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1Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Departam ento de Psicologia Experim ental. Av. Professor Mello Moraes, 1721, 05508-900, Cidade
Universitária, São Paulo, SP, Brasil. Corresp ondência p ara/ Correspondence to: M.T.A. SILVA. E-m ail: < t eresar@usp .b r> .
2Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia. São Paulo, SP, Brasil.
3Apoio Conselho Nacional de Desenvolvim ento Científico e Tecnológico. Proc. 500129/ 2003-7
Escala
h assles & u plift s
: versão em p ortuguês
Th e
hassles
&
up lift s
scale
Maria Teresa Araujo SILVA1,3 Ana Carolina Trousdell FRANCESCHINI2
Elizabeth Ann MANRIQUE-SAADE2 Layana Guedes CARVALHAL2,3
Marcia KAM EYAM A2,3
Resumo
A escala Hassles & Uplifts avalia a intensidade da resposta a pequenos eventos cotidianos, sendo considerada um preditor de sintom as psicológicos. O objetivo deste estudo foi avaliar um a tradução da escala Hassles & Uplifts, aqui intitulada Aborrecim entos
e Alegrias; para tal, realizou-se a réplica de um estudo norte-am ericano que m ediu o desem penho, nessa escala, de indivíduos cujo padrão de com portam ento fosse do tipo A ou B segundo a escala de Jenkins (Escala Aborrecim entos e Alegrias). As escalas
Aborrecim entos e Alegrias e A/ B foram aplicadas em 145 universitários brasileiros. Os resultados m ostraram que: 1) as pontuações m édias de Aborrecim entos e Alegrias foram sim ilares às do estudo norte-am ericano, exceto pelos Aborrecim entos dos participan-tes tipo B; 2) a intensidade das Alegrias dos participanparticipan-tes tipo A foi significativam ente superior à dos tipo B, com o na literatura; 3) a intensidade de Alegrias e Aborrecim entos não diferiu entre os dois tipos, provavelm ente devido à especificidade da época do teste. Concluiu-se que o padrão e a consistência dos resultados indicam que a tradução pode ser utilizada com o instrum ento confiável de pesquisa.
Unitermos: Alegrias e aborrecim entos. Escala Jenkins. Estresse crônico.
Abstract
The Hassles & Uplifts Scale assesses the reaction to m inor every-day events in order to detect subtle m ood sw ings and predict psychological sym ptom s. The aim of this study w as to evaluate the Portuguese translation of Hassles & Uplifts (Aborrecim entos e Alegrias) through the replication of a North Am erican study w hich used this scale to m easure the perform ance of individuals w ith type A and type B behavior patterns. The Aborrecim entos e Alegrias and Jenkins A/ B scales w ere answ ered by 145 Brazilian college students. Results show ed that: 1) The average Aborrecim entos e Alegrias scores w ere sim ilar to the North Am erican study, except for the type-B Hassles scores; 2) Uplifts received higher scores than Hassles from both types, substantiating literature on the subject; 3) the intensity of Hassles and Uplifts did not differ betw een types A and B, probably due to the tim ing of the testing period. It w as concluded that the pattern and consistency of the results indicate that the translation can be used as a reliable research tool.
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A anedonia, im portante sintom a da depressão,
caracteriza-se p ela indiferença em relação a eventos
p razero so s d o am b ien t e. À exceção d e sit u açõ es
traum áticas, os m aiores responsáveis pela anedonia são
os eventos cotidianos m oderadam ente aversivos, porém
constantes. Trata-se de experiências negativas suaves,
que geram aborrecim entos leves, m as que term inam
por afetar o hum or dos indivíduos em função de sua
periodicidade constante.
Modelos que utilizam anim ais produzem
defi-ciência na sensib ilidade ao reforço ap ós exp osição a
eventos estressores m oderados e crônicos (Papp, Willner
& Muscat, 1991; Willner, Muscat & Papp, 1992). Para a
com preensão do fenôm eno em seres hum anos, a escala
Hassles and Uplifts, aqui traduzida com o Aborrecim entos e Alegrias (A&A), foi desenvolvida originalm ente p elo grupo de R.S. Lazarus (Kanner, Coyne, Schaefer & Lazarus,
1981), com o objetivo de m edir a sensibilidade a eventos
cotidianos negativos ou positivos, e vem sendo utilizada
no estudo da relação entre esses eventos e distúrbios
psiquiátricos, inflam ações (Janin, Mills, von Kanel, Hong
& Dinsdale, 2007), padrões de sono (Hicks & Picchioni,
2003), tensão profissional (Elder, Wollin, Hartel, Spencer
& San d erso n , 2003) e relaçõ es fam iliares (Giallo &
Gavidia-Payne, 2006), entre outros.
