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Utilização do hipoclorito de sódio na descontaminação de escovas dentais: estudo in vitro.

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Rev Odontol UNESP. 2015 Nov-Dec; 44(6): 335-339 © 2015 - ISSN 1807-2577

ARTIGO ORIGINAL

Doi: http://dx.doi.org/10.1590/1807-2577.04214

Utilização do hipoclorito de sódio na descontaminação

de escovas dentais: estudo in vitro

he use of sodium hypochlorite for toothbrushes decontamination: in vitro study

Claudia de Abreu BUSATO

a

, Alexandre Sabatini CAVAZZOLA

b

*, Adriana de Oliveira Lira ORTEGA

a

,

Renata de Oliveira GUARÉ

a

, Ali SALEH NETO

b

aUNICSUL - Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, SP, Brasil

bUNIPLAC - Universidade do Planalto Catarinense, Lages, SC, Brasil

Resumo

Introdução: A escovação dentária é um método utilizado para controle do biofilme dental; entretanto, as escovas dentais tornam-se um meio de contaminação de microrganismos após seu uso, com lacunas importantes em relação a estes métodos de desinfecção, principalmente no uso coletivo. Objetivo: O objetivo desta pesquisa foi avaliar a descontaminação de escovas dentais contaminadas in vitro, utilizando-se hipoclorito de sódio 0,08% em diferentes períodos de tempo (5, 10 e 15 minutos). Material e método: Foram utilizadas, nesta pesquisa, 72 escovas dentais distribuídas em seis grupos, levando-se em conta o microrganismo utilizado para contaminação, sendo: grupo 1, contaminadas com Escherichia coli; grupo 2, com Stafilococcus aureus; grupo 3, com Streptococcus pyogenes; grupo 4, com Enterococus faecalis; grupo 5, com suspensões de todas as bactérias, e grupo 6, o grupo-controle. Após a contaminação, os grupos foram imersos na solução de hipoclorito de sódio a 0,08% por períodos de 5, 10 e 15 minutos, sendo considerado positivo para desinfecção a não turvação do meio de imersão. Resultado: No tempo de imersão de 5 minutos, ocorreu a desinfecção dos grupos 2 e 3; em 10 minutos, houve desinfecção dos grupos 1,2 e 3; após 15 minutos de imersão, ocorreu a desinfecção de todos os cinco grupos. Conclusão: O uso de hipoclorito de sódio 0,08% foi efetivo na descontaminação de escovas dentais contaminadas com bactérias Escherichia coli, Stafilococcus aureus, Streptococcus pyogenes, Enterococcus faecalis, num tempo de imersão de 15 minutos.

Descritores: Escovação dentária; hipoclorito de sódio; descontaminação.

Abstract

Aim: Tooth brushing is a method used to control the dental biofilm; however, toothbrush can be a contamination medium by microorganisms after its utilization, with significant weaknesses in relation to those disinfection methods, mainly on collective use. Objective: This study had as objective to evaluate the decontamination of toothbrushes contaminated in vitro using 0,08% sodium hypochlorite during different periods (5, 10 and 15 minutes). Material and method: It was studied 72 toothbrushes distributed in 6 groups according to the microorganism used for contamination, as follow: group 1 for Escherichia coli; group 2 for Stafilococcus aureus; group 3 for Streptococcus pyogenes; group 4 for Enterococus faecalis; group 5 for a mix of all bacteria; and group 6 for control group. After contamination, all groups were immersed into 0,08% sodium hypochlorite solution during 5, 10 and 15 minutes, and it was considered as positive for disinfection no turbidity of the immersion medium. Result: During the period of 5 minutes in immersion, it occurred the disinfection of the groups 2 and 3; during 10 minutes period, there was the disinfection of the groups 1, 2 and 3; after 15 minutes in immersion, all the 5 groups were disinfected. Conclusion:The use of 0,08% sodium hypochlorite was effective in the decontamination of the toothbrushes contaminated by Escherichia coli, Stafilococcus aureus, Streptococcus pyogenes, Enterococcus faecalis, during an immersion period of 15 minutes. Descriptors: Tooth brushing; sodium hypochlorite; decontamination.

INTRODUÇÃO

A escovação dentária é considerada um método indispensável para manutenção da saúde bucal, pois atua na prevenção da doença cárie e periodontal1. Pode ser um instrumento de transmissão de microrganismos, como coliformes fecais, Streptococcus, Stailococcus,

Pseudomonas e Corynebacterium2, além da microbiota residente

da cavidade bucal. Alguns microrganismos podem permanecer viáveis na escova por 24 horas até 7 dias3.

