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Polaritons de exciton em super-redes semicondutoras

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Academic year: 2017

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIˆENCIAS EXATAS E DA TERRA

DEPARTAMENTO DE F´ISICA TE ´ORICA E EXPERIMENTAL PROGRAMA DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM F´ISICA

POLARITONS DE EXCITON EM SUPER-REDES

SEMICONDUTORAS

F ´ABIO FERREIRA DE MEDEIROS

Orientador: Prof. Dr. EUDENILSON LINS DE ALBUQUERQUE

(2)

Para Pessoas Especiais:

(3)

Agradecimentos

Ao Professor Eudenilson Lins de Albuquerque pela orienta¸c˜ao segura e competente.

Ao Professor Manoel S. Vasconcelos pela ajuda nos c´alculos num´ericos computacionais.

Ao Professor Claudionor Bezerra por sua ajuda em certos momentos.

Agrade¸co tamb´em aos Professores, Liacir dos Santos Lucena, Paulo Fulco, Carlos Chesman, Janilo Santos, Francisco Alexandre, Jos´e Wilson, Rui Tertuliano, Bonelli por suas contribui¸c˜oes `a minha carreira cient´ıfica.

Aos companheiros do Departamento de F´ısica da UFRN em especial, Darlan Moreira, ˆ

Enia Paula, Samyr J´acome, Sharon Dantas, Thiago Ribeiro, Andreia Damasceno, Antonio Soares, Armando Ara´ujo, Bruna Wanderley, Bruno Canto, Carlos Barboza, Carlos Heitor, Charlie Salvador, Edcarlos Leite, Francisco Carlos, Francisco Edson, Gustavo Gurgel, Hi-dalyn, Izan Le˜ao, Jean Ricardo, Jo˜ao Maria, Jo˜ao Vital, J´ulio C´esar, Lucio Marassi, Paulo Cavalcanti, Paulo Sesion, Pedro Carlos, Rose Cl´ıvia, Wivaldo Dantas, Cla´udia Pa-tr´ıcia, Daniel C´esar, Dayana, Edney Rafael, Eduardo, Gisele, M´arcio Medeiros, Marcos Vin´ıcius, Neymar Pereira, Samura´ı, Thatyara Freire, Tiago Pinheiro, Alex Lima, Fran-ciane Azevedo, Francisco Eduardo, Kl´ebson Lucenildo, Maria Aldinez, M´arcio Val´erio, Camilla Fossa, Josenildo, Klaydson, Rodrigo Lira, Sandro Giovani, Thiago Nobre, e out-ros, por suas amizades.

(4)

Ao Programa de Educa¸c˜ao Tutorial (PET) pelos valiosos ensinamentos e apoio fina-ceiro na gradua¸c˜ao.

(5)

Resumo

Neste trabalho estudamos o espectro (modos de volume e de superf´ıcie) dos polaritons de exciton em uma super-rede bin´aria infinita e semi-infinita (tal como,· · ·ABABA· · ·), onde um meio semicondutor (A), cuja fun¸c˜ao diel´etrica depende da freq¨uˆencia e do vetor de onda, alterna-se com um diel´etrico comum (B). Aqui, o meioA ser´a modelado por um semicondutor da fam´ılia dos nitretos (semicondutor III-V) que tem como caracter´ıstica principal um gap de energia (Eg) direto e largo. Em particular, consideramos os valores num´ericos para o nitreto de g´alio (GaN) com uma estrutura cristalina tipowurtzite.

A t´ecnica da matriz de transferˆencia ´e utilizada para encontrarmos a rela¸c˜ao de dis-pers˜ao do polariton de exciton. Os resultados s˜ao obtidos para os modos de polariza¸c˜aos (ou modo TE: transversal el´etrico) ep(ou modo TM: transversal magn´etico), usando trˆes diferentes condi¸c˜oes de contorno adicionais (ABC1, 2 e 3), mais as condi¸c˜oes de contorno padr˜oes de Maxwell. Al´em disso, investigamos o comportamento dos modos do polariton de exciton para diferentes raz˜oes entre as espessuras das camadas dos dois materiais que comp˜oem a super-rede.

(6)

Abstract

In this work we study the spectrum (bulk and surface modes) of exciton-polaritons in infinite and semi-infinite binary superlattices (such as, · · ·ABABA· · ·), where the semiconductor medium (A), whose dielectric function depends on the frequency and the wavevector, alternating with a standard dielectric medium B. Here the medium A will be modeled by a nitride III-V semiconductor whose main characteristic is a wide-direct energy gap Eg. In particular, we consider the numerical values of gallium nitride (GaN) with a crystal structure wurtzite type.

The transfer-matrix formalism is used to find the exciton-polariton dispersion relation. The results are obtained for both s (TE mode: transverse electric) and p (TM mode: transverse magnetic) polarizations, using three diferent kind of additional boundary con-ditions (ABC1, 2 e 3) besides the standard Maxwell´s boundary concon-ditions. Moreover, we investigate the behavior of the exciton-polariton modes for diferent ratios of the thickness of the two alternating materials forming the superlattice.

(7)

´

Indice

Agradecimentos i

Resumo iii

Abstract iv

1

Introdu¸

ao

1

2

Excitons

5

2.1

Introdu¸c˜ao

. . . 5

2.2

Exciton: Uma Excita¸c˜ao Elementar

. . . 8

2.3

O Exciton de Frenkel

. . . 12

2.4

O Exciton de Wannier-Mott

. . . 14

3

Polaritons de Exciton

17

3.1

Introdu¸c˜ao

. . . 17

3.2

O Polariton de Exciton: Acoplamento F´oton-Exciton

. . . 19

3.3

Os Modos de Volume

. . . 23

3.4

As Condi¸c˜oes de Contorno Adicionais

. . . 29

3.5

Os Modos de Superf´ıcie

. . . 32

(8)

4.2.1 Super-redes Infinitas . . . 36

4.2.2 Super-Redes Semi-Infinitas . . . 41

4.2.3 Resultados . . . 44

4.3

Caso da Polariza¸c˜ao

p

. . . 50

4.3.1 Super-Redes Infinitas . . . 50

4.3.2 Super-Redes Semi-Infinitas . . . 55

4.3.3 Resultados . . . 58

5

Conclus˜

oes

71

A

Matriz de Transferˆ

encia

75

A.1

Polariza¸c˜ao

s

. . . 75

A.2

Polariza¸c˜ao

p

. . . 78

(9)

Lista de Figuras

2.1 Os n´ıveis de energia do exciton para transi¸c˜oes diretas, mostrando que a ex-tremidade da banda de condu¸c˜ao e a exex-tremidade da banda de valˆencia est˜ao no centro da zona de Brillouin, emk= 0. . . 9 2.2 A representa¸c˜ao esquem´atica dos n´ıveis de energia do exciton no Cu2O. Estes

resultados foram obtidos pela rela¸c˜ao emp´ıricaEn(eV) = 2,172−(0,045/n2) a partir do ajuste dos pontos experimentais que Apfel e Hadley [66] encontraram para o Cu2O para a temperatura do h´elio l´ıquido. As transi¸c˜oes ´opticas s˜ao

indicadas pelas setas. . . 10 2.3 A representa¸c˜ao esquem´atica de um exciton de Frenkel mostrando o par

el´etron-buraco fortemente ligado, com a excita¸c˜ao localizada sobre um ´unico ´atomo de um cristal iˆonico. . . 13 2.4 A representa¸c˜ao esquem´atica do exciton de Wannier-Mott, um par

el´etron-buraco fracamente ligado e separado por v´arias distˆancias interatˆomicas a. . . . 15 3.1 O vetor de onda k forma com o eixo ´optico ao longo da dire¸c˜ao z um ˆangulo

θ, mostrando as componentes transversal e longitudinal do campo el´etrico em rela¸c˜ao ak. . . 25 3.2 A curva de dispers˜ao do polariton de exciton para Γ = 0, mostrando os trˆes

modos de volume do cristal. As linhas cheias s˜ao os dois ramos transversais e a linha tracejada o ramo longitudinal. . . 27 3.3 A curva dispers˜ao do polariton de fˆonon para Γ = 0, mostrando a “banda

(10)

3.5 O caso da polariza¸c˜ao p. Al´em dos dois modos transversais, um modo

longitu-dinal ´e excitado. . . 31

4.1 A geometria da super-rede infinita, caracterizada pela alternˆancia entre o meio A (GaN) e o meio B (safira), com espessurasa e b, respectivamente. A c´elula unit´aria tem espessuraL=a+b. . . 35

4.2 O caso da polariza¸c˜aosou modo TE. O campo magn´etico H est´a no planoxz, enquanto o campo el´etricoE aponta na dire¸c˜ao y. . . 37

4.3 Os espectros do polariton de exciton na polariza¸c˜ao s. Aqui, a = (1/2)b, com a = 50nm, considerando a ABC1 e sem amortecimento (Γ = 0). Em (a), os dois modos transversais de volume s˜ao indicados pelas linhas pontilhadas. As linhas da luz s˜ao indicadas pelas linhas tracejadas. As linhas cheias s˜ao os modos de volume e de superf´ıcie obtidos para super-rede GaN/safira. Em (b), mostramos os modos na regi˜ao pr´oxima da ressonˆanciaω/ω0 ≃1, onde os modos de superf´ıcie s˜ao descritos pelas linhas mais finas. . . 47

4.4 O mesmo que na Fig 4.3, mas considerandoa=b. . . 48

4.5 O mesmo que na Fig 4.3, mas considerandoa= 2b. . . 49

4.6 O caso da polariza¸c˜ao p ou modo TM. O campo el´etrico E est´a no plano xz, enquanto o campo magn´eticoH aponta na dire¸c˜ao y. . . 51

4.7 Os espectros do polariton de exciton na polariza¸c˜ao p. Aqui, a= (1/2)b, com a= 50nm, considerando a ABC1 e sem amortecimento (Γ = 0). Em (a), os dois modos transversais e um modo longitudinal (modos de volume) s˜ao indicados pelas linhas pontilhadas. As linhas da luz s˜ao indicadas pelas linhas tracejadas. As linhas cheias s˜ao os modos de volume e de superf´ıcie obtidos para super-rede GaN/safira. Em (b), mostramos os modos na regi˜ao pr´oxima da ressonˆancia ω/ω0≃1, onde os modos de superf´ıcie s˜ao descritos pelas linhas mais finas.. . . 62

4.8 O mesmo que na Fig. 4.7, mas paraa=b. . . 63

4.9 O mesmo que na Fig. 4.7, mas paraa= 2b. . . 64

4.10 O mesmo que na Fig. 4.7, mas considerando a ABC2. . . 65

4.11 O mesmo que na Fig. 4.8, mas considerando a ABC2. . . 66

(11)
(12)

CAP´

ITULO 1

Introdu¸

ao

Embora as super-redes tenham sido estudadas extensivamente desde os anos 70, elas permanecem ainda como uma ´area de pesquisa ativa nos dias atuais. Em parte, o interesse por estes materiais ´e devido a sua estrutura muito peculiar. Na dire¸c˜ao de crescimento da super-rede, que podemos escolher como o eixoz, temos a alternˆancia entre dois meios distintos, que podemos representar pelas letras A e B, com espessuras a e b, respectiva-mente. As camadas do material A s˜ao depositadas atomicamente sobre as camadas do material B. A menor unidade da super-rede ´e sua c´elula unit´aria (AB), que ´e o bloco de constru¸c˜ao que se repete, dando origem a um sistema peri´odico.