Outra escala que foi utilizada neste trabalho é a Jenkins Activity Scale (aqui referida com o Escala A/ B),
que define dois padrões de com portam ento típicos, denom inados “tipo A” e “tipo B” (Jenkins, Rosenm an &
Zyzanski, 1971; Jenkins, Rosenm an & Zyzanski, 1974). O
indivíduo tip o A, em com p aração com o tip o B, é m ais controlado pelo relógio, pela urgência de com pletar tarefas, pela com petição, pela pressão em cum prir m etas
e pela preocupação com o tem po. Caracteriza-se por m aior p rop ensão a p rob lem as cardiovasculares.
Estudo conduzido por Margiotta, Davilla e Hicks
(1990), em população norte-am ericana, indicou que os
ind ivíd uos classificad os com o t ip o A na escala A/ B
relatam m aior sensib ilidade a eventos da vida diária,
fator m edido pela escala A&A, dando indícios de que
classificar-se com o tipo A na escala A/ B e ter um a m aior
sensibilidade a eventos cotidianos negativos possam
estar relacionados.
O objetivo deste trabalho foi aplicar um a
tradu-ção das escalas A&A e A/ B em estudantes, p ara testá-la
em população brasileira, fazendo uso da replicação do
estudo de Margiotta et al. (1990), a fim de identificar
relações en t re p ad rão d e com p ort am en t o e sen
si-bilidade a eventos am bientais m oderados e constantes.
Método
Participantes
Participaram desta pesquisa 145 alunos de
gra-duação da Universidade de São Paulo, cuja idade era
em m éd ia (M ) 21,4 anos (erro-p ad rão - EP= 0,26). A
am ostra com preendeu 108 m ulheres e 37 hom ens. Os
p art icip an t es eram p ro v en ien t es d o s cu rso s d e
Enferm agem (9), Engenharia (3), Fonoaudiologia (5),
Matem ática (11), Nutrição (3), Pedagogia (8), Psicologia
(55), Vet erin ária (45), Au t o m ação (1), Arq u it et u ra e
Urb anism o (1), Geolog ia (1), Hist ória (1), Let ras (1) e
Odontologia (1).
Instrumentos
Foram ut ilizados os seguintes instrum entos:
1) Escala de Padrões de Comportam ento Tipo A/ B
(Escala A/ B). A versão original dessa escala, conhecida com o JAS - Jenkins Activity Survey, foi form ulada p or Jenkins et al. (1971), com o propósito de identificar com -portam entos que aum entam o risco de hipertensão e, conseq üent em ent e, d e p rob lem as card íacos. Nest e
estudo, foi utilizada um a versão m odificada dessa escala
(Go o lkasian , 2005), co n st it uíd a d e 20 q uest õ es d e m últip la escolha.
2) Escala de Aborrecim entos e Alegrias (Escala A&A). Essa escala é a tradução da Escala Hassles and Uplifts de DeLongis, Folkm an e Lazarus (1988), adaptada da versão original de Kanner et al.(1981). A versão utilizada p ossui 53 itens, sendo que cada um deles pode ser classificado com o Alegriaou com o Aborrecim ento, dependendo
d a avaliação sub jet iva.O resp ondent e deve at rib u ir
pontos de 0 a 3 a cada item , de acordo com a intensidade de Aborrecim entoouAlegria que o item represente. Os
participantes foram instruídos a pontuar cada item
levan-do em consideração os acontecim entos da sem ana
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Procedimentos
Os p roced im ent os p ara est e est ud o foram o seguinte:
a) Tradução. Inicialm ente, as duas escalas foram traduzidas para o português e, em seguida, vertidas para o ing lês (ret rot radução). A retrotradução é um im por-t an por-t e recu rso p ara a d epor-t ecção d e am b ig ü id ad es e
incorreções, que podem ser identificadas a partir do confro n t o d as t rad u çõ es e d as versõ es ret
rotraduzi-das. Após revisão, as traduções foram testadas em
apli-cações-piloto (n= 9). Nessa fase, solicitou-se aos particip an t es q u e assin alassem d ificu ld ad es particip ara co m
-preender algum a frase ou expressão usada e sugerissem
m odificações para seu aprim oram ento. As observações dos participantes foram discutidas, e as alterações
consi-d eraconsi-d as n ecessárias e v iáv eis f o ram ef et u aconsi-d as,
cheg and o-se, assim , à versão final d as d uas escalas (Anexos A e B).
