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Biomatemática: métodos e limitações.

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BIOMATEMATICA: METODOS E LIMITA;OES

Jose Roberto Castilho PIQUElAl

• RESUMO : Este trabalho trata de uma visao panoramica dos principais metodos utilizados , atualmente, na modelagem matematica de process os biol6gicos. Esses metodos sao muito variados, com enfoques que, as vezes, sao deterministicos, utilizando a teoria dos sistemas dinamicos e, as vezes , sao pro­ babilisticos , lan:ando mao das equa:6es diferenciais estocasticas . Em todos eles, entretanto, tres fatores inerentes aos processos biol6gicos nao podem deixar de ser considerados : a compleidade, a imprevisibilidade e a diversidade de escalas temporais .

• PALAVRAS-CHAVE : Sistemas dinamicos ; compleidade ; imprevisibilidade ; equa:6es diferenciais ; mecanica classica; mecanica quantica; termodinamica.

Introdu�ao

Nos iltimos anos, as ciencias bio16gicas ten recebido da matematica uma in­ teressante contribui;ao que , aparentemente, originou-se da necessidade crescente de se processar, eficientemente, os dados clinic os e de laborat6rio, na tentativa de extrair de tais dados a mma quanti dade de informa;ao possivel, criando processos computacionais cada vez mais potentes 2

Essas contribui;oes, nao apenas trabalhando como ferramentas de natureza es­ tatistica, tao importantes nos testes de valida;ao de hip6teses a respeito dos dados, constituem uma empreitada mais ousada de cria;ao de modelos de sistemas que pos­ sam descrever, predizer e prescrever algum recorte dos processos bio16gicos .

Nao s e trata d e encarar a matematica como ferramenta para fazer contas e in­ terpretar graticos, e sim utiliza-la nas modelagens efetivas dos processos, proporci­ onando conjuntos de equa;oes diferenciais em problemas de dinamica populacional, fisiologia e bioquimica, alem de modelos estocasticos representativos de processos de nivel celular e molecular 3

1 Departamento de Engenharia Eletr6nica - EP-USP ; IEA-USP - 05508-900 -Sao Paulo - SP.

2 Holden, 1 993 ; Cvitanovic, 1 989; Mittenthal & Baskin, 1 992 ; Blumenfeld, 1 980; Ruele, 1991 ; Gleick, 1 988. 3 Mittenthal & Baskin, 1 992 ; Engel, 1 978 ; Bai-Lin, 1 990; Kauffman, 1 993.

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Tal empreitada ten redundado em sucesso e contribuido de maneira efetiva para 0 desenvolvimento da biologia te6rica, conforme se observa na literatura cien­ tifica da area (Murray, 1 993) .

E

importante deixar claro que a biomatematica nao po de ser confundida com a biofisica ou bioquimica, pois nao procura explicar os process os bio16gicos por meio de sua decomposi;;ao sucessiva em process os fisicos e quimicos de niveis de orga­ niza;;ao gradativamente inferiores (Engel, 1978).

Os dados me didos devem ser os elementos essenciais da cria;;ao dos modelos , gerando equa;;aes que , para certas faixas de ocorrencia dos processos , sejam com­ pativelmente ajustaveis .

Entretanto, deve-se observar que , atualmente, 0 processo esta sendo revertido .

Nao e s6 a biologia que se beneicia dos metodos da matematica, mas sim esta que inicia un novo estagio de procura de problemas para 0 aprimoramento de suas teorias.

Acostumada a encontrar na fisica e na quimica suas situa;;aes problematicas, a matematica tenta, agora, desenvolver metodologia para contemplar de maneira sa­ tisfat6ria as duas principais questaes relativas ao processo bio16gico : a complexidade e a irreversibilidade.

E

desse movimento que este artigo trata, iniciando com algumas ideias a res­ peito do uso da teoria dos sistemas dinamicos em problemas de biologia, enfatizando suas limita;;aes e apresentando algumas alternativas te6ricas de solu;;ao de tais li­ mita;;aes .

Nessas situa;;aes, os modelos dinamicos que geram comportamentos ca6ticos tornam-se extremamente convidativos, proporcionando uma eventual explica;;ao para a questao da complexidade .

