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Relação entre atitude sobre eutanásia e crenças religiosas

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Academic year: 2017

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(1)

FUNDACÃO GETULIO VARGAS

;

INSTITUTO SUPERIOR OE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS-ISOP

.

F22 H [

U I SO

CENTRO DE PÓS- GRADUAÇlO EII PSICOLOGIA

- I

RELAÇAO ENTRE ATITUDE SOBRE EUTANASIA

••

'I

E

CRENÇAS RELIGIOSAS

FGV/iSOP/CPGP

)

"'ANEIRO 111 ••

(2)

F UNDAÇÃO GETOLI O VARGAS

INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIA I S CENTRO DE POS - GRADUAÇÃOEM PSICOLOGIA

RELAÇÃO ENTRE ATITUDE SOBRE EUTANÃSIA E CRENÇAS RELIGIOSAS

YARA SILVEIRA FARIA

FGV!ISOP!CPGP

(3)

FUNDAÇÃO GETOLIO VARGAS

INSTI TUTO SUPERIOR DE ESTUDOS E PESQUISAS PSICOSSOCIAIS CENTRO DE P()S - GRADUAÇ~ ' O EM PSICOLOGIA

RELAÇÃO ENTRE ATITUDE SOBRE EUTANÃSIA E CRENÇAS RELIGIOSAS

por

Yara Silveira Faria

Dis sertação submetida como r equisito parcial pqra

obtenção do grau de

(4)

- A

~onique

Rose Airnée Augras , ·professora , chefe , orientadcra

e

amiga que tanto me incentivou durante areal ização deste traba

lho.

A Kilda Uonteiro Motta , professora e amiga que , com sua

vasta

experiência em psiçometria , não economizou esforços ,

ensinando-me com extrema paciência , d edi cação e espIri to de colaboração.

 Fundação Getúlio Vargas que me permitiu e tornou possível a

conclusão do curso de mestrado em pról de meu enriquecimento~~

fiss10na1 .

- Aos líderes religiosos , que possi bilitaram o traba lho de campo ,

Ernesto Alexandre Lima , Gerson Simões Monteiro , Giselle Cassard,

Ilza França, Joaquim Ma rques Pascoal, Myriam Braga Brito,

Sér-gio Pereira do Nascimento.

Âs amigas Hil l evi Soares d os Santos , Ivana Aguiar e Le nice Fer

-reira de Moraes d a Silveira que facilit aram a inclusão de três grupos religiosos.

- Ao amigo Paulo Roberto Tinoco da Rocha que progr amo u o tratamen

to dos resultados no computador da FGV .

- A

amiga Floripes Castilho Salzano , bibliotecária , pela

cuida-dosa revisão das normas bibl iográficas .

- Aos membros dos grupos reli giosos que voluntária e anônimamente colaboraram com este estudo.

(5)

INDI CE

pág i na

LI STA DE TABELAS

.... .... .. ... ... ... ...

vii i

RESUMO

. . . . ... .. .. .. .. . ... .

SUMMARY

.. .

"

... ... .. .... .. ... .. .... .... .... .

x

xi

01

I - O PROBLE~IA

.. ... .. ... ... ... ..

' . '

.. .. . .... .

1 . Definição .. .. .. . . • . . . · · · 03

2 . Cl assificação

.. .. .... ... ... ...

0 5

3. convergências e divergênciaS de opiniões . . . . . . 21

4 . Lidando concretamen t e com a e u tanásia . . ... . . 39

4.1 _ O caso Karen .. .. .. . . ... . . 39

4 . 2 _ Pesqui sa pi l oto .. . . · · . . . 4 6

11 _ CRENÇAS RELIGIOSAS . . . .. . .. . . 57

1 . O cristianismo e a crença na ressurreição . .. .. . . 61

1.1 _ As crenças da Igreja Cató lica .. . . .. 63

1 . 2 _ As crenças da Igr eja Evangélica Batista . . . 66

2 . O espiritismo e a crenç a na reencarnação . . .. .. . . 69

2.1 _ O Espiritismo .. . . ... . . .. . .. . . .• . 7l

2 • 2 _ A Umbanda . .. . . ... . . .. . .. . . .. . ... . 77 3. A I greja Messiânica Mundial . ... . . ... . . • . . . .. ..

4 . O Candotnb lé . ... ... . . .. .. . . .. .. . . ... . . .

v

81

85

(6)

selhos e sua incansável dedicação, nunca permitiu que diante

de momentos dificeis da vida o desânimo me abatesse, com o mais carinhoso e eterno reconhecimento.

(7)

l I ! - METODOLOGIA .... ~ " . " . . .. .. ... . ... . . . .. . . . . 89

1 . H" l.po - t eses ... .. ... .. ... . 8 9 2. Amostra . . . . .. . ... . . . 9 0 3. I nstrumentos

... .. ..

'

... .

91

4. Procedimen to ·

.... ... .

"

... ... ... ... ... .. .

92

4 . 1 - Obten.ção do s grupos t es tados .. . . 92

4 . 2 - Aplic élçao . . . _. . . .. . . . 9 3 4. 3 - Tr a t ame n to do s d ados ... . . . .. . ... . . . . 9 5 I V - APRESENTAÇÃO E DI SC Us sAo DOS RES ULTADOS . .. . . 9 7 1. In formações sobr e a e sca l a . . . .. . . .. . 97

2. Testagem das h ipóte ses .. . . .. . . .. 10 1 2.1 - Hipó t ese pr i n ci pal . .. . .. ... . . .. .. .. . .. . .. 1 0 1 2 . 2 Hipóteses se cundárias . . . • . . . .. .. .. 10 2 2.2.1 - Esc olarid ad e . ... . ... . . 1 03 2. 2 .2 - Se xo . . . .. . . • 1 03 2 . 2 . 3 - I dade .. . . .. . . ... .. ... . .. 10 3 3 . caracter i zaçio dos g rupos . . . .. . . .. . . 10 4 3. 1

-

Grupo esp~r • ~ . t a . . . . 10 5 3 .l. 1 - Indices de discrim i nação . . . ... . . . 106

3 .l. 2 - Variáveis secundárias . . . .... . 1 07 3.2

-

Grupo messiânico . . . ... . .. . . 108

3 . 2 . 1 - Indices de ciscriminaçio . . . . 109

3 . 2 . 2 - Variáveis secundárias . . . .. . 110

3.3

-

Grupo batista . . . ... . . .. .. . . . 111

3 . 3 .1 - Indices de discriminação . . . . 112

3 . 3 . 2 - Variãveis secundárias

.... ...

113

(8)

3.4

-

Grupo umbandista

... .. ... . ...

114

3.4 . 1

-

Indices de discriminação

·

... ..

114

3.4.2

-

Variáveis !:ec'lJ.ndárias

·

... ...

115

3 . 5

-

Grupo católico

... ... ... ... .

116

3.5 .1

-

Indices de discriminação

·

.... ....

116

3.5 .2

-

Variáveis secundária s

· ... .... .

117

3.6

-

Grupo candornblecista

... ... .... .

119

3 . 6. 1

-

Indices de discriminação

·

... ... ..

119

3.6 . 2

-

variáveis secundárias

·

... ... .

121

4. Comparações entre os grupos

.... .... ... ...

122

v

CONCLUSOES

... ... ... .. .. ...

140

REFERENCIAS BIBLIOGRÂFICAS .. . . ... . .. . . ... . . .. 145

Anexo 1 - Escala de Atitude sobre Eutanásia . . . 1 55 Anexo 2 - Roteiro de Entrevista . . . . .. . . .. 162

Anexo 3 - Significância da relação entre Atitude 50 br e Eutanásia e Crenças Religiosas nos 26 Itens da Escala

.... ... ... ... .. .

