DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA PPG EM SAÚDE COLETIVA
CAPACIDADE FUNCIONAL, ESTADO NUTRICIONAL E CONSUMO ALIMENTAR EM IDOSOS
Aluna : Luciana Bronzi de Souza Orientador: Prof. Dr. José Eduardo Corrente
CAPACIDADE FUNCIONAL, ESTADO NUTRICIONAL E CONSUMO ALIMENTAR EM IDOSOS
Tese apresentada à Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mes uita Filho , Campus de Botucatu para a obtenção do título de Doutor em Saúde Coletiva. Área de concentração: Saúde Pública
Orientador: Prof. Dr. José Eduardo Corrente
À minha mãe, Bernadete, pelo valor que sempre deu à educação,
à formação e ao trabalho, fazendo esses valores
tão presentes em minha vida. Obrigada por me apoiar
sempre e pelo amor incondicional.
Primeiramente gostaria de agradecer ao meu orientador e grande amigo Prof. Dr. José
Eduardo Corrente por esses anos de parceria, ensinamentos e amizade. Suas
contribuições para minha formação, não só acadêmica, mas profissional e pessoal são
inestimáveis. Ainda tenho muito que aprender com você....
À Profa. Dra. Silvia Justina Papini por toda ajuda e ensinamentos, sempre!
Aos queridos funcionários da secretária de pós-graduação, sempre tão atenciosos e
prestativos, pela paciência infinita e por toda a ajuda desde o início;
À Lucilene por sua valiosa ajuda em todos os momentos;
Aos professores e funcionários do Departamento de Saúde Pública pelo convívio,
incentivo, apoio e conhecimento compartilhado;
À FAPESP, pelo financiamento deste projeto;
Ao Prof. Dr. Luís Carlos Giarola e à Profa. Dra. Kátia Cristina Portero McLellan pelas
importantes contribuições durante o exame de qualificação;
Ao Bruno, meu noivo por todo incentivo, ajuda, paciência, amor, sugestões e companhia
durante a realização deste trabalho;
A todos meus familiares e amigos que ajudaram, incentivaram e participaram na
elaboração deste trabalho;
A e te ue se ab e a u a ova ideia,
ja ais volta á ao seu ta a ho o igi al
RESUMO
As pesquisas relacionadas ao envelhecimento são crescentes em todo mundo em
decorrência do aumento da população idosa, fato este que traz consequências para a
sociedade, necessitando, para o enfrentamento deste desafio, da identificação das causas
determinantes das condições de vida dos idosos. Assim, o objetivo do presente trabalho foi
avaliar a associação entre o estado nutricional, consumo alimentar e a capacidade funcional
de idosos. Para isso foram avaliados 365 idosos do município de Botucatu-SP. Para a
avaliação da capacidade funcional foi aplicado o Índice de Katz e a Escala de Lawton, que
avaliam as Atividades de Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD)
respectivamente. A avaliação do estado nutricional foi realizada pela obtenção de variáveis
antropométricas e a avaliação do consumo alimentar, pela aplicação de três recordatórios
de 24 horas. Os dados de consumo foram calculados por meio do programa Nutrition Data
System - Research e para a análise da adequação foi utilizado o método National Cancer
Institute. Os idosos foram caracterizados ainda quanto aos dados sociodemográficos. Foi
encontrado que 62,6% dos idosos eram do sexo feminino, com média de idade de 72,11
anos (DP= 7,35), casados, com ensino fundamental e aposentados. As enfermidades mais
referidas foram hipertensão arterial, diabetes mellitus, hipercolesterolemia, oesteoporose,
problemas cardiovasculares e distúrbios da tireóide. Quanto à capacidade funcional, foi
observado que 89,9% e 67,6% dos idosos eram totalmente independentes para AVD e AIVD,
respectivamente. Grande parte (45,71%) dos idosos foi classificada com excesso de peso.
Foram encontradas associações negativas significantes entre Índice de Massa Corporal,
circunferência do braço, circunferência abdominal e atividades instrumentais de vida diária.
Os dados revelaram que os idosos com baixo peso têm maior risco de declínio na capacidade
funcional, o mesmo acontece com valores alterados de circunferência abdominal. Embora o
consumo de energia e macronutrientes estivessem de acordo com as suas necessidades
nutricionais diárias, o consumo de vitaminas e minerais estava abaixo das recomendações.
Conclui-se que a manutenção de peso saudável associa-se com uma boa capacidade
funcional em idosos e que é necessário maior atenção à variedade na dieta dos mesmos,
uma vez que é alta a prevalência de inadequação de consumo de micronutrientes.
AI: Adequate Intake
AMBc: Área Muscular do Braço corrigida
AIVD: Atividades Instrumentais de Vida Diária
AVD: Atividades de Vida Diária
CA: Circunferência abdominal
CB: Circunferência do braço
CMB: Circunferência Muscular do Braço
DCT: Dobra Cutânea Triciptal
EAR: Estimated Average Requirement
IMC: Índice de Massa Corporal
NDS-R: Nutrition Data System Research
Agradecimentos ... 5
1 Introdução ... 14
1.1 Envelhecimento populacional e consequências para a sociedade... 15
1.2 Capacidade funcional ... 17
1.3 Estado Nutricional ... 18
1.4 Consumo alimentar ... 20
2 Objetivos ... 24
2.1 Geral ... 25
2.2 Específicos ... 25
3 Metodologia ... 26
3.1 Campo de Pesquisa ... 27
3.2 Indivíduos ... 27
3.3 Dados sociodemográficos ... 28
3.4 Questionários de Atividade de Vida diária e de Atividades Instrumentais da Vida Diária ... 29
3.4.1 Escala de Atividades da Vida Diária ... 29
3.4.2 Escala de Atividades Instrumentais da Vida Diária ... 29
3.5 Variáveis antropométricas... 30
3.6 Consumo alimentar ... 31
3.7 Análises estatísticas ... 33
4 Resultados ... 35
5 Conclusão ... 56
Referências ... 58
Anexos ... 67
Anexo 1 ... 68
Anexo 2 ... 69
Anexo 3 ... 70
Anexo 4 ... 71
1.1 Envelhecimento populacional e consequências para a sociedade
Os temas relacionados ao envelhecimento vêm sendo cada vez mais estudados em
todo mundo em decorrência do aumento da população idosa. Pela primeira vez na história
da humanidade, a população mundial com 65 anos ou mais, será, nos próximos anos,
proporcionalmente maior que a população com menos de cinco anos de idade (US Nation
Institute of Aging, 2011).
O aumento da proporção de idosos na população é um fenômeno mundial,
decorrente principalmente do declínio da fecundidade, que ocorreu no Brasil
aceleradamente a partir do final dos anos 60 (Carvalho & Garcia, 2003). Segundo Veras
(2007) o número de idosos passou de 3 milhões, em 1960, para 7 milhões, em 1975, e 17
milhões em 2006 (cerca de 600% de aumento em menos de meio século). Projeções para
2020 sugerem que o Brasil será o sexto país do mundo com maior população de idosos, 30
milhões de pessoas.
Nos países desenvolvidos esse aumento ocorreu lentamente, permitindo
planejamento de políticas sociais e de saúde para que essas mudanças demográficas não
interferissem negativamente na qualidade de vida da população. No Brasil, assim
como em outros países em desenvolvimento, o envelhecimento da população vem
ocorrendo rapidamente e, segundo o Banco Mundial (2011) a transição demográfica no
Brasil encontra-se mais avançada se comparada a outros países da América Latina, exigindo
uma adaptação rápida a essa nova realidade. Na França, foram necessários 100 anos para
que a população com 65 anos ou mais dobrasse de tamanho, essa mudança no Brasil
ocorrerá em 20 anos (US Nation Institute of Aging, 2011).
