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Psicanálise e administração: o que existe na intersecção desses dois campos?

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Academic year: 2017

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1 \ \ \ 1 \\ 1 1 1 \1 1 \ 1 1 1 \ \1111\1 1 \1 1 \ 1 \ I \\1 1 1 \1xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAque existe na intersecção desses dois campos?

~ Fundação Getulio Vargas ~:,:-'-~',

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de Admini&lraç.ao

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~ I ' t l l l o r ~ ' ; ,

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1111111I11111IllIlIlIllllf'

1198602268

Banca Examinadora:

Prof. Orientador: ~_

Prof.

(2)

ESCOLA DE ADMINISTRACAO DE EMPRESAS DE sAo PAULO

DA

FUNDACAO GETULIO VARGAS

ILAN AVRICHIR

PSICANALISE E ADMINISTRACAO:

O que existe na intersecção desses dois campos?

Dissertação apresentada ao Curso de Põs~Graduação da EAESP/FGV área de Concentração: Teoria e Compor-tamento Organizacionais, comore-quisito para a obtenção do tltulo de mestre em Administração.

Orientador: Prof. Peter Spink

são PauloZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(3)
(4)

AVRICHIR, Ilan. Psicanãlise e Adm~nistração: O que existe na

intersecção desses dois campos? São Paulo.

EAESP/FGV, 1985.

(Dissertação de Mestrado apresentada ao Curso

de Pôs-Graduação da EAESP/FGV, Area de

Concen-tração, Teoria e Comportamento Organizacionais).

Resumo: Faz um resumo das principais teorias

sobre organização que tem forte influencia da

psicanãlise. Verifica em que medida essas teo

rias foram incorporadasxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAã teoria

administrati-va. Depois de constatar que a incorporação foi

pequena face ao volume e ã importância da lit~

ratura existente sribre organização com cunho

psicanalitico, sugere algumas explicações para

o fenômeno.

Palàvras-Chaves: Organização - Psicanãlise

Teoria Administrativa - Anãlise

(5)

A

G R A O E C I M E N TOSHGFEDCBA

===========================

Ao Professor Peter Spink, pelas contribuições e pela tolerância

diante das minhas hesitações, recuos e mudanças de rota.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A Directa Auditoria e Consultoria, ã Industria de Confecções Vi

la Romana e ã Christian Gray Cosm~ticos~que me permitiram fre

-quentar o curso de mestrado em paralelo com minha atividade

profissional.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A Angela Turcato pelo eficiente trabalho de datilografia.

A Clarissa Sjlbirger, ã Lia Pitliuk, Lazslo Avila e a tantos ou

tros que contribuiram com ideias, indicações bibliográficas e

(6)

.1 N O I C EHGFEDCBA

===========zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Pli.G .

.INTRODUCAO

CAPITULO 1: A CORRENTE ADMINISTRATIVISTA 7

1.- Alguns Conceitos da Psicologia Freudiana 10

2.- O Trabalho de Harry Levinson e 17

Abraham Zaleznik

CAPITULO 2: A CORRENTE PSICOSSOCIOLOGICA 36

1.- Alguns Conceitos de Psicologia Kleiniana 37

2.- W.R.Bion e a Dinâmica de Grupo 40

3.- Os Sistemas Sociais como 43

Mecanismos de Defesa

4.- A Anãlise Institucional 55

5.- Max Pages 63

CAPITULO 3: A NAo INCORPORACAO PELA TEORIA ADMINISTRATIVA 67

1.- A Literatura de Cunho Psicanalitico nas

Revistas de Administração-" 68

2.- A Literatura de Cunho Psicanalitico nos

Compêndios de Administração 76

CAPITULO 4: ALGUMAS RAZOES PARA A NAo INCORPORACAO 80

1.- Uma Breve Caracterização da

Ideologia Gerencial 83

2.- Confronto entre Ideologia Gerencial e a

Teoria de Cunho Psicanalitico 91

CAPITULO 5: Resumo e Conclusões 97

ANEXO "Psicologia de Grupo e Anãlise do Ego" Resumo

(7)
(8)

2ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAobjetivo da nossa pesquisa foi o de

conhe-cer as tentativas existentes de aplicar psicanãlise ã organiz~

çoes e verific?r qual a contribuição dessas experiências para

a teoria e a prãtica da administração. Como resultado da nossa.

pesquisa surgiram duas constatações bãsicas:

A primeira e que as tendências de aplicação

da psicanãlise ã organização podem ser agrupadas em duas gra~

des correntes. A primeira, a qual chamamos administrativista,

se preocupa basicamente com o individuo na organização, e

suas questões são muito parecidas ãs levantadas pela psicol~

gia industrial. As respostas ãs questões e que serão um tanto

diferentes, em função da incorporação da abordagem

psicanali-tica ã anãlise dos problemas .. A segunda corrente, a qual nos

referimos como psicossociolõgica, tem a pró p rí a organização c~

mo objeto. Ela estã preocupada com as fantasias, sentimentos e

desejos que são partilhados pelas pessoas que participam da

vida da organização eque permanecem desconhecidos ou negados

por ela.

A segunda constatação e a de que a psicanãll

se foi pouco incorporada ã teoria administrativa, seja por

meio de propostas geradas pela corrente administrativista,

se-ja atr a ve s dos questionamentos e metodos sugeridos pela linha psl cossociolõgica. As cita cô e s de autores da 1 i nha administrativista.

nos compêndios de administração e teoria

organizacional,quan-do ocorre, e sempre rãpida e de passagem. Os da linha

psico-social são, com rarissimas exceções, ignorados. A incorporação

da teoria psicanalitica ã administração, se tiver ocorrido,fez

se de formas indiretas, atraves da s~a influência em outros mo

vimentos ou na cultura gerencial, sem que isto estivesse

sen-do explicitado ou reconhecido.

Por cor-rente administrativista referimo- nos

essencialmente a um grupo americano de pesquisadores e

consul-tores em organização, que vem tentando jã hã mais de duas deca

das aplicar a psicanãlise a algumas questões-chave da

adminis-tração. Os nomes mais conhecidos dentre estes são os de Harry

(9)

da Universidade de Harvard e public~u diversos artigos nA

HARVARD BUSI~ESS REVIEW. ~ essencialmente esse grupo que temos

em mente quando nos referimos ã linha administrativista. Al

-guns exemplos de trabalhos publicados por esse grupo:

IIThe Human Dilemas of Leadershipll de Abraham

Zaleznik, publicado em 1963. Nesse artigo, o autor afirma que

a principal fonte de dilemas que os executivos enfrentam está

dentro deles mesmos, nos seus conflitos internos. Para poder

tomar decisões e lidar com as tensões inevitãveis nas organi-ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

zaçoes, os executivos teriam que ser capazes de r~solver, ou

pelo menos gerenciar esses conflitos internos, de maneira que

suas açoes estivessem baseadas em realidade.

IIWhat Killed Bob Lyonsll, de Harry Levinson

(1963), relata o caso de um bem sucedido executivo que, apos

s e r p r o m o v id o _ a _u mim p o r ta n t e c a r g o, e n t r a num a p r of u n d a c r i--

--se depressiva e se suicida, apesar de todos os esforços para

ajudá-lo. Levinson explica o sucedido em termos da dificulda

de do ego em manter o equilibrio interno.

IIDynamics of Subordinacyll, tambem de

Zalez-nik (1965), afirma que a relação superior hierãrquico~subord~

nado e particularmente suscetivel ã interferência de revivên-cias de Complexos de E d ipo mal resolvidos de ·ambas as partes,

e sugere algumas maneiras de evitar o problema.

Ao longo de toda a decada de 60 e 70 esse

grupo continuou trabalhando nesta linha~ e aplicando a teoria

psicanalitica ã questões tais como relação e desenvolvimento de executivos, stress e desgaste de pessoas na organização,pr~

blemas de comunicação, motivação, etc. Ou seja, os mesmos

te-mas que preocupavam a psicologia industrial americana.

