Maria Auxiliadora de Carvalho1 César Roberto Leite da Silva2
Resumo:Adívidaexternaelevadaeodéficitcrônicoemtransaçõescorrentes obrigamoBrasilaproduzirsuperávitscomerciaissignificativos.Aagricultura temdadoumagrandecontribuição,dadoqueovalordesuasexportações vemcrescendoataxasmaiselevadasqueadosdemaisprodutos,resultan-donumbemvindosuperávitcomercialagrícola.Entretanto,apoiar-sena agriculturacomoprincipalfontededivisascolocaopaísnumasituaçãode vulnerabilidade:ademandamundialporprodutosagrícolasérelativamente decrescente,avariabilidadedospreçosequantidadesdocomércioagrícolaé bemmaiordoqueadosprodutosindustrializados,easrelaçõesdetrocadas exportaçõesagrícolastêmdeclinadonosúltimos30anos.Essesfatoslevam aconcluirqueasrazõesquelevaramàadoçãodomodelodesubstituição deimportaçõesvoltaramaserpertinentesnaatualidadeequeoaumento das quantidades exportadas de produtos agrícolas não necessariamente significamelhoriadobemestardasociedadebrasileira.
Palavras-chave:relaçõesdetroca,agricultura,vulnerabilidadeexterna
ClassificaçãoJEL:Q17
1DoutoraemEconomiadeEmpresas/PesquisadoradoInstitutodeEconomiaAgrícola.
2DoutoremCiênciasEconômicas/PesquisadordoInstitutodeEconomiaAgrícola/
Abstract:Thehighforeigndebtandthechroniccurrentaccountdeficit force Brazil to produce significant trade surplus. Agriculture has been givingagreatcontributionasitsexportvaluehasbeengrowingathigher ratesthaneconomyotherproducts;thereforethereisawelcomeagricul-turaltradesurplus.However,todependonagricultureasmainsource ofexchangevalueputsthecountryinavulnerablesituation:theworld demandforagriculturalproductsisrelativelydecreasing,theagricultural tradepricesandamountsvariabilityarebiggerthanofindustrialized products,andtheagriculturaltermsoftradehavebeendeclininginthe last30years.Suchfactsenabletheconclusionthatthejustificationofthe substitutionofimportsmodelispertinentagainandthattheincreasein exportamountsofagriculturalproductsnotnecessarilyimplytheBrazi-lianswelfareimprovement.
Key-words:termsoftrade,agriculture,externalvulnerability.
JELClassification:Q17
Introdução
Aliteraturaregistraqueavulnerabilidadeexternaéamaiorfragilidade daeconomiabrasileiradesdeosseusprimórdios.AComissãoEconômica paraaAméricaLatinaeCaribe(CEPAL),jánadécadade1940diagnos-ticouqueamaiorcausadasdificuldadesdaAméricaLatinanosetor externoeraqueaentradadedivisasdependiadasexportaçõesdepoucos produtosprimários.EssediagnósticoédePrebisch(1949),baseadoem estudodasNAÇÕESUNIDAS(1949)quemostravaatendênciasecular aodeclíniodasrelaçõesdetrocadocontinente,tradicionalexportador deprodutosprimárioseimportadordeindustrializados,einferiaque a região estava fadada ao permanente subdesenvolvimento caso não fossemtomadasmedidaspositivasparareverteressatendência.Como oproblemaestavanaespecializaçãoemprodutosprimários,ogoverno deveriainterferirnoprocessocriandobarreirasàimportaçãoeinfra-es-truturabásicaparaimpulsionaraindustrialização.
atéofinaldaIIGuerraMundialasautoridadesbrasileirasreagiamàscrises externasdesvalorizandoataxadecâmbio,oqueestimulavaaprodução domésticademanufaturados.Mas,apartirde1945pode-senotarumapo-líticadeliberadadeindustrialização,naqualapolíticacambialeraapenas um dos vetores, ao lado da re-configuração do arcabouço institucional, investimentoseminfra-estruturaefornecimentodeinsumosbásicos,que eramproduzidosessencialmenteporempresasestataiscriadasparaestefim (VASCONCELLOS;GREMAUD&TONETOJR.,1999).Vistodeoutraforma, apartirdestaépoca,oEstadoimpôssuapresençanaeconomiabrasileira.
Ao longo de pouco mais de meio século de crescente inserção do governo na economia brasileira e de práticas protecionistas rigorosas comvistasaodesenvolvimentoporsubstituiçãodeimportações,opaís transformousignificativamentesuaestruturaprodutiva:deumaeconomia primário-exportadoratornou-seumasociedadepredominantementeurbana eindustrial.Nessesentidopode-sedizerqueaestratégiafoibemsucedida. Noentanto,oobjetivocentraldomodeloerareduziravulnerabilidadedo paísàsmudançascíclicasdaseconomiascentrais.Nesseparticularnãose podedizerquehouvesucesso.Pelocontrário,essaestratégiaresultouem forteendividamentoexterno,cujasimplicaçõesforçaramorompimento domodelorumoàamplaliberalizaçãocomercialnadécadade1990.
