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Uso do computador em educação: um estudo do Projeto Ciranda

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(1)

USO DO C((» JMDF>UT AJD)((»]R

EM EDUCAÇÃO

(2)

\

C (Q)JM[]?UTAJD)OJR

]E1I))UCAÇÃO

r",

" ' , r J .I!

. ,

Martha Maria Serra Alves Pereira

Dissertação submetida como

requisito parcial para obtenção

. do grau de Mestre em Educação.

Rio de Janeiro Fundação Getúlio Vargas

Instituto de Estudos Avançados em Educação

Departamento de Administração de Sistemas Educacionais

(3)

-Nosso agradecimento a todos aqueles que contribuíram

para a realização deste trabalho. Gostaríamos, no entanto, de

destacar:

A EMBRATEL (Empresa Brasileira de Telecomunicações),

em particular os responsáveis pelo Projeto Ciranda, pela

oportu-nidade de participar deste projeto, assim como pelo fornecimento

das informações que nos foram necessárias.

o

Prof. Gaudencio Frigotto, pela disponibilidade,

incen-tivo. críticas e sugestões. que foram fundamentais durante todo

este período.

André. Fernando. Amaury e toda a família. pelo estímulo

. constante e apoio necessário durante este processo.

(4)

-SUMÁRIO·

I!I1rIlOJ)tJ~

---~---

~

1.

o

COMPUTAOOR E A EDtJCA~ --- 13

1.1 - O aspecto ético-filosófico --- 14

1.2 - O aspecto sócio-cultural--- 21

1.3 -A evolução do uso do computador em educação: tendências conflitantes --- 24

1.4 - Usos atuais do computador --- 35

1.5 -Alguns problemas em relação ao uso dos computadores --- 40

1.6 - Algumas perspectivas --- 42

1. 7 - Avaliações realizadas e algumas questões levantadas ---~---- 46

2. UMA EXPEmNCIA BRASILEIRA: O PROJETO CIRANDA --- 11)

2.1 - Breve histórico --- 51

2.2 - Descrição do Projeto ---.:.--- 52

2.3 - Informática e Educação --- 57

2.4 - Levantamentos da Comunidade --- 58

2.5 - A criança e o compu~dor: registro de uma experiência --- 73

2.6 - Desdobramento do projeto inicial --- 86

s.

UMA OUTRA EXPEmNCIA BRASILEIRA: O PROJETO EDtJCOM --- fi}

~. CONC~sJl()

---~---

~

() B R A S C O N S tJ L T A DAS ---

m

REFERÊNCIAS BmLI()GRÁFICAS --- 112

(;~~()

---~---

1l1J A N E X () S ---:---- 119

(5)

IV-o

surgimento do computador provocou uma série de

mudanças sócio-culturais. A educação não poderia ficar imune a

essas alterações. Várias experiências do seu uso em educação

surgiram, inicialmente em computadores de grande porte;

posteriormente, com o surgimento dos . microcomputadores, essas

experiências se multiplicaram. Como esse equipamento vem

sendo utilizado, avaliações já realizadas, alguns problemas

(6)

ABSTRACT

Some socio-cultural changes arose since the development of

computers. Education could not be set aside from these changes. Some

'

.

....

.

h

experiences using computers in education were developed, with

I;

li

mainframes at first and increasing in number when microcomputers

I~

...

r~

were introduced.

I~

I~

This work discusses how this technology is being implemented,

some evaluations already done, existing problems and future trends.

The main foeus centers on the "Projeto Ciranda", implemented by

Embratel.

An

educational approach is employed

to

discuss its

philosophy, objectives and the population involved.

,

.

. .

(7)

·;'

1

I-'.

As palavras ciência e tecnologia são expressões cada vez mais empregadas

no mundo de hoje. Encontramos diversas referências ao milagre da ciência ou às

ameaças da tecnologia. atribuindo a uma e a outra tanto as maravilhas do

progres-so quanto os tormentos da vida atual.

De um lado. adota-se uma perspectiva mágica diante das possibilidades da

pesquisa científica que seria capaz de abrir por si só a porta da riqueza. felicidade e

bem-estar dos homens. No outro extremo. atribuem-se aos resultados da

maquini-. zação todos os males que afligem o homem contemporàneomaquini-. Se enfocarmos apenas

o desenvolvinJ.ento da ciência. veremos que uma das consequências mais

impor-tantes desse progresso. a partir de 1800. na Europa Ocidental. foi a ampliação da

esperança de vida de 36 para 72 anos. O tempo destinado ao trabalho. que era de 100

mil horas para aquela vida de 36 anos. reduziu-se a 85 mil horas para os 72 anos de

vida alcançados em 1975. E mais espantosa ainda foi a alteração registrada na

duração do tempo livre: 25 mil horas em 1800 contra 135 mil horas em meados da

década passada. Não bastariam esses dados para se valODzar o desenvolvimento da

ciência. Nos séculos XVIII e XIX o proletariado. que pagou o preço mais alto pela

industrialização e urbanização. apenas no início voltou sua critica e revolta contra

as máquinas. Compreendeu. mais tarde. que o problema não era a ciência e a

máquina. mas sim o sistema político e econômico dominantes. O que desencadeou

o anticientificismo. principalmente depois de 1950. foi a impotência dos cientistas

para impedir a guerra e controlar a poluição. Diante de tal fato. a critica social

juntou em uma peça única o processo de riqueza e o da ciência. questionando os

excessos de racionalismo científico que levaram à construção de sociedades

tecnocráticas em detrimento da liberdade. da justiça e dos valores espirituais.

Acreditamos ser esse um processo falso. Consideramos que a questão não está em se

criticar o desenvolvimento científico e tecnológico. mas sim que existem outras

questões tais como o sistema político e econômico que extrapolam a tecnologia em

sI. A tecnologia em si não é a causa fundamental. ela é apenas o reflexo de uma certa

estrutura social e econômica.

O desenvolvimento da ciência e da tecnologia está ligado ao

desenvolvi-mento de uma classe determinada. cuja ideologia e o desejo de poder deram ao

(8)

meno tecnológico as formas que ele assume. Não foi a máquina a vapor que deu

origem ao capitalismo, mas foi o capitalismo que deu origem à máquina a vapor. (Gorz, 1982).

Por exemplo, a televisão como técnica poderia ser utllizada como um meio

de proletarização da cultura e deixar de ser um meio de opressão e de manipulação.

Não foi a revolução industrial que colocou no poder a burguesia, mas foi a

burguesia no poder que realizou a revolução industrial, segundo um modelo

con-forme aos seus interesses econõmicos.

As relações entre a tecnologia e a SOCiedade podem ser representadas por

um processo recíproco em que a primeira proporciona a força motriz da mudança

social, enquanto valores e instituições sociais e estIuturas políticas influem no

de-senvolvimento e na adaptação de novas tecnologias.

A facilitação do trabalho humano pela tecnologia, processo que começou

na pré-história, está entrando em um novo estágio. A aceleração da inovação

tec-nológica iniciada pela Revolução Industrial teve como resultado a diminuição da

força fisica do homem nas tarefas de produção. A mudança atual, da tecnologia

in-formacional, onde existe a expansão da capacidade de reunir e processar

infor-mação, aumenta a capacidade do cérebro humano. Sabemos que vartas

transfor-mações que foram provocadas em grande parte ~ela mecanização foram

acompa-nhadas de aspectos sociais que devem ser incluídos entre as causas de

transfor-mação, assim como entre seus efeitos.

