PROCESSUAL CIVIL RECURSOS
I - CONCEITO
Segundo Barbosa Moreira, “Recurso é o remédio voluntário idôneo a ensejar, dentro de um mesmo processo, a reforma, a invalidação, o esclarecimento ou a integração de decisão judicial que se impugna”.
Em outras palavras, é o remédio processual idôneo que é usado no mesmo processo em que a decisão foi proferida e que pode levar ao reexame da questão para invalidar ou modificar.
É o instrumento processual, colocado a disposição dos interessados que tem a faculdade de utilizá-los ou não e a utilização gera efeitos.
• É um instrumento processual (É um instituto que deve ser empregado dentro do processo) • tem natureza de ônus processual;
• É voluntário e é exercido dentro do processo que foi proferida a decisão (Se usado pode ocasionar interesses positivos, se não usado precluirá a decisão e esta torna-se imutável).
• Tem por objetivo a invalidação e a modificação impugnada.
São intercorrências durante o processo. Está fundamentado no princípio do duplo grau de jurisdição que é a possibilidade de uma questão já resolvida por um órgão ser analisada por outro órgão do Poder Judiciário.
II - PRINCÍPIOS INFORMADORES 1. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
O duplo grau de jurisdição é um princípio informador do processo, mas não é inderrogável. A natureza jurídica do princípio do duplo grau de jurisdição é ou não uma garantia constitucional?
A Constituição Federal, no artigo 102, I, confere algumas matérias de competência originária ao STF. Sendo de competência originária, uma vez havido o pronunciamento pelo Tribunal Pleno, não há para quem recorrer. Logo, a ações do Pleno são de instância única, não há duplo grau de jurisdição nestas questões.
Para corroborar com o tema, o artigo 518, §1º do CPC diz que: “O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal”.
Da mesma forma, o artigo 34, §2º da Lei 6.830/80 determina que em determinadas causas o único recurso cabível será examinado pelo próprio juiz que proferiu a decisão.
Art. 34 - Das sentenças de primeira instância proferidas em execuções de valor igual ou inferior a 50 (cinqüenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, só se admitirão embargos infringentes e de declaração.
§ 2º - Os embargos infringentes, instruídos, ou não, com documentos novos, serão deduzidos, no prazo de 10 (dez) dias perante o mesmo Juízo, em petição fundamentada.
O artigo 5º, inciso LV diz que:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
Há uma referência expressa ao contraditório e ampla defesa. A expressão “recursos” deve ser analisada
latu sensu, está se referindo aos meios de defesa e não propriamente aos recursos.
O princípio do duplo grau de jurisdição não foi assegurado constitucionalmente, mas não retira a garantia do princípio, pois os princípios são informadores do direito.
QUADRO COMPARATIVO
Direito positivado. Está expresso na própria constituição.
Informadores do direito.
2. PRINCÍPIO DA TAXATIVIDADE
Só existem os recursos previstos expressamente em lei.
3. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE OU SINGULARIDADE RECURSAL A Lei é típica, cada tipo de objetivo recursal só comporta um recurso.
4. PRINCÍPIO DA VOLUNTARIEDADE
A atividade recursal é sempre voluntária. Ninguém é obrigado a propor ação, assim como ninguém é obrigado a recorrer. Não existe recurso de ofício.
O artigo 475 do CPC trata do duplo exame ou reexame necessário. Não se confunde com a atividade recursal. O recurso é sempre voluntário para aquele que não obteve do provimento jurisdicional tudo o que era lícito.
Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
O reexame necessário só se aplica quando o juízo ordinário for órgão de juízo monocrático. Se for pelo Tribunal o reexame não existirá.
5. PRINCIPIO DA FUNGIBILIDADE
Informa o processo em geral, acompanha o princípio da instrumentalidade das formas.
É aceitar a substituição de algum ato errado em lugar daquele que seria correto. Este princípio é rigorosamente informado pelo principio da taxatividade e é incompatível com o sistema atual.
O sistema é tão preciso na taxatividade que é impossível que se tenha dúvida razoável quanto ao tipo recursal para cada situação (salvo erro grosseiro ou ma fé), logo, o principio da fungibilidade é muito difícil de ser aplicado.
III - ATOS RECORRÍVEIS:
a) Singulares = Sentenças (art. 162, §1º do CPC); Decisões Interlocutórias (art. 162, §2º do CPC)
§ 1o Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei. § 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente. b) Despachos (art. 162, §3º do CPC) – atos irrecorríveis (art. 504 do CPC)
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
c) Colegiados = Acórdão (art. 163 do CPC)
Art. 163. Recebe a denominação de acórdão o julgamento proferido pelos tribunais. IV - OBJETIVOS DO RECURSO
A reforma da decisão é um dos objetivos principais do recurso. Entende-se que a decisão é válida, mas injusta. Chama-se de error in judicando, que é a substituição por uma sentença mais justa.
Outro objetivo é a anulação da decisão ou invalidação por conter vício em sua formação, um vício de ordem processual que macula a decisão. Trata-se de error in procedendo, neste caso o objetivo é a invalidação da decisão.
QUADRO COMPARATIVO
MODIFICAÇÃO INVALIDAÇÃO
Error in judicando Error in procedendo
Objetivo é a modificação da sentença Objetivo é a invalidação da sentença
Estes 2 objetivos podem ser cumulados em um único recurso, pois rege-se pelo principio da eventualidade, não dá para recorrer duas vezes. Se o primeiro não for acolhido não pode pedir o segundo depois. Primeiro se requer a invalidação do ato, mas se o ato for considerado válido o segundo requerimento é o da modificação. Como todo ato processual envolve a localização da existência do direito e a forma adequada para exerce-lo. Há avaliação da existência do direito e a forma adequada de exercício do direito. A avaliação serve para admitir como validar o exercício do ato.
A avaliação é feita quando propõe o recurso. No primeiro momento que se examina a petição inicial há um exame de admissibilidade. O juiz verifica se estão presentes as condições da ação e os pressupostos processuais. Este ato se chama juízo de admissibilidade.
Quando o réu contesta também ocorre o juízo de admissibilidade. Sempre que um ato é praticado, examina-se a admissibilidade. Sempre será necessário verificar se existe um direito e se ele foi aplicado corretamente.
V - RECURSOS PREVISTOS NO SISTEMA DO CPC:
Conforme o Artigo 496 do CPC, são cabíveis os seguintes recursos: Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos:
I - apelação; II - agravo;
III - embargos infringentes; IV - embargos de declaração; V - recurso ordinário; Vl - recurso especial; Vll - recurso extraordinário;
VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário 1. APELAÇÃO
Previsto nos artigos 513 a 521 do CPC. É o recurso que dá origem aos demais. É cabível contra sentença de primeiro grau de jurisdição. Aquela que é proferida por juiz monocrático;
Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei. (art. 162, §1º).
