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A Alca e as principais implicações para o trabalho e a saúde dos trabalhadores.

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Academic year: 2017

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A Alca e as principais implicações

para o trabalho e a saúde dos trabalhadores

The FTAA and the main consequences

for work and worker’s health

1 Centro de Recursos Humanos e Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, UFBA. Rua Caetano Moura 99, 1ºsubsolo, 40223-360, Federação Salvador, BA. [email protected] [email protected] Graça Druck 1 Tânia Franco 1

Abstract This article analyses the FTAA in the globalization and newliberalism hege-m ony context. It approachs its im plications considering N AFT A exam ple, in develop-m ent since 1994, whose results evidence a labor process, environm ent conditions and workers´ s health precarization. T he flexi-bilization and disregulation of the rights, of the labor protection , healt h an d en vi-ron m en t legislat ion are st rategys bein g used by greats capitalists grups in defense of capital free m obility. T herein, the FTAA m eans a synthesis of globalization process. In the Brazilian case, the work, the health and the environm ent have been deeply de-graded in the last 10 years, as results of the flexibilization. The possibility of FTAA rep-resents the intensification of this process, that will im plicate a social regression that has no precedence. N evertheless, this arti-cle conclu des t hat t he an t i- globalizat ion m ovem en ts, the international foruns, the continental and intercontinentals confer-ences, the network of against- powers, de-note to be possible another Am erica and an-other W orld.

Key wo rds FTAA, W ork, Health, Environ-m ent, Flexibilization, Precarization

Resumo O artigo faz um a análise da Alca no contexto de globalização e de hegem onia neoliberal. Aborda suas possíveis im plica-ções à luz do Nafta, em curso desde 1994, cu-jos resultados evidenciam um processo de precarização do trabalho, das condições am-bientais e de saúde dos trabalhadores. A fle-xibilização e a desregulam entação dos di-reitos, das legislações de proteção ao em pre-go, à saúde e ao m eio am biente são estraté-gias cada vez m ais utilizadas pelos grandes grupos capitalistas na defesa da livre m obi-lidade dos capitais. A Alca representa um a síntese do processo de globalização. N o ca-so brasileiro, as dim en sões do trabalho e (des)em prego, da saúde e do am biente têm sido fortem ente degradadas nos últim os 10 anos, com o resultado da desregulam enta-ção e da flexibilizaenta-ção. A possibilidade da Alca representa não só a continuidade des-se processo, m as o des-seu aprofundam ento num patam ar que levará a um a regressão social sem precedentes. N o entanto, conclui-se que as respostas dos m ovim entos antiglobaliza-ção, os fóruns setoriais e internacionais, as conferências, as redes de contrapoderes, ho-je n os m ais diferen t es países e regiões do m u n do, in dicam ser possível u m a ou tra Am érica, um outro m undo.

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A Área de Livre Comércio das Américas (Alca): um rápido histórico

Em dezembro de 1994, líderes de 34 países das Américas do Norte, Central, do Sul e do Cari-be, reun idos n a 1aCúpula das Am éricas, em Miam i, nos EUA, atendendo ao cham ado do então presidente dos EUA Bill Clinton, lança-ram a proposta da Alca. Nessa reunião, o pre-sidente norte-americano propôs-se a realizar um sonho do anterior presidente George Bush. Esse sonho era criar um acordo de livre com ér-cio que se estendesse desde o Alasca (norte do Canadá) até a Terra do Fogo (sul da Argenti-na). Seria um acordo que unisse a econom ia do Hem isfério, aum entasse a integração social e política entre os países e se baseasse no m es-m o es-m odelo de livre coes-m ércio que é o N AFT A

(Para entender a Alca, 2002).

Após o seu lançam ento, m ais dois encon-tros da m esm a n atu reza (2ae 3aCú pu la das Am éricas) foram realizados em 1998 e 2001, estan do prevista para abril de 2003 a 4ª reu-n ião da Cúpula das Am éricas. Além disso, ocorreram seis reu n iões m in isteriais, com a participação de m in istros respon sáveis pelo comércio dos países americanos. Uma dessas reuniões, realizada em 1997, ocorreu no Bra-sil, em Belo Horizonte.

Nesses fóru n s foram se con stitu in do al-gu n s organ ism os para avan çar as propostas de negociações do Acordo. Já em 1998, criou-se u m Com itê de Negociações Com erciais (CNC), formado pelos representantes da área de Comércio de cada país (ministros ou vice-ministros), e se constituíram nove Grupos de Trabalho: serviços (educação, saúde ...); in -vestim en to; con tratos pú blicos; acesso ao m ercado; agricultura; direitos da proprieda-de in telectual; subsídios, an tidum pin g e di-reitos de com pensação; política de com peti-ção; resolução de disputas.

Esses comitês e grupos de trabalho vêm se reunindo desde então, sempre com a exclusi-va participação de represen tan tes-m em bros de governos (executivos), sem qualquer inter-ferên cia de outros poderes da sociedade. A participação dos parlam en tos está prevista somente no momento de ratificação do acor-do final, que deverá ter início em 2005. No en-tanto, o parlamento americano tem desempe-nhado um papel im portante nas negociações dos termos do acordo, representando os inte-resses das gran des em presas n orte-am erica-nas, cujas pressões e lobbies têm influenciado

decisivam en te as defin ições, den tre elas, a própria antecipação do início da Alca, já para 2003, con form e n oticiado pela im pren sa. Mais recentemente, no pós 11 de setembro, o govern o Bush obteve do Con gresso a Trade Promotion Authorithy – fast trackou “via rá-pida” –, que dá poder ao Executivo de nego-ciar em endas com erciais sem que possam ser examinadas e alteradas pelo legislativo. Mais do que isso, o Congresso definiu algumas exi-gências e, dentre elas, apressar as negociações n a Organ ização Mun dial do Com ércio (OMC) e n a Alca, n a direção de reforçar o protecionism o norte-am ericano em todas as áreas, n a defesa dos “in teresses n acion ais” que, para os atuais dirigentes dos EUA, repre-sentam os interesses de todas as Américas.

