Exame de 7.7.03 e resolu¸c˜ao.
Instituto Superior T´ecnico Departamento de Matem´atica
Sec¸c˜ao de ´Algebra e An´alise
AN ´
ALISE MATEM ´
ATICA IV
2o Exame
(LEA,LEB,LEC,LEGI,LEIC,LEMat,LEM,LEMG,LEN,LEQ,LQ)
Justifique cuidadosamente todas as respostas.
Data: 07/07/2003, 9h00 Dura¸c˜ao: Exame 3h00.
1. Seja u :R2 → R definida por
u (x, y) = sh(ax) sen y. onde a ´e uma constante real.
Para que valores da constante a ´e que u ´e a parte real de uma fun¸c˜ao anal´ıtica emC? Para esses valores da constante, determine uma fun¸c˜ao harm´onica conjugada de u.
2. Considere a fun¸c˜ao f (z) = 1
z(z + 1). Determine o desenvolvimento de f em s´erie de Laurent ( indicando a respectiva regi˜ao de convergˆencia) centrada em z0= 0, convergente em:
(a) z = 12. (b) z = 2.
3. Considere a regi˜ao de C definida por Rdef= z ∈ C : |z − 1 2| < 1 . Calcule Z ∂R 1 z3+ 1 dz
onde ∂R ´e o bordo de R percorrido uma vez em sentido directo.
4. Utilizando o Teorema dos Res´ıduos, calcule Z +∞
−∞
1
(x2+ 9)2 dx.
5. Seja a uma constante real e f (t) = teat, definida para t≥ 0. Calcule a
Transformada de Laplace de f , (designada por L(f) ), e verifique que: f (t) = 1
2πi I
C
eztL(f)(z) dz, ∀t > 0, onde C ´e um contorno fechado apropriado.
6. Determine a solu¸c˜ao do problema de valores iniciais x0= Ax + h(t) x(0) = (0, 1, 0)T onde A = 1 1 00 1 0 0 0 2 e h(t) = e0t −1
7. Considere a equa¸c˜ao diferencial
2x2− yx+ 2yx− x2 dy dx = 0.
a) Mostre que esta equa¸c˜ao ´e redut´ıvel a exacta com um factor inte-grante µ = µ(x).
b) Determine a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao que satisfaz a condi¸c˜ao inicial y(2) = 2 e indique o intervalo m´aximo de defini¸c˜ao da mesma. 8. Determine a solu¸c˜ao do problema de valores iniciais
y00− 4y0+ 4y = 0 se 0 ≤ t ≤ 1 t− 1 se t > 1 y(0) = 0, y0(0) = 1 .
9. Determine a solu¸c˜ao do problema de valor inicial e condi¸c˜oes de fron-teira:
ut= uxx+ 2ux, (t, x)∈ R+×]0, π[
u(t, 0) = 0, u(t, π) = 0 t ∈ R+,
u(0, x) = e−x(sen x + sen 2x) x∈]0, π[.
10. Seja F uma fun¸c˜ao estritamente crescente, duas vezes diferenci´avel e tal que F (0) = 0 e F0(0) = 1. Determine a solu¸c˜ao do seguinte problema:
¨
y =−F00(y) ˙y3 com y(0) = 0 e ˙y(0) = 1. Sugest˜ao: Obtenha primeiro uma fun¸c˜ao v tal que ˙y = v(y).
Resolu¸c˜ao:
1. Sabemos que u ´e a parte real de uma fun¸c˜ao holomorfa se e s´o se u ´e harm´onica, ou seja, u ∈ C2 e ∆u = 0. Sendo u o producto de duas
fun¸c˜oes C∞ ser´a claramenteC2. Por outro lado tem-se
∆u = ∂
2u
∂x2+
∂2u
∂y2 = a
2sh(ax) sen y−sh(ax) sen y = (a2−1) sh(ax) sen y
e portanto ser´a harm´onica se e s´o se a2 = 1, ou a = 0, ou seja, para
a = −1 ou a = 0, ou a = 1. Sendo v uma harm´onica conjugada de u tem-se que f = u + iv ´e holomorfa (em C) e portanto, pelas equa¸c˜oes de Cauchy-Riemann, ter-se-`a
∂v
∂y = a ch(ax) sen y ∂v
∂x =− sh(ax) cos y
.