Segundo a Organização das Nações Unidas, considerando dados mundiais, a
expectativa de vida ao nascer aumentou em quase 20 anos na segunda metade do último
século – de 46,5 anos para 65 anos, em 2000. No Brasil, a expectativa de vida ao nascer, situa-se um pouco acima da média mundial, porém um pouco abaixo da média da América
Latina (IBGE, 2009).
Este novo cenário demográfico e epidemiológico exige destreza e habilidade dos
gestores de saúde no gerenciamento dos problemas gerados pela escassez de recursos e
pela desigualdade social, sendo necessárias alterações nas políticas públicas e privadas no
implantação das mesmas (Uchoa, 2003). Destaca-se assim, particularmente nos países em
desenvolvimento, a necessidade da identificação das causas determinantes das atuais
condições de saúde e de vida dos idosos (Sanchez, 2000).
Uma das consequências das sociedades envelhecidas é a prevalência aumentada de
doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), resultante das modificações fisiológicas
inerentes ao envelhecimento, bem como as decorrentes de processos patológicos (Ramos,
2003; Caldas, 2003; Parahyba et al., 2005; Maciel & Guerra, 2005).
Ainda que a grande maioria dos idosos seja portadora de, pelo menos, uma doença
crônica nem todos ficam limitados por essas doenças, e muitos levam vida perfeitamente
normal, com as suas enfermidades controladas e satisfação com a vida (Ramos et al., 1993,
Nogueira et al., 2010). Um idoso com uma ou mais doença crônica pode ser considerado um
idoso saudável, se comparado com um idoso com as mesmas doenças, porém sem controle
destas, com sequelas decorrentes e incapacidades associadas. Assim, o conceito clássico de
saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra-se inadequado para descrever o
universo de saúde dos idosos, já que a ausência de doenças é privilégio de poucos, e o
completo bem-estar pode ser atingido por muitos, independentemente da presença ou não
de doenças (Ramos, 2003).
Embora o envelhecimento populacional acarrete maior carga de doenças crônicas,
essas podem ser prevenidas com a adoção de um estilo de vida saudável, tais como a adoção
de dieta balanceada. Assim, é crescente o número de evidências científicas que apontam o
papel protetor de nutrientes na etiologia e progressão dessas doenças, ressaltando
nutrientes antioxidantes, como vitamina C e E (Carr et al., 2000; Kaliora et al., 2006), os
relacionados ao metabolismo ósseo, como vitamina D, cálcio, magnésio e fósforo (Gennari,
2001; Palacios, 2006), os envolvidos em funções cognitivas, tais como as vitaminas B1, B2, B3
(Huskisson et al., 2007) e também o consumo adequado de proteínas, relacionado à
manutenção da massa muscular (Houston et al., 2013). Além disso, a ingestão elevada de
sódio eleva o risco á saúde, visto sua relação com o aumento da pressão arterial. Segundo a
Organização Mundial de Saúde (2009), 17,2% das mortes ocorridas nos países emergentes
1.2 Capacidade funcional
No contexto dos estudos sobre envelhecimento, a morbidade é um dos principais
indicadores de saúde analisados. Com menor frequência, encontram-se aqueles que avaliam
a capacidade funcional e a autonomia, embora em muitos cenários eles sejam mais
importantes que a morbidade, pois se relacionam diretamente com a qualidade de vida
(Chaimowicz, 1997). Dessa forma, faz-se necessário investigar a capacidade funcional dos
idosos.
O estudo da incapacidade funcional em idosos é fundamental para o entendimento
de como as pessoas vivem sua vida com os ganhos do aumento da longevidade. Esse
fenômeno tem ocorrido em muitas partes do mundo, mas naqueles países onde o processo
de envelhecimento não é recente, há mais conhecimento sobre os padrões de incapacidade
funcional na população idosa (Parahyba et al, 2005; Sanchez, 2000).
A capacidade funcional é a condição de um indivíduo viver de maneira autônoma e
sua perda está associada ao maior risco de quedas e institucionalização (Cordeiro, 2002),
sendo considerada, em alguns casos, para idosos longevos, como fator de risco
independente de mortalidade (Nybo et al., 2003; Ben-Ezra et al., 2006). Seu
acompanhamento é fundamental no combate das dependências preveníveis e na promoção
de uma vida mais ativa (Gonçalves et al., 2010).
Na saúde pública, a capacidade funcional surge como um novo conceito de saúde,
mais adequado para instrumentalizar e operacionalizar a atenção à saúde do idoso. Ações
preventivas, assistenciais e de reabilitação devem objetivar a melhoria da capacidade
funcional ou, no mínimo, a sua manutenção e, sempre que possível, a recuperação desta
capacidade que é, por vezes, perdida com o envelhecimento (Costa et al., 2006). A
manutenção da capacidade funcional pode ter implicações importantes para a qualidade de
vida dos idosos por estar relacionada com a capacidade de ocupar-se com o trabalho e/ou
com atividades agradáveis até idades mais avançadas (Rosa et al., 2003).
Na prática trabalha-se com o conceito de capacidade/incapacidade. A incapacidade
funcional define-se pela presença de dificuldade no desempenho das atividades
instrumentais de vida diária (AIVD) e das atividades básicas de vida diária ou de autocuidado
O declínio da capacidade funcional pode estar associado a uma série de fatores que
interagem e determinam a capacidade funcional do idoso (Dos Santos et al., 2007; Giacomin
et al., 2008; Fiedler & Perez, 2008) sendo a identificação precoce desses fatores um auxílio
na prevenção da dependência funcional.
O conceito de envelhecimento funcional é muito mais relevante do que o conceito de
envelhecimento cronológico. Existem muitas dificuldades em operacionalizar tal conceito.
Do ponto de vista de planejamento, a abordagem funcional é a mais importante e,
consequentemente, uma área de crescente interesse para pesquisa (Ramos, 2003). Em
decorrência das precárias condições de vida nos países em deselvolvimento, o
envelhecimento funcional precede o cronológico (Kalache et al., 1987).
Apesar da distinção entre envelhecimento funcional e cronológico, diversos estudos
demonstram associação entre aumento da idade e declínio da capacidade funcional (Raso,
2002; Ishizaki, 2004; Maciel & Guerra, 2007; Murabito et al., 2008; Alves et al., 2010). Diogo
(1997) descreveu que essa associação deva ser em virtude do aumento da incidência de
DCNT com o passar da idade e, associada a estas doenças, aparecem as incapacidades físicas
no idoso, resultando então no desenvolvimento da dependência funcional, que ocasiona
maior vulnerabilidade e dependência na velhice.
A falta de autonomia funcional para cuidar de si mesmo e para preparar e comer
alimentos é um fator que pode resultar em desnutrição e merece a atenção de profissionais
e familiares, uma vez que a avaliação da capacidade funcional pode ser um indicador de
risco nutricional, que é particularmente associado com a ingestão de alimentos (Schroll,
2003).
Dessa forma, um importante aspecto da capacidade funcional pode estar relacionado
ao estado nutricional do idoso, sendo fundamental aprofundar a compreensão do papel da
nutrição na promoção e manutenção da independência e de sua autonomia (Sampaio,
2004).
1.3 Estado Nutricional
O estado nutricional afeta e é afetado por doenças, em especial nos idosos (Kagansky
diagnóstico são essenciais, no entanto são processos complexos. Esta complexidade é devida
à ocorrência de diversas modificações, tanto fisiológicas como patológicas, as quais podem
ser tidas como inerentes ao processo de envelhecimento ou doença. No entanto,
indicadores indiretos que propiciam uma alimentação adequada e saudável, como o fator
econômico, social, estilo de vida e aspectos da qualidade de vida podem representar
importantes ferramentas para avaliar o risco nutricional (Gariballa & Foster, 2007).
O processo de envelhecimento acarreta alterações não somente no consumo e
necessidades nutricionais, mas também corporais, as quais são importantes de serem
avaliadas no plano nutricional. O peso e a estatura sofrem alterações que acompanham o
envelhecimento, os quais tendem a diminuir. Há diminuição da massa magra e modificação
no padrão de gordura corporal.