Assim , a Alca preten de reun ir 34 países, qu e con gregam u m a popu lação de 800 m i-lhões de pessoas. Apen as u m país está fora: Cuba, que sofreria com a implantação da Alca um isolamento maior ainda, tendo em vista a existência de uma área de “livre comércio” di-rigida e con trolada pela m aior potên cia do mundo, nada menos do que o país que decre-tou o boicote econôm ico e político a Cuba, desde a revolução: os EUA.

A gritan te desigu aldade en tre os países participantes da Alca pode ser constatada por u m dos prin cipais in dicadores de produ ção de riquezas: o Produto In tern o Bruto (PIB), que soma o valor de U$11 trilhões nos 34 paí-ses. Desse total, os EUA detêm 76,2%, que, so-mados aos produtos do Brasil, México, Cana-dá e Argen tin a, atin gem 95% do total da re-gião. Se forem adicionados Colôm bia, Vene-zuela, Peru e Chile, chega-se a 99%. Ou seja, um grupo de 9 países detém a produção, en -quan to os países restan tes (25) têm 1% do PIB dos 34 que fazem parte da Alca. Mas isso n ão é tu do, pois as desigu aldades en tre os 9 países tam bém são m u ito gran des. O Brasil apresenta o segundo maior PIB das Américas, 7,4%, equivalendo a um décim o do PIB n or-te-americano.

Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador brasileiro, ao an alisar as estratégias m ilitar, político-ideológica e econômica norte-ameri-cana para os países da América Latina, e espe-cialmente o Brasil, elucida:

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m uitas vezes, pela sua natureza, duais (com o uso m ilitar e civil), que reduzam seus arm a-m entos convencionais e, por últia-m o, que con-fiem às suas Forças Arm adas apenas o papel de guardiões da ordem interna, transform an-do-as em forças policiais.

N a área econôm ica, os principais instru-m entos da “estratégia de M iainstru-m i” são a pres-são pela adoção de políticas neoliberais de reorganização econôm ica, que “reduzam ” (e enfraqueçam ) os Estados e desregulam entem as econom ias e, finalm ente, pela cristalização jurídica da abertura com ercial e financeira, por m eio de um tratado de criação de um a área de livre comércio das Américas, a Alca.

O objetivo econôm ico norte-am ericano é o de estabelecer um território econôm ico único nas Am éricas, com livre circulação de bens, serviços e capitais, porém sem livre circulação da m ão-de-obra, em especial aquela de m enor qualificação, e, gradualm ente, fazer adotar o dólar com o m oeda hem isférica, cuja em issão e circulação ficariam sob exclusivo controle norte-am ericano, ao contrário do euro, em que o controle da m oeda é exercido de form a coletiva, pelos Estados da União Européia. Al-guns dos objetivos interm ediários ou parciais na execução da estratégia am ericana e que poderiam ser visados gradualm ente seriam : (...) obter concessões, antecipando o que seria objeto de negociação com ercial na futura Ro-dada do M ilênio da OM C e nas negociações sobre capitais do acordo m ultilateral de inves-tim entos, ora em elaboração na OCDE (Gui-marães, 2000).

É o que con firm am algum as das declara-ções de governantes dos EUA, a exem plo da que segue: O nosso objetivo com a Alca é ga-rantir para as em presas norte-am ericanas o controle de um território que vai do Pólo Árti-co até a Antártida e livre acesso, sem nenhum obstáculo ou dificuldade, de nossos produtos, serviços, tecnologia e capital entre todo o He-m isfério!(General Colin Powell, Secretário de Estado do Governo Bush. Para Entender a Al-ca, 2002).

O contexto da Alca: o processo de globalização

Na realidade, para se com preen der a Alca é preciso caracterizar o processo de globaliza-ção em curso, pois a constituiglobaliza-ção de uma área de livre com ércio sob a direção dos EUA

re-presen ta u m a sín tese da “m u n dialização do capital” e da “u ltraliberalização”. Essa nova configuração do capitalism o, a “acum ulação flexível” (Harvey, 1990), impõe a lógica deter-m inada pela financeirização, sob o codeter-m ando do capital financeiro, cuja rapidez, volatilida-de e ferocidavolatilida-de exigem a total liberdavolatilida-de volatilida-de circulação, derrubando todos os limites e bar-reiras, que encontram perfeita ressonância e sustentação no modelo neoliberal, que se tor-nou hegemônico em todo o mundo.

Neste con texto de globalização e de apli-cação de políticas neoliberais, é possível afir-m ar qu e n as três ú ltiafir-m as décadas se realiza-ram algumas das principais tendências do de-senvolvim ento do capital, já form uladas por Marx, quais sejam : 1) a livre m obilidade dos capitais, o derrubamento efetivo de fronteiras com a in ten sificação da in tern acion alização dos in vestim en tos, propiciada, de um lado, pelo desenvolvim ento tecnológico no cam po das telecomunicações e, de outro, pela desre-gulam entação dos m ercados estabelecida pe-las políticas n eoliberais aplicadas pelos go-vern os. Trata-se de um a ação do capital em que não há qualquer comprometimento com o desenvolvimento nacional dos países a que se destin am as suas aplicações; 2) a con cen -tração e cen tralização de capitais atin giram u m patam ar em qu e as em presas – agora transnacionais – têm o poder de decidir, sem a m ediação do estado, sobre os rum os das econom ias nacionais dos países. Atualm ente cerca de 1/3 do com ércio exterior se dá atra-vés dos In vestim en tos Extern os Diretos (IED), ou seja, entre as empresas sem a participação do Estado; 3) uma fragilização e per -da de poder e soberania dos estados nacionais periféricos dificultam fortemente a aplicação de p olíticas d e d efesa d os in ter esses n acio-nais.

