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-,- - -.. -. ---_.. -._--- ----_/:FUNDACÃO GETÚLIO VARGAS
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE
sÃo
PAULOo
PSICÓLOGO NA
ORGA/VIZAÇÃO
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N 1198602129
,---
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•... --~---.~---...--sÃo
PAULO1 985
,
JOSE ROBERTO M.HELOANI
Djssertação apresentado 00 Curso de
Pós-Graduação do EAESP/FGV à
órea de concentração de Teoria e
Comportamento Organizacional como
requisito para obtenção do Titulo da
Mestre em Administração.
Orientadora:
I ' _
o
PSICOLOGO
NA ORGANIZAÇAO
BANCA
EXAMINADORA
Pr of , Orientador: ARAKCYHARTINSRODRIGUES
Prof.: _
Prof.: _'__ ~ _
- I
FUNDAÇAO GETULIO
VARGAS
ESCOLA DE ADMINISTR,~ÇÃO
DE Er~PRESAS DE SÃO PAULO
,
.JOSE ROBERTO MONTES
HELOAN
I
I
-OPS I COLOGONA
. ORGAN I Zf\CAO
. IDissertação apresentada ao Curso
.·de P~s Graduação da FGV/EAESp·
~rea de Concentração: Teoria e
Comportamento Organizacional, co
mo requisito para obtenção detl
tu10 de mestre em Administração.
Orientador:Profa.Aracky M. Rodrigúes
SAO PAULO
1985
Resumo: Analisa as funções e papels do psicólogo nas organizaçoes e as conseqUentes relações dé conflito e poder. Com base em depoimeE: tos pessoais, analisa o discurso do psicólogo, utilizando a metodo-logia arqueológica de Michel Foucault. Considera a "organizaçio co-mo um vasto desenho de discip1inamento e controle dos indivíduos in
terferindo na sua percepção. O psicólogo também sofre este proces-=-so, que entre outras característic.as se exprime através da ambigUi-dade do seu discurso em relação aos órgãos de poder e decis~o.
I
A administração passa a ser compreendida então como um discurso de poder que padr~niza o espaço ~e atuaç~o _dos indivíduos para .maximi-, zar o seu rendimento . A funçao do psicol.ogo sofre os que sti
oriamerr-tos do momento atual: continuar como discurso auxiliar ~em grande
1/
poder de decisão, ou constituir-se em elemento de mediaçao entre asnegociações capital-trabalho.
"
HELOANI, Jose Roberto Montes. O psicólogo na organizaçao. são Paulo, FGV/EAESP, 1985. //p. (Dissertaçao de mestrado apresentada .:lO Curso
de Pós-Graduação da FGV/EAESP, Área de Concentração: Teoria e Com-portamento Organizacional).
Palavras-chave : Psicólogo - Papel do - Organização _.Conflito - Con trole - Poder - Autoridade - Hierarquia - Comportamento Organizacio nal - Psicologia Industrial - Psicologia do Trabalho Psicologii
Social - Administração.
7
Aos meus pais~ a minha irm5~ aosamigoR~
a
D. Euia Fraz50 e aos bibZiotec5rios quetanto me auxiZiaram atravis de apoio e e~
timulo~ para a concretizaç5o desta disser
~ç~.
De um modo geraZ~ os pinsadores desconh~
cem as dificuldades que encontrar50 para
fazer Deu sistema "pegar /I ~ el e e ignoram
que h~verasem~re formas de escapar as
malhas da rede B que as resistincias de
sempenharão seu papel. No dominio das
prisões~ os detentos nao
-
fOl>am pessoaspassivas; é Berit ham que nos deixa supor o
contrario. O pr5prio discurso
peniten-ciario se desenrola como se nao houvesse
ninguém frente a ele~ a não ser uma tábu
la rasa~ a nao ser pessoas a reformar e
adevo'lver em seguida ao circuito da
produção. Na~eaZidade~ existe um
mate-rial - os detentos - que resiste
incri-velmente. O mesmo poderia
relação ao taylorismo. Este
ser dito em
• J..
s'Z-s//emaJ
e
uma extraordinária invenção de um
enge-nheiro que qu~r lutar contra a vagabund~
gem~ contra tudo que diminui o ritmo da
produção. Mas pode-se colocar a questão:
o taylorismo algum dia realmente
funcio-nou ?
(Pergunta de Michelle Perrot a Mi
chel Foucault na entrevista rela
tada em Michel Foucault~ "Micro-·
AG RADE C I
fI/lENTOS
Formalizamos aqui os nossos agradecimentos
ã
professora Arakcy Martins Rodrigues, pela dedicação eatenção com que nos atendeu no trabalho de orientação de
te se.· Ã p r o f e s s o r a .Yo 1
a
n d a F e r r e i r a B a 1 c ã o , p e 1 a sua p a.!:.ticipação na definição do tema desta pesquisa. Aos
pro-fessores Roberto Venosa" Peter Kelvin Spink e Gentil Luiz
de Faria pelo estTm~lo a realização deste trabalho. Aos
entrevistados, que não mediram esforços para nos receber
e a te n d e r . A t o dos o s que dir e t a o u in d i r-et am e n t e tOr n a
'ram possivel este trabalho.
··AP R.ESENTAÇÃO
A preocupaçao com o estudo de situações concre
tas de trabalho tem sido constante em pesquisas efetuadas por c1
entistas do comportamento h um a no . Todavia, em que pesem as di
-versifi·cadas anâlises desse comportamento com base em dados da
realidade, não só no Brasil como no Exterior pouca tem sido a
a-tenção dada ao desempenho do psicólogo como profissional ligado
ã
organização.Por outro lado, pouco se conhece, nas teorias
sobre as organizações, a respeito da complexidade conceitual que
situe, de uma parte, a especialização de conhecimentos adquiri
-dos pelo psicólogo em sua formação profissional e, de outra, a
divisão do trabalho, nas organizações hierârquicas, que leva
es-se profissional a restringir seu âmbito de influ~ncia a
aspectos previamente definidos pelos objetivos organizacionais.
Somando a isso a crTtica que frequentemente e~
contramos quanto â falta de pesquisas descritivas da realidade
brasileira em instituições acadêmicas dedicadas ao estudo da
Ad-ministração em nosso Pafs , julgamos de todo interesse buscai'
es-clarecimento a algumas questões do problema em foco, esperando,
a partir de nossas investigações, encontrar alguns paradigmas que
Para tanto, partindo de um arcabouço teórico
sobre caracterTsticas das organizaçõei complexas~ extraTmos Ico~
!
ceitos relevantes para a anãlise ~o trabalho do psic610go na' 0r
ganização, voltados para a â re a e s p e cit ic a de ,inter'ferência "or
ganização-indivTduoll •
No Capltulo
I
da presente Monografia, examinamos os conceitos de controle organizacional, buscando situã~los
em suas conseqUências para o ambiente e a 'tomada de decisõe~.
I I
No Capltulo 11 procuramos resumir o papel do
psicõlogona organização contemporãnea e no Brasil. Em partic~
lar, interessou-nos a atuação do psicõlogo como agente de cdnI
-'trole atrav~s do ordenamento social, em que desenvolve
de cooperaçao na relação capital-trabalho.
formas
No Capltulo 111, apresentamos' um resumo
i i
das
informações obtidas em entrevistas realizadas com psicólogos
a-tuantes em organizações' nacionais de grande porte, pGblicas e
privadas.
Como resultado, encontramos que as funções de
competência do psicólogo na organização estão eivadas de conside
rações relativas ã su~ posição de poder e que a atuação
I I
desse, ,
profissional leva em conta não 50 variãveis organizacionais,'mas
tambêm variãveis de 'ordem pessoal.