A diminuição da massa magra, em especial a perda de massa muscular esquelética
relacionada ao envelhecimento (sarcopenia), pode levar ao aumento do declínio na
capacidade funcional e mortalidade (Bales, 2002; Janssen et al., 2002; Newman et al., 2003).
Apesar de muitos mecanismos contribuírem para a diminuição da massa muscular
esquelética relacionada ao envelhecimento, o consumo inadequado de proteínas pode
acelerar esse processo e, segundo dados da USDA (1996) é alta a porcentagem de idosos que
não consomem a quantidade de proteínas recomendada (Walrand, 2005). Ainda, o consumo
inadequado da quantidade total de proteínas pode levar os idosos ao risco de consumir
quantidade inadequada de proteína animal, proteína de alto valor biológico, devido a fatores
relacionados ao envelhecimento entre eles custo elevado, dificuldade de mastigar e receio
de consumir muita gordura e colesterol (Chernoff, 2004).
Em consequência da modificação na composição corporal, as variáveis
antropométricas sofrem modificações, como a dobra cutânea tricipital (DCT) e a
circunferência do braço (CB) que diminuem e a circunferência abdominal (CA) que aumenta
(Kuczmarski & Kuczmarski, 1993).
Nesse contexto, a antropometria é um método não-invasivo, relativamente simples,
de rápida execução e com baixo custo (WHO, 1995; Tavares & Anjos, 1999; Perissinotto et
al., 2002), que permite a identificação de distúrbios nutricionais em idosos (Kuczmarski et
al., 2000).
Diversos estudos internacionais têm sido publicados como forma de sugerir valores
representativas, outros realizados em amostras grandes de grupos específicos (Frisancho,
1990; Kuczmarski et al, 2000; Velázquez-Alva et al., 1996). No Brasil, foram realizados alguns
estudos que envolveram a população idosa não institucionalizada (Barreto, 2003; Coelho
Filho, 1999; Mastroeni, 2004). No entanto, ainda são necessários mais estudos
antropométricos com esse segmento da sociedade, pois são escassos os valores
antropométricos de referência para idosos (institucionalizados ou não) no Brasil (Menezes &
Marucci, 2005).
O Expert Committee of the World Health Organization alerta para a necessidade de
valores antropométricos de referência para idosos, mas não recomenda a utilização de
dados universais (De Onis & Habicht,1996), tendo em vista a conhecida diferença existente
entre os povos. O comitê recomenda que esses dados sejam agrupados por sexo e grupo
etário e dispostos sob a forma de médias e percentis e que dados para indivíduos com mais
de 80 anos sejam incluídos. É preciso, ainda, que cada país tenha seus dados locais.
1.4 Consumo alimentar
A avaliação nutricional pretende detectar problemas nutricionais, colaborando para a
promoção ou recuperação da saúde. A avaliação da ingestão de nutrientes é parte da
avaliação nutricional, sendo utilizada para a tomada de decisão quanto à adequação do
consumo alimentar do indivíduo e auxilio no estabelecimento da conduta dietoterápica, em
conjunto com os outros parâmetros utilizados na avaliação nutricional (Marchioni, Slater &
Fisberg, 2004).
Para uma efetiva avaliação nutricional, a verificação do padrão de consumo de
alimentos de uma população é essencial, além de se tratar de informação básica para o
direcionamento de políticas públicas para diferentes problemas e faixas etárias (Sales et al.,
2006). Oliveira & Thébaud (1997) ressaltam a importância de conhecer a prática alimentar
da população a ser estudada, antes da formulação e implementação de qua lquer
programa de intervenção nutricional, para avaliação adequada do impacto que esta medida
pode causar.
A complexidade da dieta humana tem instigado pesquisadores a procurar os meios
dimensionar a adequação de nutrientes e estudar a relação entre dieta e doença (Cavalcante
et al., 2006).
As pesquisas de consumo alimentar constituem instrumentos eficazes e de baixo
custo, que permitem a obtenção de informações sobre as características da ingestão
dietética de grande parte da população e podem ser realizadas por meio de inquéritos
dietéticos, que determinam, de forma indireta, o estado nutricional de grupos ou indivíduos
(Bonomo, 2000; Cintra et al., 1997). Estas têm, dentre seus objetivos, a determinação dos
alimentos que constituem a dieta de um indivíduo ou de um grupo, fornecendo elementos
elucidativos em relação à associação entre dieta e saúde, particularmente no que se refere à
determinação dos diversos agravos nutricionais (Falcão-Gomes et al., 2006). Desse modo, a
proposta de um levantamento nutricional é avaliar o consumo dietético de um grupo ou
população em relação a algum padrão, a respeito de adequação nutricional e prevenção de
DCNT (Dodd, 2006).
Os métodos para se medir a dieta são vários, dos quais os mais comumente utilizados
são: o recordatório de 24 horas, o questionário de frequência alimentar e o registro
alimentar. Apesar de parecerem fáceis de aplicar, muitos são os fatores que interferem na
precisão, na validade e na reprodutibilidade deles. Sabe-se ainda que não há u elho étodo , as si u étodo ade uado a u a dete i ada situação Fis e g et al., 2005).
O recordatório de 24 horas (R24h) é um dos mais utilizados inquéritos em pesquisas
populacionais, por ser mais simples de aplicar e de baixo custo (Ribeiro et al., 2006), sendo
adequado à descrição de médias ou percentis de consumo alimentar de grupo de indivíduos
(Thompson & Byers, 1994). No entanto, a característica central do consumo alimentar de um
indivíduo ou uma população sadia é a variabilidade diária da dieta (Willett, 1998). Ainda que
os indivíduos tenham um padrão estável de consumo, não existem elementos ou
consistência, considerando-se, portanto, o consumo diário de alimentos como um evento
completamente aleatório. Desse modo, um único recordatório de 24 horas não estima a
dieta habitual, pois existem fatores tais como o dia-a-dia, o dia da semana, a sazonalidade,
entre outros, que contribuem para a variabilidade diária. Além disso, é preciso levar em
conta a variabilidade intrapessoal (Cardoso & Stocco, 2000; Fisberg et al., 2005) . Assim, tal
método só representará a dieta habitual quando for aplicado em uma população definida,
de forma seriada e em dias não consecutivos, ou seja, repetindo-se essas medidas pelo
A comparação do consumo habitual com as recomendações de micronutrientes,
mediante cálculo da prevalência de inadequação de consumo, é uma estratégia utilizada nos
inquéritos de saúde e nutrição para identificar os indivíduos em situação de risco às
deficiências nutricionais (Moshfegh et al., 2005; Moshfegh et al., 2009; Tabacchi et al., 2009;
Nutrition Coordinating Center, 2011).
A proporção da população para a qual a ingestão é inadequada pode ser
estimada usando-se o método da EAR como ponto de corte, conforme originalmente
proposto por Beaton (1994) e adotado pela USFNB (United States Food and Nutrition
Board) (IOM, 2000).
O uso de técnicas estatísticas pode ajudar a estimar a prevalência mais correta
da ingestão habitual. Desta forma, alguns métodos estatísticos foram desenvolvidos a
fim de remover a variabilidade intrapessoal, adequando um modelo de erro de
medição e calculando a prevalência de inadequação de consumo a partir do EAR ou AI
como ponto de corte. Tais métodos são quatro: National Research (NR), Iowa State
University (ISU), Iowa State University for Food (ISUF) e National Cancer Institute (NCI).
O propósito dos quatro métodos é o mesmo e suas diferenças surgem de diferentes
suposições sobre as características de medição do recordatório de 24 horas (Dodd et
al., 2006). O ponto principal do método no NCI é que este conduz a uma melhoria
substancial em relação aos demais métodos para estimar a distribuição da ingestão
habitual (Kipnis et al., 2009).
