Instituto de Físia
Estudo do Espalhamento Elástio
dos Isótopos
7
Be,
9
Be e
10
Be em
Alvo de
12
CJuan Carlos Zamora Cardona
Orientador: Prof. Dr. Valdir Guimarães
Dissertação de mestrado apresentada
aoInstituto de Físia para aobtenção
do títulode Mestre emCiênias
ComissãoExaminadora:
Prof. Dr. Valdir Guimarães (IF-USP)
Prof Dr. Luiz FelipeCanto(IF-UFRJ)
Prof. Dr. Edilson Crema (IF-USP)
São Paulo
Durante a minha urta estadia no Brasil onhei várias pessoas extraordinárias e sem a
ajuda delas este trabalhonão seria possível.
Agradeçoaomeu orientador,oprofessorValdir Guimarães,por suaorientaçãoe boas
suges-tõesnopresentetrabalho. AgradeçoaosprofessoresAlinkaLépineeRubensLihtenthalerpor
suaonstanteajudaduranteosexperimentoseeslareimentodealgumasdúvidas. Agradeço
a Adriana Barioni
:)
, meu Sol nessa etapa da minha vida, que me deu arinho inondiio-nal e as forças neessárias. Agradeço também a meus ompanheiros de grupo (o lado laroda força) pela ajuda durante os períodos de máquina: Pedro (oringa, o únio que passa as
noites),Djalma(Dj),Julian (Ba), Orli,Viviane (Viví),Valdir , Kelly, Maria,Rubén, Caio,
Erih...
Assim mesmo, agradeço imensamente ao CNPq (Conselho Naional de Desenvolvimento
Lista de Figuras iv
Lista de Tabelas vi
Resumo viii
Abstrat ix
1 Introdução 1
2 Parte Experimental 4
2.1 Fontede Íons . . . 5
2.2 Aelerador . . . 6
2.3 Produçãoe Filtragem dos Feixes Radioativos . . . 8
2.3.1 Alvode Produção . . . 9
2.3.2 Filtragem eFoalizaçãoom Solenóides . . . 10
2.4 Câmarade Espalhamento . . . 14
3 Simulação do Sistema RIBRAS om GEANT4 18 3.1 Alvo de Produção . . . 19
3.2 Solenoide Superondutor . . . 21
3.3 Câmarade Espalhamento . . . 26
4 Redução dos Dados 31 4.1 Identiaçãodas Partíulas . . . 31
4.2 Calibraçãodos Espetros . . . 33
4.3 CálulodaSeção de Choque . . . 37
5 Fundamentos Teórios 40 5.1 Teoria doEspalhamento . . . 40
5.1.1 Cáluloda Amplitudede Espalhamento . . . 41
5.2 CanaisAoplados . . . 44
5.2.1 Exitações Coletivas . . . 45
5.2.1.1 Deformação Coulombiana . . . 46
5.2.2 CanaisAopladosom Disretização doContinuo(CDCC) . . . 47
6 Análise 49 6.1 OModelo Ótio . . . 49
6.1.1 Potenial de Woods-Saxon . . . 50
6.1.1.1
7
Be +12
C . . . 516.1.1.2
9
Be +12
C . . . 526.1.1.3
10
Be +12
C . . . 536.1.2 Potenial de São Paulo . . . 55
6.2 CanaisAoplados . . . 58
6.2.1
7
Be +12
C . . . 586.2.2
8
B +12
C . . . 606.2.3 Efeitodo break-up do
8
B v.s.7
Be . . . 626.2.4
9
Be +12
C . . . 636.2.5
10
Be +12
C . . . 656.3 Seçãode Choque de Reaçãodos isótopos de berílioemarbono. . . 68
6.4 Sistemátiada seção de hoque total de reação . . . 69
6.4.1 Seção de hoque reduzida . . . 70
6.4.2 Função universal . . . 71
7 Conlusões 75
Apêndie 1 77
1.1 Tabelade isótopos leves . . . 1
2.1 Diagramados Laboratórios. . . 5
2.2 Fontede íons . . . 5
2.3 Esquema doSistema Pelletron . . . 6
2.4 Esquema geral doaelerador . . . 7
2.5 Distribuiçãode estado de argado boro. . . 8
2.6 Desenho doRIBRAS(TWINSOL) . . . 8
2.7 Alvo de produção . . . 10
2.8 MovimentoHelioidal . . . 11
2.9 Foalização . . . 12
2.10 Modos dos dois solenóides . . . 12
2.11 Produçãovs orrentedo solenóide . . . 13
2.12 Correntede foalizaçãonum solenóide . . . 14
2.13 Câmerade espalhamento . . . 15
2.14 Espetros biparamétrios, TOFe telesópio . . . 16
3.1 SimulaçãoAlvo Gasoso . . . 20
3.2 Produçãode
7
Be . . . 213.3 Desenho solenóide GEANT4 . . . 22
3.4 Componentes doampo magnétio . . . 23
3.5 Perl do feixe durantea foalização . . . 24
3.6 Simulaçãodafoalizaçãodofeixe . . . 24
3.7 Perl do feixe desloado . . . 25
3.8 Posição e divergênia da imagem . . . 26
3.9 Sistemade deteção. . . 27
3.10 Comparaçãode espetro monoparamétrio . . . 28
3.11 Comparaçãode espetros bi-paramétrios. . . 29
3.12 Distribuiçãoangularem geant4 . . . 30
4.1 Espetros bi-paramétriosTOF vs energia . . . 33
4.2 Comparaçãode espetros
∆
E
-E
R
. . . 334.3 Calibraçãodos detetores emNotre Dame . . . 34
4.5 Calibraçãodos dois telesópios . . . 35
4.6 Espetro onvoluionado . . . 36
5.1 Dispersão de uma ondaplana . . . 40
5.2 Desenho de reaçõesdiretas . . . 44
5.3 Funções de onda aopladas ao ontinuo . . . 47
5.4 Desenho dainteração nos álulosCDCC . . . 48
6.1 Potenial de Woods-Saxon . . . 51
6.2 Seçãode hoque do
7
Be om poteniaisde Woods-Saxon . . . 516.3 Seçãode hoque do
9
Be om poteniaisde Woods-Saxon . . . 526.4 Seçãode hoque do
10
Be om poteniaisde Woods-Saxon . . . 536.5
σ
R
v.s.ℓ
emisótoposde berílio . . . 546.6 Potenial doublefolding . . . 55
6.7 Densidades 2pF dos isótoposde berílio . . . 56
6.8 Potenial de São Paulo emisótopos de berílio . . . 57
6.9 Resultados doálulo CDCC do
7
Be . . . 606.10 Potenial de polarização(TLP)
7
Be +12
C . . . 616.11 Resultados doálulo CDCC do
8
B . . . 626.12 Potenial de polarização(TLP)
8
B +12
C . . . 626.13 Cáluloteório dobreak-up. . . 63
6.14 Resultados doálulo CDCC do
9
Be . . . 646.15 Potenial de polarização(TLP)
9
Be +12
C . . . 656.16 Resultados doálulo CDCC do
10
Be . . . 666.17 Esquema de níveis para
10
Be . . . 676.18 Cálulode anais aopladopara o
10
Be . . . 676.19 Seçãode reação isótoposde berílio . . . 68
6.20 Seçãode hoque reduzida . . . 71
4.1 Calibraçãodos detetores. . . 35
4.2 Seções para
7
Be,9
Be e10
Be . . . 386.1 Poteniaisótios tipo Woods-Saxon . . . 54
6.2 Modelo ótio om o potenialde São Paulo . . . 58
6.3 Parâmetros seção universal de reação . . . 73
Nesse trabalho medimos e analisamos distribuições angulares do espalhamento elástio
para os isótopos
7
Be,
9
Be e
10
Be em alvo de
12
C. A distribuição do
7
Be foi medida a uma
energia de 18.8 MeV, em dois laboratórios, om o sistema TWINSOL, na Universidade de
Notre Dame,eom o sistemaRIBRAS, naUniversidade de São Paulo, ondefoi ompletada
a distribuição angular. As distribuições para o
9
Be e
10
Be foram medidas ompletamente
no sistema RIBRAS, em energias de 26.0 e 23.2 MeV, respetivamente. Cada uma dessas
distribuições angulares foi analisada onsiderando o modelo ótio e também o formalismo
dos anais aoplados. Testamos múltiplos poteniais ótios em ada distribuição, om a
nalidade de desrever a seção de hoque elástia de ada sistema. Para os sistemas que
envolvemnúleos fraamenteligados (
7
Be,
9
Be e
8
B) foramfeitosálulos om aoplamento
doontínuo(CDCC), enquanto que parao núleo
10
Be, que éfortementeligado,aoplamos
odois primeirosestadosligados. Também,apartirdaanálisede adauma dasdistribuições
elástias,foipossívelobteraseçãototalde reação,quefoiomparadasistematiamenteom
outros núleos leves espalhados em arbono.