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persos entre lugares m uito afastados (Bour-dieu, 1998).

O desenvolvim ento dessas tendências foi ancorado num conjunto de políticas que ser-vem como fio condutor da ação dos governos cuja atuação tem se pautado na defesa dos in-teresses das grandes corporações e em presas transnacionais. O centro de todas essas políti-cas é a defesa intransigente do “livre mercado”, o que significa, na realidade, elevar o mercado à condição de “sujeito”, como aquele que exi-ge, que determ ina, que “reina”. Observa-se n esta “profissão de fé” ao m ercado a form a, talvez mais evoluída, de fetichismo da merca-doria. É com o se o m ercado assum isse vida própria e adquirisse tamanho poder sobre os hom en s que os deixa en can tados. O culto ao mercado passa a ser a religião que justifica to-da e qualquer ação dos homens ou dos gover-n os que aplicam as p olít icas exigid as p elo

deus-m ercado.

Dentre as políticas im plem entadas a par-tir dessa diretriz m aior, pode-se destacar: 1) os processos de privatização das empresas es-tatais ou mesmo dos serviços públicos presta-dos pelo Estado, a exemplo da saúde e da edu-cação; 2) a desregulamentação do mercado de trabalho, pois o Estado não deve mais mediar nem garantir os direitos dos trabalhadores, já que as disputas devem se dar livremente entre empregadores e empregados; 3) a ausência de uma política industrial na perspectiva do de-senvolvimento nacional, pois esta é incompa-tível com a n ecessária m obilidade dos capi-tais; e 4) o desm antelam ento de políticas so-ciais/públicas por parte do estado, que n ão pode m ais ter esse com prom isso, já que con-flitará com os in teresses do m ercado. Essas passam a ser geridas e financiadas pelo Banco Mundial, que decide, acima dos governos na-cion ais, qu al o segm en to da popu lação qu e deve ser “focado” para ser assistido, através dos seu s program as de fin an ciam en to aos países periféricos.

Essas políticas expressam a nova configu-ração assu m ida pelo sistem a capitalista n as últimas três décadas. Trata-se daacum ulação flexívelque, segundo Harvey (1992), é um no-vo regime de acumulação, que vem se consti-tuindo numa transição histórica, desde o iní-cio dos anos 70, marcada pela crise do fordis-m o. Essa tran sição, segu n do o au tor, tem a flexibilização da produção e do trabalho co-mo mudanças mais visíveis, que só podem ser explicadas por um outro fenômeno, qual seja,

o florescim ento e transform ação extraordiná-rios dos m ercados financeiros, com a gradati-va hegemonia do capital financeiro no desenvolvim ento do capitalism o n a atu al con ju n -tura.

Assim, no âmbito do trabalho e, portanto, da relação social fundam ental do sistem a ca-pitalista, a flexibilização assume uma centra-lidade inquestionável e transform a-se na es-tratégia prin cipal do capital n os tem pos de globalização e d a liber alização d os m er ca-dos.

O quadro da flexibilização do trabalho, do (des)emprego e da saúde dos trabalhadores

De acordo com Bourdieu (1998), “a precarie-dade está hoje por toda a parte” e a flexibili-dade é um a “estratégia de precarização”, ins-pirada por m otivos econ ôm icos e políticos, sen do o produto de um a von tade política e n ão de um a fatalidade econ ôm ica dada pela mundialização. Assim afirma que:

“A p r ecar ied ad e se in scr eve n u m m odo de dom inação de tipo novo, fundado na instituição de um a situação generalizada e per -m anente de insegurança, visando obrigar os t r abalh ad or es à su bm issão, à aceit ação d a exp lor ação. Ap esar d e seu s efeitos se asse-m elh areasse-m asse-m u ito pou co ao capitalisasse-m o sel-vagem das origens, esse m odo de dom inação é absolutam en te sem preceden tes, m otivan -do algu ém a propor aqui o conceito ao m es-m o tees-m po es-m uito pertin en te e es-m uito expres-sivo d e ‘flexploração’. Essa p alavr a evoca bem essagestão irracion al da in segu ran ça,

que, in stauran do, sobretudo através dam anipulação orquestrada do espaço da produ -ção, a con corrên cia en tre os trabalhadores dos países com con qu istas sociais m ais im -portan tes, com resistên cias sin dicais m ais bem organizadas – características ligadas a um território e a um a história nacionais – e os trabalhadores dos países m en os avan ça-dos socialm ente, acaba por quebrar as resis-tências e obtém a obediência e a subm issão, por m ecan ism os aparen tem en te n atu rais, que são por si m esm os sua própria justifica-ção(Bourdieu, 1998, grifos nossos).

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taxas in éditas; a precarização das con dições de trabalho e da saúde dos trabalhadores, por conta, em primeiro lugar, da violenta intensi-ficação do trabalho, propiciadas pelas novas tecn ologias e pelas políticas de gestão/orga-nização do trabalho; a precarização dos con-tratos (flexíveis) de trabalho, a flexibilização dos direitos trabalhistas e sociais, através das m u dan ças n a legislação, a fragilização dos sindicatos e das lutas dos trabalhadores, que se encontram divididos, segmentados, desvlorizados, em função da insegurança perm a-n ea-n te. Um qu adro qu e ia-n dica u m a situ ação de regressão social em todo o m undo, inclu-sive naqueles países mais desenvolvidos e, em particular, n a m aior potên cia do m un do: os EUA.

