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Elevada porcentagem de blastocistose em escolares de São Paulo, SP.

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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 3 7 ( 4 ) :3 5 4 -3 5 6 , jul-ago, 2 0 0 4

Elevada porcentagem de blastocistose em escolares de São Paulo, SP

Blastocystosis: a high proportion of cases found in schoolchildren of

São Paulo, State of São Paulo, Brazil

Vicente Amato Neto

1

, Ruth Semira Rodríguez Alarcon¹, Erika Gakiya¹, Cláudio Santos Ferreira¹,

Rita Cristina Bezerra¹ e Alexsander Gonzaga dos Santos¹

RESUMO

Em e x a m e p a ra si to ló gi c o d e f e ze s d e 2 2 7 a lu n o s d e e sc o la p ú b li c a d e Sã o Pa u lo ( SP) , e n c o n tra m o s 8 7 ( 3 8 ,3 %) p o si ti va s p a ra B lastoc ystis hominis. A b la sto c i sto se a i n d a su sc i ta c o n tro vé rsi a s e i n d e f i n i ç õ e s, m e re c e d o ra s d e e sc la re c i m e n to s so b re tu d o p a ra e vi ta r c o n tra te m p o s n o â m b i to d a sa ú d e p ú b li c a e d a s a te n ç õ e s m é d i c o - a ssi ste n c i a i s.

Pal avr as-chave s: B lasto c ystis ho minis. Bla sto c i sto se . Esc o la re s. Sã o Pa u lo . Ele va d a p o rc e n ta ge m . Co n tro vé rsi a s e

i n d e f i n i ç õ e s.

ABSTRACT

As a p a rt o f m e d i c a l a ssi sta n c e a c ti vi ti e s, p a ra si to lo gi c a l e x a m i n a ti o n o f f e c a l sa m p le s f ro m 2 2 7 sc h o o l c h i ld re n f ro m a p u b li c i n sti tu ti o n o f Sã o Pa u lo ( SP) re ve a le d a ra th e r h i gh p ro p o rti o n o f re su lts p o si ti ve f o r B lastoc ystis hominis. Oth e r p ro to zo a n a n d wo rm sp e c i e s we re m a rk e d ly sc a rc e r, a p e c u li a r si tu a ti o n a c c o rd i n g to o u r ju d ge m e n t. It i s a c k n o wle d ge d th a t b la sto c ysto si s i s sti ll la rge ly a n i n d e f i n i te a n d c o n tro ve rsi a l su b je c t, wh i c h d e se rve s a d e q u a te a n a lysi s to a vo i d d ra wb a c k s i n th e sp h e re o f a c ti o n o f p u b li c h e a lth a n d ge n e ra l m e d i c a l a ssi sta n c e .

Ke y-words: B lastoc ystis hominis. Bla sto c ysto si s. Sc h o o l c h i ld re n . Sã o Pa u lo . Hi gh p e rc e n ta ge s. Co n tro ve rsy.

1 . Labo rató rio de Investigaç ão Médic a Parasito lo gia do Departamento de Mo léstias Infec c io sas e Parasitárias do Ho spital das Clínic as da Fac uldade de Medic ina da Universidade de São Paulo , São Paulo , SP.

En de r e ço par a cor r e spon dê n ci a: Pro f. Vic ente Amato Neto . Labo rató rio de Investigaç ão Médic a-Parasito lo gia/DMI/HC/FM/USP. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar 4 7 0 , 0 5 4 0 3 -0 0 0 São Paulo , SP.

Tel: 1 1 3 0 6 6 -7 0 4 2 , Fax: 1 1 3 0 8 1 -8 1 4 4 e-mail:amato net@ usp.br

Rebido para public aç ão em 8 /4 /2 0 0 4 Ac eito em 2 1 /5 /2 0 0 4

COMUNICAÇÃO/COMMUNICATION

Bla sto c ysti s h o m i n i s é pr o to zo ár io fr e q üe nte m e nte encontrado em exame parasitológico de fezes. Estão relacionadas com ele várias controvérsias e indefinições, sobretudo referentes à epidemiologia, à transmissão, aos aspec tos c línic os e à patogenic idade. Ac erc a do diagnóstic o também são vigentes algumas situações merecedoras de melhores posicionamentos e divulgação¹.

