Campus de Rio Claro Curso de Graduação em Engenharia Ambiental
GUILHERME ASSUNÇÃO FARIA
DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE
SAÚDE DO GRUPO B GERADOS NO MUNICÍPIO DE
UBERABA (MG)
Monografia apresentada à Comissão do Trabalho de Formatura
do Curso de Graduação em Engenharia Ambiental do Instituto de
Geociências e Ciências Exatas – Unesp, Campus de Rio Claro
(SP), como parte das exigências para o cumprimento da disciplina
Trabalho de Formatura no ano letivo de 2010.
Orientador:
Prof. Dr. Marcus César Avezum Alves de Castro
GUILHERME ASSUNÇÃO FARIA
DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE
SAÚDE DO GRUPO B GERADOS NO MUNICÍPIO DE
UBERABA (MG)
Orientador:
Prof. Dr. Marcus César Avezum Alves de Castro
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Instituto de Geociencias e Ciencias Exatas da
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho” - Campus de Rio Claro, para obtenção do
grau de Bacharel em Engenharia Ambiental.
À Deus por ter me presenteado com uma família maravilhosa, ter me dado saúde, paciência e me ajudado nos momentos mais difíceis da minha vida.
Aos meus pais por serem exemplos de determinação, luta, trabalho, dedicação e honestidade.
Ao meu irmão Gustavo que sempre esteve comigo nas horas de dificuldade, me auxiliando na tomada de decisões.
Ao Engenheiro Dr. Marcus César Avezum Alves de Castro pela orientação neste trabalho, além de imensa sabedoria e paciência que teve para me auxiliar em minha pesquisa e em minha formação acadêmica e pessoal.
Ao Engenheiro Dr. Marcelo Garcia que sempre esteve presente para me auxiliar, com sua experiência e dedicação, a resolver os problemas que surgiram durante o desenvolvimento do trabalho.
Aos professores do curso de Engenharia Ambiental que me deram à base e o auxílio em minha formação acadêmica.
A Vigilância Sanitária e todo o pessoal das farmácias e drogarias que ajudaram no desenvolvimento da pesquisa, permitindo que meu trabalho fosse realizado.
A minha namorada pela compreensão, apoio, carinho e por conviver ao meu lado durante esses anos de estudo.
“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre”
Índice………... i
Índice de Tabelas... iii
Índice de Figuras………... iv
Resumo... v
Abstract... vi
1. Introdução………... 1
2. Objetivos... 3
3. Revisão Bibliográfica... 4
4. Materiais e Métodos... 30
5. Resultados e Discussão... 35
6. Conclusões... 49
7. Referências Bibliográficas………...………... 50
ÍNDICE
Página
1. INTRODUÇÃO……….………... 01
2. OBJETIVOS………...03
2.1 Objetivos Específicos... 03
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA………... 04
3.1 Histórico dos Resíduos de Serviços de Saúde... 04
3.2 Disposições Legais dos Resíduos de Serviços de Saúde... 05
3.3 Tratamento e Disposição Final dos Resíduos de Serviços de Saúde... 08
3.4 Panorama dos Resíduos de Serviços de Saúde no Brasil... 13
3.5 A Problemática dos Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B... 15
3.6 Principais Geradores de Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B e Responsabilidades Atribuídas... 17
3.7 Classificação por tarjas e o grau de periculosidade dos Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B... 20
3.8 Análise qualitativa e quantitativa dos Resíduos de Serviços de Saúde do grupo B... 21
3.9 Aspectos Gerais sobre os Resíduos de Serviços de Saúde no Município de Uberaba (MG)... 29
4. MATERIAIS E MÈTODOS………... 30
4.1 Objetivos da Seleção Amostral... 30
4.2 Fonte de Dados: Levantamento das Farmácias e Drogarias do Município de Uberaba, MG... 30
4.3 Definição da Amostragem de RSS do Grupo B na Categoria Farmácias e Drogarias... 32
4.4 Elaboração dos formulários aplicados nos postos de entrega voluntária... 33
4.5 Definição da amostragem para a aplicação dos formulários... 34
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES... 35
5.1 Análise Quantitativa das Farmácias e Drogarias... 35
5.2 Caracterização das Instalações da Central de Tratamento dos RSS do Grupo B em Uberaba (MG)... 37
5.3 Descrição do incinerador... 38
5.4 Avaliação dos pontos de entrega voluntária... 41
5.5 Análise dos Formulários... 42
5.6 Análise quali-quantitativa dos medicamentos entregues nos pontos de entrega voluntária... 45
6. CONCLUSÕES... 49
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 50
APÊNDICE...57
APÊNDICE A - Quantificaçao dos medicamentos gerados nas farmácias e drogarias... 58
APÊNDICE B - Questionário para coleta de informações... 59
ÍNDICE DE TABELAS
Página
Tabela 1: Tratamento para os RSS segundo o CONAMA e a ANVISA...09
Tabela 2: Destinação final para os RSS segundo o CONAMA e a ANVISA...12
Tabela 3: Taxa de excreção via urinária dos compostos ativos dos medicamentos...24
Tabela 4: Indicadores de risco associados aos medicamentos...25
Tabela 5: Taxa de remoção dos medicamentos em estações de tratamento de esgoto... 26
Tabela 6: Estabelecimentos Geradores de Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B, segundo o Cadastro da Empresa que realiza coleta diferenciada... 31
Tabela 7: Estabelecimentos Geradores de Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B, segundo o cadastro da Vigilância Sanitária Municipal... 31
Tabela 8: Comparação entre os cadastros da Empresa Terceirizada que realiza coleta especial dos RSS do grupo B no Município e da Vigilância Sanitária Municipal...32
Tabela 9: Número de farmácias e drogarias a serem avaliados... 33
Tabela 10: Quantidade de RSS do Grupo B gerada nas farmácias centrais no município de Uberaba (MG)... 36
Tabela 11: Quantidade de RSS do Grupo B gerada nas farmácias localizadas em bairros no município de Uberaba (MG)... 36
Tabela 12: Quantidade de RSS do Grupo B gerada nas farmácias periféricas no município de Uberaba (MG)... 36
Tabela 13: Farmácias e drogarias avaliadas como ponto de entrega voluntária... 41
ÍNDICE DE FIGURAS
Página
Figura 1: Quantidade de resíduos sólidos de serviços de saúde coletado
por região do Brasil (em t/dia)... 13 Figura 2: Disposição final, tratamento e coleta diferenciada de resíduos
de serviços de saúde no Brasil... 14 Figura 3: Proporção de municípios com contaminação do solo
por causa apontada, segundo Grandes Regiões – 2002... 15 Figura 4: Fluxograma doTratamento e Disposição Final dos RSS do Grupo B
em Uberlândia (MG) ...40 Figura 5: Motivos do descarte de medicamentos
no município de Uberaba, MG... 42 Figura 6: Origem dos medicamentos entregues nos pontos
de coleta no município de Uberaba, MG... 43 Figura 7: Conhecimento do programa de recebimento de medicamentos
no município de Uberaba, MG... 44 Figura 8: Destinação final dos medicamentos antes da entrega
no ponto no município de Uberaba, MG... 44 Figura 9: Classificação por tarjas dos medicamentos entregues
pelos usuários... 45 Figura 10: Formas farmacêuticas mais entregues nos pontos
de entrega voluntária... 46 Figura 11: Vias de administração dos medicamentos entregues nos pontos
RESUMO
Este trabalho visou quantificar a geração de resíduos de serviços de saúde do grupo B em estabelecimentos na categoria de farmácias e drogarias, no município de Uberaba, MG, Brasil, bem como identificar a destinação final nesses ambientes nos meses de Julho a Setembro de 2010. A fim de averiguar também os medicamentos gerados pela sociedade do município de Uberaba, foram realizadas campanhas de entrega de medicamentos vencidos em três farmácias. Para isso, foram aplicados questionamentos com os usuários que procuraram as farmácias para entregar os medicamentos. Após a entrevista, era realizada triagem para a coleta de informações tais como nome do medicamento, forma farmacêutica, tipo de tarja e prazo de validade. Ao final do período de pesquisa, foram preenchidos 76 questionários, totalizando 90 produtos farmacêuticos (média de 1,18 produtos por entrevista). Os resultados sugerem que as farmácias centrais geram uma quantidade maior de medicamentos do que as farmácias localizadas em bairros e periferias. Além disso, os resultados mostraram que as farmácias de manipulação geram uma quantidade maior de medicamentos em relação às demais. Em relação às classes terapêuticas, os anti-hipertensivos representaram a maior porcentagem de medicamentos entregues, com 21,11%. Todavia, um cenário mais preocupante tende a apresentar que a população não sabe exatamente como descartar os medicamentos – sendo que 65% descartavam os resíduos químicos farmacêuticos juntamente com o resíduo domiciliar - o que pode representar um sério risco em termos de contaminação ambiental – de tal sorte que uma campanha em torno do manejo e do descarte corretos de medicamentos deveria ser encorajada.