Apesar da produção bastante extensa desse

grupo e do prestigio da universidade onde trabalharam e da

re-vista atrav~s da qual veicularam s~as ideias, o fato ~que as

citações desses autores em outros artigos, resenhas sobre

teo-ria organizacional ou manuais de psicologia para o

(10)

4

dar maior destaque a eles. Essa' nao repercussao nos parece no

mlnimo curiosa e a sugerir uma discussão sobre a dificuldade

de absorção da psicanãlise pelas teorias dominantes em adminis

tração. Achamos que o espaço que foi aberto em meios que nao

os especificamente ligados a HAVARD para essa corrente, ~ pe

-queno, quando consideramos a originalidade e a potencialida

de das contribuições dessas autores, e a importância e a

popu-laridade que os temas que eles abordaram têm no meio adminis

-trativo.

A corrente que estamos denomin~ndo da

psico-sociológica abrange um amplo espectro de orientações teóricas,

matizes pollticos e vinculações ideológicas. Estamos nos

refe-rindo como se pertencessem a uma mesma linha, a autores tão di

versos como Isabel Menzies - cuja matriz teórica ~ quase que

exclusivamente a psicanãlise e em cujos trabalhos não se perc~

be uma maior preocupação com questões pollticas -e Georges

Lapassade e Rene Lourau, que aliam a psicanãlise ã sociologia

e ao marxismo e têm uma proposta de mudanças radicais das es

-truturas sociais.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

-A razao de estarmos nos permitindo esta

sim-plificação ~ que em todos esses autores, os grupos e as organl

zaçoes são, se não o objeto central de interesse, pelo menos

um dos principais. E todos eles reconhecem a psicanãlise como

uma importante matriz teórica da qual derivaram suas

experiên-cias e teorias.

Essa corrente surge na Europa durante a Se

-gunda Guerra, principalmente atraves de trabalhos de psiquia

-tras e psicanalistas em instituições psiquiãtricas. Na Ingla

-terra, Bion trabalhando num hospital psiquiátrico militar,

de-senvolve uma teoria pSicanalltica sobre a dinãmica dos grupos.

Ao mesmo tempo, na França, Le Guillant, Tosquelles e Damezon

dentre outros, estavam experimentando um novo tipo de relaci~

namento entre medicos, enfermeiros e pacientes em institui

çoes psiquiátricas, menos repressivo, menos tecnocrãtico e

mais humano. Surge dessas experiências a noção de que ~ impo~

(11)

-5

tenção de resultados mai:. satisfatórios com os pacientes, e dai

a preocupaçao com a anãlise das instituições de uma forma geral.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

-Logo apos a Guerra, Elliott Ja~ues inicia na

Inglaterra uma intervenção numa indústria metalúrgica, onde ele

se utiliza de tecnicas inspiradas na psicanãlise, para

aju-dar na transformação de metodos de gestão. A principal tese

que ele deriva e a de que os sistemas sociais pode~ ser

deposi-tários das defesas dos membros do grupo que dele participam.

Na mesma instituição, o TAVISTOCK INSTITUTE, Isabel Menzies tra

balhou com metodos e conclusões bem semelhantes, sendo sua exp~

ri~ncia mais conhecida um diagnóstico no serviço de formação de

enfermeiras de um hospital-escola.

Na França proliferam as correntes e as tendên

cias. As que mais repercussão obtiveram foram as de J e M van

Boeckstaele com a Sócio-Análise, Gerard Mendel e a Sóciopsica

-nãlise e Lourau e Lapassade com a Anãlise Institucional,

den-tre outras.

De toda essa produção, quase nada chega ao

meio administrativo. De todos esses autores, o único que vimos

ate agora citado em revistas ou livros de administração ou de

teoria organizacional ~ Elliott Jaques, mesmo assim, sempre de

forma extremamente reduzida e que não permite a compreensao do

significado do seu trabalho.

Essa dissertação se compoe de cinco capitulos:

o

primeiro ~ dedicado ã apresentação de um resumo dos princi-pais trabalhos publicados pela linha administrativista .

. O segundo faz a mesma coisa para a corrente psicossociológica.

Tanto no primeiro como no segundo capitulos

procuramos ressaltar os aspectos que a nosso ver poderiam ter

interessado aos administradores.

No terceiro capitulo apresentamos o resultado da pesquisa que

(12)

capitu-6zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

los anteriores aparece nas revistas e livros consagrados no

meio administrativo? Qual a frequência com que esses autores

são citados?

No quarto capltulo sugerimos algumas explicações posslveis

para a pequena incorporação da psicanãlise pela teoria ad

-ministrativa,dando ênfase ã incompatibilidade entre ideolo-gia gerencial e essa abordagem .

. O capltulo 5

e

de resumo e conclusões.

Achamos oportuno frisar nossa condição de es

tudantes de teoria organizacional e administradores e de in

teressados em psicanãlise. Nossa incursão nesse ~eio se deu a

partir de uma expectativa de que a disciplina inlciada -por

Freud tivesse uma contribuição significativa a dar ã adminis

-tração. A dissertação

e

fruto do de~~jo dR comunicar o que

en-contramos, contribuir para uma maior difusão desse

conhecimen-to no nosso ambiente e diminuir as dificuldades que

obstaculi-zam o desenvolvimento do campo.

Esperamos do nosso esforço contribuir. para

três objetivos:

Apontar as dificuldades com as quais a incorporação da psic!

nãlise a administração se defronta e com isso ajudar na sup~

ração delas.

Apresentar uma sistematização que ficilite a compreensao do

tema àqueles que se propuserem a entendê-lo e pesquisã-lo.

Apresentar uma slntese didãticado assunto que sirva de

(13)

7

CAPITULO 1: A CORRENTE ADMINISTRATIVISTAHGFEDCBA

============================ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

(14)

8ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Os autores da corrente que denominamos

admi-nistrativista,acreditam que a teoria psicanalitica representa

a melhor e mais completa descrição do funcionamento da mente

humana do ponto de vista psicológico, e procuram aplicã-la a

um grande numero de problemas em evidência na gerência de re

-cursos humanos e comportamento organizacional. Avaliação de

I Iperformancel l, desenvolvimento de executivos, mã adaptação de

gerentes, crise da meia idade, motivação, gerência por

objeti-vos, exaustão, reação ã derrotas, sucessão, poder,' sao

dos temas que foram abordados por eles ao longo de mais

duas décadas.

alguns

de

A avaliação da importância dessa produção é

complexa e polêmica. Apenas um exemplo disso: enquanto uma

re-vista com o prestigio da HARVARD BUSINESS REVIEW dã uma

gran-de importância ã linha e publica mais de vinte artigos dos seus

autores, a ADMINISTRATIVE SCIENCE QUARTERLY, não menos

respei-tada no mesmo meio, limita-se a publicar duas ou três resenhas

bastante crlticas sobre os livros que mais chamaram a aten

-ção dessa mesma corrente. Nesse capltulo tentamos nos abster o

mais posslvel das avaliações e opiniões pessoais e

tar um resumo abrangente do que é essa corrente.

apresen

-Os autores que estamos investigando

(princi-palmente Harry Levinson e Abraham Zaleznik) começaram tratando

de comportamentos patológicos ou tidos como tal em empresas.

Absentismo, alcoolismo, depressões graves, etc. A partir dai,

seu interesse se voltou para as condições das organizações que

favoreciam ou diminuiam as possibilidades do surgimento desses

problemas. A preocupação com as condições para uma vida emoci~

nalmente s a ud áv e l pode ser tido como o tema central. Suas obras

que analisamos para fazer esse resumo foram: Levinson (1962),

(1963), (1965a), (1965b), (1968), (1969), (1970), (1972), (1973),

(1974), (1975), (1976), (1980) Zaleznik (1963), (1965), (1967)

Zaleznik e Moment (1964) e Zaleznik e Vries (1975).

Na concepçao desses autores, a organização não

é necessariamente um ambiente neu0otizante.E mesmo que o fosse,

(15)

nao pode ser substancialmente alterado. Esse ~ um ponto

funda-mental que vai distingui-l~s da maioria dos autores da

cor-rente psicossociolõgica. Não se encontra nem em Levinson, nem

em Zaleznik uma critica ou uma denuncia das organizações

buro-crãticas como ~ncompatlveis comsaude mental". O esforço ~

sem-pre no sentido de adaptação, mudança no comportamento dos lide

res, etc.

