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Vitamina D em crianças e adolescentes com doença falciforme: uma revisão integrativa.

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REVISTA

PAULISTA

DE

PEDIATRIA

ARTIGO

DE

REVISÃO

Vitamina

D

em

crianc

¸as

e

adolescentes

com

doenc

¸a

falciforme:

uma

revisão

integrativa

Jacqueline

Faria

de

Oliveira,

Natália

Gomes

Vicente,

Juliana

Pereira

Pontes

Santos

e

Virgínia

Resende

Silva

Weffort

UniversidadeFederaldoTriânguloMineiro(UFTM),Uberaba,MG,Brasil

Recebidoem12demaiode2014;aceitoem23desetembrode2014 DisponívelnaInternetem10dejunhode2015

PALAVRAS-CHAVE

VitaminaD; Deficiência devitaminaD; Anemiafalciforme; Crianc¸a;

Adolescente

Resumo

Objetivo: RevisaraliteraturasobreafrequênciadadeficiênciadevitaminaDesuas

consequên-ciasemcrianc¸aseadolescentescomanemiafalciforme.

Fontesdedados: OlevantamentobibliográficofoifeitonasbasesbibliográficasMedline,U.S.

National Library of Medicine e National Institutes of Health (PubMed), Literatura Latino--Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Cochrane. Os descritores foram selecionadoscomousodoMedicalHeadingTerms(MeSH):‘‘VitaminD’’OU‘‘VitaminD defici-ency’’E‘‘anemia,sicklecell’’E‘‘child’’E‘‘adolescent’’.Abuscalimitou-seaosartigosem inglês,espanholeportuguês,comdatadepublicac¸ãoatéabrilde2014.

Síntesedosdados: Foramselecionados11estudos,entreos18encontrados.Apesquisa

reve-louqueosníveisséricosdevitaminaDemcrianc¸ase/ouadolescentescomanemiafalciforme encontram-sebaixosemseisde11artigosanalisados.Essafrequênciadedeficiênciadevitamina Dempacientescomanemiafalciformeexcedeadogrupodecomparac¸ãosaudável.Abaixa ingestadevitaminaD, asazonalidade,aexposic¸ãosolar,ometabolismoaumentadopróprio da hemoglobinopatia e o aumento da idade são fatores associados à deficiência. Houve associac¸ãoentredeficiênciasignificativadevitamina Defraquezaósseaecrises dolorosas. Hácorrelac¸ãopositivaentreaumentodosníveisdevitaminaDpormeiodasuplementac¸ãoea capacidadefuncionalfísica.

Conclusões: A deficiênciadevitaminaDem crianc¸as eadolescentescomdoenc¸afalciforme

éprevalenteenecessitademaisestudosparaevidenciarasuarelac¸ãocomcomorbidadese possíveisbenefíciosdasuplementac¸ãodavitaminaD.

© 2015Associac¸ãodePediatria deSãoPaulo. PublicadoporElsevier EditoraLtda.Todosos direitosreservados.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](V.R.S.Weffort).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rpped.2014.09.008

(2)

KEYWORDS

VitaminD;

VitaminDdeficiency; Sicklecellanemia; Child;

Adolescent

VitaminDinchildrenandadolescentswithsicklecelldisease:anintegrativereview

Abstract

Objective: ToreviewtheliteratureabouttheprevalenceofvitaminDdeficiencyandits

con-sequencesinchildrenandadolescentswithsickle-celldisease.

Datasources: The literature survey was performed through the bibliographic databases

Medline;U.S.NationalLibraryofMedicineandNationalInstitutesofHealth(PubMed); Lite-raturaLatino-AmericanaedoCaribeemCiênciasdaSaúde(Lilacs),andtheCochraneLibrary. ThekeywordswereselectedusingMedicalHeadingTerms(MeSH):‘‘VitaminD’’OR‘‘Vitamin Ddeficiency’’AND‘‘Anemia,SickleCell’’ AND‘‘Child’’AND‘‘Adolescent’’.Thesearchwas limitedtoarticlesinEnglish,SpanishandPortuguese,publisheduntilApril2014.

