Marcelo Belentani de Bianchi
Variac¸˜oes da estrutura da crosta, litosfera e manto
para a plataforma Sul Americana atrav´es de func¸˜oes
do receptor para ondas P e S
S˜ao Paulo
Variac¸˜oes da estrutura da crosta, litosfera e manto
para a plataforma Sul Americana atrav´es de func¸˜oes
do receptor para ondas P e S
Tese apresentada ao Instituto de Astronomia, Geof´ısica e Ciˆencias Atmosf´ericas da Univer-sidade de S˜ao Paulo para a obtenc¸˜ao do t´ıtlo de Doutor em Ciˆencias na ´area de Geof´ısica
Orientador:
Marcelo S. de Assumpc¸˜ao
UNIVERSIDADE DE S ˜AOPAULO
INSTITUTO DEASTRONOMIA, GEOF´ISICA E CIENCIASˆ ATMOSFERICAS´
S˜ao Paulo
Agradecimentos
Este trabalho de doutorado ´e resultado dos meus estudos nos ´ultimos quatro anos que foram financiados diretamente e indiretamente por diversas instituic¸˜oes e, mais importante, nesses anos eu convivi com pessoas maravilhosas, que me apoiaram e ajudaram nesse per´ıodo as quais eu gostaria de agradecer.
Agradec¸o ao meu orientador, Prof. Marcelo Assumpc¸˜ao, pela amizade, confianc¸a, paciˆencia e apoio durante todos os momentos do meu doutorado. O seu conhecimento e profissionalismo s˜ao inigual´aveis. Obrigado por acreditar em mim nos momentos que eu j´a tinha perdido as esperanc¸as.
Agradec¸o ao Instituto de Astronomia, Geof´ısica e Ciˆencias Atmosf´ericas e a Universidade de S˜ao Paulo pela oportunidade de realizac¸˜ao do curso de doutorado e toda a infra estrutura e pessoal disponibilizados durante esses anos. Em especial ao t´ecnico Sr. Jos´e Roberto pelo cuidado na instalac¸˜ao das estac¸˜oes e “carinho” com os dados coletados que foram utilizados neste trabalho, as secret´arias do departamento Teca, Virginia e Magda pelo suporte constante e as t´ecnicas do laborat´orio de sismologia Cleusa e C´elia pela amizade e apoio desde a graduac¸˜ao.
Agradec¸o a Fundac¸˜ao de Amparo a Pesquisa do Estado de S˜ao Paulo (FAPESP) pela bolsa de doutorado direto (04/04958-5) concedida e o apoio financeiro durante todo o desenvolvi-mento deste trabalho.
Agradec¸o ao Dr. Benjamin Heit, Dr. Xiaohui Yuan e Prof. Reiner Kind pela oportuni-dade ´unica de fazer parte de um fant´astico grupo de sismologia, pelas valiosas instruc¸˜oes e por todo apoio e amizade durante a minha estada no instituto GeoForschungsZentrum (GFZ) em Potsdam/Alemanha.
Agradec¸o ao instituto GFZ pelo apoio financeiro e “log´ıstico” durante a minha estada em Potsdam.
Agradec¸o aos bons amigos Benjamin, Flor, Rainer, Liane, S¨uleyman, Forough, Xiaohui, Xueqing, Barbara, Ivan, America, Manfred e muitos outros que com certeza espero um dia vˆe-los novamente. Obrigado por todo apoio, companhia e excelentes momentos juntos.
Agradec¸o a todos os grandes amigos, que como eu foram alunos do IAG, pela companhia, conversas, discuss˜oes e coment´arios nos mais diversos assuntos durante todo o tempo em que ficamos aqui. Em especial, queria agradecer aqueles que tiveram a paciˆencia de dividir a sala comigo, obrigado Thiago (pimp˜ao), Afonso, Marcos (Marquinhos), Franklin, Marcus e Danillo pelos momentos divertidos e descontra´ıdos, e pelos coment´arios e discuss˜oes nos momentos dif´ıceis.
Americana atrav´es de func¸˜oes do receptor para ondas P e S.2008. 133 f. Tese (Doutorado) – Instituto de Astronomia, Geof´ısica e Ciˆencias Atmosf´ericas, Universidade de S˜ao Paulo, S˜ao Paulo, 2008.
Utilizamos neste trabalho duas metodologias distintas, a func¸˜ao do receptor com ondas P e a func¸˜ao do receptor com ondas S, para mapear variac¸˜oes da crosta e interfaces do manto (litosfera-astenosfera, 410 km e 660 km) em diferentes estac¸˜oes sismogr´aficas na placa Sul-Americana. No estudo da interface litosfera-astenosfera, por ser o primeiro realizado nesta regi˜ao, utilizamos as estac¸˜oes tempor´arias do IAG/USP em conjunto com as estac¸˜oes perma-nentes da rede mundial cobrindo toda a placa Sul-Americana. O estudo para as outras in-terfaces (Crosta-Manto, 410 km e 660 km) foi feito com car´ater regional, buscando detalhar caracter´ısticas da crosta e manto na regi˜ao est´avel da placa. Para ambos os m´etodos os trac¸os (sismogramas) foram rotacionados para o sistema LQT, deconvolvidos, agrupados por pontos de perfurac¸˜ao e por estac¸˜oes, e finalmente empilhados. Nos trac¸os empilhados as fases conver-tidas de interesse (Ps, Ppps, Ppss+PspseSp) foram identificadas e interpretadas. Para a parte est´avel da placa obtivemos um valor m´edio de espessura da crosta de 39.4±0.6km, variando desde 31.0±0.5 km para a prov´ıncia Borborema, at´e 41.3±1.0 km para a bacia do Paran´a, onde aplicamos uma correc¸˜ao para descontar o efeito do sedimento. A raz˜ao de velocidade para a crosta, vp/vs, apresentou valores mais altos para a bacia do Paran´a (≈1.75±0.08) e
regi˜ao litorˆanea oriental (>1.74), enquanto que as regi˜oes cratˆonicas (cr´aton S˜ao Francisco e Amazˆonico) apresentaram valores devp/vsbaixos (<1.72), chegando at´e 1.68. O valor m´edio
devp/vs para todas as estac¸˜oes analisadas foi de 1.73±0.02. As variac¸˜oes dos tempos para
as interfaces do manto mostraram boa correlac¸˜ao com resultados de tomografia s´ısmica de ou-tros trabalhos, indicando alterac¸˜oes de at´e 5% na velocidade das ondas s´ısmicas para o manto superior sob os cr´atons, uma deflex˜ao de at´e 15km na interface de 660km para a regi˜ao Sul da bacia do Paran´a e se mostraram bem correlacionadas com as m´edias globais para as outras regi˜ao estudadas. Por fim, a espessura da litosfera apresentou valores desde≈40 km, sob as regi˜oes de ilhas oceˆanicas, at´e≈160km, sob as regi˜oes mais est´aveis. Para as regi˜oes oceˆanicas a espessura da litosfera se mostra correlacionada com a idade da placa. `A medida que adentra-mos a parte continental, o limite litosfera–astenosfera se torna menos proeminente, atingindo profundidades maiores no interior dos continentes e menores para as regi˜oes marginais. Para a zona de subducc¸˜ao, observamos duas poss´ıveis litosferas, uma oceˆanica, subduzindo junto com a placa de Nazca, e outra pertencente `a parte continental.
Abstract
BIANCHI, M. B.Variations in the crustal, lithosphere and mantle structure for the South American platform using P- and S-waves receiver functions. 2008. 133 p. Thesis (Doctor) – Instituto de Astronomia, Geof´ısica e Ciˆencias Atmosf´ericas, Universidade de S˜ao Paulo, S˜ao Paulo, 2008.
Two distinct methodologies, the P- and S-wave receiver functions, are used to map va-riations in the crustal parameters (thickness and vp/vs ) and mantle interfaces
(lithosphere-asthenosphere, 410kmand 660km) on a number of different seismograph stations located in the South American plate. The results of theSreceiver function for the lithosphere-asthenosphere boundary are the first of this kind ever performed in South American continent and showed the large scale variations of this interface. To perform this study we analyze data from various glo-bal permanent stations together with all available data from temporary stations operated by the IAG/USP during the last15 years. For both methods the traces (seismograms) were rotated to theLQT system, deconvolved, grouped by piercing points and stations, and finally stacked. In the stacked traces, the converted phases (Ps,Ppps, Ppss+PspsandSp) were identified and in-terpreted. Inside the stable part of the plate we found a mean crustal thickness of 39.4±0.6km, ranging from 31.0±0.5 km in Borborema Province up to 41.3±1.0km in the Paran´a Basin, where we applied a correction to remove the sediment effects on the crustal estimates. The crustal velocity ratios, vp/vs, showed higher values for the Paran´a Basin (≈1.75±0.08) and
Ribeira belt (>1.74), while the cratonic regions (S˜ao Francisco and Amazon cratons) showed low values of vp/vs (<1.72), down to 1.68. The average vp/vs obtained for all stations was
equal to 1.73±0.02. The observed times of the converted mantle phases presented a good correlation with other tomographic studies, indicating that the upper mantle for the cratonic roots may be characterized by a variation up to 5% in seismic velocities, a 15 km deflection in the South Paran´a 660km discontinuity (probably due to a decreased temperature caused by the subducted slab); for other regions the converted times were close to the global average. As a final result, the lithospheric thickness presented values ranging from≈40kmunder oceanic islands, to 160kmunder the stable continental regions. We found that for the oceanic islands the thickness of the lithosphere is correlated with the age of the plate. When we go further in-side the continents, the lithosphere-asthenosphere boundary becomes less sharp, reaching larger depths inside the continents and shallower depths near the continental margin. In the Andean subduction area, we observed two possibles lithospheres, one oceanic, subducting together with the Nazca plate, and another belonging to the Continent, parallel to the crust interface.