No caso brasileiro, a precarização tem se refletido no aumento das situações de riscos e de in seguran ça, geran do o aum en to dos aci-dentes de trabalho, que, no âmbito da indús-tria, vêm ocorren do prin cipalm en te com os trabalhadores su bcon tratados, em geral os m en os qualificados e trein ados, com lon gas jornadas, sem direitos, sem cobertura de pla-nos de saúde, tratados como trabalhadores de “segunda categoria” e, nessa condição, a flexi-bilização atin ge as su as próprias vidas com uma precarização quase sem limites da saúde.

Para os dem ais trabalh adores qu e ain da perm an ecem n u m a con dição m en os in stá-vel, qu e são con tratados diretam en te pelas em presas, está perm anentem ente presente a possibilidade do desem prego. E, para evitá-lo, adaptam -se às estratégias das em presas, qu e p ar a obter em os cer tificad os d as ISO S que norm atizam as condições de segurança e saúde do trabalho, precisam cum prir as m e-tas definidas, não interessa a qual preço. As-sim, torna-se cada vez mais comum o não re-gistro de acidentes ou o não afastamento por problem as de aciden tes ou saú de, já qu e os trabalhadores são pression ados por suas ge-rên cias a cooperarem n o cu m prim en to das m etas e, a cada registro ou afastam ento, eles se sentem rompendo o compromisso e a coo-peração e, desta forma, colocando em risco a sua permanência na empresa.

No que se refere ao desemprego, convive-se hoje com as m aiores taxas da história do país. Na região m ais in du strializada e m ais desenvolvida – São Paulo – atinge-se 19% de taxa de desemprego, o que representa cerca de um m ilhão e oitocentos m il pessoas sem em-prego. A Região Metropolitan a de Salvador

tem a taxa m ais alta do país: 25%. Para além dos n ú m eros, os desem pregados se en con -tram n essa situ ação in volu n tariam en te e se sen tem im possibilitados para o trabalho, além de sofrerem todo tipo de discriminação social. Tem crescido o número de casos de sui-cídios e de problem as de saúde m ental entre os desem pregados. E, para fugir dessa condi-ção “... é melhor ter qualquer emprego do que nenhum...”

O que significa a Alca neste “mundo globalizado”? As principais implicações

A Alca, além de significar uma síntese da glo-balização e da ultraliberalização, n ão é um a proposta in ovadora. Na realidade, já existe um a área de livre com ércio que está vigoran-do desde 1994, o Nafta (North American Free Trade Agreement – Acordo de Livre Comércio Norte-Am ericano), que reúne Estados Uni-dos, Can adá e México e que já fun cion a de acordo com as m esm as regras que estão sen -do propostas para a Alca. Desta forma, a Alca é uma extensão do Nafta e, nesta medida, ana-lisar os resu ltados já dem on strados deste acordo permite avaliar o que pode ser desen-cadeado em nosso país e, em especial, aos tra-balhadores de todos os países americanos.

O Nafta e a Alca oficializam , ao con tar com o aval dos governos nacionais, um acor -do que dá total liberdade ao capital – e é isso que significa o “livre comércio” – e nenhuma m obilidade ou liberdade ao trabalho. Isto é, os livres investimentos e negócios para aque-les que se impõem através do mercado, de sua capacidade com petitiva que tem sido hege-m on izados pelos capitais dos EUA, protegi-dos por regras já definidas e que não serão al-teradas n um possível acordo. É isto que se constata no funcionamento do Nafta.

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frente aos EUA e Canadá, o agravamento dos problem as sociais n a sociedade m exican a é muito grande. É o que demonstram os dados: o aum en to do desem prego (um crescim en to de 20% em 4 anos), dois terços dos trabalha-dores não recebem nenhum tipo de benefício e direito (seguridade social, pagamento de fé-rias, feriados, etc); crescim en to do trabalho in fan til (m ais de 10 m ilhões de crian ças tra-balhando).

Um dos “pilares” da economia mexicana é a indústria de m ontagem , através da instala-ção das “maquiladoras”, que como o nome in-dica, são empresas de montagem e acabamen-to de produacabamen-tos para exportação para os EUA e outros países. Na sua grande maioria são nor-te-americanas, mas há japonesas, canadenses e coreanas. Elas representam 15% do valor da produção da in dústria m an ufatureira m exi-can a e são respon sáveis por 50 por cen to de todas as exportações do país (Azevedo, 1997).

Com eçaram a se in stalar em 1965, len ta-m en te, ta-m as eta-m n oveta-m bro de 1994, totaliza-vam 2.163 e empregavam 497 mil trabalhado-res. Com a crise do México (dez/1994) 28 mil pequ en as e m édias em presas m exican as en -cerraram su as atividades, dois m ilhões de empregos desapareceram, mas as maquilado-ras não sofreram nenhum abalo. Com o Naf-ta, essa situação confortável e privilegiada das referidas em presas ficou ain da m elhor, pois as barreiras alfandegárias foram elim inadas, atrain do m ais em presas para o México. Em 1997, calcula-se que eram 3.650 m aquilado-ras, empregando por volta de 1 milhão de tra-balhadores. Mas em que con dições? O preço da força de trabalho é um dos mais baixos do mundo. Em 1996, o salário pago por hora era de 1,47 dólares. Além disso, a jornada de tra-balho, que é um a das m ais longas, e a ausên-cia de direitos trabalhistas e/ou o acoberta-m ento pelo Estado do não cuacoberta-m priacoberta-m ento da-queles existentes são fatores de estímulo con-tínuo à chegada de novas empresas (Azevedo, 1997).

