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Educação financeira das famílias de baixa renda na cidade de Currais Novos/RN

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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

ANA BEATRIZ SILVA BRITO

EDUCAÇÃO FINANCEIRA DAS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA NA CIDADE DE CURRAIS NOVOS/RN

CURRAIS NOVOS 2019

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ANA BEATRIZ SILVA BRITO

EDUCAÇÃO FINANCEIRA DAS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA NA CIDADE DE CURRAIS NOVOS/RN

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de bacharel em Administração. Orientador(a): Profa. Dra. Andrea Cristina Santos de Jesus

CURRAIS NOVOS 2019

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro de Ensino Superior do Seridó - CERES Currais Novos

Brito, Ana Beatriz Silva.

Educação financeira das famílias de baixa renda na cidade de Currais Novos / RN / Ana Beatriz Silva Brito. - 2019.

63 f.: il. color.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Graduação em

Administração. Currais Novos, RN, 2019.

Orientadora: Profa. Dra. Andrea Cristina Santos de Jesus.

1. Renda familiar - Monografia. 2. Crédito - Monografia. 3. Consumo - Monografia. 4. Poupança - Monografia. 5. Investimento - Monografia. I. Jesus, Andrea Cristina Santos de. II. Título. RN/UF/BSCN CDU 658.15

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ANA BEATRIZ SILVA BRITO

EDUCAÇÃO FINANCEIRA DAS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA NA CIDADE DE CURRAIS NOVOS/RN

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de bacharel em Administração.

Aprovado em: ______ de __________ de ________

_____________________________________________ Dra. Andréa Cristina Santos de Jesus – UFRN

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Dedico este trabalho a toda minha família, sobretudo a minha querida mãe e a meu companheiro, que estiveram sempre dispostos a me oferecer o apoio necessário.

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AGRADECIMENTOS

Sou grata a toda minha família por todo apoio ao longo da graduação e pela compreensão nos meus momentos de ausência.

A Deus por me permitir chegar até aqui e concluir com sucesso mais uma importante etapa da minha vida, que me trouxe muito aprendizado, que vão além do título a mim conferido.

A meus colegas de curso, que passaram comigo todos os momentos bons e alegres, como também os momentos aflitos e de dificuldade. Em toda essa trajetória que passamos juntos, foi possível construir um grande aprendizado e o fortalecimento de laços de amizade e parceria.

Aos queridos professores que passaram por minha vida ao longo desse 4,5 anos, aos quais devo muito, por terem compartilhado comigo parte de seu vasto conhecimento e pelas palavras de motivação de muitos.

Por ultimo e não mesmo importante, agradeço a minha orientadora Profa. Dra. Andrea Cristina, pela excelentíssima professora que foi ao longo do curso e pela sabedoria com que me guiou nesta trajetória.

Agradeço a todos que fizeram parte da minha vida ao longo desse período, tenho a convicção que todos foram fundamentais para a garantia do meu êxito.

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“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.” (Peter Drucker).

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RESUMO

O relacionamento que as famílias brasileiras possuem com a renda nem sempre é a mais coerente, informações como esta podem ser confirmadas pelo grau de endividamento da população que só cresce no país. A dinâmica que se espera dos indivíduos diante aos recursos financeiros, devem estar ligadas ao objetivo de acúmulo de riquezas, de reservas e de investimento. Essa lógica de otimização e seguridade desses recursos pode definir o que seria considerado como uma boa gestão das finanças pessoais. Para que isso seja viável, é necessário que o indivíduo possua certo conhecimento no âmbito financeiro, o que possibilitaria o desenvolvimento de habilidades de tomadas de decisões mais acertadas, melhor fundamentadas e seguras, de forma que garantisse o bom uso dos recursos financeiros provenientes da renda familiar. O objetivo desse trabalho foi o de realizar uma análise no nível de Educação financeira das famílias de baixa renda na cidade de Currais Novos/RN, buscando compreender como essas famílias lidam com o orçamento familiar, principalmente em relação ao uso do crédito, práticas de consumo e ações de poupança e investimento. Trata-se de uma pesquisa quantitativa-qualitativa, onde buscou-se trazer além de respostas exatas, a ótica individual de cada entrevistado em relação ao lócus da pesquisa; com finalidades exploratórias-descritivas, onde além de tomar como base estudos já realizados sobre assunto, houve também o intuito de exploração uma situação inédita e específica; fazendo uso de procedimentos de campo, documental e bibliográfico para a obtenção dos resultados necessários para satisfazer os objetivos da pesquisa; a coleta de dados foi realizada através da aplicação de questionários; e a técnica de análise utilizada foi a de conteúdo. Com os resultados, foi possível constatar que as famílias analisadas possuem pouco ou nenhum conhecimento sobre educação financeira, onde a grande maioria não faz não nem uma forma de controle de sua renda. Em relação ao crédito, por se tratar de famílias de baixa renda, a sua disponibilidade se torna muitos reduzida, portanto a maior parte dessas famílias tem sequer acesso a formas de crédito. Sobre as práticas de consumo, a maioria dos pesquisados garantem ser conscientes no momento da compra, e que analisam a real necessidade de um produto ou serviço antes de efetuar a compra. No que tange as ações de poupança e investimentos por partes dos pesquisados, constatou-se que, devido às disponibilidades financeiras das famílias estudadas não

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permitirem que elas possam fazer reservas de parte de sua renda, impossibilitando possíveis ações de poupança e consequentemente de investimentos. Demonstraram ainda não possuir conhecimento satisfatório que permitisse que estes estivessem aptos a investir, caso tivessem a oportunidade.

Palavras-chave: Renda familiar. Crédito. Consumo. Poupança. Investimento.

ABSTRACT

The relationship that Brazilian families have with income is not always the most coherent, information such as this can be confirmed by the degree of indebtedness of the population that only grows in the country. The dynamics expected of individuals with regard to financial resources must be linked to the goal of accumulation of wealth, reserves and investment. This logic of optimization and security of these resources can define what would be considered as a good management of personal finances. For this to be feasible, it is necessary for the individual to have some knowledge in the financial field, which would enable the development of decision-making skills that are more accurate, better informed and safe, so as to guarantee the proper use of financial resources from income family. The objective of this article was to perform an analysis in the level of Financial Education of low income families in the city of Currais Novos/RN, trying to understand how these families deal with the family budget, mainly in relation to the use of credit, consumption practices and savings and investment actions. This is a quantitative-qualitative research, where we sought to bring beyond exact answers, the individual perspective of each interviewee in relation to the locus of the research; with exploratory-descriptive purposes, where in addition to taking as basis studies already carried out on the subject, there was also the intention of exploring an unprecedented and specific situation; making use of field, documentary and bibliographic procedures to obtain the necessary results to satisfy the research objectives; the data collection was performed through the application of questionnaires; and the analysis technique used was that of content. With the results, it was possible that debts had been evaluated in some financial situations, where most were not even a form of income control. With regard to credit, for example, deal with income families as it becomes much smaller, so a greater number of households have access to a form of credit. About consumer practices,

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most guaranteed insurance is not a time of purchase, and they analyze the need for a product or service before making a purchase. With regard to investment actions and investment in research groups, investment infrastructures can not be carried out, and make savings and consequently investments impossible. We also demonstrate that we do not possess a satisfactory knowledge that allows them to be available for a bet if they have an opportunity.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Definição de classes sociais de acordo com a renda ... 21 Tabela 2 - Divisão da distribuição das classes sociais por região ... 22 Tabela 3 - Nível de endividamento do consumidor ... 26