b) Aplicação. A coleta de dados realizou-se no final do prim eiro sem estre letivo. Quatro pesquisadoras treinadas, estudantes de Psicologia, foram responsáveis
p ela ap licação dos instrum entos. Cada p esquisadora escolheu um a classe de cada faculdade, apresentando carta da professora responsável pelo projeto e solici-tando autorização do professor no início de sua aula. As
aplicações ocorreram ao final dessas aulas, apenas para os alunos interessados em p articip ar. Cada um a das pesquisadoras se apresentou, para o professor e para os alunos, com o estudante do Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo desenvolvendo um projeto de pesquisa.
Todos os participantes foram instruídos a res-p onder às escalas individualm ent e e não deixar de responder a nenhum a questão. Foi esclarecido que a
p articip ação era voluntária e sigilosa, e os p articip antes assinaram um term o de consentim ento. Para os inte-ressados, foi dado um retorno de seus resultados na Escala A/ B m ediante e-m ail p essoal do p articip ante ou
no e-m ail d a p esq uisa, criad o p ara esse fim . Inform ou--se aos participantes que poderiam responder no local ou em sua casa. Neste últim o caso, foi enfatizada a ne-cessidade de responder às escalas individualm ente e
em local sem distrações, e inform ou-se que os ques-tionários seriam recolhidos p osteriorm ente. Procedeu--se, então, à distribuição do m aterial, solicitando que os questionários fossem respondidos na ordem em que
estavam gram p eados: p rim eiro a Escala A/ B, seguida
im ediatam ente da Escala A&A. As instruções para
preen-chim ento das escalas já constavam no m aterial distri-buído. É im portante notar que, na instrução da Escala
A/ B, não foi dada definição de “padrão de com
porta-m ento tipo A e B”, a fiporta-m de evitar que os participantes direcionassem suas respostas de acordo com um
resul-tado desejado.
c) Análise de dados. 1) Escala A/ B - Cada alternativa das questões dessa escala tem um valor associado ao p adrão de com p ortam ento A ou B. A p ontuação total
de cada participante foi calculada pela som a dos pontos
correspondentes às alternativas escolhidas. Essa pon-t uação p od e variar d e 35 a 380 p on pon-t os, con form e
detalhado no código-fonte da correção com
putado-rizada da escala (Goolkasian, 2005). As pontuações m ais baixas estão relacionadas ao padrão de com portam ento
tipo B, e as m ais altas, ao tipo A. O ponto de corte, ou
seja, o valor ab aixo do qual estariam os p articip antes do tipo B e acim a do qual estariam os do tipo A, é
geral-m ente definido pela geral-m ediana da distribuição dos pontos
(Hurley, 2002).
2) Escala A&A - Fo ram so m ad o s o s p o n t o s atribuídos à intensidade de cada item (0, 1, 2 ou 3), no
m om ento em que este foi classificado com o
Aborre-cim ento, e tam b ém os p ontos atrib uídos aos m esm os itens, no m om ento em que foram classificados com o
Alegria. Chegou-se, assim , a um a som a total da
dade de Aborrecim entos e um a som a total da intensi-d aintensi-d e intensi-d e Aleg rias, p ara caintensi-d a p art icip ant e. Foi ent ão
calculada a intensidade m édia dos dois p arâm etros.
O m esm o procedim ento foi usado para calcular
a p ontuação total de cada item , considerada com o a som a das p ontuações conferidas p or todos os p
artici-pantes em cada item , tanto na coluna Aborrecim ento
quanto na coluna Alegria. Chegou-se, assim , à identi-ficação dos itens que, p or terem ap resentado m aior
p ontuação total, rep resentaram os p rincip ais Ab orreci-m entose as p rincip ais Alegrias na am ostra estudada. Em seguida, os p articip antes foram classificados com o t ipo A ou tipo B, e o m esm o procedim ento foi utilizado
p ara calcular o valor m édio atrib uído p ara os Ab
orre-cim entos e as Alegrias por esses dois grupos.