Datasynthesis: Elevenarticles were selected among the 18 found. In 6 ofthe 11 studies,

serum levelsofvitaminDinchildren and/or adolescentswithsickle-cell anemia were low. TheprevalenceofvitaminDdeficiencyinpatients withsickle-cellanemiaexceeded thatof thecomparisongroup.ThelowintakeofvitaminD,seasonality,exposure tosun,increased metabolismassociatedwiththehemoglobinopathy,andageincreasewerefactorsassociated withthedeficiency.TherewasanassociationbetweenasignificantvitaminDdeficiencyand boneweaknessandpainfulcrises.Therewasapositivecorrelationbetweenincreasedlevelsof vitaminDbysupplementationandfunctional,physicalcapacity.

Conclusions: ThevitaminDdeficiencyinchildrenandadolescentswithsickle-cell diseaseis

prevalentandrequiresfurtherstudiestodemonstrateitsassociationwithcomorbiditiesand possiblebenefitsofvitaminDsupplementation.

© 2015Associac¸ãode Pediatriade SãoPaulo. Publishedby Elsevier EditoraLtda.All rights reserved.

Introduc

¸ão

A doenc¸a falciforme é causada por uma mutac¸ão decor-rentedeumatroca debasesnitrogenadasnosextocódon do gene da beta-globulina da hemoglobina e gera uma hemoglobina anormal denominada hemoglobina S (HbS).1 As manifestac¸ões da doenc¸a falciforme são consequên-cia da presenc¸a da HbS, cujas moléculas se organizam emfeixespoliméricosquandodesoxigenadaseconferemà hemáciaumaconformac¸ãoalongadaerígida,determinada ‘‘hemácia em foice’’.2 Após o processo de falcizac¸ão, a hemácia passa a apresentar alterac¸ão das proteínas de membranae aumentodaexpressão demoléculas de ade-sãoque,consequentemente,levamàadesãodashemácias aoendotélio.Esseprocessodesencadeiaumfenômeno infla-matório,ativac¸ãodacoagulac¸ão,hipóxia,isquemiaeinfarto local,alémdereduc¸ãodasobrevidadahemácia.2Adoenc¸a falciformeéumadasenfermidadesgenéticasmais frequen-tesnoBrasilenomundo.3Ahemólisecrônica,aanemiae osfenômenos vaso-oclusivos,que ocorrem nosportadores dadoenc¸a,sãofatoresdesencadeantesdeummetabolismo aceleradoeesseprocessofazcomqueopacientecom ane-miafalciformetenhaataxametabólicabasal20%maiordo quedapopulac¸ãonormal.1,4Entretanto,nãoregistrosde metodologiaseequac¸õesparaseestimarogastoenergético emcrianc¸ascomanemiafalciforme.5

Crianc¸ascomanemiafalciformetêmummaiorriscode desenvolver deficiências nutricionais devido à reduc¸ão deapetite,6 à ingestão alimentar pobre em nutrientes7 e àsintercorrências infecciosas,o que demandauma maior atenc¸ãoporpartedosprofissionaisdasaúde.Dentreas vita-minas,a Ddeveseravaliadacuidadosamenteem crianc¸as

comanemiafalciforme.Issosedeveàaltaconcentrac¸ãode melaninanapele,aosbaixosníveisdeatividadefísica8eà baixaingestãoalimentar7,9Crianc¸ascomanemiafalciforme têm maiorchance dedesenvolverdeficiência de vitamina Dquandocomparadascomoscontrolessaudáveis.10 O cál-cioeavitaminaDsãoimportantesnometabolismoósseoe abaixa ingestão decálcioleva aumareduc¸ãodopico de massa ósseaideal na crianc¸a e no adolescente com ane-mia falciforme e determina uma falha de crescimento.11 AdeficiênciadevitaminaD,porsuavez,estárelacionadaao aumentodeinfecc¸õesrespiratórias,àfraquezamusculare aoaumentodoriscodequedasemicrolesões.12Alémdisso, emcrianc¸ascomanemiafalciforme,cujosossossão afeta-dosporinfartos,osteoporoseeosteonecrose,adeficiência devitaminaDpodepioraracondic¸ãoóssea.13

Emvista disto, este trabalhotevecomoobjetivo fazer uma revisão integrativa da literatura para analisar a frequênciadadeficiênciadevitaminaDesuas consequên-ciasemcrianc¸aseadolescentescomanemiafalciforme.

