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Revista
Brasileira
de
CIÊNCIAS
DO
ESPORTE
ARTIGO
ORIGINAL
Resposta
aguda
de
variáveis
clínicas
e
funcionais
em
exercício
máximo
de
contrac
¸ão
concêntrica
versus
excêntrica
Danielli
Aguilar
Barbosa
a,
Fernanda
Assen
Soares
Campoy
a,
Thâmara
Alves
a,
Maíra
Campos
de
Albuquerque
a,
Mariana
de
Oliveira
Gois
a,
Roseana
Paula
de
Ávila
b,
Jayme
Netto
Júnior
b,ce
Carlos
Marcelo
Pastre
a,c,∗aProgramadePós-Graduac¸ãoemFisioterapia,FaculdadedeCiênciaseTecnologia,UniversidadeEstadualPaulistaJúlio
deMesquitaFilho,PresidentePrudente,SP,Brasil
bDepartamentodeFisioterapia,FaculdadedeCiênciaseTecnologia,UniversidadeEstadualPaulistaJúliodeMesquitaFilho,
PresidentePrudente,SP,Brasil
cFaculdadedeMedicinadeSãoJosédoRioPreto,SãoJosédoRioPreto,SP,Brasil
Recebidoem18desetembrode2012;aceitoem12dejaneirode2015 DisponívelnaInternetem23dejaneirode2015
PALAVRAS-CHAVE
Exercíciofísico; Forc¸amuscular; Dor;
Reabilitac¸ão
Resumo Oobjetivodoestudofoianalisarecompararasrespostasagudasdevariáveisclínicas
e funcionais,após umasessãode exercíciodeforc¸amáxima decontrac¸ãoconcêntrica ver-susexcêntrica.Foramavaliados46indivíduosdosexomasculino,divididosaleatoriamenteem doisgrupos,conformeotipodeexercício.Nacomparac¸ãoentreosgruposnãohouvediferenc¸as significativas.Porém,naanálisedecadagrupoobservou-seaumentodasensac¸ãodedor(EVA) edapercepc¸ãodeesforc¸o(escaladeBorg)eincrementosnasmedidasdacircunferênciada coxa(grupoexcêntrico:10%[p<0,001],20%[p<0,001]e30%[p<0,05];grupoconcêntrico:40% [p<0,01]).Paraoalgômetro,apenasogrupoconcêntricoapresentoumenorlimiar(p<0,01). Pode-seinferirqueestímuloscontrolados até100%não sãoagressivoselimitantesefuturos estudospodemincluiranálisesdemarcadoresdelesão.
©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todosos direitosreservados.
KEYWORDS
Exercise; Musclestrength; Pain;
Rehabilitation
Acuteresponseofclinicalandfunctionalvariablesinmaximalexercise fromcontractionconcentricversuseccentric
Abstract Theaimofthestudywastoanalyzeandcomparetheacuteresponsesofclinicaland
functionalvariablesafteramaximumforceexerciseofeccentricversusconcentriccontraction. Weevaluated46malesubjectswererandomlydividedintotwogroupsaccordingtothetype
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](C.M.Pastre).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2015.01.001
ofexercise.Comparingthegroupsnosignificantdifferences,buttheanalysisofeachgroup, therewasanincreasedsensationofpain(VAS),perceivedexertion(Borgscale)andincreasesin measuresofthighcircumference(eccentricgroup:10%(p<0.001)20%(p<0.001)30%(p<0.05) andconcentrictothegroup:measuredwith40%p<0.01)forthealgometer,onlyconcentric groupshowedlowerthreshold(p<0.01).Itcanbeinferredthatstimulicontrolledupto100% arenotaggressiveandlimiting,andfuturestudiesmayincludeanalysisofinjurymarkers. ©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Allrights reserved.
PALABRASCLAVE
Ejercicio; Fuerzamuscular; Dolor;
Rehabilitación
Respuestaagudadelasvariablesclínicasyfuncionalesdelacontracciónconcéntrica máximadeejercicioencomparaciónconexcéntrica
Resumen Elobjetivodelestudiofueanalizarycompararlasrespuestasagudasdelasvariables
clínicayfuncionaldespuésdeunejerciciodefuerzamáximadecontracciónexcéntricafrente concéntrica.Seevaluaron46sujetosmasculinos,divididosaleatoriamenteendosgrupos,de acuerdoconeltipodeejercicio.Lacomparacióndelosgruposnohubodiferencias significati-vas,peroelanálisisdecadagrupo,seprodujounaumentodelasensacióndedolor(VAS),el esfuerzopercibido(escaladeBorg)yelaumentodelasmedidasdelacircunferenciadelmuslo (grupoexcéntrico:10%(p<0,001)20% (p<0,001) 30%(p<0,05) y concéntricoconelgrupo: medido con 40% p<0,01) para algómetro, sólo el grupo concéntrico tuvo umbral inferior (p<0,01).Se puede inferirque los estímuloscontrolados hasta el100% noson agresivos y limitante,ylosestudiosfuturospuedenincluiranálisisdemarcadoresdelesión.
