A T R I B U T A Ç Ã O A N G O L A N A ( V I I I ) : O N O V O C Ó D I G O D O P R O C E S S O T R I B U T Á R I O

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TAX & BUSINESS

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N º 4 / 1 4

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A T R I B U T A Ç Ã O A N G O L A N A ( V I I I ) : O N O V O

C Ó D I G O D O P R O C E S S O T R I B U T Á R I O

IIIINTRODUÇÃONTRODUÇÃONTRODUÇÃONTRODUÇÃO

No âmbito da Reforma Tributária angolana em curso, foi publicado em Diário da República o Decreto Legislativo Presidencial n.º 22/14 de dia 5 de Dezembro de 2014, que procede à aprovação do novo Código do Processo Tributário (“CPT”) e que entrou em vigor no passado dia 4 de Janeiro de 2015.

Motivada pela ineficácia do anterior

Regulamento do Contencioso das

Contribuições e Impostos, que constava do Diploma Legislativo n.º 2026, de 10 de Março de 1948, pretendeu-se adaptar o contencioso tributário ao actual quadro constitucional angolano.

O presente diploma pretendeu, desde logo, reformular o processo judicial tributário, por forma a conferir uma maior celeridade e

eficácia ao mesmo e, paralelamente,

estabelecer uma separação de poderes mais evidente entre o poder judicial e o poder administrativo, uma vez que, no anterior

Regulamento do Contencioso das

Contribuições e Impostos – cuja data é anterior à da independência de Angola –, os tribunais judiciais eram concebidos como

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reconhecida a devida independência entre a esfera administrativa e a judicial.

Em traços gerais, é de referi que se vislumbra no presente diploma uma tentativa de clarificar, de forma expressa, os direitos e as garantias que assistem aos contribuintes, nomeadamente, especificando o objecto do processo tributário: a efectivação da tutela judicial plena dos direitos e interesses dos contribuintes e da Administração tributária, bem como, a garantia do direito de impugnação de multas.

Assim, as alterações introduzidas visaram, essencialmente, a actualização e a adaptação do processo tributário à nova realidade política, económica e social de Angola, designadamente, consagrando de forma clara um princípio da separação de poderes em linha com os princípios constitucionais vigentes.

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ÂMBITO DO PROCESSO TRMBITO DO PROCESSO TRMBITO DO PROCESSO TRMBITO DO PROCESSO TRIBUTÁRIOIBUTÁRIOIBUTÁRIOIBUTÁRIO

Ao invés da anterior divisão do processo tributário em reclamações contenciosas e julgamento de transgressões, o legislador ampliou o âmbito do processo tributário angolano, consagrando novas formas de reacção judicial, como é o caso das impugnações, acções específicas, intimações,

providências cautelares e autorizações

judiciais.

No que diz respeito, em concreto, às referidas impugnações, o legislador confere-lhes um

espectro muito abrangente, estabelecendo que podem ser impugnados todos os actos tributários e actos de fixação da matéria colectável, quaisquer actos administrativos, em matéria tributária lesivos de direitos e interesses legítimos dos particulares, os actos de fixação dos valores patrimoniais que sirvam de base à liquidação dos tributos que incidam sobre o património, as providências cautelares requeridas pelas autoridades tributárias e, também, as multas aplicadas em processo de transgressão fiscal.

Por sua vez, são consagradas diversas acções específicas, nas quais os contribuintes poderão deduzir, no âmbito do processo tributário, acções para o reconhecimento de um direito ou interesse legítimo em matéria

tributária, acções condenatórias da

Administração Tributária à realização de prestações materiais legalmente fixadas, acções derivadas de contratos fiscais e, por

fim, acções de responsabilidade civil

extracontratual contra a Administração

tributária, relativamente a actos ou omissões praticados pelos seus órgãos e respectivos titulares, funcionários ou agentes.