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
Lista de abreviaturas e siglas
Lista de s´ımbolos
1 Introduc¸˜ao p. 18
1.1 Principais interfaces sismol´ogicas estudadas . . . p. 18
1.2 Contextualizac¸˜ao geol´ogica da ´area de estudo . . . p. 21
1.2.1 Plataforma Sul-Americana . . . p. 23
1.3 Principais estudos anteriores . . . p. 27
1.3.1 Func¸˜ao do receptor . . . p. 28
1.3.2 Tomografia s´ısmica . . . p. 30
1.3.3 Ondas de Superf´ıcie . . . p. 31
1.4 Sobre este trabalho . . . p. 32
2 Func¸˜ao do Receptor para ondas P p. 33
2.1 M´etodo . . . p. 33
2.1.1 Obtenc¸˜ao da func¸˜ao do receptor . . . p. 36
2.1.2 Coment´arios . . . p. 40
2.2 Dados . . . p. 41
2.2.2 Correc¸˜ao do banco de dados . . . p. 41
2.2.3 Selec¸˜ao dos eventos . . . p. 43
2.2.4 Deconvoluc¸˜ao, obtendo os trac¸os de func¸˜ao do receptor . . . p. 46
2.2.5 Coment´arios . . . p. 50
2.3 Resultados . . . p. 55
2.3.1 Empilhamento de func¸˜oes do receptor . . . p. 55
2.3.2 Crosta, profundidade da Moho e raz˜ao de velocidades . . . p. 65
2.3.3 Descontinuidades do manto, 410kme 660km . . . p. 77
3 Func¸˜ao do receptor para ondas S p. 90
3.1 Introduc¸˜ao . . . p. 90
3.2 Dados & Resultados (LAB) . . . p. 92
3.3 Descontinuidades do manto, 410kme 660km . . . p. 95
4 Discuss˜ao p. 101
4.1 Crosta . . . p. 101
4.1.1 Incerteza relacionada a velocidadevpadotada . . . p. 101
4.1.2 Comparac¸˜oes dos resultados com trabalhos anteriores . . . p. 103
4.1.3 Padr˜oes regionais . . . p. 104
4.2 Interfaces do manto e zona de transic¸˜ao . . . p. 106
4.2.1 Func¸˜ao do receptor para ondas P . . . p. 106
4.2.2 Func¸˜oes do receptor para ondas S . . . p. 115
5 Conclus˜oes p. 118
Bibliografia p. 121
1.1 Variac¸˜ao das profundidades previstas pelas mudanc¸as de estrutura da Olivina nas descontinuidades 410kme 660kmcom a variac¸˜ao da temperatura (T) e
velocidade (V) na zona de transic¸˜ao. . . p. 21
1.2 Mapa indicando as principais feic¸˜oes tectˆonicas da regi˜ao de estudo incluindo os limites (linhas brancas) das principais placas tectˆonicas (Bird, 2003) junto com a idade das placas oceˆanica (M¨ulleret al., 2008). Em destaque (linha vermelha) mostramos o limite da regi˜ao do cintur˜ao Andino a oeste e da
plataforma Sul-Americana (regi˜ao est´avel) a leste. . . p. 22
1.3 Mapa indicando os principais terrenos que juntos formam a plataforma
Sul-Americana junto com o limite em relac¸˜ao a regi˜ao Andina. . . p. 24
2.1 Esquema simplificado indicando os trajetos para ondas P geradas em ter-remotos para diferentes distˆancias epicentrais e as fases convertidas identi-fic´aveis durante a an´alise de func¸˜ao do receptor. S˜ao elas: 1. Pp, 2. Ps, 3.
Psps+Ppss, 4. Ppps. . . p. 35
2.2 Esquema simplificado mostrando as direc¸˜oes de cada um dos eixos para cada um dos sistemas de rotac¸˜ao em relac¸˜ao ao sistema de aquisic¸˜ao. O azimute reverso (“back-azimute”) do evento para este esquema foi assumido como sendo de 225◦, e o ˆangulo de incidˆencia (ˆangulo entre a direc¸˜ao de propagac¸˜ao
e a vertical) perto de 45◦. . . p. 36
2.3 Exemplo de sismograma utilizado para a obtenc¸˜ao da func¸˜ao do receptor. O
tempo 0s ´e o tempo te´orico de chegada da ondaP, dado pelo modelo IASP91. p. 38
2.4 Func¸˜oes do receptor obtidas a partir da deconvoluc¸˜ao utilizando: a) M´etodo de deconvoluc¸˜ao Iterativo b) M´etodo de deconvoluc¸˜ao espectral utilizando n´ıvel de ´agua igual a 0.001 (frac¸˜ao do valor m´aximo do denominador). c) Utilizando o m´etodo de deconvoluc¸˜ao impulsiva para componente R por Z
2.5 Mapa da distribuic¸˜ao das estac¸˜oes utilizadas neste trabalho. Ac=cr´aton Ama-zˆonico, Am=bacia Amazˆonica, Ch=bacia do Chaco-Paran´a, Pt=bacia do
Pan-tanal, Pr=bacia do Paran´a, SFc=cr´aton S˜ao Francisco, Pb=bacia do Parna´ıba. . p. 42
2.6 Per´ıodo dispon´ıvel de dados de cada uma das estac¸˜oes analisadas. Est˜ao representados os dados do banco de dados da sismologia antes da correc¸˜ao
(vermelho), depois da correc¸˜ao (azul) e os dados em si (preto). . . p. 44
2.7 Exemplo de selec¸˜ao para estac¸˜aoTRRB. Em a), os eventos selecionados ape-nas com os parˆametros de busca, em b), eventos selecionados ap´os inspec¸˜ao
visual individual. . . p. 45
2.8 C´alculo da relac¸˜ao S/R da componenteLdeconvolvida utilizada para escolha do melhor filtro inverso para a estimativa da func¸˜ao do receptor. RMS indica
o valor m´edio absoluto calculado para uma determinada janela. . . p. 47
2.9 Exemplo da an´alise gr´afica realizada com os parˆametros da deconvoluc¸˜ao para a estac¸˜aoTRRB. Nos dois gr´aficos acima a linha em verde indica o valor te´orico dos parˆametros (Azimute e Incidˆencia) calculados a partir das coor-denadas do evento e estac¸˜ao, os pontos com barras de incerteza s˜ao os valores
estimados pela diagonalizac¸˜ao da matriz de coerˆencia. . . p. 48
2.10 Trac¸os de func¸˜oes do receptor para a componenteQda estac¸˜aoTRRB corrigi-dos para o parˆametro de raio 6.4s/graupara fasePs. a) Antes da inspec¸˜ao visual. b) Depois da inspec¸˜ao. c) Trac¸os removidos durante a inspec¸˜ao. To-dos os trac¸os foram filtraTo-dos por um filtro passa baixa 1.5Hz. O trac¸o acima da sec¸˜ao representa o trac¸o empilhado (soma linear) de todos os trac¸os apre-sentados abaixo. A esquerda dos trac¸os ´e indicado o nome da estac¸˜ao e a direita do quadro central s˜ao indicadas as distˆancias epicentrais (c´ırculos pre-tos) e os azimutes reversos (linha vermelha) para cada func¸˜ao do do receptor
apresentada. . . p. 49
2.11 Mapa mostrando os eventos utilizados neste trabalho. Eventos1 s˜ao os even-tos efetivamente utilizados, isto ´e: eveneven-tos que resultaram em bons trac¸os de func¸˜ao do receptor que n˜ao foram eliminados em nenhuma etapa de inspec¸˜ao descrita no texto. Eventos2 s˜ao os eventos que foram eliminados com a remoc¸˜ao dos trac¸os de func¸˜ao do receptor que n˜ao passaram na inspec¸˜ao vi-sual como explicado no texto. Cada evento pode ter sido registrado por mais
Curva te´orica para a variac¸˜ao do tempo de chegada da fasePscom a distˆancia do evento para uma camada a 35 km de profundidade. Eventos simulados
com uma profundidade de 0km. . . p. 56
2.14 Trac¸os resultantes do empilhamento da sec¸˜ao apresentada para a estac¸˜ao RI-FB. a) comparac¸˜ao para janela contendo a convers˜ao Ps da Moho entre os trac¸os empilhados usando o empilhamento linear com direc¸˜ao 0 graus2/s,
pwsscom direc¸˜ao 0graus2/sepwsscom direc¸˜ao 0.06graus2/s. b) Idem a), mas com os trac¸os normalizados para m´axima amplitude igual a 1. c) Idem a) para uma janela de 25sa 120scom um filtro passa baixa de 2s. d) Sec¸˜ao
dos dados originais para a estac¸˜aoRIFB. . . p. 57
2.15 Sec¸˜ao de empilhamentopwssreferente ao parˆametro de raiop=7.7graus2/s
para estac¸˜ao RIFB. As fases indicadas s˜ao: A) Ps convertida da Moho, B) Conjunto de m´ultiplas (Ppps e Psps+Ppss) para a convers˜ao da Moho, C) FasePsde uma interface perto dos 269 km, D) Fase Psda descontinuidade
de 410kme E) FasePsda descontinuidade de 660km. . . p. 59
2.16 Diagramahkpara a estac¸˜aoCPUPcalculado com os pesosw1=0.7,w2=0.2
e w3=0.1. Na sec¸˜ao ao lado s˜ao apresentados os dados utilizados para o
c´alculo do diagramahkapresentado. . . p. 61
2.17 Diagramas hk calculados para a estac¸˜ao CPUP. Pesos, velocidade e valores
obtidos indicados em cada um dos casos individualmente. . . p. 62
2.18 Exemplo de correc¸˜ao de uma func¸˜ao do receptor obtida para a estac¸˜aoPPDB. O trac¸o original (linha verde), com um parˆametro de raio 8.68 s/grau foi convertido no trac¸o referente ao parˆametro de raio 6.4 s/grau(linha preta). As setas indicam como as amostras do trac¸o original s˜ao deslocadas para o
2.19 Sec¸˜ao com os 32 trac¸os de func¸˜ao do receptor dispon´ıveis para a estac¸˜ao
PPDB. Os trac¸os originais (linha verde) est˜ao sobrepostos aos trac¸os corrigidos (linha preta) para um parˆametro de raio 6.4s/grau e fasePs. A seta indica se o trac¸o original foi comprimido (←) ou esticado (→). A correc¸˜ao foi
realizada utilizando o modelo IASP91 como referˆencia. . . p. 64