164

(9)

LISTA DE TABELAS

Tabela Página

1 - Porcentagem de Universitários e Não-universitã

rios Favoráve.is e Desfavoráveis

à

Eutanás ia .. 52

2 - Indices de Discriminação. - Va l o r d e

" t "

(Arno s

-tra Tota l } •.. ~ . . . . 98

3 Análise Fatorial participação das Variáve is

-Rotação Varimax - Matriz Fatorial (Amostra To -

.

ta 1) ••••.•.•• . • • • • • • • • • . • . • • • • • • • • • • . • • .•.• • • • 100 4 - !nd ic es de Discriminação - Va l ores de "t" (Gr~

po Espírita)

... .. ... .. ... .. . ....

10 6

5 - . Indices de Discriminação - Valor es de " t " (Gr~

po Messiânico) . . . • ... • ...• ... . . 109

6 - Indices de Discriminação - Valores de "til (Gr~

po Batista) . . . •.. . . • . . . 112 7 - Indices de Discriminação - Valores de " t " (Gr~

po Umba ndi sta ) .. . .. . . .. . . . 115 8 - !ndices de Discriminação - Valo res de " t " (Gr!!.

po Católico) . . . .. . . • . . .

117

9 -

!ndices de Discriminação - Valores de "t" (Gr~

po Candomblecista) . . . .. . . .. . .. . .. . 120

la -

Frequência de Respostas por Grupo

em

cada

AI

-ternativa . . . • . . . .. . . ..• . . . • . . •... . .. 123 11 Porcent agem do Total das Alternativas de Res

-posta na !\mostra Total . . . . ... . . . .. . . . 124

(10)

posta em cada Grupo . ~ . ... ... . . . "' . .. ... . .

1 3 - Porcentagem em cada Grup o do Total de cada

A1-t ernaA1-tiva de ResposA1-ta . . . .

14 - Medidas de Tendência Central .•.• ... . .. . . .•

15 - Variância dos . Escores . . • . . . 16 - Frequências na Variavel Escolar id ade po r

Cren-ças .... .. . . .. ..•.... . . • . . .

17 - Frequências n a Variável Sexo por Crenças .... .

18 - Frequências na variável Idade po~ Crenças .. . .

19 - Itens Significativos nas Variáveis Secundárias

20 - Frequência de Itens da Escala Significativos

por Crenças . . .... ...••... . . ... ... ...

21 - Classificação das Cr enças em Re l ação

à

Atitu-de sobre Eutanásia . . . • . . • . . . • . . . .

22 Porcentagem de Atitude Favorável e Desfavorã

-vel na s Seis Crenças Religiosas ... . . . .

ix

125

126

128

129

131

132

13 3

134

135

137

(11)

RESUMO

Esta pesqui sa experimental de campo pretende ser o

melro de uma série de trabalhos , visando a investigação do

pri

-terna

eutanásia em seu envolvimento no campo ,da psicologia social.Seu

objetivo foi o estudo da influência nas crenças religiosas na ati

tu de em relação

à eutanásia .

Foram testados seis grupos religiosos: espírita, messiâ nico , batista, umbandista, catól ico e candornblecista. Cada um de

-les incluiu 50 sujeitos.

o instrumento usado foi a " Escala de Atitude sobre a

Eu-tanásia " , construída pela autora desta pesquisa e composta de 26 itens. Esta escala apresentou índices altamente satisfatórios de

validade e fidedignidade. Aborda, além . do aspecto geral do probl~

ma , os enfoques jurídico , médico e moral-religioso.

Foi examinada a relação entre esco lari dade, , sexo, idadê

e atitude sobre eutanásia.

Os resultados ob tidos evidenciaram a existência de

rela-çao altamente significativa entre crenças religiosas e atitude so

bre eutanásia , confirmando a hipótese básica do trabalho.

As implicações destes res ultados sâo discutidas e o pró -ximo trabalho da série, já está sendo plan e jado, será o exame da atitude de médicos e advoQados em relação

ã

eutanásia, como eles

a definem e caracterizam .

(12)

Thls exper i mental - field research was planned as the fir st

of ~ series of works , aiming t o investig ate the social psycho!ogi

-cal aspects and implications of the e uthan asia theme. Its objec

-tive was to study religious b e liefs lnfluences on the a t t itude

t oward e uthan asia .

Six r eligious groups wer e tested , with 50 sub j ects in

each one .

The instrurnent used was the "Escala sobre Atitudell

, an

26 items attitude sca l e constructed by the author Df this r e

-s earch . Thi-s -scale pre-sented highly -sa ti-sf actor y coeffic i ent-s of

validity and r e l iability. It fecu ses , besides gen e ral aspe cts , the

legal, medi caI and mora l religiou s points of the pr ob l ern .

The relation bet\oleen lnstructi onal l eve I, sex , age and

attitude toward euthanasia was analysed .

The results indicated a highly significant r e l at ion bet

-ween religious beliefs and at titude t9ward e uthanasia , confirming

the mai n hypothesis of the study.

The implications Qf these resu lts are discussed , and the

next work of the series is being planned . It will exami n e the

d efinition , conception and attitude of medicaI doctors and I awyers

toward eutha na sia .

(13)

I - O PROBLEi1A

Este traba l ho propoe - se a o estudo da atitude e m relação

a eutanásia.

A euta násia

é

um velho terna. O interesse em torno do assunto, no ent a nto, tem 'crescido 'c a da vez mais . Os meios de c omu

nicação têm possibi l itado , inclu s ive ao público carente de

conhecimento específico , farto materi a l propiciando o surgime nto de o

-piniões distintas.

A prática da eut a násia tem sido, nos últimos anos , fruto

de inúm e ras contr ovérsias. Como ex emplo , p o de ser cita do o rumaro

50 caso d e Karen Ann Quinlan ocorrido em 1975. A tel e visão brasi

-l eira fez toda uma cobertura "s e n sac ion a -lista" proporci o nando , e n

tão , a oportunid a de d e u m s em núme ro de di s cussões a r e speito.

Na verda d e , tr a t a - s e d e um tema d e difícil de limit a ç ão dada sua exte n são e , c o ns e qü e n temente , as diversas f a cetas que deve m ser c o n s i deradas n a busca d e s .ua comp reen s a o .

A exi s t ê n c i a d e ta nta p olêmi c a e m r e l a ç ão a e uta ná s ia , p o d e se d i zer que , de c erta for ma , n ão s urpreende , j á q u e o p r o

-b1ema da própria mor t e se co l oca como u m desaf i o . O homem s empre bus cou desven dar o mi stério qu e envolve a morte . O prob l ema da mor t e , ve lho como a própr i R humanidade , a todos interessa n do e

p reocupando , const i tui uma a n gustiante e aterrador a interrogação .

Em Fédon , P latão ( 1 955) descreve a supreendente serenida

(14)

2 .

filósofo, em sua úl tima conversa com os discípulos , declara ser a

morte , apenas , urna separação da alma e do corpo . Diante das lágri

mas de um de se us ouvintes , Sócrates r evela que somente seu corpo

seria e nt errado , aquele qu e al i es t Ava conver sando não o seria .

Pode - se , ta l vez , interpreta r através da narrativa d e

Pla tão que Sócrate s cons ide r a va a morte Corno uma conquista . Segu~

do ele , a sabedoria p l e n a só

é

conseguida apãs o falecimento . Diz

que e nqu a n to o corpo e a a l ma estão juntos jamais se conhece a

verdade, o corpo

é

um int rus o que torna o homem incapaz de a l

can-ç ar o saber abso luto . Após a morte a alma existirá em s i mesma e

por si mesma.

Na visão de Sócrates , a morte

é

claramente colocada co

-rno uma simples pass agem . O espí rito

é

l evado ao conhecimento per

-f e i to e a uma vida plena e sem -fim . O mestre a t aca violentamente

os que se abatem com a perspectiva do final da vi da , acusa - os de

nao amarem a sabedoria e sim o corpo. Enfim, Sócrates ide nti fica

a morte como uma fase essencial da vida .