Comaliberalizaçãocomercial,eaapreciaçãodocâmbioocorrida naprimeirafasedoplanoReal,abalançacomercialbrasileira,tradicio-nalmentesuperavitária,começouaregistrardéficitsapartirde1995, situaçãoquesófoirevertidaem2001,graçassobretudoàmudançana políticacambialocorridaem1999.Osdéficitscomerciaisagravaramo jácrônicodéficitemtransaçõescorrentes,cujofinanciamentofoifeito porinvestimentosdiretosestrangeiros,empréstimosefinanciamentos. Essasmodalidadesdeentradadecapitalacarretaramremessasdelucros epagamentosdejurosque,porsuavez,contribuíramparaaformaçãode novosdéficits.Seasexportaçõesnãopropiciaremasdivisasnecessárias paraefetuaressasremessas,aumentarãooendividamentoeaspossibi-lidadesdeocorrênciadenovascrisesnobalançodepagamentos.
dasexportaçõesagrícolasempoucosprodutos,oqueampliaavariabili-dadedoingressodedivisas.Asegundaéatendênciadecrescimentoda participaçãodosprodutosbásicosnoProdutoInternoBruto(PIB)eno comércio,obstáculoaodesenvolvimentoqueomodelodesubstituição deimportaçõespretendeusuperar.
Paraargumentarafavordestasquestões,estetrabalhoprocura,ini-cialmente,mostrararelaçãoentrenecessidadededivisasecrescimento econômicoparaaeconomiabrasileira.Emseguidadiscuteacontribuição daagriculturanacomposiçãodoPIBenocomércioexterior,econfronta estatísticasdevariabilidade,concentração,bemcomodaevoluçãodos termos de troca do setor agrícola brasileiro nas últimas décadas. Ao finalconsideraqueacrescentedependênciadasexportaçõesagrícolas põeemriscoacapacidadedegeraçãodedivisasdopaís,bemcomoa possibilidadedealcançarocrescimentoeconômicosustentado.
1.Crescimentoeconômicoenecessidadededivisas
Segundooenfoquetradicionaldobalançodepagamentos,osaldo docomérciodebenseserviçosdependedastaxasdecrescimentolocale mundialedataxadecâmbioreal.Partindodeumasituaçãodeequilíbrio comercial,paraumadadataxadecrescimentolocal,mantidasasoutras variáveisconstantes,quantomaiorforaelasticidaderendadasimporta-ções(ηM),maioranecessidadededivisasparapagá-las.Supondoquea elasticidadedasimportaçõesseja1,umaumentode1%noPIBacresce asimportaçõesnessemesmopercentuale,paraequilíbriocomercial,as exportaçõestambémprecisariamcrescer1%.
Apartirdesseraciocínio,umsimplesexercícionuméricopermiteavaliar adimensãodasnecessidadesdedivisasdaeconomiabrasileira.Observou-seelasticidademédiadasimportaçõesde0,9entre1990-94,de1,4entre 1995-99ede0,8entre2000-02.Amédiaparatodooperíodofoi1,1e significaqueparacada1%decrescimentodoPIBovalordasimportações
cresceuem1,1%3.Comoentre1990e2002oPIBbrasileiroexpressoem
dólarescresceu,emtermosmédiosanuais,2,1%,asexportaçõesdeveriam
3EssesdadosforamcalculadosapartirdosvaloresdasimportaçõesedoPIBbrasileiros
tercrescido2,3%a.a.simplesmenteparamanterasituaçãoanterior.Na realidadeamédiaanualdecrescimentodasexportaçõesfoide4,7%no período,maisquesuficienteparacobriroacréscimodasdespesascom importações,resultandoemdiferençapositivade2,4%a.a.(Tabela1).
Tabela1.TaxamédiaanualdecrescimentodocomércioedoPIBeelasticidade dasimportações,Brasil,1990-2002
Período PIB((%)1) Importação Exportação(%)(
1)
%(1) Elasticidade(2) Observada Necessária(3) Diferença
(1) (2) (3) (3) (4) (5)
1990-94 6,4 13,3 0,9 5,2 6,0 -0,8
1995-99 1,9 10,3 1,4 2,2 2,8 -0,6
2000-02 -4,9 -0,7 0,8 8,0 -3,9 11,8
1990-02 2,1 8,9 1,1 4,7 2,3 2,4
(1)Médiadevariaçãodovalorexpressoemdólar
(2)Médiade(∆M/M)/(∆Y/Y),ondeM=importaçãoeY=PIB,ambosexpressosemdólar.
(3)(4)=(1)*(3)=taxadecrescimentodaexportaçãonecessáriaparamanterasituaçãoinicial
Fontededadosbásicos:IPEADATA,acessoem29/03/04
Aanáliseporsubperíodomostraqueessadiferençapositivadeve-se aobomdesempenhodabalançacomercialdos3últimosanos,ocasião emqueocrescimentomédiodasexportaçõessuperouasnecessidadesem 11,8%,nãotantopeloaumentodasexportações,quefoide8,0%,mas pelodeclíniodoPIBexpressoemdólar,àtaxamédiaanualde4,9%4.
