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Acta Cirurgica Brasileira
Online version ISSN 16782674
O parênquima esplênico tem uma textura muito frágil e altamente vascularizado. Estudos têm sido realizados sobre qual o melhor tipo de sutura capaz de apresentar hemostasia eficaz.2
NGUYEN e col. (1982) realizaram a sutura mecânica do baço de cães, obtendo bons resultados quando o trauma ocorria em um dos pólos, sendo impossível de realizar o grampeamento do parênquima próximo ao hilo. 6
Neste estudo experimental o objetivo é comparar a sutura mecânica do baço com a manual, em cães.
MÉTODO
Vinte e oito cães, machos, adultos, com peso entre 15 e 20 Kg foram distribuídos em dois grupos de 14 cães, sendo o grupo I controle (sutura manual) e o grupo II experimento (sutura mecânica).Cada grupo foi subdividido em dois subgrupos de 7 animais, para serem reoperados no 3º e 7º pósoperatório (PO) respectivamente.
A anestesia foi por via endovenosa, com a associação de cloridrato de tiletamina à cloridrato de zolazepam (Zoletil®), na dose de 0,2 ml/ Kg de peso, seguido de sulfato de atropina (0,015 mg/ Kg de peso) e a manutenção, com pentobarbital sódico a 3 % (1 ml/ Kg de peso).5 Utilizouse antibioticoterapia profilática (penicilina benzatina 1 200 000 UI). O baço foi exposto após abertura da cavidade abdominal e o pedículo vascular esplênico clampeado. Realizouse a ressecção de 5cm do parênquima no sentido do maior eixo,
deixandose uma superfície cruenta. Nos animais do grupo I, aplicouse pontos em "U", com fio de categute cromado 00. Nos animais do grupo II, utilizouse o grampeador linear
cortante (TA 55).
Após 6 e 72 horas de PO faziase a Segunda e terceira coleta de sangue respectivamente. Os parâmetros do hemograma analisados foram: hematócrito (microhematócrito); número de eritrócitos e dosagem de hemoglobina (contagem eletrônica).
Macroscopicamente avaliouse a presença de hemorragia e a presença de aderência. No estudo microscópico utilizouse a histomorfometria computadorizada. Digitalizouse as áreas dos cortes histológicos através do scanner e de uma câmera fotográfica.
Utilizouse os testes: de MANNWHITNEY para estudar os dados da hematimetria e a área de hemorragia no estudo morfométrico computadorizado; análise de variância por postos de FRIEDMAN para estudar os períodos do experimento para cada variável acima referida; teste exato de FISHER para comparar os grupos e os dias do experimento, segundo a presença de hemorragia e de aderência. Fixouse em 0,05 ( 0,05) o nível de rejeição da hipótese de nulidade.
RESULTADOS
Os dados da hematimetria comportaramse com curvas similares, por isto apresentase os gráficos dos valores do hematócrito.
DISCUSSÃO
No presente estudo realizouse o trauma por incisão com lâmina de bisturi no pólo inferior e comparouse a sutura mecânica com a manual, diferindo de alguns autores que não
Os dados da hematimetria observados no 3º e 7º PO no grupo II foram semelhantes aos do grupo I (Fig. 1 e 2). 3
Fig. 1– Valor das médias do hematócrito (%) em cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II) avaliados até o 3º PO
Fig. 2 – Valor das médias do hematócrito (%) em cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II) avaliados até o 7º PO
Quanto à hemorragia macroscópica próximo à borda da sutura, o teste exato de FISHER não mostrou diferença significante entre os dois grupos, apesar de se observar no grupo I maior presença de hemorragia do que no grupo II (Tab. 1).
Em relação à aderência no local da sutura, o teste exato de FISHER não apresentou diferença significante entre os grupos, ainda que os valores no grupo I mostrassem maior presença de aderências do que no grupo II (Tab. 2).
A histomorfometria computadorizada mostrou que a área de hemorragia na sutura manual foi proporcionalmente maior do que na mecânica, ainda que não houvesse diferença
estatisticamente significante (Fig. 3).1
Fig. 3–Avaliação da área de hemorragia através do exame de histomorfometria computadorizada (m m2), nos cães submetidos à sutura manual (GRUPO I) e mecânica (GRUPO II).
A sutura mecânica é tão eficaz quanto à sutura manual para realizar a hemostasia do parênquima esplênico.
REFERÊNCIAS
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Lauz S, Nigro AJT, Goldenberg A, Juliano Y, Novo N, Taha MO. Comparative study between mechanic and manual suture in splenic tissue, of dogs. Acta Cir Bras [serial online] 1999 Apr Jun, 14(2). Available from: URL: http://www.scielo.br/acb
SUMMARY: The spleen is the most common intraabdominal organ hurt in contuso abdominal trauma (60%). It is known that the spleen has a defined immunologic function. The aim of this work was to comparar the
mechanic suture in the spleen with the manual suture, in dogs. Twenty eight male adult dogs were operated, distributed in two groups of 14 dogs each. Each group was subdivided in two sub groups of 7 animals, in order to be operated in the 3rd and 7th post operative respectively. In the operative procedure of the control group (group I manual suture) the hemostasia was accomplished being applied stitches in "U", with thread of 00 chromed catgut holed. In experimental group (group II mechanic suture) the sharp lineal stapler was applied (TA55) to accomplish the hemostasis. It was found no significant statistical differences in the hematological exams of both groups. Macroscopy suggested larger haemorrhage presence in the group I, larger than in the group II, with no statistical significance. In conclusion, the mechanic suture, is a technique able to do the spleen’s hemostasis.
SUBJECT HEADINGS: Spleen. Sutures. Surgical taplers.
Endereço para correspondência: Profa. Susi Lauz
email: [email protected]
Tel: (0532) 321405
Data do recebimento: 10/03/99 Data da revisão: 10/04/99 Data da aprovação: 05/05/99
1 Resumo da tese de mestrado defendida e aprovada no Curso de PósGraduação em Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP EPM
2 Prof. Assistente da Displina de Anatomia Humana da Fundação Universidade do Rio Grande FURG
3 Prof. Titular e Coordenador do Curso de PósGraduação em Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP EPM
4 Prof. da Disciplina de Cirurgia Gastroenterológica da UNIFESP EPM 5 Prof. da Disciplina de Bioestatística da UNIFESP EPM
6 Prof. da Disciplina de Bioestatística da UNIFESP EPM
7 Prof. da Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESP EPM
Al. Rio Claro, 179/141 01332010 São Paulo SP Brazil
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