Menezes (1946) afirma que num sentido filosófico absolu

-to a morte se confunde com a própria vida, pois , desde que nasce

o ser e stá sempre, em todos os momentos da vida , sujeito

à

possi

-bilid ade de morrer .

A preocupaçao com a morte e o temor a ela, o medo do

desconhecido são próprios do homem . . Não ser ia, pois , absurdo

con-cluir que , r esu l ta ndo a prática da e u tanâsia em morte , a atitude

contrária ao direito de executá-la , na verdade , fosse uma expre~

(15)

so-•

3 .

lução

ê

bastante complexa uma vez que fatores d e naturezas diver

sas estão envolvidos . O que

é ,

afinal , eutanásia?

1 . Definição

o termo eutanásia vem da antiguidade gr e ga, "eu " 51gn1f1

-ca boa, suave e " thanatos ", morte. EVidentemente, que se o sign!.

ficado de eutanásia implicasse , só e unicamente, uma "·morte boa

e suave ", ninguém se oporia a e l a , porém , . vário s outros fatores

estão inseridos nessa ,prática .

são diversas as feições da e utanásia a serem considera das. Dentre elas situam-se, além das formas , dos meios (ação ou

omissão) e dos fin s (piedosos), a médica, a jurídica , a

biológi-ca ,

a sociológica , a econômica , a moral , a religiosa e muitas ou

tras.

Atualmente , as definições de e utanásia são várias:

"p e r mi t ir u ma fi e i l ou boa morte , pr omovendo-a p or r a-z 5es d e mi ser i córd i a " (H ardt , , 1 979 , p~ g. 68 ).

As indagaç ões impõem-se. Ond e e quando c o me ç a o u t e rmina c a da

u-ma da s açõ e s , e , a q ue m cabe execut á-las ?

" Eutanisia j a pr~tica pela qual se procura ab r ev1a r sem dor ou sofrimento , a vida de um doente reconhecida,-mente incurável " (Ferreira . 1957) .

Essa d efin i ção pode s er c ri t.icada , bas i came n te , pe l o ' uso da

p a lav ra " i n c uráve l" . Esse t ermo admi t e d is c ussões , uma v e z

que e x is t e d o e n tes inc ur áve is q ue , n o enta n to , nao sao t er

-mina i s . Há uma sér i e d e doe n ça s incuráve i s que são ,

(16)

4 .

gume ntar que a " incurabilidade" está sujeita

à

descoberta de

no-vos remédios .

A propósito deste fato , Fávero (1971 , pág.48) narra um

caso que i l ustra com cl a reza a - fragilidade d e tal conceito . Conta q ue

n um midico . morador de uma localid ade pr6 ~ l ma i Pari s , te ve sua filha acometida de difteria, doença , n a quel a épo ~ ca , re sponsável po r 99% dos óbito s . O médico vale u- se de tudo para sa lv ar a filha , mas aque la era uma doença incu rãvel . Vieram os fen6menos asfíxicos 8 a ' cianose na fac~ da criança . Estes er am os si nais precursores da marte . Aqu e l e pai , "io podend o s uport a r o; sofrimentos inQteis de sua filha , injetou-lhe óp i o em do se suficien t e para apressar o desf ech o , e a morte se de u . Após o e nterr o e o prant o , a sauda d e i mens a não deixava que a sensa ç ão do cruel dever cumprido se fizesse pr ese nte . Mas o médico . ironi came n te , recebe um telegram a qu e lh e comunica : Roux acaba de descobrir o soro antidiftérico . ap li ca ndo-o com êxito assombroso . Aguarde remessa ~.

~ãvero comenta o quanto é perigoso fundamentar se a prá

-tica da eutanásia em ra í zes tão frágeis.

Al ém do exposto deve ser considerada , também , a possib! l idade de erro no diagnóstico e n o prognóstico .

Vend o sob um prisma purame nte mate ri a list a os adeptos da eutanási.al certame nte I argumentarão estar im~líci to ser esse doen te incuráve l um t erminal . Entretantol o problema

é

por demais sé -rio p ara que se admita algo implícito . O termo incurável

é

l pois ,

inapropriado I ,in adequ ado I possibilitando dúvidas el conseq ü e nt e

-mente I discordâncias.

~ Eutanãsia ~ o ato p e l o qual um homem dá a morte a outr~

(17)

5 .

Como as anteriores , essa . qefinição

é

digna de questiona -mento , pois , se o direito de diminuir um sofrime nto real , apres

-sando a morte ,

é

passível de dúvidas . muito mais será o de uma

dor irna9!nária. Da mesma forma

é

discutível o atendimento a um

p~

dido tácito de quem quer que seia .

Russe l l (1977) t r ansc r eve defin i ções de três diferentes

origens. Segundo a autora o Oor l ~nd ' s M~ dic al Dict i onary a define

como

"mort e piedosa: promoção d e morte de uma p essoa Que so-fre de uma ~oença lncurãvel ".

Outras definições poderiam ser incluídas , todavia , pare -cem dispensáveis , uma vez que todas mostram os mesmos elementos

básicos que sao o abreviar o sofr i mento de um doente incurável pr~ movendo sua morte. Na ve r dade , todas são pouco precisas na medida

em q u e não definem claramente os casos passívei s ,

°

agente e o tipo de ação .

Em resumo , as definições juntam ao sentido original do termo, os conceitos de intencíonalidade , de misericórdia e de in

-curabilidade . no entanto , prosseguem insatisfatórias .

2 . Classificação

-Licurzi (1934)

(!.!!

Henezes , 1946, pág . 53) distingue em três grupos as modalidades du eutanásia : morte libertado ra, morte

piedosa e Inorte econômica ou eugênica.

(18)

curável, quando este solicita , da agonia dolorosa , insuportável e

rebelde a qualquer sedativo físico e espiritual , com uma morte cal

ma , indolor .

Conside ra morte piedosa aque l a sem dor Que , por um

pro-fundo sentimento de piedade , se dá aos moribundos inconscientes ,

no final de longas en'fermidades penosas e nos grandes traumatis

mos crânio- medulares , para suprimir dores ins uportáveis e inúteis,

evitando, assim, o impressionante es petáculo das agonias horrivel

mente atrozes .

Verifica- se que Licurzi distingue as duas formas tomando

como base o fato de ser a p r imeira o atendime nto ao desejo ,

à

50-licitação do doente (voluntária) , enquanto a segunda

é

efetivada

em pacientes sem condição de expressarem sua vontade (involuntã

-ria). Todavia, ambas acentuam a inutil i dad e de um tratament o e

e a existência de dores insuportáveis e de s necessárias .

A terceira forma

é

a morte eugênica ou econômica que se

constitui na

" supress~o Butan~sica dos aps!quicos absolutos B asso-ciais absolutos , d i sgenétlcos , monstros de nascimento idiot as greves, louco s incuráveis , e , em gereI. todos a-quel es que s~o alheios i vida moreI no mundO humano ",

Como se vê , reme te a um cons tructo ideológico próprio da

êpoca , que hoje se considera , obvi.amen t e supe rado e desprovido de

seriedade científica .

Royo-Villanova y Morales (1933, pág.45) se apoia em dif~

rentes feições da eutanãsia para estab'elecer s ua classificação. A

(19)

7 .

a verdadeira eutanásia

é

a mor t e natural , q u e indubitavelmente a

-parece como o término fisiológico na idade mais a vançada. g a rnoE

te por se n i l i dade que n ão

ocorre

acompanhada d e agonia . Royo -·Vi l l a

nova

y

l10rales comenta a preocupação dos homens com a morte , c

omparando a com o sono . Diz que essa ana l ogia possibilita a suposi

-ção de ser a morte natural o resultado provável de uma auto-intoxi

cação mais pr of unda do que a que pr oduz o sono. De forma que tal como o son o manifesta

ã

necessidade instintiva de dormi r, na morte natural surge a aspiração i nsti ntiva do repouso eterno.

