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Planejamento da assistência de enfermagem: proposta de um software-protótipo.

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PLANEJAMENTO DA ASSI STÊNCI A DE ENFERMAGEM:

PROPOSTA DE UM SOFTW ARE-PROTÓTI PO

Dircelene Jussara Sperandio1 Yolanda Dora Mart inez Évora2

Sperandio DJ, Évora YDM. Planej am ent o da assist ência de enferm agem : propost a de um soft ware- prot ót ipo. Rev Lat ino- am Enferm agem 2005 novem bro- dezem bro; 13( 6) : 937- 43.

O propósit o dest e est udo foi descrever as et apas de desenvolvim ent o de um soft ware- prot ót ipo que possibilit e aos enfer m eir os, no âm bit o hospit alar , at ender ao planej am ent o da assist ência de enfer m agem , prescrição de enferm agem e a docum ent ação de form a inform at izada. A m et odologia ut ilizada fundam ent ou-se n o con ceit o do ciclo de v ida de pr ot ot ipação. Sedim en t ou - ou-se em du as f aou-ses: a de def in ição e a de desenvolvim ento. A fase de definição iniciou- se com a etapa de planej am ento, seguida pela definição e análise dos requisit os necessários para a const rução e culm inou com a produção da especificação de requisit os do soft ware. A fase de desenvolvim ent o t raduziu o conj unt o de requisit os em um m odelo inform at izado, com 10 m ódulos, referent es ao processo de sist em at ização da assist ência de enferm agem . A avaliação desse recurso inovador para a Sist em at ização da Assist ência de Enferm agem nos diferent es est ágios do seu processo será obj et o de est udo post erior.

DESCRI TORES: planej am ent o de assist ência ao pacient e; enferm agem , soft ware

NURSI NG CARE PLANNI NG: PROPOSAL FOR A SOFTW ARE PROTOTYPE

This st udy aim s t o develop a soft ware prot ot ype t o help hospit al nurses plan nursing care, and carry out nursing int ervent ions and all docum ent at ion in a com put erized way. The m et hodology is based on t he life cy cle of sy st em d ev elop m en t , p ar t icu lar ly t h e p r ot ot y p e con cep t , in v olv in g t w o p h ases: d ef in it ion an d developm ent . The definit ion phase began wit h t he planning st age, followed by t he definit ion and analysis of r equir em ent s for t he const r uct ion, and culm inat ed w it h t he specificat ion of t he soft w ar e r equir em ent s. The developm ent phase translated the group of requirem ents into a com puterized m odel, structured in 10 m odules, regarding the nursing care system process. The perform ance of this innovative resource in the different stages of t he nursing care syst em process will be analyzed in fut ure st udies.

DESCRI PTORS: pat ient care planning; nursing, soft ware

PLANI FI CACI ÓN DEL CUI DADO DE ENFERMERÍ A:

PROPUESTA DE UN SOFTW ARE-PROTOTI PO

El propósit o de est e est udio es desarrollar un soft ware- prot ot ipo para ayudar las enferm eras planear el cuidado de enfer m er ía, hacer int er v enciones y t oda la docum ent ación de una m aner a infor m at izada. La m et odología se basa en el ciclo de vida de desarrollo del sist em a, part icularm ent e el concept o del prot ot ipo, siguiendo dos fases: la definición y el desarrollo. La fase de la definición em pezó con una etapa de planificación, seguido por la definición y el análisis de los requisit os para la const rucción, y culm inó con la especificación de los r equisit os del soft w ar e. La fase de desar r ollo t r aduj o el gr upo de r equisit os en m odelo infor m at izado, est ruct urado en 10 m ódulos, con respect o al proceso de alim ent ar el sist em a del cuidado. El desem peño de est e recurso innovador en las diferent es et apas del proceso de sist em at ización de la at ención de enferm ería será obj et o de un est udio subsiguient e.

DESCRI PTORES: planificación de at ención al pacient e; enferm ería; program as de com put ación

1 Enferm eira, Mestre em Enferm agem , Professor Assistente da Faculdade de Enferm agem de Catanduva - São Paulo; 2 Professor Associado da Escola de

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I NTRODUÇÃO

A

co m u n i ca çã o é i n e r e n t e a o s relacionam entos hum anos e se faz presente em todas as suas at ividades. At ravés dessa, é possível que as p e sso a s p o ssa m co m p a r t i l h a r e x p e r i ê n ci a s, conhecim ent os e at é m esm o seus pensam ent os.