©2015ColégioBrasileirodeCiênciasdoEsporte.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todoslos derechosreservados.
Introduc
¸ão
O treinamento resistido é amplamente usado em âmbito clínico,esportivoecomomedidapreventiva,visando, prin-cipalmente,aoganhodeforc¸amuscular (Friedmann-Bette etal.,2010;Parretal.,2009).Estímulosapartirdeac¸ões tantoconcêntricasquantoexcêntricassãofrequentemente usadosesãocapazesdegeraradaptac¸õesnosistema mus-culoesquelético, sobretudo as relacionadas aos níveis de forc¸a(Brentano,2011).Entretanto,estudosquecomparam asduas classes de estímulos têm apresentado diferenc¸as (Gleesonetal.,2003;Roigetal.,2009).
Existem evidências de que após ac¸ões excêntricas há aumentodaatividadeneural,forc¸aehipertrofiamusculare maiorresistênciadeligamentosetendões,quando compa-radoscomexercíciosconcêntricos,apartirdeintensidades semelhantes(Farthing,2003;Wasielewski,2007).
Jossonetal.(2005)observarammelhoriasignificativada dorcomousodaescalavisualanalógica(EVA),após compa-rarosresultadosdotreinamentoconcêntricoe excêntrico em atletas com tendinite patelar.Além disso, os autores relataramqueospacientesobtiverammaiorsatisfac¸ãocom otratamentodogrupoexcêntrico.
Contudo,apesardosbenefícios,estudostambém apon-tam o exercício excêntrico como um indutor de lesão musculoesquelética (Gleeson et al., 2003; Parr et al., 2009). No estudo de Parr et al. (2009), foram analisa-das respostas das variáveis funcionais (forc¸a e amplitude
de movimento [ADM]) e clínicas (dor), após 24 horas de uma sessãode exercício excêntricoa 140% do testede 1 RM, e foramidentificadosiníciodedor emaiordéficit de forc¸a e ADM, quando comparados com o isocinético con-cêntrico/excêntrico. Ainda nesse contexto, Turner et al. (2008)fizeramumprotocolodeexercícioexcêntricocomo propósitodeinduzirodanomusculareobservaramuma pro-longadaperdadeforc¸a,alterac¸õesnaADMemenorlimiar dedor24horasapósoexercícioexcêntricomáximo.
Piitulainen et al. (2010) identificaram que o exercício máximo excêntrico, quando feito repentinamente, pode causar lesão e, consequentemente, perda prolongada de produc¸ão deforc¸a,dor muscular e mudanc¸as no compor-tamentodaunidademotora. Essesresultadosindicam que oexercícioexcêntricopodeperturbarafunc¸ãodeunidades motorasemníveiselevadosdecontrac¸ãonasfasesiniciais. Ainterpretac¸ãodosachadosapresentadosdeveserfeita deformaparticular.Deve-seconsideraropotencialriscoou benefíciodosestímuloserespeitarosdiferentesmodelosde estudousadosnesseâmbito,poisdiversosautores empreen-demdinâmicasdetrabalhopróprias(Langbergetal.,2007; Vikneetal.,2006),que variamem volume(Turneretal., 2008), intensidade (Friedmann-Bette et al.) ou forma de execuc¸ão(Black,2008).
em sessão única, ascargas são superiores a 100%, quase queexclusivamente comvistasàlesão;que quandofeitas com cargasinferiores, isolamo fatorexcêntricoe testam exclusivamenteoefeitodogestoexcêntrico,enãoumciclo de contrac¸ão combinado concêntrico/ excêntrico com ênfase em umadas fases; que quando se combinam con-cêntricoeexcêntricoeseestudaaênfasedeumcicloem relac¸ãoaooutroaopc¸ãoéporinstrumentac¸ãoisocinética;e quenosdesenhosdeensaiosasvariáveisvisamaidentificar umdos fatores,oubenefíciosoumalefícios,enãoosdois panoramasemconjunto.
