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Condições atuais da esquistossomose no "Dique do Tororó" em Salvador, Bahia.

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Academic year: 2017

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CONDIÇÕES AT UAIS DA ESQUISTOSOMOSE NO"DIQUE DO TORORÓ'

EM SALVADOR, BAH IA* '

Ru t h B. Am o r i m , It al o A. Sh e r l o c k e Táci t o M. M u n i z * *

Os A u t o r e s ap r esent am o s r esu l t ad os d e ob ser vações r eal izadas ent r e o s an o s de 1971 a 1 9 7 4 sob r e a i n ci d ê n ci a h u m an a d a e sq u i st osom ose n o Di q u e d o Tor or ó, em Sal vad or , Bahia, a p ó s a l í t er em si d o r eal izad as m el h or i as p el a engenhàr ia sanit ár ia e m ed id as de com b at e b i o l ó gi co ao car am u j o vet or p el o u so d e p ei x e s pr edador es.

Com p ar an d o co m o s r esu l t ad o s o b t i d o s p o r o u t r o s A u t o r e s em 1960, co n cl u e m que o Di q u e d o T or or ó n ão m ai s r epr esent a u m a im p or t ant e f ont e de p r op agação da esq u i st osom ose.

I N T R O D U Ç Ã O

O d i q u e d o T o r o r ó , u m gr an de l ago de água doce c o m cer ca de 2 . 0 0 0 m e t r os de ext ensão, est á l oc al i zad o n o ce n t r o u r b an o da ci dade de Sal vad or , t e n d o si d o a m ai or e a m ai s i m p o r t an ­ t e f o n t e de p r op agação da e sq u i st o so m o se para os hab i t ant es dessa c i d a d e 1 .

Já em 1911 Piraj á da Si l v a 3 relat ava o e n c o n ­ t r o de cercár i as em m o l u sc o s da ci d ade de Sa l ­ vador , pr ovave l m ent e col et ad os nesse dique. A s c o n d i ç õ e s de i n t ensi dade e pot en ci al desse d i ­ que c o m o f o n t e de d i sse m i n ação da d oença f o r am f i n al m e n t e m u i t o bem e st u d ad os p or Bar r e t t o em 1 9 6 0 1 . A p ó s isso, p or m ai s de um a década o d i q u e p assou p or t an sf o r m aç õ e s e m el h or i as de engenhar i a básica. T am b é m f or am a l í t o m ad as al gu m as m ed i d as de co m b at e aos m o l u sc o s vet or es. Er a de se esperar q ue al gu m a t r an sf o r m aç ão t am b ém hou ve sse o c o r r i d o em con se q üê nci a, c om r ef er ênci a ao an t i go p ot e n ­

ci al d o d i q u e c o m o f on t e de p r opagação da e squ i st osom ose. _

Du r ant e cer ca de 5 anos, a par t i r de 1971, r e al i zam os a l í al gu m as obser vações, na t ent at i va de d et er m i nar as co n d i ç õ e s e a i nt ensi dade at uai s de t r an sm i ssão da e squ i st osom ose, ap ós as m e l h or i as e m ed i das r eal i zadas no d i q u e do T o r o r ó . N o present e t r ab al h o ap r e sent am os os r e sul t ad os que ob t i ve m os.

M A T E R I A L E M ÉT O D O S

O pl an o de t r ab al h o i ni ci al abrangeu o est u­ d o de t o d o o c o n t o r n o d o d i q u e n um a f ai xa de 5 0 m e t r os de l ar gur a à m ar gem esquer da d o lago, na Av e n i d a Va sc o da Gam a (Fi g. 1 e 2)

A s casas f o r am cadast r adas assi m c o m o os seus m or ador es.

Das h ab i t ações f o r am f ei t as an ot ações sob r e o d est i n o d o s dej ect os, ab ast eci m e nt o de água e a p r o x i m i d ad e d o s f o c o s de car am uj os.

* Tr ab al h o 6 o Nú c l e o de Pesq ui sas da Bah i a d o I N E R U — FO C * * Mé d i c o s d o Nú cl e o de Pesqui sas da Bahi a.

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Vol. X NP 3

Do s m or ad or es, ent r e ou t r as i nf or m ações, p r ocur ou- se saber sob r e o t e m p o de r esi dênci a e o s con t ac t os possívei s, dir et a ou i n d i r et am e n ­ t e, c o m as águas d o di que. Del es t am b ém f oi pl anej ado para que f osse m r e al i zados a p r o x i m a­ dam ent e 1. 0 0 0 ex am es de f ezes pel os m é t od os de Ho f f m a n , Po n s e Janner .

For am c o n si d e r ad o s f o c o s de car am u j os as bocas de e sgot o s q ue desagu avam n o di que. Em 8 0 a 1 0 0 f o c o s dif er ent es, à m ar gem esquer da do dique, f o r am col e t ad os 2 . 0 0 0 car am uj os, cerca de 2 0 0 em cada u m dest es f ocos, para ver i f i cação da i nf est ação.

Na bei ra d o lago, di ar i am ent e n os f o c o s e suas p r o x i m i d ad e s o s car am u j o s er am r e c ol h i ­ d os m ed i ant e con ch adas.

A Pr ef ei t ur a m an d o u que sem an al m ent e f o s­ se f ei t a u m a l i m peza das m ar gens d o l ago dique, o que aos p o u c o s f ez desaparecer o s car am uj os ao p o n t o de ser d i f íc i l o e n c o n t r o de e x e m p l a­ res post er i or m ent e.

Fo i ver i f i c ad a a el i m i n ação de cer cár i as p el os car am uj os at r avés d o s e st ím u l o s l u z e cal or , e t am b ém esm agam en t o ent re l âm i na. Nã o con se ­ gu i m os l ogr ar exe m p l ar es i nf est ados. A úni ca espéci e e n con t r ad a n o d i q u e f o i a Bi o m p h al ar i a glabr at a.