Apesar dos idosos constituirem um grupo de maior risco à desnutrição e às
deficiências nutricionais devido ao declínio das funções cognitivas e fisiológicas que
prejudicam o consumo e metabolismo de nutrientes (Brownie, 2006; Gariballa, 2004), a
nutrição e a alimentação na terceira idade ainda são áreas pobres em investigação, pouco
exploradas e não tendo recebido a atenção que lhes é devida, sendo ainda escassas no Brasil
(Marucci, 1985; Horwitz, 1988; Perez, 1989; Fisberg et al., 2013).
A determinação do diagnóstico nutricional e a identificação dos fatores que
contribuem para tal diagnóstico no indivíduo idoso são, portanto, processos fundamentais,
mas complexos (Sampaio, 2004). A complexidade se deve à ocorrência de diversas
alterações, tanto fisiológicas quanto patológicas, além de modificações de aspectos
econômicos e de estilo de vida, entre outros, com o avançar da idade (Gariballa & Sinclair,
determinados nutrientes, ocasionando maior propensão ao desenvolvimento de anemia e
deficiência de micronutrientes (Garcia-Arias et al., 2003) ou aumentar a necessidade dos
mesmos (Aranha et al., 2000). Ainda associado às alterações decorrentes do
envelhecimento, é frequente o uso de múltiplos medicamentos que influenciam na ingestão
de alimentos, na digestão, na absorção e na utilização de diversos nutrientes, o que pode
comprometer o estado de saúde e a necessidade nutricional do indivíduo idoso, além de se
associar a sua capacidade funcional (Marucci, 1993; Najas et al.,1994; Nogueira et al., 2010).
De acordo com Frank & Soares (2002), o avançar da idade e suas implicações nas
taxas de morbidade estão frequentemente associados ao aumento do risco de inadequação
alimentar de múltiplos nutrientes. Estudos mostram que a ingestão de cálcio e ferro
alimentar frequentemente é inadequada nessa população (Menezes et al., 2005). Fisberg et
al., (2013) descreveram elevadas prevalências de inadequação de ingestão das vitaminas E,
A, D, B1, B6 e para os minerais cálcio e magnésio, zinco e cobre. Com exceção da vitamina D,
cálcio e cobre, esses mesmos nutrientes são os que apresentaram alta prevalência de
inadequação também para a população norte-americana idosa, avaliada no inquérito de
saúde e nutrição (NHANES 2001-2002).
Segundo Fisberg et al, (2013) essas elevadas prevalências de inadequação podem ser
explicadas devido ao consumo insuficiente de micronutrientes, decorrente da pouca
variedade de alimentos que compõem a dieta habitual dos idosos brasileiros. Ainda, de
acordo com os mesmos autores, ao analisar alimentos consumidos por idosos, constatou-se
que os alimentos que mais contribuíam para o valor energético total da dieta eram arroz,
feijão e carne bovina e que o consumo de frutas, verduras e legumes representou um terço
das recomendações preconizadas no Guia Alimentar da População Brasileira, fato também
que pode ter ocasionado baixo consumo de micronutrientes.
Ressalta-se assim importância do idoso ter uma alimentação rica e variada, tanto do
ponto de vista energético como da composição dos alimentos, para evitar desequilíbrios
nutricionais, de modo a ter maior longevidade com melhor qualidade de vida (Campos et al.,
2.1 Geral
O objetivo do presente trabalho foi realizar um levantamento nutricional e da
capacidade funcional de idosos da cidade de Botucatu, SP, avaliando uma possível
associação entre estado nutricional, consumo alimentar e capacidade funcional.
2.2 Específicos
1. Avaliar a adequação de consumo dos macro e micronutrientes ;
2. Avaliar o estado nutricional dos idosos por meio de medidas antropométricas;
3. Avaliar uma possível associação entre estado nutricional e capacidade funcional;
4. Descrever a autonomia dos idosos, medida por meio do Índice de Katz e Escala de
Trata-se de um estudo epidemiológico transversal que buscou avaliar a capacidade
funcional, a adequação de consumo alimentar e estado nutricional na terceira idade.
3.1 Campo de Pesquisa
Botucatu, localizada no interior do Estado de São Paulo, é considerado um município
de médio porte. Possui população de 127.328 habitantes (IBGE, 2010), sendo a parcela de
sessenta anos ou mais de 13,36%, ou seja, 17.008 indivíduos, conforme tabela abaixo
(Tabela 1).
Tabela 1. Distribuição da população de residentes de 60 anos ou mais de idade, por sexo. Botucatu, 2010.
Grupos de Idade (anos) População Estimada Masculino Feminino
60 a 64 5.095 2.362 2.733
65 a 69 3.826 1.718 2.108
70 a 74 2.983 1.249 1.734
75 a 79 2.383 1.012 1.371
80 a 84 1.580 576 1004
85 ou mais 1.141 348 793
Total Absoluto 17.008 7.265 9.743
Fonte: IBGE, 2010.
3.2 Indivíduos
Para o presente estudo, foi utilizada uma amostra representativa composta por 365
indivíduos idosos da cidade de Botucatu.
Entre os anos de 2002-2003, realizou-se no município um inquérito com idosos, cuja
seleção foi feita por amostragem proporcional e aleatória. A amostra de 9.000 famílias
(correspondentes a 26% das residências do Município, considerando-se 1% de ajuste) foi
selecionada do cadastro atualizado do Censo 2000 dos domicílios do município. Por meio da
foram identificados tomando-se 1 a cada 4, contemplando-se o mapa da cidade. Destas
famílias da amostra foram sorteados moradores com idade igual ou superior a 60 anos.
Calculou-se o tamanho da população alvo, considerando um erro amostral de 5%
relativo e intervalo de confiança de 95% (a bilateral de 0,025); uma prevalência da
característica de interesse de 50%, desprezando-se o fator de correção da redução de
heterogeneidade associada ao desenho de conglomerado. Assim, o tamanho amostral
mínimo necessário foi de 384 idosos.
Do total da amostra sorteada, cinco domicílios estavam fechados em mais de três
visitas, três eram casas de veraneio e 11 idosos tinham ido a óbito, totalizando 365 idosos
dos 384 sorteados. Foram perdidos, portanto, 5% da amostra inicialmente estimada.
No ano de 2006, um novo estudo transversal foi conduzido com esses idosos, e,
devido a vários desses terem ido a óbito, foi feita uma reposição de 80 idosos, constituindo
uma nova amostra, levando-se em conta os mesmos princípios amostrais.
Com o presente estudo, houve a possibilidade de contatar esses idosos novamente e,
em caso de óbito, um novo sorteio foi realizado.
Os idosos foram convidados a participar do presente estudo. Em caso de recusa, um
novo idoso foi sorteado do banco de dados.
Todos os procedimentos realizados, foram aprovados pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu, seguindo a resolução 196/96 evidenciando
a importância do projeto, riscos e benefícios que foram retornados à população. Em
contrapartida, os participantes receberam uma cartilha com informações sobre alimentação
saudável (Anexo 1) .
3.3 Dados sociodemográficos
Os idosos foram questionados quanto aos dados sociodemográficos com a finalidade
de caracterizá-los quanto à idade, sexo, estado civil, renda, se é aposentado ou não, se
3.4 Questionários de Atividade de Vida diária e de Atividades Instrumentais da
Vida Diária
3.4.1 Escala de Atividades da Vida Diária
A Escala de Atividades de Vida Diária - AVD (Katz et al., 1963) (Anexo 3) ou Índice de
Katz (recomendada pela Sociedade Americana de Geriatria, 2005, para o rastreamento e
segmento do estado funcional), foi construído baseado na premissa de que o declínio
funcional e a perda da capacidade para executar as atividades da vida diária nos pacientes
idosos, seguem um mesmo padrão de evolução, ou seja, perde-se primeiro a capacidade de
banhar-se e, a seguir, para vestir-se, transferir-se da cadeira para a cama e vice-versa e
alimentar-se. Esta es ala é fo ada po seis uestões o espostas: si e ão ue recebem respectivamente pontuação um ou zero. O resultado da avaliação será decorrente
da so a de espostas si , at i ui do-se um ponto por questão. A soma dos pontos pode variar de zero a seis; avalia e estratifica o desempenho nas funções básicas no presente;
pode ser utilizada no acompanhamento para documentar a melhora ou a piora funcional, ao
longo de um determinado período.
