PERCEPÇÕES E SENTIMENTOS DO PAI
QUANTO A SUA PRESENÇA NA SALA DE
pnos
Dora Lúcia de Oliveira *
Flávia Beatriz Lange Hentschel
**Lilian Cordova do Espírito Santo
***RESUMO - O
estudo faz a a nálise das percepções e sentimentos dos pais que assistiram ao nascimento do se u filho bem como daqueles que não tive ram esta oportu nidade. Foi aplicado um i nstrumento estruturado com per guntas abertas e fechadas, junto a138
pois em um hospital de ensino de Porto Alegre. A partir dos resultados, ficaram evidenciados os sentimentos de alegria dos pais que assistiram ao parto e de desejo por parte daqueles aos quais não foi oferecida esta oportunidade. Sugere investigar as per cepções e sentimentos da mulher e da equipe de atendimento quantoà
pre sença do pai em sala de parto.ABSTRACT
- This study analyses the perceptions a nd the feelings of the parents that have seen their so n's birth a nd also those people that never had this oportunity before. A structured i nstrument has been used with open ando closed questions between138
parents in a Porto Alegre's hospital. The results showed the happiness of the parents that have seen the delivery and the wish of the people that have never had this chance. The perceptio n and the feelings of the woman a nd the attendings about the father presence i nside the deliveryroom have suggested someinvestigations about it.
1
INTRODUÇÃO
Mitos autoes considerm a famiia como
m
sisea orgnizado, comosto de subsises
que neagem enre si. Qualquer evento que oa comm deses subsisemas epercute
ma
a orgzção filir. "A gravidez éa
expeiência que erence à fmiia coo em odo" efeemMAONAD06
e, como tal, deve ser consideda.Nos dis de hoje, é comum a exclusão da igra paena do momento do nascimento do i ho. Soente à mulher concede-se o direito de poagor este evento. De acordo com SOI
R·
o pto hospitalr determina uma situação exeente angustiante pra a mulher que, ao so epo, se encona rodeada de desco cidos. No pssado, qundo não existim os is ohecentos sobe asepsia e os ptoseram feitos fora do ambiente hospitalr, os h mens tinham maior opotunidade de icar junto de sua companheira, podendo ajudá-la no m mento do pato.
Do ponto de vista biológico, o pael do macho é da propagação da espécie, muito e bora esse papel venha sofendo modiicações por inluência das condiçes sócio-econômic culturais. Vivenciamos, hoje, consnes e pro undas alterações no contexto social em que es tamos inseridos. Em unção disto, também os paéis de homem e de mulher êm sorido ns fomações, no que tange à sua unção filir: da mulher é exigida cda vez ais uma pici pação efeiva na manuenção da flia, isto é, no seu sustento; em conrapatida, o hoem em paicipado mais das ativ
�
dades doésicas e do• LiCa m Enfemagem Maemo-Infnil. Profesora Auxilir do Deprento de Enfenagem Mao-Infantil da ola e Efeagem da Uivesidade Fdel o Rio Gnde do Sul.
•• Me n Efeagem Maemo-Infnil. Pofesoa Adjuna do Depmento de Enfemagem Mateo-Infnil a Ecola e femaem a Uiveside Fedel do Rio Gnde do Sul •
••• caa m Enfemagem Obsétrica. Profsora Axilir do Deparmento de Enfenagem Matemo-Infntil a cola e Efeaem da Uivesidade Federl do Rio Grnde do Sul.
cuidado dos ilhos. Desta fona, pai e mãe vo cupando os mesmos espaços na esutura fami lir.
Tlvez por isto os homens venhm assu mindo com aior consciência o processo de pa teidade, beneicidos, tém, ela exisên cia de alguns espaços deixados ela mulher a "esfera pivda", que se liera de sua unção exclusivente maenal e doméstica pra ocu pr ouros na chamda "esfea pública". Hoje, uma nova geação de hoens quer picipr do nasciento do ilho numa sociedade que ainda idiculriza o homem cinhoso e teno.
Nossa expeiência proissionl mosra que, apesr de o homem manifesr esse desejo, en conra uma série de diiculdades pra sua pti cipação no momento do po. Segundo HA LAL, SOUZA 4 o homem, ao apoir s cosas de sua mulher, enxugr o suor ou simplesmene egr na sua mão, está colaborndo de manei ra efetiva.
