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Departamento Nacional de Obras Contra as Secas

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Academic year: 2017

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(1)

stRIE DE CASOS DE PLANEJAMENTO ECONÔMICO REGIONAL Introdução Geral

O fenômeno do subdesenvolvimento nos países de á-rea continental, como o Brasil, apresenta-se com extraordi-nária variedade de aspectos. Se aplicássemos a classifica-ção de Wageman às vári as regiões do Brasi I, certamen te se e§ gotaria o famoso esquema; temos desde zonas

supercapitalis-~as, como São Paulo e o Distrito Federal, até zonas acapitg .listas, como certas partes de Mato Grosso e Amazonlis. Essa diversidade de graus de subdesenvolvimento, que chega a ex-tremos de sub-ocupação da pr6pria terra, comunica ao plane-jamento regional importância suprema. As providências que cumpre adotar, a fim de acelerar a marcha de umas regiões e regular a de outras, também variam quase de Estado para Es-tado. Está se formando no Brasi I, sob a pressão dêsse con-glomerado de pro~lemas coletivos, uma consciência da neces-sidade do planejamento.

Por fôrça de mandamentos constitucionais, em cer-tos casos, Oll para levar a efeito iniciativas.avu.lsas, emo~ tros, o govêrno federal tem em marcha, no momento, vários PI'Q jetos de desenvolvimento econômico regional, alguns dêles, como o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, com re-percussões sôbre vastas áreas do territ6rio nacional. Tra-La-se em certos casos, de programas iniciados há mais de 30 anes e mantidos ininterruptamente desde então, como o das O-bras Contra a Sêca. Além do govêrno federal, os Estados do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e de Santa Catarina,

en-tre outros, estão executando ou em vias de inici~r progra-mas de planejamento regional, c~m o objetivo de aumentar meios de transporte ~ a produção de energia elétrica.

Ou-tros Estados já lançardre ou estão em entendimentos para lag .çar, conjuntamente, projetos de desenvolvimento econômico de regiões que lhes são comuns, como o Vale da Paraíba e o Va-le do Paraná-Uruguai.

Cabe, entretanto, reconhecer que os resultados o!! tidos de nossas tentativas de desenvolvimento econômico re-gional nem sempre tê:n correspondido aos recursos empregados. O exame dos êxitos parciais ou dos fracassos de certos

pro-jetos, provàvelmente indicaria a falta de planejamento de CO!!

junto como causa principal. Entende-SE por planejamento de

... -_-:_----~-_.---

--~-1

(2)

2

-conjunto aquêle em cUJa elaboração se levam em conta todos

os fatôres essenciais a um programa de desenvolvimento

eco-nômico: as mudanças técnicas, a modi ficação dos hábi tos, pr~

ticas e ~étodos de trabalho das populações interessadas, os

recursos técnicos e financeiros, o escalonamento das ativi-dades no tempo e sua distribuição no espaço etc.

No momento em que começam a surgir, no Brasil, e§ forços de planej amento regional de envergadura, é forçoso al,!_ mentar o nómero de técnicos brasileiros capazes de partici-par na elaboração dos planos já em curso, ou em véspera de

lançamento. Cumpre, sobretudo, familiarizar os altos func!

onários de órgãos póblicos com as técnicas de planejamento!!

provadas alhures, bem assim com as idéias emergentes no ca~

po da administração. Não será demais repetir: planejamento

é uma tarefa eminentemente administrativa.

Um dos meios de consecuç ao de tal obj eti vo, é, sem dóvida, a realização de cursos específicos sôbre a matéria,

cursos que incluam não apenas a teoria e a prática de plan~

jamento, senão também as qisciplinas mais afins, como, por

exemplo, antropologia cultural, geografia econômica etc, P~

ra maIor eficiência de tais cursos e perfeita conjunçãodat~

oria com a prática, parece indicado que êlesseministrem no próprio meio em que se pretende operar,proporcionando assim

aos estudantEs uma oportunidade de ver como as noções e

co-nhecimentos adquiridos se articulam, ou não, com a realida-de.

A Superintendência do Plano de Valorização Econô-mica da Amazônia (SPVEA) e a Fundação Getólio Vargas criaram, por meio de acôrdo celebrado em 1955, as condições

necessá-rias para a realização de um curso dêsse tipo. Com efeito,

sob os auspícios conjuntos dessas duas entidades, a Escola

Brasileira de Administração PÓblica organizou e iniciou, em setembro de 1955, o Curso de Planejamento Regional de Belém do Pará, o qual tem como centro de interêsse e fonte de exem

pIos o programa de trabalho da SPVEA.

-o

Curso foi franqueado funcionarios póblicos

qua-lifica,les, tanto do órgão patroclnador, a SPVEA, como das re

partições federais, civis e militares, estaduais e munici:

pais, que pudessem haurir benefícios dos respectivos ensina

mentos. Oos 70 funcionários pertencentes aos quadros da SPVEÃ,

(3)

3

-do Govêrno -do Esta-do -do Pará, Prefeitura Municipal deBelém, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Goiás, Banco de Crédito da Amazônia, Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), TerritQ rio do Amapá. Primeira Zona Aérea, Oitava Região Militar, Serviço de Navegação do Amazonas e Administração do Pôrto do Pará (SNAPP), submetidos lis provas de seleção, 38 foram àprg vados e, em consequência, matriculados no Curso.

O primeiro dêsse tipo no Brasil e, ao que supomos, no mundo, o Curso visa, especificamente, a transmitir as i-déias principais e informações recentes s~bre planejamento, administração e valorização dos recursos naturais, sociais, econômicos e humanos de uma região. Os métodos de ensino !

dotados no Curso incluem conferências, sem1nários, discus-sões em grupo, análises de casos, excurdiscus-sões, pesquisas indi viduais e em equipes, pelo que se exigiu tempo integral de professôres, estudantes e funcionários. O material de lei-tura e os casos para estudo, preparados pela EBAP e seleciQ nados de várias origens, destinam-se a proporcionar aos in-teressados as mais autorizadas fontes de consulta, exoneray do-os, assim, da necessidade de procurarem 8 documentação

pertinente li matéria.

Dentre os projetos de desenvolvimento regional, nacionais e estrangeiros, que a Escola examinou para seleci onar os mais expressivos, cabe indicar os constantes da li~ ta abaixo. Sôbre cada um dêsses projetos, se preparou umc~ so, empregando-se "caso" no sentido moderno em que é usado nos programas de ensino e pesquisa.

O plano inicial de monografias compreendia 25 prQ jetos. As dificuldades de execução, porém, fizeram que a E~ cola os reduzissem a 20: 1) Autoridad de Tierrasj 2) Ban-co de Crédi.to da Amazônia; 3) Banco Nacional do Desenvolvi -;.- mento Econômico; 4) Centrais Elétricas de Minas Geraisj 5) Comissão Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sulj 6) Comissão Vale do São Francisco; 7) Companhia Siderúrgica Nacional; 8) Companhia Vale do Rio Doce; 9) CongoBelga

-- Plano Decenalj 10) Departamento de Portos, Rios e Canais;

11) Departamento de Obras e Equipamentos; 12) Departamen to Nacional de Estradas de Rodagem; 13) Departamento Nacional de Obras Contra as Sêcas; 14) Departamento Nacional de

0-_!:IIo~~ ___ ~. __________ _ _____ _

I I

J

I

(4)

4

-bras de Saneamento; 15) Eletrobrás; 16) Hidro-Elétrica do São Francisco; 17) Plano Hidrelétrico de Brokopongo; 18) PI~ no do Carvão Nacional; 19) Superintendência do Plano de

Va-lorização Econômica da Amazônia; 20) Tennessee Valley Authority.

