DEPARTAMENTO DE F´ISICA TE ´ORICA E EXPERIMENTAL PROGRAMA DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM F´ISICA
Efeitos de Interface em Bicamadas
Magn´
eticas
Gustavo de Oliveira Gurgel Rebou¸cas
Orientador: Prof. Dr. Artur da Silva Carri¸co
Co-orientadora Profa. Dra. Ana L´ucia Dantas
Disserta¸c˜ao apresentada `a Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em F´ısica.
Ao meu pai Francisco de Assis de O. Rebou¸cas e `a minha m˜ae Maria de F´atima G. Rebou¸cas
Ao Prof. Artur da Silva Carri¸co pelo apoio e confian¸ca em mim depositado. Pela orienta¸c˜ao firme na qual em simples conversas aprendo mais sobre ciˆencia e sobre a vida.
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A Prof a. Ana L´ucia Dantas, um grande marco na minha vida acadˆemica. Pela sua orienta¸c˜ao sempre presente e segura com quem sempre tenho algo a aprender.
A todos osprofessores do Departamento de F´ısica da UFRN que contribuiram para a minha forma¸c˜ao nesta mestrado.
A todos osfuncion´arios do Departamento de F´ısica da UFRN, em particular C´elina Pinheiro, os quais se dedicam bastante a n´os e `a esta institui¸c˜ao.
Aosprofessores e colegas do Departamento de F´ısica da UERN - Mossor´o. Onde dividimos bons momentos na minha gradua¸c˜ao.
A todos os colegas desta p´os-gradua¸c˜ao, pela agrad´avel convivˆencia. Em particular J´ulio C´esar Pereira Barbosa e Hidalyn Theodory Clemente Mattos de Souza
os quais em conversas agrad´aveis dividimos nossos conhecimentos e aprendemos f´ısica.
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A todos os componentes do grupo de magn´etismo e materiais magneticos: Aline Gomes, Amanda Karine, Andr´e Stuwart, Carlyle Nalena, Erica Lira,´
Jonatas dos Santos, Juliana Fernandes, Rosana Maria e Vamberto Dias.
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Uma equipe na qual me orgulho em estar nela.
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A meus amigos Carlos Orleans, Ana Ces´aria eArtur, como exemplo de fam´ılia e sinsera amizade, foram um apoio durante este mestrado.
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AC´ıntia Emanuelle Oliveira de S´a por todo seu carinho, compreens˜ao e torcida pelo meu sucesso.
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Estudamos os efeitos de rugosidade magn´etica em interfaces F/AF. Dois tipos de rugosi-dade foram considerados. O primeiro consiste de defeitos isolados que dividem o substrato em duas regi˜oes, cada qual com uma sub-rede do antiferromagneto. O acoplamento de troca, atrav´es da interface, ´e considerado uniforme, o campo efetivo de interface apresenta uma mudan¸ca s´ubita de sentido na linha de defeitos, favorecendo a nuclea¸c˜ao de uma parede de N`eel. Nossos resultados indicam que h´a um limiar de espessura, dependente da intensidade do campo de interface, para o qual a magnetiza¸c˜ao do filme ferromagn´etico se reorienta na dire¸c˜ao perpendicular ao eixo f´acil do AF. Perfis angulares mostram como a magnetiza¸c˜ao relaxa, espacialmente, do estado de parede de dom´ınio de N`eel, na interface, para o estado de reorientado, na superf´ıcie. A presen¸ca de campo aplicado perpendicular ao eixo de anisotropia do AF, favorece o estado reorientado. Para campo aplicado ao longo do eixo de anisotropia do AF, o perfil de magnetiza¸c˜ao pode evoluir de uma parede de N`eel, na interface, para o estado uniforme perpendicular ou paralelo ao campo apli-cado, na superf´ıcie. O segundo trata defeitos distribu´ıdos, periodicamente, na forma de ilhas quadradas. Fizemos uma caracteriza¸c˜ao das curvas de histerese, do deslocamento da histerese e da coercividade como fun¸c˜ao da intensidade do campo de troca e do padr˜ao de rugosidade da interface. Nossos resultados indicam que efeitos dipolares, nesse padr˜ao de rugosidade na interface, diminuem o deslocamento da histerese e coercividade.
Abstract
We study magnetic interface roughness in F/AF bilayers. Two kinds of roughness were considered. The first one consists of isolated defects that divide the substrate in two regions, each one with an AF sub-lattice. The interface exchange coupling is considered uniform and presents a sudden change in the defects line, favoring Neel wall nucleation. Our results show the interface field dependence of the threshold thickness for the reorien-tation of the magnetization in the ferromagnetic film. Angular profiles show the relaxation of the magnetization, from Neel wall, at the interface, to reoriented state, at the surface. External magnetic field, perpendicular to the easy axis of the substrate, favors the reori-ented state. Depending, of the external magnetic field intensity, parallel to the easy axis of the AF, the magnetization profile at surface can be parallel or perpendicular to the field direction. The second one treats of distributed deffects, periodically. The shape hysteresis curves, exchange bias and coercivity were characterized by interface field intensity and roughness pattern. Our results show that dipolar effects decrease the exchange bias and coercivity.
Agradecimentos ii
Resumo iv
Abstract v
1 Introdu¸c˜ao 1
2 Bicamadas Magn´eticas 4
2.1 Introdu¸c˜ao . . . 4
2.2 Interfaces Compensadas . . . 7
2.2.1 Substratos Compensados . . . 7
2.2.2 Substratos AF vicinais . . . 12
2.2.3 Rugosidade em (F/AF) . . . 19
2.3 Substrato AF n˜ao Compensados . . . 24
2.4 Conclus˜oes . . . 26
3 Relaxa¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao 28 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 28
3.2 Descri¸c˜ao do modelo . . . 29
3.3 Reorienta¸c˜ao da Superf´ıcie . . . 33
3.3.1 Reorienta¸c˜ao Para Campo Nulo . . . 33
3.3.2 Reorienta¸c˜ao Para Campo Aplicado→----Hz . . . 36
3.3.3 Reorienta¸c˜ao Para Campo Aplicado→----H⊥z . . . 39
3.4 Conclus˜oes . . . 39
´INDICE vii
4 Efeitos de Rugosidade de Interface F/AF 42
4.1 Introdu¸c˜ao . . . 42
4.2 O Filme F . . . 43
4.3 O Substrato AF . . . 45
4.4 Energias Envolvidas . . . 46
4.5 Curvas de magnetiza¸c˜ao . . . 47
4.6 Coercividade . . . 51
4.7 Deslocamento da Histerese . . . 55
4.8 Efeitos Dipolares . . . 55
4.9 Conclus˜oes . . . 60
5 Conclus˜oes e Perspectivas 62 A Aproxima¸c˜ao por C´elula 65 A.1 Defini¸c˜ao . . . 65
A.2 C´alculo das Energias . . . 66
A.2.1 Energia de Troca . . . 66
A.2.2 Energia de Anisotropia . . . 66
A.2.3 Energia de Interface . . . 67
A.2.4 Energia Dipolar . . . 68
2.1 Curva de histerese para part´ıculas de Co/CoO com temperatura T = 77K ap´os a amostra exposta ao campo de refriamento [8]. . . 5 2.2 Figura esquem´atica de uma c´elula unit´aria tipobcc . . . 8 2.3 Figura esquem´atica de uma c´elula unit´aria tipof cc . . . 8
2.4 Figura esquem´atica de uma estrutura bcc, mostrando diferentes planos e provav´eis planos de interface . . . 9 2.5 Campo de deslocamento da histereseHE como uma fun¸c˜ao do campo de resfriamento
Hf c a um temperatura T = 10K para amostras com FeF2 crescidos a uma temperatura
TS = 200oC(), TS = 250oC(∇), TS = 300oC(). O gr´afico inserido mostra curvas de magnetiza¸c˜ao da amostra crescida a TS = 300oC para os campos Hf c = 2kOe(◦) eHf c = 70kOe(•) a T = 10K.(J. Nogues, D. Lederman, T. J. Moran e I. K. Shuller, Phys. Rev. Lett. 76, 4624 (1996)). . . 11 2.6 (a) Picos de espalhamento de Raio X no F eF2(002) para uma bicamada F eF2−F e.
(b)Picos de espalhamento de raio-X para o substrato MgO(200). As varreduras foram feitas sem remover a amostra do goniˆometro. ω foi corrigido pela diferen¸ca entre os ˆangulos detectores para as duas reflex˜oes. O gr´afico inserido em (a) mostra a geometria
do espalhamento. No detalhe (b) temos os dom´ınios gˆemeos da interface do
antiferro-magneto na interface FeF2/Fe, regi˜oes com dois dom´ınios magn´eticos do FeF2, com eixo f´acil ([001]) no plano, e perpendiculares entre si. (Phys. Rev. Lett. 76, 4624 (1996)) . . 13
LISTA DE FIGURAS ix
2.7 Vis˜ao esquem´atica da estrutura da tricamada Fe/Cr/Fe, onde a espessura do Cr ´e vari´avel. As setas mostram a dire¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao em cada dom´ınio o ˆangulo real da cunha ´e da ordem de 10−3
graus. A direita compara¸c˜ao entre a dire¸c˜ao da magne-tiza¸c˜aoMy do substrato e do filme ambos ferromagn´etico. As regi˜oes claras mostram a magnetiza¸c˜aoMy positiva. Note a linearidade no ordenamento da mudan¸ca no sinal da magnetiza¸c˜ao do filme devido ao espa¸cador de Cr em forma de cunha. (J. unguris and R. J. Celotta and D. T. Pierce, Phys. Rev. Lett. 67, 148 (1991)) . . . 14 2.8 Figura esquem´atica de uma superf´ıcie vicinal de uma estruturabcc . . . 15
2.9 Diferen¸ca de acoplamento magn´etico na camada de Fe na tricamada. Acima para a cunha de Cr crescida (2.7 ML/min) e abaixo (7.2 ML/min). Acima a temperatura de crescimentodoCr´e mais elevada. A imagem acima e abaixo apresenta ´area: 300×280 e 350×290µm (J. Unguris and R. J. Celotta and D. T. Pierce, Phys. Rev. Lett. 67, 148 (1991)) . . . 15 2.10 A esquerda a geometria e anisotropia para a monocamada magn´etica sobre um substrato
vicinal n˜ao-magn´etico, os degraus s˜ao peri´odicos e separados por uma distˆancia L, onde se percebe a localiza¸c˜ao das duas anisotropias. `A direita diagrama de fase para as histereses mostradas na figura 2.11 do filme magn´etico vicinal. (Phys. Rev. B, 58, 1998.) 16 2.11 Os diversos tipos de curvas de histerese em diferentes fases indicadas no diagrama da
Fig. 2.10. Os parˆametros de escala para cada curva s˜ao: I, K = 1.25, L = 0.5; IIa,
K = 1.25, L = 2.0; IIb, K = 1.1, L = 2.0; IIc, K = 0.5, L = 0.25; III, K = 0.5,
L= 0.725; IV, K= 0.5,L= 2.0;(Phys. Rev. B, 58, 1998.) . . . 17 2.12 Imagem de um filme de cobalto sobre uma substrato de LaFeO3 (AF) onde se pode
visualizar os defeitos as duas subredes expostas do AF bem como a nuclea¸c˜ao de dom´ınios no cobalto. Esta imagem foi poss´ıvel gra¸cas ao diferente dicroismo das duas estruturas [3]. 20 2.13 Vis˜ao esquem´atica de uma rugosidade em um filme usado no trabalho da referˆencia.