Constrói-se, então uma situac¸ão-problema, com base nos elementos descritos: ao considerara possibilidade de gerac¸ãodeestímulosdecargasmáximas emumasituac¸ão prática,qualseriamasrepercussõessobrecondic¸ões clíni-case funcionais?Após umaprescric¸ãodealta intensidade enolimitefuncionaldeumsujeito,qualseriao comporta-mentodevariáveisclínicasefuncionais?Hádiferenc¸aentre ostiposdeestímuloconsiderandoênfasesparacadatipode ciclodecontrac¸ãoemumasituac¸ãoprática?
Assim, constitui-se como objetivo do presente estudo analisarecompararasrespostasagudasdevariáveisclínicas (circunferênciadacoxa,dorepercepc¸ãodeesforc¸o)e fun-cionais(forc¸aisométrica,forc¸aisotônica,testesdesaltose amplitudedemovimento),apóssessãodeexercíciodeforc¸a máximaem dois modelosdeexercício:contrac¸ão concên-tricalentaeexcêntricarápidaversuscontrac¸ãoexcêntrica lentaeconcêntricarápida.
Comohipótesenãoseesperamganhosdequalquer natu-reza paraos doistipos deexercícios e a possibilidade de danos em ambos, pela magnitude da carga, com maior impactoparaasac¸õesexcêntricas.
Casuística
e
métodos
Apresentepesquisafoiumensaioclínicorandomizado, com-posto por 46 sujeitos do sexo masculino, estudantes da FaculdadedeCiênciaseTecnologia(FCT/Unesp),entre18e 30anos,classificadoscomofisicamenteativospormeiodo Ipaq(InternationalPhysicalActivityQuestionnaire)(Pardini etal.,2001)edistribuídosaleatoriamente,24paraogrupo contrac¸ão concêntrica (CC) e 22 para o grupo contrac¸ão excêntrica(CE).
Foramconsideradoscritériosdeinclusãonãoter apresen-tado episódio delesão musculotendínea ouosteoarticular nos membros inferiores e/oucoluna noúltimo ano e não participardeprograma demusculac¸ãohá pelomenosseis meses.Paraoscritériosdeexclusão,foramconsideradoso consumodebebidas alcoólicas,drogasecigarro,o usode medicamentosanti-inflamatórioseindivíduosquenão tives-semaamplitudedemovimento(ADM)totaldaarticulac¸ão dojoelhoouhiperextensão.
AcoletadedadosocorreunoCentrodeEstudosede Aten-dimentos em Fisioterapiae Reabilitac¸ão daFCT-Unesp de PresidentePrudente (SP),noperíodo extra-atendimentos, das18hàs22h.
Umestudopilotofoifeitoafimdetestartodasas variá-veiseorganizaradinâmicadascoletas.Antesdoiníciodos procedimentos,osindivíduosforaminformadossobretodos osprocedimentos e o objetivo do estudo e assinaramum termodeconsentimentolivreeesclarecido,aprovadopelo
Comitêde Ética em Pesquisa daFaculdade deCiências e Tecnologia-FCT/Unesp(processo20/2010),noqualficava asseguradaaprivacidade.
Testede1rmefamiliarizac¸ãocomoequipamento
Antes do início dos procedimentos, os indivíduos foram identificadoscom asseguintesinformac¸ões:nome, idade, massa corpórea e estatura. Para determinac¸ão do índice demassacorpórea (IMC), osindivíduos forampesados em umabalanc¸adigitalBC554Aero-man/InnerScaner(Tanita, Illinois,EstadosUnidos)devidamentecalibradaeosvalores deestaturaforamobtidosapartirdeumestadiômetroda marcaSanny(AmericanMedicaldoBrasil,SãoPaulo,Brasil). Umasemanafoidestinada, exclusivamente,paraa fei-turadotestedeumarepetic¸ãomáxima(1RM)e avaliac¸ão dasvariáveisdoestudo. Inicialmente,foi feitootestede 1RMparaoquadrícepse afamiliarizac¸ãodossujeitoscom oequipamento.Namesmasemana,asvariáveisforc¸a mus-cular isométrica, ADM,circunferência dacoxa e potência muscular(saltos)foramavaliadaspelaprimeiravez.
Otestede1RM determinoua cargamáxima,em quilo-gramas, que cada voluntário conseguiu atingir durante a extensão do joelho. Os procedimentos para a feitura do testeforamsugeridosporBrown(2001).Optou-seporfazer otestede1RMeasessãodeexercíciocomomembroinferior nãodominante(Gleesonetal.,2003),comousoum apare-lhodemusculac¸ão dalinhaHard (Ipiranga Equipamentos, PresidentePrudente,Brasil).
A familiarizac¸ão do sujeito com o equipamento teve comoobjetivoevitarerrosnaexecuc¸ãodosmovimentosque poderiaminfluenciarosresultadosfinais.Cadagrupofoi ori-entadoafazeracontrac¸ãodomúsculoquadrícepsdemodo quepredominasseumadasfases,concêntricaouexcêntrica, feitasemdiferentesvelocidadesdecontrac¸ão.
