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Construção e validação de um instrumento de classificação de pacientes pediátricos.

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Construção e validação de um instrumento

de classificação de pacientes pediátricos

Construction and validation of an instrument for

classification of pediatric patients

Ariane Polidoro Dini

1

Edinêis de Brito Guirardello

1

Autor correspondente

Ariane Polidoro Dini

Rua Vital Brasil, 251, Zeferino Vaz, Campinas, SP, Brasil. CEP: 13083-888 [email protected]

1Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Conflitos de interesse: não há conflitos de interesse a declarar.

Resumo

Objetivo: Construir, validar o conteúdo e verificar a confiabilidade interavaliadores de um instrumento para a classificação de pacientes pediátricos.

Métodos: Estudo misto com referencial quantitativo, sendo o delineamento descritivo exploratório para a validação do conteúdo do instrumento realizado pela Técnica Delphi seguido por desenho correlacional para avaliar a confiabilidade interavaliadores.

Resultados: Após quatro fases da Técnica Delphi, o instrumento ficou constituído por 11 indicadores de demanda de cuidado e cada um por quatro situações graduadas refletindo o aumento da necessidade de enfermagem. Obteve-se nível de confiabilidade ótimo para cinco indicadores; bom para cinco e apenas um indicador com fraco nível de confiabilidade.

Conclusão: Foi construído e validado o conteúdo do instrumento para classificar pacientes pediátricos em cinco categorias de cuidados com confiabilidade satisfatória.

Abstract

Objective: To construct a tool for classification of pediatric patients, validate its content, and assess the inter-rater reliability.

Methods: This is a quantitative study in which a mixed method was used. Validity of its content was assessed through a descriptive exploratory design using the Delphi technique. Inter-rater reliability was then assessed with a correlational design.

Results: After four stages of use of the Delphi technique, the instrument was composed of 11 care demand indicators. Each of them comprised one-to-four situations of graded complexity, that reflected increasing intensity of nursing need. The reliability levels as optimal, good, and weak were obtained for five, five, and one indicators, respectively.

Conclusion: The content of the instrument was constructed and validated with satisfactory reliability to classify pediatric patients into five healthcare categories.

Descritores

Cuidado da criança/classificação; Avaliação em saúde; Enfermagem pediátrica; Estudos de validação; Carga de trabalho

Keywords

Child care/classification; Health evaluation; Pediatric nursing; Validation studies; Workload

Submetido

25 de Março de 2012

Aceito

(2)

Introdução

A hospitalização em pediatria é tida como uma

oportunidade para que a criança e seus

responsá-veis vivenciem a recuperação da enfermidade, bem

como ampliem seus conhecimentos de promoção à

saúde para manutenção de seu desenvolvimento e

prevenção de novas internações.

(1)

Na gestão de unidades de internações pediátricas

os desafios para assegurar os padrões de segurança e

qualidade assistencial exigem que a caracterização do

perfil da clientela seja considerada, pois apenas o

co-nhecimento da porcentagem de ocupação dos leitos

não é suficiente para decisões gerenciais.

(2-4)

Desde a década de 1970, com a finalidade de

ca-racterizar o perfil assistencial, foram difundidos os

Sistemas de Classificação de Pacientes (SCP) como

método para estimar, quantificar e avaliar a

deman-da de cuideman-dados de enfermagem por grupos de

pa-cientes, categorizando-os, de acordo com a

neces-sidade de cuidados requeridos, em um período de

tempo específico.

(3)

Além disso, no final da década

de 1980, os dados obtidos da aplicação de SCP têm

sido indicados para fundamentar o planejamento

de custos no que se refere à necessidade de recursos

humanos e materiais.

(4)

Atualmente, a utilização de SCP contribui para

facilitar a comunicação entre enfermeiros

assisten-ciais e gerentes, promover a capacitação dos

profis-sionais por competências para assistir as diferentes

categorias de cuidado, fundamentar o

dimensiona-mento de pessoal, o remanejadimensiona-mento e a alocação

diária de profissionais.

(5-8)

A necessidade de instrumentos e conceitos de

categorias específicos para pacientes pediátricos

foi apontada em 2011, em um estudo que

vali-dou a conceituação de cinco categorias de

cui-dados para a pediatria.

(9)

No entanto, o mesmo

estudo não indicou nenhum instrumento que

viabilizasse a classificação de pacientes nas

cate-gorias conceituadas.

(9)

Dessa forma, este estudo teve como objetivo

construir, validar o conteúdo e verificar a

confiabi-lidade interavaliadores de um instrumento para a

classificação de pacientes pediátricos em cinco

cate-gorias de cuidados.

