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ARTIGO
ORIGINAL
Fibrinogen:
cardiometabolic
risk
marker
in
obese
or
overweight
children
and
adolescents
夽
,
夽夽
Waldeneide
F.
Azevedo
a,b,
Anajás
S.C.
Cantalice
c,
Nathalia
C.
Gonzaga
d,
Mônica
O.
da
S.
Simões
c,e,
Anna
Larissa
V.
Guimarães
a,
Danielle
F.
de
Carvalho
ee
Carla
C.M.
Medeiros
e,∗aUniversidadeEstadualdaParaíba(UEPB),CampinaGrande,PB,Brasil
bUniversidadeFederaldeCampinaGrande(UFCG),CampinaGrande,PB,Brasil cUniversidadeFederaldaParaíba(UFPB),JoãoPessoa,PB,Brasil
dUniversidadeFederaldoCeará(UFC),Fortaleza,CE,Brasil
eProgramadePós-Graduac¸ãoMestradoemSaúdePública,UniversidadeEstadualdaParaíba(UEPB),CampinaGrande,PB,Brazil
Recebidoem18dejulhode2014;aceitoem24denovembrode2014
KEYWORDS
Fibrinogen; Obesity; Atherosclerosis; Children; Adolescents
Abstract
Objectives: Todeterminetheprevalenceofincreasedserumfibrinogenlevelsandits
associa-tionwithcardiometabolicriskfactorsinoverweightorobesechildrenandadolescents.
Methods: Cross-sectional study with 138 children and adolescents (overweight or obese)
followedatareferenceoutpatientclinicofthepublichealthcarenetwork.Fibrinogen concen-tration was divided into quartiles, and values above or equal to the third quartile were consideredhigh.Theassociationbetweenhighfibrinogenvaluesandcardiometabolicrisk fac-torswasassessedusingPearson’schi-squaredtestorFisher’sexacttest,asnecessary.Logistic regressionwasusedtoadjustvariablespredictiveoffibrinogenlevels.Analyseswereperformed usingSPSSversion22.0andSASsoftware,consideringaconfidenceintervalof95%.
Results: Serum fibrinogenlevels wereelevatedin 28.3%ofindividuals, showing association
withthepresenceofhighCRP(p=0.003,PR:2.41,95%CI:1.30-4.46)andthepresenceoffour ormoreriskfactors(p=0.042;PR:1.78, 95%CI:1.00-3.17).Afteralogisticregression,only elevatedCRPremainedassociatedwithalteredfibrinogenlevels(p=0.024;PR:1.32;95%CI: 1.09-5.25).
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2014.11.007
夽 Comocitaresteartigo:AzevedoWF,CantaliceAS,GonzagaNC,SimõesMO,GuimarãesAL,CarvalhoDF,etal.Fibrinogen:cardiometabolic
riskmarkerinobeseoroverweightchildrenandadolescents.JPediatr(RioJ).2015;91:464---70.
夽夽EstudofeitonoNúcleodeEstudosemPesquisasEpidemiológicas(Nepe),CentrodeObesidadeInfantil(COI),UniversidadeEstadualda
Paraíba(UEPB),JoãoPessoa,PB,Brasil.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](C.C.M.Medeiros).
Conclusions: Increased fibrinogenwas prevalentinthestudy populationandwasassociated with ultrasensitiveC-reactive protein andthe presenceoffour or more cardiovascularrisk factors;itshouldbeincludedintheassessmentofindividualsatrisk.
©2015SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Allrightsreserved.
PALAVRAS-CHAVE
Fibrinogênio; Obesidade; Aterosclerose; Crianc¸as; Adolescentes
Fibrinogênio:marcadorderiscocardiometabólicoemcrianc¸aseadolescentesobesos
oucomsobrepeso
Resumo
Objetivos: Verificaraprevalênciadeníveisséricoselevadosdefibrinogênioesuaassociac¸ão
comosfatoresderiscocardiometabólicosemcrianc¸aseadolescentescomsobrepesoou obe-sidade.