Sabemos que as conexões entre educação e seu meio constituem uma rede

na qual as influências circulam em ambas as direções: educação modelando a

es-trutura social assim como sendo modelada pelas forças e condições sociais

exter-nas. Com isso, percebemos que a revolução tecnológica do computador já está

trazendo mudanças significativas e inovadoras tanto na educação em geral como,

especificamente. no processo ensino-a,rendizagem. Verificamos que a educação

não está res-trita às escolas formais. houve a introdução de um tipo de educação

pessoal, a criação de sistemas de auto-ensino e a educação criadora de conheci~

mento.

Remontando à história do uso de computadores em educação. verificamos

que durante os anos 60 houve, principalmente nos Estados Unidos, um

grandees-forço de utilizar na educação o potencial dos computadores. Argumenta-se que as

(9)

razões do seu insucesso foram devidas ao custo multo alto do equipamento e dos

programas educacionais. à resistência dos professores à nova tecnologia. à falta de

treinamento dos professores e. fundamentalmente. porque as escolas são

institu-ições soc1a1s conservadoras que não adotam novos métodos fac1lmente.

Com o aparecimento dos micro-computadores renasceu nos Estados

Uni-dos a idéia de se utilizar essas máquinas na revitalização do sistema educacional.

Alguns dos projetos daquela época estão sendo redesenhados para

micro-compu-tadores. Provavelmente terão um impacto mator do que o projeto Original. pois

cada vez mais estudantes têm acesso a micro-computadores.

Do ponto de vista pedagógico. uma classUkação importante no uso dos

computadores é a distinção que a literatura nos traz entre (ll!) o estudo da ciênda do

computador (aprendizagem sobre a máquina): e (2l!) a aprendizagem de um

deter-minado conteúdo através do computador: ensino assistido por computador (CAI.

CAL). Dessa classificação pode surgir uma terceira possibilidade. intermediária.

que é a capacidade de utilizar o computador. ter uma alfabetização em computação.

Essa definição varia desde se ter uma idéia sobre <> equipamento. poder manter uma

conversa inteligente (computer awareness). passando pela capacidade de utilizar

determinados programas aplicativos (computer literacy) até o domínio de

lingua-gens de programação. 1.e. a capacidade de programar o computador (computer

fluency).

Não analisamos o estudo da ciência da computação por considerarmo-la

bastante especifica e com características educacionais próprias a uma

especia-lização.

Na utilização do computador como um meio de ensino. o chamado Ensino

Assistido por Computador - CAI. a pessoa a ser treinada tem um papel bastante

passivo. se comparado com os outros usos do computador. uma vez que o

computa-dor é usado para fazer perguntas pré-determinadas. para verificar se a resposta do

aprendiz está correta e para escolher out!'a pergunta a partir da resposta dada.

En-tretanto. alguns autores argumentam que se a compararmos com a abordagem

tradicional de ensino (aula expositiva), o CAI é bem mais ativo. pois o aluno não

pode deixar de participar. de responder.

Teríamos como consequ ência dessa utilização a pOSSibilidade de

(10)

es-pecífico.

Patrtck Suppes (1968) dir1giu seus esforços para populações de educandos

que considerava terem maior necessidade de experiências de aprendizagem

individualizada e especializada (estudantes com baixo rendimento, aqueles com

algum retardo e os superdotados). Através do CAI teríamos também a possibUidade

de transmitir conteúdos tanto a populações das áreas mais distantes quanto ás

grandes cidades. Alguns educadores consideram a heterogeneidade da população

brasileira como um fator a ser considerado na utilização de sistemas de CAI.

Aler-tam que eles devem ser aplicados com base em estudos de planejamento

preli-minares de forma a constituir-se em um meio relevante na melhOria do processo de

ensino-aprendizagem, e não apenas um recurso a mais a ser empregado por pessoas

que talvez não tenham o conhecimento e treinamento necessários para fazer desta

utilização uma ferramenta eficaz.

Embora o CAI proponha o sistema de auto-ensino, com ênfase maior na

aprendizagem do aluno do que no ensino, alguns estudos mostraram que ele ainda

requer a presença do professor. Teríamos, sim, uma mudança no papel do

profes-sor; não mais necessitariam de muito tempo para a preparação de aulas e provas e

poderiam dedicar mais tempo ao atendimento individual dos estudantes.

o

terceiro contexto de utilização do computador prevê para as pessoas por

educar um comportamento mais dinâmico e uma interação mais profunda com a

máquina, visando o desenvolvimento das estruturas psicolõgicas de indagação.

Arthur Luehrmann (1984) defendeu a alfabetização em computação, que

significava permitir ao público um maior acesso tanto ao computador como uma

poderosa ferramenta quanto ãs habilidades necessárias ao seu contrõle

(progra-mação). Para ele este deveria ser um objetivo fundamental dos sistemas

educacionais: Dever-se-ia desenvolver nos estudantes as habilidades básicas que

eles necessitarão para ter sucesso nessa nova sociedade.

Seymour Papert (1980) desenvolveu trabalhos centrados no uso de

com-:-putadores e programação para crianças, criando novos tipos de ambiente de

apren-dizagem. Seu interesse fundamental consiste em promover o desenvolvimento da

inteligência humana, mais do que produzir programadores que terão lugar no

mercado de trabalho. Utilizou 6 modelo de Piaget em que ele afirma que as crianças

constroem suas próprias estruturas intelectuais. As crianças parecem ser

(11)

dizes inatos. adquirindo uma grande quantidade de conhecimento muito antes de

trem para a escola. através de um processo chamado aprendizagem Piagetiana ou

aprendizagem sem ser ensinada. (Papert. 1980)

Papert criou não apenas uma linguagem de computador. chamada LOGO.

mas criou também todo um ambiente propício à aprendizagem. Na minha visão.

quando a criança programa o computador ela adquire tanto o senso de domínio

so-bre a mais moderna e poderosa tecnologia. como também estabelece um íntimo

contato com algumas das mais profundas idéias da ciência. da matemática e da arte

de construção de modelos intelectuais. (Papert. 1980)

Tanto Luehrmann quanto Papert defenderam a idéia de educar pessoas

para controlar computadores mais do que ter pessoas sendo ensinadas pelos

com-putadores. Al~uns autores acreditam que a aprendizagem da programação seja um .

elemento eficiente para o desenvolvimento da capacidade de raciocínio formal. Na

medida em que se elabora um programa é necessário organização de pensamento

que permita prever os diversos caminhos por onde o computador passará. O

domínio d~ssa técnica seria potencialmente importante. pois permitiria a

trans-ferência dessa sistematização para outros campos de aprendizagem.

Com o advento dos microcomputadores é que esses experimentos tiveram

maior impacto na educação:

Este trabalho se propõe, sem a pretensão de esgotar o assunto. a verificar

como têm sido as utilizações do computador no processo ensino-aprendizagem,

as-sim como as possíveis divergências que decorrem do seu uso, seguido de uma

análi-se descritiva da população participante do Projeto Ciranda deanáli-senvolvido pela

Embratel.

Do ponto de vista metodológico, optei por delimitar a discussão da

utiliza-ção do computador no processo ensino-aprendizagem ás duas principais correntes

teoricamente distintas: uma, derivada de Skinner. que utiliza o computador como

uma ferramenta para se atingir um determinado fim

e

a outra, cujo principal

re-presentante seria Papert, que enfatiza o desenvolvimento do raciocínio lógiCO

. formal.

