CO N STITUIN TES PRAGMÁTICOS EM POSIÇÃO IN ICIA L:
DISTINÇÃO EN TRE
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
TEMA, TÓ PICO
E
FO CO
1Erotilde Goreti PEZ A TTI2
• RESUMO: Este estudo trata da função pragmática Tema, no português oral e escrito, procurando estabelecer uma clara distinção entre esse constituinte e as funções, também pragmáticas, de Tópico e Foco. Para tanto, adota a perspectiva teórica da Gramática Funcional de Dik (1981, 1989) e utiliza,
comozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA corpus oral, os materiais do Projeto NURC e, como corpus escrito, textos de jornais, revistas de reportagens e cartas pessoais. O trabalho
está dividido em cinco seções: 1. apresenta a justificativa de tal abordagem; 2. os princípios teóricos que embasam o trabalho; 3. fornece a caracteriza-ção do constituinte Tema; 4. estabelece a distincaracteriza-ção entre as funções prag-máticas de Tema e Tópico; e, finalmente, 5. distingue Foco de Tema.
• PALAVRAS-CHAVE: Funções pragmáticas; tema; antitema; tópico; foco; antitópico.
Introdução
De u m p o nto d e v ista funcio nal, a ling u ag em é u m instru m ento usado para propósitos essencialmente co municativo s; po r isso, so mente é po ssível co mpreend er ad equad amente as exp ressõ es lingüísticas se
1 A uxílio á Pesquisa - Fapesp - Proc. n.96/8892-0. Bolsa Pesquisador CN Pq - 2C-Proc. n. 300099/94-0.
2 Departamento de Letras Vernáculas - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas - UNESP - 15054-000 - São José do Rio Preto - SP.
fo rem co nsid erad as o perand o em circunstâncias efetivas de interação verbal. Desse mo d o , muitas de suas pro pried ad es são co -d etermmad as pela info rmação co ntextual e situacio nal disponível aos interlo cuto res. Isso sig nifica que a estrutura g ram atical p o d e manifestar d iferenças relevantes, co rrespo ndentes à atribuição de diferentes funçõ es pragmá-ticas aos co nstituintes. Por funçõ es pragmápragmá-ticas entend e-se o co njunto co mpleto de co nhecimento , crença, supo siçõ es, opiniões e sentimento s disponíveis aos falantes no m o m ento da interação .
Estudiosos de orientação funcio nalista, como Dik, Chafe, Tho mpso n, Du Bois, Prince, Hopper, entend em que o emissor organiza suas expres-sõ es lingüísticas de acordo co m a avaliação que elabora da info rmação p ragmática d o d estinatário no m o m ento da enunciação . O o bjetiv o d o emissor é, em geral, levar o d estinatário a efetuar alguma mud ança em sua info rmação p rag m ática e, a f i m de ating ir essa meta, inicia seu enunciad o tip icamente a p artir de alg uma po rção de info rmação que o interlo cuto r p resumiv elmente já possua, co ntinuand o , a seguir, a acres-centar aí outras info rmaçõ es que ele pensa serem novas para o d estina-tário ; é isso que p o d e levá-lo, então , a operar mo d ificação no co nheci-mento presumível do destinatário . A atribuição de funçõ es p ragmáticas é o mecanismo lingüístico que d efine a característica mais id entifica-dora da ling uag em, a de um a ativ id ad e cooperativa entre interlo cuto res so cialmente o rganizad o s. Esse princípio é u m dos mo tiv o s po r que se justifica o estud o de funçõ es p ragmáticas no texto oral e escrito .
A crescente-se aind a o fato de que há grand e co nfusão na co nside-ração das funçõ es p rag máticas de tó p ico , foco, antitó p ico , tema etc. Tó pico é, po r vezes, tratad o co mo o co nstituinte deslo cado à esquerda, por isso seu estudo está sempre relacionado à o rd em de palavras (Braga, 1984, 1986, 1987). A d efinição de tó pico é, não raro, co nfund id a co m a de sujeito , que é um a catego ria sintático -semântica e não p rag mática (cf. os gramático s trad icio nais), e outras vezes co m a de Tema, enten-d ienten-d o ora co mo o co nstituinte que o cup a sempre um a p o sição esp ecial na sentença, a inicial (Chafe, 1976), ora co mo o elemento d ad o , co nhe-cid o (cf. os funcio nalistas de Praga, co mo Danes, Firbas, Co mbettes). Fo co tam b ém aparece na literatura co mo u m a catego ria ambíg ua, já que, às vezes, é a informação nova (Dik, 1989), equivalente a rema; outras vezes é o co mentário (Tarallo & Kato , 1989), o po nd o -se, nesse caso, a tó p ico ; o u aind a o elemento a que o falante quer dar realce (Dik, 1989) o u simp lesmente co ntrastar (Chafe, 1976).
co nstituintes que se co lo cam em p o sição inicial na p red icação , Tema, Tó p ico e Fo co . Procura mo strar que o que tem sid o d eno minad o To p i-caliz ação (To p) co rresp o nd e, na verd ad e, ao fenô meno lingüístico d e fo calização co m co ntraste, e o tão d iscutid o co nstituinte d eslo cad o à
esquerd a (DE) é o co nstituinte que estabelece ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA frame co m relação ao q u al se p ro d uz um a p red icação , e não se co nfund e co m o Tó p ico , a
entid ad e d o d iscurso sobre a qual se fala.
