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Mercado de Trabalho no Ceará: um enfoque quantitativo

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Mercado de Trabalho no Ceará:

um enfoque quantitativo

(2)

Instituto de Desenvolvimento do Trabalho - IDT Av. da Universidade, 2596 - Benfica

CEP 60020-180 Fortaleza-CE Tel.: (085) 3101-5500 Fax.: (085) 3101-5505

Endereço Eletrônico: [email protected]

INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO

(3)

Luiz Marinho

Secretário de Políticas de Emprego Remígio Todeschini

Coordenadora Nacional do SINE Adriana Phillips Higiéro

Governador do Estado do Ceará Lúcio Gonçalo de Alcântara

Secretário do Trabalho e Empreendedorismo Roberto Eduardo Matoso

Secretário Adjunto do Trabalho e Empreendedorismo José Joaquim Neto Cisne

Coordenador do SINE/CE Sebastião Lopes Araújo

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(5)

Ari Célio Reges Mendes Presidente

José Nogueira Sobrinho Diretor Administrativo-Financeiro

Mardônio de Oliveira Costa Diretor de Estudos e Pesquisas

Wanderlei Reis

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Erle Cavalcante Mesquita Leôncio José Bastos Macambira Júnior

Colaboração Técnica Jonathan Ocinaí Bezerra Lima

Jeremias da Silva Leão Mardônio de Oliveira Costa

Capa, Design e Diagramação Antônio Ricardo Amâncio Lima

David Tahim Alves Brito Raquel Marques Almeida Rodrigues

Revisão

(7)

Sumário

Sumário

Apresentação

Módulo 1 - Mercado de Trabalho no Ceará 13

1 População residente 15

2 População economicamente ativa 22

3 População ocupada 29

4 População desocupada 55

Módulo II - Mercado de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza 67

1 População residente 69

2 População economicamente ativa 72

3 População ocupada 74

4 População desocupada 84

Anexo 89

Considerações finais 99

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(9)

Mercado de Trabalho no Ceará:

um enfoque quantitativo

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(11)

O presente estudo tem como objetivo avaliar a dimensão do mercado de trabalho cearense, atendo - se aos segmentos relacionados às populações residente, e c o n o m i c a m e n t e a t i v a , o c u p a d a e desocupada do Estado do Ceará e da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), fornecendo informações sobre a evolução do mesmo nessas duas áreas.

O levantamento dessas informações possibilitou a geração de indicadores relacionados ao mercado de trabalho local (ocupação, desocupação e rendimento), bem como as principais características destes segmentos quanto a gênero, faixa etária, grau de instrução, entre outros aspectos relevantes.

Nesse sentido, esta publicação foi estruturada em dois módulos. No primeiro, consta uma avaliação da dimensão das populações residente, economicamente ativa, ocupada e desocupada do Estado do Ceará,

seguida de uma análise da evolução do comportamento destes segmentos no mercado de trabalho, por meio dos indicadores de ocupação, desocupação e rendimento. No segundo módulo, será apresentada esta mesma estrutura, mas com foco na Região Metropolitana de Fortaleza.

Com este estudo, o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) disponibiliza para a sociedade uma ampla radiografia da evolução conjuntural recente do mercado de trabalho do estado e da Região Metropolitana de Fortaleza, tomando como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes aos anos de 2001 e 2004.

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Módulo I

Módulo I

O Mercado de Trabalho no Ceará

O Mercado de Trabalho no Ceará

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(15)

1 População residente

Inicialmente, a população residente do Estado do Ceará cresceu de 7.645.495 habitantes (2001) para 7.998.849, em 2004, o que correspondeu a uma taxa de crescimento geométrico de 1,52%. Essa taxa significou que

a população residente do estado foi acrescida anualmente de um contigente de 117.785 pessoas. Esse contigente populacional equipara-se à constituição anual de um município cearense de médio porte (Tabela 1).

Tabela 1

População residente por gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

(16)

Segundo os dados apresentados, um fato que chamou atenção foi o expressivo aumento da população masculina, cuja taxa de crescimento geométrico observada (2,03%) foi praticamente o dobro da feminina (1,05%). O

crescimento desigual entre esses segmentos populacionais contribuiu para a diminuição da diferença existente no estado entre o número de homens e mulheres, conforme o Gráfico 1.

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Em tese, isso significa dizer que a cada incremento anual ocorrido no Ceará de 117.785 pessoas, 75.594 são homens e 42.191, mulheres. Caso seja mantido esse padrão de crescimento, estima-se que, em aproximadamente 7,3 anos, a população residente do estado esteja igualmente dividida entre homens e mulheres.

Quanto à faixa etária, observa-se que a população jovem (entre 15 e 24 anos) continua apresentando um patamar de crescimento bem mais elevado ao observado entre os adultos (25 anos ou mais) respectivamente de 3,51% e 2,76%. Anualmente, a população residente do estado apresenta um incremento médio de 54.619 jovens e 102.542 adultos.

1.1 Situação de domicílio

A situação de domicílio (zona urbana e zona rural) é um outro aspecto a ser observado com relação ao mercado de trabalho do Ceará, principalmente pelo fluxo migratório existente no estado, fato que acompanhou toda a formação política, econômica e social do Ceará.

O município de Fortaleza tem sido um dos núcleos urbanos que mais tem sofrido com o crescimento populacional. A cidade que, no início do século XX, detinha apenas 5,7% da

população residente do estado (com 48.369 habitantes), já comportava 10,02% da população cearense (com 270.169 habitantes), em 1950. Nas décadas seguintes, a cidade passou por um forte crescimento populacional, fruto principalmente das grandes secas que assolaram o interior do estado, no final dos anos setenta e início dos anos oitenta. Nesse período, a cidade já abrigava cerca de 25% da população

1

cearense .

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1

(18)

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Nota: A relação entre a população urbana e população rural, em 2001 e 2004, evoluiu de 2,93 para 3,26.

Tabela 2

População residente por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

A série histórica observada sinaliza o continuísmo do êxodo rural do Ceará, principalmente porque os dados apresentados mostram claramente que enquanto a população urbana apresenta uma taxa positiva de crescimento geométrico (2,40%), a zona rural apresenta uma retração de seu

contingente populacional (-1,15%).

Dessa forma, a população rural, que era estimada em 1.944.518 (2001), caiu para 1.878.336 habitantes em 2004. No mesmo período, a população urbana cresceu de 5.700.977 para 6.120.513 habitantes (Tabela 2).

Em tese, isso significa dizer que a cada ano 22.061 pessoas migram das zonas rurais para as zonas urbanas do estado. Este fluxo migratório, associado ao próprio crescimento populacional dos centros urbanos do Ceará,

agravam ainda mais os problemas existentes nas cidades, sobretudo, a procura por trabalho e as demandas de políticas sociais, de educação, saúde, entre outras. Isto posto, verificou que a zona urbana do estado sofre um

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incremento médio anual de 139.845 pessoas. A continuação do êxodo rural no estado pode ser compreendida tanto pela queda da participação da agricultura na composição do produto interno bruto (PIB)

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estadual quanto na própria expectativa dos trabalhadores locais de conseguirem um emprego não-agrícola (o industrial, por exemplo), conforme a política de atração de investimentos do governo estadual que está fomentando a atividade econômica no interior do Ceará, descentralizando a economia

3

estadual .

Mesmo com a queda da participação da agricultura na composição do PIB estadual, os dados sinalizam que a atividade agrícola ainda é responsável pelo maior número de oportunidades de trabalho, com 1.133.088 trabalhadores. Após a atividade agrícola, seguem os segmentos do comércio e reparação, com 568.391 ocupados, a

indústria, com 562.824 trabalhadores, entre outros.