Integrando a primeira equa¸c˜ao em ordem a y vem v(x, y) =−a ch(ax) cos y+ h(x). Derivando esta express˜ao em ordem a x e comparando com a se-gunda equa¸c˜ao do sistema de Cauchy-Riemann tem-se, relembrando que a2 = 1, ou a = 0, − sh(ax) cos y + h0(x) =− sh(ax) cos y, ou seja
h0(x) = 0 ⇔ h(x) = α ∈ R. Portanto as fun¸c˜oes harm´onicas
conjuga-das de u s˜ao v(x, y) = −a ch(ax) cos y + α onde α ∈ R ´e arbitr´ario e a2= 1, (a∈ R,) ou a = 0, ´e o mesmo valor de a da fun¸c˜ao u.
2. Atendendo a que as singularidades de f s˜ao os p´olos simples z = 0 e z = −1, o Teorema de Laurent garante que existem dois desenvolvimentos de Laurent centrados em z0 = 0 : um pontualmente convergente em
D(0; 0, 1) = {z : 0 < |z| < 1} e outro em D(0; 1, +∞) = {z : |z| > 1} Como 1 2 ∈ D(0; 0, 1) e 2 ∈ D(0; 1, +∞) obtem-se o seguinte: (a) 1 z(z + 1) = 1 z ∞ X n=0 (−1)nzn = 1 z ∞ X n=0 (−1)nzn−1 = ∞ X n=−1 (−1)n+1zn o qual ´e convergente para valores de z satisfazendo 0 <|z| < 1. (b) 1 z(z + 1) = 1 z − 1 z + 1 = 1 z 1− 1 1 + z−1 = 1 z 1− ∞ X n=0 (−1)nz−n ! = = 1 z ∞ X n=1 (−1)n+1z−n =X∞ n=1 (−1)n+1z−1−n = X−1 n=−∞ (−1)−n+1zn−1 convergente para valores de z tais que |z| > 1.
3. O polin´omio z3+ 1 tem trˆes raizes distintas −1, exp(iπ
3) e exp(−i π 3).
Logo a fun¸c˜ao z31+1 tem p´olos simples nos pontos −1, exp iπ3 e exp−iπ3
do plano complexoC. Segue-se que o res´ıduo da fun¸c˜ao z31+1 no ponto
z0, onde z0 ´e um dos p´olos, ´e
Res z=z0 1 z3+ 1 = 1 3z2 0 = z0 3z3 0 =−z0 3.
Como | − 1 − 12| = 32 > 1 e | exp(±iπ3)− 12| = √23 < 1, o Teorema dos Res´ıduos permite escrever
Z ∂R 1 z3+ 1dz = 2πi Res z=exp(iπ3) 1
z3 + 1 +z=exp(Res−iπ 3) 1 z3+ 1 =−2πi 3 1 + i√3 2 + 1− i√3 2 ! =−i2π 3 . 4. Como a fun¸c˜ao x7→ 1
(x2+9)2 ´e integr´avel em R pode-se escrever
Z +∞ −∞ 1 (x2+ 9)2 dx = limr→+∞ Z r −r 1 (x2+ 9)2 dx
Seja γr = [−r, r] + Γr com Γr = {z : |z| = r ∧ Im z ≥ 0}, percorrida
uma vez em sentido directo. Considere-se o integral emC Z γr 1 (z2+ 9)2 dz = Z r −r 1 (x2+ 9)2 dx + Z Γr 1 (z2+ 9)2 dz.
Usando o Teorema dos Res´ıduos para calcular o integral no membro esquerdo pode-se escrever
Z r −r 1 (x2 + 9)2 dx = 2πi X k Res 1 (z2+ 9)2, zk I(γr; zk)− Z Γr 1 (z2+ 9)2 dz
onde zk s˜ao as singularidades de z 7→ (z2+9)1 2.
As singularidades desta fun¸c˜ao racional s˜ao os zeros do seu denomina-dor, i.e., z1 = 3i e z2 =−3i, cada uma delas com multiplicidade dois.
Observando que z ∈ int γr ⇒ Im z > 0 conclui-se que I(γr, z2) = 0
para todos os valores de r e I(γr, z1) = 1 se r > 3. Como pretendemos
calcular o limite r → ∞ pode-se, sem perda de generalidade, conside-rar daqui em diante que r > 3. Como estas singularidades s˜ao p´olos de
multiplicidade dois (porque s˜ao zeros duplos do denominador e n˜ao s˜ao zeros nem singularidades do numerador) tem-se
Res 1 (z2+ 9)2, 3i = 1 1!zlim→3i (z− 3i)2 1 (z2 + 9)2 0 = lim z→3i 1 (z + 3i)2 0 = lim z→3i −2 (z + 3i)3 = − 2 (6i)3 =− 1 108i e portanto Z r −r 1 (x2+ 9)2 dx = π 54 − Z Γr 1 (z2+ 9)2 dz. Como Z Γr 1 (z2+ 9)2 dz ≤ Z Γr 1 (|z|2− 9)2 · |dz| = πr (r2− 9)2 −−−→r→∞ 0 conclui-se que Z +∞ −∞ 1 (x2+ 9)2 dx = limr→+∞ Z r −r 1 (x2+ 9)2 dx = π 54. 5. Atendendo a queL(eat) = 1
s−a, para s > a, e `a propriedade seguinte da
Transformada de Laplace:
L(−tf(t)) = dsd L(f)(s), segue-se imediatamente que L(teat) = 1
(s−a)2.