Pelo carãter exploratõriD~ adotamos deliberad!
mente uma abordagem flexTvel, do ponto de vista ideo16gico e
me-todo16gico e achamos, todavia~ que as conclusões extraTdas da
pes-quisa poderão ser aplicadas a estudos mais avançados sobre a difl
cil e obscura relação entre indivTduo e organização no campo de ;
./
,
PREFf\CIO
A pretensão deste trabalho estâ em discutir a
atuação do psic5logo em função dos vârios mecanismos de con
-trole dentro da organização. Esta abordagem, relativamente i
nedita dentro do contexto acadêmico brasileiro, nasceu do con
tato profissional e pessoal com os ~etodos administrativos.Es
te contato despertou a necessidade de uma abordagem sobre o
papel do profissional em funç~o dos mecanismos polfticos de
controle que delimitam a sua atuação no espaço organizacional.
o
ponto de partida que levou ã elaboraçãodes-ta disserdes-tação reside na distância entre a prâtica cotidiana
do psic51ogo e a discussã6 nos meios acadêmicos sobre o
pa-pel da Psicologia. Como conseqUência desta prâtica do
psic6-logo, pudemos detectar as vârias contradições que acompanham
o exercTcio da sua profissão. Esta~ contradições
manifestam-se na visão que o p si.côlo q o tem do seu trabalho em oposição
ã)
visão do administrador.
Foi exatamente sobre estas contradições que,
com grande esforço, c o n stru Imo s . o nosso objeto. Para tal fim,
\
tivemos que identificar uma metodologia de anâlise que se oc~
passe da descontinuidade, ambigUidade e contradição como
ins-trumentos de trabalho. Como consequência desta perspectiva,
o nosso objeto adquiriu uma dinâ~ica que nos colocou
questões ~ todo momento.
novas
Esta din~mica permitiu agregar novas dimensões
ao objeto de anâlise. Pudemos analisar o psic610go nao
ape-nas enquanto profissional, mas como agente p o litico , Esta per~
pectiva permitiu-nos analisar a organização como um sistema
de poder para então relacionâ-la com o desempenho da
Psicolo-gia no seu interior.
Emsintese, este trabalho pretende recuperar o
real papel desempenhado pelo psicólogo na imagem refletida p~
la organização e politicamente deformada pelos mecanismos do I
poder. Dai a nossa preocupação com a pesquisa empírica como
fonte de recuperação da percepção e da visão do psicólogo
so-bre o seu trabalho e o seu lugar na hierarquia organizacional.
Para realizar esta pesquisa empirica, adotamos o m~todode en
trevistas abertas com roteiro, exatamente para captar como o
psic6logo sofre a atuação destes mecanismos de poder ao elabQ
rar a sua percepção sobre seu papel no ambiente organizacio
· ./
I I
lNDICE DE CONTEUDO
>,'
'-,J~TRODUÇÃO ...•...
14,,
CAPITULO
I - ORGANIZAÇAO
E PODER •..•...•...
23CONTROLE/AMBIENTE/TOMADA
DE DECISÕES ....•.•...•••...•... 27
CONTROLE
ORGANIZACIONAL
34
•
CONTROLE
ORGANIZACIONAL
E
CONTROLE
SO C IAL
38
·
A !NDIVIDUALIZAÇAO
COMO
FORMA
DE CONTROLE
...•..
42
..
·
CONTROLE
E AUTORIDADE
49
•
AUTORIDADE
E PODER...
62
I I
CAPITULO
, -II - O PSICOLOGO
NA ORGANIZACAO
. ICONTEMPORANEA NO BRASIL
66PEQUENO
HISTÕRICO
DA PS!
COlOGIA
NA ORGANIZAÇAO
;...•...•.
71
BUROCRACIA,
PODER
E
PS!
COLOGIA
'...
75•
O PSIC5LOGO
E A
COOPERA-ÇAO TRABALHO-CAPITAL
...•...•...
81
·
O PSIC5l0GO
E A CULTURA
ORGAN IZAC IONAl
83
•
O PSICOlOGO
NA
I I"
CAPITULO
lI! - O PSICOLOGO
: CARGO
E
FUNÇAO
" ...
102.
METODOLOGIA
DA PESQUISA
...••..
104
.
AN~LISE
DAS INFORMAÇOES
OBTIDAS "... 106
CONCLUSÃO
152
CONS IDE RftfOES F INA IS
o •••••••••••••••••••••• '. • • • 1 59I
SINOPSE
~ . . . • . . .. . . .
1 65/
INTRODUÇÃO
Discutir concretamente o papel da Psicologia no
interior da organização significa relacioni-la com os centros
de decisão e poder.
A
intenção deste texto está em discutir opapel real do psicõlogo na organizaçâo, vale dizer,a sua
situa-çâo em relação aos mecanismos de mando. Por este motivo, nao
partimos do corpo de procedimentos preconizados pela Psicologia,
mas do papel real que esta exerce sobre os mecanismos de deci
-sao.
A primeira consequ~ncia deste nosso enfoque
es-tá em discutir a ad~inistração atr&i~s dos instrumentos de
con-trole e a organização como desenho de poder. A partir desta d'i~
~ussão,podemos integrar-lhe o papel do psic6logo. Esta propos-,
ta de enfoque nos levou ao encontro da análise de Michel
Fou-cault, a qual nos permitiu dese~volver e ampliar esta caracterl
zação da administração e seus procedimentos baseados na geneal~
gia do poder. Segundo esta anãlise, a administração deve ser
compreendida como um desdobramento dos di'scursos disciplinares
dos sêcu losXv Ll eXVIII. Corno c o n se qué n c ia , a organização deve
ser encarada como a ordenação do espaço a fim de se obter proc!
dimentos individualizantes que permitam maximizar a utilidade
dos corpos, ou seja, aumentar o rendimento~ .
A individualização atraves da disciplina do
es-paço pretende reduzir os movimentos do corpo para permitir maior
rapidez no seu exerclcio: A P~icologia contribui para este ob
j e tivoa t ravé s d e v á r ia.s t é c n ic as, c o m o p o r e x e m p 1 o: a mo t iva
-çao, o perfil da personalidade, o acompanhamento e aconselha
me n t o e t c . N e s te se n t ido, a P s ic o 1 o g i a p
e
rm ite o d i s c iP 1 in ame.!:!.to do espaço através destes mecanismos que ampliam a
visibili-dade e o controle no interior dos pr6prios corpos, ou em
ou-tros termos, a Psicologia permite o acesso dos mecanismos de
controle
ã
subjetividade dos indivlduos. Analisaremos crite-riosamente estes procedimentos no desenvolvimento de nossa dis
sertação, mas a percepção mais imediata da sua exist~ncia
en-quanto instrumentos ou discursos de pOder nos levou a realizar
uma anãlise foucaultniana da administração coma um todo. Esta
análise justifica-se
ã
medida em que estes procedimentosadmi-nistrativos produzem e reproduzem mecanismos de seleção e
con-trole.
Os mecanismos de controle do discurso adminis
trativo tambem derivam-se do movimento disciplinar dos seculos
XVII e XVIII. Este movimento originou-se inicialmente no exer
cito, na prisão, no hospital, no convento. Sua principal ca
-racterlstica está em se apropriar dos detalhes atraves da
dis-posição espacial de objetos e saberes sobre o corpo. Esta dis
posição dete~mina ~ universo de compreensão e percepção dos i~
divlduosno interior da empresa. Esta delimitação interferirá
sobre gestos, atitudes~ comportamentos.
A paftir da metade do ~éculo XIX, este
"
cientificidade, a necessidade da padronização sistemática e
in-tensiva do espaço. Esta sistematização do espaço disciplinar
acelera o processo de individualização e de parceltzação dos
movimentos produtivos.
A intensificação da individualização atrav~s
de procedimentos "científicosll
foi acompanhada simultaneamente
da perda de controle do trabalho sobre a produção. O maquinis
mo significou para o trabalhador a redução de sua fisiologia a
m o v ime n t os sim p 1e s , p e r iõ d i c o s, c o ntr o 1 a dos . O ma qui nismo licom
preende" o trabalhador como extensão de seus movimentos ordena
dos e ritmados.
