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2 Func¸˜ao do Receptor para ondas P

2.3.1 Empilhamento de func¸˜oes do receptor

Uma das formas de se aumentar a relac¸˜ao S/R ´e realizando o empilhamento1de diferentes trac¸os de func¸˜ao do receptor para diminuir o ru´ıdo aleat´orio ressaltando as feic¸˜oes de interesse. Como visto na sec¸˜ao 2.1 a func¸˜ao do receptor representa a estrutura sob a estac¸˜ao vista de um determinada direc¸˜ao dada pela posic¸˜ao relativa do evento em relac¸˜ao a estac¸˜ao. Caso o nosso modelo de camadas seja plano, ou seja sem variac¸˜ao lateral, a func¸˜ao do receptor (mais precisamente o tempo de chegada e amplitude das fases) deve variar apenas com o parˆametro de raio (p) como indicado nas equac¸˜oes 2.8 at´e 2.11. O parˆametro de raio por sua vez, guarda uma dependˆencia inversa com a distˆancia epicentral e com a profundidade do evento (p=p(∆, H)).

Para ilustrar essa dependˆencia na Figura 2.13 ´e apresentado um esquema indicando a vari- ac¸˜ao da func¸˜ao do receptor com a distˆancia epicentral.

Como mostrado na Figura 2.13 (a), a posic¸˜ao das fases convertidas na func¸˜ao do receptor dependem do parˆametro de raio da onda P incidente, que determina como a func¸˜ao do receptor amostra a camada. Para parˆametros de raio cada vez menores a func¸˜ao do receptor tende a amos- trar a camada cada vez mais perpendicularmente, chegando ao caso limite que est´a indicado no trac¸o de n´umero 3 do esquema. Para parˆametros de raio maiores (raios 2 e 1 do esquema), a func¸˜ao do receptor ´e “esticada” em tempo. Para ilustrar de uma outra forma o mesmo efeito, na Figura 2.13 b) calculamos para cada distˆancia epicentral o tempo de chegada de uma fase Ps convertida em uma camada a 35 km de profundidade (os eventos foram todos considerados a uma profundidade de 0 km) que ilustra o comportamento n˜ao linear dos tempos de chegada.

Dessa forma, durante esse trabalho utilizamos trˆes m´etodos diferentes para correlacionar diferentes trac¸os de func¸˜oes do receptor corrigindo o efeito causado pela variac¸˜ao do parˆametro de raio. Os m´etodos s˜ao:

Empilhamento inclinado ponderado pela fase (pwss)

1Entende-se por empilhamento a soma amostra a amostra de diversos trac¸os que amostraram o mesmo espac¸o

2.3 Resultados 56 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 Tempo (s) 30 45 60 75 90 Distância (graus) a) b)

Figura 2.13: Representac¸˜ao da variac¸˜ao dos trac¸os de func¸˜ao do receptor com a distˆancia epi- central. a) Como a func¸˜ao do receptor amostra o modelo de camadas. b) Curva te´orica para a variac¸˜ao do tempo de chegada da fase Ps com a distˆancia do evento para uma camada a 35 km de profundidade. Eventos simulados com uma profundidade de 0 km.

Empilhamento Profundidade vs. Raz˜ao de Velocidade (hk)Correc¸˜ao de parˆametro de raio (move-out/NMO)

O m´etodo pwss (phase weighted slant stacking)

Neste m´etodo ´e realizada uma busca em direc¸˜oes lineares de empilhamento das fases corre- lacion´aveis em sec¸˜oes de func¸˜ao do receptor. Como apresentado um primeiro problema ´e a n˜ao linearidade da relac¸˜ao entre o tempo de chegada das fases de interesse (Ps, Ppps ou Psps+Ppss) com a distˆancia epicentral, ou mesmo com o parˆametro de raio, em trac¸os de func¸˜ao do receptor. Para resolver esse problema este m´etodo prop˜oe a utilizac¸˜ao do parˆametro de raio quadrado que ir´a linearizar as equac¸˜oes 2.8 `a 2.11 em primeira aproximac¸˜ao para um modelo de uma camada. A id´eia principal do m´etodo pode ser apresentada pela seguinte transformac¸˜ao:

f(t, ∆) → f (t, p2) (2.18)