Percebe-se que a retração da população rural ocorreu com maior intensidade entre as mulheres, cuja taxa negativa de crescimento geométrico (-1,85%) foi, aproximadamente, quatro vezes maior que a verificada entre os homens (-0,46%).

A constatação desse fato pode sinalizar uma realidade adversa de outrora, narrada tanto na literatura científica, quanto na literária, sobre o êxodo rural. Anteriormente, apesar desse problema social atingir todo o núcleo familiar, existia nestas narrativas uma personificação do êxodo rural principalmente na figura masculina, cujo indivíduo representava o tradicional chefe de família. Dessa forma, o homem migrava para os grandes centros econômicos do estado, ou do país, a procura de trabalho para o sustento de sua família. As próprias transformações

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2

Atualmente, a participação da agricultura na composição do PIB estadual representa apenas 1/3 do que significava em meados dos anos oitenta. Fonte: IPECE.

3

O governo estadual tem, por meio de uma política de incentivos fiscais, tem atraído investimentos, principalmente para os municípios do interior do Ceará. Um dos principais pilares dessa política é a dotação de infra-estrutura (rodovias, eletrificação, entre outros) e isenção de impostos estaduais(atualmente é parcial) como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

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ocorridas na sociedade contemporânea têm favorecido tais mudanças, principalmente pelo número crescente de mulheres que ocupam atualmente a condição de chefe de família.

No Ceará, um outro fator que também pode estar contribuindo para essa nova realidade é o próprio processo de transição da estrutura econômica do estado, de agrícola para industrial. A própria tipologia das indústrias instaladas no estado (calçadista e têxtil, por exemplo) , pode ser considerada uma outra variável importante, principalmente

porque na indústria cearense as mulheres apresentam, com relação aos homens, uma maior participação nas ocupações geradas por este setor. Foi estimado que 250.202 homens e 312.622 mulheres trabalhavam na indústria cearense, em 2004.

Fazendo um paralelo entre a população residente nas zonas urbana e rural, verifica-se que a população urbana, que em 2001 era 2,93 vezes maior que a rural, em 2004, chegou a ser 3,26 maior, o que ratifica o maior crescimento populacional nos núcleos

urbanos do estado (Gráfico 2). No estado, observa-se que o contingente juvenil apresenta uma maior taxa de crescimento geométrico, tanto na zona urbana (3,70%), quanto na zona rural (2,88%). Em termos absolutos, existe um incremento médio anual de 44.278 jovens na zona urbana e 10.341, na zona rural, fato que reforça a necessidade

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permanente de políticas públicas voltadas para a juventude.

Já com relação aos a d u l t o s , e s t e c o n t i g e n t e populacional tem crescido nos núcleos urbanos (3,64%) e sofrido retração nas áreas rurais ( - 0 , 1 3 % ) . A n u a l m e n t e , a população urbana sofre um incremento médio anual de 103.683 adultos, enquanto a zona rural apresenta um decréscimo de 1.141 adultos (Gráfico 3).

Constata-se um maior crescimento populacional da população adulta na zona urbana, enquanto que, na zona rural, existe tanto uma retração deste segmento populacional, quanto crescimento da população

jovem. Todavia, nas considerações a seguir, serão feitas avaliações mais detalhadas do impacto desse crescimento (ou retração) dos

segmentos populacionais no mercado de trabalho local, seja urbano, seja rural.

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2 População economicamente ativa

Não é nenhuma novidade que a associação entre crescimento (ou redução) populacional e fluxo migratório traz conseqüências para a composição da

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população economicamente ativa (PEA) , seja na zona urbana ou na zona rural.

Desde meados do século XX, o estudo desse processo tem sido observado nas mais diversas cidades do mundo, em que verdadeiros aglomerados populacionais foram “estruturados” no entorno dos grandes centros econômicos, as chamadas “cidades dormitórios”.

Nos países centrais, a construção dessas cidades buscava atender uma demanda populacional crescente oriunda do período de expansão econômica do pós-guerra. Nestes países, a estruturação dessas cidades foi acompanhada pela construção de vias e trens para facilitar o deslocamento das pessoas para

o trabalho. Todavia, nos países periféricos, este processo de constituição das “cidades dormitórios” sofreu tanto pela falta de planejamento quanto pelo forte crescimento demográfico.

A participação de outras pessoas (não residentes) na atividade econômica destas cidades acabou influenciando o modo de vida da população, sobretudo, relacionado ao mercado de trabalho.

No Ceará, os dados da população residente continuam sinalizando um maior crescimento da urbanização no estado, cujas conseqüências desse processo, com relação à composição tanto da PEA urbana, quanto da PEA rural, serão discutidas.

Observa-se que, entre 2001 e 2004, a PEA estadual aumentou de 3.612.209 para 3.913.596 pessoas, o equivalente a uma taxa de crescimento geométrico de 2,71%. Este

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nível de crescimento populacional mostrou que a cada ano, em média, 100.462 pessoas f o r a m i n c o r p o r a d a s à p o p u l a ç ã o

economicamente ativa do estado do Ceará (Tabela 3).

Tabela 3

População economicamente ativa por gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Os dados apresentados anteriormente (população residente e economicamente ativa) mostram que, apesar do crescimento desigual da população residente, segundo o gênero, o crescimento da população economicamente ativa do estado (2,71%) ocorreu praticamente

de forma igualitária em ambos os casos, onde o crescimento da PEA masculina foi de 2,68% e da PEA feminina, 2,74%.

Apesar de a PEA feminina crescer um pouco mais rapidamente, os homens ainda são a maioria, representando 57% da PEA

2.1 Composição da PEA por gênero e faixa etária

(24)

estadual. Em 2004, foi estimado que a PEA estadual possuía 2.233.083 homens e

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1.680.513, mulheres .

Quanto à faixa etária, os dados sinalizam que o segmento juvenil (4,41%) continua crescendo ainda num patamar bem mais elevado que o dos adultos (2,82%), fato que favorece a maior pressão deste seguimento sobre o mercado de trabalho. Apesar de o contigente juvenil crescer num patamar bem mais elevado, os adultos ainda representam

70,87% da PEA estadual.

Em termos absolutos, a cada ano, a PEA estadual jovem apresenta um incremento médio de 41.236 pessoas e a PEA adulta de

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74.111 trabaladores , sinalizando um significativo crescimento populacional em ambos os segmentos. A conseqüência disso será melhor detalhada nas análises seguintes, que tratam das populações ocupada e desocupada.

2.2 PEA por situação de domicílio

Constata-se um crescimento da população economicamente ativa, tanto na zona urbana, quanto na zona rural do estado. No período avaliado, a PEA urbana cresceu de

2.619.193 para 2.903.435 pessoas e a PEA rural, de 993.016 para 1.010.161 pessoas, com taxas de crescimento geométrico de 3,49% e 0,57%, respectivamente (Tabela 4).

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A PEA estadual sofre um incremento médio anual de 56.778 homens e 43.684 mulheres, o que representa um incremento de 100.462 pessoas.

6

Este incremento médio anual de jovens e adultos difere do dado apresentado na nota anterior, visto que existe uma redução populacional das pessoas com idade entre 10 e 14 anos.

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Tabela 4

População economicamente ativa por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

O c r e s c i m e n t o d a população economicamente ativa, tanto na zona urbana, quanto na zona rural, sinaliza uma maior pressão no mercado de trabalho, independente da s i t u a ç ã o d e d o m i c í l i o observada. Notadamente na zona urbana do estado há uma maior procura por trabalho, posto que a PEA urbana cresce m u i t o m a i s r a p i d a m e n t e (Gráfico 4).

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Fazendo uma avaliação da relação entre PEA urbana com PEA rural, a mesma passa de 2,64 (2001) para 2,87 (2004), concluindo-se que há quase três trabalhadores na zona urbana para um na zona rural.