Essa delimitação, embora intencional, também se deve a uma

circunstân-cia particular no processo de elaboraçâo desta dissertaçâo. Essa parte do trabalho

(12)

Na segunda parte do trabalho. que se refere ao estudo de campo. parti de um

estudo no qual participei como bolsista assistente da Assessoria de

Desenvolvi-mento Empresarial. órgão este ligado à Vice-Presidência da Embratel. responsável

pela implantação do Projeto Ciranda. Esse projeto apresentava dentre seus

objeti-vos uma proposta educacional. Considerava que. por um lado. na medida em que as

pessoas estão expostas a essa nova tecnologia. aprendem a ut:1lfzâ-Ia e se adaptam a

uma nova cultura. Por outro lado. existia a proposta educacional mais específica

que se viabilizava através do desenvolvimento e de programas educativos para

serem utilizados pelas crianças. Poderíamos. portanto. situá-lo dentro da vertente

dos que defendem a utilização do computador para se at1ngjt um determinado fim.

Partindo de minha atuação no Projeto Ciranda como uma das

responsá-veis pelo desenvolvimento de programas educativos para as crianças participantes

da Rede Ciranda. e tendo acompanhado o processo de aplicação do questionário. e.

sabendo que esses dados coletadosnáo haviam recebido qualquer análise.

utilizei-os para fazer ·um levantamento descritivo de quem era essa população. Buscando

verificar aspectos mais subjetivos da relação criança-computador. optei por

acres-centar um estudo exploratório realizado com crianças. filhos de funcionários da

Embratel. visando avaliar o comportamento da criança frente ao computador em si

e com relação a determinados programas. pretendendo servir de subsídio para

ge-neralizações que atingissem as crianças participantes da Rede Ciranda.

A existência do questionário aplicado condensou dados empíricos que me

permitiram trabalhar algumas questões que podem cotejar as tendências

discutidas na revisão das diferentes perspectivas. mas. por outro lado. oferece os

limites de um instrumento não elaborado tendo como foco essa dissertação.

(13)

o

uso de computadores tem sido analisado de uma maneira geral através de dois enfoques: um poderia ser classificado como uma visão filosófica idealista: o

outro. poderíamos classificá-lo como uma visão pragmática.

No primeiro caso teríamos as posições colocadas por Weizenbaum. que

levanta questões amplas em relação aos computadores.

No segundo caso poderíamos enquadrar Luerhmann. que defende a

im-portância de uma iniciação sobre os computadores. uma vez que mais e mais estas

máquinas vão ocupando espaço na sociedade em geral.

Se restringirmos a nossa observação à maneira como os computadores

vem sendo utilizados em termos de educação. poderemos ver duas grandes

cor-rentes. Uma primeira. que procura utilizar o computador como uma ferramenta.

um meio de se alcançar determinado fim. Nessa categoria poderíamos colocar os

programas de CAI (instrução auxiliada por computador) e outros programas

aplica-tivos (tipo processamento de textos. banco de dados). Seria a educação pela

informâtica.

Numa segunda categoria estaria o ensino de linguagens de programação.

onde se defende a idéia de que na medida em que se tem que programar o

computa-dor. 1.e .. mandar a máquina realizar determinada tarefa. estar-se-ia trabalhando o

. raciocínio lógico formal. a busca de soluções de problemas. e entendendo seu

próprio processo intelectivo.

Temos como um dos representantes dessa corrente Papert. que trabalhou

principalmente com crianças em termos de aprendizagem de matemática.

Poderíamos dizer que essas duas tendências do uso de computadores na

educação se baseiam em duas correntes de teorias de aprendizagem. A primeira.

baseada em Skinner. onde o reforço é fator fundamental para a aprendizagem. A

segunda. baseada em Piaget. onde a aprendizagem é mais entendida como um

(14)

I.·

operando sobre o mundo externo é que se atingirá um desenvolvimento do mundo

interno.

Neste capítulo apresentamos inicialmente algumas questões de ordem

fi-losófica mais geral; em seguida. discutiremos algumas questões culturais. desde

uma retrospectiva histórica. a evolução das duas tendências acima apresentadas.

os usos atuais. problemas. perspectivas e avaliações já realizadas.

Joseph Weizenbaum (1976). em seu livro Computer Power and Human

Reason. mostra que todos nós fizemos o mundo computadorizado. e essa

reformu-lação do mundo à imagem do computador começou muito antes de haver qualquer

computador eletrõnico. Agora nós temos computadores. e ficou de alguma maneira

mais fácil ver a sua transformação imaginativa que nós trabalhamos no mundo.

Agora nós podemos usar o computador propriamente dito como uma metáfora para

nos ajudar a entender o que eles fizeram e estão fazendo.

Todos nós estamos acostumados a ouvir que o computador é um novo

instrumento poderoso. Mas poucas pessoas têm idéIa de onde vem esse poder do

computador.

Seus argumentos principais são de que na essência existe uma diferença

entre o homem e a máquina e também que existem determinadas tarefas que os

computadores não devem ser mandados fazer. independente deles o serem capazes

ou não.

Para ele. a introdução dos computadores em nossa sociedade já altamente

tecnológica apenas reforçou e ampliou aquelas pressões anteriores que levaram o

homem a uma visão mais racionalista da sua sociedade e · a uma imagem mais

mecanicista de si próprio.

Existem sinais de que um grande debate sobre computadores está se

desen-volvendo. Os "contestantes". por um lado. são aqueles que acreditam que os

com-putadores podem. devem e vão fazer tudo. e por outro lado existem aqueles que.

como \Veizenbaum. acreditam haver limites para aquilo que os computadores

po-dem ser mandados fazer.

(15)

Weizenbaum argumenta que se os computadores pudessem imitar os

homens em todos os aspectos. o que na verdade eles não podem. mesmo assim seria

apropriado e urgente examinar o computador à luz da perene necessidade dos

homens de encontrarem seu lugar no mundo.

Embora se possam criar máquinas inteligentes. existem alguns atos do

pensamento que devem ser feitos apenas por seres humanos.

Ele escreve: "O leitor leigo deve ser perdoado por ser mais incrédulo do que

deveria ser. quando acredita que todos os pensamentos podem ser totalmente

com-putadorizados. Mas sua incredulidade pode ser um Sinal de quão

maravilhosamen-te e seductivamenmaravilhosamen-te a ciência moderna veio influenciar a construção imaginária da

realidade pelo homem. " (1976. p.13)

Ele pondera que devemos à dência muito do que hoje consideramos bom e

útil. assim como o que chamamos conhecimento e sabedoria. Mas a ciência

tam-bém se transformou em um vício. Nossa necessidade constante de se basear na

ciência nos tomou dependentes dela. Assim como no caso de outras drogas. a

ciên-cia foi sendo convertida em um veneno que vem atuando lentamente. O homem foi

sendo seduzido a querer e trabalhar para o estabelecimento da era da

racionali-dade. mas com uma visão de raCionalidade deturpada. igualando-a com logiciracionali-dade.

Chegamos. assim. ao ponto de todos os dilemas do homem serem vistos como

meros paradoxos. como uma simples contradição aparente que pode ser analisada

por uma lógica fria. Assim. a equação racionalidade é logicidade nos levou a negar

. a existência do' conflito humano. bem como qualquer possibilidade de choque entre

importantes interesses e valores humanos díspares. como da própria existência de

qualquer valor humano.

~ crença na equação racionalidade-Iogicidade corrompeu o próprio poder

da linguagem. Nós sabemos enumerar. mas estamos rapidamente esquecendo como

dizer o que vale a pena enumerar e porque.

As histórias dos homens e suas máquinas estão sempre relacionadas. As

máquinas permitem ao homem transformar seu ambiente fisico. As

transforma-ções no meio ambiente do homem levaram a mudanças nas organizatransforma-ções sociais.