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Resultados
A pontuação variou de 97 a 308, sendo 67
parti-cip antes classificados com o tip o A e 78 com o tip o B.
Ob serva-se q ue a d ist rib uição é ap roxim ad am ent e
norm al (Figura 1).
A Figura 2 apresenta a M e o EP da pontuação
total, na escala A&A, dos participantes de padrão de com p ortam ento tip o A ou tip o B segundo a Escala A/ B.
Os participantes brasileiros de tipo A obtiveram pontos
p ara Alegriassignificativam ente superiores aos de tipo B (t= 2,13, p< 0,05), t al co m o seu s co rresp o n d en t es am ericanos do estudo objeto desta réplica (Margiotta
et al., 1990). A m édia e erro-padrão da pontuação da intensidade de Alegrias deste estudo foi de M= 61,0,
EP= 2,6 para o t ip o A e M = 53,9 EP= 2,2 p ara o t ip o B, e,
na am ostra norte-am ericana, foi de M= 61,5 EP= 1,6 e M= 46,8 EP= 1,2, resp ect ivam ent e. Por out ro lad o, o
ju lg am en t o d e Ab o rreci m en t o s n ão ap resen t o u
diferenças significativas entre os tipos A e B (t=0,13, n.s.). A m édia e erro-padrão dos tipos A e B nesse quesito foi
de M= 41,6 EP= 2,4 e M= 41,2 EP= 2,1, respectivam ente.
No est udo nort e-am ericano, ao cont rário, os p art icp an t es d e t iicp o B at rib u íram icp o n t u ação sig n ificat
i-vam ente inferior à dos tipo A nesse quesito: M= 45,2 EP= 1,4 para o tipo A, e M= 33,6 EP= 1,7 para o tipo B. Nota-se que, exceto para as Alegrias do tipo B, os valores ab so lu t o s d a in t en sid ad e d e reação às Aleg rias e
Ab orrecim entos situram -se na m esm a faixa de valores, nos dois estudos.
A insp eção visual da distrib uição m ostrada na
Figura 1 sugeriu a divisão da am ostra em três segm
en-tos: a) “tipo B extrem o”, com preendendo pontuações
entre 97 e 144 pontos, n= 10; b) “tipo A extrem o”, com
-preendendo pontuações entre 260 e 308, n= 9; e c) “tipos
A/ B interm ediários”, com preendendo pontuações entre
156 e 257, n= 126. Foi feita um a análise dos A&A em
função das categorias A extrem o e B extrem o. A análise
tanto de Alegriascom o de Ab orrecim entosdos tipos A
e B extrem os reproduziu a relação observada na am
os-tra total: não houve diferença significativa entre os dois
t ip o s ext rem o s q u an t o ao s Ab o rrecim en t o s, m as a
pontuação de Alegrias foi significativam ente superior à
de Aborrecim entosno tip o A extrem o (t=2,28, p<0,05).
Cada item da escala A&A foi analisado em função
da pontuação atribuída à sua intensidade. Na Tabela 1
estão listados, em ordem decrescente, os itens cuja
pontuação total resultou superior a 200 pontos. Dentre
o s Ab o rrecim en t o s, verifico u -se q u e ap en as seis
receb eram p o n t uação suficien t e p ara at in g ir esse
crit ério, ob servando-se que nenhum alcançou p
on-tuação acim a de 300. Dentre as Alegrias, 21 itens
rece-b eram p ont uação acim a de 200, regist rando-se que
quat ro desses sup eraram 300 p ont os. Port ant o, não
ap enas a p ontuação total foi su p erio r p ara Aleg rias,
c o m o o n ú m e r o d e e v e n t o s ap o n t ad o s c o m o
A l e g r i as r e l e v an t e s fo i b ast an t e su p erio r ao d e
Ab o rrecim entos relevantes.
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Alg u n s it en s d a escala fo ram co n sid erad o s
m ajorit ariam ent e com o Ab orrecim ent os, receb endo
Figura 2. Média ± EP dos p ontos atrib uídos à intensidade de
Ab o rrecim en t o s e de Alegrias n a Escala A&A, p o r p articip antes classificados com o tip o A ou tip o B na Escala A/ B.
Tabela 1. Itens da escala A&A com pontuação superior a 200, em
ordem decrescente.