Con st ava t am b ém d o p l an o a r eal i zação da i nt r ad er m or eaç ão para esq u i st osom ose , n os m o ­ r ador es da zon a em est udo, o que f o i f e i t o em c on d i ç õe s pr ecár i as e ir r egular es.

Co m o m ot i vação, par a q ue houve sse r ecept i ­ vi dade e c ol ab or aç ão d as pessoas, ap ós a r eali za­ ção d o exam e de f ezes, f o r n e c e m o s o r esul t ad o dos m esm os e na m ai or i a das vezes o s m e di ca­ m ent os para as v e r m i n ose s c om un s.

Post e r i or m e nt e, est and o o Nú ç l e o de Pesq ui ­ sas d o t ad o d e m e d i c a m e n t o > e sp e cíf i co par a a esqu i st osom ose, f oi f ei t o o t r at am en t o de m u i ­ t o s d o s casos encon t r ad os, sem q ue houvesse q ual q uer p r ob l e m a de r eações col at er ai s.

Qu an t o aos aspect os f ísi c o s d o d i q u e d o Tor or ó , Bar r et t o em 1 9 6 0 assi m o descr eveu:

" O d i q u e d o T o r o r ó é u m gr ande l ago de água doce, de cer ca de 1. 7 0 0 m e t r os de ext en­ são por l ar gura var i ável de 2 0 a 8 0 m et ros. A s suas m ar gens p o u c o p r o f u n d as são d ot ad as de ab un d an t e veget ação aq uát i ca o n d e p r o l i f e r am em cer t as épocas d o ano, m i l h õe s d e car am uj os. Est á l o c al i zad o em p l e no p e r ím e t r o u r b an o quase n o ce nt r o da ci dade e b an ha par t e d o s b ai r r os de Nazaré, T o r o r ó , Bar r i s e Faze n d a Garcia. A nova Av e n i d a Vasc o da Gam a c o n t o r ­ na um a de suas m ar gens. A t r avessi a dest a Av e ­ ni da para o b ai r r o d o T o r o r ó q ue se si t ua na m ar gem opost a, é f eit a p or m e i o de p eq u e n os

b ar cos a r em o. A água d o l ago é ut i l i zad a par a lavagens de r oupas, b an hos, so b r e t u d o de gar o­ t o s e r apazes q ue p r at i cam o f u t e b ol nas p r o x i ­ m i dades; é c o m u m t am b é m a pesca de p ei xe s e cr ust áceos nas águas d o l a go ".

At ual m ent e , u r b an i zad as q ue f o r am as suas m ar gens, desapar ecer am o s casebres a l í exi st en ­ t es, est and o assim , o l ago c o n t o r n a d o p or can­ t e i r os ver des de gr am a e ár vor e s o r n am e n t ai s

(Fi gs. 1 e 2), se nd o u m d o s b el os r e cant os da ci dade.

At r i b u i - se t er si d o o Di q u è o r i gi n ad o de um f o sso aq u át i co c o n st r u i d o p el os h ol and eses no sécul o X V I I . En t r e t an t o hoj e em di a o s h i st or i a­ dor es, c o n f o r m e i n f or m aç õe s q ue o b t i v e m o s na secção de Pesqui sas e Doc u m e n t aç õ e s d a Bahi a- t ur sa, acr edi t am c o m o m ai s pr ovável a sua c o n s­ t r u ção no sé cu l o X V I I I , q u a n d o d a r e f or m a d o si st em a de def esa col on i al . Er a , n o i n íc i o dest e sécul o, m u i t o m ai or q ue at ual m ent e.

Em m ar ço de 1971 d e m os i n íc i o ao q u e st i o ­ nár i o casa p or casa, ao t e m p o em q ue m at er i al de f ezes para exam e era r ecol h i d o.

Hou v e de i n íci o , c o m o ser i a nat ur al, um a r eação negat iva p or par t e da p o p u l aç ão q u e não col abor ava. En t r e t ant o, aos p o u c o s o n o sso t r a­ b al h o d e cat equese venceu e n o f i nal , era gr an de a col ab or ação d o s m or ad o r e s d o di que, t r aze n­ d o eles p r ó p r i o s o m at eri al ao n o sso servi ço, q u an d o p or q u al q u er c i r cu n st ân ci a o m e sm o não era r ecol hi d o.

Fo i assi m p ossíve l ve r i f i car a i n ci d ên ci a da e sq u i st osom ose n os m or ad o r e s d o d i q u e d o T o ­ r or ó, se gu n d o o sexo, a cor , o gr u p o et ár io, ocu p aç ão, u so de cal çad os e i nst r ução, assi m c o m o ob ser var d ad o s sob r e o c o n t ac t o c o m o s f o c o s e m ei o am bi ent e.

Co n h e c i d o s o s dad os, p ar t i m o s para u m exa­ me c l ín i c o su m ár i o d o s paci ent es p or t ad or e s das di ver sas espéci es de v e r m i n ose s e t i ve m o s a o p o r t u n i d ad e da p r escr i ção de v e r m íf u go s es­ p e c íf i c o s para o s casos de an ci l o st o m ose , ame- bíase, et c.

A par t e f i nal d o n osso t r ab al h o c o n st o u d o t r at am en t o e sp e c íf i c o da Esq u i st o so m o se .

Ap e sar de nossa cat equese, não h ou ve de i n íc i o u m a b oa r e ce pt i vi dade ao t r at am ent o, em vi st a das n o t íc i as sob r e as r eações que o Et r en ol pr ovocava.

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m ed i cam en t o. Fo r a m ar r o l ad as al gu m as rea­ ções, j á m e n ci o nad as na l i t erat ur a, m as q ue não t i ve r am q u al q u e r gr avi d ad e par a o p o r t ad o r da esq u i st osom ose .

