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Enfermagem psiquiátrica e fenomenologia: algumas considerações.

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Academic year: 2017

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ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA E FENOMENOLOGIA - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Jcó Fendo Schneider*

RESUMO: O autor relete sobre a enfenagem psiquiátrica e fenomenologia, tendo oo incípio, o atediento de enfenagem psquiátrica e a fenomenologia enquan­ to atenativa etdogica para a compeensão do ser humano, numa tentativa de egatar o sgniado deste Ser.

ABSTACT: The author relets aout psychiatric nusing and phenomenology,

haig as an assumtion, the psychiatric nusing assistance and the phenomenology

whie ethdogic altemative for the omprehension of the human being, attempting

to esue the eaning ofthis being.

UNITERMOS: Enfenagem Psiquiátrica - Fenomenologia -Ser Humano - Atendimento

de Enfenagem.

1. NTRODUçAo

. Veo a eesside de eesar s inúmes

ves is ela efemagem psiquiáica o er o em ento psíqico, esmos or eaés a qe, atavés do atedimen­ o e efeaem peso, esteja pesene a com­

eeo ete Ser, a qe efeivaente saibamos

"o" ser ho e o oee "sobe" o esmo,

a qe. aavés so, pestemos um atedieto de iae.

Temos pcuço ca vez mior em discuir

be O mdo do "er no", ois erceemos o

mo é cesio este oeciento a qe ocor­ a a m�a o aediento a esa clienela.

Assisios os últmos aos a questioamentos

os meos eóios uildos ela efeagem,

ouidos de aordo com o "osso mudo", dito cieÍCo, e, da prática da enfeagem. Destes ques­ ioetos e elexões paecem emergir cmihos e e pojeam a além a dicotomia saúde-doen­ a. Caios que se cosbstaciam em prioriar o Ser, em esgaar o signiicao do Ser em sua idivi­ aliade e unicidade.(9)

Neste sentido, EDEGGER(7) mosta que Ser

é m coceito univesal. O Ser só oe ser

deteÍ-do a pir de seu signiicdo. Seré a maneira como algo <: toa pesente, manifesto, etendido, ercebi­ do, compeendido e flmente cohecido para o ser huano, para o Ser-aí.

Como poissioais de psiquiatria que im com ees humaos macdos elo sofrimento, existe um esforço comum, ene nós enfermeiros, paa uma comp1eeão mais pouda do exisir humano.

Neste sentido, a parir da busca de novos ozon­ tes e compeeão que faz a enfeagem, demos dizer que ela se apoxima, conscientemente ou ão,

a alteaiva metdológica a fenomenoloia.

Diante deses questionmentos, srgiu a necessi­ dade de busca de aior apromento, ois acredi­ to que o conhecimento siicativo, e�uanto ossi­ bilidade hua, tem exigências que ão eitem improvisações e sueicialidades. Petendo, ois,

com este esudo, aprimorr meus conhecimentos,

contribuindo, assim, para a meloria da assistência de enfemagem psiquiátrica ao Ser em sofrimento psí­ quico.

2. FENOMENOLOGIA

Fenomenoloia é, neste século X, pincipal­ mente, m nome que se dá a um movimento cujo

Enfmeiro. ocente do epmento e Enfenagem da UNIOESTE - Univesidade do Oeste do Paraná. Mestrando, Área

Enfemagem Psiquiátrica da Escola de Enfennagem de Ribeirão Preto - USP.

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objetivo pecipuo e a ivestiga�lo direta e a descri910 de feomenos que slo exeriencidos ela conscien­ cia, sem teorias sobe a sua explica910 causal e llo live quanto ossivel de pessuostos e de peconcei­ toS.(8)

Segundo 0 eferido autor, a fenomenologia llo foi "na" , s sugiu e cesceu, tendo suas ori­

ges no ensameto de Edmund Husserl. Eetanto, mesmo a este autor, a ideia de fenomenoloia como un novo metodo desevolveu-se gdualmete e continuou a tansformar-se de mneira coa.

o oto undmental da fenomenologia estA na desci�o, llo a explica910 ou aalise. A primeia die910 que Husserl deu a fenomeologia foi esta da descri�lo, como foma de ir as coisas mesmas.

o primeiro sectos do efoque pa coecer 0 mudo, estA em "ir a coisa mesma" e isso quer dizer focaliar, situar 0 que desejo conhecer o mudo. 0

poprio mundo pode ser situado dinte de meu olhar como se fosse un foco a ser conhecido.

Na trajet6ria fenomeol6gica, 0 esquisador con­ sidea 0 seu mundo-via, existo e, na exeiencia que e sua e que Ihe eite iterogar 0 mudo e os feomenos que deseja inteogar.(8)

A compreenslo !enomeno6gica, como toda compreeslo, evolve sempe una intepeta�lo es­ peitando; a compeenslo surge sempe em conjnto com a intepreta�lo. Nn sentido geral, este momen­ to e ua tentativa de eseciicar 0 "signiicado" que e essecial na desci�lo e a edu�lo, como na foma de investiga�lo da expeiencia.

o metodo feomenol6gico e intuitivo e descii­

yo. 0 objetivo do metodo e descever a estutua total da exeiecia vivida, incluindo 0 sigicado que esta exeiecia ten paa os individuos que dela paticipam. A fenomenoloia nlo se preocupa com a explica�lo, as sim com a compeenslo feomeno-16ica em con juto com a intepea�lo.

