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40% do PIB!
Diário do Comércio
Marcos Cintra – 11, 12 e 13/08/2006
Em meados dos anos 60 a carga tributária brasileira atingiu a casa dos 20%, e foi bater em 30% no final da década de 90. Foram quase 35 anos para que o poder público abocanhasse mais 10 pontos percentuais da riqueza
produzida no País.
Em 2006 a carga tributária poderá absorver 40% do PIB. É espantoso, mas os mesmos 10 pontos percentuais que levaram três décadas e meia para serem transferidos ao poder público foram extraídos, desta vez, em menos de dez anos. Não há país no mundo que tenha absorvido tamanha fúria fiscal em tão pouco tempo.
A carga tributária de 40% do PIB iguala o Brasil, com sua miserável renda per capita anual na casa dos US$ 3,5 mil, aos países ricos da Europa e o coloca no topo quando comparado com os Estados Unidos, Canadá e Japão, apesar dessas economias registrarem renda anual por habitante dez vezes maior. Em relação aos demais países
emergentes, o peso dos tributos no Brasil está muito acima da média de países como Argentina, Chile, México, Rússia, China e Índia.
Quatro foram os tributos que mais cresceram em relação ao PIB e contribuíram para acelerar a carga tributária entre 1998 e 2005. São eles: Cofins (1,9% para 4,5%), ICMS (6,7% para 7,9%), IR (4,5% para 5,8%) e as contribuições previdenciárias (5,1% para 6,4%). Estes tributos determinaram a elevação da incidência de impostos sobre os bens e serviços (de 12% para 15,7% do PIB), sobre a renda (de 5,2% para 7,1% do PIB) e sobre a folha de salários (de 6,9% para 8,1% do PIB).
Nas últimas eleições, o presidente Lula assumiu o compromisso de levar adiante a reforma tributária, mas fez
apenas o que interessava a ele e ao governo federal. Quem pagou a conta foi a classe média e os assalariados, que arcaram com mais imposto de renda na fonte e mais tributo indireto, e as empresas locais que atuam em mercados competitivos.
Já passou da hora do País fazer a reforma tributária. Contudo, não dá para imaginar que a carga de impostos possa cair, como seria necessário, de um ano para o outro.
A saída seria manter o patamar de arrecadação, porém melhorar os padrões de incidência e de distribuição da carga tributária. Nesse sentido, a saída seria utilizar a movimentação financeira para unificar os tributos declaratórios em uma base não-declaratória, insonegável, ampla, universal e de baixo custo.
A CPMF representa 1,5% da carga tributária e poderia ter essa participação aumentada gradualmente através da absorção de outros tributos, a começar pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. Outros tributos federais como a Cofins, IR, CSLL, e IPI seriam substituídos da mesma forma até que um imposto federal sobre a movimentação financeira se tornasse a base da arrecadação da União.