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Associação de clonidina e ropivacaína no bloqueio de plexo braquial para artroscopia de ombro.

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REVISTA

BRASILEIRA

DE

ANESTESIOLOGIA

PublicaçãoOficialdaSociedadeBrasileiradeAnestesiologia

www.sba.com.br

ARTIGO

CIENTÍFICO

Associac

¸ão

de

clonidina

e

ropivacaína

no

bloqueio

de

plexo

braquial

para

artroscopia

de

ombro

Raphael

Faria-Silva

,

Daniel

Câmara

de

Rezende,

Juarez

Mundim

Ribeiro,

Telmo

Heleno

Gomes,

Braulio

Antônio

Maciel

Faria

Mota

Oliveira,

Fábio

Maciel

R.

Pereira,

Ildeu

Afonso

de

Almeida

Filho

e

Antônio

Enéas

Rangel

de

Carvalho

Junior

HospitalFelícioRocho,BeloHorizonte,MG,Brasil

Recebidoem4dejaneirode2013;aceitoem10dejunhode2013 DisponívelnaInternetem16desetembrode2014

PALAVRAS-CHAVE

Anestésicoslocais; Clonidina;

Artroscopia; Dorpós-operatória

Resumo

Justificativaeobjetivos: Aartroscopiaparaafecc¸õesdoombroassocia-seadordeforte

inten-sidade no pós-operatório, de difícilmanejo. A adic¸ão de clonidina ao anestésico local em bloqueios periféricos tornou-seprogressivamente maiorgrac¸as àpotencialhabilidade dessa droga emreduzir amassade anestésicoslocaisnecessárioseprolongar aanalgesiano pós--operatório. Opresente estudo tevecomo objetivoavaliar osucesso do bloqueio deplexo braquialparaacirurgiaartroscópicademanguitorotadorcomousodeanestésicolocal asso-ciadoounãoàclonidina.

Método: Foramselecionados53pacientesdeambosossexos,entre18e70anos,ASAIouII,que

seriamsubmetidosàcirurgiadeombroporartroscopia.Ospacientesforamentãorandomizados emdoisgrupos.Aescalanuméricaverbaldedoreapresenc¸adebloqueiomotoreramobtidas nasaladerecuperac¸ãopós-anestésica(SRPA)ecomseis,12,18e24horasdepós-operatório.

Resultados: A associac¸ãodeclonidina(0,15 mg)àsoluc¸ãoderopivacaína0,33% (30mL)no

bloqueiodeplexobraquialparaartroscopiadeombronãodiminuiuosvaloresdaescalavisual numéricadedor,nemanecessidadederesgatecomopioidesnopós-operatório.Houveuma menorincidênciadenáuseasevômitosnopós-operatório(NVPO)eaumentoconsideráveldo tempodebloqueiomotornogrupodepacientesquerecebeuclonidinacomoadjuvante.

Conclusões: Ousodobloqueiodeplexobraquialcomanestésicolocalparacontroleanalgésico

pós-operatório está consolidadonaliteratura. A adic¸ão declonidinanadose propostapara prolongamentodoefeitoanalgésicoereduc¸ãoderesgatecomopioidesmostrou-sepoucoútil. ©2014SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Esteéum artigo OpenAccesssobalicença deCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](R.Faria-Silva).

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2013.06.024

(2)

KEYWORDS

Localanesthetics; Clonidine; Arthroscopy; Postoperativepain

Associationofclonidineandropivacaineinbrachialplexusblockforshoulder

arthroscopy

Abstract

Backgroundandobjectives: Arthroscopyfor shoulderdisordersisassociatedwithsevereand

difficultto controlpain, postoperatively. The addition ofclonidine tolocal anesthetics for peripheralnerveblockhasbecomeincreasinglycommon,thankstothepotentialabilityofthis drugtoreducethemassoflocalanestheticrequiredandtoprolonginganalgesiapostoperatively. Thepresentstudyaimedtoevaluatethesuccessofbrachialplexusblockforarthroscopicrotator cuffsurgeryusinglocalanestheticwithorwithoutclonidine.

Method: 53patientsofbothgenders,between18and70yearsold,ASAIorII,whowere

sche-duledtoundergoarthroscopicshouldersurgerywereselected.Patientswerethenrandomized intotwogroups.Theverbalnumericalpainscaleandthepresenceofmotorblockwereobtained inthepost-anestheticrecoveryroomandsix,12,18and24hourspostoperatively.

