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Escala hassles & uplifts: versão em português.

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Academic year: 2017

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1Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Departam ento de Psicologia Experim ental. Av. Professor Mello Moraes, 1721, 05508-900, Cidade

Universitária, São Paulo, SP, Brasil. Corresp ondência p ara/ Correspondence to: M.T.A. SILVA. E-m ail: < t eresar@usp .b r> .

2Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia. São Paulo, SP, Brasil.

3Apoio Conselho Nacional de Desenvolvim ento Científico e Tecnológico. Proc. 500129/ 2003-7

Escala

h assles & u plift s

: versão em p ortuguês

Th e

hassles

&

up lift s

scale

Maria Teresa Araujo SILVA1,3 Ana Carolina Trousdell FRANCESCHINI2

Elizabeth Ann MANRIQUE-SAADE2 Layana Guedes CARVALHAL2,3

Marcia KAM EYAM A2,3

Resumo

A escala Hassles & Uplifts avalia a intensidade da resposta a pequenos eventos cotidianos, sendo considerada um preditor de sintom as psicológicos. O objetivo deste estudo foi avaliar um a tradução da escala Hassles & Uplifts, aqui intitulada Aborrecim entos

e Alegrias; para tal, realizou-se a réplica de um estudo norte-am ericano que m ediu o desem penho, nessa escala, de indivíduos cujo padrão de com portam ento fosse do tipo A ou B segundo a escala de Jenkins (Escala Aborrecim entos e Alegrias). As escalas

Aborrecim entos e Alegrias e A/ B foram aplicadas em 145 universitários brasileiros. Os resultados m ostraram que: 1) as pontuações m édias de Aborrecim entos e Alegrias foram sim ilares às do estudo norte-am ericano, exceto pelos Aborrecim entos dos participan-tes tipo B; 2) a intensidade das Alegrias dos participanparticipan-tes tipo A foi significativam ente superior à dos tipo B, com o na literatura; 3) a intensidade de Alegrias e Aborrecim entos não diferiu entre os dois tipos, provavelm ente devido à especificidade da época do teste. Concluiu-se que o padrão e a consistência dos resultados indicam que a tradução pode ser utilizada com o instrum ento confiável de pesquisa.

Unitermos: Alegrias e aborrecim entos. Escala Jenkins. Estresse crônico.

Abstract

The Hassles & Uplifts Scale assesses the reaction to m inor every-day events in order to detect subtle m ood sw ings and predict psychological sym ptom s. The aim of this study w as to evaluate the Portuguese translation of Hassles & Uplifts (Aborrecim entos e Alegrias) through the replication of a North Am erican study w hich used this scale to m easure the perform ance of individuals w ith type A and type B behavior patterns. The Aborrecim entos e Alegrias and Jenkins A/ B scales w ere answ ered by 145 Brazilian college students. Results show ed that: 1) The average Aborrecim entos e Alegrias scores w ere sim ilar to the North Am erican study, except for the type-B Hassles scores; 2) Uplifts received higher scores than Hassles from both types, substantiating literature on the subject; 3) the intensity of Hassles and Uplifts did not differ betw een types A and B, probably due to the tim ing of the testing period. It w as concluded that the pattern and consistency of the results indicate that the translation can be used as a reliable research tool.

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A anedonia, im portante sintom a da depressão,

caracteriza-se p ela indiferença em relação a eventos

p razero so s d o am b ien t e. À exceção d e sit u açõ es

traum áticas, os m aiores responsáveis pela anedonia são

os eventos cotidianos m oderadam ente aversivos, porém

constantes. Trata-se de experiências negativas suaves,

que geram aborrecim entos leves, m as que term inam

por afetar o hum or dos indivíduos em função de sua

periodicidade constante.

Modelos que utilizam anim ais produzem

defi-ciência na sensib ilidade ao reforço ap ós exp osição a

eventos estressores m oderados e crônicos (Papp, Willner

& Muscat, 1991; Willner, Muscat & Papp, 1992). Para a

com preensão do fenôm eno em seres hum anos, a escala

Hassles and Uplifts, aqui traduzida com o Aborrecim entos e Alegrias (A&A), foi desenvolvida originalm ente p elo grupo de R.S. Lazarus (Kanner, Coyne, Schaefer & Lazarus,

1981), com o objetivo de m edir a sensibilidade a eventos

cotidianos negativos ou positivos, e vem sendo utilizada

no estudo da relação entre esses eventos e distúrbios

psiquiátricos, inflam ações (Janin, Mills, von Kanel, Hong

& Dinsdale, 2007), padrões de sono (Hicks & Picchioni,

2003), tensão profissional (Elder, Wollin, Hartel, Spencer

& San d erso n , 2003) e relaçõ es fam iliares (Giallo &

Gavidia-Payne, 2006), entre outros.