Será dada maio r atenção ao Tema, po is este estud o se propõe p ri-meiramente d elimitar nitid amente o papel dessa função pragmática, e, em seg und o lugar, d isting ui-la do Fo co e d o Tó p ico . Para dar co nta d essa emp reitad a, inv estiga esses co nstituintes basicamente à luz d a Gramática Funcio nal de Dik (1981, 1989), no p o rtug uês brasileiro . O corpus é co nstituíd o de texto s orais pertencentes ao materiais do Pro-jeto NURC e de texto s escrito s retirad o s de jo rnais, revistas de repo r-tagens e cartas pesso ais.
Fundamentação teórica
A teo ria de o rdenação de co nstituintes da Gramática Funcio nal (GF), pro po sta por Dik (1981, 1989), sustenta que cada língua tem u m o u mais p ad rõ es funcio nais, co nfo rme o esquema geral representad o em (1).
(1) P2, PI (v) s( v ) o (v), P33
A s regras de c o lo c aç ão inserem os co nstituintes da p red icação subjacente em suas respectivas p o siçõ es nesse esquema e nenhum mo -v im ento subsequente é p ermitid o , um a -vez que u m co nstituinte tenha o btid o sua p o sição na estrutura. P2 e P3 são as p o siçõ es reservad as, resp ectiv amente, para Tema ( Theme) e A ntitem a (Tail),* e as vírgulas ind ic am pausas ento nacio nais.
A ssim, entre as vírgulas, enco ntram-se os po ssíveis pad rõ es para a o ração p ro p riamente d ita, as variaçõ es estruturais do que co nstitui um a
3 Os parênteses indicam aqui posição variável do constituinte V.
4 Convém explicitar que, na GF,
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Antitema abrange o constituinte que Tarallo & Kato (1989) chamam de Anti- tópico (sic), que se caracteriza como o resultado de uma regra de inversão livre, em que"o sujeito é um pronome resumptivo zero, anafónco de um SN em posição adjunta a S. não-argu-mental" (1989, p.30). A despeito da diferença de terminologia, o Antitema é também uma posição não-argumental e. portanto, adjunta a S, em termos gerativos. Conforme sugeri anteriormente (Pezatti, 1992), traduzi poi Antitema o termo Tail, de Dik, pois, além de representar posição não-argumental, como o Tema. coloca-se linearmente em posição antagônica a ele
predicação co mpleta, conforme o esquemazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Tema, Predicação, Antitema. A s regras de co lo cação d eterm inam , em p rimeiro lugar, quais co
nsti-tuintes d evem o u p o d em ir para a p o sição P I: verifica-se, p rimeiramente, se há alg um co nstituintePl na pred icação , co mo palavrasQu, pro -no mes relativo s e co necto res subo rd inativ o s. Se nenhu m co nstituinte desse tip o estiver presente, então p o d em ser co lo cad o s na p o sição PI co nstituintes co m função de Foco o u de Tó p ico . A p licad as as regras d e PI, to d o s os d emais co nstituintes da p red icação assumem as resp ecti-vas p o siçõ es estruturais, ind icad as por s (sujeito), o (objeto), v (verbo) e o utro s símbo lo s po ssíveis, co mo x, usad o s esp ecialmente para ind icar p o siçõ es de satélites.
A lg o m u ito pró ximo de u m p reenchim ento de to d as as p o siçõ es previstas no esquema em (1) seriam sentenças co mo (2); co nfo rme já exp licitad o , s é levad o , em v irtu d e de sua p ro p ried ad e tó p ica, para a p o sição P I.
(2) Bebida alcoólica, ele gosta muito, o Pedro. P2, Pl/ S V X, P3
Em (2), bebida alcoólica é o Tema, que o cupa a p o sição mais à es-querd a d a pred icação ; o pro no me eJe, por acumular co nco mitantemente a função p ragmática de Tó p ico e a sintática de sujeito da p red icação , p o sicio na-se em PI, lugar reserv ad o aos co nstituintes que têm u m a função esp ecial, seja g ram atic al o u p rag m ática; já o c o nstitu inte o Pedro, p o r esclarecer anafo ricamente a referência d o p ro no m e ele, ê p rag maticamente u m A ntitem a, e o cup a a p o sição P3, reservad a para essa função .
A s funçõ es p rag máticas são atribuíd as aos co nstituintes d e um a exp ressão lingüística do mesmo mo d o que o são as funçõ es sintáticas. Freqüentemente (mas nem sempre), os co nstituintes p ragmático s terão uma função semântica e, po ssivelmente, um a função sintática.
A lingüística funcio nal (especialmente Dik, 1989) d isting ue as f u n-çõ es p rag máticas de aco rd o co m seu esco po estrutural. Desse mo d o , qualquer texto de uma língua natural po d e ser exaustivamente d iv id id o em co nstituintes extra-o racio nais (p o siçõ es P2 e P3) e co nstituintes intra-o racio nais (Dik, 1981, 1989).
A s funçõ es p ragmáticas
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intra- oracionais co ncernem ao estatuto info rmacio nal do s co nstituintes em relação ao co ntexto co municaciofunçõ es p rag máticas intra-o racio naiszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA foco e tópico são sempre atribuí-das a alg um elemento d a p red icação (argumento s, satélites, operadores
de termo s e de p red icad o s).