Ao empreender a tarefa, aparentemente simples, de preparar os históricos (casos) dos projetos de desenvolvime~

to econômico e regional, escolhidos para constituir a docu -mentação viva do Curso, longe estava a EBAP de antever as di

ficuldades, quase invencíveis, com que teve que se defron-tar. O principal obstáculo, e que em certas ocaS10es assu-miu agudeza desesperadora, foi a escassez de pessoal com ca-pacidade para fazer o levantamento dos fatos, digerir a docy mentação levantada, analisá-la e concatená-la de forma lógi-ca. A maioria das pessoas capazes de semelhante tarefa en

-contra-s~ completamente absorvidas pelas funções que já e-xercem. Em 90% dos casos, houve necessidade de transferir a mesma tarefa a um segundo, a um terceiro, a um quarto, a um quinto e até mesmo a um sexto colaborador, ou porque o prazo para entrega dos trabalhos não pudera ser cumprido, ou porque o padr;o técnico desejado pela Escola não fôra atingido. A despeito de tais esforços, a Esr.ola reconhece que nem sempre atingiu o ambicionado grau de excelência técnica. Outra di-ficuldade consistiu na ausência de informações e na resistêQ cia de alguns dos órgãos pertinentes em fornecer ou criticar tais informações. Salvo em três casos, entendimentos pesso-ais, cartas, telegramas e telefonemas ou não bastaram para'veQ cer essa dificuldade, ou produziram efeitos medíocres.

A despeito de tudo, perseverou a Escola na tarefa de elaborar esta série de casos, a fim de não frustrar o obj~

tivo de proporcionar, aos alunos, informações reais sôbrep1l! nej amen to regional, colhidas na in timidade de experiências cop cretas. Parecia'-nos que as di feren tes si tuações estudadas nef ta série de históricos permitiriam aos alunos diagnosticar as instâncias de planejamento patolbgico, os erros de origem, a ausência de coordenação entre pLanej amento e execução, a de_s continuidade administrativa, assim como também identificar as situações institucionalmente sãs, em que ao lado de planeja-mento ortodoxo existe execução ordenada.

(5)

1n--~~_ •• ~~.'_r,.,..-...._" ____ -.- •. ~.~

5

-clui os nomes dos que participaram mais ativamente. Seria di ficil determinar o grau de participação de cada colabora-dor. O concurso de alguns limitou-se às primeiras tentati-vas de reunião dos' fatos, tentatitentati-vas que, pelas dificulda-des já apontadas, nem sempre foram levadas a bom têrmo. ~ tros, além do levantamento dos fatos, aceitaram a responsa-bilidade de rascunhar os anteprojetos; outros participaram na crítica e revisão; outros, na revisão de revisões. Dois nomes merecem destaque especial; o de Marialice Moura Pes-soa, professôra de Antropologia Cultural (EBAP), que chefi-ou o grupo de pesquisadores; e o de Arnaldo Pessoa, profes-sor de Introdução à Administração Pública (EBAp) que, levaQ do a dedicação ao extremo, acumulou, com as obrigações de sua cadeira, a tarefa de rever a maioria dos trabalhos.

A EBAP contraiu uma dívida de gratidão com os prg fessôres e técnicos de seu quadro e de outras organizações, os quais concorreram, uns mais, outros menos, todos certa-mente de boa vontade, para a realização da tarefa, que

cus-tou longos meses de labor, muitas canseiras e eX1g1u devot~ mento sem igual por parte de alguns.

Rio de Janeiro, novembro de 1955

BENEDICTO SILVA

I

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(6)

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- ·~·~:::-lIIq_r·

6

-Lista dos participantes na elaboração desta série de mOllografias:

Pesquisadores e Redatores: Ant8nio Guimar;es, Ary Guerra

Qu i n t e L I a, C L é a M. D' A L bu qu e r -que, Dulce A. Gallo, FLorindo Villa-Álvarez, Iberê de Souza Cardoso, Jayme Cunha, José Rodrigues Senna, Juvenal Osório ,. Gomes, Lucy Marques de Souza, Luiz Fernando Fontenelle,

Ma-rietta Campos, Pierre Yan der Meiren, Sirgio Queiroz Duar-te, Sophia Lachs, J. Timotheo da Costa e Zi/ah Y. Teixeira.

Críticos: Alfred Davidson, Antônio Guimarães, Arnaldo

Pes-soa, Benedicto Silva, Carlos Castelo Branco, Ceu-rio de Oliveira, Florindo Villa-Álvarez, Geraldo Wilson Nu-nan, Jayme Cunha, Jesus Soares Pereira, Joao Guilherme Ara-gão, Marialice Moura Pessoa, No~ de Frei tas e OttoLmy Strauch e a Companhia Sider~rgica Nacional e o Departamen

-to Nacional de Obras de Saneamento.

Revisores: Aldo de Carvoliva. Anna Botelho Benjamim,

Antô-nio Gutmaràes, Arnaldo Pessoa, Augusto Martins Bahiense, Benedicto Stlva, Diogo Lordello de Mello, José Me.!:

rta Arantes, Jesus Soares Pereira, Juvenal Osório Gomes, Pe-d~o Maia Filho e Sophia Lachs.

* ***

(7)

A presente monografia ou CaSO reune,de forma bre

ve, as informações que foi possivel reunir, analisar e si~

tematizar sÔbre o DEPARl'ANENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS SÊCAS.

soas:

Participaram na sua elaboração as seguintes pes

Pesquisa e Redação - Luiz Fernando Fontenelle Critica - Alfred Davidson

,

Florindo Villa-Alvarez Jesus Soares Pereira Marialice Moura Pessoa Ottolmy Strauch

Revisão - Arnaldo Pessoa

(8)
(9)

I. AS SÊCAS

. 1. O "Polígono das Sêcas". Aspectos gerais da região o

Popu-~

..

laçãoo

O

território brasileiro limitado por João

Pes-soa (Paraíba); Natal (Rio Grande do Norte); Fortaleza e foz

do S •. João da Praia (limite entre Piauí e Ceará); embocadura

do Longá (limite entre PiauÍ e Maranhão); embocadura do

Uru-çuí-preto (limite entre PiauÍ e Maranhão); nascente do

Uruçu!

Preto e Gilbués (Piauí); Barra (Bahia); Pirapora,Bocaiuva,S~

linas e Rio Pardo de Minas (Minas Gerais); Vi sta r~ova, Poções

e Amargosa (Bahia); Tobias Barreto e Canhoba (Sergipe);

Gra-,

( ) ,

vata Pernambuco constitui a area, de gigantesca figura que

se convencionou chamar UPolígono das Sêcasll , tal como o defi

ne a Lei nQ 1.348, de 10 de fevereiro de 1951. A área

legal-mente reconhecida como sujeita aos flagelos periodicos vem

sendo extendida, aliás, desde a sua primeira delimitação

pe-la Lei n2 175, de 7 de janeiro de 1936.

Trata-se, portanto, de uma vasta região (cêrca

de 1.150.000 km2, segundo os cálculos dos órgãos especializ~

dOS), castigada por flagelo cujos efeitos alteram não agenas

sua economia, ms também a estrutura social das suas

popula-_ #I Ao f

çoes, com reflexos consideraveissobre todo o pa~s. As

con-seqUências da sêca intensificam-se nos Éstados nordesti nos

que, excetuada a leve fÍmbria litorânea, estão mergulha dos

inteiramente na chamada "área do sertãoll

, "área da sêcall; CO!!

-*

.""

-,

(10)

-8-tudo, o IJPo11gono IJ dilata-se em direção a outras regiões

na-turais, descendo pela Bahia até atingir o norte de Minas

Ge-rais.

José Américo de Almeida definiu a área das

sê-cas como "um polígono irregular, como uma faixa, que ora se

... f

expande, ora se apouca", em uma "configuraçao indefimvel" •

Êsse po11gono foi aumentado com o correr dos anos. Não há d~

vida, aliás, de que da ação do homan, no processo de

ocupa-ção do território nacional, tem resultado o agravamento das

A. # , , ,

secas, sob o aspecto fisico, na are a ja a elas sujeita na

e-... "

poca do descobrimm to, e a dilataçao dessa area, a medida q..E

- . f

sao dilapidados os recursos naturais nas zonas contlgf.tas.