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dispensada a limpeza, armazenamento e desinfecção da escova. Vários autores já destacaram a necessidade da correta limpeza e armazenamento das escovas para diminuir e, se possível, evitar a sua contaminação3,4.

A American Dental Association recomenda que as escovas dentais sejam guardadas na posição vertical, em local arejado, sem umidade, separadas uma das outras, e que sejam lavadas abundantemente em água corrente, removendo resíduos de dentifrício5.

Entretanto, alguns trabalhos abordam a desinfecção das escovas em nível individual e caseiro4,6, e mesmo os trabalhos desenvolvidos em centros de educação infantil fazem a desinfecção de forma individual, borrifando soluções nas escovas e utilizando diferentes antimicrobianos, permanecendo uma lacuna, que é a desinfeção das escovas utilizadas por crianças em ambientes coletivos. A clorexidina, apesar de ser efetiva7, não é viável em ambientes coletivos, devido ao custo e à instabilidade do produto.

Dentro deste contexto, este trabalho propõe avaliar a eicácia do hipoclorito de sódio na desinfecção de escovas dentais contaminadas com diferentes bactérias, de forma coletiva, e o melhor tempo a ser utilizado para tanto. Esta concentração de 0,08% foi obtida pela diluição da água sanitária Qlar® na proporção de uma colher de sopa do produto em um litro de água, facilitando a aplicabilidade em centros de educação infantil.

MATERIAL E MÉTODO

Foram utilizadas, no presente estudo, 72 escovas dentais da Marca MEDFIO® Infantil–Macia (Curitiba-PR), divididas em seis grupos de 12 escovas (n=12), levando-se em consideração o microrganismo utilizado para contaminação. O cálculo da amostra utilizada no presente estudo baseou-se em outros trabalhos in vitro8.

Inicialmente, as 72 escovas dentais foram retiradas diretamente das embalagens e separadas em seis grupos de 12 escovas, que foram previamente contaminadas com uma suspensão de bactérias padronizadas por comparação na Escala de McFarland tubo 3, correspondendo ao equivalente de 9,0 × 108 UFC/mL.

Grupo 1 - doze escovas foram imersas em uma suspensão padronizada em solução salina com Escherichia coli

correspondendo ao tubo 3 McFarland.

Grupo 2 - doze escovas foram imersas em uma suspensão padronizada em solução salina com Stailococcus aureus

correspondendo ao tubo 3 McFarland.

Grupo 3 - doze escovas foram imersas em uma suspensão padronizada em solução salina com Streptococcus pyogenes

correspondendo ao tubo 3 McFarland.

Grupo 4 - doze escovas foram imersas em uma suspensão padronizada em solução salina com Enterococcus faecalis

correspondendo ao tubo 3 McFarland.

Grupo 5 - doze escovas foram imersas em uma suspensão padronizada em solução salina, contendo 0,2 mL de cada um dos quatros grupos de bactérias acima testadas e ajustadas ao equivalente ao tubo 3 McFarland.

Grupo 6 - doze escovas foram imersas em solução salina esterilizada formando o grupo-controle negativo.

Nos grupos 1, 2, 3, 4 e 5, as escovas foram deixadas imersas por 2 minutos nestas suspensões bacterianas padronizadas, para efetiva contaminação. O tempo de 2 minutos foi usado para simular o tempo de escovação9.

Foram, em seguida, retiradas das soluções bacterianas padronizadas, lavadas em água corrente de torneira por um período de 1 minuto (vazão de água de 7,5L por minuto), simulando o que poderia ser feito nos centros de educação infantil; as escovas foram então submetidas à desinfecção.

A desinfecção das escovas dentais foi feita pela imersão no agente químico hipoclorito de sódio (água sanitária), equivalente a 0,08%, da marca Qlar®, o que equivale a uma colher de sopa diluída por um litro de água. As escovas de cada grupo foram deixadas em imersão nos tempos de 5, 10 e 15 minutos, ressaltando que as escovas foram imersas juntas, no mesmo recipiente. Em relação ao uso do produto à base de hipoclorito de sódio 0,08%, resultante da diluição da água sanitária da marca Qlar®, este foi escolhido por ser de custo acessível e já ser utilizado pelos centros de educação infantil no município de Lages-SC, no momento da pesquisa.