Onde f ´e uma func¸˜ao de duas vari´aveis representando uma sec¸˜ao de func¸˜oes do receptor. Ao realizarmos a mudanc¸a de∆ para p2uma fase particular de interesse poder´a ser identificada como uma linha reta em f com uma determinada inclinac¸˜ao (∆t/∆p2) em graus2/s. Dessa forma, o empilhamento da sec¸˜ao f na direc¸˜ao correta ir´a gerar um trac¸o de func¸˜ao do receptor

Para aumentar a eficiˆencia do empilhamento neste m´etodo ao inv´es de utilizarmos um em- pilhamento linear, onde cada amostra de cada trac¸o ´e somada e o resultado final dividido pelo n´umero de trac¸os, utilizamos o empilhamento ponderado pela fase (pws), onde a variac¸˜ao da fase instantˆanea das amostras a serem empilhadas ´e utilizada como peso na m´edia final. Ou seja, caso uma determinada chegada que esteja alinhada na nossa sec¸˜ao f apresente uma variac¸˜ao da fase instantˆanea ao longo da direc¸˜ao, essa chegada ser´a atenuada no trac¸o final. Este m´etodo de empilhamento ´e descrito em Schimmel & Paulssen (1997).

Na Figura 2.14 apresentamos um exemplo do empilhamento das func¸˜oes do receptor para a estac¸˜ao RIFB em duas direc¸˜oes diferentes: 0 graus2/s e 0.06 graus2/s sendo que para a direc¸˜ao 0 graus2/s apresenta-se o resultado para o empilhamento linear e pwss. A direc¸˜ao de empilhamento 0.06 graus2/s foi escolhida por estar pr´oxima a direc¸˜ao te´orica para a convers˜ao Ps da descontinuidade 410 km, e por apresentar a maior amplitude para o pico em quest˜ao.

−10 0 10 20 30 40 Tempo (s) LINEAR DIR=0.00 (1) PWSS DIR=0.00 (2) PWSS DIR=0.06 (3) −10 0 10 20 30 40 Tempo (s) Normalizado = 1 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 Tempo (s) 410km em ~ 45s

Este traço está com uma escala 10x menor

a) b) c) d) LINEAR DIR=0.00 (1) PWSS DIR=0.00 (2) PWSS DIR=0.06 (3) 0 25 Tempo (s) Parâmetro de Raio Seção RIFB

Figura 2.14: Trac¸os resultantes do empilhamento da sec¸˜ao apresentada para a estac¸˜ao RIFB. a) comparac¸˜ao para janela contendo a convers˜ao Ps da Moho entre os trac¸os empilhados usando o empilhamento linear com direc¸˜ao 0 graus2/s, pwss com direc¸˜ao 0 graus2/s e pwss com direc¸˜ao 0.06 graus2/s. b) Idem a), mas com os trac¸os normalizados para m´axima amplitude igual a 1. c) Idem a) para uma janela de 25 s a 120 s com um filtro passa baixa de 2 s. d) Sec¸˜ao dos dados originais para a estac¸˜ao RIFB.

2.3 Resultados 58

em≈ 5 s, ´e ligeiramente atenuada pelo pwss. O pws, como qualquer filtro, ao suprimir o ru´ıdo acaba por atenuar os sinais de interesse, mas a comparac¸˜ao dos trac¸os 1 e 2 normalizados em 2.14 (b), o ru´ıdo est´a sendo mais suprimido do que o sinal; melhorando assim a relac¸˜ao S/R do trac¸o final.

Uma outra caracter´ıstica do pwss ´e a direc¸˜ao de empilhamento ´otima para uma fase, que al´em de depender do tipo de convers˜ao (Ps, Ppps ou Psps+Ppss), tamb´em depende da pro- fundidade de convers˜ao. Para um mesmo tipo de convers˜ao, camadas mais rasas ir˜ao empilhar em direc¸˜oes mais pr´oximas de zero, enquanto que camadas mais profundas ter˜ao direc¸˜oes de empilhamento cada vez maiores.

Comparando os trac¸os 2 e 3 da Figura 2.14(a,b) podemos ver esse efeito, a fase Ps para o sedimento que ´e claramente apresentada para um tempo de ≈ 0.5 s no trac¸o 2, foi suprimida com a alterac¸˜ao da direc¸˜ao de empilhamento de 0 graus2/s para 0.06 graus2/s como mostrado no trac¸o 3, ao mesmo tempo que a fase Ps para a descontinuidade de 410 km aos 45 s ´e des- tacada para o trac¸o de n´umero 3 da Figura 2.14(c). A direc¸˜ao de empilhamento esperada para uma camada sedimentar, para a descontinuidade de Moho, descontinuidade de 410 km e des- continuidade de 660 km s˜ao respectivamente 0.0004 grau2/s, 0.005 grau2/s, 0.08 grau2/s e 0.17 grau2/s pelo o modelo IASP91.