A função de
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Tópico apresenta a entid ad e sobre a qual a pred icação pred ica alguma coisa numa dada situação ; em outras palavras, na p redi-c aç ão nó s d izemo s alg uma i-co isa sobre o Tó pii-co , i-co mo se p o d e verifii-car co m os co nstituintes o empresário e ele em (3), que d esempenham a fun-ção sintática de sujeito da pred icafun-ção e o p ap el semântico de A g ente.
(3) O empresário havia saído de Sorocaba por volta das 12h, com des-tino a Taquarituba (315 Km a oeste de São Paulo), segundo Carlos Marinez de M oraes, primo de Martins Júnior e administrador da
construtora. Ele levava consigo cerca de US$ 40 mil para fazer paga-mento de funcionários que trabalhavam na construção de casas populares. (po -FO-Brasil, 1 18:30)
A função d e Fo co d e u m a exp ressão lingüística, que representa, por o utro lad o , a info rmação relativ amente mais im p o rtante o u saliente nu m d ad o co ntexto de interação v erbal, é avaliad a p elo Emisso r co mo essencial para ser integ rad a na info rmação p ragmática d q,Destinatário . A ssim , em (4) a ento nação mais acentuad a na palavra enorme d á-lhe maio r realce e ind ica a impo rtância que o Emisso r dá a essa info rmação nesse co ntexto co municativ o . Em tal caso, a função pragmática de Foco recai so bre o o perad o r d e term o enorme.
(4) você ia ao cinema tinha que ficar em pé numa fila eNORme... não
é? (D ID - SP-234:581).
A s funçõ es p rag máticas extra- oracionais, co m o o pró prio no m e sugere, são d esemp enhad as po r co nstituintes que não fazem p arte da p red icação p ro p riam ente d ita, estand o po r isso mais intrinsecam ente associadas à funcio nalid ad e pragmática. Esses co nstituintes apresentam as seguintes p ro p ried ad es:
1 p o d em preceder, interro mp er o u seguir a o ração ;
2 são tip icam ente separado s d a o ração po r u m a pausa ento nacio nal pró pria;
3 não são sensív eis a regras g ramaticais d a o ração , embo ra p o ssam estabelecer relaçõ es d e co -referência, p aralelismo (mesma marca-ção de caso) o u m etátese co m a o ramarca-ção à qual estão asso ciad o s; 4 não são essenciais à integ rid ad e interna da estrutura da o ração , isto
é, q uand o são subtraíd o s, a o ração co nserva a sua integ rid ad e es-trutural e g ram atical.
São exemp lo s de co nstituintes co m função p rag mática exto ra-cio nal os termo s grifad o s nas sentenças (5-6).
(5)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA Bem, então vamos tentar reconstruir a maneira de vida desse povo (EF-SP-405:54)
(6) (es)tá muito complexo isso aí Francisco? (EF-PO A -278: 127)
(7) temos por exemplo um presidente um secretário ...um tesoureiro que são por assim dizer as peças chaves (DID-RE-131:74)
(8) então essas glândulas ... elas não se desenvolvem... (EF-SSA -49:28) (9) e:: depois volto para casa mas chego já apronto o outro para ir para
a escola ... o menorzinho (D2-sp-360:158).
Co mo se p o d e observar pelos exemplo s, os co nstituintes exto ra-cio nais serv em a um a varied ad e de funçõ es p ragmáticas, tais co mo (1) monitoramento da interação , (2) comentário do co nteúd o da o ração e (3) organização do co nteúd o da exp ressão , em relação ao co ntexto em que o co rre. No s exemplo s citad o s, d isting uimo s em (5) u m Iniciad o r, em (6) u m Vo cativ o , em (7) u m Parêntese M o d al, em (8) o Tema e em (9) o A ntitem a (ou A p ênd ice, segund o Peres, 1984).
O constituinte Tema
5O termo Tema é geralmente empregado para designar u m g rup o de co nstituintes, interp retad o na literatura co mo "co nstituintes deslo cado s à esquerd a". Para D ik (1981), o c o nstitu inte c o m a função d e Tem a apresenta o domínio o u universo d iscursivo [trame) co m relação ao qual é relevante enunciar a pred icação subseqüente. Exem p lificam essa fun-ção p ragmática as exp ressõ es grifad as nas sentenças (10-11) a seguir.
(10) então a minha de onze anos ...ela supervisiona o trabalho dos cin-co... (D2-SP-360:192)
(11) Quanto à casa da praia, é onde eu tenho me refugiado quando temos nossas férias e folgas... (CP-3.7.1996:PS)
Dik (1997) entend e que as exp ressõ es lingüísticas q ue se inic iam co m u m Tema atend em às seguintes estratég ias d o Falante:
5 Sob o rótulo de Tema, este trabalho inclui o que Dik (1997) denomina Orientação, uma espécie de superfunção pragmática em que podem ser distinguidos tipos mais específicos. Nesse caso,
(i) aq ui está alg uma co isa co m relação à q ual eu v o u p ro d uz ir u m a
info rmação . N as sentenç as acima, trata-se de azyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA minha [filha] de onze anos em (10) e quanto à casa da praia em (11).
(ii) e aq u i está a p red icação , que nas sentenças co rresp o nd em a eia supervisiona o trabalho dos cinco em (10) e é onde eu tenho me refugiado quando temos nossas férias e folgas, em (11).
Um a d as p ro p ried ad es d o Tema é ser u m c o nstituinte externo à p red icação ,6 co m ela co nectad o por razõ es p ragmáticas. Pode-se co
m-pro var esse caráter d e ind ep end ência d a p red icação co m base no s se-g uintes arse-gumento s.