Findo cada período de tempo, foram retiradas alíquotas de 0,2 mL das soluções dos grupos de 1 a 5 e colocadas em10 mL de caldo BHI, cada um numerado de acordo com o grupo de bactérias contaminantes e o tempo de descontaminação usado nas mesmas; logo em seguida, foram levadas para estufa bacteriológica na temperatura 35 ± 2°C por 24h.

Após as 24h em estufa, foi realizada a leitura do crescimento ou não de bactérias pela observação da turvação ou não do meio do caldo de BHI, sendo assim classiicados:

• Meio turvo caracterizando crescimento de bactérias: Não

desinfecção.

• Meio claro límpido caracterizando o não crescimento de

bactérias: desinfecção.

RESULTADO

Após a imersão das escovas durante 5 minutos em solução desinfetante de hipoclorito de sódio 0,08%, houve turvação nos tubos contendo solução salina com Escherichia coli (grupo1), solução salina com Enterococcus faecalis (grupo 4) e a suspensão de todas as bactérias testadas: Escherichia coli, Enterococcus faecalis,

Stailococcus aureus e Stailococcus pyogenes (grupo 5). Não houve turvação nos tubos contendo solução salina com Stailococcus aureus

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Stailococcus aureus (grupo 2), solução salina com Streptococcus pyogenes (grupo 3), evidenciando eiciência da solução desinfetante.

No tempo de imersão de 15 minutos em solução desinfetante de hipoclorito de sódio 0,08%, não houve turvação nos tubos contendo as soluções dos grupos 1, 2, 3, 4 e 5. Neste intervalo de tempo, a desinfecção de todas as bactérias presentes nas escovas foi eiciente.

No grupo 6 (controle), não ocorreu turvação do meio.

DISCUSSÃO

Muitos programas educativos se direcionam para a prevenção da doença cárie e periodontal; entretanto, poucos têm abordado o tema da desinfecção das escovas1. A manutenção das escovas dentais em condições adequadas de uso e livres de contaminação também deve fazer parte das ações educativas em saúde bucal, bem como a orientação de professores e funcionários a respeito de formas de armazenamento e desinfecção das escovas10. Deste modo, a descontaminação deve ser usada como método para evitar transmissão microbiana entre indivíduos de uma mesma família ou entre pessoas que armazenam suas escovas em creches e escolas11.

A ADA5 airma que, embora haja evidências da colonização das escovas dentais por microrganismos, não há evidência cientíica que suporte que estes crescimentos bacterianos possam causar problemas sistêmicos ou na cavidade bucal. Entretanto, recomenda que as escovas não sejam compartilhadas, sendo este um risco aumentado para infecções, principalmente em pessoas com sistema imunológico comprometido ou com doenças infecciosas existentes. Neste sentido, a desinfecção das escovas dentais nos centros de educação infantil deve ser vista de uma forma mais crítica, pois as escovas podem ser compartilhadas de forma não intencional. Deve-se observar que há convívio de crianças em ótimo estado de saúde geral, assim como outras, com alterações sistêmicas.

Outra recomendação é enxaguar as escovas em água da torneira e depois armazená-las em posição vertical; deve-se, ainda, mantê-las separadas umas das outras, para evitar contaminação cruzada. As formas de armazenamento das escovas em centros de educação infantil muitas vezes não são adequadas4 e nem sempre o enxague é realizado12, o que constitui mais um motivo para que estas escovas sejam descontaminadas. Uma terceira recomendação da ADA é que as escovas sejam substituídas a cada três ou quatro meses, ou

quando tiverem desgastadas, ressaltando que, naquelas usadas por crianças, este período é mais curto. No Brasil, esta substituição pode levar de seis meses a um ano12, sendo que a substituição e a aquisição de escovas nas escolas não são realidade13. Os autores do presente estudo acreditam que, enquanto não existir evidência cientíica sobre quando se deve realizar a desinfecção das escovas, fazem-se necessários o bom senso e o entendimento de cada realidade. Pesquisas devem ser incentivadas para buscar amenizar o risco de infecção das escovas dentais e estimular a escovação nas escolas.

A solução de hipoclorito de sódio 0,08% (água sanitária Qlar®) – disponível no mercado local e utilizando-se como medida uma colher de sopa (10 mL) para um litro de água – também foi escolhida para se aproximar à realidade das escolas e creches.