ABSTRACT
The present work aimed to quantify the generation of group B health care`s residuals in places such as drugstores and pharmacies, in the municipality of Uberaba, MG, Brazil, as well as to identify their final destination in those places during the months of July and September, 2010. In order to also verify the medicaments generated by the whole community, some delivery campaigns were arranged to capture out-of-date medicaments at 3 drugstores. In this sense, all people who effectively looked for a pharmacy/drugstore to deposit the medicaments were invited to respond some questions, containing information about the name of the medicament, the pharmaceutical composition, the color applicable to the medicament and the expiration date. At the end of the period of research, 76 interviews were performed and 90 medicaments were observed (1.18 products per interview, in average). Results obtained suggested that pharmacies/drugstores located downtown tend to generate more medicaments than others located in the districts and periphery zones. Moreover, manipulation drugstores tend to generate more products than their conventional counterparts. Regarding the therapeutic classes, the anti-hypertensive medicaments represented the most substantial percentage of the medicaments delivered, accounting for 21,11%. However, the worst scenario tends to show that people usually do not know exactly how to discard this sort of product – about 65% of the people consulted discard chemical pharmaceutical residuals in the same place the domestic trash is thrown away – what may represent a serious risk in terms of contamination of the environment, so that a strong campaign towards the proper usage and discharge of medicaments should be strongly encouraged.
1.
INTRODUÇÃO
O Brasil enfrenta diversos problemas de ordem sanitária de difícil equacionamento, tais como a ausência de sistemas de tratamento de esgotos sanitários, abastecimento público ou ainda a disposição inadequada de resíduos. O panorama mais grave sugere que esses problemas possuem reflexos na área de saúde pública.
Nesse contexto, os problemas de saúde pública associados ao descarte de medicamentos vencidos ou inservíveis pela população representam um universo desconhecido aos olhos das autoridades competentes. As causas do descarte inapropriado dos medicamentos pelos usuários podem estar ligadas à falta de orientação ou consulta aos profissionais da área da saúde previamente à compra do medicamento, não adaptação/rejeição do medicamento ou ainda a inadequação da quantidade comercializada com a dose prescrita, que ocasiona o acúmulo de medicamentos nas residências e, posteriormente, compromete o prazo da validade.
O destino final destes medicamentos são as lixeiras ou ainda o descarte na rede coletora de esgotos sanitários. No entanto, a presença de compostos perigosos representa riscos ao meio ambiente, pois na sua grande maioria são acumulativos e apresentam elevada toxicidade. Quando descartados na rede coletora de esgotos sanitários, os processos de tratamento convencionais de esgotos não removem tais substâncias, as quais podem ainda causar prejuízos à eficiência da estação de tratamento de esgoto por representar um acúmulo de toxicidade ao sistema de tratamento biológico (PHILIPPI JUNIOR; AGUIAR, 2005).
De acordo com a Resolução RDC 306/2004 da ANVISA, os medicamentos são classificados como resíduos de serviços de saúde do Grupo “B”, constituídos por “Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente”. Segundo a Resolução n°358 do CONAMA, enquadram-se como resíduos de serviços de saúde do Grupo “B” os produtos hormonais e antimicrobianos, citostáticos, antineoplásicos, imunossupressores, digitálicos, imunomoduladores, anti-retrovirais, resíduos de saneantes, desinfetantes, resíduos contendo metais pesados, reagentes para laboratório. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos – IDUM – 20% dos medicamentos adquiridos são descartados de alguma forma para o meio ambiente, segundo uma pesquisa realizada em 2008. Ainda segundo o IDUM, o descarte de medicamentos é uma das maiores causas de envenenamento e intoxicação em comparação ao contato com produtos químicos.
conhecimento dos riscos do descarte inadequado, não existe uma norma especifica para os medicamentos vencidos, os quais são tratados de forma genérica, como resíduos de serviços de saúde. Segundo a ANVISA, estima-se que 1% dos resíduos sólidos urbanos descartados sejam constituídos por resíduos de serviços de saúde, sendo os medicamentos responsáveis por 3% deste total.
Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Bioquímica Oswaldo Cruz, grande parte da população desconhece a forma adequada de descarte dos medicamentos inservíveis. O estudo entrevistou 1.009 pessoas no município de São Paulo e revelou que apenas 2,7% dos entrevistados já haviam recebido alguma orientação sobre o assunto. O levantamento constatou ainda que 75,32% das pessoas descartam a medicação juntamente com os resíduos domiciliares e 6,34% jogam na pia ou no vaso sanitário. Além disso, 92,5% dos entrevistados nunca questionaram sobre a forma correta de fazer o descarte.
Uma abordagem preliminar a respeito do manejo dos resíduos químicos farmacêuticos (grupo “B”) sugere que em função do acondicionamento dos resíduos de serviços de saúde em sacos brancos leitosos e a ocorrência de coleta diferenciada nos estabelecimentos de prestadores de assistência médica (hospitais, postos de saúde, clinicas veterinárias e odontológicas, clinicas médicas, farmácias e drogarias), sugere que esses resíduos, a priori, tenham uma adequada destinação final. Por outro lado, o descarte adequado de resíduos químicos farmacêuticos pela população encontra-se ainda em estágio incipiente (FERNANDEZ, 2000; RIBEIRO, 2009). Nesse sentido, os desafios do segmento envolvem o conhecimento das quantidades descartadas e seu destino final, os tipos de medicamentos e suas respectivas periculosidades, a definição e orientação dos procedimentos a serem adotados pela população.
Tendo em mente os desafios enfrentados e a falta de conhecimento com relação aos resíduos de serviços de saúde do Grupo B, a presente pesquisa teve por objetivo apresentar o levantamento quantitativo dos resíduos químicos farmacêuticos gerados por pequenos geradores, mais especificamente as drogarias. Para complementar o diagnóstico de geração dos resíduos de serviços de saúde do grupo B na categoria farmácias e drogarias no município de Uberaba (MG), foram levantados dados operacionais relativos ao sistema de tratamento e disposição final, de responsabilidade por empresa terceirizada.