R E SU L T A D O S

I — Pr eval ência p o r id ad e

Na Tab el a I ap r e sen t am os o r e sul t ad o d o s ex am es de f ezes r eal i zados em 1. 0 3 3 m or ad or e s d o d i q u e d o T o r o r ó , d i st r i b u íd o s se gu n d o o

gr u p o et ár i o e o se x o d as pessoas exam i nadas, d an d o u m ín d i ce gl o b al de 1 1 , 9 % de i nf est ados.

Co m o se p od e obser var , a p r e d om i n ân ci a das i nf ecções f o i ent re as pessoas de 11 a 3 0 anos. é

de se not ar a oco r r ê n c i a de d o i s casos i nf ect a­ d o s c o m 0 a 1 ano, se nd o b ai xa a i nci dênci a nas i dades ab ai x o de| 10 anos. Ho u v e m ai o r pr eval ên­ ci a n os i n d i v íd u o s j ove ns d o l sexo m ascu l i n o ent r e 5 a 15 an o s ( 7 0 %) d o que sob r e o se x o f e m i n i n o ( 3 0 %) . O per cent ual de p osi t i vi dad e com eça a d ec ai r - nas pessoas aci m a de 3 0 anos.

T A B E L A I — Pr eval ênci a d a e sq u i st o so m o se n o d i q u e d o T o r o r ó , Sal vad or , Bahi a, se gu n d o a i dade e o se x o d o p aci en t e ( gr u p o s et ár i os co m p ar at i vos aos d e Bar r et t o, 1960).

Gr u p o Et ár i o

Ex a m i ­ n ad os

Posi ­

t i v o s %

Ma sc u ­

l i n o %

Fe m i ­

n i n o %

0 - 1 3 3 2 6, 0 1 50, 0 1 50, 0

2 - 4 1 1 2 4 3, 5 2 50 , 0 2 50, 0

5 - 1 0 201 10 4, 9 7 70, 0 3 30, 0

11 - 15 16 3 2 3 14, 1 16 6 9 , 5 7 30, 4

1 6 - 2 0 1 1 3 2 0 17, 6 11 55 , 0 9 45 , 0

21 - 3 0 15 4 3 3 21, 4 19 5 7 , 5 14

42,4

3 1 - 5 0 1 7 5 2 2 12, 5 8 3 6 , 3 14 63, 6

5 0 + 8 2 9 10, 9 5 5 5 , 5 4 44, 4

Tot ai s 1. 033 1 2 3 11, 9 6 9 5 6 , 0 5 4 56, 9

11 — Pr eval ênci a p o r se x o e l o cal d e Re si d ê n ci a

Na Tabel a II p o d e m o s ver i f i car a d i st r i b u i ç ão da e sq u i st osom ose se gu n d o o se x o d o s paci en­ t es e o l ocal o n d e m or ar am . Pod e-se ob ser var

que d o s 3 6 i n f e ct ad os q ue sem pr e m or ar am n o Di qu e, 1 0 % er am h o m e n s e 5 , 4 % m ul her es; da m esm a f or m a, d o s 8 7 q ue r esi d i r am n o u t r o s locais, 2 0 % er am h o m e n s e 1 2 % m ulher es. Ob se r vam os q ue h ou ve m ai or oc or r ên c i a da es­ q u i st o so m ose n o se x o m ascu l i no.

T A B E L A II — Pr eval ênci a d e e sq u i st o so m o se se gu n d o o se x o e o l ocal d e r esidência, n o Di q u e d o T o r o r ó em Sal vad or , Bahi a.

Pessoas q u e se m pr e Pessoas q ue ant es m or ar am

m or ar am n o Di q u e em o u t r o s Loc ai s Tot al

Ex a m i ­

n ad os Pos %

Ex a m i ­

n ad os Pos %

Ex a m i ­

nad os Pos %

Masc u l i n o Fe m i n i n o

2 4 4 2 0 2

2 5 11

10, 2 5, 4

2 1 9 3 6 8

4 3 4 4

2 0 , 0 12, 0

4 6 3 5 7 0

T i

51

15, 4 8, 9

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111 — Pr eval ência p o r co r

Na Tabel a III ve m os q ue a pr eval ênci a da e sq u i st osom ose f oi su p e r i or n os i n d i v íd u o s de cor br anca e par da, c om r elação ao s i n d i v í­ d u o s de c or pret a. Qu an t o à d i st r i b u i ç ão d os

i n d i v íd u o s se gu n d o a cor , não h ou ve si gn i f i c a­

do. Ac r e d i t am o s m e sm o q ue o s d ad o s f o r am col et ad os c o m def i ci ênci a, p r i n ci p al m e n t e p or causa de não haver u m cr i t é r i o segur o para det er m i nação da c o r d as pessoas; m u i t o s pr et os p od e m t er si d o c o n si d e r ad o s p ar d os e vice-ver- sa.

T A B E L A II I — Pr eval ênci a de e sq u i st osom ose se gu n d o a c or e o sexo de m or ad o r e s d o Di q u e do T o r o r ó , em Sal vad or , Bahi a.

