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Osteomielite esclerosante de Garrè: relato de caso.

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Academic year: 2017

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rev bras ortop.2014;49(4):401–404

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Relato

de

Caso

Osteomielite

esclerosante

de

Garrè:

relato

de

caso

Frederico

Barra

de

Moraes

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,

Tainá

Melo

Vieira

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Alessandra

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Fernanda

de

Oliveira

César

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Siderlei

de

Souza

Carneiro

b

aDepartamentodeOrtopediaeTraumatologiadaFaculdadedeMedicinadaUniversidadeFederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil bServic¸odeAnatomiaPatológicadaFaculdadedeMedicinadaUniversidadeFederaldeGoiás,Goiânia,GO,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem22deabrilde2013 Aceitoem12dejulhode2013

On-lineem28defevereirode2014

Palavras-chave:

Osteomielite/diagnóstico Osteomielite/cirurgia Osteomielite/terapia

r

e

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u

m

o

RelatarumcasorarodeosteomieliteesclerosantedeGarrè.Pacientefeminino,54anos, comhistóriadetratamentodelúpuscomcorticoidehavia20anoseosteoporose,emuso dealendronatohaviacincoanos.Apresentavaedemaelimitac¸ãodojoelhoesquerdohavia umano,derrameleve,doràpalpac¸ãometafisária,afebril,bomestadogeral,semsecrec¸ão local.Imagensdojoelhoevidenciaramosteólisetrabeculardametáfisedistaldofêmure reac¸ãoperiostealnasduastíbiasproximaisenosdoisfêmuresdistais,compatíveiscom osteomielitecrônica,debaixavirulênciaeprogressãolenta.HipersinalemT2nofêmur etíbiaà ressonância.Curetagemdofêmur distalesquerdo,comsaídadesecrec¸ão,mas culturanegativa.Biópsiaevidenciouinfecc¸ãoeinflamac¸ãocrônica,fibrose,reac¸ão xanto-granulomatosaefocosdesupurac¸ão.Feitaantibioticoterapiaporseismeses.Etiologianão esclarecida,suspeitadeinfecc¸ãobacteriana,masgeralmenteaculturaénegativa,processo crônicomantidoporinfecc¸ãodebaixavirulênciaoumesmoapósotratamento. Diagnósti-cosdiferenciais:displasiafibrosa,sífilis,pustulosepalmoplantar,retocolite,Crohn,Sapho (sinovite,acne,pustulose,hiperostose,osteíte)ePaget.Unifocais:osteomaosteoide,Ewing, osteossarcomaegranulomaeosinofílico.

©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Todososdireitosreservados.

Garré’s

sclerosing

osteomyelitis:

case

report

Keywords:

Osteomyelitis/diagnosis Osteomyelitis/surgery Osteomyelitis/therapy

a

b

s

t

r

a

c

t

TheaimwastoreportonararecaseofGarré’ssclerosingosteomyelitis.Thepatientwas a54-year-oldwomanwithahistoryoftreatmentforlupususingcorticoidsfor20years, andforosteoporosisusingalendronateforfiveyears.Shepresentededemaand develo-pedalimitationofleftkneemovementoneyearearlier,withmildeffusionandpainon metaphysealpalpation,butwithoutfever.Shewasinagoodgeneralstate,withoutlocal secretion.Imagesofherkneeshowedtrabecularosteolysisofthedistalmetaphysisofthe femurandaperiostealreactioninbothproximaltibiasandbothdistalfemurs, compati-blewithchronicosteomyelitisoflowvirulenceandslowprogression.Magneticresonance imagingshowedT2hypersignalinthefemurandtibia.Curettagewasperformedonthe

TrabalhorealizadonoDepartamentodeOrtopediaeTraumatologiadaFaculdadedeMedicina daUniversidadeFederaldeGoiás, Goiânia,GO,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](F.B.deMoraes).