Embora o au~or declare se r contrário

ã

eutanásia , pa r ece que es sa id ent idade talvez tradu za um se ntime nt o inconsciente , " o nao absurdo " na aceitação d e tal prática . Se n a idade sen i l a mor t e ocorrerá inexoravelmente , po r que n ão ad i a ntá - l a quando uma si-tuação especial exigir? O autor considera e ut anásia simplesmente a morte boa ou suave. Quando fala nesse tipo , sa li enta que o ido

-so morre sem sentir.

Outra moda l idade , segundo Roy o ~Villanova Y Morales ,

é

a eutanásia terapêutica que

é

definida como sendo o direito que

se deveria conceder aos médicos de suprimir , com ação rápida e n ão dolorosa , a agonia do paciente que , sofrendo terrive lme nte , es tá condenado, não tem es per anças de cura e passa por uma cadeia de sofrimentos inúteis. O autor faz um comentário a respeito des-sa modalidade que expresdes-sa a dificuldade de li dar com o assunto . Diz Royo-Villanova y I·lorales ser preferível, nos casos inclu:í.dos na definição, que a morte seja apressada mas que mesmo n essas 5i -tuaçõeB não se pode deixar de ver o médico como um carrasco. Esse

comentár:i.o reforça o suposto no parágrafo anterior .

(20)

A. terceira forma,que o ~utor repudia sem vacilar ,

é

a eu gênica . Essa constitui-se na aplicação social da anterior . Consis te em provocar morte doce e sem sofrimentos, utilizando ane~tési ­

cos , a portadores de deformidade física adquirida por acidente ou enfermidade incurável , ou genética (eutanásia compulsória) .

Finalmente Royo - Vil l anova y Morales denomina eutanásia legal a todas as formas prev i stas em lei.

A obra de Royo-Villanova y l-1orales (1933) em seu todo deixa transparecer que ele privileg i a o s e ntido original da

pala-vra . Para ele eutanásia

é

promover morte boa e suave . Esse autor

é

um exemplo da dificuldade de tomada de uma posição definitiva .

Ele

é

bastante cuidadoso quanto a isso , e sustenta ser demasi ada -mente ousado , arriscado , ditar l eis categóricas sobre o assunto .

Men e zes (1946) declara-se satisfeito com a c l ass i ficação de Licurzi e justifica sua preferência . Diz ele que a eutanásia

natural está fora do poder humano , a e utanásia propriamente di-ta, faz clara, de pronto,

a

idéia de intervenção , provocação, atu -açao do h omem . A eutanásia legal, por sua vez , refere-se a

qual-quer das três modal id ades incluídas na classificação de Licurzi.A opini ão de Menezes a respeito d os dois autores, talvez deva - se ao

fato d e se r Licurzi defensor caloroso da eutanásia o que coincide com a posição declarada de Menezes.

Como se pQde verificar o interesse pelo assunto nao

é

(21)

9 •

Comp arando as classificações mais antigas (1933-1934)

apresentadas anteriormente , com as atuais (1977 - 1979) que o serão a seguir , pode-se constatar que , cem o desenvolvimento ocorrido, os e s tudiosos conseguiram de l imitar mais nitidame nte o problema

A aludida delimitação refere - se

â

identificação do agente , do ti -po de ação e , ainda , de cer t a forma , aos casos passíveis de

euta-násia.

Russell (1977)

distingue

as modalidades de

eutanásia

em

dois pares básicos de 'categorias : eutanásia ativa ou positiva x passiva ou negativa e eutanásia voluntária x não-voluntária. A eu tanãsia ativa , por sua . vez , a autora subdivide em direta e indire

ta .

Considerando todas as combinações possíveis entre os

dois pares citados resultam seis tipos diferentes de eutanásia .

Eutanásia ativa ou positiva - a morte

é

promovida por a -çao direta com o intuito único de terminar a vida , ou seja,

tra-ta - se de uma ação intencional para dar fim

à

vida . Pode ser tam-bém por ação indireta , ou seja , dando drogas para aliviar a dor em doses. excessivas que claramente apressarão a morte.

,

r.tui tos não fazem distinção entre esses dois tipos de a-çao preferindo, apenas , o uso do termo direta. Russell Dostra que a diferença é bastante suti l e comenta que ambos se constituem p~

r ante a lei em ato crimin os o, mas que a prova de tentativa da in

-direta pode ser difícil de estabelecer.

(22)

-sia

é praticada e a lei nem sequer ·toma conhecimento . Torna-se 1m

portante, portanto , refletir sobre isso .

Eutanásia passiva ou nega tiva sign ific a a omissão , in

terrupção ou desistência do uso de meios extraordinários, artifi

-ciais para manter a vida ou esforços heróicos para pro l ongar a vi

da em casos sem esperanças , quando tal prolongamento consiste , em

realidade , numa extensão inútil , desnecessár i a tanto do sofrimento

quanto da inconsciência.

A explicação dada (Russell) no parágrafo anterior,

pare-ce espelhar , nitidamente , o verdadeiro sentido que, segundo os defensores da eutanásia, justifica a aceitação de tal prática . A

autora acrescenta que a falta de um respirador para um doente ter

minal impede a ação que , possivelmente , atrasaria a morte. Ao in -vés disso, p ermite que a morte natural ocorra.

A diferença entre os dois tipos de eutanásia

é

menos real do que, geralmente, se s u põe. Contudo algumas pessoas condenam fortem e nte a primeira (ativa) e ap rovam a última. g reconhecido que impedir ou interromper medidas de sustentação de vida requer

decisão consciente e um ato deliberado. Argumentar que seria acei táve1 , em alguns casos , par ar o tratamento, mas que qua lquer a -pressamento intencional da mor te se ri a proibitivo e condenável p~ rece dificilmente justificável n os planos moral e misericordioso .

Eutanásia voluntária , não-voluntária e inv oluntári a

(23)

-11.

luntária a categoria que os demais chamam de inv oluntária .

Pro resumo , a que Russel l (19 77) c l assif i ca de

involuntá-ri a cor responde nas classificações de Ziegler (1 977) e de Hardt

(1979)

ã

compu l sória e nas de Royo- Vi l lanova y Morales (1933) e

Li curzi (1934 )

à

eugênica . Aliás

é

inte ressante frisar que , embo

-ra o títul o que .Russell use n a classific ~ ção seja o citado, ela

no texto refere se a esse tipo usando , também , o termo compulsó

-ria.

Vo luntár ia

é

aqu e l a que ocorre com o consentime n to do

pciente, obedecendo ao seu .desejo (em todas as classificações ci t

a-d as) •

A denomin ada po r Ru ssel l de não - vo l untária

é

real i zada

quando o i ndivíduo já está. inconsc i ente , incapaz, pois , de r eve

-l ar sua vontade , nos casos , por exemp-lo , de coma irreversí ve-l . Em

tais situações a eutanásia é autorizada por um par en te o u tutor

legal , r esponsável pe l as decisões em nome do paciente. Supõe- se

que seus desejos sejam conhecidos por aque l e q ue decide .

A eutanásia eugênica , invo luntária ou compu l sória corres

ponde o tipo imposto pelo Estado , n ão seria difícil concordar que

está errada e

é

inconcebível numa sociedade livre. Segundo

Rus-sell,é hora de se cons iderar seriamente os dois outros tipos .

A-cresce nta a autora qu e tal prática é nec essá ria, porém , torn a - se

indispensável sua permissão e admin i. stra ção somente com o

contro-le e proteção especificados numa "boa contro-lei " da eutanásia .