Indica a geometria das ilhas e sua periodicidade, as setas indicam os eixos de anisotropia local(A. Moschel and R. A. Hyman and A. Zangwill and M. D. Stiles, Phys. Rev. Lett. 77, 3653 (1996)) . . . 22 2.14 Campo de Coercividade HC/HSW obtido pra uma filme com a geometria da Fig. 2.13
2.15 Perfil da magnetiza¸c˜ao para L=32, D=64 no estado remanente (H = 0). As linhas indicam o contorno das ilhas. Esta configura¸c˜ao ´e repetida periodicamente em todo o plano. . . 24 2.16 Perfil da magnetiza¸c˜ao para L=32, D=64 paraH/HSW =−0.077. As linhas indicam a
vizinhan¸ca entre duas ilhas. Esta configura¸c˜ao se reproduz periodicamente em todo o plano. . . 24 2.17 Diagrama esquem´atico da configura¸c˜ao dos spins de uma bicamada F/AF. De (i) at´e
(iv) ilustra¸c˜ao da curva da histerese deslocada. Note a configura¸c˜ao dos spins devido ao acoplamento [23]. . . 25 3.1 Representa¸c˜ao de uma parede de dom´ınio gerada por um defeito no substrato AF, h´a
uma relaxa¸c˜ao espacial da magnetiza¸c˜ao do filme F `a medida que os monocamadas se afastam da interface. A largura da parede de dom´ınio cresce com a distˆancia da interface at´e que a magnetiza¸c˜ao esteja uniforme na superf´ıcie do filme. . . 30 3.2 O perfil angular de uma bicamada F/AF com 15 planos. O n´umero em cada curva indica
cada plano, iniciando comn= 1 pr´oximo `a interface, a posi¸c˜ao (y) ´e normalizada pela largura da parede de dom´ınio no primeiro plano (∆1). O campo de interface e o campo
de anisotropia s˜ao hIN T = 0.5 ehA = 0.1, respectivamente. No detalhe ´e mostrado o limiar da espessura para o SR. O n´umero em cada curva indica o valor dehA. . . 34 3.3 Perfil angular para 27 planos,hIN T = 0.5 ehA = 0.01, conforme o detalhe (Fig. 3.2),
para estes parˆametrost∗= 27. . . . 36
3.4 Largura da parede de dom´ınio, ∆n, para um filme F de 20 camadas. ∆n ´e mostrado em unidades da largura da parede da interface (n= 1). As curvas com c´ırculo fechados:
hA = 0.1 e abertos: hA = 0.01. Os n´umeros sobre as curvas indicam os valores do campo de interfacehIN T. As curvas s˜ao reduzidas po um fator de 2×10
5
parahA= 0.1 e 102
parahA= 0.1. . . 37 3.5 Perfil da magnetiza¸c˜ao parahIN T = 0.5 ehA = 0.1, note que a orienta¸c˜ao da
magne-tiza¸c˜ao da superf´ıcie ocorre comθ = 0. No detalhe a t∗ em fun¸c˜ao de H os c´ırculos
fechados indicahIN T = 0.5 e os abertoshIN T = 0.3. . . 38 3.6 Perfil da magnetiza¸c˜ao parahIN T = 0.5,hA = 0.1 e H = 0.001, note que a orienta¸c˜ao
LISTA DE FIGURAS xi
3.7 Limiar da espessurat∗ em fun¸c˜ao do campo de interface. Temos 4 valores de campo
aplicado indicado na figura. Para todas curvashA= 0.1 . . . 40 4.1 Figura esquem´atica da c´elula unit´aria do filme F, representado por uma conjunto de
c´elulas de ladoa= 10nm. O comprimentoa´e menor que o comprimento de troca do Fe. A estrutura ´e peri´odica no planoxz. A anisotropia do filme F ´e bem menor que a do AF, podendo o mesmo apresentar dom´ınios magn´eticos. Na figura temos uma ilustra¸c˜ao disto uma vez que longe do centro os momentos est˜ao na dire¸c˜aoze no centro na dire¸c˜aox. 44 4.2 Vis˜ao esquem´atica de uma fra¸c˜ao do plano de interface do substrato AF, mostrando
as duas subredes expostas. A estrutura ´e peri´odica, temos no esquema quatro c´elulas magn´eticas da interface. D ´e distˆancia entre o centro das ilhas e L ´e o tamanho das ilhas. A periodicidade tanto do filme F como do substrato AF ´e dada por D. . . 45 4.3 Diagrama dos modos de magnetiza¸c˜ao do filme F em fun¸c˜ao do acoplamento de interface
e dos diversos padr˜oes de rugosidades do AF. (I) Histereses do tipo (CR). (II) A revers˜ao
da magnetiza¸c˜ao apresentam um estado intermedi´ario nas proximidades deH = 0. (III) Histereses tipo la¸co duplo. (IV) N˜ao h´a histerese. . . 48 4.4 Curva de magnetiza¸c˜ao paraHJ= 3.2HaeL/D= 0.4. A direita perfil de magnetiza¸c˜ao
para campo igual a 2.4Ha e a esquerdaH = 2.1Ha. . . 50 4.5 Detalhes da magnetiza¸c˜ao paraL/D= 0.7 eHJ= 2.8Ha. No perfilao campo aplicado ´e
H= 0.05Ha, emb,c, ed H=−0.02Ha,H =−0.07HaeH =−0.19Harespectivamente. Note que emca magnetiza¸c˜ao ´e nula. No detalhe abaixo a posi¸c˜ao no diagrama de fase para a magnetiza¸c˜ao das figuras 4.4, 4.5 e 4.6. . . 50 4.6 Perfis para campos iguais a 0.8Ha eHarespectivamente, L/D= 0.8 eHJ = 3.3Ha . . 50 4.7 T´ıpica curva de magnetiza¸c˜aoCR, mostrando os campos de revers˜ao da magnetiza¸c˜ao,
H1eH2, o campo coercivoHCe o deslocamento da histereseHB. As equa¸c˜oes nos d˜ao
o campo coercivo (a) e o deslocamento da histerese (b). . . 52 4.8 Campo coercivo em fun¸c˜ao de f para D = 20. Os c´ırculos fechados representam
4.9 Deslocamento do centro da histerese em fun¸c˜ao do campo de anisotropia e da rugosidades
f, o deslocamento ´e linear a medida que f aumenta sendo e nulo para f = 0.5, onde o campo efetivo de interface ´e nulo. A linha cont´ınua ´e um ajuste para os pontos calculados autoconsistentemente. . . 56 4.10 Perfis do campo de interface do AF para diversas rugosidades sobre o filme F, abaixo
suas respectivas curvas de magnetiza¸c˜ao. `A medida que a raz˜ao f se aproxima de 0.5 o deslocamento diminui, sendo nulo em f = 0.5. Nas curvas de magnetiza¸c˜ao est˜ao indicado o campo coercivo (a) e o campo deslocado (b). A rugosidade ´ef = 0.09 (a),
f = 0.25 (b) e f = 0.5 (c). O deslocamento de cada uma dessas rugosidades est˜ao indicadas na figura 4.7 . . . 57 4.11 Curva de magnetiza¸c˜ao com campo dipolar paraHIN T =HA, o eixo vertical ´e a
mag-netiza¸c˜ao em fun¸c˜ao da magmag-netiza¸c˜ao de satura¸c˜ao paraD= 20 eL/D= 0.7, interface aproximadamente compensada (f ≈ 0.5). A curva escura foi constru´ıda sem campo magnetost´atico produzindo uma rota¸c˜ao coerente. . . 58 4.12 Curva de magnetiza¸c˜ao com campo dipolar paraHIN T =HA, o eixo vertical ´e a
mag-netiza¸c˜ao em fun¸c˜ao da magmag-netiza¸c˜ao de satura¸c˜ao. Foi usadoD = 20 eL/D = 0.7, interface aproximadamente compensada (f ≈0.5). Os valores do campo externo s˜ao (a)
H= 0, (b) H=−0.32HA, (c) H =−1.28HA e (b)H =−1.44HA. . . 59 A.1 Figura esquem´atica da c´elula unit´aria Jef f representa o acoplamento entre c´elulas. O
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
Materiais magn´eticos aplicados em tecnologia de dispositivos de grava¸c˜ao, leitura e ar-mazenamento de dados s˜ao hoje respons´aveis por imensos esfor¸cos de estudos na ´area de f´ısica da mat´eria condensada. A descoberta do fenˆomeno da magnetoresistˆencia gi-gante (GMR) [1] tem at´e hoje provocado grande desenvolvimento e concentra¸c˜ao de diversas pesquisas nesta ´area. A produ¸c˜ao de estruturas magn´eticas na forma de filmes desde monocamada at´e multicamadas, a descoberta da varia¸c˜ao oscilat´oria na intera¸c˜ao de troca usando espa¸cadores met´alicos n˜ao magn´eticos [2], a correla¸c˜ao entre a interface antiferromagn´etica (AF) rugosa e o filme ferromagn´etico (F) sobre ela crescido [3], e um grande n´umero de descobertas tˆem conduzido a um intenso estudo te´orico e experimental de uma extraordin´aria variedade de estruturas nas ´ultimas trˆes d´ecadas.