Outra escala que foi utilizada neste trabalho é a Jenkins Activity Scale (aqui referida com o Escala A/ B),

que define dois padrões de com portam ento típicos, denom inados “tipo A” e “tipo B” (Jenkins, Rosenm an &

Zyzanski, 1971; Jenkins, Rosenm an & Zyzanski, 1974). O

indivíduo tip o A, em com p aração com o tip o B, é m ais controlado pelo relógio, pela urgência de com pletar tarefas, pela com petição, pela pressão em cum prir m etas

e pela preocupação com o tem po. Caracteriza-se por m aior p rop ensão a p rob lem as cardiovasculares.

Estudo conduzido por Margiotta, Davilla e Hicks

(1990), em população norte-am ericana, indicou que os

ind ivíd uos classificad os com o t ip o A na escala A/ B

relatam m aior sensib ilidade a eventos da vida diária,

fator m edido pela escala A&A, dando indícios de que

classificar-se com o tipo A na escala A/ B e ter um a m aior

sensibilidade a eventos cotidianos negativos possam

estar relacionados.

O objetivo deste trabalho foi aplicar um a

tradu-ção das escalas A&A e A/ B em estudantes, p ara testá-la

em população brasileira, fazendo uso da replicação do

estudo de Margiotta et al. (1990), a fim de identificar

relações en t re p ad rão d e com p ort am en t o e sen

si-bilidade a eventos am bientais m oderados e constantes.

Método

Participantes

Participaram desta pesquisa 145 alunos de

gra-duação da Universidade de São Paulo, cuja idade era

em m éd ia (M ) 21,4 anos (erro-p ad rão - EP= 0,26). A

am ostra com preendeu 108 m ulheres e 37 hom ens. Os

p art icip an t es eram p ro v en ien t es d o s cu rso s d e

Enferm agem (9), Engenharia (3), Fonoaudiologia (5),

Matem ática (11), Nutrição (3), Pedagogia (8), Psicologia

(55), Vet erin ária (45), Au t o m ação (1), Arq u it et u ra e

Urb anism o (1), Geolog ia (1), Hist ória (1), Let ras (1) e

Odontologia (1).

Instrumentos

Foram ut ilizados os seguintes instrum entos:

1) Escala de Padrões de Comportam ento Tipo A/ B

(Escala A/ B). A versão original dessa escala, conhecida com o JAS - Jenkins Activity Survey, foi form ulada p or Jenkins et al. (1971), com o propósito de identificar com -portam entos que aum entam o risco de hipertensão e, conseq üent em ent e, d e p rob lem as card íacos. Nest e

estudo, foi utilizada um a versão m odificada dessa escala

(Go o lkasian , 2005), co n st it uíd a d e 20 q uest õ es d e m últip la escolha.

2) Escala de Aborrecim entos e Alegrias (Escala A&A). Essa escala é a tradução da Escala Hassles and Uplifts de DeLongis, Folkm an e Lazarus (1988), adaptada da versão original de Kanner et al.(1981). A versão utilizada p ossui 53 itens, sendo que cada um deles pode ser classificado com o Alegriaou com o Aborrecim ento, dependendo

d a avaliação sub jet iva.O resp ondent e deve at rib u ir

pontos de 0 a 3 a cada item , de acordo com a intensidade de Aborrecim entoouAlegria que o item represente. Os

participantes foram instruídos a pontuar cada item

levan-do em consideração os acontecim entos da sem ana

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Procedimentos

Os p roced im ent os p ara est e est ud o foram o seguinte:

a) Tradução. Inicialm ente, as duas escalas foram traduzidas para o português e, em seguida, vertidas para o ing lês (ret rot radução). A retrotradução é um im por-t an por-t e recu rso p ara a d epor-t ecção d e am b ig ü id ad es e

incorreções, que podem ser identificadas a partir do confro n t o d as t rad u çõ es e d as versõ es ret

rotraduzi-das. Após revisão, as traduções foram testadas em

apli-cações-piloto (n= 9). Nessa fase, solicitou-se aos particip an t es q u e assin alassem d ificu ld ad es particip ara co m

