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Distribuição espacial e amostragem sequencial de Triozoida limbata (Hemiptera: Triozidae) em goiabeira

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Academic year: 2017

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP

CÂMPUS DE JABOTICABAL

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E AMOSTRAGEM SEQUENCIAL

DE Triozoida limbata (HEMIPTERA: TRIOZIDAE) EM

GOIABEIRA

Maria Cândida Sacco Marcelino

Engenheira agrônoma

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - UNESP

CÂMPUS DE JABOTICABAL

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E AMOSTRAGEM SEQUENCIAL

DE Triozoida limbata (HEMIPTERA: TRIOZIDAE) EM

GOIABEIRA

Maria Cândida Sacco Marcelino

Orientador: Prof. Dr. José Carlos Barbosa

Tese apresentada à Faculdade de Ciências

Agrárias e Veterinárias – Unesp, Câmpus de

Jaboticabal, como parte das exigências para a obtenção do título de Doutor em Agronomia (Produção Vegetal)

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Marcelino, Maria Cândida Sacco

M314d Distribuição espacial e amostragem sequencial de Triozoida limbata (Hemiptera: Triozidae) em goiabeira / Maria Cândida Sacco Marcelino.. –– Jaboticabal, 2013

v, 91 p.; 28 cm

Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2013

Orientador: José Carlos Barbosa

Banca examinadora: Arlindo Leal Boiça Junior, Antonio Baldo Geraldo Martins, Marcelo Francisco Arantes Pereira, Marilia Gregolin Costa.

Bibliografia

1. Distribuição binomial negativa. 2. Distribuição binomial positiva. 3. Índices de dispersão. 4 Psidium guajava L. 5. Psilídeo. I. Título. II. Jaboticabal-Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.

CDU 634.42:632.7

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(5)

DADOS CURRICULARES DO AUTOR

MARIA CÂNDIDA SACCO MARCELINO - nascida em 25 de setembro de 1959,

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Aos meus queridos pais, VICENTE e WANILDA, por todas as oportunidades que já me proporcionaram e pelo muito que contribuíram para a minha formação pessoal, e às minhas irmãs REGINA CÉLIA, ELAINE e LARISSA, pelo carinho e apoio recebidos,

DEDICO.

Ao meu filho RAFAEL, e ao meu marido LUIZ, que com todo o amor e carinho me apoiaram durante a realização deste Curso, abdicando de muitos momentos de convívio,

(7)

AGRADECIMENTOS

- Ao Prof. Dr. José Carlos Barbosa, pela orientação, apoio e amizade.

- A todos os colegas de trabalho da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI, Regional de Jaboticabal, pelo apoio recebido, especialmente aos que apoiaram de forma mais efetiva: Vera Lúcia Palla, Antonio Roberto Lopes, Antonio Marchiori, José Divino do Carmo, Jair Lopes e Luís Antonio Borsonaro.

- Aos membros da Banca Examinadora, pelas sugestões e correções, que muito contribuíram para a melhoria deste trabalho.

- Ao meu marido, Luiz Antonio Augusto Marcelino, pelo apoio e compreensão durante a realização deste trabalho.

- Ao meu filho, Rafael Marcelino, e à minha nora, Raquel Sartor Marcelino, pelo apoio e incentivo em todos os momentos da realização deste trabalho.

- Ao Prof. Dr. Antonio Carlos Busoli, pela cessão do Laboratório de Manejo de Pragas/Departamento Fitossanidade - FCAV/UNESP, para a contagem dos insetos.

- Aos pós-graduandos Leandro A. de Souza e Diego Felisbino (Entomologia Agrícola - FCAV/UNESP), pelo apoio, companheirismo, e auxílio na contagem dos insetos.

- Às funcionárias do Departamento de Ciência Exatas da FCAV/UNESP, Adriana E. Takakura, Maria José S. Trizólio e Shirley A. M. Sousa, pela atenção e gentileza.

- Às bibliotecárias da FCAV/UNESP, Luciane Meire Ribeiro e Renata Poli Verardino Capalbo, pela correção das referências bibliográficas e da ficha catalográfica.

(8)

SUMÁRIO

Página

RESUMO... iv

ABSTRACT ... v

1. INTRODUÇÃO ... 1

2. REVISÃO DE LITERATURA ... 4

2.1. Cultura da goiaba ... 4

2.1.1. Aspectos gerais ... 4

2.1.2. Importância econômica e social ... 6

2.1.3 Cultivares ... 7

2.1.4. Sistemas de produção ... 10

2.2. Triozoida limbata ... 12

2.2.1. Importância e distribuição ... 12

2.2.2. Bioecologia ... 13

2.2.3. Sintomas e danos ... 16

2.2.4. Monitoramento... 17

2.3. Distribuição espacial de insetos ... 18

2.3.1. Índices de dispersão ... 20

2.3.1.1. Razão variância/média ... 21

2.3.1.2. Índice de Morisita ... 21

2.3.1.3. Coeficiente de Green ... 22

2.3.1.4. Expoente k da binomial negativa ... 22

2.3.2. Distribuições teóricas de frequência ... 22

2.3.2.1. Distribuição de Poisson ... 23

2.3.2.2. Distribuição binomial negativa ... 24

2.3.2.3. Distribuição binomial positiva ... 25

2.3.2.4. Outras distribuições contagiosas ... 25

2.4. Estimativa do expoente k comum (kc) ... 26

(9)

3. MATERIAL E MÉTODOS ... 29

3.1. Dados gerais ... 29

3.2. Análise dos dados ... 33

3.2.1. Índices de dispersão ... 33

3.2.1.1. Razão variância/média (I) ... 33

3.2.1.2. Índice de Morisita (I) ... 34

3.2.1.3. Coeficiente de Green (Cx) ... 35

3.2.1.4. Expoente k da binomial negativa (k) ... 35

3.2.2. Distribuições teóricas de frequência ... 36

3.2.2.1. Distribuição de Poisson ... 36

3.2.2.2. Distribuição binomial negativa ... 37

3.2.2.3. Distribuição binomial positiva ... 37

3.2.2.4. Teste de ajuste das distribuições teóricas de frequência ... 38

3.3. Estimativa do expoente k comum (kc) ... 39

3.4. Planos de amostragem sequencial ... 40

3.4.1. Planos de amostragem sequencial para o número de psilídeos ... 40

3.4.1.1. Linhas de decisão ... 41

3.4.1.2. Curva característica de operação ... 42

3.4.1.3. Tamanho médio esperado para a amostra ... 43

3.4.2. Plano de amostragem sequencial para a proporção de folhas com sintoma de ataque de T. limbata ... 44

3.4.2.1. Linhas de decisão ... 44

3.4.2.2. Curva característica de operação ... 45

3.4.2.3. Tamanho médio esperado para a amostra ... 46

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 47

4.1. Distribuição espacial de T. limbata ... 47

4.1.1. Distribuição espacial de adultos ... 47

4.1.1.1. Índices de dispersão ... 47

4.1.1.2. Distribuições teóricas de frequência ... 49

4.1.2. Distribuição espacial de ninfas ... 51

4.1.2.1. Índices de dispersão ... 51

(10)

4.2. Distribuição espacial de folhas por planta de goiabeira com sintoma de

ataque de T. limbata ... 55

4.2.1. Índices de dispersão ... 55

4.2.2. Distribuições teóricas de frequência ... 57

4.3. Estimativa do expoente k comum ... 59

4.4. Planos de amostragem sequencial ... 60

4.4.1. Plano de amostragem sequencial para adultos de T. limbata ... 60

4.4.2. Plano de amostragem sequencial para ninfas de T. limbata ... 66

4.4.3. Plano de amostragem sequencial para proporção de folhas por planta com sintoma de ataque de T. limbata ... 71

5. CONCLUSÕES ... 76

6. REFERÊNCIAS ... 77

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DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E AMOSTRAGEM SEQUENCIAL DE