Namaiorpartedadécadade1990asdivisasobtidascomexportações não foram suficientes sequer para equilibrar a balança comercial. As necessidadesdedivisasnãoserestringemaopagamentodasdespesas comimportações.Elassãonecessáriasparacobrirosaldodetodasas transaçõescorrentesdobalançodepagamentos(TC)que,alémdabalança comercial,englobamobalançodeserviços,obalançoderendaseastrans-ferênciasunilaterais.OsaldodeTCmostra,portanto,asdiferençasentre pagamentoserecebimentospelastransaçõescombens,serviçosefatores deproduçãoaolongodedeterminadotempo,esefornegativosignifica queastransaçõesprovocarammaissaídasqueentradasdedivisas.
4EssedecréscimodovalordoPIBemdólarsedeveàdesvalorizaçãodamoedabrasileira.
Asestatísticasbrasileiraslevantadassistematicamentevãode1947 a 2003. Nesses 56 anos de levantamento em 17 deles houve déficit comercial,masastransaçõescorrentesapresentaramdéficitem49.As causasdissosãoossaldosdosbalançosdeserviçosederendas,quenão registraramsaldospositivossequerumaveznesseperíodo.Oproblema équeodéficitemtransaçõescorrentesdedeterminadoano,financiado comrecursoscaptadosnoexterior,gerapagamentosfuturosdejuros elucrosquevãocomporobalançoderendaseaformaçãodenovos déficitsemtransaçõescorrentesnosperíodossubseqüentes.
Adécadade1990deucontribuiçãoexpressivaparaamanutenção dadependênciaexternabrasileira.Namédiadoperíodo1991-2000as exportaçõescobriramsomente72,2%dasdespesasapagar.Astrans-ferênciasunilateraiscorrentesresponderampormais4,0%resultando que23,8%dosgastosrealizadosnoexteriorforamfinanciadoscom recursosexternos.Adívidaexternatotalregistrada,queeradeUS$ 123,4bilhõesem1990passouparaUS$236,2bilhõesem2000,com
crescimentodemaisde90%5.Oaugedoendividamentoaconteceu
em 1997 e 1998, anos em que os déficits das transações correntes ultrapassaramUS$30bilhões.Comisso,asremessasderendas,que nocomeçodadécadagiravamemtornodeUS$10bilhões,passaram paraUS$14,9bilhõesem1997eparaUS$18bilhõesaUS$20bilhões nosúltimos6anos.
Aobrigaçãodepagarrendasdevepermanecerdessaordempelospróxi-mosanosseamaiorpartedadívidanãoforamortizada.Issoimplicaque, mesmonaausênciadecrescimentoeconômico,opaísprecisagerarsuperávit comercialparahonraressesdébitos.Opassivoacumuladointroduziucerta rigideznanecessidadedegeraçãodedivisas,ecomprometeuosfluxosdo presentecomopagamentodasrendasrecebidasnopassado.
Comocrescimentoeconômicoasobrigaçõescrescempeloaumento dasimportaçõesdebenseserviços.Podemcrescertambémpelasfacili- dadesdeobterfinanciamentosnosmomentosdefartaliquidezinterna-cional.Este,aliás,éumaspectointeressantequepermeiatodaahistória econômicabrasileiraefazcomquesuastransaçõeseconômicascomo restodomundoalternemmomentosdeotimismoecrises.
Parecequetudovaibemenquantoexisteliquidezinternacionalese consegue captar recursos no exterior com facilidade para financiar os déficitsemtransaçõescorrentes.Asucessãodesaldosdeficitáriosdessa faseformaoestoquedadívidaexterna,queimplicaanecessidadede remessaderendasfuturas,naformadejuroselucros.Ascrisessurgem nasfasesdecontraçãodaliquidezeconseqüentedificuldadedefinanciar odéficit.Nessasetapasaescassezdedivisastorna-seomaiorempecilho aocrescimentoeconômicoatéporqueoenfrentamentodacriseresultaem acordoscomoFMI(FundoMonetárioInternacional),queinduzajustedas contaspúblicasque,porsuavez,levaaodeclínionoritmodecrescimento econômico,atéquesurjanovociclodeliquidezinternacional.
Desde2001opaísvoltouatersuperávitcomercialeem2003chegou aapresentarsuperávitemtransaçõescorrentesdeUS$4bilhões.Issofoi possívelporqueovalordasexportaçõescresceuquase10%a.a.apartirde
2000,mastambémporque,comcrescimentoeconômicoirrisórioacumu-landoapenas3%em3anos6,ovalordasimportaçõesdebenseserviços
tevereduçãosuperiora5%a.a.Quandoaeconomiavoltaracrescera taxasqueresultememmelhoriadaqualidadedevidadapopulaçãobra-sileira,asimportaçõestambémcrescerão,trazendodevoltaosdéficits emtransaçõescorrentes,bemcomoapossibilidadedecrisesnobalanço depagamentos,seocomérciodebenseserviçosnãoforcapazdeprover asdivisasnecessáriasparahonraroscompromissosexternos.