A o falar d e complexidade, parece impossivel nao distinguir a complexidade fun­ cional da estrutural. Isto sera, ao menos tangencialmente, abordado neste artigo .

Os modelos probabilistic os e as equa;aes diferenciais estocasticas, largamente utilizados na modelagem de processos de difusao, serao tambem tratados e sua uti­ lidade discutida .

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principal delas e a discussao do tratamento dos dados bio16gicos, ben como a des­ cri;;ao dos diversos metodos para sua coleta.

No�oes sobre sistemas dimlmicos

o estabelecimento de equa;;aes para modelar process os naturais e busca antiga

do homem, e talvez tenha come;;ado a ter sucesso na proposi;;ao das Leis de Newton da mecanica. Basta conhecer 0 estado inicial de un sistema e todas as for;as que nele atuam para que todo 0 comportamento futuro esteja univocamente determinado pela resolu;ao das equa;aes provenientes de tais leis (Fiedler-Ferrara & Prado, 1994 ; Hirsh & Smale, 1 974) .

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Essa natureza deterministica de tal metodologia, aplicada com sucesso a uma imensa quantidade de problemas reais , popularizou 0 sonho de matematizaQao do universo entre os cientistas . 0 obsessivo desej o do homem de prever e manipular 0 futuro encontrava em tais teorias a esperanQa de realizaQao .

Ao longo dos seculos XVIII e XIX, fisicos e matematicos aprimoraram 0 usa das Leis de Newton, desenvolvendo metodos eficientes para a resoluQao dos mais diver­ sos tipos de equaQaes diferenciais, originarias, fundamentalmente, da aplicaQao dos metodos de Newton aos problemas mecEmicos. Entretanto, isso praticamente nao atraiu os pesquisadores de outras areas para 0 usa de tais metodologias . Duas coisas pareciam faltar para compatibilizar essas ideias com a natureza que, efetivamente, nos rodeia : 0 imponderavel e 0 complexo .

Que espaQo sobraria para 0 imponderavel cotidiano das ciencias da cultura ou para 0 complexo cotidiano das ciencias biol6gicas? Como levar em consideraQao tais fatos nas equaQaes? E, mais ainda, as Leis de Newton consideram situaQaes total­ mente reversiveis, nao levando em conta as marcas que 0 tempo deixa em qualquer processo biol6gico ou cultural.

Como compatibilizar tais questaes e algo que ocupa 0 dia a dia dos fil6sofos da ciencia e dos pesquisadores de vanguard a das diversas areas .

Aqui, nenhum aspecto cultural sera discutido, tratando-se apenas de mostrar como algumas ferramentas pr6prias da matematica tem sido aplicadas com 0 intuito de contornar as dificuldades impostas pela complexidade e irreversibilidade biol6gica.

Nesse contexto, a teoria dos sistemas dinamicos , versao evoluida dos metodos de resoluQao de equaQaes diferenciais, desempenha papel fundamental que se origina na conjectura do inicio do seculo X, devida a Poincare , de que sistemas mecanicos

descritos por equa;;aes de carater deterministico podem apresentar comportamentos totalmente imprevisiveis e, aparentemente, aleat6rios 4

Essa conjectura, correta para sistemas nao lineares , com a ajuda dos metodos computacionais, produziu aquilo que se popularizou como teoria do caos, caso par­ ticular da teoria das biurca;;aes dos sistemas dinamicos. A teoria de bifurcaQaes trata os sistemas dinamicos como familias de equaQaes diferenciais parametrizadas e observa que variaQaes nos parametros produzem mudanQas qualitativas nas soluQaes , sem que 0 formato original das equaQaes seja alterado .

Sao esses pontos que tem atraido a biologia te6rica em direQao a matematica, em particular a teoria dos sistemas dinamicos . As equa;;aes podem, de alguma forma, levar em conta os comportamentos imponderaveis e complexos , e questaes como variabilidade, adaptaQao e ontogenese de processos talvez possam ser modeladas como influencias de parametros na qualidade das solu;;aes.