2. OBJETIVOS
O objetivo geral da pesquisa é quantificar e avaliar a destinação final dos resíduos de serviços de saúde do “Grupo B - Químicos” (Resolução RDC 306/2004 da ANVISA) gerados em drogarias e farmácias do município de Uberaba – MG. Em paralelo, a pesquisa tem por objetivo realizar uma investigação das causas/motivos do descarte dos medicamentos pelos usuários.
2.1 Objetivos Específicos
(1) Levantar dados sobre as quantidades de resíduos de serviços de saúde do Grupo B gerados nas farmácias e drogarias do município de Uberaba (MG).
(2) Caracterização dos processos de tratamento e disposição final dos resíduos de serviços de saúde do Grupo B gerados nas farmácias e drogarias.
(3) Investigar os motivos que levaram ao descarte do medicamento pelos usuários e o destino dados aos medicamentos antes do programa.
3. REVISÃO DA LITERATURA
3.1 Histórico dos Resíduos de Serviços de Saúde
Embora a geração de resíduos oriundos das atividades produtivas seja um elemento constitutivo da própria evolução histórica do homem, é a partir da segunda metade do século XX, com a introdução de novos padrões de consumo da sociedade industrial, que esse montante de descarte vem crescendo em ritmo superior à capacidade de absorção pela natureza. Aliado a isso, se por um lado o avanço tecnológico das últimas décadas possibilitou conquistas surpreendentes no campo das ciências, por outro contribuiu para o aumento da diversidade de produtos com componentes e materiais de difícil degradação e maior toxicidade (GUEDES, 2006).
Estabeleceu-se, então, um paradoxo do desenvolvimento científico e tecnológico, gerando conflitos com os quais se depara o homem pós-moderno diante dos graves problemas sanitários e ambientais oriundos de sua própria criatividade. Entre esses, situam-se aqueles criados pelo descarte inadequado de resíduos que criaram, e ainda os passivos ambientais, colocando em risco os recursos naturais e a qualidade de vida das presentes e futuras gerações.
A disposição inadequada desses resíduos decorrentes da ação de agentes físicos, químicos ou biológicos cria condições ambientais potencialmente perigosas, que modificam esses agentes e propiciam sua disseminação no ambiente, o que afeta, por conseguinte, a saúde humana.
Diante disso, políticas públicas têm sido discutidas e legislações elaboradas com vistas a garantir o desenvolvimento sustentável e a preservação da saúde pública. Essas políticas fundamentam-se em concepções abrangentes no sentido de estabelecer interfaces entre a saúde pública e as questões ambientais.
elaborarem o Plano de Gerenciamento de seus resíduos. Este esforço se reflete, na atualidade, com as publicações da RDC ANVISA no 306/04 e CONAMA no 358/05.
3.2 Disposições Legais dos Resíduos de Serviços de Saúde
Por várias décadas, os Resíduos de Serviços de Saúde foram denominados, principalmente de lixo hospitalar, resíduos sépticos hospitalares, resíduos sólidos
hospitalares, numa referência explícita de que somente os resíduos gerados por aquele tipo de
estabelecimento mereciam atenção. Com o passar do tempo, à medida em que houve amadurecimento da percepção de que outros tipos de estabelecimentos também produzem resíduos com características similares aos resíduos gerados em hospitais, esses descartes também passaram a ser chamados de resíduos biomédicos, resíduos clínico, resíduo
patológico, resíduos químicos farmacêuticos (ANDRADE, 1997).
A partir de 1987 a terminologia de resíduos de serviços de saúde foi adotada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e encontra-se firmada entre as definições da NBR 12.807, tendo validade a partir de 01 de Abril de 1993. A ABNT, por intermédio da NBR no 10.004/2004, define resíduos sólidos da seguinte forma:
Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face de melhor tecnologia disponível. (ABNT, 2004)
Ainda de acordo com a NBR 10.004/2004, dentro da classificação geral dos resíduos, os Resíduos de Serviços de Saúde enquadram-se em “Classe I – Perigosos”, por apresentarem características de periculosidade. Por seu turno, a ABNT define periculosidade da seguinte forma:
Característica apresentada por um resíduo que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar:
a) risco à saúde pública, provocando ou acentuando, de forma significativa, um aumento de mortalidade ou incidência de doenças, e/ou;
b) riscos ao meio ambiente é a probabilidade da ocorrência de efeitos adversos ao meio ambiente, decorrentes da ação de agentes físicos, químicos ou biológicos, causadores de condições ambientais potencialmente perigosas que favoreçam a persistência, disseminação e modificação desses agentes no ambiente. (ABNT, NBR 10.004, 2004).
provenientes de hospitais, postos de saúde, bancos de sangue, clínicas, laboratórios, farmácias, consultórios médicos e odontológicos e demais estabelecimentos afins.
Em 2003, com a promulgação da Resolução de Diretoria Colegiada, RDC ANVISA n° 33/03, que dispunha sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, passou-se a considerar os riscos aos trabalhadores, à saúde e ao meio ambiente. Contudo, a adoção desta metodologia de análise de risco da manipulação dos resíduos gerou divergência com as orientações estabelecidas pela Resolução CONAMA n° 283/01.
Esta situação levou os dois órgãos a buscarem a harmonização das regulamentações. O entendimento foi alcançado por meio da revogação da RDC ANVISA no° 33/03 e a publicação da RDC ANVISA n° 306 (em dezembro de 2004) juntamente com a Resolução CONAMA n° 358, em maio de 2005. A sincronização demandou um esforço de aproximação que se constituiu no avanço da definição de padrões para o tratamento dos RSS no país, com o desafio de considerar as especificidades locais de cada Estado e Município.
O progresso alcançado com as resoluções em vigor relaciona-se, principalmente, a aspectos tais como a definição de procedimentos seguros, consideração das realidades e peculiaridades regionais, classificação e procedimentos recomendados de segregação e manejo dos RSS.
A RDC ANVISA n° 306/04 e a Resolução CONAMA n° 358/05 versam sobre o gerenciamento dos RSS em todas as suas etapas. Definem a conduta dos diferentes agentes da cadeia de responsabilidades pelos RSS. Refletem um processo de mudança de paradigma no trato dos RSS, fundamentada na análise dos riscos envolvidos, em que a prevenção passa a ser eixo principal e o tratamento é visto como uma alternativa para dar destinação adequada aos resíduos com potencial de contaminação. Com isso, exigem que os resíduos recebam manejo específico, desde a sua geração até a disposição final, definindo competências e responsabilidades para tal.
A Resolução CONAMA n° 358/05 trata do gerenciamento sob o prisma da preservação dos recursos naturais e do meio ambiente. Promove a competência aos órgãos ambientais estaduais e municipais para estabelecerem critérios para o licenciamento ambiental dos sistemas de tratamento e destinação final dos RSS.
Atualmente, a RDC n° 306 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), elaborada em dezembro de 2004, e a resolução n° 358 do CONAMA, de abril de 2005, definem Resíduos de Serviços de Saúde como aqueles: “relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para saúde; necrotérios, funerárias e serviços onde se realizem atividades de embalsamamento (tanatopraxia e somatoconservação); serviços de medicina legal; drogarias e farmácias, inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área de saúde; centros de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos, importadores, distribuidores e produtores de materiais e controles para diagnóstico in vitro; unidades móveis de atendimento à saúde; serviços de acupuntura; serviços de tatuagem, dentre outros similares” (ANVISA, 2004, p. 3; CONAMA, 2005, p.3).