2.Ocomércioagrícolabrasileiro
Umadasimplicaçõesnaturaisdodesenvolvimentoeconômicoéa quedadaimportânciarelativadaagriculturanaatividadeeconômica.No Brasilesseprocessofoiaceleradopelaadoçãodomodelodesubstituição deimportaçõese,entre1950e1990,aparticipaçãodosetornoPIBcaiu àtaxamédiaanualde2,3%.Nocomeçodadécadade1950aagricultura representava¼doPIBbrasileiroapreçosbásicosechegouaomínimo de7,6%em1993.Daíemdianteosetorvoltouacrescermaisqueo
6AtaxadecrescimentorealdoPIBfoide1,3%em2001,de1,9%em2002ede-0,2em
2003.Emtermospercapitaospercentuaissão0,0%,0,6%e-1,5%,respectivamente, totalizandodecréscimode0,9%nesses3anos(IBGE,2004).
7OvaloradicionadoapreçosbásicosfoiestimadoemR$1.199trilhõespara2002e
restantedaeconomiaultrapassando10%em20037.
Desdeofinaldadécadade1940quandoaCEPALpassouaadvogara substituiçãodeimportaçõescomoestratégiadedesenvolvimentoparaos paísesperiféricosoproblemaestavaemdependerdeexportaçõesdeprodutos primários,parapagarpelasimportaçõesdebensindustrializados.Adispa- ridadenaelasticidade-rendadademandaporimportações(alta)eexporta-ções(baixa)dariacausaàdeterioraçãodostermosdetrocaeconseqüentes dificuldadesdobalançodepagamentosdaseconomiasperiféricas.Comoa demandaporprodutosprimáriostambémtembaixaelasticidade-preço,seo esforçodoconjuntodospaísesparaaumentarovolumeexportadoexcedesse oaumentodarendadospaísescentrais,haveriatalbaixadospreçosqueo valordasexportaçõespoderiavirasermenordoqueantes8.
Jánãosepodedizerqueadinâmicaeconômicabrasileirasejaim-pulsionadaporsuasexportaçõesparaospaísescentrais,atéporque,até recentemente o valor das exportações brasileiras representava menos de 10% do PIB. Além disso, na atualidade, é a demanda dos países em desenvolvimento que mais cresce no mundo. Entre 1990 e 2002 asimportaçõesdospaísesdaOCDE(OrganizaçãoparaCooperaçãoe Desenvolvimento Econômico) cresceram 5,3% a.a. enquanto as dos demaispaísescresceram6,8%a.a.Comissoasimportaçõesmundiais registraramtaxaanualdecrescimentode5,7%(Tabela2).
Tabela2.Taxaanualdecrescimentodocomércioagrícolaetotalentre1990-2002(1)
(emporcentagem)
Agrícola Total
Importação Exportação Importação Exportação
Brasil 3,7 5,8 9,4 5,8
OCDE 1,7 1,9 5,3 5,0
Outros(2) 2,9 3,0 6,8 7,9
Mundo 2,0 2,3 5,7 5,8
(1)Comparaçãoentreasmédiasdostriênios1990-92e2000-02
(2)ExclusiveOCDE
Fontededadosbásicos:FAOSTATdatabase
8Prebischinicialmenteargumentouqueadeterioraçãodostermosdetrocadaseconomias
Quantoàdependênciadaexportaçãodeprodutosdebaixaelastici-dade-preçoerenda,nãoésegurodizerqueosargumentosdePrebisch nãomaisprocedem.ParaoBrasil,pelomenosasseguintestendências tornamsuaspreocupaçõesaindapertinentes:
1.Ademandamundialporprodutosagrícolascrescemenosquea dosprodutosindustrializados;
2.O Brasil aumentou a dependência de produtos agrícolas como fontededivisas;
3.O relativo sucesso das exportações brasileiras mais se deve ao aumentodasquantidadesexportadas;e
4.AevoluçãodasrelaçõesdetrocatemsidodesfavorávelaoBrasil
Comoevidênciadaprimeiraasserção,podemserutilizadososdados deimportaçõesmundiaisdaFAO(OrganizaçãodasNaçõesUnidasparaa AlimentaçãoeAgricultura),disponíveisparaoperíodo1961-2002.Nesse períodotodoovalordasimportaçõesmundiaiscresceuàtaxade10,7%a. a.Essenúmeroéresultadodecrescimentoanualde7,3%dasimportações agrícolasede11,3%dasimportaçõesdosprodutosnão-agrícolas.