Aborrecim en t os
01. Cum prir m etas ou prazos no em prego ou estudos
02. Sua carga de trab alho
03. Quantidade de tem po livre
04. Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)
05. Questões políticas ou sociais
06. Dinheiro suficiente para as necessidades
Alegrias
1. Seus am igos 2. Proxim idade afetiva
3. Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)
4. Recreação e lazer fora de casa (cinem a, esportes etc.) 5. Natureza de sua ocupação
6. Tem po passado junto à fam ília
7. Colegas de trabalho ou de classe 8. Seus p ais ou sogros
9. Com er (em casa)
10. Seu cônjuge ou nam orado(a) 11. Anim ais de estim ação
12. Suas capacidades físicas
13. Sua aparência física 14. Sua saúde
15. Sexo
16. O clim a
17. Com prom issos sociais
18. Dinheiro suficiente para suas necessidades (alim entação etc.)
19. Dinheiro suficiente para extras (lazer, recreação, férias etc.) 20. Ser organizado
21. Quantidade de tem po livre
poucos ou nenhum ponto na categoria Alegria. São os
itens “Questões políticas ou sociais” e “Cuidar de papelada (p reen ch er fo rm u lá rio s, p a g a r co n t a s et c.)”. Já i t en s apontados principalm ente com o Alegrias, e que
obti-veram baixas pontuações com o Aborrecim entos,foram :
“Lazer em casa”, “Recreação e lazer fora de casa”, “Anim ais de estim ação”, “Sexo” e “Com er (em casa)”. Houve tam bém event os com im p act os am b ivalent es, send o
consi-derados p or alguns com o Ab orrecim entos, p or outros
com o Alegrias. São eles: “Sua aparência física”, “Natureza de sua ocupação”, “Colegas de trabalho ou de classe” e “Seus pais ou sogros”.
Os it en s fo ram ain d a classificad o s d iferen
-cialm ente de acordo com os p adrões de com p
orta-m ento A ou B, confororta-m e orta-m ostra a Tabela 2. Nessa tabela
estão listados os principais itens geradores de
Aborre-cim en t o se d e Aleg rias,em fu n ção d o p ad rão d e
Tabela 2. Principais itens da escala A&A em função do padrão de
com portam ento tipo A ou tipo B, em ordem decrescente.
Aborrecim en t os
Tipo A
Tipo B
Alegrias
Tipo A
Tipo B
Cum prir m etas ou prazos no em p rego ou estudos
Sua carga de trabalho
Quantidade de tem po livre
Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)
Dinheiro suficiente para as necessidades
Questões políticas e sociais
Cum prir m etas ou prazos no em prego ou estudos
Sua carga de trabalho
Questões políticas e sociais
Quantidade de tem po livre
Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)
Ser organizado
Seus am igos
Proxim idade afetiva
Natureza de sua ocupação
Seu cônjuge ou nam orado
Recreação e lazer fora de casa (cinem a etc.)
Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)
Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)
Seus am igos
Proxim idade afetiva
Recreação e lazer fora de casa (cinem a etc.)
Seus pais e sogros
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com p ortam ento tip o A ou tip o B. Em b ora quase todos
os itens estejam presentes nos dois grupos, há
consi-derável diferença na hierarquia observada. A principal diferença refere-se a “Lazer em casa”, posicionado com o a prim eira Alegria do tipo B, e “Natureza de sua ocupação”, im portante para o tipo A (terceira posição), m as não p ara o t ip o B.
A fim d e verificar p ossíveis d iferenças ent re
estudantes de diferentes áreas, com p arou-se a p
on-tuação de p articip antes das am ostras dos cursos com m aior núm ero de respondentes, Veterinária e Psicologia.
Não houve nenhum a diferença significativa. Tam bém
não houve diferença significativa quando se com pa-raram hom ens e m ulheres.
Discussão
É im p ort ant e not ar, em p rim eiro lugar, que a
tradução brasileira d a escala H a ssles & Uplifts m ostrou--se adequada, um a vez que a p ontuação colhida na am ostra brasileira situou-se na m esm a faixa da am ostra
am ericana estudada por Margiotta et al. (1990). Em três
dentre quatro com p arações entre indivíduos tip o A e tip o B, a p ontuação m édia atrib uída a Ab orrecim entos
ou Aleg riasfoi sem elhant e aos valores relat ados na
pesquisa norte-am ericana. Exceção foram os Aborre-cim entos dos participantes tipo B, que, no Brasil, tiveram
p ontuação p raticam ente idêntica à das Alegrias,
en-quanto nos Estados Unidos foram significativam ente inferiores.