A interface entre duas estruturas magn´eticas, respons´avel pelo acoplamento, desem-penha um papel importante tanto sua topologia, capaz de expor duas subredes [3, 4] ou no caso de um substrato n˜ao magn´etico incluir anisotropia extra na fronteiras de degraus topol´ogicos [5, 6], quanto na intensidade deste acoplamento [4, 7], capaz de nu-clear dom´ınios magn´eticos em filmes crescidos sobre estas estruturas. Logo a interface pode provocar fenˆomenos como deslocamento da histerese [8], redu¸c˜ao da coercividade [4], dentre outros.
A anisotropia uniaxial pode ser qualitativamente entendida considerando o acopla-mento de troca entre interfaces F/AF. A anisotropia de uma camada magn´etica pode ser significativamente modificada, dependendo do substrato e da t´ecnica de crescimento da estrutura [9], podendo apresentar deslocamento de histerese em diferentes dire¸c˜oes [10].
O interesse no deslocamento da histerese ´e antigo [8], e tem recebido recentemente a aten¸c˜ao de diversos trabalhos [11, 12]. Contudo modelos te´oricos ainda n˜ao s˜ao capazes de descrever completamente o quadro, Um aspecto b´asico ´e a dificuldade de medir o intensidade do campo de troca de contato F/AF. A medida de magnetiza¸c˜ao ´e uma m´edia de todo o filme e n˜ao informa sobre o valor local da intera¸c˜ao de troca n˜ao revelando o car´ater microsc´opico da natureza da interface.
A exposi¸c˜ao de duas subredes numa interface AF uniaxial pode ser controlada pela vicinalidade da superf´ıcie, assim o ˆangulo de vicinalidade ´e o respons´avel pela periodi-cidade da exposi¸c˜ao de cada terra¸co com momentos magn´eticos apontando em sentidos opostos. Substratos AF vicinais podem induzir paredes de dom´ınio num filme F cen-tradas nas bordas dos degraus atˆomicos que separam regi˜oes de magnetiza¸c˜ao opostas ao substrato. Filmes finos de Fe foram recentemente crescidos sobre filmes de Cr em forma de cunha, sobre um substrato espesso de Fe. Nessa geometria, abaixo da temperatura de N`eel do Cr, foi poss´ıvel examinar o efeito simultˆaneo do acoplamento entre os filmes de Fe, atrav´es da cunha de Cr, e o efeito da intera¸c˜ao de contato entre o filme de Fe e a superf´ıcie vicinal do Cr [2].
No cap´ıtulo 2 apresentamos uma s´erie de estudos de bicamadas magn´eticas o qual dividimos em dois tipos substrato: antiferromagn´etico e n˜ao magn´etico. Os substratos AF foram caracterizado pela sua magnetiza¸c˜ao l´ıquida de interface. Substratos n˜ao magn´etico s˜ao caracterizados com respeito `a topologia capaz de inserir anisotropia de degrau no filme F sobre ele crescida [6, 13, 14, 15].
Quanto um defeito na interface de um substrato AF pode afetar um filme F, o n´umero de monocamadas afetadas e como se comporta cada monocamada `a medida que se afas-tam da interface s˜ao problemas relevantes uma vez que o defeito pode n˜ao ser “visto”na surpef´ıcie do filme F dependendo da espessura do filme. No Cap´ıtulo 3 foi feito um estudo deste tipo de interface e observado o comportamento do filme F.
CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO 3
Bicamadas Magn´
eticas
2.1
Introdu¸
c˜
ao
Estruturas magn´eticas artificiais s˜ao cr´ıticas para o progresso da ind´ustria magneto-eletrˆonica. A partir do estado da arte de crescimento de materiais nano-estruturados, foram desenvolvidos dispositivos de alta densidade de grava¸c˜ao magn´etica. Como a ne-cessidade de armazenar mais informa¸c˜oes em espa¸cos cada vez menores cresceu durante os ´
ultimos anos, devido, principalmente, aos avan¸cos da ´area computacional, pesquisadores em todo o mundo tˆem se concentrado no estudo de propriedades magn´eticas deste tipo de sistema.
O crescimento exponencial da densidade de grava¸c˜ao e a demanda por dispositivos de leitura cada vez mais r´apidos tem colocado a tecnologia no limiar de barreiras funda-mentais, associadas com as propriedades microsc´opicas de materiais magn´eticos. O limite superparamagn´etico, por exemplo. Isso tem contribu´ıdo para aproximar progressivamente o trabalho desenvolvido na ind´ustria da pesquisa efetuada nas universidades.
Tem sido observado em estruturas magn´eticas nanom´etricas, que um substrato antifer-romagn´etico pode alterar, significativamente, as propriedades de um filme ferantifer-romagn´etico. Por exemplo, em dispositivos de v´alvula de spin, onde o substrato ´e usado para estabilizar a camada ferromagn´etica de referˆencia [1]. Substratos n˜ao magn´eticos podem ainda influ-enciar o filme F uma vez que os mesmos podem introduzir defeitos t´opologicos no filme F provocando uma distribui¸c˜ao de anisotropia extra nas fronteiras dos defeitos[5, 6, 13, 14]. Propriedades magn´eticas de um filme F, coercividade e susceptibilidade por exemplo,
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 5
Figura 2.1: Curva de histerese para part´ıculas de Co/CoO com temperaturaT = 77Kap´os a amostra exposta ao campo de refriamento [8].
s˜ao alteradas quando o filme F se encontra acoplado a um substrato AF, desse modo a estrutura da interface bem como a intensidade do acoplamento tem um papel de extrema importˆancia nestas estruturas.
Uma das propriedades mais intrigantes, em bicamadas F/AF, ´e o deslocamento da histerese, conhecido na literatura espec´ıfica comoExchange Bias. Esse efeito foi primeira-mente observado em 1956 por Meiklejohn e Bean quando estudavam part´ıculas de Co envolvidas por seu ´oxido CoO [8], figura 2.1.
O deslocamento do centro da curva de histerese de H = 0 para o campo H = −HE,
foi atribuido a uma “nova anisotropia magn´etica”[8]. Este fenˆomeno aparece quando a amostra ´e resfriada, a partir de uma temperatura maior do que a temperatura de N`eel do antiferromagneto (TN) e menor que a temperatura de Curie do ferromagneto (TC), na
presen¸ca de um campo magn´etico aplicado.
n˜ao nula, prende o filme de modo a retardar sua satura¸c˜ao no ramo negativo da histerese enquanto que a satura¸c˜ao no outro sentido ´e favorecida pela interface ficando o centro da curva deslocado no sentido oposto ao do campo aplicado pela interface AF. Assim, a revers˜ao da magnetiza¸c˜ao ocorre quando o campo aplicado H for:
H =HA−HE (2.1)
onde HA ´e o campo de anisotropia do material ferromagn´etico. No outro limite do ciclo
de histerese o campo de revers˜ao da magnetiza¸c˜ao ´e dado por :
H =−HA−HE. (2.2)
De acordo com as aqua¸c˜oes Eq.2.1 e Eq. 2.2 o acoplamento atrav´es da interface produz um campo que ´e somado negativamente ao campo de anisotropia intr´ınseco do ferromagneto. O deslocamento da histerese ´e exclusivamente negativo. E portanto, o deslocamento da histerese tem a intensidade do campo de troca entre o material F e o material AF. Estudos recentes apresentam deslocamentos da histerese em interfaces com-pensadas, HE(l´ıquido) = 0 [16], assim como deslocamentos positivos [10]. Isto mostra
que a descri¸c˜ao desse fenˆomeno n˜ao ´e necessariamente t˜ao simplificada. Resultados ex-perimentais evidenciam que o fenˆomemeno do deslocamento da histerese em bicamadas F/AF ´e uma fun¸c˜ao de muitas vari´aveis e ainda n˜ao h´a uma explica¸c˜ao definitiva para tal fenˆomeno.
Considerando que o campo de intera¸c˜ao atrav´es da interface ´e de origem Coulombiana e de natureza quˆantica, o campoHE, em princ´ıpio, deveria ser da ordem do campo de troca
intr´ınseco do F. Por´em, valores t´ıpicos do deslocamento da histerese s˜ao muito menores que o campo de troca intr´ınseco do material ferromagn´etico [17, 18, 19, 9], sugerindo que a topologia da interface ´e um parˆametro relevante no estudo dessas estruturas.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 7
2.2
Interfaces Compensadas
Uma interface ´e dita compensada quando sua magnetiza¸c˜ao l´ıquida em contato com o filme F ´e nula. Esta compensa¸c˜ao poder´a ocorrer em substratos onde o AF ´e crescido de tal forma que a o plano exposto a interface apresente magnetiza¸c˜ao l´ıquida nula, por exemplo nas estruturas tipobcccrescidos em dire¸c˜oes (110), figura 2.4, como podemos ver esta compensa¸c˜ao se d´a microscopicamente em antiferromagnetos vicinais, figura 2.8 ou em interfaces rugosas figura 2.12 podemos ter exemplos de compensa¸c˜ao macrosc´opica.