Estimativas da ANVISA (2006) apontam que estes resíduos correspondem de 1 a 3% do total de resíduos sólidos gerados no país, porém merecem atenção especial, uma vez que podem ser infectantes, tóxicos e até radioativos, apresentando riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Quanto a sua classificação, os resíduos de serviços de saúde são classificados em função de suas características e conseqüentes riscos que podem acarretar ao meio ambiente e à saúde. De acordo com a RDC ANVISA n° 306/04 e Resolução CONAMA n° 358/05, os RSS são classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E.
Grupo A - engloba os componentes com possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar risco de infecção.
Exemplos: placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas (membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras.
Grupo B - contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.
Ex: produtos hormonais e produtos antimicrobianos; citostáticos; antineoplásicos; imunossupressores; digitálicos; imunomoduladores; anti-retrovirais, quando descartados por serviços de saúde, farmácias, drogarias e distribuidores de medicamentos ou apreendidos, resíduos de saneantes, desinfetantes, resíduos contendo metais pesados; reagentes para laboratório, inclusive os recipientes contaminados por estes.
Grupo C - quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, como, por exemplo, serviços de medicina nuclear e radioterapia etc.
Grupo D - não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares.
Ex: sobras de alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das áreas administrativas etc.
Segundo HADDAD (2007), grande parte dos resíduos gerados em estabelecimentos de saúde não possuem característica de periculosidade, porém atenta que os mesmos devem ser segregados adequadamente para que não contaminem o resíduo total gerado.
3.3 Tratamento e Disposição Final dos Resíduos de Serviços de Saúde
O tratamento dos RSS consiste na efetiva aplicação de método, técnica ou processo que modifique as características dos riscos inerentes aos resíduos, reduzindo ou eliminando o risco de contaminação, de acidentes ocupacionais ou de dano ao meio ambiente (EICKHOFF, 2009).
Não há alternativa única de tratamento, mas sim alternativas que podem resultar em composições mais ou menos adaptadas a uma situação, sendo necessário, entretanto, que sua aplicação esteja integrada ao restante do sistema de gestão dos RSS, o que envolve uma adequação às características quali-quantitativas do resíduo ao seu fluxo no ambiente interno e externo dos estabelecimentos geradores e aos determinantes estruturais específicos do sistema em que é aplicado (MACHADO e MORAES, 2004). Os sistemas para tratamento de resíduos de serviços de saúde devem ser objetos de licenciamento ambiental, de acordo com a Resolução CONAMA nº. 237/1997 e são passíveis de fiscalização e de controle pelos órgãos de vigilância sanitária e de meio ambiente.
Apesar da existência de algumas tecnologias para o tratamento e destinação final para os resíduos químico-farmacêuticos, a realidade brasileira aporta apresenta um cenário não-ideal, que revela que esse tipo de resíduos se sujeita ao mesmo tipo de tratamento que os resíduos domésticos, resultando, pois, na não-eliminação dos seus princípios ativos.
De acordo com EICKHOFF (2009), no Brasil os processos de tratamento e disposição final dos resíduos não são claramente definidos. Ao gerador, podem surgir dúvidas quanto ao melhor processo de descarte de seus resíduos. Isto torna o tratamento de RSS objeto de aprovação ou não dos órgãos competentes que irão definir se a opção escolhida pelo gerador poderá ser realizada. No entanto, em se tratando de medicamentos, não há evidências de que a opção feita é de fato a melhor.
Em consonância com as normas da ANVISA e do CONAMA, são apresentadas na Tabela 01 as seguintes formas para o tratamento dos resíduos de serviços de saúde:
Tabela 01 – Tratamento para os RSS segundo o CONAMA e a ANVISA
Categoria Resolução Conama n° 358/2005 Resolução ANVISA RDC n°306/2004
Grupo A A1 – Tratamento em equipamento que promova redução de carga microbacteriana;
A2 – Tratamento com redução de carga microbacteriana compatível com nível III de inativação;
A3 – Tratamento térmico por incineração ou cremação, em equipamento devidamente licenciado para este fim; A4 – Sem tratamento prévio, ficando a critério dos órgãos ambientais estaduais e municipais a exigência do tratamento;
A5 – Tratamento especifico orientado pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.
A1- Tratamento utilizando processo físico ou outros processos para obtenção de redução ou eliminação da carga microbacteriana, em equipamento compatível com o nível III de inativação microbacteriana, não podendo deixar a unidade geradora sem tratamento prévio;
A2 – Devem ser submetidos a tratamentos antes da disposição final;
A3 – Tratamento térmico por incineração ou cremação, em equipamento devidamente licenciado para este fim; A4 – Não necessitam de tratamento prévio; A5 – Incineração.
Grupo B Devem ser submetidos a tratamentos específicos, de acordo
com suas características de periculosidade. Devem ser submetidos a tratamento especifico.
Grupo C
Grupo D
Grupo E
Devem obedecer as exigências definidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.
Semelhante ao determinado para resíduos sólidos domiciliares.
Tratamento especifico de acordo com a contaminação química, biológica ou radiológica.
Armazenamento, em condições adequadas, para o decaimento do elemento radioativo, conforme exigências definidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.
Semelhante ao determinado para resíduos sólidos domiciliares.
Dependendo da concentração e volume residual de contaminação por substâncias químicas perigosas, estes resíduos devem ser submetidos ao mesmo tratamento dado à substância contaminante.
Fonte: Adaptado de CONAMA (2005) e ANVISA (2004)
Na Tabela 01, podem-se observar as concordâncias entre os órgãos regulamentadores quanto às restrições de tratamento para cada grupo de resíduos. No entanto, nem o CONAMA nem a ANVISA determinam as tecnologias a serem adotadas, pois a escolha do sistema de tratamento mais adequado depende dos objetivos que se devem alcançar.
Dentre as formas de tratamento existentes podemos citar: (Cussiol et al, 2003):
a) Desinfecção: processo que elimina grande parte dos microrganismos, exceto esporos. São exemplos desse processo: Desinfecção Química, Desinfecção Térmica ou Autoclavagem por Calor Úmido e Irradiação por Microondas;
b) Esterilização: processo que destrói todas as formas de vida microbiana. São exemplos desse processo: Autoclavagem com Vapor e Microondas, Autoclavagem com Solidificação, Radiação Ionizante, Incineração e Plasma;
c) Redução de Volume: processo que visa otimizar o espaço de estocagem e reduzir os gastos com a coleta e transportes. São exemplos desse processo: Compactação e enfardamento;
d) Descaracterização: processo que torna irreconhecíveis alguns tipos de resíduos. É exemplo desse processo a Trituração;
Para alcançar tais objetivos, várias são as tecnologias disponíveis no mercado, porém praticamente todas apresentam alguns inconvenientes, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista econômico. A seguir são apresentadas as principais características de algumas dessas tecnologias (adaptado de Cussiol et al, 2003):
a) Microondas: Neste tipo de tratamento os resíduos são colocados em um contêiner de carga e descarregados numa tremonha localizada no topo do equipamento, cujo ar interior é tratado com vapor à alta temperatura, aspirado e filtrado com o objetivo de eliminar os microrganismos presentes. Em seguida os resíduos são triturados para assegurar a absorção uniforme de calor, umedecidos com vapor de água e impulsionados através de uma câmara, onde são expostos a microondas. Não é aplicável aos resíduos químicos ou radioativos e pode liberar material tóxico volátil durante o processo de tratamento. Tem a vantagem de descaracterizar os resíduos e processar maiores quantidades, porém, pode apresentar falhas mecânicas no triturador se processar peças metálicas e não garante a destruição de todos os parasitas nem esporos de bactérias;
b) Autoclavagem: o princípio básico de operação deste equipamento consiste em submeter o resíduo ao vapor sob pressão e temperatura controladas, por um período de tempo pré-determinado. Esse procedimento garante que o resíduo seja completamente esterilizado, desde que não seja neglicenciado o controle de temperatura e o tempo de permanência dos resíduos no autoclave. Para maior segurança, aconselha-se a utilização de indicadores químicos ou biológicos visando um maior controle da relação tempo/temperatura e, consequentemente, uma maior eficiência de operação. As vantagens estão relacionadas com a não geração de emissões gasosas. Quanto aos aspectos negativos podem ser citados: não reduz o volume do RSS; o resíduo não é descaracterizado, permanecendo os materiais perfuro-cortantes permanecem com suas características originais; não trata os resíduos pertencentes a classe “B”.