Triozoida limbata (HEMIPTERA: TRIOZIDAE) EM GOIABEIRA

RESUMO – O psilídeo Triozoida limbata (Enderlein, 1918) (Hemiptera: Triozidae) é

uma das principais pragas da cultura da goiaba, com sua alimentação ligada diretamente à sucção de seiva das plantas, principalmente em brotações novas. O objetivo deste estudo foi determinar a distribuição espacial de adultos e ninfas, assim como a distribuição espacial dos sintomas de ataque do psilídeo na cultura da goiaba, e elaborar planos de amostragem sequencial para esses dois estágios de desenvolvimento da praga, assim como para a proporção de folhas por planta com sintoma de ataque do psilídeo. Foi conduzido um experimento no período de abril/2011 a junho/2012, em Taquaritinga-SP, em um talhão de pomar comercial de goiaba, de nove anos de idade, do cultivar Paluma, que foi divido em 100 parcelas. Foram instaladas armadilhas adesivas amarelas em uma planta por parcela (unidade amostral), para a captura dos adultos, e amostradas oito folhas novas por planta (unidade amostral) em 50 plantas de goiabeira, para a contagem das ninfas e observação do sintoma de ataque. Foram calculados os seguintes índices de dispersão: razão variância/média (I), índice de Morisita (I), coeficiente de Green

(Cx), além do expoente k da distribuição binomial negativa para a distribuição dos insetos (adultos e ninfas), e realizados testes de ajuste às distribuições de Poisson e binomial negativa para o número de adultos por armadilha e para o número de ninfas por planta, e às distribuições de Poisson e binomial positiva para a proporção de plantas com sintoma de ataque do psilídeo. A distribuição da praga apresentou-se de moderadamente agregada (adultos) a altamente agregada (ninfas), e as folhas com sintoma de ataque apresentaram distribuição regular ou uniforme. A distribuição binomial negativa foi o modelo mais adequado para representar a distribuição espacial do número de psilídeos (adultos e ninfas) na cultura da goiaba, enquanto que para a proporção de folhas por planta com sintoma de ataque, o melhor ajuste ocorreu para a distribuição binomial positiva. Também foram elaborados três planos de amostragem sequencial (TSRV): para número de adultos do psilídeo por armadilha, para número de ninfas do psilídeo por planta (8 folhas novas/planta), com base na distribuição binomial negativa, e para a proporção de folhas por planta com sintoma do ataque do psilídeo (8 folhas novas/ planta), com base na distribuição binomial positiva, sendo que o número máximo de unidades amostrais para a tomada de decisão foi de sete armadilhas, 30 plantas, e 18 plantas, respectivamente.

Palavras-chave: distribuição binomial negativa, distribuição binomial positiva,

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SPATIAL DISTRIBUTION AND SEQUENTIAL SAMPLING OF Triozoida limbata

(HEMIPTERA: TRIOZIDAE) IN GUAVA PLANTS

ABSTRACT – The psyllid Triozoida limbata (Enderlein, 1918) (Hemiptera: Triozidae)

is one of the main crop pests in guava culture since its feeding is directly connected to the suction of sap, mainly in new sprouts. The aim of this study was to determine the spatial distribution of adults and nymphs, as well as the spatial distribution of the psyllid attack symptoms in guava culture, and elaborate sequential sampling plans for these two developmental stages of the pest, as well as the proportion of leaves per plant with symptoms of psyllid attack. An experiment was carried out in the period from April/2011 to June/2012 in Taquaritinga / SP, on a plot of commercial guava orchard, nine years old, Paluma cultivar, which was divided into 100 plots. Yellow sticky trap was installed in a plant / plot (sampling unit) to capture adults, and sampled 8 new leaves / plant (sampling unit) in 50 guava plants for the counting of nymphs and observation attack symptom. To determine the insect distribution in the area the following dispersion indexes were used: variance / mean (I), Morisita index (I), Green coefficient (Cx), and the exponent k of the negative binomial distribution,

and made fit tests to the Poisson and negative binomial distributions (for number of adults/trap and the number of nymphs/plant) and to the Poisson and positive binomial distributions (for proportion of plants with symptoms of psyllid attack). The distribution of the pest is presented aggregate (adults) to highly aggregated (nymphs), and leaves with symptoms showed regular or uniform distribution. The negative binomial distribution was the most appropriate model to represent the spatial distribution of the number of psyllids (nymphs and adults) in guava culture, while for proportion of leaves / plant with attack symptom, the best fit occurred for the positive binomial distribution. Sequential sampling plans (TSRV) were developed for number of psyllid adults / trap and for number of psyllid nymphs / plant (8 new leaves / plant), based on the negative binomial distribution, and the proportion of leaves with symptoms of psyllid attack per plant (8 new leaves / plant), based on the positive binomial distribution, and the maximum number of sample units for decision making were seven traps, 30 plants, and 18 plants, respectively.

Keywords: dispersion indexes, negative binomial distribution, positive binomial

(13)

1. INTRODUÇÃO

A goiabeira (Psidium guajava L.) é originária da região tropical do continente americano, com centro de origem provável na região compreendida entre o sul do México e o norte da América do Sul (MEDINA et al., 1991), expandindo-se para todos os continentes, e encontrando-se amplamente difundida por todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo. Atualmente, alguns dos principais centros produtores são o Brasil, México, Índia, China, Paquistão e África do Sul (PEREIRA; KAVATI, 2011). No Brasil, a goiabeira é cultivada em diversos estados, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, com destaque para São Paulo e Pernambuco, que possuem as maiores produções, representando 32,9% e 31,5%, respectivamente, do total de aproximadamente 342,5 mil toneladas da produção nacional de goiaba (IBGE, 2011).

A goiaba é um fruto com excelente aceitação para o consumo in natura e de grande importância na indústria, devido ao seu aproveitamento bastante diversificado, para a produção de goiabadas, geléias, pastas, fruta em calda, sucos, xaropes, dentre outros produtos. Além de aroma e sabor agradáveis, a goiaba possui alto valor nutricional.

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Com a mudança no sistema de produção, houve alteração na importância de algumas pragas dessa frutífera no estado de São Paulo, sendo que atualmente o psilídeo-da-goiabeira, Triozoida limbata (Enderlein, 1918) (Hemiptera: Triozidae), que há alguns anos era considerado praga secundária, é considerado praga-chave (SOUZA FILHO; COSTA, 2009). Em pomares do Submédio São Francisco, que inclui o estado de Pernambuco, segundo maior produtor, e onde a poda é praticada durante o ano todo, o psilídeo também tem grande importância, sendo considerada a principal praga (BARBOSA et al., 1999; BARBOSA et al., 2001a).

Os psilídeos da goiabeira são insetos muito específicos em relação ao hospedeiro. Sua alimentação está ligada diretamente à sucção de seiva das plantas, principalmente em brotações novas. Em altas densidades populacionais podem causar sérios danos à goiabeira, pois provocam o depauperamento das plantas pela ação tóxica da saliva injetada durante sua alimentação (GALLO et al., 2002; SOUZA FILHO; COSTA, 2009), podendo ocorrer queda das folhas, redução da área foliar e, consequentemente, comprometimento na produção (BARBOSA et al., 2001b; BARBOSA et al., 2003; GALLO et al., 2002).

Apesar da importância do psilídeo da goiabeira, poucos estudos foram realizados com relação à amostragem da praga, ferramenta fundamental no Manejo Integrado de Pragas, para o monitoramento e tomada de decisão do controle.

As recomendações para a realização de amostragem são, na maior parte, empíricas, e para amostragem de tamanho fixo. Entretanto, a amostragem sequencial possibilita economia de tempo e redução nos custos, pois o número de unidades amostrais não é fixado, e geralmente é inferior ao da amostragem de tamanho fixo (BARBOSA, 1992; WILSON; ROOM, 1983).

Não há estudos sobre a distribuição espacial de T. limbata na cultura da goiaba, o que possibilitaria a elaboração de um plano de amostragem sequencial, pois, de acordo com Barbosa (1992), a obtenção de uma função de probabilidades que descreva a distribuição dos indivíduos da população é um dos três requisitos básicos para o desenvolvimento de um plano de amostragem sequencial para insetos.

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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Cultura da goiaba

2.1.1. Aspectos gerais

A goiabeira (Psidium guajava L.) é uma mirtácea perene, de porte arbustivo ou semi-arbórea, com 3 a 7 metros de altura, originária da região tropical do continente americano com centro de origem provável, na região compreendida entre o sul do México e o norte da América do Sul, (FAHL et al., 1998; MEDINA et al., 1991).

Os frutos da goiabeira, em condições naturais, amadurecem entre dezembro a março, e têm tamanho, forma, sabor, aroma, espessura e coloração da polpa muito variável (FUMIS; SAMPAIO, 2011).