Cor Ex a m i ­ nad os

Posi t i vos

Tot al % Ma sc u ­

l i no %

Fe m i ­

n i n o %

Branca 2 0 3 2 5 12, 3 12 48 , 0 13 53, 0

Pret a 7 3 7 9, 5 3 4 2 , 8 , 4 57, 1

Parda 7 5 7 91 12, 0 54 59, 3 37 4 0 , 6

Tot al 1. 033 1 23 11, 9 69 56, 0 5 4 43, 9

I V — Pr eval ência segu n d o a ocu p ação

Na Tabel a I V p o d e m o s ob ser var a d i st r i b u i ­ ção da e sq u i st o so m o se se gu n d o a oc u p aç ão d o s m or ador e s d o d i q u e d o T o r o r ó . Fo r am co n st a­ t ados exi st i r em lá ent re as 1. 033 pessoas i nvest i ­ gadas, 2 5 pr of i ssões. En t r et an t o, c o m o apenas 10 pr of i ssõe s t i n h a n ú m e r o si gn i f i c at i vo de i n d i ­ víd u o s, o r est ant e f oi co l o c ad o n o i t em "o u t r a s o c u p aç õ e s", c o m o é m ost r ad o na Tabel a IV. O gr u p o d o s i n d i v íd u o s r o t u l ad o s c o m o "o u t r a s o c u p aç õ e s", era c o n st i t u íd o na m ai or par t e p or pessoas q ue t i n h am p r o f i ssõe s o n d e o c on t act o com o f o c o de i nf e cção p od er i a t er h avi d o e o nível cul t ur al era m u i t o sem el han t e ao d o s de­ mais. Essas p r o f i ssõe s f or am : est i vador, sapat ei ­ ro, pedreir o, elet r i ci st a, car p i n t ei r o, et c.

O gr u p o de escol ar es, q ue c o n t i n h a 6 6 % de i n d i v íd u o s do se x o m ascu l i no, f oi q ue m o st r o u m ai or p r e d om i n ân ci a de i nf ect ados. Por o u t r o

l ado, o s r o t u l ad o s c o m o "d o m é st i c a ", c om p r e ­ e n d e n d o b oa par t e de m u l h e r e s l avadei r as de

r oupas, f o r am t am b ém o s q u e m ai or prevalência i d em ost r ar am . En t r e p r of essor es, b ancár i os e , cont ad or es, f o r am e x am i n ad o s 13 pessoas, não h ave n d o p osi t i v o s ent re as m esm as. Por est e j dado, bem se p od e aq ui l at ar c o m o o s f at ores i nível cu l t ur al e e c o n ô m i c o p u d e r am i n f l u i r nas co n d i ç õ e s de p r evenção c on t r a a e sq u i st oso­ m ose.

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T A B EL A I V - Pr eval ênci a de e sq u i st o so m o se se gu n d o a oc u p aç ão d o s i n d i v íd u o s r esident es no Di q u e d o T o r o r ó , Sal vador .

Ti p o de ocupação

N Psd e Posi t i vos

nad os Tot al % Masc. % Fem . %

Se m oc u p aç ão 2 8 0 17 6. 0 12 70 , 5 5 29, 4

Escol ar 3 2 4 41 12, 6 27 65, 8 14 34, 1

Op e r ár i o 6 2 12 19, 3 12 100, 0 -

-Func. Pú b l i c o 4 4 6 13, 6 , 3 50, 0 3 50, 0

Com er ci ant e 3 2 6 18, 7 5 83, 3 1 16, 6

Dom ést i c a 251 3 2 12, 7 2 6, 3 3 0 93, 7

Ou t r o s 3 9 9 23, 0 9 100, 0 0 0

Tot al 1. 032 1 2 3 12, 2 7 0 56 , 9 5 3 43 , 0

V - Pr eval ência se gu n d o o u so d e sap at os

Na Tab el a V são m o st r ad o s o s d ad o s c om gr aduação d o u so d e sapat os, d esde o s q ue nunca usavam at é o s q ue sem pr e usavam . Os d ad os o b t i d o s est ão en t r e t ant o c on f u sos, poi s, no gl obal d o s casos, o per cent ual de posi t i vi - dade f oi m ai or nas pessoas que sem pr e usar am

cal çados, e n q u an t o q u e as pessoas q ue nu nca ou r ar am ent e u savam sap at os o l í n d i c e d e i n c i d ên ­ ci a f o i m u i t o b ai x o. Teor i cam e nt e era esper ado que as pessoas q ue and avam sem pr e descalças t er i am m ai s c o n t ac t o c o m as águas d o d i q u e e p or t an t o est ar i am m ai s e x p ost as à i nf ecção, a não ser que a l gu m m e can i sm o h u m or al de i nf ec­ ções f r ust as as t e n h am pr ot egi d o.

T A B E L A V — Pr eval ênci a da e sq u i st o so m o se se gu n d o o u so de sap at os pel os i n d i v íd u o s r esi dent es n o Di q u e d o T o r o r ó , Sal vador .

Fr e q ü ên ci a d o uso de Sap at os

Ex a m i ­ n ad os

Posi t i vos

Tot al % Masc. % Fem . %

Nã o usa 2 6 0 0

_

_

_

_

Rar am en t e usa 1 3 8 10 7, 2 9 9 0 , 0 1 10, 0

Qu ase sem pr e usa 3 8 7 4 7 12, 1 2 8 59, 5 19 40 , 4

Se m p r e usa 4 8 2 6 6 13, 6 3 2 4 8 , 4 3 4 51, 5

Tot al 1. 033 1 2 3 11, 9 6 9 56 , 0 5 4 4 3 , 9

V I — Pr eval ência se gu n d o o gr au d e i n st r u ção

Na Tab el a V I pode-se ob ser var q u e o gr au de i nst r u ção d o s i n d i v íd u o s de u m a m an ei r a ger al f oi m u i t o b ai x o. Do s 1. 0 3 3 i n d i v íd u o s ob ser va­ dos, 2 6 , 9 % n ão t i n h am i nst r ução, 4 4 , 5 % t i n h am ap enas i n st r u çõe s p r i m ár i as i nc om p l e t as, en­ q u an t o q u e n o s 28, '6 r est ant es a m ai or i a t i n h a i n st r u ção p r i m ár i a c om p l e t a e p o u q u íssi m o s ( 8 , 2 %) t i n h a m gi nasi al e secundário, .