Atendo-se à essa área, verificou-se que a PEA rural cresceu de 993.016 (2001) para 1.010.161 pessoas (2004), o que representou uma taxa de crescimento geométrico de 0,57%. Em termos absolutos, a PEA rural deteve um incremento médio anual de 5.715 pessoas. Este incremento é bem inferior ao observado na PEA urbana, de 94.747 pessoas, o que retrata claramente o desequilíbrio existente entre as economias das áreas urbana e rural do estado.

Quanto ao gênero, observou-se que enquanto o segmento masculino apresentou uma taxa positiva de crescimento (1,19%), o feminino mostrou uma taxa negativa (-0,35%). Foram estimados 613.547 homens e 396.614 mulheres na condição de economicamente ativos em toda a zona rural do estado, em 2004. As respectivas taxas de crescimento geométrico representam que, a cada ano, a PEA rural sofreu um incremento médio de

7.118 homens e uma retração de 1.403 mulheres.

Pela constatação dessa realidade, pode-se levantar a hipótese de que está existindo um maior fluxo de mulheres em idade adulta da zona rural para a zona urbana, principalmente a procura por trabalho, visto que foram observadas tanto uma retração da força de trabalho feminina na área rural (diga-se participação na PEA), quanto uma diminuição de oportunidades de trabalho para esse segmento, o que será demonstrado posteriormente.

Com relação a faixa etária, no período em análise, o contigente juvenil na PEA rural apresentou uma taxa de crescimento geométrico de 5,40%, enquanto os adultos apresentaram uma taxa negativa de 0,39%. Em 2004, foram estimados 267.513 jovens e 6 7 5 . 3 4 5 a d u l t o s n a c o n d i ç ã o d e economicamente ativos em toda zona rural do estado.

Complementarmente, nesse período, a PEA rural sofreu um incremento médio anual de 13.006 jovens e uma redução de 2.638

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adultos. Este patamar de crescimento populacional do segmento juvenil da PEA rural sinaliza a necessidade de políticas públicas específicas para os jovens do interior do estado, principalmente para que seja evitado o ingresso precário desses jovens no mercado de trabalho,

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seja na zona rural, seja na urbana .

Entre 2001 e 2004, a PEA urbana cresceu de 2.619.193 para 2.903.435 pessoas, o que correspondeu a um incremento médio anual de 94.747 pessoas. Este nível de crescimento populacional tem colaborado para obtenção de um patamar de desocupação mais elevado nos centros urbanos do que o observado no plano estadual.

Quanto ao gênero, o segmento feminino apresentou uma taxa de crescimento mais elevada (3,77%) do que a verificada entre os homens (3,27%). Em absolutos a PEA urbana sofreu um incremento médio de 49.660 homens e 45.087 mulheres, anualmente.

Estimou-se que, em 2004, existiam 1.619.536 homens e 1.283.899 mulheres na condição de economicamente ativos na zona urbana.

Com relação à faixa etária, os dados da PEA urbana mostram que o segmento juvenil apresentou uma taxa de crescimento um pouco mais elevada do que a observada entre os adultos, respectivamente, 4,07% e 3,95%. Em 2004, foram estimados 750.605 jovens e 2.098.191 adultos na condição de economicamente ativos em toda a área urbana cearense. Observou-se que a PEA urbana sofre um incremento médio anual de 28.230 jovens e 76.749 adultos.

Dessa forma, o incremento da população jovem na PEA urbana (28.230 jovens) é pouco mais que o dobro do constatado na PEA rural (13.006 jovens), e essa mesma relação entre os adultos chega a ser 29 vezes maior, o que sinaliza uma maior

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pressão dos adultos por trabalho .

Apesar desse maior crescimento

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Pochmann (2000) destaca que o ingresso precário e antecipado dos jovens no mercado de trabalho pode marcar desfavoravelmente o seu desempenho profissional futuro. Em resumo, isso significa dizer que quanto melhores as condições de acesso ao primeiro emprego, mais favorável será a evolução profissional desses jovens. Ver também: Mercado de trabalho jovem no Ceará: dimensões e características, IDT, 2005.

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populacional entre os adultos, a relação existente entre jovens e adultos na PEA urbana manteve-se constante, tanto em 2001, quanto em 2004, sendo que para cada jovem existente na PEA urbana existem 2,8 adultos, ou seja, os jovens entre 15 e 24 anos representam quase 26% da população economicamente ativa da zona urbana do estado.

Neste sentido, observa-se que a PEA urbana apresenta um crescimento elevado de forma bem similar tanto por gênero quanto por faixa etária (jovem e adulto), enquanto a PEA rural apresentou forte crescimento das populações jovem associada à discreta redução da população adulta e feminina (Gráfico 5).

A área colorida do gráfico sinaliza o patamar de crescimento (em percentagem) dos segmentos masculino, feminino, jovem e adulto, tanto na zona urbana, quanto na zona rural do estado. Na zona urbana, percebe-se que o s q u a t r o s c a n t o s e s t ã o p r e e n c h i d o s q u a s e q u e uniformemente, enquanto na zona r u r a l v e r i f i c a - s e u m f o r t e crescimento do segmento juvenil, seguido de um discreto aumento da população masculina.

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Segundo a PNAD, a população ocupada é compreendida como as pessoas que trabalharam parte ou integralmente na semana de referência da pesquisa. Nessa pesquisa, foram incluídas também as pessoas que trabalharam tanto na produção para próprio consumo quanto na construção para uso próprio. Posteriormente, quando da análise da população desocupada, constatou-se que a inclusão metodológica desses segmentos na

condição de ocupados favoreceu a baixa estimativa de desocupados na zona rural, com 11.826 pessoas.

Entre 2001 e 2004, a população ocupada do estado cresceu de 3.355.962 para 3.613.497 pessoas, o que representou um crescimento de 7,67% no interstício em análise. Isso significou que, anualmente, a população ocupada do estado apresentou um incremento médio de 85.845 pessoas (Tabela 5).

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3 População Ocupada

Tabela 5

População ocupada, por gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

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9

Anteriormente, a taxa de crescimento geométrico foi utilizada tanto na população residente, quanto na população economicamente ativa, como forma de mensurar o crescimento dos segmentos populacionais. Todavia, este indicador não poderá ser utilizado tanto na população ocupada quanto na população desocupada, por não deterem crescimento geométrico.

(30)

Em tese, o comparativo do crescimento médio anual da PEA do estado (100.462 pessoas) com o de sua população ocupada (85.845 pessoas) sinaliza claramente a

crescente procura por trabalho, visto que anualmente existe um déficit ocupacional para 14.617 trabalhadores.

3.1 Ocupados por gênero e faixa

Em 2004, foram estimados 2.094.544 homens e 1.518.953 mulheres na condição de ocupados no Ceará. Observou-se que, entre 2001 e 2004, o contigente de ocupados cresceu tanto na população masculina (8,27%) quanto na feminina (6,86%). Em termos absolutos, existe um incremento médio anual de 53.349 homens e 32.496 mulheres na população ocupada do estado.

Em termos percentuais, a participação dos homens na população ocupada estadual flutuou de 57,64% (2001) para 57,96%, em 2004, e a participação das mulheres caiu de 42,36% para 42,04%, no mesmo período, não demonstrando alterações substanciais.

Quanto à faixa etária, foram estimados 861.098 jovens e 2.634.037 adultos na

condição de ocupados, em 2004. No quadriênio (2001-2004), observou-se um maior crescimento de jovens ocupados (12,73%), comparado ao dos adultos (8,38%), demonstrando uma intensificação de sua inserção no mercado de trabalho. Apesar desse desempenho, os dados continuam sinalizando maiores dificuldades de inserção do segmento juvenil, visto que uma média anual de 32.409 jovens e 67.886 adultos conseguiu ser incorporada à população ocupada do estado.