Métodos: Estudotransversalcom138crianc¸aseadolescentes(obesosoucomsobrepeso)
acom-panhadosemumambulatóriodereferênciadaredepública.Aconcentrac¸ãodofibrinogêniofoi distribuídaemquartiseconsideradaelevadaquandoosvaloreseramiguaisousuperioresao terceiroquartil.Aassociac¸ãoentreovalorelevadodofibrinogêniocomosfatoresderisco car-diometabólicosfoiverificadacomotestequi-quadradodePearsonouotesteexatodeFisher, quandonecessário.Aregressãologísticafoiusadaparaajustedasvariáveispreditorasdonível do fibrinogênio.Asanálises foramfeitasnoSPSS 22.0e SASeconsiderou-se ointervalode confianc¸ade95%.
Resultados: Osníveis séricosde fibrinogênio estiveramelevadosem 28,3% dos indivíduose
apresentaram associac¸ãocomaPCRelevada(RP:2,41; IC95%:1,30-4,46,p=0,003)ecoma presenc¸a dequatro oumaisfatores derisco(RP:1,78; IC95%:1,00-3,17;p=0,042).Apósa regressãologística,apenas oPCRelevado continuouassociadoao fibrinogênio alterado(RP: 1,32;IC95%1,09-5,25;p=0,024).
Conclusões: Oaumentodofibrinogêniofoiprevalentenapopulac¸ãoestudada,esteveassociado
àproteínaCreativaultrassensíveleaonúmeroigualousuperioraquatrodefatoresderisco cardiovascularesedeveserincluídonaavaliac¸ãodeindivíduossobrisco.
©2015SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Todososdireitos reservados.
Introduc
¸ão
A prevalência de excesso de peso tem aumentado em todasasfaixas etárias noBrasil, aexemplo do que acon-teceemtodoomundo.1DadosdaPesquisadeOrc¸amentos Familiares2demonstramqueaproporc¸ãodecrianc¸asobesas quadruplicounosúltimos20anoseadeadolescentes tripli-counomesmoperíodo,achadossemelhantesaosobservados empaísesdesenvolvidos.3,4
Aobesidaderepresentaumacondic¸ãoinflamatória sub-clínica que agrega um número substancial de fatores de risco cardiometabólicos.5 Stoopa et al. 6 ao avaliar o estado inflamatório e protrombótico de crianc¸as e ado-lescentes com obesidade oueutróficas, verificaram níveis elevados de fibrinogênio já em idades inferiores a seis anos nas obesas, independentemente do estado pube-ral.
A inflamac¸ão na aterogênese é decorrente da síntese, secrec¸ão e armazenamento de citocinas pró-inflamatórias pelos adipócitos e produz um estado de baixo grau de inflamac¸ão com complicac¸ões vasculares e metabólicas7 quelevaàdisfunc¸ãoendotelialvascular,consideradao iní-ciodoprocessoaterogênico.8Fatoresdecoagulac¸ão,como o fibrinogênioe ofluxo sanguíneo,e fatoresinflamatórios vêm ganhando importância na determinac¸ão do processo
ateroscleróticoe sãoconsideradosimportantesfatoresde riscoparadoenc¸ascardiovasculares.7,9
O fibrinogênio, uma proteína de fase aguda, inte-gra o grupo de biomarcadores inflamatórios produzidos pelos hepatócitos e é considerado um importante marca-dorparaacompanharaevoluc¸ãodoprocesso inflamatório aterosclerótico,10 uma vez que atua na gênese do pro-cessoaterotrombóticopormeiodaregulac¸ãodaadesãoe proliferac¸ãocelular,vasoconstric¸ãonolocaldalesão endo-telial,estimulac¸ãodaagregac¸ãodeplaquetaseviscosidade dosangue.7,8
Embora a relac¸ão da obesidade com a hiperfibrino-genemia seja reportada em crianc¸as, a associac¸ão do fibrinogêniocomosfatoresderiscocardiometabólicosainda não está bem esclarecida.11,12 A busca de biomarcadores paraidentificarprecocementeindivíduoscommaiorriscode desenvolverateroscleroseeoconhecimentodesuarelac¸ão comosdemaisfatoresderiscocardiometabólicosé funda-mentalparaoentendimentoeaelaborac¸ãodeintervenc¸ões quevisemadiminuiramorbimortalidadepordoenc¸as car-diovasculares.