Se l evar m os em con si d e r ação que d as 1. 033 pessoas ob ser vad as apenas 3 6 6 ( 3 5 %) , est avam ab ai x o de dez an o s de idade, p or t an t o a d m i ssí­ vei s d e q u e p od er i am não ser alf abet i zadas,

os r est ant es 6 5 % d as pessoas t i n h am assi m u m gr au de i n st r u ção m u i t o bai xo.

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ção e c o m i n st r u ção aci m a de gi nasial. É ad m i s­ sível pensar -se q ue n o s gr u p o s d e i n d i v íd u o s c o m i n st r u ção p r i m ár i a c om p l e t a e i n c om p l e t a est ej am i n c l u íd o s o s i n d i v íd u o s de 11 a 2 0 anos, on d e c o m o vi m os, a e sq u i st o so m o se pr e­

d o m i n o u . Esses n o sso s d ad o s n ão são ent r et an ­ t o m u i t o escl ar ecedor es par a suge r i r em q ue as pessoas q ue t i n h a m m ai s i n st r u ção t am b ém t i ­ vessem m ai s b ai x o per cent ual de p osi t i vi d ad e

(8,2%).

T A B E L A V I — Pr eval ênci a d a e sq u i st ossom ose se gu n d o o gr au de i n st r u ção das pessoas r esident es n o Di q u e d o T o r o r ó , Sal vad or .

T i p o de In st r ú ç ões

N 9 de Ex a m i ­

n ad os

Posi t i v o s

Tot al % Masc. % Fem . %

Sem i n st r u ção 2 7 8 17 6,1 9 52, 9 8 47 , 0

Pr i m ár i a i nc om p l et a 4 6 0 67 14, 5 3 9 58, 2 2 8 41, 7

Pr i m ár i a com pl et a 20 7 32 15, 4 17 53, 1 15 46, 8

Ginasi al 7 5 7 9, 3 3 42 , 8 4 57, 1

Se c u n d ár i a com p l e t a 1 0 0 <

0

-

-Não i n f o r m ad o s 3 0 0 — —

Tot al 1. 033 1 2 3 11, 9 6 8 55, 2 5 5 44, 7

V I I — Pr eval ência segu n d o o t em p o de r esi d ên ­ ci a

Na Tabel a V I I p o d e m o s ve r i f i c ar q ue 4 3 ( 8, 8%) d os 1 2 3 i n d i v íd u o s c o m e sq u i st o sso m o ­ se que e n c p n t r am o s n o l ocal, sem pr e m or ar am n o d i q u e e n q u an t o que o s 8 0 r est ant es ( 1 4 , 7 %)

vi er am de o u t r o local da ci d ade ou de o u t r o Mu n i c íp i o , onde, p or t ant o, p od er i am t er ad­ q u i r i d o a doença. Dessa f or m a, o s o u t r o s i n d i ­ v íd u o s i nf e ct ad os q ue m or avam n o di que, p o ­ rém o s que r e si d i r am n o u t r o s l ocai s an t e r i or ­ m ent e ou vi er am de ou t r as ci dades p r e d o m i n a­ r am no índ i ce de i nf e cção c o m r ef erênci a aos q u e sem pr e m or a r am n o di que.

T A B E L A V I I — Pr eval ênci a da e sq u i st osom ose n o s i n d i v íd u o s d o Di q u e d o T o r o r ó , se gu n d o as su as r esi d ênci as ant eri ores.

Resi d ên ci a An t e r i o r

Po si t i v o s Ex a m i n a d o s

Tot al

%

Se m p r e m o r o u n o Di q u e 4 9 0 4 3 8, 8

Mo r o u n o u t r o l ocal ou Ci d ad e 5 4 3 8 0 14, 7

Tot al 1. 033 123 11, 9

V I I I — Pr eval ência segu n d o o co n t at o co m o n o s prest aram . Das 1. 033 pessoas invest igadas.

Di q u e

Na Tabel a V I I I o b se r vam o s as p ossi b i l i d ad es em que o s 1. 033 m or ad o r e s d o Di q u e d o T o r o ­ ró que e x am i n am o s t i ver am par a ad q u i r i r e m al i a esqu i st osom ose, se gu n d o as i n f or m aç õe s que

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dique, 1 4 , 6 % o u sej a 5 9 pessoas, ad q u i r i r am esq u i st osom ose . A s 1 1 3 pessoas q ue t i ver am con t ac t o c o m o d i q u e e c om o u t r as f on t e s suspei t as i nf ect ar am -se n o per cent ual de 1 6 , 8 % e de 91 pessoas que só t i ve r am c o n t ac t os c om

f o c o s n o u t r o s locais, est avam i nf ect ados 19, 7%. Pelos d ad os e x p o st o s ve m os que o Di q u e d o T o r o r ó r epr esent ou um a f r aca f on t e para i nf ec­ t ar as pessoas, par e ce ndo q ue as ou t r as f ont es f o r am m ai s i nf ect ant es q ue o Di que.

T A B E L A V I I I — Pr eval ênci a da e sq u i st osom ose se gu n d o o con t ac t o c o m o f o c o de inf est ação, d os i n d i v íd u o s q u e m or avam no Di q u e de T o r o r ó , Sal vador .

Co n t ac t o ( *)

Ex a m i ­ n ad os

Posi t i vos

Tot al % Masc. % Fem . %

1 4 2 6 27 6, 3 13 48, 1 14 51, 8

2 4 0 3 59 14, 6 32 54, 2 27 45, 7

3 1 1 3 19 16, 8 16 84 , 2 3 15, 7

4 91 18 19, 7 8 47 , 0 10 55, 5

Tot al 1. 033 123 11, 9 6 9 56, 0 5 4 4 3 , 9

( *) 1 — Não t êve c o n t ac t o c o m o Di q u e e ne m o u t r o s f ocos. 2 — Só t eve c on t act o c o m o Di q u e c o m o f o n t e de inf est ação.