Parao grupo CCo movimentodeextensão dojoelhoa partirde90◦ deflexãoocorreunotempodetrêssegundos, atéatingira ADMcompleta(180◦ deextensãodejoelho), e o retornodo membroocorreu em umsegundo. Já para o grupo CE a extensão do joelho ocorreu a partir de 90◦ deflexãoemumsegundoeacontrac¸ãoexcêntricadurante aflexãoemtrêssegundos.Essaopc¸ãofoibaseadanoestudo deCorvinoetal.(2009),queidentificoumaioresvaloresde desenvolvimentodeforc¸a em velocidades maisbaixas.As angulac¸õesforammedidaspormeiodeumgoniômetroda marcaTrident(Itapuí,Brasil)econtroladasporumavaliador, quetambémcoordenavaotempodeexecuc¸ãodoexercício comumcronômetro.
variáveisecomrespeitoàlogísticadetempoeespac¸o dis-poníveisparaacoletadedados.
Avaliac¸ãodasvariáveisfuncionais
Forc¸amuscular
AvaliadapormeiodeumdinamômetrodigitalportátilDD300 (Meditec,SãoPaulo,Brasil),queapontouem quilogramas--forc¸a (Kgf) a forc¸a muscular isométrica máxima feita duranteaextensãodojoelhodomembroinferiornão domi-nante.Oindivíduofoiorientadoafazerumasequênciade trêscontrac¸õesisométricasmáximascomdurac¸ãodecinco segundos cada, conforme sugerido porParr etal. (2009). Foiusadaaangulac¸ãode60◦dojoelhodefinidapormeiode umgoniômetromanualdamarcaTrident(Itapuí,Brasil)eo maiorvalorobtidoentreastrêsmedidasfoiconsiderado.
Testesdesaltos(horizontalevertical)
O saltohorizontal foi feito deacordo com os parâmetros adotados por Ronnestad et al. (2008), com a excec¸ão de que apenas o membro inferior não dominante iniciou o movimento. Ossujeitos fizeram quatrotestes e o melhor resultadofoiousadoparaanálise(Ronnestadetal.,2008). Osaltoverticalfoifeitocomousodaplataformadesalto deAbalakov(Cometti,2007),naqualosparticipantes per-maneceram em posic¸ão ortostática,com ospés descalc¸os eabduzidosa15◦.Essa medidafoimensurada pelo goniô-metromanualdamarcaTrident(Itapuí,Brasil)edemarcado comumafitanaprópriaplataforma.Alémdisso,era solici-tadoqueosparticipantespermanecessemcomasmãosna cinturaduranteosaltoenãoultrapassassem90◦ deflexão dojoelho.
Inicialmente, foi anotado o valor, em centímetros, da distânciadacintaaosoloparaqueessamedidafosse des-contada do valor final, após o salto. Para a execuc¸ão do salto,osvoluntáriosagachavamomáximopossível,sem reti-rarostornozelosdochãoeseminclinarotroncoàfrente, nãoultrapassavamovalorde90◦ deflexãodojoelho,para entãoprojetarocorpoverticalmente,omáximoque conse-guissem.
SegundooprocedimentofeitonoestudodeVetter(2007), otempoentreadescidaeosaltonãopoderiasersuperiora umsegundoecadaindivíduotevedefazertrêssaltoscom intervalosdetrêsminutosentreeles.Omaiorvaloratingido foiadotadocomomedidadereferência.Ummesmo avalia-dorfoitreinadoeficouresponsávelpororientarecontrolar tantooposicionamentoquantootempodessavariável.
Amplitudedemovimento(ADM)
As medidas foram obtidas a partir da flexão do joelho domembroinferiornãodominante,pormeiodeum goniô-metromanualdamarcaTrident(Itapuí,Brasil)(Parretal., 2009). O indivíduo foi posicionado em decúbito ventral, com o quadril em 0◦ de abduc¸ão e flexão. Uma toalha dobrada foi fixada na região distal da coxa para estabi-lizar o fêmur e reduzir a rotac¸ão, flexão e extensão do quadril. Opontomédio dogoniômetro foicentrado sobre o epicôndilo lateral do fêmur, o brac¸o fixo alinhado com o trocânter maior e o brac¸o móvel com a linha lateral da fíbula, com o uso do maléolo lateral como referên-cia. A posic¸ão inicial foi de extensão total do joelho e
a ADM foi avaliada até a amplitude máxima de flexão alcanc¸ada oucaso osujeitotivesse relatadoqualquer dor. Amensurac¸ãofoibaseadadeacordocomCleary(2006).