O método de propagação da goiabeira mais utilizado atualmente é a estaquia, por meio de estacas herbáceas em câmara de nebulização intermitente (MARTINS; HOJO, 2009), que permite a fixação das características produtivas selecionadas nos diferentes materiais (PEREIRA; NACHTIGAL, 2009).

A goiabeira adapta-se bem às diferentes condições climáticas, sendo que a temperatura ideal situa-se entre 23º C e 28º C (GONZAGA NETO, 2001), a precipitação entre 800 mm a 1.500 mm, e a umidade relativa em 75% (MEDINA et al., 1991).

Como é uma planta bastante rústica, a goiabeira apresenta uma grande capacidade de adaptação aos mais variados tipos de solo, mas os preferidos são os areno-argilosos, profundos e bem drenados, ricos em matéria-orgânica, com pH de 5,5 a 6,5 (GONZAGA NETO, 2001). Apesar de ser cultivada em diversas condições, essa frutífera tem respondido bem a melhorias da fertilidade do solo devido à pobreza generalizada dos solos tropicais em nutrientes e à elevada acidez, além do melhoramento genético da goiabeira, com o desenvolvimento de plantas mais produtivas, embora mais exigentes em termos nutricionais (ROZANE et al., 2009).

(17)

ciclo fenológico da cultura inicia-se com a operação de poda, que pode ser realizada em qualquer época do ano, desde que a temperatura do ar e a umidade do solo não limitem o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo da planta (SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

Associada à irrigação e à adubação, a poda, na cultura da goiabeira, tem sido utilizada para desviar o pico de produção para quando há escassez de frutos no mercado (GONZAGA NETO, 200; PIZA JÚNIOR; KAVATI, 1994).

A poda de frutificação na goiabeira consiste no encurtamento dos ramos que já produziram frutos, distribuindo-os adequadamente pela planta (PIZA JUNIOR, 2002). Desse modo, cria-se o estímulo para a produção de uma nova vegetação com gemas produtivas, permitindo a colheita em épocas desejadas, desde que haja disponibilidade de água e temperatura adequada para o crescimento e desenvolvimento dos frutos.

Na goiabeira há dois sistemas básicos de poda: a poda de frutificação contínua e a poda de frutificação drástica ou total. No primeiro caso, cada ramo é podado individualmente a cada repasse do pomar, de tal forma que uma mesma planta produz continuadamente ao longo de todo o ano (PIZA JUNIOR, 2002). É uma operação que é realizada em várias partes da planta, resultando em vários ciclos fenológicos ao mesmo tempo. No segundo, todos os ramos são podados de uma só vez, fazendo com que toda a produção ocorra ao mesmo tempo. É um tipo de operação que pode ser realizada na área toda ou por talha, e que consiste em efetuar a poda em toda a planta, uniformizando-a fenologicamente, ou seja, é um tipo de poda de frutificação que regula a época de produção, e a cada safra da cultura, iniciada pela mesma, estimula novas brotações, resultando em um novo ciclo reprodutivo. (SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

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2.1.2. Importância econômica e social

A goiaba, além de aroma e sabor agradáveis, possui alto valor nutricional, com elevados teores de vitamina C e A, e teores satisfatórios de vitaminas do complexo B, principalmente tiamina (B1) e niacina, fibras e minerais como fósforo, ferro e cálcio (EL BULK; EL-BABIKER; EL-TINAI, 1997; JIMÉNEZ-ESCRIG et al., 2001). A goiaba vermelha, fruto da maior parte das variedades cultivadas no Brasil, possui ainda alto conteúdo de licopeno, que é um importante carotenóide com características funcionais anticancerígenas (BRAMLEY, 2002; JIMÉNEZ-ESCRIG et al., 200; SHAMI; MOREIRA, 2004).

O Brasil é um dos principais produtores de goiaba, sendo o maior produtor mundial de goiabas vermelhas, e a Índia, de goiabas brancas (NATALE, 2009). Do total de 342,5 mil toneladas de goiaba produzidas no Brasil, o estado de São Paulo e Pernambuco possuem a maiores produções, representando 32,9% e 31,5%, respectivamente (IBGE, 2011).

No estado de São Paulo, a goiabeira é cultivada praticamente em todo o território, podendo ser considerados como polos as seguintes regiões, delimitadas pela área de abrangência dos Escritórios de Desenvolvimento Rural da CATI/SAA1:

região de Jaboticabal, com aproximadamente 41% da produção, seguida pela região de Campinas, com aproximadamente 22% (IBGE 2011). Na região de Jaboticabal destacam-se os municípios de Taquaritinga, Vista Alegre do Alto, Taiaçu, Monte Alto e Itápolis, com aproximadamente 35% da produção do estado, e na região de Campinas destacam-se os municípios de Valinhos e Campinas, responsáveis por aproximadamente 21% da produção do estado. Tem-se, ainda, as regiões de Andradina e de Catanduva, ambas com aproximadamente 9% da produção, com destaque para os municípios de Lavínia e Mirandópolis, e de Urupês e Itajobi, respectivamente.

Na região de Jaboticabal, a maior parte da produção de goiaba é destinada à indústria, enquanto que na região de Campinas e de Andradina, a produção é destinada majoritariamente ao consumo in natura (FRANCISCO; BAPTISTELLA; AMARO, 2005).

1 CATI/SAA: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral/Secretaria de Agricultura e

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A produção paulista de goiaba é típica de pequenos produtores, em propriedades com área média de aproximadamente 4 hectares (SÃO PAULO, 2008). A cultura é socialmente importante, pois na maior parte dos casos esses produtores são familiares, tendo na família a maior parte da mão-de-obra utilizada. Além disso, também são empregados diversos trabalhadores por ocasião da poda e da colheita. No Nordeste o cultivo da goiabeira também é realizado principalmente por pequenos produtores (FLORI; CASTRO, 2009).

2.1.3. Cultivares

As características desejáveis de um cultivar de goiabeira variam em função do destino que será dado ao fruto. Desse modo, para a produção de polpa devem ser obtidos frutos com polpa de coloração rosada a vermelha, altos teores de pectina, baixa umidade, alta acidez e alto teor de sólidos solúveis. Para produção de compota, devem ser procurados frutos de coloração rosada a vermelha, polpa espessa, pequena quantidade de células pétreas, polpa firme, forma arredondada a oblonga (KAVATI, 1997). Para o mercado de frutas in natura, a preferência é por frutos firmes, com casca grossa e resistente, com formato arredondado a oblongo, sem saliências basais, com polpa espessa, poucas sementes e poucas células pétreas, altos teores de açúcares e de vitamina C, e baixa acidez titulável (KAVATI, 1997; FUMIS; SAMPAIO, 2011). O mercado nacional de frutas frescas remunera melhor os frutos de polpa avermelhada, que possui a preferência da maioria dos consumidores. Os cultivares de polpa branca são recomendados para fins de exportação, apresentam uma vida útil pós-colheita mais longa e um aroma mais discreto, o que as torna mais finas e delicadas (FUMIS; SAMPAIO, 2011).

(20)

cultivares disponíveis aos produtores brasileiros são Paluma, Pedro Sato, Kumagai, Sassaoka, Século XXI, Ogawa nº 1 (branca); Ogawa nº 2; Ogawa nº 3; Novo Milênio, e Cascuda de Pariquera-Açu.

Aproximadamente cerca de 70% das goiabeiras cultivadas no Brasil, com o objetivo de produção de frutos para processamento industrial, são do cultivar Paluma, sendo que o cultivar Século XXI vem expandindo-se rapidamente. Os frutos desses cultivares são também muito apreciados como goiaba de mesa (PEREIRA; KAVATI, 2011).

Das principais variedades de goiaba comercializadas no mercado atacadista da CEAGESP2 destacam-se a „Kumagai‟ e a „Chinesa‟, ambas do grupo de polpa branca, e a „Pedro Sato‟, a „Paluma‟, a „Sassaoka‟, e a „Pariquera-Açu‟ todas do grupo de polpa vermelha, sendo o segundo grupo, o preferido pelos consumidores tanto para consumo in natura como para o preparo de sucos e doces (WATANABE, 2011).

O cultivar mais utilizado com finalidade industrial é o Paluma. Para o mercado in natura, na região de Valinhos e Campinas, é o Kumagai, cuja polpa é branca. Na região de Mirandópolis, os frutos têm por base o grupo Ogawa, que veio atender consumidores que preferiam a polpa vermelha (FRANCISCO; BAPTISTELLA; AMARO, 2010).