Como cada fase (Ps ou m´ultipla) para cada profundidade somente ´e empilhada corretamente em um determinado tempo e direc¸˜ao de empilhamento um procedimento comum ´e apresentar o resultado do pwss como uma sec¸˜ao onde no eixo x ´e representado o tempo (em segundo) e no eixo y a direc¸˜ao de empilhamento (em graus2/s). Um exemplo deste tipo de resultado ´e apresentado na Figura 2.15 para a estac¸˜ao RIFB. Uma vantagem deste tipo de representac¸˜ao ´e a possibilidade de serem identificadas na mesma sec¸˜ao todas as fases coerentes para um de- terminado conjunto de trac¸os. Do mesmo modo como os tempos dependem do parˆametro de raio em um trac¸o de func¸˜ao do receptor, o mesmo acontece na sec¸˜ao elaborada pelo pwss, cada sec¸˜ao est´a vinculada a um parˆametro de raio especifico que sempre deve ser adotado como o parˆametro de raio m´edio dos dados dispon´ıveis para o empilhamento (Bianchi, 2003).

Analisando a sec¸˜ao da Figura 2.15 vemos uma das vantagens do m´etodo pwss, que ´e distin- guir o tipo de fase convertida nas sec¸˜oes de func¸˜ao do receptor pela direc¸˜ao de empilhamento. As fases Ps convertidas em quaisquer camadas sempre v˜ao apresentar um empilhamento coe- rente para uma direc¸˜ao positiva (> 0 graus2/s), pois `a medida que aumentamos o parˆametro de raio (ou diminu´ımos a distˆancia epicentral) aumentamos o tempo de chegada da fase Ps e assim∆t/∆p2> 0. Para as fases m´ultiplas a relac¸˜ao ´e inversa, fazendo com que elas sempre sejam empilhadas para direc¸˜oes de empilhamento negativas, isolando-as na parte inferior da

−0.30 −0.24 −0.18 −0.12 −0.06 0.00 0.06 0.12 −0.30 −0.24 −0.18 −0.12 −0.06 0.00 0.06 0.12 −5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 Tempo (s) Direção [graus 2/s] A B C D E

Figura 2.15: Sec¸˜ao de empilhamento pwss referente ao parˆametro de raio p= 7.7 graus2/s para estac¸˜ao RIFB. As fases indicadas s˜ao: A) Ps convertida da Moho, B) Conjunto de m´ultiplas (Ppps e Psps+Ppss) para a convers˜ao da Moho, C) Fase Ps de uma interface perto dos 269 km, D) Fase Ps da descontinuidade de 410 km e E) Fase Ps da descontinuidade de 660 km.

sec¸˜ao pwss.

Essa caracter´ıstica do pwss ´e uma das suas maiores virtudes pois um dos objetivos do es- tudo de func¸˜oes do receptor ´e a busca e confirmac¸˜ao de novas interfaces ainda n˜ao mapeadas, principalmente na regi˜ao do manto superior em que uma convers˜ao Ps poderia ser facilmente confundida com uma fase m´ultipla de alguma interface mais rasa. Um exemplo de uma poss´ıvel interface mant´elica identificada na estac¸˜ao RIFB ´e o sinal em 30.2 s na Figura 2.14 e marcada com uma letra (C) na Figura 2.15. Como apresenta o seu m´aximo empilhamento em uma direc¸˜ao positiva (≈ 0.03 graus2/s) esta fase ´e uma convers˜ao Ps de uma interface a 269 km de profundidade (30.2 s no modelo IASP91). Al´em disso, como a amplitude da convers˜ao ´e positiva ela representa uma variac¸˜ao normal da velocidade, ou seja, aumentando com a profun- didade.