Do ponto de vista teórico, a posição desses

autores e a de que as teorias que procuram explicar o comport~

mento dos individuos com base em fatores externos

(prêmio-cas-tigo, estimulo - resposta), não são suficientes, porque nao

dão conta do que acontece dentro do individuo. Por exemplo, LexwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA - . (1)11ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAh .

vinson no seu classlco W at Kllled Bob Lyons" comenta que:

"Elas trabalham apenas at~ o ponto em que se pode

con-trolar o ambiente. Como não hã muitos ambientes hoje

em dia que podem ser bem controlados, essas teorias são

severamente limitadas e inadequadas quando se tenta

aplicã-las ã sutilezas interpessoais complexas". (Levinson, 1963).

As teorias normativas, como a teoria da

hierarquia da necessidade de Maslow, que tentam abranger to

-das as pessoas, não permitem entender comportamentos especif~

cos, como de um executivo que se suicida ou de outro que exp~

ri menta uma extrema dependência com relação ao seu chefe.

Es-sas teorias, se bem que importantes, não são suficientes para

orientar decisões em situações especificas. Para esse fim

apenas a psicanãlise, com a sua abrangência, permite

enten-der a diversidade e a complexidade das reações e

comportamen-tos humanos.

Isto nao significa que se esteja propondo

que a psicanãlise sozin~a seja suficiente para entender o com

portamento das pessoas nas organizações. Este, evidentemente,

não pode ser explicado apenas pelas variãveis intrapsiquicas.

(16)

1 O

o

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBApapel dos sistemas tecnicos, sociais, culturais e do ambien

te da organização e reconhecido. Em particular e valorizado o

trabalho de George Herbert Mead e seus seguidores, na linha do

interacionismo simbólico, o estudo das formas como sao

geren-ciados e percebidos os papeis que desempenhamos em virias

si-tuações sociais,e de como controlamos as formas pelas quais

expressamos esses papeis para outros atraves da comunicação,

modo de vestir, gesticulação e comportamento não verbal e

co-mo eles são sustentados e complementados pelo cenirio em que

o papel e executado. Antes de verificar como os diversos te

-mas sao tratados pelos autores, apresentamos ,um resumo de

al-guns conceitos da teoria psicanalitica da personalidade de

Freud,que são importantes para a compreensão dos autores da

corrente administrativista.

Tentamos fazer um resumo sumário, uma vez

;;'q ue pa ra a p r e soen taçã-o-me is d e ta -1ha d a e x i s t em d iver s a s b o a s

obras. Alem de Hall, o próprio Freudpublicou virias obras i~

trodutórias, voltadas para o leitor interessado, como"As

Cin-co Conferências sobre Psicanilise" de 1910, e as "Conferên

cias Introdutórias sobre Psicanálise" de 1915-1916 e 1916-1917.

1.1.- CONCEITOS BAsICOS EM PSICOLOGIA FREUDIANA

A personalidade para Freud se compoe de três

grandes sistemas: o id, o ego e o super-ego. Quando esses três

sistemas funcionam bem, cooperando entre si, o individuo e

ca-paz de se relacionar bem com o ambiente e consigo mesmo. Inver

samente, quando eles não estão em sintonia, a adaptabilidade

da pessoa ê reduzida e há diversas ordens de prejuizo. A fun

ção do id e proporcionar a descarga imediata da excitação lib~

rada no organismo por estimulos internos ou externos. Essa fun

ção do id atende ao principio primordial 'da vida, o principio

do prazer - livrar-se ou reduzir ao minimo as tensões.

Algumas dessas tensões podem ser resolvidas

por reflexos, como por exemplo a contração de esfincteres. Ou

(17)

criança começa a reter na memória uma representação mental dos

objetos associados com a satisfação da~ suas necessidades bãsi

caso Um dos postulados bãsicos da teoria psicanalitica e que

existem no id imagens dos objetos, e que a sua reprodução e ca

paz de reduzi r as tensõe-s- 'a e-lese 1 igadas, de forma semel hantexwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ã redução que

e

proporcionada pelos objetos em si.

o

id

e

a fonte primãria de energia psiquica, ~,o loco dos instintos. Ele estã mais em contato com os proce!

sos corporais do que com o mundo externo. Por isso mesmo nao

pode ser modificado pela experiência. Ele tampouco pode ser

controlado pelo ego. Não se rege pela lógica ou pela razão.

Sua unica preocupação ~ com a descarga imediata das

necessida-des instintivas, de acordo com o principio do prazer.

Os processos pelos quais o id descarrega ten

soes - ati-vidade motora impulsiva e formação de imagens

-são suficientes para manter a vida e a especie. Para isso, nao

-

e

necessãria a formação de um nóvo sistema psicol~gico que

em consideração a realidade externa. Esse sistema ~ o ego.

1 ev e

O ego ~ governado pelo principio da

realida-de. O objetivo desse principio ~ adiar a descarga de energia

ate que o objeto que satisfaça a necessidade exista. Isto

sig-nifica que o ego tem uma capacidade de tolerar tensões e de

influir sobre a realidade por intermedio de um plano.

O ego deve ser capaz de separar o mundo

sub-jetivo da mente do mundo objetivo da realidade fisica. Isto não

significa que ele não produza fantasias. Apenas que ele disti~

gue entre fantasia e realidade, as primeiras sendo reconhecidas

como tal.

O superego ~ o braço moral da personalidade.

Ele representa o ideal ao inves do real, e busca a perfeição

(18)

1 2zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

"O superego é o código moral da pessoa. Desenvolve-se a partir do ego como consequência da assimilação

pela criança dos padrões paternos com relação ao

que é bom e virtuoso e o que é mau e pecaminoso.

A i n t e r n a 1 iz acã o d a a u t o r ida d e p a r e n tal .p e rm it e a

criança controlar seu comportamento de acordo com

o desejo del e s e,~ dessa forma, assegurar a aprova -ção e evitar seu descontentamento". (Ha l l , 1973, pg. 31 ) .

O superego é composto por dois sub-sistemas,

o ego-ideal e a consciência. O ego ideal corresponde ã

concep-ção do que seus pais consideram ser moralmente bom. Os pais

transmitem seus padrões de virtude aos filhos, permiando-os p~

las condutas alinhadas com esses padrões. A consciência, por

outro lado, corresponde ãs concepções do que seus pais sentem

como moralmente ruim e é estabelecida através de experiências

com punlçoes.

As punições aplicadas pelos pais podem ser

fisicas ou psicológicas. Punições fisicas consistem na

imposi-ção de castigos corporais dolorosos ou privações de objetos

de-sejados.Punições psicológicas são a retirada do amor,que

car-rega consigo a ameaça da frustração das necessidades bãsicas.

O superego tambem pune e premia. Estas puni

çoes e premiações são aplicadas ao ego e também podem ser

fi-sicas ou psicológicas. Doenças

perdas de objetos são exemplos

tas pelo superego. Sentimentos

da são tipicos de aprovaçao.

psicossomãticas, acidentes e

c lZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà s sic o s de punições impos

-de orgulho e auto-estima eleva

-Um detalhe importante e que o supergo, como

o id, tampouco distingue entre realidade e imaginação.

Pensa-mentos pecaminosos equivalem ã ações idem para o superego, e

ambas são punidas com a mesma severidade.

-Um outro ponto importante, e que nao e a con

duta dos pais que molda o supergo, mas as suas crenças.A crian

ça é punida ou premiada por agir de acordo ou em desacordo com

o que os pais acreditam ser moralmente bom ou mal, de acordo

(19)

inver-samente a eles. são essas idéias e padrões que a criança apre~

de a obedecer e valorizar, mesmo que seus pais nao os prati

quem.

Freud viveu numa epoca de grandes

progres-sos no estudo da fisica em geral e da dinâmica em particular.

Provavelmente, por força dessas influências, ele se tenha dado

a um.grande esforço para construir uma teoria da personalidade

coerente com as leis da energia num sistema fisico.

Para Freud, a energia que opera na persona

-lidade - a energia psiquica -xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAê da mesma natureza da que move

o universo. Ela executa trabalho como qualquer outra. Toda

energia usada para a realização de trabalho na personalidade ê

obtida dos instintos. Um instinto e uma condição inata que

im-prime um~'direção aos. processospsico16gicos. Freud reune os

instintos em dois grandes grupos: os' a serviço da vida e

aque

-les a serviço da m0rte. O objetivo dos instintos da morte e

voltar ã constância da materia orgânica. A agressividade e a

destrutividade são derivativos do instinto da morte. O

instin-to sexual e o mais conhecido dos instintos da vida.