Dessa análise foi possível onluir que o anal do break-up Coulombiano, nesses sistemas
leves, não é fortemente inuente na seção de hoque total de reação, o que implia que a
In thepresentwork, wemeasuredelastisatteringangulardistributionsfortheisotopes
7
Be,9
Beand
10
Beon
12
Ctarget. Theangulardistributionof
7
Beat18.8MeV,wasmeasured
intwolaboratories,withtheTWINSOLsystem,inNotreDameUniversity,andtheRIBRAS
system,inSãoPaulo University,wherethe angulardistributionwasompleted. Theangular
distribution for
9
Be and
10
Be isotopes was measured ompletely in the RIBRAS system
at 26.0 and 23.2 MeV, respetively. All angular distributions were analized onsidering
optialmodel andoupledhannelformalism. Wetestedmultipleoptialpotentialsoneah
distribution to desribe the elasti ross setion for these systems. For the weakly bound
projetiles(
7
Be,
9
Beand
8
B)alulationswithontinuousoupling(CDCC)wereperformed,
while for the
10
Be nuleus, whih is tightly bound nuleus, we oupled the rst two bound
states. We alsoperformeda systemati analysis of the total reationross setionobtained
fromelasti sattering distribution of several light partileson
12
C.
Fromthisanalysis,weonludedthattheCoulombbreak-uphannel,intheselightsystems,
does not have a strong inuene on the total reation ross setion, what implies that the
Introdução
Um dos temas que tem despertado um forte interesse nafísia nulear nos dias de hoje
éo estudodas propriedadesdos núleos levesrios emprótonsounêutrons, ouseja,núleos
queestãoforadovaledeestabilidade. Partiularmente,ummaiorinteresseestávoltadopara
osnúleoslevesinstáveisque estão perto das linhas do limitede estabilidade daemissão de
partíulas (drip line na Fig. 1.1 ). Alguns desses núleos possuem propriedades diferentes dos núleos estáveis, fazendo om quesejamdenominadosexótios. Foinos núleosexótios
Figura 1.1: Parte da tabela dos isótopos que ontém núleos leves. Os núleos instáveis
leves enontram-se perto das linhas de evaporaçãode partíulas.
que novas estruturas nuleares e efeitos omo o halo ou skin de núleons apareeram. Na
atualidade,foramsintetizadosemlaboratórioaproximadamente2000dessesnúleosinstáveis
dos6000queteoriamentepoderiamserproduzidos. Entretanto,existempouasinformações
de reação e até mesmo seus modos de deaimento. A maioria desses isótopos radiativos
têm tempos de vida muito pequenos (
.
10
−
2
s), inviabilizando que os utilizemos omo
alvos. Então, a formade estudá-los é riá-los emvoo, produzindo-osomo feixes radiativos
(RNB -Radioative Nulear Beams) que podem ser espalhados por algum alvo estável e
assim estudarmos as suas propriedades. Portanto, uma ferramenta bastante poderosa é
o espalhamento elástio desses núleos em alvos pesados e leves. A seção de hoque do
espalhamentoelástioébastantesensívelaopotenialdeinteraçãoentre aspartíulasalvoe
projétil,eàestruturainternadosnúleosenvolvidos. Apartirde umaanálisedadistribuição
angulardoespalhamentoelástiopodemos tambémobteraseção total de reaçãoeom isso
ter informaçõesespetrosópiasdesses núleos.
Osnúleosexótiossão,emgeral,desritosomoumaonguraçãodelusters departíulas.
Por exemplo, núleos omo
11
Be,
8
B e
6
He podem ser araterizados omo um aroço de
10
Be,7
Be e4
He, respetivamente, om um ou dois núleons de valênia, que formam uma
nuvem om uma longa distribuição espaial. Essa distribuição faz om que o tamanho
nal dessesnúleosseja maiordoque osorrespondentes isótoposestáveis, tendo,portanto,
sériasonsequêniasnosdiversosmeanismosdereações. Essaextensãoradialéhamadade
efeito halo ou núleon skin quando não é muito aentuada. Outra araterístia importante
desses núleos é que, pelo fato de serem fraamente ligados, o limiar de energia para o
deaimentode partíulasé muito próximodoestado fundamental. Nesse aso, quandoesses
núleossãoespalhadospeloalvo,sequebramomfailidade. Logo,ainteraçãodessesnúleos
om o núleo alvo favoree o aoplamento para os estados do ontínuo (break-up elástio).
Assim, ao estudar o espalhamento elástio desses núleos, é neessário levar em onta que
na interação do projétil om o alvo, existe a possibilidade de que a partíula projétil se
quebre (anal do break-up). Portanto, da análise do espalhamento elástio podemos obter
não apenas informações espetrosópias dos núleos envolvidos, mas também informações
dos meanismos de reação,omo o break-up, noaso dos núleos fraamenteligados. Existe
também indiaçõesdequeaseção de hoquede reaçãoreduzida emfunção daenergia,onde
osefeitos estátiosedinâmiossão isolados,sistemasomprojeteisfraamenteligadossigam
tendênias diferentes , quesistemas om projeteis fortemente ligados[1℄.
Na presente dissertação estudamos o espalhamentoelástio dos núleos radiativos
7
Be e
10
Be eo núleo estável
9
Be emalvo de arbono. O núleo de
7
fra-amente ligado(B.E.
= 1
.
59
MeV), enquanto o10
Be ério emnêutrons e fortemente ligado
(B.E.
= 6
.
81
MeV).O9
Be,apesarde serestável,éonsideradofraamenteligadojáquetem
energia de ligação B.E.
= 1
.
66
MeV. A ideia deste trabalho é desrever a interação desses projéteis om o alvo de12
C, que é um alvo leve, o que possibilita que a força nulear entre
os íons interagentes desempenhe um papel mais importante que a força Coulombiana. A
mde alançaropresentepropósito,forammedidasasdiferentesdistribuiçõesangularesem
energias aimada barreiraCoulombiana. O sistema
7
Be +
12
C, om uma energia inidente
do projétil de 18.8 MeV, foi medido iniialmente om o sistema TWINSOL, na
Universi-dade de Notre Dame,e posteriormentenosistema RIBRAS, daUniversidade de São Paulo,
onde foi ompletada a distribuição angular, na mesma energia. A distribuição angular de
10
Be+12
CfoimedidaompletamentenosistemaRIBRAS,naenergiade23.2MeV.Durante
oexperimentodo
10
Be foipossívelobtertambémalguns dadospara osistema
9
Be +
12
C, já
que o
9
Be era um dos ontaminantes dofeixe de
10
Be, assim, juntamente om alguns dados
daliteratura, onstruiu-se a distribuiçãoangular naenergia de 26.0 MeV.
Estudamosadaumadasdistribuiçõesangularesonsiderandoomodeloótioeomo
forma-lismodosanaisaoplados,oqualnosforneeuimportantesinformaçõessobreosmeanismos
de reação nesses sistemas. Igualmente, foram omparadas a distribuiçõesdesses sistemas a
m de observar ainuênia que tem a estrutura interna de ada um dos isótopos de berílio
sobre a seçãototal de reação.
Comoapoiodaparteexperimentaldopresentetrabalho,foi testadoopaotede ferramentas
de simulação GEANT4. Com o GEANT4 simulamos o sistema RIBRAS em três etapas:
produção, foalização e deteção. Nessas simulações estudamos diferentes problemas
ex-perimentais, tais omo: o efeito da temperatura no alvo primário na produção dos feixes
radiativose asonsequeniais de pequenos desloamentosdoalvoprimário napuriação e
foalizaçãodofeixe seundário. O objetivodessas simulações é de testar esse tipo de
ferra-mentapara planejar melhorasnaparte experimentale inlusivepara ser usadas naredução
dosdadosexperimentais. Aimplementaçãodessasimulaçãoserápartiularmenteimportante
Parte Experimental
A parte experimental do presente trabalho foi desenvolvida em dois laboratórios,
Ins-titute for Nulear Struture and Nulear Astrophysis (ISNAP) e Laboratório
Pelletron. Oprimeiro,está loalizadonadaUniversidade de Notre Dame[2℄,nos Estados
Unidos,eosegundonoInstitutodeFísiadaUniversidadedeSãoPaulo. Osdoislaboratórios
ontamomaeleradoreseletrostátiostipoTandemesistemasdeproduçãoepuriaçãode
feixes radiativosem voo. No ISNAP o dito sistema é hamado de TWINSOL [3℄, enquanto
queemSão Paulo onta-se omo RIBRAS[4℄. Ambossistemastem araterístiasténias
semelhantes que serão omentadas mais adiante.