O p rimeiro reside no fato de que a mo d alização da pred icação sub-seqüente não se aplica ao Tema; em o utras palavras, à p red icação que segue o Tema p o d e-se atribuir um a mo d alid ad e, tal co mo d eclarativa, imp erativ a e interro gativa, que não atinge esse co nstituinte, co mo p o d e ser o bservad o no exemplo (12). Do mesmo mo d o , o Tema po d e ter uma m o d alid ad e própria que não ating e a p red icação , co mo nos mo stra a o co rrência (13), cuja mo d alid ad e interro g ativ a incid e apenas no Tema.
(12) Do e. b o m ... sobre alimentação aí... o que você tem visto que pode dizer prá gente? (DID-RJ-328:01)
(13) peças? olha nem sei viu? o que falar agora sobre peças... todas que eu tenho assistido eu tenho gostado... (DID-SP-234:20)
A lém disso , se há u m verbo p erfo rmativ o exp lícito na p red icação , o Tema não é d o minad o por ele. A ssim, numa sentença co mo (12a), fica claro que o Tema está fora da mo d alid ad e p erfo rmativ a da p red icação .
(12a) bom ... sobre alimentação aí... eu prometo que de agora em dian-te vou fazer refeições mais saudáveis
6 Dik (1997) assinala que em línguas que permitem anáfora zero, como o português, reduz-se a um fio tênue a diferença entre uma construção Tema+Oração e uma oração simples com Tópico
an-teposto, que ele denomina " Tema Integrado" A ssim, a diferença entre
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Aquele homem, eu odeioe Aquele homem eu odeio se reduz a uma diferença de entonação. Algumas estruturas muito
recorrentes no português talado, como O meu cano furou o pneu. em que o SN anteposto se
comporta como sujeito, mencionadas por Pontes (1987), são exemplos desse tipo de integração, Buscando explicação em Givón (1976), Dik interpreta os casos de " Tema Integrado" como de-correntes de um processo de gramatrcalização de que resulta a " desmarcação" (deniarkjiip) gradual de uma construção com constituinte Tema marcado Dado esse processo de desmar-cação, é possível esperar que haja construções intermediárias em que o Tema ja tenha sido
incorporado como um constituinte oiacional, mas preserva ainda grande parte de suas proprie-dades orrginais.
O segund o argumento reside no fato de ele não ter função sintática nem semântica e, co nseqüentemente, nenhuma marca co rresp o nd ente à d e seu co nstituinte co -referencial d entro da p red icação . A ssim , em muitas línguas, o co nstituinte co lo cado mais à esquerda po d e não ter a marca de caso que teria, se ocorresse d entro da pred icação , o u seja, ele necessariam ente se inv estirá de u m a esp éc ie d e "f o rm a abso luta", caracterizad a pelo caso meno s marcad o , geralmente o no m inativ o . Em o utras línguas, po rém, o co nstituinte mais à esquerda p o d e aparecer na fo rma abso luta o u co m o caso co rresp o nd ente ao do seu co -referente d entro d a p red icação . A ssim o p o rtug uês p o d e ter o Tema na fo rm a abso luta, co m o em (14), o u c o m caso marcad o co m o em (12), aq u i rep etid a.
(14)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA agora... bebida alcoólica eu gosto de qualquer tipo de bebida... (DID-RJ-328:787)
(12) Do e. bom... sobre alimentação aí... o que que você tem visto o que pode dizer prá gente? (DID-RJ-328:01)
Co mo o Falante freqüentemente pro d uz o Tema antes de ter u m a id éia clara do tip o de p red icação que irá p ro d uz ir so bre ele, é muito» natural encontrar o fenô meno de hesitação entre o Tema e a p red icação , co nfo rm e se v erifica em (15), em que o ah em itid o d ep o is d o Tema, especificamente o tipo de carreira, ind ic a claramente a hesitaç ão d o falante antes de co nstruir a pred icação . Esse fenô meno to rna difícil sus-tentar a idéia de que o co nstituinte mais à esquerda fo i extraído de um a p red icação d esenv o lv id a antecip ad amente.
(15) L2 olha ah o ti/ o ti/ ah o especificamente o tipo de carreira ah eu acho que isso seria qualquer uma (D2-SP-360:650)
Por estar à esquerda da predicação , o Tema o cupa a po sição que Dik d eno mina P2, co nfo rme o esquema em (1), aqui refo rmulad o em (la).
(la) Tema, Pred icação , A ntitem a
É possível, no entanto , o co rrência co mo o da sentença (16), em que o c o nstitu inte Tema é anteced id o d e o utro s elemento s co m funç õ es d istintas: p rimeiro aparece u m mo d alizad o r [graças a Deus) e depo is u m co nstituinte fo co [no nosso curso).
(16) E, graças a Deus, no nosso curso, os estudantes, eles elogiam muito o curso de Dermatologia (DID-SSA -30 1:344)
ser o caso da sentença (16). Embora não esteja na p o sição característica
de Tema, assumimo s quezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA os estudantes, nesse caso, é u m co nstituinte Tema, já que estabelece o frame d entro do qual se insere a p red icação .