-preender algum a frase ou expressão usada e sugerissem

m odificações para seu aprim oram ento. As observações dos participantes foram discutidas, e as alterações

consi-d eraconsi-d as n ecessárias e v iáv eis f o ram ef et u aconsi-d as,

cheg and o-se, assim , à versão final d as d uas escalas (Anexos A e B).

b) Aplicação. A coleta de dados realizou-se no final do prim eiro sem estre letivo. Quatro pesquisadoras treinadas, estudantes de Psicologia, foram responsáveis

p ela ap licação dos instrum entos. Cada p esquisadora escolheu um a classe de cada faculdade, apresentando carta da professora responsável pelo projeto e solici-tando autorização do professor no início de sua aula. As

aplicações ocorreram ao final dessas aulas, apenas para os alunos interessados em p articip ar. Cada um a das pesquisadoras se apresentou, para o professor e para os alunos, com o estudante do Instituto de Psicologia da

Universidade de São Paulo desenvolvendo um projeto de pesquisa.

Todos os participantes foram instruídos a res-p onder às escalas individualm ent e e não deixar de responder a nenhum a questão. Foi esclarecido que a

p articip ação era voluntária e sigilosa, e os p articip antes assinaram um term o de consentim ento. Para os inte-ressados, foi dado um retorno de seus resultados na Escala A/ B m ediante e-m ail p essoal do p articip ante ou

no e-m ail d a p esq uisa, criad o p ara esse fim . Inform ou--se aos participantes que poderiam responder no local ou em sua casa. Neste últim o caso, foi enfatizada a ne-cessidade de responder às escalas individualm ente e

em local sem distrações, e inform ou-se que os ques-tionários seriam recolhidos p osteriorm ente. Procedeu--se, então, à distribuição do m aterial, solicitando que os questionários fossem respondidos na ordem em que

estavam gram p eados: p rim eiro a Escala A/ B, seguida

im ediatam ente da Escala A&A. As instruções para

preen-chim ento das escalas já constavam no m aterial distri-buído. É im portante notar que, na instrução da Escala

A/ B, não foi dada definição de “padrão de com

porta-m ento tipo A e B”, a fiporta-m de evitar que os participantes direcionassem suas respostas de acordo com um

resul-tado desejado.

c) Análise de dados. 1) Escala A/ B - Cada alternativa das questões dessa escala tem um valor associado ao p adrão de com p ortam ento A ou B. A p ontuação total

de cada participante foi calculada pela som a dos pontos

correspondentes às alternativas escolhidas. Essa pon-t uação p od e variar d e 35 a 380 p on pon-t os, con form e

detalhado no código-fonte da correção com

putado-rizada da escala (Goolkasian, 2005). As pontuações m ais baixas estão relacionadas ao padrão de com portam ento

tipo B, e as m ais altas, ao tipo A. O ponto de corte, ou

seja, o valor ab aixo do qual estariam os p articip antes do tipo B e acim a do qual estariam os do tipo A, é

geral-m ente definido pela geral-m ediana da distribuição dos pontos

(Hurley, 2002).

2) Escala A&A - Fo ram so m ad o s o s p o n t o s atribuídos à intensidade de cada item (0, 1, 2 ou 3), no

m om ento em que este foi classificado com o

Aborre-cim ento, e tam b ém os p ontos atrib uídos aos m esm os itens, no m om ento em que foram classificados com o

Alegria. Chegou-se, assim , a um a som a total da

dade de Aborrecim entos e um a som a total da intensi-d aintensi-d e intensi-d e Aleg rias, p ara caintensi-d a p art icip ant e. Foi ent ão

calculada a intensidade m édia dos dois p arâm etros.

O m esm o procedim ento foi usado para calcular

a p ontuação total de cada item , considerada com o a som a das p ontuações conferidas p or todos os p

artici-pantes em cada item , tanto na coluna Aborrecim ento

quanto na coluna Alegria. Chegou-se, assim , à identi-ficação dos itens que, p or terem ap resentado m aior

p ontuação total, rep resentaram os p rincip ais Ab orreci-m entose as p rincip ais Alegrias na am ostra estudada. Em seguida, os p articip antes foram classificados com o t ipo A ou tipo B, e o m esm o procedim ento foi utilizado

p ara calcular o valor m édio atrib uído p ara os Ab

orre-cim entos e as Alegrias por esses dois grupos.