No que respeita às intimações, o legislador passa a prever a possibilidade de o contribuinte apresentar intimações para a prestação de informações, consulta de documentos e passagem de certidões.

No que respeita aos direitos consagrados a favor da Administração tributária, a mesma tem, agora, o poder de propor providências

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cautelares, sendo, por outro lado,

salvaguardados os direitos dos contribuintes, na medida em que passa a estar obrigada a requerer autorização judicial para aceder ao domicílio do contribuinte e a quaisquer elementos protegidos pelo sigilo bancário ou outro dever de segredo, legalmente regulado.

P P P

PRINCÍPIOS RINCÍPIOS RINCÍPIOS RINCÍPIOS GGGGERAISERAISERAISERAIS

Com o desiderato de tornar mais claros os direitos e garantias que assistem aos contribuintes, o legislador consagrou um rol de princípios, gerais, orientadores de todo o processo tributário.

Foi consagrado o princípio da necessidade do pedido, nos termos do qual, os Tribunais passaram a estar obrigados a pronunciar-se apenas sobre as questões suscitadas pelas partes.

Foi também previsto que o processo tributário é orientado pelo princípio do contraditório: nenhuma questão suscitada por qualquer uma das partes pode ser resolvida sem que à outra parte se conceda o direito de se pronunciar. Por outro lado, é consagrado o princípio genérico, nos termos do qual, salvo regra em contrário, não pode haver coligação de autores ou cumulação de pedidos na mesma acção. No caso específico da impugnação de multas, deverão ser impugnadas todas as multas, em conjunto, se aplicadas no mesmo processo de transgressão.

Por sua vez, é estabelecido um princípio do inquisitório, em que é esclarecido que o Tribunal poderá e deverá realizar todas as diligências que sejam úteis para conhecer todos os factos necessários para a apreciação do pedido, assim como o princípio da igualdade de partes, que prevê as partes deverão possuir as mesmas faculdades e meios de defesa.

Por fim, é estabelecido o princípio da boa fé e da cooperação processual, nos termos do qual, todos os intervenientes no processo deverão cooperar entre si, de forma a garantir uma justa composição do litígio.

P P P

PRESSUPOSTOS RESSUPOSTOS RESSUPOSTOS RESSUPOSTOS PPPPROCESSUAISROCESSUAISROCESSUAISROCESSUAIS

O presente diploma, procedeu também à clarificação dos pressupostos processuais, que devem estar reunidos para que se possa

configurar correctamente o processo

tributário.

Neste sentido, o mesmo prevê normas específicas relativamente à personalidade e à

capacidade e legitimidade judiciais

(tributárias), estabelecendo, ainda, as

situações em que o contribuinte deverá ser devidamente representado por advogado. Quanto à competência dos Tribunais no processo tributário, a lei ora em análise confere competência, em primeira instância, às Salas do Contencioso Fiscal e Aduaneiro dos Tribunais Provinciais, dependendo do local onde tenha ocorrido o facto sob discussão.

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A competência para os recursos das decisões tomadas em primeira instância foi atribuída à Câmara do Cível, Administrativo Fiscal e Aduaneiro do Tribunal Supremo. Por sua vez, os recursos das decisões tomadas em segunda instância cabem ao Plenário do Tribunal Supremo.

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OS S S S AAAACTOS CTOS CTOS CTOS PPPPROCESSUAISROCESSUAISROCESSUAISROCESSUAIS

Prazos PrazosPrazos Prazos

Uma dos objectivos mais relevantes que orientaram a presente reforma prende-se com a necessidade de conferir uma maior celeridade à tramitação processual.

Desta forma, foram consagradas duas formas de tramitação processual: os processos normais e os urgentes, tendo, inclusivamente, sido estipulados prazos para a sua duração. Os processos normais não deverão ter duração acumulada superior a um ano e os processos urgentes superior a 90 dias. De referir é, contudo, que estes prazos são meramente indicativos.