É
imponte admitir o rau e a in tensidde de amor que o pi pode dedicr ao i ho, send-lhe eritido explorr seus poprios sentimentos, com vistasà
hmonia fmilir e ao· necmbio afet\vo cem ae
e o lho, ele vndo a paeidade a um plano sueior.1.1
Justificativa e Objetivo
Considerando que o pto é um fato social e que mitos homens não vivem a eção de pr ticipr do nasciento do ilho e que, de acordo com a nossa exeiência proissional, muitos gosrim de acompanhr sua mulher na sala de
pos, esolveu-se, junto aos pis que pee cim o nsciento do seu ilho e aqueles que
o
tiverm essa ootunidade, efetur nquesionmento aceca das ecepções e dos senentos vivenciados or eles naquele m ento.
Idenicr as ecepçes e senentos dos pais quanto a sua pesença ou ausência na la de pos, por ocasião do nascimento do ilho.
2
METODOLOGIA
A mosra constitui-se de 138 pais que acompnhram ou não a mulher na sla de pr tos por ocasião do nascimento do ilho.
O
esu do foi realizado na Unidde de Intenação Obsérica de m hospital-ensino de Poto Ale ge. Pra anto foi elaboado um questionio (Anexo), com ergunas aetas e fechadas, o qual era enegue ao pai nos pmeros momen tos aós o nascimento do ilho e recolidonum
empo apoximdo de60
inutos. Não houve ecusas pra esondê-lo.3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A idde dos pis nsse e
s
ud
o,num total de
138,
vriou de16
a59
an
os,situando-se a
mioria(70)
na fixaeária
de21
a30
anos.
O número de tlhos
variou
de1
a
11,
com
predoúnio de um tlhoem
50%
dos pisentre
vistados.Dos 138 pais da
amostra, apenas
9
assisti
ram ao pto desua mulher, e deles são apre
sentados os dados abaixo
.Tabela
1
-Cond utas, percepções e recomendações de cada um dos pais, que assistiram ao pa rto do seu f i l ho. Hospita l d e E n sino de Po rto Alegre.Questões Re�ostas
AssistiU i palestra
slM
anteriormente NAO
Assistiu ao pato
anteriormente
_SIM
NÃOGostou de assistir
SIM
ao oato hoie NÃO
Recomendaria a
SIM
!! !! NÃO
A mãe gostou da
SIM
presença do pai NÃO
Facita a relaçao
SIM
com o filho
�
Constata-se que, os
9
pais que assistirm ao nascimento, chram que a expeiência facilia ó elacioneno com o lho. Obseva-se ainda que10%
desses pais consideram a exeriência positiva e que a mulher gostou da sua pesença na sala de ptos, lém de ecomendrem a ex eriência a ouros homens. Aenas4
pais assism
a algum tipo de palesra sobe ptonte-riomente. .
_
No que se efee ao elacionento
uo
do
pi com o ilho,CONCEIÇÃO·
cita qe um dos objetivos a psicopo
ilaxia
obséica�
Número !QtPais -
-1 2 3 4 5 6 7 8 - --9
-x x X
---X X X X X
X X
(---X---
--.-
-X X X X X
X X X X X X X X X
X X X X X X X X X
X X X X X X X X X
X X X X X X X X X
"peprr o casl pra o elacionmento
com
o recém-nascido e pra as implicações sciis da mateidade e pateidade".Tmém G A
VNSKP,
comenndo as vn tagens da picipação do mido na psicopoi laxia do pto, desaca que :'deve-se prcurr efoçr os lços psicoafetivos do mido com sua mulher e ouo
ilho, constituindo-se um io desde uma épca muito nteiorà
habitul,com enefício
patdos os seus inegnes,
esecialente
pao ho".
Gráfico
I
-Sentimentos referidos pelos pais que assistiram ao nascimento do filhoNÚMERO DE PAIS
12
10
8
6
4
2
o
Sentimentos
Observa-se que a legria foi o sentimento
eferido pela totalidade de pais, medo e angús
tia foram eferidos por
4
pais e sensação de
desmaio aenas por
1.
VIDELA
9comenta que, durante a gestação
de sua mulher o homem etém suas fantasias e
temores e chega geralmente ao pto com um
montante tão grande de ansiedade que é muio
16gico e humano esperar que ele desmaie quan
do lhe permitem presenciar esse momento, o
que também é referenciado por MALDON ADO
et al6 quando dizem que "sempe há uma
hist6-, ria de homem que desmaia em cima da mesa dos
instrumentos" .