Em condições normais o ego consegue atrair

uma quantidade suficiente de energia do id para si mesmo,

vir-tualmente monopolizando a disponibilidade de energia psiqulca.

Quando isto acontece, o ego usa essa energi.a para outros fins

alem da satisfação dos instintos, como por exemplo, aprender,

-raciocinar ·e imaginar. Com isso, o individuo fica em melhor

condição de se adaptar ao mundo e de influir sobre este para

seus propositos.

Ao longo da vida, a personalidade se altera

e desenvolve. O ego se torna diferenciado e assume o controle

das fontes de energia. A pessoa aprende a lidar melhor com

frustrações e ansiedades. Essas mudanças ocorrem por efeito

de· cinco condições bãsicas: amadurecimento, frustrações exter

nas, conflitos internos, inadequações pessoais e ansiedade.

Para resolver as situações de tensão causadas pelas frustra

(20)

1 4zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

mecanismos de identificação, deslocamento, sublimação,

.mecanis-mos de defesa e compromisso ou fusão de instintos. As dificulda

des dessa natureza com que a pessoa se defronta durante a sua

vida e como ela utiliza esses mecanismos determinam a sua per

-sonalidade.

Identificação e a incorporação das qualidades

de um objeto externo, geralmente uma pessoa, na personalidad~ de

um indivlduo, que se transforma segundo o modelo do outro.

A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma serie de

identificações. Hã diversos tipos de identificação posslveis.

Diz-se que hã identificação narcisita quando hã incorporação das

caracterlsticas da outra pessoa que são apreciadas e amadas na

pr6pria pessoa. Quando hã incorporações das. caracterlsticas de

uma pessoa de sucesso ou apreciada, na expectativa que a incorp~

ração torne a pessoa que incorporou bem sucedida, Freud fala em

iden-tif-i-cação 'ori e n ta d a para u m r o b j et iv o . r comum e importante a

identificação com o objeto perdido na tentativa de recuperar o

objeto, tornando-se igual a ele e minimizando a dor da separação

ou perda. Um outro tipo e com o axwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAç r e s s o rv. quando as proibições

estabelecidas por uma autoridade são internalizadas para evitar

punlçoes.

o

deslocamento e o mecanismo pelo qual a

ener-gia investida em um objeto pode m o v e r= s e para outro, se o prime~

ro não está disponlvel. Ao longo do desenvolvimento da personal~

dade ocorrem uma serie de deslocamentos ou substituições de obj~

tos.

Diz.-se que houve su b lí ma câo quando o objeto

substituldo representa um objeto culturalmente mais elevado.

São exemplos de sublimação o desvio de energia para atividades

intelectuais, culturais ou artlsticas que, aparentemente, nada

têm a ver com os instintos sexuais e agressivos.

Mecanismos de defesa sao os metodos que o

ego usa para aliviar a ansiedade, negando, falsificando ou dis

(21)

defesa sao a repressao e a projeção. Na depressão,o ego faz de

saparecer da consciência um conteudo desagradãvel ,'ou gerador

de ansiedade. Uma limitação desse mecanismo e que o c o nt exwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAiid o p~

de afetar o comportamento de formas indiretas, penetrando de

f o rm a di s f a r ç a d a n a 'co n s c iê n c i a. Na p r o j e ç ã o, o i n d ividuo e x pul

sa de sie localiza no outro qualidades, sentimentos ou

dese-jos que ele recusa. Com isso, uma ameaça interna passa a ser

sentida como externa, o que normalmente é mais fãcil para o

ego de lidar.

Os mecanismos de defesa sao formas irracio

-nais de lidar com a ansiedade. Eles fixam uma quantidade de

energia que poderia ser usada de forma mais efetiva. Apesar dis

so, eles desempenham um papel fundamental na infância, quando

o ego nao se desenvolveu a ponto de ter como lidar efetivamente

com todas as demandas feitas a ele e também na vida adulta.

a

'ri's

co

é " O 'S m e c a n ismos de d e f e s a dom in a r e m c o n t i nua m e n t e o e g o

reduzindo, desta forma, sua flexibilidade e adaptabilidade.

Provavelmente uma das descobertas de maior im

pacto de Freud foi a da sexualidade infantil e sua teoria sobre

o desenvolvimento do instinto sexual.

As fases por que passa o desenvolvimento do

instinto sexual estão fortemente associadas ãs zonas erõgenas,

que têm importancia dominante na vida da criança: a boca,o ânus

e o falo. A importância das zonas erogenas para o desenvolvimen

to da personalidade é que elas são as primeiras fontes de

exci-tação com que a criança tem que lidar, proporcionando-lhe as

primeiras experiências de prazer e dor.

A primeira das fases foi denominada por Freud

de oral porque durante ela é principalmente atraves dos lãbios

e da cavidade oral que os instintos sexual e agressivo são esti

m u 1 a dos. O s e x u a 1, P e 1a e s t im u 1 a çã o -tã til P r o P o r c i o n a da p e 1 o co.!:!.

tato com o seio no ato da mamada. O agressivo, através da

expe-riência de morder, quando surgem os dentes. A forma como o bebê

se adapta às primeiras experiências de dor ou prazer servirão de

modelo para as adaptações futuras. Por exemplo, se a forma de

(22)

16zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

objetos prazeirosos for predominantemente a de tentar detê-los,a pe~

soa poderã desenvolver um perfil de personalidade em que tenta

incorporar conhecimento e poder. Se for de atacar o objeto,

po-derã ser a destrutividade, manifesta na vida adulta através do

sarcasmo, cinismo ou escãrnio.

Na fase anal as experiências prazeirosas e do

lorosas se relacionam com a tensão exercida pelo material fecal

sobre as paredes do cólon, e o alivio proporcionado pela elimina

ção das fezes através do esfincter anal.

"Normalmente, durante o segundo ano de vida, os

re-flexos expulsivos involuntãrios são colocados sob

controle voluntãrio atraves de um conjunto de

expe-riências familiarmente conhecidas como "toillet train in~". Esse treinamento é normalmente a primeira expe

riencia crucial que a criança tem com disciplina e

autoridade externa. Se a interferência (com a

ativi-dade prazeirosa de eliminação das fezes) for muito

rlgida e punitiva, a criança pode retaliar, sujando-se intencionalmente. Quando crescer, essa criançaacer tarã as contas com figuras autoritãrias, sendo desor-ganizada,irresponsãvel, esbanjadora e estravagante~

Por outro lado, se a mãe estimula a criança a ter

movimentos do intestino e a premia quando ele defe

-ca, a criança encararã o produto do que ela fez como sendo de grande valor. Mais tarde na vida ela ' serã

motivada a produzir coisas para satisfazer a outros

ou a ela mesma, como ela antes fez para satisfazer a

mãe. Decorrências dessas experiências bãsicas podem

ser a generosidade, caridade e a filantropia." (Hall, 1973, pgs. 107 e 108).

o

terceiro perlodo do desenvolvimento do

ins-tinto sexual, corresponde ã fase em que o prazer sexual dominan

te é o da manipulação dos próprios órgãos sexuais.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAr a fase

fa-lica. Nesse periodo ocorre a intensificação do desejo da

crian-ça pela figura parental do sexo oposto. O menino passa a nu

trir pela mãe desejos incestuosos e, ao mesmo tempo,

experimen-ta ciumes e medo do pai. A fantasia especifica e que o pai ata-HGFEDCBA

carã e removerã seu orgão sexual. Para reduzir esse temor o

me-nino reprime seu desejo pela mãe e sua hostilidade pelo pai.

Na menina Freud postulou que surgiria inveja do pai pelo fato

dela não possuir penis, misturada com o seu amor por ele. Esse

conjunto de situações, que foi batizado de Complexo de tdipo,d~

(23)

1 7

e na orientação do desejo humano. Da elaboração adequada do Co~

plexo de tdipo depende a estruturação de uma personalidade equi

librada, assim como do fracasso nessa elaboração decorreria a

maior parte das psicopatologias da vida adulta.