Avaliac¸ãodevariáveisclínicas
Circunferênciadacoxa(perimetria)
Amedidadocomprimentodacoxa(distânciaentrea espi-nhailíacaanterossuperioreabordasuperiordapatela)foi feitacomosujeitoemposic¸ãosupina.Acircunferênciafoi avaliadaem10%,20%,30%e40%deseucomprimento dis-tal,mensuradoemdiferentespartesdacoxa,comvistasa abrangeramaioráreapossívelparaavaliac¸ãoda muscula-tura.OsprocedimentosforamfeitosconformeGleesonetal. (2003),noqualduasmensurac¸õesforamfeitasemcadalocal efoiusadaamédia(Cleary,2006).
Dor
Foiusadaumaescalavisualanalógicadedor(EVA), gradu-ada de0 a 10, 0 caracterizadopor ausência totalde dor e10comooníveldedormáximosuportadopeloindivíduo (Jönhagen et al.,2004).Tal procedimentoé amplamente usadoemestudosnosquais anaturezaé observara ocor-rênciadelesões(Black,2008;Bloomeretal.,2007;Cleary, 2006).
Outroinstrumentousadoparaquantificaraintensidade dedorfoioalgômetrodepressão,damarcaWagner Instru-ments(FPX 50/220,Greenwich, EUA),jávalidado(Kinser, 2009). O limiar de dor foi definido em kilograma-forc¸a (kgf/cm2),pormeiodamínimapressãonecessáriapara indu-zir dor na região dacoxa. O dispositivo tinha umaponta redondade1cmdediâmetro,naqualapressãofoiaplicada perpendicularmente à superfície domúsculo reto femoral nosmesmospontosnosquaisforammensuradososvalores dacircunferênciadacoxa.Osvoluntáriosforaminstruídos aindicarquandoasensac¸ãodepressãosemodificassepara umasensac¸ãodedor.Essevalorfoiregistradoemficha indi-vidualizada.Apressãoexercidanãoexcedeu2,55kgf,assim como sugeridopor Jönhagen(2009).Usaram-se esses dois diferentesmétodoscomomesmoobjetivo,aquantificac¸ão dador,porémoprimeiro,EVA,éumaferramentasubjetiva; jáosegundo,algômetro,pôdemensuraradorpormeioda pressão.
Percepc¸ãodeesforc¸oparamembrosinferiores
A escaladepercepc¸ãode esforc¸ode Borgé ordinal, com valores que variam de 6 a 20 pontos; o 6 corresponde à classificac¸ão ‘‘muito fácil’’ e o 20 a ‘‘exaustivo’’(Parr et al., 2009). Esse procedimento também se caracteriza como frequentemente usado em pesquisas, como as de Friedmann-Betteetal.(2010)e Wilkinsetal.(2004).Para essavariável,optou-seporusarumarazãopercentualpara análise,afimdefacilitarotratamentoestatísticodosdados, sobretudoemrazãodocálculodaamostra.Assim,6 repre-sentazero0e20representa100%.
Análiseestatística
Avaliados para elegibilidade (n = 72)
Excluídos (n = 12)
¨ Não atenderam aos critérios de inclusão (n = 0) ¨ Desistiram de participar (n = 10)
¨ Outras razões (n = 2)
Analisados (n = 24) ¨Excluídos da análise (n = 0)
Intervenção descontinuada: desistiram após a sessão aguda (n = 7)
Grupo Contração Concêntrica – CC (n = 34)
¨Receberam alocação para intervenção (n = 31)
¨Não receberam alocação para intervenção (desistiram após a familiarização) (n = 3)
Intervenção descontinuada: desistiram após a sessão aguda (n = 2)
Grupo Contração Excêntrica -CE (n = 26)
¨Receberam alocação para intervenção (n = 24) ¨Não receberam alocação para intervenção
(desistiram após a familiarização) (n = 2)
Analisados (n = 22) ¨Excluídos da análise (n = 0) Alocação
Análise Seguimento Randomizados (n = 60) Inclusão
Figura1 Diagramaderepresentac¸ãodofluxodeparticipantes.
uma resposta clínica significativa com desvio padrão de 8kgf nessa populac¸ão. Dessa forma, considerando 5% de significância e 80% de poder de teste, os grupos tiveram 25participantesalocadosemcadaumdeles.