Métodos
Estudotransversal,feitoentrejunho/2011eabril/2012,no CentrodeObesidadeInfantil(COI),localizadonoInstituto deSaúdeElpídeodeAlmeida(Isea),CampinaGrande-PB.O COI,servic¸odereferênciaparaobesidadeinfantilno muni-cípio,éformadoporpesquisadoreseequipemultidisciplinar que inclui médicos (pediatra e endocrinologista), farma-cêuticos,nutricionistas,psicólogas,enfermeiras,assistente socialeprofissionaldeeducac¸ãofísica.
Nomomentoemquefoiiniciadaapesquisaexistiam450 crianc¸aseadolescentesobesosoucomsobrepeso cadastra-dosnoCOI.ForamincluídosaquelesquefrequentaramoCOI durantetodooperíododoestudoeconstituíramuma amos-tradeconveniênciade138crianc¸aseadolescentes.Foram excluídos aqueles que apresentavam doenc¸as ouestavam emumusodemedicac¸ãoqueinterferissenometabolismo glicídicooulipídico;comdiagnósticodesíndromegenética; equemodificaramoestadonutricionalparaeutrofia.Para finsdesteestudo,ocálculodopoderestatísticodaamostra foifeitoaposteriori,afimdepermitirestimaraprevalência defibrinogênio alteradode28,3%eassegurarqueo tama-nhoamostralpermitisseresponderaosobjetivospropostos. Paramedidasdeassociac¸ão,aamostraapresentouopoder de85%(=15%)paraoníveldeconfianc¸ade95%.
As variáveis antropométricas (peso, estatura e circun-ferência abdominal)foram verificadas em duplicata e foi considerado o valor médio das duas aferic¸ões,de acordo com asrecomendac¸ões da Organizac¸ão Mundial da Saúde (OMS).13
OestadonutricionalfoiclassificadodeacordodoÍndice deMassaCorpórea(IMC),conformerecomendac¸õesdo Cen-tersofDiseaseControlandPrevention(CDC),emsobrepeso (IMC≥percentil85e<percentil95),obesidade(IMC≥
per-centil 95 e<percentil97) e obesidade acentuada (IMC ≥
percentil97).14 A circunferência abdominal (CA) foi con-sideradaaumentada quandoapresentou valoressuperiores ouiguaisaopercentil90,segundoaInternationalDiabetes Federation(IDF),15comlimitemáximode88cmpara meni-nase 102cmpara osmeninos, deacordo com o National Cholesterol Education Program Adult Treatment Pannel III (NECP-ATPIII).16
Apressãoarterialfoiaferidapelométodooscilométrico comequipamento damarca Tycos® (WelchAllyn Inc.,NY, EUA),deacordocomasnormasestabelecidasnasVI Diretri-zesBrasileirasdeHipertensãoArterial.17
O colesterol total (CT), a lipoproteína de alta densi-dade (HDL-c), os triglicerídeos (TG) e a glicemia foram avaliadossegundoo métodocolorimétricoenzimático,em equipamentoautomático(BioSystems,Modelo310,Applied Biosystems,CA, EUA);o fibrinogêniopor método coagulo-métrico; a proteína C reativa ultrassensível (PCRus) e a insulina por quimioluminescência em equipamento auto-matizado Immulite 1000 (Siemens®, Siemens Healthcare, Erlangen, Alemanha). A lipoproteína de baixa densidade (LDL-c)foicalculada pormeiodafórmula deFriedwald.18 Acoletasanguíneafoifeitaapós12horasdejejum.
