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A enfermagem e a crise atual: ética, compromisso e solidariedade.

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Academic year: 2017

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A ENFERMAGEM E A CRISE ATUAL: ETICA, COMPROMISSO E SOLIDARIEDADE

Cristia Maia Loyola Minda·

RES UMO: Este trabalho aborda a atual crise pela qual passa a Enfermagem, porem,

atraves de uma analise que focaliza esta crise, dentro de um processo social mais

amplo e abrangente, no qual a saude e apenas um dos possiveis aspectos. A forma98o

profissional e a questao especifica baseada em tres pontos principais: dinAmica da

forma9ao; sistematiza9ao e consolida98o do conhecimento de Enfermagem, e final­

mente, a paticipa9ao da enfermeira na presta980 e qualidade dos servi9Qs de saude.

ABSTRACT:

This paper covers the present nusing crisis, by means of an analysis

concerned with this crisis inside a wider and surrounding social process, where health

is only one of many possible aspects. The professional formation is the specific

question based u pon three main points: graduation dynamics; systematization and.

consolidation of nusing knowledge and finally, nurses paticipation on health sevices

assistance and quality.

Falar da crise do setor saude no Brasil, e da crise

que a Enfermagem sofre, porque e uma das paceiras

deste pocesso, e reletir sobe uma situa:ao do mi­

cro-social, orem, tendo a

lucidez

de se aperceber que

esta crise e 0 desdobamento de uma outa crise mais

ampla, que de ceta forma abange a maior pate das

ciencias e mesmo a totalidade da

CUL TUA,

aqui

entendida como toda informa:ao ex1ra-genetica.

A nossa caminhada enquanto proissao no Brasil

ainda e incipiente, se estabelecermos uma compara­

:ao, por exemplo, com

0

cainho que esultou

a

drastica mudan:a de conceitos e ideias que ocorreu

na Fisica, durante os primeiros tinta anos do seculo,

e que ainda esta sendo elaborada as atuais teorias da

materia. ( I ) Esses novos conceitos em Fisica, onde se

passou da concep�ao mecanicista de Desctes e

Newton, para a vi sao holistica e da naturea da fisica

quntica, 30 foram, em absoluto, facilmente aceitos

pelos cientistas do come:o do seculo. A explora:ao

do mundo at6mico e subat6ico colocou os isicos

em contato com uma estranha e inesperada realidade,

que parecia desaiar qualquer descri:ao coerente.

Nesse esfor:o de apreender a

nova realidade,

tomou­

se iremediavelmente clao, que sua linguagem, seus

coceitos basicos, e todo 0 seu modo de ensar, eam

inadequados para descever fen6menos at6icos.

Entre

0

exemplo da Fisica e as questoes pertinen­

tes

a

situa:ao atual .da Efeagem basileira,

0

que

existe sao apenas facetas difeentes de ua so cise,

que e essencialmente, uma crise de

perce9io.

Tl

como a cise da decada de

20

da Fisica, a atl, a

nossa, deiva de m grade esfo:o vao, de un enOf­

me desgaste de energia, onde estamos tentando apli­

car os conceitos de ua visao de mundo obsoleta - a

visao de mundo mecnicista da ciecia Newtoia­

nlCartesiana - para apeender ua realiade que ja

nao ode ser entedida em fun:ao destes conceitos.

o

mundo de hoje, da iformatica veloz

a

propia

supera:ao de suas ovidades, e um mundo

interliga­

do,

no qual os fen6menos biologicos, sociais e am­

bientais sao todos intedeendentes.

(3)

Para viver neste mundo hrmoiosanene, sen

sofer esta doloosa sensa:ao de "aliea:ao", este

descofoto de estar como que "foa do compsso"

da istoria e da olitica, nos necessitmos de ua

perspectiva ecologica,

a

ecologia humaa que, dei­

nitivmente, a visao de mundo cartesiana

30

nos

oferece. As liita:oes dessa visao de nundo e do

sistea de valoes em que se assenta, estio feado

seriamente nossa saude inividual e ossa poosa

Professora Adjunta do Depatmento de Enfemagem Medico-Cirurgica da EEANIUFRJ. Dotoranda do lnstituto de Medicina Social da UERJ.

