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Tratamento cirúrgico do pé torto inveterado com fixador externo.

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

de

atualizac¸ão

Tratamento

cirúrgico

do

torto

inveterado

com

fixador

externo

Rodrigo

Mota

Pacheco

Fernandes

a,∗

,

Maurilio

Darcy

dos

Santos

Mendes

a

,

Renato

Amorim

b

,

Marcus

Aurélio

Preti

c

,

Marcelo

Back

Sternick

d

e

Guilherme

Pelosini

Gaiarsa

e

aHospitalEstadualdaCrianc¸a,RiodeJaneiro,RJ,Brasil

bUniversidadeFederaldeSantaCatarina(UFSC),DepartamentodeOrtopedia,Florianópolis,SC,Brasil cHospitaldeUrgênciaeEmergênciaMetropolitanodeAnanindeua,Ananindeua,PA,Brasil

dHospitalFelícioRocho,BeloHorizonte,MG,Brasil

eUniversidadedeSãoPaulo,FaculdadedeMedicina,HospitaldasClínicas,InstitutodeOrtopediaeTraumatologia,SãoPaulo,SP,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem6deoutubrode2015 Aceitoem8deoutubrode2015

On-lineem19deabrilde2016

Palavras-chave:

Pétorto

Anormalidadescongênitas Fixadoresexternos Procedimentoscirúrgicos operatórios

Fixac¸ãoexterna

r

e

s

u

m

o

Opétortoinveterado(PTI)incluiemsuadefinic¸ãoumagamavariáveldedeformidades complexasdopérefratárioatratamentosconvencionaisoutratadosdeformainadequada. Diversasetiologiaspodemestarrelacionadas.OmétododeIlizarovéconsagradocomouma ferramentadetratamentodessasdeformidades,minimizadanosapartesmoles,através decorrec¸ãogradualdadeformidade,comaltoíndicedesucessoemrelac¸ãoàobtenc¸ãode umpéplantígradocomincidênciabaixaderecidiva.Asindicac¸õesdotratamentoincluem deformidadesgraveserígidas(DimeglioIIIeIV)ouemcondic¸õesdepeledesfavoraveis. Oexameclínicoeradiológicocriteriosoéfundamentalparaumplanejamentoadequadoea montagemdofixadorexterno.Astécnicasempregadasincluemaselec¸ãodasmontagensdo fixadorexterno,quepodeserfechada,quandoháconexãoentreperna,retroeantepé.Essa montagemfechadapodeserconstritaounão,quandoseoferecemasdobradic¸asouquando seesperausardobradic¸asanatômicasnaturaisduranteacorrec¸ãodadeformidade.A mon-tagemabertapermiteflexibilizaropéatravésdahistogênese,permitecorrec¸õesfechadas maisprecisasposteriormente.Osfixadoreshexapodaisrepresentaminovac¸õescomalto potencialdeprecisãonacorrec¸ãodedeformidades.Osprocedimentosassociadosàfixac¸ão externaincluemasliberac¸õesmiotendíneaseosprocedimentosósseos.Esses procedimen-tospermitemcorrec¸õesmaisanatômicasparagrausdiferentesdegravidadeerigidezde deformidade.Conclui-se,naanálisedassériesdecasos,queotratamentodopétorto inve-teradocomfixadorexternoapresentaumaltoíndicedebonseexcelentesresultados,com baixafrequênciadecomplicac¸ões.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

TrabalhodesenvolvidopeloComitêASAMI–FixadoresExternos,SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia(SBOT),SãoPaulo, SP,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](R.M.P.Fernandes).

http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2015.10.005

(2)

Surgical

treatment

of

neglected

clubfoot

using

external

fixator

Keywords:

Clubfoot

Congenitalabnormalities Externalfixators

Surgicalprocedures,operative Externalfixation

a

b

s

t

r

a

c

t

Thedefinitionofneglectedclubfoot(NC)includesavariablerangeofcomplexdeformities ofthefootthatarerefractorytoconventionaltreatmentsoraretreatedinappropriately. Severaletiologiesmayberelatedtothis.TheIlizarovmethodhasbecomeestablishedas atoolfortreatingthesedeformities.Itminimizessoft-tissuedamagethroughgradual cor-rectionofthedeformity,withahighsuccessrateinrelationtoachievingaplantigrade foot,withlowincidenceofrecurrence.Theindicationsfortreatmentincludesevererigid deformities(DimeglioIIIandIV),oradverseskinconditions.Carefulclinicaland radiologi-calexaminationisfundamentalforproperplanningandinstallationoftheexternalfixator. Thetechniquesusedincludeselectionofexternalfixationassemblies,whichcanbeclosed whenthereisaconnectionbetweentheleg,hindfootandforefoot.Thisclosedassembly mayormaynotbeconstricted,accordingtowhetherhingesareprovidedorwhetheruse ofthenaturalanatomicalhingesduringcorrectionofthedeformityisenvisaged.Anopen assemblymakesitpossibletoaddflexibilitytothefootthroughhistogenesis,whileallowing closedcorrectionsofgreaterprecisionlateron.Hexapodfixatorsareaninnovationwith highpotentialforaccuracyincorrectingdeformities.Proceduresassociatedwithexternal fixationincludesoft-tissuereleaseandboneprocedures.Theseproceduresenable correc-tionsthataremoreanatomical,fordifferentdegreesofseverityandstiffnessofdeformity. Itcanbeconcludedfromanalyzingthiscaseseriesthattreatmentofneglectedclubfoot usinganexternalfixatorhasahighrateofgoodandexcellentresults,withlowfrequency ofcomplications.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://

creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Otermo pé tortoinveterado(PTI) podeserinterpretado de diversas formas. Os termos em inglês que definem essa condic¸ão (neglected, resistant ou relapsed clubfoot negligenci-ado, resistente ourecidivado) incluem as prováveis situac¸ões relacionadas, o não tratamento, o tratamento inadequado, insuficienteoudescontinuado,oscasosresistentes(na mai-oriadasvezessindrômicosouteratológicos)ourecidivadose refratáriosaostratamentostradicionais,sejameles conserva-doresoucirúrgicos.1–3

Opétortoinveterado éumproblemacomumempaíses emdesenvolvimentoousubdesenvolvidos.Cercade80%das crianc¸asnascidascompétortocongênitonasceramempaíses emdesenvolvimento,muitosdessescomacessolimitadoe\ou tardioàsistemadesaúdeeespecialistascapacitadosparao tratamento.1,3,4

Otratamentocomusodefixadoresexternosseapresenta comoumaopc¸ãoconsagradaemdiversassériesdecasos.As principaisvantagensserelacionamaoaltoíndicedesucesso emdetrimentosàscomplicac¸õesfrequentes notratamento dessespésnascorrec¸õesagudas.Complicac¸õesessas princi-palmenterelacionadasàspartesmoles,vascularesedeferida operatória e recidivas. Assimcomo complicac¸ões determi-nadasportécnicasabertas (artrodeseseressecc¸õesósseas) em esqueletoimaturo. As indicac¸ões, variac¸ões técnicas e inovac¸õessãoapresentadasaseguir,pormeioderevisãodas sériesdecasospesquisadas.2,3,5,6

Indicac¸ões

Nãoháconsensoemquandoseconsiderarumpétortocomo inveteradoounãoeleitoatratamentosconservadores.1,2 Paci-entesadultosoucrianc¸ascomidadesuperioracincoanos,pés nãoredutíveisapósmanipulac¸õesegessosseriados,maisde trêstratamentoscirúrgicossemsucesso,sindrômicos (artro-gripose,sequeladedoenc¸as neuromusculares,síndromede Freeman-Sheldon, síndromede Streeter, síndrome de Mar-fan),pacientessubmetidosatratamentoscirúrgicosabertos complicadoscomnecrosedepartesmoleserecidivasão cri-térios relacionados àindicac¸ão dotratamento com fixac¸ão externa.2,3,5 Entretanto algunsdessescritérios são questio-náveisesubjetivos,principalmenterelacionadosàidade,ao númerodecirurgiaseaetiologias.Outrocritériodeselec¸ão paratratamentoéaclassificac¸ãopropostaporDiméglioetal., naqualosclassificadoscomograuIIIeIVestariameleitospara otratamento6,7(fig.1).