O objetivo dessa dissertação é a análise do proesso de espalhamento elástio dos feixes
radiativos
7
Be e
10
Be e do feixe estável
9
Be, os três em alvo de arbono. As medidas da
distribuiçãoangularom ofeixe de
7
Be foramfeitasnos dois laboratórios,enquantoquea a
distribuição angulardo
9
Be e
10
Be forammedidas ompletamenteno Laboratório Pelletron
de São Paulo.
Ofunionamentodesses laboratóriospara a produçãode feixesradiativospode ser dividida
em quatro partes prinipais: fonte de íons do feixe primário, aelerador, sistema de
produ-ção e puriação do feixe radiativoe âmara de espalhamento. Os feixes primáriosestáveis
são produzidos na fonte de íons e injetados no aelerador, logo, as partíulas estáveis são
aeleradas eespalhadas num alvo de produção, riando,emvoo, feixesradiativos. Com um
sistema magnétioltramosas partíulas de interesse quese espalham noalvoseundário e
assim estudamos reações nuleares om feixes instáveis. Pode-se representar essa sequênia
om o digramade bloos daFig. 2.1. Ofunionamentodos laboratóriosjá foiamplamente disutido emoutrostrabalhos omo osdas Refs.[5,6,7℄,porém aseguir apresentamosuma
Figura2.1: Diagrama de bloos que representa a parte experimental dotrabalho.
2.1 Fonte de Íons
A fontede íons éum sistemaomposto porum reservatório de ésio,átodo, ionizadores
eextrator. Oreservatóriode ésio éaqueidoaté aevaporação,fazendo omparte dovapor
de ésioseondensenasuperfíiedoátodo. Algunsíons de Cs
+
sãoseparados dasuperfíie
do átodo pelos ionizadores, o que deixa partíulas do material do átodo om um elétron
amais para que,posteriormente, essas partíulasarregadas negativamentesejamextraídas
da fonte. Na Fig. 2.2 podemos ver uma fotograa da fonte e um diagrama esquemátio
(a) Fotograadafonte deíons (b) Esquemadofunionamentodafontedeíons
do seu funionamento. Dependendo do materialdo átodoa eiênia de extração dofeixe
podevariar. Muitas vezes usamosoutroselementosomoouro eprata,quefunionamomo
failitadoresdaextração. Paraopresentetrabalhousamosátodosde
6
LiOH+Aue
11
B
2
O3
+ Ag, para obtermos os feixes primários de
6
Li e
11
B respetivamente, que serão utilizados
para produzirmos os feixesseundários
7
Be e
10
Be.
2.2 Aelerador
Após a extração, o feixe primário é pré-aelerado e injetado no aelerador. Ambos
ae-leradores são do tipo Tandem, sendo que o de Notre Dame tem um potenial terminal de
9MV, enquantooPelletronpossui8MV. Esses aeleradorestem umfunionamentosimilar
à máquina de Van der Graaf. As diferenças de potenial são riadas por uma orrente que
transporta arga auma superfíieondutora. As orrentes são onstituídasde anéis
metáli-osomnúleodenylon(pellets),oqualpartiularmentefazqueaveloidadedomovimento
daorrentesejaelevada eportanto,atensão noterminalémaioremomparaçãoom oque
se pode obter de um aelerador Vander Graaf. Os aeleradores om esse tipo de orrentes
sãohamadosPelletron. NaFig.2.3(a) podemosverumafotograadaorrentemenionada.
(a) Fotograa da orrente do
Pelletron
(b) Esquemadosistemadeargapositivanoterminal
Figura2.3: O sistemade arga doPelletron (imagensretiradasdaRef. [8℄).
Osistemadeargaelétrianoterminalonsisteemfazergiraraorrenteomumdispositivo
inverso,eassimoterminalaarregadopositivamente. Oampoeletrostátiogeradoentre
Figura2.4: Esquema geral doaelerador.
oterminaleo terrafaz om quetodas aspartíulas arregadasnegativamente, quesaem da
fontedeíons,seaeleremomdireçãoaoterminal,obtendoumaenergiainétiadaprimeira
aeleração:
E
1
=
E
i
+
eV
ter
,
onde
E
i
é a energia inétia das partíulas ao sair da fonte de íons,e
é a arga do elétrone
V
ter
é o potenial entre o terminal e o terra. Na Fig. 2.4 podemos ver o esquema geral doaelerador. Noentrodoterminal,as partíulasaeleradas atravessam umana folhadearbono (
∼
10
µ
g/m2
) que retira elétronsda amada de valênia das partíulas, troando
a arga negativa para uma arga
+
q
positiva. O estado de arga nal da partíula é dada por uma distribuição de probabilidade que depende prinipalmente da energia inétia dapartíula. ComoexemplomostramosnaFig.2.5 asdistribuiçõesdosestadosdeargaparao
11
B emfunçãodaenergia. Depoisdatroade arga,osíonssão repelidospelaargapositiva
doterminal,e sofrem uma segunda aeleraçãoom um ganhode energia
E
2
=
qV
ter
.
Finalmente, aenergia de aeleração total será
E
total
=
E
1
+
E
2
=
E
i
+ (1 +
q
)
eV
ter
,
(2.1)na prátia,
E
i
∼
10
−
3
eV
Figura2.5: Distribuição de estado de arga doboro, gura retiradadaRef. [9℄.
portanto,o
6
Litinha uma energiatotal:
E
total
≃
(1 + 3)(
7 MeV) =
28MeV . No aso do11
B
o estado de arga mais provável depoisde passar pelafolha de arbono om 7 MeV é
q
= 4
(verFig. 2.5), logo, aenergia total era:E
total
≃
(1 + 4)(
7 MeV) =
35MeV.2.3 Produção e Filtragem dos Feixes Radioativos
Os feixes primários de
6
Li e
11
B são então direionados para o alvo de produção do
sistemaRIBRAS (TWINSOL). Esse sistemaproduz efoalizafeixes radiativosemvoo,tais
omo o
7
Be e
10
Be. Na Fig. 2.6 podemos ver as partes prinipais do sistema. Os feixes
Figura2.6: Desenho do RIBRAS(TWINSOL) (gura retiradadaRef. [10℄).
são seleionados pelos ampos magnétios dos solenóides superondutores e foalizados na
âmara de espalhamento. O sistema pode trabalhar om um ou dois solenóides, aso se
utilizesó um, afoalizaçãosefazna âmarade espalhamento1 eom osdois, a foalização
é na âmara 2. A seguir desreveremos om um pouo mais de detalhes esses proessos de
seleção efoalização.
2.3.1 Alvo de Produção
Para produzirmos feixes om elementos radiativos devemos inidir o feixe primário num
alvo de produção. Esse alvo de produção pode ser gasoso ou sólido (na forma de uma
folha na). O alvo gasoso é omposto por um ilindro de 3.6 m de omprimento, 1 m
de raio interno e em ada extremo uma folha de havar, a m de onter o gás dentro do
ilindro(verFig. 2.7 ). Ali,o feixeprimárioinidesobre algumelementoemestadogasoso, produzindo múltiplos radioisótopos em voo por reações de transferênia de um ou vários
núleonsentre projétilealvo. Aintensidadeomqueseproduzemosradioisótoposdepende
das propriedades da interação entre o feixe primário e o alvo. Algumas reações são mais
prováveis que outras, razão pela qual devemos esolher uidadosamente a ombinação de
feixe primário e o material do alvo. Devemos ter em onta três parâmetros prinipais na
hora de esolher essa ombinação:
A reação: A reação nulear entre feixe primário e alvo deve ter uma boa probabilidade
de aonteer. Para as energias disponíveis noPelletron e emNotre Dame,reações de
transferênia são as mais indiadas.
Intensidade do feixe: O uxo de partíulas inidentes no alvo deve ser relativamente
grande. Para opresentetrabalhoesse valorfoidaordemde entenasde nanoAmpère.
Para 200 nA de
6
Li onúmerode partíulas primáriasé
200
nA3
×
10
−
19
C=
200
×
10
−
9
C/s
3
×
10
−
19
C∼
6
×
10
11
part/s.