Em particular, as super-redes semicondutoras (por exemplo, InAs/GaSb, GaAs/AlAs, Ge/GaAs, GaAs/AlGaAs, etc.) tˆem despertado grande interesse cient´ıfico e tecnol´ogico, j´a que os materiais semicondutores s˜ao bastante utilizados no desenvolvimento de dis-positivos eletrˆonicos. Al´em disso, os avan¸cos da t´ecnica de epitaxial de crescimento de cristais permitem a investiga¸c˜ao experimental destas heteroestruturas semicondutoras pela produ¸c˜ao de esp´ecimes de alta qualidade. Como referˆencia, podemos encontrar v´arios trabalhos sobre o estudo das excita¸c˜oes coletivas em super-redes semicondutoras e suas propriedades eletrˆonicas em diversos tipos de materiais [1]-[20].

(13)

desenvolvidos para qualquer super-rede com as caracter´ısticas anteriores, ou seja, a com-posi¸c˜ao da super-rede ´e conhecida apenas quando substitu´ımos os valores dos parˆametos f´ısicos. Contudo, para o meio A, escolhemos o nitreto de g´alio (GaN), que faz parte dos nitretos semicondutores tipo III. Para o meio B, a safira (Al2O3).

Os nitretos semicondutores tipo III tˆem uma grande importˆancia devido ao seu poten-cial tecnol´ogico. Na literatura, muitos trabalhos foram publicados sobre o crescimento, a caracteriza¸c˜ao e as propriedades dos nitretos tipo III [21]-[28]. Eles s˜ao utilizados, por ex-emplo, na confec¸c˜ao de emissores de luz para mostradores coloridos, em impressoraslaser, em motores de autom´oveis e ve´ıculos el´etricos, onde s˜ao exigidos dispositivos resistentes `as altas temperaturas e transistores de alta potˆencia.

O sil´ıcio (Si) e os semicondutores tipo III-V convencionais n˜ao s˜ao empregados no desenvolvimento de dispositivos ´optico-eletrˆonicos na regi˜ao do espectro do azul e do violeta. Os nitretos tipo III s˜ao particularmente ´uteis para aplica¸c˜oes nesta ´area. Os gaps de energia deles s˜ao grandes e diretos, variando de 1,9 eV (InN), 3,4 eV (GaN) e 6,4 eV (AlN) [29]. Eles podem ser empregados n˜ao somente em altas temperaturas, mas tamb´em em ambientes hostis [30, 31].

Tentativas de sintetizar GaN foram feitas por Juza e Hahn [32] em 1938. Grimmeiss e colaboradores [33] obtiveram pequenos cristais de GaN em 1959. Maruska e Tietjen [34] depositaram camadas de GaN sobre safira em 1969, utilizando o m´etodo de deposi¸c˜ao por vapor qu´ımico.

(14)

No processo de crescimento dos nitretos tipo III, como o GaN, comumente ´e utilizado a safira [39, 40]. Cristais laminares de safira de boa qualidade s˜ao disponibilizados a baixo custo. Eles s˜ao transparentes, est´aveis `a alta temperatura e a tecnologia de crescimento dos nitretos III sobre safira ´e completamente conhecida [29].

Os coment´arios anteriores fornecem o embasamento e a motiva¸c˜ao para o nosso traba-lho, que desenvolveremos ao longo dos pr´oximos cap´ıtulos. No Cap´ıtulo 2, apresentamos a teoria dos excitons, um modo misto constitu´ıdo por um el´etron e um buraco, unidos devido `a atra¸c˜ao coulombiana existente entre as duas part´ıculas. Os n´ıveis de energia de excitons s˜ao observados abaixo do extremo inferior da banda de condu¸c˜ao, na regi˜ao do gap de energia. Eles foram estudados em dois casos extremos: os excitons de Frenkel e aqueles de Wannier-Mott.

No Cap´ıtulo 3, estudamos o acoplamento f´oton-exciton, denominado polariton de ex-citon. Para determinadas faixas do espectro das ondas eletromagn´eticas, pr´oxima de uma freq¨uˆencia de ressonˆancia do meio excitˆonico, a intera¸c˜ao da luz com os excitons ´e mais forte, passando a existir um outro modo misto mais complexo. Primeiro, investigamos as propriedades do polariton de exciton em um cristal infinito, que exibe o efeito de dis-pers˜ao espacial. Como resultado, obtemos a curva de disdis-pers˜ao relacionada com os modos de volume do cristal, que comparamos com a curva de dispers˜ao do polariton de fˆonon. Em seguida, discutimos a necessidade de uma condi¸c˜ao de contorno adicional (ABCs) na determina¸c˜ao dos coeficientes de transmiss˜ao e reflex˜ao da onda eletromagn´etica incidente sobre um meio espacialmente dispersivo.

(15)
(16)

CAP´

ITULO 2

Excitons

2.1

Introdu¸

ao

Um exciton ´e um estado ligado de um el´etron e um buraco devido `a intera¸c˜ao coulom-biana entre ambos. Ele pode mover-se atrav´es do cristal transportando energia de exci-ta¸c˜ao, mas ´e eletricamente neutro. Como conseq¨uˆencia, o exciton n˜ao contribui direta-mente para a condutividade el´etrica.

´

E conhecido que a teoria de bandas de energia fornece uma boa descri¸c˜ao dos estados eletrˆonicos no cristal (semicondutor), sendo o estado fundamental `aquele em que a banda de valˆencia est´a totalmente preenchida e a banda de condu¸c˜ao completamente vazia. A cria¸c˜ao de um exciton ocorre quando um f´oton ´e absorvido e excita um el´etron da banda de valˆencia para a banda de condu¸c˜ao atrav´es da barreira do gap de energia - um processo que pode ser considerado como a cria¸c˜ao de um par el´etron-buraco. A excita¸c˜ao do el´etron no cristal deixa na banda de valˆencia um buraco de carga el´etrica oposta. A atra¸c˜ao entre o el´etron e o buraco estabelece um v´ınculo entre ambos, fazendo com que seus movimentos sejam correlacionados. Por causa da atra¸c˜ao coulombiana entre o par, um estado tipo hidrogˆenio (ou tipo positrˆonio) ´e formado. Contudo, a energia de liga¸c˜ao ´e muito menor e a distˆancia el´etron-buraco muito maior do que de um ´atomo de hidrogˆenio devido aos efeitos da blindagem e das massas efetivas dos constituintes no material.

(17)

abor-daram quest˜oes fundamentais, como o mecanismo de absor¸c˜ao da luz vis´ıvel e ultravioleta em s´olidos puros e isolantes. Estas quest˜oes foram respondidas de forma satisfat´oria no caso de ´atomos e mol´eculas simples. Mas, no caso de s´olidos, as an´alises experimentais dificultam qualquer teoria quantitativa simples, como ´e observado nas Refs. [45, 46].

O caso do s´olido puro pode ser ilustrado por analogia com a teoria dos fˆonons. Como se sabe, a caracteriza¸c˜ao dos modos vibracionais de um cristal em termos das amplitudes dos deslocamentos atˆomicos individuais n˜ao ´e apropriada. A simetria translacional da rede exige que os modos normais de vibra¸c˜ao sejam combina¸c˜oes lineares desses deslocamentos, sendo cada modo caracterizado por um vetor de onda da rede rec´ıproca. Similarmente, n˜ao se pode esperar caracterizar um estado eletrˆonico excitado de um cristal perfeito pelos estados localizados de excita¸c˜oes elementares. Cada estado ´e equivalente aos outros estados excitados localizados em outros pontos da rede. Assim, os estados eletrˆonicos excitados do cristal devem ser combina¸c˜oes lineares dessas excita¸c˜oes localizadas, cada uma delas caracterizada por um vetor de onda k da rede rec´ıproca. Frenkel designou estas excita¸c˜oes m´oveis de excitons, prevendo a descri¸c˜ao dessas “part´ıculas” de excita¸c˜ao atrav´es de pacotes de onda.

A natureza ondulat´oria do exciton ´e uma conseq¨uˆencia da simetria translacional do cristal e n˜ao depende da natureza da localiza¸c˜ao da excita¸c˜ao. De fato, o movimento de uma particular excita¸c˜ao localizada, tal como o estado atˆomico excitado, n˜ao ´e sempre ´

util.

Usualmente, o exciton surge como uma caracter´ıstica singular em um espectro de ab-sor¸c˜ao de um cristal. Este aspecto foi estudado em diferentes ´areas da F´ısica do Estado S´olido e da Qu´ımica. Em cristais moleculares, o exciton ´e respons´avel por certas sepa-ra¸c˜oes das linhas espectrais, enquanto em semicondutores, ele ´e respons´avel pela mudan¸ca do extremo fundamental de absor¸c˜ao, previsto pela teoria de bandas de energia. Al´em disso, adiciona ao espectro do ´oxido de cobre (Cu2O), a estrutura t˜ao bem conhecida do

(18)

desco-Esta caracter´ıstica singular ´e observada em cristais isolantes e semicondutores, os quais s˜ao transparentes `a radia¸c˜ao eletromagn´etica para a energia do f´oton abaixo de um de-terminado limiar; acima desse valor, a absor¸c˜ao aumenta rapidamente. Foi estudando este fenˆomeno que Frenkel introduziu o conceito de exciton, relacionando-o `a excita¸c˜ao de ´atomos individuais para estados atˆomicos mais elevados, com estas excita¸c˜oes se movi-mentando atrav´es do cristal devido `as intera¸c˜oes interatˆomicas [41]. Estudos posteri-ores revelaram uma estrutura mais complicada no limiar de absor¸c˜ao em semicondutposteri-ores. Nestes materiais, uma teoria alternativa proposta por Wannier [43] e Mott [44] fornece uma melhor descri¸c˜ao da excita¸c˜ao.