Mas ainda mais importante. as máquinas do homem determinaram fortemente o

seu entendimento do mundo e de si próprio. No ato da criação de equipamentos ele

(16)

como uma criatura social e como uma pessoa que va1inevitavelmente morrer. ele é

necessariamente um professor. Suas ferramentas, não importa qual seja a sua

fun-ção primária. são necessariamente instrumentos pedagógicos. Elas fazem parte dos

modelos do homem de reconstrução imaginária do mundo. É dentro desse mundo

intelectual e social que o homem cria, que ele elabora incontáveis possibilidades de

como o mundo foi e em que pode se transformar. Esse mundo é o repositório de sua

Subjetividade.

Mas as ferramentas e as máquinas não significam apenas a imaginação e

busca criativ? do homem. e não são apenas importantes pela possibilidade de

transformação do mundo: mais do que isso, elas são símbolos importantes em si

próprias. Elas simbolizam as atividades que permitem realizar. Uma ferramenta é

também um modelo para sua própria reprodução e ainda uma base para a

reorgani-zação da habilidade que ela simboliza. Esse é o sentido de ser um instrumento

pedagógico, um veículo para ensinar aos homens de outros tempos e lugares os

modos de ação e pensamento culturalmente adquiridos. Assim, a ferramenta como

um símbolo transcende o seu objetivo prático: ela é um elemento da recriação

sim-bólica do homem de seu mundo. Ela deve, portanto. inevitavelmente, entrar na

ela-boração imaginativa de construção de seu mundo. Nesse sentido. então. ela é mais

do que um equipamento apenas, ela é um agente de mudança.

Mas equipamentos e máquinas conheCidas apenas por poucas pessoas de

uma sociedade influenciaram a auto-imagem individual assim como a imagem de

mundo da SOCiedade como um todo. Por exemplo. como argumenta Weizenbaum

(1976, p.19) tIos navios foram instrumentos que informaram os homens da

imens-idão de seus domínios. Eles permitiram o encontro e a troca entre diferentes

cultu-ras. Eles formaram tanto o inconsciente daqueles que viajavam como daqueles que

ficavam em terra. A imprensa transformou (, mundo mesmo daqueles que

perma-neceram analfabetos ou que nunca viram um livro. E a grande quantidade de

pes-soas que tiveram suas vidas direta e dramaticamente influenciadas pela revolução

industrial sem terem nunca operado uma máquina a vapor?"

Ele acrescenta: (1976, p.20) "Muitas máquinas são extensões funcionais do

corpo humano. Muitas. como a alavanca. aumentaram o poder muscular de seus

operadores: outras. como o microscópio. o telescópio e vários outros instrumentos

de medida. constituem extensões do aparelho sensorial humano. Outras aumentam ·

o alcance físico do homem. A lança e o rádio. por exemplo. permitem ao homem

dominar um espaço maior do que seu braço e sua voz podem alcançar. Os veículos

(17)

permitiram-lhe viajar mais rápido e mais distante e transportar maior quantidade

de carga. É fácil verificar corno essas máquinas protéticas aumentam o senso de

poder do homem sobre o mundo material. E elas também tem um efeito psicológico

importante: elas mostram ao homem que ele pode se auto-reconstruir. De fato. elas

são parte de um grupo de símbolos que o homem usa para reconstruir seu passado.

te .• sua história. e para criar seu próprio futuro."

Weizenbaum (1976, p.21) prossegue: "A mudança mais importante que

ocorreu na vida mental do homem, iniciada aproximadamente durante o século

XIV, foi a sua percepção do tempo e, consequentemente. do espaço. A idéia de que a

natureza se comporta sistematicamente, no sentido que nós entendemos, 1.e., cada

parte e aspecto da natureza podendo ser isolado corno um subsistema governado por

leis descritíveis em função do tempo -.: essa idéia não podia ser entendida pelas

pessoas que percebiam o tempo não como urna coleção de unidades abstratas

(horas, minutos, segundos), mas sim como urna sequência de eventos

constan-temente recorrentes."

As horas do dia eram conheCidas pelos fatos. As durações eram indicadas

por referência a tarefas comuns. Estações, em função dos eventos que ocorriam de

tempos em tempos.

A maneira como a percepção do tempo mudou do tempo antigo para hoje

ilustra o papel de um outro tipo de máquina (nã<? uma protética) na transformação

do homem de uma criatura vivente na natureza para uma dominadora

(controla-dora) da natureza.

o

relógio não é uma máquina protética: seu produto não é uma extensão

dos músculos ou sentidos do homem. Lew1s Munford considera o relógio, e não a

máquina a vapor, "a máquina-chave da idade industrial moderna"l .

. Mumford faz a observação crucial de que o relógio "dissociou o tempo de

acontecimentos humanos e ajudou a criar a crença num mundo independente de

se-quências matematicamente mensuráveis: o mundo especial da ciência"2.

Os relógios são, fundamentalmente, modelos do sistema planetário. Eles

são a primeira máquina autônoma construída pelo homem e até o advento dos

computadores permaneciam as únicas máquinas reabnente importantes.

(18)

permitiram-lhe viajar mais rápido e mais distante e transportar maior quantidade

de carga. É fácil verificar como essas máquinas protéticas aumentam o senso de

poder do homem sobre o mundo material. E elas também têm um efeito psicológico

. importante: elas mostram ao homem que ele pode se auto-reconstruir. De fato, elas

são parte de um grupo de símbolos que o homem usa para reconstruir seu passado,

te .• sua história, e para criar seu próprio futuro."

Weizenbaum (1976, p.21) prossegue: "A mudança mais importante que

ocorreu na vida mental do homem, iniciada aproximadamente durante o século

XIV, foi a sua percepção do tempo e, consequentemente, do espaço. A idéia de que a

natureza se comporta sistematicamente, no sentido que nós entendemos, te., cada

parte e aspecto da natureza podendo ser isolado como um subsistema governado por

leis descritíveis em função do tempo - essa idéia não podia ser entendida pelas

pessoas que percebiam o tempo não como uma coleção de unidades abstratas

(horas, minufos, segundos), mas sim como uma sequência de eventos

constan-temente recorrentes."

As horas do dia eram conheCidas pelos fatos. As durações eram indicadas

por referência a tarefas comuns. Estações, em função dos eventos que ocorriam de

tempos em tempos.

A maneira como a percepção do tempo mudou do tempo antigo para hoje

ilustra o papel de um outro tipo de máquina (não uma protética) na transformação

do homem de uma criatura vivente na natureza para uma dominadora

(controla-dora) da natureza.

o

relógio não é uma máquina protética: seu produto não é uma extensão

dos músculos ou sentidos do homem. Lewis Munford considera o relógio, e não a

máquina a vapor, "a máquina-chave da idade industrial moderna" 1.

Mumford faz a observação crucial de que o relógio "dissociou o tempo de

acontecimentos humanos e ajudou a criar a crença num mundo independente de

se-quências matematicamente mensuráveis: o mundo especial da ciência"2.

Os relógios são, fundamentalmente, modelos do sistema planetário. Eles

são a primeira máquina autônoma construída pelo homem e até o advento dos

computadores permaneciam as únicas máquinas realmente importantes.

Com o advento dos relógios o homem teve que criar novas formas de lidar

(19)

pennitlram-lhe viajar mais rápido e mais distante e transportar maior quantidade

de carga. É fácil verificar como essas máquinas protéticas aumentam o senso de

poder do homem sobre o mundo mateI1al. E elas também têm um efeito psicológico

importante: elas mostram ao homem que ele pode se auto-reconstruir. De fato. elas

são parte de um grupo de símbolos que o homem usa para reconstruir seu passado.

te .• sua históI1a. e para cI1ar seu própI10 futuro."