Ao realizarmos análise de fezes de crianças, em atividade a s s is te n c ia l, e n c o n tr a m o s e xpr e s s iva po r c e n ta ge m de positividades concernentes ao B. ho m inis e essa circunstância estimulou-nos a efetuar c omentários que têm nexo c om a participação plena de dúvidas de tal microrganismo.

Parec eu-nos importante abordar questões vinc uladas à blastoc istose porque é nec essário c onhec er partic ularidades

pr o vave lm e nte úte is par a e nte ndê - la m e lho r po r q uanto impõ e-se minimizar as inc ertezas existentes e auxiliar de forma c orreta tarefas diagnóstic as ou c línic o-terapêutic as.

Examinamos, desde 7 de outubro até 1 5 de dezembro de 2 0 0 3 , as fezes de 2 2 7 alunos da esc ola estadual “Oswaldo Valder”, situada no bairro denominado Boa Vista, que está localizado na periferia do Município de São Paulo. As idades variaram de seis a dez anos. O padrão de vida pôde ser qualificado como baixo.

As matérias fec ais foram c oloc adas em rec ipiente que faz parte do sistema “Coprotest”, c omerc ializado no B rasil.

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Amato - Neto V e t al

Os resultados, em números e porc entagens, enc ontram-se a ontram-seguir espec ific ados:

Bla sto c ysti s h o m i n i s ( 8 7 - 3 8 ,3 % ) ;

En ta m o e b a c o li ( 3 0 - 1 3 ,2 % )

En d o li m a x n a n a ( 2 2 - 9 ,7 % )

Gi a rd i a la m b li a ( 1 2 - 5 ,3 % ) ;

En ta m o e b a h i sto lyti c a ou dí spa r ( 6 - 2 ,6 % ) ;

Tri c h u ri s tri c h i u ra ( 3 - 1 ,3 % ) ;

Asc a ri s lu m b ri c o i d e s ( 2 - 0 ,9 % ) ;

Hym e n o le p i s n a n a ( 2 - 0 ,9 % ) ;

En te ro b i u s ve rm i c u la ri s ( 1 - 0 ,4 % ) .

Quanto ao B. ho m inis computamos alguns detalhamentos: positividade no direto - 75 ( 33%) ; no de Faust e cols - 48 ( 21,1%) ; no de Lutz - 74 ( 32,6%) . Ainda segundo as técnicas, o B. ho m inis

ficou revelado exclusivamente pelo direto 9 ( 3,9%) vezes, pelo de Faust e cols 3 ( 1,3%) e pelo de Lutz 7 ( 3,1 %) . Em 55 ( 22,2%) exames não detectamos associação do B. ho m inis com outros protozoários ou ovos de helmintos encontrados.

A porcentagem pertinente ao B. ho m inis compareceu de forma extremamente expressiva e predominante, suscitando especulações. As taxas de presenças de ovos de helmintos mostraram-se, ao contrário, surpreendentemente baixas se lembrarmos que as crianças residem em uma mesma região, evidentemente com condições sanitárias iguais, sem terem sido tratadas com anti-helmínticos mediante programas abrangentes e repetitivos.

Agim o s s o m e n te c o m o la b o r a to r is ta s e , e n tã o , n ã o c ontamos c om informaç ões de c aráter c línic o.

Blastocistose é ainda conceituada ou interpretada de maneiras heterogêneas ou inadequadas¹. Na imensa maioria de publicações que têm como autores profissionais respeitados o B. ho m inis

não é citado nas especificações de resultados obtidos em inquéritos e destinados a avaliar a presença de protozoários e helmintos em diferentes grupos de pessoas, representadas por crianças ou adultos3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 14. É provável que considerem-no comensal,

mas par ado xalme nte inc lue m o Ch i lo m a sti x m e sn i li , a

Endo lim a x na na , a Enta m o e ba co li e a Io da m o e ba bütschlii, sem dúvida, pelo menos presentemente, tidos como comensais. Ainda mais, nos títulos dos artigos e de tabelas que citam esses protozoários referem-se a parasitas intestinais3 4 7 9 11 13 14 15.

Determinados observadores, cremos, não sabem reconhecer e identificar o B. ho m inis ou, simplesmente, não concedem qualquer importância a ele, decidindo não mencioná-lo nos resultados dos exames. Em laboratório visitado por um de nós ( VAN) afirmaram que o encontro desse protozoário significa que as fezes são velhas e mal conservadas.