Como resultado, os excitons podem ser tratados em dois casos limites, que dependem das propriedades do material em quest˜ao. Nos semicondutores, onde a constante diel´etrica ´e geralmente alta, a blindagem tende a reduzir a intera¸c˜ao coulombiana entre el´etrons e buracos. O resultado ´e um exciton de Wannier-Mott, que pode ser pensado alternati-vamente como um el´etron na banda de condu¸c˜ao e um buraco na banda de valˆencia, correlacionados, consideravelmente separados, com grande mobilidade atrav´es do cristal e representado por um vetor de onda totalk. Em isolantes, como os cristais iˆonicos, os excitons tendem a ser muito menores, com mesma ordem de magnitude da unidade de rede, e assim, o el´etron e o buraco permanecem sobre o mesmo ´atomo. Neste caso, ´e denominadoexciton de Frenkel.

(19)

[56]-[59]. Estes espectros s˜ao explicados com grande detalhe pelo modelo de Wannier-Mott, que recebeu uma formula¸c˜ao mais completa por Dresselhaus e Elliott [60, 61]. Os excitons nos s´olidos de gases nobres, cujas estruturas eletrˆonicas se assemelham `aquelas de halogenos alcalinos, foram inicialmente estudados experimentalmente por Schnepp e Dressler [62], e teoricamente, por Knox [63] em um tratamento detalhado usando o modelo de Frenkel. Em metais normais, os excitons tˆem um tempo de vida curto [64]. Nos supercondutores, observa-se que ele surge como um estado poss´ıvel no gap de energia [65].

Em geral, a teoria dos excitons foi desenvolvida ao longo de duas linhas distintas, que podemos chamar de “estrutura do exciton” e “dinˆamica do exciton”. A teoria da estrutura do exciton envolve o estudo dos estados eletrˆonicos excitados nos n´ıveis mais baixos do cristal perfeito. O objetivo ´e determinar a natureza detalhada das fun¸c˜oes de onda do par el´etron-buraco e as energias de excita¸c˜ao correspondentes, incluindo sua dependˆencia com o vetor de ondak. A teoria da dinˆamica do exciton ´e definida como o estudo das intera¸c˜oes entre excitons e outras part´ıculas e campos, como por exemplo, a intera¸c˜ao exciton-f´oton (os chamados polaritons de exciton) e a intera¸c˜ao do exciton com imperfei¸c˜oes, como fˆonons e defeitos da rede.

2.2

Exciton: Uma Excita¸

ao Elementar

A existˆencia dos estados excitˆonicos pode ser inferida da absor¸c˜ao da luz associada com sua excita¸c˜ao. Os espectros de absor¸c˜ao em geral revelam a existˆencia de n´ıveis de energia abaixo do extremo da banda de condu¸c˜ao (ver Fig. 2.1). Nesta regi˜ao era espe-rado que o cristal fosse transparente `a radia¸c˜ao eletromagn´etica para a energia do f´oton

ω inferior ao gap de energia da banda Eg, que corresponde a barreira de energia entre

(20)

Figura 2.1: Os n´ıveis de energia do exciton para transi¸c˜oes diretas, mostrando que a extremidade da banda de condu¸c˜ao e a extremidade da banda de valˆencia est˜ao no centro da zona de Brillouin, emk= 0.

A teoria de bandas de energia revela que a cria¸c˜ao de um el´etron livre e de um buraco livre ocorre quando um f´oton com energia ω superior ao gap de energiaEg ´e absorvido

por um cristal em um processo direto, que se observa quando a extremidade da banda de condu¸c˜ao e a extremidade da banda de valˆencia est˜ao no centro da zona de Brillouin, i.e., em k= 0. No caso de um processo indireto, h´a a participa¸c˜ao de fˆonons ´opticos, uma vez que os pontos extremos da banda de condu¸c˜ao e da banda de valˆencia est˜ao separados no espa¸co −→k. No entanto, nos processos envolvendo a forma¸c˜ao de excitons, as energias caracter´ısticas dessas transi¸c˜oes s˜ao diminu´ıdas pela energia de liga¸c˜ao do exciton, como pode ser observado na Fig. 2.2. Os n´ıveis de energia para o ´oxido de cobre (Cu2O) `a

temperatura do h´elio l´ıquido (4.2 K) foram obtidos atr´av´es da seguinte f´ormula emp´ırica

(21)

a partir do ajuste dos pontos experimentais que Apfel e Hadley [66] encontraram para Cu2O. O primeiro termo na Eq. (2.1) ´e o gap de energia da banda. Neste artigo, a

t´ecnica experimental utilizada fornece uma boa concordˆancia entre os resultados te´oricos e `aqueles obtidos experimentalmente. Igualmente instrutivo, ´e o trabalho cl´assico de Thomas e Hopfield [67] sobre os espectros de reflectˆancia e fluorescˆencia dos cristais de CdS no estudo da forma¸c˜ao dos excitons.

Figura 2.2: A representa¸c˜ao esquem´atica dos n´ıveis de energia do exciton no Cu2O. Estes

resultados foram obtidos pela rela¸c˜ao emp´ıricaEn(eV) = 2,172−(0,045/n2) a partir do ajuste dos pontos experimentais que Apfel e Hadley [66] encontraram para o Cu2O para a temperatura

do h´elio l´ıquido. As transi¸c˜oes ´opticas s˜ao indicadas pelas setas.

(22)

e magn´eticos, ele se comporta como uma part´ıcula de carga el´etrica positiva, com m´odulo igual a da carga do el´etron e massa efetiva da banda de valˆencia. Assim, o buraco pode ser descrito por um pacote de onda e possui um vetor de onda correspondente.

Conseq¨uentemente, o exciton pode ser caracterizado por um vetor de onda k de um pacote de onda no espa¸co dos vetores de onda do el´etron e do buraco, dados por ke e kb respectivamente, tal que

kb+ke=k. (2.2)

No infravermelho, na regi˜ao do vis´ıvel, e no ultravioleta, o vetor de ondak do f´oton ´e muito pequeno em compara¸c˜ao com o menor vetor da rede rec´ıproca e, portanto,k pode usualmente ser considerado nulo. Assim, na forma¸c˜ao dos excitons parak = 0, obt´em-se a regra de sele¸c˜ao

kb+ke = 0. (2.3)

Esta ´e a regra de sele¸c˜ao para as transi¸c˜oes ´opticas de um estado da banda de valˆencia preenchido para um estado da banda de condu¸c˜ao no cristal. Esta regra de sele¸c˜ao cor-responde a uma transi¸c˜ao em que o el´etron com vetor de onda ke foi excitado, deixando na banda de valˆencia um buraco com vetor de onda −ke. O buraco surge como uma constru¸c˜ao alternativa para uma banda com um el´etron ausente. Ele pode ser assumido como uma part´ıcula com vetor de onda −ke, ou alternativamente, que a banda com o el´etron ausente possui vetor de onda total −ke.

A cria¸c˜ao de um par el´etron-buraco deve satisfazer a lei de conserva¸c˜ao da energia quando um f´oton ´e absorvido, ou seja,

ω=Ei(k)Ej(k), (2.4)

(23)

satisfa¸cam a Eq. (2.4). Por sua vez, temos que

k[Ei(k)−Ej(k)] = 0. (2.5)

Os excitons podem ser criados em qualquer ponto da zona de Brillouin, desde que ∇kEi(k) = ∇kEj(k), o que significa que a velocidade de grupo do el´etron ´e igual `a velocidade de grupo do buraco, e as part´ıculas podem ter seus movimentos correlacionados pela atra¸c˜ao coulombiana existente entre elas.

2.3

O Exciton de Frenkel

Como vimos, na literatura existe duas formula¸c˜oes para o problema do exciton. Nes-ta se¸c˜ao vamos considerar o traNes-tamento original de Frenkel que considera a exciNes-ta¸c˜ao eletrˆonica como uma superposi¸c˜ao de excita¸c˜oes atˆomicas para os v´arios s´ıtios da rede cristalina. O tratamento do problema do exciton em termos de part´ıculas efetivas, que foi formulado por Wannier-Mott, ser´a analisado em seguida.

(24)

mo-superposi¸c˜ao de estados quˆanticos, em que ´e igualmente prov´avel que a excita¸c˜ao esteja associada com qualquer ´atomo do cristal.

Figura 2.3: A representa¸c˜ao esquem´atica de um exciton de Frenkel mostrando o par el´etron-buraco fortemente ligado, com a excita¸c˜ao localizada sobre um ´unico ´atomo de um cristal iˆonico.

(25)

Este conceito te´orico, introduzido por Frenkel, para a energia eletrˆonica que se trans-fere de um ´atomo a outro em um s´olido isolante, ´e apropriado para uma situa¸c˜ao em que h´a um forte acoplamento entre um ´atomo excitado e seus vizinhos. Ele pode ser imagina-do como estanimagina-do localizaimagina-do em qualquer instante sobre, ou pr´oximo a um ´unico ´atomo, no sentido que o buraco est´a usualmente sobre o mesmo ´atomo que o el´etron. Devido ao exciton ser um sistema de duas part´ıculas, o problema geral de calcular os seus n´ıveis de energia e fun¸c˜oes de onda ´e intrinsicamente mais complicado do que o correspondente problema de um el´etron. Contudo, quando o par el´etron-buraco ´e fracamente ligado, e as part´ıculas est˜ao separadas por v´arios espa¸camentos interatˆomicos (como ´e o caso do exci-ton de Wannier-Mott), suas propriedades podem ser calculadas usando uma aproxima¸c˜ao de massa efetiva [72, 73, 74].