Quando a soma total é igual a seis pontos, considerou-se indicativo de
independência; entre cinco e três pontos, indicativo de dependência parcial; dois pontos ou
menos, indicativo de dependência para as funções que são avaliadas.
3.4.2 Escala de Atividades Instrumentais da Vida Diária
A Escala de Atividades Instrumentais da Vida Diária - AIVD (Lawton & Brody, 1969)
(Anexo 4) é recomendada pela Sociedade Americana de Geriatria (2005), para o
rastreamento e segmento do estado funcional. Esta escala requer maior capacidade
cognitiva que a Escala de Atividades da Vida Diária. Inclui atividades, tais como: utilizar o
telefone, realizar compras, preparar refeições, utilizar meios de transporte e manter o
controle financeiro.
As primeiras alternativas das respostas da escala representam dependência na
segundas alternativas significam capacidade com ajuda, correspondem a dois pontos; as
terceiras alternativas significam independência, equivalem a três pontos.
São considerados dependentes para a AIVD aqueles que obtiveram somatória menor
que 17 pontos (Lawton & Brody, 1969).
Os dados dos questionários AVD e AIVD foram digitados em planilha Excel e
processados no programa SAS for Windows, versão 9.2.
3.5 Variáveis antropométricas
Os dados antropométricos foram coletados na primeira entrevista com os idosos
(Anexo 2). As variáveis antropométricas avaliadas foram: peso, estatura, Índice de massa
corporal (IMC), circunferência do braço (CB), circunferência muscular do braço (CMB), área
muscular do braço corrigida (AMBc), dobra cutânea triciptal (DCT) e circunferência
abdominal (CA). A tomada das medidas foi realizada com base nas técnicas propostas por
Lohman et al. (1988). Para a mensuração do peso utilizou-se balança eletrônica digital
portátil e para mensuração da estatura um antropômetro também portátil. O IMC foi
calculado a partir das variáveis peso e estatura, que consiste na medida do peso corporal
(em kg) dividido pela estatura (em metros) elevada ao quadrado (P/E²). O IMC dos idosos foi
classificado de acordo com os pontos de corte recomendados por Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2002): Baixo peso: IMC <23 kg/m²; Peso Adequado: IMC 23- 28
kg/m²; Excesso de peso: IMC >28 kg/m². As circunferências do braço (CB) e abdominal
(CA) foram mensurados utilizando fita métrica inelástica, com precisão de 1 mm. A dobra
cutânea tricipital (DCT) foi mensurada utilizando o compasso Lange.
A estimativa da CMB foi realizada a partir da equação citada por Gurney & Jelliffe
(1973):
CMB (cm) = [PB (cm) - π x DCT ]
Para o cálculo da AMBc foram utilizadas as equações propostas por Heymsfield et al
(1982):
Para sexo feminino:
As variáveis antropométricas foram apresentadas sob a forma de média e
desvio-padrão e foram classificadas de acordo com faixa etária e sexo.
Os dados de antropometria foram associados à autonomia. Para isso, foi utilizado o
teste Qui-quadrado ou Exato de Fisher, adotando 5% como nível de significância.
3.6 Consumo alimentar
Os dados nutricionais foram obtidos com a aplicação de três recordatórios 24 horas
(R24h) (Anexo 5) em diferentes dias da semana. O recordatório de 24 horas foi relativo ao
consumo alimentar do indivíduo nas 24 horas do dia anterior e foi composto de três
questões: a) refeição – horário; b) alimento consumido; c) quantidade – medida caseira.). Utilizou-se o Multiple Pass Method (MPM), desenvolvido em 1999 pelo
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio do qual o entrevistado é
orientado em cinco etapas (MOSHFEGH et al., 2008). Esse método contribui para que o
indivíduo recorde dos alimentos e bebidas consumidos no dia anterior à entrevista e os
relate de maneira detalhada, reduzindo os erros de medida dietética (Raper et al., 2004). Os
passos utilizados no MPM são:
- Passo 1: Listagem rápida;
- Passo 2: Listagem de alimentos comumente consumidos;
- Passo 3: Definição do horário e refeição;
- Passo 4: Ciclo de detalhamento e revisão;
A figura 1 ilustra o MPM:
Fonte: Fisberg et al., 2008. Inquérito de Saúde do município de São Paulo. Manual para treinamento e padronização do preenchimento de Inquérito Recordatório de 24 horas.
Para auxilio do preenchimento do recordatório alimentar utilizou-se álbum
fotográfico de utensílios e porções (gramas e medidas caseiras) (Lopes & Botelho, 2008) para
facilitar a visualização das quantidades consumidas, minimizando assim possíveis erros.
A sequência da aplicação dos inquéritos foi: primeiro dia - aplicação do questionário
sociodemográfico e de identificação, o questionário de Atividades de Vida Diária (AVD),
Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD) e aferidas as variáveis antropométricas
seguido do recordatório de 24 horas (R24h1); segundo dia - obrigatoriamente segunda-feira,
aplicação do recordatório de 24 horas (R24h2), para que no estudo estejam incluídos dados
de consumo de um dia referente ao final de semana; terceiro dia – aplicação do terceiro recordatório de 24 horas (R24h3). O tempo médio entre as entrevistas foi de uma semana.
No dia da primeira entrevista, as demais entrevistas eram agendadas, conforme
Todos os dados foram coletados por entrevistadores previamente treinados.
Após a obtenção dos inquéritos, os dados foram digitados no software NDS-R
(Nutrition Data System - Research) para a obtenção de consumo alimentar dos nutrientes
referenciados nos inquéritos. Foram avaliados o consumo de energia, proteína, carboidratos,
fibras, gorduras totais, mono e poli-insaturadas, vitaminas A, B1, B2, B3, B6, B12, C, E,
potássio, fósforo, sódio, ácido fólico, ferro, ácido pantotênico, cálcio, magnésio, selênio e
zinco.
Em relação ao NDS-R, foi utilizada a versão de 2010 do programa, que tem como
principal base de dados a tabela norte americana da USDA. As vantagens quanto ao uso do
NDS-R incluem a informação de mais de 150 nutrientes, mais de 1800 tipos de alimentos e a
exportação de nove tipos de arquivos de texto, que permitem a análise de nutrientes,
alimentos e refeição em nível individual (Nutrition Coordinating Center, 2011).
Para a digitação dos recordatórios no NDS-R, foi necessária a conversão das medidas
caseiras em gramas ou mililitros. Para a realização da conversão, foi utilizado o Manual de
Críticas para Inquéritos Alimentares (Fisberg et al., 2008), onde são abordadas as
equivalências de medidas caseiras e adaptações para alimentos ou preparações para os
quais não existem padronizações estabelecidas.
No caso de preparações que não constavam na base de dados do programa, estas
foram incluídas o pad ão, o o te o user recipe . Esse termo indica que há uma receita padrão inserida no NDS-R para aquela receita. Para a definição dos ingredientes, quantidade
e rendimento das preparações, foram consultadas as publicações nacionais de Pinheiro et al.
(2008) e Fisberg et al. (2002), além de livros e sites de culinária no Brasil.
3.7 Análises estatísticas
De posse dos dados, inicialmente foram feitas análises descritivas para as variáveis
demográficas calculando média e desvio padrão para as quantitativas e frequências e
percentuais para as categorizadas. As medidas antropométricas foram comparadas segundo
o sexo, AVD e AIVD pelo teste t-Student. As associações das variáveis categorizadas foram
obtidas pelo teste qui-quadrado segundo o sexo, AVD e AIVD.