A mo bilid ad e desse co nstituinte representa u m argumento a mais para se sustentar sua ind ep end ência co m relação à p red icação , da mesma fo rma que o co rre co m o utro s co nstituintes extra-o racio nais, tais co mo o v o cativ o e o p arêntese m o d al.7
Co mo já afirmad o anterio rmente, o estatuto p ragmático do co ns-tituinte Tema é apresentar u m domínio o u universo d iscursivo em rela-ção ao q ual é relevante enunciar a p red icarela-ção sub seq üente. A ssim o Tema está co nectad o à p red icação so mente po r um a relação p ragmá-tica de relevância, o u seja, a pred icação tem que, de alguma fo rma, es-tar relacio nada ao universo estabelecido pelo Tema. Se não houver essa relação teremo s u m texto inco erente, tal co mo (17),
(17) e a Joana? A neve é branca.
em que não se estabelece nenhuma relação entre Joana e neve. Entre-tanto , essa relação po d e ser estabelecida se a intenção do gmissor, co m base no co nhecimento d e m und o d o d estinatário , é fazer que este crie u m a relação entre a cútis clara de Jo ana (que o d estinatário já deve co nhecer) e a brancura da neve. Nesse caso um a sentença mais ad e-quad a seria (17a), em que o p ro no me ela estabelece um a relação ana-fó rica co m Joana.
(17a) e a Joana? A neve é branca, mas ela é muito mais.
O Tema caracterizse aind a co mo um a função própria da mo d a-lid ad e o ral, c o m raras o co rrências na m o d aa-lid ad e escrita. N aq u ela m o d alid ad e, o bserv a-se um a fro nteira ento nacio nal entre o Tema e a p red icação subseqüente, marcad a por u m co nto rno suspensivo e um a velocidade mais lenta, fatores que caracterizam, po rtanto , a fo rmação de
7 A predicação é constituída de PI (V) S (V) O (V), sendo a posição PI universal. Há línguas, no entanto, que necessitam de uma outra posição dentro da predicação, que Dik (1989) denomina P0. Como Dik (1997) esclarece, mais importante que a posição é a função que exercem os consti-tuintes pragmáticos extra-oracionais. A ssim, o constituinte Tema pode se posicionar dentro da sentença, como um parêntese. De acordo com o esquema em (1), a ocorrência (16) tem a seguinte forma: Pl(no nosso curso), P2(os estudantes), S(eles) V(elogiam) 0(o curso de dermatologia). O
modalizador
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graças a Deus. por ser um satélite de atitude, não pertence à predicação nem possui posição no esquema de predicado.u m g rup o to nal8 ind ep end ente do g rup o to nal da pred icação , co nfo rme atestam os exemplo s ( 18- 19) abaixo .
(18) L I / /
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numa família grande //há sempre um com tarefa de supervi-sor//. . . ( D 2- SP- 360: 189)(19) L I/ / então a minha de onze anos //... ela supervisiona o trabalho dos cinco//... ( D 2 - SP - 3 6 0 : 1 9 2 )
Esse co nstituinte se manifesta, na maio ria das vezes, co m a estru-tura de sintag ma no minal, co nfo rme d emo nstra ( 20) . N o entanto , so-bretud o nas elo cuçõ es fo rmais, há a p resença desse co nstituinte co m a estrutura de sintagma prepo sicio nad o , exemp lificad o em (21), a seguir.
(20) eu... quase não vou ao cinema teatro... às vezes eu vou... mais a teatro do que cinema... filme eu gosto mais de comédia... não gosto muito de filme... ( D ID - SP- 234:5)
( 21) então em relação ao Japão... o milagre japonês realmente foi mi-lagre sabe? ( EF- RJ- 379:200)
É tam b ém c o m u m ao Tema ap resentar co -referencialid ad e c o m alg um elemento da predicação , que pode estar explícito por meio de u m p ro no me o u anáfora zero. Essa co -reíerencialid ad e po d e se estabelecer co m qualquer função sintática: co m o sujeito , co mo atestam os exemplo s ( 22 e 23) , co m o o bjeto co nfo rme se o bserva em (24), co m o co m -p lemento no m inal em (25), co m o ad junto ad v erbial em ( 26) .
(22) o acarajé eu acho que
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0 é de feijão... não é? ( D ID - RJ- 328: 180)(23) e o Nelson ele saiu dos transportes... ha mais ou menos uns:: sete... ou oito anos ( D 2- SP- 360: 837)
(24) Quanto à carta do Cacá. tudo bem pela demora, sei que você é calminho, mas se você quisesse teria me entregue 0 antes não é?
( C P- 1 7 . 9 . 1 9 9 1 : 4 0 )
(25) agora... merenda escolar eu tenho pouca noção 0 ( D ID - RJ- 328: 523)
(26) E a avenida, também vai muito lá? ( C P- 11.6.1992:10)
A s estruturas exem p lificad as em ( 20) , ( 22) ( 23) são co nhecid as resp ectiv amente na literatura co rrente co mo casos de "tó pico no estilo chinês" e "tó pico co mo sujeito p rematuro ", segund o Chafe ( 1976) , o u aind a "d up lo sujeito " (Pontes, 1987, p .13) .
Co m relação à co -referencialidade, fo i po ssível notar, nozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA corpus es-crito , u m a o co rrência curio sa do co nstituinte Tema: em p rimeiro plano ,
o emissor intro d uz u m termo genérico (Agora sobre o pessoal) e po ste-rio rm ente c o m eç a a esp ecificá-lo (a Alê, o tio Gustavo e a Priscila). O Tema é co -referencial aos três p rimeiro s sintagmas, que têm a função de sujeito . Co mo se trata de exemplo extraído de um a carta pessoal em que auto r intro d uz um a info rmação no va e genérica, ele sentiu necessi-d anecessi-d e necessi-de esp ecificá-la a seu interlo cuto r necessi-d istante.