No que diz respeito à sua qualificação, os processos urgentes são as intimações para a prestação de informações, consulta de documentos e passagem de certidões, as providências cautelares, as impugnações de providências cautelares, bem como, as autorizações judiciais de acesso ao domicílio do contribuinte e a elementos protegidos por segredo legalmente estabelecido.

No que à contagem dos prazos diz respeito, o legislador estabeleceu que, para a interposição de acções ou impugnações, são utilizadas as regras do Código Civil, enquanto que para os prazos judiciais são, em regra, utilizadas as disposições do Código do Processo Civil. Por sua vez, os actos de mero expediente devem ser praticados em 5 dias e os restantes em 10 dias, podendo o juiz fixar prazo diferente, consoante a conveniência do processo.

Citações e notificações Citações e notificaçõesCitações e notificações Citações e notificações

É consagrada, também, uma secção,

autónoma, destinada à qualificação e

descrição da citação e notificação e, bem assim, das suas formalidades e espécies. É de referir, que, quando não seja feita pessoalmente, a citação e a notificação deverão ser efectuadas por carta registada com aviso de recepção dirigida ao domicílio do contribuinte, devendo considerar-se que as mesmas foram efectuadas na data da assinatura do aviso ou, quando não tenha sido levantado o aviso de recepção, no 5.º dia útil posterior ao do registo ou no dia útil seguinte se esse dia não for útil.

A AA

AS S S S IIIIMPUGNAÇÕES MPUGNAÇÕES MPUGNAÇÕES MPUGNAÇÕES JJJJUDICIAISUDICIAISUDICIAISUDICIAIS

Como referido anteriormente, o legislador criou um título especial para as formas de

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reacção judiciais tributárias, ampliando de forma significativa, o seu âmbito e, assim, as garantias dos contribuintes.

Âmbito objectivo Âmbito objectivo Âmbito objectivo Âmbito objectivo

De acordo com o presente diploma, os contribuintes poderão, agora, apresentar três tipos de impugnações judiciais: (i) a impugnação dos actos tributários, (ii) a impugnação de outros actos administrativos, desde que se demonstre a lesão de direitos e interesses legítimos dos particulares em matéria tributária e os mesmos sejam praticados no exercício das funções da Administração tributária, e (iii) a impugnação dos actos de fixação de valores patrimoniais que sirvam de base à liquidação dos tributos sobre o património.

No que diz respeito, em concreto, à primeira situação, este diploma determina o que se deverá considerar como actos tributários impugnáveis, de onde se destaca (i) a liquidação de tributos (ainda que provisória), (ii) a autoliquidação, (iii) o acto de apuramento da matéria colectável, (iv) a recusa ou falta de resposta por parte da Administração tributária de confirmação da declaração de substituição

da autoliquidação apresentada pelo

contribuinte, (v) o indeferimento ou a falta de resposta no prazo de 45 dias à reclamação administrativa deduzida pelo contribuinte contra liquidações de tributos e a retenção dos tributos efectuada ao substituto tributário.

Para além daqueles actos especificamente identificados, o legislador considera que poderão ser impugnáveis outros actos, desde que se demonstre a lesão de direitos e interesses legítimos dos particulares em matéria tributária e os mesmos sejam praticados no exercício das funções da Administração tributária.

Entre os actos administrativos lesivos existentes, o legislador faz referência (i) ao indeferimento ou falta de resposta a pedidos de reconhecimento de benefícios fiscais ou a revogação dos mesmos, (ii) ao indeferimento ou falta de resposta aos pedidos de autorização de acesso a regimes fiscais especiais ou a revogação do acesso aos mesmos, (iii) ao indeferimento ou falta de resposta a pedidos de emissão de actos tributários que a Administração Tributária tivesse o dever de praticar, (iv) à imposição definitiva de obrigações ou ónus aos contribuintes e, por fim, (v) a quaisquer outros actos que se demonstre serem lesivos de direitos ou interesses legítimos, desde que a impugnação não tenha ou não deva ter por objecto a apreciação da legalidade do acto de liquidação.