A "área da sêca " apresenta um traço marcant e,

P . ,

que e a sua "personalidade" geografica: o solo, a flora e,

principalmente, o clima, caracterizam a região, distinguind2,

-a acentuadamente das zonas vizinhas.

. . . , f

A feiçao geologica dominante no nPollgono" e

que constitui a "ossatura" da maioria das serras nordestinas

é o cristalino, com abuniância do granito e do gneisse. "No

interior ••• como em Teixeira, abundam rochas granitoides",

li • • • jazidas de caráter similar, estando quase planas sôbre

as margens invertidas das rochas gneissicas, são comuns em

várias partes das duas províncias da Paraíba e de

Pernambu-,

co. Alem da rocha viva que irrompe nos terrenos desnudados,

os solos poucos espessos, calcáreos e arenosos aparecem como

típicos do Nordeste. Os solos arenosos são ricos em seixos

rolados, de quartzo, gneiss, e as rochas schistosas mais

du-ras cimentadas com peróxido de ferro" •

(11)

-9-Nesses solos, compostos quase sempre de calc~­

reo, granito" de decomposição de arenitos, existem pontos

mais férteis, quase sempre perto de depressÕes e ao

sopé

de

montanhas, constituídos de solos argilosos: formam

tabulei-,

.

...

-ros e varzeas de tabulei-ros. Sao, contuc:b, exceçoes ria vast!,

dão das terras sátaras. O que prepondera

é

a sucessão de

su-.\ pertícles cristalinas e de superfícies sedimentares, pobres ,

...

em elementos organicos.

No llpolígono das sêcas"" desenvolvem-se tipos

de vegetação

cialistas na

. .

,

que foram classificados pelos geografos e

espe-~., .

titogeografia em tres 8ub-area~ distintas: a

a-greste, o alto-sertão e a caatinga. Segundo lfaria Fagundes de

Souza Doca

Da região fitogeográfica brasi).eira, por

Har-tius denominada "Hamadryades", de forma.' ablonga, tendo'

maior dimensão no sentido RE-SO ••• que se eacont:ram

sua A

esses

t.ufos vegetativos, verdadeiros parques ajardinados,

conheci-dos pelo sugestivo nome de agrestes". (1). Os agrestes

apre-, . $

sentam arvores altas, arectas, intercaladas de arbustos. A

..

,

-

,

vegetaçao" de maneira geral" e corhcea, mst uradas as herb!,

C8&S, gramínea. e leguminosas. Os agrestes são encontrados ~

se sempre nas proximidades da costa atlântica como uma zona

de transição entre a caatinga e a mata íitorânea. Boa parte

do PiauÍ, nota<ia.Jlent e o norte do Estado"

é

oéupada por êsse

tipo de vegetação" que tem como Plantas características à j!.

tobá, a cama~a, a bocaiuveira, a guaviroba, a sucupira,

a-(1) Haria Fagundes de Souza Dora: "Agreste", in Tipos e

As-pectos do Brasil,I.BoG.E., Conselho Nacional de

Geogra-fia,

1949"

pp.

39.

1

.

(12)

-10-l~m de algumas pal.máceas. Nas proxiLÚdades dos agrestes, e-xiste ~gua o que alegra a paisagem. No alto sertão a sêca é, igualmente, menos cruel: aparecem vales férteis, carnaubai s magestosos e a vegetação do tipo savana espraia-se, no inver no, em tapetes verdes.

,

A caatinga fica situada entre as duas sub-are-as do agreste e alto sertão:

é

a "mata branca" dos indigenas e a que Martius tão adequadamente denominou de Silva horrida.

O

seu aspecto agressivo, a hostilidade de seus galhos espi--nhosos enquadra-se bem na região que, nas palavras de Gilber to Freire, "parece repelir a bota do europeu e o pé do afri-cano, a pata do boi e o casco do cavalo, a mangueira da ín-dia e o brôto de cana". (2).

A caatinga apresenta aspectos diferentes nas

-,

duas epocas do anoo Nos meses de chuvas, "0S meses verdes" ,

,

apos os primeiros aguaceiros, aparece logo a "babugem" - as

-

,

.

sociaçao herbacea raste~ra. A paisagem muda de aspecto emp~

..

,

.

cos dias, a semelhança dos desertos que se povoam rap1damen-te de flores e fôlhaS de côres vivissimas quando se abarap1damen-temas raras tempestades. Assim como a babugem, que surge como por

, - ,

.

encanto, reverdece tambem a vegetaçao xerof1la que se estio-lara nos meses secos.

Essas duas espécies de vegetação que no "inve.!,: no" apresentam uma vida pujante e colOrida, desaparecem prà-ticamente na estação sêca. Na estiagem resistem apenas as plantas dotadas de um áparelho de defesa que possibilita a e

(2)

Gilberto Freire: Nordest.e,

1947.

(13)

\.,

..

-11-xistência sob corrlições extremamente adversas; as cactéceas, com seus galhos nus, e os juazeiros e oiticicas, de grandes copas, compõem então a paisagem cinzenta e triste do "verão~

A distribuição da caatinga }:elos estados com-preendidos no "Potigono da sêca" é irregular: Pernambuco cOQ ta com

66%

de caatinga; Rio Grande do Norte, com

65%;

Ceará,

com

35%;

Piaui, com

23%;

Paraíba, com

65%;

Alagoas, com

63%;

Bahia, com

38%.

A caatinga não constitui área continua, es--tendida por centenas de quilâmetros; ela aparece de preferên cia nas zonas centrais dos Estados, separada pelas serras e limitada pela zona litorânea.

Nas montanhas, que escapam aos rigores do

cli--

,

ma, a vegetaçao e mais abundante e variada. Sobrevivem nas

,

.

encostas de var~as delas pujante mata tropical, remanescente às derrubadas para a lavoura. Uvas, pêssegos~ frutas as mais diversas, são produzidas nessas ilhas de pluviosidade e ve~ tação. Plant a-se, tamb~m, o cafeeiro, em pequena e scala o

No conjunto da região legalIi,ente reconhec:iM c~ mo sujeita ao flagelo das sêcas periódicas, ou seja, no IIPO-ligono 11 , habitam hoje aproximadamente 14 milhões de pessoas, ou cêrca de um quarto da população brasileira. O cresciuento

, ç

populacional da area rrnntem-se semelhante ao de todo o Pais, não obstante se originarem dai as mais intensas e regula re s

correntes de migração interna, que até a primeira década dê~ te século se orientavam preponderantemente para os Estados do Norte e agora se voltam, mais, para o do Sul e para as zonas despovoadas do interior maranhense e do norte !'Piano. A

per-I

j(

I

(14)

-12-sistência dêsses deslocamentos denuncia a provável

existên-• , , , , A

cia de um excedente populacional na area sujeita as secas, em

face das condiçÕes de vida ali prevalentes. Como se vê do qU!.

dro abaixo, em que figuram estimativas das populações estad~

ais da área do IIPo11gonoll , referidas a 19 de julh~ de 1955 ,

as zonas mais habitadas vão do Ceará a Sergipe, com

densida-de média densida-de 20,0 a 33,3 habs./km2, seguindo-se as da Bahia

(7,5) e as do Piaui e norte de Minas Gerais (cêrca de 4,5).

ÁREA E POPULAÇÃO DO "POLÍGONO DAS *ASIf

O)

Estados

Piaui Ceará

...

...

Rio Grande do Norte •••

f

Para1ba •••••.•.•.• 0 • • •

Pernambuco ••••.•.•••••

Alagoas Sergipe

...

...

Bahia ... . Minas Gerais ••...