2.2.1
Substratos Compensados
A magnetiza¸c˜ao por planos de um material antiferromagn´etico depende da orienta¸c˜ao cristalogr´afica da sua interface. Compostos de estrutura cristalina como os difluore-tos, FeF2 e MnF2, tem sua estrutura cristalina c´ubica de corpo centrado (bcc), onde
a c´elula unit´aria possui dois c´ations Mn++
(ou Fe++
) e quatro ˆanions F−[20]. Na Fig.2.2 mostramos que para empilhamento de planos [110], temos a magnetiza¸c˜ao paralela ao plano, e para o empilhamento de planos [001] a magnetiza¸c˜ao possui componente perpen-dicular do plano. Consequentemente, este sistema pode se tornar mais complexo. Nesta situa¸c˜ao os efeitos magnetost´aticos, localmente, podem ser relevantes. Nos limitaremos a discutir a ordem magn´etica de filmes antiferromagn´eticos, de MnF2 e FeF2, crescidos na
dire¸c˜ao (101).
Outra estrutura cristalina de interesse ´e a c´ubica de face centrada (f cc). Esta ´e a estrutura cristalina do cloreto de s´odio NaCl, t´ıpica dos mon´oxidos. Neste caso a c´elula unit´aria magn´etica ´e duas vezes a c´elula unit´aria qu´ımica. A Fig. 2.3 mostra a representa¸c˜ao esquem´atica da estrututra cristalina magn´etica dos mon´oxidos.
A estrutura dos mon´oxidos, como podemos ver, ´e um pouco mais complexa que a estrutura dos difluoretos. Os momentos magn´eticos do NiO, est˜ao ao longo do plano [111][21].
Qualquer ´ıon magn´etico de Ni++
, possui seis primeiros vizinhos paralelos e seis an-tiparalelos, al´em de seis segundos vizinhos antiparalelos. As intera¸c˜oes entre primeiros e segundos vizinhos, s˜ao liga¸c˜oes onde os ´ıons de Ni2+
s˜ao conectados por um ´ıon in-termedi´ario de O2−
Figura 2.2: Figura esquem´atica de uma c´elula unit´aria tipobcc
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 9
Figura 2.4: Figura esquem´atica de uma estrutura bcc, mostrando diferentes planos e provav´eis planos de interface
mais importantes, que produzem o antiferromagnetismo, s˜ao devido `as intera¸c˜oes entre os segundos vizinhos[21]. Nos mon´oxidos os empilhamentos que produzem superf´ıcies compensadas, s˜ao os empilhamentos de planos nas dire¸c˜oes (110), (001) e (110). Para o empilhamento na dire¸c˜ao (110) os spins, no caso do NiO, est˜ao fora do plano. Ent˜ao, por simplicidade, vamos nos concentrar nos filmes crescidos nas dire¸c˜oes (001) e (110). Estes empilhamentos possuem uma distribui¸c˜ao nos planos, de primeiros e segundos vizinhos, completamente diferentes. Em ambas as dire¸c˜oes os spins est˜ao no plano.
Para uma interface de uma estrutura cristalina tipo bcc, figura esquem´atica 2.4, ex-pondo o plano (110), teremos uma superf´ıcie perfeitamente compensada, com magn´etico l´ıquido por unidade ´area nulo para fra¸c˜oes da amostra em escala nanom´etrica. No caso de uma rugosidade a compensa¸c˜ao pode ocorrer microscopicamente, quando a ´area de duas sub-redes expostas foorem diferentes.
traba-lho original de Meiklejohn e Bean[8], onde deslocamento da histerese ´e exclusivamente negativo, trabalhos recentes mostram que o deslocamento da histerese em um filme fer-romagn´etico sobre um substrato antiferfer-romagn´etico pode ser positivo ou negativo[10]. I. K. Schuller e colaboradores mostraram, recentemente, que o deslocamento da histerese aparece quando a amostra, um material ferromagn´etico crescido sobre um material an-tiferromagn´etico, ´e resfriada, a partir da temperatura de N`eel do AF, na presen¸ca de um campo magn´etico externo aplicado. Foi mostrado que o deslocamento da histerese ´e fun¸c˜ao da intensidade do campo aplicado no processo de resfriamento e da qualidade da produ¸c˜ao da interface que ´e definida pela temperatura. Em algumas amostras foi verifi-cado deslocamento de histerese positivo para altos campos magn´eticos de resfriamento. Ver Fig. 2.5.
Deslocamento positivo da histerese ´e mostrado em uma bicamada Fe/FeF2 crescida
sobre um substrato de MgO[100][22]. A caracteriza¸c˜ao da amostra foi feita via espalha-mento de raio X. Os picos do espalhaespalha-mento rasante de raio X de compriespalha-mento de onda λ= 1.4518˚A s˜ao mostrados na Fig. 2.6(a). No detalhe da figura 2.6 (a) ´e mostrado a ge-ometria do espalhamento. A figura 2.6(a) mostra a varredura no ˆangulo ω com o ˆangulo de espalhamento θ fixado pela condi¸c˜ao de Bragg da fam´ılia de planos Fe/FeF2(002)
(2Θ = 55.54◦), revelando assim uma simetria C4. A simetria C4 revela a presen¸ca de dom´ınios gˆemeos no plano. A Figura 2.6(b) corresponde a reflex˜ao de Bragg que ´e dada por 2Θ = 42.91◦. A diferen¸ca de 45◦ entre os picos de espalhamento de raios X no plano FeF2(002) e MgO(200) revelam que dom´ınios gˆemeos no plano FeF2(110), com rela¸c˜ao ao
substrato MgO, s˜ao dados por FeF2[001] MgO[110] e FeF2 [110] MgO[110], conforme
insetna Fig.2.6(b). Consequentemente existem regi˜oes na interface do FeF2 com dom´ınios
magn´eticos ao longo do eixo f´acil e perpendiculares entre si.
A figura 2.5 mostra como o deslocamento da histerese ´e fun¸c˜ao do campo de resfria-mentoHf c em determinadas temperaturas, no detalhe da figura 2.5 temos duas histereses
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 11
Figura 2.5: Campo de deslocamento da histereseHEcomo uma fun¸c˜ao do campo de resfriamentoHf c a um temperatura T = 10K para amostras com FeF2 crescidos a uma temperatura TS = 200oC(),
TS= 250oC(∇),TS = 300oC(). O gr´afico inserido mostra curvas de magnetiza¸c˜ao da amostra crescida a TS = 300oC para os camposHf c = 2kOe(◦) eHf c = 70kOe(•) aT = 10K.(J. Nogues, D. Lederman, T. J. Moran e I. K. Shuller, Phys. Rev. Lett. 76, 4624 (1996))
muito abaixo da temperatura de Curie do ferromagn´etico, e o limite superior do intervalo muito acima da temperatura de N`eel do antiferromagn´etico, a ordem magn´etica do filme ferromagn´etico neste processo dever´a se manter.
Em consequˆencia disso, o filme antiferromagn´etico, durante o processo de resfriamento da amostra, fica mais sujeito ao campo magn´etio aplicado e ao campo de troca atrav´es da interface. Em outras palavras, a ordem magn´etica do antiferromagneto ´e dependente da intensidade do campo aplicado bem como a temperatura no qual o processo ´e realizado.
do campo externo aplicado durante o processo de resfriamento mostrando novamente a dependˆencia do campo de interface no processo definindo o deslocamento da histerese.
2.2.2
Substratos AF vicinais
Substratos vicinais tem sido recentemente bastante explorados devido ao avan¸co na constru¸c˜ao deste tipo de interface, bem como o aparecimento de novas propriedades magn´eticas induzidas em filmes finos ferromagn´eticos crescidos sobre este tipo de sub-strato [6].
As superf´ıcies vicinais antiferromagn´eticas s˜ao compensadas por natureza, pois a mesma exp˜oe ambas as subredes do material de referˆencia de forma que o momento magn´etico l´ıquido da superf´ıcie ´e nulo. Isto ocorre devido `a estrutura cristalogr´afica, por exemplo, de um antiferromagneto tipo bcc, no qual ficam expostas as monocamadas com momentos magn´eticos antiparalelos, sendo os tamanhos dos terra¸cos iguais, como mostrado na figura 2.8.
A figura 2.8 mostra um esquema de uma superf´ıcie vicinal de um antiferromagneto (bcc) onde as duas subredes s˜ao expostas periodicamente. A largura LT de cada terra¸co
exposto na superf´ıcie do substrato antiferromagn´etico ´e fun¸c˜ao do ˆangulo de vicinalidade α.
J. Unguriset al[2] mostraram como o acoplamento de troca entre o filmes de Fe varia em fun¸c˜ao da espessura do espa¸cador de cromo, usando uma amostra em forma de cunha provocando oscila¸c˜oes no sinal do acoplamento `a medida que a espessura da cunha muda. Desse modo, com uma “tricamada”Fe/Cr/Fe(100) se tem diversas espessuras.
Na figura 2.7, vemos a figura esquem´atica da amostra e a imagem da magnetiza¸c˜ao do filme Fe acima e abaixo a imagem da magnetiza¸c˜ao do substrato Fe. No substrato h´a duas regi˜oes com magnetiza¸c˜ao em sentidos opostos, enquanto que no filme fino acima da cunha de Cr h´a regi˜oes cuja magnetiza¸c˜ao oscila de acordo com a espessura do espa¸cador de cromo.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 13
Figura 2.6: (a) Picos de espalhamento de Raio X no F eF2(002) para uma bicamada F eF2−F e.