A associação entre estado nutricional com a capacidade funcional foram feitas por
Considerando a capacidade funcional obtida pela AVD e AIVD como variáveis
resposta dicotômicas (categorizadas em "dependente" e "independente"), foi ajustado um
modelo de regressão logística considerando as variáveis antropométricas e o estado
nutricional como variáveis explanatórias corrigidas por possíveis variáveis confundidores
(sexo, escolaridade, estado civil, AVD, AIVD).
Para o processamento dos dados de consumo alimentar foi utilizado o programa SAS
for Windows, versão 9.2 calculando-se a média, o desvio padrão e o percentis para os dados
de consumo. A distribuição do consumo de nutrientes foi feita utilizando-se o método NCI,
com as rotinas desenvolvidas para SAS, MIXTRAN e DISTRIB, propostas por Tooze et al.,
(2006) bem como o cálculo da prevalência de inadequação utilizando os valores do Dietary
Reference Intake como pontos de corte. Utilizou-se o AI (Adequate Intake) quando o
Artigo publicado na Revista Food and Nutrition Science, 2013; 4:25-30.
Prevalence of inadequacy intake for older
people: the use o National Cancer Institute
(NCI) method
Luciana Bronzi de Souza1, José Eduardo Corrente2*, Silvia Justina Papini3
1PhD Student, Public Health Department, Botucatu School of Medicine, UNESP, Botucatu, São Paulo, Brazil. 2Associate Professor, Biostatistics Department, Bioscience Institute, UNESP, Botucatu, São Paulo, Brazil. Email: [email protected].
3PhD, Nursing Department, Botucatu School of Medicine, Botucatu, UNESP, São Paulo, Brazil.
ABSTRACT
A purpose of dietary assessment is to evaluate the dietary intake of a group or a population. In Brazil few studies have been carried out to identify dietary intake of older people population. Then, the aim of this work is to estimate the distribution as well as estimate the prevalence of inadequacy of the usual intake in a representative sample of older population from Botucatu city, São Paulo, applying the NCI method. A sample of 365 older was used and some instruments to evaluate quality of life, activities of daily living and instrumental of daily living were applied as well as three 24-hours recall. Data from the recalls were transformed in consumption of macro and micronutrients using NDSR software and were analyzed using NCI method in order to estimate the inadequacy prevalence. The energy and macronutrients intake of the studied population agree with their needs, however the consumption of minerals and vitamins were below the recommendation even after including the covariates. This can reflects a monotone intake that is characteristic of this age and these inadequateness can be a serious public health problem that can carry on development of chronic diseases. Also, It is important to highlight that NCI method provide a good estimate of the usual intake.
Keywords: Older people; NCI method; Prevalence of inadequacy; Usual intake
INTRODUCTION
A common purpose of dietary assessment is to evaluate the dietary intake of a group or population in relation to some standard, with respect to both nutrient adequacy and the prevention of chronic disease [1].
There are several methods to measure the intake of nutrients and foods. The more commonly use method is 24-hours recall. The main point is that one recall does not estimate the usual intake, once the central characteristic of the diet is the daily variability (Willett, 1998). Factors as day of the week, seasonality among others contribute for this variability. Therefore, it is necessary to use statistical methods to estimate usual dietary intake in order to remove the within-person variability [2].
prevalence of usual intake. In this way, some statistical methods have been developed in order to remove within-person variability fitting a measurement error model and the prevalence of inadequacy intake is calculated from a given standard for several nutrients according to Estimate Average Recommendation (EAR) or Adequate Intake (AI). Such methods are four: National Research (NR), Iowa State University (ISU), Iowa State University for Foods (ISUF), Best Power (BP) and National Cancer Institute (NCI). The frame of these methods are the same and differences between the methods arise from different assumptions about the measurement characteristics of 24-hour recalls [1]. The main point is the NCI method leads a substantial improvement over the other to estimate the distribution of usual intake. Extensions of this models also have been proposed including the episodically consume of foods [10]. (Kipnis, 2009).
Then, the aim of this work is to estimate the distribution as well as the prevalence of inadequate intake in a representative sample of older people from the city of Botucatu, São Paulo, Brazil, applying the NCI method.
METODOLOGY
This is a cross-sectional study to evaluate de adequate intake and the nutritional status for older people.
It was used a representative sample of older people from the city of Botucatu, São Paulo, Brazil, obtained for a quality of life study. The sample size was calculated considering a unknown prevalence of quality of life (50%), error margin of 5% and confidence level of 95% totalizing 365 older people chosen randomly form the population. In case of refuse or death, a new subject was drawn.
A sociodemographic, morbidities, Flanagan quality of life scale and functional capacity scales (Activities of Daily Living (ADL) developed by Katz and Instrumental Activities of Daily Living (IADL) developed by Brody and Lawnton) questionnaires were applied. The nutritional data were obtained applying three 24-hours recall in different and non consecutive days of the week, one being at weekend. The 24-hours recall was compounded by three questions: a) meal and time; b) food intake; c) quantity - household measure. The data were collected from January/2010 to August/2011. The application of 24-hours recall was made in a standard way using the USDA five-step multiple-pass method for dietary recall [11].
The obtained data from the three 24-hours recall was converted in intake of nutrients using the Nutrition Data System (NDSR). Energy, protein, carbohydrate, fiber, total fat, mono and polisaturated was obtained as macronutrients and vitamins A, B1, B2, B3, B6, C, E, potassium, phosphorus, folate, iron, pantothenic acid, calcium, magnesium, selenium and zinc as a micronutrients.
Descriptive analysis was initially made with sociodemographic, morbidities and intake data. The distribution of the intake was made fitting a measurement error model and the application of the NCI method using MIXTRAN and DISTRIB routines developed in SAS for windows language [2]. In order to estimate the prevalence of inadequate intake, it was use EAR or AI as a cutoff adjusted for possible confounding variables. The prevalence was also obtained calculating the empirical distributions. Comparison between the prevalences obtained by NCI and empirical method was made using proportion differences test. The significant level was fixed in 5% or the correspondent p-value. All the procedures were according the Ethics Committee of the Botucatu School of Medicine.
RESULTS
Table 1. Distribution of the demographic aspects of the older people by gender. Botucatu, 2011.
Female (n=232) Male (n=136) p-valor Age 72,38±7,45 71,57±7,30 0,1461 Income (US$) 608,10±774,16 903,86±1002,46 P<0,0001
N p N p
Married 103 44,40 109 80,15 p<0,0001 Divorced 6 2,59 3 2,21
Single 25 10,78 8 5,88 Widow 93 40,09 14 10,29 Separetd 5 2,16 2 1,47
Ilitterate 45 19,40 11 8,09 p=0,0004 Elementary school 148 63,79 80 58,82
Secondary school 19 8,19 20 14,71 Graduate school 20 8,62 25 18,38
Labor situation
Yes 17 7,33 22 16,18 p=0,0077 No 215 92,67 114 83,82
Rretired
Yes 195 84,05 125 91,91 p<0,0001
No 37 15,95 11 8,09
The prevalence of the main referred pathologies was: hypertension (44,68%), diabetes mellitus (28,81%), hypercholesterolemia (15,51%), heart disease (7,76%), osteoporosis (8,59%) and thyroid disorders (7,20%). Related to the functional capacity, it was found that 89,9% and 67,6% of the older adults were totally independent for ADL and IADL, respectively.
Table 2. Comparison of the intake between gender for macro and micronutrients for older adults. Botucatu, 2011.