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Endividamento por faixa de renda ... 27

Gráfico 2 - Principais tipos de dívida ... 27

Gráfico 3 - Sexo ... 35

Gráfico 4 - Idade ... 35

Gráfico 5 - Estado civil ... 36

Gráfico 6 - Nível de escolaridade ... 37

Gráfico 7 - Quantidade de pessoas que compõem a família ... Erro! Indicador não definido. Nenhuma entrada de índice de ilustrações foi encontrada.Gráfico 9 - Renda familiar ... 40

Gráfico 10 - Pessoas da família que contribuem para a renda... 41

Gráfico 11 - Informações recebidas acerca da Educação Financeira ... 42

Gráfico 12 - Conhecimento sobre orçamento familiar ... 43

Gráfico 13 - Realização de formas de controle da renda familiar ... 44

Gráfico 14 - Uso do crédito... 45

Gráfico 15 - Análise de compra (planejamento de consumo) ... 46

Gráfico 16 - Análise da necessidade de um produto ou serviço... 47

Gráfico 17 - Sobre Poupança/reserva de parte da renda ... 48

Gráfico 18 - Conhecimento sobre investimentos ... 49

Gráfico 19 - Diferença entre poupança e investimentos ... 50

Gráfico 20 - Realização de investimentos ... 51

Gráfico 21 - Acesso a informação ... 52

Gráfico 22 - Sugestões ... 53

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 13 1.1 PROBLEMÁTICA... 15 1.2 OBJETIVO GERAL... 15 1.2.1 Objetivos Específicos... 15 1.3 JUSTIFICATIVA... 16 2 EDUCAÇÃO FINANCEIRA... 17 3 ORÇAMENTO FAMÍLIAR ... 19

4 FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA... 21

5 USO DO CRÉDITO ... 24

6 PRÁTICAS DE CONSUMO... 26

7 AÇÕES DE POUPANÇA E INVESTIMENTO... 30

8 METODOLOGIA... 33

9 RESULTADOS... 35

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 55

REFERÊNCIAS... 57

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1 INTRODUÇÃO

A Educação Financeira e o planejamento econômico possui fundamental relevância na vida das famílias brasileiras, sobretudo, por estas estarem inseridas em um conturbado cenário econômico. Dessa forma, o planejamento e o bom uso da renda familiar serão de grande valia na busca por estabilidade, tranquilidade e segurança financeira. Como afirma Messy e Monticone (2016, apud VIEIRA; MOREIRA JÚNIOR; POTRICH 2019, p. 2), a alfabetização financeira vem sendo reconhecida como uma competência crítica no século 21, sendo necessária a existência de esforços para o seu aprimoramento a fim de apoiar o crescimento econômico em qualquer economia mundial. De modo geral, os países de todo mundo se mostram preocupados com o nível de educação financeira de sua população, devido à complexidade do mercado financeiro e a falta de acesso a esse tipo de conhecimento de grande parte da população.

No mundo globalizado no qual estamos inseridos, onde há um grande fomento pelo consumo demasiado e o estímulo à obsolescência das coisas, para que possa ser feito bom uso dos recursos financeiros, é necessário grande disciplina e comprometimento. É realidade a dificuldade da população em geral, de se organizar financeiramente, muito por falta do conhecimento técnico, porém, pequenos hábitos como anotações, criação de planilhas e diversas outras simples ferramentas, podem se tornar grandes aliados no controle de receitas e despesas para quem pretende se organizar financeiramente, sendo essencial para quem pretende chegar a algum objetivo, alcançar sonhos e projetos. Segundo Silva e Pelini (2017), é necessário que se utilize o dinheiro de forma favorável ao trabalhador e servidor. Entendendo que, quando se encara o dinheiro como fim, como meio para tudo, como medida das coisas, ele passa a determinar as ligações, inclusive aquelas que tinham fins autônomos.

Muito embora exista um longo caminho a ser percorrido em relação ao acesso da população a uma maior consciência ao bom uso de seus recursos financeiros, é importante buscar formas de incluir conceitos financeiros entre as famílias. Para que haja sucesso na implantação da Educação financeira, é fundamental que haja paralelamente também uma educação em relação ao

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consumo consciente. As escolas são um lócus muito importante para o trabalho da Educação financeira no país.

Orçamento pessoal ou familiar nada mais é do que uma ferramenta de planejamento financeiro pessoal que possibilita a realização de objetivos estabelecidos, oferecendo uma oportunidade de o indivíduo avaliar sua vida financeira, de forma que será possível que o mesmo possa vir a definir prioridades que afetam diretamente sua vida pessoal. A participação de todos os membros das famílias se torna indispensável para a gestão financeira familiar.

Um grande problema, que dificulta ainda mais que as famílias possam obter equilíbrio em seu orçamento, se dá com a forma de as instituições financeiras disponibilizam o crédito. Com o crescimento da oferta e variedade de produtos e serviços, juntamente com o estímulo ao consumo e a falta de orientação, as pessoas acabam por consumir mais do que seu orçamento permite, fazendo o uso excessivo e não planejado do crédito, gerando um grande nível de endividamento. Levando em consideração as elevadas taxas de juros que são cobradas por essas entidades financeiras, torna-se cada vez mais distante a possibilidade das famílias conseguirem desligar-se desse ciclo de endividamento.

As preferências, os desejos, as necessidades impulsionam as pessoas a adquirir bens e serviços e elas podem estar regidas somente pelos limites orçamentários da capacidade de consumo. Então, a decisão do consumidor se insere no dilema entre o que ele pode e o que ele quer. O questionamento neste instante é fundamental para entender as relações entre aquilo que a pessoa realmente precisa e as forças provenientes do meio que o induz a querer e adquirir um bem. (SILVA; PELINI, 2017, p. 244).

Ainda de acordo com Silva e Pelini (2017), o endividamento acarreta, além de comprometimento da renda, a possível perda de patrimônio e inadimplência. A diminuição do consumo futuro fica ainda mais difícil porque entra em cadastro do nome pessoal, tendo como consequência a redução de qualidade de vida de toda a família. A grande carga tributária presente no território brasileiro é outro fator que dificulta o equilíbrio financeiro das famílias, sobretudo as de baixa renda, que já mantém um estilo de vida em condições limitadas.

É bastante comum às pessoas enxergarem poupança como uma forma de investimento, o que não deixa de ser proveniente da falta de informação. Porém deve-se entender de forma bastante simplificada a poupança como uma sobra

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financeira, uma diferença entre as receitas e as despesas, já o investimento seria a aplicação dos recursos que poupamos, com intuito de adquirir uma remuneração com essa aplicação.

O processo de tomada de decisões de consumo, poupança e investimentos inclui atividades relacionadas ao controle monetário, o qual pode ser trabalhado com informações e instruções sobre riscos e oportunidades financeiras. Por outro lado, ao estabelecer relações sociais entre as pessoas, o dinheiro interage com a personalidade. Existem pessoas com personalidades e comportamentos diferentes em relação à economia monetária. (SILVA; PELINI, 2017, p. 242).

1.1 PROBLEMÁTICA

Diante o cenário econômico atual do país, é preocupante o baixo nível de conhecimento das famílias, no que diz respeito ao âmbito financeiro. Além da falta de empenho para difundir com mais assiduidade essas informações.