De acordo com este estudo in vitro, sugere-se que, após a imersão em hipoclorito de sódio a 0,08% por 15 minutos, as escovas sejam lavadas em água corrente, sob a torneira aberta durante um tempo de 1 minuto (7,5 litros). Não há risco de ingestão, pois as escovas após este procedimento deverão ser armazenadas até o próximo uso, sendo um método seguro. Embora o efeito citotóxico do hipoclorito de sódio tenha sido relatado em algumas concentrações, a utilização do mesmo na concentração de 2-2,5% NaOCl não ocasionou efeito genotóxico para tecidos14. Deve-se salientar que a concentração utilizada no presente estudo é bem menor (0,08%), com boa margem de segurança.

As soluções de água sanitária existentes no Brasil possuem ação antimicrobiana conirmada, além de seu baixo custo e fácil acesso. Dessa forma, pode ser usada como alternativa caseira por todas as classes sociais15. O uso de hipoclorito de sódio a 1% é eicaz na descontaminação de escovas dentais de crianças6,16 e não houve relato de sabor desagradável em decorrência do uso desta substância, provavelmente pela lavagem abundante após a desinfecção6. Estes dados não são possíveis de serem observados no presente estudo, pois o mesmo foi feito in vitro. A utilização de uma concentração menor que 1% foi devida ao produto utilizado apresentar uma concentração de 0,08% após sua diluição de uma colher de sopa para um litro de água. Esta escolha foi devida à diiculdade de as instituições públicas adquirirem produtos especíicos para a desinfecção das escovas.

Um ponto importante que deve ser ressaltado quando se utiliza o produto hipoclorito de sódio é a manutenção adequada das cerdas das escovas dentais. Até o presente momento, não existem estudos sobre o dano que o uso do hipoclorito de sódio possa causar nas cerdas das escovas. Métodos como o uso da máquina de lavar louças e do aparelho de micro-ondas na desinfecção das escovas podem daniicar as mesmas, podendo estes danos prejudicar a eicácia das mesmas no processo de remoção do bioilme5. Neste sentido, estudos devem ser realizados para testar estas hipóteses. Deste modo, não só uma boa limpeza vai garantir a redução da carga microbiana, mas a troca de escovas de dente pode também assegurar uma melhor saúde oral a indivíduos17.

Considerando-se que a desinfecção das escovas deve ser realizada após seu uso e que, após a desinfecção, as mesmas devem ser abundantemente lavadas, é provável que, pelo curto tempo de imersão, estas não apresentem odores residuais, sendo este método

Tabela 1. Tempo de descontaminação das escovas de dente, considerando cada grupo de estudo

Tempo de imersão

Grupo1 Grupo2 Grupo 3 Grupo4 Grupo5

5

minutos + - - + +

10

minutos - - - + +

15

minutos - - - -

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considerado efetivo para eliminação de bactérias presentes nas escovas dentais.

Cerca de 900 espécies de bactérias são encontradas na cavidade bucal, sendo estas capazes de viver até 24 horas entre as cerdas das escovas dentais3. Essas bactérias se proliferam favorecendo um maior risco de adquirir doenças18. Sabendo-se que as escovas se contaminam após o primeiro uso, é fundamental proceder com a desinfecção das mesmas sempre que forem usadas19.

O caldo de bactérias correspondendo ao tubo 3 de Mc Farland equivalente de 9,0 × 108 UFC/mL (grupo 5), contendo 0,2 mL de cada um dos quatros grupos de bactérias acima testadas, foi realizado para simular o que ocorreria ao se colocarem todas as escovas dos grupos contaminantes juntas para realizar a desinfecção, facilitando sua aplicabilidade nos ambientes coletivos.

A quantidade e a qualidade da microbiota aderida às escovas dependem de diversos fatores, como índice de bioilme do paciente, frequência de escovação, tempo que o indivíduo leva para escovar os dentes e modos de enxágue, secagem e armazenamento das escovas, após o uso das mesmas20. Além disso, o ato de passar os dedos nas cerdas da escova de dente, no momento do enxágue, pode contaminá-las com Stafylococcus20. Por estas razões, as atividades de educação de saúde nas escolas e atividades de escovação supervisionada devem obrigatoriamente abordar e adotar medidas de desinfecção das escovas dentais.