Dessa forma, a capacidade de absorção do contigente juvenil na condição de ocupados foi praticamente a metade da verificada entre os adultos, o que ratifica as dificuldades de inserção da população jovem.

(31)

Entretanto, ao se quantificar a relação entre as populações ocupadas adulta e juvenil, a mesma cai de 3,18 (2001) para 3,06 (2004), o que ratifica alguma melhoria da ocupação

entre os jovens, no quadriênio avaliado. Mesmo assim, conclui-se que ainda existem três trabalhadores ocupados em idade adulta para cada jovem.

3.2 Ocupados por situação de domicílio

Em 2004, foi estimado que nas zonas urbana e rural do estado existiam,

respectivamente, 2.615.162 e 998.335 pessoas na condição de ocupadas (Tabela 6).

Tabela 6

População ocupada, por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Os números mostram claramente que a população ocupada no Estado do Ceará é muito concentrada nos centros urbanos, dado que 72,37% do total de ocupados reside nessas

áreas, segundo dados de 2004. A constatação dessa realidade é preocupante, principalmente porque esta concentração continua crescendo, visto que, em 2001, a zona urbana era

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responsável por 70,80% dos ocupados.

O continuísmo desse processo pode agravar ainda mais os sérios problemas sociais a que está sujeita a maioria dos municípios que compõem tanto a Região Metropolitana de Fortaleza quanto os municípios de maior expressividade do interior cearense.

Entretanto, sabe-se que o interior do estado, sobretudo a zona rural, apresenta uma série de dificuldades para que se possa atingir um nível de desenvolvimento econômico satisfatório, principalmente relacionado ao capital humano, debilidade de infra-estruturas física e institucional, dificuldades de acesso a mercados, finanças, tecnologias e know how (Bar-El, 2005).

Observou-se que a população ocupada na área rural cresceu de 980.664 para 998.335 pessoas, em 2004, o que representou um adicional de 17.617 ocupados no interstício (1,80%). Isto significou dizer que 5.890 pessoas/ano foram incorporadas à condição de ocupadas na zona rural do Ceará, em média.

Entre 2001 e 2004, no meio rural,

observou-se que enquanto a ocupação cresceu entre os homens (3,81%), a ocupação entre as mulheres sofreu uma redução (-1,17%), fato que pode ter influenciado a redução do contigente feminino na zona rural cearense, conforme os dados já apresentados tanto da população residente quanto da PEA rural.

Em termos absolutos, verifica-se que enquanto uma média anual de 7.434 postos de trabalho foram gerados para a população masculina no meio rural, houve a extinção de 1.543 oportunidades de trabalho para as mulheres, o que sinaliza uma situação desfavorável desse segmento no meio rural.

Quanto à faixa etária, foi estimado que 260.372 jovens e 670.660 adultos estavam na condição de ocupados, em 2004. Observou-se que enquanto o número de jovens ocupados cresceu 17,97%, o de adultos sofreu uma redução de 1,18%. Este melhor desempenho da ocupação jovem na área rural do estado melhorou a proporção existente entre jovens e adultos ocupados. Em 2001, para cada jovem ocupado na zona rural, existiam 3,08 adultos. Já em 2004, essa mesma relação passou de

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um jovem para 2,58 adultos, o que ratifica um melhor nível ocupacional dos jovens no meio rural, no período em análise.

Isto implica a necessidade permanente de políticas de qualificação profissional em atividades eminentemente rurais, seja para a população jovem, seja para a população adulta. Por outro lado, a qualificação profissional em atividades ligadas a outros r a m o s e c o n ô m i c o s d e v e e s t a r preferencialmente interrelacionada com as políticas públicas de atração de investimentos.

Atendo-se à zona urbana, a população ocupada cresceu de 2.375.298 (2001) para 2.615.162 (2004), o que representou um incremento de 239.864 ocupados neste

1 0

interstício (10,10%) , um crescimento populacional de ocupados quase 14 (quatorze) vezes mais elevado do que o observado na zona rural.

Quanto ao gênero, no período em análise, constatou-se um crescimento similar do número de homens ocupados (10,21%) e de

mulheres (9,95%), cujos respectivos contigentes populacionais aumentaram de 1.348.661 para 1.486406 ocupados e de 1.026.637 para 1.128.756 ocupadas, respectivamente, significando que a cada ano 45.915 homens e 34.040 mulheres foram incorporados à população ocupada do Ceará.

Com relação à faixa etária, foi estimado que 600.726 jovens e 1.963.407 adultos possuíam trabalho na zona urbana, em 2004. Os dados da população ocupada nesse nível geográfico mostraram que apesar da maior pressão dos adultos (vide PEA urbana), a ocupação para este segmento cresceu mais rapidamente (12,08%) ao observado entre os jovens (10,60%), o que sinaliza uma situação adversa a observada no meio rural.

O s d a d o s i n d i c a m m a i o r e s dificuldades de inserção da população jovem no mercado de trabalho das áreas urbanas do estado, dado que, a cada ano, enquanto 19.189 jovens ingressam no contigente de ocupados, entre os adultos chegou-se a

________________

10

Anualmente, este incremento representou que 79.955 pessoas foram incorporadas à condição de ocupadas na zona urbana do estado, em média.

(34)

70.564, o que retrata um incremento populacional de ocupados 3,7 vezes maior que o dos jovens.

Um outro aspecto importante é que a participação dos trabalhadores de 50 anos e mais de idade no total de ocupados na área urbana amplia-se um pouco, oscilando de

16,68% (2001) para 17,27% (2004), demonstrando o prolongamento do tempo de permanência no mercado de trabalho dos mais

11

velhos .

3.3 Características da população ocupada

Um outro aspecto central desse trabalho é mostrar as principais características da população ocupada do estado, principalmente as relacionadas a anos de estudos, posição na ocupação, setor de

atividade, entre outros, objetivando verticalizar o conhecimento sobre esse segmento, detectando as características e as formas de inserção no mundo laboral.

3.3.1 Anos de estudos

No Ceará, há uma sinalização de melhoria do nível educacional da população ocupada. Um exemplo foi a redução do contigente de ocupados “sem instrução ou com menos de 01 ano de estudo”, de 24,25%

(2001) para 20,19% (2004) dos ocupados. Este contigente populacional retraiu-se de 813.756 para 729.554 pessoas, o que representou um encolhimento de 16,74%

12

(Tabela 7) .

________________

11

A participação dos trabalhadores com mais de 50 anos no total de ocupados da zona rural caiu de 24,89% (2001) para 23,72% (2004), fato que foi influenciado pela maior inserção dos jovens na população ocupada da zona rural do estado.

12

Segundo o IBGE, as pessoas sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo são aquelas que nunca freqüentaram uma escola ou, caso

a

(35)

Tabela 7

População ocupada por grupos de anos de estudo, segundo o gênero Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Um outro aspecto positivo que sinaliza a melhoria do perfil educacional da população ocupada local foi o aumento da participação dos trabalhadores com ensino superior (completo ou incompleto). Apesar desse segmento representar menos de 5% da população ocupada, sua participação cresceu de 3,75% para 4,78% da ocupação total do Ceará, entre 2001 e 2004. Em termos absolutos, este segmento cresceu de 125.717 para 172.757 pessoas, um aumento de

13

37,42% no quadriênio .

Neste sentido, constatou-se uma

retração na participação dos segmentos populacionais que possuem até 07 anos de estudo e um crescimento daqueles segmentos que detêm nível de escolaridade acima desse limite, fato observado em ambos os gêneros.