Os relatos apresentados pela reportagem “O m uro am erican o”, de Carlos de Azevedo, n a Revista Reportagem /Oficina de Inform a-ções, são m uito elucidativos. De acordo com informações obtidas com a Casa de La Mujer, qu e defen de os direitos das m u lheres traba-lhadoras, 66% dos em pregados das m aquiladoras são m ulheres. O depoim en to da coor -den adora dessa organ ização – Carm en Vala-dez – revela as con dições de tr abalh o a qu e

são subm etidas:

O ritm o de produção é extenuante (resul-tado dos program as de "qualidade"); há falta de segurança, falta de proteção à saúde, o que leva à contam inação por produtos quím icos. Já com provam os, através de um a investigação realizada pela organização internacional Hu-m an Rights W atch, que a discriHu-m inação con-tra con-trabalhadoras grávidas é prática generali-zada, assim com o o abuso sexual. (...) As jor-nadas de trabalho são variáveis segundo as necessidades e conveniências da em presa, fre-qüentem ente sem pagam ento de horas extras. Grande núm ero de m aquiladoras são têxteis e as costureiras têm os piores salários: cerca de 4 dólares por dia. Os outros ganham de 5 a 6 dólares por dia em m édia. E a alta rotativida-de é a regra: é com um trabalhadores que em poucos anos já passaram por dez a quinze em -presas. São dem itidos a qualquer m om ento, sem m otivo, e não têm direito à indenização. A alta rotatividade visa m anter ou reduzir ainda m ais o baixo padrão salarial. Isso é o que se cham a desregulam entação do m ercado de trabalho (Azevedo, 1997).

Quan do os trabalhadores organ izam um m ovim en to de reivin dicação por m elhorias em algum a em presa, esta respon de com a am eaça de transferência para outra região. E há casos de fechamento de empresas e a trans-ferência para cidades “mais calmas”, onde não haja qualquer resistência operária. E contam, normalmente, com o apoio do poder público.

Segundo dados oficiais do México, o PIB está crescendo, as exportações atingiram 100 bilhões de dólares e, entre 1993 e 1997, o nú-m ero de enú-m pregos cresceu 3% ao an o, o que representa a criação de 1 milhão de novos em-pregos a cada ano. No entanto, as estatísticas sobre a emigração continuam muito altas e as estratégias de con trole das fron teiras se tor -nam cada vez m ais sofisticadas.

Na realidade, o que se con stata é a livre mobilidade para os capitais. Em contraparti-da há o rigoroso controle contraparti-das fronteiras para impedir a m igração m exicana que, apesar do an u n ciado crescim en to do em prego, n ão se esgotou. No período de 1990 a 1996, entraram n os EUA 1,9 m ilhão de m exican os, um a m é-dia de 315 mil por ano. Calcula-se que desses, cerca de 630 mil eram ilegais.

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fronteira do Texas. São iniciativas de “(...) um plano estratégico de preven tion through de

-terrence(prevenção por m eio da intim idação) anunciado pelo presidente Clinton em julho de 1994 e cujo objetivo é conseguir o controle efetivo dos 3 m il quilôm etros de fronteira com o M éxico. São altos in vestim en tos n o uso de alta tecn ologia (aparelhos de in fraverm elho de longo alcance, câmeras de TV e monitores com capacidade para "ver" no escuro, senso-res, luzes, rádios de alta potência e sistema de identificação biom étrica), com binada com o treinamento de agentes especializados em vá-rias fun ções, que assum em a “proteção da fron teira” e, assim , cum prem o papel que o govern o n orte-am erican o lhes destin a: os guardiões do capital.

Ain da de acordo com os próprios traba-lhadores m exican os, a m igração con tin ua porque a con dição de trabalho e de salário é extrem am ente precária e, m esm o assim , não há empregos para todos. A desigualdade entre EUA e México é extrem am en te gran de: en -quanto o salário médio nas maquiladoras é de 4,5 dólares por dia (uma jornada de 9 horas), nos EUA, é possível ganhar 5 dólares por ho-ra, ou seja, 10 vezes mais.

Essa n ecessária descrição da situ ação do

México não deve ocultar o quadro de precari-zação dos trabalhadores noutros países. Nos EUA, 7 entre cada 10 empregos criados nos úl-timos 10 anos são precários, ou seja, por tem-po determ in ado, parcial, sem cobertura so-cial, e sem direitos. A redução dos níveis sala-riais tem levado a um achatam ento dos salá-rios, reduzin do a capacidade de com pra dos trabalhadores. Uma situação de precarização que n ão atin ge som en te os m igran tes, com o sempre se soube, mas que agora se estende pa-ra os americanos que vivem do tpa-rabalho.

É esta a realidade criada pelo Nafta e que será am plificada pela Alca. O “lugar” que o México hoje ocupa n o Acordo de Livre Co-mércio Norte-Americano – ressalvando-se as diferenças de diversas naturezas entre os dois países – poderá ser ocu pado pelo Brasil n a Área de Livre Comércio das Américas.

Na sua essência a Alca pretende, através de um Acordo en tre os 34 países, outorgar às corporações transnacionais direitos especiais par a o u so de arbitragem in tern acion al de form a secreta e sem controle público, acima e por cima dos estados nacionais, obrigando os govern os a tratarem os in vestidores estran -geiros da m esm a form a que os nacionais. É o que já vem ocorren do n o Nafta, pois as em

-Quadro 1

Levantamento de processos movidos por empresas contra governos para obter indenizações e suspensão de medidas protecionistas governamentais baseados em dispositivos do NAFTA – Período 1998/1999.