Esse padrão se m antém quando são analisados
ap enas os ext rem os d as d uas am ost ras (t ip os A e B extrem os). Ou seja, os brasileiros de tipo B parecem ser m ais sensíveis a eventos negativos do que seus pares
norte-am ericanos. Essa diferença poderia ser atribuída a fatores culturais, sugerindo que os brasileiros estariam sofrendo m aior p ressão aversiva, m as um a event ual influência desse tipo deveria tam bém afetar o tipo A.
Mais provavelm ente a diferença está na am ostra, consti-tuída de estudantes, aliada ao m om ento da coleta, que coincidiu com provas e trabalhos de fim de sem estre. De fato, os itens referentes a pressão pelo cum prim ento
de prazos e falta de tem po livre receberam consistentes classificações com o os m aiores geradores de
aborre-cim ento na sem ana em que o instrum ento foi aplicado. Sugere-se que, justam ente por serem sazonais, essas
variáveis afetaram diferencialm ente o tipo B, visto que
o tipo A já é por elas afetado em qualquer época.
Essa interp retação é corrob orada p ela análise da hierarquia de relevância dos diferentes itens indi-cativos de Ab orrecim ento.“Natureza de sua ocupação”
apareceu com o fonte m ais relevante de Alegria para o
tipo A do que para o tipo B, enquanto “Lazer em casa”
ap areceu com m ais dest aque com o um gerador de Alegriapara o tipo B, em relação ao tipo A. Com preende--se, então, que a pressão de avaliação acadêm ica tenha
tido m aior im pacto negativo sobre pessoas que, em bora preferindo o lazer, estavam no m om ento da pesquisa atendendo à sua ocupação de estudantes.
Out ros it ens são t am b ém avaliados de form a diferente por participantes de tipo A ou B. Por exem plo,
“Ser organ izado” foi consid erad o um fort e Ab orreci-m ento p ara o tip o B, orreci-m as não p ara o tip o A. Os itens
“Seus pais ou sogros” e “Tem po passado jun t o à fam ília”
são fortes Alegrias para o tipo B, m as não foram
rele-vantes para o tipo A. O item “Côn juge ou n am orado(a)”
foi considerado fonte m ais forte de Alegriapara o tipo A do que p ara o tip o B.
Na am ostra total (tipo A + tipo B), não apenas a p ontuação total foi sup erior p ara as Alegrias, com o o
núm ero de eventos apontados com o Alegrias relevantes foi bastante superior ao de Aborrecim entos relevantes, m ostrando que os eventos do cotidiano considerados com o fontes de pequenas alegrias são m ais diversos e
potentes do que as fontes de pequenos aborrecim entos. Será interessante verificar se outras populações repro-duzem essa relação.
Considerações Finais
Em conjunto, as constatações acim a m ostram
que a t radução b rasileira da Escala A&A é cap az de
detectar diferenças na form a com o as pessoas reagem diant e dos acont ecim ent os cot idianos, m ost rando o
im pacto diferencial dos eventos do am biente sobre o hum or de cada indivíduo. A boa qualidade da tradução é atestada pela replicação da faixa de pontuação norte--am ericana na escala A&A pelos respondentes
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Recebido em : 27/ 7/ 2006
98
M
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.A
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S
IL
V
A
e
t a
l.
ANEXO A
Curso Idade Sexo ( ) F ( ) M Dat a / / Hora : m in
Tip os de Personalidade A/ B
Para cada um a das 20 perguntas abaixo, responda escolhendo a alternativa mais apropriada. Você pode sem pre voltar a um a questão e m udar sua resp osta.