Nesse tema, os dados continuam apresentando uma melhor performance das mulheres cearenses, observada tanto entre os mais instruídos quanto entre os menos instruídos. Com base nos anos de 2004, observou-se que, para cada mulher sem instrução, existiam 2,03 homens. Já entre os mais escolarizados (15 anos ou mais de

________________

13

Segundo o IBGE, a faixa de quinze anos de estudo ou mais é para aquelas pessoas que concluíram, pelo menos, o 4º ano do ensino superior.

(36)

14

3.3.2 Setor de atividade

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola no Ceará, este ramo de atividade é o que ainda tem gerado o maior número de oportunidades de trabalho no estado, com 1.133.088 pessoas ocupadas

(31,35%), em 2004. Após a atividade agrícola, verificou-se uma maior participação do comércio e reparação, com 568.391 postos de trabalho (15,73%), indústria, com 562.824 (15,58%), entre outros setores (Tabela 8).

________________

14

Nesta Tabela não foi possível fazer a comparação com 2001 porque os grupamentos de atividade eram bastante diferenciados, o que

Tabela 8

População ocupada por grupamentos de atividade do trabalho principal, segundo o gênero Estado do Ceará

2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

a melhor situação dela, indepen-dentemente do grau de instrução observado.

estudo), para cada homem com este perfil educacional, existia 1,73 mulher, o que ratifica

(37)

Os números apontam que, apesar das constantes modificações no mundo do trabalho, existe ainda um predomínio de certas ocupações para determinados gêneros, como os exemplos do trabalho doméstico, entre as mulheres, e o da construção civil, entre os homens, apesar do constante aumento tanto dos homens nas atividades domésticas, quanto das mulheres na construção civil.

As mulheres continuam exercendo predomínio sobre os homens nos setores de

atividades tradicionalmente ligados ao segmento feminino, tais como o trabalho doméstico e os serviços sociais (educação, saúde, entre outros). Todavia, observou-se também uma maior participação feminina na indústria cearense, dado que foram estimadas 312.622 mulheres e 250.022 homens ocupados neste setor de atividade, em 2004. No caso específico da indústria de transformação, 57,26% das pessoas ocupadas no setor são mulheres.

3.3.3 Posição na ocupação

A PNAD apresenta oito categorias com relação à posição na ocupação: empregado

15

(trabalha para um empregador) , trabalhador doméstico (realiza serviços domésticos remunerados em dinheiro ou bens), conta-própria (explora seu próprio negócio, contando ou não com empregados ou sócios), trabalhador não-remunerado (pessoa que trabalhava sem remuneração), entre outras.

Em 2004, a estrutura da população ocupada do Ceará era composta por 43,94% empregados, 28,17%, por conta-própria; 1 2 , 1 9 % , n ã o - r e m u n e r a d o s ; 7 , 1 8 % , t r a b a l h a d o r e s d o m é s t i c o s ; 5 , 4 8 % , trabalhadores na produção para o próprio

16

consumo ; 2,99%, empregadores e 0,05% trabalhadores na construção para o próprio

17

uso (Tabela 9) .

________________

15

Segundo o IBGE, o empregador pode ser tanto de natureza física quanto jurídica. Complementarmente, o trabalhador cumpre geralmente uma jornada de trabalho, recebendo remuneração em dinheiro e/ou em benefícios.

16

Segundo o IBGE, esta “pessoa trabalhava pelo menos 01 hora na semana, na produção de bens do ramo que compreende as atividades agricultura, silvicultura ...” Ver: Notas Técnicas, PNAD, in www.ibge.gov.br (on-line).

17

(38)

Tabela 9

População ocupada por posição na ocupação no trabalho principal, segundo o gênero Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Nota 1: Inclusive as pessoas sem declaração de atividade.

A estrutura da população ocupada, tanto em 2001 quanto em 2004, apresentou-se de forma bem similar. Porém, verificou-apresentou-se uma ampliação tanto do contigente de empregados quanto dos trabalhadores não-remunerados, cujos segmentos ampliaram sua participação na população ocupada de 42,75% para 43,94% e de 10,89% para 12,19%, respectivamente.

O total de empregados cresceu de 1.434.702 para 1.587.633 pessoas (10,66%),

enquanto o número de trabalhadores sem remuneração aumentou de 365.577 para 440.665 pessoas (20,54%), entre 2001 e 2004.

O b s e r v o u - s e q u e , a f o r a o s trabalhadores que construíram ou produziram para o próprio uso ou consumo, os demais segmentos populacionais (trabalhador doméstico, empregado e conta-própria) apresentaram crescimento bastante similar, o que sinaliza diversas formas de inserção no

(39)

1 8

mundo laboral . Complementarmente, d e s t a c a - s e , d e n t r e e s t e s s e g m e n t o s populacionais, o maior crescimento, em termos absolutos, dos trabalhadores por conta-própria, que apresentam um incremento anual de 15.582 pessoas. O crescimento desse segmento sinaliza que, devido às dificuldades de (re)colação profissional, os trabalhadores procuram novas alternativas de trabalho e renda, além do trabalho assalariado.

Quanto ao gênero, destaca-se entre os homens um maior crescimento dos trabalhadores não-remunerados (26%),

empregados particulares (8,26%) e conta-própria (7,96%). Entre as mulheres, observou-se um maior crescimento das empregadoras (50,90%), empregadas particulares (15,23%) e trabalhadoras por conta-própria (7,96%).

Destaca-se ainda uma maior inserção das mulheres na condição de empregadoras de mão-de-obra, enquanto o contigente masculino nesta condição vem diminuindo no quadriênio em análise. Anualmente há um incremento de 3.226 mulheres e uma retração de 1.532 homens na condição de empregadores de mão-de-obra.

3.3.4 Horas trabalhadas

Esta alteração de gênero na condição de empregadores de mão-de-obra remete à observação de que foram justamente estes t r a b a l h a d o r e s q u e a p r e s e n t a r a m , comparativamente aos demais segmentos, uma maior jornada de trabalho, visto que 36% dos empregadores disseram possuir uma

jornada de trabalho superior a 49 horas semanais. Todavia, verificou-se que 58,75% da população ocupada do Ceará (2.123.028 trabalhadores) possuiam uma jornada de trabalho entre 15 e 44 horas semanais,

19

segundo os dados de 2004 (Tabela 10) .

________________

18

Entre 2001 e 2004, cresceu o número de trabalhadores domésticos em 5,12%, seguidos dos empregadores, com 4,92% e conta-própria com 4,81%.

19

A Constituição Federal, no art.7º, XIII, assegura que a jornada de trabalho deverá ser de até 08 horas diárias ou 44 horas semanais. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

(40)

Tabela 10

População ocupada por posição na ocupação no trabalho principal, segundo o grupos de horas habitualmente trabalhadas

Estado do Ceará 2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Nota 1: Inclusive as pessoas sem declaração de atividade.

Os dados apresentados ratificam o predomínio da jornada entre 40 e 44 horas semanais, já que aproximadamente 40% da população ocupada do estado está inserida nesta jornada de trabalho.

C o m p l e m e n t a r m e n t e , o s t r a b a l h a d o r e s p o r c o n t a - p r ó p r i a demonstraram um predomínio da jornada entre 15 e 39 horas semanais (34,97% destes), enquanto os trabalhadores domésticos

apresentaram uma jornada de trabalho bastante diversificada, contemplando todas as faixas trabalhadas na pesquisa.

Quanto ao ramo de atividade, os segmentos que apresentaram uma maior jornada de trabalho (49 horas ou mais) foram: comércio e reparação (29,58%), alojamento e alimentação (33,52%), serviços domésticos (27,70%), transporte, armazenagem e comunicação (38,95%), conforme Tabela 11.