Algumas das bactérias testadas, como Stailococcus aureus,

representam uma espécie geralmente envolvida em infecções tanto de origem comunitária tanto hospitalar, sendo extensivamente estudada, constituindo-se o patógeno mais comum de infecções piogênicas21. Outro microrganismo testado, o Streptococcus pyogenes, é responsável por grande parte das infecções na faringe e nas amígdalas que geralmente acometem as crianças22.

A Escherichia coli pode causar infecções intestinais, urinárias, septicemias, entre outros tipos de infecção23, e pode estar presente na escova, assim como Enterococcus faecalis17. Estas duas últimas bactérias contaminam as escovas através da falta de higiene das mãos após o uso do banheiro ou devido aos aerossóis da descarga3,17. Escovas dentais armazenadas no armário do banheiro podem apresentar contaminação por Stailococcus e enterobactérias23,24.

A forma de armazenamento das escovas em creches, na sua maioria, é realizada coletivamente4,25, favorecendo a contaminação cruzada. Assim, este é mais um motivo para que as escovas sejam descontaminadas antes de serem armazenadas.

Além de pesquisar métodos e produtos efetivos para a descontaminação de escovas dentais, faz-se necessário orientar professores e educadores de centros de educação infantil sobre estas limitações. A descontaminação das escovas não quer dizer que elas não tenham de ser corretamente armazenadas e substituídas, mas

sim que é uma forma de diminuir possíveis fontes de contaminação entre as crianças, uma vez que a substituição das escovas regularmente não é uma realidade.

Não há, na literatura, um consenso em relação ao melhor método de desinfecção de escovas dentais1. O desaio é encontrar um método que seja efetivo, de baixo custo e acessível, e que não cause nenhum efeito colateral às crianças. Desta maneira, segundo recomendação do fabricante do caldo BHI utilizado no presente estudo, a não turvação do meio signiica a ausência de microrganismos, sendo este resultado suiciente para o questionamento proposto. Dentro deste contexto, este estudo in vitro, utilizando-se bactérias que podem ser encontradas facilmente nas escovas de crianças e o uso de água sanitária (hipoclorito 0,08%) para a desinfecção das mesmas, contribui para a resolução deste problema.

Entretanto, esta pesquisa apresenta limitações, como o reduzido número de microrganismos testados, o estudo in vitro e não se avaliaram as consequências do uso do hipoclorito de sódio nas cerdas das escovas, bem como se permaneceu algum resíduo deste produto. Assim, sugere-se que mais pesquisas sejam realizadas, buscando evidência cientíica tanto no que diz respeito à capacidade do hipoclorito na eliminação de microrganismos como em relação ao efeito do hipoclorito de sódio nas cerdas e para as crianças. Outra questão importante é a realização de pesquisas que visem à desinfecção em ambientes coletivos, considerando-se produtos de custo acessível e com métodos que possam ser reproduzidos nos centros de educação infantil.

A questão da desinfecção das escovas dentais é um processo mais amplo do que simplesmente deixar as escovas livres de microrganismos, pois faz parte de ações de promoção de saúde e de saúde pública. A escovação é necessária para controle das doenças bucais e este aspecto é trabalhado nas escolas, associado sempre à conservação e à limpeza dos instrumentos usados para este im. Embora ainda não haja evidências cientíicas que a desinfecção seja necessária, dentro de um processo educativo em saúde bucal, estas informações e ações devem ser reforçadas. A ideia de desinfecção das escovas todas juntas e no mesmo recipiente é uma possibilidade que deve ser ponderada pelas limitações deste estudo. Pesquisas visando à desinfecção de uma forma mais rápida, de baixo custo e efetiva deveriam ser realizadas.

CONCLUSÃO

Com este estudo, concluiu-se que a imersão em hipoclorito de sódio 0,08% no tempo de 15 minutos foi efetivo na desinfecção de escovas dentais contaminadas in vitro com as bactérias Escherichia coli, Stailococcus aureus, Streptococcus pyogenes e Enterococcus faecalis, podendo esta substância ser usada em ambientes coletivos devido a seu fácil acesso, baixo custo e efetividade.

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CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conlitos de interesse.

*AUTOR PARA CORRESPONDÊNCIA

Alexandre Sabatini Cavazzola, UNIPLAC - Universidade do Planalto Catarinense, Av. Castelo Branco, 170, Universitário, 88509-000 Lages, SC - Brasil, e-mail: acavazzola@hotmail.com

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