Área sêca

( km2 )

245.550 153.250 53.050 56.280 82.500 12.970 12.290 404.710

130.060

Populaç~ Densidade

(estimada) (hab./km2)

1.120.000 3.060.000 1.090.000 1.880.000 2.470.000 360.000 340.000 3.050.000 590.000 4,6 20,0 20,1 33,2 29,9 27,7 27,7 • 7,5 4,5

1.150.660 13.960.000 12,1

Na primeira metade dêste século, principalmen-te, verificou-se na região, também, o processo de

urbaniza-- P f ,

çao comum a todo o a~s e peculiar ao seu atual estagio de

(3)

Quan~o

à

área, dados constantes da

PUblic~ção

n2 1 da Co

missao Incorporadora do Banco do Nordeste do Brasil;q~

,,--- - - ... -"L _____ _

(15)

,

-

...

-13-de s env 01 viment o econômic o. Núcleo s populacionai s

considerá-veis se formaram, a traduzirem a mudança ocorrida nas

condi-ções gerais de vida, em tôda a região, bem como nas relacondi-ções

desta com as zonas Sul. Além de uma incipiente l.ndustrializa

-

...

"

çao, que se manifesta num ou noutro desses nucleos, a

expan-. expan-. Ao • '"

sao da rede regional de transportes, esrecialmente a rodom

ria, representou papel decisivo em tal mudança, ao ensejar o

estabelecimento de entrepostos comerciais de certo porte no

interior. são dignos de menção, entre os aglomerados urbanos

assim formados ou expandidos, as cidades de Floriano e Campo

-Maior, no PiauÍ; Sobral, Crateús, Senador Pompeu, 19uatu,JU!:, .

~

" ,

zeiro do Norte, Crato e Russas, no Ceara; Mossoro, Açu,

Cai-, ,

co e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte; Campina Grande,

Pa-tos, Caja~eiras, Rio Tinto, Santa Rita, Itabaiana e !lagoa

Grande, na Paraíba; Caruaru, Limoeiro, Timbaúba, Gravatá, Pe!.

queira, Arcoverde, Bezerros, Sertânia, Serra Talhada e Petl'2

lina, em Pernam'tucoj Palmeira dos indios e Arapiraca, em AI!.

goas; Juazeiro, Senhor do Bonfim, Jacobina, Serrinha,

Itabe-, . . .

raba e Rui Barbosa, na Bahia; e Montes Claros e Pirapora, em.

Minas Gerais. Citam-se aqui sôment e alguns dos núcleos que

< - . • I , ,

se expandiram . i s notavelmente nas Ultimas decadas, vários

dêles antigos e estagnados até o advento do caminhão ou

süa

ligação

à

rêde ferroviária regional.

a

o

fenômeno da urbanização, além de traduzir as

(continuação da nota anterior):

to

à

população, estimativas feitas com base nos coeficientes

de crescimento demográfico calculados pelo I.B .G.E.,

admiti-da a mesma distribuição percentual verificaadmiti-da em ... ,

1950,

entre

as zonas secas e umidas de cada Estado.

--,

i

(16)

-14-modificações por que vem passando o sistema de vida das pop!!

lações sujeitas às sêcas, até o século passado quase exclus!

.

..

vamente dedicadas as atividades rurais, prenuncia e

possibi-lita modificações érlnda mais profundas na sua economia~ pelo

fortalecimento das atividades próprias aos aglomerados

cita-dinos e pela difusão de novos processos produt~vos voltados

para a utilização mais intensa dos recursos naturais da regi

-ao.

2. O Clima e as sêcas

,

O clima e outro importante fator da /lpersona1!

dade" geográfica da região devastada pelas sêcas periÓdicas.

Sua característica principal

é

a alternância das duas

esta--ções, melhor diríamos períodos, nitidamente observáveis: o

inverno ou "verde", que varia de j:.rês a seis meses, e o

ve-rão ou nsêco", que se dilata por dez meses. A maior

ocorrên-cia das chuvas em anos normais - distribui-se nos prime!

ros meses do ano, de março a junho o A média pluviométrica da

região oscila ent re 500 e 1 000 mil:ímetros cúbicos e as

pre-cipitações naqueles meses somam cêrca de 91% do total; os ~

tantes 9% caem entre os meses de julho a dezembro, podendo

mesmo incidir sÔbre êsses dois meses extremos.

-'

A temperatura geral do Nordeste varia, em me~

dia .. de uma mínima de 230 a uma máxima de 320 e os meses con

siderados mais frios são junho .. julho] agôsto e set.embrol' en

~

quanto novembro, dezembr03 jane~ro, fevereiro e março sao os

meses mais quentes do anoo

Vemos~ assim que o clima da região se apresen~

sO'

-I

(17)

..

- . __ .. ~ 1( sws

-15-ta sêco, quente, com es-15-tação de chuvas claramente delimi-15-ta-

delimita-da, e que a m~dia pluviom~trica observada classifica o "Poli

gono" nas regiÕes semi-áricas-. SÔmm te essa posição de z on a

pouco favorecida pelas chuvas seria suficiente, portanto, ~

ra justificar precauções e providências destinadas a atenuar

as dificuldades da escassez de água.

Contudo, a série de fatôres que determinam a

circulação geral da atmosfera introduz um elemento novo de~

regularidade que interfere na sucessão dos períodos. Assim .2.

, ,

corre periodicamente que, ou o inverno esperado apos tan tos

,.

.

meses de ausenC1a de chuvas pode atrasar-se, ou a pluviosi~

de m~dia do inverno pode cair muito abai:xo da comum nas ~po­ cas normais, quase não chovendoo Podem combinar-se ainda

es-sas duas condições, tornando a situação ainda mais crÍtica :

um inverno atrasado e quase sem chuvas. O inverno deixa de ~

xistir para constituir-se em um perÍodo sem chuvas que liga

duas estações igualmente sêcas. Com a repetição do

aconteci-mento por um, dois, e mais anos, declara-se a sêca que pode

ser tão rigoro sa "quanto maior fôr a seqUência dos anos sem

inverno"

(4),

ou de invernos escasSOs.

A distribuição das chuvas não ~ irregular

ape-nas no tempo; ela o ~ igualmmte no espaço. O exame das isoi

etas revela que há diferenças rubstanciais na quantidade de

chuvas recebidas por Municipios situados a distâncias

peque-nas uns dos outros. Alguns dêsses pontos ~ecebem maior qtian ..

Hilgard O'Reilly Sternberg: IIAspectos da sêca de 1951 no

Cear~, in Revista Brasileira de Geografia, nQ 3,ano

XII,

p~g. 328.

(18)

---~---<----

-16-tidade de chuvas do que centros como Londres, Berlim, Moscou,

Marselha, localizados em, regiões frias ou temper/1.das. são as

nuvens carregadas de umidade que esbarram nas elevações,

cu-jas encostas estão aquecidas, e precipitam-se em chuvas; o

fenômeno interessa a pequEnas zonas e, como observa o Prof.

Hilgard O 'Reilly Sternberg, "o efeito orográfico não resulta

apenas em acréscimo de pluviosidade mais ou menos

proporcio-nal

à

altitude. A dinâmica dos fluidos mostra que as mass as

aéreas são forçadas a elevar-se, antes mesmo de atingirem

u-, ,

ma

barreira mont anhosa. Chuvas orogr8.ficas podem cair a

frea

,

-

.

te da serra ou chapada responsavel por sua produçao.

Outros-sim, sabe-se que, por vêzes, chuvas ocasionadas pela

ascen-ção do ar em virtude de acidentes do terrmo caem a

sotaven-to dêstes obst~culos - é o "spilt OYer effect" de alguns a,!!