(b)Picos de espalhamento de raio-X para o substrato MgO(200). As varreduras foram feitas sem remover a amostra do goniˆometro. ωfoi corrigido pela diferen¸ca entre os ˆangulos detectores para as duas reflex˜oes. O gr´afico inserido em (a) mostra a geometria do espalhamento. No detalhe (b) temos os dom´ınios gˆemeos
Figura 2.7: Vis˜ao esquem´atica da estrutura da tricamada Fe/Cr/Fe, onde a espessura do Cr ´e vari´avel. As setas mostram a dire¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao em cada dom´ınio o ˆangulo real da cunha ´e da ordem de 10−3
graus. A direita compara¸c˜ao entre a dire¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao My do substrato e do filme ambos ferromagn´etico. As regi˜oes claras mostram a magnetiza¸c˜ao My positiva. Note a linearidade no ordenamento da mudan¸ca no sinal da magnetiza¸c˜ao do filme devido ao espa¸cador de Cr em forma de cunha. (J. unguris and R. J. Celotta and D. T. Pierce, Phys. Rev. Lett. 67, 148 (1991))
crescimento da cunha de cromo altera a periodicidade do acoplamento. Na parte superior da figura 2.9 est´a a magnetiza¸c˜ao para o crescimento, a temperatura maior que a da parte inferior da figura. Foi obtida uma nova ordem magn´etica para o filme de ferro na qual o per´ıodo de oscila¸c˜ao passa agora a ser bem maior que o anterior, para a nova medida, a temperatura maior durante a produ¸c˜ao, influenciou drasticamente a qualidade cristalogr´afica da cunha de Cr, mudando o acoplamento com o filme F, como ´e visto na Fig. 2.9. Nesta nova amostra para espessura do cromo maior que 1.5nmo per´ıodo de oscila¸c˜ao do campo de troca em fun¸c˜ao da espessura do da cunha passa a ser igual ao parˆametro de rede do Cr (0.288nm), ou como mostrado na Fig. 2.9 para cada monocamada do Cr. Sendo o ˆangulo de vicinalidade α = 10−3◦ e o parˆametro de rede do Cr λ = 0.288nm ´e poss´ıvel calcular a largura dos terra¸cos na interface do Cr, sendo o mesmo uma estrutura do tipo bcc. A largura LT dos terra¸cos ser´a dada por:
LT =
λ
2tanα (2.3)
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 15
Figura 2.8: Figura esquem´atica de uma superf´ıcie vicinal de uma estruturabcc
dos terra¸cos neste experimento ´e da ordem de 8.25µm, fato que indica que uma amostra com mais de 30 monocamadas com este ˆangulo de vicinalidade ter´a 30 terra¸cos desta largura, sendo a superf´ıcie da cunha entre 300 µm e 500 µm como na figura 2.9. A estrutura desses dom´ınios exibe uma boa correspondˆencia com os terra¸cos que se formam na superf´ıcie vicinal do cromo em contato com o filme de Fe. Tendo os terra¸cos adjacentes momentos magn´eticos opostos, isto pode indicar uma intera¸c˜ao local tipo Heisenberg entre dois materiais. Tratando-se de dois metais a intera¸c˜ao de contato tem validade discut´ıvel. Entretanto as medidas evidenciam uma curiosa correspondˆencia com o modelo simples de intera¸c˜ao de contato.
Figura 2.10: A esquerda a geometria e anisotropia para a monocamada magn´etica sobre um substrato vicinal n˜ao-magn´etico, os degraus s˜ao peri´odicos e separados por uma distˆancia L, onde se percebe a localiza¸c˜ao das duas anisotropias. `A direita diagrama de fase para as histereses mostradas na figura 2.11 do filme magn´etico vicinal. (Phys. Rev. B, 58, 1998.)
A vicinalidade pode tamb´em influenciar diretamente a estrutura magn´etica do filme magn´etico. A presen¸ca dos degraus atˆomicos produz uma distribui¸c˜ao peri´odica da anisotropia magn´etica ao longo dos degraus. A influˆencia de um substrato vicinal n˜ao magn´etico ´e descrita por R. A. Hyman it et al [6]. Neste trabalho ´e considerado um filme magn´etico ultrafino depositado sobre um substrato n˜ao-magn´etico em forma de degraus como ´e visto na figura 2.10. O substrato n˜ao-magn´etico serve de moldura para que o filme apresente degraus. Neste modelo a superf´ıcie com anisotropia c´ubica se encontra sobre os terra¸cos, entre os degraus, enquanto que na fronteira entre os terra¸cos h´a uma anisotropia uniaxial, ao longo da linha que divide os degraus. O campo externoH´e aplicado perpen-dicularmente a esta linha. N˜ao s˜ao consideradas contribui¸c˜oes magnetost´aticas.
Neste trabalho ´e constru´ıdo um diagrama onde ´e atribu´ıda uma fase para cada tipo de loop de histerese os tipos de histereses s˜ao mostrados na Fig. 2.11.
Foi escolhido as unidades onde o parˆametro de rede a ´e um e J, K4, K2 e H tem
unidades e energia, para recuperar a dimens˜ao ´e feito como nas referˆenciass [15, 5], divide-se K4 e K2 por a2, e H por µ, onde µ ´e o momento magn´etico atˆomico. O diagrama de
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 17
Figura 2.11: Os diversos tipos de curvas de histerese em diferentes fases indicadas no diagrama da Fig. 2.10. Os parˆametros de escala para cada curva s˜ao: I, K= 1.25, L= 0.5; IIa, K = 1.25, L= 2.0; IIb,
K= 1.1,L= 2.0; IIc, K= 0.5,L= 0.25; III,K= 0.5,L= 0.725; IV,K= 0.5,L= 2.0;(Phys. Rev. B, 58, 1998.)
do degrau,σ=√2JK4´e a energia da parede de dom´ınio eW =
J/2K4´e o comprimento
de troca.
S˜ao produzidos assim seis fases:
Na fase I rota¸c˜ao de todos os momentos magn´eticos se d´a continuamente at´e a satura¸c˜ao total na dire¸c˜ao do campo externo. No diagrama de fase da Fig. (2.10), o contorno da fase I pr´oximo ao lado direito, os spins pr´oximos aos degraus giram mais facilmente (pela varia¸c˜ao do campo externo) do que os spins do centro dos terra¸cos. N˜ao h´a histerese, i.e., a rota¸c˜ao dos spins ´e aproximadamente igual para o aumento e para a diminui¸c˜ao do campo entre a duas satura¸c˜oes. Isto se d´a quando os terra¸cos est˜ao muito pr´oximos ou para anisotropia de degrau muito alta, ou seja, anisotropia perpendicular ao campo aplicado ´e fator dominante na magnetiza¸c˜ao.
dos degraus em resposta ao torque do campo aplicado. H´a a forma¸c˜ao de uma parede de dom´ınio entre o degraus e o restante do terra¸co. A barreira de energia dependente do campo externo ∆DW separa as duas configura¸c˜oes onde os spins apresentam uma diferen¸ca
de aproximadamente 90◦. Ao diminuir o campo a partir da satura¸c˜ao positiva h´a uma pequena rota¸c˜ao uniforme pr´oximo a HT, at´e atingir o campo HS, ∆DW → 0, onde s˜ao
geradas paredes de dom´ınio, a partir deste campo tem-se novamente uma rota¸c˜ao uniforme passando dela origem, onde os dom´ınios sobre os terra¸cos aumentam at´e o campo atingir H = −HT, onde h´a novamente uma pequena rota¸c˜ao r´apida, mas o sistema n˜ao fica
saturado precisando ainda de um decr´escimo no campo at´e atingir a satura¸c˜ao negativa; A fase IIb difere da fase IIa pelo fato de HT > HN e ao final o ´ultimo salto da
mag-netiza¸c˜ao provocar a satura¸c˜ao. Note que os terra¸cos de ambas s˜ao de mesmo tamanho, por´em a fase IIa tem anisotropia maior, sendo este um dos fatores para a maior diferen¸ca entre HT e HS, implicando tamb´em que nas ´ultimas rota¸c˜oes coerentes o sistema atinge
a satura¸c˜ao;
A fase IIc ocupa uma parte do diagrama de fase onde o produto KL ´e maior que 1, A revers˜ao ´e melhor descrita pela rota¸c˜ao coerente, na extremidade da histerese, havendo assim uma real competi¸c˜ao entre a anisotropia dos degraus e dos terra¸cos, sendo este um ponto de transi¸c˜ao onde a histereses descrever˜ao caminhos distintos perdendo desta forma, a magnetiza¸c˜ao, a mem´oria de onde do aumento e da diminui¸c˜ao do campo aplicado;
Na fase III as histereses j´a apresentam uma certa coercividade, esta fase ocupa uma pequena parte do diagrama de fase, a anisotropia do degrau ´e pequena o suficiente para que seja preciso um campo negativo para executar a revers˜ao, diferentemente da fase IIc; A fase IV ´e caracterizada por HN < −HT visto que ocorre somente um salto da
magnetiza¸c˜ao, mudando coerentemente desde a satura¸c˜ao positiva at´e a negativa. Nesta fase, tem-se ou terra¸cos grandes L → ∞ para a sua maior anisotropia ou para pequenos terra¸cos a anisotropia dos degraus ´e pequena K → 0 para L → 0, desse modo o sistema tem rota¸c˜ao coerente, e a anisotropia dos terra¸cos ´e dominante.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 19
2.2.3
Rugosidade em (F/AF)
A rugosidade magn´etica em interface F/AF pode dar origem a uma interface completa-mente ou parcialcompleta-mente compensada. O processo de crescimento de nanoestruturas anti-ferromagn´eticas pode dar origem a defeitos topol´ogicos, onde as duas sub-redes do AF s˜ao exibidas na interface. Esses defeitos podem se apresentar, na superf´ıcie AF, na forma de arranjos peri´odicos ou aleat´orios. A topologia da superf´ıcie do AF define a interface em uma bicamada F/AF e, consequentemente, o campo efetivo de troca do AF sobre o filme F.