1.2.- O TRABALHO DE HARRY LEVINSON E ABRAHAM ZALEZNIK

O primeiro artigo de que temos noticia publi

cado por autores da corrente administrativista trata do

pro-blema do desenvolvimento gerencial. (Levinson, 1962). SuasZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t d eia s centrais sao as seguintes:

Um dos principais caminhos do crescimento psi

cológico

e

ó processo de identificação. Esse mecanismo funda

mental no desenvolvimento da criança, continua ativo e impor

-tante na vida adulta;

No ambiente organizacional vários fatores cons

piram contra a possibilidade de identificação positiva com o

chefe:

Os erros nao sao admitidos. Com isso,.a possibilidade

de admissão de culpas e análise de falhas fica blo.

-queada, e esse e um elemento fundamental para o

estabelecimento de uma relação saudável, onde o subor

dinado pudesse se identi.ficar com o chefe .

. As necessidades de dependência são negadas. Não impo~

ta quão bem tenhamos resolvido a questão de

dependên-cia com relação a nossos pais, todos nós continuamos

a ter desejos inconscientes de depender. Nas organi

-zações, qualquer indicação de dependência tende a ser

(24)

1 8zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A rivalidade é reprimida - sentimentos de rivalidade

entre chefe e subordinado são inevitãveis e

raramen-te na organização hã possibilidade dessa questão ser

debatida com franqueza.

A relação nao é examinada - questões como

hostilida-de reciproca, afetoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAmii tu o , medos, etc., raramente são

discutidas. As discussões de avaliação em geral gi

-ram em torno do desempenho do subordinado apenas.

Se a identificação com os superiores hierãr

-quicos e um fator fundamental no desenvolvimento dos

executi-vos., e n tão e s s a t a r e f anã o p o de s e r de 1 e g a d a a õ r g ã o s de 11staff11 •

Ela tem que ser exercida por alguém com habilidades,

experiên-cia e qualidades que o tornem passivel de se tornar um modelo.

O papel dos õrgãos do IIstaffll é necessariamente complementar.

A questão da motivação aparece de forma ex

-plicita no artigo IIAsinine Attitudes Towards Motivationll (le

-v in s o n, 19 7 3 ) e d e f o rm a i n d i r e ta no 11T h e E x c e p c i o n a 1 E x e c u t ive 11

(l e v in s o n, 19 6 8 ). E 1e a t a c a a s c o n c e p çõ e s dom i n a n te s sob r e

mo-tivação' como simplistas e fadadas ao fracasso. A principal cri

tica que no artigo o autor faz às teorias de motivação domi

-nantes é de que elas estão baseadas na psicologia do prêmio e

castigo. Segundo o autor, a forma como os executivos tentam mo

tivar seus subordinados é acenando-l~es com a cenoura e

criti-cando-os com a vara. Isto significa 9ue as pessoas estão

sen-do tratadas como asnos, como se fossem estupidos, teimosos e

não quisessem ir para onde estão sendo conduzidos. As pessoas

rapidamente aprendem a reconhecer por trãs de aparências mais

ou menos sofisticadas, a cenoura e a vara. Como este tipo de

trata~ento é incompativel com a imagem que as pessoas têm de

-las mesmas, elas passam a resistir e sabotar este tipo de e~

timulo e a desconfiar das técnicas gerenciais de motivação que

(25)

-zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A outra razao a qual o autor atribuir o fracas

so das técnicas de motivação é a forma piramidal das estrutu

-ras 'hierãrquicas nas organizações burocrãticas. Essa forma

pi-ramidal significa que hã menos lugàr a cada nlvel que se sobe.

Isto deixa, necessariamente, um grupo majoritãrio de pessoas

que fracassaram na luta por promoções, e que se sentem derrota

das, julgadas arbitrariamente e, portanto, ressentidas com a

organização. Para essas pessoas, a cenoura e a vara passam a

ter muito menos significado.

Uma outra consequência da estrutura pirami

-dal é a dependência em que ela coloca as pessoas em relação aos

nlveis superiores. Contratações, demissões, promoções, rebaix~

mentos, etc., são prerrogativas dos superiores que podem

to-mar decisões unilateralmente. Nestas circunstâncias, é natural

que os subordinados adotem atitudes defensivas, incompatTveis·

com a espontaneidade, dedicação, compromisso e adaptação

ino-vadora.

o

artigo não nos diz quais são as

alternati-vas que o autor propõe as concepções dominantes sobre motiva

-ção e

ã

estrutura piramidal. Com relação a esta ultima, o autor

se limita a advertir contra as distorções e os excessos que

po-dem ser cometidos. Depois de alertar contra a tendência de

con-siderar as estruturas hierãrquicas como uma necessidade ou algo

intrinseco às organizações, ele recomenda que o executivo faça

um exame da estrutura da sua organização para verificar se ela

estã volt~da para as exigências da tarefa ou para se adaptar a

um modelo. Com relação à motivação ele recomenda que cada exe

-cutivo faça um exame profundo das suas concepções sobre o

as-sunto e as reveja, se ele estiver imbuido da "falãcia do asno".

Apesar de em nenhum momento os autores pro

-porem explicitamente alternativas para lidar com a questão da

motivação (ou falta dela), parece-nos que juntando elementos

que aparecem em pontos isolados é pos51vel elaborar alguma coi

(26)

20

A teoria psicanalltica nos dã uma descrição do aparelho

psiquico como algo extrema~ente variado, complexo e

espe-flco. Qualquer tentativa de generalização está neces

sariamente fadada ao fracasso~ Mesmo o modelo mais compl~

xo deste aparelho e que admita enorme numero de variáveis,

deve ser visto com reservas, pois corre o risco de não

dar conta de uma situação especlfica. Para entendermos as

necessidades psico15gicas de um indivlduo, ~ necessãrio co

nhecer sua hist5ria de vida em profundidade, e como es

sa hist5ria foi vivida subjetivamente por essa pessoa.

De qualquer forma, as necessidades que cada um traz

o ambiente de trabalho são continuações das que ele

anteriormente, e a teoria psicanallstica fornece uma

crição gen~rica dessas necessidades. Afeto, redução

tensões internas, desenvolvimento, etc.

pa r a

tem

des-de

Um aspecto fundamental da teoria psicanalltica para a que.?.

tão da motivação ~ o da existência no interior do indivl

duo de um censor e um instigador, na forma dos dois sub

sistemas que compõem o superego. A necessidade de estar a

altura das expectativas do seu ego-ideal e de não incorrer

em punições pela consciência são as fontes ultimas da moti

vação dos indivlduos, no sentido de produzir melhor e de

-senvolver-se. Para motivar pessoas seria necessãrio

enten-der esse quadro complexo e encontrar as melhores formas de

interagir com ele. A principal IItecnicaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAl l

de motivação se

-ria dar condições para que esse sistema interno aja. No caxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

pI tu l o 12 - "Na ste ry Ne e d " do livro IIThe Excepcional Ex-ecutivel l

, Levinson dã uma ideia de como ele imagina que

isto possa ser feito. Oferecendo às pessoas um modelo que

tenha altas expectativas, reforçando as do ego-ideal e

fa-zendo solicitações importantes à pessoa.

IISolicitações neste sentido são as expectativas esp~

clficas que- surgem pela identificação com o

ego-ideal do llder - suas aspirações, objetivos, seus

valores. Os mais altos destes tornam-se os objetivos

partilhados da organização. Eles servem para elevar

as pessoas acima dos seus horizontes limitados, em

(27)

21

"zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

IIQuando confrontado com um modelo que tem altas

expectativas e faz solicitações importantes, o

subordinado aspira a igualar e exceder este

mo-delo.

Quando uma pessoa pode julgar suas próprias rea

lizações e reconhecer o quanto ela estã vivendo

ã altura do seu ideal, ela proporciona a si mes

ma um reservatório de auto-gratificação. Ela

satisfaz seus próprios padrões com satisfação.

Em consequência, ele age como uma entidade inte

grada. Suas ações estão em harmonia com suas

aspirações e·ela se sente aprovada pelo seu

ego-ideal pelo que fez. Ela é, portanto, auto-aprova

da. Ela gosta de si mesma. Ela é uma fonte impor

tante de afeto para si me s r n a . " (Levinson, 1968,-pgs. 217 e 218).

Outra questão para a qual esses autores

cha-mam a atenção (Zaleznik, 1963) é o que eles chamam de confli

-tos de liderança, ou seja, os conflitos internos que as

pes-soas tendem a experimentar por estar em posições de poder.