Atrav~s da contribuição de Michel
Foucault,po-demos perceber que este processo de maquinização do trabalha
-dor determina e sofre determinações do espaço disciplinado em
função da organização. Estas determinações se traduzem nos va
rios discursos utilizados como veiculas para esta ordenação do
espaço~ O primeiro destes discursos que se articulam justifica
a especializa~ão de movimentos como necessária pela sua seme
-lhança com o corpo humano. Alega este discurso que o corpo h~
mano constitui-se de õrgãos com funções detalhadas e precisas:
logo, a organização deverá especializar-se para "sobreviver" .
Por~m sera o trabalho o elemento que sofre esta especialização,
atrav~s da maquinização do seu corpo. Sutilmente a administra
ção destaca-se do "corpo social da emp r e s a " e passa a se c a r a c
-.terizar como uma "especialização particular". A partir desta
( especialização, o conhecimento e o controle sao deslocados
pa-ra a organização.
" o
administrador assume o cargo de reunirto-do o conhecimento tradicional que no passado foi possuTdo
pe-los trabalhadores e ainda classificar, tabular e reduzir esse
conhecimento a regras, leis, fõrrnulas".( )
o
discurso administrativo se impõe como o me-diador entre o conhecimento e a produção. Neste sentido, este
discurso representa o momento de ruptura entre o produzir e a
construção do co n h e c im e ntoe da percepção sobre o .p r o d u z i r . A
apropriação do saber ê concomitante ã elaboração de mecanismos
de controle. Com a apropriação do tempo, o IIconhecimento
tra-,dic io n a 111 f o i em 9 r a n d e p a r te a p r o p r i a d o p e los m e c a n i smos d e
controle, ou seja, as leis~fõrmulas, regras. Apõs a apropri!
ção, estes mecanismos controem um saber normativo para o trab!
lhador, um saber dirigido a disciplinar a sua percepçao para a
produção e a obedi~ncia. Este saber normativo representa, na
realidade, a apropriação do conhecimento e dos movimentos do
corpo em função das necessidades da organização.
A partir deste saber ordenador, a administra
-çao configura-se como discurso de poder. Para tal.fim, incide
sobre os corpos atrav~s da apropriação da capacidade de reco
-nhecimento do trabalhador e~ relação ao meio, sobrepondo-se a
~e. O desenvolvimento de grandes organizações significou a re
ordenação funcional intensiva do meio de trabalho para permi
-tir ao capital o monopõlio da decisão sobre o ritmo de traba
ritmo de trabalho ao trabalhador, ao mesmo em que lhe inculca
o seu saber normativo.
Administrar,a partir deste momento, passa a
significar o controle do espaço a fim de maximizar a
utilida-de dos movimentos e o controle do saber na produção
cul~ar ao trabalho o saber elaborado pelb capital.
para
in-Este
sa-ber padroniza os movimentos em função' de criterios externos
ãs necessidades do corpo.
A administração revela-se um discurso de
po-d~r tTpico, ou seja, uma configuração particu1ar que monopol!
za o espaço e a compreensao. O monop61io do espaço traduz-se
por um apelo constante
ã
disciplina de detalhes, ãhierarqui-zação de posturas, normatização de movimentos.
Para assegurar o monop61ioda disciplina, o
discurso administrativo desqualificara o trabalho em função
dos "quadros administrativos"., Os qu a dr o s passam a ser
apre-sentados como os portadores da racionalidade expressa na
"ca-pacidade tecnica e intelectúal", sendo seus unicos detentores;
s~o eles que monopolizam essa qualificação, subtraindo-a aos
operarios. Neste sentido, são considerados agentes da desqu~
1 if ic a ç ã o e' o p
r
e55ão d o t r a ba 1 h o m a nua 1, P r o i b id o d e p e n e t r a rna esfera do trabálhointelectual, leia-se mecanismos de
con-trole.
o
t~abalho sofre a hierarquização de pap~is tipic~ de um discurso de poder~ ou. seja~ deve se limitar a ser
movimento produtivo, não invadir a esfera do controle; subordi
nar-se a administração. A mono~olização da qualificação dos
"quadros administrativos" pretende ordenai" os detalhes mais in
fimos do movimento, penetrar o mais profundamente possfvel no
interior dos corpos para dirigi-losâs necessidades da produ
-çao. Os "quadros administrativos" se configuram muito mais co
mo quadros de controle. Mais uma vez, a organização se config~
ra como discurso de poder cujo objetivo não estâ em se apro
p r i.ar dos corpos mas penetrar-lhes nos espaços mais intimas a
fim de redefini-los em função do rendimento, ou em outros
ter-mos, maximizar a sua utilidade. O discurso administrativo
de-fine-se como uma tecnologia politica de controle destinada a
ampliar a produtividade e ·eficãcia do corpo.
Para ampliar a produtividade do corpo, a
drga-niz~ção d~verã retirar do trabalhador a capacidade de decisão
dos m o v im e n tos e d e a r t ic u 1 açã o d o co n he c ime n to o usa be,' n a p r.Q.
dução. Como consequ~ncia, a relação de poder e saber revela
-se de fundamental importância para a manutenção do espaço
dis-ciplinado, dos mecanismos de individualização e de qualifica
-~ ção da administração sobieo· trabalho. A relação de poder
e saber disciplina a percepçao e a compreeensão, reafirmando o
controle na produção. Esta relação de poder e saber dissimula
as relações de apropriação da produção, da configuração do
Para redrticular todo este movimento de contro
le da percepçao, serâ necessâria uma capacidade analTtica, que
articule poder e saber, que recupere as rupturas introduzidas
a todo momento pelo discurso administrativo, cujo objetivo es-'
t~ em evitar a totalização da percepção e do conhecimento fora
de sua perspectiva. Acreditamos que a genealogia do poder de
Michel Foucault permite recuperar a capa~idade analTtica nece~
sâria para articular a administração ,como tecnologia polTtica
de ordenação da visão do saber para monopolizar a ccmpreensao
do movimento real de apropriação e acumulação dissimulado nos
tecidos da organização.
Outra caracterTstica da obra de Foucault que
auxilia ao nosso projeto de anâlise est~ no fato de
descentra-lizar o poder da figura do Estado, liberando-o para o conjunto
do corpo social. Esta descentralização p e rm ite uma anâlis e his
t5rica mais din~mica, não restrita a categorias genêricas, abs
tratas. Neste sentido, esta dissenlinação de relações de poder
na sociedade poder ser compreendida no interior da empresa. A
relação de poder e saber ao nlvel do microcosmo da empresa p~_
de ser localizada no discurso administrativo. Como consequen-
-cia, este discurso representa uma forma local do conjunto dos
mecanismos disciplinares espalhados pela sociedade.
A',empresa reproduz em suas formas locais e têc
nicas o discurso de poder como uma forma particular de
contro-le tê~nico e detalhado sobre o corpo. Este se constitui no
mais imediatamente concreto dos indivTduos que sofrem a
çao destes mecanismos de poder. A anâlise hist5rica da
cons-tituição de cada discurso em particular, ~ maneira pela qual
sua configuração foi possivel, passa a ser passivel de com
-preensao.
liA mutuação essencial assinalada por livros
como Surveiller et Punir e La Volont~ de Savoir, primeiro
vo-lume de Histoire de la Sexualit~, foi a introdução'nas anâli
ses hist5ricas da questão do poder como instrumento de
anãli-se capaz 'de expl icar a produção dos saberes. II( )
A Psicologia como região particular do conhe
cimento, sofre esta ordellação polTtica para adquirir condição
de exist~ncia no espaço organizacional. Para tanto, devemos
analisar a Psicologia simultaneament~ ãs necessidades de
no-vos mecanismos de padronização do desenho de poder do capital.