Dependendo da intensidade do campo e da natureza da interface, o perfil de mag-netiza¸c˜ao do filme F poder´a ser extremamente alterado. E o que foi observado´ recentemente[3] em um filme fino de Co sobre um substrato antiferromagn´etico rugoso de LaFeO3, crescido sobre um substrato de SrTiO3 (001), na figura 2.12 ´e poss´ıvel identificar
os dom´ınios magn´eticos do LaFeO3 e do Co. A amostra foi preparada por epitaxia de feixe
molecular [9] a uma temperatura abaixo de 750◦C, submetidos a uma press˜ao de 5×10−6
Torr. O mapeamento da interface foi feito atrav´es da t´ecnica de microscopia eletrˆonica de transmiss˜ao convencional (TEM), e mostrou que o filme epitaxial deLaF eO3 consiste
de dois dom´ınios cristalogr´aficos caracterizado pelas orienta¸c˜oes do eixo−c ao longo das dire¸c˜oes [001] e [010] do SrTiO3 no plano da superf´ıcie. A figura 2.12 mostra imagens do
espectro da estrutura de dom´ınios no filme AF de LaFeO3 e do filme de Co com
espes-sura igual a 1.2nmsobre substrato AF. O contraste magn´etico, figura 2.12 (a) mostra os dom´ınios AF do LaFeO3, nas regi˜oes claras os momentos magn´eticos est˜ao orientados
hor-izontalmente e nas regi˜oes escuras verticalmente. Conforme o gr´afico na parte inferior da Fig. 2.12 (a), n˜ao se pode por esta t´ecnica identificar o sentido dos momentos magn´etico do AF. J´a a figura 2.12 (b) exibe trˆes regi˜oes identific´aveis correspondendo aos dom´ınios do filme ferromagn´etico verticalmente para cima (escuro) e para baixo (branco), e hor-izontalmente (cinza). Por esta figura ´e poss´ıvel identificar a influˆencia do substrato no filme sobre ele crescido, assim olhando apenas para oCo se pode ter uma expectativa da
Figura 2.12: Imagem de um filme de cobalto sobre uma substrato de LaFeO3 (AF) onde se pode
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 21
O acoplamento da interface Co/LaFeO3 causa um deslocamento local da histerese nos
dom´ınios individuais do Co devido a presen¸ca dos defeitos no antiferromagneto, expondo o Co `as duas subredes, assim para uma amostra com rugosidade n˜ao compensada teremos um deslocamento da histerese como sendo o somat´orio destes deslocamentos locais de toda a amostra.
Alguns modelos descrevem a rugosidade no pr´oprio filme ferromagn´etico, sendo a topologia do material respons´avel pelo surgimento de efeitos interessantes, e n˜ao o acopla-mento F/AF .Em trabalhos recentes [15, 13], h´a a forma¸c˜ao de um degrau monoatˆomico como ilhas quadradas distribu´ıdas periodicamente ao longo de todo o filme, neste modelo as fronteiras dos degraus apresenta um acr´escimo da anisotropia perpendicular ao degrau, semelhante a referˆencia [6], no entanto, a anisotropia neste trabalho ´e perpendicular ao degrau.
Moshel e colaboradores [15], considerou a magnetiza¸c˜ao no plano paralelo `a interface em uma temperatura, T = 0. O modelo considera um filme ultrafino ferromagn´etico com uma estrutura cristalina c´ubica simples, apresentando ilhas quadradas distribu´ıdas periodicamente ao longo da superf´ıcie do filme sobre um substrato n˜ao magn´etico.
´
E considerado uma distribui¸c˜ao peri´odica de ilhas quadradas que tem a altura de uma monocamada magn´etica, de lado L e seus centros est˜ao a uma distˆancia D, nas dire¸c˜oes da anisotropia c´ubica dos terra¸cos, conforme a figura 2.13. Na fronteira de cada ilha temos anisotropia uniaxial perpendicular ao degrau monoatˆomico. O perfil da rugosidade da interface ´e caracterizada pela raz˜ao L/D. Por esta raz˜ao temos um modelo cl´assico em duas dimens˜oes onde o momento magn´etico de um spin Si ´e proporcional a espessura
lateral do s´ıtio i. Sendo a energia magn´etica ´e dada por:
E = −
<i,j>
Jijcos(ϑi−ϑj)−a
2
i
Ki
2Sicos
2
ϑi
−a2
i
Ki
4Sicos
2
2ϑi−µH
i
cos(ϑi−ϕ) (2.4)
Onde o ˆanguloϑi indica a dire¸c˜ao do vetor momento magn´etico Si relativo a dire¸c˜ao [001],
Jij =Jmin[Si, Sj]2 ´e a energia de troca entre os primeiros vizinhos da posi¸c˜ao i e j, K2i
especifica a intensidade da anisotropia uniaxial extra nas fronteiras dos degraus, Ki
4 ´e a
Figura 2.13: Vis˜ao esquem´atica de uma rugosidade em um filme usado no trabalho da referˆencia. Indica a geometria das ilhas e sua periodicidade, as setas indicam os eixos de anisotropia local(A. Moschel and R. A. Hyman and A. Zangwill and M. D. Stiles, Phys. Rev. Lett. 77, 3653 (1996))
magn´etico atˆomico e o H ´e o campo magn´etico, no plano, orientado a um ˆangulo ϕ com rela¸c˜ao `a dire¸c˜ao [001]. Neste modelo, n˜ao ´e considerada a contribui¸c˜ao de intera¸c˜ao dipolar.
Os parˆametros do material implicam em paredes de dom´ınio com largura W ≃
J/2K4 ≃ 200a, indicando que a magnetiza¸c˜ao muda lentamente na rede. Por esta
raz˜ao, o sistema pode ser transformado para ser representado como a soma dos s´ıtios atˆomicos Si da Eq.2.4 representado por um bloco de spins que mudam de orienta¸c˜ao da
mesma forma. Foi escolhido blocos quadrado de lado b onde b ∼ W/20a ´atomos com momento magn´etico. Cada bloco de spins ter´a magnetiza¸c˜ao igual a m´edia de todos os ´atomos nele contido, do mesmo modo para a superf´ıcie, descrevendo como antes toda a interface, assim a Eq.2.4 ´e renormalizada garantindo que o m´etodo reproduzir´a toda a interface sem grandes perdas em rela¸c˜ao a antes da transforma¸c˜ao.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 23
Figura 2.14: Campo de Coercividade HC/HSW obtido pra uma filme com a geometria da Fig. 2.13 em fun¸c˜ao de L/D para diferentes tamanhos de ilhas. (A. Moschel and R. A. Hyman and A. Zangwill and M. D. Stiles, Phys. Rev. Lett. 77, 3653 (1996))
Na figura 2.14 temos um dos resultados da Ref.[15] onde o campo coercivo HC,
norma-lizado pelo campo de Stoner e Wohlfarth HSW. A coercividade ´e calculada para histereses
com rota¸c˜ao coerente, e ´e fun¸c˜ao do padr˜ao da rugosidade, controlado pelo valor de L/D. Foram escolhidas trˆes distˆancias de separa¸c˜ao entre as ilhas D=32, D=64, D=128, e calcu-lados os campos coercivos para cada padr˜ao de interface. Note que para “ilhas”pequenas, ou distˆancias entre elas grande, tem-se a aproxima¸c˜ao modelo de Stoner e Wohlfarth, ou seja L/D≃0, temos a rota¸c˜ao em HC =HSW.
Na figura (2.15) temos o perfil da magnetiza¸c˜ao do filme para H = 0. Vemos que a remanˆencia da magnetiza¸c˜ao se d´a devido a anisotropia dos degraus que impedem o alin-hamento com o campo dos momentos magn´eticos em sua proximidade. J´a a figura (2.16) mostra a configura¸c˜ao dos momentos magn´eticos para um campo aplicado horizontal-menteH/HSW =−0.077, por´em ´e mostrado agora a fronteira entre duas ilhas tendo uma
Figura 2.15: Perfil da magnetiza¸c˜ao para L=32, D=64 no estado remanente (H = 0). As linhas indicam o contorno das ilhas. Esta configura¸c˜ao ´e repetida periodicamente em todo o plano.
Figura 2.16: Perfil da magnetiza¸c˜ao para L=32, D=64 paraH/HSW =−0.077. As linhas indicam a vizinhan¸ca entre duas ilhas. Esta configura¸c˜ao se reproduz periodicamente em todo o plano.
2.3
Substrato
AF
n˜
ao Compensados
Um substrato AF perfeitamente n˜ao compensado ´e aquele onde a interface do antifer-romagneto cont´em spins de apenas uma subrede. ´E esperado que os efeitos de interface sejam consider´aveis, sendo m´axima a densidade de momento magn´etico do plano da inter-ace AF. Uma situa¸c˜ao semelhante a essa ´e o caso da rugosidade n˜ao compensada por´em trataremos dela posteriormente.
O caso mais simples para um substrato n˜ao compensado ocorre quando o mesmo apresenta magnetiza¸c˜ao de interface diferente de zero, com todos os momentos magn´eticos do plano de interface apontando no mesmo sentido. Esse ´e o caso do difluoreto de ferro (FeF2) e de manganˆes(MnF2) que s˜ao estrutura tipo bcc, se o mesmo for crescido de
forma que na interface estejam expostos os planos (010) ou (100). A interface apresentar´a magnetiza¸c˜ao uniforme em todo o plano da interface, Fig. 2.4.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 25
´
E aplicado um campo em uma temperatura TN < T < TC, neste est´agio os spins do
F est˜ao alinhados ao longo do campo enquanto os spins do AF est˜ao desorientados (Fig. 2.17(i)). Quando o sistema ´e resfriadoT < TN, na presen¸ca de um campo, os momentos
magn´eticos do F e do AF est˜ao presos devido ao campo externo (Fig. 2.17(ii)). Quando o campo ´e revertido, os spins do F come¸cam a girar, mas devido a alta anisotropia os spins do AF permanecem inalterados, prendendo via acoplamento os spins do F, retardando a invers˜ao dos momentos magn´eticos do F (Fig. 2.17(iii)). Diminuindo um pouco mais o campo temos revers˜ao completa dos spins do F (Fig. 2.17(iv)). Iniciando o acr´escimo de campo temos que a interface favorecer´a a revers˜ao (Fig. 2.17(iii)). Os spins do fer-romagneto tˆem uma “anisotropia”extra unidirecional devido a interface. Este campo de anisotropia unidirecional de interface precisa ser vencido completamente no ramo negativo da histerese precisando assim de um campo negativo extra. j´a o outro ramo ´e favorecido, revertendo a mgnetiza¸c˜ao com um campo positivo bem menor, deslocando assim o centro da histerese.
2.4
Conclus˜
oes
´
E evidente a influˆencia do substrato AF sobre o filme F em uma bicamada, onde filme com uma espessura muito pequena de forma a apresentar magnetiza¸c˜ao apenas em seu plano.
