A ENFERMAGEM E A CRISE ATUAL: ETICA, COMPROMISSO E SOLIDARIEDADE
Cristia Maia Loyola Minda·
RES UMO: Este trabalho aborda a atual crise pela qual passa a Enfermagem, porem,
atraves de uma analise que focaliza esta crise, dentro de um processo social mais
amplo e abrangente, no qual a saude e apenas um dos possiveis aspectos. A forma98o
profissional e a questao especifica baseada em tres pontos principais: dinAmica da
forma9ao; sistematiza9ao e consolida98o do conhecimento de Enfermagem, e final
mente, a paticipa9ao da enfermeira na presta980 e qualidade dos servi9Qs de saude.
ABSTRACT:
This paper covers the present nusing crisis, by means of an analysis
concerned with this crisis inside a wider and surrounding social process, where health
is only one of many possible aspects. The professional formation is the specific
question based u pon three main points: graduation dynamics; systematization and.
consolidation of nusing knowledge and finally, nurses paticipation on health sevices
assistance and quality.
Falar da crise do setor saude no Brasil, e da crise
que a Enfermagem sofre, porque e uma das paceiras
deste pocesso, e reletir sobe uma situa:ao do mi
cro-social, orem, tendo a
lucidez
de se aperceber que
esta crise e 0 desdobamento de uma outa crise mais
ampla, que de ceta forma abange a maior pate das
ciencias e mesmo a totalidade da
CUL TUA,
aqui
entendida como toda informa:ao ex1ra-genetica.
A nossa caminhada enquanto proissao no Brasil
ainda e incipiente, se estabelecermos uma compara
:ao, por exemplo, com
0
cainho que esultou
a
drastica mudan:a de conceitos e ideias que ocorreu
na Fisica, durante os primeiros tinta anos do seculo,
e que ainda esta sendo elaborada as atuais teorias da
materia. ( I ) Esses novos conceitos em Fisica, onde se
passou da concep�ao mecanicista de Desctes e
Newton, para a vi sao holistica e da naturea da fisica
quntica, 30 foram, em absoluto, facilmente aceitos
pelos cientistas do come:o do seculo. A explora:ao
do mundo at6mico e subat6ico colocou os isicos
em contato com uma estranha e inesperada realidade,
que parecia desaiar qualquer descri:ao coerente.
Nesse esfor:o de apreender a
nova realidade,
tomou
se iremediavelmente clao, que sua linguagem, seus
coceitos basicos, e todo 0 seu modo de ensar, eam
inadequados para descever fen6menos at6icos.
Entre
0
exemplo da Fisica e as questoes pertinen
tes
a
situa:ao atual .da Efeagem basileira,
0
que
existe sao apenas facetas difeentes de ua so cise,
que e essencialmente, uma crise de
perce9io.
Tl
como a cise da decada de
20
da Fisica, a atl, a
nossa, deiva de m grade esfo:o vao, de un enOf
me desgaste de energia, onde estamos tentando apli
car os conceitos de ua visao de mundo obsoleta - a
visao de mundo mecnicista da ciecia Newtoia
nlCartesiana - para apeender ua realiade que ja
nao ode ser entedida em fun:ao destes conceitos.
omundo de hoje, da iformatica veloz
a
propia
supera:ao de suas ovidades, e um mundo
interliga
do,
no qual os fen6menos biologicos, sociais e am
bientais sao todos intedeendentes.
(3)Para viver neste mundo hrmoiosanene, sen
sofer esta doloosa sensa:ao de "aliea:ao", este
descofoto de estar como que "foa do compsso"
da istoria e da olitica, nos necessitmos de ua
perspectiva ecologica,
a
ecologia humaa que, dei
nitivmente, a visao de mundo cartesiana
30
nos
oferece. As liita:oes dessa visao de nundo e do
sistea de valoes em que se assenta, estio feado
seriamente nossa saude inividual e ossa poosa
Professora Adjunta do Depatmento de Enfemagem Medico-Cirurgica da EEANIUFRJ. Dotoranda do lnstituto de Medicina Social da UERJ.
social . Para etomar 0
exemplo da Fisica (e nao e por
acaso que a vanguarda epistemologica no mundo
Ccomposta em grande parte por cientistas desta area),
a visao de mundo sugerida pela isica modema
nao
ecompativel
com a nossa sociedade atual , sociedade
esta que nao relete 0
har
monio
so estado de inter-re
lacionamento
que observamos na atureza. Mas este
estado de equilibrio nao e mais esitico, como supu
nha a visao mecanicista. mas sim complexo e
abso
lutamente dinamico,
para 0
qual toma-se necessario
uma estrutura social e econ6mica adicalmente dife
ente, uma
revo!tl;io cultural
na acep:ao mesma da
alava.