A omissão de resposta da Administração tributária nos casos acima referidos é considerada definitiva decorridos 45 dias após a apresentação da respectiva petição.

Por fim, é de referir que a fixação dos valores patrimoniais de bens sujeitos a inscrição em matrizes prediais ou em quaisquer outros registos de carácter permanente que a

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Administração tributária deva possuir, de modo a proceder à liquidação de tributos sobre o património, pode, igualmente, ser impugnada.

Acresce, ainda, a possibilidade de o contribuinte impugnar actos conexos com o

acto de fixação do valor patrimonial deper se,

nomeadamente, os erros na inscrição e a omissão do dever legal de resposta à reclamação de erros na fixação de valores patrimoniais.

Finalidade e fundamentos Finalidade e fundamentosFinalidade e fundamentos Finalidade e fundamentos

De acordo com o regime ora consagrado, a impugnação judicial visa a obtenção da anulação ou declaração de nulidade ou de inexistência do acto impugnado.

O pedido de anulação pode fundar-se (i) no erro na qualificação dos factos tributários ou de direito que deram origem ao acto, (ii) no erro na quantificação dos rendimentos, lucros ou valores patrimoniais sujeitos a tributação, (iii) em qualquer outro erro de facto no procedimento tributário que serviu de base para a decisão, (iv) na incompetência para a realização do acto, (v) na ausência ou vício da fundamentação legalmente exigida, (vi) no desvio de poder ou, (vii) na preterição de formalidades legais essenciais.

Por sua vez, a nulidade pode ter como fundamento, designadamente, a ofensa de caso julgado anterior, a ausência de forma

legal, a inexistência do tributo à data do facto, entre outros.

Por fim, para obter a declaração de inexistência do acto, o contribuinte poderá invocar a falta absoluta de elementos caracterizadores do tipo de acto legalmente previsto ou qualquer outro vício a que a lei atribua a sanção de inexistência.

Prazos Prazos Prazos Prazos

É de referir que as impugnações judiciais deverão ser apresentadas no prazo de 60 dias, posteriores (i) ao termo do prazo de pagamento voluntário constante do acto impugnado, (ii) à notificação do indeferimento da reclamação administrativa de acto tributário, ou (iii) contados consoante o facto relevante que lhe está subjacente.

Tramitação Tramitação Tramitação Tramitação

De acordo com o novo CPT angolano, a sua tramitação depende da natureza do processo em causa, sendo mais extensa, no caso dos processos normais e mais curta, no caso dos processos urgentes.

De forma sintética, o processo iniciar-se-á com a apresentação de uma petição inicial, na qual devem estar devidamente identificados os dados do contribuinte, o acto impugnado e quem o praticou, as razões de facto e de direito subjacente ao pedido, que também deverá estar devidamente identificado, os meios de prova que o contribuinte pretende

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oferecer e o valor do processo, devendo, ainda, ser devidamente acompanhada de procuração forense.

Após a apresentação da petição inicial, o juiz deverá proferir despacho inicial no qual ordenará a notificação do órgão da Administração tributária demandado para

contestar e para juntar o processo

administrativo que haja decorrido

anteriormente. O órgão demandado poderá, nesta fase, apresentar contestação.

Segue-se a fase da instrução, na qual o juiz deverá indicar, por despacho, os factos a esclarecer e as provas que pretende que sejam concretizadas. Após emitido o referido despacho, deverão ouvir-se as testemunhas e os peritos que tenham sido indicados pelas partes.

Posteriormente, as partes apresentarão as suas alegações escritas e, finalmente, o juiz deverá proferir Sentença.