Aqui surge uma questao importante de uniformizaQao de linguagem. Entende­ se por parametro de um processo ou modelo, uma variavel cuja txa de variaQao a

4 Holden, 1 993; Cvitanovic, 1 989; Bai-Lin, 1990; Fiedler-Ferrara & Prado, 1 994 ; Hirsh & Smale, 1 974; Ott, 1 993.

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ser considerada e desprezivel. Por outro lado, as chamadas variaveis de estado sao aquelas cuja taxa de varia;;ao nao pode ser desprezada no processo em estudo . Assim, uma me sma variavel de un dado processo biol6gico pode ser considerada un pa­ rametro ou uma variavel de estado, dependendo da escala temporal adotada. Esse

e outro aspecto que complica 0 uso das ferramentas habituais de matematica nos processos biol6gicos . A necessidade de se trabalhar com escalas temporais discre­ pantes no estudo de un mesmo processo ou modelo . Este artigo segue tentando abor­ dar, de maneira conceitual, os problemas supra descritos, dividindo-os nos seguintes t6picos :

• Complexidade estrutural e funcional sob 0 ponto de vista da teoria dos sistemas dinamicos .

• Variedade de escalas temporais sob 0 ponto de vista da teoria dos sistemas dina­ micos .

• 1rreversibilidade e a necessidade das abordagens termodinamicas .

• 1mprevisibilidade de comportamentos : equa;;oes deteministicas e estocasticas .

Complexidade estrutural e funcional

Complexidade e materia que diz respeito a un grande numero de ramos de pes­ quisa, como computa;;ao, fisiologia, neurologia, fisica, quimica, engenharia, ciencias sociais e tantos outros, cuja cita;;ao excederia 0 numero de paginas disponiveis para este trabaho . 5

Recentemente, tomou-se ate algo d e bon-tom cientifico trabahar como pes­ quisador das ciencias da complexidade . Porem, alguma matematica e necessaria para tomar as questoes mais claras e manipulaveis.

Enbora a diversidade de aplica;;oes desses conceitos seja grande, algumas ideias relativamente precisas podem ser apresentadas, principalmente, distinguindo 0 que se denomina compleidade estrutural do que se denonina complexidade funcional.

Seja un fen6meno natural qualquer e seja un conjunto de variaveis que repre­ sente esse fen6meno em un determinado instante . Alguem pode contestar, dizendo que seu problema e tao complexo que nao se pode, sequer, estabelecer 0 numero de variaveis que 0 seu estudo requer.

1sso nao e dificuldade.

E

possivel esperar por melhorias nas abordagens , ate que essa classe de representa;;ao possa ser aplicada ao problema.

Assim, e possivel ter un numero finito N de variaveis de estado descrevendo un sistema obj eto de estudo e , quanto mais se conhece 0 comportamento desse con­ junto de variaveis, a medida que 0 tempo passa, mais se conhece sobre 0 sistema.

5 Mittenthal & Baskin, 1 992 ; Kaufman, 1 993 ; Weber et a!. , 1 988 ; Thompson, 1 980; Thon, 1 975; Solomon, 1981.

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Utilizando un pouco de formalismo, uma fun;;ao veto rial do tempo x(t) associa, a cad a instante , un conjunto de N numeros reais , descrevendo 0 estado do sistema. A complexidade estrutural esta associada a esse numero N. Quanto maior ele for, mais complexa sera a estrutura do sistema.

Entretanto, deve-se notar que complexidade estrutural nao implica, necessaria­ mente, comportamentos inesperados ou complicados . Caso, por exemplo , 0 sistema possa ser considerado linear, suas solu;;oes nao apresentarao nenhum aspecto inu­ sitado (Hirsh & Smale, 1974 ; Wiggins , 1990) .

Ha uma questao mais profunda a ser discutida relacionada com os valores que cad a componente da fun;;ao vetorial de estados pode assumir.

Para tanto, deve-se considerar que a cada componente Xi da fun;;ao vetorial de estados podem ser associados Nj solu;;oes de regime permanente diferentes . 1sto e, deve-se raciocinar que 0 sistema bio16gico e descrito por N fun;;oes do tempo Xl , X2, . . . , XN, cada uma delas assumindo, respectivamente, Nl , N2, . . . NN solu;;oes atra­ toras possiveis.