Falta de equilíbrio e estruturação do orçamento familiar, falta de controle das receitas e despesas e formas de melhorar a situação financeira, são alguns dos desafios a serem enfrentados pelas famílias de todas as camadas sociais, sobretudo, as de baixa renda, que possuem maiores limitações em se tratando de sua renda.

O presente trabalho busca averiguar as seguintes questões: qual a relação das famílias de baixa renda com o orçamento familiar? Como elas lidam com o crédito? Quais suas práticas de consumo? Existe alguma ação de poupança e/ou investimento entre essas famílias?

1.2 OBJETIVO GERAL

Identificar como as famílias de baixa renda do município de Currais novos/RN se relacionam com o orçamento familiar.

1.2.1 Objetivos Específicos

 Conhecer a forma que essas famílias fazem uso do crédito a elas concedido;  Observar suas práticas de consumo e;

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 Detectar a existência de ações de poupança ou alguma forma de investimento na realidade dessas famílias.

1.3 JUSTIFICATIVA

Justifica-se pela necessidade de avaliar o nível de Educação financeira das famílias de baixa renda na cidade de Currais Novos e como elas lidam com fatores como crédito, práticas de consumo e ação de poupança, tendo em vista o menor nível de acesso à informação dessas famílias, levando em consideração o meio social no qual estão enquadradas. Contudo, é necessário ressaltar a importância desse conhecimento para toda a população, para que possa existir uma melhor saúde financeira entre as famílias e um menor grau de endividamento.

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2 EDUCAÇÃO FINANCEIRA

A educação financeira tem por finalidade, auxiliar o detentor do recurso financeiro, para que este faça uma melhor gestão de seus rendimentos, decisões de poupança, possíveis investimentos, consumo consciente e na prevenção de negócios fraudulentos. Sendo, portanto, um processo de aperfeiçoamento e de melhoramento da compreensão e da consciência de riscos e oportunidades que emergem de acordo com as decisões financeiras.

O processo de aquisição conceitual em educação financeira (EF) para gestão das finanças pessoais e familiar é um dos meios de equilibrar o orçamento, e envolve comprometimento de práticas regulares na organização de receitas, despesas e investimentos. Neste universo se entremeiam o dinheiro, as crenças, os sonhos, as perdas, os ganhos, as fantasias e a racionalidade. (SILVA; PELINI, 2017, p. 241).

No Brasil, a educação financeira ganhou maior visibilidade a partir do Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010, que veio instituir a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que por sua vez possui finalidade de “promover a educação financeira e previdenciária e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores” (BRASIL, 2010, p. 1). Esse decreto busca implementar diretrizes e indicações para que haja uma padronização na elaboração de ações que buscam atender a sua finalidade. É importante frisar também que existe no referido decreto a preocupação com as disparidades culturais e regionais existentes por todo o território do país.

Existe um número crescente de governos por todo o mundo empenhados em desenvolver estratégias de educação financeira. As implicações sociais e econômicas a longo prazo do baixo índice de educação financeira de grande parte da população mundial têm levado os governos a criar políticas nesse âmbito. Mesmo com esse tipo de iniciativa, o que se observa, é que mesmo com a adoção de políticas com objetivo de levar o conhecimento a população quanto a conceitos de crédito, investimentos e segurança financeira, existe uma dificuldade na implantação dessas estratégias devido ao dispêndio financeiro por parte dos governos, e também a dificuldade das pessoas de compreender a importância da educação financeira.

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Apesar das pesquisas indicarem a necessidade de iniciativas nessa temática e do país estar evoluindo neste processo, um dos grandes problemas para a adoção de estratégias nacionais de educação financeira tem sido a inexistência de um modelo de mensuração universal para indicação do nível de educação financeira dos indivíduos e, consequentemente, dos focos prioritários de atuação em diferentes perfis da população. Sem um modelo adequado de avaliação do nível de educação financeira, torna-se difícil a identificação das temáticas e estratégias a serem adotadas em diferentes grupos populacionais.

Vieira et al (2019 p. 4), destaca ainda a importância da implementação da educação financeira em toda a base de ensino nacional, pois é considerado um passo um passo importante para a melhoria da cidadania financeira dos brasileiros e consequentemente, do bem-estar financeiro da população. Levando e consideração que, mesmo havendo esforços de inclusão financeira nas estratégias do país, esse não conseguirá atingir seus objetivos sem que a sua população se torne educada financeiramente. Com essas afirmações, fica claro que sem o investimento por parte do estado em políticas efetivas de fomento a educação financeira nas bases da sociedade, se tornará impossível construir uma solidez econômico-financeira entre as famílias.

Esboçar uma planilha de orçamento doméstico será fundamental para o alcance de metas de poupanças e consequentemente independência financeira, para isso é necessário que haja o mínimo de conhecimento financeiro.

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3 ORÇAMENTO FAMILIAR

O planejamento familiar é necessário para que as famílias possam ter um maior controle e melhor distribuição de sua renda. Para que se dê início a esse tipo de planejamento, não é necessário muito, apenas que ao menos a pessoa da família responsável pelo controle financeiro detenha um mínimo de conhecimento em educação financeira, para que seja possível registrar as receitas e as despesas, verificar se está havendo saldo positivo após o pagamento de contas, se será possível poupar algum valor, se há alguma despesa a ser cortada para equilibrar melhor o orçamento, se há formas de maximizar as receitas, etc.

“Para que a família comece seu planejamento, é preciso pouca coisa: acompanhar os gastos, criar o hábito de fazer as anotações de todas as entradas e saídas e desenvolver disciplina de todos os membros.” (KRÜGER, 2014, p. 30). É de grande relevância esse tipo de controle financeiro, por mais simplificado que seja a forma de fazê-lo. A falta de planejamento e controle financeiro tende a acarretar maiores dificuldades financeira pelo mau uso dos recursos, muitas vezes ocasionando o endividamento.

Em consonância com os estudos de Silva e Pelini (2017, p. 256), a reorganização do orçamento familiar requer revisão dos gastos desnecessários, desperdícios, reorganização das dívidas, prazos de pagamento e formas de aumentar a renda familiar. As saídas podem ser avaliadas e necessitam procedimentos como mapeamento das dívidas, conversa com pessoas experientes, consultores, e leituras sobre o código de defesa do consumidor. É interessante que os membros das famílias, sobretudo os que sejam responsáveis ou tenham interesse em realizar o controle do orçamento doméstico, que não se sintam aptos a dar andamento de forma coerente ao planejamento do orçamento, busquem informações além, seja através de pesquisas, estudos e de pessoas mais preparadas que possam auxiliá-los. O importante é o interesse em organizar o orçamento da família, objetivando a saúde financeira.

O planejamento financeiro ainda é encarado por muitos como algo impraticável e que requer auxílio de especialistas, pois as pessoas possuem grandes dificuldades em lidar com planilhas e números. Se analisarmos em conjunto, a educação financeira recebida pelos brasileiros em geral, aplicada nas

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escolas, é possível compreender essa realidade, considerando que a educação financeira nunca foi fortemente disseminada no ambiente escolar, na maioria de seus níveis.

Planejar o orçamento deve ser algo levado a sério na família, pois tudo estará baseado nele: decisões de compras futuras, estudo dos filhos, lazer, entre outros. Não se pode brincar com o orçamento, ele deve ser seguido à risca para que os objetivos e metas sejam realmente alcançados no período programado para que não haja frustração (KRÜGER, 2014, p. 31).