c) Incineração: Trata-se de um processo de combustão controlada na presença de oxigênio, em altas temperaturas (859ºC para resíduos infectantes e 1.200ºC para resíduos químicos perigosos) resultando em cinzas, resíduos incombustíveis e gases. Normalmente essas cinzas são de Classe II A– Não Perigosas – Não Inertes (NBR 10.004/2004), podendo ser dispostas, previamente ensacadas, em aterros sanitários ou industriais. Os incineradores devem ser operados de maneira a atender os padrões que satisfaçam às exigências para a proteção do meio ambiente, o que pode representar um alto consumo de combustível para os incineradores de menor porte. A vantagem deste sistema é a redução drástica do volume da massa de resíduos, podendo também ser recuperado a energia para gerar calor ou eletricidade. O processo de incineração deve existir interconectado a um sistema de depuração de gases e de tratamento e recirculação dos líquidos de processo, necessitando de tratamento físico/químico para remover e neutralizar poluentes provenientes do processo térmico.
Já a disposição final dos RSS consiste na disposição de resíduos no solo, previamente preparado para recebê-los, obedecendo a critérios técnicos de construção e operação, e com licenciamento ambiental de acordo com a Resolução CONAMA nº237/97.
Para a destinação final de resíduos de serviços de saúde, existem métodos de disposição no solo recomendáveis sanitária e tecnicamente. Os principais métodos utilizados atualmente são descritos a seguir:
Aterro de Resíduos Classe I: é o método de disposição de resíduos no solo mais apropriado para os resíduos químicos perigosos. É construído segundo padrões rígidos de engenharia, de forma a não causar danos ao meio ambiente, à saúde pública e à sua segurança.
Vala Séptica: é o método de destinação final específico para o aterramento da fração infectante dos RSS. Consiste em valas escavadas em local isolado no aterro, revestidas por material impermeável (normalmente mantas sintéticas) que recebem os resíduos de saúde e logo após uma cobertura de solo. Devem ser executadas em locais onde o nível freático seja mais profundo. Nas valas sépticas os resíduos dispostos não são compactados, diminuindo, assim, sua vida útil em comparação a de um aterro sanitário.
De acordo com a resolução CONAMA nº358/2005 em seu Art. 27, municípios ou associações de municípios com população urbana até 30.000 habitantes, conforme dados do último censo disponível do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2000) – e que não disponham de aterro sanitário licenciado, admite-se de forma excepcional e tecnicamente motivada, por meio do Termo de Ajustamento de Conduta, com cronograma definido das etapas de implantação e com prazo máximo de três anos, a disposição final em solo obedecendo aos critérios mínimos estabelecidos nesta resolução.
As cinzas e escórias provenientes do processo de incineração devem ser consideradas, para fins de disposição final, como resíduos Classe I – Perigoso – porém o órgão ambiental poderá autorizar a disposição das mesmas como resíduos Classe II A (não perigoso, não inerte) e Classe III (não perigoso, inerte), desde que comprovada através do teste de lixiviação de acordo com a NBR 10.005.
Tabela 02 – Destinação final para os RSS segundo o CONAMA e a ANVISA
Categoria Resolução Conama n° 358/2005 Resolução ANVISA RDC n°306/2004
Grupo A A1 – Após o tratamento, em aterro sanitário licenciado ou local devidamente licenciado para disposição final de RSS; A2 – Aterro sanitário licenciado ou local devidamente licenciado, sepultamento em cemitério de animais
A3 – Sepultamento em cemitérios, desde que haja autorização do órgão competente do Município, do Estado ou do Distrito Federal;
A4 – Local devidamente licenciado para a disposição de RSS;
A5 – Tratamento especifico orientado pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.
A1- Havendo descaracterização física das estruturas, podem ser acondicionados como resíduos do Grupo D;
A2 – Após tratamento, encaminhado para aterro sanitário licenciado para disposição final de RSS ou sepultamento em cemitério de animais;
A3 – Sepultamento em cemitérios, desde que haja autorização do órgão competente do Município, do Estado ou do Distrito Federal;
A4 – Local devidamente licenciado para a disposição de RSS;
A5 – Devem sempre ser encaminhados a sistema de incineração, de acordo com o definido na RDC ANVISA n°306/2004.
Grupo B Devem ser submetidos a disposição final específica de acordo com suas características de periculosidade. Devem ser submetidos a disposição final especifica.
Grupo C
Grupo D
Grupo E
Devem obedecer as exigências definidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.
Devem ser encaminhados para aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos.
Local devidamente licenciado para disposição final de RSS.
Devem obedecer as exigências definidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.
Devem ser encaminhados para aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos.
Local devidamente licenciado para disposição final de RSS. Fonte: Adaptado de CONAMA (2005) e ANVISA (2004)
Assim como as tecnologias de tratamento, a Tabela 02 retrata que os métodos de destinação final para RSS preconizados pelo CONAMA ou pela ANVISA muitas vezes implicam significativos investimentos por parte dos geradores, pois na maioria dos municípios brasileiros não existem Aterros Industriais operados pela municipalidade. Em alguns casos, para atender as imposições da legislação ou de regulamentações, os geradores têm que transportar os RSS para serem dispostos em outros municípios.
No Estado de Minas Gerais, foi publicado pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM) em 12 de abril de 2006, a Deliberação Normativa nº 97/2006 que “Estabelece diretrizes para a disposição final adequada dos resíduos dos estabelecimentos dos serviços de saúde no Estado de Minas Gerais e dá outras providências”.
Essa Deliberação Normativa determinou prazos para os municípios mineiros se adequarem à Resolução CONAMA nº 358/2005, sendo 31 de dezembro de 2006 para os municípios com população superior a 50.000 (cinqüenta mil) habitantes, conforme dados do último censo do IBGE (2000), e 04 de maio de 2007 para os demais municípios. Para os efeitos desta Deliberação Normativa, a disposição final de resíduos de serviço de saúde, observado o disposto na Resolução CONAMA nº 358/2005, considera-se adequada quando feita em aterros de resíduos classe I licenciados no Estado de Minas Gerais.
também na gestão dos resíduos de serviços de saúde. Para orientar os municípios mineiros na gestão dos RSS e no atendimento da Deliberação Normativa nº 97/2006, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) encaminhou aos administradores municipais as diretrizes a serem seguidas.