Results:The association ofclonidine (0.15 mg)to a solutionof 0.33% ropivacaine (30mL)

inbrachialplexusblockforshoulderarthroscopyhasnotdiminishedthevisualnumericpain scalevalues,northeneedforopioidrescuepostoperatively.Therewasalowerincidenceof nausea/vomitingpostoperativelyandasignificantmotorblocktimeprolongationinthegroup ofpatientswhoreceivedclonidineasadjuvant.

Conclusions:Theuseofbrachialplexusblockwithlocalanestheticforanalgesicpostoperative

controliswellestablishedintheliterature.Theadditionofclonidineinthedoseproposedfor prolongationoftheanalgesiceffectandreductionofopioidrescueprovedunhelpful. © 2014 Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/ licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc

¸ão

Osbloqueiosdoplexobraquialestãoindicadospara aneste-siaeanalgesiaemprocedimentosendoscópicosdomembro

superior, incluindo a região do ombro e da clavícula.

Essa técnica anestésica possibilita procedimentos

cirúrgi-cos com tempo pequeno de internac¸ão hospitalar (sem

pernoite) ou mesmo anestesias para procedimentos em

regime ambulatorial, com consequente reduc¸ão de cus-tos. Sua eficácia analgésica e baixa incidência de efeitos colaterais são características importantes. Quando anes-tésicos locais de longa durac¸ão são usados, mesmo em

dose única, o tempo de analgesia atinge entre 10 e

18 horas. Possibilitam ainda manipulac¸ões fisioterápicas indolores,muitasvezesfundamentaisparaareabilitac¸ão.

A dor pós-operatória é talvez o principal complicador das cirurgias de ombro do tipo artroscopia que envolvem omanguitorotador.1Obloqueiodenervosperiféricospode

proporcionaranalgesiaadequada nopós-operatório

imedi-ato por até 20 horas.2 O sucesso do bloqueio do plexo

braquial depende do volume de anestésico usado e da

concentrac¸ão da soluc¸ão. A concentrac¸ão é o principal determinantedobloqueiomotor.3

A clonidina, uma droga alfa agonista com atividade

parcialem receptoresalfa-2,é usada há anos como anti--hipertensivodeac¸ãocentral.Ospotenciaisbenefícios da adic¸ãodeclonidinaaoanestésicolocalencontradosna lite-ratura sãocontroversos. Essa droga, quandoadicionada a anestésicos locais de durac¸ão intermediária ou de longa durac¸ãoparabloqueiodenervosperiféricosouplexo, pro-longa a durac¸ão da analgesia e do bloqueio motor por aproximadamenteduashoras.4

Seuusoembloqueiostornou-seprogressivamentemaior grac¸asàhabilidadedessadrogaemreduziramassade anes-tésicoslocaisnecessários,assimcomoprolongaraanalgesia nopós-operatório.5 Tal efeito potencializador tambémfoi

observadoquandoaclonidinafoiassociadaàbupivacaína.6

Ousoparenteraldaclonidina,tantoporviamuscularquanto

venosa, não mostrou o mesmo benefício no bloqueio de

nervo periférico quando comparado com o uso local da

droga.6 A maioria dos resultados obtidos com clonidina

nãomostra efeitosadversos,como hipotensãoousedac¸ão prolongada, ao usarmos a droga no bloqueio regional.7,8

A associac¸ão de clonidinacom bupivacaína,por exemplo, prolongouoefeitoanalgésicodobloqueioregionalpor três--quatrohorasquandousadanafossapoplíteaparacirurgias depéetornozelo.2

Noentanto,Dumaetal.9 descreveramqueaadic¸ãode

clonidinaaoanestésicolocaldedurac¸ãoprolongada (levobu-pivacaínaoubupivacaína)nãoprolongouoefeitoanalgésico nobloqueiodeplexobraquial e aumentoua variabilidade da respostado paciente ao anestésico local, em especial noquedizrespeitoàlatênciadobloqueio.Alémdisso,não existeaindaumacertezasobreadoseadequadadeclonidina paraserusadacomoadjuvanteaobloqueio.9Oaumento

pro-gressivodadoserelaciona-seaummaiornúmerodeefeitos adversos, em grande parte relacionadosà absorc¸ão sistê-micadadroga.