2.4

O Exciton de Wannier-Mott

Uma primeira aproxima¸c˜ao para o estudo do exciton de Wannier-Mott ´e obtida igno-rando todas as part´ıculas no sistema, exceto o el´etron excitado e o buraco. O efeito ´e que a parte negligenciada do cristal (os el´etrons de valˆencia remanescentes, os el´etrons das camadas internas dos ´atomos e os n´ucleos atˆomicos) fornece um potencial peri´odico que confere a estas part´ıculas massas efetivas me∗ e mbrespectivamente. A diferen¸ca entre estas massas efetivas ´e muito menor do que entre as massas do el´etron e do pr´oton, o que torna o exciton de Wannier-Mott mais an´alogo ao positrˆonio, um par el´etron-p´ositron. O par ´e representado esquematicamente na Fig. 2.4. Por sua vez, o el´etron e o buraco permanecem ligados pelo potencial coulombiano (SI)

U(r) = −qe

2

ǫr, (2.6)

onde q = 1/4πǫ0, ǫ ´e a constante diel´etrica (adimensional) e r ´e a distˆancia entre as

(26)

Figura 2.4: A representa¸c˜ao esquem´atica do exciton de Wannier-Mott, um par el´etron-buraco fracamente ligado e separado por v´arias distˆancias interatˆomicasa.

A exemplo do ´atomo de hidrogˆenio, temos um sistema de duas part´ıculas ligadas pela for¸ca de Coulomb, com a massa reduzida do par el´etron-pr´oton sendo substitu´ıda pela massa efetiva reduzida do par el´etron-buraco m∗ , onde (m)−1 = (m

e∗)−1 + (mb∗)−1, e a carga eletrˆonica substitu´ıda por e2/ǫ. Portanto, os n´ıveis de energia do exciton s˜ao

semelhantes `aqueles do ´atomo de hidrogˆenio, onde se observa que para cada vetor de onda −

k existe uma s´erie infinita de estados ligados e discretos de energia, ou seja, En(k) =−1

2

qe2

2 m∗ ǫ2n2 +

2k2

2M n = 1,2, ... (2.7)

(27)

A energia do exciton no seu estado fundamental En=1 ´e menor do que Eg =Ec−Ev, que ´e a energia necess´aria para criar um el´etron e um buraco desacoplados, e tamb´em, o zero de energia do sistema. O raio de Bohr do exciton ´e dado por

aex = ǫ

2

m∗qe2 =ǫ

m m∗

a0 (2.8)

ondea0 =/mqe2 = 5,29×10−11 m´e o raio de Bohr do ´atomo de hidrogˆenio. A energia

do exciton no estado fundamental corresponde a

E1(0) =−

1 2

qe2

2 m∗

ǫ2 =−

e2

2ǫaex =−ǫ

2

m∗

m

E0 (2.9)

onde E0 ´e a energia de ioniza¸c˜ao do ´atomo de hidrogˆenio (13,54 eV). Este ´e o estado

(28)

CAP´

ITULO 3

Polaritons de Exciton

3.1

Introdu¸

ao

Ao incidir luz sobre um material, tanto o campo el´etrico quanto o magn´etico excitam os graus internos de liberdade do meio. Por exemplo, em um diel´etrico, o campo el´etrico pode acoplar-se com os fˆonons ´opticos, e em cristais magn´eticos, as ondas de spin s˜ao excitadas pelo campo magn´etico. Como resultado, a fun¸c˜ao diel´etrica e a susceptibilidade magn´etica do meio s˜ao, em geral, dependentes da freq¨uˆencia e do vetor de onda e a velocidade de fase da onda ´e diferente da velocidade da luz no v´acuo.

Em determinadas faixas do espectro, a susceptibilidade magn´etica ou el´etrica varia fortemente com a freq¨uˆencia (pr´oxima de uma freq¨uˆencia de ressonˆancia) como resposta `a propaga¸c˜ao da onda eletromagn´etica no meio. Estas regi˜oes s˜ao de particular interesse, pois nelas podemos obter informa¸c˜oes detalhadas sobre os graus internos de liberdade atrav´es do estudo da propaga¸c˜ao e do espalhamento das ondas eletromagn´eticas. Uma discuss˜ao mais detalhada da propaga¸c˜ao da onda eletromagn´etica em um meio ressonante foi apresentado por Brillouin [75] para o caso onde a onda eletromagn´etica interage com uma seq¨uˆencia de osciladores harmˆonicos acoplados.

(29)

fornecendo um rico espectro de absor¸c˜ao ´optica. Al´em disso, a intera¸c˜ao das ondas eletro-magn´eticas com diversas excita¸c˜oes elementares em uma ampla faixa de materiais tem sido estudado por meio dessa t´ecnica experimental.

Como uma onda eletromagn´etica excita os graus internos de liberdade do sistema quando se propaga atrav´es de um material, a excita¸c˜ao consiste de campos el´etricos e magn´eticos oscilantes envoltos pela polariza¸c˜ao el´etrica e magn´etica induzidas no meio excitado. Portanto, a onda eletromagn´etica em um meio material ´e uma entidade com-plexa, quando sua composi¸c˜ao ´e analisada em detalhe. A energia armazenada na onda ´e partilhada entre os campos el´etricos e magn´eticos e os graus internos de liberdade exci-tados. Esta onda composta, que surge tanto em meios magn´eticos quanto diel´etricos, ´e denominadapolariton. Na literatura, mais restritamente, uma onda eletromagn´etica que se propaga em um material ´e chamada de polariton somente quando sua freq¨uˆencia se aproxima de uma ou mais freq¨uˆencias de ressonˆancias da fun¸c˜ao diel´etrica. A ressonˆancia ocorre quando as freq¨uˆencias e os vetores de onda de duas ondas (a onda do f´oton e a onda do exciton, por exemplo) s˜ao aproximadamente iguais. Nestas circunstˆancias espec´ıficas, como uma boa aproxima¸c˜ao, a onda pode ser considerada como um modo acoplado do campo eletromagn´etico com um ou mais modos normais do meio. Contudo, alguns pesquisadores como Mills e Burstein [76] admitem que mesmo que a freq¨uˆencia da onda esteja afastada de uma freq¨uˆencia de ressonˆancia, uma grande fra¸c˜ao da energia da onda estar´a armazenada na polariza¸c˜ao induzida no meio.

(30)

3.2

O Polariton de Exciton: Acoplamento F´

oton-Exciton

Quando um exciton interage com um f´oton na regi˜ao de ressonˆancia do exciton em repouso, eles formam o polariton de exciton. Este novo modo ´e resultado do acoplamento da onda eletromagn´etica com a onda de polariza¸c˜ao do exciton. Neste caso, a onda de polariza¸c˜ao est´a associada com o momento de dipolo el´etrico do par el´etron-buraco. Como o exciton ´e livre para vagar pelo cristal, ele irradia ondas eletromagn´eticas que, em suma, podem excitar outros excitons. Originalmente, a intera¸c˜ao exciton-f´oton foi tratada por Elliott [61] em 1957.

Uma formula¸c˜ao mais completa sobre os polaritons de exciton foi dado por Pekar [80] ao propor que os efeitos do vetor de onda na equa¸c˜ao de dispers˜ao para a energia total do exciton desempenharia um papel importante na caracteriza¸c˜ao ´optica dos sistemas cristalinos. Logo depois, Ginzburg [81], Agranovich e Rukhadze [82] e outros cientistas sovi´eticos deram contribui¸c˜oes importantes e profundas sobre esta mat´eria. Trabalhos anteriores foram feitos tamb´em por Huang e Rhys [83] e Born e Huang [84], mas s˜ao relacionados ao acoplamento fˆonon-f´oton.

O estudo da propaga¸c˜ao da energia eletromagn´etica em semicondutores e diel´etricos ´e baseado no modelo cl´assico do oscilador harmˆonico simples (com ou sem amortecimen-to), adicionando-se os efeitos de dispers˜ao espacial excitˆonica devido ao movimento das excita¸c˜oes elementares no sistema. Este movimento ´e caracterizado pelo transporte de energia cin´etica, dado por2k2/2M, ondep=k´e o momentum do exciton eM a massa

total do exciton (a soma das massas efetivas do el´etron e do buraco, M =me∗+mb).

(31)

∂2

∂t2 +ω 2

0−D∇2+ Γ

∂ ∂t

P(r, t) =ǫ0S E(r, t), (3.1)

onde ω0 ´e a freq¨uˆencia de ressonˆancia do exciton desacoplado (a freq¨uˆencia do gap entre

a banda de condu¸c˜ao e a banda de valˆencia menos a freq¨uˆencia de liga¸c˜ao), D=ω0/M,

comM sendo a massa total do exciton, Γ ´e o coeficiente de amortecimento eS = 4πα0ω02

´e a constante de oscila¸c˜ao do exciton em ω = 0 e k = 0, com α0 sendo o elemento de

matriz do dipolo para a excita¸c˜ao ´optica do exciton. O termo −D∇2P(r, t) ´e devido `a

intera¸c˜ao entre os osciladores. Quando D = 0, o exciton ´e localizado, significando que n˜ao ocorreoverlap ou movimento da excita¸c˜ao de um s´ıtio para outro. Ou seja, a massa do exciton ´e infinita (M → ∞) e n˜ao ocorre efeito de dispers˜ao espacial.

A rela¸c˜ao constitutiva que caracteriza um meio espacialmente dispersivo ´e

P(k, ω) =ǫ0χ(k, ω)E(k, ω), (3.2)

onde χ(k, ω) ´e a transformada de Fourier da susceptibilidade diel´etrica. A Eq. (3.2) estabelece a liga¸c˜ao entre a polariza¸c˜ao e o campo el´etrico no meio material (neste caso, um semicondutor), sendo o fator de proporcionalidade dado pela susceptibilidade diel´etrica. Al´em disso, esta express˜ao exibe uma dependˆencia com o vetor de onda e a freq¨uˆencia. A n˜ao-localidade ´e evidenciada quando realizamos a transformada de Fourier sobre um cristal sem contornos (infinito). Temos que

P(r, ω) = 1 (2π)3/2

ǫ0χ(k, ω)E(k, ω)e ik·rdk,

= 1

(2π)3

ǫ0χ(k, ω)E( r′, ω)eik·(r−

r′)

dr′dk,

= 1

(2π)3/2

1 (2π)3/2

χ(k, ω)eik·(r−r′)

dk

(32)

= 1 (2π)3/2

ǫ0χ(r−r′, ω)E( r′, ω)dr′, (3.3)

com

χ(r, ω) = 1 (2π)3/2

χ(k, ω)eik·rdk. (3.4)

Aqui as transformadas de Fourier direta e inversa da polariza¸c˜ao diel´etricaP(r, t) s˜ao definidas como

P(r, ω) = 1 (2π)3/2

P(k, ω)eik·rdk, (3.5)

P(k, ω) = 1 (2π)3/2

P(r, ω)e−ik·rdr. (3.6)

De maneira similar, estas defini¸c˜oes s˜ao aplicadas para o campo el´etrico macrosc´opico

E(r, t).

