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O pior ano das nossas vidas

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Academic year: 2021

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Em Portugal a situação é muito difícil. O especialista Francisco Melro sustenta

(página 9) que a economia portuguesa vai reemergir após a pandemia muito

mais fraca e dependente. Em seu entender, “será, das economias da União

Europeia, a mais duramente e estruturalmente atingida”.

Embora a realidade justifique o pessimismo – com a maioria dos sectores em

dificuldade – há, por outro lado, razões para um cauteloso optimismo, tendo

em conta a resiliência que se observa em diversas áreas de actividade – e não

apenas as ligadas às novas tecnologias. Até na agricultura há cada vez mais

casos de sucesso.

Realmente, 2020 foi, está a ser, o pior ano das nossas vidas – em termos

sanitários, económicos e sociais. Mas também esta pandemia será vencida,

pelo que, agora, temos de alimentar uma esperança lúcida, olhando os

casos bem-sucedidos. E procurando replicá-los.

Q

O pior ano

das nossas vidas

Deixando de parte umas quantas “profecias” – algumas verosímeis, é certo –

pode dizer-se que quase ninguém previu a pandemia de 2020 e muito menos o

seu grau de destruição.

Investigadores, virologistas, infecciologistas, já para não falar dos

vigilantes “radares permanentes”, todos foram surpreendidos pelo modo

de aparecimento e pela força da COVID-19. E, como se sabe, ainda

hoje o comportamento do vírus está longe de gerar unanimidade por

parte da comunidade científica, o que torna a situação particularmente

complicada.

Os efeitos da COVID-19 na economia são incalculáveis. Como refere João César

das Neves (página 22 desta edição), “ninguém podia antever a dimensão da

terrível tempestade que subitamente se abateu sobre todo o mundo”. Trata-se

de uma colossal calamidade sanitária que gerou uma crise económica sem

precedentes. Na verdade, lembra o académico, “o mundo enfrenta em 2020

uma quebra do produto que não sentia desde a guerra de 1939-1945”.

Assim é, de facto. Os dirigentes mundiais procuram medidas visando o

equilíbrio entre o controlo da doença e o resgate da economia. Os problemas

adensam-se, a situação social em muitas zonas do globo é explosiva.

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O E C O N O M I S T A 2 0 2 0

Director

Rui Leão Martinho

Coordenador-Geral

António Ramos Gomes

Conselho Editorial

António Pinheiro

António Pinho Cardão Carlos Tavares Daniel Bessa Eduardo Catroga Francisco Murteira Nabo Guilherme Vaz João Costa Pinto João Duque João Salgueiro

Joaquim Miranda Sarmento José de Almeida Serra José Félix Ribeiro Manuela Morgado Mário Adegas Miguel Cadilhe Nicolau Santos Nuno Valério Ricardo Arroja Teodora Cardoso Directora Comercial

Maria Manuela de Almeida Projecto Gráfico

Notimpossible.Design Paginação

António Paulo Gomes Rui Ligeiro

Revisão

António Paulo Gomes

Editor:

Polimeios-Produção de Meios, Lda. Rua Francisco Rodrigues Lobo, 2-R/C Dto. 1070-134 Lisboa, Portugal

Telefone: 213 859 950

E-mail: [email protected] URL: www.cadernoseconomia.com.pt ERC 113220. Depósito legal n.º 18969/87. ISSN 1646-9909

Produção Gráfica: Polimeios Tiragem: 12.000

Impressão e acabamento: RBM Artes Gráficas, Lda.

Alto da Bela Vista, 68 - Pavilhão 8, R/C São Marcos

2735-336 Agualva-Cacém Ano XXXIII – Número 33 – 2020

O Economista é uma realização conjunta da Polimeios e da Ordem dos Economistas Portugueses.

Embora

a realidade

justifique

o pessimismo,

há, por outro

lado, razões

para um

cauteloso

optimismo,

tendo em conta

a resiliência

que se observa

em diversas

áreas de

actividade.

Estatuto Editorial

A revista O ECONOMISTA é um órgão de análise das questões económicas, financeiras e sociais. A revista O ECONOMISTA é uma publicação independente do poder político e dos interesses económicos. A revista O ECONOMISTA assume o compromisso de não utilizar as informações a que tenha acesso para outros fins que não a elaboração de análises e comentários a publicar nas suas páginas.