As principais características dos cultivares mais produzidos no Brasil estão descritas a seguir (FUMIS; SAMPAIO, 2011; KAVATI, 1997; PEREIRA, 1995; PEREIRA; CARVALHO; NACHTIGAL, 2003; PEREIRA; NACHTIGAL, 2002):

Paluma: Apresenta plantas com excelente produtividade (acima de 50 t ha-1),

vigorosas, com crescimento lateral, boa tolerância à ferrugem (Puccinia psidii Wint). Possui frutos grandes (acima de 200 g, mesmo em plantas não desbastadas), com bom rendimento de polpa, de formato piriforme, com pescoço curto, casca lisa, e polpa vermelha e espessa de sabor agradável, graças ao elevado teor de açúcares (aproximadamente 10º Brix), e com pequeno número de sementes. Comercializada com finalidade de industrialização e consumo in natura. Em função de sua menor vida útil pós-colheita quando comparada a cultivares para mesa, deve atender a mercados próximos da região produtora. É um dos cultivares mais utilizados nos

(21)

pomares brasileiros, principalmente no estado de São Paulo, por apresentar dupla aptidão, sendo destinado tanto às indústrias de processamento como ao consumo in natura.

Pedro Sato: As plantas são vigorosas, de crescimento vertical e média

produtividade. Os frutos são levemente ovalados, de boa aparência, de tamanho variável (entre 150 e 280 gramas), podendo atingir tamanho superior a 400 gramas quando desbastados; a casca é bem rugosa, a polpa é rosada e espessa, firme e com cavidade central cheia. O sabor é agradável e apresenta poucas sementes. Finalidade para produção de goiaba de mesa. É o cultivar de mesa de casca rugosa mais difundido no estado de São Paulo.

Sassaoka: Apresenta plantas com média produtividade, eretas e com bom

vigor. Os frutos são grandes (acima de 300 g quando desbastados), de formato arredondado, com casca bem rugosa, polpa rosada e espessa, firme e com poucas sementes, com sabor suave e excelente vida útil pós-colheita. Selecionada para a produção de goiaba de mesa.

Cascuda de Pariquera-Açu: Tem finalidade para produção de mesa.

Apresenta frutos arredondados, de casca rugosa e polpa vermelha.

Kumagai: As plantas são abertas, médio vigor e bastantes produtivas. Os

frutos são grandes (300 a 400 gramas), de formato arredondado a oblongo, casca lisa, resistente e verde-amarelada, polpa branca e firme, de boa espessura, saborosa, levemente ácida, com a cavidade cheia e apresentando poucas sementes. Atende ao mercado de mesa, e como sua boa conservação pós-colheita permite a comercialização a longas distâncias, atende também ao mercado de exportação. Foi o cultivar mais plantado para mesa no estado de São Paulo, durante a década de 80.

2.1.4. Sistemas de produção

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No estado de São Paulo, a goiabeira é cultivada em três sistemas de produção bastante distintos, denominados de cultura de goiaba de mesa, cultura de goiaba para a indústria e cultura mista. Este último visa atender os dois mercados simultaneamente, o que é interessante para os produtores, uma vez que os frutos de melhor qualidade são destinados ao mercado de fruta in natura, que alcança melhores preços, e o restante é destinado ao processamento (PIZA JR., 1997a). Esse mesmo autor detalha os modelos tecnológicos de produção de goiaba no estado de São Paulo (PIZA JR., 1997b):

- Cultura de goiaba para indústria: esse segmento sofreu uma drástica mudança a partir de meados da década de 90, quando as grandes indústrias processadoras deixaram de realizar o processamento inicial da fruta, ou seja, a produção de polpa, sendo essa etapa do processo terceirizada para pequenas e médias empresas, que realizam essa tarefa ao longo do ano. Essa mudança exigiu do setor de produção a adequação tecnológica para atender a demanda de matéria-prima durante um longo período do ano, e não somente a produção da safra. Esse tipo de exploração concentra-se nas regiões de Jaboticabal e de Catanduva, locais onde originalmente se localizavam as grandes indústrias processadoras de goiaba, e onde atualmente encontram-se diversas agroindústrias especializadas no processamento inicial da fruta, produzindo a polpa integral. Posteriormente, essa polpa é reprocessada para a fabricação de doces, sucos, néctar geleia e outros produtos, pelas grandes empresas que dominam o mercado de distribuição e o varejo. A estrutura de produção observada nessas duas regiões indica a concentração de maiores áreas de produção, que utilizam, predominantemente, o cultivar Paluma.

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para o mercado interno. Dentre elas destacam-se as variedades „Kumagai‟ (polpa branca), a „Pedro Sato” e a „Sassaoka‟, ambas de polpa vermelha.

- Cultura de fruta popular: a produção geralmente destina-se à comercialização em varejões ou sacolões, com emprego de variedades de polpa vermelha. É utilizado um método de poda que permite a colheita ao longo de todo o ano, não sendo realizado o desbaste e o ensacamento dos frutos. As variedades que predominam são: „Ogawa‟, „Pedro Sato‟ e „Sassaoka‟. Esse modelo de produção é adotado principalmente pelos produtores das regiões de Jaboticabal e Andradina.

- Cultura mista: abrange pomares que utilizam um nível variável de tecnologia moderna, dependendo da porcentagem de produção enviada para o mercado de fruta fresca. Os frutos de qualidade média são destinados, em geral, aos varejões, com preços bastante atrativos, e o restante da produção é destinado à indústria. A variedade mais utilizada é a „Paluma‟, e, mais recentemente, a „Século XXI‟.

A densidade média de cultivo de goiaba para mesa no estado de São Paulo é 300 pés ha-1, enquanto que para as goiabeiras destinadas à indústria é de 275 pés ha-¹ (CASER; CAMARGO; AMARO, 2000), enquanto que a produtividade média é de 81 kg pé-1 e de 107 kg pé-1, respectivamente (FRANCISCO; BAPTISTELLA; AMARO, 2010).

Na região Nordeste, o principal destino da produção de goiaba é o mercado de mesa. A fruta que consegue padrão comercial destina-se ao mercado in natura, e a fruta com algum defeito ou em estágio avançado de maturação, vai para a indústria de processamento. O sistema de produção caracteriza-se por poda total, sendo a colheita realizada em todos os meses do ano. O escalonamento da produção, dentro da unidade de produção, é realizado com base na poda por talhão. O ciclo de produção é em torno de 6,5 meses, e a produtividade chega, nas áreas cultivadas com bom nível tecnológico, a 130 t ha-1 por ano, resultante de aproximadamente duas safras (FLORI; CASTRO, 2009).

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mercado local e externo da fruta in natura em épocas em que esse mercado está desabastecido.

2.2. Triozoida limbata

2.2.1.Importância e distribuição

A goiabeira, durante as diferentes fases de seu desenvolvimento, pode sofrer ataques de um número de pragas relativamente grande, sendo que Maricone e Soubihe Sobrinho (1961) relatam mais de cem espécies de insetos associados à goiabeira no Brasil. Os ataques podem causar prejuízos quantitativos ou qualitativos, tanto à planta quanto ao fruto, inviabilizando seu consumo in natura (GONZAGA NETO; SOARES, 1994).

As principais pragas da goiabeira no estado de São Paulo são (SOUZA FILHO; COSTA, 2011): o besouro amarelo Costalimaita ferruginea (Fabr., 1801) (Coleoptera: Chrysomelidae); o gorgulho da goiaba Conotrachelus psidii (Marshall, 1922) (Coleoptera: Curculionidae); os percevejos Leptoglossus stigma (Herbst., 1784) (Hemiptera: Coreidae) e Leptoglossus zonatus (Dallas, 1852) (Hemiptera: Coreidae); o psilídeo da goiabeira Triozoida limbata (Enderlein, 1918) (Hemiptera: Triozidae); e as moscas das frutas Anastrepha spp. (Schiner, 1868) (Diptera: Tephritidae) e Ceratitis capitata (Wiedeman, 1824) (Diptera: Tephritidae). De acordo com Pazini (2005), o psilídeo é a principal praga da goiabeira no estado de São Paulo.