Sentença é o ato do juiz de primeiro grau que:
Extingue o processo sem julgamento do mérito (não há condições de prosseguimento para analisar o conflito de interesses)
Ou que resolve o processo com julgamento do mérito. Não põe fim ao processo, pois se a sentença for condenatória o processo prosseguirá até que haja a satisfação do crédito.
A sentença do artigo 795 põe fim ao processo.
Art. 795. A extinção só produz efeito quando declarada por sentença.
O recurso cabível da sentença do artigo 267 (resolução sem mérito), 269 (com mérito) e do artigo 795 é apelação.
2. AGRAVO
É cabível contra decisão interlocutória. Está previsto nos artigos 522 a 529 do CPC.
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente. Decisão interlocutória não é nem sentença nem despacho.
A decisão que indefere o processamento da reconvenção é uma decisão interlocutória, porque a ação originária continua, o processo não foi extinto, sobrou processo.
Se a petição inicial fosse indeferida caberia apelação e não agravo, pois não sobraria nada do indeferimento, o processo seria extinto sem julgamento do mérito.
Todo ato com conteúdo decisório que não põe fim ao processo é sempre decisão interlocutória. Agravo é gênero, cujas espécies são: agravo de instrumento e agravo retido.
Das decisões interlocutórias cabe agravo.
Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por instrumento.
ATENÇÃO DESPACHOS
São atos de impulsionamento do processo. São atos sem conteúdo decisório. Não são recorríveis poeque não tem conteúdo decisório, não prejudica nem beneficia nenhuma das partes.
§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma.
O artigo 504 diz que:
Art. 504. Dos despachos não cabe recurso. 3. EMBARGOS INFRINGENTES
Previsto nos artigos 530 a 534.
Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência.
Os embargos infringentes só cabem contra 2 tipos de acórdãos: 1. quando o acórdão que julgar procedente a ação
rescisória for um acórdão não unânime (a maioria deu provimento, mas um não).
É exclusivamente em favor do réu da ação rescisória com o objetivo de manter a coisa julgada.
2. quando for dado provimento a apelação para reformar a sentença de mérito por decisão não unânime, quando houver pelo menos um voto que mantém a solução da sentença de mérito.
Só podem ser opostos pelo apelado. O objetivo é a manutenção da sentença de primeiro grau.
ATENÇÃO
Não é qualquer decisão não unânime que comporta os embargos infringentes. Eles só cabem nas hipóteses acimas.
4. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Previsto nos artigos 535 a 538 do CPC. Não é recurso. Cabe contra qualquer tipo de decisão, seja decisão proferida por juiz monocrático (sentença de primeiro grau), seja decisão proferida pelo tribunal (acórdão).
Art. 535. Cabem embargos de declaração quando:
I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.
Os embargos são julgados pela mesma autoridade que proferiu a decisão embargada. A sua oposição não impede que depois seja interposto outro recurso com efeito modificativo.
Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de outros recursos, salvo no caso da lei nº 9.099, pois segundo o artigo 50, eles suspendem1.
Art. 538. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes.
Os embargos tem por objetivo o esclarecimento ou a complementação da decisão embargada. Ele não tem as características dos demais tipos recursais.
5. RECURSO ORDINÁRIO
Previsto nos artigos 539 a 540 do CPC e artigos 102, II e 105 da CF. Conhecido como recurso ordinário constitucional.
Art. 539. Serão julgados em recurso ordinário:
I - pelo Supremo Tribunal Federal, II - pelo Superior Tribunal de Justiça:
• os mandados de segurança a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;
• os habeas data b) as causas em que forem partes, de um lado,
Estado estrangeiro ou organismo internacional e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.
• e os mandados de injunção decididos em única instância pelos Tribunais superiores, quando denegatória a decisão;
Parágrafo único. Nas causas referidas no inciso II, alínea b, caberá agravo das decisões interlocutórias.
Art. 540. Aos recursos mencionados no artigo anterior aplica-se, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento no juízo de origem, o disposto nos Capítulos II e III deste Título, observando-se, no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, o disposto nos seus regimentos internos.
O recurso ordinário é julgado pelo STF quando desempenhar o papel de órgão jurisdicional de 2º grau. É sempre de competência dos Tribunais Superiores (STF ou STJ), normalmente tem conteúdo de apelação, mas como é julgado pelo tribunal superior chama-se Recurso Ordinário. Tem a função de propiciar o duplo grau de jurisdição, sendo que nesses casos o reexame é feito por um tribunal superior. Recurso que faz as vezes da apelação ou do agravo de instrumento, combatendo as sentenças ou as decisões interlocutórias proferidas por tribunais, quando estes têm competência originária para analisar a demanda.
O recurso ordinário constitucional por ter conteúdo de apelação, por força do artigo 540, terá os mesmos efeitos do recurso de apelação. Assim, os efeitos decorrentes de sua interposição são:
a) impeditivo èèèè impedindo o trânsito em julgado da sentença recorrida;
b) dilatório èèè já que um maior número de atos são produzidos, prorroga o procedimento. è
c) suspensivo pleno èèè em regra, salvo nas hipóteses dos incisos do artigo 520; obsta a concretização imediata è dos efeitos produzidos pelo ato decisório recorrido (arts. 497 e 520)
d) devolutivo pleno èèè transferência do poder de julgar a matéria já decidida, limitado à impugnação (art. 515 do è CPC)
6. RECURSO ESPECIAL
Previsto nos artigos 541 a 545 do CPC e 105, III da CF. Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
É contra acórdão proferido pela justiça comum. O STJ é órgão de cúpula da justiça comum (estadual ou federal).
O recurso especial é cabível contra decisões de única ou última instância.
Decisão de última instância é quando os tribunais julgam como órgão de segundo grau.
Decisão de única instância é quando os tribunais exercem competência originária (via de regra não comportam recurso).
7. RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Cabimento previsto nos artigos 541 a 545 do CPC e 102, III da CF.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.
As decisões podem ser de qualquer órgão de jurisdição, desde que se enquadre em única ou última instância. Não é cabível das decisões proferidas contra o recurso especial, porque aí não é última instância e sim instância extraordinária. Última instância, no caso, seriam as decisões do TJ ou do TRF.
STF Súmula nº 640
Cabimento - Recurso Extraordinário - Decisão de Juiz de Primeiro Grau - Causas de Alçada ou Turma Recursal de Juizado Especial Cível e Criminal
É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal.
As decisões das turmas recursais são decisões de última instância.