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leftdistalfemur,withreleaseofsecretion,butthiswasnegativeonculturing.Abiopsy showedchronicinfectionandinflammation,fibrosis,xanthogranulomatousreactionand fociofsuppuration.Antibiotictherapywasadministeredforsixmonths.Theetiologywas notclarified:bacterialinfectionwassuspected,butculturingwasgenerallynegative.The chronicprocesswasmaintainedbylow-virulenceinfectionorevenaftertreatment.The dif-ferentialdiagnoseswerefibrousdysplasia,syphilis,pustulosispalmoplantaris,rectocolitis, Crohn’sdisease,SAPHO(synovitis,acne,pustulosis,hyperostosisandosteitis)andPaget’s disease.Theunifocaldiseaseswereosteoidosteoma,Ewing’sdisease,osteosarcomaand eosinophilicgranuloma.

©2014SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.Allrightsreserved.

Introduc¸ão

OsteomielitedeGarrèéumadoenc¸ainflamatóriararade cará-tercrônico,marcadaporreac¸ãoperiostealequeinduzuma neoformac¸ãoóssea.Acometeprincipalmentearegiãoda man-díbulae, em casos maisraros, pode localizar-se na região metafisáriadosossoslongos.Adoenc¸atambéméconhecida comoosteomieliteesclerosantedeGarrè(OEG),osteomielite crônicacomperiostiteproliferativa,osteomieliteesclerosante crônica,periostiteossificanteeosteomieliteesclerosante crô-nicanãosupurativa.1–3 Oquadroclínicoécaracterizadopor uminícioinsidiosocomdorlocalereac¸ãodoossoafetado.Os sintomastêmcaráterepisódico,nãoprogressivo,epodem per-sistirporváriosmeses.Emcontrapartida,otempodedurac¸ão daOEGémuitovariávelentreospacientes,quepodem apre-sentaradoenc¸aporváriosanos.Geralmente,afunc¸ãodoosso acometidoépreservadae,noperíodointercrises,amaioria dospacientesseencontrasaudável.4,5

Oobjetivodestetrabalhoérelatarumcasorarode osteo-mieliteesclerosantedeGarrè,noqualháacometimentodas regiõesproximaisdastíbiasedistaisdosfêmuresemuma pacientede54anos.

Relato

de

caso

Paciente dosexofeminino,54 anos, comhistória de trata-mentodelúpuscomcorticoide havia20anos.Apresentava osteoporosegrave,emusodealendronatohaviacincoanos. O quadroclínico específicovinha evoluindo havia um ano comdor,edemaelimitac¸ãocrônicadomovimentoem joe-lho esquerdo, que apresentava derrame articular leve, dor àpalpac¸ãometafisáriadofêmurdistal,afebril,bom estado geral,semvermelhidãoousaídadesecrec¸õesnolocal.

Foramfeitasradiografiasetomografiasdojoelhoesquerdo. Asimagensevidenciaramosteólisetrabeculardametáfise dis-tal do fêmur esquerdo ereac¸ão periosteal nas duas tíbias proximaisenosdoisfêmuresdistais,compatíveiscom oste-omielite crônica, de baixa virulência e progressão lenta (figs. 1A-C, 2 A-C e 3 A-B). O diagnóstico por imagem foi complementadopelaressonânciamagnética,queevidenciou hipersinalemT2tantonofêmurquantonatíbiaeindicoua OEG.

Foifeitotratamentocirúrgicocomcuretagemdofêmur dis-tal esquerdo. A punc¸ão articular dojoelho não evidenciou secrec¸ãopurulenta,mas ajanelaósseafeita cursoucom a

saídade secrec¸ão,porém aculturafoinegativa.Omaterial obtido da cirurgiafoi enviado parabiópsia, queevidenciou infecc¸ão einflamac¸ãocrônica marcadasporfibrose,reac¸ão xantogranulomatosa,focosdesupurac¸ão,ausênciadebacilos álcool-ácidoresistentes(BAAR),fungosousinaisde maligni-dade(fig.4).

Apacientefoisubmetidaaantibioticoterapiavenosacom oxacilina4g/diaeposteriormentecommedicac¸ãooralcom cefalexina2g/dia,porseismeses,commelhoriadoquadrode inflamac¸ãonojoelhoesquerdo.