(2)

social . Para etomar 0

exemplo da Fisica (e nao e por

acaso que a vanguarda epistemologica no mundo

C

composta em grande parte por cientistas desta area),

a visao de mundo sugerida pela isica modema

nao

e

compativel

com a nossa sociedade atual , sociedade

esta que nao relete 0

har

m

onio

s

o estado de inter-re­

lacionamento

que observamos na atureza. Mas este

estado de equilibrio nao e mais esitico, como supu­

nha a visao mecanicista. mas sim complexo e

abso­

lutamente dinamico,

para 0

qual toma-se necessario

uma estrutura social e econ6mica adicalmente dife­

ente, uma

revo!tl;io cultural

na acep:ao mesma da

alava.

Antes de focarmos a Enfermagem propriamente

dita, enquanto fomm:ao do profissional , vamos dar

um apido "olhar" nos conceitos mais amplos desta

cise mundial, que pode afetar a cada um de nos

indiscriminadamente:

Estocamos

'

dezeas de milhares de am1as nu­

cleaes, sicientes para destruir

0

mundo i ntei ro

varias vezes, e a corrida annamentist:l prossegue a

uma velocidade incoercivel ( I ).

Os custos dessa loucura nuclear coletiva sao assus­

tadores. Em

1 978,

(3)

os gastos militaes mundiais

eram de cerca de 425

bilhoes de dolares

- mais de

1

bilhao dolares/dia.

Enquanto isso, mais de

J

5

milhoes

de essoas - em

sua laioria crian:as - morrem anualmente de fome

e outros

500

milhoes

de seres humanos esio

gravemente subnutridos.

Apoximadamente

40% da

pOPltfafao

mundial

oo tem acesso a sevi:os proissionais de saude,

e os paises em desenvolvimento gastam tres vezes

mais em am1amentos do que em assistencia a

saude.

Apoximadamente

35% da humanidade

nao tem

acesso a agua otavel, enqanto metade dos cien­

isas e engenheios dedica-se a tecnologia da fa­

bica:ao de am1as.

( I )

Afasando-nos u m pouco da crise micro-social,

ara oo dizer da crise do nosso planeta, que e imor­

ante para llanter a i magem de fundo desta nossa

outa crise, mais eseciica, vamos levantar alguns

quesioamentos acerca da forma:ao proissional da

efermeira.

Toa a sociedade, ou no minimo, toda a comuni­

ade da Efermagem, deveria esar atena

a

qualidade

deste proissional fomado. E esa forma:ao deveria

abnger alus asectos, a saber:

.

A di:1mica da forma:ao .

2 . A inscri:ao d o poissional n o pocesso d e produ­

:ao.

3.

As caracteristicas e situa:oes da forma de tabalho

de Enfermagem no contexto da for:a de tabalho

em sallde.

4.

A c ria:ao e utiliza:ao de novas tecnologias e a

questao das patentes, campos pouquissimos ex­

plorados ainda, na nossa pratica diaria.

5.

A produ:ao, consolida:ao e sistematiza:ao do

conhecimento da Enfennagem.

6.

A ela:ao entre organiza:ao do sistema de saude

e a fom1a:ao em Enfermagem.

7.

A paticipa:ao da enfermeia na presta:ao e qua­

lidade dos sevi:o de saude, ente outros.

Dente as varias questoes possiveis neste assunto.

gosaria de relevar neste artigo, tres ontos, a titulo

mesmo de provocar uma discussao :

n A dinamica da fonna:ao .

2°) A produ:ao, consolida:ao e sistematiza:ao do

conhecimento da enfem1agem.

3°) A participa:ao da enfermeia na presta:ao e qua­

lidade dos servi:os de saude, para que possamos

ensiar uma ela:ao entre tres itens e a crise maior

da qua l j a delineamos alguns pontos.

E

conhecida a insatisfa:ao de docentes e discen­

tes com espeito ao modo pelo qual

0

Curriculo de

Gradua:ao em Enfemagem vem sendo desenvolvi­

do . E as razoes tambem nao sao segredo : multiplica­

:ao desordenada de disciplinas, a fala de defini:ao

do tipo de profissional que se deseja formar, a is is­

tencia de uma estrutua curricular inadequada ao pla­

nej amento e

a

execu:ao dos progamas de ensino .