No âm bit o da saúde, as r elações hum anas const it uem a base para a at uação dos profissionais, sendo assim , a com unicação t orna- se essencial para a qualidade no at endim ent o ao pacient e.

Na at uação da equipe de enferm agem , onde as ações pr ofissionais são cent r adas na assist ência ao pacient e, com unicar im plica em em it ir, receber e codificar m ensagens v er bais e não- v er bais, at r av és d e ex p r essõ es, si m b o l o g i as, p al av r as e t am b ém post uras e at it udes.

Par a efet iv ar suas at iv idades de assist ir o p a ci en t e, é n ecessá r i o a o en f er m ei r o f a zer u so in t en so d e u m d os seu s in st r u m en t os b ásicos: a com u n icação.

No seu cotidiano, constantem ente, o fluxo da i n f o r m a çã o se g u e o p e r cu r so d e se r r e ce b i d a , p r o ce ssa d a e i n t e r p r e t a d a . Ap ó s, p r e ci sa se r e st r a t e g i ca m e n t e t r a n sm i t i d a , p a r a q u e se j a im plem en t ada de acor do com as n ecessidades do pacient e e, finalm ent e, é docum ent ada.

Um aspect o im por t ant e a consider ar é que as inform ações sobre um paciente são com partilhadas entre os profissionais da enferm agem que se revezam em turnos de trabalho durante as 24 horas, e tam bém com a equipe m ult iprofissional. Dessa m aneira, sem um sist em a adequado de infor m ações, um a por ção si g n i f i ca t i v a d o s r e cu r so s é g a st a p a r a cr i a r, arm azenar e recuperar as inform ações dos pacientes. O enferm eiro ut iliza 40% do seu t em po com at iv idades de com unicação, ou sej a, com cont at os t elefônicos, deslocando- se ent re as unidades para a obt enção de dados e docum ent ando infor m ações( 1).

Sem dúvida, esse fat o não pode ser negligenciado, ao cont rário, esse profissional necessit a est abelecer precisos canais de com unicação com sua equipe para q u e n ã o o co r r a a d i ssi p a çã o d o co n t e ú d o d a s infor m ações acer ca dos pacient es.

Con st at a- se q u e, q u an d o as in f or m ações e st ã o o r g a n i za d a s e d o cu m e n t a d a s d e f o r m a sist em at izada, a com unicação é oper acionalizada e facilita a resolução dos problem as específicos de cada pacient e, im pulsionando os enfer m eir os a explicit ar seus conhecim ent os t écnico- cient íficos e hum anos e

am pliar a visibilidade do saber da enferm agem frente ao pacient e e à equipe m ult iprofissional.

Conclui- se que, quando o enferm eiro elabora a Si st em at i zação d a Assi st ên ci a d e En f er m ag em ( SAE) , sã o o p o r t u n i za d o s su b síd i o s p a r a o p lan ej am en t o, coor d en ação e av aliação d as su as ações pr ior izando, pr im or dialm ent e, o at endim ent o ao client e. Dessa for m a, pode- se consider ar a SAE co m o u m i n st r u m e n t o d e co m u n i ca çã o d e i n f o r m a çõ e s r e l e v a n t e s e p e r t i n e n t e s so b r e o s cuidados de enferm agem e o pacient e.

CO N S I D ER A ÇÕ ES S O B R E A

SI STEMATI ZAÇÃO DA ASSI STÊN CI A DE

ENFERMAGEM

A e l a b o r a çã o d a Si st e m a t i za çã o d a Assist ência de Enfer m agem é um dos m eios que o enfer m eir o dispõe par a aplicar seus conhecim ent os t écn i co - ci en t íf i co s e h u m a n o s n a a ssi st ên ci a a o p aci en t e e car act er i zar su a p r át i ca p r o f i ssi o n al , colaborando na definição do seu papel. O enferm eiro necessit a est abelecer o conhecim ent o das fases do p r ocesso d e en f er m ag em , sob o con t ex t o d e u m referencial t eórico e assim prom over o cuidado e o rest abelecim ent o do pacient e( 2).