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Resultados

A pontuação variou de 97 a 308, sendo 67

parti-cip antes classificados com o tip o A e 78 com o tip o B.

Ob serva-se q ue a d ist rib uição é ap roxim ad am ent e

norm al (Figura 1).

A Figura 2 apresenta a M e o EP da pontuação

total, na escala A&A, dos participantes de padrão de com p ortam ento tip o A ou tip o B segundo a Escala A/ B.

Os participantes brasileiros de tipo A obtiveram pontos

p ara Alegriassignificativam ente superiores aos de tipo B (t= 2,13, p< 0,05), t al co m o seu s co rresp o n d en t es am ericanos do estudo objeto desta réplica (Margiotta

et al., 1990). A m édia e erro-padrão da pontuação da intensidade de Alegrias deste estudo foi de M= 61,0,

EP= 2,6 para o t ip o A e M = 53,9 EP= 2,2 p ara o t ip o B, e,

na am ostra norte-am ericana, foi de M= 61,5 EP= 1,6 e M= 46,8 EP= 1,2, resp ect ivam ent e. Por out ro lad o, o

ju lg am en t o d e Ab o rreci m en t o s n ão ap resen t o u

diferenças significativas entre os tipos A e B (t=0,13, n.s.). A m édia e erro-padrão dos tipos A e B nesse quesito foi

de M= 41,6 EP= 2,4 e M= 41,2 EP= 2,1, respectivam ente.

No est udo nort e-am ericano, ao cont rário, os p art icp an t es d e t iicp o B at rib u íram icp o n t u ação sig n ificat

i-vam ente inferior à dos tipo A nesse quesito: M= 45,2 EP= 1,4 para o tipo A, e M= 33,6 EP= 1,7 para o tipo B. Nota-se que, exceto para as Alegrias do tipo B, os valores ab so lu t o s d a in t en sid ad e d e reação às Aleg rias e

Ab orrecim entos situram -se na m esm a faixa de valores, nos dois estudos.

A insp eção visual da distrib uição m ostrada na

Figura 1 sugeriu a divisão da am ostra em três segm

en-tos: a) “tipo B extrem o”, com preendendo pontuações

entre 97 e 144 pontos, n= 10; b) “tipo A extrem o”, com

-preendendo pontuações entre 260 e 308, n= 9; e c) “tipos

A/ B interm ediários”, com preendendo pontuações entre

156 e 257, n= 126. Foi feita um a análise dos A&A em

função das categorias A extrem o e B extrem o. A análise

tanto de Alegriascom o de Ab orrecim entosdos tipos A

e B extrem os reproduziu a relação observada na am

os-tra total: não houve diferença significativa entre os dois

t ip o s ext rem o s q u an t o ao s Ab o rrecim en t o s, m as a

pontuação de Alegrias foi significativam ente superior à

de Aborrecim entosno tip o A extrem o (t=2,28, p<0,05).

Cada item da escala A&A foi analisado em função

da pontuação atribuída à sua intensidade. Na Tabela 1

estão listados, em ordem decrescente, os itens cuja

pontuação total resultou superior a 200 pontos. Dentre

o s Ab o rrecim en t o s, verifico u -se q u e ap en as seis

receb eram p o n t uação suficien t e p ara at in g ir esse

crit ério, ob servando-se que nenhum alcançou p

on-tuação acim a de 300. Dentre as Alegrias, 21 itens

rece-b eram p ont uação acim a de 200, regist rando-se que

quat ro desses sup eraram 300 p ont os. Port ant o, não

ap enas a p ontuação total foi su p erio r p ara Aleg rias,

c o m o o n ú m e r o d e e v e n t o s ap o n t ad o s c o m o

A l e g r i as r e l e v an t e s fo i b ast an t e su p erio r ao d e

Ab o rrecim entos relevantes.

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Alg u n s it en s d a escala fo ram co n sid erad o s

m ajorit ariam ent e com o Ab orrecim ent os, receb endo

Figura 2. Média ± EP dos p ontos atrib uídos à intensidade de

Ab o rrecim en t o s e de Alegrias n a Escala A&A, p o r p articip antes classificados com o tip o A ou tip o B na Escala A/ B.

Tabela 1. Itens da escala A&A com pontuação superior a 200, em

ordem decrescente.