Male Female
Nutrient Median (Q1 - Q3) Median (Q1 - Q3) p-valor Energy (kcal) 2044.27 (570.92 - 2522.19) 1663.48 (1295.93 - 2142.48) <0.0001 Total fat (g) 71.68 (50.51 - 97.36) 57.04 (39.95 - 84.50) <0.0001 Carbohydrate (g) 238.52 (174.62 - 304.32) 203.11 (162.73 - 270.17) <0.0001 Protein (g) 94.24 (67.63 - 119.15) 73.02 (53.40 - 98.16) <0.0001 Cholesterol (mg) 233.16 (144.29 - 395.90) 201.24 (121.65 - 297.55) <0.0001 Saturated fat (g) 22.80 (14.58 - 31.75) 18.52 (11.86 - 26.94) <0.0001 Monounsaturated fat
(g)
25.09 (16.29 - 34.64) 18.84 (12.47 - 28.25) <0.0001 Polyunsaturated fat (g) 17.24 (11.58 - 23.84) 13.77 (9.55 - 19.92) <0.0001 Fiber (g) 18.78 (12.35 - 25.50) 16.55 (11.89 - 23.01) 0.0064 Percentage of fat 32.21 (26.11 - 38.22) 31.28 (25.10 - 37.44) 0.1729 Percentage of
carbohydrate
46.99 (40.94 - 54.92) 50.03 (42.67 - 57.48) 0.0002
Percentage of protein 18.65 (15.03 - 21.78) 17.58 (14.09 - 21.33) 0.0643 Vitamin A (mcg) 713.22 (350.41 - 1218.22) 756.86 (349.26 - 1330.65) 0.2084 Vitamin D (mcg) 3.64 (2.10 - 5.56) 3.40 (2.02 - 5.18) 0.2044 Vitamin E (mg) 6.13 (4.52 - 8.39) 5.48 (3.81 - 7.33) 0.0002 Vitamin K (mcg) 103.37 (54.76 - 187.38) 101.77 (52.35 - 168.25) 0.3472 Vitamin C (mg) 54.72 (22.33 - 134.09) 54.08 (24.71 - 110.39) 0.7843 Vitamin B1 (mg) 1.53 (1.19 - 2.01) 1.34 (0.99 - 1.78) <0.0001 Vitamin B2 (mg) 1.55 (1.11 - 2.10) 1.41 (1.06 - 1.82) 0.0023 Vitamin B3 (mg) 20.60 (14.63 - 29.39) 17.50 (11.91 - 24.85) <0.0001 Panthotenic Acid (mg) 5.00 (3.75 - 6.15) 4.44 (3.39 - 5.67) <0.0001 Vitamin B6 (mg) 1.77 (1.27 - 2.43) 1.52 (1.08 - 2.14) <0.0001 Folate (mcg) 399.81 (308.13 - 529.95) 336.36 (257.55 - 433.00) <0.0001 Vitamin B12 (mcg) 3.47 (2.06 - 5.62) 2.93 (1.79 - 4.88) 0.0098 Calcium (mg) 637.66 (401.82 - 929.69) 559.98 (390.42 - 837.05) 0.0314 Phosphorus (mg) 1174.11 (852.61 - 1551.09) 1011.75 (749.01 - 1308.05) <0.0001 Magnesium (mg) 276.55 (206.06 - 350.66) 227.18 (174.92 - 293.95) <0.0001 Iron (mg) 15.14 (10.78 - 19.88) 12.02 (8.88 - 16.10) <0.0001 Zinc (mg) 11.99 (8.58 - 15.73) 9.60 (6.89 - 12.93) <0.0001 Selenium (mcg) 126.00 (92.23 - 173.43) 102.59 (76.19 - 143.12) <0.0001 Total Vitamin A (mcg) 515.45 (310.93 - 845.12) 520.30 (288.80 - 846.30) 0.9343 Manganese (mg) 3.12 (2.02 - 4.14) 2.57 (1.95 - 3.68) 0.0015
Table 3. Estimate prevalence of inadequate intake of nutrients for older people by gender using NCI and empirical method (in parenthesis). Botucatu, 2010.
Male Female
Micronutrients Recomendation Inadequate Recomendation Inadequate Vitamin A (mcg) 625 18,2 (3,0)* 500 9,2 (8,2) Vitamin D (mcg) AI 15 98,5 (96,3) 15 99,6 (94,1)* Vitamin E total (mg) 12 97,4 (94,4) 12 99,7 (94,6)* Vitamin K (mcg) AI 120 39,8 (44,8)* 90 20,6 (54,8)* Vitamin C (mg) 75 35,3 (53,2)* 60 28,5 (58,8)* Vitamin B1 (mg) 1 2,1 (17,2)* 0,9 0,4 (12,7)* Vitamin B2 (mg) 1,1 8,1 (14,9)* 0,9 2,5 (24,9)* Vitamin B3 (mg) 12 0,6 (21,0)* 11 0,5 (12,1)* Panthotenic Acid (mg) AI 5 41,6 (63,8)* 5 64,3 (50,0)* Vitamin B6 (mg) 1,4 9,8 (37,2)* 1,3 16,5 (29,4)* Total Folate (mcg) 320 16,9 (44,3)* 320 29,7 (27,7) Vitamin B12 (mcg) 2 1,0 (30,1)* 2 0,0 (24,0)* Calcium (mg) AI 1200 80,9 (85,9) 1200 91,5 (79,4)* Phosphorus (mg) 580 0,5 (12,9)* 580 0,9 (7,3)* Magnesium (mg) 350 73,9 (65,3)* 265 66,8 (74,9)
Iron (mg) 6 0,3 (2,7)* 5 0,0 (3,7)*
Zinc (mg) 9,4 13,3 (24,2)* 6,8 4,0 (31,9)*
Selenium (mcg) 45 0,0 (5,2)* 45 0,0 (2,54)
Sodium (g) AI 1,3 0,0 (5,6)* 1,3 0,0 (2,54)
Potassium (g) AI 4,7 94,1 (96,5)* 4,7 99,9 (92,4)* Manganese (g) AI 1,8 6,7 (20,7)* 1,8 12,3 (18,1)
*-p<0.05
Table 4. Estimate prevalence of inadequate intake of nutrients for older people by gender using NCI and empirical method (in parenthesis) adjusted by age, marital status, schooling ADL an IADL. Botucatu, 2010.
Male Female
Micronutrients Recomendation Inadequacy Recomendation Inadequacy Vitamin A (mcg) 625 24,9 (7,58)* 500 20,8 (3,21)* Vitamin D (mcg) AI 15 98,5 (96,07) 15 99,7 (97,47) Total Vitamina E (mg) 12 97,2 (82,87)* 12 99,7 (81,59)* Vitamin K (mcg) AI 120 44,7 (48,03) 90 29,4 (40,54)* Vitamin C (mg) 75 41,7 (53,93)* 60 36,2 (47,97)* Vitamin B1 (mg) 1 10,6 (11,80) 0,9 11,9 (15,37) Vitamin B2 (mg) 1,1 16,5 (22,19) 0,9 14,3 (13,34) Vitamin B3 (mg) 12 8,9 (10,67) 11 11,9 (20,10) Panthotenic Acid (mg) AI 5 41,6 (43,26) 5 69,3 (57,94) Vitamin B6 (mg) 1,4 18,2(26,69)* 1,3 26,4 (33,11) Folate (mcg) 320 23,9 (24,44) 320 36,0 (38,68) Vitamin B12 (mcg) 2 8,85 (22,19)* 2 11,1 (28,38)* Calcium (mg) AI 1200 82,5 (79,49) 1200 92,2 (84,97) Phosphorus (mg) 580 0,5 (6,46)* 580 12,4 (11,82) Magnesium (mg) 350 75,7 (68,82) 265 70,3 (58,61)*
Iron (mg) 6 8,37 (2,81)* 5 9,70 (2,20)*
Zinc (mg) 9,4 20,5 (28,37)* 6,8 14,8 (21,79) Selenium (mcg) 45 7,48 (2,25)* 45 9,04 (4,22) Sodium (g) AI 1,3 8,10 (0,00)* 1,3 11,7 (0,00)* Potassium (g) AI 4,7 94,4 (0,00)* 4,7 99,9 (0,00)* Manganese (g) AI 1,8 14,1 (20,7)* 1,8 22,5 (18,1)
DISCUSSION
This proposed paper aimed to estimate usual intake of nutrients for older people using NCI method for older people. According to our knowledge this is the first work in Brazil to calculate the prevalence of inadequacy for older people using the method that take account the within-variance and covariates for intake data and for older people.