, A ,

tores de l~ngua inglesa. ~ica-se, assim, que Itapipoca,as

faldas da serra de UÍ'uburetama; Acarape, ao pé do maciço de

, ,

Baturite; Santanopole, aninhada nos recortes da Chapada do A

raripe; e Pacatuba na base da serra de Aratanha, tenham

mai-or pluviosidade - respectivamente 1 157,

7mmi

1 066,l.Dmj •••

1 150,3mm e 1 321,Omm de chuvas por ano (média de 15 a 32

a-nos, I.F.O.C.S.O.) - do que outras localidades em pleno se.!:

tão, afastadas da influência providencial das serranias e

dos chapadões, como, por exemplo, Independência, com 686,5D1Di

Tauá, com

647,9mm;

e Crateús, com

724,4mm

(média de

21

e 22

anos, I.F.O .S.)". (5).

Essa. proximidade de serras explica também os .!

xemplos semelhantes de Jaguaribe é Sobral, em pleno sertão, e

(5) Idem, pág. 329.

(19)

-

--....

-17-Pereiro e Maruoca situados na serra ou nas suas proximidades.

Jaguaribe dista de Pereiro cêrca de 20 quilôm~

tros; Sobral e Keruoca estão separados por uma distância de

23 quilômetro s.

,

Alem disso, atentando-se para? tipo de chuva

que cai na região do "Polígono ti , verifica-se sua

caracterís-tica ~unda.mental: chuvaradas violentas e d~ pequena duração.

Êsse tipo de chuva, caindo Em uma região com a feição que

. ,

,

distingue o "Poll.gonol1 , agrava o problema da falta d

'agua"

-pois, alguns diâ:s apÓs os aguaceiros, a evaporação rápida e

a infiltração

j~

consumiram a maior parte das águas que atig,

giram o - solo. Por vêzes, as chuvaradas são tão freqUentes cpe

os rios transbordam e as enchentes provocam graves danos nas

lavouras marginais ou nas cidades ribeirinhas inundáveis.

3.

O Homem e a Sêca

o

sertão sujeito ao fenômeno das sêcas, apesar

-de sua aridez natural, nas quadras noímais

é-

.uma· região 'agr~

dável, que permite a existência tranqt1ila e alegre de ~uas

populações. Versos populares, quadras que correm entre o

po-vo, louvam as maravilhas sertanejas:

,

"Quando o invemo e constante,

O sertão

é

terra santa;

Quem vive da agricultura

Tem muito tudo que planta;

Há fartura e boa safra,

(20)

-

-

-18-Dá

milho e feijão

Tem past o I t em cana,

Melão e banana,

Arroz e algodão;

I

As melancias dão

Tantas como àreia,

- O j erimUm campeia

Nas roças faz lodo t

~ I

Vive o povo todo

De barriga cheia." (6)

são as sêcas que interrompem essa felicidade e

desorganizam inteiramente a vida econômica e social do "Pol!

gono": o "sertão amável" transfórma-se, e o habitante

daque-las paragens

é

obrigado a abanionar tudo e fugir para não la!:

rer de fomeo

"Meu sertão

é

inté amável

Seu clima mui to sadio,

Entre o calor e o frio

,

Tem um ar muito saudavel,

... #

Mas nesta seca iraplacavel

Todos façam'arrumação,

#

-A cavalos a pe no chao,

Arrumem as suas maletas

#

Que tudo e sta em derrota:

(6) Manoel Diegues JÚnior: "As sêcas no Folclore Regional" J

in. Observador EgOl'lomico e Financelro J Rio de Janeiro,

mãIo

de

1953, pag.-56.

- --~

(21)

..

-19-Fuja, povo do sertão." (7).

MUito acertadamente, Josué de Castro, classifi

,.

cou essa zona, sob o port.o de vista alimentar, como uma area

sujeita a "epidemias de fome". "Não mais a fone atuando de

,

maneira permanente, condicionada pelos habitos de vida

coti-diana, mas se apresentaDio episôdica..roonte em surtos

epidêmi-...

cos. Surtos aguios de fome que se apresentam com as secas, ig

tercaladas clc1icammte com os periodos de r ela tiva

abundân-cia que caracterizam a vida do sertanejo nas épocas de no~

lidade. As epidemias de fome que surgem nestas quadras

cala-mitosas não se limit ant, no entanto, aos aspectos discretos e

toleráveis das fomes parciais, das carências especificas

en-contradas nas outras áreas ••• são epidemias de fome global,

. t ....

quantitativa e qualitativa, alcançando com lncrlvel

violen-cia os limites extremos da desnutrição e da inanição aguda e

atingindo indistintamente a todos, a ricos e pobres, a faz~

deiros abastados e trabalhadores do eito, a honens, mulheres

e crianças, todos açoitados de maneira impiedosa pelo

terrf-vel flagelo da sêca" (8). Nas épocas normais, a dieta do se!:

tanejo

é

"talvez a mais racional e equilibrada do pais,

in-cluindo as zonas isentas de fome"

(9).

De fato, uma

combina-ção inteligente da pecuár:ia e da lavoura resulta no

aprovei-tanento de um número grande de produtos alimentares que ccn~

tituem a dieta básica do homem do sertão, nos anos normais.A

,

( 7)

Idem, pago

57.

,

( 8) Josué de Castro: Geografia da Fome, pago 179.

(22)

[

I

I

i

I

...-.-

-20-carne, o leite, a manteiga, o queijo, o milho, o feijão, a

fava, a mandioca, a batata doce, ojerimum (abÓbora), o

max!

xe, as trutas nativas

aio

eombiDadàlf ea WIIa infinidade de

pratos saborosos e de excepcional valor nutritivo. As

peque-nas criações de galinhas, de porcos, a caça e a pesca ocasi2

nais, completam o quadro alimentar do sertanejo.

Com

â

sêca desorganiza-se a economia e aparece

a fome. Desfaz-se o equilíbrio, desencadea-se a crise. A ta!

,

ta d1agua, a morte dos rebanhos, a roc;a perdida

impossibil.:i-tam a vida do sert:.anejo. O aparecimento das avitam1.nose8, a

desnutrição, a "peste" agra'YD.. su .. uação. As plantas da cS!,

tinga, as únicas que resistem ao flagelo, irão alimentá-lo em

-

-

..

sua caminhada pelos sertoes em direçao a co sta ou aos açudes;

.? ,,~ , ~

e bem di! erente o cardápio nas epocas de "quadras mas". Jose

América de Almeida nos transmite os versos que falam dos ali

mentos de que o sertanejo lança mão para manter-se:

"Xique-xique, mucunã

Raiz de imbu e colé,

Feijão brabo, catolé,

Macambira, imbiratã,

Do pau-pedra e carimã,

A paneira e o murrão,

Maniçoba e gordião,

Comemo isso todo o dia

Incha e causa hidropisiaj

Foge, povo do sertão!" (la)

(la) Idem, pág.

236.

..

(23)

-21-Essas plantas apresentam algpmas partes

comes-tíveis. O xique-xique tem uma medula que

é

aproveit.ada para

a feit.ura da farinha, ou para ser assada e comida; a mucunã,

considerada bastante tóxica, produz vagens cujas sementes.;'

,

"

usadas em casos extremos de penUria.; a macambira t.em um

bul-bo que, depois de cozinhada por algumas horas e exposto ao

sol, pilado e preparado, transforma-se em farinha; as cama~

beiras novas (ncuandusu ) fornecem palmitos, de que

é

retira-,

da uma fecula nutrit.iva; a maniçoba e a mandioca !omec. l"!

ízes; da mangerioba são retiradas as seuntes. Tôdas essas

plantas são trat.adas por conhecidos processos que eliminam Q1

, . , #

parecem eliminar as substarcias to.xi.cas que possuem. J:,sseP12"

cedimento parece vir dos ind!geQLs, conhecedores de método s

para tratamento de plantas que cootinham tÓxicos e sujeit o s

A

- segundo as cronicas - ao mesmo fiagelo que ainda hoje a,!

sola os habitantes daquelas regiões.