Ziegler (1977 ) I ao expor sua classificação,exemplifica

(24)

se-12.

rá transcrito

é

o de Freud . Aos 83 anos , não ag'úentan d o os sofri

-mentos advindos de um câncer que o torturava há 16 anos , pediu a

seu médico que lh e injetasse morfir.a em dose necess'ária para ma

-tá-lo , e , seu pedido foi atendido , essa eutanásia

é

do tipo ativa ou positiva e voluntária , p o r ação direta que caracteriza , para esse autor , a eutanásia ativa . De acordo com Russell (1977), no

entanto, esse tipo

é

o realizado por ação indireta , uma vez que a morfina

é

uma droga que ali vi a a dor mas que foi

em dose suficiente para causa r a morte.

administ r ada

Outr o exemp l o

é

o caso de Eugene Bauer , em 1972 , que so-frendo d e câncer na garganta , entrou em coma . A junta médica diag nosticou que viveria , apenas , mai s d ois dias . Então , um d os médi -cos condo ído com o sof rimento inútil daquele d oente , injetou dose excessiva de c l oreto da potássio e cinco minutos depois o doente morreu. A modalidade desse caso

é

eutanásia at iva ou p os itiva

in-volW1'tãria e p o r ação d i reta , de vez qu e a drog a foi mlnistrada

cx:xn

o intui·to único de provocar a morte.

o terceiro c a so narrado por Ziegler

é

o de George Zygm~

niak que, aos 26 anos , sofreu um acidente de motocicleta e ficou par a l í t i co . O rapaz pediu , então , a seu irmão que o matasse , e, assim foi feito . E aí es tá um ca so de e utaná sia ativa ou positiva voluntária , por ação direta . Este exemp lo t a l como os doi s ante ·

-rior es

é ,

também , denominado homicídio piedoso . Como sera visto mais adiante, poucos a utores distinguem e ut anásia de homic í d i o

pi

edo s o , normalmente us am como si nôni mos .

(25)

13.

escritor, s u icidou-se par a escapar "aos sofrimentos produzidos por

um câncer. Ziegler (1977) considera eutanásia o suicídio motivado

por uma doença fatal . E , naturalmente , se coloca no tipo de euta

-násia ativa ou positiva , voluntária e por açao direta.

Corno pode ser verificado através das quatro ilustrações

dadas por Ziegler há elementos que podem ser objetados . pode-se questionar o direito do médico de apressar a . morte de seu pacien

-te. No segundo caso , além desse questionamento

é

possível acres

-centar o fato de que o doente estava inconsciente e que se

pode-ria , perfeitamente , 'esperar pela morte natural que se anunciava . O

terceiro caso muitos argumentarão que

é

suportável a vida de 'um paralítico que , além de tudo , não

é

um doente terminal. Com 'uma fac i lidade ainda maior esse caso pode ser caracteriza do como as

sassinato . O suicídio muitos não aceitam como sinônimo de eutaná -sia. Aliás , dos quatro , o único caso de doente terminal é o de Eugene Bauer e , esse ponto parece muito importante

derado para aceitação da eutanásia (ortotanásia) .

ser consi

-o tema eutanásia é , sem dúvida, afet-o a muitas c-ontr-ovéE

sias. Para possibilitar uma compreensão mais rápida , faz-se indis pensável que os estudiosos unifiquem , por exemplo , a classifica -ção dos tipos de eutanás ia. Este pequeno detalhe está sendo co lo-cado para mostrar que existe, ainda , confusões a cerca do assunto

e tal fato , evidentemente , dá margem

à

desacordos .

Relernbrando , na classificação de Russell (1977), há uma

(26)

do distinção entre as duas formas de ação , a que Russell (1977)

denomina passiva os referidos autores entitulam passiva ou indire

ta .

De acordo com Russell (1977) , 0 Or . J oseph Fletcher , qua~

do discutindo a classificação da eutanásia , usa os termos distaná

sla , anti -distanásia e eutanásia di r eta .

A palavra distanãsia tal como a eutanásia

é

derivada do grego , enquanto o prefixo "eu" significa boa , suave , o "dys " tem o significado de má ; distanásia, portanto,

é

" morte

má" ,

Russell (1977)

afirma que

Fletcher emprega o termo anti - distanãsia como

s in ônimo de eutanásia passiva e eutanásia d ireta quando se refere

ã

eutanásia ativa . Este ültimo termo , portanto ,

é

usado por Flet

-cher com o mesmo sentido que os autores citados no parágrafo ante

rior lhe conferem .

M,ediante 'a análise das classificações , é possíve l consta

t ar que os autores as estabe l eceram com base nos seguintes aspec

tos : qua lidade de vida, e dentro desse prisma enquadram se os ad

-jetivos negativa e positiva que definem o resto de vida experimen

tado pelo doente até a hora da morte ; forma de atuação passiva e

ativa , sendo este aspecto , ainda , mais nitidamente caracterizado

com o uso dos termos indireta e direta respectivamente . O ag ente

respon sáve l pela tomada de decis ão

é outro considerado nas classi

ficações , sendo a esse respeito usados adjetivos tais comO

volun-tária e involunvolun-tária.

,Mais

) ~ecen t emente

o, Or. Fletc h er , segundo Russell(l977) ,

(27)

15 .

si t ada pelo doente . A autora concorda q u e essa

é

uma denominação

i nteressante para o tipo de e ut anásia vo l untár i a.

A i n t erpretação de termo distanásia

é

important í ss i ma .

Na verdade seu emprego se refere, essencialmente , ao prolongamento

do sofrimento que inevitavelmente acabará em marte ,e isto ocorre

tan to com o u so de aparelhagem artifica l com um doente terminal

(ant i - eutanásia ) quan t o com a fa l ta de atendimento a doe n tes que ,

atr avés

de

t r atamento , têm possibilidade de salvação . A p r imei

-ra f orma está relacionada a do e ntes com mo r te cereb-ral diagnost ~

cada , que são mantidos vivos com a utilização de meios extraor di

n á ri as . Com esse sentido ut il izam o te r mo tanto Russe l l (1 9 7 7 )

q uanto Asúa (1 928) (in Menezes , 1946 ) . A segunda pode ser exero -

-

.

pl ificada com o aproveitamento da dec l aração do Diretor de um

dos maiores pronto- socorros do Estado do Rio de Janeiro . Essa de

c laração fo i feita em 22/01/84 em um conhecido jornal (O Gl obo ) .

Af i rmou o Di r etor que a situação do hospital

é

tão precár i a que

na h i pótese de um grande acidente terão que atender só aos

paci-entes com mais chances de sobrevivência . Portanto , os nao

socor-ridos estariam

sofrendo

a distanãsia , pois , apesar de ser menor

a chance, e l a existiria .

Resumindo , tanto o tratamento inútil de um doente termi

nal quanto a falta de tratame nto de um doente não - terminal con s~

titui - se em distanásia. São duas açoes opostas mas com u m núcleo comum, o prolongamento do sofrimento que terminará com a morte .

(28)

tor-na - se urgente que se proceda.

A vo l t a

à

discussão das categorias de eutanásia faz - se necessária.

A

eutanásia eugênica ou econômica consiste em

interrom-per, abrevia~vidas sob a alegação de que interessa

à

sociedade. Royo-Villanova y Morales (1933) d~clara não se tratar essa forma

de ação~ em reali dade, de eutanásia . Diz o autor que ainda que

se considere os fins, que o próprio classifica c omo eugênicos,os

mei os empregados não caracterizam a verdade ria prática eutanási-ca . Segundo Royo - Vil l anova . y Mora l es a eutanásia

é ,

antes de tu -do, o proporcionar morte indolor, doce e sem sofrimentos o que entra em contradição com os métodos usados na eutanásia eugêni

-ca . Esse autor

é

um representante da década de trinta, atualmen-te , os autores entitulam essa forma de eutanásia compulsória , já

nao citam os meios , mas de qualquer modo a rej e ita m por consti -tu ir- se em uma impo s ição do Estado.