Revisão

da

literatura

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paraa busca nasoutrasbasesde dados.Foramusados os seguintesdescritores: ‘‘VitaminD’’ OU‘‘VitaminD defici-ency’’E‘‘Anemia,SickleCell’’E‘‘Child’’E‘‘Adolescent’’. Oscritérios deinclusãodefinidos paraa selec¸ão foram artigos publicados em inglês, português e espanhol, com populac¸ãodoestudoreferenteàfaixadecrianc¸ase adoles-centesaté18anoscomdiagnósticodedoenc¸afalciforme. Oscritérios deexclusãoforamestudoscom animais, estu-doscomsereshumanosquenãocontemplaramafaixaetária determinadae quenãotivessemassociac¸ãocomaanemia falciforme.Nãofoiconsideradolimitetemporalparaabusca bibliográfica.Abuscadasreferênciasfoifeitadedezembro de2013aabrilde2014.

Para eliminar a duplicidade de artigos,os documentos foram ordenados por títulos e autores e foram excluídos os que apareceram maisde uma vez. Para a selec¸ão dos estudos,foifeitaumarevisãodostítuloseresumos.Apósa primeirarevisãoforamselecionados18artigos:doisdabase de dados daBiblioteca Cochrane, 15da PubMed e um do bancodedadosLilacs.Apósaselec¸ãoinicial,foifeitauma novaavaliac¸ãodostextosnaíntegra,queresultouna exclu-sãode seteartigos.Esses artigosforam excluídospor não contemplarafaixaetáriadescritanoscritériosdeinclusão. Nofimdaavaliac¸ão,foramselecionadosumartigodabase dedadosCochranee10dabasededadosPubMed.

Os estudosforam catalogados na planilha doMicrosoft Office Excel 2007®, com registros de informac¸ões sobre

título, autores, periódico, ano de publicac¸ão, objetivo, desenhodoestudo,populac¸ão,níveldeevidência,principais resultadoseconclusõesdoestudo.Ostrabalhos desenvolvi-dostiveramseusprotocolosexperimentaisaprovadospelos ComitêsdeÉticaemPesquisadasrespectivasinstituic¸ões. Porsetratarderevisãoeatualizac¸ãosobreotema,o pre-sente estudo não foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisadainstituic¸ão.

A hierarquizac¸ãoem níveldeevidência supracitada foi feitadeacordocomametodologiadeclassificac¸ãosegundo delineamento da pesquisa, que categoriza osestudos em sete níveis.14,15 No primeiro nível, as evidências são pro-venientes de revisão sistemática ou metanálise de todos os relevantes ensaios clínicos randomizados controlados; no nível 2, provenientes de pelo menos um ensaio clí-nico randomizado, controlado e bem delineado; nível 3, asevidências obtidas deensaios clínicosbem delineados, semrandomizac¸ão;nível4,evidênciasresultantesde estu-dosdecoorteedecaso-controlebemdelineados; nível5, resultadosde revisãosistemática deestudosdescritivos e qualitativos;nível6,evidênciasderivadasdeestudo descri-tivoouqualitativo;enível7,evidênciasoriundasdeopinião deautoridadese/ourelatóriosdecomitêsdeespecialistas. Aamostrafinaldestarevisãofoicompostapor11artigos, cujasrepresentac¸õesestãodispostasnatabela1.

Discussão

NíveisséricosdevitaminaDeanemiafalciforme

Nosestudosselecionados,adeficiênciadevitaminaDfoi tra-tadacomoobjetodeinvestigac¸ãoprimárioousecundário, quandoassociadaaoassuntoprincipalemestudo.Segundo o DietaryReferenceIntakes, hádeficiência de vitaminaD

quando a concentrac¸ão sérica de 25-hidroxivitamina D é menordoque11ng/mL.11

Sete dos nove artigos analisaram os níveis séricos de vitaminaDemcrianc¸ase/ouadolescentescomanemia fal-ciforme e evidenciaram deficiência desse nutriente.9,16-21 Jackson et al., em coorte de crianc¸as na qual dosou a vitaminaD,detectaramque96,4%contavamcom deficiên-ciadevitaminaDe,desses, 64%apresentavamdeficiência grave(<10ng/mL);1,4%dosageminsuficienteeapenastrês crianc¸as (2,2%)tinhamníveisséricosadequados.16 Vander Dijs et al. observaram que, quando comparados com os controlessaudáveis,pacientescomanemiafalciforme apre-sentaram menores concentrac¸ões séricas de cálcio. Esses níveis, entretanto, não estavam abaixo do valor de refe-rência. No mesmo estudo, não houve diferenc¸a entre os grupos quantoàs concentrac¸õesde fosfato, paratormônio evitaminaD.22Porém,outrosestudosdemonstraramquea frequênciadebaixosníveisséricosdevitaminaDnogrupo comanemia falciforme excedia a frequênciano grupode comparac¸ãosaudável.9,10