Entretanto, graças às conquist.as que o País vai

reali zando, de novos meios de atiVidade, inclM1fi ve na região

A _ ~ ~

das secas, os efeitos dos ult1mos fiagelos ja nao se revesti

.

- ,

ram da mesma. gravidade daqueles classicamEnte estudados, co!!,

• ,~. , A ,

forme os fatos ocorridos ate as pr1ma1.ras decaQas deste seco!

lo. A expansão da rede 1l1cioal1. de transportes, pri.Ílc1palme!!

te a rodoviária; pàssi bilita o a~stecimento alimentar das

zonas atingidas pela calam1;dadé, com produtos importados, ou

" -

,

a retirada dos flagelados MO absorvidos pelas obras

publi--

,

cas, em condiçoes incomparavelment.e melhores do que no pasS!,

do, quamo o sertanejo depéndia totalmente dos animais de

carga, tal como êle

vitima

das anomalidades clilMticas.

- - --

---~---I

I

J

(24)

~-~

-J ,,'

i

I

i I

-22-... p

-Na seca de

1951

a

1953,

por exemplo, ja nao se

. P

presenciaram as retiradas dolorosas, a pe, rumo aos-portos

l!

... ,

toraneos, onde os flagelados antigamente se aglomeravam a e,!!

pera do IIS0CO~:;'0 pÚblico" e

à

mercê das epidem1a.so O

espetá-- " f

culo das migraçoes internas, }:ara o Sul do Pa~s, mesmo nas

condições precárias em que então se processaram, longe

esta-vam de co rresponder

à

tragédia representada pela fuga dos "~

tirantes" do passado~ vividamente descrita pelos escritores

regionai s o

-Isso nao implica em dizer que o problema das

sêcas tenha encontrado solução no mero estabelecimento da rê

de de transportes interiore s que serve a região i ou mesmo ms

obras hidráulicas e outras já ali executadas o Na realidade, o

problema. .'permanece, pois a sua solução ou, melhor, a atenua-

.

ção dos males que as sêcas.periódicas acarretam, reclama

no-vas obras e outros .rviços, de natureza diferente daqueles

!.

tê agora empreendidos o As crises climáticas do ilpoligonol! ag,

quirlrão at

é

mesmo maior importância }:6ra o conjunto do Pais,

à

medida que a região .tôr sendo' mais e~re:itamert. e integrada

.

_ . . .

na. economia nacional, o que exige, no interesse comum, uma

politica permanente de combate aos efeitos da sêca, cuja

0-A _ _

correncia nao podera ser jamais evitada, por certoo

P ,

I

.Como veremos no proximo cap~tul03 essa

poh.ti-ca tende Ultimamente a orientar-se para o fomento direto das

atividades econômicas regionais, ao invés de cingir-se a uma

atuação quase exclusiva em relaçã~ ao meio flsico, que a

ca-racterizava até poucos anos atrás. Passa-se a dedicar maior

atenção às possibilidades do homem nordestino, para que êle,

(25)

-23-por sua iniciativa e com o conhecimmto adquirido no "trato

secular dos problemas regionais, atue de fonna mais

eficien-te no sentido da melhoria das suas condições de vida,

inclu-sive nas fases de crise climática. Ao lado das obras e dos

serviços públicos de finalidade especÍfica, de combate aos ~

feitos da sêca, o fortalecimento e a expansão das atividades

privadas, para que elas acumulem recursos de tôda ordem

des-tinados a tornar menos danosa cada sêca que sobrevenha.

40

SÍntese histórica das sêcas e dos esforç2!

para canbater seus efeitos, até 19 O 9

O Padre Fernão Cardim, no IITratado da Terra e

Gente do Brasil 11 , registra uma sêca que teria ocorrido em

1583 e que forçou os indios a emigrarem do interior do

Esta-do de Pernambuco para o litoral o Essa sêca teria causado gIRg

- ,~ #

des danos nao apenas as plantaçoes de cana de açucar, mas

,

..

tambem as roças de mandioca mantidas para o sustento da pop~

1açãoo No entanto, a primeira sêca do conhecimento de- todo s

é

a de 1606, cuja de~astação, no

Ceará,

forçou Pero Coelho a

uma

retirada, ao longo das praias nordestinas,

em

direção ao

Rio Grande do Norte.

As CrÔnicas registraram, através dos séculos ,

",.

secas regionais, ou de maior amplitude nos seguintes anos:

1692; 1711; 1721; 1723-1727; 1736-1737; 1744-1746;1777-1778;

1790-1793; 1803-1804; 1824-1825; 1844-1846; 1877-1879;

1888--1889; 1898; 1900; 1903-1904; 1915; 1919; 1932-1933; 1945;

1951-1953. Houve outras menores, menos generalizadas,

"repi-q'tlentes"= 1772; 1809; 1816; 1817; 1827-1830; 1892; 1896;l899;

1907.

(26)

r

,

I

!

,

-24-Os pedidos. de auxílio. aos longÍquos Poderes

Cea

trais vêm dos tempos do Brasil Colônia. Durante o re~e

im-perial,' o auxílio era prest.ado apeÍaas nas -crises agudas das

sêcas. Durante a sêca de

l.B44-1846,

por exemplo, o govênJ)

i!!

perial despendeu

284

contos na Paraíba, para acudir a

deze-nas de milhares de esfomeados ou para manter o sitiante

em-#

-pregado em obras publicas. No entanto, essas obras nao

esta-vam relacionadas com o problema da sêca; eram, antes,

cons-- , .

...

truçoes de "altas torres de Igrejas, cadeias, Casas de

Cama-ras, matrizes", como mencionou José Am.érico de Almeida. '

O-bras públicas para o embeleZaDl8lto,urbano e não para o co~

te aos efeitos do flagelo. Na sêca de lft/7, somente no

Cea-rá, foram gastos dessa forma

80-

mil contos de 'réis. Data de

sêca de

1888

o inicio da primeira obra pública de vulto - o

açude destinado ao combate aos efeitos do flagelo. A

barra-gem só foi terminada, porém, em

1906

e a rêde de canais de

irrigação, apÓs 1930.

No fim do Império, reuni:u-se pela primeira vez,

chamando atenção para o problema, uma. mesa-redonda para

tra-tar do problema, promovida pelo Instituto Politécnico do Rio

de Janeiro. Essa reunião" presidida pelo' Conde d 'Eu, recomen dou as seguintes medidas para combate às sêcas: abertura de

poços artesianos; abertura de novas vià.s. de comunicação; con~

trução de açudes; canalização dos rios; abertura de um ~ánal

,

que comunicasse as aguas do rio S. Francisco com as do Sal~

do e outros rios do Ceará. Essa proposta ousada foi

acompa-nhada de outras tão imaginosas quanto impraticáveis. O enge-nheiro André Rebouças propôs, por exemplo, que o govêrno

(27)

-25-metesse grandes alambiques para a destilação das águas do

mar ! (11)0

Aquela reunião, no entanto, logrou resultad:> aj!

í' . . ~ . .

sinalavel, com a formaçao do primeiro orgao nacional especi.!

,

...

,

lizado no combate as secas: criou-se, no Ministerio da

Agri-cultura, Comércio

é

Obras PÚblicas, a Comissão de Açudes,que

881.

'

,

apresentou em 1 , apos estudos locais, um relato rio em que

sugeriu a realização de várias obras para a região, como si,!!

temas para a irrigação e reservatórios o As reco~ndações,cO!!

tudo, não foram postas em prática.

, A

Alguns empreendimentos esporadicos, de intere,!!

se local, foram lançados na passagem do séculO, sendo de

ae-,

"

sinalar o açude Acarau-Mirim, no Ceara, oonstruJ..do de 1900 a

1907, e alguns outros cujas o bras foram encetadas e logo

in-terrompidas, por falta de programação segura e de organis mo

capaz de cumprÍ-los.

Com o advento da República, princilXilmente por

ocasião da sêca de

1903,

surgi.ram várias manifestações

popu-. lares nas

MS

da Capital Federal clamando por providênciaS.