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O E C O N O M I S T A

S U M Á R I O

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O ECONOMISTA 2020

.

7 A pandemia apenas agravou Rui Leão Martinho

9 A economia portuguesa vai reemergir mais dependente Francisco Melro

21 E tudo o vírus levou... João César das Neves

25 O controlo orçamental e o atraso da economia Teodora Cardoso

28 A economia portuguesa no pré e pós-COVID-19 Joaquim Miranda Sarmento

32 As duas faces da Saúde Pública Constantino Sakellarides

36 COVID-19 e o sistema de saúde português Pedro Pita Barros

42 Economia e pandemia Dieter Dellinger

45 Crises, desemprego e políticas Mário Caldeira Dias

53 Emprego e o programa de estabilização económica e social Glória Rebelo

58 A Banca como chave para a recuperação da economia

e os impactos da reputação Fernando Faria de Oliveira

64 O novo Banco de Fomento José A. da Silva Peneda

67 Setor segurador: como reagiu José Galamba de Oliveira

71 Seguir em frente José Gomes

73 A educação em tempos de COVID-19 José Ferreira Gomes

76 Da ética à deontologia Jorge Rodrigues

79 Política fiscal em tempos de COVID-19 M. H. Freitas Pereira

84 Uma agenda de confiança para a economia portuguesa Francisco Jaime Quesado

87 O turismo e a COVID-19 Licínio Cunha

91 Uma reforma da PAC em tempo de pandemia Francisco Avillez

95 Agricultura: novos desafios ao seu financiamento Licínio Prata Pina

99 O Corporate Governance e as empresas familiares Pedro Fontes Falcão

103 Contra o unanimismo acrítico Francisco Assis

106 A resiliência da China Fernanda Ilhéu

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RUI LEÃO MARTINHO

DIRECTOR

O E C O N O M I S T A

E D I T O R I A L

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O ECONOMISTA 2020

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O que Portugal está a atravessar em matéria da pandemia não deixa muitas dúvidas sobre o não controlo da situação sanitária do País.

Tal como no resto do mundo, e especialmente na Europa, esta situação está a prolongar-se sem ainda um horizonte previsível de resolução, pelo que as consequências na economia são de uma importância extrema. Na realidade, as contas públicas portuguesas irão atingir, no final de 2020, um défice que oscilará entre os 8 e os 10%, enquanto o PIB poderá sofrer uma variação entre 9 e 12%.

O vírus SARS-CoV-2, com as consequências que estamos a viver, trouxe uma crise económica muito profunda, pois para além das despesas derivadas desta inesperada pandemia pôs a nu as muitas debilidades que já tínhamos e que tinham sido ignoradas e não resolvidas ao longo dos últimos anos.

Este século tem-se caracterizado, em Portugal, por uma estagnação económica, por um fraco crescimento e por uma ausência de reformas estruturais. Mesmo as medidas tomadas durante o período de intervenção externa de 2011 a 2015 acabaram por ser, na sua maioria, revertidas nos anos seguintes, logo conjunturais.

Assim, é fácil percebermos que sem reformas estruturais e tendo já atingido receitas fiscais em valores máximos difíceis de superar, a que se junta uma elevada dívida pública, a pandemia veio simplesmente agravar a débil situação da nossa economia.

Internacionalmente, há uma expectativa da recuperação da pandemia e das suas consequências de uma forma longa, desigual e incerta. Daí, a importância extrema do aproveitamento dos fundos europeus que nos estão destinados e do Plano de Recuperação e Resiliência, o qual deve estar articulado com o que está pensado a nível da União Europeia, participando assim verdadeiramente num projecto europeu de relançamento e modernidade. Temos de pôr termo à incapacidade que Portugal tem tido de crescer a um ritmo razoável, optando firmemente por tomar as decisões que nos permitam um crescimento sustentado e robusto.

Estes temas estão patentes em cada um e em todos os trabalhos que constam desta edição do Anuário.

Tentámos abordar os mais diversos sectores da economia, nas perspectivas diferentes de especialistas de várias áreas e aguardamos que da sua leitura se possam retirar elementos que nos ajudem a compreender melhor a situação que estamos a viver e a preparar melhor o nosso futuro colectivo. Q

[email protected]

A pandemia

Referências

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