Aborrecim en t os

01. Cum prir m etas ou prazos no em prego ou estudos

02. Sua carga de trab alho

03. Quantidade de tem po livre

04. Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)

05. Questões políticas ou sociais

06. Dinheiro suficiente para as necessidades

Alegrias

1. Seus am igos 2. Proxim idade afetiva

3. Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)

4. Recreação e lazer fora de casa (cinem a, esportes etc.) 5. Natureza de sua ocupação

6. Tem po passado junto à fam ília

7. Colegas de trabalho ou de classe 8. Seus p ais ou sogros

9. Com er (em casa)

10. Seu cônjuge ou nam orado(a) 11. Anim ais de estim ação

12. Suas capacidades físicas

13. Sua aparência física 14. Sua saúde

15. Sexo

16. O clim a

17. Com prom issos sociais

18. Dinheiro suficiente para suas necessidades (alim entação etc.)

19. Dinheiro suficiente para extras (lazer, recreação, férias etc.) 20. Ser organizado

21. Quantidade de tem po livre

poucos ou nenhum ponto na categoria Alegria. São os

itens “Questões políticas ou sociais” e “Cuidar de papelada (p reen ch er fo rm u lá rio s, p a g a r co n t a s et c.)”. Já i t en s apontados principalm ente com o Alegrias, e que

obti-veram baixas pontuações com o Aborrecim entos,foram :

“Lazer em casa”, “Recreação e lazer fora de casa”, “Anim ais de estim ação”, “Sexo” e “Com er (em casa)”. Houve tam bém event os com im p act os am b ivalent es, send o

consi-derados p or alguns com o Ab orrecim entos, p or outros

com o Alegrias. São eles: “Sua aparência física”, “Natureza de sua ocupação”, “Colegas de trabalho ou de classe” e “Seus pais ou sogros”.

Os it en s fo ram ain d a classificad o s d iferen

-cialm ente de acordo com os p adrões de com p

orta-m ento A ou B, confororta-m e orta-m ostra a Tabela 2. Nessa tabela

estão listados os principais itens geradores de

Aborre-cim en t o se d e Aleg rias,em fu n ção d o p ad rão d e

Tabela 2. Principais itens da escala A&A em função do padrão de

com portam ento tipo A ou tipo B, em ordem decrescente.

Aborrecim en t os

Tipo A

Tipo B

Alegrias

Tipo A

Tipo B

Cum prir m etas ou prazos no em p rego ou estudos

Sua carga de trabalho

Quantidade de tem po livre

Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)

Dinheiro suficiente para as necessidades

Questões políticas e sociais

Cum prir m etas ou prazos no em prego ou estudos

Sua carga de trabalho

Questões políticas e sociais

Quantidade de tem po livre

Seu am biente (ar, ruído, quantidade de verde etc.)

Ser organizado

Seus am igos

Proxim idade afetiva

Natureza de sua ocupação

Seu cônjuge ou nam orado

Recreação e lazer fora de casa (cinem a etc.)

Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)

Lazer em casa (TV m úsica, leitura etc.)

Seus am igos

Proxim idade afetiva

Recreação e lazer fora de casa (cinem a etc.)

Seus pais e sogros

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com p ortam ento tip o A ou tip o B. Em b ora quase todos

os itens estejam presentes nos dois grupos, há

consi-derável diferença na hierarquia observada. A principal diferença refere-se a “Lazer em casa”, posicionado com o a prim eira Alegria do tipo B, e “Natureza de sua ocupação”, im portante para o tipo A (terceira posição), m as não p ara o t ip o B.

A fim d e verificar p ossíveis d iferenças ent re

estudantes de diferentes áreas, com p arou-se a p

on-tuação de p articip antes das am ostras dos cursos com m aior núm ero de respondentes, Veterinária e Psicologia.

Não houve nenhum a diferença significativa. Tam bém

não houve diferença significativa quando se com pa-raram hom ens e m ulheres.

Discussão

É im p ort ant e not ar, em p rim eiro lugar, que a

tradução brasileira d a escala H a ssles & Uplifts m ostrou--se adequada, um a vez que a p ontuação colhida na am ostra brasileira situou-se na m esm a faixa da am ostra

am ericana estudada por Margiotta et al. (1990). Em três

dentre quatro com p arações entre indivíduos tip o A e tip o B, a p ontuação m édia atrib uída a Ab orrecim entos

ou Aleg riasfoi sem elhant e aos valores relat ados na

pesquisa norte-am ericana. Exceção foram os Aborre-cim entos dos participantes tipo B, que, no Brasil, tiveram

p ontuação p raticam ente idêntica à das Alegrias,

en-quanto nos Estados Unidos foram significativam ente inferiores.