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A presença de Triozoida sp. em goiabeira foi também relatada nos estados do Maranhão e Pernambuco (BARBOSA et al., 2003), Rio de Janeiro e Paraná (LEMOS et al, 2000; MENEZES JÚNIOR; PASINI, 2001; SOUZA et al., 2000), e Minas Gerais (MOREIRA, 2005; SEMEÃO, 2006).

O psilídeo da goiabeira, T. limbata, é um inseto muito específico com relação ao hospedeiro, não se conhecendo relatos dessa praga em outras culturas, apesar de ser constatada sua ocorrência em diversas plantas infestantes (SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

As mudanças ocorridas no sistema de produção, que permitiram a produção de goiaba praticamente o ano todo, levaram a um incremento considerável da população do psilídeo, tornando-o uma das principais pragas da goiabeira (LEMOS et al. 2000), já que possibilitaram, por meio da poda de frutificação e da irrigação, diversas brotações da planta no ano.

2.2.2. Bioecologia

No Brasil há diversas citações de T. limbata como pertencente à família Psyllidae (DALBERTO et al., 2004; MOREIRA, 2005; SOUZA FILHO; COSTA, 2003). Entretanto, o gênero Triozoida pertence à família Triozidae (HUDKINSON3, [200_?] apud MELO, 2009)

Os psilídeos são insetos sugadores de seiva, sendo que o macho apresenta coloração esverdeada com a face dorsal do tórax e do abdome de coloração preta, medindo, em média, 2,0 mm de comprimento, enquanto que a fêmea é verde amarelada com, aproximadamente, 2,4 mm de comprimento (GALLO et al., 2002). As fêmeas efetuam a postura ao longo dos ramos, ponteiros e folhas novas, colocando de 19 a 92 ovos, que têm período de incubação de 7 a 9 dias, e o ninfal variável de 29 a 35 dias (BARBOSA et al., 2001b; SOUZA FILHO; COSTA, 2003). As ninfas são de coloração rósea, possuem formato achatado, e apresentam-se recobertas por uma secreção cerosa de coloração esbranquiçada e de aspecto floculoso, entre gotículas de substância açucarada e, ao sugarem a seiva nos bordos das folhas, injetam toxinas. As folhas atacadas tornam-se enroladas e

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deformadas, de coloração amarelada ou avermelhada, apresentando, posteriormente, aspecto necrosado. Examinando-se o interior das partes enroladas das folhas são observadas colônias de ninfas (BARBOSA et al., 2001b; GALLO et al., 2002; SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

O período mais favorável ao ataque de T. limbata é o compreendido pelos meses de primavera/verão, quando as temperaturas são elevadas, geralmente associadas com alto índice pluviométrico. Já o período crítico é após a poda da goiabeira, a partir da emissão das novas brotações, até o início de desenvolvimento do fruto (SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

O monitoramento da população de adultos de psilídeos T. limbata, em goiabeiras nativas espontâneas na região de Londrina – PR, foi realizado por Dalberto et al. (2004), com armadilhas adesivas amarelas. Esses autores verificaram que populações do psilídeo ocorreram durante o ano todo, sem limitações devido à temperatura e pluviosidade, com pico em outubro, e que as altas temperaturas são favoráveis ao aumento das populações do psilídeo, enquanto que as menores populações ocorreram na estação seca, com menor temperatura e pluviosidade.

O controle natural de T. limbata foi avaliado por Semeão (2006) em Viçosa - MG, a partir de tabelas de vida construídas em três épocas do ano. O autor verificou que o estádio ninfal foi o período crítico determinante do tamanho da população em todas as épocas avaliadas, concluindo que o controle da população desse psilídeo deve ser realizado durante esse período, de forma que preserve e aumente os agentes de controle natural, que foram os fatores-chave de mortalidade no período crítico.

Ao avaliar a flutuação populacional de T. limbata na Zona da Mata – MG, Martins (2008) verificou que esse inseto permaneceu durante o ano inteiro atacando a cultura da goiaba, e que os picos populacionais dos ovos, ninfas e adultos ocorreram nos meses de agosto a dezembro, julho a novembro e agosto a novembro, respectivamente. Observou também que a maior intensidade de ataque desse psilídeo à goiabeira ocorreu em períodos de temperaturas amenas (18 a 20º) e menor fotoperíodo (10 a 11 horas de luz).

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a densidade populacional do psilídeo aumentou com o surgimento das brotações, e que apresentou correlação positiva com a temperatura, sendo que as maiores densidades populacionais ocorreram nos meses de setembro a novembro, enquanto que as menores densidades ocorreram entre os meses de maio a julho.

Objetivando comparar a dinâmica populacional de T. limbata, em pomar de goiaba convencional e orgânico na região de Campinas - SP, Melo et al. (2009) amostraram 20 plantas, anotando o número de psilídeos adultos presentes na região do ápice até o segundo par de folhas totalmente expandidas, de um ramo por quadrante (N, S, L e O), conforme Souza Filho e Costa (2003). Verificaram que o psilídeo ocorreu durante todo o ano nos dois pomares, com população extremamente baixa no pomar orgânico e elevada no pomar convencional, provavelmente devido ao estado nutricional das goiabeiras, que no pomar convencional receberam maior aporte de nitrogênio, por meio dos fertilizantes químicos, e no pomar orgânico só receberam adubação orgânica. Também observaram correlação positiva entre o elevado nível populacional desse psilídeo e temperatura ambiente elevada, bem como altos índices de precipitação pluviométrica.

Também estudando a dinâmica populacional de T. limbata e suas correlações com a população de seus inimigos naturais, em pomar orgânico e pomar convencional de goiaba, Duarte et al. (2012) verificaram que, no sistema de cultivo convencional, a população do psilídeo apresentou picos populacionais nos meses de abril, junho, agosto, setembro, outubro e novembro, mesmo sob constantes aplicações de inseticidas sintéticos, enquanto que a densidade populacional manteve-se baixa, com pico no mês de outubro, em pomar orgânico de goiaba. A maior densidade populacional de inimigos naturais foi constatada em pomar orgânico de goiaba, que apresentou correlação positiva entre T. limbata e o coccinelídeo predador Scymnus spp.

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pelos fatores meteorológicos (precipitação e temperatura), em pomar irrigado, diferentemente do observado por Dalberto et al. (2004), por Colombi e Galli (2009), e por Melo et al. (2009).

2.2.3. Sintomas e danos

Os psilídeos são insetos sugadores, que causam sérios danos à goiabeira, estabelecendo-se nas brotações, ramos dos ponteiros e folhas novas, que possuem o tecido tenro (SOUZA FILHO; COSTA, 2009), onde se alimentam, se acasalam e se reproduzem, dando origem à nova geração da praga. Desse modo, após uma revoada de adultos sobre a cultura, as injúrias que aparecerão serão causadas pela nova geração, representada por suas ninfas.

Os danos de T. limbata à goiabeira são causados principalmente por suas ninfas, que succionam seiva e injetam toxinas nos sistemas vasculares dos bordos das folhas e das brotações novas. Devido ao ataque, as folhas ficam enroladas, deformadas, avermelhadas e depois se tornam necróticas, impedindo o desenvolvimento de suas brotações e comprometendo a formação e a produção de frutos, provocando ainda, efeitos severos que afetam o desempenho econômico dos cultivos (GALLO et al., 2002; SOUZA FILHO; COSTA, 2009). Os enrolamentos dos bordos do limbo foliar são sintomas característicos do psilídeo-da-goiabeira, onde se encontram colônias das formas jovens. Inicialmente esses bordos apresentam-se de coloração amarelada ou avermelhada (áreas cloróticas) e, posteriormente com aspecto necrosado, podendo ocorrer queda das folhas, fazendo com que haja redução da área foliar e, conseqüente, comprometimento na produção (PIZA JUNIOR; KAVATI, 1994).

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a densidade populacional do psilídeo aumentou com o surgimento das brotações, sendo que houve uma forte relação entre o dano e a densidade populacional do psilídeo.

Duarte et al. (2012) também constataram que o aumento dos danos ocasionados por T. limbata em folhas novas da goiabeira foi reflexo direto do aumento da população, devido ao excesso de alimento na área, em decorrência da realização de poda, e que esses danos foram mais pronunciados no pomar convencional, quando comparados com os danos no pomar orgânico.