A Eq. (3.3) revela a n˜ao-localidade espacial da fun¸c˜ao resposta. A terminologia “n˜ao-local” foi primeiro utilizada por Hopfield [86] no contexto da ´optica do polariton de exciton. Pr´oximo da ressonˆanciaω ≈ω0, a faixa de intera¸c˜ao pode ser muito grande (at´e

infinita, se o amortecimento ´e negligenciado).

A partir da rela¸c˜ao macrosc´opica constitutiva para a polariza¸c˜ao do exciton, Eq. (3.2), e tomando solu¸c˜oes de ondas planas da forma ei(k·r−ωt), junto com a Eq. (3.1), obtemos

que

χ(k, ω) =S/(ω02+Dk2−ω2−iωΓ). (3.7)

(33)

ǫ(k, ω) =ǫ∞+χ(k, ω), (3.8)

onde ǫ∞ ´e a constante diel´etrica de fundo (quando ω → ∞) do cristal. Portanto, temos que

ǫ(k, ω) = ǫ∞+S/(ω20+Dk2−ω2−iωΓ). (3.9)

Os excitons fornecem uma contribui¸c˜ao para a polarizabilidade do cristal que ´e des-crita em termos macrosc´opicos pela fun¸c˜ao diel´etrica complexa ǫ(k, ω), que depende da freq¨uˆencia e do vetor de onda. Observe que a fun¸c˜ao diel´etrica do polariton de exciton difere da forma correspondente para o fˆonon pelo termo de dispers˜ao espacial Dk2.

Esta forma para a fun¸c˜ao diel´etrica [Eq. (3.9)], ou equivalentemente, para a suscep-tibilidade [Eq. (3.7)], tem a vantagem de ser uma express˜ao anal´ıtica simples da qual podemos extrair algo da f´ısica do meio espacialmente dispersivo, quando a freq¨uˆencia de excita¸c˜ao do laser se aproxima da freq¨uˆencia de ressonˆancia do exciton. Presumivelmente, aplica-se bem melhor no interior do cristal, longe da superf´ıcie, onde as ondas evanescentes decaem e os fenˆomenos relacionados `a superf´ıcie s˜ao sem importˆancia.

A teoria cl´assica da ´optica local ´e obtida simplesmente fixando k = 0 na Eq. (3.2). Isto sugere que o comportamento da fun¸c˜ao diel´etrica na descri¸c˜ao local n˜ao leva em conta o transporte de energia por qualquer outro mecanismo diferente daquele das ondas eletromagn´eticas. Quando o transporte de energia por outros mecanismos ´e considera-do, o resultado ´e um comportamento diel´etrico anˆomalo (“n˜ao-local”), freq¨uentemente acompanhado por um novo fenˆomeno f´ısico.

(34)

movimento por meio do qual a energia cin´etica e a massa entram na teoria. Nos con-tornos de um cristal, foi sugerido a presen¸ca de uma “camada morta” (“dead layer”), onde os excitons s˜ao inexistentes, devido a repuls˜ao superficial entre os mesmos. Este modelo forneceu aplica¸c˜oes quantitativas e ilustrativas, e explicou muitos efeitos ´opticos observados pela espectroscopia de alta precis˜ao em CdS.

As Eqs. (3.7) e (3.9) mais as equa¸c˜oes de Maxwell constituem o conjunto completo de equa¸c˜oes necess´arias para encontrar os modos normais do cristal na regi˜ao de freq¨uˆencia de ressonˆancia. Na pr´oxima se¸c˜ao, vamos encontrar, para o caso de um cristal isotr´opico e infinito, as rela¸c˜oes de dispers˜ao dos modos transversais e longitudinais dos polaritons de exciton.

3.3

Os Modos de Volume

Nossa descri¸c˜ao da propaga¸c˜ao da radia¸c˜ao eletromagn´etica na mat´eria inicia-se pelas equa¸c˜oes de Maxwell

∇ ×E =−∂ B

∂t , (3.10)

∇ ×H = ∂ D

∂t . (3.11)

Se os campos possuem solu¸c˜oes tipo ondas planas, ent˜ao (3.10) e (3.11) assumem a forma

k×E =ω B, (3.12)

k×H =−ω D. (3.13)

(35)

B =µ0µ H, (3.14)

D=ǫ0ǫ E, (3.15)

ondeµ0 ´e permeabilidade magn´etica eǫ0 ´e a permissividade el´etrica no v´acuo. Em (3.14)

vamos considerar queµ= 1, j´a que o meio ´e n˜ao-magn´etico. Com o aux´ılio das equa¸c˜oes (3.14) e (3.15), podemos combinar (3.12) e (3.13) para obter uma equa¸c˜ao que envolve somente o campo el´etrico:

(k×E)

+ ω

2

c2ǫ(k, ω)E = 0. (3.16)

onde c= (ǫ0µ0)−1/2 ´e a velocidade da luz no v´acuo.

Vamos assumir que o vetor de onda k pertence ao plano xz. O ˆangulo entre o eixo ´optico (na dire¸c˜ao z) e o vetor onda ´e θ. Assumimos tamb´em que o campo el´etrico e o vetor deslocamento pertencem ao plano formado pelo eixo ´optico e o vetor de onda, como mostra a Fig. 3.1. Ent˜ao,

kx =kcosθ e kz =ksinθ. (3.17)

Se as componentes da Eq. (3.16) s˜ao escritas explicitamente para este caso, obt´em-se que

ω2

c2k2ǫ(k, ω)−cos 2θ

Ex+ sinθcosθEz = 0, (3.18)

ω2

c2k2ǫ(k, ω)−sin 2θ

Ez + sinθcosθEx= 0. (3.19)

´

(36)

Figura 3.1: O vetor de ondak forma com o eixo ´optico ao longo da dire¸c˜ao z um ˆangulo θ, mostrando as componentes transversal e longitudinal do campo el´etrico em rela¸c˜ao ak.

ao vetor k). As dire¸c˜oes dessas duas componentes do campo s˜ao indicadas na Fig. 3.1. Assim

Ez =Ecos(θ) +E⊥sin(θ)

Ex =Esin(θ)−E⊥cos(θ) (3.20)

Ent˜ao, as equa¸c˜oes (3.18) e (3.19) podem ser escritas como

ω2ǫ(k, ω)

c2k2 sinθE−

ω2ǫ(k, ω)

c2k2 −1

cosθE⊥= 0, (3.21)

ω2ǫ(k, ω)

c2k2 cosθE+

ω2ǫ(k, ω)

c2k2 −1

(37)

A rela¸c˜ao de dispers˜ao do polariton de exciton para os modos de volume ´e obtida fazendo o determinante das Eqs. (3.21) e (3.22) igual a zero. O resultado ´e escrito da seguinte forma:

ǫ(k, ω)

k2−ǫ(k, ω)ω

2

c2

= 0. (3.23)

As solu¸c˜oes da Eq. (3.23) fornecem dois modos normais: o modo longitudinal para ǫ(k, ω) = 0 e E⊥ = 0, E = 0, (3.24)

e o modo transversal, dado por ǫ(k, ω) = c2k2

ω2 e E⊥ = 0, E = 0. (3.25)

A partir das Eqs. (3.24) e (3.25), combinadas com as Eqs. (3.7) e (3.8), obtemos as curvas de dispers˜ao do modo transversal

Dk4−(Ω2+Dǫ∞ω2/c2)k2+ (ω2/c2)(ǫ∞Ω2−S) = 0, (3.26)

dando origem a dois modos no espectro de freq¨uˆencia do polariton de exciton, que se propagam na mesma dire¸c˜ao do cristal e com a mesma polariza¸c˜ao para uma determinada freq¨uˆencia ω. A curva de dispers˜ao do modo longitudinal ´e dada por

Dk2 = Ω2−S/ǫ∞, (3.27)

onde Ω2 =ω2ω2

0+iωΓ.

As curvas de dispers˜ao do polariton de exciton s˜ao mostradas na Fig. 3.2 para uma regi˜ao de freq¨uˆencia pr´oxima da freq¨uˆencia de ressonˆancia ω0 do exciton desacoplado,

(38)

Figura 3.2: A curva de dispers˜ao do polariton de exciton para Γ = 0, mostrando os trˆes modos de volume do cristal. As linhas cheias s˜ao os dois ramos transversais e a linha tracejada o ramo longitudinal.

(39)

A mudan¸ca qualitativa mais importante em rela¸c˜ao a curva de dispers˜ao dos polaritons de fˆonon ´e devido `a contribui¸c˜ao da energia cin´etica do exciton (k2/2M) no transporte

de energia no cristal. A “banda proibida” entre as freq¨uˆenciasωT O e ωLO dos fˆonons n˜ao existe no caso do exciton, no qual no m´ınimo um modo se propaga para toda freq¨uˆencia ω. Na Fig. 3.2, o ramo inferior se curva para cima para valores grandes de k e assume a forma assint´otica ω2 ω2

0 +Dk2, diferentemente do ramo correspondente na Fig. 3.3,

ondeω ≈ωT O, um valor constante. O ramo longitudinal tamb´em possui uma dependˆencia em k2 para vetores de onda grandes.

Como podemos ver, abaixo da freq¨uˆencia de ressonˆancia (ω < ω0) existe um ´unico

modo do polariton de exciton, que ´e fundamentalmente tipo f´oton (o primeiro modo transversal). A medida que a freq¨uˆencia aumenta, o comportamento caracter´ıstico do polariton de exciton aparece em torno deω0, dando origem a mais dois ramos: o segundo

modo transversal (o ramo superior), que rapidamente assume a caracter´ıstica de f´oton, e o modo longitudinal, que ´e fundamentalmente tipo exciton. A coexistˆencia de mais de um ramo para uma dada energia ´e uma conseq¨uˆencia imediata da dependˆencia da energia do exciton em rela¸c˜ao ao vetor de onda [E =E(k)].

(40)

s˜ao suficientes para determinar as raz˜oes entre as amplitudes das trˆes ondas no interior do cristal. Este problema est´a relacionado a uma “nova” ´area de estudo que investiga as condi¸c˜oes de contorno adicionais necess´arias para completar o conjunto de equa¸c˜oes e que ser´a abordado na pr´oxima se¸c˜ao.