Esse padrão se m antém quando são analisados

ap enas os ext rem os d as d uas am ost ras (t ip os A e B extrem os). Ou seja, os brasileiros de tipo B parecem ser m ais sensíveis a eventos negativos do que seus pares

norte-am ericanos. Essa diferença poderia ser atribuída a fatores culturais, sugerindo que os brasileiros estariam sofrendo m aior p ressão aversiva, m as um a event ual influência desse tipo deveria tam bém afetar o tipo A.

Mais provavelm ente a diferença está na am ostra, consti-tuída de estudantes, aliada ao m om ento da coleta, que coincidiu com provas e trabalhos de fim de sem estre. De fato, os itens referentes a pressão pelo cum prim ento

de prazos e falta de tem po livre receberam consistentes classificações com o os m aiores geradores de

aborre-cim ento na sem ana em que o instrum ento foi aplicado. Sugere-se que, justam ente por serem sazonais, essas

variáveis afetaram diferencialm ente o tipo B, visto que

o tipo A já é por elas afetado em qualquer época.

Essa interp retação é corrob orada p ela análise da hierarquia de relevância dos diferentes itens indi-cativos de Ab orrecim ento.“Natureza de sua ocupação”

apareceu com o fonte m ais relevante de Alegria para o

tipo A do que para o tipo B, enquanto “Lazer em casa”

ap areceu com m ais dest aque com o um gerador de Alegriapara o tipo B, em relação ao tipo A. Com preende--se, então, que a pressão de avaliação acadêm ica tenha

tido m aior im pacto negativo sobre pessoas que, em bora preferindo o lazer, estavam no m om ento da pesquisa atendendo à sua ocupação de estudantes.

Out ros it ens são t am b ém avaliados de form a diferente por participantes de tipo A ou B. Por exem plo,

“Ser organ izado” foi consid erad o um fort e Ab orreci-m ento p ara o tip o B, orreci-m as não p ara o tip o A. Os itens

“Seus pais ou sogros” e “Tem po passado jun t o à fam ília”

são fortes Alegrias para o tipo B, m as não foram

rele-vantes para o tipo A. O item “Côn juge ou n am orado(a)”

foi considerado fonte m ais forte de Alegriapara o tipo A do que p ara o tip o B.

Na am ostra total (tipo A + tipo B), não apenas a p ontuação total foi sup erior p ara as Alegrias, com o o

núm ero de eventos apontados com o Alegrias relevantes foi bastante superior ao de Aborrecim entos relevantes, m ostrando que os eventos do cotidiano considerados com o fontes de pequenas alegrias são m ais diversos e

potentes do que as fontes de pequenos aborrecim entos. Será interessante verificar se outras populações repro-duzem essa relação.

Considerações Finais

Em conjunto, as constatações acim a m ostram

que a t radução b rasileira da Escala A&A é cap az de

detectar diferenças na form a com o as pessoas reagem diant e dos acont ecim ent os cot idianos, m ost rando o

im pacto diferencial dos eventos do am biente sobre o hum or de cada indivíduo. A boa qualidade da tradução é atestada pela replicação da faixa de pontuação norte--am ericana na escala A&A pelos respondentes

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Referências

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Giallo, R., & Gavidia-Payne, S. (2006). Child, parent and fam ily factors as predictors of adjustm ent for siblings of child ren w it h a d isab ilit y. Journal of Intellectual Disability

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Recebido em : 27/ 7/ 2006

(8)

98

M

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S

IL

V

A

e

t a

l.

ANEXO A

Curso Idade Sexo ( ) F ( ) M Dat a / / Hora : m in

Tip os de Personalidade A/ B

Para cada um a das 20 perguntas abaixo, responda escolhendo a alternativa mais apropriada. Você pode sem pre voltar a um a questão e m udar sua resp osta.