Comocritérioparadiagnósticodaresistênciainsulínica (RI) foi usadoo índice de homeostaseglicêmica da resis-tênciainsulínica(HOMA-IR),classificadoquandoapresentou valoresiguaisousuperioresa2,5.19
Foramconsideradoscomofatoresderisco cardiometabó-licos:IMC≥percentil97,CAigualousuperioraopercentil
90 para sexo, idade e etnia, com limite de 88cm para meninase 102cm paraos meninos;16 pressão arterial sis-tólica(PAS) e/oupressãoarterial diastólica(PAD)igualou superior ao percentil 90 para sexo, estatura e idade,17 TG≥ 130mg/dL,CT≥ 170mg/dL;HDL-c<45mg/dL;
LDL--c≥ 130mg/dL; glicemiade jejum≥ 100mg/dL; insulina ≥15UI/mL;HOMA-IR≥2,5ePCR>3mg/L.20,21Indivíduos
comPCR≥10mg/Lforamexcluídosdaanálisedessa
variá-vel, uma vez que, nesses casos, é recomendado afastar processoinflamatórioagudo.21
Osníveisdofibrinogênioforamdistribuídosemquartise osvalores iguais ousuperioresao percentil75daamostra estudada, que corresponde a 3,4g/L,foram considerados comoelevados,devidoàinexistênciadepontodecortepara apopulac¸ãoinfantil.22
O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pes-quisa daUniversidadeEstadualda Paraíba(UEPB)(CAEE -0256.0.133.000-1)edesenvolvidomedianteaassinaturado TermodeConsentimento LivreeEsclarecido pelospaisou responsáveis,queautorizaramaparticipac¸ãodascrianc¸ase adolescentesnoestudo.
Osdados foram apresentados por meio de proporc¸ões e medianacomrespectivo intervalointerquartílico(IQ).A associac¸ãoentre osvaloresde fibrinogênio elevado (valo-res iguais ou superiores ao percentil 75) com sexo, faixa etária, estadonutricional, CA, PAS, PAD,TG, HDL-c, LDL--c,CT, glicemia,insulina, HOMA-IRe PCR-us, foi avaliada com otestedoqui-quadrado dePearsonouo testeexato deFisher,quandonecessário,eforamdescritosasrazõesde prevalência(RP)eseusrespectivosintervalosdeconfianc¸a. Apósa aplicac¸ão doteste deKolmogorov-Smirnov, que constatou uma distribuic¸ão não paramétrica da variável ‘‘fibrinogênio’’, aplicou-se o teste de KrusKal-Wallis para testaraassociac¸ãodamedianadofibrinogêniocomoestado nutricional (sobrepeso,obesidadee obesidadeacentuada) ecomonúmerodefatoresderiscocardiometabólicos(1= umfatorderisco;2=doisfatoresderisco;3=trêsfatores de risco; 4 = quatroou maisfatores de risco). Posterior-mente, para avaliac¸ão dadiferenc¸a dessas medidasentre cadagrupo,foiaplicadootestedeMann-Whitney,ajustado paraassegurarqueoerro␣nãoultrapassasseovalor0,05. Paraoajustedasvariáveisfoiusadaaregressãologística múltipla, cujo critério definidopara a inclusãodas variá-veisfoiaassociac¸ãocomavariáveldependentenaanálise bivariadacomumvalorde‘‘p’’inferiora0,20.Asvariáveis foramincluídasnaanálisederegressãopelométodoenter, deacordocomovalordecrescente daRazãode Prevalên-cia. Comomedidadequalidade deajuste dosmodelosde regressãologísticafoiusadootestedeHosmereLemeshow, noqualump≥0,05indicaqueomodeloestáajustado.
As análises foram feitas com o programa SPSS, versão 22.0(SPSSInc.,Chicago,EUA)eSASUniversityEdition(SAS Institute Inc.,Cary, NC,EUA).Foi consideradoo intervalo deconfianc¸ade95%.