Ambos os recursos excepcionais podem ser exercitados simultaneamente contra uma mesma decisão sem ferir o princípio da singularidade, visto que cada um se volta contra uma questão afeta à sua área
(constitucional ou lei federal), em partes distintas da decisão. Em regra, o recurso especial é julgado primeiro e depois o extraordinário, já que ambos se processam nos mesmos autos.
Depois do recurso extraordinário, deveriam estar previstos mais dois recursos: agravo contra decisão denegatória de recurso especial e recurso extraordinário e agravo interno.
8. AGRAVO CONTRA DECISÃO DENEGATÓRIA DE RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO Previsto no artigo 544 do CPC.
Art. 544. Não admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, caberá agravo nos próprios autos, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 12.322, de 2010)
A redação do artigo 544 foi alterada em dezembro de 2010, antes o nome era agravo de instrumento, agora é agravo contra decisão denegatória.
É cabível se não for admitido o processamento do recurso especial ou extraordinário no juízo originário. O agravante deverá interpor um agravo para cada recurso não admitido (art. 545. § 1o ).
A petição de agravo será dirigida à presidência do tribunal de origem, não dependendo do pagamento de custas e despesas postais. O agravado será intimado, de imediato, para no prazo de 10 (dez) dias oferecer resposta, podendo instruí-la com cópias das peças que entender conveniente. Em seguida, subirá o agravo ao tribunal superior, onde será processado na forma regimental (art. 545. § 2o)
O agravado será intimado, de imediato, para no prazo de 10 (dez) dias oferecer resposta. Em seguida, os autos serão remetidos à superior instância, observando-se o disposto no art. 543 deste Código e, no que couber, na Lei no 11.672, de 8 de maio de 2008 (art. 545.§ 3o ).
No Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, o julgamento do agravo obedecerá ao disposto no respectivo regimento interno, podendo o relator: (art. 545.§ 4o ).
I - não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada;
II - conhecer do agravo para:
a) negar-lhe provimento, se correta a decisão que não admitiu o recurso;
b) negar seguimento ao recurso manifestamente inadmissível, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante no tribunal;
c) dar provimento ao recurso, se o acórdão recorrido estiver em confronto com súmula ou jurisprudência dominante no tribunal.
9. AGRAVO INTERNO
É chamado pelos tribunais de agravo regimental. Está previsto nos artigos 557, §1º, 532 e 545 do CPC. 1. É cabível no agravo contra decisão denegatória de recurso especial e recurso extraordinário (art. 545 do CPC). Art. 545. Da decisão do relator que não conhecer do agravo, negar-lhe provimento ou decidir, desde logo, o recurso não admitido na origem, caberá agravo, no prazo de 5 (cinco) dias, ao órgão competente, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 557.
2. É cabível também se o recurso estiver em confronto com a súmula, neste caso, nega-se o provimento. E se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com a súmula o relator poderá dar provimento ao recurso. Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior.
§ 1o-A Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso.
§ 1o Da decisão caberá agravo, no prazo de cinco dias, ao órgão competente para o julgamento do recurso, e, se não houver retratação, o relator apresentará o processo em mesa, proferindo voto; provido o agravo, o recurso terá seguimento.
3. Caberá no caso de não serem admitidos os embargos infringentes.
Art. 532. Da decisão que não admitir os embargos caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão competente para o julgamento do recurso.
4. E por fim, é cabível também contra decisões monocráticas do Presidente na homologação de sentença estrangeira.
10. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
É um desdobramento do recurso especial e do recurso extraordinário. Previsto no artigo 546 do CPC. Não é cabível nos tribunais inferiores, somente se admite no STF e no STJ.
É cabível quando houver divergência dentro do mesmo tribunal. Se uma decisão proferida por uma turma divergir de questão anterior examinada pelo órgão, caberá embargos de divergência.
No STF os embargos de divergência são julgados pelo pleno. No STF as sessões são compostas de 2 turmas + o pleno (corte especial - órgão máximo do tribunal).
O STJ é dividido em 6 turmas organizadas em 3 sessões + corte especial. Art. 546. É embargável a decisão da turma que:
I - em recurso especial, divergir do julgamento de outra turma, da seção ou do órgão especial; Il - em recurso extraordinário, divergir do julgamento da outra turma ou do plenário
Tem por finalidade a harmonização das decisões do próprio tribunal. QUADRO COMPARATIVO Não confundir embargos infringentes com embargos de divergência.
EMBARGOS INFRINGENTES EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
Votação não unânime (a maioria deu provimento, mas um não).
Quando a decisão proferida em recurso especial ou extraordinário divergir de um entendimento anterior julgado pelo mesmo órgão, pouco importa se foi votação unânime ou maioria de votos
Só é cabível em 2 situações:
1. quando o acórdão que julgar procedente a ação rescisória for um acórdão não unânime (a maioria deu provimento, mas um não).
2. quando for dado provimento a apelação para reformar a sentença de mérito por decisão não unânime.
Art. 546. É embargável a decisão da turma que: I - em recurso especial, divergir do julgamento de outra turma, da seção ou do órgão especial;
Il - em recurso extraordinário, divergir do julgamento da outra turma ou do plenário
QUADRO RESUMO
1. APELAÇÃO É o recurso que dá origem aos demais. É cabível contra sentença de primeiro grau de jurisdição. Aquela que é proferida por juiz monocrático;
2. AGRAVO É cabível contra decisão interlocutória.
3. EMBARGOS INFRINGENTES
Os embargos infringentes só cabem contra 2 tipos de acórdãos:
1. quando o acórdão que julgar procedente a ação rescisória for um acórdão não unânime (a maioria deu provimento, mas um não).
É exclusivamente em favor do réu da ação rescisória com o objetivo de manter a coisa julgada.
2. quando for dado provimento a apelação para reformar a sentença de mérito por decisão não unânime, quando houver pelo menos um voto que mantém a solução da sentença de mérito.
Só podem ser opostos pelo apelado. O objetivo é a manutenção da sentença de primeiro grau.
4. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Cabe contra qualquer tipo de decisão, seja decisão proferida por juiz monocrático (sentença de primeiro grau), seja decisão proferida pelo tribunal (acórdão).
Cabem embargos de declaração quando:
I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.
5. RECURSO ORDINÁRIO
Conhecido como recurso ordinário constitucional. Faz as vezes da apelação ou do agravo de instrumento, combatendo as sentenças ou as decisões interlocutórias proferidas por tribunais, quando estes têm competência originária para analisar a demanda.