Espessura do alvo: Dado queo número de partíulas no alvo
N
∝
ρδx,
suientemente no para que essas partíulas não sejam demasiadamente degradadas
em energia. Para as energias disponíveis, uma espessura do alvo de produção entre 1
e2 mg/m
2
éideal para a produção dos feixes radiativos.
Figura2.7: Alvode produção. Se oalvoforgasoso háduas janelasde havar,esefor sólido,
é troadaa janelaposteriorde havarpor uma folhade
9
Be (alvo sólido).
No presente experimento, para produzirmos os feixes de
7
Be e
10
Be utilizamos as reações
3
He(
6
Li,
7
Be)
e9
Be(
11
B,
10
Be
)
respetivamente. Portanto, os alvos de produção foram gás de3
He e uma folha de
9
Be. Quando utilizamoso alvo gasoso, o
3
He oupa a parte interna
doalvo(assimomo sugereaFig.2.7)aumapressão
P
= 1
atm. Para evitar vazamentos e permitirapassagemdofeixe,háduasjanelasdehavaromumaespessurade2µ
m. Algumasvezeséneessáriofazerirularogáspormeiode umsistemadebombeamentoexternopara
manter pressão etemperaturaonstantes, já quea densidade depende dessas grandezas,
ρ
=
P M
m
RT
,
(2.2)om
M
m
a massa molar do gás eR
a onstante universal dos gases. O alvo tambémpode ser sólido, nesse aso é preisotroar a janelaposterior de havarpelo próprioalvo,e assim,o gás interno que irula ajuda na refrigeração do alvo. No presente aso foi utilizado um
alvode
9
Be om espessurade 12
µ
m.2.3.2 Filtragem e Foalização om Solenóides
Como jámenionamos,noalvode produçãoaonteemvárias reaçõesnuleares quetêm
te-as partíulas ontaminantes. No sistema RIBRAS e TWINSOL (ver Fig. 2.6) essa tarefa é feitaomamposeletromagnétioseomalgunsbloqueadoreseolimadores. Esses sistemas
usamamposmagnétiosdedoissolenóidessuperondutores quedesviamefoalizamofeixe
seundário. Quando as partíulas entram no ampo magnétio do solenóide, são afetadas
pelaforça de Lorentz
−
→
F
=
eq
(
−
→
v
×
−
→
B
)
,
(2.3)fazendo om que os isótopos entrem em trajetórias helioidais, assim omo se ilustra na
Figura 2.8: Movimento helioidal das partíulas arregadas no ampo magnétio do
sole-nóide.
Fig. 2.8 . As partíulas no ampo magnétio tem diferentes trajetórias dependendo da rigidez magnétia
Bρ
=
mv
q
=
√
2
mE
q
,
(2.4)om
E
aenergiada partíula,m
a massa eq
o estadode arga. Oampomagnétio de umsolenóidenitoalémdeseleionarosfeixes,tambémtemapropriedadedefoalizar,devidoa
existêniada omponentedoampotransversal,
B
r
[11℄. Cada partíula, segundo seu valorde
Bρ
, vai se foalizar num ponto ao longo do eixo longitudinal,portanto, a magnitude doampodeveser ajustadaatéonentrarmosofeixedeinteressenofoo
f
. Aspartíulasomoutrospontosfoais(diferente
Bρ
)devemserabsorvidasnos bloqueadoreseolimadoresqueoloquemos no aminho. Na Fig. 2.9 podemos ver um desenho esquematizado do que foi dito. Pode aonteer de termosvárias partíulas om ombinação de arga massa e energia
queforneçamdomesmovalorde
Bρ
. Nesseaso,osegundosolenóidepodeajudarapuriarofeixe. Comdoissolenóidespodemosoperar-losemmodoparaleloouanti-paralelo,talomo
Figura 2.9: Foalização do feixe radiativo. Ofeixe om rigidez magnétia
Bρ
é foalizadoe aspartíulas om rigidez magnétia maiorou menorsão bloqueados noaminho.
Figura 2.10: Modos de operação dos dois solenóides. Com o modoanti-paraleloé possível
utilizar vários olimadores e o modo paralelo é usado para foalizar partíulas om uma
rigidez magnétiamaior.
foalizar na âmara de espalhamento. Quando os ampos são paralelosé possível foalizar
partíulasomgranderigidezmagnétiaeexluirtodasasoutrasquetiveremmenorrigidez.
Cada solenóide se omporta omo uma lentedelgada om distâniafoal
f
, logo, podemosalularessa distâniaemtermos de magnitudes físias:
1
f
1
s
=
B
2
z
L
om
L
o omprimentodo solenóide. Com dois solenóides o foo será1
f
2
s
=
L
64
16
S
2
2
+ 4
L
2
S
1
S
2
3
+
L
2
S
1
3
S
2
(4
−
LDS
2
2
) + 4
S
1
2
(4 +
LDS
2
2
)
,
(2.6)onde
S
i
=
B
z
(
Bρ
)
i
e
D
a distâniaentre os solenóides. Osdetalhes dos álulos podem servistosnoApêndie1. Devido aque amaginitudedo ampomagnétio dependeda orrente
no solenóide, é neessário ahar um valor de orrente que maximize o feixe de interesse, e
aomesmo tempo, minimizeosontaminantes. Para obtermos os valores de orrenteo mais
próximos possíveis dessa ondição, simulamos numeriamente as trajetórias das partíulas
no ampo magnétio, utilizando, por exemplo, os ódigos LISE++ [12℄ ou GEANT4 [13℄.
A partir do valor simulado, variamos a orrente entre mais ou menos dois Ampères, om
a nalidade de enontrar a máxima produção. Por exemplo, na produção do
10
Be, onde
usamosapenasum solenóide,aorrentequemaximizouaproduçãofoi
I
=
28.2 A,talomo se vê na Fig. 2.11 . As equações (2.5) e (2.6) têm grande utilidade quando queremos um0 0.4 0.8 1.2 1.6
27.2 27.6 28 28.4 28.8 29.2 29.6
Pro
dução
I
[A℄Produção do
10
Be
Figura2.11: Variaçãodaorrenteparaobter aproduçãomáxima,aorrente quemaximiza
orresponde a
I
=
28.2 A. A urva orresponde a uma interpolação dos dados que serve para guiar olhos.valoraproximado daorrente, já que adistâniafoalé xa e
B
z
≈
kI
,ondeI
é a orrente dosolenóide ek
umaonstante intrínseado solenóide. No RIBRAS, om ofunionamentopor:
I
≃
7
.
12
s
AE
q
2
,
(2.7)sendo
A
onúmerode núleonsdapartíula,E
aenergiaemMeV eI
aorrenteemAmpère.Na Fig. 2.12 podemos ver que a aproximação da eq. (2.7) ajusta os valores experimentais das orrentes de foalização de múltiplos feixes (
6
He,7
Be,8
Li,8
B e10
Be) produzidos no
sistema RIBRAS para outros trabalhos [7, 14, 15, 16℄.
10 15 20 25 30 35 40 45
2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6
I
[A℄
q
AE
q
2
[(MeV)1
/
2
℄ dados experimentais
eq. (2.7)
Figura2.12: Comparação entre a eq. (2.7) eas orrentes de foalizaçãode múltiplos feixes obtidosno sistema RIBRAS.
2.4 Câmara de Espalhamento
O sistemaRIBRAS(TWINSOL) ontaom duas âmarasde espalhamento,uma
loali-zadaentreosdoissolenóideseaoutra,apósosdoissolenóides,assimomomostraodesenho
da Fig. 2.6 . Os prinipaisomponentes da âmara de espalhamento para a realização das medidas são: os alvos seundários e o sistema de deteção. Os alvos loalizam-se na parte
entral da âmara e estão xos num dispositivo ajustável vertialmente. A ideia é fazer
oinidir um dos alvos om a linha do feixe. Esse dispositivo permite ainda que se troque
o alvo sem a neessidade de abrir a âmara. Na presente experiênia foramutilizadosalvos
de
12
Com uma espessurade 1.05 mg/m
2
e de
197
Auom uma espessura de 5.29 mg/m
2
.