Weizenbaum (1976. p.21) prossegue: "A mudança mais importante que

ocorreu na vida mental do homein. iniciada aproximadamente durante o século

XIV. foi a sua percepção do tempo e. consequentemente. do espaço. A idéia de que a

natureza se comporta sistematicamente. no sentido que nós entendemos. te .. cada

parte e aspecto da natureza podendo ser isolado como um subsistema governado por

leis descI1tíveis em função do tempo - essa idéia. não podia ser entendida pelas

pessoas que percebiam o tempo não como uma coleção de unidades abstratas

(horas. minutos. segundos). mas sim como uma sequência de eventos

constan-temente recorrentes."

As horas do dia eram conhecidas pelos fatos. As durações eram indicadas

por referência a tarefas comuns. Estações. em função dos eventos que ocornam de

tempos em tempos.

A maneira como a percepção do tempo mudou do tempo antigo para hoje

ilustra o papel de um outro tipo de máquina (não uma protética) na transfonnação

do homem de uma cI1atura vivente na natureza para uma dominadora

(controla-dora) da natureza.

o

relógio não é uma máquina protética: seu produto não é urna extensão

dos músculos ou sentidos do homem. Lewis Munford considera o relógio. e não a

máquina a vapor, "a máquina-chave da idade industI1al moderna"l.

Mumford faz a observação crucial de que o relógio "dissociou o tempo de

acontecimentos humanos e ajudou a cI1ar a crença num mundo independente de

se-quências matematicamente mensuráveis: o mundo especial da ciência"2.

Os relógios são. fundamentalmente. modelos do sistema planetário. Eles

são a primeira máquina autõnoma construída pelo homem e até o advento dos

computadores pennaneciam as únicas máquinas realmente importantes.

(20)

com o mundo. O relógio criou literalmente uma nova realidade.

nA longa perspectiva histórica que ajuda a compreensão da antiguidade

Clássica. da Idade Média e do início da Idade Moderna também ajuda a fonnular

hipóteses plaüsíveis para explicar as novas realidades que surgem para substituir

as antigas. impulsionadas pela introdução de novas ferramentas. Mas. quando se

tenta entender. por um lado. a consciência mutante do homem moderno e. por

outro. o desenvolvimento de novas ferramentas e. particularmente. do computador.

nossas perspectivas são atropeladas. A única escolha é se projetar para o presente e

para o futuro o que se aprende da experiência passada. E a dificuldade dessa tarefa é

aumentada pelo fato de que o impacto na sociedade de modernas ferramentas

acontecem num período muito mais curto do que antigamente." (Weizenbaum.

1976. p.26)

"A crença na indispensabilidade do computador não é totalmente errada. O

computador se toma um componente tão indispensável de qualquer estrutura. uma

vez que ele esteja totalmente integrado na estnllura ou imiscuído em várias

sub-estruturas vitais. que ele não pode mais ser retirado sem destruir a estrutura global.

Isto configura claramente uma tautologia. A utilidade dessa tautologia é nos

aler-tar para a possibilidade de que algumas ações humanas. por exemplo a introdução

dos computadores em atividades humanas complexas. pode se constituir em um

compromisso irreversível. É verdade que se hoje os computadores desaparecessem

subitamente. grande parte do mundo moderno industrializado e militar seria

leva-da a um grande caos. O computador não foi um pré-requisito indispensável à

socie-dade moderna no período pós-guerra: seus entusiastas rapidamente os

transfor-maram em um recurso essencial para a sobrevivência da sociedade. " (Weizenbaum.

i976. p.28)

A criação. nos Estados Unidos. de um enonne e complexo sistema de

admi-nistração de seguridade social baseado no computador criou um interesse na

manutenção desse sistema. assim como da necessidade da própria seguridade

so-cial. E esses próprios sistemas tomaram-se em barreiras para inovações. mesmo

havendo diversos argumentos para a necessidade de modificações. Em outras

pala-vras. muitos dos problemas de crescimento e complexidade que pediam respostas

urgentes nas décadas posteriores à 2ª Guerra Mundial. podem ter servido como

in-centivos para a inmTação política e social. O computador foi utilizado para

conser-var as instituições políticas e sociais da América. Ele protegeu-as. pelo menos

tem-porariamente. de enormes pressões para mudanças. É impossível predizer o que

(21)

ria surgido em seu lugar.

É dito que os meios de comunicação de massa reduziram o mundo a uma

aldeia global e permitiu encontros nacionais ou até mesmo mundiais. Mas se

houver uma comparação com as reuniões tradicionais antigas. que eram um

exem-plo de exercício de política participatória. verificamos que os meios de

comuni-cação de massa não permitem uma participação reativa (uma resposta). Eles

per-mitem à sociedade articular formas totalmente novas de ação social. mas ao

mes-mo tempo destroem irreversivelmente os mes-modos de comportamento social

ante-riores.

o

computador é. de certa forma. uma ferramenta desse tipo. Ele ajudou a

abrir a porta do espaço aéreo e salvou algumas instituições que estavam ameaçadas

de entrar em colapso devido ao rápido crescimento da população. Mas seu impacto

fechou algumas portas que haviam sido abertas ... se irreversivelmente ou não. é

impossível dizer. Existe o mito de que os computadores estão tomando importantes

decisões que eram anteriormente tomadas pelos seres humanos. Talvez existam

alguns exemplos isolados na nossa sociedade. Mas a idéia de haver pessoas

pergun-tando ao computador O que eu devo fazer agora? e esperando o computador decidir é

totalmente errada. O que está ocorrendo é que as pessoas entregaram a complexos

sistemas de computação o processamento da informação sobre o qual as decisões

são baseadas. Elas deixaram para si próprias o direito de fazer as decisões baseadas

no processamento dos computadores. Elas continuam mantendo a ilusão de que são

elas as pessoas que decidem. Mas podemos argumentar como o fez Weizenbaum

(1976. p.38) que um sistema de computação que permite apenas certos tipos de

questões e de dados. e que. em princípio. não pode ser entendido por aqueles que

nele acreditam. tal sistema de computação certamente fechou muitas portas que

foram abertas antes desse sistema ser instalado.

A maioria dos cientistas acredita que o domínio da ciência é universal. que

não existe nada que em função de um princípio mais alto não deva deL'Car de ser

estudado. E. a partir dessa premissa. concluem que qualquer discussão de "deveres"

éticos que devam ser aplicados ã ciência é anti-científica e até mesmo

anti-intelec-tual.

É extensa a lista das maneiras em que o computador tem se mostrado útil.

Entretanto. existem dois usos do computador que não deveriam e.'Cistir ou deveriam

(22)

o

primeiro. Weizenbaum simplesmente chama de obsceno. Por exemplo. a proposta de colocar o sistema visual e mental de um ser humano no computador

se-. ria um delesse-. Colocaria também nessa categoria todos os projetos que propõem

substituir pelo computador as funções humanas que envolvem respeito

interpes-soal. entendimento e amor. O ponto principal é que existem algumas funções

hu-manas que nâo devem ser substituídas pelo computador. Não tem nada a ver com o

que os computadores podem ou não ser mandados fazer. Respeito. compreensão e

amor não são problemas técnicos.

O segundo uso do computador que deve ser evitado ou. pelo menos, usado

com extrema cautela, é aquele que facilmente percebemos ter efeitos colaterais ou

irreversíveis não totalmente previsíveis.

Weizenbaum (1976, p.277) escreve: "A vontade do professor de ensinar

coisas a outras pessoas é um desejo louvável. Mas ele deve fazer mais do que isso.