A convers˜ao dos tempos lidos para profundidade e raz˜ao de velocidades ´e realizada atrav´es da aplicac¸˜ao das f´ormulas 2.8 a 2.11, individualmente ou em grupos, dependendo da quantidade de informac¸˜oes obtidas na sec¸˜ao pwss. Caso seja identificada somente a convers˜ao Ps, ser´a necess´ario assumir um valor para a velocidade vpe a raz˜ao de velocidade vp/vs para estimar a profundidade da convers˜ao. No caso de realizarmos duas leituras na sec¸˜ao pwss, e assumirmos um valor para a vpou vs, j´a ´e poss´ıvel obter um valor para profundidade e um valor para a raz˜ao de velocidades (em geral assume-se o valor da velocidade para a onda P, e estima-se os valores de h e vp/vs).

2.3 Resultados 60

Na melhor situac¸˜ao, quando as trˆes fases para uma mesma camada s˜ao identificadas, ´e poss´ıvel pela combinac¸˜ao duas a duas das leituras obter trˆes valores diferentes para h e vp/vs, que combinados fornecem um valor m´edio e uma incerteza para cada um dos parˆametros dese- jados.

O m´etodo hk

O m´etodo de empilhamento hk (Zhu & Kanamori, 2000) obt´em diretamente das sec¸˜oes de func¸˜ao do receptor o valor da profundidade (h) e raz˜ao de velocidades (k=vp/vs) para um modelo de uma camada que melhor ajusta todos os trac¸os fornecidos. O m´etodo consiste em maximizar a seguinte func¸˜ao objetivo:

S(h, vp/vs) = n

i=1

w1Ai1+ w2Ai2− w3Ai3 (2.19)

onde h ´e a profundidade da camada, vp/vs a raz˜ao de velocidade, w1, w2 e w3 s˜ao pesos variando de 0 a 1 tal que w1+ w2+ w3= 1 e Ai1, Ai2 e Ai3 s˜ao respectivamente os valores de amplitude do i-´esimo trac¸o de func¸˜ao do receptor para os tempos correspondentes `as convers˜oes Ps, Ppps e Psps+Ppss calculados pelas equac¸˜oes 2.8 a 2.11. Definindo-se os valores dos pesos pode-se controlar quais fases ter˜ao maior ou menor importˆancia durante a busca dos parˆametros do melhor modelo (dado pelo m´aximo de S).

Na Figura 2.16 ´e mostrada a func¸˜ao objetivo S calculada para a estac¸˜ao CPUP (esse gr´afico ´e chamado de diagrama hk) juntamente com uma sec¸˜ao dos dados dispon´ıveis. Os parˆametros do modelo que melhor ajustam os dados ´e obtido de forma muito simples, por outro lado n˜ao existe um trac¸o de func¸˜ao do receptor empilhado que, de alguma forma, represente uma m´edia dos dados originais.

A incerteza associada a cada um dos parˆametros obtidos pelo m´etodo hk ´e estimada geral- mente pelo m´etodo “bootstrap” (Efron & Tibshirani, 1991). A partir do conjunto original de func¸˜oes do receptor o programa gera subconjuntos contendo trac¸os sorteados aleatoriamente. O m´etodo hk ´e repetido para cada subconjunto, resultando em um conjunto de parˆametros h e

vp/vs. A m´edia e desvio padr˜ao desses valores nos fornecem um valor m´edio e uma estima- tiva da incerteza associada `a determinac¸˜ao. N˜ao existe uma regra para determinar o n´umero de subconjuntos que devem ser gerados, o importante ´e buscar um valor que fac¸a com que as estimativas estabilizem, inclusive as incertezas. De modo geral utilizamos um valor entre 100 e 200 subconjuntos dependendo da quantidade de trac¸os dispon´ıveis durante o “bootstrap”.

0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 20 30 40

Prof. (km)

1.5 1.6 1.7 1.8 1.9

v

p

/v

s H=34.0 ± 0.7 vp/vs=1.760 ± 0.025 0 25

Tempo (s)

Parâmetro de Raio

Figura 2.16: Diagrama hk para a estac¸˜ao CPUP calculado com os pesos w1= 0.7, w2= 0.2 e

w3= 0.1. Na sec¸˜ao ao lado s˜ao apresentados os dados utilizados para o c´alculo do diagrama hk apresentado.

A parte mais delicada do empilhamento hk ´e a escolha dos pesos. Zhu & Kanamori (2000) sugerem que os pesos 1, 2 e 3 devem ser definidos como 0.7, 0.2 e 0.1 respectivamente, o que faz com que o maior peso seja depositado na fase Ps, normalmente a mais clara e de maior amplitude. Acontece que apenas a fase Ps n˜ao determina a profundidade da camada e a raz˜ao de velocidades, mas sim, determina uma “crista” de correlac¸˜ao entre as duas vari´aveis como mostrado na Figura 2.17(a).