3.4 Panorama dos Resíduos de Serviços de Saúde no Brasil
A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB (2000), do IBGE, mostra que a maioria dos municípios brasileiros não utiliza um sistema apropriado para efetuar a coleta, o tratamento e a disposição final dos RSS. De acordo com a pesquisa do total de 5.507 municípios brasileiros pesquisados, somente 63% realizam a coleta diferenciada dos RSS.
Conforme se observa na Figura 01, o Sudeste é a região que mais realiza a coleta dos RSS em todo o Brasil, perfazendo cerca de 3.130 t/dia. Em seguida vem o Nordeste, com 469 t/dia, depois o Sul, com 195 t/dia, o Norte, com 145 t/dia, e, por último, o Centro - Oeste, com 132 t/dia.
Figura 01 - Quantidade de resíduos sólidos de serviços de saúde coletado por região do Brasil (em t/dia). Fonte: PNSB (2000).
Pesquisa realizada por CASTRO e HADDAD (2005) em hospital de médio porte, observou que os setores “Enfermarias” e “UTI (adulto e infantil)” são os mais expressivos na geração de resíduos, representando mais de 52% do total do gerado no estabelecimento. Tal ocorrência está associada tanto ao maior tempo de permanência do paciente, para o caso do setor “Enfermaria”, e às atividades de alta complexidade utilizadas no tratamento de pacientes que requerem, potencialmente, cuidados especiais, o que é aplicável ao caso da UTI.
microondas e autoclave para desinfecção dos RSS são adotadas somente por 0,8% dos municípios. Cerca de 22% dos municípios não tratam de forma alguma seus RSS.
É conveniente lembrar que número de municípios é diferente da quantidade gerada, de tal sorte que, apesar da pesquisa apresentar dados sobre a porcentagem de municípios, esses são de diferentes portes e, por conseguinte, apresentam taxas variadas de geração. Acredita-se que os grandes municípios, aqui entendidos como os grandes geradores de resíduos, possuem gerenciamento adequado sobre seus RSS.
Figura 02 – Disposição final, tratamento e coleta diferenciada de resíduos de serviços de saúde no Brasil. Fonte: PNSB (2000)
De acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB (2006), no Estado de São Paulo, cerca de 54% dos municípios coletam, tratam e dispõem adequadamente seus RSS.
Figura 03 – Proporção de municípios com contaminação do solo por causa apontada, segundo Grandes Regiões – 2002. Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisa, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Pesquisa de Informações Básicas.
3.5 A Problemática dos Resíduos de Serviços de Saúde Grupo B
O descaso ou despreparo na questão do manejo de resíduos químico-farmacêuticos em muitos lugares do mundo leva a graves danos da natureza, os quais podem ter repercussões negativas à saúde humana e ambiental. Tal fato tem motivado, por parte de vários países, o desenvolvimento de planos de gerenciamento seguros e sustentáveis dos diferentes resíduos gerados pela população, indústrias e diversas instituições. Desta maneira, tem-se então a necessidade de se estabelecer padrões aceitáveis no que diz respeito a questões ambientais (AFONSO et al., 2003).
Os resíduos químicos farmacêuticos gerados, apesar de apresentarem na maioria das vezes, quantidade não muito expressiva, representam uma ameaça ao meio ambiente e à saúde da população por possuírem na sua composição elementos com elevado potencial de contaminação. Porém, quase sempre são manuseados inadequadamente, sendo despejados na rede coletora de esgotos, armazenados em áreas inseguras ou simplesmente descartados como resíduo comum (PHILIPPI JUNIOR; AGUIAR, 2005).
saúde acerca do impacto ambiental de tais resíduos, quer pelos riscos reais que representam aos que os manipulam, quer pelos riscos potenciais derivados de problemas ambientais decorrentes da disposição inadequada de tais resíduos (EICKHOFF, 2009).
Quanto aos riscos ao meio ambiente destaca-se o potencial de contaminação do solo, das águas superficiais e subterrâneas pelo lançamento de resíduos de serviços de saúde em lixões ou aterros controlados que também proporciona riscos aos catadores, que nestes locais exercem seu trabalho de catação de forma ilegal (SANDERSON, 2004).
Tal fato tem motivado por parte vários países, o desenvolvimento de planos de gerenciamento seguros e sustentáveis dos diferentes resíduos gerados pela população, indústrias e diversas instituições. Nesse ínterim, o advento da globalização mundial traz também como imperativa a necessidade de se estabelecer padrões aceitáveis – e o mais uniforme possível – no que diz respeito às questões ambientais, (ZIMMELS et al., 2006).
Além disso, as legislações ambientais vigentes preconizam a destinação adequada dos resíduos sólidos. Portanto, a administração correta dos resíduos abrange uma atividade paralela, que objetiva a proteção simultânea do ambiente interno e externo (MACEDO, 2000).
Comparando a legislação francesa e brasileira, Groszek (2006) diz que não há grandes diferenças. Tanto a legislação brasileira quanto a européia têm os mesmos princípios da responsabilidade, que é do gerador de resíduos. Na França e no Brasil o gerador tem a responsabilidade, por exemplo, de escolher um centro de tratamento que seja adequado, legal e ambientalmente correto, bem como de se comprometer com a escolha de um transportador credenciado. O operador, por sua vez, tem a responsabilidade de cumprir as obrigações legais gerais e aquelas decorrentes da licença que ele possui, em particular.
Todavia, ressalta-se uma problemática da legislação sanitária brasileira em vigor, que apresenta uma brecha quanto ao tratamento de resíduos de medicamentos, no item 11.18.3. da Portaria nº 306 de 07 de dezembro de 2004, ao abordar resíduos químicos que não apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente. Orienta que se estiverem no estado líquido, poderão ser lançados na rede coletora de esgoto ou em corpo receptor, desde que atendam as diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, gestores de recursos hídricos e de saneamento. Apesar de estabelecido que este procedimento deve ser feito em respeito às diretrizes estabelecidas pelos órgãos ambientais, ele se mostra contraditório aos princípios da preservação da saúde pública, pois a ausência de informações poderá inserir nesse grupo substâncias que apresentam realmente risco à saúde humana e impacto ao meio ambiente.
atores envolvidos como o poder público, os consumidores, os profissionais da área da saúde, e as empresas de coleta, tratamento e disposição final.
No que diz respeito ao setor farmacêutico, a complexidade dos mecanismos de reação envolvidos nas rotas de síntese e análise de fármacos, o usual consumo de solventes nas etapas de purificação, entre outros aspectos, coloca esse setor como um importante gerador de resíduos (LINNINGER, et al., 2000).
Desse modo, o inerente potencial dos riscos envolvidos ao manejo de substâncias químicas aumenta a importância da implantação de programas de gerenciamento de resíduos eficazes, a fim de se evitar o comprometimento da segurança e saúde de trabalhadores, população e meio ambiente (BINIECKA, et al., 2005).
Entre as estratégias comuns, adotadas por diversos tipos de unidades geradoras de resíduos químicos farmacêuticos, está a minimização dos resíduos gerados, devido ao fato de que o reaproveitamento ou práticas de reciclagem são particularmente limitados ou mesmo improváveis as indústrias farmacêuticas (LINNINGER , et al., 2000).
Esse caminho tende a ser lógico, considerando-se que, ao mencionar a indústria farmacêutica, faz-se referência direta a um setor que tem como objetivo o prolongamento e a melhoria da qualidade de vida humana, o que só pode ser possível no contexto de um meio ambiente saudável (GONÇALVES, 2000).