As etiologiasindicadas seriam sequelas(contraturas) de queimaduras, poliomielite,pétorto idiopáticorefratário ou não tratado,sequela de trauma, sequela de lesão neuroló-gicacentralouperiférica,sequelademeningiteesequelade discrepânciadecomprimentodosmembrosinferiores.2,3,5,8

Anatomopatologia

(3)

Classificação

Grau de classificação Tipo

Benigno I

II III IV

20

–20º

–20º

–20º

–20º 0º

0º 20º

20º

20º

20º 90º

90º

90º 90º

45º

90º–45º 4

3 2

1 1

1 1 1 45º–20º

20º–0º <0º to –20º

45º

45º

45º

= 4 = 3 = 2 = 1 (<5) (=5<10) (=10<15) (=15<20) 23

35 12 Moderado

Grave Muito grave

Frequência (%) Escore

pontos pontos pontos ponto

Avaliação de equino no plano sagital

Avaliação de derotação do bloco calcaneo-podal no plano horizontal

Avaliação do antepé em relação ao retropé no plano horizontal

Prega posterior Prega medial

Cavo

Condição muscular pobre Avaliação do pé torto congenito segundo escale de gravidade

Características:

Reproducibilidade Pontos Pontos

Características Outros parâmetros

Avaliação de varo no plano frontal

Figura1–Classificac¸ãodeDimeglio(Fonte:Tripathyetal.12).

clássicas do PTC até deformidades pós-traumáticas, hipo ou hipercorrec¸ões de tratamentos prévios. Dessa forma, se faz necessária criteriosa análise das deformidades e da mobilidade articular, do ponto de vista clínico e radi-ológico, para adequada compreensão tridimensional da deformidade e consequente planejamento pré-operatório.

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Fechado

Constricto

Aberto

Não Constricto

Figura2–Tiposdemontagem.

fatores, pela contratura einserc¸ão maismedial do tríceps sural,nãoapresentaimportantesalterac¸õesemsuaanatomia. Ascontraturasarticularesmediais,oencurtamentodos liga-mentosdeltoide,tibionavicularecalcâneo-navicularplantar. Oencurtamentodostendõestibialposterior,flexorlongodo hálux,flexorlongodosdedosemúsculosabdutordoháluxe dafásciaplantaréumpontoimportantesdaanatomia pato-lógicadopétortonacompreensãodadeformidadeedeseu tratamento.1–3,9

Exameclínicoeradiológico

Oexame clínicodoPTIdeve registrar asdeformidadeseo arco de movimento em graus. Determinar onde as defor-midades principais se apresentam, os pontos de inserc¸ão dedobradic¸as.Éimportanteavaliardiscrepânciade compri-mentodemembrosedeformidadesrotacionaisouangulares associadas.1,2

Oexameradiográficoincluiprojec¸õesdopéem anteropos-terior(AP) eperfilcomesemcarga.Dessaforma podemos

avaliar as deformidades osteoarticulares e determinar os ângulosimportantes noplanejamentooperatório,osápices dasdeformidades,assimcomoanalisaredocumentarsua fle-xibilidade,pormeiodacomparac¸ãodosexamescomesem carga. Os parâmetros radiológicos mais empregados nessa avaliac¸ãosãooângulotalocalcaneanoemAPeperfil(Kite), talo-ImetatarsonoAP,talo-Imetatarsonoperfil(de Meary--Tomeno) e inclinac¸ão do calcâneo(pitch do calcâneo).4,5,9 Fridman eSodré10 chamam aatenc¸ão da relac¸ão articular talo navicular no AP como preditivo estatisticamente sig-nificativo de bom resultado na análise pós-operatória da correc¸ãodepéplano.Muitasvezesadeformidademultiplanar limita aavaliac¸ão radiológicaprecisa demuitas das defor-midades presentes, necessita de avaliac¸ões subsequentes, durante correc¸ão gradual.Outrosexames complementares, comoatomografiacomputadorizadaouaressonâncianuclear magnética,podemserúteisnodiagnósticodeanquiloses, coa-lisõesedeformidadesestruturaisdoselementosdotarso.2,11