As fases m´ultiplas entram na hora de delimitar nesta “crista” a real posic¸˜ao do m´aximo. A escolha de um peso maior ou menor para estas fases pode alterar o resultado ou mesmo aumentar ou diminuir suas incertezas. Na Figura 2.17(b) ´e mostrado o empilhamento dos mesmos dados como apresentado na Figura 2.16, mas agora, dando maior importˆancia ao tempo das fases m´ultiplas.

Para a escolha dos pesos devemos considerar cada estac¸˜ao com sua qualidade e quantidade de dados. Um peso maior para as fazes m´ultiplas em geral resulta numa maior incerteza (Figuras 2.16 e 2.17(b)), pois o ru´ıdo associado a estas fases ´e sempre maior do que da fase Ps. Por outro lado, quando o peso das fases m´ultiplas ´e diminu´ıdo a amplitude do pico chega ao n´ıvel da “crista” criada pela fase Ps, tornando o m´etodo inst´avel.

2.3 Resultados 62 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 20 30 40 50 Prof. (km) 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 vp/vs CPUP (a) w1= 1.0, w2= 0.0 e w3= 0.0 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 20 30 40 50 Prof. (km) 1.5 1.6 1.7 1.8 1.9 vp/vs CPUP Vp=6.40 km/s H=34.0 ± 0.8 vp/vs=1.750 ± 0.035 (b) w1= 0.2, w2= 0.4 e w3= 0.4 Figura 2.17: Diagramas hk calculados para a estac¸˜ao CPUP. Pesos, velocidade e valores obtidos indicados em cada um dos casos individualmente.

Correc¸˜ao de parˆametro de raio, move-out de func¸˜oes do receptor

Para estudar uma certa convers˜ao Ps, o m´etodo de correc¸˜ao de parˆametro de raio permite converter um trac¸o de func¸˜ao do receptor de um parˆametro de raio para outro. Com ele ´e poss´ıvel transformar todo um conjunto de func¸˜oes do receptor, cada uma com um parˆametro de raio diferente, para um mesmo parˆametro de raio (em geral 6.4 s/grau) e ap´os transformados, os trac¸os podem ser empilhados normalmente. Este m´etodo ´e equivalente ao m´etodo de correc¸˜ao NMO (“Normal move-out”) em s´ısmica.

A correc¸˜ao dos trac¸os ´e feita utilizando-se um modelo de velocidades, calculando-se a diferenc¸a dos tempos de chegada entre os dois parˆametros de raio: o parˆametro original (da func¸˜ao do receptor) e o parˆametro de raio de destino (para o qual se deseja migrar o trac¸o) para diversas profundidades. A seguir, levando em conta as diferenc¸as de tempo calculadas para cada profundidade, constr´oi-se o trac¸o de func¸˜ao do receptor para o novo parˆametro de raio por interpolac¸˜ao dos tempos corrigidos.

Na Figura 2.18 apresentamos um exemplo onde o trac¸o de func¸˜ao do receptor original (linha verde), para a estac¸˜ao PPDB, com parˆametro de raio igual a 8.68 s/grau ´e corrigido para um parˆametro de raio igual a 6.4 s/grau (linha preta) usando o modelo IASP91 para a fase Ps. Nesta Figura, as setas em cinza est˜ao indicando como as amostras do trac¸o original foram deslocadas e depois interpoladas para construir o trac¸o corrigido.

Complementando a Figura 2.18, na Figura 2.19 s˜ao apresentados todos os trac¸os para a estac¸˜ao PPDB corrigidos para um parˆametro de raio igual a 6.4 s/grau e fase Ps. A seta azul

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

Tempo (s)

8.68

Traço migrado Traço original

Figura 2.18: Exemplo de correc¸˜ao de uma func¸˜ao do receptor obtida para a estac¸˜ao PPDB. O trac¸o original (linha verde), com um parˆametro de raio 8.68 s/grau foi convertido no trac¸o referente ao parˆametro de raio 6.4 s/grau (linha preta). As setas indicam como as amostras do trac¸o original s˜ao deslocadas para o novo trac¸o.