Resultados
Tabela1 Distribuic¸ãodafrequênciadasvariáveisbiológicaseclínicasdeacordocomosníveisdefibrinogênioemcrianc¸ase adolescentescomsobrepesoouobesidade
Variáveis Fibrinogênio(g/L) RP
(IC95%)
P
≥3,4(n=39) <3,4(n=99)
n(%) n(%)
Sexo Masculino 28(34,1) 54(65,9) 1,74 0,063a
Feminino 11(19,6) 45(80,4) (0,95---3,20)
FaixaEtária Infância 13(43,3) 17(56,7) 1,80 0,038a
Adolescência 26(24,1) 82(75,9) (1,06-3,05)
EstadoNutricional IMC≥P97 27(31,0) 60(69,0) 1,32 0,345a IMC<P97 12(23,5) 39(76,5) (0,73-2,37)
CA CA≥P90 32(30,2) 74(69,8) 1,34 0,549b
CA<P90 7(22,6) 24(77,4) (0,66---2,73)
PAS PAS≥P90 9(36,0) 16(64,0) 1,39 0,439b
PAS<P90 29(25,9) 83(74,1) (0,76---2,56)
PAD PAD≥P90 12(27,9) 31(72,1) 0,97 0,922a
PAD<P90 27(28,7) 67(71,3) (0,55-1,73)
FRC ≥4 26(35,6) 47(64,4) 1,78 0,042a
<4 13(20,0) 52(80,0) (1,00-3,17)
CA,circunferênciaabdominal;PAS,pressãoarterialsistólica;PAD,pressãoarterialdiastólica;FRC,fatoresderiscocardiometabólicos.
a Níveldescritivodeprobabilidadedotestequi-quadrado.
b Níveldescritivodeprobabilidadedecorrec¸ão.
proporc¸ão verificadapara osfatores derisco cardiometa-bólicosfoi de:5,8%para apenasumfator;13%para dois; 28,3%paratrêse52,9%paraquatrooumaisfatores.
Ofibrinogênioelevadoestevepresenteem28,3%dos par-ticipantes e foi mais frequente entre as crianc¸as do que
nosadolescentes (p = 0,038; RP: 1,80; IC95%:1,06-3,05); comquatro oumais fatoresde risco (p=0,042; RP: 1,78; IC95%:1,00-3,17)cardiometabólicosenaquelescomPCR-us elevada(p=0,003;RP:2,41;IC95%:1,30-4,46).Essaúltima condic¸ãoestevepresenteem52,9%.
Tabela2 Distribuic¸ãodefrequênciadasvariáveislaboratoriaisdeacordocomosgruposdefibrinogênioemcrianc¸ase adoles-centescomsobrepesoouobesidade
Variáveis Fibrinogênio(g/L) RP(IC95%) P
≥3,4(n=39) <3,4(n=99)
n(%) n(%)
TG Elevado 13(21,7) 47(78,3) 0,63 0,131a
Normal 26(33,3) 52(66,7) (0,37-1,15)
CT Elevado 16(29,6) 38(70,4) 1,08 0,775a
Normal 23(27,4) 61(72,6) (0,63-1,85)
LDL-c Elevado 9(36,0) 16(64,0) 1,32 0,532b
Normal 30(27,3) 80(72,7) (0,72-2,42)
HDL-c Baixo 36(29,5) 86(70,5) 1,38 0,757c
Normal 3(21,4) 11(78,6) (0,49---3,90)
GLICEMIA Elevada 0(0,0) 1(100,0) -
-Normal 39(28,5) 98(71,5)
-INSULINA Elevada 13(33,3) 26(66,7) 1,27 0,406a
Normal 26(26,3) 73(73,7) (0,73-2,21)
RI Presente 17(34,7) 32(65,3) 1,40 0,213a
Ausente 22(24,7) 67(75,3) (0,83---2,38)
PCR Elevada 21(39,6) 32(60,4) 2,41 0,003a
Normal 12(16,4) 61(83,6) (1,30-4,46)
TG,triglicerídeos;CT,colesteroltotal;LDL-c,lipoproteínadebaixadensidade;HDL-c,lipoproteínasdealtadensidade;RI,resistência
àinsulina;PRC,proteínaC-reativa.
a Níveldescritivodeprobabilidadedotestequi-quadrado.
b Níveldescritivodeprobabilidadedecorrec¸ão.