Pretende-se de seguida verificar que, para todo o t > 0, se tem: f (t) = 1
2πi I
C
eztL(f)(z) dz. O integral em causa ´e:
1 2πi I C ezt (s− a)2 dz,
o qual, atendendo a que g(z) = ezt ´e uma fun¸c˜ao anal´ıtica em C para
cada valor de t > 0, pela f´ormula integral de Cauchy, considerando C um contorno fechado simples qualquer que envolve z0 = a uma vez no
sentido positivo, d´a trivialmente o resultado. De facto, tem-se: 1 2πi I C ezt (s− a)2 dz = g 0(a) = teat.
6. Sendo x = xx12 x3
o problema pode ser escrito na forma ˙x1 = x1+ x2 , x1(0) = 0 ˙x2 = x2+ et , x2(0) = 1 ˙x3 = 2x3− 1 , x3(0) = 0
Todas as equa¸c˜oes s˜ao lineares de primeira ordem, sendo as equa¸c˜oes que permitem calcular x2 e x3 independentes de x1. Para calcular x3,
teremos que resolver a equa¸c˜ao
˙x3− 2x3 =−1 , x3(0) = 0 (1)
A equa¸c˜ao admite como factor integrante µ(t) = e −2 dt= e−2t.
Multi-plicando todos os termos de (1) por µ(t), podemos escrever d dt e−2tx3 =−e−2t pelo que, integrando em t, obtem-se
e−2tx3 = e−2t 2 + c3 ⇔ x3 = 1 2 + c3e 2t
Dado que x3(0) = 0, conclui-se que c3 =−12, e
x3 =
1 2(1− e
2t) .
Para determinar x2, h´a que resolver
˙x2− x2 = et , x2(0) = 1 (2)
O factor integrante ´e µ(t) = e −1 dt = e−t. Multiplicando todos os
termos de (2) por µ(t), podemos escrever d dt e−tx2 =−1 pelo que, integrando em t, obtem-se
e−tx2 = t + c2 ⇔ x2 = tet+ c2et
Dado que x2(0) = 1, conclui-se que c2 = 1, e
Finalmente para determinar x1, h´a que resolver
˙x1 = x1+ x2 , x1(0) = 0
Substituindo o valor de x2 encontrado,
˙x1 − x1= et(t + 1) , x1(0) = 0 (3)
O factor integrante ´e µ(t) = e
−1 dt = e−t. Multiplicando todos os
termos de (3) por µ(t), podemos escrever d dt e−tx2 = t + 1 Integrando em t, obtem-se e−tx1 = t2 2 + t + c1 ⇔ x1 = e t(t2 2 + t + c1) Dado que x1(0) = 0, conclui-se que c2 = 0, e
x1 = et(
t2
2 + t)
Uma outra forma de determinar a solu¸c˜ao do sistema, seria a de calcular a matriz eAt e utilizar a f´ormula da varia¸c˜ao das constantes. Para tal
seria conveniente verificar que a matriz A ´e diagonal por blocos, isto ´e A = J1 0 0 J2 com J1 = 1 1 0 1 e J2 = 2 pelo que eAt= eJ1t 0 0 eJ2t = e t tet 0 0 et 0 0 0 e2t
7. (a) Sejam M (x, y) = 2x2− yx, N(x, y) = 2yx − x2. O campo vectorial
(M, N ) ´e C∞ emR2. Em particular ´e C1. Verifica-se que
∂M
∂y =−x 6= 2y − 2x = ∂N
∂x
e portanto (M, N ) n˜ao ´e um campo fechado (e consequentemente n˜ao ´e exacto.) Tendo em conta o enunciado, procuremos um factor integrante µ = µ(x) tal que (µM, µN ) seja fechado:
∂ ∂y(µM ) = ∂ ∂x(µN )⇔ µ ∂M ∂y = µ 0M +µ ∂ ∂x(µN )⇔ µ 0 = ∂M ∂y −∂N∂x N µ.