2.2.4. Monitoramento

Através de pesquisas, observações de campo e adaptações de modelos de Manejo Integrado de Pragas (MIP) utilizados em outras culturas, Barbosa et al. (2001b) desenvolveram metodologia de amostragem para o monitoramento e determinação do nível de controle para o psilídeo da goiabeira. Recomendam a divisão da área em parcelas de até 5 hectares, na qual devem ser amostradas 20 plantas (6 plantas na bordadura e 14 plantas no interior do pomar), com frequência semanal, iniciando-se a amostragem na primeira semana da brotação vegetativa, época em que os danos são mais significativos para as plantas. Consideraram como unidade amostral uma planta, na qual se deve observar a presença de danos causados por psilídeos, em brotações e/ou nos dois últimos pares de folhas terminais, em oito ramos da planta, sendo dois em cada quadrante. Sugerem que o nível de controle ou nível de ação seja de 30% ou mais de ramos (brotação ou folhas novas) danificados pelo psilídeo. Os autores sugerem a seguinte escala para o registro do nível de dano: 0 = ausência da praga nas duas brotações e/ou folhas novas; 1= presença da praga em uma brotação e/ou folhas novas; 2 = presença da praga em duas brotações e/ou folhas novas

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O período crítico de ataque do psilídeo é após a poda da goiabeira, quando da emissão das novas brotações até o início de desenvolvimento do fruto (SOUZA FILHO; COSTA, 2003).

Para o monitoramento do psilídeo, esses autores sugerem que se deve amostrar semanalmente 2 % das plantas do talhão ou no mínimo 20 plantas por talhão, verificando a presença de sintomas de ataque ou de ovos, ninfas ou adultos do inseto, nos dois últimos pares de folhas em um ramo por quadrante, localizado no terço superior da copa, sendo que a planta será considerada infestada quando for constatada a presença do inseto ou de seus danos em pelo menos um quadrante da planta. O nível de ação será atingido quando, no período crítico, 30% das plantas monitoradas estiverem infestadas, sendo que no período não crítico o nível de ação é maior, ou seja, quando 50% das plantas estiverem infestadas

Moreira (2005), em estudo para a determinação da unidade amostral que melhor representasse as densidades populacionais de Triozoida sp., verificou que a amostragem da presença de adultos ou ninfas nos quatro primeiros pares de folhas, contados a partir do ápice do ramo, foram os mais viáveis.

2.3. Distribuição espacial de insetos

O conhecimento do modelo de distribuição de artrópodes, pragas e inimigos naturais, é fator fundamental no desenvolvimento de métodos de amostragem em sistemas de Manejo Integrado de Pragas (WILSON, 1985).

De acordo com Silveira Neto et al. (1976) e Southwood (1978), não existe um método de amostragem universal para avaliar insetos. O método deve fundamentar-se em princípios básicos da estatística e no conhecimento da distribuição, do ciclo de vida e do comportamento do inseto. Deve ser considerada também a questão econômica, pois nenhum plano de amostragem, por mais eficiente que seja, terá aceitação se não for economicamente viável (WILSON et al., 1989).

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espacial dos indivíduos e a variação populacional no tempo, os efeitos provocados por diferentes equipamentos de coleta, e a subjetividade do amostrador (RABINOVICH, 1980).

De acordo com a disposição espacial do inseto, métodos diferentes de amostragens são necessários, variando-se o número, o tamanho da unidade amostral e a alocação das amostras na área (IWAO, 1972).

Três modelos de distribuição básicos descrevem os arranjos espaciais dos insetos, ou seja, a maneira como os insetos distribuem-se no espaço: distribuição espacial ao acaso ou aleatória, distribuição regular ou uniforme, e distribuição agregada ou contagiosa (RABINOVICH, 1980). Na distribuição ao acaso ou aleatória, todos os pontos em um espaço têm a mesma probabilidade de serem ocupados por um organismo e a presença de um indivíduo não altera a posição de outro. Esse tipo de distribuição não ocorre com frequência na natureza, pois a hipótese de que todos os pontos têm a mesma probabilidade de serem ocupados implica em que todos os pontos tenham condições idênticas de habitat, e a presença de um indivíduo não alterando a posição de outro implica numa falta de interação entre os indivíduos, o que normalmente não acontece. Na distribuição regular ou uniforme, a ocorrência de um indivíduo limita a ocorrência de vizinhos na mesma unidade, decorrendo de uma interação negativa entre os indivíduos, que ocorre quando há uma competição entre os indivíduos de uma população por um determinado recurso. Na distribuição agregada ou contagiosa, a presença de um indivíduo aumenta a chance de outro indivíduo na mesma unidade, com o espaço apresentando condições heterogêneas ou descontínuas, onde há certos pontos que as condições e fatores que afetam a sobrevivência são mais favoráveis que outros. A agregação também pode ocorrer simplesmente por haver um conjunto de insetos agrupados para o período de hibernação, para consumir alimentos ou até mesmo para fins reprodutivos (ELLIOTT, 1979; PERECIN; BARBOSA, 1992; RABINOVICH, 1980).

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Para a descrição das formas de distribuição de uma população utilizam-se vários índices de agregação ou dispersão e também as distribuições de frequências dos indivíduos. Os índices de agregação ou dispersão, apesar de não descreverem matematicamente a distribuição da população estudada, fornecem uma idéia bastante aproximada dessa realidade, sendo que a confirmação do tipo de distribuição ocorre apenas com o conhecimento das distribuições de frequência dos números de indivíduos da praga estudada em cada cultura (BARBOSA, 1992).

2.3.1. Índices de dispersão

Existem vários índices de dispersão ou de agregação para estimar a distribuição espacial dos insetos, sendo que cada um apresenta suas limitações. Eles são utilizados para medir o grau de aleatoriedade dos arranjos espaciais e sua aplicação é imprescindível em estudos ecológicos ou métodos de amostragem (GREEN, 1966).

Um índice deve se apoiar em hipóteses razoáveis e apresentar validade estatística (WATERS, 1959), e deve possuir alguns atributos desejáveis, tais como (GREEN, 1966; TAYLOR, 1984):

a) estipular valores reais e contínuos para todo grau de agregação (desde regular até altamente contagioso);

b) não ser afetado pelo número de unidades amostrais, pelo tamanho da unidade amostral ou pelo número total de indivíduos;

c) oferecer facilidade de cálculo; d) ter uma interpretação biológica; e) permitir testes de significância.

De acordo com Rabinovich (1980), não existe um índice que satisfaça, na maioria dos casos, a todas estas condições. Portanto, para escolher o índice mais adequado deve-se ter um conhecimento geral sobre a distribuição dos insetos e uma idéia da variabilidade das áreas quanto ao número, tamanho das amostras e densidade média.

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2.3.1.1. Razão variância/média (I)

Este índice é o mais comum, sendo também chamado de índice de dispersão, e baseia-se na relação entre a variância e a média (I = s2/m). É utilizado para medir o desvio de um arranjo das condições de aleatoriedade (RABINOVICH, 1980). Apresenta valor igual à unidade para a distribuição espacial ao acaso ou aleatória (variância igual à média), sendo que valores menores que a unidade indicam distribuição regular ou uniforme (variância menor que a média), e valores maiores que a unidade, distribuição agregada ou contagiosa (variância maior que a média).

As limitações deste índice estão na influência do tamanho da unidade amostral na quantidade de indivíduos observados, sendo extremamente afetado nas disposições agregadas (GREEN, 1966).

2.3.1.2. Índice de Morisita (Iδ)

Morisita (1962) desenvolveu este índice com o objetivo de apresentar um índice independente do tamanho da unidade amostral. Os valores de Ipróximos à

unidade indicam um arranjo ao acaso, enquanto que valores superiores indicam agregação, e os inferiores à unidade, arranjo regular ou uniforme.

Embora este índice seja independente da média amostral e do número total de indivíduos, tem como limitação a dependência do tamanho da amostra (N) (ELLIOTT, 1979), sendo necessário para uma utilização segura, que o número de unidades amostrais seja o mesmo nos campos que estejam em comparação.

2.3.1.3. Coeficiente de Green (Cx)

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2.3.1.4. Expoente k da binomial negativa (k)

Este índice só deve ser utilizado quando os dados se ajustarem à distribuição binomial negativa (ELLIOTT, 1979). É uma medida inversa do grau de agregação: valores negativos indicam uma distribuição regular ou uniforme; valores baixos e positivos (k < 2) indicam uma disposição altamente agregada; valores de k de 2 a 8 indicam uma agregação moderada; e valores superiores a 8 (k > 8) indicam uma disposição ao acaso (ELLIOTT, 1979; SOUTHWOOD, 1978).