(41)

Tabela 11

População ocupada por grupamentos de atividade do trabalho principal, segundo os grupos de horas habitualmente trabalhadas

Estado do Ceará 2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Estes segmentos tradicionalmente funcionam normalmente os sete dias da semana, como o caso do comércio em shopping centers, setor hoteleiro, empresas de transportes, entre outras.

Em outros setores, como a construção civil (50,40%), administração pública (42,39%), educação, saúde e serviços sociais, com 41,67%, apresentaram o predomínio da tradicional jornada de trabalho entre 40 e 44 horas semanais.

(42)

3.4 Evolução da taxa de ocupação

Após avaliado o comportamento dos s e g m e n t o s p o p u l a c i o n a i s e s u a s características, realizou-se uma investigação da evolução da taxa de ocupação entre os anos de 2001 e 2004. No estado, a taxa de ocupação tem se estabelecido no patamar aproximado de 56% da população em idade

ativa (PIA), ou seja, aquelas pessoas que possuem idade igual ou superior a 10 anos. Isso significa dizer que a cada 100 pessoas em idade ativa, 56 encontravam-se ocupadas no período de referência da pesquisa de campo

20

(Tabela 12) .

Tabela 12

Indicadores médios anuais de ocupação, por gênero, segundo os grupos de anos de estudo

Estado do Ceará 2001-2004

________________

20

(43)

...Continuação da Tabela 12

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Observa-se na Tabela 12 que houve crescimento da ocupação, em 2003 e 2004, posto que a taxa passou de 55,19% (2002) para 56,16% (2003) e 56,34% (2004), sendo a mais elevada no período.

Com relação ao gênero, os dados apresentados indicam uma maior estabilidade

da taxa de ocupação entre os homens, diante da maior oscilação desse indicador entre as mulheres. O nível ocupacional do segmento masculino mostrou pequenas variações, exceto em 2003, cujo indicador cresceu exatamente um ponto percentual em relação ao ano anterior. Já entre as mulheres, a taxa de

(44)

ocupação, que registrou queda em 2002, voltou a se recuperar e manter praticamente o

mesmo patamar de ocupação observado em 2001 (Gráfico 6).

O gráfico apresentado mostra claramente que, nos anos em apreço, o patamar de ocupação masculino é bem mais elevado do que o feminino, em média, 54%. A constatação dessa realidade pode ser facilmente observada nas diferenças das taxas de ocupação entre homens e mulheres, respectivamente, 68,36% e 45,34%, tomando

como exemplo o ano de 2004.

Com relação à escolaridade, o nível ocupacional cresce entre os trabalhadores que possuem pelo menos 08 anos de estudo, independentemente de gênero. Assim, os t r a b a l h a d o r e s c o m b a i x a i n s t r u ç ã o apresentaram uma menor empregabilidade (Gráfico 7).

(45)

O s n ú m e r o s m o s t r a m q u e o trabalhador que está na faixa de 08 a 10 anos de estudo aumenta a possibilidade de conseguir um trabalho em 12,60%, comparado aqueles que possuem de 04 e 07 anos de estudo, e, caso este mesmo trabalhador consiga concluir pelo menos o

ensino médio (11 a 14 anos de estudo), sua chance cresce mais 25,69%. O término do curso superior ou ingresso em curso de pós-graduação (15 anos ou mais de estudo) melhora o seu patamar de ocupação em mais

21

19,64% .

Com relação à faixa etária, as

________________

21

(46)

estatísticas demonstraram uma maior dificuldade de inserção dos jovens na popula-ção ocupada do estado, dado que, no período

em análise, o patamar de ocupação dos adultos foi, em média, 29% mais elevado que o dos jovens, vide seções anteriores (Tabela 13).

Tabela 13

Indicadores médios anuais de ocupação jovem e adulta Estado do Ceará

2001-2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Neste sentido, a constatação dessa realidade confirma a regra da maior dificuldade de inserção dos segmentos juvenil e feminino no mercado de trabalho. Em ambos os casos, o patamar de ocupação dos segmentos adulto e masculino apresentou-se bem mais elevado, respectivamente, 29% e

22

54% .

Em 2004, por exemplo, enquanto a taxa de ocupação do segmento juvenil era de 51,68%, entre os adultos, este mesmo indicador era de 67,15%, ou seja, aproximadamente 30% mais elevada, o que ratifica a maior dificuldade de inserção dos jovens no mercado de trabalho (Gráfico 8).

________________

22

(47)

Um dado ainda mais preocupante é que estas desigualdades entre os segmentos jovem e adulto ou masculino e feminino reproduzem-se ainda mais duramente nas subdivisões destes segmentos, como o exemplo das jovens trabalhadoras. Observou-se que, enquanto o diferencial de ocupação entre homens e mulheres na idade adulta era, em

média, 54%, essa mesma diferença entre os jovens chegava a 63%, o que sinaliza a maior dificuldade de inserção das mulheres, sobretudo, as mais jovens. Isto implica a necessidade permanente de políticas públicas voltadas à juventude, sobretudo, enfatizando a questão de gênero.

(48)

3.5 Rendimentos

Quanto ao nível de rendimento mensal, os dados apresentam as duas faces de uma mesma moeda com relação à queda da remuneração da população ocupada do C e a r á , t a n t o p e l o i n c r e m e n t o d o s

trabalhadores com rendimentos de até 02 salários-mínimos, quanto pela redução daqueles que recebiam mais de 10 salários (Gráfico 9).

(49)

E m 2 0 0 4 , v e r i f i c o u - s e q u e aproximadamente 45 mil trabalhadores cearenses possuíam rendimento superior a 10

salários-mínimos e, destes, apenas 9 mil

23

recebiam mais de 20 salários (Tabela 14) .

Tabela 14

População ocupada por classes de rendimento mensal do trabalho principal, segundo o gênero Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Nota 1: Inclusive as pessoas que receberam somente em benefícios.

________________

23

O salário vigente em setembro (2004) era de R$ 260,00.

Entre 2001 e 2004, o número de trabalhadores que recebiam até 01 salário-mínimo cresceu de 1.556.582 para 1.817.041

pessoas, o que representou um incremento de 260.459 pessoas. Isso significa dizer que metade da população ocupada do estado

(50)

(50,29%) detém este nível de rendimento, isto é, recebe uma remuneração mensal de, no

máximo, 01 salário (Gráfico 10).

Processou-se uma intensificação da concentração da remuneração do trabalho, dado que, em 2001, para cada trabalhador que ganhava mais de 10 salários-mínimos, havia 24 recebendo até 01 salário, e em 2004,

24

essa mesma relação chegou a 40 . Por um

lado, esse tema mostra uma queda da remuneração da população ocupada e, por outro, sinaliza também uma maior substituição dos trabalhadores com maior remuneração por aqueles com menores salários, por exemplo.

________________

24

Essa relação reproduz-se mais duramente com relação ao gênero, já que, para cada homem que possuía rendimento maior que 10 salários-mínimos, havia 27 recebendo até 01 salário. Essa mesma relação entre as mulheres é que, para cada mulher com rendimento

(51)

Outro aspecto importante é que apesar de o rendimento médio mensal dos ocupados expressar um crescimento nominal de R$ 271,00 (2001) para R$ 340,00, em 2004 (25,46%), os rendimentos da população ocupada vêm caindo, vis-à-vis a valorização do

salário-mínimo, visto que o rendimento médio mensal, que eqüivalia a 1,51 salário-mínimo em 2001, só valia 1,31 salário em 2004, o que sinaliza uma perda do poder aquisitivo da população ocupada do estado (Tabela 15).

Tabela 15

População ocupada e valor do rendimento médio mensal de todos os trabalhos, segundo as classes de rendimento mensal, por gênero

Estado do Ceará 2001-2004

(52)

...Continuação da Tabela 15

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Nota 1: 94,76% da população ocupada possuía um único trabalho, em média.