Técnicacirúrgica

Atécnicacirúrgicarelacionadaàcorrec¸ãodoPTIcomfixador externo circular podeser dividida em dois subitens: mon-tagens, por meio das quais se executa a histogênese por distrac¸ãogradual,eprocedimentosassociados(osteotomias eprocedimentosdepartesmoles).

Montagens

OfixadorexternodeIlizarovpermiteamplagamade monta-gensetécnicas.Todasasmontagenspropostassãoformadas pormódulosoublocos,quefuncionamcomopartesdofixador externo.Osmódulossãodapernaepé.Esseúltimopodeser dividoemmódulosdistintosparaoretro,mediopéeantepé.O primeiropontorelevanteéadefinic¸ãodepontosdecorrec¸ão pormeiodaidentificac¸ãodosápicesdasdeformidades.Dessa forma,estabelececomoosmódulosvãointeragirnacorrec¸ão dadeformidade.Osistemapodesercriadoeestabelecerde formarestritaessespontosdecorrec¸ãooudeformamaislivre. Dessaforma,podemosclassificarasmontagenscomoabertas

(5)

Figura4–Montagemcomsistemafechadonãoconstricto.

oufechadas.Easfechadasemconstritasounãoconstritas (fig.2).2,3,5,8

Montagemaberta

Montagem naqual o módulo da perna se posiciona como elementofixo,exercedistrac¸ãoindependentesobremódulos noretroeantepé,semconexãoentreessesmódulos.Nesse sistemaaberto adistrac¸ão exerce um efeito como se esti-vesse“abrindoouexpandindo”opé,sobrepartesmoles ou osteotomiasfeitas nocalcâneo,mediopéoutornozelo.Essa técnica,pornãodeterminarospontosdecorrec¸ão,pode deter-minarcorrec¸õesempontosnãonecessariamenteadequados paratal.Essatécnicaébemempregadaemcasosnosquaiso objetivonãorepresentaumacorrec¸ãoanatômicada deformi-dade,masaobtenc¸ãodeumpéplantígrado,mesmoquecom prejuízodefunc¸ãoarticular.Tambéméempregadoem defor-midades graves emultiplanares,que após correc¸ão parcial com atécnica abertapode serconvertido emuma monta-gemfechada,jácomápicesmaisbemdefinidos.Porseruma montagemmenosestável,ébemempregadaemcorrec¸õesde PTIempacientes comdistúrbiosdesensibilidade, comoos portadoresdesequelademielomeningocele(fig.3).2,5

Montagemfechadanãoconstrita

Nessa, os módulos do retro e antepé estão conectados. Acorrec¸ãosefazentreoscomponentespormeiode “moto-res”(barrasrosqueadasqueexercemdistrac¸ãogradualentre os módulos). Entretanto, não é definido o ponto exato de dobradic¸as(ápices dedeformidades). Acorrec¸ãose estabe-lecepormeiodeprováveisdobradic¸asnaturais.Porexemplo, acorrec¸ãodadeformidadeemequinopormeiodedistrac¸ão posteriorentreomódulodapernaedoretropé,semdefinir adobradic¸anaarticulac¸ãotibiotársica.Esse tipode monta-gemincorreemriscoelevadodecorrec¸õesnãoanatômicas. Noexemplocitadoanteriormenteemrelac¸ãoaoequino, pos-sibilitacorrec¸õesquepodemlevaràsubluxac¸ãodotálusou àcorrec¸ãodoequinodemaneiraimpróprianomediopé,que criaumadeformidadeemrocker-bottom(fig.4).2,5