Governo acionado Empresa/Sede Indenização pretendida Aspectos

Canadá Ethyl Co/EUA US$250 milhões Aditivo/gasolina neurotóxico

Canadá S.D.Myers/EUA US$30 milhões Resíduos contaminados PCBs

Canadá SunB eltWaterInc/EUA Entre US$1 bilhão Exportação água

e US$10 bilhões

Canadá Pope&Talbot/EUA US$510 milhões Quotas de exportação madeira

EUA LoewenGroup/Canadá Tratamento discriminatório

EUA Methanex Corp/Canadá US$970 milhões Aditivo MTBE cancerígeno

México Metalclad//EUA US$90 milhões Proibição de despejo de resíduos

México Waste MangementInc/EUA US$60 milhões Manejo resíduos sólidos

México Desona/EUA US$14 milhões Manejo resíduos

México CEMSA/EUA US$50 milhões Questões tributárias

EUA Mondev International/Canadá US$16 milhões Limites à expansão imobiliária

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presas têm se apoiado no Artigo 11 do Acor -do, concernente à proteção dos investimentos estrangeiros, no que tange a “expropriação ou nacionalização”, que obrigaria os governos a cobrir os prejuízos e/ou perdas das em presas atingidas. Utilizando-se desse artigo, questio-n am as políticas de proteção am biequestio-n tal e de saúde hum ana, argum entando que as lim ita-ções im postas por legislaita-ções dessa natureza im plicam um tipo de “expropriação”, já que elas deixariam de gan har, perden do oportu-nidades de produção e de mercado.

É o que indica um levantamento realizado pela advogada am bien talista Michelle Swe-narchuk, até o ano de 1999, que registra algu-mas disputas entre empresas estrangeiras e os governos nacionais, com base em dispositivos do Nafta (Quadro 1).

Prem onitório, a esse respeito, é o caso da Ethyl. Essa em presa sediada nos EUA apóia-se em dispositivo m uito m enos favorável do que os do AM I, os do Acordo de Livre Com ércio N orte-Am ericano (NAFTA), para reclam ar US$251 m ilhões (...) ao governo do Canadá. Em abril de 1997, Ottawa tinha proibido o uso de um aditivo à gasolina, denom inado M M T, um a neurotoxina suspeita de prejudicar os dispositivos antipoluição dos autom óveis. A Ethyl, única produtora do M M T, propôs um a ação contra o governo canadense, argüindo que a proibição de seu uso no Canadá equiva-lia a um a expropriação de bens da com panhia

(Wallach, 1998).

Como bem observou Wallach, então, “por incrível que pareça, o processo vai ser julga-do”. E foi! Julgado em 1998, o estado canaden-se foi condenado a pagar, com os recursos dos con tribu in tes can aden ses, a in den ização de US$13 m ilhões e a suspen der a proibição, con figu ran do u m n ítido in stru m en to de tran sferên cia de recursos públicos para em -presas privadas e a anulação do papel do esta-do na proteção e segurança de sua população (justamente naquele país que tem apresenta-do o melhor IDH no rankinginternacional!).

Tais iniciativas se inscrevem num proces-so de sucessivas tentativas, orquestradas, pa-ra desregulam en tar as atividades de gpa-ran des empresas no que concerne aos recursos natu-rais e o m eio am biente, às conquistas sociais em termos de condições de trabalho, de segu-ridade social, e aos setores estratégicos para a soberania nacional e serviços de interesse pú-blico, dentre outras.

Vale ressaltar o ensaio com o AMI –

Acor-do Multilateral sobre Investimentos – que es-tava sen do n egociado desde 1995 n a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvol-vim en to Econ ôm ico), à revelia das popula-ções concernentes e de alcance m undial. Foi colocado em latência devido aos movimentos sociais que o rechaçaram e à retirada da Fran-ça das negociações em 1998.

O capítulo-chave do tratado se intitula “Direitos dos investidores”. N ele figura o di-reito absoluto de investir – com prar terras, re-cursos naturais, serviços de telecom unicações ou outros, divisas – nas condições de desregu-lam entação previstas pelo tratado, isto é: sem nenhum a restrição. Os governos têm a obriga-ção de garantir a ‘plena fruiobriga-ção’ desses inves-tim entos. N um erosas cláusulas prevêem inde-nizações aos investidores e às em presas, no ca-so de intervenções governam entais suscetíveis de restringir a capacidade de obterem lucro com os investim entos. Em particular, se os in-vestidores ou investim entos sofrerem o ‘efeito equivalente’ a um a ‘expropriação m esm o in-direta’. Assim , nos term os do acordo, a ‘perda de oportunidade de lucro sobre o investim ento seria um tipo de prejuízo suficiente para dar direito à indenização do investidor’.

As regras relativas às expropriações e in-denizações são os dispositivos m ais perigosos do AMI. Elas conferem a cada em presa ou in-vestidor estrangeiro o direito de contestar pra-ticam ente não im porta que política ou ação governam ental – desde as ‘m edidas fiscais’ às disposições em m atéria de ’m eio am biente’; da ‘legislação do trabalho’ às norm as de ‘prote-ção ao consum idor’ e am eaças potenciais so-bre lucros. Portanto, os estados – que prati-cam , em toda parte, cortes claros nos progra-m as sociais – são chaprogra-m ados a aprovar uprogra-m pro-gram a m undial de assistência às em presas transnacionais (Wallach, 1998 disponível em www.diplo.com.br).