Dividindo-seasérieemsubperíodosdeaproximadamente20anos, observa-se que as diferenças de tendência já eram observadas antes de1980.De1961a1980asimportaçõestotaiscresceram15,9%a.a., asagrícolas11,5%a.a.easnão-agrícolas17,0%a.a.Depoisde1980 ocrescimentodototaldasimportaçõesmundiaiscaiupara6,8%a.a., enquantoosprodutosagrícolascresceram3,8%a.a.(Tabela3).
Tabela3.Taxaanualdecrescimentodasimportaçõesmundiais,1961-2002(1)
Produto 1961-80 1980-2002 1961-2002
Agrícola 11,5 3,8 7,3
Não-agrícola 17,0 7,1 11,3
Total 15,9 6,8 10,7
(1)Resultadosobtidosapartirderegressãolog-linearcomníveldesignificânciade1%
Fontededadosbásicos:FAOSTATdatabase
Paraargumentarsobreasegundaasserção,alémdosprópriosdados daFAOforamutilizadososdaFUNCEX(FundaçãoCentrodeEstudosdo
ComércioExterior),disponíveisdesde19749.PelosdadosdaFUNCEX,a
dasériecaiuparamenosde5%entre1981e1996evoltouasuperar estepercentualnosanosfinais.Amínimaparticipaçãodaagricultura nasexportaçõesfoide2,9%observadaem1991.Daíemdianteasex-portaçõesdosetoroscilaram,mascomnítidatendênciadecrescimento, alcançando7,5%em2003(Tabela4).
OsdadosdaFAOtambémmostramquebradetendênciaporvolta de1991.Entre1974e1977aparticipaçãodasexportaçõesagrícolasse situavaemtornode60%.Entre1977e1991declinounitidamente,atin-gindo25%entre1991e1993.Daíemdianteassumiuumnovopatamar, entre28e30%,sedesconsideradooanode2000.
Ocrescimentodasexportaçõesagrícolasaumentouaimportânciarelativa dosetornoPIB.AtaxadecrescimentodoPIBagropecuáriofoiinferioràdo PIBtotalemapenas2anos,1997e1998.Asdiferençassãomaisacentuadas nosúltimos5anosdasérie,destacando-se2003,anoemqueoPIBtevede-créscimode0,2%emrelaçãoaoanoanteriorenquantoaagriculturacresceu 6%,esuaparticipaçãonoPIBaumentoude8,7%para10,2%.Tomando porbase1990,até2003aeconomiabrasileiratevecrescimentoacumulado
de34%enquantoosetoragropecuárioacumulou57%(Tabela4).
Oconjuntodessasinformaçõessobreaagriculturabrasileira,mostran-dosuamaiorparticipaçãonoPIBenasexportaçõespodeserentendido comosucessoparaosetor.Noentanto,sobopontodevistadoconjunto da economia, essa mesma evolução caracteriza aumento da vulnera-bilidade externa do país. Este processo pode ser examinado segundo oenfoquedesenvolvidoporFAJNZYLBER(1991).Segundoesteautor, umpaísestávulnerávelnocomércioquandodiminuiaparticipaçãonas importaçõesmundiaisdeumprodutocomimportânciacrescentenasua pautadeexportação10.Nessesentidoaagriculturabrasileira,noagregado, estáemposiçãodevulnerabilidadeporqueademandainternacionalpor produtosagrícolascrescemenosqueadosdemaisprodutos,enquanto oBrasilvemaumentandosuaparticipaçãonessemercado.
9AFUNCEXempregaaclassificaçãodamatrizinsumo-produtodoIBGEparadefinira
agriculturaondesãoenquadradoscomoagrícolasapenasosprodutosinnatura.AFAO incorporaprodutosagrícolasprocessados.
10FAJNZYLBER(1991)analisaasexportaçõesconfrontandocrescimentodasimportaçõesdos
AclassificaçãodeFAJNZYLBER(1991),aplicadaàagriculturabrasileira porCARVALHO(2002)paraoperíodo1988-99,enquadrou63,7%dovalor dasexportaçõesagrícolasbrasileirasnasituaçãodevulnerabilidade11.
Pode-seanalisaravulnerabilidadetambémpeloenfoquedavaria-bilidadedovalordasexportações,umavezqueumaspectobásicoda sustentabilidadedocrescimentoeconômicodeumpaísésuasegurança comrelaçãoaosingressosdedivisasparahonraroscompromissosex-ternos.Nesseaspecto,contarcomaagriculturanãoéomelhorcaminho porque,emboraocomérciocomoumtodotenhaapresentadoevolução bastanteinstávelnasúltimasdécadas,ainstabilidadedocomércioagrí-colaésistematicamentesuperior.
Aanálisedototaldasimportaçõesmundiaisnoperíodo1961-2002,a partirdosdadosdaFAO,permiteverificarqueataxadecrescimentoagrícola apresentoucoeficientedevariaçãode134%contra92%paraosdemais produtos.Ocálculoparaocrescimentodasexportaçõesbrasileirasresultou em201%paraosprodutosagrícolase120%paraosdemaisprodutos.