As at iv idades de com pet ência e as funções da enferm agem t êm ficado cada vez m ais definidas pelos órgãos oficiais de legislação da profissão. Hoj e se percebe a ênfase que se tem dado, por parte dos e n f e r m e i r o s, à i m p o r t â n ci a d a d o cu m e n t a çã o e r eg i st r o d o p l a n o d e cu i d a d o s d e sa ú d e d e su a cl i en t el a, i n cl u si v e ex i g i d o p el a Lei d o Ex er cíci o Profissional – Docum ent os Básicos de Enferm agem : COREN- SP( 3).

Nest e est u d o, alicer ça- se n o p r ocesso d e e n f e r m a g e m , se g u n d o Wa n d a Ho r t a( 4 ), e n a s

i n t e r v e n çõ e s d e e n f e r m a g e m d e scr i t a s p o r Carpenito( 5), para elaborar um software que possibilite

a sist em at ização das ações do enferm eiro e t am bém p ar a q u e esse p r om ov a cu id ad os d e q u alid ad e e at enda a individualização das necessidades de cada pacient e.

O processo de enferm agem visa a assistência a o ser h u m a n o , a t r a v és d a d i n â m i ca d a s a çõ es si st e m a t i za d a s e i n t e r - r e l a ci o n a d a s( 4 ). Se n d o

con st it u ído de seis f ases, qu e se car act er izam n a f o r m a d e i n t e r - r e l a ci o n a m e n t o e d i n a m i sm o d o conj unt o.

Rev Latino- am Enferm agem 2005 novem bro- dezem bro; 13( 6) : 937- 43 www.eerp.usp.br/ rlae Planej am ent o da assist ência...

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A prim eira fase do processo de enferm agem é o histórico de enferm agem, que pode ser traduzido com o um rot eiro sist em at izado para o levant am ent o de dados do ser hum ano que são significat ivos para o enfer m eir o e que t or nam possív el a ident ificação d e seu s p r ob lem as. Par a a au t or a, esses d ad os, convenient em ent e analisados e avaliados, levam ao se g u n d o p a sso , o d i a g n ó st i co d e e n f e r m a g e m, significando a ident ificação das necessidades do ser hum ano que precisa de atendim ento e a determ inação p e l o e n f e r m e i r o d o g r a u d e d e p e n d ê n ci a d e sse at endim ent o em nat ureza e em ext ensão.

A próxim a fase será o plano assist encial, no qual ocorre a det erm inação global da assist ência de enferm agem que o ser hum ano deve receber diant e do diagnóst ico est abelecido.

Det erm inado o plano assist encial, t erem os a q u a r t a f a se q u e co n si st e n a p r e scr i çã o d e en f er m ag em, ou sej a, a im p lem en t ação d o p lan o assist encial pelo rot eiro diário que coordena a ação da equipe de enferm agem na execução dos cuidados adequados ao at endim ent o das necessidades básicas e específicas do ser hum ano.

O p l an o d e cu i d ad os é av al i ad o sem p r e, fornecendo os dados necessários para a quint a fase:

ev olução de enfer m agem.

A evolução de enferm agem consiste no relato diário das m udanças sucessivas que ocorrem no ser hum ano, enquanto estiver sob assistência profissional. Pela ev olução é possív el av aliar a r espost a do ser hum ano à assist ência de enferm agem im plem ent ada. Finalm ente, o estudo analítico e avaliação das fases ant eriores com plet am o hexágono com a sext a fase: pr ognóst ico de enfer m agem, r epr esent ando a est im at iva da capacidade do ser hum ano em at ender su a s n e ce ssi d a d e s b á si ca s, a l t e r a d a s a p ó s a im plem entação do plano assistencial e à luz dos dados for necidos pela evolução de enfer m agem .