Mediana de fibrinogênio
Med: 2,1 IQ: 1,9-3,5
*p = 0,003 grupo 2 versus grupo 4 Med: 2,2 IQ: 2,0-3,1
Número de fatores de risco
Med: 2,4 IQ: 2,2-3,3
Med: 2,9 IQ: 2,4-3,5
Maior ou igual a 4 0,0
1 2 3
1,0 2,0
3,0 p = 0.002
*
*
Figura1 Medianadaconcentrac¸ãodefibrinogênio,segundo onúmerodefatoresderiscocardiometabólicos.
Med,mediana;IQ,intervalointerquartílico.
Nãoseverificoudiferenc¸aestatisticamentesignificativa na relac¸ão damediana dofibrinogênio com ascategorias do estado nutricional: sobrepeso=3,0 (IQ:2,3-3,6); obe-sidade=2,5 (IQ: 2,1-3,2); obesidade acentuada=2,6 (IQ: 2,2-3,5);p=0,284.Jánarelac¸ãocomorisco cardiometabó-lico,observou-sequeamedianadofibrinogênioaumentouà medidaquecresceuonúmerodefatoresderisco(p=0,002). Essadiferenc¸aocorreuemfunc¸ãodosgruposcomdoisecom quatrooumaisfatores(p=0,003)(fig.1).
Na regressão logística múltipla, o PCR>3mg/L esteve associadoindependentementeaosvaloreselevadosdo fibri-nogênio(igualousuperioraopercentil75),comriscode1,32 (p=0,024; IC95%: 1,09-5,25). O modelo final, que incluiu comovariáveisexplicativasoPCR>3m/L,onúmerode fato-resderisco≥4eafaixaetária(10a18anos),apresentou
umbomajuste,avaliadopelotestedeHosmereLemeshow (0,648)(tabela3).
Discussão
No presente estudo, a maioria dos avaliados apresentava obesidadee agregavaquatrooumaisfatoresderisco car-diometabólicos.Foiverificado, ainda,queo nívelelevado defibrinogênio,umdosfatoresdeavaliac¸ãodoestado pró--trombótico, esteve presente em mais de um quarto da amostra. O estado pró-trombótico é considerado o dese-quilíbrioentrefatorespró-coagulantesepró-fibrinolíticos, caracterizado,principalmente dopontodevista laborato-rial, pela elevac¸ão do fibrinogênio, do fator de inibic¸ão da ativac¸ão do plasminogênio (PAI-1) e pela ativac¸ão de vias de coagulac¸ão. Está também associado à disfunc¸ão endotelial.23
Em indivíduosobesos, aelevac¸ão dosníveis de fibrino-gênioedeoutrosfatoresdecoagulac¸ão,comooPAI-1eo fatordeVonWillebrand(vWF-Ag),temsidoassociadaaum aumentodeeventoscardiovasculares.24 Alguns estudos8,22 verificaram níveis de fibrinogênio significativamente mais
elevados em crianc¸as com sobrepeso comparados com os níveisencontradosemcrianc¸aseutróficas.
