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Reflexões sobre o paradigma holístico e holismo e saúde.

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Academic year: 2017

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REFLEXÕES SOBRE O PARADIGMA HOLISTICO E

HOLISMO E SAÚDE

Elizabeth Teixeira*

TEIXEIRA, E. Reflexões sobre o paradigma holístico e holismo e saúde.Rev.Esc.Enf.USP, v.30, n.2, p. 286-90, ago. 1996.

Trata-se da reflexão sobre o paradigma holístico e sua constituição no âmbito das ciências. Apresenta seus princípios fundamentais e discute sua inserção na saúde. Holismo e saúde surge como desafio para o novo milênio. Destaca os eventos importantes que apontam o paradigma como novo rumo para a humanidade. Faz uma reflexão sobre suas bases, pressupostos e conceitos gerais.

UNITERMOS: Paradigma holístico, holismo e saúde.

SURGE UM NOVO PARADIGMA

O p a r a d i g m a holístico emerge de u m a crise da ciência, de u m a crise do p a r a d i g m a cartesiano-newtoniano, que postula a racionalidade, a objetividade e a quantificação como únicos meios de se chegar ao conhecimento. Esse paradigma busca u m a nova visão, que deverá ser responsável em dissolver toda espécie de reducionismo. A holística força u m novo debate no âmbito das diversas ciências e promove novas construções e atitudes.

O p l a n e t a t e r r a está doente, seus habitantes enfermos e seu h a b i t a t poluído e contaminado. U r g e u m a nova atitude, novos h a b i t a n t e s e novos modelos de ser/fazer ciência.

As ciências da s a ú d e n ã o podem estar alheias a este movimento nacional e internacional. CAPRA (1986), propõe novos rumos p a r a a s a ú d e e a p o n t a p a r a o p a r a d i g m a holístico. Ao propor novos caminhos p a r a a saúde, ressalta que h á que se rever os atuais modelos de serviços, de instituições de ensino e de pesquisas em saúde. A transição p a r a o novo modelo, alerta-nos o autor, h á que ser efetuada l e n t a e c u i d a d o s a m e n t e , por c a u s a do e n o r m e poder simbólico da t e r a p i a biomédica em nossa c u l t u r a ocidental.

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O n o v o p a r a d i g m a f o r ç a u m a v i s ã o s i s t ê m i c a e u m a p o s t u r a transdisciplinar. O modelo sistêmico atende ao conceito de interdependência das partes. Postula que tudo é interdependente, que os fenômenos apenas podem ser compreendidos com a observação do contexto em que ocorre. Postula também que a vida é relação.

A p o s t u r a transdisciplinar é u m a a t i t u d e de encontro e n t r e ciência e tradição, e n t r e ciência e sabedoria. A transdisciplinaridade r e a t a a ligação e n t r e os ramos da ciência com os caminhos vivos de espiritualidade. O novo profissional deverá ser cientista e filósofo e o pesquisador deverá ser afoito, aberto e inclusivo, basicamente distinto do tipo clássico. CREMA (1989).

O p r e c u r s o r do paradigma holístico foi J a n Smuts (1870-1950). Foiocriador do t e r m o Holismo, quando divulgou seu livro em 1926. O filósofo sustentou a existência de u m a continuidade evolutiva entre matéria, vida e m e n t e . Seu conceito avança p a r a u m a visão sintética do universo e propõe a totalidade em oposição à fragmentação.

Em 1967, A r t h u r Koestler desenvolve o conceito de Hólon, levando em consideração a dinâmica todo-e-partes. O antropólogo Teilhard de Chardin discute a lei da complexidade-consciência, p r o p o n d o novas uniões e n t r e p a r t e s e partículas rumo ao todo-um. O psicólogo Carl Rogers e a s u a tendência realizadora do ser h u m a n o também estão em busca de um novo r u m o e de u m diferente modelo explicativo.

Todas as construções ocidentais, porém, no oriente, já são antigas e estão descritas em diversos tratados tradicionais de várias das tendências orientais. Percebe-se, assim, que urge u m a aproximação com tais culturas, pois estas têm b a s e s h o l í s t i c a s e p o d e m n o s a p o n t a r novos r u m o s e n o v o s m u n d o s . (CREMA, 1989).