Se-gundo esta visão, muito da dificuldade que os.executivos

expe-rimentam diante de determinadas situações e da hesitação sua

perante deci~ões, se deve a que elas reavivam conflitos

inter-nos. Os conflitos que o autor menciona são:

· Conflito entre a necessidade de exercer autoridade e de ser

amado;

· Medo do sucesso;

· Medo do fracasso.

O autor, infelizmente, nao aprofunda o que

na personalidade dos executivos tenderia a tornar esses confli

tos mais provãveis e intensos. Nos podemos especular que uma

pessoa cujo superego fosse particularmente severo teria maior

necessidade de demonstrações externas de que é querido para

garantir sua auto-estima, e que por isso mesmo seria mais

sen-s1vel ao fracasso. Ou .então que fantasias de rivalidade com o

pai tornassem a idéia de sucesso tem1vel. Mas essas

(28)

22zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A questão do suicldio aparece em dois

traba-lhos. Em "What Killed Bob Lyons"ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA( L e vin s o n , 1963) e em "On

Executive Suicide" (Levinson, 1975). O suicldio e visto como

um caso extremo de incapacidade do ego de compatibilizar exi

-g~ncias do id, superego e realidade externa. No primeiro

arti-go, o autor relata um caso real de um executivo que tinha uma

necessidade compulsiva de ser defrontado com grandes desafios

no trabalho e exceder-se na superação deles. Quando, por cir

-cunstâncias,

e

colocado numa posição menos exigente, entra em

depressão profunda e se suicida, apesar dos esforços da faml

-lia e dos superiores hierarquicos para ajuda-lo. A propósito de

explicar a natureza do conflito interno que leva uma pessoa a

por fim ã sua própria vida, o autor apresenta um resumo bem

elaborado e didatico da teoria psicanalltica da personalidade.

No segundo artigo, sob o impacto de novos casos de suicldio,Le

vinson retoma o tema e propõe algumas medidas pelas quais o s~

perior hierarquico poderia diminuir a probabilidade de

ocor-r~ncias entre seus subordinados.

o

problema da ma adaptação dos executivos e

t r a ta d o em" W h o i s to B1am e f o r Mal a d a p t i veM a na g e r s " (L e v i n s on ,

1965). Baseia-se na analise de quase trezentos casos discuti

-dos em seminarios de uma semana frequentados por executivos-se

niores. O autor defende a posição de que

"Mui tos dos c o m p o r t a me n to·s in de . s e j a dos a p r e s e n ta

dos pelos subord1nados dos executivos-seniores que participaram dos seminarios foram

inadverti-da e inconscientemente estimulados e ate causa

-dos por estes." ( L e vin s o n , 1965, pg.,151).

E

como se o autor estivesse alertando os

executivos sobre a necessidade de analisar e alterar seus

pro-prios comportamentos, ao inves de projetar as culpas pelos pr~

blemas que ocorrem sobre seus subordinados. Os erros que sao

cometidos pelos executivos e que induzem aos comportamentos que

depois são ressentidos por parte de seus subordinados são:

Encorajamento da busca do poder;

(29)

. Estlmulo ~ rivalidade (entre executivos dn mesmo nlvel);

Fracasso na antecipação do inevitável;

Exerclcio de pressão sobre pessoas de habilidade lim~tada;

Mã colocação (pessoas em cargos).

Um dos aspectos do comportamento humano nas

organizações com relação aos quais esperávamos que os autores

tivessem mais a contribuir

e

o da relação subordinado - supe

-rior hierárquico. Essa relação, por ser vertical, desequilibr~

da do ponto de vista do poder e intensa, sempre nos pareceu e~

tremamente vulnerável ~ realização de todo tipo de

transferên-cias e revivências. E transferência e revivência são dos temas

mais caros ~ psicanálise, sendo o seu manejo o fundamento da

relação psicanalista-paciente e o que lhe confere seu poder te

rapêutico.

Com efeito, a dinâmica da subordinação foi

tratada num artigo de Zaleznik (1965) e, posteriormente,

reto-mado em livro (Zaleznik e Vries, 1975).

Para analisar a dinâmica da subordinação o

autor cita uma esquema teórico baseado em quatro combinações po~

slveis de duas dimensões da personalidade. As dimensões sao

dominação-submissão e atividade-passividade.

Uma fonte potencial de conflito no indivlduoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e

o confronto do seu desejo de controlar e sobrepujar figuras

de autoridade e o seu oposto - desejos igualmente fortes de ser

dominado e controlado por essas mesmas figuras. Dominação e

submissão são expressões de um mesmo intento: assegurar a

pos-se exclusiva das figuras que dispensam punições e gratifica

ções essenciais ã vida.

A outra dimensão da personalidade em

confli-to na relação com o superior hierárquico

e

o da passividade x

atividade. O indivlduo ativo toma iniciativas. O passivo

(30)

24zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

combinação dessas duas dlmensões surgem quatro padrões de su

-bordinação resumidos na ilustração a seguir.

Dominador

Impulsivo

Masoquista

Submisso

(31)

25

A principal caracterlstica do padrão impulsl

vo e a rebelião. Seu esforçoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e

no sentido de destruir a autori

dade e seus slmbolos, normalmente com o objetivo inconsciente

~e deslocar o pai. O subordinado compulsivo tende a elaborar

excessivamente seus pensamentos, em função de sentimentos pod~

rosos de culpa e de uma consciência exacerbada. A culpa

e

rela

cionada com o desejo de dominar e controlar figuras de

autori-dade. A hesitação, duvida e rigidez estão relacionados com def~

sas contra esses desejos. Uma forma de man.ifestão da passivid~

de

e

pela tentativa indireta e manipulativa de exercer influê~

cias, às vezes de maneira desapercebida ate para o agente. Um

caso extremo dessa manifestação e a hipocondria.

O masoquismo consiste na busca de prazer atra

ves da experimentação de s~frimento.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt uma tentativa de lidar

com as tendências agressivas da pessoa. Manifestações tlpicas

desse padrão são a tendência a sofrer acidentes e a de incitar

crlticas contra si próprio.

O padrão retraldo confere à pessoa uma apa -HGFEDCBA

rência de auto-suficiência. Na verdade, esconde uma necessida

de desesperada de afeição e amor. t diflcil influenciar uma

pessoa que obedeça a este padrão, porque ela manifesta ausen-

-cia de interesse, desconfiança e não-envolvimento. O padrão re

traldo expressa uma dificuldade de mobilização e utilização cons

trutiva dos impulsos agressivos.

O autor faz uma anãlise de como histórias de

desenvolvimento pessoal particulares conduzem a cada um desses

padrões de subordinação e sugere diretrizes para lidar com

eles. Ele alerta de que a obediência a um determinado padrão

não e, necessariamente, negativa. Alguem cujo padrão de

subor-dinação seja a impulsividade pode ser muito construtivo,

colo-cando seus pontos de vista e crlticas de forma corajosa e fran

ca, por exemplo. Tudo depende do controle e do uso que o indi

dlvuo faz de suas fantasias e da forma como o ambiente reage

a ele. Na nossa opinião, a anãlise que Zaleznik faz da

ques-tão da subordinação e uma das melhores contribuições da

(32)

26

Uma das posições centrais da argumentação dos

autores que estamos examinando e a de que a questão da adminis

tração não pode ser vita de maneira divorciada da

personalida-de. Ou, em outras palavras, a personalidade do executivo

exer-ce uma influência importante sobre a pOlitica e a estrategia da

organização que ele lidera. Essa· posição, que na sua forma mais

elaborada aparece no "Power and the Corporate Mind" (Zaleznik,

1975) surge pela primeira vez de forma explicita no artigo

"Management of Disappointment" (Zaleznik, 1967).

Nesse artigo, a proposito de chamar a aten

-çao para a importância da administração das experiências de

desapontamento, praticamente inevitãveis na carreira do lider,

o autor desenvolve algumas considerações sobre a psicologia do

executivo e de como ele se relaciona com ~ organização.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

liA natureza da politica e da estrategia nas

or-ganizações empresariais

e

um resultado direto

das ações dos lideres~ Eu não acredito que este

ja de acordo com a realidade imaginar que as

decisões sejam tomadas de forma impessoal. Elas

são tomadas por homens que pensam e agem em

re-lação ã influências de figuras de autoridade e

que estão elas mesmas, como tentei indicar,

li-mitadas por um processo geral de desenvolvimen-to humano." (Zaleznik, 1975 pg. 67).