De acordo com diversos autores, entre eles Southwood (1978), o valor de k é influenciado pelo tamanho da amostra, pela média e pela quantidade de amostras.

O valor k aumenta com o desenvolvimento de certos insetos, do momento da oviposição para frente, sendo que os prováveis fatores de variação na disposição de larvas ou ninfas seriam a mortalidade dependente da densidade e a migração das mesmas (PIETERS; STERLING, 1973).

Existem diversos métodos para estimar o valor de k, sendo que dentre eles os mais utilizados são o método dos momentos, desenvolvido por Anscombe (1949), e o método da máxima verossimilhança (BLISS; FISHER, 1953). Este último é considerado o método mais preciso para estimar k (ELLIOTT, 1979).

2.3.2. Distribuições teóricas de frequência

O termo distribuição refere-se à maneira de expressar a forma de como os possíveis valores de uma variável distribuem-se, com diferentes frequências, em certo número de classes possíveis (PIELOU, 1969).

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As distribuições de frequência mais utilizadas são os modelos de Poisson, que indica uma distribuição aleatória ou ao acaso, da binomial negativa, que indica uma agregação ou contágio, e da binomial positiva, que representa uma distribuição regular ou uniforme (ELLIOTT 1979; TAYLOR 1984).

Para cada tipo de distribuição há alguma variação no método a ser utilizado para o estabelecimento do plano de amostragem, em função dos diferentes parâmetros envolvidos. A distribuição espacial dos insetos depende de variados fatores bióticos e abióticos. De acordo com Young e Young (1998), o padrão de distribuição de uma praga pode variar ao longo do tempo, sendo que no início da colonização na cultura a tendência é se ajustar à série de Poisson (aleatória), evoluindo para uma distribuição agregada (binomial negativa), sendo que a distribuição binomial positiva descreve melhor a presença-ausência de um inseto ou a proporção de plantas infestadas ou com sintoma de ataque do inseto.

2.3.2.1. Distribuição de Poisson

O modelo matemático da distribuição de Poisson é o que melhor descreve a disposição aleatória ou ao acaso (ELLIOTT, 1979; RABINOVICH, 1980), e tem como hipótese que todos os indivíduos têm a mesma probabilidade de ocupação de um lugar no espaço, e que a presença de um indivíduo não afeta a presença do outro (ELLIOT, 1979; SOUTHWOOD, 1978; TAYLOR, 1984).

Esse modelo foi desenvolvido por Poisson em 1884 e caracteriza-se por ter a variância igual à média (2 = ).

Diversos autores, dentre eles Rabinovich (1980), Southwood (1978), e Taylor (1984), observaram que em condições naturais é extremamente difícil achar disposições ao acaso devido à sua exigência de absoluta independência biológica.

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2.3.2.2. Distribuição binomial negativa

A distribuição binomial negativa foi introduzida em estudos ecológicos por Greenwood e Yule em 1920, descrevendo as populações onde a variância fosse maior que a média (2

µ), significando uma agregação de indivíduos (TAYLOR, 1984). Esta distribuição ocorre quando a presença de um indivíduo aumenta a chance de outro indivíduo na mesma unidade (ELLIOTT, 1979).

Entre as várias distribuições que podem ser ajustadas aos dados de amostragem de insetos, a distribuição binomial negativa caracteriza melhor as espécies de insetos que formam agrupamentos, do que qualquer outro modelo estudado (BARBOSA; PERECIN, 1982; PERECIN; BARBOSA, 1992; PERECIN; BARBOSA, 1994; PERECIN; FERNANDES, 1991; PERECIN; OLIVEIRA, 1979; PIETERS; STERLING, 1973).

A distribuição binomial negativa é descrita por dois parâmetros: a média () e o expoente k, que é considerado como uma medida do grau de agregação, geralmente dito “parâmetro de dispersão”. A série de probabilidades desta binomial é obtida através da expansão de (q - p)-k, onde p =  / k, em que  é estimado através da média aritmética q = 1 + p, e k é estimado através do método dos momentos, pelo da proporção de zeros ou pelo da máxima verossimilhança (GREIG-SMITH, 1964).

Se o valor de k é muito alto (k  ) a distribuição binomial negativa aproxima-se da série de Poisson, e quando o valor de k tende a zero (k  0), a distribuição binomial negativa tende para a série logarítmica (SOUTHWOOD, 1978).

2.3.2.3. Distribuição binomial positiva

O modelo matemático que melhor representa a distribuição regular ou uniforme, onde a variância é menor que a média (2

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A função de probabilidades é obtida pela expansão do binômio (p + q)k, onde k é o número máximo de indivíduos que a unidade amostral poderá conter, p é a probabilidade de que qualquer espaço seja ocupado por um indivíduo e q é a probabilidade de não ocorrer a presença deste indivíduo (GREIC-SMITH, 1964).

Barbosa e Perecin (1982) observaram que os dados de proporção de plantas atacadas por insetos podem ter melhor ajuste a esta distribuição do que à de Poisson ou à binomial negativa, pois as variâncias foram sempre inferiores à média.

Esta distribuição normalmente ocorre quando a presença de um indivíduo limita a presença de outros indivíduos na mesma unidade, comum no canibalismo entre indivíduos (PERECIN; BARBOSA, 1992).

2.3.2.4. Outras distribuições contagiosas

Existem outras distribuições nas quais a variância é significativamente maior do que a média, tendo sido denominadas de contagiosas. Destacam-se entre elas a distribuição de Neyman tipo A e a distribuição logarítmica.

A aplicação da distribuição de Neyman tipo A é adequada quando os organismos ocorrem em agregados compactos, não sendo, portanto, muito utilizada em entomologia pelo fato de que os suportes biológicos que a mesma exige não satisfazerem adequadamente a descrição da distribuição espacial dos indivíduos (SOUTHWOOD, 1978).

Rabinovich (1980) cita os princípios biológicos que a distribuição exige: a) distribuição ao acaso dos agregados com média m1, e b) que o número de indivíduos por agregado seja distribuído de acordo com a Poisson, com média m2. Observa também que esta distribuição é às vezes chamada de Poisson-Poisson, sendo que o primeiro nome indica a distribuição do número de agregados por amostra, e o segundo, a distribuição do número de indivíduos por agregado.

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A distribuição logarítmica é considerada um caso especial da binomial negativa, onde oktem valores pequenos, tendendo para zero ( k 0), com a classe de zeros eliminada (SOUTHWOOD, 1978).

2.4. Estimativa do expoente k comum (kc)

Quando existir relativamente a mesma disposição em termos de k nas comparações entre amostragens ou blocos, é possível obter um kc (BLISS; OWEN, 1958). Estes autores têm levantado a hipótese de que o expoente k seja um parâmetro constante em determinadas populações biológicas.

Esse expoente é utilizado quando existe um mesmo grau de agregação em diferentes amostragens, podendo ser calculado quando não há dependência entre as médias e os valores de k. (ELLIOTT, 1979). O kc pode ser calculado a partir de dados provenientes de diferentes áreas ou de uma mesma área dividida em blocos (BLISS; OWEN, 1958) ou ainda, segundo Elliott (1979), de diferentes épocas.

A aplicação de kc é fundamental na técnica da amostragem sequencial com base na distribuição binomial negativa, e na transformação dos dados originais para a elaboração de análises de variância e teste t (ELLIOTT, 1979), sendo que quando o valor de k é constante para uma praga, o nível de agregação é uma característica da espécie. Também é adequado para a estimativa da população de uma praga (BLISS; OWEN, 1958; SOUTHWOOD, 1978; ELLIOTT, 1979).

No cálculo do kc é necessário verificar se existe independência entre as médias e seus valores 1 / k (ELLIOTT, 1979).

2.5. Amostragem sequencial

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posteriormente testar hipóteses a respeito dos mesmos, na amostragem sequencial são testadas hipóteses sobre os parâmetros sem a necessidade de estimá-los. Desse modo, formulada a hipótese, pode-se aceitá-la, rejeitá-la ou continuar amostrando, baseando-se nos resultados acumulados de cada amostragem, sendo que em cada amostragem toma-se uma destas três decisões.