Montagemfechadaconstrita

Seriaamontagemnaqualsedefinemospontosdecorrec¸ão pormeiodosápicesdasdeformidades.Asdobradic¸assão cri-teriosamenteposicionadas,buscamumacorrec¸ãoanatômica. Sãomaiscomplexasdoqueasanterioresemrelac¸ãoà monta-gem,masoferecemmelhorprognósticoemrelac¸ãoàfunc¸ão,à

(6)

Figura6–Correc¸ãodedeformidadecomposicionamento dedobradic¸asemtornozeloemediopé,comosteotomia mediotársicanavículo-cuboide.

medidaqueocirurgiãopodeconstruirmontagensquelevem acorrec¸ões,previnamsubluxac¸õesepromovamartrodiastase associada2,3,5(figs.5e6).

Fixadoresguiadosporsoftware(hexapodais)

Osfixadoresguiadosporsoftwareoferecemgrandeprecisãona correc¸ãodedeformidades,podemserenquadradocomoum sistemafechadonãoconstritopormeiodoqualacorrec¸ãose fazpormeiodeseisbarras(hexapodal)comgrandepotencial decorrigirdeformidadescomplexas.2

Técnicaseprocedimentosassociados

Distrac¸ãohistogênica. Adistrac¸ãopodeserexercidaem diver-sospontossimultaneamente.Maisumavez,sefaznecessário relacionar prioridades, escala de gravidade das deformida-desemontagem.Oritmoeaperiodicidadedosprocessosde distrac¸ãosãoclassicamentedescritoscomo0,25mmdeseis emseishoras.2,3,5Entretanto,emcorrec¸ãoangularé impor-tanteobservaradistânciaentre adobradic¸a, oselementos emquesedesejaexercerdistrac¸ão(umfocodeosteotomia porexemplo)epossíveisestruturassobreriscodadistrac¸ão (comoapeleouonervotibialemcorrec¸õesdeequino-varo).5 Aperiodicidadeéfundamentalparaminimizarosdanos cria-dospeladistrac¸ãoeevitarlesõesdepartesmoles.2–5,8Tripathy

etal.12apresentamsériede15casosnaqualfizeramacorrec¸ão doPTIdeacordocomasequênciadecorrec¸ãode deformi-dades conformeos princípiosestabelecidospor Ponsetino tratamentodopétortocongênito.Asdeformidadessão cor-rigidasnasequênciacavo,aducto,varoeequino.Osreferidos autores,apesardacasuísticapequena,mostrambons resul-tadosclínicosefuncionais,comreduc¸ãode11,7noscorede DimeglioeresultadofinalcomscoredeLaavegePonsetide 75,47(figs.7e8).

Tenotomiaseliberac¸õesmiotendíneas

As liberac¸ões miotendíneas representam controvérsias na literaturaemrelac¸ãoaquandofazê-las.Agravidadeda defor-midadeeograuderigidezparecemserelementofundamental nasuaindicac¸ão.Entretanto,oslimitesdagravidadee rigi-dezquenorteiamaartrodiastasefechada,aassociac¸ãocom tenotomiasouaindaousodeosteotomiasaindasãoobjeto dediscussão.2,3,5,8Nospacientescomesqueletoimaturo,até 10 ou 12 anos, tem vantagens com essa abordagem, que minimizadanosrelacionadosaodesenvolvimentoeao cres-cimentodosossosdotarsoemetatarso.5,13Osprocedimentos de partes moles nos pés com deformidades graves (Dime-glio IIIeIV), noscasosrecidivadosdetratamentos prévios, associados alesões neurológicas ou doenc¸as neuromuscu-lareseartrogripose,parecemtermemelhorresultado,com menorsobrecarganosistemaouaindamenorincidênciade complicac¸ões, deformidades residuais e recidivas,além da reduc¸ão dotempodecorrec¸ãodopé,emcomparac¸ãocom o tratamento fechado.2,5,7,8 Asliberac¸ões miotendíneassão indicadas conforme a necessidade e percepc¸ão no exame físico. Normalmenteincluema tenotomiadotendão calcâ-neo, que pode ser feita aberta ou percutânea (técnicas de HokeouWhite),eafasciotomiaplantar.Outrastenotomias incluematenotomiadeflexorlongodohálux,dosdedose tibialposterior,quedamesmaformapodemserfeitascom técnicaspercutâneasouminimamenteinvasivas,completaou emZ.Atenotomiapercutâneadosflexoresdosdedosehálux habitualmente é feita de forma percutânea na articulac¸ão interfalangeanadosdedoscomumalâminadebisturi tama-nhono15.2–5,7,8,14,15