6. RECURSO ESPECIAL
as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
7. RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Cabível nas causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. 8. AGRAVO CONTRA DECISÃO
DENEGATÓRIA DE RECURSO ESPECIAL E RECURSO
EXTRAORDINÁRIO
É cabível se não for admitido o processamento do recurso especial ou extraordinário no juízo originário.
9. AGRAVO INTERNO
É chamado pelos tribunais de agravo regimental.
1. É cabível no agravo contra decisão denegatória de recurso especial e recurso extraordinário (art. 545 do CPC).
2. É cabível também se o recurso estiver em confronto com a súmula, neste caso, nega-se o provimento. E se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com a súmula o relator poderá dar provimento ao recurso.
3. Caberá no caso de não serem admitidos os embargos infringentes. 4. E por fim, é cabível também contra decisões monocráticas do Presidente na homologação de sentença estrangeira.
10. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
É cabível quando houver divergência dentro do mesmo tribunal. Se uma decisão proferida por uma turma divergir de questão anterior examinada pelo órgão, caberá embargos de divergência.
Tem por finalidade a harmonização das decisões do próprio tribunal.
VI - SUCEDÂNEOS RECURSAIS 1. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL
Ideia de substituição. Natureza diversa, mas que substitui o original. Não são recursos, não tem natureza recursal, mas têm características que se assemelham as efeitos dos recursos.
São remédios jurídicos usados no lugar do recurso ou efeitos semelhantes a ele.
É cabível apenas perante o STF e STJ. Previsto nos artigos 102, I, l e 103A, §3º e 105, I, F da CF. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente:
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
Art. 103-A § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso."
Tem um alcance vinculativo. Não vincula só o poder judiciário, vincula também os órgãos da administração. Cabe contra qualquer decisão de órgão administrativo ou jurisdicional que contrariar a súmula vinculante.
A natureza jurídica da reclamação é que ela é um incidente processual. Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
A reclamação constitucional cabe contra decisões que tenham descumprido decisões destes tribunais ou que tenham examinado matérias exclusivas desses tribunais.
Exemplo: juiz de primeiro grau que homologou uma sentença estrangeira. 2. MEDIDA CAUTELAR
Tem por objetivo emprestar efeito suspensivo aos recursos excepcionais, já que eles tem efeito suspensivo reduzido, sendo possível a execução provisória da decisão recorrida e não existe agravo que suspenda os efeitos de tal recurso. Para que a cautelar tenha cabimento é necessário que estejam presentes o
O tribunal superior aceita a medida cautelar para conferir efeito suspensivo se o recurso excepcional já tiver sido admitido no juízo a quo. Esta é a única hipótese em que a medida cautelar é utilizada como sucedâneo recursal, porque os recursos ordinários têm o agravo. O artigo 522, Segunda parte, prevê que caberá agravo de instrumento contra a decisão que declara os efeitos na qual a apelação é recebida.
STF Súmula nº 634
Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem.
STF Súmula nº 635
Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade.
VII – JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Dois juízos (dois exames) da presença dos requisitos para o exercício do recurso.
1. PROVISÓRIO
É exercido pela autoridade da qual se recorre (juízo a quo). O artigo 518, §2º do CPC diz como se dá a atividade do exame de admissibilidade provisório.
Art. 518. § 2o Apresentada a resposta, é facultado ao juiz, em cinco dias, o reexame dos pressupostos de admissibilidade do recurso.
No juízo de admissibilidade provisório: a) impede o trânsito em julgado. b) Suspende os efeitos da sentença;
POSITIVO NEGATIVO
Na decisão provisória positiva (aquela que admitir o processamento) o exame é feito pelo Tribunal. Se o recurso é conhecido entendeu-se que estavam presentes os pressupostos de admissibilidade. O mérito são as razões do inconformismo, podem ser de ordem processual ou material. O provimento é o mérito.
O juiz não admitiu o processamento do recurso. Neste caso, o sistema garante um recurso que será examinado pelo órgão que deveria conhecer do recurso não admitido. Trata-se de agravo de instrumento (art. 522).
Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, Quando será admitida a sua interposição por instrumento.
Sempre que a decisão for negativa, haverá um recurso para o órgão jurisdicional.
Positivo: irrecorrível e não-vinculante Negativo: agravável 1. Provisório a quo
1. Positivo
2. Negativo 2. Definitivo Ad quem
2. DEFINITIVO
Será exercitado no momento do julgamento. O efeito do julgamento do mérito é:
a) Quando se objetiva a invalidação da sentença: b) Quando se objetiva a modificação da sentença: Anula-se a sentença e o processo será enviado ao juiz
competente para que profira decisão válida.
Quando acolhido o recurso que objetiva anular a decisão, o efeito do provimento do recurso é o retorno do processo a origem para que se profira uma nova decisão.
Salvo no caso do artigo 515, §3º, pois neste caso, os autos não retornarão ao juízo a quo, o próprio tribunal anula a sentença terminativa e julga o mérito para declarar procedente ou improcedente o pedido do autor.
Se o objetivo do recorrente for a modificação da decisão, o efeito será o previsto no artigo 512, ou seja, a segunda decisão substitui a primeira e o que não foi objeto do recurso já transitou em julgado.
Art. 515. § 3o Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento.
Art. 512. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso.
VIII - REQUISITOS (PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL)
Todo ato processual passa pelo exame de admissibilidade. Este mesmo exame se dá em relação aos recursos. Primeiramente se examinam os requisitos ou pressupostos de admissibilidade subjetivos ou intrínsecos (serve para analisar se existe o direito).
Após, examinam-se os requisitos ou pressupostos de admissibilidade objetivos ou extrínsecos (constata a regularidade do exercício do direito).
1.REQUISITOS SUBJETIVOS OU INTRÍNSECOS
Concernentes à existência do direito de recorrer. É preciso verificar se existem alguns requisitos, quais sejam:
A) CABIMENTO
É preciso verificar no sistema se existe algum tipo de recurso previsto para aquela decisão. Qual o recurso correto para a decisão recorrida.
B) LEGITIMADOS
Quem pode fazer uso deste recurso. Os legitimados estão previstos no artigo 499 do CPC.
Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público.
Parte é todo mundo que participa de um dos polos da ação na aprovação da decisão.
Parte vencida pode ser ambas as partes, os dois polos da relação. Pouco importa o gravame, ou seja, parte é aquela que não obteve tudo aquilo que era legítimo se obter daquela decisão.
O segundo legitimado é o terceiro prejudicado.
§ 1o Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o seu interesse de intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial.
O terceiro prejudicado tem interesse jurídico e deve demonstrar o prejuízo jurídico e a ligação com a demanda. O terceiro prejudicado não se confunde com o amicus curiae (este não tem interesse jurídico), pode Ter proveito moral, social, mas não jurídico.