O diagnóstic o requer c onjec turas. O simples proc esso dir e to , e x e c uta do c o m s o luç õ e s s a lin a e de Lugo l, é prestimoso. Preparaç ões permanentes, exemplific adas pelas c o lo r aç õ es po r meio de hemato xilina fér r ic a, igualmente afiguram-se c onvenientes. Porém, água e diversas soluç ões lisam o protozoário, dec orrendo disso resultados falsos -negativos.

Mencionamos que água e soluções podem desintegrar o

B.ho m inis conturbando os diagnósticos por determinadas técnicas. Porém, no relato de resultados que obtivemos vê-se que os processos de Faust e cols e de Lutz evidenciaram bons desempenhos. Entretanto, possuímos adequada explicação. As fezes remetidas para análise foram coletadas em recipiente do sistema citado, que contém formol a 10% tamponado como conservante.

Não está categoricamente provado que o B. hom inis é comensal c omo admitem várias pessoas, inc lusive em tarefas médic o-assistenciais. Por outro lado, há os que consideram a possibilidade dele causar manifestações clínicas, sobretudo quando excluídos outros agentes tido como patogênicos. Outrossim, julgam que a quantidade encontrada influi, em especial nos indivíduos imunodeprimidos. Não se pode ainda apontar com segurança a maneira de quantificar, comumente derivada de simples exame microscópico. Conhecemos médicos que indicam tratamento se com aumento de quatrocentas vezes aparecem cinco ou mais exemplares por campo.

As c ontrovérsias e indefiniç ões que persistem a respeito da blastoc istose prec isam ser superadas. A parasitologistas, in fe c to lo gis ta s , ga s tr e n te r o lo gis ta s , e pide m io lo gis ta s e sanitaristas, por exemplo, c abe a tarefa de eluc idar as dúvidas ou, pelo menos, de atenuá-las, a fim de evitar c ontratempos n o â m b ito da s a úde p úb lic a e da s a te n ç õ e s m é dic o -assistenc iais3 9 1 6.

REFEÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 . Amato Neto V, Alarc ó n RSR, Gakiya E, B ezerra RC, Ferreira CS, B raz LMA. B lastoc istose: c ontrovérsias e indefiniç ões. Revista da Soc iedade B rasileira de Medic ina Tro pic al 3 6 :5 1 5 -5 1 7 , 2 0 0 3 .

2 . Amato Neto V, Corrêa LL. Exame parasitológic o das fezes. Sarvier, São Paulo, 1 9 9 1 .

3 . B ranc o Junio r HC, Ro drigues JC. Impo rtânc ia de aspec to s sanitário s e educ ac io nais na epidemio lo gia de entero parasito ses em ambientes rurais. Revista B rasileira de Análises Clínic as 3 1 :8 7 -9 0 , 1 9 9 9 .

4 . Ca n to s GA, Dutr a RL, Hils e n de ge r T, Guidis ARG. An á lis e q ua n to a o c o rrênc ia de parasitas intestinais em amo stras fec ais pro c essadas em um labo rató rio de Cric iúma-SC. NewsLab 5 6 :7 8 -8 6 , 2 0 0 3 .

5 . Co sta-Mac edo LM, Rey L. Frequenc y and prec o c ity o f human intestinal parasitism in a gro up o f infants fro m Rio de Janeiro , B razil. Revista do Instituto de Medic ina Tro pic al de São Paulo 3 9 :3 0 5 -3 0 6 , 1 9 9 7 .

6 . Ferreira CS, Ferreira MU, No gueira MR. The prevalenc e o f infec tio n by inte stinal par asite s in an ur b an slum in São Paulo , B r azil. Jo ur nal o f Tro pic al Medic ine and Hygiene 9 7 :1 2 1 -1 2 7 , 1 9 9 4 .

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9 . Ludwig KM, Fr e i F, Álvar e s Filho F, Rib e ir o -Pae s JT. Co r r e laç ão e ntr e c o ndiç õ es de saneamento básic o e parasito ses intestinais na po pulaç ão de Assis, Estado de São Paulo. Revista da Soc iedade B rasileira de Medic ina Tro pic al 3 2 :5 4 7 -5 5 5 , 1 9 9 9 .

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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 3 7 ( 4 ) : 3 5 4 -3 5 6 , jul-ago, 2 0 0 4

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Prefeitura Munic ipal de B elo Ho rizo nte, Minas Gerais. Revista de B io lo gia e Ciênc ias da Terra 1 :1 -1 1 , 2 0 0 1 .

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Referências

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