CONSI DERAÇÕES SOBRE A I NFORMÁTI CA

E A SI STEMATI ZAÇÃO DA ASSI STÊNCI A DE

ENFERMAGEM

Os enferm eiros desem penham vários papéis no trabalho cotidiano. Ora atuando na im plem entação da Sist em at ização da Assist ência de Enfer m agem e n a p r á t i ca a ssi st e n ci a l , e x e r ce n d o a t i v i d a d e s educacionais frent e à sua equipe e ao pacient e, ora no gerenciam ento de unidades hospitalares com visão

est rat égica, conciliando seus conhecim ent os t écnico-ci e n t íf i co s co m h a b i l i d a d e s d e r e l a écnico-ci o n a m e n t o i n t e r p e sso a l e e st a b e l e ce n d o p r i o r i d a d e s e or gan ização.

Nã o o b st a n t e ex i st a essa so b r eca r g a d e f u n çõ es d ep a r a - se co m o n ú m er o d ef i ci t á r i o d e enferm eiros em relação à taxa de ocupação de leitos que é um a realidade em m uitas instituições de saúde, v er d a d e essa q u e co l a b o r a p a r a p o t en ci a l i za r o acúm ulo de at ribuições desse profissional.

Acr esça- se, t am bém , a elabor ação m anual, d o p r o ce sso d e e n f e r m a g e m p a r a ca d a u m d o s pacient es sob sua responsabilidade.

Diante do exposto, evidencia- se a im portância desse pr ofissional buscar soluções par a ot im izar a adm inist ração da inform ação para que t odas as suas t a r e f a s se j a m r e a l i za d a s i n t e g r a l m e n t e e co m qualidade na prest ação de assist ência ao pacient e.

Os a v a n ço s t e cn o l ó g i co s t r o u x e r a m m o d i f i ca çõ e s i m p o r t a n t e s n a s m a i s d i v e r sa s atividades desem penhadas pelo hom em( 6). Face a essa

r e a l i d a d e , o s r e cu r so s co m p u t a ci o n a i s sã o desenvolvidos para increm ent ar a produt ividade e a qu alidade n as at iv idades desen v olv idas por v ár ios pr ofissionais.

Cada v ez m ais, esse posicionam ent o dev e ser assu m i d o p el o s en f er m ei r o s co m o f o r m a d e agregar e analisar as inform ações relevant es para a t om ada de decisão e par a o desem penho eficient e de t odas as suas funções.

À m edida qu e a t ecn ologia da in f or m ação t orna- se m ais difundida no at endim ent o à saúde, o e n f e r m e i r o a u m e n t a r á se u a ce sso e u so d o com put ador e poder á est ender seu dom ínio par a a elaboração da SAE( 7). Um a vez que sej a inform atizada

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CENÁRI O DO ESTUDO E OBJETI VOS

As p e sq u i sa d o r a s a t u a r a m e m u m a in st it u ição h ospit alar de f ilan t r opia n o in t er ior do Est ado de São Paulo, disponibilizando um núm ero de leit os igual a 136 e cont abilizando m édia diár ia de 120,7 pacient es int ernados/ dia.

Essa é um a equipe form ada por um núm ero d e 1 0 en f er m eir os com escala d e t r ab alh o d iár ia elaborada para possibilit ar, at ravés do revezam ent o, a perm anência de um profissional enferm eiro durante as 24 horas.

Os n ú m e r o s a ci m a a p r e se n t a d o s d em on st r am as d if icu ld ad es p ar a os en f er m eir os dessa inst it uição pr est ar em assist ência cent r ada no paciente e otim izarem seu tem po para desenvolverem at iv idades diár ias essenciais com o a elabor ação da Sist em at ização da Assist ência de Enfer m agem que r equer obser v ação, colet a de dados, planej am ent o, pr escr ição, coor denação e av aliação da assist ência de enferm agem a t odos os pacient es int ernados.

A p a r t i r d e ssa t r a j e t ó r i a a p r e se n t a d a , verificou- se a necessidade de se buscar na tecnologia da infor m ação nov as for m as de oper acionalizar as at iv idades acim a descr it as e, assim , incr em ent ar o processo de cuidar, m odificar as at ividades frent e à saúde e inovar.

At endendo a essa reflexão, propõe- se nest e est u d o: d esen v olv er u m sof t w ar e p ar a colet a d e dados e prescrição de enferm agem que proporcione aos enfer m eir os o r egist r o infor m at izado de for m a individualizada, eficient e e rápida.