O lider tem a diferenciã-lo da maioria das

outras pessoas, via de regra, um elevado senso de s i mesmo

("sense of self") ou seja, o investimento em si mesmo de boa

parte das catexias de objeto. Isto, se por um lado o torna

mais independente e auto-confiante, por outro torna mais

difi-cil para ele a aceitação de derrotas e desapontamento~. A

res-posta a esse tipo de experiência pode ser de carãter

destruti-vo, dando origem a ataques de vãrias naturezas contra si

pro-prio ou contra outros. Ou então, a pessoa pode ser capaz de

examinar suas atitudes e perspectivas e, talvez, reconhecer a

impossibilidade de certos desejos e objetivos, descobrindo pos

sibilidades novas de trabalho produtivo e prazer. Nesse .caso,

a experiência de desapontamento pode ser um evento psicologic!

(33)

27

As questões dos sistemas de aval iação de

desem-penho e administração por objetivos foram tema de dois artigos i~

terrelacionados de Levinson. Nos dois o alerta

e

contra a prec~

riedade das descrições de objetivos e criterios de avaliação de

desempenho dominantes, e a necessidade de consideração das nece~

sidades psicológicas dos individuos. No primeiro artigo, "Man

-agement by Objectives" (Levinson, 1970), sustenta que a gerên

-cia por objetivos estã fadada ao fracasso e que seu unico resul

tado

e

aumentar a pressão sobre os individuos. As razões para

isso são essencialmente duas: a precariedade da descrição dos

objetivos e que o lado humano da questão

e

deixado de lado. No

se g u n do a r ti g o, ••A P P r a isal o f W h a t P e r f o rm a n c e" (L e v in s o n ,1 976 ),

a questão da necessidade de revisão da concepçao dos objetivos

e

retomada, e são apresentadas algumas sugestões de como supe

-rar as limitações usuais dos programas de avaliação.

Paia Levinson, as descrições de funções e de

objetivos usuais sao o que chama chama de estãticas. Elas su~

poem que so "o que"

e

atingido

e

importante, quando na verdade

o "como" um executivo faz o seu trabalho

e

decisivo para o co~

ceito"que dele terã a organização. O tipo de relacionamento que

ele estabelece com colegas, clientes, subordinados,

fornecedo-res, a postura que ele adota em negociações e a sua capacidade

de alternar atitudes, são exemplos de categorias dificeis de s!

rem incluidas em fórmulas de avaliação d~ desempenho e que, no

entanto, deveriam ser consideradas. O autor contrapõe uma

des-crição de função em que

e

considerada a topografia emocional e

comportamental da tarefa a ser desempenhada. Por exemplo:

Quais as exigências que o trabalho faz sob a forma como o

in-dividuo deve lidar com sua agressividade? E a sua afetividade?

. Como o encarregado da tarefa deve lídar com suas necessidades

de dependência?

. Quais demandas do ego-ideal sao atendidas pel~ tarefa?

(34)

--2 8zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Se os objetivos estabelecidos nao considerarem

as necessidades psicológicas dos indivlduos, a hipótese usual de

que o indivlduo sentir-se-ã comprometido com os objetivos

traça-dos apenas porque participou da suaelaboiação, pode não se veri

ficar. A pessoa pode se sentir como um rato num labirinto - sem

outra alternativa alem de procurar o queijo - e reagir com

res-sentimento e hostilidade. Para que a administração por objetivos

funcione, e necessãrio ainda, alem de descrições dinâmicas e con

siderações das nece~sidades psicológicas, alguns mecanismos de

suporte, como metodos para ajudar os avaliadores a lidar com seus

sentimentos de culpa, avaliação de desempenho de grupos e avalia

ção de desempenho de baixo para cima.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

problema do poder nas organizações foi trata do no artigo "Powe r and Politics in Organizational L'if e "

(Zalez-nik, 1970) e, posteriormente, no livro "Power and The Corporate Mindl l (Zaleznik e Vries, 1975). A parte mai s interessante do

ar-tigo e a que ele dedica às relações do poder. Segundo o autor,

nenhuma organização pode funcionar sem que exista uma coalisão

de poder em torno de uma figura central. A causa do não desenvol

vimento de uma c o a li sà o deve ser buscada, em primeiro lugar/,na n~

tureza das defesas do executivo principal e naquilo que ele

pre-cisa para evitar para aliviar a tensão. Uma coalisão realista

agrega autoridade formal e competência, com envolvimento

emocio-nal. O deslocamento de problemas pessoais para questões

substan-tivas na tomada de decisões e a forma mais perigosa de defesa.

Quando a principal força para manter unidas as pessoas numa es

-trutura e a necessidade de se defender cDntra conflitos intolerã

veis pelos individuos isolados, temos um conluio em vez de uma

c o a 1 i são. E n q u a n to nas p r im e i r a s a i n t e n ç ã o e usa r a s e n e r g ia s p~

ra fins construtivos, nas segundas predomina oconf)ito incons

-ciente e o comportamento defensivo. Uma necessidade defensiva do

executivo-chefe, que com frequência da origem a conluios, e a de

ter sua auto-estima insuflada por outros. r nbtavel o tempo que

subordinados podem tolerar este tipo de situação e o quanto ela

demora a transparecer para terceiros.

O executivo-chefe torna-se nas organizações o

(35)

ses laços resulta das necessidades das pessoas, pelo fato dele

ocupar uma posição análoga a do pai na familia. Isto faz com

que necessidades de afeto e proteção experimentadas na infân

-cia seja revividas nesse contexto. Essa analogia também

expli-ca a facilidade e a intensidade com que sentimentos como ciu

-mes, inveja, amor e ódio emergem nas organizações.

Uma forma de distorção de idéias e de perceE

çoes que aparece com frequ~ncia nas organizações é o

pensamen-to paranóide, que se caracteriza pela emerg~ncia de suspeitas,

atribuiçâo de mas intenções e desconfianças exageradas com

re-lação a outros, e sentimentos de onipot~ncia alternados com i~

pot~ncia da parte do executivo-chefe ou da coalisão dominante.

Esse tipo de distorção. ao qual todos estamos sujeitos eventual

mente é mais provável entre lideres, devido à sua preocupaçao

com o poder (1).

Uma outra tend~ncia frequentemente

encontrã-vel nas organizações e que tem como fulcro a mã elaboração de

tensões é o ritualismo. O ritualismo consiste

"na elaboração e formação de estruturas,

procedi-mentos e outros cerimoniais que criam a ilusão de

resolver problemas, mas que, na realidade, somen-te dão às pessoas algo sobre o que descarregar ener

gias preciosas. O melhor exemplo de abordagens

ri-tualizadas a problemas reais é a solução sempre

disponivel de juntar pessoas em comit~s, na

ingê-nua expectativa de que a troca de idéias leve à

soluções". (Zaleznik, 1970, pg. 56).

O autorZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAte rm ina . o artigo com outro esquema bi

dimensional, desta vez a respeito dos viezes de estilos dos 11

deres, que derivam das suas personalidades e defesas. As dime~

sões desse esquema sao a prefer~ncia pela parcialidade ou tota

1idade e a preferência de substância sobre a forma.

(36)

30

ESTILOS COGNITIVOS DE GERtNCIA NA VIDA ORGANIZACIONALHGFEDCBA

=====================================================

Seleção de Objetivos

Burocrãtico

Orientado para açao.

Parcial

Solução de Problemas

Substância

Conversão

Total

Aquiescência

O enfoque total normalmente leva ã conclusão

de que as pessoas devem sofrer conversões profundas, seja de

valores, personalidade ou idéias. Como, apesar de todo o seu

poder, as organizações não conseguem este tipo de alteração de

-- - - pessoas, o resu~tado deste estilo costuma ser a intensificação

das fantasias e defesas em prejulzo da realidade.

No estilo burocrãtico, a ênfase é sobre

pro-cedimentos e estabelecimento de precedentes. Sua atração estã

na promessa da certeza nas relações e na despersonalização do

poder. Suas fraquezas são conhecidas. A orientação para o to

-tal podeZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAt a r n b â m levar ao estilo "aquiescente", que enfatiza a

(37)

3 1zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

O estilo ideal seria o orientado para a solu

ç a o d e p ro b 1 e mas. E s t e e s til o o p e rxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

a

d e a c o r d o c o mal g uma s prem i~

sas:

-A estrutura organizacional e um instrumento e nao um fim.