O terceiro legitimado é o Ministério Público, como fiscal da lei. É um direito autônomo, independe de as partes recorrerem.
§ 2o O Ministério Público tem legitimidade para recorrer assim no processo em que é parte, como naqueles em que oficiou como fiscal da lei.
Para ficar mais claro o parágrafo segundo, o STJ editou a súmula 99 que diz: STJ Súmula nº 99
Ministério Público - Legitimidade - Recurso - Fiscal da Lei
O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que oficiou como fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte.
C) INTERESSE RECURSAL
Verifica-se pela necessidade e utilidade do recurso. O recurso é o único meio para se chegar ao resultado necessário.
NECESSIDADE UTILIDADE
O recurso é o único meio para se retirar o gravame causado pela sentença.
Deve haver uma possibilidade efetiva de correção do gravame.
O artigo 463 é um grande exemplo de quando o recurso é usado de forma desnecessária. Art. 463. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:
I - para Ihe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou Ihe retificar erros de cálculo;
II - por meio de embargos de declaração.
No caso do item 1, quando houver erro material pode ser corrigido a qualquer tempo por simples requerimento. Esse requerimento não interrompe o prazo para o recurso. O recurso neste caso é desnecessário, pois pode ser requerida a correção por simples requerimento da parte.
O recurso tem que ser útil, tem que poder trazer um proveito concreto para quem recorre. É sempre interposto contra o dispositivo da decisão. Não se pode recorrer contra a motivação.
A utilidade do recurso se mede pela melhoria de quem recorre. QUADRO COMPARATIVO
REQUERIMENTO DA PARTE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Serve para corrigir erro material (art. 463, I) Art. 535. Cabem embargos de declaração quando: I - houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição;
II - for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal
D) INEXISTÊNCIA DE FATO EXTINTIVO OU IMPEDITIVO DO INTERESSE RECURSAL
É um requisito ou pressuposto negativo, verifica-se a permanência da utilidade do recurso. Verifica-se se não ocorreu nenhum fato que possa impedir ou extinguir o direito de recorrer.
O artigo 501 do CPC trata da hipótese de desistência do recurso.
A desistência é um fato que extingue o interesse recursal. Não são só atos expressos, também atitudes tacitamente podem indicar a extinção do recurso, como por exemplo no caso de transação (acordo), envolve uma forma de preclusão lógica, o próprio ato é incompatível com a vontade recursal.
2. REQUISITOS OBJETIVOS OU EXTRÍNSECOS Forma do recurso.
A) REGULARIDADE FORMAL
• recurso será sempre escrito.
• recurso deve ser escrito em vernáculo (língua oficial do Brasil).
O recurso deverá conter os seguintes elementos, conforme menciona o artigo 514 do CPC: Art. 514. A apelação, interposta por petição dirigida ao juiz, conterá:
I - os nomes e a qualificação das partes; II - os fundamentos de fato e de direito; III - o pedido de nova decisão.
São elementos necessários que deverão constar em qualquer peça recursal.
A maior parte dos recursos são apresentados para o juízo a quo (aqulele que proferiu a decisão da qual se recorre – juízo inferior), mas após, são encaminhados ao juízo ad quem (aquele para qual se recorre – juízo superior).
Deve conter a qualificação das partes e as razões (são obrigatórias). É preciso identificar razões contratas pelas quais se possa dizer que aquela decisão proferida é inadequada.
São razões voltadas contra a decisão, não basta repetir as razões apresentadas na contestação. Razão é o meio pelo qual se tem para convencer o relator de que aquela decisão é inadequada.
E por último deve ser feito um requerimento de um novo julgamento. O inciso diz pedido, mas o correto seria requerimento. Este requisito fixará os limites objetivos do novo julgamento.
B) TEMPESTIVIDADE
A tempestividade é tratada no artigo 506 e no artigo 508 que trata dos prazos para interposição dos recursos. Deve ser apresentada dentro do prazo, o qual se inicia com a publicação da sentença.
A tempestividade envolve dois tipos de preclusão. 1. depois do prazo: preclusão temporal.
2. Antes do prazo: pode ocorrer de o ato ser praticado de forma errada, logo não se pode mais praticá-lo, então ocorreu a preclusão consumativa.
O artigo 506 do CPC diz quando se inicia o prazo.
Art. 506. O prazo para a interposição do recurso, aplicável em todos os casos o disposto no art. 184 e seus parágrafos, contar-se-á da data:
I - da leitura da sentença em audiência;
II - da intimação às partes, quando a sentença não for proferida em audiência; III - da publicação do dispositivo do acórdão no órgão oficial.
O prazo para interposição dos recursos de apelação, embargos infringentes, recurso ordinário, recurso especial, recurso extraordinário, embargos de divergência é de 15 dias.
Art. 508. Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e nos embargos de divergência, o prazo para interpor e para responder é de 15 (quinze) dias.
No caso de agravo (art. 522) e agravo contra decisão denegatória de recurso especial e extraordinário (art. 544) o prazo é de 10 dias
Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por instrumento.
Art. 544. Não admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, caberá agravo nos próprios autos, no prazo de 10 (dez) dias.
Para os embargos de declaração e agravo interno (regimental) o prazo é de 15 dias.
Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.
QUADRO COMPARATIVO
PRAZO DE 15 DIAS PRAZO DE 10 DIAS PRAZO DE 5 DIAS
Apelação Agravo Embargos de Declaração
Embargos Infringentes Agravo contra decisão denegatória de recurso especial e extraordinário
Agravo Interno Recurso Ordinário Recurso Especial Recurso Extraordinário Embargos de Divergência C) PREPARO
É o pagamento das custas, das taxas que são devidas ao Poder Judiciário para a prática do ato processual. O fato gerador é a prática do ato processual.
Art. 511. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção
Este requisito será examinado por quem recebe o recurso.
QUADRO COMPARARITO
1.REQUISITOS SUBJETIVOS OU INTRÍNSECOS 2.REQUISITOS OBJETIVOS OU EXTRÍNSECOS Concernentes à existência do direito de recorrer; Concernentes ao modo de exercer o recurso;
a) cabimento a) regularidade formal
b) legitimados b) tempestividade
c) interesse recursal c) preparo
d) inexistência de fato extintivo ou impeditivo do interesse recursal
IX - JUÍZO DE MÉRITO
Exame do conteúdo da impugnação (razões de inconformismo) – feito pelo órgão ‘ad quem’ (em regra). Uma vez conhecido, o recurso terá a análise de seu conteúdo, sendo essa análise limitada ao objeto específico de impugnação pela parte recorrente. No juízo de mérito o recurso é ou não provido.