3 CKJ<lt 5f Ct <J CO<Tt< 7 A i q w & CX7ÍTT <7<t Cr<?& a r r ro w í r w A m w t . 4 — Só t eve c on t act o c o m o u t r o s f o c o s n o u t r o s l ocai s e não c o m o Di que.

I X — Pr eval ência se gu n d o a i nt r ad er m or r eação

For am r eal i zados 7 6 6 r eações i nt r ad ér m i cas c o m an t íge n o de ver m es adu l t os, p r e par ad o na Fu n d aç ão Go n ç a l o Mo n i z. Desse t ot al , 3 1 0 f o ­

r am c o n si d e r ad o s p osi t i vos, d an d o assi m u m per cent ual de 4 0 , 4 %. Co n f o r m e p o d e m o s ve r i f i ­ car na Tabel a IX, h ou ve u m a di scr et a p r e d om i ­ n ânci a de pessoas d o se x o m ascu l i no, posit ivas.

T A B E L A I X — Re su l t ad o s da i n t r ad er m o, r eação para e sq u i st osom ose n os hab i t ant es d o Di q u e d o T o r o r ó , Sal vad or , Bahi a.

Se x o Reações

Real i zadas

Reações Posi t i vas

Per cent ual de Posi t i v o s

Masc u l i n o 3 2 0 1 4 3 4 4 , 6 %

Fe m i n i n o 4 4 6 167 3 7 , 4 %

t o t a l 7 6 6 3 1 0 4 0 , 4 %

Co n f r o n t a n d o o s r e sul t ad os d o s ex am es de f ezes c o m o s da i n t r ad e r m o r eação na Tab el a X assi n al am os o s d ad o s que ob t i ve m os. Co m o se ob ser vo u , h ou ve u m a c o n c o r d ân c i a de 5 3 % d o t ot al das pessoas e x am i n ad as q ue t i n h am t an t o as f ezes c o m o a i n t r ad er m or eaç ão posit i vas. O per cent ual de não reagent es q ue t i n h am as f ezes p osi t i vas f oi ap enas de 3 %. Já 4 3 % d as pessoas só t i n h am a r eação posit i va. Dessa f or m a, d o s 5 3 4 p o si t i v o s aq ui ob se r vad os 9 7 % c o m p r e e n ­ d i am p essoas c o m i n t r ad e r m o posi t i va.

C O M E N T Á R I O S E C O N C L U SÕ E S

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da par a bebi da e 4 0 , 7 % l ançavam o s dej ect os d i r et am ent e nas águas d o dique.

Ba r r e t o 1 e x am i n o u as f ezes de 1. 762 pessoas que r e si d i am nas p r o x i m i d ad e s d o d i q u e e en­ c o n t r o u 1 3 , 7 % de i nf ect ados. Asse gu r o u que aquel es i n d i v íd u o s ad q u i r i r am a d oe n ça n o p r ó­ pr i o l ocal. Ad m i t i u que o ín d i ce de i nf ecção m u i t o b ai x o o b t i d o at r avés d o e xam e de f ezes, não r epr esent ava de m o d o al gu m a i nci dênci a real da e sq u i st o so m o se naq uel a p op ul ação. O r esul t ad o p od er i a ser a t r i b u íd o ao exam e de u m a ú n i c a l âm i na d e f ezes assi m c o m o a p r e d om i n ân c i a pr ovável d e ve r m es m ac h o s que par asi t ava a am ost r a h u m an a e xam i n ad a. A o c on t r ár i o d o e x am e de f ezes, o s r e sul t ad os d a i n t r ad er m or eaç ão c o m an t íge n o o b t i d o d e ve r ­ m es ad u l t os, acusar am um ín d i ce gl obal de 8 2 , 1 % de pessoas posit i vas.

A p ó s u m a década, o s r e sul t ad os d o s exam es de f ezes n o s f or n e ce r am u m ín d i ce gl obal de 1 1 , 9 % de pessoas inf ect adas, ín d i ce p or t an t o m u i t o sem el han t e ao o b t i d o p or Bar r et t o. Os n ossos d ad o s t am b ém c o n c o r d a m c o m o s da­ quele A u t o r q u an t o à pr eval ência da d oe n ça pel o gr u p o et ár io, o q ue f o i nas i dades de 21 a 3 0 anos. En c o n t r am o s 2 i n d i v íd u o s c o m m e n os de 1 an o d e i dade p or t ad or e s d e o v o s de S. m an so n i nas f ezes, ent r et ant o at é o s 1 0 an o s de i dade a i nc i d ên ci a f oi m u i t o bai xa. Bar r et t o não e n c o n t r o u u m p osi t i v o ent re o s 4 6 i n d i v í­ d u o s e x am i n ad o s c o m m e n os d e 1 ano. Em b o r a c o n h e c e n d o a r e sp onsab i l i d ad e d o s an t i c o r p o s e sp e c íf i c os m at e r n os q ue p od er i am ser o s res­ ponsáve i s pel a posf t i vi d ad e de al gum as das rea­ ções p ar a o d i agn ó st i c o d a e sq u i st osom ose , acr edi t ava q u e u m ce r t o n ú m e r o d o s 2 9 , 2 % d as i n d i v íd u o s dessa i dade c om r eações p osi t i vas f ossem r eal m ent e p o r t ad o r e s d e ver m es.