1. Quando você se depara com um problem a pela prim eira vez, o que você norm alm ente faz? ( ) Resolve o problem a im ediatam ente
( ) Pensa no que deve fazer e depois resolve o problem a
( ) Esp era que as coisas se resolvam sozinhas
2. Com parando com os outros estudantes, quão rápido você faz as suas tarefas acadêm icas?
( ) Eu geralm ente term ino antes de todo m undo
( ) Eu as term ino antes da m aioria dos m eus colegas de classe
( ) Eu as term ino a tem po
( ) Eu freqüentem ente entrego m inhas tarefas atrasado(a)
3. Alguém algum a vez já te disse que você fala dem ais?
( ) Sim , com freqüência ( ) Às vezes
( ) Um a vez
( ) Não, nunca
4. Durante um a conversa com um , quão rap idam ente você fala? ( ) Mais rapidam ente do que as outras pessoas
( ) Na m esm a m édia que os outros
( ) Mais lentam ente do que a m aioria das pessoas
5. Com que freqüência você costum a com pletar as frases das outras pessoas porque elas falam m uito devagar?
( ) Freqüentem ente ( ) Às vezes
( ) Quase nunca
6. Se você tivesse que esperar por um a consulta m édica m ais de m eia hora depois do horário m arcado, sendo que você tem várias outras
tarefas a fazer? O que você faria?
( ) Lê um a revista
( ) Fica olhando seu relógio constantem ente
( ) Fica im paciente e um pouco irritado(a) ( ) Reclam a p ara a recepcionista
7. Você costum a chegar atrasado(a) aos seus com p rom issos? ( ) A m aior parte das vezes
( ) Às vezes
( ) Raram ente ( ) Nunca
8. Quando você está participando de um jogo, qual a im portância de você vencer?
( ) Muito im portante
( ) Às vezes é im portante
( ) Não é im portante
9. Com o os seus colegas e am igos classificariam você?
( ) Sem pre responsável e trabalhador(a)
( ) Às vezes trabalhador(a) e responsável ( ) Raram ente trabalhador(a) e responsável
( ) Despreocupado(a)
10. Com o os seus pais (ou as pessoas que o/ a criaram ) classificariam você?
( ) Sem pre prestativo(a)
( ) Prestativo(a) a m aior parte do tem po
( ) Prestativo(a) de vez em quando
99
H
A
S
S
L
E
S
&
U
P
L
IF
T
S
11. Com o os seus am igos m ais próxim os classificariam o seu ritm o geral de atividades?
( ) Muito lento - nunca term ina nada que com eça ( ) Lento - m as term ina o que com eça
( ) Médio - razoavelm ente ocup ado
( ) Muito ativo - deve dar um a dim inuída
12. Quanto você se p reocup a com o futuro?
( ) O tem p o todo
( ) Freqüentem ente
( ) Às vezes
( ) Nunca
13. Quando você tem tem po livre, o que prefere fazer?
( ) Dorm ir
( ) Assistir à televisão
( ) Fazer com p ras
( ) Pôr trab alho ou tarefas dom ésticas em dia
14. Olhando p ara trás, com o você classificaria o seu com p ortam ento quando criança?
( ) Eu fui um a criança p rob lem a
( ) Eu fui difícil de disciplinar
( ) Eu fui um a criança com um
( ) Eu fui um anjinho
15. Você tem um m onte de lições de casa, m as seus am igos m ais p róxim os estão dando um a festa. O que você faz?
( ) Vou p ara a festa
( ) Faço algum as lições e dep ois vou p ara a festa ( ) Term ino toda a lição de casa e perco a festa
16. Você faz um planejam ento diário ou m antém um a agenda com os seus planos?
( ) Não, n un ca
( ) Às vezes
( ) Sim , sem p re
17. Quando você está em um grupo (ex: trabalhando em um projeto em grupo), com o você geralm ente age?
( ) Eu dificilm ente participo
( ) Eu participo de form a engajada
( ) Eu assum o a liderança
18. Com qual antecedência você com eça a estudar para um a prova im portante? ( ) Duas ou m ais sem anas de antecedência ou m ais
( ) Cerca de um a sem ana de antecedência
( ) Um ou dois dias antes
( ) Norm alm ente eu não estudo
19. Com o é um dia norm al em seu cotidiano?
( ) Cheio de problem as
( ) Cheio de diversão
( ) Um a m istura de diversões e problem as
( ) Nunca há o suficient e p ara m e m ant er ocup ado(a)
20. Quantos dias por sem ana você faz exercícios físicos?
( ) Quatro ou m ais ( ) Dois ou três
( ) Um
100 M .T .A . S IL V A e t a l. ANEXO B
19. Dinheiro suficient e p ara a ed ucação
20. Dinheiro suficient e p ara em ergências
21. Dinheiro suficien t e p ara ext ras (lazer,
recreação, férias et c.)