METODOLOGI A

Bu sco u - se e l a b o r a r a p r o d u çã o d e u m aplicat iv o que possibilit asse ao enfer m eir o planej ar a assistência de enferm agem de form a inform atizada, o u sej a , o p r o cesso n ã o ser i a a l t er a d o , a p en a s t r a n sf o r m a d o e m u m a r o t i n a q u e a g i l i za r i a a s a t i v i d a d e s d e co l e t a , r e g i st r o , a r m a ze n a m e n t o , m an ipu lação e r ecu per ação de dados in for m at iv os de cada u m dos pacien t es sob a r espon sabilidade desse pr ofissional.

Par a at ender esse obj et iv o, a m et odologia u t i l i za d a f u n d a m e n t o u - se n o ci cl o d e v i d a d e d e se n v o l v i m e n t o d e si st e m a , b a se a n d o - se n o conceit o de prot ot ipação( 8).

Decidiu - se qu e o con ceit o de pr ot ot ipação represent aria a m elhor abordagem para a const rução do soft ware, um a vez que propicia ao desenvolvedor cr iar um m odelo de soft w ar e que, post er ior m ent e, ser á av aliado pelo client e e, ent ão, im plem ent ado. Essa a b o r d a g e m t e m se u i n íci o n a co l e t a e r e f i n a m e n t o d o s r e q u i si t o s e a v a n ça p a r a a con st r u ção, av aliação p elo clien t e e r ef in am en t o q u a n d o o co r r e u m a r e m o d e l a çã o d o p r o j e t o , sat isfazendo m elhor as necessidades do client e e, finalm ent e, a engenharia do produt o.

Acr esça - se t a m b ém a f o r m a p ecu l i a r d e pr odução. I nicialm ent e, par t icipar ia do pr ocesso de elabor ação um único enfer m eir o com for m ação em an álises de sist em as, possibilit an do- o at u ar com o cliente e desenvolvedor durante os eventos de análise de requisit os e avaliação.

É i m p o r t a n t e e n f a t i za r q u e e sse ú l t i m o segm ent o é um a at ividade com plexa e, para t ant o, n o v o s e n f e r m e i r o s so m a r - se - i a m a o p r o ce sso , desem penhando o papel de client es e cont r ibuindo na avaliação do produt o.

Considerou- se esse fat o significat ivo para se investir na construção do protótipo. Esse possibilitaria a o s e n f e r m e i r o s e x a m i n a r u m a r e p r e se n t a çã o i m p l e m e n t a d a d o s r e q u i si t o s d o si st e m a , com preendendo o seu funcionam ento global. Tam bém ser ia opor t unizada a int er ação at iv a dos t est es de aplicação, obtendo um a visão am pla e real das funções d o q u e p o d e r i a m t e r co m u m m o d e l o e x p r e sso m anualm ent e em papel.

Um a v e z d e ci d i d o o ci cl o d e v i d a d e protot ipação, prosseguiu- se o processo de elaboração at ravés das fases de: definição e desenvolvim ent o.

A FASE DE DEFI NI ÇÃO

As atividades concernentes à fase de definição ocorreram em t rês et apas específicas, denom inadas: planej am ent o, análise e definição dos r equisit os e r ev isão.

D u r a n t e a e t a p a d e p l a n e j a m e n t o f o i est abelecida u m a v isão h olíst ica do sof t w ar e, por m eio da identificação das funções prim árias que esse deveria realizar, e, assim , concluiu- se a necessidade d e u m a e q u i p e m u l t i d i sci p l i n a r e m p r e e n d e n d o esforços para a elaboração do sist em a.

Sob tal enfoque, envolveu- se no processo um enfer m eir o com for m ação em análise de sist em as, um analist a de sist em a e um program ador.

Rev Latino- am Enferm agem 2005 novem bro- dezem bro; 13( 6) : 937- 43 www.eerp.usp.br/ rlae Planej am ent o da assist ência...