O alvo de
197
Fig. 2.13 podemos ver um desenho esquemátio da âmarade espalhamento. Osistema de
Figura 2.13: Esquema da âmara de espalhamento. O feixe seundário é foalizado sob o
alvoe os produtos da reação são detetados emdistintosângulos. O alvo pode ser troado
movendo vertialmenteo porta alvos.
deteção éum onjunto dedetetores de partíulas arregadasdotipobarreira de superfíie
[17℄,situadosnaparteposteriordosalvos,eemdiferentes ângulos. Osdetetoresde barreira
de superfíie são feitosde materialsemiondutor(silíio). Assim, quandoaspartíulas
inte-ragemom esse material,égeradoum ertonúmerode pares elétrons-burao que éanálogo
à arga nos eletrodos do detetor. A arga total produzida por uma partíulaom energia
E
, éQ
=
nE
w
,
onde
n
é o número de elétron-burao gerados ew
a energia média para exitar um elétronaté a banda de ondução. Cada pulso de arga ao ser analisado representa uma ontagem
dodetetor num anal, queé proporionalà energiadapartíula. Partíulas diferentes om
a mesma energia podem produzir ontagens no mesmo anal, logo, em experimentos omo
este, ondetemosmúltiplosprodutos de reação,éneessárioidentiarossinais deada tipo
de partíula. No presente trabalho usou-se dois métodos: separação em tempo de voo e o
uso de telesópio (sanduíhe de dois detetores).
daspartíulas éobtidoentãoomosendointervalode tempode umpulsodofeixeprimárioe
osinaldotempodaspartíulasdetetadaspelosdetetores. Otempodevooestárelaionado
om a massa de ada partíula, portanto, é possível identiar as partíulas utilizando-se
uma ombinação dos sinais de TOF e energia, omo se vê no espetro biparamétrio da
Fig. 2.14(a) . O outro método de separação e identiação das partíulas é o utilizado no
(a) Separaçãoportempodevoo (b)Separaçãoomtelesópio
Figura 2.14: Espetros biparamétrios. (a), separação em tempo de voo. (b), telesópio (
∆
E
-E
)sistemaRIBRAS. Trata-sede um sanduíhe de dois detetores de barreirade superfíie, um
à frente do outro, onde o detetor frontal tem uma espessura de 20
µ
me é suientementeno para que as partíulas o atravessem, enquanto o outro detetor, om uma espessura
de 1000
µ
m, é grosso o bastante para frear totalmente as partíulas. No detetor no aspartíulasnãoperdemtodasuaenergia,sóumafração
∆
E
quepodeserdesritapelafórmula de Bethe-Bloh[17℄,−
dE
dx
=
k
1
AZ
2
E
ln
k
2
E
A
,
ouaproximadamente∆
E
∝
AZ
2
E
,
(2.8)om
k
1
ek
2
onstantes,A
número de núleons do projétil,Z
o número de prótons eE
é aSimulação do Sistema RIBRAS om
GEANT4
Conformemenionamosanteriormente,simularatrajetóriadaspartíulasnoampo
mag-nétiodossolenóidesébastanteinteressanteparaquepossamostornarmaiseienteo
proe-dimentode otimizaçãodofeixe seundário,aindamaisselevarmosemontaqueossistemas
RIBRAS e TWINSOL são sistemas om ongurações bastante versáteis. Dependendo das
araterístiasequalidadesdesejadaspara ofeixe seundáriopodemosposiionaros
bloque-adoreseolimadoresemdiversasposiçõese/oualterarsuasdimensões,alémdapossibilidade
de utilizar degradadores om diferentes espessuras. Logo, para planejar melhor um
deter-minadoexperimento, seria bastante interessante sepudéssemos ontar om uma simulação,
onde onseguíssemos estudar e otimizar as diferentes araterístias do sistema RIBRAS
para produzirmos um determinadofeixe seundário. Atéo momento, temos usado um
pro-grama (apresentado na Ref. [10℄) om o qual podemos alular as trajetórias das diversas
partíulas eassim termosuma ideiade onde seria omelhorposiionamentodos olimadores
e bloqueadores, mas seu uso é ainda limitado apenas a essa tarefa. No presente trabalho,
desenvolvemos simulaçõesum pouomais elaboradas,utilizandoopaote GEANT4 [13℄. O
GEANT4 é um onjunto de ferramentas de simulação dainteraçãoradiação-matéria,
base-ado nométodode MonteCarlo, eesrito emlinguagem de programação C++. Esse paote
ontem múltiplas rotinas prontas de simulação de proessos físios, mas a diuldade está
justamente em esolher orretamente as diferentes funções disponíveis. GEANT4 é
ampla-menteusado em ampos omo: físiade altas energias, físiamédia, radioproteçãoe físia
nulear apliada. Nonosso aso, esse programa será de grandeutilidadepara quepossamos
osexperimentos.
O GEANT4 será então utilizado nessa dissertação para simular o sistema RIBRAS em
três seções: alvo de produção, foalização om os solenoides superondutores e deteção
na âmarade espalhamento. Algumas das presentes simulaçõesserviram de apoiona parte
experimental,enquantoqueoutrasserãoúteisparaoplanejamentodospróximosprojetosdo
RIBRAS, quando omeçarmosautilizar asegunda âmarade espalhamentoeo alvo gasoso
refrigerado.
3.1 Alvo de Produção
Umalvode produção bastanteusado noRIBRAS é oalvogasoso de
3
He. Usamos esse alvo
paraproduzirfeixesde
8
Be
7
Beomasreaçõesdetransferênia
3
He(6
Li,8
B)e3
He(6
Li,7
Be),respetivamente. Simulamos esse alvo de produção onsiderando que ele seja dado por um
ilindro de aço om raioexterno de 1.5m e interno 1.0m, onde as duas extremidades do
ilindro(janelas)sãotampadasomfolhasdehavar de2
µ
mdeespessura. Dentrodoilindroonsideramosum gás de
3
He a umapressão de 1 atm, iniialmenteatemperaturaambiente
(
T
= 300
o
K). Asimulaçãoorrespondeinidirmos
N
partíulas de6
Li(feixeprimário)sobre
o alvo e ontar na saída um número
n
de partíulas de7
Be produzidas, dependendo da
energia do
6
Li e da temperatura do gás. Na Fig. 3.1 podemos ver o desenho do alvo, as linhas azuis orrespondem ao feixe de
6
Li, enquanto que as linhas verdes dentro do alvo
são ionizações no gás. O no feixe de
6
Li inide sobre o alvo gasoso produzindo múltiplas
ionizações e reações nuleares, na saída do alvo vemos o feixe om uma maior divergênia
angular.
A interaçãodo
6
Li om omaterial doalvo depende daseção de hoquetotal
σ
T
=
σ
R
+
σ
E
,
(3.1)ompostapelaseçãodehoqueelástia,
σ
E
,easeçãode hoquedereação,σ
R
. Aquitodasas possíveis reações nuleares dosistema6
Li +3
He, diferentes doanal elástio, são denidas
pela seção de hoque de reação. Para reproduzir essas reações nuleares na simulação,
adotamos a seção de hoque de reação dada modelo de Tripathi[18℄,
σ
R
=
πr
0
2
A
1
p
/
3
+
A
1
/
3
t
+
δ
E
2
1
−
R
B
V
B
E
cm
Figura3.1: Desenho do alvo gasoso nasimulação.
onde
A
p
eA
t
sãoonúmerodenúleonsdeprojétilealvorespetivamente,δ
E
éumadistania entre assuperfíies dosnúleos(efeito supeial),R
B
eV
B
são oraioebarreirade Coulomb,E
cm
a energia doprojétil emsistema entro de massa eX
m
é um fatormultipliativoparabaixas energias, ajustado sistematiamente a dados experimentais. Esse modelo supõe os
núleosomodisosde raio
A
i
,omumaertapenetrabilidadeentre eles,oquepode geraratransferêniade núleonsentreoalvoeprojétil. Assim, omessemodelopodemosdesrever
aproximadamentealgumasdasreaçõesnulearesdiretas. Umadeessasreaçõesquequeremos
simular é ade pik-up de próton
3
He+
6
Li
−→
2
H
+
7
Be
,
ondeo
6
Liaptura um prótondo
3
He,tornando-seem
7
Be. Nasimulaçãoestamos
interessa-dosem onheerataxade produçãode
7
Beparadiferentesenergiasdoprojétileospossíveis
efeitos naproduçãovariandoatemperaturadoalvo. Sendo
N
onúmerode partíulasde6
Li
sobre o alvo e
n
o número partíulas de7
Be produzidas, denimos uma grandeza hamada
razão da produção que orresponde aofator
n/N
. NaFig. 3.2(a) apresentamos a produção do7
Be em função da energia do
6
Li, onde, a pressão e temperatura do gás foram
lidade de produzir
7
Be é baixa, quase omo se o alvo fosse transparente para as partíulas
que o atravessam. Portanto, a temperatura ambiente e om uma pressão de gás de 1 atm,
obtemosumaboataxadeproduçãode
7
Bequando oprojétil(
6
Li)temumaenergiainétia
entre 10e60MeV.Nessa gura,o resultadoéomparadoom álulosde matrizR,obtidos
na Ref.[19℄ que também presentam uma tendênia similar à simulação. Por outro lado, se
0 1 2 3
0 20 40 60 80 100 120 140
Razão da pro dução [
10
−
5
℄E
[MeV℄3
He(6
Li,7
Be) SimulaçãoRef.[19℄
(a) Emfunçãodaenergia
2 3 4 5 6 7 8
50 100 150 200 250 300 350
Razão da pro dução [
10
−
5
℄T
[o
K℄3
He(6
Li,7
Be) AlvoRefrigerado Simulação(b)Emfunçãodatemperatura
Figura 3.2: Produção de
7
Be em função da energia e a temperatura. A urva verde foi
obtidados dados daRef.[19℄, enquantoque aslinhas azuissão interpolaçõesdos dadospara
guiar osolhos.