A fenomenologia llo e un conjuto de ensia­ mentos, as n metodo que pretende chegar ao feomeno orvislo categorial - 0 objeto e captado na sua totalidade or intui�lo - a im de captar a sua essencia.(6)

HEDEGGER(7), discipulo de Husserl, considera que ntes da cosciencia existe 0 pr6pio homem, que ele denomina de Dasein, s6 a patir dele e que ode­ mos falar de consciecia. 0 que cacteiza essencil­ mente 0 Dasein e Ser-no-Mundo, estutua que e captada elo homem o seu propio existir. 0 exis­ tente s6 pode se compreender em sua rela�lo com 0

58 R. Bras. Enferm. Brsilia, v . 47, n . 1, p . 57-60, jn.lmr. 1 994

mundo, ela�lo a qual cria 0 mudo, ao mesmo temo em que e criado or ele. 0 homem llo e ua coisa ente outras coisas; ele "e aqui", num setido auto loclizado e auto cosciente, nua ela�o cons­ tante com os objetos, s essoas e as siua�oes. 0 mundo ideendene dele, exisido or si esmo, O apaece aaves da sua elexo - 0 que M pimordial­

mente e 0 mundo paa ele.

A fala enuncia 0 encono. Na medida em que 0 individuo se expessa, sua intencionalidade e sempe comunicativa, orque a epresslo implica a com­ peenslo da coexistencia. A un�o da media�lo ente o eu e 0 outro articula a compreenslo deste mudo revelado a intera�loP)

Seudo DARTIGUES(5), a fenomeologia sig­ ica uma vola ao mundo da expeiencia, do vivido. Os feomenos slo os vividos da cosciencia, os atos e os coelatos dessa consciencia.

3. ENFERMAGEM PSIQUIATRICA E FENOMENOLOGIA

Desde a sua oigem, a efermagem visa iistrr cuidados indiseveis aos enfermos, en coo a pom�lo da saMe as essoas. Ela busca ver 0 homem situado no mudo em sua totalidade de vida. A efermagem busca suear os dalismos cssicos, oiudos a vislo aturlista do homem, dulismo ente mente e coo, individuo e sciedade, essoa e efermo, saMe e den�a, elacioamento essoal e impessoal. (3)

Segudo LENCASTRE(1), a evolu�lo da en­ feragem psiquiaica se fez setir quando a assisten­ cia prestada ao Ser-Doente, alem de evolver os cuidados isicos e 0 acompanamento dos atmen­ tos soaicos, assou a incopoartambem na abor­ dagem psicol6gica e social. Reconheceu-se entlo a imolcia da a�lo essoal do enfermeio psiquia­ tico junto ao aciente e ele pssou a ter ua preocu­ pa910 pimeia e mior - a ela�lo huma. Seudo a autora, ate 1930, a ssistencia tia n caater essencialmente custodial, peocupando-se aens em atender s necessidades isics dos pacientes. Com a intodu�lo dos tatamentos soaticos em psiquiatria, que exiim ua assistencia de enfermagem qualii­ cada, a aten910 se voltou ambem paa 0 acompa­ mento dessas teaeuticas.

(3)

me-lhor copeeOO s el�Oes s.

A enfenagem busa n eer a a � assistecial em coeo inia com a a po� a saMe. E, a ests das �s, que ea oje e lbui, acece-se a �o escica da bca e leaivas m esquia. Dene esas leaivs, o metda feomeol6gico ten e mosdo adqudo m a esquia em enfenagem.(3)

Paa TA LOR(lO), copeeer essoas a en­ feagem aaves da esectiva feomeol6gica, sigica apeeer os sigicaos que estas esos ao a s eeiecias com doe� e o eacioa­ meto enfemeio-paciene. Assim, cdo cami­ os a ir do que e ir a a eeiecia a essoa, acba eniquecendo a bse de coecimen­ tos da pnica de efeagem.

Nessa fse de desenvolvimento a efeagem psiqwatric, em que se evidencia intea pecua­ �o com a questo o eIacioento, a feomeolo­ ia ode ter contibui�es valios a a ea, o sentido e ua melhor compeeao das eIa�s s.

A fenomenoloia esi iteesada a eeiecia intesubjetva vivida elas essoas os seus munos, e foma que ela ilumie 0 ser, iso e, a base de s existecias. Desa fom, efeagem e feomeo­ logia esto pecuadas com a intepe�o s ex­ eriecias das pessos o seu cotidio.