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Selecionou- se com o r ecur so de soft w ar e a ferram enta de desenvolvim ento Delphi 5.0, por reunir ca r a ct e r íst i ca s q u e r e a l m e n t e p r o m o v a m a reusabilidade, ou sej a, a criação e reúso dos blocos de construção. Esse ponto torna- se fundam ental para a elabor ação do pr ot ót ipo, pois post er ior m ent e ao p r o ce sso d e a v a l i a çã o , o a n a l i st a t e n t a r á u sa r f r ag m en t os d esse m od elo, j á ex ist en t e, a f im d e possibilit ar que o sist em a final sej a ger ado em um m enor pr azo.

Após o t ér m ino da et apa de planej am ent o, deu - se in ício à an álise e def in ição dos r equ isit os, obj et iv ando a efet iv ação dessa at iv idade. Realizou-se, então, um estudo da Sistem atização da Assistência de Enferm agem que era realizada de form a m anual e, a partir dessa, definiu- se as características a serem incorporadas para se produzir o processo de m aneira infor m at izada e aper feiçoada.

O r esu lt ad o d essa et ap a cu lm in ou com a p r od u ção d a esp ecif icação d e r eq u isit os, on d e as n e ce ssi d a d e s d o cl i e n t e e st ã o cl a r a m e n t e ident ificadas.

A FASE DE DESENVOLVI MENTO

Est a fase t raduziu a colet ânea de requisit os especificados pelo cliente e desenvolvedor do software

para a Sistem atização da Assistência de Enferm agem . Colabor ar am par a a elabor ação dessa fase o analist a de sist em as e o program ador.

O so f t w a r e p a r a a Si st e m a t i za çã o d a Assist ên cia de En f er m agem apr esen t a a est r u t u r a represent ada a seguir.

A t e l a i n i ci a l d o so f t w a r e p r o p i ci a r á a o enferm eiro um m enu com as opções: Dados, Paciente e Sair do Sist em a.

A opção Dados dev e ef et u ar os segu in t es cadastram entos prévios: procedência, clínica, destino, obj etos pessoais, m edicações de uso diário e alergias, de acordo com as necessidades de cada usuár io. A opção Pacient e, que const a no m enu da t ela inicial, deverá acessar a Ficha Geral do Pacient e.

O m ódulo Ficha Geral do Paciente ( Figura 1) p e r m i t e ca d a st r a r o s d a d o s d e i d e n t i f i ca çã o d o paciente e deve oferecer um subm enu para a entrada n o s m ó d u l o s: D a d o s Cl ín i co s, I n t e r n a çõ e s, I nform ações Adicionais, Ent revist a, Colet a de Dados, Li st a d e Pr o b l e m a s, Si n a i s Vi t a i s e Ba l a n ço Hidr oelet r olít ico.

Par a m inim izar as at iv idades de digit ação, o s cam p o s en v o l v en d o d at a d i sp o n i b i l i zar ão u m calendário para ser adicionado os dados de ent rada com t oque no disposit ivo de ent rada (m ouse) .

Ap ó s a i n se r çã o d e t o d o s o s ca m p o s é obrigat ório Salvar os dados cadast rados.

Figura 1 – Módulo Ficha Geral do Pacient e

O m ódu lo En t r ev ist a en globa in f or m ações sobre as necessidades hum anas básicas. Esse m ódulo está organizado na form a de questionário estruturado o n d e o s d a d o s sã o i n se r i d o s co m u m t o q u e n o disposit ivo de ent rada (m ouse) . É t am bém oferecido u m ca m p o p a r a e n t r a d a d e t e x t o l i v r e , p a r a ar m azenar dados adicionais, caso o usuár io j ulgue n ecessár io.

O m ódulo Colet a de Dados ( Figura 2) viabiliza que as infor m ações sobr e os sinais e sint om as dos sist em as do corpo hum ano possam ser inseridas em um a base de dados, dispostas em ordem alfabética e ag r u p ad as d e aco r d o co m o s si st em as d o co r p o hum ano e na form a de m últ ipla escolha. A base de d a d o s p e r m i t e a e n t r a d a d e t e x t o l i v r e p a r a a com p lem en t ar id ad e d e in f or m ações, se o u su ár io j ulgar pertinente. Esse m ódulo apresenta a escala de com a de Glasgow, com a disponibilidade da ent rada de dados na form a de m últipla escolha. O cálculo para a e sca l a d e co m a d e Gl a sg o w é e f e t u a d o el et r o n i cam en t e em co n f o r m i d ad e co m o cam p o escolhido pelo usuár io. O m ódulo Colet a de Dados configura interface com o m ódulo Lista de Problem as, gerenciando para que os dados da base de sinais e si n t o m a s se l e ci o n a d o s p e l o u su á r i o se j a m aut om at icam ent e apr esent ados no m ódulo List a de Pr oblem as.