diminuirmos a temperatura do gás, a densidade aumenta, e onsequentemente, a seção de
hoque entre alvo e projétil também. Mantendo a energia do
6
Li onstante em 24 MeV e
pressãoem1atm, variamosatemperaturadogásdesdeatemperaturadenitrogêniolíquido
(
∼
77
o
K) até
320
o
K. Como resultado, vemos na Fig. 3.2(b) que a taxa de produção au-menta ao diminuir a temperatura, e de maneira mais pronuniada a partir de
170
o
K. A
produçãoom umatemperaturade nitrogêniolíquidoaumentou quase 4vezes em
ompara-ção à temperaturaambiente. Podemos onluirom isso, que seria interessante refrigerar o
alvogasoso, am de aumentara taxa de produção dos feixes de interesse.
3.2 Solenoide Superondutor
No sistema RIBRAS a seleção e foalização dos feixes de interesse se faz om os ampos
rigi-feixes om um determinadovalor
Bρ
num ponto foalf
, depoisdo solenoide,omo se fosseuma lente ótia. A Fig. 3.3 mostraomo as partíulas arregadas se desviam pela ação do
Figura 3.3: Desenho dosolenóide que foalizaas partíulas de interesse.
ampomagnétio e posteriormente são foalizadas.
O solenóide foi simulado omo um ilindro de aço om raio externo de 50 m, o interno de
19meomprimentode 100 m. No entrodosolenóide estáa bobinasuperondutoraom
raiode 15me omprimento de 68m, ela é aque produz oampomagnétio que foaliza
as partíulas. Para simular o ampo magnétio do solenoide utilizamos à aproximação de
lente delgada [11℄, tendo emonta que o solenóide é nito e existe uma omponente radial
do ampo, que na prátia é a que foaliza as partíulas. Na Fig. 3.4 temos um gráo da intensidade das omponentes do ampo magnétio, radial
B
r
e longitudinalB
z
, a longo do eixo dofeixe (z
). Oampo longitudinal semantem quase ontante dentro do omprimentodabobina(linhaspontilhadas)eaifortementeforadela. Porsuavez, aomponenteradialé
máximanas bordasdabobinaeomsentido opostojáqueoampoentraesaipelasbordas.
No entro da bobina o ampo é só longitudinal e de maior intensidade. A intensidade do
ampomagnétio dependediretamentedaorrente quepassapelabobina. Comono
experi-mento,a orrentedosolenóideévariadaatéaharmosum valorquemaximizaaintensidade
-1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5
-100 -50 0 50 100
B
[T
esla℄
z
[m℄B
z
B
r
Figura 3.4: Componentes do ampo magnétio fora do eixo de simetria a uma orrente
I
=
28A.regiãotransversaldoalvo. AFig.3.5 mostramosumasequêniadeimagensdoperldofeixe de
10
Be nofoo(alvoseundário)para diferentes valoresde orrentes. NaFig.3.5() vemos o perl do feixe foalizado, sendo que o diâmetro obtido, de 8 mm, é omparável om o
valor experimental [14℄, de 7 mm. A Fig. 3.6(a) mostra o omportamento do valor RMS (raíz quadrátia média) da imagem do feixe quando se faz uma varredura na orrente. O
valor RMS é mínimo quando o feixe está foalizado, a orrente nesse ponto hama-se de
orrente defoalização. Esseé oproedimentoque normalmenteadotamosnoiniio deuma
determinada experiênia, variamos a orrente entre mais ou menos dois Ampère do valor
alulado om um programa mais simples, até enontrarmos um máximo de intensidade do
feixe de interesse, ou equivalentemente, que minimize o RMS do perl do feixe no alvo de
produção. Comose viunaseção2.3.2, aorrentede foalizaçãodepende dovalordarigidez magnétia do feixe de interesse foalizado, assim, simulamos a foalização de vários feixes
om diferentes energiasam de obrir um amplointervalode
Bρ
. NaFig. 3.6(b) podemos ver o resultado da simulação (a linha). Sabemos que a orrente de foalizaçãodevedepen-der linearmenteda rigidez magnétia, assim que oresultado dasimulação foi ajustado pelo
métododos mínimos quadrados à reta
I
=
k
1
s
AE
(a) Perldofeixe
10
Beomorrentedosolenóide
I
=
27.0A(b) Perldofeixe
10
Beomorrentedosolenóide
I
=
27.5A() Perl dofeixe
10
Be foalizado omorrente
dosolenóide
I
=
28.2AFigura 3.5: Perl dofeixe numa sequêniapara ahar aorrente de foalização.
0 2 4 6 8 10 12
26.8 27.2 27.6 28 28.4 28.8 29.2
RMS
do
feixe
[mm℄
Corrente[A℄ foalização
Simulação
(a) ValorRMSdoperldofeixeemfunçãodaorrente
10 15 20 25 30 35 40 45
2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6
I
[A℄
q
AE
q
2
[(MeV)1
/
2
℄ dados experimentais
simulação
(b) Corrente defoalizaçãoem funçãoda rigidez
mag-nétia.
Figura3.6: Simulaçãoda foalização dos feixes om um só solenoide.
onde osparâmetros minimizados foram
k
1
=
7.28(16) AAeq.3.3 nosproporionaumvaloraproximado daorrentede foalizaçãoexperimentalsem aneessidade de rodar programas externospara obter o mesmoresultado. Essa sistemátia
também pode se apliar para o segundo solenoide, mas tendo em onta que os oeientes
k
1
ek
2
sãodiferentes, jáqueasdistâniasentre solenoidesepontode foalizaçãosão outras.Osistemaompostoporalvodeprodução,solenoideealvoseundáriodeveestaralinhado
já queum simplesdesloamentonoobjeto(alvo de produção)pode prejudiara foalização
do feixe. Simulamos esse efeito desloando o alvo de produção por
±
1
m na vertial. O resultadopodeser vistonaFig.3.7,ondetemosasrespetivasimagensdoperldofeixe. O desloamentonum eixo transversal (x
ouy
), produz um desloamentonos dois eixostrans-versais da imagem, só que, om maior intensidade no eixo perpendiular ao desloamento
do objeto. Por exemplo, se o alvo de produção é desloado em o eixo
y
, a imagem sedes-loa predominantemente no eixo
x
. Além do desloamento, a imagem perde foalização ea simetria que tinha om o sistema totalmente alinhado. Na Fig. 3.8 mostramos omo a
Figura3.7: Perl do feixe om desloamentodoalvo de produção noeixovertial.
posição daimageme adivergênia doperl do feixevariamom o desloamentodoalvode
produção. Sem desloamento, a posição do feixe no alvo seundário é exatamente o entro
geométriodoalvo. Aodesloarum pouooobjetonoeixo
y
,aposiçãodaimageméafetada-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20
-10 -5 0 5 10
P
osição
da
imagem
[mm℄
δy
[mm℄posição horizontal,
x
posiçãovertial,
y
(a) Posiçãodaimagememfunçãododesloamento
0 0.5 1 1.5 2
-10 -5 0 5 10
Div
ergênia
da
imagem
[mm℄
δy
[mm℄divergênia horizontal,
σ
x
divergêniavertial,σ
y
(b)Divergêniadaimagememfunçãododesloamento
Figura3.8: Posiçãoe divergênia daimagem emfunção dodesloamento.
inversão da imagem no eixo
y
. Por outro lado, a divergênia do perl dofeixe aumenta aodesloar o alvo de produção, e aontee quase na mesma magnitude sob os dois eixos. Isso
mostra que a imagem perde failmentefoalizaçãoom o desalinhamento do sistema.
Por-tanto,oalinhamentoneste tipode experimentos éprimordiale regularmentetodoosistema
é alibradootiamentepara xarada um dos omponentes.