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AS S S S AAAACÇÕES CÇÕES CÇÕES CÇÕES EEEESPECIAISSPECIAISSPECIAISSPECIAIS

Tal como referido, o novo Código contempla, também, várias acções especiais, que visam alargar o leque de protecção do contribuinte. Desde logo, encontra-se prevista a acção para o reconhecimento de um direito ou interesse legítimo, que deverá ser proposta por quem invoque ser titular do direito ou interesse que pretende ver reconhecido. O contribuinte

dispõe de um prazo de cinco anos após a constituição do direito ou do conhecimento pelo interessado do facto que constitui fundamento do direito, para a apresentação da referida acção.

Por sua vez, os contribuintes que aleguem ser os titulares do direito a prestações materiais legalmente previstas, que não dependam da emissão de acto administrativo impugnável, poderão deduzir uma acção condenatória de prestações materiais.

Caso um contribuinte pretenda obter a interpretação, declaração de invalidade total ou parcial ou da inexistência jurídica de contratos fiscais, deverá, para o efeito, propor uma acção derivada de contrato fiscal. No

contrato fiscal poderá prever-se uma

convenção de arbitragem.

Por fim, no caso de o contribuinte entender que, no âmbito de uma relação tributária, a actuação ou omissão de um órgão e os respectivos titulares, funcionários e agentes lhe causaram dano, poderá lançar mão também de uma acção de responsabilidade civil da Administração tributária e dos seus órgãos.

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AS S S S IIIINTIMAÇÕESNTIMAÇÕESNTIMAÇÕESNTIMAÇÕES

O novo código prevê um regime específico para a intimação da Administração tributária. Com efeito, caso a Administração tributária se

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informações requeridas pelo contribuinte, a facultar-lhe o acesso a peças do procedimento que lhes digam respeito ou a passar certidões, o contribuinte poderá apresentar, junto dos Tribunais, uma intimação.

O contribuinte dispõe de um prazo de dez dias a partir do conhecimento do indeferimento – expresso ou tácito – do pedido efectuado. Este processo compreende um requerimento apresentado pelo contribuinte, dispondo a Administração tributária de um prazo de dez dias para contestar e devendo o juiz tomar uma decisão, também, no prazo de dez dias.

A A A

AS S S S PPPPROVIDÊNCIAS ROVIDÊNCIAS ROVIDÊNCIAS ROVIDÊNCIAS CCCCAUTELARESAUTELARESAUTELARESAUTELARES

O presente diploma contempla, ainda, dois tipos de providências cautelares: o arresto e o arrolamento.

O arresto poderá ser requerido pela Administração tributária quando o tributo estiver liquidado ou em fase de liquidação e houver fundado receio de diminuição da garantia da cobrança dos créditos tributários.

O arrolamento consiste na descrição,

avaliação e depósito dos bens arrolados e pode ser requerido quando houver fundado receio de extravio ou dissipação de bens ou

documentos conexos com obrigações

tributárias.

Sendo realizada a apreensão de bens ou de documentos, o contribuinte pode deduzir impugnação judicial contra a mesma, no prazo de 15 dias.

A A A

A IIIIMPUGNAÇÃO DE MULTAS MPUGNAÇÃO DE MULTAS EM PROCESSO DE MPUGNAÇÃO DE MULTAS MPUGNAÇÃO DE MULTAS EM PROCESSO DE EM PROCESSO DE EM PROCESSO DE TRANSGRESSÃO FISCAL

TRANSGRESSÃO FISCALTRANSGRESSÃO FISCAL TRANSGRESSÃO FISCAL

Sendo aplicada uma multa em processo de transgressão fiscal, o contribuinte dispõe do prazo de 15 dias posteriores ao da sua notificação para a impugnar, mediante requerimento.