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O m ó d u l o Li st a d e Pr o b l em as ( Fi g u r a 3 ) ap r esen t a u m esq u em a r ep r esen t at i v o d o co r p o h u m a n o , d i v i d i d o e m se i s p a r t i çõ e s, co m u m disposit ivo para o usuário acionar cada um a dessas partições e visualizar os respectivos dados. O m ódulo

List a de Problem as t am bém configura int erface com o m ó d u l o Pr escr i ção d e En f er m ag em. O u su ár i o selecionará um dado visualizado no m ódulo List a de Problem as e com um duplo t oque no disposit ivo de ent r ada (m ouse) sobr e esse, ser á disponibilizado o m ódulo Pr escr ição de Enfer m agem.

Figura 3 – Módulo List a de Problem as

O m ódulo Prescrição de Enferm agem ( Figura 4) per m it e que o usuár io v isualize o sinal/ sint om a escolhido para efet uar a prescrição de enferm agem e t am b ém p o d er á d eci d i r se u t i l i zar á a b ase d e prescrições j á disponível no banco de dados, ou se r e a l i za r á a l t e r a çõ e s, o u d i g i t a r á su a p r ó p r i a pr escr ição. O usuár io poder á v isualizar e im pr im ir t odas as pr escr ições elabor adas com um t oque no disposit iv o de en t r ada (m ouse) em cim a do ícon e “ I m pr im ir Soluções”, localizado no m ódulo List a de Problem as. O usuário t am bém t erá disponibilizada a opção de copiar a prescrição de um a data para outra, por m eio do ícone “Replicar Soluções” que se localiza no m ódulo List a de Problem as.

Figura 4 – Módulo Prescrição de Enferm agem

O Módulo Sinais Vit ais ( Figura 5) perm it e a ent r ada de dados par a v alor es de pr essão ar t er ial, p u lso, r esp ir ação, t em p er at u r a e p r essão v en osa cent ral e será possível gerar o Gráfico Sinais Vit ais do Pacient e.

Figura 5 – Gráfico Sinais Vit ais

O Módulo Balanço Hidr oelet r olít ico per m it e calcular eletronicam ente os dados relativos ao m esm o e apr esent ar o Relat ór io de I m pr essão do Balanço Hidr oelet r olít ico.

CONSI DERAÇÕES FI NAI S

Est e est u d o b u sco u , f u n d a m en t a l m en t e, facilitar as atividades desenvolvidas pelos enferm eiros d a i n st i t u i çã o h o sp i t a l a r e m e st u d o , q u e desem penham v ár ios papéis no t r abalho cot idiano. Or a a t u a m n a p r á t i ca a ssi st e n ci a l , e x e r ce n d o at iv id ad es ed u cacion ais f r en t e à su a eq u ip e e ao p a ci e n t e , o r a n o g e r e n ci a m e n t o d e u n i d a d e s hospit alares com visão est rat égica, conciliando seus conhecim ent os t écnico- cient íficos com habilidades de relacionam ent o int erpessoal e de organização.

Ob se r v a n d o e ssa r e a l i d a d e d e t r a b a l h o p r e se n t e , d e se n v o l v e u - se u m so f t w a r e q u e possibilit asse a essa equipe de enferm agem planej ar a assistência de enferm agem de form a inform atizada, a g i l i za n d o a s a t i v i d a d e s d e co l e t a , r e g i st r o , arm azenam ento, m anipulação e recuperação de dados i n f o r m a t i v o s d e ca d a u m d o s p a ci e n t e s so b a r e sp o n sa b i l i d a d e d e sse s p r o f i ssi o n a i s. Um a d a s p r i o r i d a d e s f o i q u e e sse si st e m a r e d u zi sse , co n si d e r a v e l m e n t e , o t e m p o d e sp e n d i d o co m a docum entação de dados, facilitando a entrada desses com um t oque no disposit ivo m ouse e dim inuindo as inserções digitadas m anualm ente por m eio do teclado. O ciclo de vida prototipação foi utilizado neste est udo, am bicionando a perspect iva de elaborar um

software de form a evolucionária, na qual as exigências d o cl i e n t e e d o d e se n v o l v e d o r p u d e sse m se r efet ivam ent e com plet adas, à m edida que o sist em a fosse im plant ado e avaliado pelos usuários.