2.20 Grupos de trac¸os corrigido e empilhados. Cada trac¸o corresponde ao empi-lhamento de um sub-conjunto dos dados originais para a estac¸˜aoPPDB. Em a) foram gerados 10 sub-conjuntos, b) 35, c) 75 e d) 120. Para cada grupo ´e indicado o n´umero de sub-conjuntos considerados (G), a m´edia dos tempos (tm) para a fasePslida (indicada em vermelho) e sua incerteza (σ) estimada
pelo desvio padr˜ao das mesmas medidas. . . p. 65
2.21 Sec¸˜ao de func¸˜oes do receptor corrigidas (p=6.4 s/grau) e empilhadas por estac¸˜ao. A marca em preto indica o tempo para a fase Psestimada a partir dos parˆametros apresentados na Tabela 2.2. Cada grupo apresentado cor-responde de forma aproximada a uma determinada grande regi˜ao geol´ogica. Da esquerda para direita temos: faixa Bras´ılia, faixa Ribeira, serra da Man-tiqueira, regi˜ao Norte, cr´aton S˜ao Francisco, bacia do Pantanal e bacia do
Paran´a. O n´umero entre colchetes ´e o n´umero de trac¸os empilhados. . . p. 69
2.22 Mapa para a espessura dos sedimentos (contornos em vermelho) da bacia do Paran´a interpolado a partir de medidas em poc¸os profundos. Os triˆangulos indicam a localizac¸˜ao das estac¸˜oes que sofreram correc¸˜ao para a espessura
do sedimento. . . p. 71
2.23 Mapas da distribuic¸˜ao dos valores de raz˜ao de velocidade apresentados na Tabela 2.2. Em (a) s˜ao representados os Valores m´edios (indicados como
V M), (b) os valores obtidos pelo m´etodo pwss (pwss) e em (c), os valores
obtidos pelo m´etodohk(hk). Idem para as incertezas nos mapas(d),(e)e(f). p. 74
2.24 Mapas da distribuic¸˜ao dos valores de espessura apresentados na Tabela 2.2. Em (a) s˜ao representados os Valores m´edios (indicados como V M), (b) os valores obtidos pelo m´etodo pwss(pwss) e em(c), os valores obtidos pelo
2.26 Esquema e equac¸˜oes utilizadas para calcular a distˆancia do ponto de perfura-c¸˜ao `a estaperfura-c¸˜ao para um modelo com apenas uma camada. A distˆancia do ponto
de perfurac¸˜ao ´e definida como sendo a vari´avelxs. . . p. 78
2.27 Gr´afico da raz˜ao da distˆancia do ponto de perfurac¸˜ao pela profundidade da interface imagin´aria pela profundidade imagin´aria para eventos com trˆes pa-rˆametros de raio distintos p=8.6s/grau, p=6.4s/graue p=4.5s/grau
correspondentes a distˆancias epicentrais iguais a 35◦, 67◦e 95◦. . . p. 79
2.28 Pontos de perfurac¸˜ao (c´ırculos) calculados para os 1189 eventos processa-dos considerando trˆes profundidades de interesse. As regi˜oes coloridas de-limitadas indicam o n´umero de pontos de perfurac¸˜ao em um retˆangulo de
≈1.9◦x2.25◦. . . p. 81
2.29 Regi˜oes selecionadas para o empilhamento das func¸˜oes do receptor na bacia do Paran´a. Para cada regi˜ao delimitada no mapa ´e apresentado um trac¸o de func¸˜ao do receptor empilhado nas sec¸˜oes abaixo, onde o n´umero do trac¸o corresponde a regi˜ao de selec¸˜ao. O n´umero `a direita da sec¸˜ao ´e o n´umero de trac¸os empilhados, as linhas pontilhadas, os tempos te´oricos para as desconti-nuidades do manto (410kme 660km) e as marcas em verde sobre cada fase, indica o tempo m´edio (c´ırculo) e seu desvio padr˜ao (barras) obtidos com o
“bootstrap”. . . p. 84
2.30 Idem Figura 2.29 para a regi˜ao central do Brasil, cr´aton S˜ao Francisco e faixa
Ribeira/Mantiqueira. . . p. 86
2.31 Idem Figura 2.29 para a as estac¸˜oes na regi˜ao Norte e Nordeste do Brasil. . . p. 87
2.32 Idem Figura 2.29 agrupando os dados por grandes regi˜oes. Na sec¸˜ao em 535kmtamb´em ´e indicado o tempo te´orico para uma convers˜ao a 40 kmde
3.1 A func¸˜ao do receptor para ondas S. A) Esquema das fases (Ss ou simples-menteSeSp) observ´aveis naSRF. B) Esquema das componentesLeQpara uma onda incidente S impulsiva. O tempo na SRF considera que a fase S chega em 0slogo os tempos das fasesSpser˜ao dados em func¸˜ao da chegada
da faseS. . . p. 91
3.2 Distribuic¸˜ao da densidade de eventos dentro dos limites de distˆancia e mag-nitude compat´ıveis com o estudo daSRF quando considerados a) a faseSe b) a faseSKS. O c´ırculo indica o ponto de m´axima densidade e o quadrado
indica o ponto de menor densidade em cada mapa. . . p. 93
3.3 Sec¸˜aoSRF para as estac¸˜oes da bacia do Paran´a. Todos os trac¸os est˜ao corri-gidos para um parˆametro de raio igual a 6.4s/grau. O trac¸o na parte superior representa o trac¸o empilhado onde ´e poss´ıvel identificar as convers˜oes para a
Moho, 410kme 660km. . . p. 97
3.4 Trac¸os empilhados deSRF por regi˜ao. Os trac¸os foram corrigidos para um parˆametro de raio igual a 6.4 s/grau e empilhados. As fases lidas e inter-pretadas s˜ao indicadas por um c´ırculo em vermelho. As siglas usadas s˜ao: PR = Grupo Paran´a, CS = Grupo costa (faixa da Ribeira), SFc = cr´aton S˜ao Francisco, FX = Grupos das faixas dobradas (faixa Bras´ılia e Serra da Man-tiqueira), NNE = Grupo Norte/Nordeste, S = Empilhamento considerando somente ondasSe SKS = Empilhamento considerando somente ondasSKS. As setas indicam os tempos te´oricos (modelo IASP91) para as
descontinui-dades de 410kme 660km. . . p. 98
3.5 An´alise tipo “bootstrap” para os conjuntos de dados da bacia do Paran´a(a)e da Faixa Ribeira(b). A leituras dos m´aximos para cada fase em cada grupo ´e indicada por um c´ırculo em vermelho. A m´edia e o desvio padr˜ao para cada
conjunto de leituras s˜ao indicados acima de cada sec¸˜ao. . . p. 99
4.1 Dependˆencia dos parˆametros obtidos pelo m´etodo da func¸˜ao do receptor com a velocidade para a ondaPadotada para a camada. Acima s˜ao apresentadas as variac¸˜oes para a espessura da camada (h) e a raz˜ao de velocidades (k), e
4.3 Comparac¸˜ao das m´edias por regi˜ao para os valores devp/vs eh. A⋆ao lado
do nome da regi˜ao indica que algumas estac¸˜oes foram desconsideradas para o c´alculo das m´edias em quest˜ao. Paran´a Cr. indica a regi˜ao da bacia do Paran´a quando aplicadas as correc¸˜oes pelo sedimento (2.3.2, p.70), o valor de h nessa regi˜ao ´e como nas outras, a espessura crustal total, incluindo a
espessura dos sedimentos. . . p. 104
4.4 Histogramas dos tempos lidos nos trac¸os de func¸˜ao do receptor empilhados para a descontinuidade de 410km (a)e de 660km (b). O tempo predito pelo
modelo IASP91 ´e indicado com uma linha pontilhada. . . p. 107
4.5 Diferenc¸a esperada nos tempos de chegada para as fasesPsdas descontinui-dades 410kme 660kmem func¸˜ao de uma alterac¸˜ao percentual na velocidade das ondasPeSat´e uma profundidade de 410km. As diferenc¸as foram calcu-ladas em relac¸˜ao ao modelo IASP91, isto ´e, tempo dado pelo modelo IASP91 menos o tempo dado por cada modelo modificado. Os modelos modificados
utilizados para o c´alculo s˜ao apresentados ao lado. . . p. 109
4.6 Tempos observados (pontos) com sua incerteza (“bootstrap”) sobrepostos aos tempos preditos pelos modelos alterados. Grupo (a)corresponde aos dados lidos da sec¸˜ao na Figura 2.29, (b) da Figura 2.30 e (c) da Figura 2.31. O n´umero da medida corresponde a regi˜ao delimitada dos pontos de perfurac¸˜ao nos mapas correspondentes. Os conjuntos destacados s˜ao: Pt = Bacia do Pantanal, Pn = bacia do Paran´a central e norte, Ps = bacia do Paran´a sul, Oc = Manto Oceˆanico, Fb = faixa Bras´ılia, SFc = cr´aton S˜ao Francisco, Rb = faixa
Ribeira, Am = cr´aton Amazˆonico e Ne = regi˜ao Norte/Nordeste. . . p. 109
4.7 Localizac¸˜ao das regi˜oes utilizadas para selec¸˜ao dos pontos de perfurac¸˜ao para o empilhamento das func¸˜oes de receptor em func¸˜ao da tomografia s´ısmica (Rocha, 2008) para as profundidades de 400 km, mapas (i) e (ii) e para a profundidade de 650km, mapas (iii)e(iv). Ac = cr´aton Amazˆonico, SFc =
4.8 Comparac¸˜ao entre os trac¸os de func¸˜ao do receptor para ondas S (faseSKS somente) empilhados para as regi˜oes Paran´a (PR), cr´aton S˜ao Francisco (SFc) e Norte/Nordeste (NNE) junto com os tempos lidos nos trac¸os de func¸˜ao do receptor para ondasP(Figura 4.6(a), (b)e(c)). Os n´umeros referem-se aos
2.1 Lista das estac¸˜oes utilizadas durante a an´alise da Func¸˜ao do Receptor para ondasP. Nd ´e o n´umero de eventos deconvolvidos por estac¸˜ao,Nf o n´umero
debonseventos selecionados ap´os inspec¸˜ao visual de todos os trac¸os eApp.