According to table 1, most of the older people were female, married, with elementary school and retired. The intake data were presented in Table 2 in median and quantiles, once most of them presented distribution totally asymmetric and differences were found for man and women. It can be observed that the almost consumption of macros and micronutrients differs by gender and the consumption form males are greater than females. Then, the analysis were carried out separated for men and women.
The energy and macronutrients intake of the studied population agree with their needs, however the consumption of minerals and vitamins were below the recommendation even after including the covariates (tables 3 and 4). This can reflects a monotone intake that is characteristic of this age. These inadequateness can be a serious public health problem once this group is susceptible to nutritional problems and the increasing of chronic diseases. Despite of these findings in our study, one point to think about is: how precise is the estimate of inadequate intake? Using a difference of proportion test, we found that several prevalences estimate of the usual intake differs using NCI and empirical method. This is something expected once the empirical method does not take in account the within-person variability. Even though, the use of covariates seems minimize the effect of this variability, once we found a lower differences. Unfortunately we cannot explain why this happens, once it is not possible to include covariates in the empirical methods.
The NCI method proposes to estimate the distribution of the usual intake for food consumed episodically but it can also be used for nutrients correcting by the within-person variance. The routines to calculate this distribution are available in SAS language and they can be obtained in the site of NCI. The advantage of this method is the possibility of using covariates that can be influence the distribution of usual intake. The main problem to estimate the inadequacy prevalence is that we use the values of EAR´s as a cutoff. This means that the distribution of true usual intake is normal and this didn´t happen with the considered dataset. In order to normalize the data, a Box-Cox transformation is used for NCI method but not always the transformation is successful.
Tables 3 and 4 show the inadequacy prevalence obtained by NCI and empirical method for raw and adjusted data. These results show a little difference when we adjust for age, marital status, schooling, ADL and IADL. Most of the nutrients had high inadequate prevalence for both cases and both methods. Some differences can be observed between NCI and empirical methods, once the empirical method does not take the within-variance in account. As the distribution of the intake data were so asymmetric, the empirical distribution cannot give a reliable estimate of the prevalence of inadequacy intake.
It is difficult to find in the available literature comparisons among methods to estimate the distribution of usual intake. Generally, authors uses the available methods without analyze carefully the obtained results and no questions are raised about the validity of the used method.
One of the paper compare four methods to estimate usual distribution intake: National Cancer Institue (NCI), Iowa State University (ISU), Multiple Source Method (MSM) and Statistical Program for Ade-adjusted Dietary Assessment (SPADE) [12]. According to the authors, differences were observed in NCI method mainly when the distribution is highly skewed, as it was observed in this present work. The authors concluded this four methods provide good estimates of usual intake, but care is need for high within-variance, highly skewed distribution and small sample size.
Another proposed method to estimate usual intake take in account a age-dependent model that improve the precision of the estimates and provide advantages above the current methods. [13]. In case of older people, age can have some influence in the distribution of usual intake but, in our data, only schooling showed significance for some nutrients.
In conclusion and according to the obtained results in this study, it was found a low consumption of vitamins and minerals for this population. Also, It is important to highlight that all available methods to estimate usual intake are good and give reasonable results but care is always need when analysis are made using these methods. For this is important to know the particular features in each one.
ACKNOWLEDGEMENTS
The authors would like to thank to São Paulo Foundation Research (FAPESP- Process no. 2008/10261-8) and National Counsel of Technological and Scientific Development (CNPq Process no. 301197/2011-3) for the financial support.
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Manuscrito elaborado com intuito do ser submetido à Revista Journal of Human Nutrition
and Food Science
Title Page
Type of Article:Original Research Article
Title: [RELAÇÃO ENTRE ESTADO NUTRICIONAL E CAPACIDADE FUNCIONAL DE
IDOSOS.]
Authors: [Luciana Bronzi de Souza ¹, Silvia Justina Papini ², José Eduardo Corrente ³]
1Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp, Brasil.
2Departamento de Enfermagem, Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp, Brasil.
³ Departamento de Bioestatística, Instituto de Biociências de Botucatu - Unesp, Brasil.
*
Corresponding author: José Eduardo Corrente, Departamento de Bioestatística, IBB,
Distrito de Rubião Júnios, s/n, Botucatu, São Paulo, Brasil; Tel: +55-14-3880-0070; Email:
Manuscript Organization:
Title: [RELAÇÃO ENTRE ESTADO NUTRICIONAL E CAPACIDADE FUNCIONAL DE
IDOSOS.]
Keywords: [Capacidade funcional; idosos; estado nutricional; IMC]
Abbreviations: [AVD: Atividades de Vida Diária; AIVD: Atividades Instrumentais de Vida
Diária; CA: Circunferência Abdominal; CB: Circunferência do Braço; CMB: Circunferência
Muscular do Braço; AMBc: Área Muscular do Braço corrigida; IMC: Índice de Massa
Introduction:
[O estado nutricional afeta e é afetado por doenças, em especial, nos idosos (Kagansky et al., 2005). O diagnóstico nutricional e a identificação de fatores que contribuem para esse diagnóstico são essenciais, no entanto são processos complexos. Esta complexidade é devida à ocorrência de muitas modificações, tanto fisiológicos como patológicos, os quais podem ser tidas como inerentes ao processo de envelhecimento ou doença. No entanto, indicadores indiretos que propiciam uma alimentação adequada e saudável, como o fator econômico, social, estilo de vida e aspectos da qualidade de vida podem representar importantes ferramentas para avaliar o risco nutricional (Gariballa & Foster, 2007).
Avaliação do estado nutricional é útil para a compreensão da saúde dos idosos. Na prática clínica e em estudos epidemiológicos, a antropometria é o método mais utilizado, uma vez que é não-invasivo, econômico e de fácil aplicação (Tavares & Anjos, 1999; Kuczmarski et al., 2000; Perisinotto et al., 2002; Velasquez-Alva et al., 2003; Hughes et al., 2004; Santos et al., 2004). Dessa forma, o estado nutricional do idoso é considerado um aspecto importante para aprofundar a compreensão do papel da nutrição na promoção e manutenção da independência e autonomia do idoso (Sampaio, 2004).
A capacidade funcional é a condição de um indivíduo viver de maneira autônoma, sua perda está associada à maior risco de quedas e institucionalização (Cordeiro, 2002), sendo considerada, em alguns casos, para idosos longevos, como fator de risco independente de mortalidade (Nybo et al., 2003; Ben-Ezra et al., 2006). Seu acompanhamento é fundamental no combate das dependências previníveis e na promoção de uma vida o mais ativa possível (Gonçalves et al., 2010). Baseada no auto-relato do desempenho de tarefas diárias, a capacidade funcional foi avaliada pela primeira vez por Katz, 1963 (Katz et al., 1963) e leva em conta o desempenho das atividades básicas da vida diária (AVD), e atividades instrumentais de vida diária (AIVD). A falta de autonomia funcional para cuidar de si mesmo e para preparar e comer alimentos é um fator que pode resultar em desnutrição e merece a atenção de profissionais e familiares uma vez que a avaliação da capacidade funcional pode ser um indicador de risco nutricional e é particularmente associado com a ingestão de alimentos (Schroll, 2003).
No Brasil são escassos os estudos que avaliam o estado nutricional de idosos e ainda, não foram encontrados estudos que verificam a associação entre o estado nutricional e a capacidade funcional desses idosos.