A interface do substrato ´e o foco deste estudo. Quanto o substrato pode modificar as propriedades do filme F depender´a de sua interface, tanto da intensidade do acoplamento do AF com o filme F como da topologia da mesma, no caso de substrato n˜ao magn´etico a topologia ´e relevante `a medida que a mesma pode mudar a topologia do pr´oprio filme F provocando no mesmo uma anisotropia extra na fronteiras dos defeitos topol´ogicos. Para substrato antiferromagn´etico estes defeitos causam sobre o filme um campo de interface em sentidos opostos, o campo de acoplamento m´edio da interface depende da topologia.
CAP´ITULO 2. BICAMADAS MAGN ´ETICAS 27
como principal explica¸c˜ao a presen¸ca de uma interface n˜ao compensada fato que tem sido refutado por estudos experimentais mostrando deslocamentos para estas estruturas. A presen¸ca de deslocamentos positivos tamb´em vai contra a explica¸c˜ao usual.
O fato de o substrato alterar o campo coercivo ´e de grande importˆancia para a produ¸c˜ao de dispositivos para armazenamentos de dados em ´area cada vez menor, sendo a coercividade fun¸c˜ao da forma de como a magnetiza¸c˜ao se distribui na superf´ıcie do substrato.
Relaxa¸
c˜
ao da magnetiza¸
c˜
ao
3.1
Introdu¸
c˜
ao
Neste cap´ıtulo trataremos de um filme ferromagn´etico (F), com anisotropia c´ubica cristalina, crescido sobre um substrato antiferromagn´etico (AF). Consideraremos um de-feito de interface tipo degrau (veja figura 3.1), dividimos a interface em duas regi˜oes, cada uma com spins de uma das subredes do material AF. A linha que separa as duas regi˜oes ´e ao longo do eixo de anisotropia.
A estrutura magn´etica das paredes de dom´ınio nucleadas por um degrau monoatˆomico em uma interface F/AF depende da intensidade do campo de de acoplamento entre as in-terfaces. Para filmes ultrafinos, seus momentos magn´eticos permanecem no plano. Neste caso, o perfil das paredes de dom´ınios pode ser representado pelo modelo em uma di-mens˜ao de N`eel, e as curvas de magnetiza¸c˜ao, bem como o efeito do campo externo pode determinar a intensidade do campo de interface.
Estudos experimentais de defeitos em interface F/AF tˆem sido feitos com freq¨uˆencia em sistemas de F/Cr, explorando o fato de que o degrau monoatˆomico ´e comum `as superf´ıcies de Cr [24]. A redu¸c˜ao de remanˆencia indicada em estudo de bicamadas vicinais, bem como em Fe/Cr (110) [25, 26] contendo filmes finos de Fe. Nestes casos, a baixa remanˆencia dos filmes Fe com espessura abaixo de 40 ˚A, tem sido atribu´ıda `a existˆencia de paredes de dom´ınio no filme de Fe em resposta `a competi¸c˜ao entre as intera¸c˜oes do Fe-Fe e do Fe-Cr na presen¸ca de um degrau monoatˆomico na superf´ıcie do cromo.
O custo de energia para a nuclea¸c˜ao de uma parede de dom´ınio ´e proporcional a
CAP´ITULO 3. RELAXAC¸ ˜AO DA MAGNETIZAC¸ ˜AO 29
espessura do filme F. H´a um limiar de espessura abaixo do qual se formam paredes de dom´ınio separando regi˜oes onde a magnetiza¸c˜ao ´e ao longo do campo de interface. Em bicamadas vicinais Fe/Cr essa espessura limiar ´e de 35 ˚A[25].
A competi¸c˜ao entre a probabilidade de forma¸c˜ao de um estado monodom´ınio e outro tendo paredes de dom´ınio induzida pela interface, ´e mais interessante se o sistema tiver anisotropia cristalina, como no caso de filmes com espessura nanom´etrica [27]. O campo de interface tende a conservar os spins do F alinhados ao longo campo de troca da in-terface. Se, como mostra a figura 3.1, o campo de interface ´e paralelo a um dos eixos f´aceis de anisotropia, os spins do centro da parede de dom´ınio s˜ao alinhados com um dos eixos da anisotropia c´ubica cristalina do filme F. Isto pode ser energeticamente favor´avel para termos spins pr´oximos `a superf´ıcie do filme F alinhados na dire¸c˜ao perpendicular aos spins dos demais dom´ınios, continuando paralelo `a interface. A fase magn´etica do filme F depende de qu˜ao rapidamente a estrutura da interface relaxa desde o padr˜ao na interface do filme at´e o padr˜ao na superf´ıcie livre do filme. O comprimento de troca lex =
A/(2πM2
s) de metais de interesse corrente como Fe, Co, NiFe ´e da ordem de
nanˆometros [28, 29]. Assim, em bicamadas F/AF com filmes F de espessura da ordem de alguns nanˆometros, h´a suficiente espa¸co para a relaxa¸c˜ao, ou reorienta¸c˜ao.
Neste cap´ıtulo ser´a discutido o impacto de um defeito de interface na forma¸c˜ao de dom´ınios magn´eticos no filme F, bem como a relaxa¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao do filme a partir da interface sem o efeito de campo magn´etico e para campo aplicado diferente de zero. Para o ´ultimo caso teremos configura¸c˜oes com paredes diferente deπ bem como desloca-mento do centro da parede de dom´ınio dependendo da dire¸c˜ao na qual o campo externo ´e aplicado.
3.2
Descri¸
c˜
ao do modelo
Foi considerado um filme ferromagn´etico com anisotropia c´ubica cristalina acoplado a um substrato antiferromagn´etico com anisotropia uniaxial. O substrato AF ´e considerado congelado (T < TN), tendo anisotropia uniaxial paralela a um dos eixo f´aceis do filme F,
Figura 3.1: Representa¸c˜ao de uma parede de dom´ınio gerada por um defeito no substrato AF, h´a uma relaxa¸c˜ao espacial da magnetiza¸c˜ao do filme F `a medida que os monocamadas se afastam da interface. A largura da parede de dom´ınio cresce com a distˆancia da interface at´e que a magnetiza¸c˜ao esteja uniforme na superf´ıcie do filme.
opostas.
Em nosso modelo o substrato AF ´e considerado congelado no estado AF, seu efeito ´e representado por uma energia de intera¸c˜ao JIN T, `a qual ´e m´ınima quando os momentos
magn´eticos do filme ferromagn´etico est˜ao em dire¸c˜ao opostas aos momentos magn´eticos do substrato antiferromagn´etico. A energia de troca intr´ınseca e de anisotropia do ferro-magneto criam uma barreira para a nuclea¸c˜ao da parede de dom´ınio. O degrau no plano de interface do antiferromagneto tende a nuclear uma parede deπno filme ferromagn´etico, e a nuclea¸c˜ao da parede ocorre se a energia de troca atrav´es da interface for suficiente para romper a barreira de energia intr´ınseca.
CAP´ITULO 3. RELAXAC¸ ˜AO DA MAGNETIZAC¸ ˜AO 31
comprimento na dire¸c˜ao z ´e dada por:
E =−
n,nj,m,jm
J−→Sin ·
− →S
im−
n,nj,m,jIN T
J−→SAF ·−→Si1
+
n,in
(K 2(S
y in)
2
(Sz in)
2
−gµB−→Sin·
−
→H) (3.1)
O primeiro termo representa a energia de exchange intr´ınseco do filme F, o segundo termo ´e a energia de troca de interface(com JIN T >0, sey <0, e com JIN T >0, sey >0),
agindo dessa forma somente nos momentos magn´eticos do primeiro plano da interface do filme F, os outros termos s˜ao a energia de anisotropia e a energia Zeeman. Cada posi¸c˜ao dos spins na rede entre os spins do Fentre os spins do F ´e denotada com um ´ındice n (ou m), e o n-´esimo termo pelo ´ındice in. O n´umero de spins na rede, N, ´e escolhido de modo
a evitar efeitos de tamanho finito. H´a energia de troca do acoplamento intr´ınseco entre os spins numa mesma rede e os primeiros vizinhos das redes seguintes. A configura¸c˜ao de equil´ıbrio ´e encontrada atrav´es do m´etodo de campo auto consistente [30] permitindo que cada momento magn´etico se alinhe com as componentes do campo efetivo local. O m´etodo consiste em inicializar os ˆangulos (θn(in);n= 1, t;in= 1, N) em uma configura¸c˜ao
arbitr´aria, e calcular o campo local de cada spin. O processo ´e repetido iterativamente, usando o campo local de cada spin e reiniciando o c´alculo, at´e que todos os spins da rede estejam alinhados paralelamente com o seu campo local. Para muitos resultados o n´umero de intera¸c˜oes ´e da ordem de 104
.
Nesta parte do trabalho iremos referir ao campo de interface(HIN T =JIN TSAF/gµB),
campo de anisotropia (HAKS3/gµB) e campo externo em unidades de campo de troca
intr´ınseco do filme F HEXC = ZJS/gµB, onde S e Z s˜ao os valores de satura¸c˜ao e o
n´umero de coordena¸c˜ao dos spins do F. Em unidades reduzidas s˜ao denotados hIN T, hA
eh, respectivamente.
A estrutura magn´etica ´e representada por spins com componentes ˆy e ˆz ao longo de uma cadeia linear. Os efeitos de temperatura n˜ao s˜ao considerados. Para descrever a estrutura magn´etica, calculamos os ˆangulos que cada spin faz com o eixo z, {θn, n =
1,2, ..., N}. A configura¸c˜ao de equil´ıbrio ´e encontrada quando cada momento magn´etico ao longo da cadeia est´a paralelo ao campo efetivo local [33, 34, 35]. Para encontrar a configura¸c˜ao de equil´ıbrio foi usado um algoritmo autoconsistente. Sobre cada spin age um campo que ´e obtido a partir do gradiente da energia, com respeito `a componente de cada spin, isto ´e,
− →H
ef f =−
1 gµB
− →∇−→
SiE. (3.2)
Ap´os iniciar todas as vari´aveis de spin{θn,n= 1,2, ..., N}, o campo efetivo ´e calculado
para cada s´ıtio da cadeia.