Osníveis elevados de fibrinogênio em crianc¸as obesas podemserexplicadospeloaumentodesuasíntese.Embora não existarelato de sua produc¸ão pelo tecido adiposo, a liberac¸ão de adipocitocinas na circulac¸ão portal influen-ciaria a produc¸ão de fibrinogênio e de outros fatores de coagulac¸ãonofígado.7
Empesquisafeitacom313crianc¸aseadolescentes obe-sos foidetectadaumamenor prevalênciadeaumentonos níveisdefibrinogênio(10,7%)24 emcomparac¸ãocomo pre-sente estudo (28,3%). Isso pode ser explicado porque na referida pesquisa foi usado umponto de corte (4,0g/L a 4,5g/L),paraconsiderarofibrinogênioelevado,superiorao adotadonesteestudo(3,4g/L).Essacomparabilidadeentre osestudosédificultadapornãoexistirconsensoparaovalor normaldosníveisdefibrinogênionainfância.25Alémdisso, ocomportamentodosfatoresderiscocardiovascularespode variardeacordocomaetnia.24
Asconcentrac¸õesdefibrinogênioencontradasnos estu-dos atuais são preocupantes, especialmente pelo fato de estarem elevadas tanto em crianc¸as obesas pré-púberes quantopúberes.6Emborao processodeestriasgordurosas e a formac¸ão de placas ateromatosas tenha sido identifi-cadopatologicamente,principalmente emadolescentes,o aumento significativo de marcadores como fibrinogênio e PAI-1emcrianc¸asobesassugereoincrementodorisco cardi-ovascularnessafaixaetáriaepodeacarretaraformac¸ãode placasdeateromaantesdoiníciodapuberdadenosjovens obesos.26
Em relac¸ão aos fatores de risco cardiometabólicos analisados,todasascrianc¸asetodososadolescentes apre-sentavam pelo menos um fator de risco. A mediana dos níveisséricosdefibrinogênioesteveassociadaaoaumento do número de fatores de risco. Isso pode ser explicado pela potencializac¸ão do risco cardiometabólico devido à aglomerac¸ãodeváriosbiomarcadoresdesfavoráveisàsaúde cardiovascular.22Esseachadoreforc¸aaimportânciadeuma intervenc¸ãoprecoceemcrianc¸aseadolescentesobesosou com sobrepeso, principalmente na presenc¸ade quatroou mais fatores de risco, uma vez que a normalizac¸ão dos níveisdofibrinogênioérelatadaapóshaverperdadepeso, mudanc¸asnoestilodevidaepráticadeexercíciofísico.5
Estudostambémmostramaassociac¸ãodealgunsfatores deriscocardiometabólicoscomníveis elevadosde fibrino-gêniodesdeainfância,comoIMC,6,24 HOMA-IR,6,25 insulina de jejum,6,24,25 glicemia,26 triglicerídeos, colesteroltotal, LDL-ceHDL-cbaixo.24
Nesteestudoofibrinogêniofoiassociado apenascomo PCRuseapresenc¸adequatrooumaisfatoresderisco cardi-ometabólicos.Essefatopodeserdecorrentedacomposic¸ão daamostraestudada,queenvolveapenascrianc¸ase adoles-centescomsobrepesoeobesidade,condic¸ãoassociadaaum estadoinflamatóriosubclínico,diferentementedosdemais estudosacimarelatados.6,24,25 Apósaregressãologística,o valordoPCRuspermaneceucomoumavariávelpreditorado nívelelevadodofibrinogênio,associado aumachance 1,3 vezmaiordeoindivíduodesenvolveressacondic¸ão.
Tabela3 Valoresdarazãodeprevalênciabrutaeajustada(intervalodeconfianc¸ade95%)dealterac¸õesdofibrinogênioem crianc¸aseadolescentescomsobrepesoouobesidade
Parâmetro Variáveis RPBruta RPAjustada Ajustado
p
(IC95%)
Hosmere
Lemeshow
Fibrinogênio PCR>3mg/L 2,41 1,32 0,024 (1,091-5,253)
0,648
FRC≥4 1,78 1,11 0,545
(0,483-2,591) Faixaetária(10a19anos) 1,80 0,78 0,263
0,211-1,260
PCR,proteínaC-reativa;FRC,fatoresderiscocardiometabólico.