Devidoàparticipac¸ãodaradiac¸ãosolarnometabolismo davitamina D,um estudoda revisãoavaliou asvariac¸ões sazonaisedemonstroumaioresníveisséricosdevitaminaD nasestac¸õesdoanocomtemperaturasmaisaltas,primavera everão.9,16Emoutroestudo,entretanto,essavariac¸ãonão foidemonstrada.18

Outro fator determinante paraa adequac¸ão dos níveis séricosdevitamina Decálcioé aingestãoalimentar ade-quada. Nadoenc¸a falciforme as necessidades nutricionais sãomaiores, devido ao maiorrequerimento deenergia.10 Estudosqueavaliaramaingestãoalimentardesujeitosque apresentaramdeficiênciadevitaminaDdemonstraramque o consumo alimentar da vitamina não é adequado.9,10 O consumo de vitamina D seapresentou abaixo dos valores recomendadosde200UI(5mg/dia).9,11Obaixoconsumode leite,fontedecálcioevitaminaD,tendeadeclinarcoma idadeelevaranívelséricodevitaminacadavezmaisbaixo comodecorrerdaidade.9

Adiferenc¸anodecorrer daidade tambémfoi demons-trada por Garrido et al., que relataram níveis séricos de vitamina D em crianc¸as menores do que cincoanos, mas nas crianc¸as com idade maior do que cinco anos, essa deficiência se mostrou ainda mais acentuada. Nenhuma crianc¸a maior do que cinco anos apresentou níveis acei-táveis de vitamina D.18 Tais resultados são paralelos ao deoutro estudo que mostrou correlac¸ão inversa entreos níveis de vitamina D e a idade, ou seja, quanto maior a idade, menores os níveis de vitamina D. Neste estudo, osníveisséricosdeosteocalcinaforammenoresdoque os valores encontrados em crianc¸as saudáveis, o que pode ser uma consequência da deficiência de vitamina D.20 A osteocalcina, que participa da mineralizac¸ão óssea, é sintetizada pelos osteoblastos e sua induc¸ão ocorre pela vitaminaD3.Osníveisdeosteocalcinasãomaioresdurante ainfância e seu pico ocorre durante a puberdade.23 Esse fatopodeexplicaressa correlac¸ãoinversa,já quequanto maioraidade,maioraproduc¸ãodeosteocalcina.

NíveisséricosdevitaminaDecomorbidades

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Tabela1 Síntesedosartigosselecionadospararevisão:anemiafalciformeevitaminaD Referência Níveldeevidência Amostra(n) Conclusão

Osunkwoetal.,201227 2 46 Osresultadossugerembenefíciopotencialda suplementac¸ãodavitaminaDnareduc¸ãodo númerodediascomdornadoenc¸afalciforme

Shamsetal.,201428 2 58 Aadministrac¸ãodevitaminaDesteve

associadacommenoresnecessidadesde analgesiapós-operatóriaecomplicac¸ões pós-operatórias

Jacksonetal.,201216 6 139 OsbaixosníveisdevitaminaDestavam

associadosàfunc¸ãopulmonar,masnão tiveramassociac¸ãocomcrisesálgicas esíndrometorácicaaguda

Osunkwoetal.,201117 6 53 Pacientescomdoenc¸afalciformetêmuma

tendênciaàdeficiênciadevitaminaDea pesquisasugereligac¸ãoentreadeficiência devitaminaDefragilidadeóssea

Garridoetal.,201218 6 78 DeficiênciadeVitaminaDfoiprevalenteem

crianc¸ascomdoenc¸afalciformedeMadrid

VanderDijsetal.,199722 6 18 OníveldevitaminaDempacientescom

anemiafalciformedeCurac¸aoéadequado

Chapelon,etal.,200919 6 53 Umalevediminuic¸ãodadensidademineral

óssea,semrelac¸ãocomhipovitaminoseD,foi encontradaemcrianc¸ascomanemia

falciforme.Iniciaou-senapuberdadeefoimais marcanteentremulheres

Buisonetal.,20049 6 65 BaixosníveisséricosdevitaminaDtiveram

altaprevalênciaemcrianc¸ascomanemia falciformeeestavamassociadosàsvariac¸ões sazonaisedieta