a porcentagem de aproveitamento dos eventos por estac¸˜ao. . . p. 51
2.2 Espessura (h) e raz˜ao de velocidades (vp/vs) para a crosta para as 63 estac¸˜oes
analisadas. A coluna “Valores m´edios” ´e a m´edia ponderada pelas incertezas entre o m´etodo pwss e hk e sua respectiva incerteza propagada. As colu-nas “diferenc¸as” mostram as diferenc¸as obtidas entre os dois m´etodos. Nas ´ultimas trˆes linhas s˜ao apresentados os valores m´edios, m´ınimos e m´aximos de cada uma das colunas; a incerteza nesta estimativa ´e considerada
indepen-dente do seu valor associado. . . p. 67
2.3 Valores de profundidade para Moho (h) e raz˜ao de velocidades (vp/vs)
ob-tidas pelo m´etodopwsspara as estac¸˜oes na bacia do Paran´a com (“Corrigi-dos”) e sem (“Sem correc¸˜ao”) correc¸˜ao para a espessura dos sedimentos (hs).
A coluna∆h apresenta a diferenc¸a entre os valores de espessura com e sem
correc¸˜ao. O valor dehapresentado j´a inclui a espessura dos sedimentos. . . . p. 72
3.1 Tempos lidos (t) e profundidade estimada (h) para as convers˜oes identificadas na Figura 3.4. Os tempos foram convertidos em profundidade utilizando o
Lista de abreviaturas e siglas
ASCII American Standard Code for Information Interchange. BLSP Brazillian Lithospheric Seismological Project.
BANJO Broadband Andean Joint experiment.
GFZ Instituto GeoForschungsZentrum em Potsdam/Alemanha.
hk Refere-se ao m´etodo proposto por (Zhu & Kanamori, 2000) (h re-presenta a espessura eka raz˜ao de velocidades.
IAG Instituto de Astronomia, Geof´ısica e de Ciˆencias Atmosf´ericas. IRIS Incorporated Research Institutions for Seismology.
LAB Lithosphere Asthenosphere Bondary – limite Litosfera Astenos-fera.
NEIC National Earthquake Information Center, http://earthquake.
usgs.gov/regional/neic/.
NMO Normal move out.
PDE Preliminary Determinations of Epicenters – Nome do cat´alogo do NEIC.
PRF Func¸˜ao do receptor para ondasP. pwss Phase weighted slant stacking. QED Quick epicenter determinantion.
REFUCA Receiver Function Central Andes experiment.
RMS Root mean square ou em portuguˆes, valor quadr´atico m´edio. S/R Sinal/Ru´ıdo.
SVD Singular Value Decomposition – Decomposic¸˜ao em valores singu-lares.
h Hora.
m Minuto.
mb Magnitude de ondas de corpo compressionais, ondas P, como de-finido pelo NEIC.
MPa Mega-Pascal (Unidade de medida de press˜ao).
k Raz˜ao de velocidadesvp/vs.
K Kelvin, unidade de medida de temperatura.
L Indica a componente longitudinal de registro (ondasP).
Q Componente perpendicular a componente L no plano contendo a vertical de registro (ondasS).
GPa Giga-Pascal (Unidade de medida de press˜ao).
p Parˆametro de raio (s/grauous/km).
P Press˜ao.
R Indica a componente radial de registro.
T Pode estar indicando a temperatura, como em∆P/∆T, ou simples-mente a componente tangencial de um sismograma rotacionado.
t Tempo, normalmente em segundos.
vp Velocidade para ondasP. vs Velocidade para ondasS.
vp/vs Raz˜ao de velocidades para ondasPeS. Z Indica a componente vertical de registro.
Φ Auto-correlac¸˜ao ou correlac¸˜ao cruzada.
δ Func¸˜ao delta de Dirac (δ =1 set=0 e 0 caso contr´ario).
∆ Distˆancia epicentral, medida em graus sobre a superf´ıcie da Terra.
⋆ Convoluc¸˜ao
≈ Aproximadamente
18
1
Introduc¸˜ao
O principal objetivo deste trabalho ´e estudar a crosta e o manto superior sob a regi˜ao conti-nental da plataforma Sul-Americana, sua estrutura e variac¸˜oes de propriedades correlacion´aveis com grandes feic¸˜oes tectˆonicas. A estrutura das camadas da Terra podem sofrer alterac¸˜oes de-pendendo da evoluc¸˜ao tectˆonica de cada terreno. Cada camada, ´e por definic¸˜ao uma porc¸˜ao do planeta com uma profundidade e espessura definida, na qual os materiais l´a contidos apresentam propriedades semelhantes (f´ısicas ou qu´ımicas).
1.1
Principais interfaces sismol´ogicas estudadas
A sismologia, atrav´es do estudo das ondasP(prim´arias/compresivas) eS (secund´arias/cisa-lhantes) emitidas por terremotos, consegue estudar as variac¸˜oes de velocidade para os diferentes terrenos e identificar interfaces (regi˜oes em profundidade de contato de camadas) onde ocorrem variac¸˜oes abruptas de velocidades. Estas regi˜oes de variac¸˜oes abruptas s˜ao respons´aveis por refratar e refletir as ondas s´ısmicas, fazendo com que uma onda P divida a sua energia em ondasPeStransmitidas e refletidas e, em geral, s˜ao associadas a regi˜oes onde as propriedades qu´ımicas e/ou estruturais dos materiais sofrem as maiores variac¸˜oes.
Dentro do escopo deste trabalho podemos definir quatro interfaces de primeira ordem (vi-s´ıveis globalmente) conhecidas, que definem diferentes regi˜oes da parte mais superficial do nosso planeta. S˜ao elas: A descontinuidade de Moho que representa o limite Crosta-Manto. A descontinuidade Litosfera-Astenosfera (LAB), o limite entre a Litosfera e a Astenosfera, ou melhor, o limite inferior das placas tectˆonicas. E as descontinuidades do manto em 410 km
terface que define o limite das rochas pertencentes a crosta continental (basicamente granit´oides, rochas com alto teor de S´ılica) ou oceˆanica (Gabros) das rochas do manto (Peridotitos). Sua es-pessura varia de 30kma 70kmnos continentes, e de 7kma 8kmpara os oceanos (Fowler, 1990; Stein & Wysession, 2003). Essa descontinuidade marca dessa forma uma mudanc¸a qu´ımica na composic¸˜ao das rochas que ´e acompanhada por uma mudanc¸a abrupta de velocidades. O mo-delo IASP91 (Kennett & Engdahl, 1991) que ´e mais representativo para as regi˜oes continentais (as estac¸˜oes se encontram em sua grande parte nos continentes), define a crosta como tendo uma espessura total de 35kmcom uma velocidade m´edia para ondasPde 6.15km/s(3.55km/s
paraS), j´a o manto, apresenta para a sua primeira camada uma velocidade para ondaP igual a 8.04km/s(4.47km/s). Acreditamos que uma boa aproximac¸˜ao seria dizer que as rochas da crosta teriam velocidades de at´e 7.0km/s, enquanto que o manto, velocidades maiores do que 7.8km/s.
Limite Litosfera–Astenosfera
A litosfera normalmente ´e definida como a parte superficial mais r´ıgida da Terra, enquanto que a Astenosfera, uma parte d´uctil, apresenta um comportamento visco-el´astico permitindo que as placas tectˆonicas (litosfera ?) “flutuem” sobre ela (Fowler, 1990). Essa definic¸˜ao est´a baseada apenas nas caracter´ısticas mecˆanicas (relativas ao comportamento reol´ogico) dessas camadas, e foram ´uteis para explicar de forma geral a teoria de placas. A litosfera cont´em assim a crosta e mais uma parte do manto superior.
1.1 Principais interfaces sismol´ogicas estudadas 20
para este prop´osito. A soluc¸˜ao adotada neste caso, foi manter a velocidade para as ondasPeS praticamente constante entre 35kme 120km.