Um exemp lo importante para verificação do despropósito d e tal tipo de eutanásia ocorreu na Inglaterra. Na Câmara Alta do

Parlamento de Londres , Lord Raglan lançou debates quando um dos pontos discutidos foi o limite aceitável de vida. A idade útil foi fiKad a em 80 anos. O médico não deveria conservar a vida de

nenhum individuo acima desta idade (Z iegler , 1977).

~ evidente e indiscutível a desaprovação da e ut anásia

compuls ória que se constitui, em r ea lida de , num ato de total ar

-bitrariedade descabivel na sociedade atual .

(29)

17.

vida decorre de princípios morais que a e la se vinculam

indisso-luvelrnente . Entretanto , acresc e nta o autor , a sociedade nem

sem-pre é coere nt e e m r e lação à tais princípios .

Continua Kassa h sua apresentação afirmando que por ve

-zes , em algumas sociedades , retornam

à

baila sugestões de limi

tes de idade para concessão de assistência médica . E acusa o au

-tor que tal prática se constitui , na realidade , em condenação

à

morte para os que ultrapassam tai s limites.

Kassah que ~eixa · vislumbrar, em seu artig o , s e r

contrá-rio

à

eutanásia , de forma gera l, mostra , clarame nte sua repulsa

à

eutanásia compulsória . Refere - se (Kassah, 1983 , pág.5) a

"ind ecente alegaç~o de falta de retor no · para as despe-sas assistenc i ais no caso de afecções graves ou pes-soas ido sas .

D

Estado tOdo-poderoso cons i dera-os minas esgotadas . Descansem em p az , é o máximo que se l hes au-g ur a , jun ta nd o-se em surd i na : o quanto antesn

o autor mostra-se , bastante , incisivo em sua opinião

para expor que de fato

é

inaceitável a aprovação de uma general!

zação lega l d e uma idad e útil .

Bas t a ria, n o entanto, l embrar Migue l Ânge l o que pintou

a lgumas de suas maiores obras depois de 80 anos ; Winston

Chur-chill que tornou p a ra a Grã-Bretanha decisões cruciais com mais

de 80 anos; e que a Igreja Católi~a não teria provavelmente , de~

pertado para os tempos mo dernos se João XXIII não houvesse anun

-ciado aos 82 anos a abertura do ConcIlio (Z iegler , 1 977) .

o asp ecto essencial a ser cons i derad~ na c aracterização

(30)

do Estado .

o

s uicí dio de Ernest Hemingway que Ziegler (1977)inclui

corno um tipo de eutanásia (ativa ou positiva , volun t á r ia e por açao direta) foi comentado pelo autor . Ziegle r chama atenção pa

ra uma implic ação de fundo re l igioso interferindo na sua ace i t a çao , o que , al iá s , parece aco nt ecer com qualqaer ti po de eutaná -sia, para aqueles que concordam com sua sinonimia com eutanásia . Vários paíse s possuem lei relativa ao suic í dio . Certas socieda -des aceitam- no como parte do direito i n alienável de cada um esco

lh er seu destino , outras rejeit am - no como intervenção do homem sobre a vontade divin a~ De qualquer form a , o suicídio assume uma di mensão moral inteiramente diferente quando o sujeito que dese

-ja a mo r te incumbe outro de promo vê-la. Na verdade, sob esse po~

to de vista , podem ser c ons i derados como suic ídi o todos os tipos d e euta n ásia vol untári a .

Todos os tip os de eutanásia podem ser acusados pelos 0

-positores como h om icídio , porque , em re a l idade , não deixa de ser . O fat or que a l i via tal den omi nação

é

serem causados por mi

-sericórdia , o mais justo , pois ,

é

denominá - los de homic í dio pie-doso, com exceção , naturalmente da eutanásia compulsória .

(31)

QUADRO 1

ATUAÇÃO 00 Mllorco NA EUTANÃS I A

Eutanásia

(morte boa,

doce , fácil)

Dlstanásia

(morte má) Passiva ou n egativa Ativa

ou

positiva

(ant i-distanãsia) Indireta Direta

Prolongação do sofr im en~o ;

Desistência ou interrupção

Indiretamente

I nduzir a mor

uso de meios extraordiná -

do prolongamento inút il do

causando a mor

te deliberada

rios ou esforços

" heróicos"

sofrimento. Ato ou omi ssão

te com o uso de

mente a

fim

para prolongar a vida inu -

que permite a ocorrência

droga em exces

de terminar o

tilmente.

da morte natural.

50 para aliviaI sofrimento sem

a dor mas que ,

esperanças ou

claramente ,

a -

uma existên -

,

.

pressa a morte. eia sem signi ficado.

(32)

-20 .

A autora usa o termo anti-distanãsia somente como cor

-respondente ,

à

passiva . Entretanto , se distanãsi a

é

o prolonga -menta inútil de urna vida prestes a terminarIa ativa , também,dev~

ria assim ser denominada .

No presente estudo f oi adotada a definição que descreve

a eutanásia como a prática com a qual se procura abreviar sem

dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente

condena-do.

A de~inição adotada inclui somente c?sos de doentes ter

minais como passí v eis de eutanásia , não importand o a categoria

em que se enquadrem .

Resumindo as classificações quanto às condições que se

julga necessárias: tipo de doente , agente, re sponsáve l pela deci são e ação, poder- se - ia citar quatro categorias:

1 . Eutanás ia passiva ou indire ta, voluntária - O Sr . X

é

um doent e terminal, está sofrendo t er rivelmente e , então, p~ de a s e u médico para r e movê-lo d a aparelhagem a rtifici a l q u e o

mantém vivo.

2 . Eutan ásia passiva ou indireta, involuntária O Sr .

x é um doente terminal , está inconsciente , não tem mais condi ções d e so licitar ao médico que o r emova da apare lh agem artifi -cial que o mantém vivo , sua família , então , o faz ·· em se u n ome .

(33)

21 .

morte .

f . Eutanásia ativa ou direta , involuntária - O Sr. X

é

um doente terminal, está inconsci e nte , sem condiçõ e s d e pedir a o médico que administre uma droga em d o se suficiente para apressar

sua morte, então , sua família assume a responsabilidade da tomada

de de cisão , e o faz em seu nome .

3. Conv ~ rgências e divergências de opiniões

A apresentação das várias definições e

clàssificaçõe s

repre s entou uma tentativa .de tornar evidente a necessidade de uni

fie a ção das formas de abordagem ou, até mesmo , de rotulação , pos-sibilitando justificativas ou razõe s para controv érsias melh o r

fundamentadas . Por outro lado , tornou nítida a multiplicidade de fac e tas a serem consideradas e analisadas em busca desse embasa -menta.

o exame da literatura levou, ainda , a outras constat a

-çoe s relevante s. Prime irame nte, faz-se mister observar que as o-bras são b a s tante e s c a s sas. O mate rial enc o ntrado con s tituiu- se de l i v ros tanto r e l a t ivame nte antigos qua nto r e centes e , também , a p e n as d e capI t ul as d e livros e artig o s de r e vista s ci e ntIficas

(34)

-pectos enfocados .

Outro detalhe que preci sa ser sublinh ~do

é

que os auto-r es tauto-r atam a matéauto-r ia, apenas , a nív e l de opinião . Iss o po r que

são I quando mui to, especial is tas em urna d as' áreas abordadas e , as

sim sendo , no que compete "às demais e l es opinam .

As c onstatações

c hega d~s ,

observando as caracterí sticas

citadas , serã o exempllf i cadas na seguinte ordem : opiniões de al

-gun s estudiosos , neces s idade de dar o

t ulo certo às ações que se

constituem em eu tanási a e , situação atua l do tema no Brasil.