T am b é m é r eal m ent e m ar cant e a di f er ença d o s ín d i ce s de i n f e cç õe s de ac o r d o c o m o sexo. Os n o sso s d ad o s r ef er ent es aos e xam e s d e f ezes c o i n c i d i r am c o m o s de Bar r et t o. D o s i n d i v íd u o s que e x am i n am o s e q ue m or avam n o Di q u e e est avam i nf est ados, 1 0 , 2 % er am d o se x o m as­ c u l i n o e 5 , 4 % er am d o se x o f e m i n i n o . Da m es­ m a f or m a, n o gr u p o de i n d i v íd u o s q ue t i n h am m or ad o an t er i or m e n t e n o u t r o s l ocai s, as t ax as de i nf e cç õe s f o r am 2 0 % para o se x o m asc u l i n o e 1 2 % par a o f e m i n i n o . Bar r et t o, ent r et ant o acr edit ava, b ase ad o n os r e sul t ad os das i nt r ader - m or eaç õe s q ue f o r am m ai s p osi t i vas nas m u l h e ­ res, que essas er am as m ai s i nf ect adas na r eali da­ de, p or causa d o m ai or c o n t ac t o que, se nd o lavadei ras, m an t i am c o m as águas i nf est adas. En t r e t an t o , nas n ossas obser vações, i sso n ão n o s par eceu m u i t o e v i d e n t e . p o i s n o gr u p o d as p r o ­

f i ssões das dom ést i cas, on d e as l avadei ras est ão i n c l u íd o s, o ín d i ce de i nf ecção não f oi d o s m ai s alt os, em com p ar aç ão c om o s out r os.

Co m r ef er ênci a à pr evalênci a da e sq u i st oso­ m ose se gu n d o a p osi t i vi d ad e às i n t r ad er m o rea­ ções c om an t íge n o f e i t o d e ver m es ad ul t os, ob t i ve m o s u m ín d i ce m u i t o m ai s el evado d o que o exam e' p ar asi t o l ó gi co de f ezes. Esse é u m f at or i nt er essant e, p oi s com par at i vam ent e as d i ­ f er enças de p osi t i vi d ad e são m u i t o gr ande s com r ef er ênci a aos d ad os o b t i d o s n o u t r o s f o c o s d o p aís2 . No Di q u e d o T o r o r ó , e n q u an t o 4 0 , 4 % das pessoas er am r eagent es na r eação cut ânea, apenas 1 1 , 9 % t i n h am exam e s de f ezes posi t i vos. Essa oc or r ên c i a p od er i a ser exp l i cad a p or causa da i nf e cção ^ pr edom i nant e d o s i n d i v íd u o s ser f ei t a p or ver m es m achos, c o m o j ulga Bar r e t t o1 Ou p or o u t r o s m e can i sm os i m u n o l ó gi c o s que ai nda não est ão bem escl ar eci dos em cer t as ce­ pas de S. m an son i .

Co m r ef er ênci a à pr eval ê nci a d a e sq u i st o so m o ­ se em r el ação à c o r d o i n d i v íd u o , n ão f o i p ossível a ob t e n ção de d ad os cor r et os pr i n ci p al m e nt e por causa da f alt a de cr i t é r i o n o j ul gam ent o da co r d o i n d i v íd u o . Se gu n d o o s d ad o s q ue ob t i ve ­ m os a i n c i d ên ci a n os b r an cos e p ar d os p r e d om i ­ na sob r e o s negr os. Al i ás, Pr at a e [ Sc h r o e - der 3 j á h avi am m o st r ad o q ue em u m a ár ea endê­

m i ca da Bahi a a e sq u i st osom ose era m ai s f r e­ qüent e n os b r an c os q ue n os negros.

U m f at o i nt er essant e é o da q u est ão de u so de sap at os pel a p op ul ação, on d e as pessoas que nunca usam cal ç ad os são as m e n o s inf ect adas, e o ín d i ce de i nf e st ação aum ent a p r ogr essi vam en­ t e à m edi d a q ue o s i n d i v íd u o s usam sapat os c o m m ai or f r eqüênci a. Não será esse u m f at o i n d i c an d o u m a m e n o r r esist ênci a à i nf e cção d o s i n d i v íd u o s q u e m e n os se e x p õe m a m e sm a?

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T A B E L A X — Cor r el ação ent r e o r esul t ad o d o s exam es de f ezes e a i nt r ad e r m o r eação para e sq u i st osom ose n o s m or ad or e s d o Di q u e d o T o r o r ó , Sal vador .

Se x o In t r ad e r m o Posi t i va Fezes Posi t i vas

In t r ad e r m o Posi t i va Fezes Negat i vas

In t r ad e r m o Negat i va

Fezes Posi t i vas Tot al

N9 % N 9 % N 9 %

Masc u l i n o

124

43

102

44

10

55

%

236

Fe m i n i n o

161

56

129

55

8

44

%

298

Tot al

285

53

231

43

18

3

%

534

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NP 3

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Pel os d ad o s q u e o b t i ve m os, parece não haver d ú vi d as de q ue h o u v e t r an sm i ssão da d oe n ça no p e r ío d o em q ue r e al i zam os as ob ser vações. Os 1 6 c asos c o n f i r m a d o s p ar asi t ol o gi c am e n t e q ue p er t e nci am ao gr u p o de pessoas c o m at é 10 an o s de idade, i ncl u si ve d o i s c o m m e n o s de u m ano, i n d i c am a t r an sm i ssão r ecent e da parasi - t ose. Qu a n t o à au t o c t o n i c i d ad e d o s casos, o s d ad os n o s suge r i r am q u e o Di q u e r e pr esent ou f on t e m e n os i nt ensa de t r an sm i ssão da d oe nça d o q ue o u t r o s l ocai s. Dessa f or m a, das 1. 033 pessoas i nvest i gadas, apenas 8 , 8 % das q u e se m ­ pre m or avam n o dique, est avam i nf ect ados, e n ­ q u an t o q ue 1 4 , 7 % d as q ue t i n h am m o r a d o n o u ­ t r o s l ocai s da ci dade o u n o u t r o s m u n i c íp i o s bai anos, est avam e l i m i n an d o o v o s de esqui st os- som a nas f ezes.