Rev Latino- am Enferm agem 2005 novem bro- dezem bro; 13( 6) : 937- 43 www.eerp.usp.br/ rlae Planej am ent o da assist ência...

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A av aliação é a qu est ão n or t eador a dest a abor dagem e, dev ido à com plex idade dessa et apa, ser á abor dada de for m a ex aust iv a em um pr óx im o est udo, que evidenciará a fase de im plant ação desse soft w ar e em um a unidade de int er nação hospit alar. Por m eio da utilização de um a m etodologia apropriada, o s e n f e r m e i r o s n ã o i n t e g r a n t e s d e sse p r o ce sso p o d e r ã o u t i l i za r e sse m o d e l o i n f o r m a t i za d o e part icipar de um a avaliação form alm ent e idealizada. Dessa form a, esses avaliadores poderão exam inar e revisar it erat ivam ent e o soft ware, at é que t odas as m odificações sej am det er m inadas e for m alizadas e o prot ót ipo evolua para um sist em a de produção.

Ent ende- se que há um a et apa que pr ecisa ser r epen sada n a aplicação da Sist em at ização da Assist ência de Enfer m agem nesse pr odut o. Refer e-se à f u n d a m e n t a çã o t e ó r i ca d o Pr o ce sso d e En f e r m a g e m , se g u n d o Wa n d a H o r t a , q u a n d o o en f er m eir o d elim it a seu ex er cício p r of ission al n a assistência, à luz de um m odelo conceitual, posiciona-se com o u m a p essoa esposiciona-sen cial p ar a p r om ov er o cuidado e o rest abelecim ent o do pacient e( 2).

Em b o r a se co n h e ça a n e ce ssi d a d e d e aper feiçoam ent o do at ual sist em a, consider a- se ser e sse u m a v a n ço n a p r á t i ca a ssi st e n ci a l d o s en f er m eir os, n a m ed id a em q u e p r op õe in ov ação t ecnológica par a a docum ent ação dos r egist r os de enferm agem e um salt o para o fut uro.

REFERÊNCI AS BI BLI OGRÁFI CAS

1. Marin HF, Granit off N. I nform át ica em Enferm agem : um a ex per iência. Act a Paul Enfer m agem 1998; 11( nº . esp) : 42-5 .

2. Dalri MCB, Carvalho EC. Planej am ent o da assist ência de enferm agem a pacient e port adores de queim adura ut ilizando um soft ware: aplicação em quat ro pacient es. Rev Lat ino- am Enfer m agem 2002 nov em br o- dezem br o; 10( 6) : 787- 93. 3 . Con selh o Fed er al d e En f er m ag em ( BR) . Docu m en t os Básicos de Enfer m agem . Br asília ( DF) : COFEN; 1997. 4. Horta VA. Processo de enferm agem . São Paulo ( SP) : EPU; 1 9 7 9 .

5 . Car penit o LJ. Diagnóst ico de enfer m agem : aplicação à prát ica clínica. 6.ed, Port o Alegre ( RS) : Art es Médicas; 1997. 6 . D r u ck e r P. Al é m d a r e v o l u çã o d a i n f o r m a çã o . Re v Man agem en t 2 0 0 0 ; 1 8 : 4 8 - 5 5 .

7. Lunardi WD Filho, Lunardi GL, Paulit sch FS. A prescrição de enferm agem equipe de enferm agem : relato de experiência. Rev Lat ino- am Enferm agem 1997 m aio- j unlho; 5( 3) : 63- 9. 8. Pressm an RS. Engenharia de soft w are. 3.ed., São Paulo ( SP) : Makron Books; 1995.

Referências

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