AsinformaçõesproduzidaspelaFUNCEXpermitemsepararosefeitos dasvariabilidadesdepreçosedasquantidadesexportadas.Astaxasde crescimento dos preços agrícolas, em particular, apresentaram coefi-cientedevariaçãomuitoelevado(11.740%),resultadodealternâncias
deperíodosdealtasebaixas12.Ospreçosdosmanufaturadostambém
apresentamelevadocoeficientedevariação(365,6%),masequivalente acercade3%docoeficientedaagricultura(Tabela5).
11Aclassificaçãoresultouem15,3%dovalorexportadoemsituaçãoderetrocesso,11,3%
emsituaçãoótimae9,6%comooportunidadesperdidas.
12Namédiadoperíodo1974-2003ataxadecrescimentodospreçosagrícolasfoide
Tabela4.TaxasdecrescimentodoProdutoInternoBruto(PIB)totaleagrícola,e participaçãodaagriculturanoPIBenasexportaçõesbrasileiras,1974-2003
Ano
PIB(1) Participaçãodaagricultura(2)
Total Agrícola PIB Exportações
FUNCEX FAO
1974 57,4 57,4 12,2 15,4 60,8
1975 60,4 61,2 11,5 14,9 55,8
1976 66,6 62,7 11,7 13,2 60,0
1977 69,9 70,3 13,6 12,3 62,0
1978 73,3 68,5 11,2 6,7 52,4
1979 78,3 71,7 10,8 6,0 46,3
1980 85,5 78,5 10,9 5,5 46,3
1981 81,9 84,8 11,2 4,6 41,3
1982 82,6 84,6 9,7 3,9 39,8
1983 80,1 84,2 12,5 4,8 41,1
1984 84,5 86,4 13,8 4,1 38,6
1985 91,1 94,7 12,6 6,0 36,7
1986 97,9 87,1 12,1 4,0 34,2
1987 101,4 100,1 10,8 4,7 32,6
1988 101,3 101,0 11,4 3,9 29,3
1989 104,5 103,9 9,8 4,7 27,7
1990 100,0 100,0 8,1 4,4 27,9
1991 101,0 101,4 7,8 2,9 25,2
1992 100,5 106,3 7,7 3,7 25,4
1993 105,4 106,3 7,6 3,9 25,1
1994 111,6 112,0 9,9 4,3 28,8
1995 116,3 116,6 9,0 2,9 28,7
1996 119,4 120,2 8,3 3,5 30,0
1997 123,3 119,2 8,0 5,8 30,2
1998 123,4 120,8 8,2 5,5 29,8
1999 124,4 130,8 8,3 4,6 28,8
2000 129,9 133,6 8,0 5,1 23,2
2001 131,5 141,3 8,4 6,5 27,6
2002 134,1 149,2 8,7 6,5 27,7
2003 133,8 156,6 10,2 7,5 28,6
(1)Índice:1990=100
(2)Emporcentagem
Tabela5.Coeficientedevariaçãodataxadecrescimentodasexportações, Brasil,1974-2003(1)(emporcentagem)
Agrícola Manufaturado Total
Preço 11.740,0 365,6 507,8
Quantidade 297,4 134,7 134,2
Valor 307,0 147,1 134,5
(1) Calculado a partir da variação percentual dos índices de preço, quantum e valor das
exportações.
Fontededadosbásicos:FUNCEX,disponívelem:http://www.ipeadata.gov.br
Adiferençadevariabilidadedastaxasdecrescimentodaquantidade exportadaémenosdrásticaqueadospreços,masaindaassimexpres-siva.Ocoeficientedevariaçãodaagricultura(297,4%)superaodobro dodosprodutosmanufaturados(134,7%).
Comopreçosequantidadesagrícolastêmmaiorvariabilidadequeos manufaturados,naturalmenteovalordasexportaçõestambémtem,e essaéumadascausasimportantesdaspreocupaçõescomadependência dessesprodutoscomofontededivisas.Operíodo1998a2000dáum exemploclarodisso.Doisanosdequedasnospreçosseguidosporum outrodereduçãodaquantidadeexportada,interromperamumasérie deanosdecrescimentodaparticipaçãodaagriculturanasexportações agrícolasbrasileiras(Tabela4).
Avariabilidadedasreceitasdeexportaçãoémaisacentuadaquanto maiorforograudeconcentraçãodasexportaçõeseesseéumdospro-blemasdocomércioagrícolabrasileiro.Namédiadotriênio2000-2002 apenas10produtosresponderampor79,3%dasdivisasobtidaspelo setorsendoquedoisdeles,sojaemgrãoetortadesoja,foramrespon-sáveispor30,4%.