É de suma importância inserir todos os integrantes da família no contexto do orçamento familiar, todos devem conhecer seu andamento. Colocar os familiares presentes na situação das finanças da família fará com que todos compreendam quando não for viável adquirir algo, contribuindo assim, a que não haja saídas do que foi planejado no orçamento. “O planejamento é a base para o verdadeiro sucesso, seja ele financeiro ou em qualquer outro quesito.” (KRÜGER, 2014, p. 23).

Com todas as explanação e afirmações feitas fica evidenciada a necessidade de que seja feito o controle do orçamento familiar, pois este será indispensável para nortear o controle da renda a as decisões a serem tomadas em torno da mesma, para que seja possível aproveitar melhor esses recursos financeiros e o alcance dos objetos de acordo com as metas estabelecidas pela família.

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4 FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA

Existe um senso comum no conceito de classes sociais, para haver-se essa definição leva-se em consideração fatores econômicos, sociais, educacionais, culturais e políticos. Porém, acima de tudo, está fortemente ligado a disponibilidade financeira dos indivíduos, ou seja, a relação de propriedade está muito mais presente do que a posição social em si.

Na compreensão de Krüger (2014, p.15):

Pode-se entender por classe social cada um dos grandes grupos diferenciados que compõe a sociedade. Os critérios para identificar-se um grupo social como classe são motivos de discussão e de divergência. De um modo geral, nessa distinção prevalecem fatores socioeconômicos, tais como, riqueza, apropriação dos meios de produção, área de atuação profissional, nível de consumo e origem das receitas. Considera-se ainda que os membros de uma classe social, além de terem na linha de pensamento os mesmos conjuntos de interesses, tendem a partilhar importâncias e valores semelhantes.

As famílias de baixa renda, na classificação da ABEP- Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa enquadram-se dentre as classes sociais como classe C, D e E, como demonstra a tabela a seguir:

Tabela 1 – Definição de classes sociais de acordo com a renda

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Ainda através das informações da pesquisa realizadas pela ABEP (dados de 2016), que fazem uso de estimativas baseadas em estudos probabilísticos do Datafolha, IBOPE Inteligência, GFK, IPSOS e Kantar IBOPE Media (LSE), é possível verificar que a maior parte da população da região Nordeste (85,4%), pode ser enquadrada como de baixa renda, de acordo com as classes em que estão classificados, ainda dentro dessa classificação a maior parte (44,7%) estão classificados como classe D e E que de fato são as que vivem em situação de muita pobreza.

Tabela 2 – Divisão da distribuição das classes sociais por região

Fonte: ABEP (2016).

As famílias de baixa renda correspondem às famílias de menor poder aquisitivo. No que trata o Decreto Nº 6.135, de 26 de junho 2007, que dispõe sobre o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e dá outras providências, define em seu art.4º, inciso II, alíneas a) e b) famílias de baixa renda como sendo “aquela com renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo; ou a que possua renda familiar mensal de até três salários mínimos.” (BRASIL, 2007, p. 1).

Parte dessas famílias são beneficiadas com o programa de transferência de renda do governo que busca amenizar a sua situação de vulnerabilidade, conhecido por Bolsa família.

A Lei Nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que cria o Bolsa Família, alterada pelas leis Nº 12.722, de 3 de outubro de 2012, e Nº 12.817, de 5 de junho de 2013, explicita em seu art. 2, o que constitui benefícios financeiros no referido programa:

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I - o benefício básico, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de extrema pobreza;

II - o benefício variável, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza e extrema pobreza e que tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças entre 0 (zero) e 12 (doze) anos ou adolescentes até 15 (quinze) anos, sendo pago até o limite de 5 (cinco) benefícios por família;

III - o benefício variável, vinculado ao adolescente, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição adolescentes com idade entre 16 (dezesseis) e 17 (dezessete) anos, sendo pago até o limite de 2 (dois) benefícios por família.

IV - o benefício para superação da extrema pobreza, no limite de um por família, destinado às unidades familiares beneficiárias do Programa Bolsa Família e que, cumulativamente:

a) tenham em sua composição crianças e adolescentes de 0 (zero) a 15 (quinze) anos de idade; e

b) apresentem soma da renda familiar mensal e dos benefícios financeiros previstos nos incisos I a III igual ou inferior a R$ 70,00 (setenta reais) per capita. (BRASIL, 2004, p. 1-2).

Atualmente o programa Bolsa família, tem papel importante na renda de muitas famílias, em alguns casos sendo umas das principais fontes de renda. Segundo Pires (2012, p. 16) “a renda proporcionada pelo programa vai sendo incorporada no orçamento familiar e permite a aquisição de muitos bens e serviços.”

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5 USO DO CRÉDITO

Na atualidade o acesso ao crédito está muito mais facilitado e surge das formas mais variadas (cartão de crédito, empréstimos, cheque especial, financiamentos, crédito consignado, etc.) o que nem sempre é algo positivo. O nível de endividamento do brasileiro é alto e crescente, sendo consequência de inúmeros fatores desde a falta do planejamento financeiro até as elevadas taxas de juros presente no país. Além do fato de que o uso do crédito é totalmente oposto à ideia do investimento, onde no investimento, o investidor vai fazer o dinheiro “trabalhar” para ele (render juros), já com o uso do crédito, o cliente trabalhará para pagar juros, dessa forma que as instituições financeiras realizam seus lucros.

As taxas de juros no Brasil são muito elevadas e podem transformar uma pequena dívida em uma dívida impagável, no médio e longo prazos. Um financiamento de R$ 1 mil no cartão de crédito, aparentemente inofensivo, com juros de 10% ao mês, eleva a dívida para R$ 3 mil em um ano; R$ 10 mil em dois anos; 31 mil em três anos. Uma bola de neve que cresce em um nível incontrolável. Existem diversas modalidades de crédito disponíveis no mercado (...) os juros são definidos de acordo com o risco: quanto maior o risco de a instituição financeira não receber o dinheiro emprestado de volta, maior o juro. (DESSEN, 2015, p. 54).

De acordo com Cerbasi (2009), os cuidados com nossas finanças não devem se limitar na preocupação com os investimentos, nada é mais importante para a vida financeira que o crédito. Porém existe um limitado conhecimento nessa área, devido à falta de Educação Financeira, o que ocasiona o mau uso do crédito, sendo em torno deste mau uso que as instituições financeiras montam sua estratégia e realizam seus lucros.

As pessoas que administram suas finanças pessoais precisam compreender três pontos relevantes para se manter equilibrado: orçamento, poupança e crédito. Mas existe uma ilusão cognitiva que compele o sujeito a repetir erros sistemáticos. Por excesso de confiança, certezas, por aversão às perdas e por fantasiar suas habilidades e possibilidades, as pessoas abandonam o processo de decisão racional e abrem lugar na mente para “reinar” elementos característicos do ser humano: crenças no conhecimento; desacreditar no improvável; acreditar no certo e simplificar as escolhas. (SILVA; PELINI, 2017, p. 250).

O Crédito não pode ser considerado apenas algo negativo, pois ele também pode proporcionar situações favoráveis em casos que não se pode esperar obter o

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montante para realizar algo, ou no caso de se tratar em algo vantajoso, que fará com que haja algum retorno, mesmo utilizando capital de terceiros. “O uso do crédito é recomendado para a aquisição de bens que ajudam a construir patrimônio. Idealmente, um bem adquirido com recursos de terceiros deve gerar renda suficiente para se pagar.” (DESSEN, 2015, p.55).