A parte controversa desta definic¸˜ao ´e ent˜ao que a LABcomo adotada, como sendo o topo da zona de baixa velocidade, pode n˜ao coincidir com a base da parte r´ıgida da placa. ALAB de-terminada pela sismologia quando comparada com outros m´etodos, ir´a retornar uma espessura exagerada, pois o m´etodo aqui empregado mede efetivamente o ponto de maior gradiente nega-tivo (invers˜ao de velocidades) para a velocidade dentro da zona de baixa velocidade, enquanto que os outros m´etodos, estariam medindo a realLAB1mecˆanica (Anderson, 1995).
De qualquer forma, como estamos trabalhando com apenas um m´etodo na determinac¸˜ao da espessura da litosfera nosso objetivo maior ´e estudar as variac¸˜oes regionais daLABe n˜ao os va-lores absolutos. Ressaltamos que ´e necess´aria uma maior atenc¸˜ao no caso de serem comparados os resultados aqui obtidos com outros trabalhos sobre a determinac¸˜ao da espessura da placa.
Interfaces do manto a410kme660km
As descontinuidades do manto s˜ao preditas pelos modelos globais de velocidade que defi-nem uma mudanc¸a abrupta de velocidade (≈4% para a descontinuidade de 410kme 6% para a 660km) a 410km e 660km de profundidade. Essas variac¸˜oes de velocidade s˜ao explicadas por alterac¸˜oes da estrutura cristalina dos minerais no manto devido a forte influˆencia da press˜ao e temperatura. As mudanc¸as de estrutura foram pela primeira vez observadas na d´ecada de 60 (Ringwood & Major, 1966).
Atualmente, sabemos que com o aumento da press˜ao e da temperatura ocorre uma compac-tac¸˜ao e quebra seguida de compaccompac-tac¸˜ao na estrutura cristalina dos principais materiais consti-tuintes do manto, a Olivina ([Mg,Fe]2SiO4) e o Piroxˆenio ([Mg,Fe]SiO3).
A aproximadamente 12GPa, na profundidade da descontinuidade de 410km, a Olivina se converte para β-espin´elio (uma forma modificada da estrutura do Espin´elio) e gradualmente at´e ≈590 km essa forma modificada de β-espin´elio se converte em γ-espin´elio. A 24 GPa
(660kmde profundidade) oγ-espin´elio sofre uma nova modificac¸˜ao, sendo “quebrado” em dois compostos, a Perovesquita (“Perovskite”) e a Magn´esiovustita (“Magnesionwustite”)(Stein & Wysession, 2003). O mesmo ocorre com o Piroxˆenio, s´o que de uma forma mais suave, ele a partir dos 200kmcomec¸a a se transformar em uma forma com estrutura parecida com Grana-das (“Garnet”) passando por uma fase intermedi´aria chamada de “Ilmenite” e a 660km ele se transforma em Perovesquita (Stein & Wysession, 2003). Como essa mudanc¸a ´e gradual para
vina, e mais especificamente 90% ´e Forsterita (Mg2SiO4)(Fowler, 1990; Stein & Wysession,
2003), uma forma mais simplificada de ver todo o processo ´e dizer que as descontinuidades do manto s˜ao resultado da mudanc¸a de Olivina (Forsterita) paraβ-espin´elio a 410kme ent˜ao, para peroveskita em 660km.
Um fato comprovado mais tarde (Bina & Helffrich, 1994; Helffrich & Wood, 2001) foi que essas transformac¸˜oes de fase tem coeficientes de Clapeyron (∆P/∆T) opostos, resultando que a profundidade das descontinuidades imageadas v˜ao depender da temperatura do manto de maneiras diferentes. Bina & Helffrich (1994) prop˜oe valores de coeficientes de Clapeyron iguais a≈3MPa/K para a transic¸˜ao em 410kme≈ −2MPa/Kem 660km. Para ilustrar esta importante caracter´ıstica das descontinuidades do manto, no esquema apresentado na Figura 1.1 s˜ao indicadas as direc¸˜oes das variac¸˜oes da profundidade para as descontinuidades de 410 km
e 660 km com uma alterac¸˜ao na temperatura (T) da zona de transic¸˜ao. Como mostrado, a espessura da zona de transic¸˜ao aumenta para uma diminuic¸˜ao de temperatura e diminui para um aumento da mesma.
Figura 1.1: Variac¸˜ao das profundidades previstas pelas mudanc¸as de estrutura da Olivina nas descontinuidades 410kme 660kmcom a variac¸˜ao da temperatura (T) e velocidade (V) na zona de transic¸˜ao.
1.2
Contextualizac¸˜ao geol´ogica da ´area de estudo
loca-1.2 Contextualizac¸˜ao geol´ogica da ´area de estudo 22
lizadas a maior parte das estac¸˜oes utilizadas. Durante os estudos para a espessura da litosfera, como forma de complementar os dados na plataforma dado o car´ater de grande escala deste trabalho, utilizamos adicionalmente estac¸˜oes permanentes da rede mundial localizadas tamb´em em ilhas oceˆanicas e na zona de subducc¸˜ao Andina.
−110˚
−110˚
−100˚
−100˚
−90˚
−90˚
−80˚
−80˚
−70˚
−70˚
−60˚
−60˚
−50˚
−50˚
−40˚
−40˚
−30˚
−30˚
−60˚
−60˚
−50˚
−50˚
−40˚
−40˚
−30˚
−30˚
−20˚
−20˚
−10˚
−10˚
0˚
0˚
10˚
10˚
20 20 20 40 40 60 60 80 80 80 100 100 Scotia Nazca Sul−Americana Cocos Antártica CaribeEstações temporárias (IAG)
Estações permanentes da rede mundial
0
50
100
150
200
Idade (m.y.)
c
i
n
u
r
ã
o
d
i
n
o
t
A
n
Plataforma Sul−Americana Patagôniapela placa que Nazca que atualmente est´a em subducc¸˜ao sobre a placa Sul-Americana (limite convergente) (Bird, 2003; DeMetset al., 1990). Nas regi˜oes Norte e Sul, a placa Sul-Americana apresenta os mais variados limites, interagindo com diferentes outras placas menores e maio-res. As placas mais importantes s˜ao as destacadas na Figura 1.2, dentre elas, a placa do Caribe a noroeste, a placa Norte Americana a Nordeste, a placa Ant´artica a Sudeste e extremo Sudo-este e a placa de Scotia a SudoSudo-este. Outras placas menores s˜ao atualmente propostas (Bird, 2003) para acomodar os diferentes dados geof´ısicos observados na regi˜ao, mas estas n˜ao est˜ao representadas na Figura 1.2.
1.2.1
Plataforma Sul-Americana
A plataforma (Figura 1.3) ´e definida como a parte est´avel do continente, formada pelo grupo de terrenos Arqueanos e Proteroz´oicos que n˜ao foram afetados de forma significativa pela orogˆenese dos Andes e do Caribe, de idades Faneroz´oicas. O seu embasamento ´e composto por uma colagem de blocos cratˆonicos, de idade Arqueanas a Proteroz´oica (cr´aton S˜ao Fran-cisco, S˜ao Lu´ıs e o Amazˆonico), com faixas dobradas de idades Neoproteroz´oicas (Prov´ıncia Tocantins, Borborema e Mantiqueira) agrupadas principalmente durante o ciclo Brasiliano/Pan-Africano tornando-se est´aveis a pelo menos 500Maatr´as (Almeida et al., 2000). Ap´os a sua formac¸˜ao, a plataforma Sul-Americana passou por diversos est´agios de evoluc¸˜ao e foi recoberta por sedimentos formando grandes bacia intra-cratˆonicas, dentre elas temos a bacia do Solim˜oes e Amazonas, bacia do Paran´a, bacia do Parna´ıba, bacia do Chaco-Paran´a e Pantanal. Mesmo no seu ´ultimo est´agio, ela foi de certa forma afetada por eventos tectˆonicos e magm´aticos n˜ao exclusivamente, mais em sua grande parte, causados pela separac¸˜ao do Gondwana que resul-tou tamb´em na abertura do oceano Atlˆantico no Cret´aceo inferior. ´E importante ressaltar que estes processos de reativac¸˜ao do Cret´aceo foram causados por fatores externos (fora da ´area de estudo), afetando mais a sua borda do que a sua regi˜ao central, mostrando que esses eventos apenas em sua menor parte afetaram de forma significativa o manto ou mesmo a litosfera no interior desta regi˜ao.
Cr´aton S˜ao Francisco
1.2 Contextualizac¸˜ao geol´ogica da ´area de estudo 24
−80˚
−80˚
−70˚
−70˚
−60˚
−60˚
−50˚
−50˚
−40˚
−40˚
−30˚
−30˚
−20˚
−20˚
−10˚
−10˚
0˚
0˚
10˚
10˚
Parnaíba Bacia do
Bacia do Paraná
Solimões Bacia do
Bacia do Chaco−Paraná
(3) (1)
(2)
(4)
S E D N A
Bacia do Amazonas
(5)
Bloco Paranapanema Cráton do Amazonas
Cráton do Amazonas
Oceano Atlântico
Francisco Cráton São
Oceano Pacífico
Oceano Atlântico
(1) Província Tocantins (2) Província Borborema (3) Província Mantigueira (4) Bacia do Pantanal (5) Cráton São Luís
Figura 1.3: Mapa indicando os principais terrenos que juntos formam a plataforma Sul-Americana junto com o limite em relac¸˜ao a regi˜ao Andina.
Faixa Bras´ılia (parte integrante da Prov´ıncia Tocantins), a leste pela faixa Arac¸ua´ı (Prov´ıncia Mantiqueira) e a norte, pelas faixas Rio Preto, Riacho do Pontal e Sergipiniana (Prov´ıncia Bor-borema). Embora em sua maior parte ele esteja recoberto por terrenos faneroz´oicos existem blocos expostos do seu embasamento no extremo Sul e na parte leste. Acredita-se que ele se tornou est´avel a pelo menos 1.8Ga(Alkmim, 2004; Almeida, 1977) datando assim do final do evento Transamazˆonico aproximadamente.