A efemage, vista sob a esectiva feo­ meol6gica, popicia ua iluiacao sobe 0 mdo de enfemeiros e pcientes como entes ou sees do "ser". Neste sentido, T A LOR( lO) coloca qe, a adequa�ao e sele�ao do metoda fenoeol6ic' a

estudar a enfemagem ten sido decrits or efer­ meios (Aamodt, 1983; Beum, 1 989; Oiler, 1 982, 1986; Oney, 1 983; Parse et I., 1985; Reiman, 1 986).

Toa-se clao que oco: a poxia�o en­

e fenomeologia e efemagem qundo se conside­ a que 0 fenomeno de inteesse pa a efeagem esta itimmente conecado com s exeiecis sub­ jeivas de acientes e efemeios como essoas ue existem em n ambiente, no qual a sane e atingia e atida. Efeagem e metodologia feomeol6-ica comptilam cen�s e vaIoes e que as es­ sos ao un todo e que cim ses siicados pti­ culaes. Ambs consideram tudo que esa acessvel na experiencia em estudo, tanto subjetivo como obje­ ivo, e esfor�am-se para entender 0 signicado total que a experiencia teve para os participantes

(OE-RY,

1983, d

TALO, (10) p. 17S).

m e o e efeem sic, e

sio er e a a oou a v­

l� a t, so or vM

aves e u eevovito.

Nese eo, e ese

oor

oo a psiqia foi e poo a feoooo,

pciee os eio eer 0 eo e 0

Ice e a ul�.

As pies pli�s a feoeoloa e

Hussel a psiqa foa feis or l Jes, a 0 ql a feomeoo

a

e 0 oo e via cl

a se cegar a opeelo s feooos s­

patol6gicos em a vivecia psiquica vil.(4) Pa ele, a feoeoloia e n pceeo oe­ to ue via a uide l em a toalie e es­ teciaessecia. A ir de en�o, poi�s ee a feoeoloia e a psiquaia ten sio feias.

A efegem psiia en a p­

�o pieia e aior - a e� . E uios

ascos da eIa� ha fomm eos or

fd-ofos e esudiosos da feoeoloa e a feoe­

logia existecl.(l)

Dvesos auoes uilim;e do to fe­

meol6gico s ciecias hs, eo qe, a e­ feagem vem lido;e s prciais ieas dese edo a plica-lo a a a.

4. VISLUMBRANDO UM CAMINHO

Vemos a ecessiade de eear s vies

ealiaas eIa efeagem s3ica ao er huma­ o. Pecisamos eeontar tegas a que o aeieto de efeagem pa ao viuo, esteja peete a compeeao dese er, a que efetivmene 1baos do ser ho, a ue, aa­ ves disto, peseos ealete n temeno de qualide.

Como todo ser huo e abiguo, pecia fzer ecolas, ten uma hist6ia e vive n ir mo­ mento de sua vi, 0 atedieno de efegem psiuiatica a ele, ossbilia vislubarvios asec­ tos que aonam a uma melor compeeao o Ser.

Pdo do principio de qe a de� lo e ia isoIaente a essoa doente, s a toaliade eistenciaI da a codi�o e via, acedios er ossivel que a efeagem psiquiica uilie-se desa compeenao ao pestar aediento a clientela que a ec�ssitar.

(4)

Nesse sentido, CPLBO(3), coloca que, a exis­

tencia MO e isolada, ms na sua ealidae ela e uma exeiecia de intesubjetividade, de comnica:ao ente as essoas, de modos de elacioaento inter­ essoal.

No retono s coisas mesms, as exeriencias vivids com individuos em sofrimento psiqico eve­ lam que abalhar com 0 ser huano em crise MO e

ossivel sem proximidade e relacionameto. Pensa­ mos que, ao trabalamos com 0 ser humno devemos

ossibilitar 0 elacioar, 0 atuar, 0 sentir, 0 ensar, 0

viver.

Na proximidade e no relaciomento reside a

essencia do enfermeiro que tabala em enfermagem psiquiatrica. (I)

Paa tanto, fz-se necessio que a enfemagem psiquiatrica, alem de ser uma aea que ecessita de conhecimento te6rico e bilidades tecnicas esecii­ cas, exige, dos poissioais que ela atum, conhe­ cimento e aceia:ao de si mesmos e, do outro, 0

individuo a quem pesa atendimento. Paa isso, pe­ cisa ter aturidade para utilizar sua propia essoa como istumento de tablo, popicindo envolvi­ mento com os sees humanos que atede e interrela­ cioa-se.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

I . ALENCASTRE, M. B. Como 0 pessoal auxiliar de enferma­ gem psiquiitrica l 0 pro issional enfermeiro: uma abor­ dagem compreensiva. Ribeirao Preto, 1 990. 85p. Tese (Doutorado) - Escola de Enfemagem de Ribeirao Preto, Universidade de Sao Paulo.

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8. MARTINS, 1. Um Enfoque Fenomenol6gico de Curriculo:

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9. SILVA, A. L. e BORENSTEIN, M. S. Ser e viver saudavel no mundo: buscando novos cminhos no cuidar esquisndo

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