Quanto mais bem vistos pelas instituições financeiras formos, maior e mais variadas serão as possibilidades de créditos a serem oferecidos, ainda por menor taxas de juros. Geralmente as pessoas que mais possuem crédito disponível são as que menos fazem uso. Existem erros comuns que os usuários do crédito costumam cometer, que prejudicam seu nome, tornando o crédito mais caro e difícil, por isso é interessante que se pense bem antes de fazer o uso do crédito, analisar se ele pode ser dispensado, pesquisar as alternativas, evitar ceder nome a terceiros, ler bem contratos e estar sempre atento a condições de juros.

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6 PRÁTICAS DE CONSUMO

Segundo a CNC (2019), A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é utilizada para orientar os empresários do comércio de bens, serviços e turismo que utilizam o crédito como ferramenta estratégica, uma vez que permite o acompanhamento do perfil de endividamento do consumidor, com informações sobre o nível de comprometimento da renda do consumidor com dívidas, contas e dívidas em atraso, e sua percepção em relação à capacidade de pagamento.

Levando em consideração os dados da PEIC de Abril de 2019, o nível de endividamento do consumidor cresceu em relação ao mês anterior e também em relação ao mesmo mês do ano anterior. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também aumentou entre os meses de março e abril de 2019, diminuindo em relação a abril do ano anterior. O percentual que relatou não ter condições de pagar suas contas em atraso apresentou crescimento na comparação mensal e redução na comparação anual.

Tabela 3 – Nível de endividamento do consumidor

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Um levantamento como este evidencia que de maneira geral, a população brasileira certamente possuem práticas de consumo que ultrapassam a disponibilidade de seu orçamento.

Gráfico 1 – Endividamento por faixa de renda

Fonte: CNC (2019).

Através do gráfico acima é possível verificar que a maior parte das famílias endividadas possuem renda menor que 10 salários mínimos, o que reforça a afirmativa de quem possui mais recursos faz menor uso do crédito.

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Gráfico 2 – Principais tipos de dívida

Fonte: CNC (2019).

O gráfico acima mostra que a maior parte da dívida dos pesquisados está concentrada no cartão de crédito, o que é consequência de ser a forma de crédito mais utilizada atualmente.

De acordo com Krüger (2014, p. 16), o poder de compra da sociedade brasileira está cada vez mais em alta, impulsionando a economia e, como consequência desse ato, deixando as pessoas com mais facilidade de adquirir bens, e o que é erroneamente julgado como “facilidade”, torna a sociedade cada vez mais endividada e com uma falsa expectativa de ganhos futuros. Não se deve permitir que o futuro financeiro esteja sujeito ao acaso. A grandes chances de haver sérios prejuízos, uma única decisão tomada equivocadamente, movida por impulsos momentâneos pode acarretar dificuldades que podem se estender por longos anos.

O atual cenário relativo às práticas de consumo demonstra o quão necessário é repensar as formas de gerir os recursos financeiros das famílias, pois o registro, o simples fato de colocar no papel contribui e muito para que as pessoas possam visualizar melhor seu orçamento e tomar melhores decisões. “O estabelecimento de compromissos por escrito ajuda a evitar as compras por impulso.” (CERBASI, 2004, p. 38).

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Segundo Krüger (2014), o ápice da questão está em saber comprar, aproveitar as ditas condições “facilitadas” e utilizá-las de forma favorável, lembrando que uma análise dos juros e prazos é sempre bem-vinda e nunca atrapalhará. Pessoas com a inteligência financeira melhor desenvolvida terão maior facilidade na tomada de decisão, e, consequentemente, o medo de endividar-se ou de fazer algo tomar uma proporção não desejada será muito menor.

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7 AÇÕES DE POUPANÇA E INVESTIMENTO

Como já foi abordado, o controle do orçamento familiar é fundamental para a organização financeira da família, para que seus recursos sejam utilizados da melhor forma. O mesmo se aplica a ideia de poupar e posteriormente, investir. Para que uma família tenha melhores condições de criar reservas financeiras, é muito importante que faça o registro das receitas e despesas, para que seja possível visualizar seu orçamento e quanto pode poupar a cada mês. Poupar é o primeiro passo antes de se pensar em investir, pois é interessante que além de fazer reservas de dinheiro para conforto e segurança de sua família, que se possa pensar em algo rentável, fazendo as reservas se multiplicarem, se aplicado da forma correta.

Quando acontece a anotação e organização dos movimentos financeiros de todos os membros da família, a meta básica é fazer despesas menores do que as habituais. Caso haja pessoas com um orçamento superavitário, elas podem criar o hábito de poupar para realizar sonhos e precaver-se para situações de gastos inesperados. Recomenda-se que o registro de tudo que entra como receita e todos os gastos mensais, sem omitir valores menores que podem ser desprezados. (SILVA; PELINI, 2017, p. 251).

O hábito de controlar as finanças, economizando e, poupando não é importante apenas para que sobre dinheiro, mas sim para garantir à continuidade de tudo aquilo que se conquista através do dinheiro (KRÜGER, 2014, p. 23). Quando estamos dispostos a dar a devida importância ao fato de organizar e controlar nossa vida financeira, com toda certeza estaremos mais próximos de alcançarmos nossos principais objetivos, que certamente estão ligados com a conquista de sonhos. Como consequência do sucesso dessas ações, seguramente será possível alcançar também objetivos secundários, que estão relacionados com, no mínimo, não sofrer com dificuldades financeiras.

De acordo com Silva e Pelini (2017, p. 257) “O dinheiro é um meio de realizar transações que necessitam de administração, conhecimentos e princípios básicos para alcançar qualidade de vida.” É fato que o dinheiro possui valor no tempo e que os juros compostos fazem crescer os investimentos. Por isso é interessante que quando a família consegue poupar, e atinge algum valor relativamente expressivo e que em curto prazo não será utilizado, que esta não

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cometa o erro de deixar seu dinheiro ocioso, pois estará perdendo a oportunidade de aplicá-lo e transformá-lo em algo maior.

Não há na vida do ser humano maior capital que sua capacidade de raciocínio. O aprimoramento das faculdades mentais sempre será a maior garantia de um futuro promissor Krüger (2014, p.18). Para se desenvolver financeiramente, as pessoas devem acima de tudo aprender a gastar, obterá sucesso financeiro muito mais facilmente aquele que em como usar melhor seus recursos do que em formas de ganhar mais a qualquer custo.

O primeiro passo para poupar é fazer sobrar dinheiro. Tenham certeza de que boa parte dos motivos para o fato de não sobrarem recursos para poupar não está nos grandes gastos do orçamento. Está nos pequenos, aqueles que fogem ao controle. Todos sabem quanto ganham e quanto pagam de aluguel, prestações, escola, transporte, supermercado. Mas muitos se assustam no fim do mês, quando as contas entram no vermelho, porque os pequenos gastos diários com padaria, feira, presentes, banca de jornal e outros somam-se e criam um rombo no orçamento. (CERBASI, 2004, p. 35).

A chave para o sucesso financeiro depende basicamente de dois fatores. Primeiramente, eliminar custos. Em segundo lugar, aumentar os ativos financeiros (KRÜGER, 2014, p. 25). Buscar reduzir custos está fortemente ligado com a boa gestão do capital, de forma que estes recursos atendam as necessidades, mas ao mesmo tempo não sejam utilizados desnecessariamente. Quando se trata em aumentar ativos financeiros, pode se afirmar que é necessário fazer o dinheiro se tornar rentável através das formas de investimentos consideradas mais viáveis para cada tipo de investidor, visando seus interesses específicos, levando também em consideração os níveis de risco que cada investidor está disposto a correr, de forma que não venha a interferir indesejadamente na preservação do capital até então construído. “A fórmula da abundância financeira é simples: Gastem menos do que vocês ganham e invistam a diferença. Depois reinvistam seus retornos até atingir uma massa crítica de capital que gere a renda que desejam para o resto da vida.” (CERBASI, 2004, p. 39).