Ele deve ensinar mais pelo exemplo de sua conduta do que por aquilo que escreve

no quadro negro. Ele deve ensinar tanto os poderes de uma determinada ferramenta

como seus limites. A aprendizagem de uma habilidade é importante, mas não é

tudo."

A função do ensino (principalmente das universidades) não pode ser

ape-nas a de oferecer aos estudantes uma lista de "habilidades" para serem escolhidas.

Certamente as universidades deveriam olhar cada Cidadão, tanto alunos como

pro-fessores, como seres humanos em busca da verdade e, portanto, em busca deles

pró-prios. O mero ensino de uma habilidade não pode preencher essa importante

fun-ção da universidade. A questão dos valores humanos a serem trabalhados é uma

importante função da educação. (1976. p.278)

Nas universidades. o curriculum de ciência de computação é muito voltado

para o domínio de habilidades de computação; por isso. é fácil para o professor de

computação cair no hábito de ensinar apenas programação.

Para concluir. podemos citar Weizenbaum (1976. p.280) quando menciona:

"Se o professor. ou qualquer outra pessoa. quiser ser um exemplo para os outros de

uma pessoa inteira. ele tem primeiro que se esforçar para realmente ser uma pessoa

inteira. Se não tiver a coragem de confrontar tanto o mundo interno como o

externo. é impossível alcançar essa integridade. E existe precisamente uma p;r:1 ndc

diferença entre o homem e a máquina: o homem. para se tornar inteiro. deve ser

(23)

sempre um explorador, tanto de sua realidade interna como externa. Sua vida é

cheia de riscos, mas riscos que ele tem a coragem de aceitar porque, como outros

exploradores, ele aprende a confiar em sua própria capacidade de suportá-los e

sobrepujá-los. O que significaria falar de riscos, coragem. confiança, suporte e

transposição quando se fala de máquinas?"

A infonnática e as conquistas das telecomunicações tem produzido

paula-tinamente algumas transfonnações sociais que nos levam a considerar a hipótese

de uma sociedade centrada na produção de valores informacionais, em

contraposi-ção à sociedade industrial. fundamentada na producontraposi-ção de bens materiais.

o

aumento quantitativo e qualitativo da produção e da capacidade de

ar-mazenamento da informação está diretamente relacionado ao estágio de evolução

nesta área e é cada vez mais ampliado pelo potencial transfonnador que a

socieda-de vai adquirindo pelo próprio socieda-desenvolvimento tecnológico.

Alguns componentes dessa sociedade podem, nos dias de hoje, ser

identifi-cados mais nitidamente nos países onde o desenvolvimento tecnológico é

acentua-do, produzindo a ampliação da capacidade de trabalho mental do ser humano e do

poder produtivo da infonnação.

Na nova ordem social. o computador desempenha um papel tão relevante

quanto a máquina a vapor no surgimento da SOCiedade Industrial. As

consequên-cias sócio-econômicas, políticas e culturais da utilização do computador e da

in-fonnática serão análogas àquelas verificadas na Revolução Industrial. exigindo.

portanto. umà reflexão profunda do homem na análise de suas tendências. pois se a

manipulação da infonnação não objetivar o bem estar social. tornando-se

privilé-gio de pequenos grupos, ocorrerá concentração de poder nas mãos de minorias. à

semelhança do processo de concentração de capital da Revolução Industrial.

Além da preocupação com o controle de uma classe pela outra. existe

tam-bém o risco de controle da informação por detem1inados países. Na medida em que

essa tecnologia cresce exponencialmente. a tendência éde se aumentar a dicotomia

(24)

Quando se faz a ligação entre informática e educação. uma dÚvida extrema

permanece sobre sua adequação às verdadeiras finalidades da educação. O que

acontecerâ ao cabo de um processo de informatização na educação? Um largo

es-pectro pertence à dúvida. Outro fica por conta da atuação dos educadores e da

dire-triz que eles derem a esse trabalho.

A definição das linhas educacionais na sociedade ocidental liga-se

visce-ralmente a decisões e objetivos econômicos e industriais antes de serem

educa-cionais.

A informática surge em uma sociedade capitalista que visa a economia dos

tempos de produção e controle de processos. no sentido de reforçar e concentrar o

capital. Nada de sua origem está vinculado aos interesses do trabalho.

Como outras soluçôes tecnológicas em geral. ela tende a minimizar as

questões políticas. o que ê indesejável à educação brasileira atual.

O conhecimento informático costuma aparecer como o único

conhecimen-to humano válido. progressista e real. reduzindo o aconhecimen-to de educar a instruções

infor-máticas.

A informática aplicada à educação não ê a solução. A solução dos

proble-mas educacionais do Brasil está no nível dos recursos humanos: sua formação. sua

capacitação. sua melhoria de nível econômico. sua participação nas definições

. políticas dos rumos da educação. A informática pode contribuir neste processo de

capacitar educadores e educandos. de melhorar o nível de ensino e de lançar

recur-sos e atenções para a escola brasileira.

A origem do pensamento e dos aparelhos computacionais está ligada ao

desenvolvimento de um modo de produção voltado para o rendimento industríal de

modelo concentrador. De modo algum pode-se imaginar que a origem do

computa-dor tenha vinculação com as necessidades de camadas carentes ou com a solução

dos problemas de distribuição de renda. No entanto. crer na impossibilidade de que

a conquista tecnológica possa ir recebendo um sinal que lhe imprima sentido

oposto ê crer numa história mecânica e fatalista.

Na atual fase de desenvolvimento do capitalismo brasileiro. podemos. de

maneira simplificada. observar a atribuiçâo do Jazer à grande maioria e a do Jazer

Jazer (âmbito das decisões políticas) às minorias dirigentes. A informatização

(25)

ral das sociedades tende a provocar o desaparecimento das necessidades do fazer

humano, tarefa atribuída às grandes maiorias. E o que lhes restará nesta nova fase

de inoperância? Aí estâ uma das dimensões políticas da Informatização da

socie-dade e da educação. Pensar na informatização da educação sem antever-lhe os

des-tinos é caminhar, embora sem saber, para alguns deles: ou desemprego estrutural

ou um projeto que conta com o extermínio das classes que hOje se ocupam do fazer.

Os países dependentes recebem uma carga de pressão de outras culturas que

interfere na própria dOminação política e econômica da sociedade. A informática,

ao cair nesse espaço, favoreceria ainda mais o aperto dos laços que ajudam a

domi-nação sobre a cultura e a economia. Essa preocupação pode ser sentida na proposta

dos especialistas que participaram do I Seminário Nacional de Informática na

Educação (SEI. Brasília. 1982) quando escrevem que a interação homem-máquina

no campo educacional tem sido encarada principalmente como relação com o

hardware. elidindo-se o comprometimento cultural e político implícito (às vezes

até disSimulado) no software através do qual tal relação se processa. E

reco-mendam:

1 - que as atividades de informática na educação sejam balizadas por

va-lores culturais, sócio-politicos e pedagógicos da realidade brasileira;

2 - que os aspectos técnico-econõmicos (custos, volume de inversões,

tec-nologia e relações intertndustriais) sejam equacionados. não emfunção das

pres-sões de mercado, mas em função dos beneftCios sócio-educacionais que um projeto

desta natureza possa gerar e em equilíbrio com outros instrumentos em educação

no país. _. (SEI. 1982. p.33).

o

que seria desejável para qualquer sociedade não é a tecnocratlzação de

todos os seus setores nem a negação total dos valores do conhecimento

técnico-científico como elemento de realização humana. Espera-se que se encaminhem

modelos políticos para a sociedade que permitam que a participação política das

massas em seus próprios destinos caminhe ao lado da sua educação para a

compe-tência técnica e para urna sólida formação cultural.

o

computador desenvolve-se em um mundo de supervalorização do pensar.