Para a análiseestatísticafoi usadoo software SigmaS-tat5.0.Inicialmenteosgruposforamcomparadossegundo variáveisantropométricaseidade,comvistasàverificac¸ão dahomogeneidadedos participantes dapesquisa. Posteri-ormente, fez-se a comparac¸ão entre os grupos CC e CE. Adistribuic¸ãoquantoànormalidadedosdadosfoianalisada por meiodotestede Shapiro-Wilk. Quandoa distribuic¸ão foinormal,o testeadotadofoiotdeStudentparadados nãopareados.Senãohaviadistribuic¸ãonormal,foiusadoo testedeMann-Whitney.
Para comparac¸ão dos diferentes tempos foi usada a técnica de análise de variância para o modelo de medi-das repetidas em grupos independentes complementada com o teste de comparac¸ões múltiplas de Bonferroni, no caso paramétrico, e Student-Newman-Keuls (SNK), no caso não paramétrico,e foi considerado o nível de signi-ficânciade5%(Zar,2009).
Resultados
Em relac¸ão às variáveis antropométricas e à idade, não houvediferenc¸asestatísticas(p>0,05)esecaracterizaram
como grupos homogêneos (CC: idade 22,17 ± 2,94 anos, estatura1,73 ± 0,05 m, massa corporal70,37 ± 11,20kg e IMC 23,58 ± 3,86kg/m2; CE: idade 21,41
± 2,54 anos, estatura1,76±0,09 m,massacorporal75,27± 9,95kge IMC24,21±2,48kg/m2)(fig.1).
As figuras 2 e 3 apresentam valores de média e des-vio padrão das variáveis forc¸a (isotônica e isométrica) e potência(testesdesalto),respectivamente.Paraambasas variáveisnãohouvediferenc¸asestatisticamente significati-vas(p>0,05).
Para a variável ADM não foram observadas diferenc¸as estatísticassignificativas paraambos osgrupos, conforme descritos nos valores de média e desvio padrão para o CC (inicial: 118,83◦ ± 9,94, 24 horas: 118,00◦ ± 7,81 e 96horas: 119,38◦ ± 7,11) e parao CE (inicial: 118,77◦ ± 7,69,24horas:119,91◦±5,53e96horas:117,55◦±5,74). Nacomparac¸ãoentregruposenosdiferentesmomentosde análiseobteve-seovalordep>0,05.
55 50 45 40 35 30
Inicial 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas Inicial Final
Momento de análise Momento de análise
Dinamometria (kgf)
T
e
ste de 1 RM (kg)
65 60 55 50 45 40 35 30 25
Concêntrico Excêntrico
A
B
Figura2 Valoresdemédiaedesviopadrão;(A)Dinamometria;(B)Testede1RM,comp>0,05.
180 170 160 150 140 130 120
Inicial 24 horas 96 horas Inicial 24 horas 96 horas
Momento de análise Momento de análise
Concêntrico Excêntrico
A
B
50 45 40 35 30 25
Salto horizontal (cm) Salto V
e
rtical (cm)
Figura3 Valoresdemédiaedesviopadrão;(A)Saltohorizontal;(B)SaltoVertical,comp>0,05.
relac¸ãoaomomentoinicial,comp<0,05).Jáparaogrupo CC,houveaumentosignificativoapenasparaamedida40% (72e96horasemrelac¸ãoaomomentoinicial,comp<0,01). Paraavariáveldor,identificou-sequeolimiarfoimenorpara oCCnamedida10%(regiãomaispróximaaojoelho), imedi-atamenteapósafeituradoexercícioeem96horas,quando comparadoaomomentoinicial(p<0,01).
Para as variáveis dor (EVA) e percepc¸ão de esforc¸o (Borg), identificaram-se aumentos significativos imediata-mente após a feitura da sessão, para ambos os grupos. Para CC (EVA inicial: 0 / final: 2; p<0,001 e Borg ini-cial: 0 / final: 28,57; p<0,001) e para o CE (EVAinicial: 0 / final: 1,50; p<0,001 e Borg inicial: 0 / final: 21,42; p<0,001).
46 44 42 40 38 36 34
56 54 52 50 48 46 44 42
Inicial 24 horas48 horas 72 horas 96 horas Inicial 24 horas48 horas 72 horas 96 horas
Inicial 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas Inicial 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas
52 50 48 46 44 42 40 38
62 60 58 56 54 52 50 48 46
Circunferência da coxa
(cm)
Circunferência da coxa
(cm)
Circunferência da coxa
(cm)
Circunferência da coxa
(cm)
Momento de análise Momento de análise
Momento de análise Momento de análise
Concêntrico Excêntrico
A
B
D
C
3 2,8 2,6 2,4 2,2 2 1,8 1.6
2,8 2,6 2,4 2,2 2 1,8 1.6 3 2,8 2,6 2,4 2,2 2 1,8
3 2,8 2,6 2,4 2,2 2 1,8 1,6
Inicial IA 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas
Momento de análise
Inicial IA 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas
Momento de análise
Inicial IA 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas
Momento de análise
Inicial IA 24 horas 48 horas 72 horas 96 horas
Momento de análise
Concêntrico Excêntrico
Algômetro (kgf) Algômetro (kgf)
Algômetro (kgf)
Algômetro (kgf)
A
B
D
C
Figura5 Valoresdemédiaedesviopadrão;(A)Algômetronamedida10%;(B)Algômetronamedida20%;(C)Algômetronamedida 30%;(D)Algômetronamedida40%.IA:imediatamenteapósafeituradoexercício;*Diferenc¸asignificativa(p<0,01)emrelac¸ão aomomentoinicial.