Por ser um processo urgente, a sua tramitação é reduzida. Assim, juntamente com o requerimento apresentado pelo contribuinte, devem ser apresentados todos os documentos que se demonstrem adequados para provar os factos alegados, bem como as alegações e os requerimentos de prova. O O O

O AAAACESSCESSCESSCESSO DA O DA O DA O DA AAAADMINISTRAÇÃO DMINISTRAÇÃO DMINISTRAÇÃO DMINISTRAÇÃO TTTTRIBUTÁRIA ARIBUTÁRIA ARIBUTÁRIA ARIBUTÁRIA A SITUAÇÕES E ELEMENTO

SITUAÇÕES E ELEMENTOSITUAÇÕES E ELEMENTO

SITUAÇÕES E ELEMENTOS PROTEGIDOS POR S PROTEGIDOS POR S PROTEGIDOS POR S PROTEGIDOS POR LLLLEIEIEIEI Como forma de protecção das garantias constitucionais do contribuinte, a nova lei prevê um regime específico de acesso da Administração tributária às situações e elementos protegidos por Lei. Este é um dos mais importantes meios processuais de tutela dos direitos dos contribuintes, que não constava do anterior Regulamento do Contencioso das Contribuições e Impostos.

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Nos termos deste regime, o dirigente da unidade orgânica que proceda a acção

inspectiva deverá formular pedido

devidamente fundamentado de acesso ao domicílio do contribuinte e a elementos abrangidos pelo sigilo bancário ou outro dever de segredo legalmente protegido.

A lei é, pelas razões evidenciadas, bastante exigente quanto aos elementos que devem constar do pedido e o contribuinte tem a possibilidade de impugnar, junto do tribunal competente, no prazo de 10 dias após a notificação ou conhecimento efectivo da diligência, a decisão de acesso a situações e elementos protegidos por Lei.

O O O

OS S S S RRRRECURSOSECURSOSECURSOSECURSOS

O presente Código consagrou, também, um

regime específico relativamente à

possibilidade de recurso e à respectiva tramitação, dividindo os recursos em dois tipos: ordinários e extraordinários.

Quanto aos primeiros, após decisão tomada em primeira instância, qualquer uma das partes pode interpor recurso dessa mesma decisão. O recurso da decisão tomada em primeira instância é intitulado de recurso ordinário. Por regra, o prazo para interposição de recurso ordinário é de 15 dias após ter sido proferida sentença.

Após a apresentação do requerimento de recurso ordinário, juntamente com as

alegações, o juiz poderá convidar os intervenientes a pronunciar-se sobre a matéria do processo, no prazo de 10 dias. Seguidamente, deverá ser realizada sessão de julgamento, sendo, por fim, emitida decisão. Da decisão tomada em segunda instância, pode ser apresentado recurso extraordinário, com fundamento em oposição de sentenças ou acórdãos ou em revisão.

O recurso por oposição de sentenças ou acórdãos deverá ser interposto no prazo de 15 dias, devendo o requerimento e as alegações

ser apresentados conjuntamente.

Consequentemente, o Tribunal notificará o recorrido para alegar, dispondo de um prazo de 15 dias.

Já o recurso de revisão pode ser deduzido nos três anos posteriores ao do trânsito em julgado. Porém, o recurso de revisão só pode ser interposto caso haja incompatibilidade da decisão judicial a rever com outra decisão

judicial transitada em julgado,

designadamente, no que diz respeito à falsidade de qualquer documento ou facto que lhe serviu de base. O requerente deverá interpor recurso de revisão nos 30 dias posteriores ao conhecimento do facto que serve de base ao recurso.

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O novo Código de Processo Tributário é um diploma bem completo, que permitirá o exercício dos direitos e garantias dos

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contribuintes de modo bem mais adequado e compatível com a Constituição Angolana, cabendo agora à Administração tributária, como meio alternativo da impugnação durante um período de tempo adequado e simultâneo à formação dos funcionários administrativos e

magistrados judiciais, controlado pelo

Conselho Superior de Magistratura, e, porventura, com a participação de árbitros angolanos e outros (creditados por esse ou outro órgão angolano) de países de língua portuguesa.

Lisboa, 8 de Janeiro de 2015 Rogério M. Fernandes Ferreira Francisco de Carvalho Furtado Marta Machado de Almeida José Diogo Mègre Pires

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