Antes de focarmos a Enfermagem propriamente
dita, enquanto fomm:ao do profissional , vamos dar
um apido "olhar" nos conceitos mais amplos desta
cise mundial, que pode afetar a cada um de nos
indiscriminadamente:
Estocamos
'
dezeas de milhares de am1as nu
cleaes, sicientes para destruir
0mundo i ntei ro
varias vezes, e a corrida annamentist:l prossegue a
uma velocidade incoercivel ( I ).
Os custos dessa loucura nuclear coletiva sao assus
tadores. Em
1 978,
(3)os gastos militaes mundiais
eram de cerca de 425
bilhoes de dolares
- mais de
1
bilhao dolares/dia.
Enquanto isso, mais de
J5
milhoes
de essoas - em
sua laioria crian:as - morrem anualmente de fome
e outros
500
milhoes
de seres humanos esio
gravemente subnutridos.
Apoximadamente
40% da
pOPltfafao
mundial
oo tem acesso a sevi:os proissionais de saude,
e os paises em desenvolvimento gastam tres vezes
mais em am1amentos do que em assistencia a
saude.
Apoximadamente
35% da humanidade
nao tem
acesso a agua otavel, enqanto metade dos cien
isas e engenheios dedica-se a tecnologia da fa
bica:ao de am1as.
( I )Afasando-nos u m pouco da crise micro-social,
ara oo dizer da crise do nosso planeta, que e imor
ante para llanter a i magem de fundo desta nossa
outa crise, mais eseciica, vamos levantar alguns
quesioamentos acerca da forma:ao proissional da
efermeira.
Toa a sociedade, ou no minimo, toda a comuni
ade da Efermagem, deveria esar atena
a
qualidade
deste proissional fomado. E esa forma:ao deveria
abnger alus asectos, a saber:
.
A di:1mica da forma:ao .
2 . A inscri:ao d o poissional n o pocesso d e produ
:ao.
3.
As caracteristicas e situa:oes da forma de tabalho
de Enfermagem no contexto da for:a de tabalho
em sallde.
4.
A c ria:ao e utiliza:ao de novas tecnologias e a
questao das patentes, campos pouquissimos ex
plorados ainda, na nossa pratica diaria.
5.
A produ:ao, consolida:ao e sistematiza:ao do
conhecimento da Enfennagem.
6.
A ela:ao entre organiza:ao do sistema de saude
e a fom1a:ao em Enfermagem.
7.
A paticipa:ao da enfermeia na presta:ao e qua
lidade dos sevi:o de saude, ente outros.
Dente as varias questoes possiveis neste assunto.
gosaria de relevar neste artigo, tres ontos, a titulo
mesmo de provocar uma discussao :
n A dinamica da fonna:ao .
2°) A produ:ao, consolida:ao e sistematiza:ao do
conhecimento da enfem1agem.
3°) A participa:ao da enfermeia na presta:ao e qua
lidade dos servi:os de saude, para que possamos
ensiar uma ela:ao entre tres itens e a crise maior
da qua l j a delineamos alguns pontos.
E
conhecida a insatisfa:ao de docentes e discen
tes com espeito ao modo pelo qual
0Curriculo de
Gradua:ao em Enfemagem vem sendo desenvolvi
do . E as razoes tambem nao sao segredo : multiplica
:ao desordenada de disciplinas, a fala de defini:ao
do tipo de profissional que se deseja formar, a is is
tencia de uma estrutua curricular inadequada ao pla
nej amento e
a
execu:ao dos progamas de ensino .