Discussão
Apesar de a literatura apontar diferenc¸as entre os dois tipos decontrac¸ão (concêntricoe excêntrico), observa-se que paraumasessão deexercício máximocom ênfase no ciclo decontrac¸ão nãoforamidentificadasdiferenc¸as nos parâmetrosclínicose funcionais.Porém,quandoambasas contrac¸õessão analisadas antese após sua execuc¸ão iso-ladamente,nota-sequeocomportamentodasvariáveisfoi areduc¸ãodolimiardedorquandoaênfase éconcêntrica e para ambos os tipos de contrac¸ão verificou-se aumento dacircunferênciadacoxa,sensac¸ãodedorepercepc¸ãode esforc¸o.Portanto,ahipótesedequeoexercícioexcêntrico ouconcêntricotrariamaioresprejuízosfuncionaiseclínicos aossujeitosfoirefutada.Noentanto,deve-seenfatizarque asdinâmicasdetrabalhodopresenteestudo,cargamáxima a100%de1RMemdiferentesformasdeexercícioisotônico, levandoemcontaotempodasfases,pareceseguraenãose devemexceder oslimitesparagerardéficitssignificativos emsituac¸ãoprática.
Emrelac¸ãoaoaumentodacircunferênciadacoxa, ape-sardeidentificadoparaambososgrupos,amagnitudedessa alterac¸ão evidenciou-se, predominantemente, para o CE. Devidoàprópriacaracterísticadoprotocolousado,de ape-nas uma sessão, exclui-sea possibilidade deter ocorrido adaptac¸ãoestrutural,ouseja,ganhos,naqualse justifica-riaoincrementodacircunferênciapormeiodahipertrofia dasfibrasmusculares.
Contudo, assim como identificado por Gleeson et al. (2003)e Newtonetal. (2008),acredita-sequeumaúnica sessãodeesforc¸o máximopodeproporcionar umprocesso inflamatórionotecido,elevaramovimentac¸ãodefluidose dovolumedolíquidoextracelularparaostecidoslesionados e,consequentemente,aumentaracircunferênciado mem-bro.Cookeetal.(2009)relatamqueessetipodeestímulo podeocasionarumadesorganizac¸ãodaestruturanormaldo músculo,alterarosarcolemaeoretículosarcoplasmáticoe
resultaremaumentodocálciointracelulareativac¸ão sub-sequentedeviasdedegradac¸ãoquefavorecemaocorrência de danos daultraestrutura muscular. Entretanto, merece cautelaarelac¸ãodiretaentrelesãoeexercícioexcêntrico, umavez que nenhuma queixa clínica na região muscular tenhasidoevidenciada,alémdenãosernotadareduc¸ãodos valoresmédiossignificantesdeforc¸aapósoensaio.
Diferentementedoencontradoparaacircunferênciada coxa,oaumentodador(algômetro)foievidenciado, exclu-sivamente,paraoCC.Essaalterac¸ãofoiobservadaapenas paramedida10%docomprimentodacoxa,quecorresponde àregião próximadojoelho,emquehá ainserc¸ãodo qua-dríceps.ConformeapontadoporBrentano(2011),áreasde junc¸õesmusculotendíneassãoosprincipaispontosdedor, apósfeituradeesforc¸osdessetipo,porseremregiõesmais frágeisdaestruturamusculare,portanto,maissuscetíveisà lesãoapartirdeumestressemecânico.Aindaemrelac¸ãoàs variáveisclínicasdor(EVA)e percepc¸ãodeesforc¸o(Borg), houve aumento significativo para ambos os grupos. Esses resultadostambém foramidentificados noestudo de Parr etal.(2009).
queixavam-sedurantetodooprocessoparaconseguir man-teracontrac¸ãononívelmáximo.Nãofoianalisadoqualquer parâmetroreferenteaocontrolemotor,masaidentificac¸ão clínicadamaiordificuldadenafeituradaac¸ãomotoraem movimentac¸ãoconcêntricalentamereceatenc¸ão.