A complexidade funcional esta associada ao produto dos numeros Nl, N2, . . .

NN, uma vez que ele representa 0 numero global de solu;;oes atratoras para 0 sistema

como un to do .

Combinando complexidade estrutural com complexidade funcional, tem-se a complexidade efetiva do sistema, do ponto de vista de seu comportamento dinamico . Essa e uma visao do problema que pode ser util a biologia : 0 sistema bio16gico modelado por uma equa;;ao diferencial de ordem N, governada por parametros. Varia;;oes nesses parametros, embora nao mudem a formula;;ao das equa;;oes, introduzem mu­ dan;;as qualitativas nas solu;;oes atratoras , variando a complexidade do sistema.

Diversidade de escalas temporais e irreversibilidade

Conforme foi discutido no item anterior, a teoria dos sistemas dinamicos nao lineares proporciona uma boa ferramenta para 0 tratamento de alguns problemas bio16gicos .

A utiliza;;ao de tal teoria ten sido bem-sucedida nos problemas de competi;;ao entre especies, da dinamica populacional, com 0 desenvolvimento de varios modelos sofisticados a partir das equa;;oes de Lotka-Volterra.6

Esses modelos adquiriram un grau de qualidade tao interessante que passaram a ser usados em to do tipo de questao que envolve competi;;ao entre popula;;oes, tais Esses modelos adquiriram un grau de qualidade tao interessante que passaram a ser usados em to do tipo de questao que envolve competi;;ao entre popula;;oes , tais como sensibilidade bacteriana em hospitais e controle do estabelecimento de sono REM e nao-REM, a partir de disparos de neur6nios de ativa;;ao e desativa;;ao (Kura­ moto, 1 98 0 ; Hobson, 1 988) .

6 Holden, 1 993; Solomon, 1 98 1 ; Bassanezi & Ferreira Junior, 1 988.

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Alem disso , em virtude de caracteristicas periodicas e aperiodicas dos processos biologicos, varios modelos usando osciladores proporcionam niveis de prediQao sur­ preendente em problemas de fisiologia, tanto animal como vegetal (Mittenthal & Baskin, 1992 ; Kuramoto, 1980) .

Particularmente, essa familia de modelos ten se apresentado tao eficiente que ja da resultados de natureza clinica, em previsoes de epidemias , tratamento de doenQas periodicas e previsoes de patologias em individuos e populaQoes .7

Apesar de tudo isso, todo 0 estudo reaizado dessa maneira pressupoe process os dinamicos rapidos, modelados por equaQoes diferenciais ordinarias nao lineares , con­ siderando que algumas variaveis do processo assumem valores estaveis , passando a fazer 0 papel de parametros .

A visao cronobiologica d o desenvolvimento e estabelecimento d e ciclos a o longo da vida nao faz parte desta abordagem, necessitando incluir equaQoes diferenciais adicionais, que levem em conta dinamicas lentas, relacionadas com variaQoes de pa­ rametros ao longo do tempo.

Assim, parece que a teoria dos sistemas dinamicos e ferramenta relativamente satisfatoria para a explicaQao de fen6menos biologicos, uma vez que pode lanQar mao de equaQoes diferenciais com escalas temporais diferentes .

Entretanto , ha uma questao que nao esta resolvida : a irreversibilidade dos pro­ cessos biologicos . A teoria dos sistemas dinamicos trata de situaQoes em que 0 sen­ tido da seta do tempo e irrelevante e, portanto, e incompativel com os process os bio­ logicos reais B

Talvez a soluQao para isso fosse uma combinaQao da teoria dos sistemas dina­ micos com a termodinamica, por meio de un enunciado adequado de sua segunda lei (Leff & Rex, 1 990) .

Outra opQao seria lanQar mao da teoria da informaQao de Shannon, construindo alguns conceitos do tipo entropia informacional, capazes de medir a inluencia do tempo na organizaQao dos parametros do sistema biologico. Nesse ponto, a ideia de auto-organizaQao, tao popular entre os biologos, pode agrupar-se aos conceitos bio­ matematicos que podem emergir.9

Imprevisibilidade: visao classica e quantica

Apesar de todos os pontos positivos e todas as perspectivas de bon usa das teorias matematicas discutidas anteriormente, resta ainda uma questao importante. Como modelar a imprevisibilidade nos process os biologicos, sua extrema sensibili­ dade as condiQoes intemas e do ambiente e, principalmente, a grande possibiidade de comportamentos que, embora parecidos, apresentam sempre uma variabilidade notavel?