3.4

As Condi¸

oes de Contorno Adicionais

As equa¸c˜oes de Maxwell fornecem somente duas condi¸c˜oes de contorno, que s˜ao in-suficientes na determina¸c˜ao dos coeficientes de transmiss˜ao e reflex˜ao da onda eletro-magn´etica incidente sobre um meio espacialmente dispersivo para a regi˜ao de freq¨uˆencia de ressonˆancia. No caso da polariza¸c˜aos, como mostra a Fig. 3.5, dois modos transversais com vetores de ondak1 ek2 se propagam no meio excitˆonico, e portanto, dois coeficientes

de transmiss˜ao T1 e T2 e um coeficiente de reflex˜ao R s˜ao calculados no problema.

Con-tudo, uma condi¸c˜ao de contorno adicional ´e necess´aria al´em das condi¸c˜oes de contorno de Maxwell.

A forma mais simples de ABC (“Additional Boundary Condition”) foi proposta por Pekar [80, 87] ao admitir que o campo de polariza¸c˜ao macrosc´opico vai a zero no contorno do meio dispersivo, isto ´e

P = 0 em z = 0, (3.28)

(41)

Figura 3.4: O caso da polariza¸c˜ao s, mostrando a onda incidente, que se propaga no v´acuo, por exemplo, e as duas ondas transmitidas em um meio excitˆonico.

Ivchenko e Kosobukhin [89] utilizaram a Eq. (3.28) para calcular a rela¸c˜ao de dispers˜ao para uma super-rede infinita. Uma proposta semelhante a de Pekar foi utilizada por outros autores, como Ting et al. [90], ao sugerir que

∂ P

∂z = 0 em z = 0. (3.29)

Haveli [91], seguindo Agarwal, Pattanayk e Wolf [92] e outros, fez uso da combina¸c˜ao

P +ξ∂ P

∂z = 0 em z = 0, (3.30)

(42)

Del Sole e D’Andrea [93] empregaram um modelo microsc´opico para refinar a imagem da camada morta. Em seu modelo h´a uma camada de transi¸c˜ao, tipicamente da ordem de 10 nm, onde no seu interior o comportamento deP ´e complicado, mas que pr´oximo `a superf´ıcie o comportamento da polariza¸c˜ao ´e descrito pela Eq. (3.30).

Figura 3.5: O caso da polariza¸c˜aop. Al´em dos dois modos transversais, um modo longitudinal ´e excitado.

Para o caso da polariza¸c˜aop, a situa¸c˜ao ´e um pouco mais complicada. Al´em dos dois modos transversais, um modo longitudinal ´e excitado (ver Fig. 3.5), i. e., ´e preciso calcular o coeficiente de reflex˜ao R, os dois coeficientes de transmiss˜ao T1 e T2 “transversais” e

o coeficiente de transmiss˜ao “longitudinal” TL. As express˜oes para os coeficientes de reflex˜ao e transmiss˜ao, em ambas as polariza¸c˜oes p e s, com o aux´ılio da Eq. (3.30) e seus casos limites, s˜ao fornecidas por Tilley [94], Nkoma [95], Albuquerque e Gon¸calves da Silva [96].

(43)

do exciton-f´oton. Alternativamente, a rela¸c˜ao constitutiva entre D e E, ou entre P e

E, pode ser escrita como uma equa¸c˜ao integral. Neste caso, a fun¸c˜ao peso ´e dada por ǫ(r−r′, ω), que ´e a transformada de Fourier de ǫ(k, ω), com a ABC j´a inclu´ıda dentro da formula¸c˜ao integral. O equivalente de uma formula¸c˜ao integral para uma equa¸c˜ao diferencial junto com uma ABC ´e demonstrado explicitamente em [97].

3.5

Os Modos de Superf´ıcie

Os polaritons de superf´ıcie se propagam ao longo da interface entre dois meios adja-centes, com os campos el´etrico e magn´etico e a polariza¸c˜ao localizados pr´oximo `a interface, isto ´e, as equa¸c˜oes de Maxwell fornecem solu¸c˜oes para as amplitudes dos campos el´etrico e magn´etico com comportamento ondulat´orio ao longo da superf´ıcie de contanto entre os dois meios, mas que decaem `a zero de forma exponencial fora da interface. Estes s˜ao os chamados modos de superf´ıcie.

Como resultado, os polaritons de exciton de superf´ıcie s˜ao os modos das excita¸c˜oes elementares no contorno de um cristal. Maradudin e Mills [98] introduziram a teoria b´asica do conceito do polariton de exciton de superf´ıcie e descreveram algumas das suas propriedades fundamentais. Simultaneamente, Agarwall [99] calculou uma rela¸c˜ao de dispers˜ao para estes modos de superf´ıcie. Outros trabalhos que contribuiram para o desenvolvimento dessa teoria podem ser conferidos nas Refs. [100]-[105].

(44)
(45)

CAP´

ITULO 4

Polaritons de Exciton em Super-Redes

4.1

Introdu¸

ao

No cap´ıtulo anterior desenvolvemos o estudo da propaga¸c˜ao dos modos do polariton de exciton em um cristal infinito e isotr´opico. Neste caso, nenhuma condi¸c˜ao de contorno foi necess´aria na determina¸c˜ao da rela¸c˜ao de dispers˜ao no meio excitˆonico. Os resultados obtidos foram unicamente devido `as equa¸c˜oes de Maxwell e `as rela¸c˜oes constitutivas do meio. Agora, propomos estudar estes modos em um estrutura diferente, denominada de

super-rede.

As super-redes s˜ao estruturas peri´odicas compostas por camadas de dois (ou mais) materiais diferentes. Elas formam uma nova classe de produtos artificiais, que foi pro-posta por Esaki e Tsu [110, 111] em torno de 1970 e obtidas experimentalmente poucos anos depois [112]-[116]. Desde ent˜ao, o interesse na investiga¸c˜ao das propriedades f´ısicas das super-redes, tanto em semicondutores quanto em outros materiais, aumentou con-sideravelmente. Muitos avan¸cos foram realizados no sentido de melhorar a tecnologia de fabrica¸c˜ao dessas estruturas, que por sua vez, abriram caminho para a sua aplica¸c˜ao em novos dispositivos.

(46)

Figura 4.1: A geometria da super-rede infinita, caracterizada pela alternˆancia entre o meio

A (GaN) e o meio B (safira), com espessuras a e b, respectivamente. A c´elula unit´aria tem espessuraL=a+b.

Eq.(3.9). O meio B, com espessura b, ´e preenchido pela safira (Al2O3), um diel´etrico

comum, caracterizado pela constante diel´etricaǫB.

(47)

4.2

Caso da Polariza¸

ao

s

Neste se¸c˜ao, vamos investigar os modos de propaga¸c˜ao do polariton de exciton em super-redes GaN/safira para o caso da polariza¸c˜aos ou modo TE (“transverse electric”). Inicialmente, os c´alculos s˜ao desenvolvidos para uma super-rede infinita. Contudo, na-turalmente, os cristais s˜ao limitados por superf´ıcies, cuja presen¸ca d˜ao origem aos n´ıveis discretos de energia do exciton nos gaps de energia das bandas, associados com os modos de superf´ıcie do polariton de exciton, que s˜ao obtidos quando truncamos a super-rede infinita.

4.2.1

Super-redes Infinitas

Vamos assumir que o campo magn´eticoH est´a no planoxz, enquanto o campo el´etrico

E aponta na dire¸c˜ao y. Este ´e o caso da polariza¸c˜ao s, como mostra esquematicamente a Fig. 4.2. As camadas GaN/safira s˜ao paralelas ao plano xy e a dire¸c˜ao de crescimento da super-rede ´e ao longo do eixoz. Portanto, em cada camada, os campos s˜ao dados por

E(r, t) = (0, Ey,0) exp (ikxx−iωt), H(r, t) = (H x,0, Hz) exp (ikxx−iωt). (4.1)

O eixox´e assumido como a dire¸c˜ao de propaga¸c˜ao. Dentro de cada camada, os campos devem satisfazer as equa¸c˜oes de Maxwell

∇ ×E(r, t) = −∂ B(r, t)

∂t , ∇ ×H(r, t) = ǫ0ǫj

∂ E(r, t)

∂t , (4.2)

que podem ser combinadas para obter

∇ × ∇ ×Ej (r, t) = −ǫj c2

∂2Ej (r, t)

(48)

Figura 4.2: O caso da polariza¸c˜ao s ou modo TE. O campo magn´etico H est´a no plano xz, enquanto o campo el´etricoE aponta na dire¸c˜ao y.

Das equa¸c˜oes (4.2) e (4.3), obtemos as solu¸c˜oes dos campos no meio diel´etricoB, que s˜ao

Ey(z) = E1nexp(αBz) +E2nexp(−αBz), (4.4) Hx(z) = (iαB/µ0ω)[E1nexp(αBz)−E2nexp(−αBz)], (4.5) Hz(z) = (kx/µ0ω)[E1nexp(αBz) +E2nexp(−αBz)], (4.6)

onde αB = [k2

x−ǫBω2/c2]1/2 deve ser real para que os modos sejam localizados na super-rede. O termo exp (ikxx−iωt) foi omitido para simplificar os c´alculos seguintes.

Analogamente, as solu¸c˜oes para os campos no meio excitˆonico (A) s˜ao:

(49)

onde (kz

j)2 = k2x −kj2, para j = 1,2, correspondendo aos dois modos transversais (kj) obtidos a partir da Eq. (3.26). Ou seja, duas ondas eletromagn´eticas transversais se propagam no meio dispersivo com vetores de onda k1 e k2 respectivamente. A rela¸c˜ao

constitutiva entre a polariza¸c˜aoP e o campo el´etrico E, agora, ´e dada por

P =ǫ0

j=1,2.

χjET j . (4.10)

A continuidade dos campos ´e estabelecida pelas condi¸c˜oes de contorno de Maxwell (E1t=E2t,H1t =H2t), mais a condi¸c˜ao de contorno adicional (ABC)

µ P +νd P

dz = 0, (4.11)

onde µ = 1 e ν = 0 corresponde `a condi¸c˜ao P = 0 (ABC1), µ = 0 e ν = 1 `a condi¸c˜ao d P /dz = 0 (ABC2), e por sua vez,µ=ν = 1 fornece que P +d P /dz = 0 (ABC3).