Em relação aos sentimentos de medo e
ngústia referidos, GA VENSKP aima que,
por prte do mrido, pode haver temor ao hos
pital, "idéias de culpa com respeito ao sori
mento de sua mulher, idéias raumáticas de cul
pa por seu proprio nasciento, ejeição do i
lho, medo de desigurar a' imagem da esosa,
etc"
•Quanto
à
eceptividade da equie que assis
tiu
à
mulher durante o pato, cumpre assinalr
que
14
dos
129
pais que não entrram na sala
de partos esponderam
à
questão confome a ta
bela a seguir.
Tabela
2
- Percepção dos pais que assistiram e dos que não assistiram ao parto quantoà
receptividade do obstétra e da equipe por ocasião do nascimento de seu filho.Asssitência
Perceção dos Pais Durante o Parto
Eram amigos e faziam questão de sua presença
na sala de partos
Eram indiferença ã sua presença na sala de 2atos
ão aprovaram a sua presença TOTAL
Dos
9
pais que assistiram ao pato,
7
senti
rm 9ue o obsera e equipe eram amigos e fa
ziam questão de sua presença na sala de patos
e
2
perceberam a equipe como indifeente.
Registe-se ainda que, ods
14
pais que opi
naram sobre a equie, apesar de não terem en
tado na sala de ptos,
7
relarm que a equi
e não apovou a sua pesença no local;
5,
que
eram aigos e fazim questão de sua presença e
2
erceberm a equipe como indifeene.
Sae-se que muitos édicos peocupm-se
com o risco de o acompanhante icr muito
an-SIM NÃO TOTAL
f fr f fr f fr
7 78% 5 357% 12 52%
2 22% 2 14,% 4 174%
- - 7 5'0 7 304%
9 10% 14 10% 23 10%
sioso e, assim, interferir ou arapalhar o traba
lho da equipe.
De acodo com MALOONAOO et
l7 "aramente a equie médica sente-se
à
vontae.
quando o acompanhane (quase sempre o mari
do) enra na sala de pto para pesenciar o
nas-cimento do nenê".
'
.
Assim como a autora, acedita-se que enco
rajr a pesença do homem no momento do pr
to ermite que pi e me vivenciem o nascimen
to do ilho e iniciem a mpotane efa de c
nhecê-lo e de segur seu desenvolvimento.
Grzfico 11 -
Razões impedientes da e.ltrada dos pais na sala de partos, segundo suasin
formações.A
Dos
129
pais que não enraram na sala de
ptos,
30
alegram que não houve permissão
por prte da equipe, que, por sua vez, não es
claeceu os motivos pelos quais impedia o pai
de presencir o nascimento do ilho. Outros
pais foram ainda impedidos;
8,
porque não ti
nham o curso de preparação para o parto;
6,porque o parto foi de urgência; outros
6,
porque
o pto foi operatório;
4,
por problemas de saú
de da mãe e
1,
porque sua mulher não fez o
pré-nal naquele hospital.
Houve ainda ouras justiicaqvas;
27
pais,
por esrem ausentes no momento do prto;
14
não sabim que poderiam enrr na sala de par
tos;
13
não izeram a solicitação de assistir ao
nascimento do seu ilho;
8
disseram que não es
avam preparados e
7
que não form convida
dos.
Dentre os "outros",
1
disse que não entrou
na sala de partos porque não quis;
1 ,
porque es
tava muito nevoso;
1
disse que não foi possí
vel;
1
não aceitou o convite da equipe, e, por
últmo,
1
não respondeu.
De acordo com BLOCK1, a equipe obstétri
ca costuma ser a principal oponente da ptici
pação do pai na sala de ptos, fazendo com
que ele se sinta arapalhado e desconfortado.
Uma atitude favorável da equie poderá fazer
com que ele não apenas se sinta valoizado e se
orgulhe de ter engravidado sua mulher� mas
tmbé.. se conscientize de que seu envolvimen
to não teina naquele instante.
3.1 Observações complementares
Ao responderem
i
questão: "Por que você
não enrou na sala de partos?", a maioria dos
1 29
pais comentou que gostaria de er assistido
ao nascimento do seu ilho. Que seia "intees
sane", "emocionane" e o "momento ideal pa
ra ransir segrança
à
sua mulher", que
-LEGENDA:
D
A - Não foi permitido_
B - Não eSlava presente_
C - Não sabia que poderia entrarna salade patos
J
D - Não solicitou•.
F - Não foi convidado_
G-Outrosderia adquirir mais "experiência", "amadure
cimento" e "realização". Ao comentar acerca
do seu desejo de esar presente no momento do
parto, um pai justifica dizendo: "Porque acredi
to ser importante
para
a relação pai e ilho a
participação em tod&s as etapas de sua {ida".