Discussão

Carl Alois Philipp Garrè, cirurgião suíc¸o e bacteriologista, publicouem1893umartigoqueabordavaasmanifestac¸ões das osteomielites. Seu nome foi associado à doenc¸a, que passou a serconhecida como osteomielite esclerosante de Garrè,entretantonãofoioresponsávelpeladescric¸ãodela.1,2 Ele relatouuma formac¸ãoperiférica de osso reacional por causadairritac¸ãooudeinfecc¸õesleves,queresultamemum espessamentodoperiósteodeossoslongos.Aetiologiadessa doenc¸aaindanãoestátotalmenteesclarecida.Existesuspeita deinfecc¸ãobacteriana,masgeralmenteaculturaénegativa eoprocessocrônicopodesermantidoporinfecc¸ãodebaixa virulênciaoumesmoapósotratamentodainfecc¸ão.Casonão sejapossíveldetectarogermepormeiodacultura,oexame dereac¸ãoemcadeiadapolimerase(PCR)devesersolicitado.3 Uma reac¸ãoósseaesclerosante multifocalcom aspectos clínicos,radiológicosehistológicossemelhanteàOEGpode ser encontrada emvárias doenc¸as, como displasia fibrosa, sífilis, pustulosepalmoplantar,retocoliteulcerativa, doenc¸a de Crohn,síndromeSapho(sinovite, acne,pustulose, hipe-rostose,osteíte)edoenc¸adePaget.Aindacomodiagnóstico diferencial emcaso de reac¸ão óssea esclerosante unifocal, podem serincluídos osteoma osteoide,sarcoma de Ewing, osteossarcomaegranulomaeosinofílico.3,4

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Figura1–Aspectoradiográficodalesão.(A)Radiografiaemincidênciaanteroposteriorevidenciareac¸ãoperiostealnofêmur. (B)Radiografiaemperfilevidenciareac¸ãoperiostealnatíbia.(C)Radiografiaemperfildofêmurdistalpós-operatóriacom janelaósseaparadrenagem,curetagem,culturaebiópsia,evidenciaasváriascamadasdareac¸ãoperiosteal.

Figura2–Tomografiacomputadorizadadojoelhoesquerdo,janelaóssea,queevidenciaaosteólisetrabecularereac¸ão periosteal.Cortecoronal(A),sagital(B)eaxial(C).

e,juntas,ambasasdoenc¸asfavoreceramodesenvolvimento daosteomielitedeGarrè.

Asosteomielitescrônicasapresentambaixamortalidade, mas alta morbidade. Clinicamente, a fase crônica sempre éprecedida porumprocesso infeccioso agudo,com sinais flogísticos(dor,calor,rubor,tumor,deformidade,limitac¸ão). Contudo,empacientesdebilitadosporoutrasdoenc¸as,como éocasodapaciente,oquadroinicialpodesermascarado,o quefazcomqueodiagnósticosósejapossívelnafasecrônica.7

Comrelac¸ãoaodiagnósticoporimagem,Vasiletal.8 ava-liaram 121 pacientes entre 4 e 74 anos, com diagnóstico de osteomielite emmembros. O exame mais preciso foi a tomografiacomputadorizadaespiral,comacuráciade96,7%, sensibilidade de 99,1% e especificidade de 80%, enquanto que as radiografias apresentaram81,8, 84,9 e 60%, respec-tivamente. No início pode-se observarnas regiões lesadas umacombinac¸ãodeáreasescleróticascomáreascísticas,que vãogradualmentesendosubstituídasporáreasdeesclerose.

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Figura4–Estudohistológicodabiópsiaósseadofêmuresquerdo,emhematoxilina-eosina(A)e(B),infecc¸ãoeinflamac¸ão crônicamarcadasporfibrose,reac¸ãoxantogranulomatosa,focosdesupurac¸ão,indicativasdeOEG.

Duranteasexacerbac¸ões verificou-seaformac¸ãoósseapor reac¸ãodoperiósteo,tipocascadecebola.Portanto,adoenc¸a émarcadaporespessamentoeesclerosedoossoafetado.3,8

O tratamento cirúrgico associado à antibioticoterapia é amelhoropc¸ãopara asosteomielitescrônicas. A antibioti-coterapia isolada é ineficaz,independentemente da via de administrac¸ão,poisos“sequestrosósseos”,encontradosnas doenc¸ascrônicas,sãofragmentosósseosnecrosadose,assim sendo,nãoapresentamaportesanguíneoquepermitaa che-gadadoantibióticoaotecidoinfectado.3,7

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Referências

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