(27) Agora sobre o pessoal, a Alê comprou um micro todo lindo! O tio
Gustavo comprou um monza 91 4 portas lindo! A Priscila está qua-se namorando o Elver (CP-06. 10.1996:44)
A análise dos dado s mo stro u que, na escrita, o Tema é usad o tip i-camente para apresentar u m domínio o u universo d iscursivo em relação ao q ual é relevante enunciar a p red icação subseqüente, co mo se obser-va no exemp lo (27), não send o referid o p o sterio rmente. Já, na m o d ali-d aali-d e oral, no ta-se que, ao estabelecer o ali-d o mínio so bre o q ual se refere a p red icação subseqüente, o Tema intro d uz um a entid ad e no va no d is-curso . Daí a p resenç a d o elemento co -referencial na p red icação , so-bretud o na função d e sujeito . Em (23), rep etid a aq ui, o c o nstitu inte-Tema o Nelson é usad o para intro d uz ir u m elemento no vo que será o Tó p ico (co nfo rme definição de Dik) da co nv ersação por u m b o m tem p o . (23) e o Nelson ele saiu dos transportes... há mais ou menos uns:: sete...
ou oito anos. (D2-SP-360:837)
Nessa mo d alid ad e de ling uag em , o Tema é aind a utiliz ad o co mo estratégia para reto mar o turno co nversacio nal, co nfo rme se o bserva em (28). Nessa o co rrência, o lo cuto r (LI) está co m a palavra e é assaltad o pelo interlo cuto r (L2); ao reto mar o turno , ele repete o último trecho de sua fala co mo Tema e co ntinua seu d iscurso .
(28) L I e::: as mulheres são voto assim meio neutro elas:: s/ são meio
ausentes na hora de:: lutar pelos vencimentos
[
L2 começa que quase nem comparecem L I é
L2 né?
L I entãoxia hora de lutar pelos vencimentos elas ...são
L2 (é)
L I quase que ausentes porque elas é muito bom (D2-sp -360:697)
A análise das o co rrências mo stra, aind a, nozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA corpus oral, o uso do co nstituinte Tema pro vo cado pelo "efeito g atilho " (Emmerich, ap ud
Bra-ga, 1986). Esse tip o de estrutura o co rre so mente em casos de diálogo, co mo nos inquérito s do DID e D2, circunstâncias em que, para iniciar seu turno , o lo cuto r rep ete as últimas palavras p ro ferid as p elo inter-lo cuto r, co nfo rme se o bserva nos exempinter-lo s a seguir:
(29) Do e. e bebida alcoólica?
Lo c. bebida alcoólica eu gosto muito... sabe... (DID-RJ-328:787)
(30) Do e. quanto tempo demora... essa refeição?
L2 essa refeição... normalmente leva meia hora mais ou menos... (D2-SP-360:325)
Outras vezes, o falante, ao to mar o turno para respo nd er ao d o c u-mentad o r, repete a info rmação so licitad a em fo rma de Tema, tentand o ganhar tem p o para pro cessar a info rmação . N a v erd ad e, esse co nsti-tu inte serve de ap o io (supo rte) para o p ro cessamento da info rmação , co mo mo stra (15), rep etid a aqui.
(15) Doe. que tipo de carreira... fora essa... seriam digamos conveniente*. L2 o lha ah o ti/ o ti/ ah o especificamente o tipo de carreira ah eu
acho que isso seria qualquer uma (D2-SP-360:650)
D istinção entre Tema e Tópico
Pelo que fo i exp o sto , fica claro que o co nstituinte Tema apresenta traço s p eculiares que o d isting u em d o s o utro s co nstituintes p rag má-tico s. Desse mo d o , não se justifica a co nfusão usualmente feita na lite-ratura entre Tema, Foco e Tó pico , um a vez que esses co nstituintes apresentam características gramaticais sintáticas e sem ânticas , pro só -d icas e p rag máticas -d istintas, co mo veremo s a seguir.
Trataremo s inicialmente da distinção entre Tema e Tó pico , que não raramente se co nfund em: o Tema entend id o co mo tó pico se refere a u m co nstituinte da p red icação que sofre u m d eslo camento à esquerd a.
Em sentid o abstrato , p o d e-se considerar que u m d iscurso co ntém u m "esto que de tó p ico s", vazio no início, e que vai grad ualmente send o p reenchid o c o m Tó p ico s-Discursiv o s, co nfo rm e são intro d uz id o s no d iscurso . A lg u ns Tó p ico s têm v id a curta e d esap arecem, o utro s são mais p erv asiv o s e p erm anecem ao lo ngo d o d iscurso . Se u m d iscurso aborda u m certo Tó pico , este deve ser intro d uzid o em alg um m o m ento . Quand o ap resentad o p ela p rim eira vez, o Tó p ico Discursiv o é d eno -m inad o Tó p ico -N o v o (To p -N ); ap ó s ser intro d u z id a, a entid ad e e-m questão p assará a ser co nsid erad a u m Tó p ico -Dad o (To p -D). A lg u m as vezes, d ad o u m certo Tó p ico , p o d ese falar sobre o utro s a ele relacio -nado s, co mo se já tiv essem sid o intro d uzid o s antes, casos em que se terá u m SubTó p ico (Sub-To p). Por o utro lad o , um a certa entid ad e, que tenha sido aband o nad a po r alg um temp o , po d e ser reavivada no d iscurso e restabelecida co mo Tó p ico . Tal entid ad e será d eno minad a Tó p ico -Reto mad o (To p-R).