Poupar e investir devem ser ações consideradas além de formas de crescimento financeiro, também como uma alternativa ao modo tradicional de aposentadoria, onde após cumprirmos os anos de trabalho e contribuições necessárias, passamos a receber o benefício do governo, que por muitas vezes é

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insuficiente para manter a garantia de qualidade de vida necessária, sendo necessário ações de poupança, investimento ou até mesmo formas de previdência privada para garantir uma renda satisfatória na velhice. Segundo Saraiva (2017, p. 14) “a preocupação em estimular ações individuais para garantir renda na velhice tem sido preocupação de muitos governos”.

O primeiro passo para a independência financeira é gastar menos do que se ganha, controlando o orçamento doméstico. A seguir, traçar um plano que defina quanto poupar por mês, e durante quanto tempo, para chegar à renda que vocês pretendem ter na aposentadoria. Se, além disso, conseguirem fazer sobrar mais do que precisavam para cumprir as metas do plano, no final do mês haverá dinheiro sobrando na conta. (CERBASI, 2004, p. 41).

O ato de poupar e investir, é pensar acima de tudo a longo prazo, em garantir boas condições de vida, de forma que seja possível atender a necessidade e anseios de todos da família, seja em relação segurança, aposentadoria, estudo para os filhos, lazer, etc.

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8 METODOLOGIA

A abordagem do presente trabalho qualifica-se como quantitativo-qualitativo, haja vista que a pesquisa exclusivamente quantitativa não é capaz de proporcionar o total entendimento de aspectos da realidade, que não podem ser quantificados, não conseguindo por si só absorver a dinâmica das relações sociais. Diferentemente da abordagem qualitativa, que se justifica principalmente por ser a forma mais adequada de se compreender a natureza de um fenômeno social. “Salienta-se que os conjuntos de dados quantitativo e qualitativo não se opõem, ao contrário, complementam-se; pois a realidade que eles abrangem interage dinamicamente, surgindo assim, a abordagem quantitativo-qualitativa.” (DUARTE et al., 2009, p. 177).

A presente pesquisa enquadra-se em finalidades exploratório-descritivas, pois busca abordar, descrever e identificar um fato ou fenômeno já existente que é a educação financeira, porém, não deixando de haver o intuito de investigar mais amplamente uma temática pouco explorada que é a realidade do nível de educação financeira presente na vida das famílias Currais Novenses de baixa renda. De acordo com as afirmações de Duarte et al. (2009, p. 176), as pesquisas que possuem objetivos exploratórios buscam desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores, possuem menor rigidez no planejamento e, por muito, representam a primeira etapa de uma investigação mais ampla. É descritiva “quando o pesquisador apenas registra e descreve os fatos observados sem interferir neles.” (GONÇALVES, 2005, p. 56).

As fontes de dados utilizadas foram os procedimentos de campo, documental e bibliográfico. De acordo com Vergara (2007, p. 47), procedimento de campo “é investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não.” Desse modo, foi aplicado um questionário a fim de obter as informações julgadas como relevantes para a realização do trabalho.

Relativo a Fontes documentais, em consonância com os pensamentos de Gonçalves (2005, p. 60), pode ser compreendida como quaisquer registros que

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venham a possibilitar o acesso a processos de desenvolvimento, mudança de comportamento, vida diária, etc., que compõem as fontes primárias não escritas. Para que fosse possível filtrar a amostra de famílias entrevistadas, de forma que atendesse aos propósitos da pesquisa, que era analisar exclusivamente as pessoas de baixa renda, foi necessário fazer uso do banco de dados do cadastro único (CadÚnico), disponibilizado pelo Centro de Referência de Assistência Social - CRAS local, onde a partir dessas informações foi possível identificar as famílias que realmente faziam parte do lócus da referida pesquisa, sendo feita a amostragem por aleatoriedade.

O procedimento bibliográfico se faz necessário, pelo uso indispensável da literatura, a busca de estudos na área para reforçar e embasar as afirmações feitas no presente trabalho.

Sobre a pesquisa bibliográfica, de acordo com Gonçalves (2005, p. 58):

Trata-se do primeiro passo em qualquer tipo de pesquisa; sua finalidade é conhecer as diferentes contribuições científicas sobre o assunto que se pretende estudar. O objetivo também é revisar a literatura existente e não repetir o tema de estudo ou experimentação (...) consiste em um levantamento do que existe sobre um assunto e em conhecer seus autores. (GONÇALVES, 2005, p. 58).

A pesquisa de campo foi possibilitada através da técnica de coleta de dados utilizada, que foi a aplicação de questionários, que segundo Gonçalves (2005, p. 74) “são instrumentos de coleta de dados, preenchidos pelo pesquisado, sem a presença do investigador.” Estes possuíram questões abertas, mistas e fechadas, a fim de traçar o perfil dos entrevistados, bem como buscar respostas individuais, nas quais é possível identificar visões distintas de uma mesma realidade. Conseguintemente, foi possível analisar, interpretar e relacionar as respostas com a fundamentação teórica.

A técnica de análise utilizada foi de conteúdo, que busca construir o

conhecimento através da análise do conteúdo coletado, que possuem certo grau de profundidade e complexidade. De acordo com Campos (2004, p. 611), essa análise pode ser definida como “um conjunto de técnicas de pesquisa cujo objetivo é a busca do sentido ou dos sentidos de um documento.”.

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9 RESULTADOS

Para que fosse possível analisar o nível de conhecimento em educação financeira das famílias de baixa renda no município de Currais Novos/RN, buscando entender sua relação com o orçamento, conhecer a forma que essas famílias fazem uso do crédito, observar suas práticas de consumo e detectar a existência de ações de poupança ou alguma forma de investimento, foi elaborado um questionário com 20 perguntas abertas e fechadas, que tinham como intuito além de traçar características gerais desse público, compreender as particularidades e individualidades de opiniões e pontos de vistas distintos de cada entrevistado, além das ideias que podem haver em comum entre eles. Para elaboração do questionário tomou-se como base além do conhecimento adquirido até o momento, os estudos em volta do assunto abordado através dos autores utilizados como base para a pesquisa, visando entender melhor esse objeto de estudo, levando em consideração fatores intrínsecos e extrínsecos que interferem na realidade de vida dessas famílias. As perguntas, além das que buscam traçar o perfil do pesquisado, referem-se aos conhecimentos financeiros que as famílias de baixa renda pertencentes ao lócus do estudo possuem, em relação aos que detêm algum conhecimento, ainda verificar se aplicam seus conhecimentos em seu dia a dia de acordo com a bagagem de conhecimentos que foi acumulada. A primeira pergunta identifica o sexo dos entrevistados, o que ajudar a verificar quais membros da família detêm conhecimento e domínio sobre os recursos financeiros destinados ao sustento da família.

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Gráfico 3 - Sexo

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Em relação ao gráfico 3, pode se observar que a maior parte dos pesquisados (65%) correspondem a pessoas do sexo feminino, apenas 35% foram do sexo masculino, o que permite idealizar a considerável participação do público feminino na gestão e participação da renda familiar.