Cr´aton do Amazonas
Americana, sendo delimitado a leste e sul pela faixa Araguaia e Paraguai (Prov´ıncia Tocantins), e a oeste, por uma seq¨uencia de sedimentos cenoz´oicos pertencentes a faixa de orogenia An-dina, o que dificulta a delimitac¸˜ao exata da sua extens˜ao nesta direc¸˜ao. Em sua regi˜ao central s˜ao acomodadas as bacias sedimentares do Solim˜oes e do Amazonas que separam o chamado escudo Guapor´e ao Sul, do escudo das Guianas a norte, ambos sendo parte integrante do cr´aton.
Cr´aton Paranapanema
Al´em dos dois grandes cr´atons j´a citados, sob os sedimentos da bacia do Paran´a existem evidencias geol´ogicas e geof´ısicas da existˆencia de um bloco cratˆonico (Figura 1.3). Ainda n˜ao est´a certo se o embasamento da Bacia ´e formado por um ´unico bloco, chamado como “n´ucleo cratˆonico” (Cordaniet al., 1984; Zal´anet al., 1990 apud Milani, 1997), “Bloco Paran´a” (Soares, 1991 apud Milani, 1997) ou ainda, mais recentemente, de bloco Paranapanema (Mantovaniet al., 2005) ou se, seriam diversos blocos menores, como defendido por outros autores como Milani (1997) ou mesmo Juli´aet al.(2008). Mantovaniet al.(2005) prop˜oe idades de formac¸˜oes destes blocos entre 1000 Ma e 850 Ma. Ao redor deste grande bloco, tamb´em devem ser considerados outros blocos menores, como o Rio de La Plata e o Luiz Alves, localizado ao Sudeste e leste da bacia do Paran´a (Cordaniet al., 2003).
´
E importante ressaltar que ainda n˜ao foi definido quanto que tais blocos supostamentes cratˆonicos foram afetados pelos processos ocorridos durante a era Faneroz´oica, como os exten-sos derrames de lava na bacia do Paran´a, e a pr´opria abertura do oceano Atlˆantico. Al´em do mais, como ressaltado por Milani (1997) e Milani & Ramos (1998), ´e importante notar que o centro do suposto bloco (Mantovaniet al., 2005; Soares, 1991; Zal´an et al., 1990; Cordani et al., 1984) estaria alinhado com o rifte central da bacia do Paran´a, o que poderia implicar na reativac¸˜ao tardia destes blocos durante a formac¸˜ao ou mesmo a evoluc¸˜ao deste rifte central.
Cr´aton S˜ao Luis (Oeste Africano)
1.2 Contextualizac¸˜ao geol´ogica da ´area de estudo 26
na plataforma Sul-Americana do cr´aton S˜ao Lu´ıs/Oeste-Africano (Sadowski, 2000) que teria se rompido durante o processo de abertura do oceano Atlˆantico no Cret´aceo.
Prov´ıncia Tocantins
A prov´ıncia Tocantins foi formada pela convergˆencia de trˆes blocos cratˆonicos, o cr´aton Amazˆonico, o S˜ao Francisco e o Paranapanema. Ela ´e caracterizada por trˆes cintur˜oes de dobras denominados de Faixa Bras´ılia ao sul, que representa o limite oeste do cr´aton S˜ao Francisco, a faixa Araguaia ao norte, delimitando o limite leste do cr´aton Amazˆonico, e a faixa Paraguai a oeste, delimitando o limite Sul do cr´aton Amazˆonico. Esses terrenos que comp˜oem o embasamento da prov´ıncia Tocantins foram estabelecidos durante a orogˆenese do Brasiliano/Pan-Africano, de 900 Ma at´e 500 Ma, e as rochas ali alojadas sofreram grandes esforc¸os tectˆonicos mostrando duas zonas claras definidas como zonas internas (com metamor-fismos de alto grau) ao centro de cada faixa, e zonas externas (baixo grau de metamorfismo), nas suas bordas pr´oximas `as regi˜oes cratˆonicas (Bizziet al., 2003).
Prov´ıncia Borborema
A prov´ıncia Borborema est´a localizada ao norte do cr´aton S˜ao Francisco, beirando a mar-gem passiva da plataforma Sul-Americana no nordeste do Brasil e delimitada (mas n˜ao limitada) a oeste, pela bacia Parna´ıba. Seu embasamento ´e composto por um mosaico de faixas e terrenos com idades do Arqueano (alguns blocos pequenos) ao Neoproteroz´oico, sendo assim est´a rela-cionada com o ciclo de orogenias Transamazˆonicas e Brasilianas/Pan-Africanas. A sua primeira estabilizac¸˜ao ocorreu durante o ciclo Brasiliano≈540Maentre os per´ıodo Neoproteroz´oico e Paleoz´oico (Neveset al., 2000). Uma suposic¸˜ao ´e que a prov´ıncia Borborema seja a regi˜ao que ligava os cr´aton S˜ao Francisco/Congo e S˜ao Luis/Oeste Africano em um super continente an-tigo durante o Arqueano, por isso ´e esperado que alguns dos seus terrenos n˜ao estejam limitados pela borda da bacia Parna´ıba, sendo esse, somente o seu limite superficial.
Prov´ıncia Mantiqueira
A prov´ıncia Mantiqueira foi desenvolvida durante o ciclo Brasiliano/Pan-Africano no Neo-proteroz´oico, e se estende desde o Sul da Bahia at´e o Uruguai com praticamente 3000 km
registros de idades Arqueanas (Silvaet al., 2005; Bizziet al., 2003) em blocos isolados.
Bacia Sedimentares
Dada a vasta extens˜ao da plataforma Sul-Americana, muitos dos seus cr´atons e faixas Pro-teroz´oicas foram cobertos por grandes bacias de idade Paleoz´oica. As principais bacias est˜ao indicadas na Figura 1.3 onde podemos destacar as seguintes caracter´ısticas: (a) bacia do Pa-ran´a, com at´e 7 km de sedimentos teve seu inicio de sedimentac¸˜ao no per´ıodo Ordoviciano (≈440 Ma) e t´ermino no Neocret´aceo (≈ 60 Ma) (Milani, 1997; Milani & Ramos, 1998). Como j´a discutido, sup˜oe-se que abaixo dos sedimentos exista um (ou mais) n´ucleo cratˆonico, bloco Paranapanema, com caracter´ısticas f´ısicas e distribuic¸˜ao ainda n˜ao totalmente confirma-dos. Al´em disso, a bacia do Paran´a tem quase que 2/3 da sua ´area coberta por lavas de idades Mesoz´oicas. (b) bacia do Parna´ıba, com at´e 3.5 km de sedimentos teve o poss´ıvel in´ıcio da sua sedimentac¸˜ao no per´ıodo Cambriano (≈100Maantes do que a bacia do Paran´a), esta ba-cia atualmente ´e limitada a norte pela margem passiva do continente, guardando assim uma grande correlac¸˜ao com bacias an´alogas no continente Africano (Milani & Thomaz, 2000). (c)
Bacia do Amazonas / Bacia do Solim˜oes, s˜ao bacias de profundidades intermedi´arias locali-zadas sobre o cr´aton do Amazonas, com at´e 5km de profundidade. Tiveram o seu inicio de deposic¸˜ao tamb´em no per´ıodo Ordoviciano/Siluriano, e at´e hoje ainda est˜ao em processo de sedimentac¸˜ao. (d) Bacia Chaco-Paran´a ´e a bacia “vizinha” da bacia do Paran´a (a sudoeste da mesma, que guarda grande parte das suas caracter´ısticas estratigr´aficas correlacion´aveis com esta. A sua profundidade m´axima estimada ´e de 5kmsendo que atualmente, a bacia do Chaco-Paran´a recebe sedimentos do cintur˜ao Andino que ainda est˜ao inconsolidados. Essa cunha de sedimentos recentes representa a parte do Chaco desta bacia (Milani & Thomaz, 2000).
1.3
Principais estudos anteriores
1.3 Principais estudos anteriores 28
superf´ıcie e an´alises tomogr´aficas.
1.3.1
Func¸˜ao do receptor
Os primeiros trabalhos com func¸˜ao do receptor para a crosta na regi˜ao foram apresentados no artigo Assumpc¸˜aoet al.(2002) que mostrou uma crosta mais espessa para a bacia do Paran´a (40 – 47km) do que para a regi˜ao do cr´aton S˜ao Francisco (37 – 43km), ou mesmo, para a faixa Ribeira (34 – 42km). Neste trabalho os autores se limitaram `a identificac¸˜ao da fasePsapenas, logo os valores de raz˜ao de velocidades (vp/vs) ou foram calculados por outras metodologias
(diagrama de Wadati) ou foram assumidos baseados em valores propostos na literatura (1.732). Como resultado principal deste artigo, foram propostos dois modelos para tentar explicar a maior espessura crustal da bacia do Paran´a:(a)Um crosta inferior mais densa (“underplating”) ou(b)Um manto superior mais denso, quando comparado com o cr´aton S˜ao Francisco.
Um outro trabalho da mesma ´epoca foi elaborado com dados de trˆes estac¸˜oes tempor´arias junto com uma estac¸˜ao permanente (PTGA) do IRIS (Incorporated Research Institutions for Seis-mology) na regi˜ao da bacia do Amazonas (Kr¨ugeret al., 2002). Neste trabalho s˜ao apresentados resultados de func¸˜ao do receptor para a crosta e manto (em apenas 1 estac¸˜ao,PTGA). Foram ob-tidos valores de≈38kmde espessura da crosta para as estac¸˜oes mais ao Sul, sob os sedimentos do Amazonas, e uma espessura n˜ao esperada, de 48km, para a estac¸˜ao dePTGAlocalizada ao norte da ´area de estudo. Para duas das estac¸˜oes analisadas foram apresentados valores devp/vs
(≈1.83) obtidos pelo m´etodo de Zhu & Kanamori (2000). A an´alise das interfaces do manto apresentou valores compat´ıveis com as m´edias globais (414kme 659km).