Rovneretal.,200810 6 150 Oriscodeindivíduoscomanemiafalciforme

apresentaremdeficiênciadevitaminaDfoi 5,3vezesmaiordoquedossujeitossaudáveis

Laletal.,200620 6 25 Crianc¸ascommanifestac¸õesgravesdedoenc¸a

falciformeapresentambaixadensidadeóssea, bemcomdietapobreemcálcioevitaminaD. AdeficiênciadevitaminaDfoimaiorem pacientescujospesose/oualturaestavam abaixodamédia

Ozenetal.,201321 6 50 Osresultadossugerembenefíciopotencialda

suplementac¸ãodavitaminaDnareduc¸ãodo númerodediascomdornadoenc¸afalciforme

por pacientes com anemia falciforme.9,16,17,20,21,24 Jack-son et al., em estudo retrospectivo, visaram a avaliar a associac¸ãodadeficiênciadevitaminaDcomcrisesdolorosas ecrisesdeasmaemcrianc¸ascomanemiafalciforme.Apesar deadeficiênciadevitaminaDserprevalentenapopulac¸ão, oestudonãoencontrouassociac¸ãoestatísticaentrea defi-ciênciadevitaminaDcomonúmerodecrisesdolorosasede asma.16Osunkwoetal.analisaram53crianc¸ase adolescen-tescomanemiafalciforme,dosquais32%apresentavamdor crônicae42%,fragilidadeóssea.Foiobservadaaassociac¸ão entrea deficiência significativa devitamina D e ascrises dolorosas.Omesmo estudotambémencontrou associac¸ão entreosbaixosníveisdevitaminaeafraquezaóssea.17

Na anemia falciforme, o osso pode ser afetado por microinfartos, osteopenia, osteonecrose, osteoporose e osteomielite.25 Os fatores de risco para a ocorrência de

osteopenianadoenc¸afalciformeincluemapuberdade atra-sada e a baixa competência do pico do metabolismo de massaóssea,osmicroinfartosresultantesdeenventos vaso--oclusivos,adorcrônicacomimobilizac¸ãoeadeficiênciade cálcio,vitaminaDeoutrosnutrientes.20,26

(5)

ingestão insuficiente devitamina D mais expressivaentre ospacientesqueapresentavam osteopeniaeosteoporose, quando comparados com aqueles sem alterac¸ão, o que demonstraaimportânciadaingestãoadequadadevitamina Dparaaprevenc¸ãodessascomorbidades.21

Suplementac¸ãodevitaminaD

Existem poucos estudos que tratam dasuplementac¸ão de vitamina D em crianc¸as e adolescentescom anemia falci-forme. Em nossa revisão foram encontrados apenas três. OestudodeGarridoetal.,queavaliouostatusdevitamina Demcrianc¸ascomanemiafalciformedaEspanha,observou que osníveis devitamina D em crianc¸as menores doque umanoestavamabaixodosníveisadequados,apesardasua reposic¸ão.Areposic¸ãodevitaminaD,nessasituac¸ão, pro-moveuumaestabilizazac¸ãodadeficiênciadevitaminaenão permitiuodesenvolvimentodedeficiênciamaisgrave.18

Osunkwoetal.,emestudopilotoeensaioclínico rando-mizado,analisaramasuplementac¸ãocom500mgdecálcioe 200UIdevitaminaDporseismesesem46sujeitosdesetea 21anoscomanemiafalciforme.Ospacientes,previamente diagnósticadoscomdeficiênciadevitaminaDpeladosagem séricade25-HidroxivitaminaD,foramrandomicamente sor-teadosparareceberasuplemetac¸ãodecálcioevitaminaD ouplacebo.Duranteoestudo,foifeitooregistrodecrises dolorosas e a avaliac¸ão dos escoresde qualidade de vida doâmbitofísico, paraosquaisforamatribuídasnotas em relac¸ão ao desempenho dopacientepara fazeratividades corriqueiras. Osresultados demonstraram umacorrelac¸ão inversaentreosníveisdevitaminaDeaincidênciadedor e demonstraram que quanto maior os níveis de vitamina D,menor aincidência decrisesdolorosas. Houvetambém correlac¸ãopositivaentreosníveisdevitaminaDeaos esco-resdodomíniofísico,oquedemonstrandoosbenefíciosda vitaminaDparaaqualidadedevidadessespacientes.27