Como ∂M ∂y − ∂N ∂x N = −x − 2y + 2x 2yx− x2 =− 2y− x (2y− x)x =− 1 x ´e apenas dependente de x, a equa¸c˜ao para µ ´e µ0=−1
xµ a qual tem
como uma das poss´ıveis solu¸c˜oes a fun¸c˜ao µ(x) = x−1. Com este
factor integrante o campo vectorial fica (µM, µN ) = (2x− y, 2y − x) o qual ´e fechado em R2 e, como este conjunto ´e simplesmente
conexo, a equa¸c˜ao ´e a´ı exacta.
(b) Pelo que se viu na al´ınea anterior a equa¸c˜ao dada multiplicada pelo factor integrante determinado resulta em
(2x− y) + (2y − x)dy dx = 0
que ´e uma equa¸c˜ao exacta em R2. Consequentemente existe um
potencial escalar Φ∈ C2 tal que ∇Φ = (2x − y, 2y − x), ou seja
( ∂Φ ∂x = 2x− y ∂Φ ∂y = 2y− x ⇔ Φ(x, y) = x2− yx + h 1(y) Φ(x, y) = y2− yx + h 2(x)
Comparando entre si estas duas express˜oes para Φ conclui-se que h1(y) = y2+ C e h2(x) = x2+ C, com C ∈ R arbitr´ario. Tome-se
C = 0. O potencial ´e Φ(x, y) = x2−xy +y2e a equa¸c˜ao diferencial
pode ser escrita na forma d
dxΦ(x, y(x)) = 0
pelo que, integrando esta equa¸c˜ao entre x = 2 e um x arbitr´ario e tendo em conta que, pela condi¸c˜ao inicial dada, y(2) = 2, tem-se
Φ(x, y(x))− Φ(2, y(2)) = 0 ⇔ x2− xy + y2 = 4.
Sendo esta equa¸c˜ao alg´ebrica quadr´atica em y pode ser facilmente resolvida em ordem a esta vari´avel usando a f´ormula resolvente:
y(x) = x + p
x2− 4(x2− 4)
2
onde, devido `a condi¸c˜ao y(2) = 2, apenas a express˜ao apresentada, com o sinal positivo, ´e relevante. Usando esta express˜ao explicita de y(x) e atendendo a que a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
tem de ser uma fun¸c˜ao de classe C1 no seu intervalo m´aximo de
defini¸c˜ao, concluimos que tem de se verificar x2−4(x2−4) > 0 ⇔ −3x2+16 > 0⇔ x2 < 16 3 ⇔ − 4 √ 3 < x < 4 √ 3 e portanto o intervalo m´aximo ´e Imax=
−√4 3, 4 √ 3 .
8. Comecemos por observar que o membro direito da equa¸c˜ao ´e cont´ınuo emR. Para t ∈ [0, 1] a equa¸c˜ao ´e homog´enea. Vejamos a solu¸c˜ao neste intervalo. O polin´omio caracter´ıstico da equa¸c˜ao ´e p(λ) = λ2− 4λ + 4
cujos zeros s˜ao λ1 = λ2 = 2. A solu¸c˜ao geral ser´a ent˜ao
y(t) = αe2t+ βte2t,
onde α, β ∈ R s˜ao arbitr´arios. Como y0(t) = (2α + β)e2t+ 2βte2t, a
condi¸c˜ao inicial resulta em 0 = y(0) = α 1 = y0(0) = 2α + β ⇐⇒ α = 0 β = 1
e a solu¸c˜ao do problema em [0, 1] ´e y(t) = te2t. Usando esta express˜ao
tem-se y(1) = 1 e y0(1) = 3e2, pelo que o problema de Cauchy em
[1, +∞) ´e
y00− 4y0+ 4y = t− 1, se t ≥ 1
y(1) = 1, y0(1) = 3e2.
Como λ = 0 n˜ao ´e um zero do polin´omio caracter´ıstico, uma solu¸c˜ao particular desta equa¸c˜ao ser´a do tipo ypart(t) = at + b, com a, b ∈ R. Para que estas fun¸c˜oes sejam solu¸c˜oes ter˜ao de satisfazer a equa¸c˜ao, ou seja,
ypart00 − 4ypart0 + 4ypart = t− 1 ⇔ 0 − 4a + 4(at + b) = t − 1
⇔ (4a − 1)t + (4b − 4a + 1) = 0 ⇔ a = 1
4 ∧ b = 0,
pelo que se conclui que uma solu¸c˜ao particular ´e ypart(t) = 14t. Ent˜ao,
o problema no intervalo [0, 1] tem como solu¸c˜ao geral y(t) = αe2t+ βte2t+ 1
4t.