est´a indicando nesta figura a direc¸˜ao na qual o trac¸o original foi esticado ou comprimido, note que para valores de p< 6.4 s/grau o trac¸o esta sendo esticado, enquanto que para valores de

p> 6.4 s/grau o trac¸o original ´e comprimido. ´

E importante ressaltar que o processo de correc¸˜ao s´o pode ser realizado para uma fase por vez. Uma sec¸˜ao corrigida para fase Ps ir´a alinhar somente a fase Ps, enquanto que as m´ultiplas ir˜ao continuar desalinhadas. Dessa forma, o empilhamento de um conjunto de trac¸os corrigidos para a fase Ps tende a atenuar o sinal das fases m´ultiplas pela sua m´a correlac¸˜ao, sendo este efeito cada vez maior quanto maior a profundidade (e tempo) das fases analisadas.

Ap´os corrigidas e empilhadas o tempo de cada convers˜ao de interesse pode ser obtido pela leitura da posic¸˜ao do m´aximo correspondente a cada uma das camadas. O erro associado `a leitura do m´aximo tem uma componente da amostragem do trac¸o (assumida como metade do intervalo de amostragem) e uma componente de ru´ıdo aleat´orio, que pode ser estimado atrav´es do m´etodo “bootstrap” (Efron & Tibshirani, 1991) durante o empilhamento.

Na Figura 2.20 apresentamos 4 diferentes grupos de trac¸os obtidos por rodadas diferentes do m´etodo “bootstrap” para os dados da Figura 2.19. Cada um dos grupos (a, b, c e d) da Figura 2.20 cont´em um n´umero diferente de trac¸os empilhados, cada um, origin´ario do empilhamento de um sub-conjunto dos dados originais. O n´umero de sub-conjuntos dos dados originais que foram utilizados em cada rodada ´e indicado por G na Figura, por exemplo em a), foram gerados 10 sub-conjuntos, em b) 35, c) 75 e d) 120. Com o aumento do n´umero de sub-conjuntos gerados (de (a) para (d)), existe uma convergˆencia para o tempo m´edio (tm), estimado como a

2.3 Resultados 64 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Tempo (s)

4.60 5.81 6.29 6.66 6.84 6.87 6.91 7.01 7.11 7.16 7.24 7.26 7.26 7.40 7.68 7.71 8.18 8.30 8.35 8.41 8.48 8.49 8.54 8.58 8.59 8.63 8.64 8.65 8.68 8.70 8.73 8.78

p (s/

°

)

Sismograma migrado (p=6.4 s/°)

Sismograma original (p indicado ao lado) Indica a direção que o traço foi "esticado"

Figura 2.19: Sec¸˜ao com os 32 trac¸os de func¸˜ao do receptor dispon´ıveis para a estac¸˜ao PPDB. Os trac¸os originais (linha verde) est˜ao sobrepostos aos trac¸os corrigidos (linha preta) para um parˆametro de raio 6.4 s/grau e fase Ps. A seta indica se o trac¸o original foi comprimido (←) ou esticado (→). A correc¸˜ao foi realizada utilizando o modelo IASP91 como referˆencia.

3 4 5 6 7 8 Tempo (s) G=10 tm=5.29 s σ=0.06 s 3 4 5 6 7 8 Tempo (s) G=35 tm=5.30 s σ=0.05 s 3 4 5 6 7 8 Tempo (s) G=75 tm=5.30 s σ=0.04 s 3 4 5 6 7 8 Tempo (s) G=120 tm=5.30 s σ=0.04 s a) b) c) d)

Figura 2.20: Grupos de trac¸os corrigido e empilhados. Cada trac¸o corresponde ao empilha- mento de um sub-conjunto dos dados originais para a estac¸˜ao PPDB. Em a) foram gerados 10 sub-conjuntos, b) 35, c) 75 e d) 120. Para cada grupo ´e indicado o n´umero de sub-conjuntos considerados (G), a m´edia dos tempos (tm) para a fase Ps lida (indicada em vermelho) e sua

incerteza (σ) estimada pelo desvio padr˜ao das mesmas medidas.

Por fim, a incerteza final nas leituras dos tempos para a fase Ps na estac¸˜ao PPDB (0.071 s) ´e dado pela composic¸˜ao quadr´atica da incerteza instrumental (dt/2 = 0.1/2 = 0.05 s), com a incerteza obtida pelo m´etodo do “bootstrap” (0.04 s).

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