Ouro diz: "acho importante participar do raba
lho e sacrifício pelo qual passa a
mulher'e�se
momento".
Quando questionados sobre os motivos que
os levaram
à
sala de ptos,
4
dos
9
pais disse
ram que queriam icar junto de sua muler e ver
seu ilho nascer. Um deles acrescentou ter mui
ta "curiosidade" e desejo de "fotografai o par
to". Outros
2
entraram na sala de partos porque
a equipe os convidara. Um pai comentou que
assistir ao nascer do ilho poderia levar o casal
a um crescimento de sua relação como "compa
nheiros e pais". Outro disse ser importante re
ceber o ilho juntamente com
aesposa para
mosrr desde o início "que estmos juntos fa
zendo tudo para que ele se sinta bem". Mais um
pai comen!ou: "senti que minha esposa precisa
va de mim ( ... ) ajudei a prepará-la, a secr seu
suor e a animá-la na hora das contrações. Se ti
ver outro(s) filho(s) entrarei novamente!"
4
CONCLUSÕES
Em relação aos pais que assitiram ao nas
cimento do seu ilho, é possível concluir-se
que:
_
100%
consideraram que a experiência foi
positiva, que, na sua opinião, a mulher gostou
da sua presença na sala de parto', que colabora
ram no que foi ossível e que recomendiãm a
outros homens a mesma experiência;
- 10%
acham que assistir ao parto facilia
o relacionmento com o ilho;
- 78%
entendem que a equipe foi receptiva
efez quesão da sua prsença na sala de prtos;
- a "leria" foi o sentimento manifesto por todos;
- a invesigação acerca dos sentimentos e pecepções da mulher qunto
à
pesença do pi da crinça na sala de ptos seria ecoendável.Em elação àqueles que não assisirm o
nascimeno do
o,
conclui-se que:- a maioia dos pais não enrou na sla de
ptos poque a equie não eriiu, sem jusi tcr a atitude ao pai;
- a mioria dps pais gosria de er assistido
o pto de seu
o;
- a análise junto
à
equie de atendeno sobe os otivos que imedem a enda do pi na sala de pos seia elevne.REFERÊ N CIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 BLCK, N. f. Psyehology oi the penney experiene.
I: DlCKASON, E. J. & SCHUL f , M.O., ed. Materl
d fant care. New York: Me Gaw Hill Bok, 1975. Capo 6, p. 136- 149.
2 CONCEIÇÃO, I.S.C. Proilaxia obsétrica. In: SALES, J.M. de et i. Tratado de assstêca pré-atl. São Pau lo: Rca, 1989. p. 583-589.
3 GA VENSKI, R. V. Pros obsteica. Buenos Aires: Ae no, 197 1 .
4 HALLAL, R.C., SOUSA, P.L.R. de. Sobre a gesação, o po e o puerpério. Cosideraçes pediárico-psia nalfties. Jol de Peata. Rio de Jneiro, 43 (6): 379-385, jun. 1977.
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6 MALDONADO, M. r. et i. A reação éico-ciente em
gecoga e obstetnca. Rio de Janeio: Atheneu, 198 1 .
7 --o Nós estos grávdos. Rio de Janeiro: Bloch, 1990.
8 SOIFER, R. Picooga da gravdez. pano e puerpéio. 4 ed.
Porto Alegre: Artes Médics. 1980.
9 VIDELA. M. Materad. ito y reaad. B uenos Aires:
Pena Lino, 1 973.
AN E XO
QUESTIONÁRIO
Leia atentamente as perguntas aqui formuladas. Assinale todas
as respostas
que desejar e res
ponda qundo necessário.
1.
Qu
al asua
idade?• • • _ • • • • •
anos
2.
Quantos ilhos você êm?• • • • • • • • •filhos
3.
Você assistiu a algum tipo de palesra sobe o pto?(
) Sm
(
)
Não4.
Você já assisiu a algum pto anterioente?( ) de sua mulher ( )de esranhos
(
) de prentes
(
)
nunca assisiu5.
Você acha que a exeiência de ter assistido ao pn0 foi:( ) boa
(
) razoável
(
)
uim6.
Você assisiu ao pto de sua mulher hoje?( ) Sim
(
) N ão
7.
N a experiência de ter assistido ao pto de sua mulher hoj e você:
(
) colaboou com sua mulher no que foi possível
( ) "matou" sua curiosidade sobre o parto