Isto implica em dedicarmo-nos ao estudo da Psicologia na org!
nização atrav~s das suas ambigüidades e contradições. Não p~
demos estudã-la enquanto um conjunto de procedimentos teorica
mente prescritos, mas na sua positividade, na real utilidade
para o discurso administrativo. A partir desta colocação, p~
demos compreender a ambigllidade do discursollhumanista" do
psic5logo confrontado com a sua situação de depend~ncia em re
lação aos mecanismos. de tomada de decisão.
A articulação entre d dominio psico15gico e o
discurso administrativo revela mais .uma caracteristica do dis
curso de poder: a necessidade de articular-se em procedimen
-tos específicos a tim de projetar-se sobre os dominios especificos
dos vârios espaços que compõem o corpo social da empresa. Ca
da espaço ou dominio necessita de uma articulação especifica
que hierarquize este segmento segundo as~necessidades mais g~
rais de apropriação do capital. Isto significa que o psic51~
go dever~ interpenetrar-se com outros discursos para assegu
-rar a sua positividade. A partir desta articulação, o dom;
-nio psicolõgico sofre a apropriação de linguagem e converte
se ele tamb~m em discurs6 de poder. A sua cientificidade des
loca-se para a ordenação da subjetividade do trabalho; para
tanto utiliza-se da disciplina da administração. O
discur-so da motivação revela-se uma extensão da disciplina aos meca
nismos de ordenação· subjetivos.
A Psicologia revela-se uma extensão da
disci-plina do discurso .administrativo aplicada a um espaço partic~
lar da empresa: o dominio da subjetividade do corpo. O
domi-nio da subjetividade revela~se fundamental para assegurar a
manutenção dos mecanismos de individualização. Para esta
ma-nutenção, a interpenetração do psic5logico com os vãrios
dis-cursos disci~li.nares torna-se cotidiana, intensa. Se rã esta
interpretação con~tante que estudaremos no decorrer deste te~
to como condição para entender a totalização dos mecanismos de
po de ri embu tid o s nos chamados "procedimentos administrativos".
/
I
ORGANIZAÇAo E PODER
11
o
rg a niz ação i111P 1 i c a c o ntr
o 1e11 (1 ). O P r ime ir oobjetivo deste trabalho e abarcar as relações estruturais do
processo administrativo a partir das relações de controle que
discriminam e padronizam o comportamento dos indiv1duos no es
paço organizacional.
Por espaço organizacional entendemos as
ativi-dades vitais que permitem manter o equi11brio din~mico para
a reprodução da empresa. Para manter esse equi11brio
dinâmi-co ê necessãrio organi~~ o fluxo de informações, o processo
de tomadas de decisões e a organização de insumos, t~cnicas e
pessoas.
O ~ontro1epassa a ser uma conseqa~ncia dessas
atividade·s vitais para a manutenção da empresa. O controle
se dã a nTvel comportamenta1 quando restringe cs
comportamen-tos pessoais e subjetivos aos padrões exigidos pelo grau de
integração das diversas tarefas e atividades da estrutura
or-ganizacional. Para atingir este objetivo, deve ordenar e
pa-dronizar os comportamentos difusos aos objetivos e exig~ncias
das aspirações da organização.
( 1 )
.TA N N E N BA LJM, A r n o 1d S. C o n t r.o1 i n O r9 a n i z a tio n s .N e w Yo r k ,
McGraw-Hill, 1968, p.3.
Neste sentido o nosso trabalho pretende
reen-focar o conceito de controle dentro do conjunto das relações
de poder que o seu exerclcio engendra. Cun tr o l a r impl ica con~
truir um "aparelho de acumulação de homensll
, pois debaixo de
cada tarefa existe um homem sendo controlado. Nestes termos
nos aproximamos da abordagem de Michel Fouc au lt : "Se a
deco-lagem econ6mica do Ocidente começou com os processos que
per-miti.ram a acumulação do capital, pode-se dizer, talvez, que
os m~todos· para gerir a acumulação dos homens permitiram uma
decolagem pollti~a em relação ( ... ) a uma tecnologia
minucio-sa e calculada da sujeição (controle). Na verdade, os dois
processos, acumulação de homens e acumulação de capital, nao
podem ser separados; não teria sido posslvel resolver o pro
-blema da acumulação de homens sem o crescimento de um aparelho
de produção, capaz ao mesmo tempo de mantê-los e de utilizã
-los; inversamente~ ·as t~cnicas que tornaram Gtil a multiplic!
dade cumulativa de homens aceleram o movime~to de acumulação
de capitalll(2).
Produzir implica controle. A partir desta pr~
missa o controle dissemina-se pela organização, determinando
procedimentos de ajustamentos comportamentais, individuais,o!
ganizacionais, em nome da eficiência do discurso administrati
vo. Vejamos como se dã esta disseminação.
( 2 )
FOUCAULT, Michel.
p. 193-194.
o
controle ~ tamb~m exercido pela eficãcia arganizacional que podemos definir como o grau de proximidade
dos resultados atingidos em função dos resultados planejados.
Para atingir esse grau de proximidade ~ necessãrio controlar
o fluxo de informações, o uso de insumos, têcnicas e pessoas
para crientar o processo de tomada de decisões. O processo
de tomada de decisões ê fundamentado nas expectativas planej!
das, utiliza as informações disponTveis para adequar a reali
dade atual - grau de utilização dos insumos da emp r esa - aos
nlveis desejados pelo planejamento. Neste sentido, a eficâ
-cia organizacional implica um determinado grau de
conformida-de, e a integração de diversas atividades~ tarefas e comport!
mentos.
A conformidade apregoada pela eficãcia
organi-zacional reforça a· necessidade de compreender o discurso adml
nistrativo como, um instrumento de gestão de homens. Reforça
tamb~m a necessidade de compreender o controle como o gestor
destes comportamentos absorvidos pela conformidade defendida
pe 1o d i s cu r so a dm in i s t r a t iv o . O m om e nto
e
o p o rtuno p aI'a m a i suma vez confrontarmos a abordagem tradicional com a proposta
de Michel Foucault.
A conformidade
e
apresentada genericamente, p~rem para obtê-la será necessãrio d e s e nv o lv e r toda uma "ma qu i>
naria de c o ntr o le " b a se e d av en t n stitu t çde s disciplinares. liAs
instituições disciplinares produziram uma m~quinaria de con ~
trole que funciona como um microsc5pio do comportamento; as
divisões t~nues e analTticas por elas realizadas formam em tor
no dos homens, um aparelho de observação, de registro, e de
treinamento."(3)
A conformidade tal como foi apresentada acima
·pode ser encarada como um instrumento de poder, ou seja, como
um instrumento que disciplina corpos no espaço das relações s~
ciais que produzem a organização. A aplicação da anãlise de
Michel touc~ult, em contraposição ao discurso administrativo,
estâ em resgatar as relações de poder, dissimuladas como rela
çoes de conformidade, como as relações fundamentais que
re-gem a acumulação do capital e o desenvolvimento do seu dese
-nho organizacional.
o
discurso administrativo nao so nao reconheceas relações sociais que padronizam os movimentos do corpo, c~
mo desenvolve descontinuidades para que o polTtico que
envol-ve estas relações não seja compreendido. A necessidade de p~
d r o ni z a ç ã o p a s s a a ser c o n t inuamente jus t if icada e uma das j u~
tificações para tal padronização estã nas mutações ambientais.
(3)
CONTROLE/AMBIENTE/TOMADA DE DECISOES
Se o controle
e
um instrumento de execuçao dasnormas e procedimentos do desenho o rq a niz a cional, também
cha-mado espaço organizacional , estes atuarão sobre um conceito
mais amplo: o ambiente. O conceito je esp~ço organizacional
está ligado ao conceito de ambiente. Este último refere-se ã
p~odução global e ã disponibilidade de recursos. O espaço o~
ganizacional constitui-se dos procedimentos necessãrius para
transformar recursos desorganizados e dispersos sob a forma
de mãquinas, materiais, dinheiro, insumos, materia-prima,
re-cursos naturais, oportunidades de mercado e todas as opçoes
que o lIambientell possa oferecer.
