
Profissão 9 60
Esporte 6 40
Não foram observadas correlac¸ões pelo testede Spear-manentreidadeeresultado(p=0,44),nemcorrelac¸ãoentre tempo de lesão e resultado (p=0,15). Os coeficientes de correlac¸ão foram positivos, o que indica uma relac¸ão pro-porcional entre as duas variáveis,por ex: quanto maior a idade,maioro valordeMayopósequantomaioro tempo delesão,maiorovalordeMayopós(tabela4).Nãofoi obser-vadadiferenc¸asignificativaentreosgênerosemrelac¸ãoao resultado (Mayo pós) (p=0,68) nementre o mecanismo de traumaemrelac¸ãoaoresultado(Mayopós)(p=0,18)(tabela 5).
Noexamefísicofoiobservadaumamédiadeextensãode -2◦ (de-4a0)eflexãodeaproximadamente150◦(120a160).
Nenhumpacienteteveumadiferenc¸ade15◦noarcode
movi-mentoentreumladoeoutro.
Todosospacientesvoltaramaotrabalhocomumtempo de médiode seis semanas de pós- operatório. De15 paci-entes, 14 estavam totalmente satisfeitos e passariam pelo procedimentonovamente.Dorleveamoderadanasatividades extenuanteserepetitivasfoireportadaemquatropacientes (27%).
Entreosachadosartroscópicos,seispacientes apresenta-vamsinoviteedoisapresentavamcorposlivres.
Complicac¸ões como parestesia antebrac¸o temporária foramobservadas emumcaso, anestesia territórioulnar e déficitdointerósseoposteriornãoforamrelatados.Nãoforam observadasoutrascomplicac¸ões.
Coeficientedecorrelac¸ão pvalor
Idade 0,21 0,44
Tempodelesão 0,38 0,15
a Testedecorrelac¸ãodeSpearman.
Discussão
A epicondilite lateral é uma das principais causas de dor nocotoveloesuafisiopatologiaeetiologiasãocontroversas. Ateoriamaisaceitapropõequelesõesmicroemacroscópicas ocorramnaorigemdosextensores(principalmenteoERCC) com umarespostaincompletaderegenerac¸ão eocasionem umquadrodetendinose.3,7,11Issodemonstraqueoquadro clínicoédevidoaumarespostavascularefibrótica (angiofi-broblástica),enãoaumprocessoinflamatório.Otratamento nagrandemaioriadoscasoséconservadoreemapenasuma pequenaparceladoscasosrecalcitranteséindicadoo trata-mentocirúrgico.12
A literatura é vasta ao mostrar diferentes modalidades terapêuticasnotratamentodaepicondilite,desdeoclínicoe fisioterápico,passandoporondasdechoque,plasmaricoem plaquetaecorticóide,atéocirúrgico,feitodeforma aberta, percutâneaouartroscópica.Ahmadetal.demonstraramouso deplasmaricoemplaquetas(PRP).13Assendeltftetal.,14em umarevisãosistemática,compararamavalidadeeos resulta-dosdeensaiosclínicosrandomizadosecomgrupodecontrole com o usode corticoide parao tratamento da epicondilite lateral.Relataramumefeitobenéficoemcurtoprazo(duasa seissemanas),porémnoseguimentomaiordoqueseis sema-nas,nãofoiencontradadiferenc¸aestatísticaentreousode corticoideeoutrasformadetratamento,incluindoplacebo. Nenhumaconclusãopodesertiradacomrelac¸ãoaotipode corticoide,dose,intervaloposológicoevolumeinjetado.
Em uma revisão sistemática com nove estudos sobre o uso do PRP para o tratamento da epicondilite lateral, Ahmad et al.13 concluíram que as evidências são limita-das para o uso do PRP. No entanto, pesquisas futuras são necessáriasparamelhorentenderaconcentrac¸ãoeomodo depreparoparafacilitaromelhorresultadopossível.Gosens
Tabela3–Comparac¸ãopréepós-cirúrgico,segundoEVA,MayoeNirschl
N Média DP Mediana Min Max pvalor
EVA
Pré 15 9,21 0,6 9 8 10 0,000a
Pós 15 0,64 0,7 0,5 0 2
Mayo
Pré 15 60,00 4,8 60 50 65 0,001a
Pós 15 95,71 3,8 95 90 100
Nirschl
Pré 15 6,5 0,5 6,5 6 7 0,001a
Pós 15 1,07 0,2 1 1 2
Tabela5–Relac¸ãoentregêneroetempodemecanismodetraumacomresultado(Mayopós)
N Média DP Mediana Min Max pvalora
Gênero
Masculino 9 96,25 3,5 95 90 100 0,68
Feminino 6 95 4,4 95 90 100
Mecanismodelesão
Profissão 9 94,4 3,9 95 90 100 0,18
Esporte 6 97,5 2,7 97,5 95 100
a TestedeMann-Withney.