alterac¸õesvasculareseaslipoproteínas,especialmenteas de baixa densidade, tem sidoexplicada como oriunda do danoinduzidoporradicaislivresdeoxigênioque,ao oxida-remessaslipoproteínas,promovemadestruic¸ãodascélulas endoteliaisedesencadeiamumacascatadealterac¸õescom hipercoagulabilidade e reduc¸ão da fibrinólise, sinalizada pelamaiorproduc¸ãodefibrinogênio.24
Esse promove a aterosclerose por meio de diferentes mecanismoseliga-seaosreceptoresdecélulasendoteliais (Intercellular AdhesionMolecule 1-ICAM1); desencadeia a liberac¸ãodemediadoresvasoativos,aproliferac¸ãode célu-lasdomúsculolisoeainduc¸ãodaquimiotaxiademonócitos; desempenhatambémumpapelnaformac¸ãodecélulas espu-mosasefacilitaatransferênciadocolesteroldasplaquetas paramacrófagosemonócitos.6
Éimportanteressaltarqueofibrinogênioéumaproteína defaseagudadainflamac¸ãocomatividadepró-coagulante e,juntamentecomaPCR-us,temsidousadaparapredizer doenc¸a cardiovascularem diferentesgrupos. Ambas pare-cemsermarcadoresmaisfidedignosdoqueainterleucina6 (IL-6),quetemumameia-vidacurta.27 Ressalta-se,ainda, queainflamac¸ãodesempenhaumpapel-chavenainiciac¸ão epromoc¸ãodaateroscleroseepodelevaràsíndrome coro-náriaaguda(SCA),pelainduc¸ãodeinstabilidadedaplaca.23 Esteestudoapresentaalgumaslimitac¸ões,comoa ausên-cianaliteraturadeumpontodecorteparaosníveisnormais dofibrinogênioemcrianc¸aseadolescentes,oquedificulta acomparac¸ãoentreosestudos;aamplitude dafaixa etá-ria,poishácaracterísticaspeculiaresnosdiferentesgrupos, como o estadiamento puberal, que interfere no metabo-lismoena deposic¸ãolipídica,apesardeessefatonãoter sidoobservadoemrelac¸ãoaofibrinogênio;ousoapenasdo fibrinogêniocomo marcadorparaavaliac¸ãodoestado pró--trombótico,apesardealgunspesquisadoresoconsiderarem ummarcador de doenc¸a cardiovascularmais fidedigno do queaIL-6;27 eousodeumaamostradeconveniênciaque, comotal,podenãorefletirascaracterísticasdapopulac¸ão emgeral.
É importante salientar que essas limitac¸ões não dimi-nuemaimportânciadesteestudo,umavezqueeleinovaao destacarocomportamentodofibrinogênio emrelac¸ãoaos fatoresderiscocardiometabólicosemcrianc¸ase adolescen-tesbrasileiroscomexcessodepeso.Issoporqueosestudos publicadosnaliteraturacomessatemáticaforamfeitosem outrospaísese,como destacado,essa relac¸ãopodevariar deacordocomaetnia.28
Dessaforma,osachadosdopresenteestudofortalecem a concepc¸ão de que o fibrinogênio e o PCRus são poten-ciais biomarcadores que podem ser usados em escolares obesos,mesmonaquelessemcomplicac¸õesassociadas,para orastreamento de crianc¸as ouadolescentes comrisco de desenvolverdoenc¸acardiovascular.Ressalta-se,ainda,que estudoslongitudinaissãonecessáriosparaelucidaropapel dessesbiomarcadoresnagênesedadoenc¸aaterosclerótica nainfância.
Financiamento
Programade Incentivo à Pós-Graduac¸ão e Pesquisa (PRO-PESQ) Edital 01/2008 - Pró-Reitoria de Pós-Graduac¸ão, UniversidadeEstadualdaParaíba(PRPGP/UEPB),Termode Concessãon◦98/2008.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresses.
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