Um estudo mais abrangente das descontinuidades do manto em 410kme 660kmfoi apre-sentado por Liuet al. (2003), que apresenta um perfil Leste-Oeste na latitude de 20◦S elabo-rado pelo empilhamento de diferentes trac¸os de func¸˜oes do receptor pelos pontos de perfurac¸˜ao mostrando as variac¸˜oes de topografia para essas descontinuidades na regi˜ao. Dentre os da-dos processada-dos est˜ao os dada-dos do projeto BLSP92, utilizada-dos por Assumpc¸˜aoet al.(2002) e tamb´em utilizados neste trabalho. Liuet al.(2003) mostraram uma deflex˜ao de at´e 40kmpara a descontinuidade de 660km devido a influˆencia da placa de Nazca, uma variac¸˜ao gradual na descontinuidade de 410kmde oeste para leste, e, descarta uma origem t´ermica como causa da pluma f´ossil proposta por VanDecar em 1995 no nordeste da Bacia do Paran´a (VanDecaret al., 1995).
Um outro estudo realizado com func¸˜oes do receptor na prov´ıncia Tocantins, foi apresen-tado em Assumpc¸˜ao et al. (2004) onde foram analisados dados de 6 estac¸˜oes sismogr´aficas distribu´ıdas entre a zona interna e externa da faixa Bras´ılia e no arco magm´atico de Goi´as. Este foi o primeiro trabalho a utilizar as duas fases m´ultiplas al´em da fasePs refratadas na crosta para a obtenc¸˜ao de valores de espessura, raz˜ao de velocidades e suas respectivas incertezas. ´E importante ressaltar que a identificac¸˜ao das duas m´ultiplas apresenta um v´ınculo mais robusto na determinac¸˜ao da raz˜ao de velocidades, pois a diferenc¸a de tempos entre as fasesPsePdeve ser igual `a diferenc¸a de tempo entre as fasesPpss+PspsePpps. Os resultados mostraram uma variac¸˜ao da espessura crustal (de≈35kmpara≈41km) e da raz˜ao de velocidades (de≈1.75 para≈1.71) significativas entre o arco magm´atico e a zona interna analisada (respectivamente).
Por fim, Juli´aet al.(2008) apresentaram uma an´alise conjunta de func¸˜ao do receptor com ondas superf´ıcie de 17 estac¸˜oes sismogr´aficas espalhadas por toda a regi˜ao norte e central da bacia do Paran´a para obter os parˆametros da crosta sob os sedimentos. Os resultados reportados apresentaram valores de espessura entre 41 e 48km e raz˜ao de velocidades entre 1.70 e 1.78 para toda a crosta. Esta an´alise permitiu obter um melhor entendimento dos processos ocorridos durante a evoluc¸˜ao Paleoz´oica da bacia, e uma melhor definic¸˜ao de como estariam configurados os poss´ıveis blocos cratˆonicos na bacia do Paran´a. A func¸˜ao do receptor neste trabalho foi analisada utilizando o m´etodo de Zhu & Kanamori (2000), como no trabalho apresentado por Kr¨ugeret al.(2002).
Os trabalhos apresentados (Assumpc¸˜ao et al., 2002; Kr¨ugeret al., 2002; Liuet al., 2003; Franc¸a & Assumpc¸˜ao, 2004; Assumpc¸˜aoet al., 2004; Juli´aet al., 2008) mostram a evoluc¸˜ao dos m´etodos utilizados e fases interpretadas na func¸˜ao do receptor. Em termos da regi˜ao estudada, cada trabalho abrange apenas uma pequena regi˜ao individualmente, `as vezes se prendendo a variac¸˜oes locais dos parˆametros obtidos que nem sempre apresentam uma boa correlac¸˜ao com tectˆonica regional, pois a func¸˜ao do receptor representa uma medida pontual que pode ser influ-enciada por efeitos locais em cada estac¸˜ao analisada. Al´em disso, com excec¸˜ao de um2trabalho (Liu et al., 2003), todos os outros s˜ao focados no estudo da crosta em particular, mostrando assim uma deficiˆencia de informac¸˜oes para a estrutura do manto e litosfera na plataforma Sul-Americana e suas variac¸˜oes de acordo com as regi˜oes tectˆonicas pr´eviamente definidas.
2Kr¨uger et al.(2002) analisou apenas 1 estac¸˜ao para as interfaces do manto que, inclusive, j´a tinha
1.3 Principais estudos anteriores 30
1.3.2
Tomografia s´ısmica
O primeiro estudo (VanDecar et al., 1995) importante de tomografia local obtido para a regi˜ao est´avel da placa Sul-Americana foi resultado da leitura dos tempos de chegadas das fasesP e S nos eventos registrados pelas primeiras 12 estac¸˜oes do projeto BLSP92 operadas na regi˜ao leste da bacia do Paran´a, incluindo uma parte (sul) do cr´aton S˜ao Francisco e uma faixa da prov´ıncia Mantiqueira. As principais caracter´ısticas do modelo obtido foram altas velocidades do manto na regi˜ao do cr´aton S˜ao Francisco para at´e 300 km de profundidade e baixas velocidades para um conduto aproximadamente cil´ındrico interpretado como sendo uma pluma f´ossil (“Tristan da Cunha”) de idade Cret´acea.
Utilizando-se do mesmo m´etodo, mas com um aumento significativo tanto do n´umero de dados quanto da regi˜ao estudada, Schimmelet al.(2003), Rocha (2003) e Rocha (2008) refi-naram os resultados propostos inicialmente por VanDecaret al., chegando a incluir nos traba-lhos mais recentes boa parte da bacia do Paran´a, prov´ıncia Tocantins, prov´ıncia Mantiqueira e cr´aton S˜ao Francisco totalizando 19000 leituras entre ondasPeS. No trabalho apresentado por Schimmelet al.com mais de 10000 fases lidas foi confirmada a presenc¸a da anomalia de baixas velocidades no manto relacionada a presenc¸a da pluma f´ossil de “Tristan da Cunha” (VanDecar
et al., 1995), destacando que com o aumento de dados foi poss´ıvel mostrar que esta anomalia se encontra totalmente limitada ao manto superior. Outros resultados foram: uma tendˆencia de baixas velocidades para as regi˜ao de faixas m´oveis nas profundidades litosf´ericas indicando uma zona de temperatura mais elevada relacionada com a reativac¸˜ao mais recente de tais terre-nos. Observaram novamente a tendˆencia de velocidades maiores para o cr´aton S˜ao Francisco, e identificaram uma tendˆencia de anomalias N-S consistente com a presenc¸a da placa de Nazca subduzida na regi˜ao do manto inferior para a regi˜ao estudada. No trabalho mais recente apresen-tado por Rocha (2008) foi utilizado o m´etodo estat´ıstico “Jackknife” (Efron & Tibshirani, 1991) para realizar um estudo da robustez dos resultados al´em de praticamente duplicar o n´umero de leituras para ondasSutilizadas durante a invers˜ao.
Utilizando-se de uma invers˜ao conjunta com curvas de dispers˜ao para ondas Rayleigh (modo fundamental) e forma de onda para ondas S e Rayleigh Feng et al. (2007) mapeou e correlacionou importantes feic¸˜oes tectˆonicas, algumas delas j´a observadas com um menor grau de detalhamento por outras invers˜oes tomogr´aficas regionais (VanDerLeeet al., 2001; Heintzet al., 2005) ou mesmo globais (Ritzwolleret al., 2002). Os resultados confirmados por Fenget al.
que s˜ao comuns entre outros trabalhos (VanDerLeeet al., 2001; Ritzwolleret al., 2002; Heintz
Ao utilizar as curvas de dispers˜ao (modo fundamental) para aumentar significativamente o n´umero de percursos, junto com a modelagem de forma de onda para aumentar a sensibili-dade do modelo em profundisensibili-dade, Fenget al.(2007) deu um passo importante na tomografia e permitiu, que novas contribuic¸˜oes importantes fossem feitas, principalmente caracterizando e limitando feic¸˜oes antes n˜ao “enxergadas” dentro da plataforma Sul-Americana devida a baixa densidade de percursos principalmente na regi˜ao norte e nordeste da plataforma (VanDerLeeet al., 2001) ou mesmo, por serem utilizados percursos muito longos e baixos per´ıodos somente (Heintz et al., 2005). As importantes adic¸˜oes feitas por Feng et al. (2007) foram: (a) a es-pessura crustal na bacia do Amazonas ´e a mesma que a eses-pessura crustal nos escudos Guianas e Guapor´e,(b) velocidades altas entre 100 – 150 km de profundidade para as regi˜oes das ba-cias do Amazonas, Parna´ıba e Paran´a,(c)a litosfera na regi˜ao do cr´aton Amazˆonico apresenta profundidades de≈160kme(d)delimitou uma zona de baixa velocidade at´e≈200kmde pro-fundidade separando os cr´atons S˜ao Francisco e do Amazonas. Uma implicac¸˜ao importante dos resultados foi definir que o cr´aton Amazˆonico n˜ao foi fortemente afetado pelo processo de rifte da bacia amazˆonica, excluindo a possibilidade da bacia do Amazonas representar um limite de um poss´ıvel bloco cratˆonico ao sul separado de outro ao norte.