(3)

Tabela1 Dadosantropométricos, distribuic¸ãoporsexoe estadofísicodaASA

AL AL+Cl P

Idade(anos) 54±10 52±11 0,37

Peso(kg) 77,4±14 78±11 0,89

Sexo M(11)F(13) M(11)F(15) 0,81

ASA I(8)II(16) I(9)II(17) 0,93

Valoresexpressoscomomédia±DPMouvaloresabsolutos.

AL,anestésicolocal;AL+Cl,anestésicolocalassociadoà

cloni-dina;ASA,classificac¸ãopré-operatória.

24horasapósacirurgia.Avaliamostambémanecessidade deanalgesiaderesgatecomopioidesecomparamosa inci-dênciadebloqueiomotorresidualeotempodeinternac¸ão hospitalardospacientes.

Método

EsteestudofoiaprovadopeloComitêdeÉticaemPesquisa daInstituic¸ão(CEP-HFR).

Foramselecionadosinicialmente53pacientesdeambos os sexos, entre 18 e 70 anos, classificados pela Socie-dade Americana de Anestesiologia (ASA) em tipo I ou II,

queseriamsubmetidosàcirurgiadeombroporartroscopia (tabela1).Ospacientesforamaleatoriamentealocadosnos dois grupos. O pesquisador responsável pelaavaliac¸ão no pós-operatórionãosabiaaqualgrupocadapaciente perten-cia.Todosospacientesassinaramotermodeconsentimento informado.

Foram excluídos os pacientes portadores de doenc¸a

cardíaca,respiratória,hepáticaourenal;alérgicosa anes-tésicoslocaisouseusdiluentes;portadoresdeneuropatias oudéficitscognitivos;comíndicedemassacorpóreamaior doque45;ecominfecc¸ãocutâneanolocaldobloqueioou paralisiadohemidiafragmacontralateral.Tabagismonãofoi umcritériousadopelosautoresparaselec¸ãodepacientes nesteprojetodepesquisa.

Efeitos esperadospelouso dealtasdosesdeclonidina, comosedac¸ãoexerostomia,nãoforamcritériosavaliados nesteprojetode pesquisa, jáque ospacienteseram sub-metidosà anestesiageral logo apóso bloqueio.Eventuais repercussões cardiovasculares do alfa-2 agonista também nãoforamavaliadas,jáqueasmedicac¸õesparamanutenc¸ão daanestesiageral (sevofluranoesufentanil) poderiamser fatoresdeconfusão.

Parafazerocálculodaamostraconsideramosumpoder de testede 90%e umnível designificânciade 5%, sendo entãootamanhodaamostraparacadagrupode23 pacien-tes.

Duranteoprocedimentoanestésico,ospacientesforam monitoradoscomeletrocardiograma(DII,V5),oxímetrode

pulso, pressão não invasiva, capnografia e analisador

degases inalados. Receberam como pré-medicac¸ão mida-zolam 2 mg intravenoso (IV). Após o bloqueio de plexo

braquial,fez-seanestesiageralbalanceadacomasseguintes drogas:propofol(3 mg/kg);sufentanil(0,5mcg/kg); cisa-tracúrio(0,15mg/kg); sevoflurano(1CAM);dexametasona (10mg);ondansetrona(4mg);dipirona(2.000mg); cetopro-feno(100mg);morfina(usadaexclusivamentesehouvesse

necessidadedeanalgesiaderesgate,50␮g/kg).Adiluic¸ão

dasoluc¸ão de anestésico local era feitacom ropivacaína 1% (10 mL) (Cristália Laboratório Farmacêutico) e água bidestilada estéril (20 mL), totalizando um volume a ser injetadode30mLnobloqueio.

Todosospacientesrecebiamnopós-operatóriona enfer-maria dipirona 2.000 mg (IV) fixo a cada seis horas.

Para analgesia de resgate, o paciente receberia morfina (50␮g/kg)deacordocomanecessidade.

Protocolo1:Efeitodaropivacaína0,33%na analgesiapós-operatóriadepacientessubmetidos àcirurgiaartroscópica

deombro

Foramselecionadosinicialmente26pacientesparaogrupo controle.Obloqueiodeplexobraquial erafeitocom esti-muladorelétricodenervos(StimuplexDIG;BBraun)eagulha específica(StimuplexA50,BBraun). Após localizac¸ão ade-quadadosítiodeinjec¸ãodoanestésico,30mLdasoluc¸ão deropivacaína0,33%eramusados.Apósobloqueiofazíamos anestesiageral.