Com relação ao gênero, os dados apresentados continuam desfavoráveis às mulheres. No período em análise, observou-se que a média do rendimento (mensal) dos

homens era 52,75% mais elevada do que a das mulheres, o que significa dizer que a cada R$ 100,00 pago às mulheres, os homens recebiam R$ 152,75.

(53)

Tabela 16

Empregados e valor do rendimento médio mensal do trabalho principal, segundo a categoria do emprego, por gênero

Estado do Ceará 2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

________________

25

Percentuais arredondados sem casas decimais.

Todavia, essa disparidade vem diminuindo ao longo da série histórica, principalmente porque o rendimento médio dos homens, que chegou a ser 65% mais elevado em 2001, caiu para 41,09%, em 2004, uma redução significativa para o curto período

analisado.

Houve diminuição do patamar de rendimento entre homens e mulheres com carteira assinada, que caiu de 35% (2001) para 21%, em 2004. Já entre os sem carteira, o patamar de rendimento da mulher, que era 5% mais elevado que o dos homens (2001), passou a ser 14% mais e l e v a d o , e m 2 0 0 4 , o q u e sinaliza que a m e l h o r i a d e rendimento da m u l h e r e s t á o c o r r e n d o principalmente e n t r e o s t r a b a l h a d o r e s s e m c a r t e i r a 25 (Tabela 16) .

(54)

Em resumo, verifica-se que, seguindo a tendência mundial de redução das disparidades salariais entre homens e mulheres, estas, mesmo apresentando uma

melhor escolaridade, continuam, de uma forma geral, ganhando menos que os homens, principalmente quando se observa o emprego formal (Gráfico 11).

(55)

4 População desocupada

A PNAD classifica os desocupados como sendo as pessoas que, no período de referência da pesquisa, não tinham trabalhado todo ou parte desse período, e que tomaram medidas efetivas de procura por trabalho no mesmo, tais como: procurar agências de emprego, consultar amigos e parentes, realizar

26

concurso público,etc .

Seguindo este conceito, entre 2001 e 2004, o número de desocupados no estado do Ceará cresceu de 256.247 para 300.099 pessoas, o que representou um acréscimo de 43.852 desocupados no interstício, proporcionando um incremento médio anual de 14.617 pessoas na situação de

27

desocupação (Tabela 17) .

Tabela 17

População desocupada por gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

________________

26

Fonte: IBGE.

27

(56)

Os dados apresentados mostram que o número de mulheres desocupadas teve um crescimento (26,22%) três vezes maior ao observado entre os homens (8,02%), o que ratifica a maior dificuldade de inserção das mulheres no mercado de trabalho. Isto fez com que a participação das mulheres na população

desocupada do estado crescesse de 49,95% (2001) para 53,84% em 2004 e a dos homens declinasse de 50,05% para 46,16%. Foi estimado que 138.539 homens e 161.560 mulheres encontravam-se na situação de desocupação, em 2004 (Gráfico 12).

Foi verificado também um maior crescimento do número de jovens desocupados (20,28%) com relação ao de adultos (15,46%).

O segmento juvenil aumentou a sua participação no total de desocupados do estado, de 50,49%(2001) para 52,32%, em 161.560 127.996 138.539 128.251 Mulheres Homens Gráfico12

Estimativa do número de desocupados por gênero Estado do Ceará

2001 - 2004

2004 2001

(57)

2004. Nesse ano, foram estimados 157.020 jovens e 139.469 adultos na condição de

desocupados (Gráfico 13).

Complementarmente, a cada ano, a população desocupada do estado sofre um incremento médio anual de 8.826 jovens e 6.225 adultos. Este incremento médio anual de jovens e adultos (15.051 pessoas) difere do

incremento da população desocupada do estado (14.617 pessoas), visto que este último engloba todas as pessoas economicamente ativas e não somente aquelas de 15 anos ou mais de idade.

4.1 Quanto à situação de domicílio

Observa-se que, por concentrar mais de 70% da população ocupada do Ceará, a zona urbana concentraria também o maior contigente de desempregados, fruto da maior procura por trabalho. Foi estimado que as

zonas rural e urbana do estado possuíam, respectivamente, 11.286 (3,96%) e 288.273 (96,04%) desocupados, o que sinaliza que a desocupação estadual é eminentemente urbana (Tabela 18).

(58)

Tabela 18

População desocupada por situação de domicílio e gênero, segundo os grupos de idade Estado do Ceará

2001/2004

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Entre 2001 e 2004, o contigente de desocupados na zona urbana cresceu 18,20%, o que representou um incremento médio anual de 14.793 desocupados. Já com relação ao meio rural, observou-se uma diminuição da desocupação em 4,26%, o que significou que anualmente 176 pessoas deixaram a desocupação na área rural, fato que não significa dizer que obrigatoriamente conseguiram um trabalho.

Um aspecto que pode ter colaborado para essa baixa estimativa do número de

desocupados na zona rural do estado foi a inclusão metodológica dos trabalhadores que construíram ou produziram para o uso ou consumo próprio na condição de ocupados. Em 2004, estes trabalhadores representaram 5,53% (199.787 pessoas) da população ocupada estadual um contigente populacional quase 18 (dezoito) vezes maior ao de desocupados da zona rural do Ceará.

Além disso, a redução da participação da agricultura na composição do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, associada ao

(59)

crescimento da PEA rural (0,57%), deveriam contribuir para a elevação das estatísticas de

desocupação rural no estado e não para a sua redução.

4.2 Anos de estudo

Como já abordado anteriormente, os trabalhadores mais escolarizados apresentam um patamar de ocupação bem mais elevado do que aqueles com baixa escolaridade. Este melhor desempenho ocupacional dos mais escolarizados pode ter favorecido uma maior

procura por trabalho, fato que contribuiu para o aumento populacional dos desempregados com 15 anos ou mais de estudo, de 4.898 (2001) para 10.492 pessoas, em 2004 (Tabela

28

19) .

Tabela 19

População desocupada por grupos de anos de estudo, segundo o gênero Estado do Ceará

2001/2004

________________

28

No período em análise, o crescimento percentual deste segmento foi de 114,21%.

(60)

O maior incremento de trabalhadores desocupados ocorreu entre aqueles que possuíam de 11 a 14 anos de estudo (ensino médio ou superior incompleto), que passou de 57.535 (2001) para 89.599 (2004) trabalhadores, o que representou num incremento de 32.064 pessoas (55,73%).

Estes trabalhadores com grau de instrução intermediário (11 a 14 anos), além de serem o segmento mais representativo em termos quantitativos, sofreram com o próprio ajuste do mercado de trabalho, pois não possuíam instrução formal para ocupar os empregos mais qualificados, bem como não apresentavam as características necessárias para o exercício das ocupações que geralmente não requerem um maior nível de instrução,

dada a maior concorrência por uma vaga no mercado de trabalho, e a prática tem mostrado que esses trabalhadores com instrução mais elevada, em várias situações, têm ocupado postos de trabalho que exigem menos instrução. Por exemplo, trabalhadores de nível superior ocupando postos que exigem nível médio.

Um outro aspecto é que o contingente de desocupados sem instrução e menos de 01 ano de estudo vem diminuindo, de 25.497 (2001) para 23.119 (2004), tanto pelas oportunidades de trabalho para este segmento quanto pela melhoria educacional dos trabalhadores locais, fato que contribuiu para uma diminuição da pressão desse segmento por trabalho.

4.3 Evolução da taxa de desocupação

Em 2004, a taxa de desocupação interrompeu a trajetória de crescimento e recuou de 8,06% (2003) para 7,67% (2004), o que representou uma retração de 4,84%. Nos

anos anteriores, a mesma vinha mantendo uma tendência de crescimento observado desde 2001 (Tabela 20).