Tudo isto sem falar na repeti:ao pura e simples de

conteudos teoricos e de atividades praticas ao longo

do curso, que diicultam a integra:ao, a sequencia:ao

logica e a unidade do pensamento, quanto ao enfoque

do ensino, as estrategias metodologicas e as priorida­

des para

0

desenvolvimento de competencias.

( 5 )

Partindo da considera:ao que existe um

Curricu-10

Gculto

(planejamento, organiza:ao, olar, tocar,

sorrir, permitir/proibir, conceder, bibliogria, econo­

mia das paixoes e dos sentidos) e un Curriculo Oi­

cial, que

e

0

formal . Vamos deinir este ultimo como

sendo tudo aquilo que diz respeito

t

atividade fOal

mesmo, planejada como parte do Curriculo e tambem

como Curriculo informal, as atividades

(3)

larcs quc muitas vczcs s;10 tanto. ou atc ma is signifi ­ cativa s. E m estudo por nos rca l i z.ado c m 1 987.

(5)

c i s o q u e encontra mos quanto ,}S I nstit ui;oes d c Ensi no Superior na regi,lo Sudcste:

I . ll'% destas i nstitui;ocs adota m 0 sistcma fo rma l de c ns i no .

A

prcocupa;lo pri nc ipa l nlo

C

a de dcterm i na r 0 ql/(' 0 cSluda ntc dcvc tonar-sc capaz dc f,ve r. c a part i r da i. 0 quc clc prccisa sabcr para to rna r-se capaz de desc llpc nha r a contcnto suas aliv idadcs. Em nossas cscolas. a i nda cslamos uli­ l i za ndo CO/I/O cri t(;rio para seleiio do conteltdo telirico de ll/a disciplina. aqucle dc ab rangcr as palo logias mais i mpo rta nlcs. Alcm dc obcdcccr ao modelo b i o-mcdico mecanici sta/obso lcto. como jn v i mos. fica t ra nsparcntc quc cm grandc pa rtc das cscolas de cnfcrmagcm. a pl"l7tica

c

dc tcnn i nada pcla tco ria. quc

j,1

foi sc lccionada a priori .

E

neccssnrio cntlo procurar av idamcntc na rcal idadc do soc i a l . um " rcco rtc " . quc ossa con­ tcr aqu i lo q uc jn foi cnsi nado lcorica mc ntc na sala de aula. I nvc rlc-sc complctamcnte a d i c;;10 do movimcnto. () real. dentro das l i m ila;ocs da sua aprccnslo. no lugar dc dcspcrtar qucslionamenlo. dllv idas. rcflexocs. di;llogo c ri t i co. quc c 0 quc compoc a sua riqucz.a. passa a ocupar a si tua;lo de cOII/plell/entor a ca m i sa dc for;a da Ico ria .

(5 )

Qucrcmos dcslacar aqui. quc a cst mt u Ta i ntcna do Curriculo lradicional

c

do lipo tco rico-dcduti\'a . 0 quc i mpl ica q uc se parla das prc m i ssas gcrais da c ic ncia. forma l i zada s c m discipl i nas ( ni\ c l abstrato). paa dcoi s abordar a s si llla;ocs pr:lticas (nivcl con­ c reto) . S lIPOC-SC quc os a l u nos. infoTmados da tcoria. rcal izarlo uma apl ica;lo auto mil l ica c adcquada dia ntc dc casos concrctos. 0 q uc c no m i n i mo qucs­ t i o mlvc l . Sabcmos quc os csqucm<ls dc assi mi la;;10 do nosso a l u nado slo prcdo m i nantcmcntc do t i po logico-concrcto c nio logico-abstrato Esta cdagogia prodll. avan;os l i m i tados no co nhcc i mcnto da rca l i ­ dadc especiica. na clabora;lo dc solu;6cs adaptadas as mcsmas. favorccc ndo a di fus;10 dc conhcc i mcntos proccssados C lll out ros contcxtos. Produz cscasso avan;o i ntc lcclua l . frcq iicntcmcntc fo rma ndo cabc­ ;as info rmadas. ao i m'cs dc pcssoa s crit icas c pcnsa n­ tcs. po rqllc nlo sucra a co ntradi;lo cnt rc conhcci­ mcnto pa rcc lado c rca l i dadc tota l i z.adora . (5) Na rca ­ l idadc. 0 dcscnvo lvi mcnto d a conscicncia c rit ica dc\'c scr 0 fim lli ti mo da cduca;lo.