etal.15compararamousodoPRPcomcorticoidee demons-traramresultadossignificativamentesuperioresdogrupoPRP comrelac¸ãoaoescoreDashemumedoisanosdeseguimento. Miyazakietal.16relataramoresultadode20pacientes ope-radosemoitoanosemostraram65%deresultadosexcelentes deacordocomaescaladeBruce.Tiveramumcasode distro-fiasimpático-reflexa.Nonossoestudotivemosumacasode parestesiadocutâneolateraldoantebrac¸oeusamostécnica cirúrgicasemelhante,porémemvezdefazerdecorticac¸ãodo epicôndilolateralcombrocausamosumfiodeSteinmanpara fazermicroperfurac¸õesnoepicôndilolateral.
Esteestudoavaliouosresultadosdatécnicadescritapor RomeoeCohendaliberac¸ãoartroscópicadoERCC,osquais obtiveramresultados satisfatórios próximode 90% em um seguimentode3,5anos.Nopresenteestudo,obtivemos95% deresultadosexcelentes.Apenasumcasodosexofeminino foiconsideradocomoregular com72pontospelaescalada ClínicaMayo.
Osresultadosdotratamentocirúrgicodaepicondilite late-ral não são uniformes, conforme relatados pelos estudos. Verhaaretal.17relataram66%deresultadossatisfatóriosem umdosúnicosestudosprospectivosdetratamentocirúrgico pelatécnicaabertaemumanodeseguimentoeapenasum terc¸oretornou aotrabalho. Nirschl ePettrone7 reportaram que85% dospacientes tratadoscom atécnica aberta tive-rammelhoriacompletadossintomas.BaumgardeSchwartz18 trataram35pacientescomatécnicadeliberac¸ãopercutânea eobtiveram91%deresultadosexcelentes.Nonossoestudo, 100%retornaramaotrabalhocomseissemanaseapenasum pacientenãofarianovamenteacirurgia.
Otratamentoartroscópicocomaliberac¸ãodoECRRéuma opc¸ãoparaotratamentodaepicondilitelateral.Owenetal.19 relataramseusresultadoscirúrgicosdaliberac¸ãoartroscópica em16pacientescombonsresultadoseretornoaotrabalho semrestric¸õescom seis dias. Baker et al.,4 emseu estudo com42pacientes,relataram95%debonsresultados,porém apenas62%dospacientesestavampraticamentesemdore 10%mantinhamaindaquadroálgiconasatividadesdiárias, semelhantementeaosresultadosdaliberac¸ãoaberta.6,18,20,21 Emnossotrabalho,dos15pacientesoperados,90%estavam praticamentesemnenhumadornoseguimentodeseis sema-nas.
Afisiopatologiadaepicondiliteécontroversa.Alguns auto-resrelatamserumapatologiaextra-articular.Noentanto,os estudosnãomostramdiferenc¸aentreosresultados cirúrgi-cosdaformaartroscópicaeaberta.4Natécnicaqueusamos, fazemosumacapsulotomiadaregiãolateralelogo desinse-rimosainserc¸ãodoERCC,queéumaestruturaadjacenteà
cápsulaarticularedessaformanãoacometeestruturas pró-ximas.Acreditamosqueatécnicaartroscópicapermiteuma visualizac¸ãodaslesõesintra-articularesassociadas,quepode chegaraté60% doscasos,22alémde umareabilitac¸ãomais precoce, pornãoviolar aaponeurosedosextensoresenão desinseriroutrasestruturasnãoacometidasnoprocesso angi-ofibroblástico.
Conclusão
O tratamentoartroscópicodaepicondilitelateral mostra-se umaopc¸ãoterapêuticaseguraeeficazquandoindicadoefeito deformaadequadanoscasosrefratáriosdeepicondilitelateral crônica.Permiteaindaumaexcelentevisualizac¸ãodoespac¸o articularparadiagnósticoetratamentodepatologias associ-adascomumprocedimentominimamenteinvasivo.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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