À sociedade atribui-se uma parcela de responsabilidade, que diz respeito à vigilância da qualidade dos medicamentos, o que inclui data de vencimento, aspecto do medicamento e integridade da embalagem PHILIPPI (2005). Assim, a sociedade pode colaborar fazendo denúncias aos órgãos fiscalizadores para que estes cheguem até aos infratores e deveria também estar atenta à destinação final e ao tratamento dos resíduos. Essa atenção se justifica pelo fato de que, medicamentos em suas formas intactas podem ser usados indevidamente e, mesmo que não utilizados por outras pessoas, ao serem dispersos no ambiente podem se tornar disponíveis ao homem por meio da água, do solo e do ar e, conseqüentemente, causar impactos sobre a natureza e a saúde pública.
3.6 Principais Geradores de Resíduos de Serviços de Saúde Grupo B e Responsabilidades Atribuídas
A ocorrência de contaminação ambiental por resíduos químicos está diretamente, associada aos aspectos quantitativos da produção, bem como a políticas de gerenciamento de resíduos inadequadas (PONEZI, 2008).
químico-farmacêuticos, o inerente potencial de risco ambiental e/ou ocupacional estendeu a necessidade de gerenciamento também aos chamados pequenos geradores, tais como instituições de ensino e pesquisa, bem como os micro-poluidores como, por exemplo, os usuários de medicamentos ou outros insumos químicos tóxicos de uso domésticos (BLENKHARN, 2005).
Entre as diferenças entre grandes e pequenos geradores está a dificuldade de se implantar mecanismos de controle e fiscalização eficientes aos pequenos geradores. Fato que infelizmente, ainda hoje faz prevalecer a cultura do descarte na rede coletora de esgotos (GERBASE et al., 2005). Entretanto, questões ambientais e legais, bem como os procedimentos básicos de um plano de gerenciamento de resíduos são igualmente aplicáveis aos pequenos geradores (AFONSO et al., 2003).
Os pólos farmacêuticos são geradores em potencial de grande volume de resíduos químicos farmacêuticos, onde a maioria das empresas tem demonstrado preocupação em reduzir os níveis de poluição e implantar novas tecnologias para a redução dos compostos tóxicos (REZENDE, 2004). Supõe-se que essa preocupação se deva principalmente às crescentes pesquisas desenvolvidas na área, à ação de ambientalistas, às pressões do mercado externo e também da opinião pública, mostrando-se visível no que se refere, por exemplo, ao interesse de muitas empresas na implantação de sistemas de gestão ambiental e de interação e implementação das normas do sistema de gestão ambiental (DURAN & EXPOSITO, 1997; PETILLO et al., 1998; SANTIAGO, 2002).
Segundo FALQUETO (2007), em sua pesquisa realizada no município de São Mateus (ES) com relação aos resíduos sólidos relacionados aos medicamentos, contatou-se que com relação ao conhecimento da legislação, os hospitais e farmácias de manipulação desconheciam os dispositivos legais, mas, no entanto, seguiam as determinações da Vigilância Sanitária. Já as drogarias, 11% delas demonstraram conhecimento da legislação e no caso das distribuidoras, todas tinham conhecimento acerca das normas da ABNT.
O conhecimento acerca das normas legais e das normas técnicas é importante para direcionar as medidas que fazem parte do plano de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde. Além disso, é fundamental que se tenha subsídios para o fortalecimento do gerenciamento dos resíduos nos diferentes estabelecimentos e para o apontamento de melhorias.
de produtos e entrega de produtos com validade próxima ao vencimento. Para os hospitais, observou-se ainda, recolhimento dos medicamentos prescritos a pacientes que tiveram alta ou óbito.
Dentre os geradores, os principais responsáveis frente ao correto descarte e suas responsabilidades são listados a seguir:
i) Indústrias Farmacêuticas
Segundo ARJONA & RUIZ (1997), as indústrias farmacêuticas são geradoras de uma quantidade considerável de resíduos de serviços de saúde do grupo B devido à devolução e recolhimento de medicamentos do mercado, ao descarte de medicamentos rejeitados pelo controle de qualidade e perdas inerentes ao processo. As Boas Práticas de Fabricação instituídas pela RDC nº. 210/03 preconizam o tratamento dos efluentes líquidos e emissões gasosas antes do lançamento, bem como, a destinação adequada dos resíduos sólidos. Assim, a administração correta dos resíduos abrange uma atividade paralela, que objetiva a proteção simultânea do ambiente interno e externo. É responsabilidade dos detentores de registro de medicamentos fornecerem informações documentadas referentes ao risco inerente ao manejo e à disposição final do produto ou do seu resíduo. Os detentores de registro devem manter junto a ANVISA uma listagem atualizada de seus produtos que não oferecem riscos de manejo e disposição final. Devem informar o nome comercial, o princípio ativo, a forma farmacêutica e o registro de cada medicamento. No entanto, nas bulas que acompanham os medicamentos, os fabricantes informam as características farmacológicas (dados de farmacodinâmica, o que inclui o mecanismo de ação e dados de farmacocinética com dados sobre absorção, distribuição, metabolismo e eliminação), mas não apresentam resultados de testes realizados para demonstrar que os resíduos excretados por humanos e animais são inócuos quando da sua disposição no ambiente. Além disto, não há informações sobre o manejo e disposição final a ser
dado quando da geração de resíduo.
ii)Distribuidores, farmácias, drogarias, hospitais
o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde. Devem, portanto elaborar o PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde), a ser feito por profissional com registro ativo junto ao seu conselho da classe.
Além disso, os estabelecimentos enquadrados pelos regulamentos citados devem requerer às empresas prestadoras de serviços terceirizados a apresentação de licença ambiental para o tratamento ou a disposição final dos resíduos de serviços de saúde, como também aos órgãos públicos responsáveis pela coleta, pelo transporte, pelo tratamento ou pela disposição final destes resíduos. De acordo com as regulamentações sanitárias e ambientais, cabe aos responsáveis legais o gerenciamento dos resíduos desde a geração até a disposição final, de forma a atender aos requisitos ambientais, de saúde pública e saúde ocupacional, sem prejuízo de responsabilização solidária de todos, que direta ou indiretamente, causem ou possam causar degradação ambiental.
Os resíduos gerados devem ser acondicionados atendendo às exigências legais referentes a meio ambiente, saúde e limpeza urbana, em conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou, na ausência delas, segundo normas e critérios internacionalmente aceitos. É obrigatória a segregação dos resíduos na fonte e no momento da geração, de acordo com suas características, garantindo a saúde humana e do meio ambiente.
3.7 Classificação por tarjas e o grau de periculosidade dos Resíduos de Serviços de Saúde do Grupo B
Verificar a tarja do medicamento é importante, pois reflete, em certa medida, a forma de aquisição do medicamento. Medicamentos sem tarja podem ser adquiridos livremente nas farmácias e drogarias, medicamentos de tarja vermelha deveriam ser adquiridos sob prescrição médica (com ou sem a retenção da receita) e medicamentos de tarja preta devem ser adquiridos sob prescrição médica e a receita fica retida na farmácia (SCHENKEL, 2004).
A classificação por tarjas ainda identifica os resíduos químicos farmacêuticos segundo o grau de periculosidade ao meio ambiente e risco a saúde humana.
tarja preta, e os medicamentos enquadrados neste grupo medicamentos devem ter seu uso controlado.