E

ncccssa rio fa lar aqui sobre a ill/portnncia da pesquisa na gradua:io. por­ quc gostaria dc corrclac i o na-la com 0 quc scria 0 2"

po nto. a produ;ao. consol ida;ao c s istcmat iz.a;lo do co nhccime nto da E n fc rmagc m

A pa rtir dc lima abordagcm bastantc d i rcta c objct i\'a. a poposta c a dc coloca r a pcsquisa. nlo apc nas como basc das l idcs cicnt i ficas. mas ta mbcm como base do processo de fo rma;ao cdllca tiva. em lodos os ni\'cis dc c nsino. c no nosso caso. 0 ni\'cl dc gradua;lo. Pesqll i sa nlo sc c ns i na. c sq u i sa sc fa z c

sc aprc ndc fazc ndo . (4) E ncsta ca m i n hada. 0 mctodo c acnas a fo rma mais adcq uada para trala r 0 objeto'

dc i l1\·cstiga;,10 .

E

li m mcio. nlo c 1Ill fi m .

Nos tcmos. n a Enfc rmagcm brasilcira. a moda ai nda atua l para nos. (complctamc ntc delloee para a socio logia franccsa. por cxcmplo). dc tc nnos po­ fcssoras "cspccialistas" do mctodo. numa vc rdadei a gllc rra dc advcrs{l rias i nsanas. n o equivoco d e lima luta or l1ll mctodo dito "cc rto " (atualmc ntc. 0 ma­ tc ria l i smo histo rico) contra li m. "crrado " (no caso. 0 posiliv ismo). quando 0 quc cxi stc

c

0 mctodo adequa­ do. ou inadcquado. pa ra lrata r tal objcto.

Nos. na E nfcnnagc m. nas csco las c ma is a i nda. nos servi;o dc assi slcncia. prccisamos corrcr pa ra desmisti ica r a pcsquisa. para nlo cncerm-Ia cm so­ islica;oes ocrilveis apenas por casIas supcriores e ra ras. rcscr\'ada a c licntcs cspcciais.(4) Temos quc te nta r, na gradua;lo. cOlidianiza r a pcsquisa. como pocesso no rma l de fo rma;lo histo rica das pcssoas e grupos. significa ndo condi;ao dc do m i nio da rca l i da­ dc q uc nos ci rcu llda .

()u a pesquisa poderia tel' 0 cOl1ceito de reinfrnduzir a adeqllar:iio entre teoria (' pralic(l, Oil qlle e vite, no lII inllllo a fitga da

L'ni l 'ersidade para (1 1/./1/(10 da Ilia. ( 4 )

A

pesquisa talllbcJll s e lona fo rma;lo cducativa. qua nto sc funda no csfo r;o sistemltico c i nvcnli\'o de elabo ra;lo p ropria . a t ravcs da qua l sc constro i um projcto de c llla nc ipa;ao social e sc dialoga c ritica­ mentc co m a cal idade .

E

u ma curiosidade criativo. a condi;,10 de COl1scil!l1cia critica pa ra d ia logar com a real idade .

TC lllos pago U ll prc;o a lto na acadelllia. o r cO ll\' iverlllos com a sepa ra;io a rt i fic ial c ntrc cnsino e pcsqu isa.

A

grandc maio ria dos p rofcssorcs so en­ s i mI. scj a porque nlo dom i na soisticadas lccnicas de pcsqu isa. mas sob rctudo o rquc admitc a c isao. como algo dado . Fez "op�lo " pc10 cnsino. c passa a vida conta ndo aos a l u nos 0 quc aprendcu dc outros. i m i ­ la ndo c rcproduzindo . No outro exlre mo . te mos a sobcrba do pro fcssor pesqui sador exclusivo. que j\ co nsidcra 0 cnsino como atividade mc nor. e a conccs­ sio milxi llla que faz c m i nistra r aulas. c a i nda nos C ursos de Pos-G radua;lo .

(4)

Esta "mitologia da esquisa" e toda passaa ao

aluo, paa quem pesquisa, e coisa paa pessoas muito

sabidas.

0

esquisador, como ator social, e fenomeno

olitico, que na esquisa se taduz sobretudo pelo

inteesses que mobiliam os confontos e elos inte­

esses aos quais seve. Pesquisa e sempe fenomeno

olitico, or mis que seja doada de soistica;ao

tecica e se mascare de neutra. Nao se eduz a feno­

menD politico,

s

nunca

0

desfaz de todo, dai orque

vale dizer: sabemos mais

0

que nos interessa.