Deformageral,nãoforamobservadasalterac¸ões funci-onaispositivaspara ADM,forc¸ae potênciamuscular, após a feitura de ambos os protocolos de estresse. Deve-se, entretanto, enfatizar a questão central do estudo. Dife-rentemente de estudos que obtiveram outros resultados e quebuscam essencialmente analisaro efeito do treina-mento(Friedmann-Betteetal.,2010;Gleesonetal.,2003; Turneretal.,2008),essevisaàobservac¸ãodosresultados para verificar a relac¸ão custo-benefício em sessão única. Nesse caso, buscou-se também a manutenc¸ão da func¸ão (aspectopositivo)oudasperdasfuncionais(aspecto nega-tivo).Assim,diferentementedoobservado porParr etal. (2009)e Gleeson etal. (2003),que mostramreduc¸ão das func¸ões,nestapesquisanãoforamobservadasperdas signi-ficativas,devido,sobretudo,adinâmica dotrabalhofeito, quedifereporduasquestõescentrais, acargamáximade 100%de1RMeaformadeexecuc¸ãodoexercício(faselenta concêntricae rápida excêntricaversuslenta excêntricae rápidaconcêntrica),oquenãoresultouemperdas significa-tivas.
Comolimitac¸ãodoestudodestaca-sequenãohouve con-troledosinalclínicodoralémdomúsculoretofemoral.Tal condic¸ãomereceummelhorcontroleemestudosdemesma natureza,porrepresentarumacondic¸ãopossívelnouniverso daprescric¸ão deexercícios, sobretudo osde alta intensi-dade.Outra limitac¸ão aser consideradarelaciona-se com os tempos de mensurac¸ão das variáveis. Sua observac¸ão nosmesmosmomentos poderiafornecer umaleitura mais completadocenário,devidoàpossibilidadedeassociac¸ão plenaentreelas.Nessesentido, nãodeveser desconside-rada em futuras análises. Além disso, deve-se considerar o uso dos valores de pico para a análise da variável forc¸a isométrica, o que difere da literatura presente, na qual a média é usada, o que restringe o potencial de comparac¸ãodevaloresbrutoscomestudosdemesma natu-reza.Porém,fez-setalopc¸ãoporconsideraraessência do testede1RMcomobaseparaanálise,ouseja,amaiorcarga possível.
Por fim, os achados dopresente estudo apontampara duassituac¸õesrelevantesem âmbitoclínico. Aprimeiraé sobreaseguranc¸adafeituradeexercíciosmáximosparaessa populac¸ão (adultos jovens fisicamente ativos). Nesse sen-tido,testesde1RMesobrecargasatéolimiteindividualnão setraduzem emriscos estruturaisimportantes, diferente-mentedoqueseobservaemestudoscomcargassuperiores a100%(Cookeetal.,2009; Friedmann-Betteetal.,2010; Parr etal.,2009), jáque nãosãoreduzidos ospotenciais degerac¸ão deforc¸a semque asrespostasclínicas interfi-ram.Asegundadizrespeitoàcomparac¸ãoentreasformas deexecuc¸ão.Apesardenãodiferirementresi,afase con-cêntricalenta eexcêntricarápida parecereduzir olimiar desensibilidadeem comparac¸ão como momentoanterior aoestresse.Essedadopodesugerirumaagressãoespecífica paraessa modalidade deexercício e representar um pos-sível inconveniente e merece ser observado com atenc¸ão em futuros estudos, incluindo análises de marcadores de lesão.
Conclusão
Nãohouvediferenc¸aentreosgruposparaquaisquer variá-veisseforemconsideradososresultadosbrutos.Entretanto, na análisedecadagrupo notaram-semudanc¸as quantoao aumentodacircunferênciadacoxaemmaispontosem exer-cício excêntrico e maior sensibilidade em um ponto após exercícioconcêntrico.Pode-seinferirapartirdesses acha-dos que estímulos controlados até100% dacarga máxima nãosãoagressivos elimitantesquantoosque aliteratura apontaparaossupramáximosequeosexercíciosmáximos comênfaseemcontrac¸ãoexcêntricasãotãooumaisseguros doqueoscomênfaseemcontrac¸ãoconcêntrica.
Financiamento
O presente trabalho contou com o financiamento da Fundac¸ão de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) (Projeto de Pesquisa --- Regular/n◦ processo: 2010/09687-0) e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciac¸ão Científica (Pibic) do Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientíficoeTecnológico(CNPq)(Iniciac¸ão Científica/n◦processo:14.529).
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Referências
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