Tudo isto sem falar na repeti:ao pura e simples de
conteudos teoricos e de atividades praticas ao longo
do curso, que diicultam a integra:ao, a sequencia:ao
logica e a unidade do pensamento, quanto ao enfoque
do ensino, as estrategias metodologicas e as priorida
des para
0desenvolvimento de competencias.
( 5 )Partindo da considera:ao que existe um
Curricu-10Gculto
(planejamento, organiza:ao, olar, tocar,
sorrir, permitir/proibir, conceder, bibliogria, econo
mia das paixoes e dos sentidos) e un Curriculo Oi
cial, que
e
0formal . Vamos deinir este ultimo como
sendo tudo aquilo que diz respeito
t
atividade fOal
mesmo, planejada como parte do Curriculo e tambem
como Curriculo informal, as atividades
larcs quc muitas vczcs s;10 tanto. ou atc ma is signifi cativa s. E m estudo por nos rca l i z.ado c m 1 987.
(5)
c i s o q u e encontra mos quanto ,}S I nstit ui;oes d c Ensi no Superior na regi,lo Sudcste:I . ll'% destas i nstitui;ocs adota m 0 sistcma fo rma l de c ns i no .
A
prcocupa;lo pri nc ipa l nloC
a de dcterm i na r 0 ql/(' 0 cSluda ntc dcvc tonar-sc capaz dc f,ve r. c a part i r da i. 0 quc clc prccisa sabcr para to rna r-se capaz de desc llpc nha r a contcnto suas aliv idadcs. Em nossas cscolas. a i nda cslamos uli l i za ndo CO/I/O cri t(;rio para seleiio do conteltdo telirico de ll/a disciplina. aqucle dc ab rangcr as palo logias mais i mpo rta nlcs. Alcm dc obcdcccr ao modelo b i o-mcdico mecanici sta/obso lcto. como jn v i mos. fica t ra nsparcntc quc cm grandc pa rtc das cscolas de cnfcrmagcm. a pl"l7ticac
dc tcnn i nada pcla tco ria. qucj,1
foi sc lccionada a priori .E
neccssnrio cntlo procurar av idamcntc na rcal idadc do soc i a l . um " rcco rtc " . quc ossa con tcr aqu i lo q uc jn foi cnsi nado lcorica mc ntc na sala de aula. I nvc rlc-sc complctamcnte a d i c;;10 do movimcnto. () real. dentro das l i m ila;ocs da sua aprccnslo. no lugar dc dcspcrtar qucslionamenlo. dllv idas. rcflexocs. di;llogo c ri t i co. quc c 0 quc compoc a sua riqucz.a. passa a ocupar a si tua;lo de cOII/plell/entor a ca m i sa dc for;a da Ico ria .(5 )
Qucrcmos dcslacar aqui. quc a cst mt u Ta i ntcna do Curriculo lradicional
c
do lipo tco rico-dcduti\'a . 0 quc i mpl ica q uc se parla das prc m i ssas gcrais da c ic ncia. forma l i zada s c m discipl i nas ( ni\ c l abstrato). paa dcoi s abordar a s si llla;ocs pr:lticas (nivcl con c reto) . S lIPOC-SC quc os a l u nos. infoTmados da tcoria. rcal izarlo uma apl ica;lo auto mil l ica c adcquada dia ntc dc casos concrctos. 0 q uc c no m i n i mo qucs t i o mlvc l . Sabcmos quc os csqucm<ls dc assi mi la;;10 do nosso a l u nado slo prcdo m i nantcmcntc do t i po logico-concrcto c nio logico-abstrato Esta cdagogia prodll. avan;os l i m i tados no co nhcc i mcnto da rca l i dadc especiica. na clabora;lo dc solu;6cs adaptadas as mcsmas. favorccc ndo a di fus;10 dc conhcc i mcntos proccssados C lll out ros contcxtos. Produz cscasso avan;o i ntc lcclua l . frcq iicntcmcntc fo rma ndo cabc ;as info rmadas. ao i m'cs dc pcssoa s crit icas c pcnsa n tcs. po rqllc nlo sucra a co ntradi;lo cnt rc conhcci mcnto pa rcc lado c rca l i dadc tota l i z.adora . (5) Na rca l idadc. 0 dcscnvo lvi mcnto d a conscicncia c rit ica dc\'c scr 0 fim lli ti mo da cduca;lo.E
ncccssa rio fa lar aqui sobre a ill/portnncia da pesquisa na gradua:io. por quc gostaria dc corrclac i o na-la com 0 quc scria 0 2"po nto. a produ;ao. consol ida;ao c s istcmat iz.a;lo do co nhccime nto da E n fc rmagc m
A pa rtir dc lima abordagcm bastantc d i rcta c objct i\'a. a poposta c a dc coloca r a pcsquisa. nlo apc nas como basc das l idcs cicnt i ficas. mas ta mbcm como base do processo de fo rma;ao cdllca tiva. em lodos os ni\'cis dc c nsino. c no nosso caso. 0 ni\'cl dc gradua;lo. Pesqll i sa nlo sc c ns i na. c sq u i sa sc fa z c
sc aprc ndc fazc ndo . (4) E ncsta ca m i n hada. 0 mctodo c acnas a fo rma mais adcq uada para trala r 0 objeto'
dc i l1\·cstiga;,10 .