(4)

Em termos epistemologicos, aida esamos na

fase de classicar as coisas, ou melhor dizendo, Io

temos ainda

n

saber de Enfermagem consolidado,

0

que e aefa paa muitas decadas.

Fa;o etao uma ponte com

0

3° onto,

"a parti­

cipa9Qo da en orme ira na presta9Qo e qualidade dos

sevi90s de saude "

que eu listei inicilmente, como

n dos pontos constantes da foma;ao proissional.

Seundo CRISTOV

M

BUARQUE, no seu li­

vro

"A

desordem do progesso

"( 1),

as ciecias, entre

seu momentos extremos, passam por tres fases: em

pimeiro momento, de simples explicadora, de feno­

meos, abolindo a explica;ao eico-ieista;

0

segundo,

em que adquirem n poder transformador, manten­

do-se sem a ecessidade de uma etica; e teceiro,

quado

0

poder tnsformador atinge popo;oes ca­

tastroicas e leva

0

cientista a descobrir a necessidade

de un novo comportamento etico, desta vez uma eica

eladora.

Nao falam exemplos desta poposta, como por

exemplo, a evolu;ao da Fisica de Galileu e Newton

a

Fisica Qanica,

s

primeias experiencias com a

bomba atomica, ate Nagasaki.

A

Fisica concluia seu

ciclo de aboli;ao da etica explicativa e passava a

exigir na etica reguladoa.

Embora estejamos ainda no pimeiro ponto do

ciclo ja cumprido pela Fisica, as muda;as paa

0

ileio, tedeao a se acelerar muito. E a efermeia

precisa eensar e discutir a forma com que ossos

ecem-fomados ven se iseindo nos sevi;o de

saude e asserado

a

presta;ao de assistecia.

o

que nos temos presenciado, e uma rapida assi­

ila;ao das disto;oes dos servi;os de saude pelas

efemeias, e n acumpliciamento homogeneo com

a

a

qualidade da assistecia e com a sordidez da

aior te desses sevi;o. Esta questIo, em ultima

ise, passa or un questIo eica, que tambem

deveia esar pesente a foma;ao.

A

forma cocreta predoinante

s

paticas de

assistencia, evidecia uma abodagem funcional e a

incopora;ao de uma concep;ao do

social

completa­

mente esfacelada. Nao se percebe

0

social organiado

com as ela;oes de podu;ao e com a estrutura eco­

nomica, na qual

0

cliente esta inseido.

(2)

A partir do momenta em que a ideia de progesso

pemleou toda a humanidade, e a econoia apropiou­

se do conceito de modeidade, criou-se umf

e

l

iche

ace ito genealiaamente, pelo qual os ovos passa­

yam a ter um unico destino, medido por padroes

unicos e igidos, e deinidos pelo avan;o tecnico

utiliado no seu processo de produ;ao. Nesta concep­

;ao economica liberal,

0

social e submetido ao eco­

nomico, dentro

a

ideia de que, a economia sendo

dimlica, a sociedade ten

0

atendimento social de

que necessita.

0

Basil e

0

caso extremo da aplica;ao

desta politica, visto que nos submetemos a uma siste­

matica politica de crescimento econoico,

com

0

mais radical aoandono dos objetivos sociais.

( 1 )

0

Brasil cona com indicadoes econoicos de expor­

ta;ao, estrutura industrial, auto-suiciencia em varios

setores, agicultura mecaniada e outos, que neste

inal de seculo, deinem modeilade. Neste cami­

nhar de "modeidade ", todos os indicadoes de ben

esar social, especialmente saude e educa;ao, se de­

gradaram, com uma total submissao do social ao

economico.

Somos

1 20

milhoes de pobres;

destes,

53

mil­

hoes em nivel de miseria,

dos quais

20

milhoes vege­

tam

em absoluta iseria; somos

0

maior bolsao de

mise ria do mundo; temos

25

milhoes de crianras

em

estado de abandono toal, ou de semi-abandono, for­

;ado pela miseria das familias.