Para poder apropriar-se e manipular os recur
-sos fornecidos pelo IImeio-ambientell
e
próprio do espaçoorga-nizacional elaborar n o v o s discursos de poder para ati nj í r seus
objetivos; padrões de comportamento programãvei s, si stemas ~
peracionais padronizados, si.~tema~' de manutenção da ap r o p ria>
çao de insumos, que lhe permitam uma relativa estabilidade do
seu "ciclo vital", enquanto empresa.
A c a p a c id a de d e s i st erna t i'z a ç ã o e p ad r o n i z a ção
de comportamentos e decisões justifica a elaboração de sist~
mas de adaptação que propi~iam a continuidade dos mecanismos
de controle apresentados como ciclos vitais. Esses
mecanis-mos de adaptação são at;v~pos pelas mudanças no "ambientell
que produzem lIestimulosll.
o
mecanismo de tomada de decisões representa oelemento dinâmico do espaço organizacional voltado para a co~
tinua adaptação às "mud a nça s arnbientaisll' e às necessidades de
novos mecanismos pad~onizadores. Decidir refere-se a elabo -.
rar uma sêrie de procedimentos ajustadores para manter e, se
possivel, ampliar o lIequilibrio da capacidade de extração de
recursos da empresa com a capacidade d~ ofertã-los ao
ambien-te. Analisaremos mais aproximadamente o papel reservado aos
mecanismos de tomada de decisão pelo discurso administrativo.
Competem ao mecanismo de tomada de decisões al
gumas das seguintes re~ponsabilidades: corno melhorar o
rendi-mento ? Como aumentar a produtividade-hora? Como solucionar
o problema da falta de matêria-prima ? Como diminuir as cons~
quências do progressivo aumento dos preços' de combustiveis ?
Como evitar demis~ões por 'causa da diminuição das vendas?
Decidir, portanto, e administrar. O processo
decisório
e
tambem administrativo, pois, lIadministrar envolvea coordenação de recursos humanos e materiais, com vistas a
atingir determinado objeti.vo atraves de um sistema de informa
ção-deci s ào " . (4)
(4)
KAST, Fremont Ellsworth e ROSENZWEIG, James E.
ção e administração: um enfoque sistêmico.
Paulo, Pioneira, 1980. v.2, p. 521.
A organização das decisões e a organização do
trabalho e este depende da organização do capital. As dife
-rentes esferas do poder, controle e autoridade traduzem a
or-ganização dos interesses e da circulação do capital dentro da
empresa. Atrav~s destes interesses o capital hierarquiza fu~
ções e tarefas, dando-lhes diferentes graus de autoridade,res
ponsabilidade e remuneraçao. Os setores e funções respons~
-veis pelos segmentos mais lucrativos ou de produção mais
in-tensa de capital recebem uma posição hie ràr-qu ic a su p eri o r , ou
sejai sua posição no desenho organizacional lhes permite maior
acesso a informações e a necessidade de exercer controle sobre
os subordinados. Isso significa que enquanto enquadra seus
funcionârios em atividades especlficas, concentra a sua
capa-cidade de manipulação de informações, transformando-as em no!
mas padronizadoras para o trabalho. Enquanto os subordinados
se relacionam pelaprãtica do trabalho cotidiano, os setores
vitais para o capital se relacionam com ü trabalho por
siste-mas de padronização e autoridade.
Apes~r de a hierarquização patrocinada pelo
C!
pital possuir uma variação dos setores mais lucrativos para
os menos lucrativos, sua preocupaçao fundamental estâ na pa
-dronização do trabalho, nao apenas para produzi0 bens e ser
viços, mas para produzir capital, e conformidade ao seu dis
-curso. As funções não são apenas tecnicas mas produtoras de
capital e reprodutoras do seu aparelho de poder.
A partir dessa caracterização, temos condições
de redefinir a função controle em termos de reprodução de
ca-pital. O controle ~ um instrumento para absorção e padroniz!
çâo do trabalho partiiuldr, a fim de transformã~lo em geral
corporificado em mercadorias, passTvel de realização enquanto
valor de troca.
A organização do trabilho ~ a organização dos
mecanismos de poder e informação para a sua "reprodução. O con
trole da informação passa a ser um dos mecanismos estrat~gi
-cos de manutenção das estruturas padronizadas do desenho admi
nistr att v o .
Para administrar e necessârio um sistema de co
munica~ão e controle, o qual padroniza as atividad~s dos
mem-bros da organização em função do planejamento anterior.
Se a tomada de decisão ~ o elo dinâmico do
cs-paço organizacional, a cibern~tica constitui-se no momento
mais dinâmico desse processo de tomada de decisões.
n~tica envolve comunicação econtrole(5).
A
ciber-A comunicação estã relacionada com o fluxo de
informações, atrav~s da anâlise das atividades pret~ritas e
sua comparaç~D com as previsões sobre a capacidade do
ambien-(5 )
KAST , Fremont Ell swo rth eROSENZWEIG, James E .
te em absorv~-las. A c~municação permite tamb~m acompanhame~
to e interação entre a capacidade da empresa para se ajustar
ãs necessidades do meio, necessidades que implicarão o ajust!
menta dos indivTduos nas diferentes inst~ncias do espaço org!
nizacional. A comunicação constitui-se num dos elementos que
contribuem para o planejamento, por ser um dos fatores de
acu-mul~ção de dados passlyeis de padronização.
o
c o n t r o 1e e n v o 1ve a s i n f o rm a ç õ e s r efe) entes a oajustamento dos indivTd~os ao sistema, verificando se as nor
mas modificadoras anteriores foram adequadamente implementa
-das e se os resultados obtidos permitem a implementação de nQ
vas decisões. Nesse sentido, o controle adverte o sistema das
falhas eventuais e permite avaliar a reaçâo do meio ao nao
cumprimento das metas definidas pelo planejamento.
o
conceito de controle possui uma visTvelpro-~imidade com o conceito de eficãcia organizacional. A
eficã-cia permite avaliar o grau de proximidade dos r~sultados obti
dos em relação ao planejamento.
b
controle envolve oacompa-nhamento das normas e procedimentos das decisões. O controle
e
apresentado como um instrumento para atingir a eficãcia,po"ismanipula o fluxo de informações, insumos e recursos humanos
que permitem
ã
estrutura organizacional da empresa ajustar-seaos padrões de manipulação do ambiente previsto pelo
planeja-mento.
Atraves da cibernetica, a comunicação e o
trole passem a ser estruturados em um sistema de informação
-decisão. Pata tanto, o controle e os sistemas de comunicação
sofrem um processo de realimentação: as informações, ap6s
se-rem processadas, retornam ao ponto de origem para serem comp~
radas. Este
e
o processo cibernetico ideal, mas no caso daadministração, ou melhor, dos processos administrativos que
atuam com atividades dinâmicas) em constante mutação e adapt~
ção, não temos situações passlveis de serem reduzidoas a con
-ceitos mecânicos. Então, a dinâmica. do processo administratl
vo e recuperada pelo planejamento. Atraves da comparação
constante entre o produto das decisões e as potencialidades do
meio, temos condições de ajustar a estrutura operacional da
empresa as necessidides do sistema, ou seja, do espaço organl
zacional. O planejamento, segundo o discurso administrativo,
cria a estrutura necessãria para a toma~a de decisões, na
me-didaem que realiza a lIanãlise racional das oportunidades
oa-o ferecidas pelo meio, dos pontos fortes e fracos das empresas
e da escolha de um modo de compatibilização lestrategia)
en-tre os dois extremos, compatibiliiação: esta que deveria
sa-(6 \
tisfazer' do melhor modo posslvel aos objetivos da empresall• J
O planejamento tambem se constitui num
instru-mento dinâmico que precisa ser constantemente alimentado com
(6)
ANSOFF, Lq o r et alii.,(orgs.)Do planejamento estrategico
informações so~re o ajustamento do desenhcr organizacional ao
meio. A medida que o planejamento implementa decisões, os me
canismos de controle e informações permitem verificar se o de
sempenho estã adequado aos objetivos, ~s o~ortunidades
ofere-cidas pelo meio, se os pontos IIfortesll estão sendo mantidos,
se os -pontos "f ra co s " estão sendo su p e r ado s , enfim, se estão
sendo compatibilizados os mecanismos de Ilexploraçãoll do meio
com .as possibilidades oferecidas p o r este.