(61)

Tabela 20

Indicadores médios anuais de desocupação, por gênero, segundo os anos de estudo Estado do Ceará

2001-2004

(62)

Posto que os indicadores de ocupação e desocupação possuem uma inter-relação, os segmentos populacionais que apresentaram maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho são justamente os que apresentaram também um patamar de desocupação mais elevado.

O patamar de desocupação feminino foi, em média, 52% mais elevado que o masculino, diferença facilmente observada nas respectivas taxas de desocupação. Em 2004, por exemplo, a taxa de desocupação entre homens e mulheres era de, respectivamente, 6,20% e 9,61% (Gráfico 14).

Quanto à escolaridade, observa-se, através dos indicadores médios anuais, a situação mais desfavorável dos trabalhadores

que possuem grau de escolaridade mediana, entre 8 e 10 anos de estudo. Este é um segmento bastante representativo com 74.329

(63)

desocupados (24,77%), em 2004.

Neste sentido, o Gráfico 15 mostra que, apesar do expressivo crescimento, em termos relativos, do desemprego entre os mais

escolarizados (114,21%), o patamar de desemprego foi mais elevado justamente entre os trabalhadores que possuíam grau de instrução intermediário.

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Já com relação à faixa etária, os dados ratificam a tendência global de que o desemprego juvenil é, em média, três vezes maior. Em 2004, por exemplo, enquanto a taxa

de desemprego adulto era de 5,03%, a dos jovens chegava a 15,42%, o que representou um indicador 3,07 vezes maior (Tabela 21 e Gráfico 16).

Tabela 21

Indicadores médios anuais de desocupação jovem e adulta Estado do Ceará

2001-2004

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Um outro aspecto relevante é que, assim como ocorrido na ocupação, a desocupação afeta mais duramente as jovens trabalhadoras. Enquanto o patamar de desocupação das mulheres adultas, com relação aos homens, é 50% mais elevado, entre as jovens, esta diferença é de 62%, o que

demonstra a situação desfavorável das mulheres no mercado de trabalho local, sobretudo as mais jovens, o que notadamente reforça a constante elaboração ou avaliação das políticas públicas voltadas para a juventude, enfatizando também a questão de gênero.

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O Mercado de Trabalho na

Região Metropolitana de Fortaleza

O Mercado de Trabalho na

Região Metropolitana de Fortaleza

Módulo II

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1 População residente

Para um melhor entendimento da evolução do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), faz-se necessária uma leitura dos principais s e g m e n t o s q u e c o n f o r m a m a b a s e demográfica desse mercado, quais sejam: a população em idade ativa, pessoas de 10 anos ou mais de idade, a população não economicamente ativa parcela da PIA que não pressiona o mercado de trabalho como vendedora de sua força de trabalho e a população economicamente ativa, tração da PIA que pressiona efetivamente o mercado de trabalho, ocasionando a oferta de mão-de-obra. A título do estudo proposto, nesse momento, a análise ficará restrita à população residente e à população economicamente ativa da RMF, a qual contempla os ocupados e desocupados.

Segundo a PNAD, a população residente na RMF, no quadriênio 2001/2004,

cresceu 6,24%, apresentando um adicional de 193.551 pessoas no referido período, significando um incremento médio anual de 64.517 pessoas à população da RMF. Do total dessa população residente, em 2004, que era de 3.295.915 pessoas, 1.549.762 eram homens, e 1.746.153, mulheres. Esse resultado mostra que a população feminina foi superior em 196.391 pessoas no referido ano. Ademais, observou-se que o crescimento relativo dos homens, de 2001 para 2004, foi de 7,55%, enquanto o crescimento feminino foi de 5,10%. Em síntese, apesar de o crescimento absoluto das mulheres em 2004 ter sido superior ao dos homens, o mesmo foi inferior em termos relativos.

A população residente da Região Metropolitana de Fortaleza, em 2004, pode ser considerada adulta, haja vista que 50,77% dela possuía idade maior ou igual a 25 anos (1.673.393), e que aqueles com idade

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compreendida entre 15-24 anos somavam 710.055 pessoas (21,54%). Em ambas as faixas, o crescimento de 2001/2004 foi de 11,10% e 11,88%, respectivamente.

Levando-se em consideração o conceito de jovem definido pela Organização

1

Internacional do Trabalho (OIT) , os homens com idade de 15-24 anos registraram um incremento de 50.910 pessoas, em 2001/2004, enquanto as mulheres, 24.492 pessoas. Ou seja, o incremento absoluto do número de homens jovens foi superior em 48,11% ao das mulheres jovens no referido período. Assim, a população jovem da RMF foi acrescida de 75.402 indivíduos, o equivalente a uma média anual de 25.134 jovens.

Enquanto o ritmo de crescimento da população jovem masculina foi de 17,64%, o da feminina foi de apenas 7,08%, o que significa dizer que, no período, a população jovem masculina cresceu 2,49 vezes mais rápido, o que pode ser traduzido em maiores pressões sobre o mercado de trabalho da RMF

no curtíssimo prazo.

As populações com idade de 40-49 anos e maior ou igual a 50 anos tiveram um crescimento de 18,19% e 21,57%, respectivamente, de 2001 para 2004, de acordo com a Tabela 1, a seguir. Se se levar em consideração que a população jovem cresceu 11,88% no mesmo período, inferior a esta última (>=50), e diante das quedas acentuadas da taxa de fecundidade no país ao longo dos últimos 70 anos, pressupõem-se maiores investimentos com idosos, além de políticas públicas que visem a inserção do jovem no mercado de trabalho. Por outro lado, “o comportamento do emprego nos próximos 30 anos será fundamental para definir se os idosos do futuro ficarão dependentes da população jovem e adulta ou se, em vez disso, atuarão como incentivadores do crescimento econômico por terem acumulado poupança nos anos em que a situação era mais favorável a isso”.

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1

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Tabela 1

População residente, por gênero, segundo os grupos de idade Região Metropolitana de Fortaleza

2001/2004

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2 População economicamente ativa

A b o r d a n d o a p o p u l a ç ã o e c o n o m i c a m e n t e a t i v a , n o p e r í o d o 2001/2004, o seu crescimento foi de 9,32%, superior ao da população residente, que foi de 6,24%. Em valores absolutos, a PEA da RMF passou de 1.435.233 para 1.568.932 pessoas, isto é, cerca de 133.709 pessoas foram adicionadas a este segmento populacional, das quais 70.152 eram compostas por homens e 63.557, por mulheres. Por sua vez, a PEA feminina apresentou um crescimento de 9,79%, enquanto que a masculina ficou em 8,92%.

Um outro aspecto importante observado é o fato de a maior concentração dessa população se dar na faixa de 25 anos ou mais (74%). Isso posto, só confirma a tendência natural da força de trabalho desse grupo etário,

haja vista que jovens e adultos não só exercem uma maior pressão sobre o mercado de trabalho, como também possuem maior inserção. É interessante observar, porém, que a PEA masculina jovem teve um crescimento de 12,49%, no período em análise, e a PEA das mulheres jovens, de apenas 3,52%, demonstrando uma maior disponibilidade da primeira para o mercado de trabalho. Já entre aqueles com idade igual ou maior que 25 anos, a tendência é inversa, ou seja, a PEA das mulheres adultas crescem 13,75% e a dos homens adultos, 10,12%. Ou seja, o crescimento da PEA masculina jovem foi superior em quase quatro vezes o da PEA feminina jovem, enquanto as mulheres adultas apresentaram uma maior ampliação da PEA, quando comparada a dos homens (Tabela 2).

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Tabela 2

População economicamente ativa, por gênero, segundo os grupos de idade Região Metropolitana de Fortaleza

2001/2004

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