Em (31), por exemplo , o co nstituintezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA período do paleolítico é o Tó -p ico -N o v o , -po is está send o intro d uz id o no d iscurso -pela -p rim eira vez,
co mo o blíquo , em po sição final. N a sentença seguinte, já co mo Tó p ico -Dad o , ap arece co m o o sujeito , em p o sição inic ial, exp resso ap enas pelo sintag ma no minal o paleolítico, co m função semântica Z ero .9 Co
n-tinua co mo Tó pico -Dad o na sentença seguinte, aind a co mo sujeito , mas agora elid id o , co nservand o a mesma função semântica, já que se trata do mesmo tip o d e estad o -d e-co isas da sentença anterio r, u m Estad o .
(31) Inf. (...) então nós vamos começar pela Pré-História... hoje exata-mente pelo período... do paleolítico... a arte... no período paleo-lítico... o paleolítico é o período... da pedra lascada... como
vocês todos sabem... não é? e
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
0 tem uma duração de aproxi-madamente seiscentos mil anos... pegando a fase da evoluçãodo homem enquanto ho mo sapiens... que já deixou de ser ma-caco... passou a usar a inteligência... a conseguir fazer coisas... e como a gente vê 0 é um período eNORme frente ao que a gente conhece da história humana... (EF-SP-405:1)
Co mo se po d e notar, desse p o nto de v ista teó rico , o Tó pico , embo ra seja u m co nstituinte p ragmático , é tam bém u m co nstituinte da p red
i-9 Dik define a função semântica Zero como a entidade primariamente envolvida em um Estado. Estado, por sua vez, indica o estado-de coisas não-dinâmico e não-controlado.
c aç ão , arg um ento o u satélite, e d esemp enha funçõ es sintáticas e sem ântic as. Pode o cup ar q ualq uer p o sição d entro d a sentenç a, não necessariamente a p o sição inicial, e exercer um a função sintática, que não é necessariamente a de sujeito . A p resenta, assim, características g ram aticais e p rag m áticas m uito d iversas das do c o nstituinte Tema, d evend o , p o rtanto , ser tratad o d istintam ente.
D istinção entre Tema e Foco
O Tema é, o utras vezes, co nfund id o co m o co nstituinte into ra-cio nal Foco, que o cupa a po sição PI, no esquema (1), apresentado ante-rio rm ente. N o entanto , o elem ento fo cal inserid o na p o siç ão P I , o u seja, o co nstituinte que se p o sicio na mais à esquerda da o ração , co mo se po d e verificar pelos exemplo s, assinala sempre alg um co ntraste entre ele e o utras partes da info rmação co ntid as na p red icação . Essas partes p o d em estar exp licitam ente apresentad as, em co nstruçõ es paralelas, tais co mo (32-34) abaixo .
(32) ...seizyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA lá eu sabe o que eu o que eu noto... que o teatro agora... eu posso (dizendo isso) que antigamente o pessoal ia a gente via éh
casais aoora não eu acho que vai mais estuDANte eu acho que o pessoal deixou de ir a teatro né? eu acho que vai mais estudante mais molecadinha rapazes sei lá (DID-SP-234:141)
(33) Inf. eu noto que antigamente ti/tinham filmes mais assim::... com maior conteúdo mais éhr.os filmes eram mais... ah::... o pessoal... não sei hoie em dia não aparece tanto filme como antigamente eu me lembro de vários filmes não lembro os nomes ( D ID - SP-234:364)
(34) L2 exatamente né? então vamos tentar:: () ver se conseguem L I isso
12 agora é uma carreira muito boa principalmente para mulher L I é
L2 ( ) pra homem iá começa ficar um pouco mais difícil principal-mente para os que têm dedicação exclusiva (D2-SP-360:637)
ntrapressu-po sicio nai. Esses são os casos mais típico s d e fo calização dado s na lite-ratura e geralmente tratad o s co mo to p icalização . São o co rrências desse tip o as sentenças (35) e (36) a seguir.
(35) Inf.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA quer dizer o pouco que eu:: eu imagino isso... agora a televisão eu estou fazendo assim um... uma... uma comparação porque
à televisão eu tenho ido... estes últimos tempos eu tenho ido nesses programas de televisão então eu tenho achado que o trabalho que eles... fazem na no no palco para gravar o teipe da televisão... (DID-SP-234:202)
(36) Inf. eu noto que antigamente ti/tinham filmes mais assim::... com maior conteúdo mais éhr.os filmes eram mais... ah::... o pessoal... não sei hoje em dia não aparece tanto filme como antigamente
eu me lembro de vários filmes não lembro os nomes... éh:: eram filmes...que tocavam mais as pessoas hoie em dia os filmes são mais vazios sei lá... (DID-SP-234:367)
Observ a-se em sentenç as desse tip o q ue o c o nstituinte em p o si-ç ão inic ial (PI) estabelece u m a restrisi-ção entre aq u ilo q u e o falante sup õ e estar na mente d o d estinatário e o q ue ele quer .acrescentar, o u seja, u m a p arte fica imp lícita já q ue o emisso r p resume que, embo ra o d estinatário d etenha u m a p arte co rreta d e info rmação (x), acred ita tam b ém — eq uiv o cad am ente, na v isão d o emisso r — nu m a p o rção
que é inco rreta (
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Y). N esse caso , o emisso r co rrig e a p resum id a infor-m aç ão p rag r-m ática d o d estinatário , restring ind o o co njunto d e itens p ressup o sto s ao ite m q u e co nsid era co rreto . O fo co co ntrap ressup o -sicio nal em p o sição PI tem , assim, a função p rag mática d e restring ir p o rçõ es d e info rmação . Em (35) o sintag m a á televisão co ntrasta c o m teatro, ago ra implícito , embo ra tenha ap arecid o anterio rm ente, p o is o te x to g ira e m to rno d e cinem a, telev isão , teatro e rád io . Em (36) o co ntraste é feito co m antigamente, info rmação implícita, já q ue o texto d esenvo lve as d iferenças entre os film es antig o s e os d o m o m ento d a enunciação .