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no plano societal redes de seguridade e segu-ran ça social, m ais ou m en os avan çadas, que significaram parâm etros im portantes diante de uma voraz acumulação do capital, estabe-lecendo-se o reconhecim ento de lim ites físi-cos ao uso de seres humanos no trabalho e ao caráter am bien tal predatório do fordism o fossilista ain da vigen te. Atualm en te caem as regu lações sociais e políticas, m as as bases m ateriais e reais que as suscitaram perm ane-cem intocadas, ou melhor, aprofundadas.

Essas regu lações lim itavam as ações de grandes empresas ao tempo em que a visibili-dade de seu caráter predatório torn ava-se – apesar das dificuldades de registro e acesso às informações concernentes – cada vez mais in-conteste. Expressões tais como o aumento da gravidade de grandes acidentes industriais no mundo, de seus custos econômicos, ônus po-lítico e social foram aliviados e/ou invisibili-zados – não com a busca determinada e eficaz de novos padrões de produção e consumo me-n os predatórios e m ais lim pos – m as pela tran sferên cia de plan tas in du striais de alto risco para países periféricos estratégicos e m ais perm issivos em term os de proteção da saúde de trabalhadores e meio ambiente (tais como México, Brasil, Índia). Esse mecanismo, em bora desonere países centrais, é ainda in-suficien te e lim itado pelas regulam en tações existentes. Mecanism os de burlá-las, tais co-m o a ‘transferência de riscos entre povos’ e a ‘terceirização– criando categorias de traba-lhadores discriminados por diferentes políti-cas de gestão (con tratação e rem un eração, condições de trabalho e segurança) – não têm sido suficientes para aplacar o objetivo de li-berar o capital de todas as am arras e lim ites sociais e políticos. Nesse processo e contexto surgem os tratados internacionais de com ér-cio, e m uito m ais, passando por cim a das so-ciedades, enfraquecendo os estados periféri-cos, buscando estabelecer e legitimar socieda-des sem perspectivas de eqüidade social, sem seres hum an os n o trabalho, sem in divíduos cidadãos, sem ... sem ... Assim surge o Nafta, seguido pela ten tativa de globalizá-lo com o AMI, e a Alca. Na verdade, o Nafta e a Alca são antecipações históricas do AMI em áreas geo-político-econômicas mais restritas, sob o con-trole e hegem on ia n orte-am erican a m ais di-reta.

Divisão internacional dos riscos,

dumping

social e ambiental

A im portân cia destes tratados precisa ser considerada sob a perspectiva da agudização dos problemas concernentes ao trabalho, saú-de e m eio am bien te. Estes m an têm e peren i-zam os padrões de produção (e de consum o) do fordismo fossilista ambientalmente preda-tório (Altvater, 1995), assentados em recursos fósseis n ão ren ováveis – particu larm en te o petróleo, até então. A ‘centralidade do traba-lhoe o eixo energético do ‘petróleoainda são vitais para o sistema de acumulação hegemô-n ico. As bases m ateriais e reais do fordism o fossilista, qu e su scitaram as regu lações for -distas agora em cheque, permanecem intoca-das, ou melhor, aprofundaintoca-das, como bem ex-pressam os recentes episódios das guerras do Golfo, da in vasão do Afegan istão e do holo-causto em curso no Iraque.

No tocan te aos gran des aciden tes in dus-triais n o m un do, pesquisas diversas têm de-monstrado o seu agravamento e transferência para os países periféricos desde m eados da década de 1970 (Castlem an, 1996; Thébaud-Mony, 1990; Porto, 1994; Glickman et al. 1992

apudFreitas, 1996; Maimon, 1995). Sobre este terreno de transferência de riscos entre os po-vos se desdobram os tratados qu e ten dem a reforçar a fragilidade dos países periféricos nesta rede de relações muito desiguais e con-figu rar a possibilidade de legitim ação de

dum pingam bien tal e social com o estratégia de competitividade internacional.

Adem ais, estudos locais revelam ten dên -cias ao aum en to da freqüên cia de aciden tes industriais com impactos ambientais, a exem-plo dos acidentes registrados pela Cetesb em São Paulo/Brasil, en tre as décadas de 1970 e 1990, ou ainda, a transferência de riscos para trabalhadores terceirizados, a exemplo do ca-so do Pólo Petroquím ico de Cam açari/Ba-hia/Brasil, no período de 1989 a 1993, no qual foram constatadas proporções crescentes de acidentados terceirizados (Franco, 1997).

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riorm en te redu zidos, du ran te o govern o FHC.

O segundo diz respeito ao processo de fle-xibilização do trabalho via reforma trabalhis-ta em curso. Tratrabalhis-ta-se da propostrabalhis-ta de reforma do artigo 618 da CLT, encaminhada ao Con -gresso pelo govern o FH C, que estabelece a primazia dos acordos coletivos entre sindica-tos de trabalhadores e sin dicasindica-tos patron ais sobre as n orm as da CLT. Esta proposição foi retirada pelo atual governo e rem etida à dis-cussão n o Fórum Nacion al do Trabalho. No atual contexto de desemprego, de “gestão pelo medo” (Déjours, 1999) e de fragilidade sindi-cal, torna-se, no mínimo, temerário flexibili-zar a regulam entação do trabalho nesta dire-ção, que, sem dúvida, resultaria em avilta-m ento daqueles que viveavilta-m do trabalho assa-lariado. A Alca tende a aprofundar o proble-ma, caso viabilize o nivelamento por baixo do mercado de trabalho na América Latina.