As regi.ões atingidas

estavam esperando o socorro para suas

populações, não a "eSlOOla efêmera, humilhante, ineficaz" IDaS

sim "a criação de trabalhos,' cujos benefícios perdurem, tais

como açudes e uma estrada de ferro", como reclamava a Câmara

Municipal de Grossos, no Ceará. Apareceram projetos no

Con-gresso Nacional, e no govêrno de Rodrigues Alves foi criado,

I

(11) Vinicius Fonseca: "Donos da Terra, Ponos da

Água".!q

I

(28)

r

I

!

-26-em 190?, um órgão denominado tlComissão de Açudes e Irriga

-.;ão

ll ~ para o estudo das possibilidades d~ construção de

bar-~ , A , ~

ragens e canais de irrigaçao no Nordesteo Alem. desse orgao $

f "

com tarefas correlatas: a "Comissão de Estudos e Obras Con ..

tra os Efeitos das Sêcasn e a "Comissão de Perfuração de

Po-ços", sediadas em Natal, Rio Grande do Norte. Em 1905, o

Pre-sidente da República sancionava a Lei nQ 1

396,

Em que se r,!

conhecia a competência da União em relação ao problema das

sêcas. O govêmo federal obrigava-se a cooperar com os gove!

nos estaduais e locais na solução do problema, criando-se p!.

ra isso um "tundo especial" que distribuiria anuallllEl'lte, a

cada Estado atingido pelas sêcas, a quantia de 200 contos de

réis. Em

1906,

todos os órgãos de combate às sêcas foram CO!!

centrados na "Superintendência de Estudos

é

Obras Contra os

Efeitos das Sêcas", sediada em Fortaleza, no Ceará. Os

orça-mentos da União passaram, então, a destinar verbas exclusiv!,

mente para a concretização de projetos elaborados pela

Supe-rintendência, an cooperação com os govemos estaduaiso Ave!,

ba votada para êsses projetos foi, em 1909, de 1 000 contos de réis.

No entanto, o govêmo de Afonso Pena ded1 c o u

pouCf- atenção ao problema das sêcas. O eco dos clamores motl

vados pela Última calamidade como que 8e haviam abafado • o oe

Com o insucesso da política de auxílio federal aos governo 8

.,.

,

estaduais para a construçao de açudes, a base da Lei nQ

1396,

de

1905,

orientou-se o govêmo central Para o prolongamento das estradas de ferro iniciadas na região e extinguiu, mesmo,

a "Superlnt endência de Est mos e Obras Contra os Efeitos das

..

- -... - - - ---~----

-,..

(29)

-27-sêcas"e Não obstante, na mensagem de 1909, anunciava Afon 50

"

.

Pena o propos~to governamental. de regulamentar a menciona da

Lei, o que se concretizou a 21 de outubro dêsse meaüo ano,já

na presidência Nilo Peçanha, com a expedição do Decreto nQ

7

619, que criou a "Inspetoria Federal de Obras Contra as s~

casil (IoFoO.C.S.), posterionnente transformada no atual R.N.

O.CoS.

11. O D.N.O.C.S.

lo Fundamentos constitucionais. A defesa contra os efei t o s

das sêcas nas Constituições Federais.

Confonne o espírito que presidiu ~ sua elabo~

ção, caracterizado pelo liberalismo econômico e pelo

federa-lismo político-administrativo e, em conseqUência, pelo alhei

....

-

,

amento do Governo Central em relaçao a varios problemas

na-cionai s - a primeira Constituição republicana nenhum di

spo-sitivo consigna acêrca do problema. das sêcaso A tradição

mo-narquista condizia, aliás, com essa atitude dos

constituin-tes de 1891; e ~ as dolorosas calamidades dos primeiros

a-nos dêste século, a par da progressiva consciência dos

inte-rêsses da nacionalidade, compeliram posteriormente o Govêrno

a assumir encargos definidos em face de tal. problema.

Ao se elaborar a Constituição de 1934,

haviam--se consolidado nas elites politicas as idéias dominantes na

parte mais esclarecida das populações seculannente vitimadas

pelo flagelo; os efeitos da então recente sêca de 1932-33~

I

I

)

(30)

,

I

-28-viam chamado atenção para a natureza e a extensão das respo!!

sabilidades do Poder Central para com aquelas populações .Da!,

. ~- . " I

as priaei.ras di sposiçoe..s constituciCllaispertinentes a

mate-ria:

A

"Art. 177. A defesa contra os efeitos das secas

nos Estados do Hort. e obedecerá a um plano si st~

mático e será permanente, ficando a cargo da

U-nião, que despenderá, com as obras e serrl~sde .

assistência, quantia nunca inferior a quatro}Dr

cento da

sua

receita tributária sem aplicação es

pecial.

§ líl o Dessa percentagem, três quartas partes s,!

no gastas em obras normai8~ do plano estabeleci

..

-do e o restante será deposita-do em caixa especi

al, a fim de serem socorridos, nos têrmos do

art. 7Q, nSl ·11, (12) as populações atingidas p~

la calamidade.

§

2Q

• O Poder Executivo mandará aO Poder

Legis-lati vo, no primeiro SeDe stre de cada ano, a

re-lação pormenorizada dos trabalhos terminados e

em andamento, das quantias despendidas cOJm mat~

rial e pessoal no exercício anterior e das

ne-cessárias para a continuação das obras.

§

3

Q • OS Estados e Munic1pios compreendidos na

(12) Art.

7

Q • Compete privativamente aos Estados: •••

,

, 11, pro

-ver, a ~xpensas proprialj, as nec~ssidades da sua

adm1.-nistraçao, devendo, porem,'a Uniao ~restar socorro ao

Estado que, em caso de calamidade publica, os solit:itar;

...

(31)

---

-29-. , A _

ares. assolada pelas secas empregarao quatl'Op:>r

cento da sua receita t.ributária, sem aplicação

especial, na assistência econômica à população

respectiva.

§ 4A• Decorridos dez anos, será por lei OrdinÁ

ria revista a percentagem acima estipulada o n

nrt.retanto, não obstante o espírito

centralis-ta que ditou a instituição do "Escentralis-tado Novo", a Carcentralis-ta

Consti-tucional de 1937 deixou, ineJq>licàvelmente, de fixar qual

-..

..

, ~

,

quer encargo especial d~ Uniao EIÍl relaçao a ares sujeita as

sêcas periódicas. Os constituintes de 1946 retomaram, poréa,

a- diretriz estabelecida na segun:ia Constituição republicana,

dispondo:

"Arloo 198. Na execução dos planos de defesaco!!

tra os efeitos da denominada sêca do Nordeste,

-

,

-a Uni-ao despender-a, -anu-almente, com -as obr-as e

os serviços de assistência econômica e social,

quantia nunca inferior a três por cento da suã

,

renda tributaria.

§

lA. Um têrço dessa quantia será depositado em.

caixa especial, destinada ao socorro das

popu-lações atingidas pela calamidade, podendo essa

,

reserva, ou parte dela, ser aplicada a juro D12.

dico, consoante as determinações legais, em eBl

préstimoS a agricultores e industriais

estabe-_ , A

lecidos na area abrangida pela seca. '

§

2A. OS Estados compreendidos na área da sêca

(32)

-30-tributária na construção de açudes, pelo

regi-me de cooperação, e noutros serviços necessár!

os

à

assistência das suas populações o "

Essas normas básicas confirmam a profunda

mu-dança de atitude, ocorrida a partir de 1930, em face do

pro-blema das sêcas periódicas e demarcam as responsabi1ida d e s

pemanentes da União quanto ao mesmo. A partir de 1946,

so-bretudo, estabelece-se firmemente que essas

responsabilida-des seriam atendidas através das seguintes providências: 1Q)

a adoção de planos para a défesa contra os efeitos do

flage-lo, ou seja, o planejamento ~ ação oficial através de

pro-gramas especÍficos e articulados a serem executados,

normal-mente, durante vários exercícios financeiros; 2Q)

institui-ção de reservas financeiras especiais, mobilizáveis nas

épo-cas de calamidade, no socorro às populações por ela

atingi-das;

.3

Q ) ut~zação de parte dessa reserva no financiamen to

das atividades privadas, agrÍcolas e industriais, ou seja, no

fomento direto da economia regional.