Com ref e rênci a às opiniões dos estudiosos , Menezes (1 946),

em seu livro , relata a posição de um número consideráve l deles

Contudo , apen as cons t arão des t e trabalho , aqueles que se

julgou

mais relevantes .

Um dos cr itérios para indicação da e utanás i a , c i tado pe

-l os es tudio sos ,

é

a dor e o sofrimento inúti l de um doente termin a l . Como foi acetermintuado aterminteriormeterminte , os autores coterminvergem termina a -bordagem dos mesmo s aspectos , mas divergem na forma como o fazem .

Santos (1927) (in Me nez e s, 1946), por exemp l o , enfoc a o problema da dor, e o faz com uma o rientação filosófica , religiosa , espiri

-tu a l . Afirma esse autor que nao s e jus tifica deixar que o doente s ofra para alcançar a purificação es piritu a l . Dizia Santos , em

1927, que já não se poder ia aceitar es s a n oção . Cita , inclusive ,

os mártires místicos de todas as r e l i giões desaprovando a i dé ia ,

a seu ver , ultr apas sada .

Ro y o -Villanov a y Mo rales (1933 ) a b or d a o mesmo probl ema

(35)

23 .

difer ente d e Santos. Enquanto esse último e nf a tizou o fa tor espi

-ritual, Royo- Vi l l anova y Mo r ales acentuou somen te o prisma bioló gico .

Santos (1 92 7 ) (i n Men ezes , 194 6) mostra - se favorável eutanásia, baseado no aspecto citado "nos p arágra fos anteriore s considera q u e se deve atentar tanto para a e ubiás ia quanto para a

-a

eutanásia quando as condições assim exig ir em .

Asúa (1928) (in Me n ezes , 1946) op i na que nã o se deve e on

fundir eutaná s ia com homicídio pi edoso . Al iás , . somente esse auto r , Moura ( 1 940 ) e Gomes (19 81) falam c l arame nte dessa distinção. Co~

tudo , Moura julga inaceitável a eutanásia porque, sendo o age nte o méd ico , representa o fracasso d a ciênc i a , enquanto o homicídio piedoso ele ace i t a . Asúa exibe uma pos iç ão ' diferen te , diz que , por vezes , o médico p ode chegar

à

eutanási a como cura . Todavia ,

é

fa -vorável, também , ao homicídio piedoso , chama atenção , e ntretanto , que nes se caso o moti vo

é

de suma importânci a . Gomes reprova

am-bos os atos .

Asúa Quan to ao aspecto jurí dico , mais espec ifi c~mente ,

d efende ~ tese d e que não deve e xi stir em Lei permissão para o ho mícídio piedoso , mas

é

favorável ao perdão judicial . Asúa (192 8

(i n Men ezes , 1946 , pág .13 4) decl ara :

" e u nio quereria ver escrito de maneira expr essa que o homicídio piedoso deve ficar impun e . Marchemos por vias menos assinaladas e ponhamo s o perdia na esfera do li vre arbítrio judicial" ,

o

autor

é

de opinião qu e nenhum juiz conõenará uma p

(36)

mal incurável .

Em relação ao aspecto médico , Asúa coloca um detalhe mui

to importante , ainda mais considerando que sua opinião foi dada

na década de 20 . O autor não concorda com a eutanásia em um paci

-ente vítima de urna doença terminal , porém / ainda não em seu

está-gio fi nal . Entretanto

é

tota l mente favorável

ã

sua prática em um

doente termina l. De fato

é

s uti l essa distinção, por ém , muito

im-portante , o câncer se constitui em doença terminal , entretanto

nem todo canceroso

é

um doente terminal .

Na busca das obras dos autores citados por l-1enezes (l946),

encontrou- se , apenas , o l ivro de · Royo - Villanova y Mora les .

Exami-nando as citações de Menezes , veri ficou -se que esse foi fidelíssi

mo quando mencionou as opiniões daquele .

Royo- Vi11anova y Mora1es (1933) e Russe11 (1977) são os

únicos que, citam a distanásia que

é

o prolongamento desnecessário

dos sofrimentos de um doente termin al . Em verdade , a distanãsia '

tem dois sentidOS; o prolongar um tratamento desnecessário quando

se trata de um doente -terminal ou deixar de promover o tratamento

necessário a um doente que com ele sobreviveria. Nos dois casos

há um núcleo comum: prolongar sofrimen tos que terminarão com a

morte.

Royo-Villanova }' Horales

é

um exemplo da dificuldade de

tomada de posição diante de assunto tão complexo quanto a

eutanásia. Dizse adversário da prática da eutanásia , mas , em realida

-de , o

é

somente ao chamado tipo eugênico . Essa categoria, atual

(37)

25.

mente ser aceita por ninguém . Quando o autor fala da eutanás i a

,

denominada por ele de terapêutica , concorda que quando o médico

n ão pode c:.Jrar ou aliviar a dor , d e veria ter o direi t o de

abre-viar o sofrime nto -e apressar o momento final . Or a , qua l

é

a fun

-ção da eutanás ia? Esse autor pode entitu l ar-se contrário

à

essa prática? Poder - 5e-ia, ta l vez , concluir q u e a dificuldade nao

é

propriamente de tomar a decisão mas sim de assumi -la .

A posição de Royo <o"'Vi llanova y lv10rales (1 93 3)

é

I de fato ,

bastante digna de ser assinalada 0, Segundo ele , a eutanásia tera

-pêutica

é

admissível , contudo , afirma que não se pode deixar de

v er no médico que a pratic~ um carrasco . Declara- se desfavorável

à

eutanásia mas reconhe ce que n essa questão como em outr as

práti-cas médipráti-cas , a lógica, o sentimento, a piedade e o dever estão em

profundo contraste. Julga que estabelecer leis , pronunciar um sim ou um não francamente categór i cos

ê

por demais ousado , arriscado .

Esse parágrafo define b em a posição do autor .

Li curzi (1934) (~ Menezes , 1946) não demonstra aquilo

que s e poderia chamar d e incoerência em ROyo-Villanova y Morales . Licurzi

é

um ar d e nte defe n s or da e utanâsia. Esse autor opina que tlad or mecer " def initiv amen t e, prov o c a ndo a morte, um paciente ter-min a l

é

a últi ma vitór ia da me di ci n a. Di z Li c urzi que es sa tem o mesmo va l or das v i tór i as espi ri tuais d e u ma r e l i g i ão . Em s u a opi -ni ão , a re l igião e a eutaná s ia juntas po d em da r s o lu ção mo ral ao mais sér i o , comple x o e terrível dos p r oblemas bi oló gi cos e f i losó

f icos que é a morte .

(38)

-bra mais humana, generosa , digna , nobre e santa que pode existir.

Concorda que a vida

é

um dom de Deus, porém , discorda que se pos -sa ch amar '/ida

à

agonia . Licurzi considera absurdo que se chame a eutanásia de homicídio . Inclus i ve , aceita a prática mesmo sem a solicitação do doente quando esse já não tem condições de fazê - lQ J ul ga que não se está lesando , n esse caso , a vontade de v ive r de quem n e m sequer pode manifestá - la .

Nota - se que a posição de Licurzi

é

bem mais nít i da do que a de Royo- Villanova y Morales. Esse declara - se desfavorável , contrário a eutanásia mas , ao mesmo tempo , diz que em certos ca -sos ela

é

a melhor so l ução: Ta l vez se possa concl u ir que Royo-Vi l l anova y Morales a considere um mal necessário . Licurzi , entre tanto , r ecomenda até que se adote para o prefixo " eu " o signi fica

do de bondoso .