Oproblemadaconcentraçãodasexportaçõesagrícolaséantigoe nãotemapresentadotendênciademelhora.Estimativasdoíndicede Giniresultaramem0,93e0,94paraasmédiasdostriênios1980-1982e 1990-1992,respectivamente(SILVAeCARVALHO,1999).Novaestima-tiva para 2000-2002 resultou também em 0,94 indicando persistência deelevadograudeconcentraçãodadoqueograumáximoéatingido quandooíndiceéiguala1.
obtidadosdadosdaFAOedaFUNCEX.Apartirdamédiadosíndicesdas exportaçõesparaoperíodo1974a1980,foramcomparadososíndices depreço,quantidadeevalorparaasmédiasdosqüinqüêniosseguintes. Dessacomparaçãopode-seobservarqueovalortotaldasexportações brasileirasvemapresentandocrescimentobastanteaceleradoepersis-tentedeformaque20anosdepoispassouacorresponderaoquádruplo dovalorobservadonasegundametadedadécadade1980enotriênio 2001-2003ultrapassouoquíntuplo(Tabela6).
Tabela6.Evoluçãodasexportaçõesportipodeproduto,Brasil,1974-2003 (média1974-1980=100)
Produto Índice 1981-1985 1986-1990 1991-1995 1996-2000 2001-2003
Agrícola(FAO)a
Preço 94,6 88,3 86,6 82,4 61,4
Quantidade 139,7 138,0 168,6 249,7 384,7 Valor 132,3 121,0 147,0 202,9 237,4
Agropecuário (FUNCEX)
Preço 91,3 86,6 78,6 83,3 68,8
Quantidade 101,3 124,6 146,2 252,6 524,2 Valor 94,4 110,2 118,1 213,1 375,9
Manufaturados
Preço 125,8 131,3 140,4 147,5 132,4 Quantidade 229,3 285,4 368,7 452,5 609,9 Valor 272,1 356,6 488,7 629,3 764,4
Total
Preço 112,5 116,9 118,5 123,6 107,6 Quantidade 173,0 207,1 271,8 341,5 487,2 Valor 190,1 238,7 315,8 410,7 514,6
aDadosdisponíveisaté2002.
Fontededadosbásicos:FAOeFUNCEX,disponíveisemhttp://fao.orgehttp://www.ipeadata. gov.br,acessoemabrilde2004
Oíndicedepreçosdoconjuntodasexportaçõesbrasileirasmostrou evolução moderada no período, mas em nenhum qüinqüênio esteve abaixo da média de 1974-80. Quanto aos índices da agropecuária a situaçãoéinversa:tantoasériedaFUNCEX,queconsideraapenasos
produtosagrícolasinnatura,comoadaFAO,queenglobatambémos
De2001a2003étambémoperíodoemqueaagriculturacontabi-lizoumaioringressodedivisas,equivalenteaquase4vezesovalorde 1974-80pelosdadosdaFUNCEX.Seospreçoscaírameareceitacresceu, naturalmenteissosedeveaumgrandecrescimentodasquantidades exportadaspelosetor,daordemde424%sobreoiníciodasérie.
OsdadosdaFUNCEXpermitemobservartambémqueaevolução dospreçosdosprodutosmanufaturadosfoibemmaisfavorávelquea dosagrícolas,comcrescimentoemtodososqüinqüêniosdesdeadécada de1980.Osúltimos3anosforamosmaisdesfavoráveis:damédiade 147,5,noqüinqüênio1996-2000,oíndicedepreçocaiupara132,4.No entanto,comoaquantidadeexportadacontinuoucrescendoemritmo acelerado,de2001a2003,ovalordasexportaçõesdosmanufaturados cresceuem21%emrelaçãoaoqüinqüênioanterior.
Observe-sequeoíndicedepreçosdosetoragropecuáriotambém caiu:de83,3noqüinqüênio1996-2000para68,8notriênio2001-2003, masocrescimentodaquantidadeexportadafoitãoaceleradoqueovalor dasexportaçõesfoiincrementadoem76,4%.
Umavezqueaagriculturavemelevandosuaparticipaçãonasexpor-taçõeseseusíndicesdepreçosapresentamtendênciadecrescente,parte doesforçoexportadorvemsendoneutralizadapelaquedadospreços. Esteéonúcleodaquartaasserção,quepodeseratestadapelaanálise docomportamentodospreçosdosprodutosimportados,paraconcluir sobreaevoluçãodasrelaçõesdetrocadopaíscomorestodomundo.
Porrelaçõesdetrocaentende-searazãoentreospreçosdospro-dutos exportados e o preço dos proPorrelaçõesdetrocaentende-searazãoentreospreçosdospro-dutos importados. Neste trabalho confrontamosospreçosdasexportaçõesaospreçosdasimportaçõesde produtosagropecuários(PX/PM
agropecuária)eospreçosdasexporta-çõesdeprodutosagropecuáriosaospreçosdasimportaçõestotais(PX
agropecuária/PMtotal)paraoperíodo1974-2003.
Oconfrontodospreçosdosprodutosagrícolasexportadosaospreços dototaldasimportaçõesmostraqueadécadade1970foioperíodomais favorável.Daíemdianteemapenas5anosasrelaçõesdetrocaultra-passaramligeiramenteamédiadasérie,destacando-seotriênio1996-98 quandoalcançou110%.De1999a2003asrelaçõesdetrocadaagricultura têmsidobastantedesfavoráveisaopaís,comíndicemédioiguala87.