3.3 Câmara de Espalhamento
O GEANT4 pode ser usado também para simular sistemas de deteção. No RIBRAS, o
sistema de deteção mais utilizado onsiste de vários detetores de silíio que durante a
experiêniasão posiionados emdiferentes ângulosaxiais. Esses detetoresestão ompostos
por um sanduíhe de dois detetores de silíio, tipo barreira de superfíie, tornando o que
hamamosdetelesópio
∆
E
-E
R
. Odetetorfrontaléhamado∆
E
edevesernoobastante para permitir a passagem das partíulas de interesse, enquanto o detetor posterior é umdetetorgrosso,denominado
E
,omespessurasuienteparaparartotalmenteaspartíulas.Para simularessesistemaesolhemosporsimpliidadeageometriadeuma semiesfera. Cada
um dos detetores são formados por seções simétrias de
1
o
axialmente. Assim, o sistema
ompleto de deteção resultaem 45detetores
∆
E
-E
,ada um om ângulosólido(∆Ω)i
=
A
i
R
2
=
2
πR
2
R
2
Z
θ
i
+1
θ
i
sin
θdθ
= 2
π
(cos
θ
i
−
cos
θ
i
+1
)
,
(3.4)onde
θ
i
é o ângulo axial entre 0 e45
o
entrodessaesfera está oalvoseundárioque éuma napelíulaomposta de um elemento
de interesse que em nosso aso é
197
Au ou
12
C. Assim, os feixes radioativossão espalhados
peloalvoseundárioeposteriormentedetetadospelostelesópios,
∆
E
-E
,num ânguloentreθ
i
eθ
i
+1
. Asdimensõesadotadasforam: 20µ
mparaodetetor∆
E
,1000µ
mparaodetetorE
e 1 mg/m2
para o alvo seundário. Na Fig. 3.9 podemos ver o desenho da âmara de
Figura3.9: Desenho do detetor
∆
E
-E
.espalhamento simulada, omposta pelo onjunto de detetores
∆
E
-E
e o alvo seundário. Na simulação, a perda de energia média das partíulas que atravessam o detetor∆
E
é alulada empassos disretos.dE
T
dx
=
X
i
dE
dx
i
,
ondetodosessesvaloresdestopping-power sãopré-alulados(apartirdetabelasoumodelos
analítios) durante a iniialização do programa e armazenados em tabelas de
dE/dx
. Porsuavez, asutuaçõesnaperdadeenergiasãoaluladasonformeaaproximaçãoGaussiana
dostraggling no modelode Bohr [20℄
σ
2
=
K
Z
p
β
2
f
1
−
β
2
2
,
(3.5)om
K
uma onstate própria do material,Z
p
a arga da partíula projétil,f
o fator dede um feixe monoenergétio não orresponde a um espetro puntual, mas sim a uma
dis-tribuiçãoom largura determinadapelas propriedades domateriale projétil. Para veriar
omo isso se daria, simulamos a alibração dos detetores
∆
E
-E
. Adotamos no entro da âmara uma fonte radioativa de241
Am, a qual emite partíulas
α
em ino energias, masdevido àresolução experimentaldos detetoresque normalmenteutilizamos,sóobservamos
umpio largoentradonumaenergiade 5.486MeV. AFig.3.10 mostraaomparaçãoentre osespetrosexperimentaiseasimulação. A simulaçãododetetor telesópiodesreve
satis-fatoriamente os resultados experimentais. O FWHM do pio orrespondente as ontagens
no detetor grosso,
E
, onorda om o experimental. No detetor no,∆
E
, a largura do espetronasimulaçãofoimenorqueopioexperimental(aproximadamenteametade). Essetipo de problema é omum nas simulações, já que experimentalmente temos outras fontes
de utuações em energia (estrutura interna do material, distribuição energétia do feixe,
et), que não são levadas em onta nasimulação. Normalmente, a eiênia nasimulação é
ajustada, dentro doódigo, a partirda alibração experimental dodetetor. [21℄.
A simulação do sistema de deteção foi partiularmente importante na produção do feixe
0 200 400 600 800 1000 1200
1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6
Con
tagens
∆E
[MeV℄ ExperimentalSimulado
(a) Espetrododetetor
∆
E
0 100 200 300 400 500
0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5
Con
tagens
E
R
[MeV℄ ExperimentalSimulado
(b)Espetrododetetor
E
Figura3.10: Comparação doespetros experimentaise simuladospara os detetores
∆
E
eE
radioativo
10
Be om a reação de transferênia
9
Be(
11
B,
10
Be). Essa reação de produção do
feixeradiativo
10
Beésóumdos possíveisprodutosdainteraçãodo
11
Bom
9
Be. Alémdesse
elemento, também são produzidas partíulas omo
7
Li,
6
Li e
4
He, que podem ter o mesmo
valor de
Bρ
eserem foalizadas junto aofeixe de interesse. O oktail de feixes que éAssim, os espetros obtidos no experimento ontém uma mistura de múltiplas partíulas
queéneessário identiar. Com assimulaçõespodemosontrolaressas múltiplasvariáveis,
separar ainformaçãoe ahar quais são as possíveis partíulas que estamosdetetando. Um
(a) Espetrobiparamétriosimulado (b) Espetrobi-paramétrioexperimental
Figura3.11: Comparaçãode espetros bi-paramétriosexperimentaisesimulados das
múl-tiplas partíulas foalizadasnaprodução de
10
Be.
exemplo de um espetro experimental
∆
E
-E
obtido durante a produção do10
Be, pode ser
visto naFig. 3.11(b). Como podemosver, iniialmentenão é fáilidentiar aspartíulas, mas, om ainformaçãodos possíveis produtosdareação
11
B +9
Be eom o valorde rigidez
magnétia da foalização, obtém-se o resultado dasimulação(Fig. 3.11(a) ) naqual onhe-emos laramente aspartíulas envolvidas noproesso. Aomparação desses dois espetros
permite quepossamos identiar aspartíulas produzidas experimentalmente. Semduvida,
este tipode simulaçõeséuma forteferramentaduranteoexperimento,ondeéneessário ser
o mais preisoe rápido possível.
Para que possamos ainda veriar os modelos físiosque estão inluídosnas funções de
GEANT4 para produzir reações nuleares em baixas energias, tentamos reproduzir uma
se-ção de hoque angular elástia entre o feixe radioativo e o alvo seundário. A prinípio,
o espalhamento de
7
Be em ouro, em baixas energias, é mais provável ser Rutherford,
por-tanto,omissopodemosorroborar seasimulaçãoforneeadistribuição angular
σ
Ruth.. Na
Fig.3.12 podemosverqueGEANT4 reproduzbastantebemoespalhamentoRutherfordem ângulosdianteiros. Emângulostraseiroshápequenadisrepâniaentreasimulaçãoeovalor
10
1
10
2
10
3
10
4
10
5
5 10 15 20 25 30 35 40 45
d
σ
/d
Ω
[barn℄
θ
.m. [deg℄Rutherford
Simulação
Experimental
Figura 3.12: Distribuição angular simulada doespalhamentoelástio do feixe
7
Be em alvo
de
197
Au. Osdados experimentais foramobtidosdos runs om alvo de ouro utilizadospara
a normalização.
do potenial nulear, mas, a absorção dos outros anais de reação foi muito intensa. Isso
aontee porque as seções de hoque elástia e de reação que atualmentesão determinadas
dentrodo GEANT4 estão optimizadas para reações aaltas e medias energias( desde
algu-mas dezenas de MeV pornúleon). Para ofuturo,estamosplanejandofazerum estudopara
viabilizar o uso de GEANT4 em reações de baixas energias, desenvolvendo uma rotina que
alulea seção de hoque de espalhamentoelástio ede reação a partirdo potenialde São
Redução dos Dados
Os dados brutos obtidos nossas medidas orrespondem às informações dos sinais dos
detetores
∆
E
-E
e TOF×
E
, para os experimentos realizados om o RIBRAS, em São Paulo, e TWINSOL, em Notre Dame, respetivamente. Os dados brutos são obtidos noformato evento por evento e preisam então ser manipulados adequadamente para obter
a informação dos eventos histogramados em tempo ou energia. A histogramação é feita
durante aadquisição, noreorrer doexperimento,e tambémdurante aanálise dos dados, a
posteriori,utilizandoo programa sanroot [23℄ e opaote UPAK de adquisição eanálise de
dados do ORNL [24℄. Após a histogramação e onstrução dos espetros é preiso alibrar
os espetros em energia, e posteriormente, alular as seções de hoque experimentais. A
seguir, desreveremos o trabalhofeitoem adauma das etapas.