Evi d en t em e n t e q ue u m ú n i c o e xam e par asi - t o l ó gi c o de f ezes, m e sm o pel o m é t o d o de Hof f - m an, Pon s & Jan n e r , não é su f i c i en t e par a de­ t e r m i n ar o ín d i ce real de i nf e cção de u m a p o p u ­ lação. Co m o Bar r e t t o 1 m ost r o u , n o p r ó p r i o d i ­ que, o irióicfe àfc p o si i i v i àa àe o u i i ò o p ei o exam e de f ezes f o i de 16, 8%, e n q u an t o q u e o s das r eações i nt r a-dé r m i cas al cançar am 8 3 , 4 % de p o ­ si t i vi dade. Co m r el ação a essa oc or r ên ci a, Bar ­ r et t o m e n c i o n a o f at o de q ue havi a gr an de p r e d om i n ân c i a de ver m es m ac h o s nas cer cár i as e l i m i n ad as pel os car am uj os d o di que. Co m o a q u an t i d ad e de o v o s e l i m i n ad o s pel as f ezes h u ­ m an as é p r o p o r c i o n al ao n ú m e r o de par asi t as f êm eas q ue i n f e ct am o i n d i v íd u o , o s e xam es de f ezes er am m e n os posi t i vos.

A o l ad o d o s b a i x o s ín d i ces de i n f ecç ão da am ost r a p op u l aci on al , com p ar at i vam e n t e c o m o u t r o s f o c o s d a d oença, o s ín d i ce s de i nf ecção d o s car am u j o s col e t ad os n o d i q u e são t am b ém

m u i t o bai xos. Nã o l o gr am os e ncont r ar e x em pl a­ res i nf e ct ad os ent re o s q ue exam i nam os.

Bar r et t o, d u r an t e o s an o s de 1 9 5 2 a 1959, q u an d o e x am i n o u m ai s de d oi s m i l h õe s de exem pl ar es d o m ol u sco, ob t e ve o b ai x íssi m o ín d i ce de 0 , 8 3 % de i nf est ados, e só n o an o de 1 9 5 6 esse ín d i ce at i n gi u a ci f r a de 1, 24%. Esse Au t o r ent ão c on si d e r a a cepa B. gl abr at a d o d i q u e um a péssi m a vet or a de S. m an son i . O ín d i ce de el i m i n ação de cer cár i as que obt eve f o i de 4 , 6 %, e n q u a n t o q ue c o m as cepas d o p l a n o r b íd e o s de S. Pau l o e Per nam b uco, o s índ i ces at i n gi r am 8 0 , 6 % c o m o S. m a n so n i 'd a

Bahi a, i sso q u e r e n d o si gn i f i c ar q u e o p l an o r b íd e o é r ealm ent e p é ssi m o vet or . O s cor t es h i st ol ó gi c os parece vi r u l e nt o, ent r e t ant o o p l an o r b íd e o é r eal m ent e p éssi m o vet or . Os cor t es t n st b l ó gl c os r eal i zad os n o s p l an o r b íd e o s de Sal vad o r m o s­ t r am q u e a quase t ot al i d ad e d o s e sp or ozo i t as t e nhá si d o dest r u ídaipel as r e aç õest eci duai s o c o r ­ r i das n o or gan i sm o d o m ol u sco . Por o u t r o lado, o p l an o r b íd e o de Sal v ad o r m or r i a m u i t o m ai s r api dam ent e q ue as ou t r as cepas q u an d o i nf ec­ t ado pel o S. m ansoni.

Fi n al i za n d o c o n c l u ím o s que, apesar de o d i ­ que d o T o r o r ó ai n d a se c on st i t u i r u m a f on t e pot enci al de e sq u i st o so m o se m an sôn i ca, ap ós as t r an sf o r m açõe s e m e l h or i as de engenhar i a básica p or q ue p assou e al gum as m ed i das de co m b at e ao ve t o r at r avés de col on i zaç ão de pei xes p r e dador e s nas su as águas, não m ai s re­ present a um f o c o i m p or t an t e de pr op agação da doença. Nã o q uer i sso di zer q ue não d evam ser evi t ad os o s c o n t ac t o s m u i t o f r eqüent e s c o m suas águas que, e m b or a m enos q ue an t er i or ­ ment e, ai nda são b ast ant e p o l u íd as e u m cria- d o u r o pot enci al d o ve t o r da esqu i st osom ose.

SU M M A R Y

The A u t h o r s p r esen t t he r esu l t s o f ob ser vat i on s m ad e bet w een 1971 a n d 1974 o n t he i n ci d e n ce o f h u m an i n f e ct i o n b y Sc h i st o so m a m an son i a t t he Di q u e d o Tor or ó in Sal vad or , Bahia, f o i i o w i n g san i t ar y i m p r ove m en t s a n d b i o l o gi ca l co n t r o l o f vect or sn ai l s b y i n t r o d u ct i o n o f p r e d at o r y f i sh es i n t he lake.

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Rev.

Soc. Bras. Med. T rop.

Mai-Jun/75

R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S

1. B A R R E T T O , A. C. — Esq u i st o sso m o se m an sôn i ca na Ci d ad e de Sal vad or . Est u d o d o vet or , r el ações p ar asi t o — h osp e d e i r o e aspect os ep i d em i ol ó gi cos. Bo l e t i m da Fu n ­ dação Go n ç a l o Mo n i z. n 9 16, 8 0 pp, 1960.

2. P RA T A , A. & SC H R O E D E R , S. A com

-par i son o f w hi t e s and negr ões i nf ect ed w i t h

Sch i st o so m a m an so n i i n a Hy p e r e n d e m i c area. Gaz. Med. Bah i a 6 7 :93- 98, 1967.

3. SI L V A , M. P. D A — Cer cai r e br asi l i enne (Cer cai r e Bl an ch ar d i ) á qu en e bif ur quéé.

Referências

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