Parareforçaroargumentopode-seestimaroíndicedacapacidadede importar,queéarazãoentreovalordasexportaçõesagropecuáriaseo índicedepreçosdototaldasimportações(VXagropecuária/PMtotal). NaFigura1évisívelaevoluçãocrescentedesseíndiceapartirde1991, chegandoa337em2003.Comoaevoluçãodasrelaçõesdetrocaesteve predominantementeabaixode100,evidencia,maisumavez,queore-lativosucessodasexportaçõesagrícolasbrasileirassedeveaoaumento dasquantidadesexportadas.
Consideraçõesfinais
envolvimentoentresetoresemaioresaspossibilidadesdegerarestímulos aocrescimentodomercadointerno.
Ocrescimentoeconômico,porsuavez,induzoaumentodasimpor-tações,eseoobjetivoécresceraeconomiasemendividamentoexterno, énecessárioqueasexportaçõesprovejamasdivisasnecessáriaspara pagarpelasimportaçõesdebenseserviços.
Nopassadoargumentou-sequeopredomíniodeprodutosprimários nasexportaçõeslevavaàdeterioraçãodostermosdetrocaeconseqüente tendênciaestruturalaodesequilíbrionobalançodepagamentos.Esseas-sunto,objetodegrandepolêmicaaolongodedécadas,voltaaterrelevância
paraoBrasilnamedidaqueaagriculturavemsendoseusetormaisdinâ-mico,comcrescimentodaparticipaçãonoPIBenasexportações13.Como
opaísacumulougrandepassivoexterno,ageraçãodedivisaséprioridade máxima,econtarcrescentementecomaagriculturaparahonrarseuscom-promissosacrescentagrausdevulnerabilidadeàeconomiabrasileira.
Umadasrazõeséqueaagriculturaéumsetoremdeclínionocomér-ciomundial:ataxadecrescimentodasimportaçõesagrícolasmundiais ébemmenorqueadosdemaisprodutos,tendênciaacentuadaapartir dadécadade1980.Alémdisso,asimportaçõesagrícolasdospaísesmais desenvolvidosapresentamtendênciadereduçãoaindamaisacentuada. Emconseqüência,asexportaçõesbrasileirasmaiscrescemparaosmer-cadosdospaísesemdesenvolvimento,quenemsempretêmcapacidade sustentadadepagamentos.
Outro aspecto da vulnerabilidade decorrente da dependência de
13MuitosautoresquestionaramasconclusõesdaCEPALacercadadeterioraçãodostermos
produtos agrícolas está relacionado à variabilidade. O confronto dos coeficientesdevariaçãodastaxasdecrescimentodovalordasexporta-çõesmundiaisdeprodutosagrícolasedosdemaisprodutosmostraque avariabilidadedestesébemmenor,ouseja,émenossegurocontarcom aagriculturacomofontededivisas.
Nocasobrasileirofoipossívelestimaressasdiferençasentreprodutos agrícolasemanufaturadosdeondeseconcluiuquesãoaindamaisacen-tuadas.Entre1974e2003avariabilidadedocrescimentodasexportações agrícolas foi o dobro da dos manufaturados. Ao comportamento dos preçosagrícolascabeamaiorresponsabilidadepelasdiferenças,embora asquantidadestambémtenhamcontribuiçãoexpressiva.Acrescente-se quegrandepartedessavariabilidadesedeveaoelevadograudecon-centraçãodocomércioagrícolabrasileiro,dadoqueapenas10produtos respondemporquase80%dovalorexportado.
Umoutroaspectoimportantequeasestatísticasdisponíveispermitiram ressaltaréqueosucessodasexportaçõesagrícolasnoperíodorecenteéde-vidoaoaumentodovolumeexportado.Ospreçosagrícolasvêmmostrando tendênciadebaixaenosúltimos5anosoíndicedasrelaçõesdetrocaque comparapreçosdasexportaçõesagrícolasepreçosdetodososprodutos importadospeloBrasilestevebemabaixodamédiadosúltimos30anos.
Aliteraturaeconômicadenominacrescimentoempobrecedoràsi-tuaçãoemqueoaumentodeproduçãoacontecepredominantemente nosetorexportadoreprovocadeterioraçãodostermosdetrocadetal magnitudequepodereduzirarendarealdopaís.Apossibilidadeémaior quandoaselasticidadesdademandamundialpelasmercadoriasexporta-dassãomuitobaixas.EssadescriçãopareceapropriadaparaoBrasilda atualidade,ondeaatividadeeconômicavemsendoimpulsionadapelo aumentodasexportaçõesdeprodutosagrícolas,denotóriainelasticidade, ostermosdetrocaestãodesfavoráveiseovalordasexportaçõessóé crescentedevidoàexpansãodasquantidadesexportadas.
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