/
CONTROLE
ORGANIZACIONAL
o
planejamento deve ser constantementeatuali-~ado. Sua carácterização dinãmica ~ que permite a operacian!
~ização do mecanismo de tomada de decisões. As decisões t~m
~que estar adequadas aos objetivos da empresa eâ mutabilidade
do ambiente. Ora, a estrutura de controle, enquanto
mecanis-~ode ajustamento das normas e procedimentos, ou seja, de
me-canis~o de poder, contribui para o mecanismo de tomada de
de-~isões enquanto guardião da, manutenção dos padrões organiza
-cionais, advertindo o desenho organizacional de eventuais
fa-lhas de comportamento. Assim, o controle passa a ser um
ins-trumento avaliador, cujo objetivo
e
aproximar os resultadosobtidos das necessidades formuladas pelo planejamento. Para
i~so, utiliza o procedimento de tealimentação desenvolvido" pe
-la 'cibernetica. 'A realimentação deve, pela t r-an si to rt e d ad e
do meio, ser constante e dirigida, tanto para os objetivos co
mo para os mecanismos que per~item a sua implementação.
Pelo que foi discutido acima podemos afirmar
que os discursos de poder do desenho organizacional
descarac-terizam as relações de poder que envolvem os mecanismos de
a-justamento e conformidade, apresentando-as genericamente
co-mo normas, procedimentos e tarefas. Mas o conjunto de rela
çoes sociais que definem a organização passam a ser
redefini-das no momento do controle, da avaliação e do exame. Não bas
ta executar a tarefa,
e
n.ece s sârio produzi-la dentro de um~co!!.sao de movimentDs. A tarefa, o ajustamento, nao ~ abstrata
mas objeto de controle que define a situação do indivfduo em
relação aos mecanismos de poder.
A cibern~tica pretende reduzir estas relações
a um ~istema de informação, mas não abdica do controle dos
padrões organizacionais. Estes padrões são mantidos em
fun-ção -da punifun-ção. A punição não revelada e o momento do exercT
cio dó poder, momento este que a cibern~tica não revela.
chel Foucault
Mais uma vez nos util izamos da abordagem de Mi
,
liA medida que o aparelho de produção se torna
mais importante e mais complexo) ã medida que aumentam o nume
ro de operârios e a divisão do trabalho, as tarefas de contro
l~ se fazem mais necessãrias e mais difTceis. Vigiar torna-se
então uma função d~finida~ mas deve fazer parte integrante do
processo de produção; deve duplicã-lo em todo o seu comprime~
to. Um pessoal especializado torna-se indispens~vel, constan
temente presente, e distinto dos o p e rârio s ( ... ).11(7)
Este "pessoal especializado" darã origem ã
es-trutura gerencial que o discurso administrativo
justificarã-co m o a n e ce s sida d e de 11o rg a n i z a r t a r e f as-11• V ejamos c om o e 1e
se articula:
( 7 )
FOUCAULT, Michel, Vigiar e punir, p. 57.
,P,g.:rca :organizar essas tarefas em um sistema g~
-.n~f)çJ~l:, 9 ,..Çp:l1-trolep.ssume a ca r a cte rist í ca de uma estrutu r a
§§p~&1~ljtªda.
dinâmica e em intimo cont~to com oplanejamen--t-g
,t
§§pr-
4d tJ.çª
o
óin âmica entre objetivos e m e canisrno s o rg~ ,nJg@.~>i9nª~§ -&:OJlJ 9 pl ane j ame nto , manifesto numa estrutura ge-r@n&1~1,
r~ç@~e
9nome
de controle organizacional.Dcontrole organizacional refere-se a um siste
.ffli
d~ tomada de
deçisões que tem por base a estruturação de:~idrõ~~ dI çQntro1e
de desempenho capazes de fornecer informaçÕê§rlªlim~ntad9rªs para ajustar, aos objetivos dados, meios
PU in~trYmentos
de
implantação e, a partir dos resultados aferidQi,
modificar
ou
atualizar os objetivos que deram origem aêêtê§ prQ~egimentos,
Por este motivo, o controle organizacional e
um proçe!p~o de
realimentação que contrasta as condições ime diatª~
COm os pidrões
desejados, e utiliza os resultados obtidospara
coordenar
AS atividades de organização para a manutençãod o
~qlJillbri9
dª$
"f u nçóe s vitais? , mecanismos de poder, deªd~QYªCªQ
ºª
empresa ao meio.Pelo
que foi visto, planejamento, organizaçãoe contrQle
i~Q momentos caracterlsticos e inter-relacionadosdo proçe$iO administrativo.
"O processo administrativo compreende o
I.,
controladora adve.rt'eo sistema, "mantêm as coisas na linha"
'(9r.ifo nos s o) e f a ci1 ita a in te g.r a ç ã o .da s a t 'iv id ade s .. O c o
n-trole organizacional e ntr e l a ca+s e inextricavelmente com o pla
• c; _ !.... i
--nejamento. O planejamento forpece um-pano de f~ndo c~ntra o
qual opera o processQ do controle. Por outro lado,
frequen-temente a realimentação proveniente da fase controladora
10-cali~a aS pontos em que se fazem necessârios novos planos,ou,
pelo men6s: aj~stes nos planos ~xistentes. O co~portamento
do indiv~duo e da orga~ização c~racteriza-se pbr compreender
uma seqO~ncia cont~nua de ciclos de planejamento, execuçao e
.. (8)
controle" ..
(8)
KAST,
Fremont Ellsworth e ROSENZWEIG, James E.Organiza-çao e administração um enfoque sist~mico. p. 521
"CONTROLE O R G A N I Z A C I O N A L E CONTROLE
soe
I A Lt
importante introduzir um ponto de clivagemd~finit v o . S eo s m e c a n iS!TIoS de comunicação e controle c o n sti
-~uem-se em elementos externos e moldadores do desenho
organi-zacional, os homens, discriminados t~cnica e socialmente
nes-te 'espaço organizacional, sob a fcrma de tarefas,
responsabi-lidades e auto~idad~s, constituem-se nos elementos internos.
Não podemos falar do desenho organizacional
sem nos referirmos a determinação que esse impõe sobre os
~egmentos e classes sociais. Do ponto de vista das conseqa~~
cias de apfopriação e redistribuição do excedente produzido
pelo trabalho, esse se apresenta comO um mecanismo de poder,
de mando e de concentração de decisões. O poder expressa-se
na limitação e determinação do fluxo de informações, e na
pa-dronização dos comportamentos justificados como necessir~os
para atingir os objetivos gerais da empresa.
A ~artir do seu contato com o espaço
organiza-cional, os indivlduos perdem a sua generalidade social, sendo
discriminados pelos processos administrativos e de controle.
Para tanto, devem ser localizados na estrutura de informações,
o que significa o seu enquadramento em um conjunto de ativid!
des relativas
ã
sua cápacidade de manipular informações e setraduzem normas e procedimentos para subordinados e em ava
A localização no processo de obtenção e
forne-cimento de informações determina o poder de manipulação de t~
refas para os subordinados e a capacidade de barganhar
melho-res cargos com os superiores. Portanto, a localização na
es-trutura de informações ~ tamb~m a localização na estrutura ad
ministrativa e de poder.