A técnica mais utilizada e difundida de amostragem sequencial baseia-se no teste sequencial da razão de verossimilhança (TSRV), desenvolvido por Wald (1947) para avaliar produtos manufaturados, tendo sido posteriormente adaptada por biólogos e entomologistas.

A principal vantagem deste método é a redução no tempo de amostragem e custos, para a tomada de decisão no combate a uma praga, sem necessitar de um número fixo de amostras (PIETERS, 1978; RUESINK; KOGAN, 1982). Para esses autores, são necessários três requisitos básicos para o desenvolvimento de uma amostragem sequencial para insetos:

a) a obtenção de uma função de probabilidades que descreva a distribuição dos indivíduos da população;

b) o estabelecimento prévio do nível de dano econômico na forma de duas densidades críticas, de modo que o dano ocorre se a população da variável escolhida ultrapassa o limite superior previamente estabelecido, e não ocorre dano se a população permanecer abaixo do limite inferior previamente fixado; c) a seleção de níveis máximos de probabilidade de cometer erros na decisão sobre densidades populacionais, ou seja, a probabilidade  de estimar uma densidade populacional não prejudicial como sendo prejudicial (erro do tipo I), e probabilidade  de estimar uma densidade prejudicial como não sendo prejudicial (erro do tipo II).

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Outra opção de amostragem sequencial, além do método enumerativo, é o modelo binomial (presença/ausência), que utiliza a relação existente entre a proporção de unidades amostrais que contém o inseto e o número médio deles por unidade de amostra. Alguns planos foram desenvolvidos com esse modelo, dentre os quais, para a amostragem da mosca branca, Bemicia tabaci biótipo B na cultura do feijão (PEREIRA; BOIÇA JR; BARBOSA, 2004), da lagarta-do-cartucho Spodoptera frugiperda em milho (FARIAS; BARBOSA; BUSOLI, 2001), do bicho-mineiro, Perileucoptera coffeella em cafeeiro (VILLACORTA; WILSON, 1994), e do ácaro Tetranychus urticae (HEPWORTH; MacFARLANE, 1992).

Esse método vem ocupando espaço importante na amostragem de pragas, particularmente para estimar densidades populacionais de ácaros e insetos de difícil contagem (WILSON; ROOM, 1983).

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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Dados gerais

Para a realização do presente estudo foi instalado um experimento no município de Taquaritinga – SP, em pomar comercial de goiaba (Psidium guajava L) cultivar Paluma. O clima da região é classificado, segundo Thornthwaite (1948) como B1rA‟a‟, e a altitude do município é de 560 metros. Foi selecionado um talhão de aproximadamente 1.200 plantas (Figura 1), com coordenadas geográficas 21º 23‟ 50‟‟ S e 48º 32‟ 11” W, de nove anos de idade, e espaçamento de 7,00 m x 4,50 m. Este talhão representa o sistema de cultivo predominante na região, ou seja, com poda de frutificação drástica e escalonada por talhão, irrigação, e cultivar de dupla aptidão.

Na instalação do experimento, inicialmente foi delimitada a bordadura do talhão, deixando-se, na direção das linhas de cultivo, uma linha de goiabeiras em cada divisa do talhão, e 12 goiabeiras no início de cada linha (Figura 1). Desse modo, a partir da segunda linha do talhão, foram contadas 12 plantas, e na 13ª planta iniciou-se a demarcação das plantas, alternando-se uma planta entre cada planta demarcada, totalizando 10 plantas demarcadas, sendo as demais plantas da linha (12 plantas ou mais, conforme a linha, pois o plantio é em nível) consideradas bordadura. O mesmo procedimento foi adotado nas demais linhas de cultivo, também alternadas, até totalizar 10 linhas, e, portanto, 100 plantas demarcadas.

(42)

As amostragens foram realizadas no período de 11/04/2011 a 23/05/2012, a cada 14 dias, aproximadamente. As armadilhas foram trocadas a cada amostragem, sendo que as armadilhas retiradas eram acondicionadas, individualmente, em pastas plásticas e conduzidas ao Laboratório de Manejo Integrado de Pragas do Departamento de Fitossanidade da FCAV/UNESP, para a contagem dos adultos de psilídeos existentes. Em algumas datas o número de armadilhas coletadas foi inferior a 100, devido, principalmente, aos tratos culturais realizados, que causaram a queda de algumas delas.

Talhão de Goiaba

Carr

ea

do

r

Bordadura – 1 linha de cultivo

B ordadu ra – 12 pl an tas

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

B ordadu ra – 12 pl an tas Con tin ua çã o d o p om ar

11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

21 22 23 24 25 26 27 28 29 30

31 32 33 34 35 36 37 38 39 40

41 42 43 44 45 46 47 48 49 50

51 52 53 54 55 56 57 58 59 60

61 62 63 64 65 66 67 68 69 70

71 72 73 74 75 76 77 78 79 80

81 82 83 84 85 86 87 88 89 90

91 92 93 94 95 96 97 98 99 100

Bordadura – 1 linha de cultivo

Talhão de Manga

(43)

No caso das ninfas do psilídeo e das folhas de goiabeiras com sintoma do ataque do psilídeo, as amostragens foram realizadas em 50 das 100 plantas de goiaba demarcadas (Figura 1). A amostragem foi iniciada na planta 1 (Figura 2), deixando-se três plantas de bordadura na linha de cultivo, e amostrando-se a planta 3, e do mesmo modo, até a planta 9. O mesmo procedimento foi adotado nas demais linhas de cultivo, até totalizar 10 linhas, e, portanto, 50 plantas amostradas.

Talhão de Goiaba

Bordadura – 1 linha de cultivo

Carr ea do r B ordadu ra – 12 pl an tas

1 3 5 7 9

B ordadu ra – 12 pl an tas Con tin ua çã o d o p om ar

11 13 15 17 19

21 23 25 27 29

31 33 35 37 39

41 43 45 47 49

51 53 55 57 59

61 63 65 67 69

71 73 75 77 79

81 83 85 87 89

91 93 95 97 99

Bordadura – 1 linha de cultivo

Talhão de Manga

(44)

As amostragens foram realizadas no período de 06/06/2011 a 25/06/2012, a cada 14 dias, aproximadamente, com exceção da amostragem de 29/08/2011, que teve um intervalo maior devido à poda de frutificação drástica realizada no período de 16 a 30/07/11. Por ocasião da amostragem de 18/07/2011 verificou-se que havia sido realizada a poda na linha de cultivo correspondente às plantas de números 1, 3, 5, 7, e 9, que se estendeu até 30/07/11 nas demais plantas do talhão. Portanto, naquela data (18/07), a amostragem foi realizada apenas nas plantas não podadas (45 plantas).

Para a amostragem das plantas, foi utilizada a metodologia sugerida por Barbosa et al. (2001b), com adaptações. As plantas amostradas foram dividas em 4 quadrantes (quadrantes 1,2,3,4), no sentido anti-horário, a partir da localização da armadilha, e foram coletadas, em ramos novos, a folha da direita do 2º par de folhas (contado a partir do ápice da folha), de 2 ramos por quadrante, totalizando 8 folhas coletadas por planta (unidade amostral). As folhas coletadas de cada planta eram acondicionadas em sacos plásticos, e conduzidas ao Laboratório de Manejo Integrado de Pragas do Departamento de Fitossanidade da FCAV/UNESP, para a contagem das ninfas do psilídeo presentes e verificação da presença de sintoma de ataque da praga, descrito por Gallo et al.(2002) e Souza Filho e Costa (2009). Em algumas datas o número de folhas coletadas por planta foi inferior a oito, devido ao fato de que não existiam folhas nas condições especificadas, sendo que nesse caso as plantas amostradas foram excluídas da análise dos dados.

No período da realização do experimento foram efetuados os tratos culturais de rotina da propriedade no talhão, como a aplicação de fungicidas e inseticidas, adubação, controle de plantas daninhas, e poda de frutificação drástica (16 a 30/07/11). As pulverizações com inseticidas constaram de:

- duas aplicações, sendo a primeira em 31/08/11, aproximadamente 30 dias após a poda, e a segunda nove dias após a primeira aplicação, em 09/09/11, ambas com os ingredientes ativos imidacloprido e beta-ciflutrina, objetivando o controle do psilídeo da goiabeira;

Referências

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