Métodos

Trata-se de um estudo misto com referencial

quanti-tativo ocorrido em duas fases sequenciais [QUAN

→-quan]. Na primeira fase foi utilizado delineamento

descritivo exploratório para a construção e a

valida-ção do conteúdo do instrumento e na segunda fase

foi utilizado o desenho correlacional para avaliar a

confiabilidade interavaliadores do instrumento.

Para construir um instrumento objetivo, no

es-tilo avaliação de fatores, foram considerados

refe-renciais conceituais consagrados sobre SCP.

(3,4)

A cada indicador foram atribuídas quatro

si-tuações graduadas de um a quatro pontos de forma

crescente quanto às necessidades de cuidados.

A validação do conteúdo do instrumento foi

rea-lizada por um grupo de juízes com o uso da

técni-ca

Delphi

.

(10)

Os critérios de inclusão para compor o

grupo de juízes foram: possuir a graduação em

enfer-magem, tempo de experiência na assistência em

pe-diatria, na gerência ou na docência igual ou superior

a cinco anos e realização de pesquisas na construção

de instrumentos de classificação de pacientes.

Nessas condições, participaram 19 enfermeiras,

cujo tempo de formação variou entre cinco e 23

anos; seis atuavam na assistência, cinco em atividades

gerenciais e oito na docência. Quanto à qualificação

profissional, quatro enfermeiras possuíam apenas o

curso de graduação, seis especialização

lato-sensu

e

nove haviam cursado pós-graduação

stricto-sensu

(três

delas com mestrado e seis com doutorado).

A técnica

Delphi

foi viabilizada por correio

ele-trônico com a apresentação do estudo e a solicitação

de julgamento do conteúdo do instrumento

quan-to à clareza e à pertinência na redação de cada

in-dicador e pontuações. Esta técnica permite etapas

consecutivas para a obtenção de, no mínimo, 70%

de concordância com o conteúdo do instrumento.

Níveis de consenso inferiores exigiram modificações

de conteúdo e nova etapa de análise até a obtenção

do nível de concordância estabelecido.

(10)

(3)

coleta de dados ocorreu em um único dia, sendo

que os pacientes foram avaliados com a aplicação

do instrumento de forma simultânea por duas

enfermeiras pós-graduandas, com experiência em

pediatria, após a assinatura do Termo de

Consen-timento pelos familiares. Os dados foram

anali-sados com o uso do coeficiente de

Kappa

,

sen-do considerasen-do como ótima confiabilidade (K ≥

0,75), boa confiabilidade (0,41 ≤ k ≤ 0,74) e fraca

confiabilidade para valores abaixo de 0,40.

(11)

O desenvolvimento do estudo atendeu as

nor-mas nacionais e internacionais de ética em pesquisa

envolvendo seres humanos.

Resultados

A construção inicial do instrumento foi composta

por dez indicadores de cuidado e foram necessárias

quatro etapas da técnica

Delphi

, para validar o

con-teúdo de todos os indicadores e respectivas

pontua-ções (Tabela 1).

Após as quatro etapas da técnica

Delphi

, o

ins-trumento obteve sua configuração final (Tabela 2).

Na avaliação da confiabilidade

interavalia-dor, o instrumento foi aplicado em 42

pacien-tes pediátricos por duas enfermeiras ao mesmo

tempo (Tabela 3).

Tabela 1.

Porcentagem de concordância dos juízes com o conteúdo do instrumento

Indicador* Delphi 1 Delphi 2 Delphi 3 Delphi 4

Conceito Pontos Conceito Pontos Pontos Pontos

I-1 Pertinência 77 46 92 62 57 71

Clareza 62 54 92 69 71 71

I-2 Pertinência 100 92 92 92 -

-Clareza 46 85 92 92 -

-I-3 Pertinência 100 92 100 100 -

-Clareza 54 62 100 100 -

-I-4 Pertinência 92 77 100 85 -

-Clareza 85 69 100 100 -

-I-5 Pertinência 92 77 100 100 -

-Clareza 54 69 100 100 -

-I-6 Pertinência 92 23 92 54 79

Clareza 46 46 100 85 86

-I-7 Pertinência 92 46 100 69 71

-Clareza 69 69 100 69 86

-I-8 Pertinência 100 54 92 46 93

-Clareza 62 54 92 85 86

-I-9 Pertinência 85 77 100 54 57 86

Clareza 62 43 100 69 93 79

I-10 Pertinência - - 100 92 -

-Clareza - - 92 85 -

-I-11 Pertinência - - 100 77 -

-Clareza - - 92 85 -

-I-12 Pertinência 77 46 - - -

-Clareza 62 38 - - -

(4)

Tabela 2.