X - EFEITOS DA INTERPOSIÇÃO DOS RECURSOS:
Os efeitos estão previstos em lei, logo, não há faculdade dos órgãos jurisdicionais em conceder um efeito ou outro. Aquele que se sinta prejudicado por um efeito, pode se socorrer da concessão ou retirada deste efeito. DILATÓRIO Prorroga o procedimento. Leva a prática de um maior número de atos processuais,
prorroga o fim do processo.
IMPEDITIVO Impede o trânsito em julgado/preclusão
SUSPENSIVO Obsta a concretização imediata dos efeitos produzidos pelo ato decisório recorrido (arts. 497 e 520). Impede a eficácia da decisão.
Pleno: apelação (nem provisoriamente pode executar)
Reduzido: Recurso extraordinário e especial (pode se executar provisoriamente) Ausente: agravo (pode ser executada provisoriamente).
DEVOLUTIVO Transferência do poder de julgar a matéria já decidida, limitado à impugnação (art. 515 do CPC). Devolução da matéria para nova decisão (uma devolução “pra frente”).
Previsto em todos os recursos.
EFEITO DEVOLUTIVO
Efeito devolutivo devolve a matéria e a própria capacidade de julgar. Todo recurso é dotado do efeito devolutivo. Tem seus limites estabelecidos por princípios. Efeito que o recurso ocasiona e que autoriza o novo julgamento é chamado de efeito devolutivo do recurso. Devolve a matéria e a própria capacidade de julgar ao tribunal. A jurisdição é inerte (justifica a voluntariedade do recurso) e é una.
Por intermédio do recurso há substituição da primeira vontade jurisdicional pela segunda. Transfere-se a matéria para ser examinada de novo. É a devolução da própria atividade jurisdicional (poder de julgar). Contudo, não é ilimitado.
Divide-se em limites objetivos e subjetivos:
Os limites objetivos estão tratados no caput do art. 515.
Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada.
Os limites subjetivos proíbem que o novo julgamento prejudique quem recorreu, salvo a hipótese do artigo 509 (litisconsórcio).
Art. 509. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses.
LIMITES OBJETIVOS LIMITES SUBJETIVOS
Diz respeito à matéria. Não é automaticamente toda matéria, mas somente àquela que foi objeto do recurso. Aquilo que a parte se conformou não é julgado novamente.
Fixado subjetivamente, só pode beneficiar a quem recorreu, a exceção é o litisconsórcio que beneficia a todos, caso contrário é proibido piorar a situação de quem recorreu.
Os limites objetivos dão origem ao princípio da adstrição, significa que a nova decisão está adstrita aos limites do inconformismo. As razões do inconformismo estabelecem o limite da matéria a ser examinada.
Princípio do tantum devolutum quantum apelatum (tanto
se devolve quanto foi objeto do recurso).
O segundo princípio que decorre do efeito devolutivo é o
reformatio in pejus. É proibida a reforma para pior.
Em favor de quem recorreu ou mantém-se a situação anterior ou melhora-se a decisão.
2. EFEITO SUSPENSIVO
É o efeito pelo qual a decisão recorrida em razão do recurso não pode produzir imediatamente seu cumprimento. O tipo recursal dotado de efeito suspensivo pleno é a apelação, pois nem provisoriamente pode se executar a sentença.
PLENO REDUZIDO AUSENTE
Apelação (nem provisoriamente pode executar)
Recurso extraordinário e especial (pode se executar provisoriamente)
Agravo (pode ser executada provisoriamente).
O artigo 520 prevê algumas exceções. Os efeitos estão previstos em lei, logo, não há faculdade dos órgãos jurisdicionais em conceder um efeito ou outro. Se estiver nos incisos do artigo 520, o efeito será devolutivo. Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que:
I - homologar a divisão ou a demarcação; II - condenar à prestação de alimentos; IV - decidir o processo cautelar;
V - rejeitar liminarmente embargos à execução ou julgá-los improcedentes; VI - julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem.
VII – confirmar a antecipação dos efeitos da tutela;
Nestas hipóteses é possível exigir o cumprimento da sentença. Há recursos que não são dotados do efeito suspensivo, neste caso, é possível que a parte lesada busque a concessão deste efeito.
O artigo 522, Segunda parte, prevê que caberá agravo de instrumento contra a decisão que declara os efeitos na qual a apelação é recebida..
Quando a lei concede o efeito suspensivo pleno é possível obter-se a retirada deste efeito, quando a sua presença causar dano de difícil reparação.
O recurso especial e extraordinário não são dotados de efeito suspensivo pleno, mas este efeito pode ser buscado por uma espécie de sucedâneo recursal2 (medida cautelar). Essa medida poderá ser ajuizada perante o tribunal do qual se recorre até o exame de admissibilidade deste recurso. Depois a medida cautelar deverá ser apresentada ao próprio tribunal.
As súmulas 634 e 635 do STF tratam do uso da medida cautelar. STF Súmula nº 634
Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem.
STF Súmula nº 635
Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade.
XI - CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS
a) Quanto à natureza èèè comuns (ordinários) ou excepcionais (constitucionais) è
b) Quanto à extensão èèè refere-se aos limites da devolução – total ou parcial (art. 505 do CPC). Será è obrigatoriamente parcial quando houver sucumbência recíproca. Será voluntariamente total quando impugnar a decisão na maior parte.
c) Quanto à autonomia èèè principal ou acessório (recurso adesivo – art. 500 do CPC) è XII - RECURSO NA FORMA ADESIVA
Não é uma espécie de recurso e sim uma forma.
Art. 500. Cada parte interporá o recurso, independentemente, no prazo e observadas as exigências legais. Sendo, porém, vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir a outra parte. O recurso adesivo fica subordinado ao recurso principal e se rege pelas disposições seguintes:
Requisitos específicos de admissibilidade, além dos gerais (parágrafo único do art. 500) INTRÍNSECO Sucumbência recíproca (inc. III, art. 500 do CPC)
EXTRÍNSECO Existência e admissão do recurso na forma principal
LEGITIMIDADE Exclusiva do adversário do recorrente principal (art. 500, caput)
CABIMENTO Todas as espécies recursais, exceto Agravos e Embargos de Declaração (inc. II, art. 500 do CPC)
PRAZO Mesmo prazo para resposta (contra-razões) do recurso principal – são direitos autônomos.
PROCESSAMENTO O mesmo tipo recursal
Só é possível quando há sucumbência recíproca, as duas partes são vencidas e ambas tem direito ao recurso. Uma das partes se conforma com a sua perda. Se o adversário não se conformar e recorrer, a lei diz que no prazo que a parte tem para responder ao direito, a outra parte pode recorrer adesivamente. Não é admitido em todos os tipos recursais.