( I)

A moralidade infantil media por ano, e de

87

fmil

cian;as que nascem vivas. Das que sobevivem,

30%

atravessaIo a vida e entrarao no proximo milenio

sem apreder a ler;

1 00

milhOes nIo completarao a

quta serie de escolaridade. Apenas

9

em cada

1 00

teinarao

0

grau e apenas

2

ingessarao na Uni­

versidade, das quais nao chegara a na, a que tera

nivel univesitio satisfatorio.

Quando situo neste contexto a pticipa;ao da

enfemeira na presta;ao de sevi;os de saude, queo

dizer que, eticamente, e preciso deinir de qual lado

se esta jogando, ou de quem nos toaremos cumpli­

ces.

o

inico camiho, e na subversao no modo de

ver

0 pocesso social no Brasil, submetendo 0 econo­

mico ao social, e nIo 0

contraio.

Nos enfermeiras, pecisamos deinir

0

sigica­

do claro de criar ou destruir. Precisamcs avan;ar na

(5)

posi;ao de nos vemlOS como elementos sem respon­ sabilidade paa i ntevir e administa r 0 pocesso so­ cial. Esta e a doce osi;ao dos filosofos sociais dos sec. xvn e

XVIII,

cuja motiva;ao era so mente expli­ car

0

funcionamento da sociedade, assim como a nossa, a das enfemleias, seia apenas "cuidar" do

continuum

saude-doen;a dos individuos. Esbo;ava­ se, a epoca, un desejo de levar ao fen6meno social a neutralidade das ciencias fisicas, na simpliica;ao maxima de reduzir 0 social,

a

no;ao de causa e efeito . Mas, por outro lado, mantendo um comprontisso su­ bordinado as premissas eticas do capitalismo e do discurso liberal.

E

preciso un abrir de olhos urgente . Orgulhoso, em parte, elos avan;os da propria pofissao, mas que, como un dos elementos do todo social, nao criou apenas a tansforma;ao maravilhosa de un mundo eficiente; mas que seja tambCm, capaz de perceber a miseria a ponto de reduzir

0

homem a ser parte do lixo; acuItura;ao, a ponto de formaem-se sociedades enlouquecidas; depreda;ao da natureza, a ponto de amea;ar-se 0 proprio futuro da especie .

o desafio maior que se imOe as nossas inteligen­ cias, e o de nos conscienizarmos de que este pais, este povo, oo ode passar sem uma assistencia de enfer­ magem seria, comprometida e solidaria com os mais fracos.

o nosso saber, ou a nossa tecnica, por cometen­ tes que sejam, ou ossam vir a ser, nada signicam, se nao se erguntar

para

que

e

para

quem

existem e operam, senao se perguntam

a

quem

servem, se oo se perguntar se

i

conivencia do sabio com

0

doi-nador. (6)

E

preciso frisar que

0

conhecimento e um cami­ nho sem volta .

Nos todos somos cumplices desta elidade, por­ que a conhecemos de peto . E temos todos que des­ pertar paa a realidade de que, un pais modemo, "

n

pais que deu certo ", e aquele em que cada pessoa tem um emprego, em que todos comem todo dia, em que toda crian;a vai a escola, em que todos ten moadia, em que todo velho e doente e amparado, em que todos tem acesso a assistencia de saude, e mais objetiva­ mente, dieito a uma assistencia de enfermagem com nivel de excelencia.·

Se I�O temos a certeza de estar oferecendo isto a popula;ao, estamos entao desaiados a perguntar as nossas enfemeiras : enermeira, qual e a sa uiliade?

A

sua utilidade efermeira, e a de lutar sempe

pela via com qualidade, pela transparencia de todas as questoes eticQ-politicas, pelos direitos de cidadania

plena, e se for

0

caso, por uma morte com dignidade.

A

sua utilidade enfermeia, e sempre, de forma inarreavel, a diicil posi;ao de lutar pelo gruo da­ queles que sao mais fracos.

A

possibilidade de multi­ plicar 0 exercicio de uma enfemlagem digna, etica, bela, que tenha a lucidez de ousar e a ossibilidade sempre, de tentar saber como, e ate que onto, seria possive] diferentemente.

Tenho certea de que -no sabemos muito bem estas respostas, mas e preciso que ninguem mais pemlane;a com esta duvida.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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Sao Paulo: Cortez, 1 99 J .

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Recebido para publica;ao em

2 . 1 2.92

Referências

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