PRINCÍPIOS DO PARADIGMA HOLÍSTICO

P a r a o físico B r i a n S w i m m e são os s e g u i n t e s os princípios do novo p a r a d i g m a :

• Todos os elementos não possuem real identidade e existência fora do seu entorno total, eles interagem no universo, se envolvem e se superpõem n u m dinamismo de energia.

• Nossos conhecimentos são provenientes de u m a participação e de u m a interação no processo através de u m a dimensão qualitativa da consciência.

• A análise e a síntese são fundamentais n a compreensão do mundo. P a r a se conhecer algo h á que se saber s u a origem e finalidade.

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P a r a P i e r r e Weil a abordagem holística é como ondas a procura do m a r . O autor aponta u m a holologia, p a r a t r a t a r da dimensão do saber, e u m a holopráxis, destinada a d a r conta da dimensão do ser.

O parapsicólogo Stanley Krippner aponta q u a t r o princípios básicos do p a r a d i g m a holístico:

• A consciência ordinária compreende apenas u m a p a r t e p e q u e n a da atividade total do espírito h u m a n o .

• A m e n t e h u m a n a estende-se no tempo e espaço, existindo em unidade com o m u n d o que ela observa.

• O p o t e n c i a l de c r i a t i v i d a d e e i n t u i ç ã o são mais vastos do que ordinariamente se assume; e

• A transcendência é valiosa e i m p o r t a n t e n a experiência h u m a n a e p r e c i s a s e r a b r a n g i d a n a c o m u n i d a d e o r i e n t a d a p e l o c o n h e c i m e n t o . (CREMA, 1989).

HOLISMO E SAÚDE

A abordagem holística em s a ú d e convoca u m a aproximação e n t r e saber oficial e s a b e r p o p u l a r e os estudos t r a n s c u l t u r a i s t e r ã o e n o r m e v a l i a n a construção de novas formas integrativas de saúde. Os modelos místicos e diversas culturas tradicionais precisam ser conhecidos, estudados e integrados ao modelo holístico de s a ú d e que se quer.

Ao longo do t e m p o os s i s t e m a s de s a ú d e o s c i l a r a m e n t r e modelos reducionistas e modelos holísticos. Dois grandes modelos vêm influenciando o pensar, fazer e viver s a ú d e e doença. São os modelos xamanísticos e os modelos seculares.

O modelo xamanístico tem suas origens nas culturas sem escrita. N e s t e modelo, toda doença é conseqüência de alguma desarmonia em relação à ordem cósmica. A principal preocupação do xamanismo está relacionada com o contexto sócio-cultural em que a enfermidade ocorre.

Os modelos seculares tem s u a origem nos sistemas médicos que foram organizados a p a r t i r de um conjunto de técnicas transmitidas através de textos escritos. Dois antigos sistemas médicos, um ocidental e u m oriental, ilustram tais modelos. O primeiro é o sistema ocidental Hipocrático, que emergiu de u m a tradição grega de cura. No â m a g o da medicina hipocrática as doenças são consideradas fenômenos n a t u r a i s , que podem cientificamente ser estudados e influenciados por p r o c e d i m e n t o s t e r a p ê u t i c o s e pela judiciosa c o n d u t a ou disciplina de vida de cada indivíduo.

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interessados em relações causais, mas nos modelos sincrônicos de coisas e eventos. Esse p e n s a m e n t o é do tipo correlativo e dinâmico. A concepção do corpo como u m sistema está bem próxima da atual abordagem holística.

A s a ú d e p a r a ser holística precisa ser estudada como u m g r a n d e sistema, como u m fenômeno multidimensional, que envolve aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais, todos interdependentes e não arrumados n u m a seqüência de passos e medidas isoladas p a r a a t e n d e r cada u m a das dimensões apontadas.

E preciso u m novo conceito de saúde, que a considere como equilíbrio dinâmico. Há que se rever o papel do paciente. Será preciso m o s t r a r ao indivíduo s u a possibilidade de autocura. A m a n u t e n ç ã o da saúde deverá p a s s a r a estar em l u g a r de destaque no novo modelo. A assistência deverá ser t a n t o individual como social.