Derivando esta espress˜ao obtem-se y0(t) = (2α + β)e2t + 2βte2t+ 1 4 e
atendendo `a condi¸c˜ao dada em t = 1 tem-se
1 = y(1) = αe2+ βe2+1 4 3e2 = y0(1) = (2α + β)e2+ 2βe2+1 4 ⇐⇒ α = 4e102 − 3 β = 3− 7 4e2
sendo a solu¸c˜ao do problema proposto, em [0, +∞), a seguinte y(x) = ( te2t se t∈ [0, 1], (10 4e2 − 3)e2t+ (3− 4e72)te2t+ 14t se t≥ 1.
9. Procurando solu¸c˜oes separadas v(x, t) = X (x) T (t) do problema linear homog´eneo
ut= uxx+ 2ux com u(t, 0) = u(t, π) = 0,
obtemos XT0= X00T + 2X0T, pelo que λ = T0 T = X00+ 2X0 X ´e constante. Temos ent˜ao
T0= λT, (portanto T = const.
e
λt )e
X00+ 2X0 = λX com X (0) = X (π) = 0. O polin´omio caracter´ıstico desta ´ultima equa¸c˜ao ´e
P (z) = z2+ 2z− λ
= (z + 1)2− (λ + 1) .
Determinando solu¸c˜oes X n˜ao triviais deste problema, vem
Se λ = −1, resolvendo X00 + 2X0 = −X, vem X = A
e
−x+ Bxe
−x. Como X (0) = X (π) = 0, obtemos sucessivamente A = 0 e B = 0. Portanto neste caso (λ =−1) n˜ao existem solu¸c˜oes n˜ao triviais. Se λ 6= −1, resolvendo X00+ 2X0 = λX, vem X = Ae
(−1+√λ+1)x+ B
e
(−1−√λ+1)x. Como X (0) = X (π) = 0, obtemosA + B = 0 e A
e
(−1+√λ+1)π+ Be
(−1−√λ+1)π = 0.Portanto A = −B e
e
2√λ+1π = 1 (para A6= 0). Conclu´ımos queapenas existem solu¸c˜oes n˜ao triviais se 2√λ + 1π = in2π, ou seja λ =−1 − n2 com n inteiro,
sendo as solu¸c˜oes correspondentes
X = A
e
(−1+in)x−e
(−1−in)x= Ae
−xe
inx−e
−inx = Ce
−xsen (nx) .Obtivemos ent˜ao as solu¸c˜oes
e
(−1−n2)te
−xsen (nx) . Fazendocombi-na¸c˜oes lineares destas solu¸c˜oes chegamos `a solu¸c˜ao formal (do problema homog´eneo considerado) u (x, t) = +∞ X n=1 bn
e
(−1−n 2)t−x sen (nx) . Finalmente atendendo `a condi¸c˜ao inicialu(0, x) =
e
−x(senx + sen2x) vem+∞
X
n=1
bn
e
−xsen (nx) =e
−x(senx + sen2x) ,ou seja
+∞
X
n=1
bnsen (nx) = (senx + sen2x) ,
pelo que b1 = b2 = 1 e bn = 0 para n > 2. Chegamos ent˜ao `a solu¸c˜ao
pretendida:
u (x, t) =
e
−2t−xsen (x) +e
−5t−xsen (2x) .10. Se ˙y = v(y), ent˜ao ¨y = v0(y) ˙y = v0(y)v(y). Pelo que v0v = −F00(y)v3.
Esta equa¸c˜ao ´e separ´avel e obtemos sucessivamente, para v 6= 0, −vv20 = F00(y) e 1
v(y) = F
0(y) + c,
para certa constante c. Como v(0) = v(y(0)) = ˙y(0) = 1 e F0(0) = 1,
vem c = 0. Donde (numa vizinhan¸ca de y = 0) v(y) = 1
F0(y).
Resolvendo agora a equa¸c˜ao ˙y = v(y) obtemos sucessivamente, F0(y) ˙y = 1 e F (y) = t + k,
para certa constante k. Mas como F (y(0)) = F (0) = 0, vem k = 0. Ent˜ao a solu¸c˜ao do problema y (t), ´e definida implicitamente por F (y (t)) = t. Sendo F uma fun¸c˜ao estritamente crescente, conclu´ımos que esta fun¸c˜ao ´e invert´ıvel e
y (t) = F−1(t),
onde F−1´e justamente a fun¸c˜ao inversa de F . O intervalo de defini¸c˜ao da solu¸c˜ao y (t) ser´a ent˜ao o contradom´ınio da fun¸c˜ao F (ou seja o dom´ınio de F−1) .