É na divisão do trabalho que o trabalho pensante vai ganhando espaço.

formando-se. controlando. reservando a si a melhor parte dos beneficios produzidos pela

relação entre trabalho intelectual e manual. Este fenômeno. que se opera na ordem

(26)

das consciências e nos espaços sociais. extrapola também para as relações

interna-cionais, afastando cada dia mais as fronteiras dos países que penSam e recebem por

Isto e os que trabalham e se endividam sempre mais.

o

mundo da informática tende a ampliar o fosso histórico e apolítico

ha-vido entre a competência dos planejadores-decisores e a incapacidade daqueles

que executam. Na verdade, mais do que o mundo da informática, é o mundo no qual

está sendo produzida a informática que produz tal distanciamento. Daí a

necessi-dade de se questionar filosoficamente o uso do computador na educação sob dupla

visão: como qúem analisa seus problemas e capacidades intrínsecas e como quem o

aborda como produto social e histórico-cultural de um mundo bem específico.

É importante que países e culturas dependentes não se alienem, inclusive

economicamente, através de todo o conjunto de ideologias dominadoras. A

denún-cia não pode resultar na paralisia da aSSimilação de qualquer dos produtos

culturais de outros países e centros de pensamento. A posição xenófoba, que leva ao

inatismo. é igualmente perigosa. Pode propiciar urna dominação externa ainda

maior, uma vez que nada de novo se produz naquela cultura para enfrentar os seus

problemas. Tal inatismo levará aquela cultura a ter todos os flancos abertos a urna

cultura mais forte e operante.

o

fenõmeno da intercultura é cada vez mais comum. Não existe hoje, em

qualquer sociedade, problemas tão específicos, soluções tão características que não

permita alguma forma de troca de conhecimentos e resultados. É óbvio que esse

in-tercâmbio de produtos culturais deve primar pela criticidade.

o

computador, embora nascido em uma dada civilização e para solucionar

determinados problemas, hoje é patrimônio transcultural.

)1.

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1l1.§O

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e<dluc81ção :

ter..G'.§::mcll81s <coJITJ1lli.t81lffi:es .

A história do uso dos computadores em educação se inicia no final dos

anos cinquenta. O que podemos obseIVar é uma tendência de um enfoque rígido

orientado para o computador em direção a enfoques mais sensíveis orientados para

(27)

o aprendiz. Cada enfoque será descrito em tennos geraiS. Em relação á Instrução

Assistida por Computador (CAI), poucos programas que tiveram sucesso

apre-sentam um enfoque único: o sucesso deles é em geral relacionado á integração de

dois ou mais enfoques.

A. Programas Lineares

O primeiro enfoque que veremos é o de programas lineares. Sua

metodo-logia é derivada -dos princípios de condicionamento operante, cuja lei básica é: se a

ocorrência de uma resposta é seguida da apresentação de um estímulo, o reforço aumenta (Skinner, 1938).

A maior contribuição da programação linear é sua ênfase na importância

do feedback e da individualização, doiS aspectos extremamente frequentes na

lite-ratura de instrução assistida por computador. O feedback só é considerado

impor-tante após uma resposta correta: na verdade, não deve haver nenhuma resposta

er-rada. Na programação linear, a única individualização que o estudante recebe é que

ele pode trabalhar no seu próprio ritmo. Não há maneira de ele receber um material

que seja diferente do de um outro estudante.

Skinner, no início, defendia que uma programação linear efetiva requeria

mecanização: apenas mais tarde é que ele enfatizou que os princípios de

programa-ção linear eram independentes de um meio de ensino em particular. O professor

estáfora de moda. como um simples mecanismo de reforço, falou Skinner. As in-dústrias começaram a desenvolver as máquinas de instrução programada. Elas

de-veriam ser capazes de comparar as respostas do estudante com as respostas

espera-das, mas como dependiam da utilização de botões e outros equipamentos que

seriam utilizados pelos estudantes, isso muitas vezes restringia as possibilidades

de respostas que podiam ser dadas ou exigia uma avaliação por parte do estudante.

Por um acidente da história, os computadores estavam começando a ser

amplamente usados na mesma época das máquinas de ensino. Assim,

inevitavel-mente as pessoas começaram a usar os computadores. para fazer sua programação

linear.

A pOQreza da programação linear é tão clara que essa técnica foi logo

ex-purgada da instrução assistida por computador. Entretanto, o seu fantasma até

hoje está rondando ... Por e..'Cemplo, Last (1979) descreve um programa para ensinar

alemão que é totalmente skinneriano (com a única facilidade de permitir duas

(28)

tativas para cada questão).

Não há problema em se avaliar as respostas dos estudantes pelo

computa-dor, o material do professor é relativamente fácil de ser alterado e pode-se

acumu-lar estatísticas dos resultados dos alunos. Entretanto, essas vantagens não

justi-ficam o alto custo desses equipamentos.

B. Programas Ramiflcados

A grande diferença entre programas lineares e programas ramificados é

que estes admitem que, se o estudante der uma resposta errada, ele receberá uma

explicação ou sugestão aproprtada e terá uma nova chance naquela questão. Para ·

um programador de computadores, isso é algo óbvio, mas para um programador

linear, define uma heresia: como processo de ensino, isto não está de acordo com os

princípios do condicionamento operante.

Crowder (I959) escreveu que a maior dificuldade é controlar um processo

de comunicação pelo uso de feedback. As respostas dos estudantes servem prima-riamente como um meio de controlar se houve o processo de comunicação e ao

mes-mo tempo permite que seja tomada a ação adequada. Enquanto ainda permanece a crença básica de que os estudantes aprendem através do que lhes é ensinado, a

ên-fase agora é que a próprta exposição deve ser sensível aos requisitos dos alunos em

todos os momentos, sendo que essa sensibilidade necessita uma anâ1ise das

res-postas reais dos estudantes.

Kulhavy (1977) considera quefomecer feedback depois de um erro é

prova-velmente mais importante do que dar confirmação de acerto. Neste enfoque, o feedback varta de um simples sim/não até o fornecimento de substanciosa

infor-mação, que pode até ser em forma de uma nova instrução.

Temo.s agora um programa de ensino adaptativo, te., um no qual a

se-quência das ações instrutivas varta em função do desempenho antertor de

determi-naQo aluno (Atkinson, 1976).

Uma nova forma de linguagem de programação, chamada linguagem do

autor, foi desenvolvida para dar a ilusão de que o autor podia escrever programas de

ensino sem na verdade fazer qualquer programação do computador. Essas

lin-guagens eram extremamente primitivas. Crowder defendia que nem todas as

per-guntas necessitavam ser na forma de múltipla escolha, pois um programa de

com-putador poderia ser capaz de comparar a resposta do aluno com um conjunto de

(29)

respostas alternativas pré-detenninadas, as quais não estariam acessíveis ao

estu-dante.

Como a maioria dos programas tutoriais são escritos neste estilo, vale a

pena considerar alguns problemas que surgem. Embora a programação intrínseca

(ramifica da) fosse considerada "não-teórica", na verdade ela tem muitas

semelhanças com a programação linear de Skinner, à qual ela se propunha estar

em oposição:

- ambas enfatizavam a importância da apresentação sistemática e

admi-tiam que isso é a base da atividade de aprendizagem.

- ambas tendem a tratar o aluno como tabula rasa.