A ssim, d e u m p o nto de v ista sintático , o Foco co ntrastivo se carac-teriza po r ser u m co nstituinte d a pred icação , po sicio nand o -se estrategi-camente no início d ela; d e u m p o nto d e v ista p ragmático , caracteriza-se p o r estabelecer co ntraste entre p artes d a p red icação e simultanea-mente restringi-las. De u m p o nto d e v ista pro só d ico , o Fo co é marcad o po r u m a v elo cid ad e mais rápid a e u m co nto rno ento nacio nal d escen-d ente, co nstituinescen-d o c o m a p reescen-d icação u m único g ru p o to nal, co mo se p o d e v erificar e m (37).
(37)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA ...quer dizei é uma corrida assim:: bárbara... e diariamente quase que diariamente eles chegam atrasados... outro dia ((risos))/ / num
mês eles tiveram quinze atrasos//... ((risos)) quer dizer ( D 2 sp -360:331)
Nessa ocorrência, o emissor pro nuncia o enunciado sem estabelecer uma pausa entre num mês e eles tiveram quinze atrasos; além d isso , o sintag m a num mês tem u m a v elo cid ad e mais rápid a e u m co nto rno ento nacio nal d escend ente que se estabiliz a em eles tiveram quinze atrasos.
Considerações finais
O propósito deste trabalho fo i estabelecer critérios que p ermitissem d istinguir nitid amente os co nstituintes que o cup am a po sição inicial da p red icação , no p o rtuguês brasileiro , co m base na p ersp ectiv a funcio -nalista de D ik (1981, 1989).
A análise de dados do po rtuguês co nfirma a distinção efetuada por D ik: os c o nstitu intes em p o siç ão inic ial se caracteriz am sintática, sem ântic a e p rag m atic am ente em três tip o s d istinto s Tema, Fo co e Tó p ico .
Do p o nto d e v ista sintático , o Tema d isting ue-se p o r o cup ar a p o sição inicial, externa à p red icação , caracterizad o na fo rmulação de Dik (1981) p o r P2, e não d esemp enhar nenhum a função sintática. O Fo co , p o r sua vez, é interno à p red icação , e, q uand o restritiv o , p o d e o cupar a p o sição inicial, d eno minad a P I; sintaticamente p o d e d esem-penhar as mais variadas funçõ es. Já o Tó pico , co mo o Foco, é também u m co nstituinte da p red icação e, co mo tal, p o d e ter diferentes funçõ es sintáticas, o cup and o , po r isso, qualquer p o sição d entro da p red icação , incluind o a inicial, so bretud o q uand o d esemp enha a função sintática de sujeito .
Do p o nto de v ista semântico , ao Tema não é necessariamente atri-buíd a nenhum a função ; já o Fo co e o Tó p ico aceitam atribuição d e casos semântico s.
já o Tó p ico não se d isting ue p ro so d icamente, o u seja, não p o ssui um a marcação ento nacio nal p ro eminente.
Do p o nto d e v ista p rag mático , o Tema estabelece o univ erso d o d iscurso em relação ao qual é relevante enunciar a p red icação subse-qüente, p o d end o intro d uzir um a entid ad e nova no discurso o u serv ir de ap o io para o pro cessamento d a info rmação . O Fo co em p o sição inicial sempre estabelece u m co ntraste entre p artes de info rmação , restrin-g ind o e ao mesmo temp o realçand o um a delas. O Tó pico , p rarestrin-g matica-mente, representa a entid ad e que é tratad a no d iscurso .
A cred itamo s, co m este trabalho , ter esclarecido que o co nstituinte Tema, da p ersp ectiv a da Gramática Funcio nal de Dik, v ai além do que se tem d eno minad o co nstituinte d eslo cad o à esquerd a e q ue não deve ser co nfund id o co m o Fo co nem co m o Tó p ico , funçõ es p rag máticas p ertencentes à p red icação .
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• ABSTRACT: This paper deals with the extra-clausal pragmatic function Theme, in oral and written Portuguese, trying to establish a sharp dis-tinction between this constituent and those which perform pragmatic functions of Topic and Focus. In order to do this, we adopt the Simon Dik's Funcional Grammar perspective (1981, 1989). The oral corpus is constituted by a sample extracted from NURC Project and the written one by samples collected from newspapers, magazines, advertisements and personal letters. This paper is organised in four parts: 1. proposition; 2. theoretical principles: 3. Theme's characterization, and 4. distinction among Theme, Topic and Focus functions.
• KEYW ORDS: Pragmatic functions: theme: tail; topic; focus; afterthought.
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