II - será admissível na apelação, nos embargos infringentes, no recurso extraordinário e no recurso especial;
E se o recorrente desistir do recurso o recurso adesivo não será conhecido.
III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal, ou se for ele declarado inadmissível ou deserto
Só pode ser usado pelo adversário do recorrente principal, não é aceito pelo terceiro prejudicado, nem pelo MP e nem pelo litisconsórcio.
Dois requisitos para que seja possível a interposição do recurso adesivo: 1. decisão que gere sucumbência recíproca;
2. exista um recurso na forma principal interposto pelo adversário; XIII - PROCESSAMENTO DOS RECURSOS NOS TRIBUNAIS
Previsto nos artigos 547 a 565 do CPC.
Quando os recursos são interpostos perante o órgão jurisdicional recorrido, os autos são remetidos ao tribunal (seja remessa física ou virtual).
Os tribunais são órgãos colegiados. São formados por vários órgãos judicantes.
Órgão fracionário mínimo: é formado por turmas (Justiça Federal) ou Câmaras (Justiça Estadual), é o menor órgão de todo o tribunal, normalmente é o órgão que julga os recursos.
“Pinguim” é uma expressão utilizada para os juizes convocados (substitutos) de 1º instância. Órgão máximo é o pleno (STF), corte especial (STJ), órgão especial (TJ).
Todo tribunal tem um órgão máximo. Pleno é quando todos os integrantes participam. Corte especial e órgão especial é quando há uma representatividade dos órgãos no tribunal.
Alguns recursos, além do relator, tem um revisor que também estuda diretamente a documentação do processo.
O artigo 557 traz uma exceção ao julgador colegiado. Prevê hipóteses em que são conferidos poderes especiais ao relator. Ele pode julgar sozinho o recurso (monocraticamente).
Art. 557. O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior.
1. Quando for inadmissível (não há condição de ter o mérito analisado) o próprio relator não conhecerá do recurso.
2. Quando ficar prejudicado (exemplo: desistência ou transação).
3. Quando for manifestamente improcedente, o correto seria dizer incabível, intempestivo.
O §1º-A do artigo 557 do CPC traz a hipótese da decisão recorrida infringir súmula ou jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores.
§ 1o-A Se a decisão recorrida estiver em manifesto confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento ao recurso.
Se a decisão estiver em confronto com a súmula, o relator conhecerá do recurso e lhe dará provimento para aplicar a súmula ou a jurisprudência dominante.
Quando não ocorrer as hipóteses do artigo 557, o julgamento será feito por órgão colegiado.
Com exceção do agravo interno e dos embargos de declaração, em todos os demais recursos as partes serão intimadas com no mínimo 48 horas da data do julgamento. Isso ocorre por 2 motivos:
1. As partes podem assistir ao julgamento, pois eles são públicos.
2. Conforme o artigo 565 e 565 há possibilidade do procurador da parte fazer sustentação oral.
O julgamento se inicia com a leitura do relatório pelo relator. Primeiramente o colegiado conhece ou não do recurso. Se não conhecer, o julgamento termina. Se for conhecido passa-se para o segundo momento que é o julgamento do mérito.
Cada julgador julga conforme sua consciência. O voto é individual e se o julgador não se sentir preparado para julgar após ouvir o relatório, ele poderá requerer vista do processo para exame. Por conseqüência, isso levará a suspensão do julgamento.
Só termina o julgamento quando o presidente proclama o resultado. Até este momento é possível os julgadores mudarem o voto.
A decisão proferida nos recursos só se torna vinculativa às partes quando realizado o descrito no inciso III do artigo 506.
Art. 506. O prazo para a interposição do recurso, aplicável em todos os casos o disposto no art. 184 e seus parágrafos, contar-se-á da data:
III - da publicação do dispositivo do acórdão no órgão oficial.
Relator Todos os recursos (art. 549 do CPC)
Revisão Nas hipóteses do art. 551 do CPC, ressalvado o §3º Sessão de Julgamento Intimação da pauta – 48h - §1º do art. 552 do CPC
Sustentação dos advogados das partes (art. 565 do CPC), exceto em Agravo e Embargos de Declaração (art. 554 do CPC)
Julgamento Votos (art. 555 do CPC)
XIV - EFEITOS DO JULGAMENTO DOS RECURSOS
Objetivos do julgamento do recurso: modificação da decisão recorrida (Error in judicando) ou invalidação da decisão recorrida (Error in procedendo).
Se o recurso não for conhecido ocorre preclusão da decisão recorrida, retroativa ao momento da interposição do recurso. Se for conhecido, passa-se ao exame do mérito, negando ou concedendo provimento. Se for negado significa que a impugnação foi infundada. Se conhecido, quer dizer que a impugnação foi fundada e busca-se a reforma da decisão ou a anulação.
QUADRO COMPARATIVO
RECURSO NÃO CONHECIDO RECURSO CONHECIDO
Se o recurso não for conhecido, a decisão recorrida terá transitado em julgado na data de sua publicação, (se a decisão for irrecorrível); ou no momento em que ocorreu o fato causador da inadmissibilidade.
Passa-se ao exame do mérito, dando ou negando provimento às razões do inconformismo.
Se o recurso for conhecido, há 2 possibilidades:
A) Negado provimento B) Provido o provimento Infundada a impugnação Fundada a impugnação.
Hipóteses:
error in judicando error in procedendo
Reforma da solução jurídica3 Anulação da decisão XI – ESPÉCIES DE RECURSOS 1. APELAÇÃO
Está regulada nos artigos 513 a 521. Salvo previsão em contrário é um recurso ordinário incondicionado que cabe contra sentença proferida na Justiça Comum de primeiro grau de jurisdição.
É cabível contra o ato judicial (art. 513) em primeira instância que implique em alguma das situações
previstas nos artigos 267, 269 (CPC, art. 162, § 1º) e art. 795 CPC, salvo nas hipóteses excluídas pelo § 1o. do art. 518 do CPC; Lei n.º 6.830/80 e pela Lei n. 9.099/95 (art. 41).
SENTENÇAS QUE NÃO COMPORTAM O RECURSO DE APELAÇÃO: a) art. 34 da Lei 6.830/80: Sentenças
proferidas em executivos fiscais, com valor equivalente a 50 OTN.
É cabível o recurso de embargos infringentes, examinado pelo próprio prolator da decisão (não confundir com os embargos infringentes do CPC).
b) art. 41 da Lei 9.099/95: sentenças proferidas nos Juizados Especiais Cíveis.