Segundo a Anfarmag – Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais – os medicamentos podem ser assim classificados com relação as tarjas e ao receituário:
Não tarjados (OTC – over the counter ou de venda livre): a ausência de tarja não é um indicador de que o medicamento possa ser usado sem contra-indicação, mas apenas que pode ser vendido sem a apresentação da receita médica, assim, o consumidor deve manter os mesmos cuidados recomendados para os demais medicamentos com tarja. Tais medicamentos dispensados sem a prescrição médica são utilizados para o tratamento de sintomas ou males menores como resfriados, azia, má digestão, hemorróidas, varizes, dor de dente, pé de atleta e etc. A instância sanitária reguladora federal considera que as características de toxicidade destes medicamentos apontam para inocuidade ou são significativamente pequenas. Sua utilização deve ser feita dentro de um conceito de automedicação responsável.
Tarja vermelha: na tarja vermelha está impresso "venda sob prescrição médica" ou "venda sob prescrição médica - só pode ser vendido com retenção de receita". Estes medicamentos têm contra-indicações e podem causar efeitos colaterais graves. Aqueles medicamentos em que na tarja vermelha estão escrito "só pode ser vendido com retenção da receita" são os medicamentos controlados ou psicotrópicos e só devem ser vendidos com retenção de receituário especial de cor branca.
Tarja preta: são os medicamentos de alto risco para o paciente e que exercem ação sedativa ou que ativam o sistema nervoso central. Também fazem parte dos chamados controlados ou psicotrópicos. Na tarja vem impresso "venda sob prescrição médica – o abuso deste medicamento pode causar dependência". Só podem ser vendidos com receituário especial de cor azul. As receitas destes tipos de medicamento ficam retidas no estabelecimento distribuidor do medicamento e são recolhidas, periodicamente, pelos serviços públicos de saúde.
3.8 Análise qualitativa e quantitativa dos Resíduos de Serviços de Saúde do grupo B
A determinação qualitativa e quantitativa dos resíduos de serviços de saúde do grupo B gerados é imprescindível, pois possibilita a implantação de novos métodos e procedimentos que eliminem os desperdícios e minimizem perdas decorrentes do processo produtivo (REZENDE, 2005). A principal etapa desta determinação é a segregação dos resíduos na fonte geradora, onde a indústria que não faz adequadamente a segregação, não pode classificar seus resíduos conforme legislações específicas e conseqüentemente acaba não aplicando o tratamento e a destinação final adequados a cada tipo de resíduo (GUEDES, 2006).
O Brasil é o 5º maior produtor de medicamentos do mundo com um faturamento anual de 6 bilhões de dólares, segundo a The Economist, o Brasil ocupa 9º lugar mundial em consumo de medicamentos per capita.
De acordo com Pedro Zidoi, presidente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (Abcfarma), os custos das farmácias e drogarias com o descarte de resíduos de medicamentos variam entre 0,2% e 0,5% de seu faturamento. Além disso, afirma também que os fabricantes e os distribuidores não aceitam a devolução dos produtos e o prejuízo sempre fica com as farmácias e drogarias. Em 2008, segundo a Abcfarma, foi comercializado no país o equivalente a R$ 34,3 bilhões em medicamentos. Assim, é possível estimar que os custos do varejo com o descarte de resíduos de fármacos, no ano passado, ficaram entre R$ 68 milhões e R$ 171 milhões. Diante disso, o presidente da Abcfarma afirma que é complicado para os estabelecimentos assumir a responsabilidade adicional de dar destinação a medicamentos devolvidos pela população.
Em alguns municípios, a prefeitura se incumbe de fazer a coleta nas drogarias e farmácias. Os custos para os estabelecimentos, nesse caso, se resumiriam ao correto gerenciamento e armazenamento dos produtos. Em Campinas, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sincofarma), o recolhimento e a destinação são feitos por uma empresa terceirizada pela prefeitura, serviço pelo quais as farmácias e drogarias pagam R$ 1.104 ao ano.
Com relação a sociedade, esta desconhece muitos fatores que levam à degradação da natureza, principalmente em relação aos medicamentos e ao destino que deve seguir. Uma investigação sobre os hábitos de disposição do público norte-americano descobriu que apenas 1,4% das pessoas pesquisadas que retornou medicamentos não utilizados para a farmácia, enquanto 54% os depositou juntamente com o resíduo domiciliar e 35,4% deles descartados na rede coletora de esgotos (Kuspis e Krenzelok 1996) .
A falta de informação é um fator relevante, pois sem uma correta divulgação nos meios de comunicação, seja pelo laboratório responsável pela fabricação, pelo Governo tanto pelo Ministério da Saúde como forma de evitar possíveis intoxicações por pessoas e o Ministério do Meio Ambiente, também para evitar o despejo destes medicamentos na natureza, podendo ocorrer uma possível contaminação de lençóis freáticos, rios e solos. Deve-se ressaltar ainda a problemática de medicamentos como quimioterápicos, antibióticos, hormônios, entre outros, cujo impacto no meio ambiente é maior (EICKHOFF, 2009; PONEZI, 2008).
especialidades farmacêuticas dispensadas nas farmácias ou drogarias mediante a apresentação da prescrição médica ou odontológica, embora haja também os produtos vendidos ou dispensados sem a receita médica. Os medicamentos sem prescrição médica destinado ao tratamento de algumas enfermidades aumentam progressivamente nas residências, dadas a facilidade de aquisição e o investimento de propagandas intensivas na mídia.
Isso não ocorre com exclusividade no Brasil, pois a venda livre de medicamentos, ou seja, sem prescrição médica, se realiza também nos mercados farmacêuticos comerciais dos países desenvolvidos.
Os produtos de caráter popular chamados de não éticos, serviram para fixar a propaganda de estilo persuasivo. Estes passaram a ser conhecidos como OTC‟s (medicamentos de venda livre sem tarja), podendo anunciar livremente na mídia, diferente dos chamados éticos, que são vendidos apenas com receita médica.
Ainda pode-se ressaltar que medicamentos com tarja preta e tarja vermelha com retenção de receita encontram-se em menor quantidade, provavelmente por serem vendidos em menor quantidade (no máximo para dois meses de tratamento), e por ter um acompanhamento médico, sendo menos comum a automedicação (EICKHOFF, 2009; SCHENKEL, 2004).
Diante destes dados, é importante refletir sobre os possíveis fatores relacionados ao estoque doméstico de medicamentos, pois é daí que se originam os produtos para o descarte. Entre eles pode-se citar: (EICKHOFF, 2009; FERNANDEZ, 2000; SCHENKEL, 2004):
a) Apresentação inadequada do produto: por exemplo, o usuário necessita de 21 comprimidos para um determinado tratamento com antibiótico e a caixa a ser vendida contém 28 cápsulas, logo, após terminar o tratamento restam 7 cápsulas que não devem ser utilizadas;
b) Reações adversas ao medicamento: neste caso, o indivíduo necessita interromper o uso do medicamento, se este não for descartado, a pessoa pode vir a utilizar novamente e sofrer os mesmos efeitos;
c) Falha/interrupção no tratamento: ocorre principalmente no caso de medicamentos de uso crônico, como antihipertensivos, antirretrovirais, entre outros. d) Automedicação: é o uso de medicamentos sem prescrição médica ou auxílio de qualquer profissional da saúde, que pode acarretar em diversos problemas, e está diretamente relacionado com o item abaixo;
e) Farmácia caseira: é o “estoque” de medicamentos armazenados em casa, que ocorre principalmente quando a pessoa compra medicamentos para dor de cabeça, febre, dor de barriga, para ser usado de acordo com a necessidade, ou quando a pessoa utiliza medicamentos de uso contínuo e compra o tratamento para diversos meses; 10