Ao encontrar um campo local paralelo ao campo de cada spin da rede, com precis˜ao da ordem de 10−7
CAP´ITULO 3. RELAXAC¸ ˜AO DA MAGNETIZAC¸ ˜AO 33
3.3
Reorienta¸
c˜
ao da Superf´ıcie
O perfil de magnetiza¸c˜ao dessa estrutura traz informa¸c˜oes importantes, como a intensi-dade do acoplamento do substrato AF capaz de nuclear parede de dom´ınio no filme F, bem como o n´umero de monocamadas ao qual o campo de interface “penetra”no filme via campo de troca intr´ınseco ao F. A relaxa¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao no ferromagneto que ´e fun¸c˜ao da intensidade do acoplamento F/AF e do campo magn´etico aplicado.
A intera¸c˜ao de troca atrav´es da interface e a anisotropia do filme ferromagn´etico s˜ao parˆametros-chave nesta discuss˜ao. O acoplamento de interface favorece a forma¸c˜ao de es-treitas paredes de dom´ınios deπnas primeiras monocamadas do ferromagneto, esta parede aumenta a medida que se afasta da interface, diminuindo a diferen¸ca entre as dire¸c˜oes dos dom´ınios at´e que se tenha uma reorienta¸c˜ao perdendicular ao eixo de anisotropia do AF. A competi¸c˜ao entre as diversas energias envolvidas em nosso modelo, Eq. 3.1, na superf´ıcie de “contato”entre o filme e o substrato, a primeira a camada (n = 1), pode gerar ou n˜ao uma parede de dom´ınio nesta camada que ser´a respons´avel pela nuclea¸c˜ao das camadas seguintes at´e ocorrer a relaxa¸c˜ao. Trataremos apenas do caso onde existe a parede de π na camada primeira camada, n= 1. Em nosso modelo o campo de interface hIN T age apenas nesta camada, sendo ela a respons´avel pela a¸c˜ao da interface no restante
das camadas via acoplamento entre os primeiros vizinhos camada a camada.
3.3.1
Reorienta¸
c˜
ao Para Campo Nulo
Para filmes espessos temos encontrado uma nova fase magn´etica, mostrada esquematica-mente na figura 3.1, devido a competi¸c˜ao entre o defeito da interface e a anisotropia do filme F.
Figura 3.2: O perfil angular de uma bicamada F/AF com 15 planos. O n´umero em cada curva indica cada plano, iniciando comn= 1 pr´oximo `a interface, a posi¸c˜ao (y) ´e normalizada pela largura da parede de dom´ınio no primeiro plano (∆1). O campo de interface e o campo de anisotropia s˜aohIN T = 0.5 e
CAP´ITULO 3. RELAXAC¸ ˜AO DA MAGNETIZAC¸ ˜AO 35
magnetiza¸c˜ao da superf´ıcie do filme. `A medida que se afasta da interface s˜ao formados novos dom´ınios magn´eticos, com diferen¸ca entre dom´ınios cada vez menores, figura 3.2.
Mostramos os perfis da magnetiza¸c˜ao pr´oximo ao centro da parede de dom´ınio (θ ´e o ˆangulo entre a magnetiza¸c˜ao e o eixoz). Destacamos os planosn= 1, 5, 10 e 15 do filme F em uma bicamada F/AF com 15 planos. UsamoshIN T = 0.5 ehA= 0.1, valores descritos
em unidades do campo de troca intrinseco ao F. Na interface (n = 1), h´a uma estreita paredeπ, j´a paran = 5 a parede de dom´ınio ´e mais larga mas a diferen¸ca entre dom´ınios diminui. Para o planon= 10 a parede ´e muito larga, logo os momentos magn´eticos est˜ao quase reorientados, e no plano n = 15 a magnetiza¸c˜ao esta totalmente reorientada ao longo do eixo z (θ = 90◦).
No detalhe da figura 3.2, temos a espessura de relaxa¸c˜ao do filme Fem fun¸c˜ao do campo de interface. Vemos que t∗ depende do campo de interface e ´e diferente para valores distintos de anisotropia. Na figura temos duas curvas para diferentes valores de anisotropia do F (hA), quanto maior a anisotropia menos planos s˜ao necess´arios para que
a superf´ıcie seja reorientado, para hA = 0.1 a satura¸c˜ao ocorre em t∗ = 15 enquanto
que para hA = 0.01, t∗ = 27, ver figura 3.3. Note que o campo de interface tem papel
importante uma vez que ´e o respons´avel pela nuclea¸c˜ao da parede na interface. Quanto maior o valor de hIN T mais fixos est˜ao os spins da interface [33, 34, 35] e mais espesso
dever´a ser o filme F para que tenhamos uma fase reorientado na superf´ıcie. Para pequenos valores de hIN T a parede de dom´ınio na interface ´e mais larga, logo a reorienta¸c˜ao ocorre
em uma camada mais abaixo do que para valores mais altos de hIN T. Logo a relaxa¸c˜ao
da superf´ıcie requer uma menor espessura do filme F. Para ambos valores dehA,t∗ satura
parahIN T = 0.3. Este ´e um ponto interessante uma vez que o valor do campo de interface
n˜ao ´e precisamente conhecido.
Na figura 3.4 mostramos a varia¸c˜ao da largura da parede de dom´ınio em fun¸c˜ao do plano de interface do filme F. A largura da parede de dom´ınio ´e dado por π|∂θ/∂y|y=0.
Para uma parede de N`eel, como ´e apropriada para filmes ultrafinos, a estrutura magn´etica ´e dado por tan(θ/2) = exp(y/A) [30] . Neste caso, a espessura da parede de dom´ınio ´e dada porπA. Foi obtido a largura da parede de dom´ınio para cada monocamadan. Para grandes valores de ∆n temos uma grande fra¸c˜ao dos spins da camadan ao longo do eixo
Figura 3.3: Perfil angular para 27 planos,hIN T = 0.5 ehA= 0.01, conforme o detalhe (Fig. 3.2), para estes parˆametrost∗= 27.
caso foram usados os mesmos parˆametros da figura 3.2, escolhendo dois valores distintos de campos de interface,hIN T = 0.5 ehIN T = 0.8. Para estes valores dehIN T ehA,t= 20,
´e menor que o limiar de espessura para (SR) se hA = 0.01, e maior que o limiar para
hA= 0.1. As curvas da figura 3.4 parahA= 0.1 s˜ao reduzidas por um fator de 2×105 e
quehA=0.01 foi reduzido por um fator de 102. Para hA= 0.1 a parede de dom´ınio cresce
mais rapidamente que parahA= 0.01. A intensidade do campo de interface tamb´em afeta
o padr˜ao da relaxa¸c˜ao do campo de interface. Desse modo, parahA = 0.1 e hIN T = 0.08
a largura da parede de dom´ınio ´e incrementada mais rapidamente que para o caso de hA = 0.1 e hIN T = 0.5, pois para hIN T = 0.8 os spins da interface n˜ao est˜ao t˜ao presos
quanto para o caso anterior.
3.3.2
Reorienta¸
c˜
ao Para Campo Aplicado
−
→
H
z
Aplicamos agora um campo magn´etico no filme F,−→Hz, e observamos o comportamento
CAP´ITULO 3. RELAXAC¸ ˜AO DA MAGNETIZAC¸ ˜AO 37
Figura 3.4: Largura da parede de dom´ınio, ∆n, para um filme F de 20 camadas. ∆n ´e mostrado em unidades da largura da parede da interface (n= 1). As curvas com c´ırculo fechados: hA= 0.1 e abertos:
hA = 0.01. Os n´umeros sobre as curvas indicam os valores do campo de interfacehIN T. As curvas s˜ao reduzidas po um fator de 2×105
parahA= 0.1 e 102parahA= 0.1.
campo aplicado paralelamente a um dos eixos de anisotropia do AF teremos dois tipos de reorienta¸c˜ao da superf´ıcie (SR) dependendo da intensidade do campo magn´etico: Ao longo do campoθSR = 0◦ e perpendicularmente ao campo θSR = 90◦.
Para campo magn´etico de intensidade da ordem do campo de anisotropia teremos a reorienta¸c˜ao da superf´ıcie na dire¸c˜ao do campo magn´etico aplicado, θ = 0◦, figura 3.5. Uma subrede ´e favorecida pelo campo, formando um dom´ınio deθ = 0◦ que ocupa metade da camadan= 1, nas camadas seguintes a largura deste dom´ınio ´e ampliado e a diferen¸ca entre os dom´ınios diminui at´e que se tenha a superf´ıcie reorientada na dire¸c˜ao do campo aplicado. No detalhe, figura 3.5, temos o limiar de espessura t∗ em fun¸c˜ao do campo aplicado perpendicularmente ao eixo z para duas intensidades de campo de interface.
H´a outro modo de reorienta¸c˜ao para campo magn´etico aplicado nesta mesma dire¸c˜ao, θSR = 90◦, H ≈ 0.01hA e hA ≈ 0.1. Este modo de reorienta¸c˜ao se d´a quando o campo
Figura 3.5: Perfil da magnetiza¸c˜ao parahIN T = 0.5 ehA= 0.1, note que a orienta¸c˜ao da magnetiza¸c˜ao da superf´ıcie ocorre comθ= 0. No detalhe at∗ em fun¸c˜ao deH os c´ırculos fechados indicah
IN T = 0.5 e os abertoshIN T = 0.3.
3.6, na interface tem-se uma parede de π, nas camadas seguintes at´e n = 10, temos um monodom´ınio θ = 0◦, orientado com o campo, e outro dom´ınio diminui de θ = 180◦ na interface at´e 0◦. As camadas seguintes conservar´a um dom´ınio,θ = 90◦, e que se aproxima da superf´ıcie o outro dom´ınio se aproximar´a de 90◦, at´e ter a reorienta¸c˜ao completa. Note que a parede de dom´ınio sempre aumenta com o n´umero da camada, do mesmo modo, a diferen¸ca entre os dom´ınios diminui.
O parˆametrot∗ para este modo de reorienta¸c˜ao ´e atingido parah
IN T = 0.3, no entanto