Instrumento de classificação de pacientes pediátricos - ICPP

Atividade: possibilidade de manutenção de atividades compatíveis com a idade de desenvolvimento, exercitando as habilidades pertinentes a cada idade e interagindo com acompanhante, equipe ou com outras crianças para sorrir, brincar, conversar, etc.

1 Desenvolvimento de atividades compatíveis com a faixa etária 2 Sonolento

3 Hipoativo ou Hiperativo ou Déficit no desenvolvimento 4 Inconsciente ou sedado ou coma vigil

Intervalo de Aferição de Controles: necessidade de observação e controle de dados como sinais vitais, pressão venosa central, glicemia capilar, balanço hídrico.

1 6/6 horas 2 4/4 horas 3 2/2 horas

4 Intervalo menor de 2 horas

Oxigenação: capacidade da criança ou do adolescente de manter a permeabilidade de vias aéreas, ventilação e oxigenação normais.

1 Respiração espontânea, sem necessidade de oxigenoterapia ou de desobstrução de vias aéreas 2 Respiração espontânea com necessidade de desobstrução de vias aéreas por instilação de soro

3 Respiração espontânea com necessidade de desobstrução de vias aéreas por aspiração de secreções e/ou necessidade de oxigenoterapia 4 Ventilação Mecânica (Não Invasiva ou Invasiva)

Terapêutica medicamentosa: necessidade da criança ou do adolescente receber medicações.

1 Não necessita de medicamentos

2 Necessidades de medicamentos por via tópica, inalatória, ocular e/ou oral

3 Necessidades de medicamentos por sondas ou via parenteral (subcutânea, intramuscular ou intravenoso) 4 Uso de fármacos vasoativos e/ou hemoderivados e/ou quimioterápicos

Integridade cutâneo mucosa: necessidade de manutenção ou restauração da integridade cutâneo-mucosa.

1 Pele íntegra sem alteração da cor em toda a área corpórea 2 Necessidade de curativo superficial, de pequeno porte

3 Presença de hiperemia (pontos de pressão ou períneo) ou sinais flogísticos em qualquer local da superfície corpórea que necessite de curativo de médio porte

4 Presença de lesão com deiscência ou secreção com necessidade de curativo de grande porte

Alimentação e Hidratação: capacidade da criança ou do adolescente de ingerir alimentos sozinho, com auxílio, por sondas ou via parenteral.

1 Via oral de forma independente ou seio materno exclusivo 2 Via oral com auxílio e paciente colaborativo

3 Sondas (gástrica, enteral ou gastrostomia)

4 Nutrição parenteral ou via oral com paciente apresentando dificuldade de deglutição ou risco para aspiração

Eliminações: capacidade da criança ou do adolescente de apresentar eliminações urinária e intestinal sozinha, e/ou necessidade de uso de sondas.

1 Vaso sanitário sem auxílio 2 Vaso sanitário com auxílio

3 Fraldas (necessidade de um profissional para a troca) ou sonda vesical de demora

4 Sonda vesical de alívio ou estomas ou uso de comadre ou urinol ou fraldas (necessidade de dois profissionais para a troca)

Higiene Corporal: capacidade da criança ou do adolescente de realizar, necessitar de auxílio ou depender totalmente para a higiene corporal.

1 Banho de aspersão sem auxílio 2 Banho de aspersão com auxílio 3 Banho de imersão ou banho em cadeira

4 Banho no leito ou na incubadora ou necessidade de mais de um profissional da enfermagem para a realização de qualquer banho

(5)

Discussão

Os resultados do estudo têm como limitação o tipo

de confiabilidade utilizado, e a não verificação da

consistência interna do instrumento, bem como a

avaliação de sua validade de construto.

Este estudo permitiu construir, validar o

con-teúdo e avaliar a confiabilidade interavaliadores

do ICPP nas cinco categorias de cuidado

con-ceituadas na literatura como cuidados mínimos,

intermediários, alta dependência, semi-intensivo

e intensivos.