A reform a trabalhista proposta prevê a garantia de direitos pela Constituição ou por n orm as de seguran ça que, con tudo, podem ser flexibilizados (negociados) em term os de ‘quantidadee ‘modalidadesde concessão do benefício. Isto é, seriam “mantidos” e, simul-taneam ente, sujeitos à negociação num jogo de dados viciados (mercado de trabalho abar-rotado e sin dicatos fragilizados), históricos direitos sociais conquistados em defesa da vi-da dos indivíduos no mundo do trabalho. As-sim, a duração da jornada de trabalho, a hora extra; o 13osalário, a redução salarial, os pi-sos salariais, o tempo de licença à gestante e a licen ça m atern idade, o pagam en to de aviso prévio, as férias de 30 dias, os adicion ais de in salu bridade e de hora n otu rn a podem ser ‘flexibilizadoseaté abolidosem negociação coletiva.

Riedel, advogado trabalhista, elucida o al-cance dessas mudanças:

O governo FHC dourou a pílula ao apre-sentar a reform a da CLT ao Congresso. Os di-reitos da CLT estão assegurados na Constituição de 1988. Esses direitos estão todos no ar -tigo 7o, m as todos com oprincípio, com o ga-ran tia, n ão com o quantificação. Exem plo: a Con stituição assegura que o salário m ín im o deve correspon der àquilo que o trabalhador precisa para se alim en tar, m orar, prover os serviços de educação, saúde, t r an sp or t e et c. A lei o r d in ár ia qu an t ifica essas necessida-des e diz, hoje, que o m ínim o é de R$200,00. Está se propondo que a lei ordinária passe

pa-r a a convenção coletiva a com petên cia para

quantificar o direito assegu rado n a Con sti-tuição. Pode a convenção coletiva quantificar em menos de R$200,00? Pode, pois continua a garan tia legal do direito ao m ín im o. Mas a con ven ção coletiva pode chegar à con clusão de que bastam R$180,00 para satisfazer as ne-cessidades mínimas de um trabalhador. Não é preciso acabar com o direito de férias, m as pode se con ven cion ar que a quan tidade n ão será mais de 30, mas de 20 ou 15 dias. As pes-soas precisam estar con scien tes disso ( Pr i-meira Leitura, 2003. Grifos nossos).

Vale considerar ainda a questão do salário m ín im o n o Brasil, um referen cial e parâm e-tro para as rem unerações no país. A reform a proposta ou a Alca serão plantadas num ter -ren o já con solidado de perda progressiva do seu poder de compra. A deterioração do salá-rio mínimo, ininterrupta, prevaleceu desde a década de 1960/70 – período de substituição de im portações e do m ilagre brasileiro, pari passuaos notáveis crescimentos do PIB – per-manecendo até hoje. Assim, conforme Ferrei-ra (1993), a evolução do SM entre as décadas de 1950 e 1980 permite constatar, em termos de ín dices, que o seu valor real em 1980 cor -respondia à metade do salário de 1952. Entre 1989 e 1999, o salário m ínim o continua per-dendo poder aquisitivo, alcançando seu m e-nor valor real no início de 1995. O reajuste de 42,86%, concedido em m aio do m esm o ano e os sucessivos aum entos reais nos anos seguin-tes repuseram parte dessa perda. N o entanto, em 1999, o salário m ínim o correspondia a so-m ente 2/3 do seu valor eso-m 1989 (Dieese, 2001).

Im portan te in strum en to para selar a m i

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não devem perm itir o enfraquecim ento do sindicalism o por falta de capacidade econô-m ica para agir(Primeira Leitura, 2003) .

As respostas e ações contra a Alca: uma outra América é possível!

A ofensiva dos governos neoliberais, as inves-tidas do governo dos EUA reafirm ando a sua posição de gen darm e do m undo, num a atua-ção claramente imperialista, bem como as ar-ticulações do Fórum de Davos, que reún e as m aiores in stituições em presarias do m un do globalizado, em especial, as in stituições fi-nanceiras, não ficaram sem respostas. Os mo-vim entos antiglobalização vêm avançando a cada an o, com a realização de Fórun s Mun -diais, a exemplo do Fórum Social Mundial (I, II e III) e dos m ais diversos e plu rais m ovi-mentos sociais e coletivos que ocorrem em to-das as partes do mundo.

A riqueza desses m ovim entos está na sua plu ralidade, n o sen tido de con gregarem as m ais diversas form as de organização: os sin-dicatos, m ovim entos sociais de todo tipo, do

cam po e da cidade, organizações nãogovern am enãogovern tais, gru pos políticos, partidos e ou -tros, cu ja u n idade é con stitu ída através de u m a rede de con trapoderes aos poderes da globalização e da via ú n ica im posta pelos grandes grupos capitalistas do mundo.

O avanço desta rede de contrapoderes está susten tado n um a luta de caráter in tern acio-nal. Em bora localizados e sediados nos espa-ços nacionais, os movimentos se articulam no plano continental e/ou mundial. Não poderia ser diferente diante da crescente globalização dos capitais, pois se faz necessário criar todo tipo de articu lação qu e propicie u m a real mundialização da luta e organização dos tra-balhadores.

No que se refere à Alca, vários organismos internacionais vêm sendo criados, divulgan-do in form ações, n u m perm an en te processo de comunicação, via internet, e promovendo cam panhas junto aos m ais diferentes setores da sociedade. São exemplos mais expressivos: a Aliança Social Continental, a Campanha Ju-bileu Sul/Américas, a Rede Brasileira pela In-tegração dos Povos; a Organ ização Region al Interamericana de Trabalhadores, dentre ou-tros. Exem plo da atuação desses organism os

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Artigo apresentado em 12/4/2003 Aprovado em 26/10/2003

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