Ao término do procedimento cirúrgico, era avaliada a presenc¸adedorpormeiodaescalanuméricaverbaldedor (0: ausência de dor; 10: pior dor possível). Se durante a permanêncianaSRPAhouvessenecessidadederesgatecom morfinaem dose superiora0,1mg/kg (IV),opaciente era

excluídodoprotocolo,porconsiderarmosfalhadobloqueio deplexo.

Aescalanuméricaverbaldedoreapresenc¸adebloqueio motoreramobtidosnaSRPA ecomseis,12,18e24horas depós-operatório.

Protocolo2:Efeitodaropivacaína0,33%associada àclonidina(0,15mg)naanalgesiapós-operatória depacientessubmetidosàcirurgiaartroscópica deombro

Foramselecionadosinicialmente27pacientesparaogrupo controle.Obloqueiodeplexobraquial erafeitocom esti-muladorelétricodenervos(StimuplexDIG;BBraun)eagulha específica(StimuplexA50,BBraun). Após localizac¸ão ade-quadadosítiodeinjec¸ãodoanestésico,30mLdasoluc¸ão deropivacaína0,33%associadaàclonidina0,15mg(Cristália Lab.Farm.)foramusados.Opacienteerasubmetidoentão àanestesiageral.

Aescalanuméricaverbaldedoreapresenc¸adebloqueio motoreramobtidosnaSRPA ecomseis,12,18e24horas depós-operatório.

Análiseestatística

Para as variáveis quantitativas contínuas, os valores são

apresentados como média±desvio padrão da média e

(4)

SRP A 0

AL ALCI 2

4 6 8 10

Tempo

Escala n

umér

ica

v

erbal de dor

6h 12h 18h 24h

Figura1 Escalanuméricaverbaldador.

Resultados

Nogrupocontrole,doispacientesforamexcluídosda aná-lise(umfoiperdidonoacompanhamentopós-operatório;um foiposteriormenteconsideradocomoASA III).Nogrupoda

clonidina,umpacientefoiexcluídodaanálisepor conside-rarmosquehouvefalhadebloqueio(recebeudosesuperiora 0,1mg/kgdemorfinanaSRPA).

O anestesiologista responsável pelo caso tinhaa

liber-dade de escolher qual técnica de bloqueio usar. Dos

53 pacientes inicialmente selecionados, 49 foram subme-tidosabloqueiodeplexobraquial pelavia interescalênica eapenasquatropelaviaposterior(paravertebralcervical). Nãohouvediferenc¸adetécnicaentreosdoisgrupos (valo-res omitidos). Não observamos complicac¸ões relacionadas à técnica anestésica em qualquer paciente submetido ao protocoloexperimental.

Obloqueiodoplexobraquialcom30 mLdesoluc¸ãode ropivacaína0,33% promoveuanalgesiasatisfatóriano pós--operatóriodos pacientes estudados,em todosostempos avaliados, conforme mostra a fig. 1. A escala numérica visualdedoratingiuumvalormediano de2após18horas deprocedimentocirúrgico, tempoessecompatívelcom a meia-vida da ropivacaína. Esses valores não diferem dos habitualmenteencontradosnaliteraturaparaessetipode procedimento.5Emrelac¸ãoànecessidadederesgate

analgé-sicocommorfina,onúmeromédiodedosesnessegrupofoi dedois(tabela2).Seispacientes(25%)apresentaramNVPO mesmodepoisdereceberprofilaxiaadequadacom dexame-tasonae ondansetrona. Otempodebloqueiomotornesse grupoapósotérminodacirurgiafoiemmédiade1,6hora. Otempodeinternac¸ãohospitalarfoiemmédiade20horas. Comoquasetodosos pacientesreceberamalta hospitalar antesdotérminodoprotocolo,haviacontinuac¸ãodelepor buscaativapormeiodeligac¸ãotelefônica(20pacientesdo grupocontrolee22dogrupoquerecebeuclonidina).