E
li m mcio. nlo c 1Ill fi m .Nos tcmos. n a Enfc rmagcm brasilcira. a moda ai nda atua l para nos. (complctamc ntc delloee para a socio logia franccsa. por cxcmplo). dc tc nnos po fcssoras "cspccialistas" do mctodo. numa vc rdadei a gllc rra dc advcrs{l rias i nsanas. n o equivoco d e lima luta or l1ll mctodo dito "cc rto " (atualmc ntc. 0 ma tc ria l i smo histo rico) contra li m. "crrado " (no caso. 0 posiliv ismo). quando 0 quc cxi stc
c
0 mctodo adequa do. ou inadcquado. pa ra lrata r tal objcto.Nos. na E nfcnnagc m. nas csco las c ma is a i nda. nos servi;o dc assi slcncia. prccisamos corrcr pa ra desmisti ica r a pcsquisa. para nlo cncerm-Ia cm so islica;oes ocrilveis apenas por casIas supcriores e ra ras. rcscr\'ada a c licntcs cspcciais.(4) Temos quc te nta r, na gradua;lo. cOlidianiza r a pcsquisa. como pocesso no rma l de fo rma;lo histo rica das pcssoas e grupos. significa ndo condi;ao dc do m i nio da rca l i da dc q uc nos ci rcu llda .
()u a pesquisa poderia tel' 0 cOl1ceito de reinfrnduzir a adeqllar:iio entre teoria (' pralic(l, Oil qlle e vite, no lII inllllo a fitga da
L'ni l 'ersidade para (1 1/./1/(10 da Ilia. ( 4 )
A
pesquisa talllbcJll s e lona fo rma;lo cducativa. qua nto sc funda no csfo r;o sistemltico c i nvcnli\'o de elabo ra;lo p ropria . a t ravcs da qua l sc constro i um projcto de c llla nc ipa;ao social e sc dialoga c ritica mentc co m a cal idade .E
u ma curiosidade criativo. a condi;,10 de COl1scil!l1cia critica pa ra d ia logar com a real idade .TC lllos pago U ll prc;o a lto na acadelllia. o r cO ll\' iverlllos com a sepa ra;io a rt i fic ial c ntrc cnsino e pcsqu isa.
A
grandc maio ria dos p rofcssorcs so en s i mI. scj a porque nlo dom i na soisticadas lccnicas de pcsqu isa. mas sob rctudo o rquc admitc a c isao. como algo dado . Fez "op�lo " pc10 cnsino. c passa a vida conta ndo aos a l u nos 0 quc aprendcu dc outros. i m i la ndo c rcproduzindo . No outro exlre mo . te mos a sobcrba do pro fcssor pesqui sador exclusivo. que j\ co nsidcra 0 cnsino como atividade mc nor. e a conccs sio milxi llla que faz c m i nistra r aulas. c a i nda nos C ursos de Pos-G radua;lo .Esta "mitologia da esquisa" e toda passaa ao
aluo, paa quem pesquisa, e coisa paa pessoas muito
sabidas.