Gráfico 4 - faixa etária dos pesquisados

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O gráfico 4 traça a faixa etária dos pesquisados, onde se verificou que 35% possuem idade maior que 51 anos, 35% possuem de 41 a 50 anos, 25% de 31 a 40 anos, apenas 5% de 20 a 30 anos, e 105 possuem menos 20 anos.

Traçar a faixa etária dos pesquisado, é sempre relevante, porém, indiferentemente da faixa etária é necessário se educar para gerir as finanças, o que não é algo tão disseminado como deveria, porém, quem tiver real interesse em abranger seus conhecimentos na área, com a grande disseminação e facilidade de acesso a inúmeros tipos de informações, fomentado principalmente pelo uso da internet que hoje é bastante acessível, pode se dizer que a informação está, independente de qualquer dificuldade, mais próxima das pessoas, sendo necessário dominar, e, acima de tudo aplicar de fato em sua vida os princípios da educação financeira. Pequenos hábitos da rotina das pessoas exige a aplicação desses conhecimentos, desde uma lista de compras de supermercado até o total controle do orçamento familiar.

Gráfico 5 - Estado civil

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

No que diz respeito a estado civil dos pesquisados, como é possível verificar no gráfico 5, as porcentagens estão bem variadas, não se concentrando em apenas

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um perfil de pessoa no que corresponde ao seu estado civil, onde verificou-se que 30% são casados, 25% são solteiros, 20% estão em uma união estável, 10% são divorciados, 10% separados e apenas 5% são viúvos.

Gráfico 6 - Nível de escolaridade

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

No gráfico 6, verifica-se que 40% dos pesquisado não concluíram nem ao menos o ensino fundamental, 25% concluíram o ensino médio, 15% concluíram o apenas o ensino fundamental, 15% têm o ensino superior incompleto e somente 5% possui ensino superior.

Esse dado corresponde à realidade do país, sobretudo da região Norte e Nordeste, que são consideradas menos favorecidas economicamente, consequentemente, menos desenvolvidas. Dentro dessa perspectiva é comum que pessoas de menor poder aquisitivo tenham níveis de escolaridade mais baixos, sob inúmeras justificativas, desde não poder estudar quando jovem para ter que trabalhar e ajudar a sustentar a família, dificuldade de acesso, até a falta de políticas efetivas de estímulo à educação, entre outros fatores.

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Gráfico 7 - Quantidade de pessoas que compõem a família

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

O gráfico 7, traz a informação do número de pessoas que formam o grupo familiar, constatou-se, que entre os pesquisados, 35% das famílias eram formadas por 4 pessoas, 30% das famílias dos pesquisados possuíam 5 membros ou mais, 30% eram formadas por 3 pessoas, e apenas 5% correspondia a pessoas que unicamente correspondiam a sua própria família, ou seja, moravam sozinhos, sem qualquer companheiro ou filhos presentes no ambiente doméstico.

A qualidade da administração da renda familiar, não necessariamente deve estar relacionada com o número de pessoas residentes na família, está muito mais próximo da forma como essas famílias lidam com seus recursos financeiros, e de como costumam organizar suas receitas e despesas.

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Gráfico 8 - Quantidade de filhos do pesquisado

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

De acordo com a gráfico 8, relativo a quantidade de filhos que possuía o pesquisado, 35% possuem 4 filhos ou mais, 25% possuem apenas 1 filho, 15% possuem 3 filhos, 15% possuem 2 filhos, 10% não tem filhos.

É importante que os filhos façam parte do planejamento do orçamento familiar, para que entendam as dificuldades e reais necessidades de sua família, para que eles sejam conscientes, e contribuam de maneira positiva no equilíbrio do orçamento, evitando despesas desnecessárias e possivelmente contribuindo com a poupança. De acordo com a figura 6, relativa à quantidade de filhos que possuía o pesquisado, 35% possuem 4 filhos ou mais, 25% possuem apenas 1 filho, 15% possuem 3 filhos, 15% possuem 2 filhos, 10% não têm filhos.

É importante que os filhos façam parte do planejamento do orçamento familiar, para que entendam as dificuldades e reais necessidades de sua família, para que eles sejam conscientes, e contribuam de maneira positiva no equilíbrio do orçamento, evitando despesas desnecessárias e possivelmente contribuindo com a poupança.

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Gráfico 9 - Renda familiar

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Em relação à renda familiar, a grande maioria dos pesquisados (65%) responderam que a renda de sua família é de até um salário mínimo (R$ 998,00 atualmente), o que já é uma informação já esperada, devido o objetivo da pesquisa está voltado apenas para as famílias de baixa. Em relação ao demais pesquisados, 20% informação que sua família vive com uma renda de 1 até 2 salários mínimos (R$ 998,00 a R$ 1996,00), e apenas 15% recebe entre 2 e 3 salários mínimos (R$1.996,00 a R$ 2.994,00) vigentes atualmente.

Os dados auferidos em relação à renda demonstra que a maioria dessas famílias vive em condição bastante limitada, o que traz mais importância a realização do controle do orçamento familiar, dando importância ao fato de que mais importante do que se ganhar mais é o fato de administrar melhor os recursos que já possuí.

Levando em consideração o público alvo da pesquisa, por se tratar de pessoas de baixa renda, é previsível que a grande maioria dessas famílias tenham maiores dificuldades em relação ao crédito, tanto em relação a tê-lo disponível, quanto em mantê-lo quando já se possui.

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Gráfico 10 - Pessoas da família que contribuem para a renda

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Conforme a pesquisa realizada, a maior parte dessas famílias (60%) é dependente da renda oriunda de apenas um de seus componentes, 30% dos pesquisados informaram que 2 pessoas da família contribuem para renda, 5% informam que 4 pessoas contribuem, e 5% 5 pessoas ou mais contribuem.

Dados como esse podem sugerir que a situação financeira poderia melhorar se mais pessoas da família buscassem formas de contribuir com a renda. Em contraponto, deve se levar em consideração que a dificuldade financeira de famílias como essas criam o ciclo dessa dependência de alguns membros, pois uma família que se enquadre nesse perfil, muito pouco provavelmente terá condições de investir em qualificação para seus membros, o que dificulta ainda mais a inserção no mercado de trabalho, ou que este possua conhecimento e/ou recursos suficiente para ter um próprio negócio.

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Gráfico 11 - Informações Financeira recebidas pelos membros da família acerca da Educação

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Com a constatação dos dados, foi evidenciada a falta de informação acerca da educação financeira, onde 90% dos pesquisados, informaram nunca ter obtido informações relativas à Educação Financeira, apenas 10% dos pesquisados afirmaram ter recebido algum tipo de Educação Financeira ao longo da vida, onde afirmaram que conhecimentos foram adquiridos na escola e nos meios de comunicação.

Esses resultados apenas confirmam a realidade da dificuldade de acesso a Educação Financeira, que pode ser constatada no Brasil como um todo, sobretudo na sociedade de baixa renda. Muito embora as informações estejam hoje muito mais disponíveis em relação ao passado, através do fácil acesso aos bancos de dados disponibilizados através da internet, a sociedade ainda é muito carente no conhecimento de âmbito financeiro, o que é um dos fatores que justifica o alto nível de endividamento dos brasileiros, pelo simples fato das pessoas consumirem mais do que sua renda permite, e acabam por não poder arcar com as despesas geradas, tornado-se a partir daí uma pessoa endividada.