Aplicando estas condi¸c˜oes de contorno `a n-´esima c´elula unit´aria, nas interfaces em z =nL,z =nL+aez = (n+ 1)L, obtemos o seguinte conjunto de equa¸c˜oes homogˆeneas

χ1(µ+k1zν)An1 +χ1(µ−k1zν)B1n+χ2(µ+k2zν)An2 +χ2(µ−k2zν)B2n = 0, (4.12)

f1An1 + ¯f1B1n+f2A2n+ ¯f2B2n−E1n−E2n= 0, (4.13)

k1zf1An1 −k1zf¯1B1n+k2zf2A2n−k2zf¯2B2n−αBE1n+αBE2n= 0, (4.14)

χ1(µ+k1zν)f1An1 +χ1(µ−k1zν) ¯f1Bn1 +χ2(µ+kz2ν)f2An2 +χ2(µ−kz2ν) ¯f2B2n = 0,

(50)

k1zAn1+1−kz1B1n+1+k2zA2n+1−kz2B2n+1−αBfBE1n+αBfBE¯ 2n= 0, (4.17)

χ1(µ+k1zν)An1+1+χ1(µ−kz1ν)B1n+1+χ2(µ+kz2ν)An2+1+χ2(µ−k2zν)B2n+1= 0,

(4.18) χ1(µ+k1zν)f1A1n+1+χ1(µ−k1zν) ¯f1B1n+1+χ2(µ+k2zν)f2An2+1+

χ2(µ−k2zν) ¯f2B2n+1 = 0. (4.19)

Aqui, χj = S(Dk2

j −Ω2)−1, com Ω2 = ω2 +iωΓ−ω02, fj = exp(kjza) e ¯fj = 1/fj, para j = 1,2, fB = exp(αBb) e ¯fB = 1/fB. O n´umero de equa¸c˜oes ´e insuficiente para determinarmos todas as inc´ognitas no sistema de equa¸c˜oes acima. De fato, outra rela¸c˜ao emerge do Teorema de Bloch, que junto com o formalismo da matriz de transferˆencia nos possibilita calcular a rela¸c˜ao de dispers˜ao do polariton de exciton na super-rede. Vamos reescrever as Eqs. (4.12)-(4.19) na nota¸c˜ao matricial, isto ´e,

M1|C1nA>+M2|C2nA >=N1|CBn >, (4.20) M3|C1nA>+M4|C2nA >= 0, (4.21) M5|C1nA+1>+M6|C2nA+1 >=N2|CBn >, (4.22) M7|C1nA+1>+M8|C2nA+1 >= 0, (4.23)

onde estas quantidades s˜ao definidas como

|CjAn > = ⎡ ⎣ An j Bn j ⎤

⎦, |CjAn+1 >= ⎡

⎣ Anj+1 Bjn+1

⎦, |CBn >= ⎡ ⎣ En 1 En 2 ⎤ ⎦,

M1 =

f1 f¯1

kz

1f1 −kz1f¯1

⎦, M2 =

f1 f¯2

kz

2f2 −kz2f¯2

⎦, N1 =

⎡ ⎣ 1 1 αB −αB ⎤ ⎦,

M3 =

χ+1 χ−1 χ+1f1 χ−1f¯1

⎦, M4 =

χ+2 χ−2 χ+2f2 χ−2f¯2

⎦,

M5 =

1 1

kz −kz ⎤

⎦, M6 =

1 1

kz −kz ⎤

⎦, N2 =

fB f¯B αBfB −αBfB¯

(51)

M7 = M3, M8 =M4. (4.24)

Aqui,χ±j =χj(µ±kz

jν) para j = 1,2. Os parˆametrosµeν podem ser escolhidos para representar quaisquer das trˆes ABCs. A seguir, usando as Eqs. (4.20) e (4.21) deduzimos a rela¸c˜ao

|CBn >=N1−1(M1+M2M4−1M3)|C1nA> . (4.25)

Por sua vez, as Eqs. (4.22) e (4.23) fornecem que

|C1nA+1 >= (M5+M6M8−1M7)−1N2|CBn > . (4.26)

Combinando as Eqs. (4.25) e (4.26) obtemos que

|C1nA+1 >=T|C1nA>, T = (M5+M6M8−1M7)−1N2N1−1(M1 +M2M4−1M3), (4.27)

ondeT ´e chamada matriz de transferˆencia porque relaciona as amplitudes dos campos em uma c´elula unit´aria com aquelas na c´elula anterior, e por repeti¸c˜ao dessa opera¸c˜ao, pode relacionar duas c´elulas quaisquer na super-rede. Como o c´alculo da matrizT ´e extenso, no Apˆendice A mostramos o resultado final, que s˜ao as quantidades de interesse na obten¸c˜ao da rela¸c˜ao de dispers˜ao para os modos de volume e de superf´ıcie do polariton de exciton. Da simetria translacional da rede, atrav´es da aplica¸c˜ao do teorema Bloch, temos que

|C1nA+1 >= exp(iQL)|C1nA>, (4.28)

ondeQ´e o vetor de Bloch e L=a+b´e o tamanho da c´elula unit´aria da super-rede. Das Eqs. (4.27) e (4.28) obtemos as seguintes rela¸c˜oes

T|Cn

(52)

A Eq. (4.30) ´e a equa¸c˜ao inversa da Eq. (4.29). Conseq¨uentemente, combinando estes resultados, obt´em-se que

[cos(QL)I− 1

2(T +T

−1)]|Cn

1A >= 0, (4.31)

onde I ´e a matriz unit´aria 2×2.

A Eq. (4.31) ´e um resultado geral, do qual obtemos que

cos(QL)I = 1

2(T +T

−1). (4.32)

Al´em disso, como T ´e uma matriz unimodular, seu determinante ´e igual a um. Ent˜ao a rela¸c˜ao de dispers˜ao do polariton de exciton na super-rede ´e simplesmente dado por

cos(QL) = 1

2Tr(T). (4.33)

Os elementos da matriz de transferˆencia T, escritos no Apˆendice A, permite-nos cal-cular o tra¸co de T, e conseq¨uentemente, obter a forma expl´ıcita para a Eq. (4.33) pela defini¸c˜ao que Tr(T) = T11+T22.

4.2.2

Super-Redes Semi-Infinitas

A Eq. (4.33) fornece os modos de volume do polariton de exciton. Agora, vamos limitar a super-rede introduzindo uma superf´ıcie emz = 0. Para z <0, o meio escolhido ´e o v´acuo. No outro semi-espa¸co,z >0, temos a super-rede, como definida anteriormente.

(53)

a super-rede permite o surgimento de uma outra classe de solu¸c˜oes relacionadas com a propaga¸c˜ao das ondas eletromagn´eticas localizadas na superf´ıcie de contato entre os dois meios. Ent˜ao, de uma c´elula unit´aria para outra, as amplitudes dos campos decaem com a distˆancia do plano z = 0. Para estes modos de superf´ıcie (do polariton de exciton), em vez da Eq. (4.28), temos

|C1nA+1 >= exp(−βL)|C1nA>, (4.34)

ondeβ´e o fator de atenua¸c˜ao, com Re(β)>0 como a condi¸c˜ao para um modo localizado. Portanto, na Eq. (4.33) substitu´ımos Q poriβ, isto ´e,

cosh(βL) = 1

2Tr(T). (4.35)

Os campos eletromagn´eticos na regi˜ao z <0 s˜ao dados por

Ey(z) = E0exp(αcz), (4.36)

Hx(z) = (αc/µ0ω)E0exp(αcz), (4.37)

Hz(z) = (kx/µ0ω)E0exp(αcz), (4.38)

onde αc = [k2

x −ǫcω2/c2]1/2. Novamente, a continuidade dos campos (Ey e Hx), mais exigˆencia que a polariza¸c˜ao seja nula na interface entre os meios [Eq. (4.11)], s˜ao impostas, ou seja,

A01+B10+A20 +B20−E0 = 0, (4.39)

kz1(A01−B10) +k2z(A02−B20)−αcE0 = 0, (4.40)

χ+1A01+χ−1B10+χ+2A02+χ−2B20 = 0, (4.41) χ+1f1A01+χ−1f¯1B10+χ+2f2A02+χ−2f¯2B20 = 0, (4.42)

paran = 0. A camada externa (em contato com o v´acuo) da super-rede ´e assumida como o meioA. Eliminando as vari´aveis A0

(54)

onde

b11 = 1 +

χ+1 2 sinh(kz

2a)

¯ f2−f1

χ+2 +

f1−f2

χ−2

, (4.44)

b21 = k1z+

χ+1kz

2

2 sinh(kz

2a)

¯ f2−f1

χ+2

f1−f2

χ−2

, (4.45)

b12 = 1 +

χ−1 2 sinh(kz

2a)

¯ f2−f¯1

χ+2 + ¯ f1−f2

χ−2

, (4.46)

b22 = −k1z+

χ−1kz

2

2 sinh(kz

2a)

¯ f2−f¯1

χ+2 − ¯ f1−f2

χ−2

, (4.47)

Da Eq.(4.29), para n= 0, e substituindo Q poriβ, temos que

T|C10 >= exp(−βL)|C10 >, (4.48)

para os modos de superf´ıcie. Da Eq. (4.48), obtemos que

T11+T12λ=T22+T21λ−1, (4.49)

onde Tij (i, j = 1,2) s˜ao os elementos da matriz T definida na Eq. (4.27), e λ, o mesmo que na Eq. (4.43).

(55)

4.2.3

Resultados

A seguir, mostramos os espectros do polariton de exciton na super-rede GaN/safira para a condi¸c˜ao de contorno adicional dada pela Eq. (4.11), considerando a ABC1, desprezando-se o termo de amortecimento (Γ = 0). Os parˆametros f´ısicos utilizados para o GaN (meio A) s˜ao [118, 119]: ǫ∞ = 8,75; ω0 = 3487 meV; 4πα0 = 15×10−3 e

M = 1,3m0, ondem0´e a massa de repouso do el´etron. No meioB, a safira, com constante

diel´etrica ǫB = 10. Fora da super-rede, temos queǫc = 1 (o v´acuo).