(9)

A consideração de cinco categorias de

cuida-dos foi similar ao instrumento de Fugulin para

pacientes adultos da clínica cirúrgica e diferiu dos

instrumentos de

Perroca

para pacientes adultos

Mobilidade e Deambulação: capacidade da criança ou do adolescente de mobilizar voluntariamente o corpo ou seguimentos corporais

1 Deambulação sem auxílio

2 Repouso no leito mobiliza-se sem auxílio

3 Repouso no leito mobiliza-se com auxílio ou deambula com auxílio 4 Restrito no leito, totalmente dependente para mudança de decúbito

Participação do Acompanhante: desempenho do acompanhante para realizar cuidados e atender necessidades da criança ou adolescente

1 Acompanhante reconhece as necessidades físicas e emocionais do paciente pediátrico e consegue atendê-las 2 Acompanhante buscando informações para atender necessidades físicas e emocionais do paciente pediátrico

3 Acompanhante tem dificuldade em reconhecer algumas necessidades físicas e emocionais do paciente pediátrico e é resistente à busca de auxílio e a mudanças

4 Acompanhante parece não estar atento, nem se interessar quanto às necessidades físicas e emocionais do paciente pediátrico e/ou desacompanhado

Rede de Apoio e Suporte: apoio com o qual a criança pode contar durante sua permanência no hospital.

1 Presença de uma pessoa de confiança acompanhando-o durante todo o tempo 2 Presença de uma pessoa de confiança acompanhando-o por mais de 12 horas ao dia 3 Presença de uma pessoa de confiança acompanhando-o durante menos de 12 horas ao dia 4 Desacompanhado

Legenda: Escala para classificação de pacientes: 11 - 17 pontos: Cuidados mínimos; 18 - 23 pontos: Cuidados intermediários; 24 - 30 pontos: Cuidados de alta dependência; 31 - 37 pontos: Cuidados semi-intensivos 38 - 44 pontos: Cuidados intensivos

Tabela 2.

Continuação

Tabela 3.

Valores de Kappa para todos os indicadores do instrumento de classificação de pacientes pediátricos

Indicadores

Níveis de confiabilidade Fraca

k≤0,40

Boa 0,41 ≤ k ≥ 0,74

Ótima ≥0,75

Atividade 0,38

Intervalo aferição controles 0,41

Terapêutica medicamentosa 0,84

Oxigenação 0,86

Integridade cutâneo mucosa 0,60

Mobilidade e deambulação 0,66

Higiene corporal 0,67

Alimentação e hidratação 0,60

Eliminações 0,84

Participação acompanhante 0,82

Rede de apoio e suporte 0,81

(6)

em cinco categorias de cuidados com

confiabilida-de satisfatória.

Colaborações

Dini AP e Guirardello EB declaram que

contribuí-ram com a concepção e projeto, análise e

interpre-tação dos dados; redação do artigo, revisão crítica

relevante do conteúdo intelectual e aprovação final

da versão a ser publicada.

Referências

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8. Harper K, McCully C. Acuity systems dialogue and patient classification system essentials. Nurs Adm Q. 2007;31(4):284-99.

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que não considera a categoria de alta dependência

e do instrumento de

Bochembuzio

para pacientes

neonatais que contempla apenas três categorias de

cuidado.

(12-14)

A possibilidade de classificar pacientes

pediátri-cos na categoria de alta dependência foi considerada

importante por permitir identificar as necessidades

de cuidado inerentes da fase de desenvolvimento

que, independente da estabilidade clínica, há

de-pendência nas necessidades básicas.

(9)

A utilização da técnica

Delphi

para a validação

do conteúdo foi vantajosa por ter possibilitado seu

julgamento por profissionais de diferentes

localida-des geográficas, posições hierárquicas, saberes,

vi-sões e perspectivas profissionais.

(10)

As modificações mais importantes no

conteú-do conteú-do instrumento ocorreram na primeira etapa da

técnica

Delphi

, quando foi substituído o indicador

“Educação ao familiar” por “Participação do

acom-panhante” e “Rede de Apoio e suporte”. Na segunda

etapa todos os indicadores obtiveram o consenso

es-tabelecido e a pontuação de seis indicadores

reque-reram alterações. Na terceira etapa as pontuações

de quatro indicadores foram validadas e na quarta

etapa as pontuações dos dois últimos indicadores

atingiram o nível de concordância estabelecido.

Destaca-se que foram validados dois indicadores

relacionados ao familiar, pois a presença desses no

ambiente hospitalar tem determinado modificações

na assistência e desafiado à equipe em uma nova

perspectiva de qualidade assistencial que contempla

a provisão de cuidados, o envolvimento dos

acom-panhantes nas ações diárias e a promoção da

conti-nuidade do tratamento no domicílio.

(1,2)

Na avaliação da confiabilidade

interavalida-dores, o ICPP apresentou níveis de confiabilidade

ótimos para cinco indicadores; bons para cinco e

apenas um indicador com fraco nível de

confiabi-lidade.

(11)

Conclusão

Imagem

Tabela 1.  Porcentagem de concordância dos juízes com o conteúdo do instrumento
Tabela 2.  Continuação

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