1.3.3
Ondas de Superf´ıcie
Uma terceira categoria de trabalhos utilizados para o estudo da estrutura da crosta e manto litosf´erico na regi˜ao s˜ao aqueles utilizando m´etodos de invers˜ao de curvas de dispers˜ao para ondas de superf´ıcie (Snoke & James, 1997; An & Assumpc¸˜ao, 2004; An & Assumpc¸˜ao, 2006), normalmente utilizando a func¸˜ao do receptor como v´ınculo.
1.4 Sobre este trabalho 32
velocidade menores do que a m´edia global para o manto superior (4.2km/s) e uma crosta mais fina (32km) do que os valores encontrados para a bacia do Paran´a (Snoke & James, 1997).
1.4
Sobre este trabalho
Neste trabalho iremos apresentar um estudo com func¸˜oes do receptor tanto para ondas P quanto para ondasSpara a plataforma Sul-Americana com um enfoque na espessura da litos-fera e nas descontinuidades do manto na profundidade da zona de transic¸˜ao (410kme 660km), tentando suprir a deficiˆencia de informac¸˜oes a respeito dessas interfaces na regi˜ao estudada. Adicionalmente a esses resultados tamb´em ser´a apresentada uma an´alise da espessura e raz˜ao de velocidades da crosta para todas as estac¸˜oes analisadas (com func¸˜oes do receptor para ondas P). Foi feito um esforc¸o muito grande em sempre definir as incertezas associadas com cada
me-dida/parˆametro apresentado, por que acreditamos que os valores aqui apresentados s´o poder˜ao ter alguma utilidade se acompanhados de uma incerteza. Durante as interpretac¸˜oes, procuramos identificar nos resultados padr˜oes regionais (baseados nas incertezas e nas m´edias espaciais) que pudessem caracterizar os terrenos tectˆonicos apresentados e que pudessem nos ajudar a definir melhor seus limites, e mesmo sua caracter´ısticas.
2
Func¸˜ao do Receptor para ondas P
O m´etodo da func¸˜ao do receptor para ondasP´e utilizado neste estudo tanto para caracterizar as interfaces do manto assim como as variac¸˜oes de estrutura crustal encontradas na parte conti-nental est´avel da placa Sul Americana. Um segundo objetivo ´e a caracterizac¸˜ao de variac¸˜oes na zona de transic¸˜ao (Capitulo 1) que ´e definida como a regi˜ao entre os dois saltos de velocidade para as ondas de corpo nas profundidades de 410kme 660kmaproximadamente, que ir˜ao gerar convers˜oes de ondasPparaSquando atravessadas por uma ondaP.
2.1
M´etodo
A func¸˜ao do receptor para ondas P ´e aproximadamente a resposta S da estrutura sob a estac¸˜ao sismogr´afica para um pulso de ondaPincidente (Langston, 1979; Owenset al., 1984; Owens & Zandt, 1985; Ammon, 1991). Em um caso particular ela pode ser definida como
R(t)/Z(t), onde / denota a deconvoluc¸˜ao, R a componente radial e Z vertical. Isso quer di-zer: em um trac¸o de func¸˜ao do receptor cada pulso (“spike”) representa uma convers˜ao de ondaPparaS(convers˜ao direta ou reverberac¸˜oes) em uma determinada profundidadeh, sendo esta profundidade dada pela diferenc¸a dos tempos entre as fasesPdireta esconvertida (Zandt
et al., 1995). Como sabemos cada componente do registro pode ser representado como uma convoluc¸˜ao:
Z(t) =S(t)⋆I(t)⋆Hz(t) (2.1)
R(t) =S(t)⋆I(t)⋆Hr(t) (2.2)
T(t) =S(t)⋆I(t)⋆Ht(t) (2.3)
con-2.1 M´etodo 34
siderando que o ˆangulo de incidˆencia seja baixo, isso implica queHz(t)≈δt eHt =0, logo as
equac¸˜oes se transformam em:
Z(t)≈S(t)⋆I(t) (2.4)
R(t) =S(t)⋆I(t)⋆Hr(t) (2.5)
T(t) =0 (2.6)
resolvendo paraHr(t),
Fr(t) = R(t)
Z(t) ≈Hr(t) =
R(t)
S(t)⋆I(t) (2.7)
onde Fr ´e o que definimos como sendo a func¸˜ao do receptor para ondas P, e a divis˜ao
representa a deconvoluc¸˜ao do numerador pelo denominador.
Na an´alise da func¸˜ao do receptor estamos interessados apenas na parte pr´oxima `a estac¸˜ao, e um fator crucial para fazermos com que o ˆangulo de incidˆencia seja pequeno ´e a utilizac¸˜ao de distˆancias epicentrais (∆) maiores do que 30◦na selec¸˜ao dos eventos. Al´em disto, a deconvolu-c¸˜ao, elimina dos registros toda a influˆencia da fonte e percurso afastado da estac¸˜ao.
Nos trac¸os de func¸˜ao do receptor resultantes queremos identificar as fases convertidas de ondaPpara ondaS, fasePse suas m´ultiplas, nas diversas descontinuidades abaixo da estac¸˜ao. No esquema da Figura 2.1 mostramos que para diversos terremotos ocorridos a diferentes distˆancias epicentrais sempre vai existir um ramo de onda P que deixa a fonte a uma deter-minada inclinac¸˜ao e azimute para se dirigir `a estac¸˜ao. Ainda, quanto mais distante estiver o evento, menor o ˆangulo de incidˆencia na estac¸˜ao.
Nas proximidades da estac¸˜ao a onda P, representada no detalhe da Figura 2.1, ao incidir em uma descontinuidade ir´a se refratar dando origem a diversas fases que, com o aux´ılio da metodologia da func¸˜ao do receptor, s˜ao identific´aveis no registro sismogr´afico. As fases iden-tific´aveis s˜ao: 1. A fase Pp ou simplesmente fase P direta (onda P que ´e transmitida pelas camadas), 2. A fasePs(ondaPconvertida emS), 3. As fases m´ultiplasPsps+Ppssque chegam juntas (fase resultante da m´ultipla reflex˜ao da ondaSna camada), 4. A fase m´ultiplaPpps(fase resultante da m´ultipla reflex˜ao da ondaPna camada).
Figura 2.1: Esquema simplificado indicando os trajetos para ondasP geradas em terremotos para diferentes distˆancias epicentrais e as fases convertidas identific´aveis durante a an´alise de func¸˜ao do receptor. S˜ao elas: 1.Pp, 2. Ps, 3. Psps+Ppss, 4. Ppps.
tPsm −tP= m
∑
i=1
(ais−aip) (2.8)
tPppsm −tP= m
∑
i=1
(aip+ais) (2.9)
tPspsm +Ppss−tP= m
∑
i=1
2ais (2.10)
tPspsm +Ppss−tPpps= m
∑
i=1
(2ais−aip−ais) =
m
∑
i=1
(ais−aip) =tPsm −tP (2.11)
com
ais=hi[(vis)−2−p2]1/2 (Atraso para onda S na camada i) (2.12) aip=hi[(vip)−2−p2]1/2 (Atraso para onda P na camada i) (2.13)
Onde vp e vs s˜ao as velocidades de cada camada i, h sua espessura, e p o parˆametro de
raio (p=dt/d∆=1/vap =sen(ji)/vi, ji ´e o ˆangulo de incidˆencia na camadai) para a ondaP
incidente.
2.1 M´etodo 36
´
E importante notar que, para uma mesma camada, as diversas fases refratadas s˜ao originadas em pontos diferentes em sub superf´ıcie como indicado na Figura 2.1 pelos n´umeros 1, 2, 3 e 4. Caso a interface refratora apresente uma topografia ou inclinac¸˜ao, haver´a uma mudanc¸a de referˆencia entre as fases, causando uma variac¸˜ao nos tempos de chegada. Como as distˆancias entre os pontos 1 a 4 diminuem com a distˆancia epicentral, eventos mais distantes s˜ao menos afetados pela simplificac¸˜ao de camadas horizontais uniformes.
Por fim, adotamos uma distˆancia m´axima de 95◦na selec¸˜ao dos eventos pois com o aumento da distˆancia ocorre uma diminuic¸˜ao da relac¸˜ao sinal/ru´ıdo (S/R) da func¸˜ao do receptor devido a diminuic¸˜ao da amplitude da convers˜ao das ondasP-para-S, al´em do que, 95◦est´a pr´oximo ao limite imposto pela zona de sombra para ondasP.
2.1.1
Obtenc¸˜ao da func¸˜ao do receptor
O primeiro passo na obtenc¸˜ao da func¸˜ao do receptor ´e a separac¸˜ao das ondas P e S. Isso pode ser feito pela rotac¸˜ao das componentesZNE (Z para a direc¸˜ao vertical, N para a direc¸˜ao Norte e E, para a direc¸˜ao Leste) registradas (Figura 2.2) para um sistema baseado na direc¸˜ao de polarizac¸˜ao das ondasPeS.
Figura 2.2: Esquema simplificado mostrando as direc¸˜oes de cada um dos eixos para cada um dos sistemas de rotac¸˜ao em relac¸˜ao ao sistema de aquisic¸˜ao. O azimute reverso (“back-azimute”) do evento para este esquema foi assumido como sendo de 225◦, e o ˆangulo de incidˆencia (ˆangulo entre a direc¸˜ao de propagac¸˜ao e a vertical) perto de 45◦.
Rotac¸˜ao
No m´etodo da func¸˜ao do receptor podem ser utilizados dois tipos diferentes de rotac¸˜ao. Em um deles considera-se apenas a rotac¸˜ao do sistemaZNE(sistema de aquisic¸˜ao) para o sistema