Nas Figs. (4.3)-(4.5), temos a freq¨uˆencia reduzida ω/ω0 em fun¸c˜ao do vetor de onda

adimensionalkxa, ondeω0 ´e a freq¨uˆencia de desacoplamento do exciton ea´e espessura da

camada de GaN, kx sendo o vetor de onda no plano. Analisamos o comportamento dos modos do polariton de exciton em trˆes geometrias, para diferentes valores da espessura da camada de safira, tomandoa= 50nm, verificamos para a= (1/2)b, a=b ea= 2b. Estes resultados foram obtidos a partir da Eq. (4.33) para os modos de volume dos polaritons de exciton, mais a Eq. (4.49), que fornece a rela¸c˜ao de dispers˜ao para os polaritons de exciton de superf´ıcie. As solu¸c˜oes destas equa¸c˜oes trancendentais e complexas s˜ao poss´ıveis empregando o c´alculo num´erico computacional. Neste caso, os parˆametros f´ısicos e geom´etricos s˜ao os dados de entrada no programa computacional desenvolvido para resolver estas equa¸c˜oes, onde as vari´aveis s˜ao o vetor n´umero de onda (kx) e a freq¨uˆencia (ω). Os dados de sa´ıda s˜ao apresentados nas Figs. (4.3)-(4.5). Cada ponto (x,y) nas figuras ´e uma solu¸c˜ao admiss´ıvel que satisfaz a Eq. (4.33) ou a Eq. (4.49), dependendo se temos um modo de volume ou de superf´ıcie.

(56)

Como vimos, a existˆencia desses modos “adicionais” foi primeiro discutido por Pekar [80] e Ginzburg [81]. Estas ondas s˜ao “adicionais” no sentido que o sistema descrito pela fun¸c˜ao diel´etrica ǫ(k = 0, ω) tem muito menos ondas na mesma freq¨uˆencia. Como resultado, associado a cada vetor de ondak obtemos v´arias energias, como revela os espectros dos polaritons de exciton nas Figs. (4.3)-(4.5). Os valores dessas energias est˜ao na faixa de 3473− 3501meV aproximadamente. Os comprimentos de onda variam na faixa do infravermelho.

Na super-rede o comportamento dos polaritons de exciton em cada camada dar lugar a uma excita¸c˜ao coletiva caracterizada pelo n´umero de onda de BlochQna dire¸c˜ao normal aos planos das camadas. Os valores assumidos porQs˜ao pertencentes `a zona de Brillouin associada com o comprimento peri´odico L no intervalo 0 ≤ |Q| ≤ π/L. Os limites das bandas s˜ao dados pelas curvasQL= 0 e QL=π na Eq. (4.33). Os modos de superf´ıcie surgem entre ou acima das bandas de volume, como mostra as Figs. (4.3b)-(4.5b). As larguras das bandas de energia acima da freq¨uˆencia de ressonˆancia ω0 s˜ao estreitas. O

contr´ario ´e observado para as bandas de energia abaixo de ω0, quando comparadas nas

diferentes geometrias. Note que as energias dos polaritons tornam-se menos densas abaixo da energia de ressonˆancia ω0.

As linhas pontilhadas descrevem a propaga¸c˜ao dos modos dos polaritons transversais para um cristal infinito, com vetores de onda kj (j = 1,2), obtidos da Eq. (3.26). Os modos na super-rede ocorrem entre estes dois modos transversais e possuem o mesmo comportamento para valores grandes do vetor de onda. Observe que os modos na super-rede tˆem origem a partir da linha da luz, representada pela linha tracejada.

As Figs. (4.3)-(4.5) fornecem os resultados dos espectros do polariton de exciton para diferentes geometrias, que evidencia a dependˆencia dos modos do polariton em rela¸c˜ao `a espessura da camada de safira. Abaixo deω0, claramente, as bandas de energia s˜ao mais

(57)

comparando as Figs. (4.3a)-(4.5a), temos o surgimento de mais n´ıveis de energia dos modos do polariton de exciton nesta seq¨uˆencia. Este comportamento ´e observado tamb´em para freq¨uˆencias acima deω0, como mostra as Figs. (4.3b)-(4.5b). Nesta regi˜ao, as bandas

de energia s˜ao mais finas, onde se observa tamb´em a presen¸ca dos modos de superf´ıcie.

(58)

Figura 4.3: Os espectros do polariton de exciton na polariza¸c˜aos. Aqui, a= (1/2)b, com a= 50nm, considerando a ABC1 e sem amortecimento (Γ = 0). Em (a), os dois modos transversais de volume s˜ao indicados pelas linhas pontilhadas. As linhas da luz s˜ao indicadas pelas linhas tracejadas. As linhas cheias s˜ao os modos de volume e de superf´ıcie obtidos para super-rede GaN/safira. Em (b), mostramos os modos na regi˜ao pr´oxima da ressonˆancia ω/ω0≃1, onde os

(59)
(60)
(61)

4.3

Caso da Polariza¸

ao

p

Agora, vamos estudar os modos de propaga¸c˜ao dos polaritons de exciton para o caso da polariza¸c˜aopou modo TM (“transverse magnetic”). O desenvolvimento dos resultados ´e semelhante `aqueles da se¸c˜ao anterior.

4.3.1

Super-Redes Infinitas

Assumimos que em cada camada a onda eletromagn´etica ´e caracterizada pelos campos

E(r, t) = (Ex,0, Ez)exp(ikxx−iωt), H(r, t) = (0, Hy, 0)exp(ikxx−iωt), (4.50)

para uma determinada freq¨uˆencia (ω) e vetor de onda (kx) de uma onda monocrom´atica (ver Fig. 4.6). As solu¸c˜oes para os campos s˜ao obtidas das Eqs. (4.2) e (4.3), como antes. No meio B, encontramos que

Ex(z) = E1nexp(−αBz) +E2nexp(αBz), (4.51) Ez(z) = (ikx/αB)[E1nexp(−αBz)−E2nexp(αBz)], (4.52) Hy(z) = (−iωǫ0ǫB/αB)[E1nexp(−αBz)−E2nexp(αBz)], (4.53)

No meio excitˆonico A, as solu¸c˜oes s˜ao dadas por

ET j = (ExT j,0, EzT j), com

ExT j(z) =Anj exp(−kjzz)−Bjnexp(kjzz),

(62)

Figura 4.6: O caso da polariza¸c˜ao p ou modo TM. O campo el´etrico E est´a no plano xz, enquanto o campo magn´eticoH aponta na dire¸c˜ao y.

Tamb´em, EL = (ExL,0, EzL), onde

ExL(z) = AnLexp(kLzz) +BLnexp(−kLzz),

EzL(z) = (−ikLz/kx)[AnLexp(kzLz)−BLnexp(−kLzz)], (4.55) e (kzL)2 =k2x−k2L.

O campo magn´etico ´e dado por:

Hy(z) = (−iωǫ0ǫA(k, ω)/kzj)[Anj exp(−kjzz) +Bjnexp(kjzz)], (4.56)

onde k1 e k2 s˜ao solu¸c˜oes da Eq. (3.26) para os dois modos transversais, e kL, ´e solu¸c˜ao

da Eq. (3.27) para o modo longitudinal. A rela¸c˜ao constitutiva entre a polariza¸c˜ao P e o campo el´etricoE deve incluir o modo longitudinal, ou seja,

P =ǫ0

χLEL + j=1,2

χjET

(63)

Aplicando as condi¸c˜oes de contorno padr˜oes do eletromagnetismo, mais a Eq. (4.11) adicional, para a n-´esima c´elula unit´aria, nas interfaces em z = nL, z = nL +a e z = (n+ 1)L, obt´em-se que

¯

f1An1 −f1B1n+ ¯f2An2 −f2B2n+fLAnL−fLB¯ Ln−E1n−E2n= 0, (4.58)

ǫ1(k1)

kx kz

1

( ¯f1An1 +f1B1n) +ǫ2(k2)

kx kz

2

( ¯f2An2 +f2B2n)−ǫB

kx αB(E

n

1 −E2n) = 0, (4.59)

χ1(µ−k1zν)An1 −χ1(µ+k1zν)B1n+χ2(µ−k2zν)An2 −χ2(µ+kz2ν)B2n−

ǫ∞(ν+kLzν)AnL−ǫ∞(ν−kLzν)BLn = 0, (4.60)

χ1

kx kz

1

(µ−kz1ν)An1 +χ1

kx kz

1

(µ+k1zν)B1n+χ2

kx kz

2

(µ−k2zν)An2 +χ2

kx kz

2

(µ+k2zν)B2n+ ǫ∞

kz L kx(µ+k

z

Lν)AnL−ǫ∞ kz

L

kx(µ−k z

Lν)BLn = 0, (4.61)

χ1f¯1(µ−kz1ν)An1 −χ1f1(µ+kz1ν)B1n+χ2f¯2(µ−kz2ν)An2 −χ2f2(µ+kz2ν)B2n−

ǫ∞fL(µ+kLzν)AnL−ǫ∞fL(µ¯ −kzLν)BLn= 0, (4.62)

χ1

kx kz

1

¯

f1(µ−k1zν)An1 +χ1

kz x kz

1

f1(µ+kz1ν)B1n+χ2

kx kz

2

¯

f2(µ−k2zν)An2 +

χ2

kx kz

2

f2(µ+k2zν)B2n+ǫ∞ kz

L kx

fL(µ+kzLν)AnL−ǫ∞ kz

L kx

¯

fL(µ−kLzν)BLn= 0, (4.63)

An1+1−Bn1+1+An2+1−B2n+1+AnL+1+BLn+1−fBE¯ 1n−fBE2n= 0, (4.64)

ǫ1(k1)

kx kz

1

(An1+1+B1n+1) +ǫ2(k2)

kx kz

2

(An2+1+B2n+1)−ǫBkx αB( ¯fBE

n

1 −fBE2n) = 0

(4.65) χ1(µ−k1zν)An1+1−χ1(µ+k1zν)B1n+1+χ2(µ−k2zν)An2+1−χ2(µ+k2zν)B2n+1−

Imagem

Figura 2.1: Os n´ıveis de energia do exciton para transi¸c˜oes diretas, mostrando que a extremidade da banda de condu¸c˜ao e a extremidade da banda de valˆencia est˜ao no centro da zona de Brillouin, em k = 0.
Figura 2.2: A representa¸c˜ao esquem´atica dos n´ıveis de energia do exciton no Cu 2 O
Figura 2.3: A representa¸c˜ao esquem´atica de um exciton de Frenkel mostrando o par el´etron- el´etron-buraco fortemente ligado, com a excita¸c˜ao localizada sobre um ´ unico ´ atomo de um cristal iˆonico.
Figura 2.4: A representa¸c˜ao esquem´atica do exciton de Wannier-Mott, um par el´etron-buraco fracamente ligado e separado por v´ arias distˆ ancias interatˆ omicas a.
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Referências

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