É cabível o recurso inominado, que é examinado pelo Colégio Recursal, composto por juízes de 1° instância.
c) art. 518, § 1°, CPC4: a sentença que estiver de acordo com súmula do STF e/ou do STJ será irrecorrível.
Irrecorribilidade limitada à matéria de que a súmula trata (demais capítulos da sentença serão recorríveis).
É evidência de que o duplo grau não é uma garantia constitucional. 3. Lei 10.259/01 (Juizados Federais) também prevê recurso para as turmas recursais, mas não cabe apelação.
Salvo estes casos, a apelação é cabível em sentença proferida em qualquer processo (conhecimento, execução, etc), independente do conteúdo da sentença, por isso é um recurso ordinário incondicionado.
3
A decisão proferida no recurso substitui a decisão recorrida nos limites da impugnação (art. 512 do CPC). 4
§ 1o O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal.
CABIMENTO
Art. 513. Da sentença caberá apelação (arts. 267 e 269).
Recurso cabível contra a sentença terminativa (267), definitiva (269) ou que declare encerrada a execução. (795).
Sentença definitiva: apenas cabe apelação nas hipóteses dos incisos I e IV (as demais hipóteses são de autocomposição), sendo cabível o pedido de reforma da decisão.
Sentença terminativa: é cabível o pedido de anulação da decisão. LEGITIMADOS
Os legitimados são todos do art. 499, quais sejam: parte vencida; terceiro prejudicado; Ministério Público (fiscal da lei).
INTERESSE RECURSAL - OBJETIVO:
Impugnação total ou parcial da sentença para sua anulação ou a reforma da solução jurídica adotada. Exame de questões de fato e direito processual ou material.
Objetivos da apelação:
• Modificação da solução jurídica; • Anulação da decisão.
ADMISSIBILIDADE
A interposição se dá perante o juiz que proferiu a sentença. Dirige-se aos próprios autos no qual a sentença foi proferida.
Admitido pelo juízo a quo, abre-se o prazo para a parte contrária apresentar contrarrazões. Não admitido pelo juízo, caberá agravo por instrumento dessa decisão.
O prazo conta-se de acordo com o artigo 506, I e II e é de 15 dias (art. 508). Quando a sentença gerar sucumbência recíproca admite-se a forma adesiva prevista no artigo 500, II. Garante ao adversário a apresentação de resposta no prazo de 15 dias.
O preparo (custas) é uma taxa, prevista em lei ou portaria e é fato gerador de incidência tributária.
O recurso de apelação é dotado de efeito devolutivo próprio, leva a questão do julgamento a outro órgão. Entretanto, o artigo 296 e o §1º do 285-A, preveem duas exceções à devolução operada pela apelação ao juiz da causa para que examine a decisão. Permite que o próprio juiz possa se retratar. A devolução é apenas para o juiz anular sua decisão se retratando.
Regra: a apelação não possibilita o juízo de retratação, pois a sentença encerra a jurisdição e não pode mais ser alterada pelo prolator, salvo nas hipóteses do art. 463 do CPC (embargos de declaração ou erro material).
Contudo, há exceções, quais sejam:
Art. 296. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão.
Parágrafo único. Não sendo reformada a decisão, os autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente.
Trata-se de sentença na qual se aplica uma das hipóteses do artigo 295 para extinguir o processo com sentença terminativa (sem mérito), salvo no caso do inciso IV (sentença com mérito), pois o juiz não pode julgar quando operar prescrição ou decadência.
O objetivo é a anulação da sentença terminativa. Nestas hipóteses, interposto pelo autor o recurso, o juiz terá um prazo de 48 horas para se retratar (reformar sua decisão). Se ele reformar sua decisão, o réu será citado.
Se não houver retratação o artigo 296 estabelece que imediatamente o juiz mande o processo para o tribunal. Neste caso, não haverá citação do réu. Ele só será citado se houver reforma da apelação pelo tribunal, pois aí o processo retornará ao juízo de primeiro grau e prosseguirá normalmente.
No caso de prescrição ou decadência o réu será apenas cientificado do trânsito em julgado da decisão.
PROVIDA A APELAÇÃO NEGADA A APELAÇÃO
O réu será citado. Não há citação do réu. O processo será encaminhado ao Tribunal.
Art. 285-A. Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser dispensada a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente prolatada.
O artigo 285-A é uma forma de julgamento e está dentro do exame de admissibilidade. Trata-se de improcedência liminar. Ao contrário do artigo 295, o juiz proferirá sentença de mérito, mesmo que não tenha sido citado o réu. Só envolve matéria de direito. Não são causas idênticas, são questões idênticas entre partes distintas. Neste caso, o juiz já formou sua convicção e ele pode julgar improcedente. É uma questão que versa sobre direitos e não de provas. É também chamado de improcedência prima face ou improcedência liminar. § 1o Se o autor apelar, é facultado ao juiz decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter a sentença e determinar o prosseguimento da ação.
No caso do §1º do artigo 285-A, há possibilidade de retratação por parte do juiz. Ele pode cassar a sentença, anular e dar prosseguimento ao processo.
§ 2o Caso seja mantida a sentença, será ordenada a citação do réu para responder ao recurso
Conforme o §2º, se ele não cassar a decisão e ratificar, haverá a citação do réu para apresentar contra-razões, se quiser. Contudo, a ausência de manifestação não importará revelia. Se for anulada a sentença, ele será intimado para oferecer contestação. Se o réu foi citado e não apresentou contra-razões o tribunal não pode mudar a decisão, só pode anular.
a) art. 296, CPC: b) art. 285-A, CPC:
indeferimento da petição inicial e interposição de apelação.
improcedência prima-face: diante de relações jurídicas individuais repetitivas, que envolvem a mesma questão de direito, se o juiz houver se convencido pela improcedência em casos anteriores, pode julgar liminarmente o pedido no mesmo sentido.
Sentença que indefere a inicial: hipóteses de sentença terminativa e que declara a prescrição ou decadência (269, IV e 295, IV, CPC).
Sentença que decide o mérito (269, I, CPC).
O juiz pode cassar a sua própria decisão em até 48 horas.
O juiz pode cassar a sua decisão em até 5 dias (285-A, § 1°, CPC).
Mantida a sentença, a apelação será processada, com a remessa dos autos para o Tribunal (só haverá citação do réu se for negada a apelação).
Mantida a sentença, o réu será citado para apresentar contrarrazões.
Provimento da apelação: só pode ter como resultado a cassação da decisão.
Provimento da apelação: pode levar a anulação da sentença, ou a reforma da solução jurídica.
Tirando as exceções dos artigos 296 e 285-A, normalmente a apelação devolve ao tribunal o conhecimento da matéria.