Astransferênciastendinosassãousadasparaanalisar etio-logicamenteasdeformidades,assimcomoartrodeses,quando sepercebeumdesbalanc¸omuscularquepoderálevarà reci-divapós-retiradadofixadorexterno.2,5

Retrac¸õesdermossubcutâneaspodemserabordadas tam-bémpreviamentecomexpansoresdepeleou,noatocirúrgico, comzetaplastia,esãosubmetidasaposteriorhistogênesecom ofixadorexternodamesmamaneiraqueosoutrostecidos.5

Procedimentosósseoseosteotomias

As osteotomias do pé estão indicadas principalmente em esqueletosmaduros(acimade10-12anos)emdeformidades graves(DimeglioIIIeIV)eempéextremamenterígidos.5,13

(7)

Figura7–Correc¸ãosimultâneadasdeformidades(varo,aducto,supinac¸ãoeequino).

Podem ser feitas percutâneas (com pré-broqueamento ou serradeGigli)ouabertas2,4,5,8,14,16(fig.6).

Asartrodesesassociadasounãoaressecc¸õesdecunhas,e atémesmoaressecc¸ãoóssea,comoamuitoempregada cuboi-dectomiaoutalectomia,sãoprocedimentosassociadoscada vezmaisrestritosquandoseoptaportratamentoscom fixa-dorexterno.Essesprocedimentosseapresentammaiscomo opc¸õesaotratamentocomfixadorexterno.2,5Acuboidectomia associadaaprocedimentosdepartesmolesapresentabons resultadosnasériepublicadaporFaldinietal.17

Outros procedimentos ósseos associados que podem e devemserconsideradosindiretamentecomrelac¸ãoàcorrec¸ão dadeformidadedopéeàsuamanutenc¸ãoseriamacorrec¸ão dediscrepânciadecomprimentodosmembrosinferiores,por meiodoalongamentoósseo(ligadodiretamenteàrecidivade equino)edeosteotomiasderrotatórias.3–5,8

Pós-operatórioecomplicac¸ões

Usodeimobilizac¸ãogessadaporseissemanas,seguidopor órteseportrêsaseismeses.15,18

Otempodefixadorexterno,considerandoasséries referi-das,variouentredoisa14meses,commédiasquevariaram entrecincoenovemeses.3,4,8,15,16,18Refaietal.11apresentam série com19 casos de pés corrigidos com fixador de Iliza-rov,comtempodeusodecincosemanaseposteriorusode imobilizac¸ãogessadaincluindoosfiosdomediopé,durantea

fasedeconsolidac¸ão.Osautoresreferembonsresultadosem 16casoscombaixoíndicedecomplicac¸õeserecidivas.11

As complicac¸ões descritas são: infecc¸ão em trajetos de pinos,complicac¸õesdeferidaoperatória,contraturase defor-midadesdededos(garra),fraturadatíbiadistal,complicac¸ões vasculares, subluxac¸ão metatarsofalangeana, consolidac¸ão prematura das osteotomias, anquilose espontânea, artrose sintomática,rigidez,recidivaoudeformidaderesidual.15

(8)

Figura8–Deformidadecomplexadopé.Sequela desíndromecompartimental.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

e

f

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n

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Referências

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