24/03/2015 Desafio é barrar corrupção | Tribuna de Minas
POR RENATO SALLES
Política
22 de março de 2015 06:00
Desafio é barrar corrupção
Em resposta aos protestos vistos em várias cidades do país no domingo passado, a presidente Dilma Rousseff (PT) comparou a corrupção a uma senhora bastante idosa que “não poupa ninguém” e pode estar, inclusive, no setor privado. A análise pode ser ampliada. A tal anciã que sangra os cofres públicos desde a instalação da República vê no modelo de custeio misto das campanhas eleitorais, com recursos públicos,
particulares e empresariais, um terreno fértil para negociatas. Com cifras milionárias envolvidas, o atual formato dá às doações oriundas de gigantes corporativos um grande poder de decisão na disputa de cargos públicos. O mais recente exemplo são as
empresas citadas na operação “Lava jato” – que expôs a sangria financeira na maior estatal do país, a Petrobras, revelando a relação promíscua entre empreiteiras e agentes públicos. Esta semana, o tema voltou à baila, quando o PMDB apresentou suas
posições acerca da reforma política.
A legenda saiu em defesa da manutenção do financiamento privado e sugere um fator novo: a limitação para que cada empresa opte por apenas um candidato por cargo. “É, sem dúvida, o principal tema da reforma política. Ao lado do fim das coligações
proporcionais, a alteração na forma de financiamento das campanhas já seria
questões pertinentes ao financiamento de campanha precisam estar no centro dos debates e hasteia a bandeira do custeio público. “Quem elege boa parte dos
representantes nos poderes Legislativo e Executivo são as grandes empresas, que injetam em uma ou outra candidatura. A exceção podem ser doações de pessoas físicas.” A proibição da participação de corporações também é defendida pelo PT, no comando do Governo federal há 12 anos.