4.1 Identiação das Partíulas
Como já disutimos nos apítulos anteriores, os feixes de interesse são ltrados e
foaliza-dos om um sistema de solenoides superondutores. Ao foalizar uma partíula om uma
determinada rigidez magnétia (
Bρ
), outras partíulas om o mesmoBρ
, provenientes daprodução, também são foalizadas junto om a partíula de interesse. Logo, nos espetros
experimentais, é neessário identiar ada um desses projéteis que são detetados. O
pri-meiropassoéonheerosprinipaisanaisdesaídadareaçãodeprodução(alvodeprodução
+feixeprimário)eapartirdarigidezmagnétia paraaqualsefeza otimizaçãodaorrente
do solenóide, alula-se a energia de ada uma das partíulas foalizadas, posto que todas
(
Bρ
)f
, aenergia de outra partíulafoalizadaéE
i
= (
Bρ
)
2
f
q
2
i
2
A
i
,
(4.1)onde o subíndie
i
india uma determinada partíula. Assim, onheendo aos prinipaisfeixes ontaminantes riados no alvo de produção, e a energia om que estão hegando no
alvoseundário, zemos simulaçõespara inferir a posição das partíulas nos espetros. No
presente trabalho, dois tipos de espetros biparamétrios foram analisados, tempo de voo
vs energia total e
∆
E
vs energia residual. O espetro TOF×
E
orresponde aos dados obtidosna Universidade de Notre Dame, já queesse laboratóriopossui um sistema de feixepulsado. Na Fig. 4.1(a) podemos ver um desses espetros experimentais; o espetro tem uma periodiidade equivalente a 120 anais, razão pela qual vemos repetições da área da
mesma partíula em diferentes tempos de voo. Experimentalmente, a esala do tempo de
voo éinvertida porque os sinais de start e stop foramtroados um pelo outro. Isso foi feito
porque ofeixe primárioé muito mais intenso que qualquer outro feixe produzido,portanto,
o sinal de start era dado pelas partíulas dofeixe seundário. Assim, as partíulas situadas
nummaioranal,temmenortempodevooevie-versa. Poroutrolado,tendoonheimento
das possíveis partíulas foalizadas e sua energia, zemos uma simulação om o GEANT4
dadeteção daspartíulas omseurespetivotempode vooeenergia. AFig.4.1(b) mostra o espetro biparamétrio obtido na simulação. As partíulas de
8
B são as mais energétias
e estão noextremo direitodo espetro,o
7
Be hega nodetetor depoisom uma energiade
19 MeV e outras partíulas omo
6
Li e
4
He são detetadas om menor energia,sendo o
6
Li
espalhado elastiamenteo últimoa hegar aodetetor.
O outro tipo de espetro biparamétrio que utilizamos é o
∆
E
-E
R
, o qual onsiste do sinal de perda de energiaproveniente do detetor no dotelesópio,∆
E
, enquanto queE
R
éaenergiaresidualobtidaomodetetormais grossodotelesópio. Aperdade energianosdetetoresdeumadeterminadapartíuladependeprinipalmentedaenergiatotal,donúmero
(a)Espetroexperimental. Aesaladotempodevoo
estáinvertida.
(b) Espetro simulado. A esalado tempo não está
invertida.
Figura4.1: Espetros biparamétriosde tempo de voo vs energia total.
(a) Espetroexperimental (b)Espetrosimulado
Figura 4.2: Comparaçãode espetros bi-paramétriosde detetor telesópio
4.2 Calibração dos Espetros
NasmedidasrealizadasnaUniversidadedeNotreDameutilizamos4detetorestipobarreira
de superfíie, de silíio, om espessuras em torno de 1000
µ
m. Esses detetores forneiamentão apenas o sinal de energia
E
. Para alibrarmos emenergia esses espetros, utilizamosuma fontede partíulas alfade
228
Th, que nos forneia alfasem 5energias diferentes, entre
5e10MeV.Esses detetorestinhamboaresoluçãoefoipossívelsepararos5piosdas alfas.
energias maiores de 10 MeV, utilizamos os feixes de
7
Be e
8
B espalhados no alvo de ouro.
A Fig. 4.3 mostra o ajuste linear para a alibração dos dois detetores mais dianteiros, da forma
E
[
MeV] =
a
×
anal+
b,
onde
a
eb
foramos fatores doajusteque estão na Tabela4.1.5 10 15 20 25 30
100 200 300 400 500
Energia [Me V℄ Canal Fonte
α
Detetor C(a) CalibraçãododetetorC
5 10 15 20 25 30
100 200 300 400 500
Energia [Me V℄ Canal Fonte
α
DetetorD(b)CalibraçãododetetorD
Figura 4.3: Calibração de dois dos detetores usados em Notre Dame. Os dados aima de
10MeVorrespondemàspartíulas
7
Bee
8
B.Oerrodosdadosorrespondeaodesviopadrão
doajuste Gaussiano de ada pio.
5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
800 1000 1200 1400 1600 1800
Energia [Me V℄ Canal Detetor
E1
DetetorE2
(a) Calibraçãodosdetetorestipo
E
4 5 6 7 8 9 10 11
600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000
Energia [Me V℄ Canal Detetor
∆E1
Detetor∆E2
(b) Calibraçãodosdetetorestipo
∆
E
Figura4.4: Calibraçãodos dois telesópios nasmedidasde
7
Be+
12
C. Osdados
orrespon-dem àspartíulas de
4
He,
6
Li e
7
Be,espalhadas em alvode ouro para diferentes ângulos. O
erro dos dados orresponde ao desvio padrãodo ajusteGaussiano de ada pio.
Posteriormente, para ompletar a distribuição angular do
7
0 4 8 12 16 20
0 400 800 1200 1600 2000
Energia [Me V℄ Canal Fonte
α
DetetorE1
DetetorE2
(a) Calibraçãodosdetetorestipo
E
0 2 4 6 8 10 12
0 400 800 1200 1600 2000
Energia [Me V℄ Canal Fonte
α
Detetor∆E1
Detetor∆E2
(b) Calibraçãodosdetetorestipo
∆
E
Figura 4.5: Calibração dos dois telesópios nas medidas de
10
Be +
12
C. Os pontos
expe-rimentais aima de 10 MeV, no detetor
E
R
, e 4 MeV no detetor∆
E
orrespondem aos feixes,4
He,7
Li,9
Be e10
Be, espalhados no alvo de ouro. O erro dos dados orresponde ao
desvio padrão doajusteGaussiano de ada pio.
detetoresdebarreiradesuperfíieformandoumtelesópio
∆
E
-E
R
. Paraaalibraçãodesses detetoresusamossomenteaspartíulasespalhadasemalvode ouroparadiferentesângulos:4
He,6
Lie7
Be. NaFig.4.4 podemosveroajustelinear,ondeosparâmetrosajustadosestão naTabela4.1. Finalmente, paraas medidasdofeixe de
10
Be, usamos osmesmosdetetores
telesópio das medidas om
7
Be. Nessa experienia utilizamosuma fonte de partíulas alfa
de
241
Am, mas devido à resolução, somente é possível distinguir um pio largo (25% de
resolução) entrado em 5.49 MeV. Para alibrar na região de energias maiores, usamos as
partíulas espalhadas em alvo de ouro:
4
He,7
Li,9
Be e10
Be. O ajuste linear pode ser visto
naFig. 4.5. Essas alibraçõessão de grandeajudanaidentiaçãodas partíulas emasos
Experiênia
∆
E
1
E
1
∆
E
2
E
2
7
Be +12
C
a
-6
.
01(5)
×
10
−
2
-
5
.
96(4)
×
10
−
2
Notre Dame
b
-−
1
.
85(8)
-−
1
.
77(8)
7
Be +12
C
a
3
.
83(5)
×
10
−
3
8
.
70(12)
×
10
−
3
4
.
76(9)
×
10
−
3
9
.
46(15)
×
10
−
3
Pelletron
b
−
1
.
83(6)
−
1
.
25(17)
−
1
.
91(9)
−
2
.
09(21)
10
Be +
12
C
a
6
.
54(11)
×
10
−
3
8
.
71(15)
×
10
−
3
5
.
98(17)
×
10
−
3
9
.
98(11)
×
10
−
3
Pelletron
b
0
.
12(8)
0
.
34(11)
0
.
12(13)
−
0
.
46(9)
Tabela4.1: Parâmetros ajustados nas alibrações dos detetores.
de baixa estatístia, posto que na maioria dos asos as ontagens podem se onfundir om