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Gráfico 12 - Conhecimento sobre orçamento familiar amento familiar

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Nesta pergunta foi solicitado aos pesquisados, que se possível definissem, em sua concepção, o que seria para eles orçamento familiar. Como é possível verificar na apresentação do gráfico acima, a maior parte não soube responder (75%), entre os que responderam algumas respostas ainda foram um pouco discrepantes a definição de orçamento familiar.

Não ter conhecimento de algo tão básico como o orçamento familiar, demonstra a ausência da Educação Financeira nas famílias, e quanto isso tem um efeito negativo na forma como elas lidam com seu dinheiro, de forma totalmente aleatória, sem executar o controle necessário.

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Gráfico 13 - Realização de formas de controle da renda familiar

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Em relação a formas de controle da renda, 75% confirmou não realizar nenhuma forma de controle de sua renda; 10% informou fazer anotações para controlar as receitas e as despesas; 5% diz fazer o uso de planilhas; 5% considera que gastando apenas com despesas essenciais como água, luz, gás e alimento já está realizando uma forma de controle; outros 5% considera que gastando com base em sua renda é fazer controle da renda.

Realizar um controle financeiro, de forma mais simples que seja, é muito importante, para que seja possível ter um conhecimento real da situação financeira da família, para verificar quanto pode se gastar dentro dos limites da renda, quanto será possível poupar, como alcançar os objetivos financeiros, além de possibilitar entender melhor as ações de consumo e ter uma relação melhor com o dinheiro para que ele possa ser bem utilizado de forma a viabilizar todos os objetivos estabelecidos Infelizmente, poucos inserem ferramentas de controle financeiro na rotina da família, o que é fator agravante para o desequilíbrio financeiro presente em muitas famílias.

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Gráfico 14 - Uso do crédito

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Relativo ao crédito, a maioria das famílias pesquisadas (75%), não fazem uso de nenhuma forma de crédito. Dentre os que fazem uso, a maior parte (15%) faz uso do cartão de crédito apenas, 5% utiliza cartão de crédito e financiamento imobiliário, e 5% faz uso de cartão de crédito e empréstimos.

Esses baixos percentuais do uso do crédito podem ser justificados pelo fato do oferecimento de crédito exclusivamente para pessoas de baixa renda ser bastante limitado. Por mais que essas pessoas tenham interesse na disponibilidade do crédito, a grande maioria são vistas como vulneráveis economicamente falando pelas instituições financeiras, que não estão dispostas a se arriscar com esse público, tendo em vista que muito provavelmente esse público terá dificuldade que arcar com o pagamento do crédito concedido quando chegar o momento.

Tomando como base os pesquisados de utilizam o crédito, a maior parte (15%), faz uso do cartão de crédito, que é atualmente uma das formas de crédito mais utilizadas, o que pode ser constatado com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo - CNC, onde em seu levantamento é possível constatar que a maior parte das dívidas contraídas pelos brasileiros são

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majoritariamente em cartão de crédito (77,6%), sendo este dado, consequência de esta ser a forma de crédito mais utilizada pelos brasileiros.

Gráfico 15 - Análise de compra (planejamento de consumo)

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Quanto ao questionamento sobre o planejamento de consumo, se analisavam a viabilidade de uma compra dentro do orçamento, a maior parte dos pesquisados (60%) afirmaram fazer sim uma análise de compra antes de realizá-la, 40% informou não pensar muito antes de realizar a compra.

A parte que informou se preocupar em fazer compras conscientes, são muito provavelmente motivadas pela grande limitação do orçamento, por se tratar de pessoas de baixa renda. Aos que demonstram serem compradores impulsivos, mesmo também sendo de baixa renda, demonstram outra realidade presente nas práticas de consumo dos brasileiros, que tende a gerar endividamento, por serem pessoas com renda limitada, mas que se tiverem oportunidade irão consumir sem pensar se terão condições de pagar ou não.

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Gráfico 16 - Análise da necessidade de um produto ou serviço

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Complementar ao questionamento anterior, na presente pergunta, buscava-se compreender buscava-se os pesquisados além de verificar buscava-se uma compra cabe no orçamento, refletiam sobre a real necessidade de um produto ou serviço para o benefício da família como um todo, 70% afirmaram sim, analisar a necessidade de uma compra, e 30% que não analisam a necessidade da família antes de comprar.

Como no caso anterior, pelo motivo da limitação da renda, a maioria dessas pessoas realmente, mesmo sem conhecimento específico, tendem a comprar somente o necessário, não necessariamente por não serem consumistas, mas por terem que dar prioridade às necessidades básicas, e não lhe restam muita opção em relação a mais opções de consumo.

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Gráfico 17 - Sobre Poupança/reserva de parte da renda

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

A maioria das pessoas pesquisadas (85%) não faz nenhuma forma de poupança ou reserva de parte da renda/mês, apenas 15% afirmou realizar alguma reserva.

O hábito de poupar é pouco comum entre a sociedade brasileira, essa afirmativa se dá por inúmeros fatores, mas principalmente pelas pessoas sempre viverem no limite do que seu orçamento permite. Em alguns casos não sobra dinheiro no final do mês pelo fato da renda ser muito limitada, de forma que é um desafio até mesmo suprir todas as necessidades básicas, inerentes à sobrevivência, sobretudo nas famílias de baixa renda, que por muitas vezes vivem em condições bastante precárias.

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Gráfico 18 - Conhecimento sobre investimentos

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

No que tange o conhecimento sobre investimentos, 85% dos pesquisados informaram que não possuem nenhum tipo de conhecimento relativo a investimentos, apenas 15% confirmaram possuir algum nível de conhecimento na área, dentre eles 10% citaram imóveis como forma de investimento e 5% exemplificou como forma de investimento o ato de comprar e vender mercadorias. Pelas respostas anteriores e considerando o perfil dos pesquisados, era previsível, que estas pessoas não deteriam grandes conhecimentos no assunto, pois pessoas que não tem hábito de poupar, não terão pretensão, tampouco condições de investir. Mesmo os que responderam que tinham esse conhecimento, com base nos exemplos dados, é possível sugerir que esses podem ter uma visão muito reduzida das possibilidades de se investir.

Quando se organiza as finanças, certamente se estará mais próximo do alcance de objetivos que dependam de recursos financeiros. Embora seja difícil, levando em consideração a realidade de muitos. Uma vida financeira equilibrada traz muito benefícios, investir o que poupamos, maximizará as economias e nos proporcionará maior rentabilidade.

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Gráfico 19 - Diferença entre poupança e investimentos

Fonte: Elaborado pelo o autor (2019).

Sobre a diferença entre poupar e investir, 85% dos pesquisados não souberam responder, apenas 15% souberam responder. Dentre as respostas obtidas estiveram as afirmações que: “poupança é um dinheiro que você guarda para alguma precisão, e investimento é o dinheiro que você emprega em algo pra ter um retorno”; “poupar é a reserva do dinheiro e para ser investimento tem que haver retorno”; “poupança é o que sobra e o investimento tem que dar retorno”. Toda a lógica utilizada pelas pessoas que foram capazes de responder ao questionamento foram coerentes e estavam de fato alinhadas a ideia de poupança e investimento.

No tocante ao considerável número que não soube responder, tende-se a levar em consideração fatores supracitados, como baixa escolaridade, baixo nível de intelectualidade, entre outros agravantes, que influenciam diretamente para que essas pessoas não detenham conhecimento no âmbito financeiro.

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