No estudo de Shams et al., 58 crianc¸as com anemia falciforme foramdivididasdeformarandomizada em dois grupos,dosquaisumfezasuplementac¸ãodiáriade400UI devitaminaDporseismesesantesdacirurgiadecircuncisão eooutronãorecebeuintervenc¸ãoantesdoprocedimento. Noperíodopós-operatório,osgruposforamavaliadosquanto ànecessidadedeanalgesia,àpresenc¸adedoreà ocorrên-ciadecomplicac¸õesrelacionadascomadoenc¸afalciforme, como acidentes vasculares encefálicos e crises dolorosas, alémdasnãorelacionadascomadoenc¸afalciforme,como febre esinaisdeinfecc¸ão. Aadministrac¸ão devitaminaD esteveassociadaàmenorocorrênciadecomplicac¸ões pós--operatórias associadasà anemiafalciforme, bem como à menornecessidadedeanalgesianopós-operatório.28

Osestudoscitadosanteriormentetrazemresultadosde amostras populacionais pequenas e o primeiro é apenas deumestudopiloto.Alémdisso,osegundofoifeitosomente compacientesdosexomasculinoquepassaramporcirurgia depequenoporte,oquetornaavalidadeexternalimitada. Pelo baixo número de ensaios clínicos encontrados nesta revisãoqueanalisaramasuplementac¸ãodevitaminaDem crianc¸aseadolescentescomdoenc¸afalciforme,os benefí-ciosdamesmaparaessapopulac¸ãonãosãoconclusivos,o que demonstra anecessidade de maisestudos sobreessa temática.

Considerac

¸ões

finais

Afeituradestarevisãodaliteraturaeopequenonúmerode artigosencontradosevidenciamaescassezdeestudossobre oestadonutricionaldascrianc¸aseadolescentescomdoenc¸a falciforme e a influência da vitamina D no perfil clínico dessespacientes.Nãoforamencontradosestudosfeitosno Brasil.Ressalta-sequearevisãofoifeitacomosdescritores emportuguês,espanholeinglêsequenãofoiestabelecido limitedetempo.Apesardemuitosestudosevidenciarema prevalênciadadeficiênciadevitaminaDemcrianc¸ase ado-lescentescomdoenc¸afalciforme,assuasconsequênciase osefeitosdasuplementac¸ãosãopoucoconsistentes.

De acordo com a literatura, a deficiência de vitamina Dé frequentenapopulac¸ãoestudada. Evidenciou-se tam-bémdiferenc¸a significativadedeficiência quandoo grupo estudadofoicomparadocomsujeitossaudáveis.Quantoàs suascausas,demonstrou-seinfluênciadaingestãodos nutri-entesemaiores necessidades nutricionais, sazonalidadee exposic¸ão solar, idadee complicac¸õescomuns dadoenc¸a, comoosinfartosósseos.Quantoàrelac¸ãodosníveisséricos devitaminaDecomascomorbidades,osresultadosainda sãocontroversos,oquedemonstraumapossívelrelac¸ãoda suadeficiênciacom aocorrênciadecrises dolorosas, pre-juízo daperformance física e do metabolismo ósseo. Em estudosemquefoifeitaintervenc¸ãodesuplementac¸ãode vitaminaDe cálcio, demonstraram-seassociac¸ão entreos níveis adequados de vitamina D e melhoria da qualidade devida do paciente em relac¸ãoà performance física e à reduc¸ãodecomplicac¸õesassociadasounãoàanemia falci-formeedornoperíodopós-operatório.

Conclui-se,comestarevisão,queadeficiênciade vita-minaDem crianc¸aseadolescentescomdoenc¸afalciforme é frequentee que maisestudossão necessários para evi-denciara associac¸ão dadeficiência devitamina D com as crisesdolorosaseometabolismoósseo,bemcomopara ava-liarospotenciaisbenefíciosterapêuticosdasuplementac¸ão davitaminaDnessapopulac¸ão.

Financiamento

Oestudonãorecebeufinanciamento.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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