7 Ruele, 1991 ; Gleick, 1 988 ; Bai-Lin, 1 990 ; Stewart, 1 989.

8 Gould , 1 987; Coveney & Highfield , 1 990; Prigogme & Stengers, 1 984.

9 Prigogine & Stengers, 1 984, 1 992 ; Shannon & Weawer, 1 949 ; Bohm & Peat, 1987; Atlan, 1 992.

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A teoria dos sistemas dinamicos tenta dar uma resposta a essas questoes por meio do conceito de caos deterministico , baseado na conjectura de Poincare, ja citada. Sistemas descritos por equa;;oes deterministicas apresentam, em razao de suas nao­ linearidades , comportamentos sensiveis as condi;;oes iniciais .

Isto e, duas condi;;oes iniciais praticamente identicas produzem, ao longo do tempo, respostas completamente diferentes, introduzindo, portanto, a imprevisibili­ dade e variabilidade desejadas nos modelos . A esse fenomeno ten sido dado 0 nome de caos deterministico . lO

Essa e uma maneira de explicar a questao da imprevisibilidade usando os mes­ mos fundamentos da mecanica classica, e lan;;ando mao de equa;;oes deterministicas.

Ha, entretanto, uma corrente de pesquisadores fortemente inclinados a tratar 0 problema de imprevisibilidade biol6gica por meio das ideias OIiginarias da mecanica quantica, introduzindo formalismos estocasticos no trato dos problemas (Berg, 1 99 1 ) . o ponto d e encontro dessas duas linhas d e raciocinio talvez seja a utiliza;;ao da teoria erg6dica, complementando a teoria de bifurca;;oes com un tratamento proba­ biistico dos parametros e dos estados, via equa;;oes diferenciais estocasticas (Haken, 1980) .

Conclus6es

Esse trabalho tentou apresentar, de maneira quaitativa, e sem recorrer a equa­ ;;oes , uma visao dos principais metodos da biomatematica, enfatizando a teoria dos sistemas dinamicos nao lineares , complementada com alguma ferramenta adicional, visando a contornar as dificuldades naturais impostas pela natureza dos process os bio16gicos .

Para a irreversibilidade, a segunda lei d a termodinamica; para a diversidade de escalas temporais, os conceitos de dinamica rapida e lenta.

A complexidade , necessitando incorporar conceitos formais de organiza;;ao bio-16gica e de sensibilidade as condi;;oes iniciais e de contorno, pode faze-Io pOI meio das ideias de caos deterministico e de abordagens quanticas.

Agradecimentos

Agrade;;o ao IEA-USP, ao Laborat6rio de Automa;;ao e Controle da EP-USP e ao Grupo Multidisciplinar de Ritmos Bio16gicos do ICB-USP, onde tenho encontrado respaldo para estudar biomatematica ; e ao Grupo de Auto-Organiza;;ao e Complexidade do CLE-HC da Unicamp, onde iniciei meu interesse pelo assunto.

10 Holden, 1 993; Ruele, 1 99 1 ; Gleick. 1 988 ; Bai-Lin, 1 9 9 0 ; Fiedler-Ferrara & Prado, 1 994; Ott, 1 993; Stewart, 1 989.

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PIOUEIRA, J. R. C . Biomathematics : methods and limits. TanslFormlA:ao (Sao Paulo), v. 19, p . 141 - 149, 1996 .

• ABSTRACT: Ths arile ties to give a general ision of the mathemaical mehods used to model

bioloical processes. here are two kinds of mehods: determinisics using dynamical systems theoy and probabilisics, using stochastic dfferenial equaions. However, three pOints can not be neglected for bioloical processes: complexi, unpreictabiity and iversity of time scales.

• EWORDS: Dnamical systems; complexiy; unpreictabiiy; dfferenial equaions; classical

mechanics; quantum mechanics; hermodynamic.

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