22. Resp onsab ilidade financeira p or alguém
que não m ora com você
23. Investim entos
24. Seu háb it o d e fum ar,
25. Seu háb it o d e b eb er
26. Drogas que alteram o hum or
27. Sua ap arência física
28. Métodos anti-concepcionais
29. Exercício(s) físico(s)
30. Atendim ento m édico
31. Sua saúde
32. Suas cap acid ad es físicas
33. O clim a
34. Acontecim entos do noticiário
35. Seu a m b iente (qualidade do ar, nível de
ruído, quantidade de verde etc.)
36. Quest ões p olít icas ou sociais
37. Sua vizinhança (vizinhos, b airro et c.)
38. Econom ia d e g ás, elet ricid ad e, ág ua,
gasolina etc.
39. Anim ais de estim açã o
40. Cozinhar
41. Cuidar da casa
42. Fazer rep aros n a casa
43. Cuidar do jardim
44. Manutenção do carro
45. Cuidar de p ap elada (p reencher form
u-lários, p ag ar cont as et c.)
46. Lazer em casa (TV, m úsica, leit ura et c.)
47. Quant id ad e d e t em p o livre
48. Recreação e lazer fora d e casa (cinem a,
esp ort es, com er fora et c.)
49. Com er (em casa)
50. Organizações religiosas ou com unitárias
51. Assuntos jurídicos
52. Ser organizado
53. Com p rom issos sociais 0 0 1 2 3
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0 0 1 2 3
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0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
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0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3 ABORRECIM ENTOS são coisas irritantes, coisas que chateiam ou
inco-m odainco-m ; eles p odeinco-m nos deixar p reocup ados ou zangados. ALEGRIAS
são event os que nos fazem sent ir b em ; elas p od em nos d eixar felizes,
contentes ou satisfeitos. Alguns Ab orrecim entos e Alegrias ocorrem
com cert a regularidade e out ros são relat ivam ent e raros. Alguns t êm
um efeit o fraco, e out ros t êm um efeit o fort e. Est e q uest ionário
ap resenta um a lista de coisas que p odem ser Ab orrecim entos e
Alegrias cotidianos. Você p erceb erá que, ao longo de um dia, algum as
dessas coisas t erão sido som ent e um ab orrecim ent o, e algum as t erão
sido som ente um a alegria. Outras terão sido tanto um aborrecim ento
quanto um a alegria.
INSTRUÇÕES:Pense quant o d e ab orrecim ent o e quant o d e aleg ria
rep resent ou p ara você, na últ im a sem ana, cad a um d os it ens ab aixo.
Po r f av o r i n d i q u e, à esq u erd a d e cad a i t em , so b a co l u n a
Ab orrecim entos, quanto esse item ab orreceu você na últim a sem ana,
m arcando com um x o núm ero correspondente. Depois indique, à
direit a do it em , sob a coluna Alegrias, quant o esse m esm o it em
alegrou você nesse m esm o período, m arcando com um x o núm ero
adequado.
Lembre-se de marcar um número à direit a e out ro à esquerda
para CADA um dos it ens do quest ionário.
ESCALA “ABORRECIM ENTOS E ALEGRIAS”
o Quant o est e it em ab orreceu o Quanto este item alegrou
você na últ im a sem ana? você na últ im a sem ana?
ABORRECIM ENTOS ALEGRIAS
0 Nad a, ou não se ap lica 0 Nad a, ou não se ap lica
1 Um pouco 1 Um pouco
2 Bast an t e 2 Bast an t e
3 Muito 3 Muito
1. Seu (s) filh o (s)
2. Seus pais ou sogros
3. Out ros p aren t es
4. Seu cônjuge ou nam orado(a)
5. Tem p o p assad o junt o à fam ília
6. Saúde ou bem estar de m em bro da fam ília
7. Sexo
8. Proxim id ad e afet iva
9. Ob rig ações fam iliares
10. Seu(s) am ig o (s)
11. Colegas de trab alho ou de classe
12. Client es, freg ueses, p acient es et c.
13. Seu sup ervisor ou p at rão
14. A nat ureza d e sua ocup ação
15. Sua carg a d e t rab alho
16. A estab ilidade no seu em p rego
17. Cump rir p razos ou m et as no em p reg o
ou estudo
18. Dinheiro suficiente para as necessidades (alim ent ação, vest uário, hab it ação et c.) 0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
0 0 1 2 3
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0 0 1 2 3
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