No segundo grupo, o bloqueio do plexo braquial com

30 mL de soluc¸ão de ropivacaína 0,33% associados a

0,15 mg de clonidina promoveu analgesia satisfatória

no pós-operatório dos pacientes em todos os tempos

Tabela2 Númerodedosesderesgatedemorfina, incidên-ciadenáuseasevômitospós-operatóriosetempodedurac¸ão médiodobloqueiomotoredainternac¸ãohospitalar

AL AL+Cl p

Dosesdemorfina (50mcg/kg)

2±2,9 1,1±1,4 0,16

NVPO(n) 6 1 0,04

Bloqueiomotor(h) 1,6±2,5 7,4±5,2 0,01 Tempode

internac¸ão(h)

20,7±6,5 18,8±3 0,24

AL,anestésicolocal;AL+Cl,anestésicolocalassociadoà

cloni-dina;NVPO,náuseasevômitospós-operatórios.

Valoresexpressoscomomédia±DPM.

avaliados,conformemostraafig.1.Aescalanuméricavisual dedornãofoiestatisticamentediferentedogrupocontrole emqualquerdostemposestudados.

Em relac¸ão à necessidade de resgate analgésico com

morfina, o número médio de doses nesse grupo foi de

1,1 (tabela 2), também sem diferenc¸a estatística quando comparado com o grupo controle. Em relac¸ão à incidên-ciadeNVPO,apenasumpaciente(3%)apresentouqueixas, apesardaprofilaxiapadrãoinstituída.Otempodebloqueio motorresidualapósotérminodoprocedimentocirúrgicofoi

em médiade 7,4horas (aproximadamente4,5 vezesmais

prolongado). O tempo médio deinternac¸ão hospitalar foi

de18,8 horas. Umaúnica paciente dessegrupo

permane-ceuinternadamaisdeumanoite,masomotivonãoesteve associadoaoatoanestésico.

Discussão

A associac¸ão de clonidina (0,15 mg)à soluc¸ão de

ropiva-caína 0,33% (30 mL) no bloqueio de plexo braquial para

cirurgiaartroscópica deombronãodiminuiuosvaloresda escalavisual numéricade dor,nem anecessidade de res-gatecomopioidesnopós-operatório,resultadocompatível comoutraspublicac¸õesqueusaramclonidinaemdosesaté superioresàdopresenteestudo.10---12

Osadjuvantes têm como objetivo prolongar a

analge-sia,melhoraraqualidadeoureduziralatênciadobloqueio peloanestésicolocal.Podem serusadosadrenalina(numa concentrac¸ão de 1:400.000-1:200.000), clonidina (0,5 a 1,0␮g/kg)ouopioides(morfina,sufentanil,fentanil,

bupre-norfina), sem, no entanto, haver sedac¸ão excessiva ou hipotensão.13---15

Osmecanismosdaatividadeantinociceptivadaclonidina sãocontroversos,emespecialnoquedizrespeitoao siner-gismocomanestésicoslocaisparabloqueiosperiféricos,já que os axônios de nervos periféricos não têm receptores alfa2-adrenérgicos.Apesardoseuusoinicialmentetersido comofármacoanti-hipertensivoedescongestionantenasal, a clonidina é um agonista do receptor alfa2-adrenérgico usado como adjuvante ao anestésicolocal, sobretudo em pacientesdependentesdeopiáceos.16Oretardooubloqueio

(5)

masosresultadossãoaindacontroversos.17,18Outros

possí-veismecanismospodemincluirefeitovasoconstritorlocalou efeitosanalgésicosnosistemanervosocentral.6Alguns

auto-ressugeremquetecidosinflamadoscursamcomaumentoda sensibilidadedefibrasdedorAdeltaefibrasC,motivopelo qualaadic¸ãodeclonidinaseriapotencialmentebenéfica.19

Existesinergismosignificativodaadic¸ãodeclonidinaaos anestésicoslocaisnosbloqueiosoculares(retrobulbar,

peri-bulbar e subtenoniano), o que leva ao prolongamento da

acinesiaedaanalgesia.20 Suapotenciac¸ãoanalgésicaestá

bem descrita quandoadministrada no espac¸ointratecal e extradural (anestesia espinhal), especialmente associada aosanestésicoslocaisdecurtadurac¸ão.21