Os profissionais de s a ú d e deverão redimensionar suas práticas e relações com s u a s clientelas, devendo a s s u m i r a r e s p o n s a b i l i d a d e do equilíbrio de indivíduos e sociedades. Surge deste redimensionamento u m novo assistir. A relação e n t r e profissional de s a ú d e e paciente s e r á u m a nova relação, cuja principal finalidade s e r á educar o paciente acerca da n a t u r e z a e do significado da enfermidade e das possibilidades de m u d a n ç a do tipo de vida que o levaram à doença. (CAPRA, 1986).

Holismo e s a ú d e provocam u m a aproximação com as abordagens não-ortodoxas da saúde. Há que se encontrar as pontes necessárias p a r a u n i r tais s a b e r e s . As d i v e r s a s t e r a p i a s e s a b e r e s r e c o n h e c e m a i n t e r d e p e n d ê n c i a f u n d a m e n t a l das manifestações biológicas, físicas, m e n t a i s e emocionais do organismo, sendo, portanto, coerentes. Na valorização do corpo como u m sistema, as abordagens bioenergéticas são bons exemplos.

CONSTRUINDO PONTES

A física do século XX revolucionou as bases da física clássica e trouxe u m a nova visão de m u n d o ou cosmovisão. Física e mística se unem neste novo momento da h u m a n i d a d e . Ocidente e oriente se convergem em nome do holismo que se quer, que é vivo, dinâmico, interligado e sistêmico. O saber científico se aproxima do saber popular e abre-se espaço também p a r a a sabedoria.

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Em 1987, em Brasília, de 26 a 29 de março, ocorreu o I Congresso Holístico Internacional e I Congresso Holístico Brasileiro. Deste evento emerge a C a r t a de Brasília, que reafirma a relação e n t r e o homem e o universo, e n t r e a p a r t e e o t o d o , e e n f a t i z a m a s c o n s e q ü ê n c i a s c o n c r e t a s d a d e s c o b e r t a d a complementaridade e n t r e ciências e Tradições de sabedoria. (CREMA, 1989). S u r g e m n o B r a s i l a F u n d a ç ã o C i d a d e da P a z e a U n i v e r s i d a d e Holística Internacional de Brasília, p a r a atuarem n a construção de pontes entre as diversas ciências e as diversas experiências.

O movimento holístico é nacional e internacional. Visa ampliar todas as c o m u n i c a ç õ e s e n t r e c i e n t i s t a s , p e s q u i s a d o r e s e d e m a i s i n t e r e s s a d o s . A Universidade Holística de Paris, fundada em 1980, pela psicóloga Monique-Thoenig foi u m marco decisivo no avanço do debate sobre o p a r a d i g m a holístico.

N a busca de pontes, emerge a holoepistemologia, p a r a s u s t e n t a r u m a evolução do saber, compatível com a do ser. Nesta nova epistemologia, h á espaço p a r a o subjetivo e o transpessoal. Pierre Weil resumiu u m enunciado da moderna psicologia transpessoal n a seguinte fórmula: VR = f (EC), significando que a Vivência da Realidade (VR) é função (f) do Estado de Consciência (EC) no qual a pessoa se encontra no momento da observação. (CREMA, 1989).

O p a r a d i g m a holístico propõe um reencontro universal e n t r e as ciências e e n t r e estas e as Tradições de sabedoria. Com base n u m a visão sistêmica e n u m a a t i t u d e transdisciplinar, o novo p a r a d i g m a começa a provocar reflexões n a s diversas áreas do saber científico. Não dá mais p a r a conviver com concepções rígidas e imutáveis. Com u m p é no antigo, avançaremos p a r a criar o novo, redescobrindo e r e s g a t a n d o o conteúdo da caixa p r e t a de p a n d o r a do universo, a filosofia perene, e novamente acatando os ensinamentos do velho sábio cujo arquétipo vive em cada um de nós. (SCHABBEL, 1994).

TEIXEIRA, E. A r e f l e c t i o n a b o u t t h e h o l i s t i c p a r a d i g m and h o l i s t i c and h e a l t h . Rev.Esc.Enf.USP, v.30, n.2, p. 286-90, aug. 1996.

This article is a reflection about the holistic paradigm and their constitution in the science compass. Presents theirs fundamental principles and debates their insertion in the health. Holistic and health appear how challenge for this new period. Presents this importants events what indicate this paradigm how new course for this humanity. Presents reflection about theirs générales concepts.

UNITERMS: Holistic paradigm, holistic and health.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo, Cultrix, 1986.

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