0
esquisador, como ator social, e fenomeno
olitico, que na esquisa se taduz sobretudo pelo
inteesses que mobiliam os confontos e elos inte
esses aos quais seve. Pesquisa e sempe fenomeno
olitico, or mis que seja doada de soistica;ao
tecica e se mascare de neutra. Nao se eduz a feno
menD politico,
snunca
0
desfaz de todo, dai orque
vale dizer: sabemos mais
0
que nos interessa.
(4)Em termos epistemologicos, aida esamos na
fase de classicar as coisas, ou melhor dizendo, Io
temos ainda
nsaber de Enfermagem consolidado,
0
que e aefa paa muitas decadas.
Fa;o etao uma ponte com
0
3° onto,
"a parti
cipa9Qo da en orme ira na presta9Qo e qualidade dos
sevi90s de saude "
que eu listei inicilmente, como
n dos pontos constantes da foma;ao proissional.
Seundo CRISTOV
MBUARQUE, no seu li
vro
"Adesordem do progesso
"( 1),as ciecias, entre
seu momentos extremos, passam por tres fases: em
pimeiro momento, de simples explicadora, de feno
meos, abolindo a explica;ao eico-ieista;
0
segundo,
em que adquirem n poder transformador, manten
do-se sem a ecessidade de uma etica; e teceiro,
quado
0
poder tnsformador atinge popo;oes ca
tastroicas e leva
0
cientista a descobrir a necessidade
de un novo comportamento etico, desta vez uma eica
eladora.
Nao falam exemplos desta poposta, como por
exemplo, a evolu;ao da Fisica de Galileu e Newton
a
Fisica Qanica,
s
primeias experiencias com a
bomba atomica, ate Nagasaki.
AFisica concluia seu
ciclo de aboli;ao da etica explicativa e passava a
exigir na etica reguladoa.
Embora estejamos ainda no pimeiro ponto do
ciclo ja cumprido pela Fisica, as muda;as paa
0
3°
ileio, tedeao a se acelerar muito. E a efermeia
precisa eensar e discutir a forma com que ossos
ecem-fomados ven se iseindo nos sevi;o de
saude e asserado
apresta;ao de assistecia.
o
que nos temos presenciado, e uma rapida assi
ila;ao das disto;oes dos servi;os de saude pelas
efemeias, e n acumpliciamento homogeneo com
a
a
qualidade da assistecia e com a sordidez da
aior te desses sevi;o. Esta questIo, em ultima
ise, passa or un questIo eica, que tambem
deveia esar pesente a foma;ao.
A
forma cocreta predoinante
spaticas de
assistencia, evidecia uma abodagem funcional e a
incopora;ao de uma concep;ao do
social
completa
mente esfacelada. Nao se percebe
0
social organiado
com as ela;oes de podu;ao e com a estrutura eco
nomica, na qual
0
cliente esta inseido.
(2)A partir do momenta em que a ideia de progesso
pemleou toda a humanidade, e a econoia apropiou
se do conceito de modeidade, criou-se umf
e
l
iche
ace ito genealiaamente, pelo qual os ovos passa
yam a ter um unico destino, medido por padroes
unicos e igidos, e deinidos pelo avan;o tecnico
utiliado no seu processo de produ;ao. Nesta concep
;ao economica liberal,
0
social e submetido ao eco
nomico, dentro
a
ideia de que, a economia sendo
dimlica, a sociedade ten
0
atendimento social de
que necessita.
0
Basil e
0
caso extremo da aplica;ao
desta politica, visto que nos submetemos a uma siste
matica politica de crescimento econoico,
com
0mais radical aoandono dos objetivos sociais.
( 1 )0
Brasil cona com indicadoes econoicos de expor
ta;ao, estrutura industrial, auto-suiciencia em varios
setores, agicultura mecaniada e outos, que neste
inal de seculo, deinem modeilade. Neste cami
nhar de "modeidade ", todos os indicadoes de ben
esar social, especialmente saude e educa;ao, se de
gradaram, com uma total submissao do social ao
economico.
Somos
1 20
milhoes de pobres;
destes,
53
mil
hoes em nivel de miseria,
dos quais
20
milhoes vege
tam
em absoluta iseria; somos
0
2°
maior bolsao de
mise ria do mundo; temos
25
milhoes de crianras
em
estado de abandono toal, ou de semi-abandono, for
;ado pela miseria das familias.