A estrutura organizacional pode ser alterada, mas nao se deve

brincar com ela .

. A estrutura organizacional expressa a coalisão dominante aco

plada ao executivo-chefe.

A estrutura organizacional e um produto de negociação e

com-promissos entre executivos que possuem bases de poder

semi-autônomas.

"Easing the Pain of Personal Loss" (Levinson,

1972),

e

uma clara tentativa de aplicar os conceitos

psicanall-ticos de ansiedade de morte, ã situações de separação e perda

de afeto nas organizações. Após enumerar e classificar uma se

-rie de situàções que ocorrem em organizações que despertam esse

tipo de ansiedade, o autor propõe algumas medidas para reduzir

as consequências, que em ultima anãlise se resumem em criar con

dições para que a perda seja elaborada e absorvida pelas

pes-soas afetadas.

A questão da empresa familiar e o tema

inter-ligado da sucessão foram tambem abordados em "Conflicts

Plague Family Business" (Levinson, 1972) e "Don't r h o o s e

That

Your

Successor" (Levinson, 1974). Com relação aos conflitos e p r ob l e

mas da empresa familiar, eles estão indissoluvelmente ligadosã

semelhanças entre a situação familiar e da empresa, no fato de

existir uma figura de poder central que controla punições e

re-compensas fortemente desejadas. Essa semelhança favorece a rev~HGFEDCBA

vência na empresa na idade adulta, de sentimentos experimenta

-dos na famllia na infância, tais como inveja, ciume, etc. Por

serem revivências de sentimentos experimentados quando'o

apare-lho pSlquico ainda estava num estãgio primãrio da sua evolução,

(38)

32

surgem na empresa é infantil, como se elas ainda dispusessem ap~

nas dos recursos ps;quicos daquela época. Com relação ã suces

-são, esse quadro é complicado ainda mais pelo desejo inconscien

te do executivo principal de demonstrar que ele é insubstitu;

-v e l , o que o leva a fazer uma escolha fadada ao fracasso e a con

duzir o processo de transição de forma a que este se

inviabili-ze.

Em "Reciprocating" (Levinson,xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1965), Levinson

propõe o conceito de reciprocação para analisar a relação pes

-soa/organização. O ·conceito de reciprocação permite, segundo o

autor, estabelecer uma ponte entre os resultados empiricos cole

tados pela psicologia industrial e a teoria sistemãtica do

ti-po propugnada por ele. Isto é pos5ivel na medida em que se

ana-lisa o impacto que o ambiente de trabalho tem sobre variãveis de

interesse para a psicologia industrial. A importância da organ~

zaçao para o individuo estã no fato dele preencher necessidades

psicológicas muito importantes, como afiliação e reforço de

me-canismos de defesa. Quando o processo de reciprocação estã

fun-cionando a contento, essas necessidades do individuo estão

sen-do preenchidas, contribuindo para o seu desenvolvimento e

equi-librio emocional. O individuo é influenciado pela organização e

molda esta em alguma medida, dando desta forma vazão ã sua neces

sidade de exercer influência sobre seu ambiente e executar

tra-balho útil. A importância do conceito estã em que ele facilita

a anãlise das condições e da forma como esta interação se dã, e

permite integrar os dados existentes na psicologia industrial ao

conhecimento das variãveis intrapsiquicas acumulado pelas teo

-rias sistemãticas.

Os diversos trabalhos de Levinson são integra

dos é algumas das suas teses tornadas mais explicitas no seu li

vro "The Excepcional Executive" (Levinson, 1968).ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAr ai que a

preocupaçao com a responsabilidade social do executivo e com

as condições para a saude emocional dos individuos aparece de

forma mais clara. A grosso modo, as teses do livro podem ser

(39)

As pessoas fazem no trabalho esforços contlnuos para manter o

equillbrio da sua personalidade. Este equillbrio estã longe

de estar garantido lia p rZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAio rt ? , e em função da importância que

o trabalho tem nas nossas vidas, o que acontece nele e

funda-mental para a manutenção ou nao desse equillbrio.

o trabalho ajuda o homem a viver de acordo com a sua cons

ciencia.

r

nele que reside a sua grande oportunidade de exer

cer controle sobre seu mundo exterior. O homem traz dentro

de si imagens do que deve ser a sua conduta, e o trabalho lhe

possibilita viver de acordo com a sua consciencia .

. Na importância do trabalho para o indivlduo, e na natureza das

suas necessidades psicológicas com relação ã organização,

re-sidem ao mesmo tempo a· necessidade e a força do executivo.

Responsabilidade porque ele controla variãveis importantes que

vão permitir ou não o bem estar,desenvolvimento, sa~de emo

-cional e, em casos extremos, a sobrevivencia dos seus subordi

nados. Força porque a existencia dessas necessidades

psicoló-gicas e as transferencias que os indivlduos fazem com relação

ã organização e a ele em particular, colocam ao seu dispor a

energia, a habilidade e o empenho dos seus subordinados, com

uma intensidade que seria inimaginãvel, se não fosse pela exis

tencia dessas necessidades psicológicas e pelas transferencias.

O executivo precisa cuidar desses aspectos, enquanto

simulta-neamente garante a sobrevivencia e a continuidade da organiz~

ção. Felizmente, os dois objetivos sãQ em boa parte compleme~

t-a re s , Para resolver os problemas da organização, o executi

-vo-chefe deve desenvolver seus subordinados e treinã-los para

que e 1 e s s e j a m "re sol v e d o r e s " d e p r o b 1e mas. S e

e

1 e f i z e r i s to,

ele estarã proporcionando a eles as condições necessãrias

pa-ra a sa~de ~mocional deles .

. O entendimento das necessidades psicológicas dos indivlduos,

de como elas ocorrem nas organizações, da natureza das tran~

ferencias provãveis, etc., são fundamentais para que o·

executivo-chefe possa executar asua função. A psicanãlise,

atraves da teoria abrangente que elaborou sobre a

(40)

3 4zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

agem com seu meio,. proporciona um excelente referencial

te6-rico para esse enteridimento.xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o

livro de Ze l e z nik e Vries (1975) "Power and

the Corporate Mind" tambem integra e esclarece as teses dos au

tores, que no seu caso se concentram em torno da questão do p~

der e do seu significado pSico16gico para lideres e liderados.

Tambem esquematicamente, podemos resumir essas teses da segui~

te forma:

A personalidade do executivo-chfe exerce uma influência

fun-damental sobre a organização e a sociedade. As soluções

tra-dicionais para controlar distorções no uso do poder, como i~

vestir as i~stituições de poder, são limitadas e apresentam

custos elevados. O uso da psicanálise para o entendimento de

fenômenos politicos corre o risco de supersimplificar o

pro-blema, uma vez que nenhum fenômeno social tem uma causa

unl-ca, e a questão do poder nas organizações não pod~ ser

redu-zido ã personalidade do executivo-chefe. Ma~ tambem acena

com uma possibilidade nova de compreensão e solução do pro

-blema.

As pessoas que buscam o poder de forma obstinada ou se ape

-gam a ele, com frequência o fazem como uma forma de compens~

ção, tentam colocar uma mente corporativa no lugar de um ego

não-coeso e, desta forma, buscam se livrar de uma auto-imagem

inaceitável e dividida .

. O desejo de poder representa uma mistura dos dois instintos

básicos. Se bem que não faça sentido falar num instinto de

poder, imagens de poder aparecem tanto em sintomas de pes

-soas perturbadas emocionalmente ·como em sonhos e associa

çoes de pessoas normais .

. A forma como diferentes histórias pessoais levam a

diferen-tes poslçoes com relação ao poder, tanto próprio (superord!

nação) como dos outros (subordinação), e dificil de ser

(41)

propostos no livro, mas o entendimento de cada caso indivi

-dual sã pode ser alcançado atraves de muito esforço e persi~

tência.

A apresentação de todos os pontos cobertos p~

los autores administrativistas nos seus trabalhos, tornaria e~

se capitulo extremamente extenso e cansativo. Esperamos ter

apresentado o suficiente das suas obras para permitir o

enten-dimentoda natureza delas e uma apreciação sobre a importincia

(42)

36

CAPITULO 2: A CORRENTE PSICOSSOCIOLOGICAHGFEDCBA

Referências

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