1. Quando você se depara com um problem a pela prim eira vez, o que você norm alm ente faz? ( ) Resolve o problem a im ediatam ente

( ) Pensa no que deve fazer e depois resolve o problem a

( ) Esp era que as coisas se resolvam sozinhas

2. Com parando com os outros estudantes, quão rápido você faz as suas tarefas acadêm icas?

( ) Eu geralm ente term ino antes de todo m undo

( ) Eu as term ino antes da m aioria dos m eus colegas de classe

( ) Eu as term ino a tem po

( ) Eu freqüentem ente entrego m inhas tarefas atrasado(a)

3. Alguém algum a vez já te disse que você fala dem ais?

( ) Sim , com freqüência ( ) Às vezes

( ) Um a vez

( ) Não, nunca

4. Durante um a conversa com um , quão rap idam ente você fala? ( ) Mais rapidam ente do que as outras pessoas

( ) Na m esm a m édia que os outros

( ) Mais lentam ente do que a m aioria das pessoas

5. Com que freqüência você costum a com pletar as frases das outras pessoas porque elas falam m uito devagar?

( ) Freqüentem ente ( ) Às vezes

( ) Quase nunca

6. Se você tivesse que esperar por um a consulta m édica m ais de m eia hora depois do horário m arcado, sendo que você tem várias outras

tarefas a fazer? O que você faria?

( ) Lê um a revista

( ) Fica olhando seu relógio constantem ente

( ) Fica im paciente e um pouco irritado(a) ( ) Reclam a p ara a recepcionista

7. Você costum a chegar atrasado(a) aos seus com p rom issos? ( ) A m aior parte das vezes

( ) Às vezes

( ) Raram ente ( ) Nunca

8. Quando você está participando de um jogo, qual a im portância de você vencer?

( ) Muito im portante

( ) Às vezes é im portante

( ) Não é im portante

9. Com o os seus colegas e am igos classificariam você?

( ) Sem pre responsável e trabalhador(a)

( ) Às vezes trabalhador(a) e responsável ( ) Raram ente trabalhador(a) e responsável

( ) Despreocupado(a)

10. Com o os seus pais (ou as pessoas que o/ a criaram ) classificariam você?

( ) Sem pre prestativo(a)

( ) Prestativo(a) a m aior parte do tem po

( ) Prestativo(a) de vez em quando

(9)

99

H

A

S

S

L

E

S

&

U

P

L

IF

T

S

11. Com o os seus am igos m ais próxim os classificariam o seu ritm o geral de atividades?

( ) Muito lento - nunca term ina nada que com eça ( ) Lento - m as term ina o que com eça

( ) Médio - razoavelm ente ocup ado

( ) Muito ativo - deve dar um a dim inuída

12. Quanto você se p reocup a com o futuro?

( ) O tem p o todo

( ) Freqüentem ente

( ) Às vezes

( ) Nunca

13. Quando você tem tem po livre, o que prefere fazer?

( ) Dorm ir

( ) Assistir à televisão

( ) Fazer com p ras

( ) Pôr trab alho ou tarefas dom ésticas em dia

14. Olhando p ara trás, com o você classificaria o seu com p ortam ento quando criança?

( ) Eu fui um a criança p rob lem a

( ) Eu fui difícil de disciplinar

( ) Eu fui um a criança com um

( ) Eu fui um anjinho

15. Você tem um m onte de lições de casa, m as seus am igos m ais p róxim os estão dando um a festa. O que você faz?

( ) Vou p ara a festa

( ) Faço algum as lições e dep ois vou p ara a festa ( ) Term ino toda a lição de casa e perco a festa

16. Você faz um planejam ento diário ou m antém um a agenda com os seus planos?

( ) Não, n un ca

( ) Às vezes

( ) Sim , sem p re

17. Quando você está em um grupo (ex: trabalhando em um projeto em grupo), com o você geralm ente age?

( ) Eu dificilm ente participo

( ) Eu participo de form a engajada

( ) Eu assum o a liderança

18. Com qual antecedência você com eça a estudar para um a prova im portante? ( ) Duas ou m ais sem anas de antecedência ou m ais

( ) Cerca de um a sem ana de antecedência

( ) Um ou dois dias antes

( ) Norm alm ente eu não estudo

19. Com o é um dia norm al em seu cotidiano?

( ) Cheio de problem as

( ) Cheio de diversão

( ) Um a m istura de diversões e problem as

( ) Nunca há o suficient e p ara m e m ant er ocup ado(a)

20. Quantos dias por sem ana você faz exercícios físicos?

( ) Quatro ou m ais ( ) Dois ou três

( ) Um

(10)

100 M .T .A . S IL V A e t a l. ANEXO B

19. Dinheiro suficient e p ara a ed ucação

20. Dinheiro suficient e p ara em ergências

21. Dinheiro suficien t e p ara ext ras (lazer,

recreação, férias et c.)