- ambas estão mais preocupadas com a eficiência da instrução do que com

a qualidade da aprendizagem; veem a aprendizagem como uma

aquisi-çãq de "conhecimento" mais do que "experiência" e ignoram as

dimen-sões emocionais e subjetivas.

- ambas tendem a encorajar os estudantes a fazerem o que eles são

espera-dos, não lhes pennitindo sua própria interpretação.

Alguns autores, como Laver (1976) por exemplo, numa introdução sobre o

uso de computadores, escrevem que a instrução assistida por computador tem o

mesmo mérito que a instrução programada, sendo apenas que o computador é mais

conveniente para o aluno.

Para Tim O'Shea (1983), iSSO é totalmente errado.

Na programação intrínseca (ramificada) todas as decisões de ramificação

são especificadas pelo autor. Não é uma tarefa simples garantir que todos os

cami-nhos possíveis sejam assegurados e tenham sentido.

C. Modelos Matemáticos de Aprendizagem

Skinner, na sua teoria de condicionamento operante, evita

deliberada-mente duas coisas: considerar processos cognitivos internos (preferindo lidar com

comportamento mensurável) e usar notações formais (preferindo exprimir as

regras em inglês).

(30)

...

mas ainda são. assim como os programas lineares. derivados de teorias de

aprendizagem não formais.

Alguns pesquisadores. insatisfeitos com essa falta de rigor acadêmico

existente na instrução assistida por computador. tentaram. no final dos anos 60.

definir teorias de aprendizagem que pudessem predizer os efeitos de diferentes

for-mas de ensino e então desenvolveram prografor-mas que usavam essas teorias para ser

possível escolher entre formas de ensino alternativas.

Essas teorias de aprendizagem eram expressas com notações matemáticas

cuja utilização não era apenas reservada a uma orientação teórica em particular.

Mas esses assim chamados modelos matemáticos de aprendizagem desenvolveram

um estilo diferente. no qual a aprendiza.gem é representada probabilistica ou

esta-tisticamente e onde se lida com situações de aprendizagem estereotipadas.

Que~tionamos se. na verdade. a linguagem matemática é a linguagem

apropriada para descrever processos gerais de aprendizagem. Concordamos com

Laubsch (1975) quando diz que os erifoques tradicionais ... que usam a teoria de

decisão e os modelos de aprendizagem estocásticos (stochasticJ não puderam

pros-seguir devido a sua supersimplifi.cação da representação da aprendizagem. A razão

para os modelos de aprendizagem estocásticos terem fracassados como modelos de

instrução foi a ausência de representação para os conteúdos a serem ensinados.

D. O Projeto TICCIT

No fmal dos anos 60 muitos dos projetos de instrução assistida por

com-putador que haviam florescido anteriormente começavam a fracassar. Mesmo

as-sim. ainda havia o sentimento de que a instrução assistida por computador deveria

ser eficaz. e em 1971 a National Science Foundation of America (NSF) decidiu

in-vestir US$ 10 milhões durante 5 anos em duas experiências com instrução assistida

por computador de enfoques bastante distintos: o Projeto TICCIT e o Projeto Plato.

A coordenação do Projeto TICCIT (Time-shared InteracUve Computer

Controlled Information Television) foi dada ao grupo MUre (MUre Corporation).

que vinha desenvolvendo sistemas de televisão por cabo. Caberia à Mitre criar e

desenvolver equipamentos e programas para um sistema de instrução assistida por

computador. Um outro contrato foi assinado com a Brigham Young University para

a elaboração do malerial do curso. A NSF também propiciou uma avaliaç;'io do

projeto TICCIT pelo Educational Tesling Service .

(31)

o

objetivo do projeto era demonstrar que a instrução assistida por

com-putador podia prover um ensino melhor. a um custo menor que o do ensino

tradi-cional (MUre Corporation. 1974).

o

projeto TICCIT não foi criado para ser usado junto com atividades

regu-lares de ensino na sala de aula. mas sim para ser usado como o meio principal de

fornecimento de instrução.

Ele coloca grande ênfase no fato de que o material do curso é controlado

pelo aprendiz.

o

programa financiado pela NSF era para implementar o TICCIT em duas

faculdades e para desenvolver cursos em matemática básica para a disciplina de

cálculo e cursos para composição na língua inglesa.

A avaliação final da NSF está disponível em forma de minuta desde 1977.

e aparentemente nunca foi publicada. A conclusão principal alcançada é que o

TICCIT exerceu um impacto positivo signtikativo tanto . em matemática como em

composição. Os estudantes que completaram o curso do TICCIT em geral tiveram

escores mais altos no pós-teste do que aqueles que estavam nas classes tradicionais

(aula eÀ-positiva).

\

O TICCIT apresentou um efeito negativo em termos de .taxas de conclusão

do curso em 16 das 17 análises realizadas.

Em matemática. a taxa de conclusão foi de 16% comparada com 50% para

os cursos não-TICClT. O relatório de avaliação argumenta que provavelmente isto é

devido ao fato de que o próprio TICCIT favorece alunos com alta habilidade em

de-trimento daqueles de baL-xa habilidade: programas que permitem ao estudante

prosseguir no seu próprio ritmo tem o risco de não ter sucesso com aqueles '

estu-dantes que não conseguem controlar sua própria aprendizagem. (3)

Jones (1978) atribui as baL-xas taxas da conclusão do curso ao baL-xo

envol-vimento por parte do instrutor em coo:-denar o progresso do estudante.

A reação dos novos professores ao TICCIT foi inexpressiva. Foi proposto

um novo papel para os professores, como um tutor-orientador/avaliador e

solLLcio-nadar de problemas individualm ente para os estudantes (Mitre Corporation. 187G).

(32)

I

I

" " I .' : , I·' I, , ~ I I. I,", ." ; .-•. ' ..

llCCIT havia alterado suas tarefas e estavam menos certos ainda se a instrução

assistida por computador, particularmente o programa TICCIT, beneficiá-las-ia em

termos de preenchimento de suas responsabilidades de ensino (Aldennan, 1979).

o

relatório de avaliação concluiu que o programa TICCIT confirmou a

potencialidade da Ú1Strução assistida por computador como um recurso eflCaz para

a aprendizagem do estudante (Ressalva-se a palavra potenCialidade). Sabe-se que as

duas universidades continuavam a utilizar o TICCIT, mas não há sinais de

ex-pansão para outras instituições educacionais. Algumas das razões atribuídas a essa

não-expansão foram os custos muito altos e a resistência por parte dos professores.

E. O Projeto PLATO

O outro projeto financiado pela NSF foi baseado no sistema PLATO

(programmed Logic for Automatic Teaching Operation), do Computer-based

Education Research Laboratory da University of Illinois, Urbana-Champaign.

Os objetivos do projeto PLATO, como foram listados por Alpert (1975),

incluíam o seguinte:

~ demonstrar a possibilidade técnica de uma rede de educação baseada no

computador;

- provar que o sistema é possível de ser gerenciado, é economicamente

viável e é capaz de atingir a diversas instituições de diferentes níveis

educacionais:

- desenvolver material curricular para um novo meio de ensino:

- p:romover a aceitação por parte dos professores e alunos de um novo

meio destinado a aumentar a produtividade e a eficácia do processo

instrucional.

o

enfoque do projeto PLATO é diferente daquele do TICCIT. Os criadores do

PLATO não acreditavam numa rede de terminais e na inovação tecnológica.

enquanto os do TICCIT usavam um sistema pouco sofisticado baseado em um

mi-nicomputador.

Na preparação do material do curso o projeto PLATO não seguia um

pa-drão organizado como as equipes de produção do TICCIT, por isso a qualidade cio

material produzido é bastante variável.

-. .

30

,

.

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