Em relac¸ão à combinac¸ão ideal de drogas, a clonidina parecetermaiorbenefícioadjuvantecomanestésicoslocais de durac¸ão intermediária, como a lidocaína e a mepiva-caína. Uma revisão sistemática da literatura avaliou 27 trabalhos,dosquais15tinhamresultadospositivose12 mos-travam pontos negativos à adic¸ão de clonidina.17 Efeitos

adversosparecem nãosurgirem dosesaté0,15 mg.Além disso,parecehavermaiorbenefíciodaadic¸ãodeclonidina

em bloqueiosdosmembros superiorescomparadoscomos

dosmembrosinferiores.17

Existem evidências na literatura a favor da adic¸ão de clonidinapara a reduc¸ão dalatênciado bloqueionervoso periféricocomropivacaínaquandoessadrogaéusadapara anestesia.22 Entretanto, com o intuito de promover

pro-longamentodaanalgesiapós-operatória,osresultadossão controversos.Casatietal.8descreveramqueaclonidinaera

capazde aumentarem 20% o tempodoefeito analgésico

daropivacaína nopós-operatório de cirurgias do membro inferior.

Emnossoestudofoipossívelobservarumamenor incidên-ciadeNVPO.Uma variávelnãoestudadafoi otabagismo, conhecidamente um fator protetor contra NVPO,23 o que

podecriarumainterferêncianosresultadosobtidos. A clonidina,quando administrada como pré-medicac¸ão

pela via oral, mostrou-se eficaz como adjuvante na

reduc¸ãodeNVPOemcirurgiasoftalmológicasemcrianc¸as.24

Efeito semelhante também foi observado para cirurgias

otológicas25 e para prevenc¸ão de náuseas e tremores

pós-operatórios de idosos submetidos a bloqueios de

neuroeixo.26 Como droga única para profilaxia de NVPO,

seu efeito já não é tão evidente.27 A clonidina também

mostrou benefício na reduc¸ão de NVPO quando foi usada na induc¸ãoanestésicade pacientesaseremsubmetidas à mastectomia,28 semquehouvesseaumentodasedac¸ãoou

o surgimento deoutros efeitos adversos significativos. Na gênesedeNVPOparecehaverumcomponentededisfunc¸ão autonômicaadrenérgica,motivopeloqualousodeclonidina pareceserbenéfico.29

Aclonidinaéumamedicac¸ãodecustomaisbaixodoque osantieméticosqueatuampelavia5-HT3,comoa ondan-setronaeseussimilares.Noentanto,acreditamosqueseu real benefício como droga única para profilaxia de NVPO

é pequeno e até não é usada de rotina na maioria dos

servic¸osdeanestesiacomessepropósito.Alémdisso,esse potencialbenefícioantieméticopodeserobtidopormeioda administrac¸ãooral ouvenosadadroga,semanecessidade deadicioná-laàsoluc¸ãodeanestésicolocal.

Houve aumento considerável do tempo de bloqueio

motor nogrupodepacientesque recebeuclonidinacomo

adjuvante. Há evidências na literatura de aumento do

tempo de bloqueio motor da bupivacaína e da

mepiva-caínapeloalfa-2agonista.4,7Oquestionamentoaserfeito

dizrespeitoaorealbenefíciodesseprolongamento,jáque

a necessidade de resgate com opioides não diminui. Em

nossaopinião,oprolongamentodobloqueiomotorno pós--operatórioapenasaumentaaansiedadedopaciente,sem trazerrealbenefícioanestésicooucirúrgico. Essaopinião tambémé compartilhada por outros autores.30 Pode até,

emcasosselecionados,retardaroprocessoderecuperac¸ão, quando consideramos a real possibilidade de fisioterapia precoce.

Não houvediferenc¸a noque diz respeito ao tempode internac¸ãodospacientes.Portanto,aclonidinanão interfe-riunocustooperacionaldoprocedimento.

Ousodobloqueiodeplexobraquialcomanestésicolocal paracontroleanalgésicopós-operatórioestáconsolidadona literatura.Já aadic¸ãodeclonidinanadose propostapara prolongamentodoefeito analgésicoe reduc¸ão de resgate com opioides, na populac¸ão selecionada para o presente estudo,mostrou-sepoucoútilnobloqueiodeplexobraquial. Existemoutrosfármacoscujautilidadeaditivaainda perma-neceincerta(tramadol,bloqueadoresdoscanaisdecálcio, neostigmina,dexametasona,hialuronidase,NaHCO3)eque podemserobjetodetrabalhosposteriores.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

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Referências

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