22. Resp onsab ilidade financeira p or alguém

que não m ora com você

23. Investim entos

24. Seu háb it o d e fum ar,

25. Seu háb it o d e b eb er

26. Drogas que alteram o hum or

27. Sua ap arência física

28. Métodos anti-concepcionais

29. Exercício(s) físico(s)

30. Atendim ento m édico

31. Sua saúde

32. Suas cap acid ad es físicas

33. O clim a

34. Acontecim entos do noticiário

35. Seu a m b iente (qualidade do ar, nível de

ruído, quantidade de verde etc.)

36. Quest ões p olít icas ou sociais

37. Sua vizinhança (vizinhos, b airro et c.)

38. Econom ia d e g ás, elet ricid ad e, ág ua,

gasolina etc.

39. Anim ais de estim açã o

40. Cozinhar

41. Cuidar da casa

42. Fazer rep aros n a casa

43. Cuidar do jardim

44. Manutenção do carro

45. Cuidar de p ap elada (p reencher form

u-lários, p ag ar cont as et c.)

46. Lazer em casa (TV, m úsica, leit ura et c.)

47. Quant id ad e d e t em p o livre

48. Recreação e lazer fora d e casa (cinem a,

esp ort es, com er fora et c.)

49. Com er (em casa)

50. Organizações religiosas ou com unitárias

51. Assuntos jurídicos

52. Ser organizado

53. Com p rom issos sociais 0 0 1 2 3

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0 0 1 2 3 ABORRECIM ENTOS são coisas irritantes, coisas que chateiam ou

inco-m odainco-m ; eles p odeinco-m nos deixar p reocup ados ou zangados. ALEGRIAS

são event os que nos fazem sent ir b em ; elas p od em nos d eixar felizes,

contentes ou satisfeitos. Alguns Ab orrecim entos e Alegrias ocorrem

com cert a regularidade e out ros são relat ivam ent e raros. Alguns t êm

um efeit o fraco, e out ros t êm um efeit o fort e. Est e q uest ionário

ap resenta um a lista de coisas que p odem ser Ab orrecim entos e

Alegrias cotidianos. Você p erceb erá que, ao longo de um dia, algum as

dessas coisas t erão sido som ent e um ab orrecim ent o, e algum as t erão

sido som ente um a alegria. Outras terão sido tanto um aborrecim ento

quanto um a alegria.

INSTRUÇÕES:Pense quant o d e ab orrecim ent o e quant o d e aleg ria

rep resent ou p ara você, na últ im a sem ana, cad a um d os it ens ab aixo.

Po r f av o r i n d i q u e, à esq u erd a d e cad a i t em , so b a co l u n a

Ab orrecim entos, quanto esse item ab orreceu você na últim a sem ana,

m arcando com um x o núm ero correspondente. Depois indique, à

direit a do it em , sob a coluna Alegrias, quant o esse m esm o it em

alegrou você nesse m esm o período, m arcando com um x o núm ero

adequado.

Lembre-se de marcar um número à direit a e out ro à esquerda

para CADA um dos it ens do quest ionário.

ESCALA “ABORRECIM ENTOS E ALEGRIAS”

o Quant o est e it em ab orreceu o Quanto este item alegrou

você na últ im a sem ana? você na últ im a sem ana?

ABORRECIM ENTOS ALEGRIAS

0 Nad a, ou não se ap lica 0 Nad a, ou não se ap lica

1 Um pouco 1 Um pouco

2 Bast an t e 2 Bast an t e

3 Muito 3 Muito

1. Seu (s) filh o (s)

2. Seus pais ou sogros

3. Out ros p aren t es

4. Seu cônjuge ou nam orado(a)

5. Tem p o p assad o junt o à fam ília

6. Saúde ou bem estar de m em bro da fam ília

7. Sexo

8. Proxim id ad e afet iva

9. Ob rig ações fam iliares

10. Seu(s) am ig o (s)

11. Colegas de trab alho ou de classe

12. Client es, freg ueses, p acient es et c.

13. Seu sup ervisor ou p at rão

14. A nat ureza d e sua ocup ação

15. Sua carg a d e t rab alho

16. A estab ilidade no seu em p rego

17. Cump rir p razos ou m et as no em p reg o

ou estudo

18. Dinheiro suficiente para as necessidades (alim ent ação, vest uário, hab it ação et c.) 0 0 1 2 3

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0 0 1 2 3

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Imagem

Figura 1 . Distribuição dos participantes conform e pontuação na Escala A/ B.
Tabela 1 . Itens da escala A&amp;A com  pontuação superior a 200, em

Referências

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