1Yn virtude da legislação vigente, as obras e

os serviços pÚblicos de caráter permanente, custeados com2/3

da dotação constitucional, estão a cargo do DeJ:8rtamento

Na-cional de Obras Contra as sêcas; parte do 1/3 restante (de

20 a 50%) é depositada no Banco do Brasil.!' para formação da

caixa. especial de socorro (Lei nQ 1 004, de 24 de dezembro de

1949); e o saldo (de 50 a

80%

do têrço)

é

depositado no

Ban-co do Nordeste do Brasil, para aplicação contorne a sua lei

orgânica (Lei nQ 1 649, de 19 de julho de 1952)0 .

(33)

-31-2 o Fundamentos legais. A legislação reguladora da ação ofici al contra os efeitos das sêcas, a cargo do Departamen to.

Criada pelo Decreto nQ

7 619,

de

21

de outubro de

1909,

com apoio na Lei nQ

1 396,

de

10

de outubro de

1905,

a Inspetoria Federal de Obras Contra as ~cas logo depois,em virtude de autorização legislativa (Lei nQ

2 356,

de

31

~ de

dezembro de

1910,

art o

32,

nQ

XXXV,

que aprovou o orçamento

da República para o exercício seguinte), foi objeto de est~ turação mis cuidadosa no regulamento baixado com o Decreto nQ

9 256,

de

28

de dezembro de

1911.

liA experiêmia de dois

anos de trabalho demonstrou a conveniêmia de desenvolver e melhorar os serviços da Inspetoria", diz o presidente Hermes da Fonseca, justificando a medida, na sua mensagem de

1912.

O regulanento assim definia as atividades a cargo da I.FoO.CoS.:

"Art. 12 o Continuação a cargo da repartição d~

nominada Inspetoria Federal de Obras Contra as Sêcas os serviços relativos aos estudos e o-bras contra os efeitos das sêcas que assolam

al

guns Estados do Brasil compreendidos entre o Piauf e o norte de Minas Gerais.

Arto 22. Os serviços de estudos e obras

desti-A

atenuar os efeitos das se-nados a prevenir e

cas de que trata o guintes:

artigo precedente são os s~

I - estradas de ferro de penetração;

i

i

i

I

I

I

(34)

r

;

-)2-11 - estradas de ferro afluentes das

estra-das principais;

III - estradas de rodagem e outras vias de C,!

municações mtre os pontos flagelados e

os melhores mercados e centros

produto-resi

IV - açudes e poços tubulares ou arte sia n os

e canais de irrigação;

V - barragens sutmersas e outras obras

des-tinadas a JIlOdificar

o

regime torrencial

dos CUl"80S de

água;

VI - arenagem dos v31.es desaproveitados do

litoral. e melborament.o das terras cult!

váveis do interiori

VII - estmo sistematizado das condições

me-, ~

,

teorologicas, geologicas, topogri.ficas

e hidrológicas das zonas assoladas;

-

,

~

VIII - instalaçao de observatorios meteorolog!

cos e de estaçÕes pluviométricas;

IX - instalação de postos de observações e

mediçõ&S diretas das correntes dos rios;

X - conservação e reconstituição das fiore,!

tas;

XI serviços de piscicultura nos açudes e

rios perenes;

xn -

outros serviços cuja utilidade codra 08

efeitos das sêcas a experi~ncia tenha

demonstrado.

(35)

.\

,..

..

-33-Arl •

.3

Q • OS serviços de que trata o artigo pr~

cedente serão executados pela União, ou por e.!!

ta e pelo Estado co njuntamS'l te, nos têrmos da

Lei nQ 1 396. de 10 de outubro de 1905, e mais

disposições em vigor.

Arl. 4Q • A União executará pÔr sua conta as

o-I

bras que julgar mais urgElltes e necessárias,

in

clusive as que estiverem especificadas na lei

do o~amEllto.

Art.

5

Q .As outras obras com o mesmo fim

pode-rão ser executadas pelo Estado, mediante

auxí-110 da União.

Arl.

6;.

O aUXÚio da União consistirá no

se-guinte,

§

lA. Mandar proceder o estudo dos Estados

as-solados pelas sêcas, entregando aos

respecti-".

vos govemos copias das carlas levantadas, com

as imicaçÕes dos lugares onde a construção de

açudes e a perfuração de poços arlesianos ou

tubulares forem convenientes e exequíveis.

§ 2Q • Entregar ao Govêmo Estadual a quant1a em

A f

que for fixado o referido auxilio, para que s!

ja convenientemente aplicado. mediante fiscall

zação da Inspetoria.

Arl. 7Q • A União será obrigada, sempre que o

Estado solicitar, nos têrmoB da citada Le1 nQ

(36)

au-

-34-XÍlio que não poderá ser ini'erior a ." o c • • o . o • •

200.000$000 (duzentos contos de réis),

anual-mente.

Art o

8i2

o O Estado que pretender o aUXÚio da

Q

•.

nião deverá requerê-lo ao Ministro da Viação e

Obras PÚblicas, comprovanio:

a) que

é

periÕdicamente assolado pela sêca;

b) que em seus orçamentos consiga verbas

espe-ciais para construção de obras preventivas

e atenuantes dos efeitos da sêca, não sendo

as quantias votadas inferiores a

5%

(cinco

por cento) da sua receita ordinária;

c) que tais verbas, escrituradas à parte, c0o.!

# ~ . ~

tituem deposito especial e nao sao

desvia--das para outros fins (lei citada, art o 2Q) o

Art o 9Q• A req~sição do auxllio declarará a

obra a que êste se destina0 Se esta não fôr ~

quelas cujos estu::los

tenham sido feitos por

alguma comissão do Govêrno Federal e por êste

aprovados,!> o Estado apresentará, juntamerte com

o pedido,!> o respectivo projeto e orçamentos,

-feitos pela comissão técnica por êle nomeada e verificados pela Inspetoria de Obras Contra as

SêcaslI que deverá ter acompanhado os trabalhos

do Govêrno estadual, mediante requisição dêste

àquela.

Os estudos poderão ser feitos pela Inspetoria,

(37)

,

-35-e, neste caso, a despesa que custarem será la.!!

, t

çada a conta do auxilio requisitado da União.

Art. 10. Aprovados pelo Govêmo Federal os pla

nos e orçamentos de trabalho e autorizada a

sua construção, serão no mesmo ato fixadas a

importância total a despender, a despesa anual

que ficará a cargo do Estado e a despesa anual

que ficará a cargo da União.

Art. li. O auXÚio da União será entregue ao

Estado em duas prestações semestrais. A

entre-ga de cada uma das que seguirem

à

primeira se

fará depois de provada, por meio de contas

a-provadas pelo Govêrno, a aplicação da anterior

e da quota do Estado.

Art. 12. O auxilio não será dado para a

execu-ção de mais de uma obra ao mesno tempo, sal v o

se o valor das obras a executar f6r inferior ao

correspomente ao limite do aux!lio fixado no

artigo

71J..

,

Art. 13. Imediatamente apos a entrega da

pri-meira parte do aUx:Uio, deverão ser inicia da s

as obras a executar por parte do Estado e

de-signado o engenheiro da Inspetoria incumb:id:> da

fiscalização.

Art.

14.

Cessará o concurso da União sempre ~

o Estado deixar de observar o que está dete~

nado no art.

82,

letras "b" e "c".

_ ->L

I

I

I

I

Referências

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