Bouza (1935) (in Menezes , 1 946) defende o leg i slador ur~

guaio dos ataques cat6 l icos , advogando a tese de q ue os juI zes têm a faculd ade de isentar de castigo o indivíduo de bons anteceden

-tes que comete o homicIdio piedoso a pedido do doente. Vê-se qu e o au tor não fez qualquer distinçãq en tr e eutanásia e homicídio pi edoso , nota-se, ainda , sua cautela frisando ser o agente portador de bons antecedentes e , finalmente , parece considerar importante

a solicitação do paciente.

~ interessante notar qu e Bouza denomina eutanásia teoló-gica a ação que corresponde ao que Royo-Villanova y Morales clas-sificou de eutanásia natural. DescreVe Bouza (1935) (in Menezes,

(39)

27.

"eut anásia teológica ou r eligiosa consiste na morte em estado de graça , doce, pacífica , sere na, dos que se vão. certos de poderem contar com a misericórdia . divina " .

Menezes (1946) discorda com o que Bouz~ chama de eutaná -sia teológica , e r assim sendo , não deve também julgar acertada a

denominada por Royo- Villanova

y

MaraIes corno eutanásia natural.N e

n ezes adM in adequada essa · classificação de vez que n ao implic a

intervenção do homem . O fe nômeno envo lvi do , em verdôde, e a morte

n at ur al , e , dessa forma Menezes julga que se poderia chamá-lo

mOE

te teológica ou religiosa . De fato, parece que Menezes tem raz aa e verifi ca - se , mais uma vez , a necessidade de ' que seja descrito o que constitui realmente a eu ta násia . Essas dúvidas datam de 1933-35 , entretanto , o problema c o ntinua existindo na atualidade como

se verá adiante.

Souz a opina , também, no que diz respeito

à

área médica ,

não será colocado aqui para n ão alongar demais a exposição citando

f atos discutidos por todos .

Ingenieros (1937) (in Nenezes , 1946) exibe sua opinião

de forma bem clara . Assim fazendo, permite que Se afirme , sem me -do de errar , ser sua posição sui generis . Confessa-se partidário da eutanásia e opina que a justificativa desse tipo de homicídio

está no consentimento, na solicitação da vítima e nos costumes so ciais do ambiente a que o indiví d uo pertence . 1\ re spe ito , Ingeni!. ros ' (1937) (in l>1enezes, 1946, p5g.136) se expressa:

~ com a nossa moral presente, estQmo s obrigados a conside rar cama dolito qualquer ato que abrevie a exlst~ncia

di

(40)

o mais interessante , p o rém ,

é

nao admitir o a utor que o

agente seja um médico . Ingenieros (1937) (~MeD ezes , 1946 , pág.

1 22)

Mé inadmissível que o médico possa co nv e r ter se em lns -trumento do suicíd io alheio . E certo q ue ele conhece mé-t odos seguros B . ao que par ece , sem dor J mas se trat a de segredos qu e 56 não . de scobre qu em nia qu e r» ,

Moura (1940) também na o aceita que o médico pr at iqu e e utanásia

mas, a distingue do homicídio pi e d o so.

Sem dúvida ' . In genie r os

é

único em sua forma de expressar

a op inião, Moura o faz de maneira diferente ; pOder- 5e-ia que esse últ imo exibe uma posição o riginal .

dizer

Menezes (1946) inclui outros a u tores mais em seu trabalho, contudo , parece que o citado aq u i já foi suficiente para a l

-gomas conclusões . Agora se rã o mostr a d as as opiniões do próprio M~ n ezes . Es se a u to r

é

fran came nte fav oráve l

à

eutanásia , inclusive,

ã

chamada em sua ép oca de eugêni ca . Por ai pode-se conclui r sobre

o grau de fav o rabilidade de Me ne zes .

Em relação ao aspecto jurIdico , Menezes (194 6 ) nao con -corda com Asúa (1 928) com r eferência

à

opinião de que o perdão j~

dicial gerado pelo livre arbítrio do juiz

é

o su ficiente . l'lenezes julga que não basta o perdão j udicial ,

é

necessário a existência de permissão legal expressa para que a e ut anásia não se constitua crime , passando, então a representar um dever de humanidade .

A defi.nição inclui como passiveis de eutanásia doentes portadores de um mal in curáve l. Nenezes ao abordélr o prOblema da

(41)

29 .

rad a . Afir ma que exi stem doe nç as abs olutamente in curáve is e doen

-ças relativamente incur áveis e

r

por isso , em sua opi nião os casos

n ao devem ser incl u íd os sob um único rótulo . Por exemplo , um

s uj e i

to sofre de uma doenç a que deixou de ser incuráve l em um país que

" n ão o seUl o indivíduo nao tem recursos p ara d es l ocar - se em busca

d o tratamen to no outro país , esse

é

um paci e nte p or t ado r d e urna doenç a re l a tivamente curável , dev e ser tratado corno doente de um

mal inc uráve l. Diante desse argume nto de Menezes torna se i mpo r

-t a n-te lembrar a crí-ti ca fei-ta n a ap resen-tação d a s definições .

Royo-Vil l anova

y

Morales (1933) também critica o crité

-rio da incurabilidade para" indi cação da eutanásia , porém; o faz

com outro argumento . Di z que algumas doenças são in curáv e is

ape-nas nos estados avançados e , cujos d i agnósticos estão muito

sujei-t os a e rr o . Afirma que há nec essidade d e uma me l hor def inição .Faz

ma i s uma afirmação que os adeptos de e u tanás i a r efutam como

errô

-nea . Royo-Villanova

y

140rales declara que sao os sofrimentos ter

rív eis , e n ão a incurabi lidade da doença , que deve servir de cri

-tério para d e terminar a prática da e ut anásia .

Observa-se, portanto , uma convergência na medida em

que

os dois autores abordam , dentro da mesma área , o mesmo aspecto-cri

tério para determinar a eutanási a - mas , também , nota - se uma

di-vergência na forma de abordagem . Inclusive os dois estudiosos con

fessam - se em posições opos ta s

ã

respeito da eutanásia .

Menezes

(1946)

co l oca-se, ainda , em relação ao

aspecto

moral-religioso . Argumenta que a mora l dominante aplaude o homicí

dio em legítima defesa, diante disso julga não h aver , sob o aspec

(42)

prática da ~utanásia .

Os autores conseguem , muitas vezes , enfocando o mesmo

aspecto , porém, d e forma diferente, prov ar a sua aceitabi lid ade , enquanto outros convencem que - aquele aspecto

é

motivo de desapro

-vação da mesma . Um opositor da eutanásia poderia , por exemplo , cha

mar atenção para o fato de Menezes foca l iz a r o a g ente quando se

r efe r e

à

legítima defesa. E , tan to a posição do agente quanto a

da vitima

é

totalmente diferente nas duas situações.

o mandamento "não matarás" se r ve de exemplo de como os autores podem usá-lo quer para def e nder, quer para . reprovar a pr~

tica d a eutanásia . i~l e ne zes ( 1 94 6 ) ao citá-lo menciona as palavras de Licurzi (1934) (in Henezes , pâg , 88 ) com o qual concorda :

"curioso e trágico paradoxo este das religiõ es como fon-te de justiça e de morel : para alcançarem a perfeição da fraternidade humana , tiver am d~ viver lutando através de 6dios inumeráveis e vinganças fraternais~ ,

Tanto Licurzi quanto Menezes sao adeptos confessos da e~

tanásia. Parece que não há necessi dade de qualquer outra citação

para mostrar o posicionamento de Nenezes .

Fáve ro (1971) não foge ao esquema dos autores ma is anti

-gos , aborda pontos n as três áreas. Mostra-se , claramen te,

contrá-rio

à

lega liz ação da eutanásia . Refere-se

à

tal prática usan do o

termo assassinato , e opina (pãg. 45)

H~s sassinDr ~ sempre mal maior . seja _ou nia par

de 11 •

pieda-Em relaç~o ao aspecto médico , Fávero comenta um ponto

Imagem

Tabela  Página
Tabe la  1 3

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