A localização na estrutura administrativa
con-solida as relações de poder, na medida em que determina o
a-cesso B salârios, beneflcios, informações e normas comporta
-mentais aum conjunto restrito de indivlduos.
o
poder disciplinador da organização estâdis-criminado na especialização de funções em conformidade com o
planejamento estrat~gico. A fragmentaçã6 do trabalho torna-o
cativo do mecanismo de tomada de decisões. Este ~ o elemento
ativo do poder que se éxpressa em ordens e cumprimento de
o-brigações e que exige a submissão do trabalho ~s necessidades
da manutenção da empresa.
A necessidade de manutenção da empresa levarã
ao desenvolvimento do discurso da disciplina, pela qual os me
canismos de poder serão legitimados no espaço social da
orga-nização .. A disciplina se desenvolve descontinuamente, ou
se-ja, para o trab~lho implica padronização constante de movi
mentos posslveistornados eficazes e para o capital significa
a a~pliação da sua esfera de poder e acumulação.
Utilizamo-nos novamente da abordagem de Michel
Foucault sobre a disciplina que, desenvolvida no exercito e
nos mosteiros, generalizou-se para o conjunto da sociedade. O
capitalismo passa aser a soci~dade composta de,virios
meca-nismos disciplinares adequados
ã
necessidade da produção demercadorias. Esta pressupoe a organização, espec~alização de
tarefas, em função do tempo. Podemos compreender então o sii
n if ic a d o p o 1ítico na o r 9 a niza ç ã o d a di s c i P 1 i na: .11A p ir âm ide
disc'iplinar constitui a pequena celula de poder no interior
da qual a separação, a coordenação e o controle das tarefas
foram impostos e tornaram-se eficazes; o quadriculamento
ana-lítico do tempo, dos gestos, das forças dos corpos, constitui
.um esquema operirio que pode ser facilmente transferido dos
~rupo~ a submeter para os mecanismos de produção".(9)
A disciplina iniciou-se no domínio dos corpos,
transformando-os em miquinas disciplinares adequadas i
produ-ção. A disciplina constitui a base subterrânea do discurso
administrativo.
A disciplina realiza as relações de poder no
interior da trama social, realizando a apropriação do partic!
lar para os mecanismos generalizadores do poder.
(9)
/0 poder disciplinador da organização
desenvol-ve uma contradição em relação ao trabalho: enquanto a
empre-sa incorpora o trabalho enquanto sistema globalizado de prãti
cas, funções e'normas, o trabalho se apropria do cotidiano da
empresa enquanto prâtica fragmentada de submissão âs relações
de poder.
o
mecanismo de tomada de decisões ~ o instrumento cotidiano de consolidação da fragmentação do trabalho, sus
tentado atrav~s da estrutura de concentração de informações
sobre a mutabilidade do meio. Neste s~ntido, a estrutura ad
ministrativa tende cada vez mais a elaborôr o meioe o mundo
enquanto um sistema disciplinador e hierarquizador. A concen
tração de i~formações representa, num grau mais avançado de
de se n v o 1v im
e~~
to d e e s t r u tu r a s o r 9 a n iz a c i o n a i s , o sé
n t id o depoder que se apres~nta como uma capacidade t~cnica.
A INDIVIDUALIZAÇ~O
COMO
FORMA
DE CONTROLE
A' estrat~gia de fracionamento do trabalho tem
,
por objetivo implantar a submissão do trabalho aos mecanismos
de tomada de decisão dos processos administrativos.
O
controle organizacional impõe aos indivlduos funções e~peclficas e
pre-determinadas, segundo os seus criterios teçnicos. Como
con~eqO~ncia, a organização se v~ no direito e na necessidade
de estabelecer mecanismos de controle externos ao trabalho dos
indivlduos para controlar o conteGdo do pr5prio trabalho. Es
se controle passa a ser chamar "anãlise de desempenho", pois
deve confrontar desempenho do trabalho com os objetivos mais
gerais de planejament~ do desenho organizacional.
O trabalho e decomposto em funções estatistica
mente quantificadas~ Para tanto, deve enquadrar os resulta
dos do trabalho em um sistema de realimentação; donde a fun
çao controladora envol~e a aferição das condições reais e seu
confronto com os padrões anteriores ã realimentação,
apresen-i
tando esse .processp de fr aqme nt açâo do trabalho como uma
ne-cessidade para coordenar as atividades da organização e como
uma necessidade vital de manutenção do equillbrio dinâmico do
sistema produtivo.
Essé trabalho decomposto em funções pelos
pro-cessOs administrativos de tomada de decisão deve ser
hierar-quizado e compatibilizado com a disposição dos insumos e
re-.
cursos diretamente produtivos. Não existem funções que nao
dese-nho organizacional. 'O conceito de trabalho €i reduzido ao con
ceito de comportamento, que reduz o individuo a uma seqOência:
planejar, controlar, executar, verificar. Para controlar a
produção €i necessário criar uma serie de "subsistemas opera
cionais" que permitem, pelo circuito descrito acima, manter as
qualidades do produto e manter as relações de submissão do~
individu'os adequados às exigências "operacionais" da produção.
A
medida que o conceito de controle intervemnao apenas na organi2ação da exploração econ6mica, mas tambem
discrimina os individuas no espaço social, esse conceito deve
ser recuperado de sua função operacional para ser
re~nterpre-tado pol iticamente ao nivel de uma 'estrutura de poder que se
dedica
ã
apropriação das energias e do conte~do do trabalho.Sea hierarquização de funções e a base da
es-trutura de poder, o conceito de controle e o mecanismo que
permite solidificar a hierarquia e, portanto, o poder. A
ba-se do poder e o controle. Por controlar estamos entendendo
todas as atividades padronizadoras do trabalho. Controlar e
padroniza~' o trabalho alheio.
Ao nivel do cotidiano de uma empresa, podemos
localizar concretamente o conceito de controle no níime ro de su
bordinados que cada gerente pode controlar, leia-se adminis
-trar, com eficiêricia. Para ad~inistrar - leia-se controlar
-e n-ec-essário recorrer a departamentalização e à hierarquiza
-çao.
-,Ot,r~bil1hQ (1:0 subordinado sõ tem valor, leia-se
.:,~fif1~n&i8~
§~fgr7C{)-fH>º@rHL<jo - leia-se controlado - peloge-i"ªnt~-" Q-tr~PidJw @ ~pstrg,'jdo de suas particularidades
e-so'-.,.mgntg
Jhl§§f). f).t~r-v~
lorqtJ and o pa s si vel de in teg ração si stemã-,
.c~tl&-9&()m.--outrô§~ttvjdªd~s preteri tas.
--:(}conce+t c
de trabalho passa a ser substituido~~@lD~@n~@~tp
d~ funçio:
atividades pr~-definidas passiveis de~fª~r~njll~io
lilllmit1cª
com outras atividades pret~ritasvol-tDdl§ Pªfª
um
determinDdo objetivo.~ funeio
do
gerente ~ proporcionar ao conjunto~p§
m~eªn1Imo~
Idm1ni~t~~t1vos a uniformização adequada deto-dª§
ª§ªtividêde5
exercidas pelos seus subordinados na suadi-~1Ii@ @y
d@~ªrt.mentD,Esta
uniformização ~ possivel peloe-~êre'eio
dafunçio
controladora atrav~s do confronto entre os~e~@mp,nho~ obtidos e os esperados. Este confronto estã deter
mifHHlo pelofiDbjetivos especificas desempenhados pela divisão
-oYdepartgmento no desenho organizacional. Por exemplo, para
O dIPªrtªm@nto de finanças, o controle de desempenho ~
tipica-~Inte
o
proc~~~ono' qual o gerente e os supervisores confron-tam g$ dl~pe~g~ realizadas com as previstas no planejamento fl
~ênceiro da empresa. Para o gerente de recursos humanos sua
fyneio esti em confrontar os resultados obtidos pelo programa
~de tr~inªm~"to com ªs necessidades que deveriam estar safisfei
tª~
pªra at@"derIs
oQcessidades do planejamento.-vistos para o desempenho das atividades produtivas da
organi-zaçao, o gerente dever5 limitar o acesso dos indivlduos ao
quadro de informações, para delimitâ-lcs - leia-se enquadrâ
-los - dentro do mecanismo de tomada de decisões. A função
controle do gerente estâ em manter as atividades dos seus
su-bordinados dentro dos limites tolerâveis pelo planejamento da
organização. Para tanto, terã que impor aos seus subordinados
uma dinãmica de comportamento. Passa a exercer em relação a
eles poder de decisão pela divisão do trabalho e pela
delimi-tação ao acesso
ã
informação. A partir dessa concentração dacapacidade de decidir e da capacidade de obter informações p~
ra decidir, cria-se a relação superior-subordinado, onde o pr~
meiro
e
apresentado como dotado de maior "capacidade".E ss a 11c a p a c ida d e11 ap r e se nta r ia IIjus t if ic a ç õ e s
objetivas" por parte da organização. "0 superior se encontra
em posição mais elevada devido a ser responsãvel por trabalho
maior do que um sõ homem pode fazer. E por isto que possui
subordinados. O fato de possuir subordinados
e
o sinal peloq u a 1 sa bem o s que e1e se e n co n tra em uma po s içã o su pe r io r (...).