( I)
A moralidade infantil media por ano, e de
87
fmil
cian;as que nascem vivas. Das que sobevivem,
30%
atravessaIo a vida e entrarao no proximo milenio
sem apreder a ler;
1 00
milhOes nIo completarao a
quta serie de escolaridade. Apenas
9
em cada
1 00
teinarao
0
2°
grau e apenas
2
ingessarao na Uni
versidade, das quais nao chegara a na, a que tera
nivel univesitio satisfatorio.
Quando situo neste contexto a pticipa;ao da
enfemeira na presta;ao de sevi;os de saude, queo
dizer que, eticamente, e preciso deinir de qual lado
se esta jogando, ou de quem nos toaremos cumpli
ces.
o
inico camiho, e na subversao no modo de
ver
0 pocesso social no Brasil, submetendo 0 econo
mico ao social, e nIo 0
contraio.
Nos enfermeiras, pecisamos deinir
0
sigica
do claro de criar ou destruir. Precisamcs avan;ar na
posi;ao de nos vemlOS como elementos sem respon sabilidade paa i ntevir e administa r 0 pocesso so cial. Esta e a doce osi;ao dos filosofos sociais dos sec. xvn e
XVIII,
cuja motiva;ao era so mente expli car0
funcionamento da sociedade, assim como a nossa, a das enfemleias, seia apenas "cuidar" docontinuum
saude-doen;a dos individuos. Esbo;ava se, a epoca, un desejo de levar ao fen6meno social a neutralidade das ciencias fisicas, na simpliica;ao maxima de reduzir 0 social,a
no;ao de causa e efeito . Mas, por outro lado, mantendo um comprontisso su bordinado as premissas eticas do capitalismo e do discurso liberal.E
preciso un abrir de olhos urgente . Orgulhoso, em parte, elos avan;os da propria pofissao, mas que, como un dos elementos do todo social, nao criou apenas a tansforma;ao maravilhosa de un mundo eficiente; mas que seja tambCm, capaz de perceber a miseria a ponto de reduzir0
homem a ser parte do lixo; acuItura;ao, a ponto de formaem-se sociedades enlouquecidas; depreda;ao da natureza, a ponto de amea;ar-se 0 proprio futuro da especie .o desafio maior que se imOe as nossas inteligen cias, e o de nos conscienizarmos de que este pais, este povo, oo ode passar sem uma assistencia de enfer magem seria, comprometida e solidaria com os mais fracos.
o nosso saber, ou a nossa tecnica, por cometen tes que sejam, ou ossam vir a ser, nada signicam, se nao se erguntar
para
que
epara
quem
existem e operam, senao se perguntama
quem
servem, se oo se perguntar sei
conivencia do sabio com0
doi-nador. (6)
E
preciso frisar que0
conhecimento e um cami nho sem volta .Nos todos somos cumplices desta elidade, por que a conhecemos de peto . E temos todos que des pertar paa a realidade de que, un pais modemo, "
n
pais que deu certo ", e aquele em que cada pessoa tem um emprego, em que todos comem todo dia, em que toda crian;a vai a escola, em que todos ten moadia, em que todo velho e doente e amparado, em que todos tem acesso a assistencia de saude, e mais objetiva mente, dieito a uma assistencia de enfermagem com nivel de excelencia.·
Se I�O temos a certeza de estar oferecendo isto a popula;ao, estamos entao desaiados a perguntar as nossas enfemeiras : enermeira, qual e a sa uiliade?
A
sua utilidade efermeira, e a de lutar sempepela via com qualidade, pela transparencia de todas as questoes eticQ-politicas, pelos direitos de cidadania
plena, e se for
0
caso, por uma morte com dignidade.A
sua utilidade enfermeia, e sempre, de forma inarreavel, a diicil posi;ao de lutar pelo gruo da queles que sao mais fracos.A
possibilidade de multi plicar 0 exercicio de uma enfemlagem digna, etica, bela, que tenha a lucidez de ousar e a ossibilidade sempre, de tentar saber como, e ate que onto, seria possive] diferentemente.Tenho certea de que -no sabemos muito bem estas respostas, mas e preciso que ninguem mais pemlane;a com esta duvida.
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Recebido para publica;ao em