Ele
e
responsâvel por trabalho superior ao que pode realizarsozinho; desse modo, possui subordinados para ajudã-lo nesse
ponto. A realização bem-sucedida do trabalho do superior de
pende, primaria~ente, da sua habilidade em conseguir auxllio
do s seus su bor-d i-n ad o s para tal. mister". (la)
(10) HAIRE, Mason. Psicologia aplicada
ã
administração. 2a.ed., São Paulo, Pioneira, 1974, p. 47.
A relação definidora da ger~ncia aparece inver
ti~a, ou seja, o gerente e reconhecido como dotado de qualid!
des, o que lhe dã direitos sobre seus subordinados, quando,na
realidade, ~ um produto da con~entração de decisões,
informa-çoes e comportamentos que permitem ao gerente o desempenho de
suas funções de controle.
Essa abordagem limita a estrutura ·às relações
interdependentes entre os indivTduos, como se fosse possTvel
agregã-los num "sistema •• que permitisse diminuir o conflito
inerente entre o trabalho e a administração. Por este motivo,
não consegue apreender as reais determinações da padroniiação
.e da hiera~quização da padronização do trabalho. O mecanismo
de tomada de decisões exige que a individualidade das
Ilpes-soas" se transforme em comportamentos de obedi~ncia a funções
determinadas.
A individualização sera, portanto, um dos
veT-culos de disciplina da administração, pela sua capacidade de
prescrever tarefas e movimentos para indivTduos particulares.
Atrav~s da individualização, a organização produz o corpo
pa-ra o tpa-rabalho, registrando e acumulando saber sobre a produ
-çao. Podemos mais uma vez entender porque para Michel Foucault
~ impo~tante o exame como objeto de anãlise. Este ~
respnsã-vel pelo selecionament6 de indivTduos e tarefas que acompanham
; o poder de individualização que tem o exame
como instrumento fundamental. O exame ~ a vigil~ncia
per-manente classificat6ria, que permite distribuir os
indiv~-duos, ju1gã-10s, medi-los, 10calizã-los e, por conseguinte,
uti1izã-10sao mãximo. Atrav~s do exame, a individualidade
torna~se um elemento pertinente para
der".(ll)
o exerc~cio do
po-A função da gerência'~ basicamente subordinar
o trabalho â administração, embora muitas vezes o trabalho
tenha condições de possuir conhecimentos especializados mais
adequadamente que os seus supervisores.
li ••• as habilidades especializadas, que sao
frequentemente exigidas. dos in dividu o s em todos os nIv ei s das
organizações conté~por~neas, podem, algumas vezes, signifi
-car que os subordinados são mais conhecedores numa determina
da especialização do que seus superiores, modificando, desse
modo, as clãssicas relações entre a supervisão e o subordi
n ado:1 ( 1 2) .
(11) FOUCAULT, Michel. Microfisica do poder. Rio de Janei
-ro, .Gra a 1, 1982, p. 107 •
(12)
TANNENBAUM, Arnold. Control in organizations. p. 26 .
••
/Situação semelhante foi viVida pelos contrames
tres nos· anos 50, cuja função bãsica de controle sobre o
com-portamento dos trabalhadores foi apropriada pela tecnização
do equipamento; Wright Mills nos anos 50 jã alertava para e!
ta tend~ncia. liDe fato, nenhuma categoria ocupacional fbi tão
afetada pela racionalização do equipamento e da organização,
quanto os contramestres. Com o advento da grande indGstria
suas funções foram reduzidas pelo aparecimento de novos t~cni
cos e especialistas em relações humanas e pelas decisões dos
altos dirigentes; por outro lado, sua autoridade foi
solapa-da pelo crescimento de sindicatos fortes".(13)
(13)
MILLS, Wright. A nova classe m~dia. Rio de Janeiro,
CONTR6LE
E AUTORIDADE
A nosso ver, e necessãrio reintroduzir na
ana-lise organizacional o papel do trabalho não apenas como ver
-tente psicologizante, mas como objeto de abordagem de estrutu
ra de poder polltico e econ6mico.
A
abordagem administrativatende a incorporar o trabalho enquanto ~istema abstrato,
des-conectado dos agentes sociais fundamentais: os trabalhadores.
Dal decorre uma contradição entre a empresa que tenta apro
priar-se sistematicamente da capacidade produtiva dos traba
-lhadores e desses que se "apropriamll cotidianamente da
empre-sa, pela prãtica do IIseu trabalholl fragmentado. t uma rela
-çao desigual de fragmentação da percepção dentro da
organiza-çao.
Embora certos setores da economia apresentem
um grau "de desenvolvimento tecno16gico onde não hã a
necessi-dade de certos mecanismos de controle, e estes se revelam at~
inibidores do desenvolvimento organizacional e mesmo do pr6
-prio desenvolviemnto "da empresa, pois diminuem a
produtivida-de e a um e n t amos cu s tos, o de se n h o o rg a n i z a c io n a 1 não abre mão
destes mecanismos de controle considerando-os comoos
mecanis-mos de" e s t a b i 1 iz a ç ã o v it a is" d a em p re s a .
A "estrutura administrativa tende a ver a empr~
sa como uma "e str utu r a de estabil ização dos mecánismos vitais",
mas nao como uma estrutura de trabalho. Enquanto formaliza o
comprirtamento da empresa individualizando r~sponsabilidades e
comportamentos, e individualizando as prioridades dos mecanis
mos de estabilização, não o faz para com o trabalho. O traba
lho ~ visto como um componente suplementar, motivacional, de
justiça trabalhista, de responsabilidade, patrimonial, compo
-nente de produtividade, etc. O trabalho não ~ visto como 'uma
estrutura com direitos e principalmente com direito sobre o
produto do trabalho.
A direção pretende, em Gltima instância,
apro-priar-se do trabalho e não relacionar-se com ele, mesmo que
em determinadas circunstâncias os trabalhadores at~ conheçam
mais sobre o seu trabalho que os seus supervisores.
Os administradores demonstram muito ceticismo
quanto
ã
possibilidade de participação dos trabalhadores emorganismos mistos de tomada de decisões. Recentemente,
algu-mas empresas no Brasil adotaram algumas modificações com .rel.9..
ç a o.
ã
sua e s t r u tu r a o rg a n i z a c i o na 1, in t r o d u z in dom e c a n ism o s cE..mo comissões de fãbrica e trabalho participativo. Os
segmen-tos mais criticos a estas modificações foram os supervisores,
- .
que se sentiram ameaçados na sua autoridade e questionavam que
a comissão de fâbrica passava "por cima da supervisão e ia di
reto ao R.I." ( 14 )
(14 )
Trabalho de pesquisa desenvolvido pela Professora Arakcy